Como espantar a preguiça! com Alê Prates - EP 54 - Ïnterioriza
31 Dec 2025 · 30 min
Alê Prates, autor de "Não Negocie com a Preguiça", fala sobre por que as pessoas não conseguem mudar hábitos e como líderes podem criar ambientes que engajam. Apenas 30% dos trabalhadores no Brasil estão engajados, principalmente porque lideranças focam em métricas e resultados em vez de criar espaço para aprendizado e vulnerabilidade.
Chapters
Muitas pessoas passam uma vida se comprometendo com os seus papéis, mas vivem realidades constantes de frustração. Decidem se casar e são infelizes. Escolhem uma profissão e não se sentem realizadas. Querem independência financeira, mas não controlam o seu orçamento. Desejam ter uma vida mais saudável e iniciam dietas intermináveis todas as segundas-feiras. É o seu caso? Em algum desses exemplos que eu dei? Eu li o verso do livro "Não Negocie com a Preguiça", do Ale Prats. Ale tá aqui no Interioriza, sensação do LinkedIn, palestrante, escritor, consultor. E hoje então vai nos dar uma aula, Lê. Bem-vindo. Sobre engajamento e preguiça. Rapaz, não sei nem por onde começar.
Olha, já começou muito bem. Acho que nunca leram o meu livro de uma forma tão especial. Obrigado por isso.
Se você quiser, eu já começo agora a leitura, que eu já vou seguir.
Já vai ser publicado no meu LinkedIn, inclusive. Esse corte já vai pra lá com certeza.
Amei, amei. Quando você coloca que não negocie com a preguiça, a prática do engajamento, para o pleno desempenho, eu me recordo de uma pesquisa recente que 30% dos brasileiros estão engajados, os que estão trabalhando. Significa que de cada 10, 7 estão desengajados e 3 engajados. O que está acontecendo ali?
Eu vou olhar para dois fatores, tá? O primeiro é o fator empresa. Eu acho que a gente tem uma liderança incapaz de engajar as pessoas. Embora eu não acredite que ninguém engaja ninguém, mas a empresa ela pode ser sim um ambiente favorável ao engajamento. E não é o que acontece hoje. Na grande realidade, a empresa busca resultado e você tem uma liderança que é cobrada lá de cima, ela pressiona as pessoas e ponto final. Aquele que entrega resultado é valorizado, aquele que não entrega é massacrado e ponto. Por outro lado também, temos que ver o lado dos profissionais. Eu acho que falta muito para os profissionais visão de carreira. Então eles entram em uma determinada empresa, estão ali, entre aspas, infelizes, ou porque não ganham o que querem, ou porque tem uma liderança como essa, ou um ambiente que ele não está muito confortável, ele simplesmente decide uma coisa incrível, ele decide que ele vai diminuir a performance dele, como se ele quisesse de alguma maneira castigar a empresa, quando na verdade ele está se castigando, porque no momento que eu passo a desvalorizar o meu trabalho, eu passo a não merecer nem aquilo que eu tenho. Então, quando você junta isso, falta de visão de carreira com um ambiente impropício ao engajamento, aí a fórmula é o fracasso total.
Amei. Acabou, tá ótimo. Então, de novo, falta de clareza da sua carreira.
Isso é muito forte.
Falta de clareza da sua carreira, mas uma liderança que tá preocupada também com outras coisas e não só com o seu umbigo, vai dar ruim.
Vai dar ruim. E aí, quando você vai pra uma empresa hoje, eu abro as minhas palestras com eles dizendo o seguinte: o que é uma empresa? É a primeira coisa que eu... Que eu pergunto: "Ah, empresa é um negócio, empresa é uma instituição que tem que dar lucro." Eu falo: "Concordo com tudo isso, mas vamos entender o que é uma empresa de fato." Uma empresa é gente trabalhando com gente para atender gente.
Ponto.
Ponto. Pode ser a empresa que você quiser, a empresa é isso. Então, quando você tem aqui na ponta alguém que é mal atendido, um consumidor que não compra, enfim, alguém que está insatisfeito, é porque essa equação aqui dentro não está funcionando bem. Porque o líder, depois de um tempo, ele começou a achar que o trabalho dele é executar bem processos, né? E aí você tem aquele líder, por exemplo, que é apaixonado na planilha de Excel, o comercial dele, né? Deve conhecer. Aquele que entra na sala dele, abriu a planilha, ele acha que aquilo é trabalhar. Então ele olha o número e cobra, ele olha o número e cobra. E me desculpa, né? Cobrar resultado tá longe de ser fazer gestão, né? Então quando você olha para esse ambiente, você percebe que a cada dia que passa você admira menos as lideranças nas empresas. Eu, por exemplo, eu sou fruto de grandes líderes, assim, líderes que eu admiro, que são meus amigos até hoje.
Mas você teve chance de trabalhar com eles ou você conheceu depois?
Não, eu trabalhei com eles.
Trabalhou com líderes?
Trabalhei com um grupo de líderes assim, líderes que me inspiraram, líderes que me deram grandes feedbacks, sabe? Que olharam para mim, que me oportunizaram grandes coisas. Hoje nas empresas eu não vejo mais as pessoas dizendo isso, sabe? "Nossa, como eu admiro o meu líder, como eu admiro a minha líder." Está longe disso, porque a coisa ficou fria. A coisa ficou muito Excel, ficou muito processo e esqueceram as pessoas.
Ficou ou sempre foi?
Eu acho que vem piorando. Eu acho que ao longo do tempo, eu acho que veio piorando. Eu acho que a gente colocou muito processo, a gente burocratizou demais. E um conceito para mim que veio das startups, eu acho que as startups trouxeram coisas incríveis para nós, mas trouxeram uma coisa muito ruim, que é essa coisa do crescimento exponencial. Então as empresas começaram a acreditar que elas tinham que dobrar. A todo ano eu tenho que dobrar, por quê? Não sei, porque tem que dobrar. Mas você vai aumentar equipe? Não necessariamente, né? Vamos fazer mais com menos. Essa frase é maravilhosa, né? Vamos fazer mais com menos se tornou sinônimo de vamos massacrar.
Na prática, me explica, né? O que que você quer dizer com isso?
Não quer dizer nada, quer dizer que você vai massacrar alguém para que ele faça o trabalho de dois, e geralmente assim. E aí isso começou a tornar a coisa muito fria. Então é resultado, é foco, meta, é OKR, não sei o quê. Então a coisa ficou fria. Aí você fala para o líder: você dá feedback para sua equipe sempre que sobra tempo? Mas sobra tempo não, nunca, né? Então nunca dá feedback. E aí você tem um momento muito frio, as pessoas pararam de aprender com seus líderes. Isso para mim é o grande pecado organizacional que a gente não deveria ter deixado cometer, viu?
E você acha que os líderes também pararam de aprender com os liderados?
Total, total. Não dá mais tempo, né? Não dá mais tempo, as reuniões têm que ser rápidas, né? É tudo muito rapidinho. Então assim, eu sou líder, eu determino, você executa. E esse feedback que vem de baixo para cima, ele já não vem mais, né? É claro que eu estou te trazendo aqui exemplo de empresas involutivas. Nós temos bons exemplos também. Mas eu acho que na grande parte, quando você me traz um dado desse, é porque realmente as pessoas estão asfixiadas dentro das empresas. Ou melhor, como eu digo muito, aprisionadas em trabalhos que elas não querem estar, mas que precisam porque têm que pagar as contas.
Eu gosto muito do caminho do meio, sabe, Ale? Esses dias eu estava num evento e a CEO da Adidas, a Flávia Bittencourt, ela depois da fala dela diz: "Cuidem dos líderes." E eu sinto o sentimento nessa frase: cuidem dos líderes. Líderes cuidados vão cuidar dos liderados. Mas eu entendo que para os líderes também serem cuidados, eles precisam querer cuidado. E muitas vezes a liderança se fecha nesse lugar de: cheguei já onde eu precisava chegar, agora não preciso aprender mais nada. Então quando você me diz: os liderados não estão aprendendo com os líderes porque eles não inspiram mais, E em alguns lugares é o contrário, né? Os líderes não querem aprender com os liderados, porque acham que não tem mais o que aprender. E de todas as empresas que eu já passei, os caras mais admiráveis são aqueles que estão dialogando e falando dos erros sempre. Sabe por quê? Se você erra e não tem uma conversa e um avanço, você vai errar de novo. Então, o erro precisa servir de medida pedagógica. Que você vai continuar errando. Então, cuidado com aqueles contextos que você vive em que o erro é como um crime. Porque aí você vai ficar mais ainda sob aquele aspecto de medo, opressão, para não errar. E aí vai errar, óbvio.
Perfeito. E eu vou além. Eu vou além. Eu acho que nós fomos ensinados, quando falamos em liderança, nós fomos ensinados que o líder precisa ser o super-herói ou a super-heroína. Então, ele tem que resolver todos os problemas, Ele tem que ter resposta pra tudo, ele não pode chorar, ele não pode sentir emoção nenhuma, né? Ele tem que ser aquela pessoa perfeita, né? Que não erra. Aquela pessoa incrível, aquela pessoa que sabe tudo. E aí isso coloca um peso nos ombros completamente absurdo, porque essa pessoa ela vai errar, é um ser humano e ela tem o direito de errar. Ela tem o direito de dizer: "Não sei." E o líder que diz "não sei" como ele é valorizado, porque ele sentar numa mesa de reunião e falar: "Gente, temos um conflito." Ele fala: "Não sei resolver, o que vocês acham?" Então, quando esse líder começa a delegar mais, a descentralizar, ele naturalmente descarrega um pouco dessa pressão dele e as pessoas começam a entender: "Opa, temos um ser humano ali que vai construir junto." Ninguém gosta de trabalhar com líder super-herói ou super-heroína, não gosta. Porque essa pessoa, na verdade, ela... Ela tolhe os talentos, porque as pessoas não podem ter grandes ideias, então tudo é resolvido ali. Isso para a empresa é muito ruim, para o time é muito ruim e para o líder, né? A médio e longo prazo é adoecedor, ninguém aguenta isso durante muito tempo.
Totalmente, não é sustentável. Não é. Ale Prats, autor do livro "Não Negocie com a Preguiça". A pessoa que tem preguiça, ela tem preguiça no geral ou são algumas áreas? De onde vem esse título, Ale?
Esse título é uma frase que eu dizia para mim, ou melhor, que eu digo para mim até hoje. Então esse livro, ele é um, ele de verdade é um livro de autoajuda para mim mesmo. Assim, esse livro eu escrevi para mim. Eu falo que é um grande desabafo assim, porque eu sou uma pessoa, na minha essência, eu tenho preguiça para algumas coisas. E já te respondendo isso, não, a pessoa ela tem preguiça para algumas coisas e não tem para outras. Então eu, por exemplo, eu nunca faltei uma palestra na minha vida. Eu posso estar com 40 graus de febre "Eu vou fazer essa palestra." É porque isso pra mim é algo inegociável. Mas por uma unha encravada, eu não vou na academia. Ou por algum momento que eu falo: "Hoje eu mereço, eu vou comer mal." Porque são coisas pra mim que são mais difíceis. Então pra isso eu sou muito preguiçoso.
Muito preguiçoso. Então, pera lá. O que eu tô entendendo? Eu sou preguiçoso com as coisas pra mim, porque eu vejo mais valor nas coisas Que eu me comprometo fora.
Pode ser, pode ser. Então, eu tenho algumas coisas. Então, quando eu entendi isso, eu entendi que a preguiça imperava naquelas coisas que eu não dava um grande valor. Ou que eu estabeleci um valor errado para aquilo, né? E aí, hoje é muito difícil olhar para isso, né? Mas há mais ou menos 10 anos atrás, eu pesava mais de 100 kg. Hoje eu cheguei ao meu peso, já mantei esse peso há uns 5 anos, assim. Eu cheguei a pesar mais de 100 kg. E eu já comecei dietas intermináveis. Então, aquele prefácio que você leu do livro era eu mesmo ali. Eu já comecei dietas e parava, e começava, parava, começava, parava. Por quê? Por um simples motivo. Porque eu tinha, eu determinava para mim que o meu propósito com aquela dieta era o Projeto Verão. Eu queria estar bem daqui 3 meses. E dava certo. Em 3 meses eu emagrecia, só que passava o verão, depois eu voltava como eu era antes. Quando eu comecei a entender um processo diferente, eu falei: "Não, eu não posso estabelecer que emagrecer seja um projeto verão, tem que ser algo maior." Então eu passei a acreditar que o meu projeto tinha que ser com a minha saúde, tinha que ser com o exemplo que eu quero dar pra minha filha, tinha que ser com os anos que eu quero viver e quero viver bem. Então quando eu comecei a projetar isso, eu comecei a entender uma coisa muito clara: nós não necessariamente vamos ter engajamento com atividade. Nós precisamos ter engajamento com algo maior. E esse é o grande segredo da coisa. Quando você projeta o teu engajamento em algo maior, o projeto é maravilhoso. Vou te dar um exemplo disso. Se você me perguntar assim: "Ale, você gosta de comer salada?" Eu odeio comer salada. Aliás, eu nunca entendi quem gosta. Pra mim tem que ser estudado. Eu odeio. Se você me der uma folha de rúcula, uma folha de papel, fizer um teste cego, eu vou preferir o sulfite, com certeza.
Mentira!
Não, eu odeio, odeio, odeio. "Mas você come salada?" Todo dia. Por quê? Porque se eu negociar com a preguiça e começar a falar: "Hoje eu não vou comer, amanhã..." Isso é a mesma coisa pra treino. Eu treino todos os dias da minha vida. Porque eu sei que se eu vacilar, a preguiça ganha. Então não negociar com a preguiça não dá margem pra qualquer tipo de negociação. Então aprendi a lidar com isso. Então quando você estabelece um valor maior para as coisas... Então o meu engajamento não tá em comer salada, o meu engajamento está em comer saúde. Então eu sento para comer salada com a minha filha, a minha cara é linda, parece que eu estou amando, parece que eu estou comendo um hambúrguer, né? Mas por dentro eu estou odiando aquilo.
Miguel Falabella no palco, ó, que horror!
Com certeza, com certeza.
O Alê, sabe o que você está me lembrando? Um exemplo que outro dia eu estava falando com o meu marido, Papai Financeiro, que você conhece. Eu não sei o que ele falou do mercado, aí eu disse: "Eu não suporto ir no mercado." Ele falou: "Mas como você não suporta? Você vai toda semana, você falou que você gosta." Eu falei: "Não, eu vou toda semana, eu nunca disse que eu gosto." Mas para o bem coletivo, desse ecossistema familiar, eu preciso ir toda semana. E pra mim, eu chamo isso de vida de adulto. Exatamente. É você encarar as coisas que você precisa fazer. Ah, eu não sou apaixonada em ir no mercado, não. Eu preferiria academia. Eu gostaria muito de poder ir mais à academia. Mas eu tenho que abrir mão de uma coisa pra mim, para o todo. E eu tava explicando isso pra ele. Então, eu tô igual a você na salada. O lance, eu não gosto de ir no mercado, mas eu gosto de ver a geladeira Com comida, eu gosto de ver banana pra nenê. Ou seja, então faz parte.
Faz parte. E quando você entende o processo do engajamento, você vai entendendo que engajamento não é uma decisão. Se fosse assim, era muito fácil, né? Eu acordaria de manhã e falaria: "Nossa, hoje eu tô engajado." E nada na minha vida pararia, né? Seria muito simples a vida, né? Então eu entendo que engajamento é uma conquista. E por ser uma conquista, significa que você precisa entender os princípios que te levam a ele. Então, pra mim, Fazer atividade física todos os dias no mesmo horário me leva a um engajamento com a minha saúde. E eu sou do ritual. Isso eu aplico na minha própria empresa. Então lá na empresa eu sou o chato dos rituais. Gente, toda segunda-feira, das 9:15 às 10:30, temos a nossa reunião. E ponto. Então todo mundo sabe disso, tem que ter. Quando você estabelece rituais e você se compromete com eles, a chance de você conquistar o engajamento é muito maior. Porque o real engajamento vem do resultado.
Sim.
Então muita gente espera primeiro você ter o engajamento para depois você ter o resultado. O projeto é inverso. Primeiro eu me comprometo, faço o que tem que ser feito, o resultado disso me motiva e aí o engajamento vem. Então eu preciso fazer coisas que me levam ao resultado. E é como você falou, querendo ou não, engajamento não é fazer só o que você gosta. Engajamento é fazer o que é necessário para você conquistar aquilo que você deseja. E por isso que eu digo que engajamento é liberdade. Quanto mais você se engaja, mais livre você se torna. Porque você vai entendendo que você agora não é refém do seu desejo. Você não é refém da preguiça. Você agora tem controle. Então, ter controle é a maior liberdade que você pode ter na vida.
Pegou aí? Uma salva de palmas.
Hahaha.
Tem 5 pessoas aqui no estúdio, podemos aplaudir bastante. Muito obrigado. A gente quer esse auditório gigantesco. Ali, eu conheço pessoas que, se fossem elas mesmas, seriam muito bem-sucedidas.
Se não fossem elas mesmas?
Se não fossem elas mesmas?
É, eu conheço pessoas que, se não fossem elas mesmas, seriam muito bem-sucedidas.
Como assim?
Porque tem pessoas que elas são as maiores inimigas delas mesmas, né?
Ah, sim!
Então, a pessoa, ela é talentosa, ela é competente, ela tem tudo, Só que ela é ela. O problema é que ela se sabota. Se você tirasse ela dela, ela ia voar. Sabe aquela pessoa que ela é talentosa, mas ela tem comportamentos autodestrutivos? A gente vê isso em grandes empresas, né? Ou onde a gente trabalha. Aquela pessoa que você fala: "Cara, que pessoa boa, ela tem tudo, ela tem tudo." Só que ela é invejosa, ou ela não consegue se relacionar bem, ou ela estoura. Então é gente que às vezes tem tudo para dar certo, mas ela de alguma maneira Ela tem autossabotadores que a limitam de fazer qualquer coisa na vida. Isso é uma coisa que me entristece muito. É ver gente talentosa que não consegue decolar porque não consegue se controlar, não consegue encontrar essa liberdade que nós estamos falando.
Captei. Eu queria só, antes de avançar para outro assunto, entender contigo o quanto a motivação está associada ao engajamento. O que uma coisa tem a ver com a outra?
A motivação, ela é algo que ela vem do meu desempenho, tá? Então vamos lá. Se eu acordo todo dia esperando motivação para fazer alguma coisa, a chance que a gente tem de se frustrar é grande. Porque a motivação, assim como engajamento, também não é uma escolha. A motivação, ela é algo que você precisa despertar.
Entendi.
E você desperta o engajamento por meio do seu desempenho. Ou seja, eu vou fazer aquilo que tem que ser feito. Acordo pela manhã. Completamente cansado, mas eu decido que independentemente se eu tô cansado ou não, eu vou fazer atividade física e eu vou para minha academia. E quando estou fazendo atividade física, por incrível que pareça, a motivação começa a vir, porque você começa a ficar bem naquilo. Então a motivação, ela acontece na ação. A motivação, ela acontece no processo de ação. As pessoas entendem, não, a motivação, aquilo que tem que acontecer para que a ação venha. Não, A motivação acontece no momento em que você está agindo, no momento em que você está fazendo. E aí a motivação vai despertar ainda mais aquele teu desempenho, vai gerar resultado. E o processo disso, a médio prazo, é despertar o engajamento. Ou seja, ninguém tem que me obrigar mais a fazer atividade física. Então agora eu vou porque eu quero. Mas por quê? Porque eu vejo o resultado, eu não quero perder isso mais.
Meu pai, breaking news. Total breaking news para tudo. Então é o seguinte, primeiro é aquela velha história, né? Caminha que Deus te põe o chão.
Exato.
Eu entendi pelo que você me disse assim: primeiro você está agindo, aí você vai se motivando para fazer e nisso você vai se engajando. Então se você esperar: "Ah, eu vou acordar com 2kg de engajamento lá no armário", não é isso.
Não vai, não vai.
Olê, você é muito chamado para as empresas para melhorar o engajamento?
O tempo todo.
Eu também.
O tempo todo. O tempo todo. E é uma preocupação que eu tenho. Que a empresa falou: "Queria que você fizesse uma palestra sobre engajamento." Eu falo: "Perfeito, eu faço com o maior prazer. Eu vou falar com as pessoas sobre visão de carreira, como que elas se engajam e tal." Mas minha pergunta para a empresa é: "Me fala um pouco do teu ambiente." Total. Porque eu posso falar o que eu quiser para essas pessoas, mas a tua liderança está preparada para sustentar isso ou ela vai destruir isso em 5 minutos depois? Então, eu tenho muita preocupação com aquilo que eu vou falar para não gerar uma frustração nas pessoas e na própria empresa também, né? Porque isso pode acontecer. Se o ambiente não estiver preparado para isso, esquece.
Tá. E para aquela turma de RH que precisa resolver o engajamento, a falta de engajamento?
Sim.
Chama eu, você ou tenta encontrar uma outra solução?
Sim.
Eu não acredito que roupas de tamanho único sirvam bem para ninguém. Quando você fala: "Eu preciso ouvir a empresa para saber se o espaço é compatível com a mensagem." Exatamente. Se não, é um tiro no pé. Mas, pelo que você está me dizendo aqui, eu preciso experimentar antes de promover. Então, será que essas pessoas que estão tentando promover engajamento estão se engajando consigo? Eu nunca tinha visto engajamento consigo primeiro. Eu sempre pensava que engajamento era com a turma. Engajamento no geral, engajamento consigo, pelo que você está trazendo.
Consigo, né? Então, antes de mais nada, eu me preocupo muito quando o RH assume esse papel de engajar as pessoas. O RH não engaja ninguém. Primeiro que gestão de pessoas, para mim, não é papel do RH. Gestão de pessoas quem faz é o líder, tá? Porque gestão de pessoas é cotidiano, o RH não está no cotidiano. O RH pode criar ação que ele quiser, de engajamento, de premiação, do que ele quiser. Se o líder na ponta não promover isso, se eu não tiver um líder que me apoia, que me dá feedback, que me desenvolve, o engajamento não vai acontecer. Então o RH é um disseminador, mas quem promove a ação, quem faz o engajamento acontecer é a liderança. Então a gente precisa trabalhar a liderança para que ela de fato engaje. Ponto 1. E segunda coisa é o RH estar muito consciente da mensagem que ele quer levar para as pessoas e as consequências disso. Exemplo: tem RH que fala assim: "Ale, eu quero você fazer uma palestra aqui, eu queria muito que você falasse sobre protagonismo." Eu falo: "Tem certeza?" "Por quê?" Eu falei: "Vamos lá." Protagonismo é a pessoa poder questionar, a pessoa poder criticar, ela ser ouvida.
Vai ter espaço pra isso?
Ela dá ideia, funciona. "Não, mas podia falar de protagonismo." Mas não, então não é protagonismo, você quer outra coisa. Você quer que a pessoa ouça uma determinada ordem, que ela execute sem reclamar. Isso não é protagonismo. "Então você tem certeza que se eu falar, eu vou falar o que é protagonismo de verdade? Se você quiser que eu traga case de engajamento para tua empresa, será que as pessoas vão entender isso ou elas vão olhar e falar assim: 'Tá muito legal isso, mas aqui isso não funciona'?" Então a gente tem que tomar um cuidado muito grande com isso e trazer as coisas em doses homeopáticas, porque tentar mudar tudo de uma hora para outra também não funciona. Então antes de falar de engajamento para tua equipe, vamos falar de engajamento para os teus líderes. Princípio de tudo, a partir dali a gente começa a construir um ambiente favorável a isso.
Por isso que você tá treinando bastante líderes, né?
Muito, muito, é a minha praia, eu adoro, eu adoro, porque eles entendem, sabe? Eu percebo isso quando a gente fala que precisamos cuidar do líder. A grande reclamação que muitos líderes trazem: "Cara, eu adoraria fazer isso, mas a empresa não me deixa liderar, porque a empresa todo momento que eu começo a liderar pessoas, ela me cobra de processos, ela me cobra de número, me cobra de meta." A empresa você tá falando de um Num contexto de acionistas. Exatamente. Então você pega quantas vezes que eu estou treinando líder e o CEO da empresa bate na porta e fala: "Preciso falar com vocês" e tira 3, 4 de lá. Porque o treinamento não é prioridade.
Mas eu estou falando de líder, também o CEO.
Também o CEO, mas o CEO, vamos lá. O CEO recebe diretrizes de sócios, acionistas. Então esse CEO é o que menos é treinado. Ele é o que menos é treinado, ele tem uma pressão cotidiana imensa. E ele, muitas vezes, ele recebe aquilo e ele tem que dar resposta rápida. Então ele vai para a liderança dele. O meu grande trabalho hoje com lideranças é a média liderança. Eu trabalho muito ali de gerentes, coordenadores. Essa média, para mim, é a liderança que mais sofre dentro das empresas.
É o recheio do sanduíche.
É, porque é...
Pressionado aqui e pressionado aqui.
E é quem cuida da maior massa. E essas pessoas são as que mais trabalham, são as que mais adoecem, porque elas precisam pegar essa demanda daqui, filtrar, gerenciar pessoas, coordenar resultado. E na hora que ela está fazendo aquela liderança bonitinha com o time, dobram a meta aqui, ela tem que pressionar aqui, aí vem a história do fazer mais com menos. Ela vive um turbilhão absurdo. Então, muitas vezes eu tenho que conversar com o senhor para falar assim: "Pega leve, cara. Você vai perder essa tua média liderança ou por burnout, Ou porque eles vão embora mesmo, porque ninguém aguenta, né?
Aí a gente entraria no segundo tema que eu mais tenho ouvido a turma do RH desesperado, que é retenção de talentos. Então, se eu não promovo o engajamento, eu vou perder as pessoas que eu contratei. E aí a turma investe tanto dinheiro em processos seletivos super criteriosos e tal, e aí você tem talentos dentro do seu ecossistema, às vezes subaproveitados, Tem, outro dia eu fiz um curso de segurança psicológica, Ale, e aí eles falavam muito sobre as super chickens, são as super galinhas, aquelas que são ultra exploradas porque são pessoas competentes, né?
Sim.
As galinhas, naquele contexto, as galinhas são as que mais botam ovo, então elas estão sempre ali e as outras ficam só observando. O quanto a liderança também é responsável na promoção das super chickens, o quanto isso causa uma comparação injusta. Um estado de incapacidade daqueles que não são colocados no lugar das super chickens. Só que detalhe, vou dar um spoiler, as super chickens morrem.
Exatamente.
As super chickens saem primeiro. Então nós estamos vivendo uma grande atualização da cultura do trabalho, né, Ale?
Total. E as pessoas já não aceitam mais o que as gerações, até minha geração mesmo, aceitava antes, né? Que era trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. A nova geração hoje, ela já começa a questionar um pouco mais isso, sabe? Ela já começa a querer também qualidade de vida, ela já quer... E outra coisa, o que retém pessoas dentro de uma empresa? Só dois pontos pra mim. Ou ela precisar ficar ali, porque ela não tem opção. Aí já talvez não seja aquele profissional que você quer que inclusive fique ali. Porque ele não tem opção e ele fica ali. Porque ele precisa receber aquele salário dele e ponto final. E muita empresa não troca porque às vezes é muito difícil recolocar alguém. Então você vai deixando ali, a pessoa entregar 30%, 40%, tá tudo certo. Ou a pessoa fica porque naquela empresa ela tem uma sensação de evolução constante. Ela sente que ela tá aprendendo, ela sente que ela participa, que ela tem autonomia, que ela pode ser protagonista. Então quando você de fato desperta isso no seu time, as pessoas ficam. Qual é o grande problema hoje? É que com a correria as pessoas não aprendem mais, elas não conseguem participar do processo decisório, porque geralmente já vem tudo pronto de cima. E elas não têm essa sensação de que elas estão evoluindo, não se sentem parte daquilo. "Qualquer oportunidade eu vou." Quando algum gestor fala assim: "Ali, a pessoa por R$50 a mais, ela foi embora da minha empresa." "Por que será?" Que incrível, né? Ela não foi pelos R$50, querido. Ela foi porque aqui o ambiente não proporcionou nada mais do que ela quisesse ficar.
É isso. Outro dia eu vi uma pesquisa da UnicoSkill e eles consultaram 500 profissionais de alta performance aqui no Brasil e ficou muito evidente que o ambiente era equivalente ao salário no peso de ficar ou não numa empresa.
Exatamente.
Ambiente e salário.
Total.
Ale, antes da gente encerrar... Que rápido, né?
Que delícia.
Eu já sabia que o nosso papo ia ser assim maravilhoso. Quero agradecer, inclusive, fazer um reconhecimento aqui Ana Paula Rodrigues, que está nos nossos estúdios aqui do Polito Comunicações. Ela que fez a ponte. Ana Paula Rodrigues foi uma pessoa muito importante numa transição em que eu comecei a trabalhar mais com LinkedIn. Luciano Santos, que me apresentou a Ana Paula.
Sim, nosso amigo comum.
E ela que fez essa nossa conexão. Obrigada, Ana. E hoje é aniversário dela, tá?
O dia que a gente tá gravando esse podcast é o dia de aniversário da Ana.
Parabéns, minha querida. Ale, então antes da gente terminar, e já que eu já fiz agora aqui o reconhecimento, vou te convidar para a cerimônia das areias.
Ah, é?
Nossa!
Legal!
Esse momento entraria uma musiquinha assim, fazendo uma coisa meio, não sei, indiana talvez. Olha só, eu já sou uma pessoa diferente do início da nossa gravação. O que você falou já me transformou. Não dá mais para separar. A Isabela antes dessa gravação e agora. E assim eu acredito também nas areias. Todas as pessoas que nós vamos conhecendo, elas vão nos ajudando a ser quem nós somos. Eu aqui no meu estado de presença, e você fala no seu livro, o estado de presença é um tesouro, é um tesouro que está na sua mão. Eu estou presente aqui contigo e quero que você então escolha uma cor. Cada convidado que vem no Interioriza escolhe uma cor e assim nós estamos formando uma grande obra de arte.
Que legal!
E não é o que nós estamos fazendo?
Com certeza!
No dia a dia, nas nossas comunicações, nas redes sociais, nas empresas que nós passamos. Então, gostaria que você escolhesse uma cor.
Tá bom!
E ao despejar aqui, você fala algumas palavras para quem está nos assistindo que podem gerar ação.
Que podem gerar ação. Tá ótimo! Eu vou escolher a cor preferida da minha filha, da Lara. Ama um rosa, apaixonada por um rosa.
Boa!
Eu vou nessa. E vamos lá, eu vou falar aquilo que eu encerro o livro, tá? Tá bom assim ou tudo?
Pode ser tudo.
Ah, então vou tudo.
Ah, é tudo, claro.
Não vou economizar não.
Excelente.
Eu vou falar um pouquinho daquilo que eu encerro o livro. Eu digo o seguinte: na vida você tem duas opções, ou você se engaja ou a vida te obriga. Se você não se engajar com a tua saúde, um médico vai te obrigar a fazer isso a qualquer momento. Se você não se engajar com a tua carreira, daqui a pouco É, você vai ter que trabalhar em algo que você odeia para pagar as contas. Você não se engajar com as pessoas que você ama, talvez a culpa te obrigue a fazer isso. Então, por que não escolher o engajamento, né? Por que não fazer aquilo que tem que ser feito hoje para que de fato a vida não tome a decisão por você? Porque quando ela toma a decisão por nós, geralmente não é aquilo que a gente tanto quer. Então aproveita. O engajamento, ele pode não ser uma decisão, mas as tuas ações cotidianas, essa sim É uma decisão que você pode tomar e que vão te levar pro teu pleno engajamento. Muito obrigado.
Ale Prates, sucesso do LinkedIn.
Graças à Ana.
Todos os palcos desse país aqui no Interioriza. A turma que tá apaixonada por você e ainda não te segue, quais são os caminhos?
Bom, vamos lá. Instagram: @alepratesoficial. E LinkedIn: Ale Prates. São os dois caminhos aí pra gente poder conversar. Ou o site da minha empresa. Futurizeagora.com.br.
Nossa, nós nem chegamos perto para falar da Futurize.
Mas não vai faltar oportunidade, com certeza.
O seu livro está à venda pela Best Seller.
Pela Best Seller, né, mas está nas principais livrarias e principalmente online, né? Então a gente encontra em qualquer lugar.
Você já sabe, né? Se esse papo foi útil para você, ele pode ser útil para pessoas que você gosta e que você também quer bem. Então compartilhe, se você puder, e deixe seu comentário, sua crítica ou sugestão. Tudo é bem-vindo, tá? Muito obrigada pelo seu tempo, confiança, e até o próximo Interioriza.
Valeu, obrigado, prazer, brigadão.
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