Abrir mão do ESG não é mais uma opção - Escritores do Portal Líderes extraordinários
8 Jun 2023 · 62 min
André Abucham, Jair Ribeiro, and Filipe Vieira argue that ESG must be woven into corporate culture and governance, not treated as separate. They highlight racial equity and education as core social priorities, pointing to the Pacto pela Equidade Racial and Brazilian companies running wind farms, solar açaí processing, and vocational training programs.
Chapters
O ESG tem que permear a organização como um todo. E pra você fazer isso acontecer é um trabalho de cultura.
As empresas também tem que contribuir pra fazer o papel delas também de reduzir essa desigualdade tanto racial como social no Brasil.
O líder executivo tem o papel de formar culturalmente as pessoas e a gente sempre ganha com isso. Esse é o negócio. Você nunca perde.
Hoje no IPOcast, mais uma vez teremos uma conversa com a equipe de especialistas do portal Líderes Extraordinários sobre a importância do ESG na gestão corporativa. A combinação desses três pilares, ambiental, social e governança, ajuda a impulsionar ações práticas capazes de transformar a sociedade e também tornar empresas mais relevantes e conectadas com o seu propósito. Está começando agora o YPOcast, o podcast do YPO Brasil. O YPO é uma comunidade global de executivos e empreendedores extraordinários, com mais de 30 mil membros no mundo. Aqui, toda semana você conhece uma nova história de vida e carreira dos nossos membros. Este episódio é em parceria com o Exame e patrocinado pelo grupo Boticário e Comec Energia.
Olá, bem-vindos a mais um IPOcast, o podcast do IPO Brasil. Hoje aqui com o núcleo de ESG, do portal Líderes Extraordinários. Teremos aqui uma resenha muito boa, um bate-papo. Estou aqui com a minha host, Roxana Sadir.
Sempre um prazer estar com você, Eduardo.
Hoje você é host, mas você também conhece bastante do assunto, né? Você é diretora de impacto do IPO Brasil. Já queria que você começasse falando sobre isso.
Olha, dizer que conhece muito, eu acho que qualquer um que diga isso está mentindo. Estamos todos aprendendo. É uma diretoria que começou há alguns anos no Brasil também, sobre trabalhar com impacto e a gente vem evoluindo muito o conceito. No início era muito um trabalho mais filantrópico e apesar de filantropia ser essencial em todas as dimensões, hoje a gente está evoluindo muito para incorporar a questão de ISG dentro das operações. Então, se antes as atividades ambientais e sociais eram da porta para fora, hoje a gente já está vendo essas iniciativas da porta para dentro das organizações, incorporando no propósito, nas operações, nas realizações e resultados das empresas. Porque o que a gente vê é que é um círculo virtuoso. Você investe e esse investimento retorna sempre de alguma maneira. E hoje a gente está com vários colegas, também especialistas no negócio e que estão escrevendo e atuando para poder trabalhar o ESG no IPO, em suas empresas e nas comunidades.
Também especialistas e também aprendendo.
E também aprendendo.
Bom, o Núcleo de ESG tem oito escritores, a gente tem aqui três dos oito hoje representando o grupo. Andrea Bouchan, temos aqui o Filipe Vieira, Felipe, seja bem-vindo. Temos Jair Ribeiro. Eu vou passar aqui pra vocês, queria que vocês conhecessem um pouco, que os nossos escritores conheçam um pouco a história de cada um de vocês. André, você começa?
Começo. Obrigado mais uma vez pelo convite. É um prazer estar com vocês, compartilhando um pouco da minha história pessoal, minha conexão com esse tema. Eu sou o diretor superintendente da Engenharia, tenho a mesma idade dessa empresa, 46 anos, e fazemos parte de um grupo de empresas que se conecta de várias formas com a SG, porque tem a empresa de engenharia, a de desenvolvimento imobiliário, tem a de energia renovável e tem a de concessões e investimentos. Com quase 8.200 colaboradores no final de abril, A gente tem várias formas de permear as três letrinhas do SG, e eu espero poder contribuir com o que a gente tem aprendido buscando o nosso ESG genuíno nas nossas organizações.
Obrigado, André. Jair?
Bom, é um prazer também estar aqui com vocês do IPO. Eu venho de uma carreira no mercado financeiro, comecei com um banco de investimento, depois fiz uma empresa de tecnologia, depois voltei para a atividade de banco, mas com uns 40 e poucos anos eu tinha acabado de vender o primeiro empreendimento que eu tive e eu tirei um sabático. e fiz um programa para devolver um pouco para a sociedade do que eu tinha recebido. Eu tive uma educação privilegiada no país, ultra desigual, e eu via que a educação era uma forma de você equalizar um pouco esse Brasil tão desigual que a gente tem. E aí eu criei uma organização que se chama Parceira à Educação, que fazia apoio às escolas públicas. E com isso eu comecei a me envolver cada vez mais na questão da educação pública e, puxa, desses 18, 19 anos, tenho me envolvido cada vez mais. E hoje, já não tendo mais uma função executiva, estou quase que 60% do meu tempo voltado à educação.
Bacana. Felipe?
Olha, primeiro de tudo, é um prazer estar aqui com tanta gente qualificada e experiente no assunto, pra mim é uma honra. Eu tenho um viés um pouco mais pro lado ambiental, porque eu sou técnico em meio ambiente, engenheiro florestal de formação, 15 anos no setor florestal e no agronegócio. E acima de tudo, hoje eu sou vice-presidente da Vale, empresa do Grupo Valmont, uma empresa que eu falo que não tem o ESG. Ela é ESG porque ela nasceu com o intuito de melhorar a vida, conservando recursos através do que ela produz, que são produtos para levar a irrigação, gestão da água e melhorar o agronegócio em diversos pontos. E no lado da infraestrutura, melhorar a qualidade da vida através de eficiência energética, através de infraestruturas inteligentes. Tudo isso aqui é bonito no papel, mas é bonito de ver na prática. Eu falo isso porque quem conhece na ponta ou no campo, vamos falar assim, consegue ver a transformação que é o nosso Brasil e outros lugares numa questão social. Como a vida da sociedade muda quando você tem empreendimentos que respeitam essas coisas e que levam com esse propósito de mudar a vida das pessoas.
Ótimo! E para começar, a gente falava aqui um pouco antes na nossa preparação sobre o hype, né André? Assim, que é... Para começar, a gente não vai falar ISD, a gente vai falar ESG. Como é que é essa questão de realmente uma empresa, André, se importar em fazer um trabalho de ESG consistente ou aproveitar a moda para falar sobre isso e sair na capa das revistas e na rede social?
Essa é uma ótima pergunta, porque eu realmente acredito, e coloquei no meu primeiro artigo aqui, que existe uma necessidade das empresas e seus principais líderes encontrarem o seu ESG genuíno, que não é uma coisa tão fácil de se descobrir. Exige uma imersão colaborativa com a equipe, a liderança, chegando até lá no chão das fábricas, para a gente descobrir o que realmente importa em cada uma dessas letrinhas, do E, do S e do G. E acho que uma vez que você consegue identificar o que a sua empresa já faz, Rosana, porque a gente faz muita coisa em cada um desses pilares. E eu acredito que muitas das empresas não tenham nem consciência de quantas ações fazem de ESG, porque ainda não colocaram isso de uma forma estruturada, embaixo de um guarda-chuva, de uma estratégia, pra identificar o que já faz. A partir do momento que você tem ciência, Duny, do que você já faz, então você começa a estudar mais, se apoia em consultores renomados para descobrir, assim, o que mais é relevante para você e, principalmente, onde você acha que o impacto do investimento do seu tempo, do seu dinheiro, pode trazer um retorno maior, um impacto maior para a sociedade e para o mundo. Então a gente fala muito sobre isso, de tentar descobrir o que é o ESG que é pra valer. E é um ESG que não é pra você fazer marketing, colocar em peças de comunicação, ou ficar mandando pra partes relacionadas pra poder criar novos negócios ou conseguir um financiamento. É um ESG que faz sentido. Uma vez que você descobre isso, Eu acho que é importante ter um problema de conscientização da equipe, porque o SG não pode ser só praticado pelo André Bouchan, os conselheiros, a diretoria, a alta liderança da empresa. O SG tem que permear a organização como um todo. E pra você fazer isso acontecer, é um trabalho de cultura, não é, Rossana? Porque eu realmente sou um líder, e eu acho que a gente falou naquele outro podcast, que acredita muito nas organizações dirigidas pelo propósito. Cada uma dessas empresas que eu mencionei pra vocês na abertura, tem um propósito diferente. E uma vez que o tema do ESG se conecta com a cultura, se conecta com aquele propósito profundo, organizacional, as pessoas entendem. Seja uma pessoa trabalhando numa obra, num parque eólico, num projeto de concessão cemiterial, por exemplo. E ontem nós fizemos o enterro da Rita Lee. as pessoas entendem a importância das ações, cada uma delas conectadas com o tema de ESG. Então acho que eu concluo por aqui, deixando só essa mensagem que uma vez que a gente consegue entender o que é de fato relevante para dentro da organização, que faz sentido para fora no mundo, acho que o principal desafio é isso ser algo que permeia toda a cultura organizacional.
Muito interessante o que você traz aqui da questão de propósito, que foi um tema que o Filipe também trouxe. Então, voltando a isso e trazendo da sua abertura, Filipe, a gente também no IPO está com o slogan esse ano de trabalhar impacto do ponto de vista de transformações sociais e ambientais como motor de crescimento e oportunidades de negócio. Então, trazendo a sua experiência dentro da questão ambiental e também da questão de inovação que está tão forte no campo, promovendo o avanço, a produtividade e o melhor impacto ambiental, queria conhecer um pouco o que está acontecendo aí nesse Brasilzão nosso, agrícola.
Muito legal. Rosana, isso é uma...
Diretamente da Agri Show.
Não, é passado. Passado a Agri Show, terminou sexta-feira da semana passada. Um baita de uma vibe boa, um hype legal, assim. Porque um momento cheio de turbulências aí, com o preço de commodities caindo, algum tipo de conflito ou agito no cenário político. Mas depois de 15 anos de agro show, esse eu comentei com vocês, foi o mais legal de todos pra mim, porque parecia que a gente estava realmente vivendo um filme do futuro, não vendo coisas que iam ser lançadas no futuro, não, são coisas de prateleira que parecem vindo de um filme de ficção científica, robôs atuando no agro e tudo mais. Mas eu queria começar a falar da inovação, eu lembrei de uma passagem, Ruxana, Existe um evento, se eu não me engano, a cada quatro anos chamado Expo. Eu fui na Expo Milano, não lembro se está aqui em 2015, e depois teve uma agora por último nos Emirados, onde cada país leva vários setores de inovação. E apesar de haver um monte de situações super tecnológicas, Quando eu estive na Expo Milano, pra mim a inovação mais simples, assim, sabe aquele negócio que o Belo tá no simples e que tinha um baita de um impacto, foi ver num determinado, eu nem vou lembrar qual era o país da África Subsaariana, tava mostrando um tonel de plástico com um gancho dos dois lados que você empurrava, com aquele troço rodava, porque pessoas caminhavam não sei quantos quilômetros carregando 70, 80 quilos de água. pra carregar na mão. E aí o cara simplesmente inventou um carrinho de mão que carregava água, pra facilitar a vida.
A roda.
A roda. Então você vê, a gente era em 2015, né, expôr Milano bilhões em investimentos. E aquilo me chamou a atenção porque a gente esquece quem tá aqui hoje na JK, dentro de São Paulo, tivemos... oportunidades diferentes. A gente esquece o quão dura é a vida pra quem não tem essa mesma situação e quantas situações passam por aquilo. Então, hoje, o Brasil, falo de boca cheia, tem o agronegócio mais responsável ambiental do mundo. Sabe por que não fala de desmatamento em outros lugares do mundo? Porque não tem floresta.
Porque acabou.
A floresta tá aqui. E quem faz com preservação, com qualidade, é o agro-brasileiro. Só que é responsabilidade do executivo desse segmento. contar e mostrar os fatos. A gente vive num, numa, uns pra lá e outros pra cá, tá na hora de misturar e fazer, botar os fatos na mesa. Mas sobre as inovações, que eu falei que sai, assim, super animado do que eu vi no Angra Show, vamos imaginar, há pouco tempo atrás, um engenheiro agrônomo, seu marido é engenheiro agrônomo, ele pode contar melhor. Ele determinado fazia o que a gente chama de scouting na lavoura, ele dava uma olhada lá e falava assim, olha, tem uma determinada praga aqui, a recomendação do livro que eu aprendi na agronomia é só um determinado produto, tantos litros por hectare, põe no priorizador e aplica o que a gente chama de área total. Isso existe ainda em muita quantidade. O que hoje tem já diversas tecnologias? Imagem de satélite, imagem de drone, câmeras de inteligência artificial ali que estão escaneando aquela lavoura o dia todo pra dizer, opa, essa praga nesse estágio, tentar achar sempre antes, é igual medicina preventiva, né? Achar num estágio anterior pra dar uma indicação e fazer uma determinada aplicação de um produto químico naquele local, naquela hora, e não mais em área total. O que isso tem a ver com relação à nossa área ambiental? São recursos que estão sendo usados em menos quantidade, o produtor está economizando, mas são produtos que a gente está usando de forma racional. Isso pra produção de produto químico, de defensivo, mas também pra água. Então, uma coisa é a gente falar assim, vamos irrigar, joga água pra tudo que é lado. Outra coisa é, que tipo de solo, pra quando que precisa, que hora que precisa, e isso eu controlo tudo pelo meu celular, tem uma inclusão digital inclusive sobre isso. Eu, pra não ficar, porque eu posso ficar falando horas sobre isso, eu solto uma coisa assim ó... ainda em defensor do agro-brasileiro. A idade média do agricultor brasileiro hoje está em 45, 46 anos de idade e caindo. Enquanto nos Estados Unidos é 56, 57 e subindo. Quem você acha que vai adotar mais tecnologia e vai andar na frente daqui a 5 ou 6 anos? Eu acho que nós temos grande chance.
Roxana, esse é só o aquecimento, né?
Nossa, já ia para aprofundar muito nessa história.
Jair, você é fundador da Casa do Saber e do Parceiros da Educação. Fala um pouco sobre essa iniciativa, essas duas iniciativas.
Colocando um pouco do que a Rossana colocou, da questão de por que o SG nas empresas, que eu acho importante, é que eu não acredito em CEOs bonzinhos, não acredito em bom coração. Eu fui CEO há 30 anos, tem meta, tem tudo mais. Por que o CEO deve se preocupar hoje com o SG, na minha visão? Porque a gente está vivendo um novo normal. Nós estamos vivendo... e quem não acordou pra isso, precisa acordar. Quer dizer, hoje tem uma demanda muito maior da sociedade pra empresa ser um capitalismo responsável, tem uma demanda dos funcionários que querem propósito, você não consegue atrair gente boa se você não tiver uma empresa com propósito. Então, é uma questão puramente financeira e de boa execução. Não, não é nem de fazer parte de você ter uma empresa próspera e rentável e que cresça, quer dizer...
É a condição.
É a condição hoje, desse novo normal que a sociedade está impondo. Até eu tenho um curso na Casa do Saber excelente sobre pós-modernismo, que coloca lá por com a base filosófica disso que nasceu na década de 50, 60 do século passado, que povoou a universidade, mas que tá fazendo a cabeça hoje dos nossos filhos. A gente reclama, que os nossos filhos reclamam disso, mas é porque eles são frutos desse novo normal que a gente tá vivendo, dessa nova fase civilizatória que a gente tá vivendo no ocidente. Então, primeiro eu acho que é importante o pessoal acordar pra isso, puramente pra vem das melhores receitas maiores e mitigar os seus riscos de poder ser cancelado, de poder ser afetado por uma cobrança em que hoje a sociedade é uma realidade. Pode gostar, pode não gostar, mas é uma sociedade. Muita gente fala de woke, ou fala de outras coisas. Não adianta brigar com isso, é uma realidade que a gente tem que viver, conviver. E por isso que a gente fez até aquele pacto de equidade racial, porque é uma forma de dar um roadmap para as empresas de como elas se posicionarem nesse novo normal de ser uma empresa, dentro de um país tão desigual como o Brasil, uma empresa que não basta ser não racista, tem que ser anti-racista e tem que contribuir como todos os stakeholders, como o governo, como os filântropos e como a sociedade civil. As empresas também têm que contribuir para fazer o papel delas também de reduzir essa desigualdade tanto racial como social no Brasil.
Casa do Saber, parceiro de educação.
Casa do Saber é um business, for profit, aliás, que nasceu de uma brincadeira na minha casa. Eu tinha um sabático naquela época. Eu sempre quis estudar filosofia, arte, etc, mas eu estava no IPO naquela época. Meus amigos do YPO só queriam fazer Jack Welch, ou só falar de negócios, não tinha essa abertura. Daí, quando vendi o banco, tirei um período sabático, passei a frequentar menos o YPO, falei assim, deixa eu abrir um pouco a minha cabeça, e eu acho, a ideia da Casa do Saber é que você não pode passar 80, 90 anos por aqui, por esse mundo, sem conhecer Por exemplo, Fernando Noronha, que é uma coisa linda, essas belezas físicas e tudo mais. Mas também você não pode passar esses anos todos sem conhecer a riqueza cultural produzida pela humanidade. Sem conhecer, sei lá, a descrição de Deus espinosa. É maravilhosa, é um poema de bandeira. Então, são coisas que foram criadas pela civilização ocidental que são tão bonitas, tem que conhecer. Então essa é um pouco da função da Casa do Saber, é trazer essa cultura ocidental de uma forma laica, de uma forma também acessível, para que as pessoas possam entender o que está rolando, o que foi produzido pela humanidade. Acho que isso é da Casa do Saber. A parceira-educação é uma forma, aquilo que eu estou colocando, de você devolver para a sociedade. O maior problema nosso, do Brasil, é a desigualdade. Você só consegue reduzir a desigualdade por meio da educação. É o maior, o que a gente chama de Great Equalizer nos Estados Unidos. O grande equalizador é a educação. Foi em vários outros países e aqui no Brasil a gente está muito atrás nisso. Então, a Parceiros visa justamente isso. Trazer as empresas, trazer os empresários, trazer uma sociedade civil para apoiar o governo, para melhorar a educação pública brasileira.
Bom, e dentro disso tem a questão do parto.
Eu fico mais motivado.
Ótimo.
E eu vi o Jair falando, me trouxe uma ideia aqui do ano importante, porque nos inspira, né?
Sem dúvida.
A história do Jair nos inspira, o jeito que ele coloca, né? O quanto ele acredita nisso. de uma forma tão autêntica, me faz pensar da importância de um dos pilares que a gente está discutindo aqui no ESG, que é a parte mais social mesmo. E por que as nossas organizações não podem se inspirar um pouco, Roxana, no que o Jair está falando e trazer para dentro da casa a Casa do Saber. Então, há quase 15 anos, a gente reformulou um centro de educação e treinamento na Faria Lima, uma coisa pouco usual, um auditório muito grande, onde grandes palestrantes da Casa do Saber, como, por exemplo, o Leandro Karnal. Karnal foi várias vezes conversar com a gente, falar sobre China, conflitos no Oriente, história da arte, porque eu acho que a nossa organização, as organizações brasileiras, podem, do Pilar do S, trazerem desenvolvimento cultural para o seu próprio time. E na medida que esse time está se desenvolvendo intelectualmente, conhecendo tudo isso que o Jair falou, eles levam adiante, conversam com as suas famílias, e isso vai se propagando de forma a criar esse círculo virtuoso. Da mesma forma, o parceiros da educação me faz pensar o quanto nós, como empresários, executivos, podemos investir na formação dos nossos times. Há muito tempo a gente vem com essa pegada de ter esse pilar estratégico da formação de pessoas, até que mais recente isso materializou numa academia. Muitas organizações grandes já tem na sua estratégia um pilar de ter uma academia formal com vários pilares de desenvolvimento do seu time. Mas, no fundo, isso é educação, que o Jair fala aqui, do Parceiros da Educação. Isso é educação que pode ser feita dentro das empresas, pode ser feita junto com as pessoas das famílias das empresas. E, dessa forma, a gente vai promovendo essa educação, que, segundo eu já ouvi do Jair, é uma das únicas formas que a gente vai poder transformar o Brasil da forma que a gente gostaria. Então, é o que ele inspira.
Na questão ambiental, eu coloco sempre que, antes da calota polar, derreter e afundar o Rio de Janeiro, nós corremos um risco enorme de ter uma convulsão social nesse país. Porque a desigualdade no Brasil é das maiores do mundo. Você tem um índice genial. Todo mundo sabe disso e tudo mais. Mas tem um estudo que eu vi em Stanford uma vez, onde os 5% mais pobres brasileiros vivem como os 5% mais pobres indianos. Só que os 5% mais ricos brasileiros vivem como os 5% mais ricos europeus. Enquanto 5% mais ricos indianos não vivem como os europeus. Então o distanciamento nosso é maior. A Rússia também é distanciamento menor. Tem desigualdade em todos os países, mas é o país que tem mais desigualdade, acho que o Brasil e quem sabe a Argentina parece, que você tem essa desigualdade. Então é um caldeirão. Se a gente quer viver nesse país, não quer mudar para Portugal, não quer ir para Miami, se a gente quer transformar esse país em um país melhor, a gente tem que reduzir essa desigualdade. Quando você abre a tampa da panela da desigualdade, você vê a questão racial lá dentro. Porque 70 e tantos por cento da população mais pobre é a população negra. Porque a gente teve escravatura durante o Brasil, sei lá, 300, 400 anos, e você não teve um processo de reintrodução do negro no mercado de trabalho, na educação. E a gente sempre viveu, eu fui educado nisso, acho que muitos aqui também, que a gente vivia numa democracia racial. Aquela história de que, poxa, não, aqui no Brasil não tem segregação como nos EUA.
É intrínseca, né?
É, não tem racismo. Isso eu aprendi muito nos últimos anos, e eu acho que é uma ignorância, quem sabe, da nossa parte, dos CEOs, que sim, no Brasil, a gente tem que encarar, no Brasil tem um racismo estrutural, sim, é difícil, é complicado, a vida é diferente, eu não tenho esse lugar de fala, porque eu nasci numa situação mais favorável, Mas o Brasil tem isso aí, a gente precisa encarar isso, enfrentar isso. Então eu sou sim a favor do sistema de cotas, sou sim a favor de ações afirmativas e sou sim a favor das empresas investirem aqui no Brasil na questão da melhoria da educação pública para reduzir a equidade racial e social do Brasil.
E vocês já estão fazendo isso com o Pacto para a Equidade Racial, né? É. E o que é isso? Como está sendo estruturado? Com que tipo de iniciativas? E que resultados as empresas podem esperar disso, por exemplo?
O que é, né? O que é?
Ou as comunidades, né?
Eu escrevi um artigo muito bom que está no site desse ano sobre o Pacto de Equidade Racial.
Fazendo registro. Conheça mais sobre o Pacto pela Equidade Racial escrito por Jair Ribeiro. Está lá no site com líderes extraordinários.
Isso. Leia! Aquele Borat, né? Eu adoro o Borat. Adoro o Borat.
É divertido aquele filme.
Mas a colocação é a seguinte, o protocolo SG pra questão racial no Brasil tem que ser diferente, porque a situação racial no Brasil é diferente. No Brasil, nós temos 56% da população negra. Nos Estados Unidos, por exemplo, você tem 12% da população negra só. Então, com ações afirmativas, você resolve o problema nos Estados Unidos. É uma questão de ações afirmativas, porque existem, você tem cotas nos Estados Unidos há, sei lá, décadas, 60, 70 anos, existem negros qualificados para o mercado de trabalho. Aqui no Brasil você não fez esse negócio, então não basta você só fazer ações afirmativas, você precisa fazer o que a gente chama de investimentos em equidade racial. E esse processo todo, então a gente criou um roadmap para as empresas se tornarem, se tornarem conscientes e trabalharem nessa questão racial dentro das suas organizações. E esse roadmap foi construído com organizações do setor negro, do movimento negro, com ONGs, com empresas, com consultorias, quer dizer, foi um ano e meio, quase dois anos de trabalho juntando esse pessoal, vários workshops, pra gente criar esse protocolo do que precisa fazer pra se tornar uma empresa de fato antirracista e ter uma consistência nessa prática.
Já é até correto, é uma pergunta, é correto afirmar que existe um racismo até inconsciente, porque a gente vai sendo educado de determinada forma e a gente vive nesse ambiente e a gente pratica coisas que muitas vezes não refletem e às vezes com uma afirmação, com uma lembrança, com uma clareza você consegue parar e refletir a respeito.
Com certeza. Aliás, tem muita literatura a respeito disso, tem evidências no Brasil, que de fato é um país extremamente racista, sim. Então, são questões inconscientes. Até na fala nossa, várias palavras que denotam isso, que vão... colocando esse racismo estrutural dentro da nossa cabeça. Eu acho que isso que a gente tem que... Eu acho que é uma... O evento lá do Black Lives Matter, do George Floyd, abria um pouco essa... essa tampa, esse caixa de pano e falou, poxa, a vida nos Estados Unidos, isso se tornou um problema, se tornou ainda maior, né? E abriu os olhos aqui no Brasil também. Então, a gente tem, a gente existe sim. Eu acho que é uma questão de educar os nossos pais, principalmente do IPO, etc, e os líderes das organizações brasileiras.
Que tem muito impacto, né?
Que tem impacto, para eles passarem a entender. Keep an open mind. Analise a questão. Fale com quem entende. Tem vários institutos que ajudam as empresas a se conscientizarem da questão nele. O IDBR, o CERT, eu consigo lembrar de alguns outros.
O Pactuar.
O Pactuar, sim. Tem várias organizações que podem ajudar as empresas a entenderem essa situação e educarem seus funcionários e educarem a sua liderança com relação à questão racial no Brasil.
Vou fazer um registro importante aqui, para quem quiser procurar o Pacto pela Equidade Racial, tem um trecho aqui do artigo do Jair, que é o Pacto foi lançado em agosto de 2021, tendo sido endossado por organizações empresariais como o Pacto Global da ONU, a FEBRABAN, a Ambima, a B3, a IFEComércio e mais de 50 empresas de grande porte, Gerdau, Suzano, Vale, CSN, entre outras, representando mais de 500 mil funcionários.
E nós estamos só no começo, isso é só um começo, a gente precisa de mais empresas a aderirem ao pacto, a ideia é a gente chegar em três anos a umas 500, 600 das maiores empresas brasileiras, mas é uma maratona isso, é uma mudança cultural, e eu acho que isso vai fazer um bem para as empresas, vai fazer um bem para o país, eu acho que é um win-win dos dois lados.
Eu queria então puxar e pegar o gancho que o Jair levantou, porque você pode fazer um curso sobre organização com propósito, ler um livro, mas em um minuto da abertura do Jair ali, ele matou a questão de que não tem nada com mais propósito do que isso, porque ele fez essas iniciativas dessas empresas que ele criou, isso sim nasceu com um propósito. E o André trouxe a importância de a gente conversar com as pessoas da nossa sociedade, da equipe, sobre diversos temas, sobre o legado histórico, cultural que a gente tem, e nós temos que lembrar como líderes da nossa importância de formar culturalmente as pessoas. Na minha visão, o Brasil É um lugar onde, pelo ambiente hostil, tá cada um tentando se dar bem sozinho e o grande resultado disso é que todo mundo se dá mal juntos. E a gente tem essa coisa de formar as pessoas em casa ou dentro do trabalho pra falar sobre diversos assuntos culturais ou raciais. Eu dou um exemplo. Ser executivo é extremamente fácil. Faz cinco anos que eu acho extremamente fácil ser executivo, porque há cinco anos eu virei pai. Então, hoje sim, a coisa mais difícil que eu tenho para fazer na vida hoje é formar os meus dois filhos. Uma vez eu dei uma palestra na Federal do Paraná sobre carreira e eu comecei dizendo assim, olha, antes de mais nada gente, eu sou um grande privilegiado. Tem um vídeo sensacional do YouTube que fala explicando privilégios, que conta se você já passou por isso, deu um passo à frente e tal. No final das contas, Eu sou um grande privilegiado e eu preciso mostrar para os meus filhos ou para as pessoas que estão em volta de mim que o mundo é muito mais duro, principalmente nessas questões raciais. Então eu vou dar um exemplo simples. A gente comprando material escolar, esse ano já tinha uma caixinha de lápis de cor sobre tons de pele. porque eu precisava explicar para o meu filho que a minha esposa é loira do olho azul, a irmã dele é loira do olho azul e ele é castanhinha assim com o olho verde que nem eu que todas as cores de pele existem e são normais porque às vezes pela escola que ele vai ou o bairro que ele frequenta ele não vê porque nós somos um país extremamente desigual as bonequinhas que a minha filha brinca a gente tenta comprar inclusive do olhinho puxado de não sei o que e tal para mostrar que é diverso porque o ambiente às vezes que frequenta não é O líder executivo tem o papel de formar culturalmente as pessoas e a gente sempre ganha com isso. Esse é o negócio. Você nunca perde. Você nunca perde. Vou gastar o tempo do meu funcionário, da minha equipe, compartilhar livros sobre diversos assuntos, sair só do Jack Welch, sair só a gente sai ganhando muito, se enriquece muito com viagens, quando compartilha. Só pra fechar aqui uma vez sobre compartilhamento de educação, eu nem lembro qual era o livro, mas no final tava escrito assim, do... se você gostou desse livro, compartilhe com alguém. Se você não gostou, why are you gonna keep it anyways? Então, passa pra frente e a gente tem um papel nessa questão da formação cultural da sociedade que é muito importante.
Muito interessante. Bom, e trazendo isso então para as empresas, vocês podem compartilhar iniciativas ou ações que vocês viram, que vocês têm feito com impacto dentro das empresas e dentro das comunidades? André, eu sei que você, por exemplo, já tem muita iniciativa, inclusive dentro da cidade de São Paulo, né?
Sobre essa coisa de preparar os filhos, né? O André tem uma tarefa maior que a nossa aqui. Tem cinco crianças em casa. Tem que ter muita diversidade. Fazer um comentário. Você falou sobre a questão dos lápis, né? Eu e a Roçana entrevistamos aqui o Dani Silveira da Avon. E um dos projetos que eles desenvolveram recentemente lá, isso vai estar no podcast dele, é sobre o tom de pele no Brasil. A miscigenação aconteceu muito mais no Brasil do que em alguns outros lugares no mundo. Então as diferenças de tons de pele são maiores, são mais cores. Então eles desenvolveram uma análise em cima disso. e criaram produtos pra cada tipo de pele, né? E, de certa forma, isso também é uma maneira da gente se reconhecer, da gente entender o quanto a gente é diferente do outro.
Essa é uma iniciativa, né? Porque você trabalha a inclusão social do próprio, a revendedora e consumidora, através dos produtos. Esse é um win-win, né? É.
Então deixa eu só, antes de responder a pergunta da Roçana, só comentar, Filipe, como pai de cinco e alguém que tem gostado mais de escrever agora, que estou chegando perto dos 50 anos, eu estou trabalhando num artigo que está demorando pra nascer, Jair, porque eu estou tentando explicar porque é tão mais difícil pra mim educar e dar limite pros meus cinco filhos e criar eles bons cidadãos pra esse mundão do que gerir a empresa com tantas pessoas trabalhando. Então, eu estou nessa, viu, Roçana, avançando com esse texto, uma hora vai ao ar. Mas vamos pegar aqui agora um gancho um pouco do E, pelo menos da realidade que eu enxergo. Eu tenho dois exemplos que eu gosto de comentar, que realmente podem ser percebidos como coisas que transformaram bastante onde a gente habita. O rio Pinheiros, onde a gente passa na frente tanto aqui em São Paulo, durante muito tempo incomodou a nossa cidade. Até que de repente se conseguiu um modelo para despoluir o rio que fez sentido e deu certo. Então, no passado recente, nós fomos na casa de mais de 120 mil pessoas, fazer a coleta do esgoto dessas pessoas, que iam para os pequenos córregos, que iam para o riacho, que iam para o riozinho, que iam para um córrego que chegava no rio. Mas não basta, Felipe, a gente, Duane, coletar esse esgoto e levar pra uma estação de tratamento de esgoto, pra gente poder viver com mais qualidade, se a gente também não fizer um trabalho de conscientização da população. Então, o trabalho que a Engeforme fez, socioambiental, trabalhando com centenas de colaboradores, educando as comunidades, explicando pra eles, pras crianças, mas não uma vez só. É um trabalho que tem que ser contínuo mesmo, Jair, porque educação não é uma coisa de uma vez. É um processo, é uma rotina, né? E acho que com isso, quem passa hoje em São Paulo, e agora a gente tem uma bela ciclovia na beira da Marginal, onde milhares de pessoas andam de bicicleta, inclusive eu, toda manhã. Você tá do lado de um rio super bacana, uma margem de rio que tá urbanizada, né? E dá orgulho de estar ali. Mas tudo isso aí é uma iniciativa de ESG.
É um programa pra família hoje.
Hoje é.
Pra você ter uma noção, sábado que vem nós vamos fazer uma ciclota, o time da Engenfarme vai um monte de gente pedalar na beira da Marginal, pra ver como é que ficou o resultado do nosso negócio. E subindo lá pro Nordeste, onde tá nossa matriz energética renovável. Em 2013 a gente começou a fazer o primeiro parque eólico. da Engeforme lá em Paranatama, perto de Garanhuns. Quando você chega para fazer um dos primeiros parques eólicos do Brasil para gerar energia limpa, sustentável, que transforma essa matriz, você tem um impacto na sociedade muito grande. E, na verdade, se você trabalhar isso sobre um pilar de governança bacana, um pilar de ESG muito legal, você pode pegar aquela comunidade que talvez conseguisse produzir alguma coisa de agro e trazer pra eles um monte de coisa. Inclusive construir escolas, unidades de tratamento de saúde, geração de emprego, trazer isso pra trabalhar na sua operação. Então, eu acho que você consegue com a atividade econômica e, claro Jair, pegando o seu gancho aí, nós estamos nessas ações todas pra ter um resultado financeiro, pra poder gerar um resultado e devolver pra sociedade, devolver pro time, pros clientes.
É uma oportunidade de negócio e é uma oportunidade de impacto.
Isso, aí tá. E isso se conecta, pessoal, muito com o IPO, porque nós somos aqui os líderes do IPO. Na nossa organização, a gente está o tempo inteiro pensando quais são as ações que a gente pode criar, como a gente pode continuar se desenvolvendo ao longo do tempo, para que essas ações possam ter um impacto melhor na sociedade e as nossas empresas possam ser fontes dessa transformação e desse impacto positivo.
Exemplos?
Exemplos, exatamente. Trazendo para... Saindo do livro e botando na prática, né? Há três anos atrás, a Valmont entendeu que dentro do agronegócio havia uma grande oportunidade para levar a irrigação, que é o maior negócio, que era destravar a questão energética no campo, onde o grid não chegava. Então, com isso, a gente comprou, entrou, fez uma aquisição de uma empresa de usinas fotovoltaicas. Ótimo, beleza. Levamos a usina fotovoltaica para uma série de unidades de fazenda, unidade de produção, onde chegou para vários fins energéticos. Mas o exemplo que eu mais gosto de trazer é hoje uma balsa, um navio completamente revestido de painéis fotovoltaicos no Amazonas, que a energia gerada por conta dessas placas fotovoltaicas gera energia suficiente porque eles têm uma unidade beneficiadora dentro da balsa de açaí para exportação. o nosso Hoje a energia solar já é a segunda maior fonte de energia do Brasil. A gente precisa falar muito sobre esse assunto, não sobre energia solar, mas sobre a matriz energética brasileira que é altamente renovável, passando do etanol, passando da usina hidrelétrica, falando de... A gente não fala quase nada de nuclear, a gente não fala quase nada de carvão mineral. Nós temos uma força gigante nesse país e isso é um exemplo na prática. A gente entrou nisso porque é um bom negócio, empresa de capital aberto, mas tem um impacto muito grande em comunidades e regiões que são carentes. A gente não consegue mais pensar a vida sem energia elétrica, imagina, isso não faz mais nenhum sentido.
Tem exemplos, né? Eu tô lembrando aqui de um exemplo de um IPO, do Dimitris Varkakis, um gêmeo.
Um grande gêmeo.
Um grande gêmeo. Ele adotou uma escola, tinha um VP dele, o Jorge Letra, um português maravilhoso, e eles adotaram uma escola e em cinco anos, três anos, transformaram aquela escola estadual na melhor escola estadual da capital. em termos de índices educacionais. E eles envolveram muitos funcionários nesse processo. Então tinha dias que ia lá, festas, tinham funcionários. Então isso passou a ser um motivo de orgulho, além de fazer bem. porque está melhorando a vida daquelas crianças que eram próximas da fábrica, dos locais do varejo dele, fez um motivo de orgulho muito grande para os funcionários e atraiu isso, gerou mais propósito para a empresa. As empresas tornaram os funcionários mais orgulhosos das empresas que eles trabalhavam. E hoje tem muita evidência de que essa parceria, se você deixar na mão do governo, se você colocar uma iniciativa privada apoiando o governo, você tem muita evidência que isso funciona. Então, no nosso caso da parceira, uma escola, o Gustavo gasta três, quatro milhões de reais em uma escola, a gente gasta uma fração disso e transforma aquele investimento do Estado num mundo melhor. Então, a gente agora, três anos atrás, nós pegamos Duas diretorias regionais. São Paulo é o maior sistema educacional do ocidente, a rede estadual. Tem 3,4 milhões de alunos, 5 mil escolas. Pra você ter uma ideia, nos Estados Unidos, a maior distrito de Nova Iorque tem mil escolas e um milhão de alunos. Então é gigante aqui. Só a rede estadual, fora os municípios. E tá dividido em 91 diretorias de ensino. E a gente há três anos atrás pegou pra apoiar, fazer uma parceria com duas das mais vulneráveis lá da região Sul 1 e Sul 2, ali que era Paraisópolis, Jardim Anja, Carpão Redondo. 180 escolas, 180 mil alunos. Isso aqui é maior do que oito redes estaduais, é maior do que duas, 91 diretores existindo em São Paulo, é maior do que a rede estadual de Alagoas, Sergipe, Tucantins, é louco isso. E a gente pegou essas, eram das 91 Marocos, 87 e 88. Em dois anos nós levamos elas para o 30º lugar. Apesar de ela ser uma região ultra vulnerável, quer dizer, a gente conseguiu levá-las para o 30º lugar, melhor que Franca, melhor que várias outras regiões menos vulneráveis que São Paulo. Ou seja, tem os cinco estados que estão melhores no IDEB hoje, Pernambuco, Ceará, Espírito Santo, Goiás e São Paulo são os estados onde você tem um envolvimento enorme da sociedade civil. Leman, Unibanco, Itaú, Natura, todo mundo tá. Nós, estamos lá. Quer dizer, isso tem muita evidência que com o apoio, sim, da sociedade civil, das empresas, a gente consegue transformar a educação do Brasil. A Partida de Educação tem uma visão de transformar a educação de São Paulo. A nossa meta é essa, já é um desafio ultra ambicioso, porque São Paulo é gigante. Mas a gente precisa motivar mais, hoje é difícil, nem todos os empresários tem essa consciência que precisam de fato devolver para a sociedade. Acho que essa é uma coisa que a gente quer fazer no IPO há algum tempo. de motivar vocês IPOs que estão vendo, vão sair da conversa e vão realmente entrar para apoiar os projetos que a gente pode fazer uma mudança na sociedade, que isso vai melhorar o seu desempenho, vai melhorar o seu engajamento dos funcionários, vai melhorar a sua imagem junto à sociedade e vai também mitigar riscos que você pode ter nesse novo normal que a gente está vivendo.
Pegando esse gancho, Jair, eu sou conselheira de duas empresas de varejo que estão em ampla expansão. E a gente está trabalhando com as comunidades justamente na educação. Porque quando você está em expansão, você precisa de mão de obra qualificada, você precisa de vendedores, você precisa de recepcionistas, você precisa criar uma estrutura interna de apoio a essa expansão. Então, nós estamos criando nessas comunidades, fomentando o ensino direcionado às necessidades e essas comunidades vão ser os funcionários que vão permitir a expansão e o crescimento e a monetização e resultados da empresa. Ao mesmo tempo, ao receber o salário, o impacto é positivo na comunidade e você tem mais consumidores. Então é isso que eu chamo também de círculo virtuoso.
É maravilhoso isso hoje.
Que você traz funcionários, crescimento da empresa, impacto na comunidade e consumidor. Eu acho que é isso que quando você fala em educação e você pensa em algo abstrato, ele reverte totalmente a questão econômica da própria empresa.
Deixa eu complementar o que você estava colocando. Estão batendo muito no novo ensino médio. O novo ensino médio é uma porcaria e tudo mais. Mas o novo ensino médio é feito em cinco itinerários. Tem exatas, humanas, artes, etc. Mas tem o quinto itinerário.
Empreendedorismo, né?
Que é a questão do técnico.
Empreendedorismo e tecnologia.
Não é empreendedorismo, é técnico. O garoto sai com um certificado de um técnico em alguma coisa. Que é maravilhoso. Na Europa, 55, 60% dos alunos da Alemanha, da Suíça vão para o técnico, não vão para a faculdade. No Brasil é 11%. Então tem que aumentar esse técnico. E essa lei nova, de 3, 4 anos, criou-se esse quinto itinerário técnico, que é maravilhoso, ou seja, é um técnico integrado com o ensino médio. O garoto vai aprender português, mas também vai aprender alguma coisa tão técnica. Então, esse que você está falando é legal, porque a gente pode colocar essa demanda da sua empresa dentro da grade curricular do aluno, que o Estado paga, o Estado paga essa formação específica para a sua empresa.
Porque o objetivo do Estado é preparar essa pessoa para uma atividade profissional.
Mas é bem por aí que a gente está indo realmente.
Na nossa fábrica hoje aqui dos pivôs de irrigação está em Uberaba, Minas Gerais. Uma das maiores dificuldades, nós estamos em franca expansão, estamos terminando uma duplicação da fábrica, Uma das maiores dificuldades era justamente encontrar a mão de obra do soldador. Puta, vai por aqui, tenta por um curso, tenta por outro, tenta por uma organização, não consegue, não consegue. Bom, então vamos formar. Ah, mas nós vamos formar cem para pegar um. Não tem problema, vamos formar cem para pegar um. Depois esses noventa e um vão trabalhar em outro lugar. E assim a gente investiu uma boa quantidade de tempo, recurso, dinheiro, pessoas, na formação desse técnico para conseguir, obviamente, aproveitar o que a gente pudesse na mão de obra ali, mas depois essa mão de obra está disponível. A iniciativa privada tem que participar disso daí.
É, por exemplo, quando eu tinha uma empresa de tecnologia, eu tinha oito mil funcionários e contratava duzentos tecnólogos por mês. E nós fizemos um trabalho desse, mas a gente bancou. Hoje, se você for, se você se aliar ao Estado, o Estado pode bancar isso dentro do quinto itinerário. Tem uma disposição grande, aqui em São Paulo tem uma diretoria da Secretaria da Educação focada só nisso. O sujeito que está tocando é o maravilhoso Daniel Barros, é um cara que entende muito disso. Então, está muito aberto a esse tipo de parceria. Aí é um pouco do que eu falo nessa parceria público-privada, onde a gente não vai substituir a educação pública brasileira, o Estado brasileiro gasta um bilhão de reais por dia em educação. Orçamento privado, não tem Bill Gates que vai substituir esse tipo de coisa.
Jair, você sabe que essa ideia parece, você comentando agora, mas acho que vale a pena a gente deixar isso como um registro, que é o empresário local que tem uma indústria, que precisa contratar mão de obra, muitas vezes ele não procura a educação, o secretário de educação local para desenvolver junto com a secretaria de educação, a preparação daqueles jovens que já estão no ensino público para que sejam potenciais funcionários da empresa no futuro. Acaba que as empresas querem desenvolver muitas vezes uma estrutura própria de educação, ótimo, isso pode acontecer, mas é o objetivo do Estado preparar as pessoas para a vida profissional. Então, essa é uma ideia que parece, talvez, você trouxe ela aqui agora, mas eu acho que é importante porque a gente fala para muitas pessoas, né? E um outro registro bem importante aqui, né? A gente tem o Renato Feder, que foi secretário... Sim, que é nosso IPO. Pois é, isso que eu ia falar.
Exatamente, falei com ele hoje.
Foi Secretário de Educação do Governo do Paraná, posicionou as escolas do Paraná, um milhão de alunos impactados, posicionou as escolas estaduais do Paraná num nível de educação dos estados mais bem preparados do país.
Número 1.
Exatamente. E agora o Renato é Secretário de Educação do Governo de São Paulo. o IPOer, quer dizer, é uma outra maneira de impactar a sociedade, ajudando a desenvolver novos profissionais e tudo mais. Então, o Renato vive isso, tem uma intensidade muito grande, é o IPOer. E é uma forma aqui também de...
E nós temos muito orgulho, né, da história do Renato, porque a empresa que ele criou junto com a Alexandre, que inclusive está entrando essa semana no IPO, meu querido amigo Alexandre Ostroviec, né.
Que é meu sócio, na caso de saber.
Olha só. Então, e meu amigo que estudou comigo lá em Harvard também. E ele sai da Multilaser e se doa integralmente a transformar a educação do Brasil. Então assim é um orgulho do Renato e eu tenho certeza que o nosso estado vai prosperar muito na mão dele. Mas pra gente não ficar só no tema da educação...
A questão do Renato, estou falando dele que é muito também próximo, sou muito amigo há muitos anos dele, acompanho a carreira dele na educação, o parceiro está apoiando várias frentes, mas nessa linha que a Rosana estava colocando, só para deixar uma mensagem para os vipers, a visão dessa gestão do Renato é colocarmos 400 mil alunos do ensino médio no programa técnico, o programa que se chama Novo Tech Integrado. Isso é uma revolução. Hoje são 40 mil, pra você ter uma ideia. A meta é multiplicar por 10 e é possível, é muito razoável. Porque o interessante desse processo é que o CAPEX já tá lá, a escola já tá lá, a escola pública já tá lá, os professores. É só os alunos, a merenda, o transporte. Não vamos transferir esses alunos pra uma escola técnica. A gente vai colocar o professor da escola técnica lá. Então é muito mais inteligente, muito mais escalável. Então eu acho que sim, o IPOS, se vocês têm interesse, tem um canal específico disso na Secretaria da Educação, mas também com o próprio FEDER, ligar e fazer essa junção do privado com o público.
Eu não sei se vocês já tiveram a oportunidade de bater um papo com o Renato sobre as ações que ele adotou no governo do Paraná para melhorar o nível educacional das escolas. São atividades simples, simples no sentido de acompanhamento de indicadores, acompanhamento de resultados. reconhecimento dos professores que tem um nível de engajamento maior dos alunos na sala. Então, como você falou, o investimento já está lá. A forma de aproveitar esse investimento, ela pode ser diferente. E nisso o Renato se diferenciou muito e posicionou o Paraná como o primeiro em educação do país e tenho certeza que vai fazer a mesma coisa com São Paulo. Depois ele volta para o Paraná e faz a mesma coisa de novo lá.
Complementando aqui, estou aproveitando o gancho e eu sei, não quero desmonopolizar de educação também, mas o Renato está trabalhando no estado e a gente está trabalhando também na Parcês muito com os municípios. Nós acabamos de contratar o secretário da educação de Sobral. Sete anos lá de Sobral. Sobral é um... para quem já foi em Sobral, 400 quilômetros de fortaleza no meio do cerrado, no meio do deserto lá. Tem uma cidade que tem o IDEB deles, que é o Índice Educacional, de oito. Para você ter uma ideia, o IDEB de São Paulo é seis. numa região muito mais vulnerável. A gente está trazendo toda essa metodologia de sobrar, o que é muito parecido com o que o Renato implantou em Paraná e muito parecido com o que está sendo implantado no estado, mas nos municípios. Então a gente agora, na parceira, nós estamos fazendo muitas parcerias com municípios. Pegamos agora, na semana passada, Itacoaca e Setúbal e São Vicente. Duas cidades de 400, 500 mil habitantes que estão na lanterna dos índices educacionais e a gente está levando toda essa metodologia de sobral e também potencializando o trabalho que o FEDER está fazendo no estado junto aos municípios para melhorar os municípios também.
André, trazer outros exemplos além de educação.
Não, mas acho que a gente fica muito nesse tema, porque a gente de verdade acredita que só através da educação nós vamos transformar esse nosso mundão. Mas eu queria voltar um pouco no Gê, falar um pouco da governança tão importante nas empresas, o papel dos conselhos, os conselhos que de fato impactam as organizações, que ajudam os executivos, os CEOs, as lideranças a olharem um pouco mais lá pra frente, né? E, no fundo, pessoal, muito do que a gente fala aqui também precisa de um arroz com feijão bem feito em casa. Então, às vezes, acho que a gente vai muito longe, mas acho que o arroz com feijão bem feito em casa, você cuidar do seu time, Pra nós que lideramos organizações com muitas pessoas trabalhando, cuidar da equidade de gênero, né, Roçana, tema tão importante. Faz cinco anos consecutivos que a gente está entre as top três empresas do nosso setor que mais tem mulheres na liderança. Pra isso você precisa ter esse olhar, a equidade de gênero também é importante, racial é importante, mas gênero, o papel das nossas feministas, falando dentro das organizações da importância do feminismo, do porquê do feminismo, né, Cuidar da saúde do time, iniciativa de saúde, porque o pessoal sem saúde não consegue ir muito longe também. Então, você vai colocar o nutricionista na empresa, vai colocar a saúde em foco, vai ter campanhas de caminhada, vai ter iniciativas de, sei lá, massagem, de meditação e por aí vai. Saúde e segurança, pilares estratégicos de organizações como as nossas. Acho que falar de política, sim, educação política, faz parte da gente, educação. Educação política apartidária, sempre. A gente usa o pessoal do voto consciente, que é absolutamente apartidário. Então, eu queria só resgatar, pessoal. Dentro de tudo que a gente fala, a possibilidade de sempre fazer tudo bem feito dentro de casa, um bom arroz com feijão, organizar isso, voltando no tema que se as pessoas não entenderem a importância disso, se isso não for uma coisa conversada de forma rotineira, em papos do CEO com a liderança, em papos dos diretores, com os times, essa cultura do SG não permeia. Então, assim, tem que ser um dos pilares estratégicos. A gente fala muito disso. Repetir até que as pessoas possam se conscientizar da importância e eles mesmos, Duane, explicarem pra nós o que que é isso. Porque quando você ouve do seu time o que que é a sua estratégia de SG e por que que ela é relevante, por que que ela vai dar certo, aí sim eu acho que você criou uma organização onde o SG tá introjetado no time como um todo.
Liderança e influência, né, Rosana?
Eu acho que, antes de tudo, a liderança é conhecer. Você falou uma coisa que me fez refletir, de saber com quem você está falando, internamente e externamente. Eu conversei com o McDonald's recentemente e eles comentaram que fizeram um estudo e descobriram que a base dos seus funcionários tinha uma refeição por dia. Então, eles estão trabalhando em toda a questão de prover uma alimentação mais saudável para os funcionários e suas famílias. Então, assim, são coisas que dentro da pirâmide de Maslow, a gente acha que é muito óbvia. E não são tão óbvias. Então, a questão de alimento, abrigo, acolhimento, você tem que ter em todas as camadas. Então, a questão do líder, pra mim, é muito a questão da escuta, da percepção e do olhar pra dentro e pra fora, porque você tem os funcionários, você tem os consumidores e você tem o ambiente e a comunidade onde você está inserindo.
Bom, a conversa está ótima, mas a gente vai fazer alguns registros aqui importantes, né? Bom, aqui temos o Felipe, temos o Jair e o André representando o núcleo de SG, mas eu quero falar o nome dos demais participantes aqui que já tem matérias escritas. O portal Líderes Extraordinários fica no site da Exame, então se você for lá, na barra de rolagem, você vai encontrar o IPO Líderes Extraordinários. Ou então você digita no Google, líderes extraordinários exame, você vai ter lá o primeiro ou segundo link e já vai ser o portal com todas as matérias escritas nos nossos núcleos. Hoje aqui o núcleo de ESG. A gente tem o Ronaldo Koluzuki, presidente da AB Solar, Energia Solar, também é um escritor aqui desse núcleo. Paulo Batista, da licença educação, que mandou aqui para mim uma matéria, uma pergunta sobre educação que você já respondeu, já obrigado. o Gustavo Lourens de Castro, o managing partner da Devivo Castro Cunha e o Taquer Advogados, o Enrico Milani da Vapsa Alimentos e a Paola Caron do Hospital Angelina Caron de Curitiba. Bom, vamos para os tuítes finais aí. Eu queria que você falasse um pouco, Filipe, o que a gente pode esperar das tuas matérias daqui pra frente, sobre quais são os assuntos que te interessam nesse momento e que os nossos leitores vão poder acompanhar com você.
E se vocês puderem incluir no tuíte, eu acho que seria interessante um conselho para o executivo que queira iniciar nessa jornada também em suas empresas.
Muito bem. Uma matéria publicada, acho que são mais três por cada um de nós. Eu vou tentar explorar nas minhas matérias realmente a importância ou a capacidade da tecnologia no agro ser um agente de transformação geográfico. Eu falo geográfico porque quando a gente sobrevoa uma determinada região e a gente vê aquelas bolinhas verdes, não são discos voadores, são pivôs de irrigação que levam a água através de muita tecnologia com capacidade de mudar uma região. Vou dar um exemplo bem básico, Duane. A Valmet está no meio de um projeto de implementação de 3 mil pivôs, hoje manejado pela Air Force do Egito para segurança alimentar, a gente falando do McDonald's. Então, você imagina um deserto e de repente você vê produção agrícola nessa região. E não é porque é um bom negócio, mas aquilo muda a cara do lugar e muda o impacto social.
Economia, muda tudo.
Tudo. Trazendo assim para dentro do... Vamos falar do Brasil e vou tirar até da área de lavoura. Como engenheiro florestal, eu assisti nos últimos 15 anos a evolução da cidade de Três Lagos do Mato Grosso do Sul, que há 15 anos atrás a maioria das ruas da cidade eram de estrada de terra e hoje com duas ou três indústrias de celulose é um gerador de ICMS, gerador de imposto de emprego e tudo na cidade, uma renda, uma qualidade de vida. Então, ESG é melhorar a vida das pessoas, esse é o negócio. Então, eu quero explorar um pouco isso nas minhas matérias. Para falar para o executivo que quer começar, é só coragem e dar o primeiro passo, porque o assunto está em pauta em todos os lugares. Acho que é papel do conselho ter essa visão de longo prazo, como o André falou. Nem todas as empresas têm um conselho e quem não tem, por exemplo, nosso conselho está lá nos Estados Unidos, a gente tem um conselho consultivo aqui. O executivo tem que dar o primeiro passo e entender que ele é um fator de capacidade de geração de impacto na sociedade. Nada mais. Excelente.
E aí?
Bom, o próximo artigo eu quero ver se eu coloco um pouco evidências do impacto que o apoio da sociedade civil à educação pública pode dar. Mas ouvindo um pouco ao Xan aqui, tem na tradição do IPO, a gente sempre fala, não fala o que deve fazer, mas fala eu fiz isso, dá um exemplo, não é isso que é. que mandam pra gente fazer no fórum, essas coisas.
Essa é a diferença de quem tá pouco tempo no fórum e de quem já tá há muito tempo no fórum.
Você dá um exemplo de algo que você tem vivido.
Experiências compartilhadas.
Experiência própria. E tem uma experiência, eu tive um banco de investimento na década de 90, chamado Banco Patrimônio, que era associado com a Salomon Brothers, e a gente tava navegando, Estava maravilhoso. E aí começaram a chegar as Marilyn, os Goldman Sachs. Então ia pescar na minha garotada. E cada um que saía tirava o meu braço. Era coisa... Eu ficava uma pia da vida. Era tipo uma coisa pessoal comigo. Mas eu falei, não adianta eu ficar bravo com o pessoal, com a molecada. Vamos... Como é que a gente cria esse processo de engagement maior dos funcionários, né? E aí eu tinha um consultor maravilhoso na época, que é o Benvenuti. A gente criou o que a gente chamou de pacto. que era o quê? P era a perspectiva de carreira. Então, porque era menor molecada, tem perspectiva de carreira. A era o ambiente de trabalho adequado do pacto, o ambiente de trabalho produtivo, que não era um querendo pegar o outro e tudo mais. C é um compensation de mercado top quartile. T é treinamento, porque era jovens, muitos jovens eles queriam progredir. E o O era orgulho. Ou seja, a gente era uma empresa da qual as pessoas, garotos e garotas, se orgulhavam. E a gente contratava, na época, o primeiro ou segundo lugar do ITA, da GV, da Poli. Aliás, alguns são oi piores hoje. Foi presidente da BRE, presidente da Tarpa, agora não vou lembrar, da NEL, tem vários que hoje são da Arteries, tem vários garotos e garotas que saíram do patrimônio. E isso deu, com isso a gente criou esse pacto, então a gente falava pacto, pacto, pacto e poxa, o nosso turno, nosso turno reduziu para 10% do que era, em função da empresa toda viver isso. Então essa questão do orgulho é muito importante. A gente tinha também uma estrutura onde depois de pagar bônus, a gente tinha uma feira de troca de onde as pessoas falavam assim, investe parte do seu bônus na filantropia do outro e tudo mais, e o banco fazia um matching sempre. Então a gente criou também um negócio de que não é só a grana, não é só o individual, é o coletivo também, e a gente criou essa cultura muito legal no patrimônio. Então está aqui, pelo menos uma experiência nossa, quem sabe eu coloco isso no próximo artigo, no terceiro artigo do grupo aqui.
Cobra direito dos doutorais, posso usar o pacto?
Pode, pode usar.
Obrigado, gostei, anotado.
Eu acho que eu vou bastante na linha do Jair, nos próximos artigos, porque eu espero que os leitores percebam o quanto, para mim, a liderança humanizada, seja no que a gente fizer, liderando conselhos filantrópicos ou liderando organizações como a Engeforme, o papel desse líder próximo das pessoas, explicando com clareza e muita transparência os porquês de cada uma das nossas ações, de forma que muito do que a gente saboreia, aprende no IPO, com os nossos pares, livros que a gente lê, podcasts que a gente assiste, a gente transforme todo esse conteúdo, toda essa teoria em exemplos práticos. Então, eu espero que os leitores vejam textos onde exemplos práticos possam fazer conexão, sempre com um tema que eu adoro muito, que é o propósito. Então eu vou falar sobre o propósito de cada uma das organizações e vou falar muito sobre esse meu propósito de tentar impactar positivamente o máximo de pessoas que eu puder ir me conectando ao longo da minha jornada. Então eu vou falar de SG, vou falar das três letrinhas, mas no final eu quero muito exemplo prático, quero muita coisa assim que deu certo e vou falar de coisas que deram errado. Porque eu acho importante todo mundo aprender também com os erros dos outros para de repente não repetir os mesmos erros. Porque o empresário, se eu que não fala, que erra, possivelmente está mentindo muito.
Nossa, com certeza.
Roxana, valeu?
Foi muito bom, queria agradecer a todos vocês porque, como eu disse, ninguém é especialista, estamos todos aprendendo e eu aprendi muito hoje com vocês. Muito obrigada.
Obrigado, pessoal.
Obrigado, obrigado.
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