Como transformar suas cicatrizes? com Cíntia Ribeiro Santana - EP 27 Ïnterioriza
13 Aug 2024 · 36 min
Izabella Camargo talks with Cíntia Ribeiro Santana about transforming scars, visible and invisible. Cíntia shares her burnout experience, career change, and how Rolfing, a therapeutic method, helped her embrace self-love and personal transformation.
Chapters
Sabia que você pode aprender a amar suas cicatrizes? As visíveis e as que só você sabe que possui. O corpo que habitamos, o qual também somos, conta nossa história. Só você enxerga a vida desse ângulo, com sua ancestralidade, com tantas descobertas, com aqueles limites, com essa pintinha no canto do olho esquerdo, com sua boca desenhada tão linda, com esse bração do qual por algum motivo sem vergonha, mas que ele foi tão útil ao se defender daquele abusador. De fora para dentro, é uma não-ficção cheia de liberdade poética. Como fio condutor de cada capítulo, Cíntia Ribeiro descreve de forma leve, irônica e inspiradora o seu processo íntimo de transformação em potentes sessões de Holfing. Essa ciência, que nós vamos saber já, já, com mais detalhes, que tem como intuito a reintegração da nossa pessoa no espaço, tempo e na gravidade, de forma sincrônica à educação de seus movimentos. A autora vivencia um profundo realinhamento interno e convida você também a entregar a essa pessoa do espelho todo o amor que ela merece, apenas por ser quem é. Um amor que não depende de outros, e sim de você, para você, por você. Está aqui, então, no estúdio do Interioriza, Cíntia Ribeiro, Bem-vinda! Obrigada.
Obrigada, Isa. Que emoção ver você lendo essa parte. Pra mim, já tô chorando. De verdade. É muito forte. É muito forte. É muito potente.
Cíntia, como é que a gente aprende a amar nossas cicatrizes? Como é que você aprendeu a amar suas cicatrizes? Bem-vinda.
Obrigada, Isa. Eu acho que tem uma coisa que é que eu sempre tive uma relação boa com o meu corpo. Eu acho que eu aprendi isso com a minha mãe, observando e vendo que ela estava de bem com ela. Mas eu tenho muita gente, eu conheço muita gente, você deve conhecer também, gente que tem dificuldade de olhar no espelho, de falar, Tudo mudou depois da gravidez, tudo foi pra fora do lugar. E eu acho que a cicatriz, quando eu falo cicatriz, eu penso na cicatriz da minha cesárea.
É mesmo?
E eu penso em cicatriz como uma transformação que me mudou, que me marcou, que fez sentido pra mim, que me fez quem eu sou. Então, ela é digna de amor, né? Eu, o meu corpo, eu, na verdade, não tem corpo, né, Isa? É a gente, né? Então, eu acho que é isso, assim, a gente pode aprender a amar, a gente deveria aprender a amar.
Amar nossas cicatrizes. Quando você fala da cesárea, é Isabel e Levi.
Isso. Isabel, 10 anos, Levi, 4 anos, meus queridos.
Essas cicatrizes foram as mais difíceis pra você aceitar e trabalhar ou outras que ninguém vê?
Não, não, não. Elas não foram nada difíceis de eu amar essas cicatrizes da cesárea. Eu acho que as dores invisíveis, elas são muito mais difíceis da gente aceitar, não só aceitar, mas reconhecer, nomear. Eu tive muita dificuldade quando eu passei por um burnout. Eu achava que não era bem assim, não estava acontecendo. E aí quando você chega nesse estado, Você já sofreu muito assim, né? Quando você realmente recebe um diagnóstico clínico e fala assim, tia, você não está bem. Então, essas dores invisíveis, ainda rola muito preconceito, ainda tem muita dificuldade cultural da gente aceitar, né? Não sei como é que foi com você comigo, foi assim.
Eu vou resumir tudo que eu posso dizer em dor que não sangra, dói em dobro. Então, a dor que não está sangrando está doendo em dobro. Então, enquanto você não tiver empatia para se acolher, você vai sofrer ainda pelo julgamento de quem não está nem sabendo o que está acontecendo. Mas ok, vamos avançando. Cíntia, você teve um diagnóstico de burnout? Você tinha quantos anos? Em que área você trabalhava? Quem era a Cíntia antes do burnout?
Pois é. Eu trabalhei por 20 anos no mundo corporativo como executiva de empresas, e depois desse burnout, o curioso que eu entendi foi que o que eu estava fazendo comigo mesma era sendo a pior chefe de mim mesma. Porque durante os primeiros 10 anos eu estava no mundo corporativo trabalhando para empresas, grandes organizações e tal, mas nos últimos 10 eu estava trabalhando empreendendo. num ritmo alucinante, numa empresa que eu construí de acordo com os valores em que eu acredito ainda hoje, que fazem todo sentido para mim. Mas que, mesmo assim, eu tive burnout. O que que acontece? Cadê a coerência na gente, né? Então, assim, já era essa pessoa entregue às demandas externas mais do que a si mesma, sabe? Inclusive, isso é o porquê do nome do livro, assim. O De Fora Pra Dentro vem daí. Ele vem dessa... dessa urgência da gente vir pra dentro pra que a mudança aconteça de dentro pra fora, a gente sabe que é o clichê, mas eu quis desconstruir essa brincadeira de propósito pra chamar atenção, pras pessoas pararem pra pensar que se elas não vierem pra dentro, elas não tem pra onde ir. Elas não tem como serem agentes de mudança do mundo se elas não mudarem a si mesmas primeiro. Então, parece clichê, mas é um exercício muito difícil, muito difícil, doloroso.
Um clichê só é clichê de tanto que a gente fala, mas não entende, né? Por isso que no Interioriza, eu sempre te convido a interiorizar assuntos que já passaram do tempo da gente assimilar, já dizendo que demora, tá? Não é de um dia pro outro que você faz a transformação que você gostaria. Consigo ir ao seu redor. Isso é um fato, mas vamos lá. Aí você teve um burnout, se afastou do trabalho? Sim. Foi demitida? Não foi?
Se demitiu? Não, eu era sócia da empresa, né? Então eu tinha uma facilidade muito grande, pessoas muito empáticas, queridas, amigas. Então eu tive todo o acolhimento maravilhoso. Me afastei, né? E na sequência, uma série de coisas aconteceram e eu fui entendendo que tava na hora de eu ouvir a voz que me chamava pra literatura, me chamava pra uma troca de crachá e pra área de conteúdo. Então eu fiz uma transição de carreira significativa, um cavalo de pau na carreira ali. Sai da área de negócios, vem da loucura, crazy, metas.
Vai patinando, né? Vai assim...
É, derrapa.
Derrapando.
E aí você vai pra um... Escuta esse lado sensível que tá dentro de você. Você deu pouca... Pouco espaço pra ele dentro de você.
Escuta esse lado sensível. Nós já vamos falar sobre que lado sensível é esse, tá? Mas nós ainda estamos lá no Burnout. Que foi há quanto tempo? Esse programa tá sendo gravado em 2024.
Foi em 2022.
2022, você já era mãe do Levi.
Sim, sim.
Pandemia rolando.
Pois é, pois é.
Que limite você estava extrapolando? O que aconteceu para você ter o diagnóstico?
Isa, eu fazia... Vou dar um contexto rápido. O Levi nasceu em janeiro de 2020. Então eu emendei a quarentena do porpério com a quarentena do Covid. E fiquei isolada esse tempo todo numa revolução hormonal acontecendo dentro de mim enquanto isso acontecia. A minha filha, Isabel, estava num ano de alfabetização escolar remota. De repente, todas as pessoas sumiram do mundo e ela precisou ficar lá na frente de uma tela, a mãe abduzida, amamentando, o pai fazendo uma correria, dando conta de como as coisas estavam, e eu trabalhando sócia, enfrentando complexidades na parte societária da empresa. Tudo isso aconteceu e eu estava num ritmo assim. Eu fazia seis a sete reuniões por dia, Eu entrava na reunião, eu saía da reunião pedindo desculpas, né? Ah, gente, desculpa, eu tô atrasada pra próxima. E eu chegava na próxima falando, desculpa pelo atraso, gente, eu tava em reunião. E uma das coisas que eu ouvi da minha rolfista, Simone, a gente vai falar disso, foi ir pra você mesma quando você pede desculpa. E aí foram algumas coisas que foram me levando a entender que tinha alguma coisa errada.
Então, você em 2022 estava sobrecarregada por questões da pandemia, do seu trabalho, da maternidade.
Mas tem uma coisa, vou te interromper, porque tem uma parte da responsabilidade que eu acho que a gente, falando aqui, eu entendo que o seu público é um monte de gente que talvez se identifique com essas dores. Tem uma parte que eu acho que é a responsabilidade da empresa, das lideranças e das organizações, de todo mundo. Mas tem uma parte que é nossa, que se a gente não fizer no rolê, não adianta. Não tem quem faça por nós. Não dá pra terceirizar o sono. Não dá pra alguém fazer necessidades fisiológicas por você. E eu tava ignorando tudo isso.
O básico.
Mas o mínimo. O mínimo do mínimo. E tem até um capítulo que eu falo sobre isso no livro, que é sobre a gostosura do ordinário. Tem prazer nas coisas ordinárias que a gente faz, mas geralmente a gente não tá presente no momento pra perceber.
Adorei, porque tem tanta gente buscando o extraordinário, o épico, o invencível, e que não está se dando conta do ordinário.
Imagina que nosso organismo tá preparado pra eliminar as coisas que não nos servem fisiologicamente. E a gente não tá imitando esse modelo.
Não tá. Aí você viveu o seu diagnóstico e qual foi o ponto de virada? Em que momento você entendeu que já não era mais o que tinha te acontecido? Como é que você ia seguir a partir dali? E entendi que pra você, assim como pra mim e pra outras pessoas, o burnout foi um freio. Não foi o fim.
Sim. Eu acho que foi um momento de coragem. de assumir para mim mesma que eu não estava sendo quem eu gostaria de ser, realmente. Estou falando de níveis bem profundos, Isa. Estou falando de terapia, de uma análise profunda do ser, de pensar quem eu sou, o que eu estou fazendo aqui, olhar, reavaliar propósito, entender o que eu quero fazer com as minhas horas, de verdade. O que eu quero fazer com as minhas horas? Eu quero vender ABCDE? ou eu tenho alguma outra coisa pra transmitir, pra entregar, sabe? Pra mover aqui, sabe?
Você está sendo quem você gostaria de ser? Ótima pergunta. E agora, Cintia, você tá sendo quem você gostaria de ser?
Ai, eu tô, Luísa. Eu tô, isso me emociona, assim. Me emociona porque faz pouco tempo, assim, faz... Essa virada faz menos de um ano.
Tá.
Nesse tempo, eu considero que eu fiz movimentos muito significativos na minha rotina, na minha agenda, no meu dia a dia, no meu trabalho. E algumas pessoas olham pra mim e falam, nossa, como você é corajosa. Porque tem isso, Isa, dá medo, dá muito medo.
De quais movimentos significativos você está falando?
Eu acho que o trabalho é muito forte, muito sensível. Porque eu gosto de negócios, de vendas. Eu vejo oportunidades de negócio. Estou aqui, já estou pensando em coisas que poderiam ser feitas. Então, isso está muito em mim. Mas tem um outro lado que é comunicador, que é sensível, que é artístico. que eu não estava olhando. Então, imagina, eu achava que, sinceramente, abrir o coração, rasgar o coração, eu não estava vendo valor na arte. E aí quando eu comecei a perceber que ela pulsa em mim, em nós, em todo mundo. O professor Leandro Canal postou agora esses dias, parece que teve um apagão. E ele postou alguma coisa do tipo, qual seria a música que você ouviria num apagão? E eu pensei, eu acho lindo, acho apaixonante o fato de que as pessoas pensam, bom, em caso de apocalipse eu vou recorrer à arte. Ninguém estava tentando achar metodologias funcionais para salvar o mundo, né? O que salva a gente é outra coisa. Eu acho que é o sensível, é o belo.
Sem dúvida. Por falar nisso, por falar em arte, você tem uma tatuagem no seu braço, né? Que é uma arte maravilhosa.
Tenho. Camila Denuti.
Camila Dedutti, tatuadora, que, por acaso, também está na capa do seu livro. Quem fez essa arte?
Pois é, quem fez é a Tayo Kondi. Ela é uma artista mineira, bruxa, maravilhosa, sensível, ilustradora. E ela... a arte... eu tenho uma curiosidade, assim, essa imagem, ela surgiu durante uma das sessões que eu estava fazendo.
O hall, enfim... Vamos falar sobre isso já, já.
E eu estava lá e, naquele momento, eu estava... Ela estava massageando minhas costelas, minhas escápulas, na verdade, não era nem costela. E eu estava num momento de introspecção, assim, sabe quando você fecha os olhos e você vê uma cor? Já aconteceu com você?
Opa!
Ai, que bom!
Já, já.
E aí, eu via azul, e eu via um azul de aquarela, eu via umas coisas assim, e eu percebi que era uma asa. E esse desbloqueio, ele estava acontecendo fisicamente também, e eu entendendo que eu podia ocupar um espaço no mundo, Isa, que eu podia ser... Sabe aquela mania da gente tem de se encolher pra foto? Por quê? Depois você olha a foto, sobra céu, sobra espaço, tá todo mundo assim, ó.
É, exato.
Não, a gente pode caber nos lugares. Acho que a gente tem...
A gente deve.
A gente deveria ser consciente do nosso tamanho. E isso aconteceu. Eu pedi para a Thay descrever essas asas e ela trouxe essa imagem maravilhosa que ficou marcada. Não tem como. Ficou literalmente marcada.
E eu, quando recebi o seu livro, fiquei muito impactada pela capa, pelo que eu fui lendo nas páginas, pela sua dedicatória. E me lembro que você agradecia por eu ser quem eu deveria ser. E aquilo me tocou profundamente. Por isso, quando você fala, você está sendo quem você gostaria de ser, naquele momento eu estava muito convencida disso. Mas essa é uma certeza que a gente precisa, todos os dias, reafirmar. É porque nós vamos ter altos e baixos o tempo todo.
Quando eu olho para vocês, para mulheres como você, quando eu vejo que tem gente falando sobre coisas que não se falavam há pouquíssimo tempo atrás, gente competente, gente profissional, gente de excelentíssimo nível intelectual, pessoal, humano, Eu me emociono, de verdade, porque isso não era o que estava acontecendo. Então, por isso que eu te disse na minha dedicatória, e eu repito aqui, assim, por gentileza, faça um favor a todas nós, continue sendo quem você é. Seguimos juntas.
E aí eu vejo na sua camiseta Leia Mais Mulheres, né? Recomendo de fora pra dentro, então, pra todos que estão nos acompanhando. E aí você comentou agora há pouco sobre o Rolfing.
Isso.
Eu que, olha, já fiz muitos processos terapêuticos e não conheço. Me explica o que é o Rolfing e o quanto isso te ajudou a se descobrir?
Eu te explico, porque eu também não conhecia. Eu fui procurar o Rolfing antes de explicar o que é. Eu vou te contar. Eu estava com uma dor lombar e com medo.
Constante.
E eu estava com medo, porque eu ia viajar, eu queria andar muito. Eu falei, se eu travar, Acabou minha viagem, aquela que a gente espera tanto. E aí um amigo muito querido falou assim, Tia, vai experimentar. Eu falei, mas o que é Rolfing? Ele falou, vai fazer, porque assim, é muito difícil explicar.
Só vai.
E o Rolfing, ele é um método que ele propõe a reeducação dos nossos movimentos na gravidade. No fim das contas, Isa, é uma ferramenta de autonomia. Diferente de um outro método que você vai para ser corrigido, alguma questão, para atuar localmente, ele também atua em crise. Mas ele te ferramenta para viver depois. Ele te reeduca. Por exemplo, se eu estou sentada com a perna aqui, eu já estou me prejudicando. Porque em tese eu tenho um alinhamento aqui, eu tenho um eixo dentro de mim que me suporta. Uma das coisas que... O Rolfing, só para eu falar um pouco sobre ele, ele veio para o Brasil na década de 80. Ele é recente, ele é pouco conhecido. Quem criou foi uma osteopata norte-americana chamada doutora Aida Rolfing. E aí, o que acontece? O que ela acredita? Que o ser humano tem a capacidade de curar a si mesmo se ele estiver alinhado com a gravidade.
Concordo.
Não é fora de... Concordo.
Faz todo sentido pra mim, faz todo sentido. E pra você? Faz sentido?
Tem uma questão que, numa das primeiras sessões, a Simone Mendes, que é minha Rolfista, um beijo Simone, muito querida, especial demais. Ela me provocou a andar, né, pela sala, pra lá e pra cá. E aí... Ela falou, quando você anda, você sente que a curvinha do seu dedo encosta no chão. Eu, que curvinha do dedo? Você sabia que você tem uma curvinha no dedo do pé? Eu falei, não estou consciente dessa curvinha. E aí ela falou, entrega seu peso para o chão. Ele tá aí pra te suportar, assim, ele tá aí pra te sustentar. E eu tava achando que eu precisava carregar meu peso. Ela falou, fica numa postura, corrija sua postura. Aí eu tentei puxar o ombro pra cima, como se fosse um fio de nylon na cabeça. Não tem. Aí ela colocou as mãos sobre a minha costela, aqui, embaixo do braço. A minha costela. E aí ela falou, descansa, solta o peso do ombro. Eu falei, tá solto. Ela, não, solta. E aí ela me mostrou, ela tem um esqueleto chamado Josefina. E aí ela mostrou que tem as costelas, elas são uma base perfeita para o descanso do nosso ombro. E a gente já tem ali tudo em nós para a gente poder se encontrar ali, entregar o peso para o chão sem precisar carregar o peso do mundo nas costas. Então, quando eu ouço isso fisicamente, o que eu faço? Eu faço uma transferência automática para a dor que eu estou sentindo naquele momento. ainda inconsciente do burnout, mas acelerada. E eu falo, pera, não tem coisa que eu preciso olhar mais profundamente. Então, cada sessão, o livro eu conto isso, cada sessão eu trouxe em forma de capítulo, com um aprendizado que eu tive físico e que eu internalizei, porque não tinha como.
Eu adoro essas histórias do que nos acontece quando a gente procura a cura pra nós e a gente acaba curando outras pessoas. É o que aconteceu com você. É o que você propõe aqui no livro.
Eu acho, porque não dá pra passar por isso e não querer dividir. Sabe aquela coisa gostosa que você indica?
Totalmente.
Você fala, não é possível que eu não sabia. Eu vivia até hoje sem saber que era possível. Então, o que eu aprendi é, há cura disponível. A cura está disponível para todos nós.
Agora, você conseguiu se reencontrar pela metodologia HOF, então.
Sim.
Se devolvendo para você.
Exatamente. Mas aí que tá. Eu acho que meu convite é um pouco assim, encontre o seu método. Encontre alguma coisa que te faça bem, que te coloque no eixo de novo. Né? Essa foi a que eu usei, mas meu convite é pro auto-amor.
Tá.
De uma maneira bem ampla.
Auto-amor. Vamos falar sobre auto-amor pra depois a gente falar sobre a escuta do que é sensível dentro de nós?
Vamos.
Auto-amor é uma... É chocante porque a gente ouve tanto sobre amar as pessoas, amar o próximo, amar... E aí, quando a gente fala sobre autocuidado e autoamor, parece que... Nossa, que coisa mística.
É. Isa, você sabe que eu fui ousada e criei uma fórmula do autoamor.
Adoro. Me conta. Adoro, adoro.
Qual é a fórmula? A fórmula é o seguinte, autoamor é igual. Autoconhecimento. Se você tá disponível pra se perceber, então tem que ter uma auto-percepção também. Então é o autoconhecimento multiplicado pela auto-percepção. Elevado a auto-estima. Talvez você não tenha recebido o amor de ninguém, mas de você mesma você pode receber. E deve.
Esse é o ponto. Esse é o ponto. Mesmo você não tendo recebido amor da maneira como você achou que deveria receber, porque provavelmente muitas pessoas passaram pela sua vida da maneira que elas puderam, é sua responsabilidade fazer o quê?
Exato. Colocar isso em prática, em você mesmo. E aí eu divido tudo isso por autocuidado. Porque o autocuidado é o pragmatismo da história.
O autoamor na prática é como?
O autoamor na prática é autoconhecimento multiplicado por autopercepção elevado a autoestima dividido por autocuidado. No fim, tudo isso é um jeito de você colocar em prática essa história.
Por acaso é como você se inclui na agenda todo dia?
É, por isso que eu escolhi essa daqui, maravilhosa.
A Cintia escolheu essa xícara, já se incluiu na agenda hoje.
Não, sem dúvida nenhuma, sim. Essa daqui é um exercício diário, Isa. É um exercício e um desafio diário, né?
Eu fiquei feliz que você escolheu essa caneca. Nessa rodada aqui de gravações, eu trouxe várias frases que eu imprimi nessas canecas pra que isso fique de mensagem pra você, né? Facilmente. E aí, se você quiser, é só entrar no meu site, isabelacamargo.com.br, ou aqui na descrição desse vídeo, você vai também encontrar o caminho direto. A minha é, eu quero, mereço, preciso de quê? Pausas voluntárias. Eu tenho até um gatinho aqui. Sabe? Eu vejo meus gatinhos, assim, dando aquelas cochiladas durante o dia, eu falo, ó, na próxima, eu, você, tá? Eu serei o gatinho.
É sobre isso.
Porque é pra gente poder ter esses momentos de recuperação. Então, quando você me falar sobre o autocuidado, é isso. É o quanto você se inclui na agenda todo dia.
Exatamente.
Todo dia. Um pouquinho, pouquinho, pouquinho.
Escolher os momentos de encontrar prazer no agora, né, Isa? Eu tenho... Acho que mãe, especialmente, né? Quando eu falo, leia mulheres, quando eu falo de... Eu milito mesmo por essa questão mais feminista, porque tem uma carga mental ali que nos assola e nos impede de viver no presente. Uma das coisas que eu também vivi lá no Hofing foi o seguinte, a Simone falou assim, Cíntia, eu cheguei acelerada, eu sempre chegava fazendo reunião, eu vinha no caminho fazendo reunião online, aquilo tudo de errado que você pode imaginar. E aí ela falava assim, tia, tá bom, pensa em todas as coisas que você tem que fazer amanhã. Aí eu fazia isso, assim, necessariamente, tipo, o peito pra frente, a expiração travada, nada tá acontecendo aqui. E aí ela falou uma hora, ela falou, agora vem pro agora. Isso. Exatamente isso. Eu só soltei o peso, voltei pra um alinhamento e o ar começou a passar aqui, tem um corredor que o ar pode percorrer aqui. É enorme, dizem. Pois é, e aí essa diferença da postura do futuro e a postura do agora é uma coisa que eu recorro toda hora, assim. Eu tô no futuro ou eu tô no agora? é ferramenta pra você, entende? E a Cíntia do Futuro me ama, porque eu vivo resolvendo as questões, assim, eu sou aquela pessoa, Isa, que tem roupa pros filhos, eu compro na liquidação e eu tenho roupa pro inverno do ano que vem guardada, ou quando falta uma meia calça, tamanho um a mais da minha filha tem no guarda-roupa, na gaveta, assim. Só que isso me custa, e custou até hoje, você perguntou o que mudou, né? Me custa estar no presente com eles. Não dá, assim, dá pra esperar, dá pra ir no mercado correndo comprar uma meia calça. Não precisa, sabe? Porque eu não sei se eu vou chegar lá.
Isso tem tudo a ver com questões financeiras, né? Porque, muito provavelmente, eu, você e quem está nos assistindo já vivemos momentos de muita escassez e aí a gente vai se antecipando por necessidades que ainda nem precisamos, nem temos.
Por que a gente faz isso? É uma urgência. A minha analista, psicóloga maravilhosa, fala que a ansiedade... Estamos com o Divertidamente aí. Colocou em cima da mesa para a gente olhar de fora. Que maravilhoso. A ansiedade é uma assassina de agoras em nome do amanhã. É impactante. A ansiedade é uma assassina de agoras em nome do amanhã.
Mas a gente tem que abraçar essa assassina. Não tem outro caminho?
Tudo bem, mas a gente nem sabe se vai ter amanhã. A gente pode acolher a ansiedade, né? Mas ela mata o presente, fato. Então, tem que ter um momento de a gente conversar com ela, tomar um café, falar, entender o que tá acontecendo, mas... Acolher. Tudo bem, tá tudo bem. A gente pode vir pro hoje, né? Tá.
Bom, pra mim, o nosso tempo já tá acabando, mas você deixou aqui a principal frase. Você está sendo quem você gostaria de ser? Eu acho que eu não tô sendo quem eu gostaria de ser.
Verdade, Isa.
Tudo bem que eu tô numa semana pré-menstrual, tá? E aqui... Isso afeta muito. Mas eu acho que eu não tô sendo quem eu gostaria de ser comigo e com as pessoas que estão ao meu lado. Sabe? E eu já ouvi isso, inclusive, do Padre Fábio. Ouvi isso de muitos entrevistados do meu livro, né? Porque é uma grande pesquisa. Mas ok. Eu vou depois me resolver comigo. Mas é ótimo. Essa pergunta é muito importante. Você está sendo quem você gostaria de ser? Se sim, ótimo. Se não, por quê? E aí vamos alterar. Vamos mudar o que precisa ser mudado.
Quando eu falo de auto-percepção, Isa, e eu te abraço por isso, porque eu também não estou sendo quem eu sou.
Tem momentos que a gente não consegue.
Acho que tem uma coerência que a gente se exige que não é humana também. Está tudo bem a gente ser incoerente. Mas o que eu tenho aprendido é que o sentir é anterior ao pensar. E se a gente está disponível para se observar, em vez de racionalizar já direto, a gente já vai para o... Calma, sente, o que isso quer dizer?
Vamos agora nos aprofundar nesses sentimentos, porque você falou agora, você está escutando o que é sensível, então, e aí há pouco tempo você me falou sobre um projeto que eu amei, que é o sentimentário. Me fala mais sobre isso. Esses sentimentos, onde estão? Opa, se é aqui, vai. Se é aqui, não vai. E assim por diante. Achei muito curioso.
O sentimentário é um baralho, Isa. Ele foi pensado para... Nessa minha busca de ferramentas, eu percebi que, às vezes, a gente não sabe nomear bem as emoções.
Muitas vezes a gente não sabe nomear.
Qual é a diferença entre frustração e decepção? É sutil. Qual é a diferença entre raiva, ira, ódio, rancor? Tem coisas... ressentimento, remorso. E, às vezes, a gente fica um pouco limitado. A gente tem um repertório limitado de emoções. Eu fico brincando que a gente é analfabeto emocional.
Totalmente.
E aí, o baralho vem para te provocar a pensar como é que essa emoção reverbera em você. Então, eu escolhi quatro personagens, quatro elementos, terra, ar, fogo e água. E cada um, cada personagem, imagina que a terra são as emoções que criam raiz. A água são as emoções que fluem e evaporam. Os fogos são as que queimam por dentro. E ar as que fazem suspirar. Então eu separei as emoções e eu trouxe um personagem que é representativo do mundo que eu quero habitar. Então é um personagem que tem um personagem não binário, tem mulher preta, tem homem com ascendência indígena. Então, personagens que vivenciam essas emoções. A ilustradora é a Tayo Kondi.
Ah, que demais.
Em Aquarela, maravilhoso. E eles vivenciam. E eu defino poeticamente cada sentimento.
Ah, tá.
Então, quando você olha uma carta dessa, ela pode servir como ferramenta socioemocional. Em escola, em clínica de psicoterapia, em casa, enfim.
E sabe por que essa ferramenta não está aqui sobre essa mesa? Este baralho ainda não está aqui sobre essa mesa, porque... Ele está sendo produzido.
Exato.
E eu fico muito feliz que você não desistiu, mesmo diante de alguns não, que provavelmente você recebeu.
Sim.
E está já no processo de arrecadação um projeto coletivo.
Exato. Estou num processo de financiamento coletivo. Eu tive a sorte, Isa. E eu te agradeço, porque você foi uma das pessoas que me fez acreditar que eu preciso seguir com essa ideia para colocar ela no mundo. Você, pessoalmente, eu te agradeço. Publicamente, também. mas eu já consegui o financiamento de metade desse valor da impressão da primeira tiragem e agora eu estou com esse projeto no benfeitoria www.benfeitoria.com barra sentimentário para arrecadar outra metade desse financiamento e conseguir a impressão da primeira tiragem. Eu quero que esse projeto se expanda, eu quero bater 300% de meta, sabe por quê? Porque eu quero que isso chegue nas mãos de quem lida com crianças em vulnerabilidade, em quem precisa dessa coisa no dia a dia.
Essa ferramenta.
É ferramenta, no fim, falta.
Olha que interessante, se você precisar prender um quadro na sua parede, você vai precisar de uma ferramenta. Você vai precisar de um martelo, vai precisar de um prego. Se você precisar fazer qualquer coisa, você vai precisar de uma ferramenta. E quando a gente precisa lidar com as nossas emoções, a gente também precisa de uma ferramenta. E eu vi esse projeto quando nós nos conhecemos pessoalmente e eu fiquei encantada. E, na verdade, Cíntia, faço por você o que eu gostaria que tivessem feito por mim. É apoio. É apoio. E a hora que a gente pode apoiar, a gente deve apoiar, sabe? Então, se essa mensagem tá chegando até você, você sabe que quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega, apoie este projeto porque é uma ferramenta para a educação emocional não só das crianças, mas de todos nós que temos... zero conhecimento sobre as emoções e é muito importante a gente poder se aproximar disso. Exato. O quanto antes.
Repete o endereço? www.benfeitoria.com barra sentimentário. E lá a gente tem recompensas, tem vários tipos de projetos, de recompensas.
Eu já vejo teatro, eu já vejo tanta coisa.
Tem livro, tem tanta coisa. Tem uma expansão disso, eu acho que isso é uma provocação para o mundo. O Inicot fala da criatividade como maneira de agredir o mundo. Tô muito afim de agredir o mundo com esse sentimento.
Mas o duro é que esse verbo, agredir, dá uma coisa, né?
Não, isso aí é uma brincadeira. É provocar. É um convite, assim. Eu acho que o meu convite, Isa, é pra que as pessoas parem de vestir máscaras corporativas, parem de vestir máscaras de culpa e vistam sua humanidade.
É isso.
É isso que eu tenho tentado fazer comigo mesma, sabe? E não dá pra gente ficar mais mascarado por aí.
Não dá mais.
Chega?
É.
Né?
Perfeito. Perfeito. Sintia, pra quem quer continuar te acompanhando, quer, de repente, saber mais sobre o método Rolfing, enfim... Qual página te encontra?
Eu tô no Instagram, Cintia Ribeiro Santana, LinkedIn, tenho o Linktree com todos os projetos, livro, tenho uma newsletter que é a Alma Transgressora também, semanal, e que eu trago bastante coisa sobre essa minha jornada de mudança de carreira, transição, e agora eu tô com uma nova temporada de emoções. Uma nova temporada de newsletters, porque eu acho que o primeiro ciclo dessa newsletter é uma transgressora. Eu falei muito sobre essas dores da transição, síndrome de impostura. Quantos dias úteis você já viveu? O que é útil? Tem muita questão ali, do tipo, você tá aqui mesmo de fato? Como você tá? Enfim. E essa questão da utilidade, do utilitarismo que a gente vive, enfim. E aí num segundo ciclo, eu tô sendo convocada e eu tenho deixado essa minha alma falar, assim, ali, literalmente. E aí, quando eu comecei a escrever sobre o sentimentário, eu fui falar, ah, pra que o pessoal que acompanha a newsletter, eu vou fazer uma versão específica com bastidores e contei a história e tal. De repente, surgiu uma segunda temporada e eu preciso falar disso. Então, eu tô nessa.
Então, eu te acompanhando no Instagram, arroba cintiarribeiro. Vai dar pra gente se atualizar sobre todos os movimentos. E eu espero a sua contribuição também neste sentimentário, nesta ferramenta de educação emocional que todos nós precisamos. Não vejo a hora de pegar o meu aqui, ó. E vou usar aqui no interioriza. Tchar!
Tirar uma carta.
Adoro.
Fantástico.
As cartas não mentem. Alguém já disse, não fui eu, as cartas não mentem. Os dados não mentem, os sentimentos não mentem. Sentimento é informação, gente.
E eu quero ver as pessoas tirarem uma emoção supostamente negativa. E colocar ela na mesa pra dialogar também.
Aí nós vamos trazer o doutor Daniel Barros.
Maravilhoso.
Que é autor do livro Lado Bom, Lado Ruim.
Exato. Aí é aula.
Bom, o nosso tempo já acabou aqui, mas continue, então, seguindo nos projetos, pelas redes sociais. Obrigada pelo seu tempo, obrigada por ter contribuído tanto.
Isa, pra mim é um prazer, um privilégio estar aqui. De verdade, por favor, continue sendo você.
Obrigada, obrigada, obrigada por me lembrar disso. Você que esteve conosco, você já entendeu que esse espaço, ele é diferenciado. Nós estamos falando sobre pessoas reais, sobre ações reais, ninguém está te vendendo nada que não seja possível praticar. Então se você gostou desse conteúdo, compartilha com quem você quer bem. Você já sabe que tem que curtir, se inscrever no canal, tudo isso você já sabe, mas fica aqui um lembrete para que essa conversa possa chegar em mais pessoas. Essas sementinhas que nós estamos plantando floresçam em terrenos férteis, como já aconteceu conosco. Obrigada, minha querida.
Obrigada, Isa, querida. Saúde. Saúde integral.
Saúde integral.
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