Como sair da exaustão para uma vida mais saudável - Manu Rios - EP52 - Ïnterioriza
16 Jan 2024 · 32 min
Manuela Rios, a healthcare professional and author, talks with Izabella Camargo about moving from exhaustion to better health. She emphasizes self-awareness and concrete lifestyle changes as the path to improving your quality of life.
Chapters
Se você já, assim como eu, percebeu que a saúde tá doente, esse episódio é pra você. Esse episódio é pra todos nós que queremos cuidar da saúde enquanto temos saúde. Senhoras e senhores, eu recebo aqui no interioriza a Manuela Rios, autora do livro A Saúde Está Doente, como sair da exaustão para uma vida com mais qualidade. Manu, bem-vinda, tô muito feliz.
Obrigada, eu que tô muito feliz, agradeço demais pelo convite, já tava esperando ansiosa por esse convite.
É verdade, fazia tempo que a gente tava tentando.
Sim, porque faz todo sentido a nossa conexão, né?
Sim, você sabe que eu tô num período da minha vida em que, se não é pra somar, Pode sumir, né?
Assim também.
Porque só assim a gente preserva a nossa saúde, quando a gente tem mais consciência do nosso tempo, do que a gente faz e com quem a gente faz. Esse sotaque da Manu é de Alagoas, mas você é carioca, você está morando no Rio.
É, eu sou de Maceió, mas moro no Rio há 20 anos.
Tá. Começou na área da saúde como enfermeira, depois foi para Oncologia.
Sim. Eu me formei em Maceió, fiz Federal de Alagoas lá, e vim para o Rio para fazer residência no Inca, que é o Instituto Nacional de Câncer. E, do Inca, eu fiz a Oncologia, fiz... É uma coisa que não é comum na enfermagem fazer residência, mas eu escolhi fazer residência porque eu queria me especializar mais. E, dentro do Inca, eu fui para a área de pesquisa clínica. Então, fui indo para coisas cada vez mais específicas. E, em paralelo, também passei num concurso público, onde eu ainda atuo. Ainda atuo.
Ainda atuo.
Ainda. É só por um tempo. Na assistência, né? Eu trabalho no Hospital dos Servidores, lá no Rio. E aí começa toda uma história, né? Que vai se conectando, tanto eu como profissional de saúde, como eu sentindo necessidade de trazer pra minha vida mais saúde. Porque no final da faculdade eu descobri uma doença autoimune. E a gente acaba, a gente vê que, na maioria das vezes, a gente só busca saúde quando a gente perde ela. Então, isso é o que eu mais falo, não espere faltar saúde para cuidar da sua. Porque, infelizmente, a gente só dá valor ao que a gente perde. Então, através dessa doença autoimune, é óbvio que eu passei um tempo ali meio que no limbo.
O que você teve?
Eu tenho uma doença que chama Spondylitia Ankylosante. É uma doença reumática autoimune. Onde o meu corpo, eu acordava com o corpo todo rígido, todo travado. E foi bem na transição ali de terminar a faculdade, vir para o Rio, e eu fui deixando para depois, terminando faculdade, entrando no mercado de trabalho, aquela coisa... Profissão, na época, era prioridade. Até uma hora que... Chegou uma hora que nem você se aguenta mais. E aí eu comecei a buscar ajuda, porque isso é uma coisa também do profissional de saúde, acho que do ser humano como um todo, mas eu sinto mais no profissional de saúde, que é a dificuldade de pedir ajuda e aceitar ajuda, né? Porque não é só pedir, às vezes as pessoas oferecem ajuda e a gente fala, não, não precisa, não quero incomodar. Mas, nesse momento, estava tão ruim que eu resolvi aceitar e pedir ajuda também. Então, graças a Deus, eu tenho uma rede maravilhosa de pessoas que me ajudaram. E eu fui buscando ali ferramentas que eu entendi que eram necessárias para melhorar a minha vida, minha saúde e minha qualidade de vida naquele momento. E aí comecei na ioga, fui para a terapia, mudei de médico, mudei a alimentação, fui buscando várias coisinhas quase que inconsciente. Eu só tenho essa clareza hoje. Naquela época, eu fui ali, ah, isso está ruim, então deixa eu ir aqui. Hoje eu entendo que era, eu chamo de choque de ordem. Eu dei um choque de ordem na minha vida. Então, naquele momento, eu entendi que qualidade de vida era uma prioridade para mim. Que a qualidade de vida era um valor inegociável para mim. Então, que qualquer coisa que viesse de encontro a minha qualidade de vida, a resposta era não. É isso que eu falo para as pessoas. Se você tem claro quais são os seus valores, É muito fácil dizer não para o que não serve para você.
Você tem que ter clareza do que você quer. Você tem que se respeitar. Você se respeitando é mais fácil dizer não. Isso é uma coisa que me perguntam muito. Mas como é que eu vou dizer não para mais trabalho, para isso, para aquilo? Eu falo, cara, mas se você se colocar em risco ao dizer um sim, você vai caminhar contra você mesmo, sobre a sua saúde. Aqui no livro, você me traz uma dedicatória tão bonita, que a saúde e a qualidade de vida sejam sempre prioridade na sua vida, que foi quando, então, você descobriu, depois do diagnóstico dessa doença autoimune, o quanto você precisava se incluir na própria agenda.
Sim, exatamente. E por que eu falo isso? Porque a gente é tão acostumado a ter que trabalhar muito, trabalho dignifica o homem, que quando a gente se vê em algum horário da semana não trabalhando, a gente se culpa.
Totalmente.
Eu, desde que eu comecei a trabalhar nesse hospital, eu trabalho à noite. Eu sou trabalhadora noturna. A gente fala sobre isso. Vamos ver se vai ter tempo. Então, meus dias não eram livres porque eu tinha outro emprego. E aí é isso que eu falo de você ter clareza para dizer os não. Profissional de saúde raramente tem um emprego só. Raramente.
Especialmente porque a remuneração é inferior ao serviço que vocês prestam.
Então, por isso, naquele momento, eu falei, eu não quero mais ter dois empregos. Eu não trabalho mais 40 horas pra ninguém, só pra mim. E foi ali que eu decidi trabalhar num único lugar. E aí, o que pesava? Qual era o ônus? Ter que me reeducar financeiramente. Porque pra eu viver com um emprego só, eu tinha que organizar minha vida financeira. E daí eu entendi que qualidade de vida era um valor inegociável pra mim e fui tocando a minha vida. Então, eu que amo esporte... Triatleta, né? Triatleta, ultramaratonista, enfim, né? Eu me sentia culpada quando eu saía pra fazer atividade física, sei lá, segunda-feira, 10 horas da manhã. Sabe?
Trabalhando à noite. É, porque... Eu vivia isso.
As pessoas falam, ah, horário de herdeira, né?
Total. Você sabe, duas coisas que me incomodavam muito é quando eu saía do meu trabalho às nove da manhã, e aí eu cruzava com pessoas que estavam chegando, e elas diziam, já? Só que eu tinha entrado meia-noite, né? Isso ficava assim, pé da vida. Aí depois... quando eu chegava à academia, quando eu conseguia, na verdade, porque quando você trabalha à noite, até queria saber a sua opinião para quem está nos ouvindo, o corpo já trabalha em um nível de estresse naturalmente para você trabalhar à noite porque você está indo contra a sua biologia.
Sim.
Então, já é um dispêndio de energia e de saúde tremendo.
Sim.
E é desafiador quando você passou a noite acordado trabalhando, você tá durante o dia tentando fazer o seu melhor e a turma vem com as piadas. Por isso que você tem que ter saúde boa pra entrar pelo ouvido e sair pelo outro.
Exatamente. Então, Isa, eu trabalho à noite há 17 anos.
Ah, meu pai.
Lá, eu não tenho o que reclamar porque a gente consegue dormir. A gente tem ali 4 horas no mínimo de descanso. Então, a gente tem quarto com cama. Apesar de ter sido aprovada uma lei agora, junho de 2023, ou seja, mês passado, dizendo que é obrigatório ter um descanso da enfermagem com cama, com banheiro, o óbvio, Só agora existe uma lei nacional pra isso. No Rio, essa lei já existe. Então, a gente sempre teve descanso. Mas eu trabalhei 12 anos em CTI pediátrico, por exemplo. Então, apesar da gente dormir... E graças a Deus, eu tenho facilidade de dormir em qualquer lugar. Eu digo que eu sou uma privilegiada, mas é óbvio que o trabalho noturno, ele te leva a hábitos perigosos, né? Como tomar café à noite, como comer de madrugada. E foram coisas que eu fui mudando nos meus hábitos. Então, hoje, quando eu vou dar plantão. Eu janto sete, às vezes eu janto antes de sair de casa e não como mais nada. Eu não tomo café de jeito, em hipótese alguma, à noite. Por mais que as pessoas falem, ah, eu tomo café, o café não me tira o sono. Não é questão de tirar o seu sono, ele mexe com a qualidade do seu sono. Porque ele mexe com a fase do sono que tá associada à nossa cognição. Então, é efeito cumulativo, você não percebe. Inclusive, tem estudos hoje que falam que excesso de café, principalmente à noite, pode levar a um quadro precoce de demência, por exemplo. Então, são coisas que eu aprendi a fazer, a mudar nos meus hábitos de trabalho noturno, que hoje não influenciam muito. É óbvio que eu estou sempre fazendo... Atenta. Atenta e eu chego em casa, vou fazer atividade física. para não bagunçar o meu ciclo circadiano. Então, hoje eu estou super adaptada.
Graças a Deus. Perfeito. Manu, várias perguntas. Antes de começar sobre o tema saúde, eu quero só fazer aqui um reconhecimento que o livro da Manu tem o prefácio do Joel J., que é também um grande amigo. também mentor, já esteve aqui no Interioriza, e eu sei que ele foi uma pessoa muito importante na sua vida para que este conteúdo estivesse à disposição das pessoas para acessarem e tal. E aí aqui na sua introdução, o Joel faz o prefácio, e aí na introdução você pergunta, profissionais de saúde ou profissionais de doença? Eu amei isso.
É porque hoje a gente tem um sistema todo voltado para a doença. A gente tem profissionais de doença, sistema de doença, plano de doença, é tudo de doença. A grande verdade é que a gente não tem nada na saúde. A gente está falando... Óbvio que hoje está muito melhor, já se fala mais em prevenção, em predição, mas a gente sabe que o que move o setor saúde é a doença. A gente sabe que o mercado não tem nenhum interesse E falar de saúde, porque é a doença que bota dinheiro no bolso. Infelizmente, essa é uma realidade. A gente podia olhar, eu acho que pode e tem como olhar para a saúde como um mercado também, porque, afinal de contas, a gente vive num mundo capitalista.
Nós estamos falando de mercado e não vamos falar do mercado da prevenção.
Exatamente, mas tem tanta coisa para ser explorado que a gente não precisa esperar que as pessoas adoeçam e morram. Para mim, é muito chocante que hoje as doenças que mais matam no mundo são as doenças cardiovasculares e que os seus, Fatores de risco são todos ligados a hábitos de saúde, que é sedentarismo, obesidade, bebida alcoólica, tabagismo, todos os fatores de risco preveníveis. E é no mundo, não é Brasil, é mundo.
Quando você diz que a saúde está doente, como se é desaustão para uma vida com mais qualidade, antes do seu diagnóstico dessa doença autoimune, você estava vivendo uma vida super exaustiva, como você falou, né? Dois empregos.
Sim.
E você se lembra, assim, de alguma coisa que você fez e que você se arrepende, porque naquele momento você achou que estava fazendo da maneira correta?
Olha, Isa... Hoje não, não me arrependo de nada, porque quando eu vim pro Rio, eu larguei um concurso, eu era concursada lá e larguei pro Rio um concurso pra vir pra cá. Então, já era tipo, ah, você é maluca, não sei o quê. Eu falei, não, maluca é ficar aqui no interior trabalhando, Deus me livre. Eu sempre fui muito curiosa, sempre tive vontade de explorar outras coisas, sempre fui muito inquieta, sempre, sempre. Então, todo mundo fala assim... Você não me surpreende mais com nada, porque cada hora você inventa uma novidade. Então, assim, me arrepender? Não. Eu talvez me arrependa de ter demorado tanto pra olhar mais pra minha saúde naquele momento. Mas que eu acho que as coisas acontecem como tem que acontecer. E tudo que eu vivi naquele momento me trouxe até aqui. Então, eu valorizo demais.
Estou com você, nossas histórias são muito parecidas, não é? Como é que você lida hoje com os seus leitores, com as pessoas com quem você troca na internet ou com os seus pacientes, quando eles dizem assim, aquela famosa frase, ah, mas os boletos não esperam. Eu ouço sempre essa pergunta, tenho uma resposta, mas gostaria de ouvir a sua.
Eu vou dizer a que eu ouço sempre. Ah, para você é muito fácil. porque você não tem filho, porque você... Eu falo assim, gente, fácil para quem? Cada um tem suas dores. E essa questão dos boletos chegam, Isa, é uma coisa que eu até estava vendo o podcast seu com o seu digníssimo.
Papai Financeiro.
É uma questão de que não importa quanto você ganhe, eu conheço técnicos de enfermagem que ganham muito mal, e médicos que ganham muito dinheiro e que os dois vivem em situação financeira complicada por falta de organização. E eu falo isso porque eu tenho pais que vivem com salário mínimo. Óbvio, né, isso em casa própria, eles não têm muitos custos, quando tem custos extras, eu e meu irmão, a gente dá uma força e tal, mas hoje eles conseguiram se organizar dentro das obrigações financeiras dele, que hoje, para pagar o básico, o que eles precisam para sobreviver, eles não precisam de ninguém. Já passamos dificuldades financeiras, nunca passamos fome, mas foi só uma questão de organização. E eu também, porque eu era uma pessoa extremamente consumista.
Entendi. Então é se organizar.
É se organizar.
Dói, mas é isso.
É óbvio que a gente quer ganhar mais, é óbvio que a gente quer ter nossos desejos supridos, mas... se você não se organizar, você pode ganhar quanto for, que não vai suprir, não vai... Mulher do céu!
Uma coisa muito interessante que está aqui no seu livro é que você traz muitos dados, né? E você está falando de um lugar que viveu e vive, né? A rotina de um profissional da área da saúde aqui no Brasil. E aí tem uma provocação aqui, gente, que olha... Você se permitiria ser cuidado por quem não cuida de si mesmo? É como você chegar no dentista e o dentista tá com o dente estranho.
Exatamente. Essa provocação eu trouxe, me veio num livro que eu li da Ana Cláudia Quintana, não sei se você conhece.
Sim, a doutora Ana Cláudia Quintana Arantes.
Sim. A morte é um dia que vale a pena viver. Esse é um livro obrigatório para todo mundo. E ela faz muitas provocações nos profissionais de saúde, né? E ela fala exatamente isso. E ela fala também que a gente quer ser reconhecido pela sociedade como os heróis, né? As profissões de saúde são tidas como profissões devocionais. Em que momento você está cuidando de você? Você é herói de quem? Você é seu herói? Se você não é seu herói, você vai ser herói de quem? A gente só pode dar para o outro o que transborda da gente. Se você está mal cuidado, como você vai cuidar do outro? Com que qualidade de assistência você vai prestar o cuidado para o outro? Eu falo isso todos os dias no meu trabalho.
Falamos todos os dias isso.
Imagina o que é você falar para o profissional de saúde, que ele tem que se alimentar melhor, fazer atividade física, você está... O óbvio para as pessoas que deveriam fazer o mínimo.
Manu, você sabe que eu gosto de sempre lembrar que não existe óbvio, né? Porque... Sim. Inclusive, eu uso até uma caixa de ovos, né? Que está escrito contém ovos na caixa de ovos. Ou seja, precisaria? Precisa. Se está escrito é porque precisa. Então, é óbvio pra quem? Mas eu entendo que os profissionais da área da saúde, assim como outros profissionais, vivem uma ilusão que nada vai acontecer comigo. E ter a informação não te blinda das consequências. Então, é a mesma coisa que o papai financeiro, quando ele tá muito cansado, quando eu tô vendo que ele tá entrando num estado de exaustão, sabe o que eu falo? Eu vou entrar num cheque especial, hein? Hã? Essa risada é o que as pessoas dão mesmo. Outras não entendem. É a risada do nervoso. Outras não entendem. Eu falo, deixa eu te explicar uma coisa. Você estar em contato com a informação todos os dias não significa que você está blindado a ela. Então, você tem que ficar lembrando, repetindo com muito carinho. Qual ilusão você vê mais na questão da falta de manutenção para a saúde?
A idade... Olha, Isa, as pessoas dão muita desculpa do tempo, né? Que você ama falar e que... E eu falo, gente, não adianta você querer viver 100 anos se você vai passar quantos anos em cima de uma cama. Eu trabalho no setor de neurologia.
Nossa, mãe!
Então, eu vejo a quantidade de pacientes e eu falo assim, gente, esses pacientes que estão aqui, eles têm o que vocês mais gostariam de ter, tempo. mas eles gostariam de ter o que vocês têm hoje, que é saúde. Então, vocês ainda têm saúde, cuida dela. E na pandemia, a gente fica com aquela sensação de que a gente tem o controle de tudo. Na pandemia, eu tinha direito a me afastar por conta da minha doença autoimune. Só que eu falei assim, não, eu vou me afastar diatal. Eu vou dar o meu último plantão diatal e me afasto. E, óbvio, foi aquele caos, muita ansiedade. A gente ia para o hospital morrendo de medo de morrer. Essa é a grande verdade. E eu adoeci um dia antes do dia que eu disse que ia me afastar. Eu não tive Covid, eu tive uma outra infecção. Eu tive uma infecção generalizada que eu fiquei 15 dias internada, sozinha, porque não podia ter minha família longe. E, a partir desse momento, foi quando eu falei, bom, Se eu... Porque o médico foi muito claro em falar que a qualidade de vida salvou a minha vida. De dizer, você só não foi entubada, só não foi pro CTI, só tá aqui com a gente por conta dos seus hábitos de vida, da sua tolerância ao sofrimento, que de certa forma o esporte te dá. Então, a partir dali eu falei, bom, se a qualidade de vida salvou a minha vida, eu vou levar a qualidade de vida pra outras pessoas. E naquele momento, pra mim, a primeira pessoa eram os profissionais de saúde.
Sim.
Né? Então, a maior parte das pessoas dão a desculpa do tempo. E eu falo assim, você vai esperar que a saúde te tire o tempo? A doença no caso, mas não tem jeito. As pessoas, cada uma tem um tempo para adquirir uma consciência da necessidade disso. Porque quando eu converso com as pessoas que já têm um grau de consciência maior, elas falam assim, Manu, você falou uma coisa que eu sempre soube, mas que veio num momento diferente de uma forma diferente. Então, é aquilo do óbvio, que a gente precisa estar sempre repetindo o óbvio.
Agora me fez lembrar uma frase que está no livro Caibalion, que tem seis mil anos de conhecimento, que é quando o ouvido está pronto, a mensagem chega.
Sim, com certeza.
Então, significa que você ouvir todos os dias, você já captou a mensagem, está colocando em prática aquilo que precisa ser feito.
Sim.
Na contracapa aqui do livro tem uma frase da Elizabeth Blackburn, que diz, não é sobre o tempo que vai durar a sua vida, e sim sobre o tempo que vai durar a sua saúde. Então, quando a gente fala de longevidade, a gente precisa falar sobre longevidade saudável, com maturidade, para entender que não adianta você fazer previdência privada, um monte de coisas para a sua velhice, se você não está cuidando hoje do que você está fazendo. Ah, mas isso aí eu já ouvi, esse papinho furado. É uma escolha.
Eu estava no plantão um dia desse e a gente falando sobre sono. Sono é um assunto que eu gosto muito de falar e se você quiser a gente faz uma outra fala num outro momento só sobre sono. E eu tava falando de sono, café, essas coisas, né? Eu falei assim, gente, a gente trabalha no setor de neurologia. O Alzheimer tá aí. A gente sabe que as proteínas beta-amiloides são limpas do nosso sistema nervoso durante o sono. Aí uma falou assim, deixa eu sair daqui que eu não quero nem ouvir isso. Eu falei assim, você sabe melhor do que eu, por que você tá fugindo de ouvir o que você já sabe? Mas é isso, é a sensação de achar que comigo não vai acontecer.
Vamos, então, falar um pouquinho de sono antes da gente encerrar. Eu tenho, inclusive, aqui um compromisso com os meus convidados e quem está nos acompanhando, cerca de 30 minutos de prose. Então, eu sou a chata do tempo. Porque isso é... Você pode falar chata do tempo ou a pessoa que respeita o tempo.
Sim, com certeza.
E o tempo de sono tem sido muito desrespeitado.
Sim.
Porque quando a gente é mais jovem, a gente pode dormir pouco e o dia seguinte ele não tem tantas consequências. Ou ele pode até ter, mas você ainda não sente tanto. Mas conforme o tempo passa, isso vai mudando. O que você tem visto em relação ao sono? Sobre a falta de sono, o que pode provocar?
Olha, primeiro, assim, eu tô muito assustada com a quantidade de pessoas dependentes de medicação pra dormir. Na verdade, as pessoas tomam medicação pra dormir, medicação pra acordar, café pra acordar, medicação pra focar. Então, assim, é remédio pra tudo. Porque as pessoas simplesmente não querem parar para observar isso. Falam, gente, não adianta você tomar o remédio se você não cuidar de todo o resto. Então, imagina você ter um trabalhador noturno que depende de remédio para dormir. Como que essa pessoa trabalha à noite? E assim, não tenho que falar, você emburrece se você não dorme. A gente tem fases do sono a serem cumpridas e eu sou a louca que durmo todo dia de relógio para registrar o meu sono. Eu faço isso, inclusive quando eu estou no plantão, para ver se o tempo de sono que eu estou tendo no plantão está sendo um sono de qualidade. Eu faço isso hoje, por exemplo, semana... No domingo, agora, eu fiz uma prova de triátilo, eu fiz um meio Ironman. A semana anterior, eu registrei o meu sono todos os dias, porque, para mim, o sono é uma modalidade. Não adianta eu treinar, treinar, se eu não descansar, se o corpo não descansar, se o corpo não se regenerar. E eu vejo que as pessoas estão cada vez mais ignorando o sono ou repetindo que dormem mal. Isso aconteceu esses dias, olha que curioso. Uma amiga falou assim, ah, não, porque eu durmo muito mal, eu durmo muito mal, eu durmo muito mal. Eu falei assim, faz o seguinte, monitore o teu sono por uma semana. Vamos ver como é que está esse sono? E a gente começou a ver que o sono dela não era tão ruim quanto ela repetia que era. Eu falei assim, cara, em algum momento da sua vida, você de fato dormiu muito mal e passou a repetir isso como uma verdade absoluta. E agora, óbvio que dá para melhorar, óbvio que não é o sono perfeito, mas não é tão ruim como você imaginava. Então, acho que as pessoas, na verdade, estão sem consciência, sem nível de consciência, sem tempo para parar e se observar, e sentir, e se perceber. As pessoas estão desconectadas do próprio corpo. Estão completamente desconectados do próprio corpo. E como você fala, o tempo é muito relativo àquele seu podcast com Joel. É maravilhoso quando você fala que foi buscar informações científicas se o tempo estava passando mais rápido. E a verdade é que a nossa realidade, o Augusto Cury fala da síndrome do pensamento acelerado. É de acordo com essa rotina louca que a gente está vivendo.
Não, mas quando você fala nós estamos desconectados do nosso corpo e não é que estamos só conectados com a tecnologia, estamos conectados muito com as farmácias que vão vender e não estou falando mal das farmácias nem dos remédios, entenda. Buscando recursos artificiais para problemas naturais que deveriam ser solucionados por cada um.
Sim.
Manu, se eu tivesse te conhecido antes, eu não teria tido burnout. porque o profissional que fui buscar, o profissional da saúde que fui buscar para entender que aquele meu estilo de vida era muito insustentável, o que eu podia fazer, ele me deu anfetamina. E pra alguém deve fazer bem, mas pra mim foi como colocar um motor num carro sem motor. Aliás, sem pneu, ou pneu num carro sem motor, né? Ou seja, não ia pra frente.
É, e eu também não sou contra remédio, né? Deixando muito claro. Mas eu vejo que as pessoas estão tomando de forma indiscriminada.
Sim.
Arrumam a receitinha, vai lá na farmácia e compra.
E não adianta tomar remédio e não mudar estilo de vida.
Exatamente. A gente quer solução rápida, né?
Não é. Pra essas pessoas que querem solução rápida, antes da gente encerrar, qual é a sua... Primeira dica, eu gostaria assim, se você tivesse condições de lembrar aqui de três coisas que estão no seu livro, estão no seu conteúdo, que você viveu e que pode mudar a vida de quem está nos assistindo.
Olha, parece clichê falar, mas é autoconhecimento. O meu livro eu trago quatro pilares, que eu falo que são pilares básicos para você começar a pensar em melhorar a sua qualidade de vida, que é obviamente a saúde, o autoconhecimento, a educação financeira, porque a maior desculpa é tempo e dinheiro. Então, tempo, educação financeira, saúde e autoconhecimento. Mas tudo começa no autoconhecimento. Não adianta você querer buscar nada na sua vida se você não parar para entender quem é você, quais são os seus valores. É daí que você parte para todas as suas escolhas e as suas decisões na sua vida, dos sims e dos nãos que você vai dar. Então, não adianta querer fazer o que todo mundo está fazendo, indo no efeito manada, se você não tiver certeza de que é aquilo que você quer para você. Então, o primeiro passo é autoconhecimento. Tá.
Hábitos? depois que fiz essa jornada desse turismo interno, sei quem sou, o que estou fazendo, para onde quero ir, parei de culpar os outros, o que faço?
Aí você vai... Como está a sua saúde física? Está sedentária? Vai fazer uma atividade física? E, gente, não vem com desculpa de que não tem dinheiro para pagar academia. Se você tem, Se você tem pé... Eu nem vou falar se você tem pernas e pés, porque tem pessoas que não têm e fazem. Então, assim, se você tem autonomia... Porque eu falo que não adianta você ter a melhor saúde física do mundo se você não tiver autonomia, se você não tiver saúde mental. Porque eu vejo isso no meu setor.
Ô, Manu, deixa eu te fazer uma pergunta. Você não acha que saúde mental é redundante? Outro dia eu estava estudando saúde integral e saúde mental. Falei, gente, está na hora. Outro dia eu falei isso no pânico. Está na hora da gente entender que saúde mental e saúde integral é redundante.
É, porque dividiram a gente, né?
Está na hora de juntar saúde e poxa vida.
A gente é toda... A especialidade médica dividiu a gente inteira, né? É tão difícil. Eu tenho dificuldade de procurar médico hoje em dia, confesso para você.
Então, vamos lá. Três hábitos. Um, autoconhecimento. Depois...
Atividade física. Sono. E alimentação, gente. Comer bem é descascar mais e desembalar menos.
Amo.
Fácil, simples e fácil.
Simples. Só fazer. Só parar de acreditar em...
Parar de... Quer mudar? Tá achando ruim? Não reclama, gente. Muda. A mudança tem que partir de você, não do outro.
Pegou? Manu, quero te convidar para a cerimônia das areias. Esse é um momento muito especial do nosso programa, em que cada convidado escolhe uma cor e coloca aqui no garrafão a areia predileta com suas intenções para quem nos escolheu até aqui. Veja que cada convidado vai formando uma arte aqui nesse garrafão. Coisa linda, né? Já, já ele vai... Aí nós vamos decorando aqui o ambiente depois com ele. Então, escolhe uma cor e aí eu peço que você coloque aqui nesse garrafão suas intenções e fale para quem está com a gente.
Eu vou escolher azul para combinar com o meu livro. Adoro!
Minha cor preferida.
É tudo? É um pouquinho?
Pode colocar tudo. Tudo? Pode colocar tudo.
As minhas intenções?
Suas intenções.
É para falar ou só para pensar?
Pode falar para quem está nos acompanhando.
Gente, a minha intenção é que as pessoas acordem para suas vidas. porque eu não sei de quem é essa frase, não é minha, eu não vou saber dizer de quem é, mas eu espero, acho que é da Ana Cláudia, inclusive, eu espero que, quando a morte o encontrar, ela o encontre vivo, porque tem um monte de gente que está morta em vida. Então, a intenção é que você acorde para viver, porque a vida é tão rara. É isso, para combinar com o meu livro.
Pra acordar, pra viver, você tem que dormir.
Exatamente.
E a turma não quer dormir porque acha que é perda de tempo. Ai, Mano Rios!
Não mesmo.
Amei, amei, amei. Antes da gente encerrar cantando Lenine, deixa ali os seus contatos pra quem tá apaixonado, apaixonada por você, quer acessar o seu livro, os seus conteúdos.
Então, meu Instagram é arroba ManoRios, underline, né, aquele tracinho embaixo, AL. No final de julho, eu tô lançando o meu podcast, que a Isabela já está convidada. Que chama Saúde em Primeiro Lugar. Pra quem quiser o meu livro, ele tem lá no meu link da bio do Instagram. E tem também na Amazon. E... Por enquanto, é isso. Em breve, o YouTube também, com o podcast. Então, final de julho, já podem me procurar lá no YouTube e no Spotify. Por enquanto, só no Instagram.
Maravilhosa.
Podem me chamar, podem quiser mandar perguntas, tirar dúvidas. Isso é bom. Eu tô super aberta, sou eu mesma que respondo. A minha vida não é corrida, então sou eu mesma que respondo todo mundo.
Amei! Para a gente encerrar, eu já busquei aqui no Google a letra Paciência, do Lenine.
Essa música é...
Eu tive o privilégio de entrevistá-lo para o meu livro. Assim, se você olhar a letra, está aqui a melhor receita de remédio, né? Será que é o tempo que lhe falta pra perceber? Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma Até quando o corpo pede um pouco mais de alma Eu sei, a vida não para Obrigada, Manu.
Eu que agradeço demais.
Estamos juntas. Você que acompanhou a gente até aqui, compartilhe com quem você quer bem, deixe seu comentário e a gente se encontra no próximo Interioriza. Até mais.
Até mais.
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