Como vestir o amor próprio em 1ª lugar - com Eduardo Amarante - EP 16 - Ïnterioriza 2ºTemporada
4 Jun 2024 · 36 min
This content was created by Izabella Camargo. This content was uploaded by GHION.AI . This is a podcast episode titled "Como vestir o amor próprio em 1ª lugar - com Eduardo Amarante - EP 16 - Ïnterioriza 2ºTemporada" from the series 'Interioriza', created by Izabella Camargo on June 4, 2024. The episode features a conversation between Izabella Camargo and Eduardo Amarante, discussing topics related to fashion, self-love, and personal growth. Eduardo shares his journey in the fashion industry, his philosophy on clothing as a form of empowerment, and his experiences with notable personalities like Daniela Mercury and Juliette.
Chapters
Muito bem-vindo, muito bem-vindo ao Interioriza. A partir de agora, 30 minutinhos pra gente assimilar assuntos que já passaram do tempo, Eduardo, da gente interiorizar. Sabe quem é este rapaz aqui, Brasil? Eduardo Amarante. Se eu estou ousada assim, olha, só na fenda, nesta gravação, né? Olha, Edu... Há uns seis anos, antes de eu ter o meu próprio programa, eu nunca pensaria que eu estaria usando uma fenda dessa. E agora com você eu posso.
Você se sente bem?
Muito bem.
Está linda.
Está bonita?
Está linda.
Além da saia, com esta fenda exuberante, esta camisa, não é uma camisa, é uma obra de arte, porque tem bordados, tem babado, tem renda. Foi feita pelo Edu. Sim. Eduardo Amarante, eu nunca pensei que eu poderia te entrevistar na sua casa, inclusive. Muito obrigada.
Um prazer.
A gente estava trocando aqui ideias. É importante só trazer, assim, por que que eu estou falando com você neste ano. Foi receber um prêmio. E eu chego até o seu showroom. Gente, uma pessoa como eu, que saí lá de Cambira, uma cidade de 6 mil habitantes, do interior do Paraná, você acha que eu vou chegar no showroom do Enchilista? Né? Não sei nem o que eu tô fazendo ali. Falei assim, bom, vamos ver. E aí a Dani, que me recebeu muito bem. A Dani tem Baby, né, no sobrenome.
Então... Que é apaixonada por você.
Eu amo a Dani. Obrigada, Dani, por essa conexão. Ela me deu um vestido rosa pra receber esse prêmio. A hora que eu coloquei o vestido, atenção edição, olha só, né? A foto do vestido no Prêmio Ibeste caiu como uma luva, o vestido tinha bolsos, e eu me senti muito confortável, muito feminina e muito poderosa. Curiosamente, dias antes dessa premiação, rolou o Oscar. E o bafafá todo no mundo eram os vestidos usados pelas atrizes que tinham bolso. E eu já estava aqui no Brasil usando um vestido com bolso que você desenhou. Então, antes da gente chegar na história dos vestidos com bolso, eu quero só que você receba aqui, publicamente, os meus parabéns. Você tem transformado não só a minha vida, o meu estilo de vestir, mas muitas mulheres, porque você traz poder, feminilidade e nos deixa confortável. Isso é incrível para uma mulher, a mulherada que está me ouvindo sabe do que eu estou falando, o quanto isso é difícil. E você consegue traduzir numa peça de roupa tudo isso. Da onde que vem essa inspiração?
Na verdade, o bolso, antes mesmo de falar sobre a história, sobre a revolução que tem isso tudo para a mulher, eu sempre me vejo na roupa.
Ai que legal!
E os bolsos sempre foram um apoio muito grande pra mim, que sou extremamente tímido.
Sério?
Exatamente. E aí, quando eu via... Essa sempre foi uma exigência. Em todas as roupas vão ter bolso, porque quando eu tenho bolso, a hora que eu preciso de um apoio, eu coloco a mão nele.
Coloca a mão no bolso.
Só que essa semana, por exemplo, eu tava fazendo um fitting de um... de um vestido, que agora eu sou padrinho do projeto social do Neymar. Eu tô fazendo um vestido super especial. E na hora que a pessoa vai vestir o vestido, ela tocou a mão e falou assim, não tô acreditando, não preciso de usar a bolsa. Não é normal, tipo, em um vestido de festa ter bolsos.
É maravilhoso.
Mas nos meus eu faço questão total de ter. Às vezes até uma briga muito grande, porque pra fazer um bolso aumenta muito no custo de uma peça.
Sim.
Mas ela não nasce dentro da maranha de ser um bolso.
Você não abre mão do bolso na roupa. Agora, olha que curioso. Eu não sei se todo mundo sabe, mas os bolsos na roupa feminina eram proibidos. Porque as mulheres não precisavam cuidar do dinheiro. Junto com meu marido, que é o papai financeiro, estudando um pouco a história do dinheiro para a mulher, nós descobrimos isso. Que os bolsos eram proibidos porque as mulheres não precisavam, não deviam saber lidar com o dinheiro. Então, para mim, o bolso na roupa feminina é sinal de agora eu tenho meu dinheiro, eu cuido da minha vida. E você já fazia isso?
Desde sempre.
Desde sempre.
Desde sempre. Tem pelo menos 15 anos que eu exerço a função de estilista, porque eu já passei por vários outros movimentos, todos eles na moda, mas o bolso sempre esteve ali.
Que demais. E aí, ou seja, na sua criação, o bolso vinha como um artifício para me distrair, para cuidar da timidez.
Eu sempre me vejo nas roupas. Até mesmo quando eu não me vejo, ela acaba não acontecendo.
Não existe.
Eu sempre vi o bolso como um apoio pro Eduardo quando chegava em algum lugar. E eu sempre chego meio tímido, colocava a mão no bolso. E fora isso, pra mulher hoje em dia, carregar, não precisar de carregar também tantas coisas.
É maravilhoso. Maravilhoso. Pra você que tá acompanhando esse nosso episódio, se você ainda não conhece as roupas do Eduardo Amarante, você precisa conhecer. Mulherada, depois de um certo momento da vida, você tem que vestir uma roupa Eduardo Amarante pra você entender que, olha, venci na vida.
Você acha?
Tô. Eu tô nessa vibe. Essa roupa toda, Eduardo Amarante, a saia, mas quem me acompanha já tem visto que eu tenho mudado muito nos últimos tempos, não só o meu jeito de falar, mas a forma como eu tenho me vestido. Eu nunca achei que moda era importante. Eu vivi num contexto tão conservador do jornalismo que a roupa era o que menos importava. Mas olha que curioso, depois de muito trabalhar com a notícia, tinha momentos em que eu esperava a pessoa fazer alguma mensagem, alguma menção sobre a minha mensagem, e elas falavam do quê? Da minha roupa. Ou seja, era uma baita confusão. Eu tinha que estar bem vestida, mas eu não podia estar chamando a atenção.
E a roupa é uma mensagem também, né?
Absolutamente.
Você se comunica muito Aliás, eu me vejo todos os dias. Quando eu tô cinza, eu vou pro cinza. Quando eu tô alegre, eu vou... Hoje, te esperando, eu coloquei a camisa que eu mais gosto.
É lindo.
A roupa é um canal de comunicação. E é muito fácil de ver você com essa roupa e ver que você tá feliz com ela.
Super.
Super. Às vezes é o não precisar de falar, mas...
É.
Você vê e, enfim... E eu sinto.
Isso com as suas roupas. Todas as mulheres que estão usando... A Ju Góes, por exemplo, é uma grande amiga que sempre tá com as suas roupas.
É por isso que eu falei que eu gosto de gente inteligente. Ela é uma das outras que... Você, ela, Daniela... Olha! São pessoas que se conectaram à minha vida recentemente e que eu vejo assim, quantos são importantes pra... para todos que possam ter acesso.
Sim, essa mensagem é muito interessante. Você faz uma roupa de muita qualidade, altíssimo padrão e pode ser acessível, desde que as mulheres ou quem quiser vestir a roupa do Eduardo se coloque como capaz, porque às vezes nós mesmos nos colocamos como incapaz.
Eu tenho hoje muitas seguidoras e elas são extremamente carinhosas comigo. Muitas delas chegam para mim e falam assim, olha, eu não tenho condição de comprar uma roupa sua, mas eu vou comprar. Passa um ano, passa dois, eu recebo uma foto delas, porque elas fazem questão de primeiro vestir pra mim, mandar uma foto vestindo a outra.
É demais, é demais, é demais. E é muito emocionante, então, estar aqui junto contigo, que transforma tantas vidas, vidas que talvez você nem saiba, com uma obra de arte. A sua roupa é uma obra de arte. Saiba disso.
Uma obra de roupa.
É, pronto. Uma obra de roupa, né? Uma obra de arte com as roupas e as roupas são mensagens. E hoje, Edu, posso te chamar de Edu?
Pode.
Uma das coisas que eu mais percebo é como nós precisamos de mensagens positivas. Mensagens de libertação, mensagens de... Você pode. Você pode. Pode pensar diferente, fazer diferente, vestir diferente.
Hoje o Amarante, depois que descobriu o Si na frente e o S atrás, que virou o Si Amarantes, que virou uma filosofia na minha vida e que eu levo para as minhas seguidoras. Essa roupa é linda, né? Mas dentro de uma alma que está triste, ela é nada. Então, hoje, valorizar o amor, se valorizar... Amor próprio. É, porque aí essa camisa, ela é deslumbrante, mas ela fica muito mais bonita. Ou se você tiver com uma camisetinha branca, também vai fazer pouca diferença.
Não é? Edu, vamos lá. Você falou sobre o se amar antes e você tem amar no nome. E essa é uma história linda, que eu já quero contar, já já, já já, porque Eduardo Amarante, não nasceu Eduardo Amarante, nasceu Eduardo Alberto Amarante Fernandes. E por muito tempo você foi Eduardo Fernandes, antes de ser Eduardo Amarante, eu já já vou querer saber dessa história. Mas você falou que veste, então, a Juliana Góes, veste a Isabela Camargo, obrigada, e você veste a Daniela, mas quem é Daniela? Que Daniela que você tá falando?
Tô falando da Daniela Mercury.
Olha, Daniela Mercury, quem mais?
Daniela Mercury, Ana Castella... Ana Castela Sacantora agora? Foi o primeiro estilista que vestiu ela.
Uau!
E que acompanhou ela. A criação da banhadeira foi uma criação do estilista junto com ela.
Que demais! Ou seja, você faz essas trocas também com quem te procura. Vamos junto!
A Paula Fernandes, no momento que foi muito difícil, no momento que ela era recrutulada como brega, eu e o Eduardo fiz uma rebrand de de... não sei a palavra certa, mas talvez de roupagem. E assentei um dia com ela e falei assim, olha, se você estiver disposta, eu vou te transformar na mulher mais bem vestida do Brasil.
Mentira que foi você que fez isso? Eu não sabia!
Assentados no chão, porque eu tinha dado uma negativa pra ela, e ela quis saber o porquê. Aí eu morava em Belo Horizonte, ela também, Aí eu falei pra ela assim, olha, você não quer me emprestar roupa? Porque você veste errado, eu queria... não sei, não existe errado. Mas porque ela queria um novo... às vezes a gente chega num lugar de fala que o rótulo de brega ela não queria mais. E aí ela perguntou pra mim, o que eu faço? Se você fizer o que eu estou te pedindo, a gente vai começar por uma coisa, que é cortar o cabelo. Aí amanhã a gente começa tudo e eu te prometo que eu vou te transformar na mulher mais bem vestida do Brasil.
Foi você que fez isso? Que danado, gente!
Depois nós fomos, nós ficamos solteiros na mesma época, ficamos muito amigos e fomos padrinhos da Marina Barbosa, que foi o casamento do ano.
A Marina?
E naquele casamento, onde estavam todas as maiores celebridades do país, ela foi considerada, por toda a mídia nacional, a madrinha mais bem vestida de todas.
Uuuuh!
E aí, foram muitas outras coisas. Enfim, uma relação… somos melhores amigos. Ela ganhou um Grammy. e ofereceu ele pra mim, uma relação muito especial.
Que demais! Se depender de mim, todos os prêmios que eu vou receber, eu estarei só de Eduardo Amarante, tá? As outras marcas que me desculpem. É sério! Esse ano, inclusive, em 2024 que a gente tá gravando esse podcast, eu fiquei entre as cinco finalistas do Top of Mind das palestrantes que influenciam o RH. Então nós estamos, eu e você, influenciando quem passa pelo nosso caminho com uma mensagem de moderação, cooperação, liberdade e amor. Porque se você não se cuida, você não tem como cuidar de ninguém. Se você não se ama, vai ser bem difícil amar outras pessoas. Você falou de mídia nacional, mas você também está na mídia internacional. Tem pessoas famosas procurando pelo direct.
Sim, sim. Sofia Vergara. Sofia Vergara foi um direct que eu na hora falei assim, meu Deus, o que está acontecendo aqui? E aí ela perguntava...
É pegadinha?
Não, não entendi nada. Falei, será que é real? E aí ela... perguntava se eu entregava pra cidade dela.
Tipo Los Angeles.
Daí eu falei, meu Deus, ela começou a conversar comigo, aí ela me passou pro agente dela, enfim, mandei várias roupas pra ela, a gente passou umas roupas minhas.
Pronto. Bom, então, seguinte, agora você já sabe, então, Eduardo verso Sofia Vergara, Daniela Mercury, a sua história com a Daniela é linda.
Sim.
Vou resumir aqui, o Eduardo tinha um sonho de ter um CD original do Daniela, quando você tinha sete anos, e aí roda a fita...
Trinta anos depois.
Trinta anos depois. Ela te liga?
Daniela me liga. Nesse ano, que foi o último ano, nós nos aproximamos e ela me ligou assim umas duas horas da manhã, toda empolgada, falando assim, acabei de fazer o show de comemoração do CD do Canto da Cidade. E aí veio a memória, né, porque é a memória do Eduardo, de 7 anos, que pediu de presente de Natal o CD de Daniela, mesmo não tendo um aparelho de CD em casa, só tinha no carro do meu pai, que ainda era muito caro isso, não tinha, mas o meu presente de Natal foi o CD dela. E naquele momento também eu estava procurando um tema para o meu desfile que ia acontecer em seguida. E aí eu falei, Daniela, já que o destino, acho que o destino não é destino, né? As coisas acontecem. Se ele nos uniu dessa maneira, eu quero te fazer um convite. Você quer ser o tema do meu desfile?
Pronto.
Então a gente fez o desfile O Canto da Cidade, que foi algo extraordinário, lindo, que nos uniu ainda mais. Esse ano eu assinei o carnaval dela, passei mais de um mês com ela em Salvador, onde além de entender todo o processo, porque existe um processo muito grande da artista no carnaval, Nós nos conectamos de uma maneira muito além. Daniela é uma das mulheres mais inteligentes que eu conheço. E me acrescenta a cada fala ou a cada conversa muito.
Perfeito. Edu, eu tenho certeza que todas as mulheres que passam pela sua vida saem transformadas. Nós poderíamos até falar mais delas, mas eu preciso agora falar do Eduardo.
Sim.
Porque existe muita força dentro de você. Muita criatividade. Porque quando eu coloco uma peça de roupa e essa peça de roupa transforma o meu humor, transforma o meu astral, não é uma peça de roupa. É o sentimento que você coloca nela.
Exato.
Agora, você comemorou 25 anos recentemente no Palácio Tangará, em uma festa extraordinária, mas o Eduardo Amarante não nasceu há 25 anos.
Não.
Há 25 anos, um jovem, querendo contribuir com a família, começou a vender roupa em Lavras. Foi assim que tudo começou?
Há 25 anos, eu precisei de dar... Há 25 anos, aos 13 anos, eu perdi meu pai, que era o homem da casa.
Era o Alicerse.
E ele nos deixou... E a vida foi bem difícil pra todos nós, pra nós três, pra minha mãe, pra Gabi e pra mim.
Sua irmã.
Minha mãe sofria de depressão desde sempre, mas naquele momento ela desabou. E aquele menino de 13 anos, filho de um pai muito potente, e que talvez não estaria aqui hoje falando com você se ele estivesse aqui. Porque eu acredito muito que a força que eu criei naquele momento da perda foi o que transformou eu, Eduardo, nesse cara. Porque eu poderia estar aqui falando porque foi muito triste. Mas também foi o maior input pra que eu me tornasse o cara que eu sou. E com 13 anos eu comecei a ir a São Paulo, comprar roupas, vender. Com 16 eu abri uma loja de roupa infantil.
Com 16 anos. Lá em Lavras, pensa, o menino do interior de Lavras começa a empreender.
Minha mãe me emancipou, abri a loja Boys and Girls.
Boys and Girls em Lavras.
Era um sucesso, inclusive.
Com certeza.
E dentro da loja, eu comecei os meus primeiros passos, inclusive, como estilista, sem saber o que eu estava fazendo.
Você viu uma oportunidade?
Faltavam peças específicas para alguns aniversários que eram temáticos e eu ficava revoltado de não ter aquelas peças para vender.
Falei, vou criar!
Aí eu fui acionando as costureiras que minha mãe sempre foi e me levava junto. E ali eu criei o primeiro vestido, que era um vestido de Joaninha.
Olha!
Você já me deu a dica de criar uma coleção de Joaninha, né?
Que isso, gente! Eu e a Angelina, então, vamos amar!
Essa estampa vem.
Né? Pronto!
E... a loja foi... fez muito sucesso, eu criei muitos outros vestidos.
Tá.
E com 18 anos eu entendi que Lavras estava pequeno para tudo o que eu sonhava. Porque eu comecei a perceber coisas maiores. Até então aquele mundo era do tamanho do meu. Mas eu fui observando o que poderia ser diferente.
Aí você saiu de Lavras e foi para?
Fui para Belo Horizonte. Primeiro passei no vestibular de moda em Belo Horizonte. na FUMEC, mas acabei só fazendo um período, porque, enfim, ainda era muito difícil em tudo, só que... e também não conhecia ninguém na cidade, né? Aí um dia eu tava num bar, tinha uma revista da cidade, eu abri e vi, tinha um editorial de moda, aí tinha ficha técnica, aí eu anotei todos os nomes. Na época eu tinha o Orkut.
Total.
Mandei o Orkut para o fotógrafo. Ah, eu sou assistente de fotografia. Para o maquiador. Eu sou assistente de maquiagem.
E você era ou não? Não.
E para o stylist, falei tudo assim, falei desse jeito. Aí o maquiador me respondeu, falou assim, você sabe fazer babyliss e pele? Eu falei assim, óbvio, não sou assistente. Não sabia, não. Passei a noite inteira fazendo babyliss no cabelo da minha irmã.
Que demais!
Fui assistente dele e fui assistente dele por dois anos. Naquela cadeira, eu fiz todo... todo o network que me trouxe até aqui.
Uau!
Porque eu ia fazendo o Babyliss, ia me comunicando com as clientes e como ele trabalhava com moda, muitas delas tinham fábricas, tinham lojas. E aí, do nada, eu era assistente cabeleireiro, eu era vitrinista, eu fazia catálogo como stylist. E aí o catálogo, essa parte de styling foi uma parte muito importante pro Eduardo, estilista. Porque eu comecei a fazer muitos, né? Só que eu chegava nas marcas e eu sentia falta de elementos pra que a coleção tivesse... ficasse completa.
Tá bom.
Então, do meu jeito, eu desenhava lá umas peças e elas produziam pra que eu fizesse as fotos e as peças acabavam que eram as peças mais vendidas da coleção.
Que talento, que talento.
E aí, uma dessas marcas, um dia que chamava Última Hora, ela virou e falou pra mim assim, Eduardo, não sei, a gente tá precisando de uma pessoa que faz essa coisa aí que você faz. A palavra dela era desse jeito.
Essa coisa que você faz.
Essa coisa aí que você faz, porque você vem aqui e você muda umas coisas na coleção, acrescenta um negócio, e aí você não tem duas manhãs pra mim? Aí ela falou assim, ia pagar seis mil reais, eu falei assim, meu Deus, por favor.
Era muito dinheiro.
Era muito dinheiro pra mim, imagina. E aí eu era assistente cabeleireiro, vitrinista, stylist, e ali agora começando a trabalhar com estilo, sem entender o que eu tava fazendo.
Tava só transbordando o seu talento.
E ali naquela fábrica foi onde eu falo que foi a minha faculdade, porque as modelistas, as costureiras, porque eu não entendia, eu sabia muito bem de roupa e tal, mas eu não sabia que isso era um chifon, que isso tinha a diferença de uma tricoline, que com isso se costurasse não dava certo.
Você foi aprendendo?
Fui aprendendo, aprendendo e aprendendo muito, porque elas me ensinavam muito. E nesse mesmo ano teve um concurso lá em Belo Horizonte, que tinha na época, ainda tem o Minas Trends Preview, para novos talentos desfilarem. e ele era compaseto e tal, eu vi o e-mail chegando assim, muito curioso, eu virei e falei assim, Isabela, Célia, a gente vai fazer isso, vamos fazer. Elas falaram, não Eduardo, imagina, a gente não tem como, vamos fazer, deixa eu desenhar, deixa eu fazer. E aí eu fiz toda a narrativa daquele desfile, Fiz os desenhos, fiz tudo e mandei pro Pazetto. Ele ficou enlouquecido.
Pronto.
Tipo, ele ficou enlouquecido.
Você já era Eduardo Amarante? Não, era Eduardo Fernandes.
Ali já era o momento de transição. Eu já tinha... tava quase... O Amarante tava nascendo ali. Tava nascendo. Tava nascendo ali.
Tava adormecido, né? Tava adormecido.
E aí eu fiz um desfile e a gente tinha pouquíssimos recursos. E aí uma das minhas clientes lá do salão era cantora, e na época ela tava com uma música super estourada, chamava Marina Machado. Eu falei assim, Marina, eu gosto muito da ideia de juntar moda e música. Você canta pra mim? Ela falou assim, Eduardo, se você pagar os músicos, deve com 600 reais. Eu vou lá e faço pra você. Eu criei o desfile, criei as roupas, fiz o styling, porque eu era stylist. Eu, naquele momento, me assumi estilista. Eu tinha conexão com a Marina, então eu juntei tudo o que eu tinha e levei pra passarela do Minas Trends. E naquela edição, que foi em 2011, foi considerado o desfile, o melhor desfile de toda a edição, talvez um dos melhores do Brasil, e foi a maior porta da minha vida. Ali nasceu o estilista, o Amarante, e que dá sequência até hoje, seguindo o mesmo caminho que lá atrás eu construí.
Ou seja, para você que está assistindo agora interioriza, a mensagem que eu vejo aqui, dessa nossa prosa, é assim. Às vezes, Edu, a gente fica esperando uma oportunidade. E outras vezes a gente cria as oportunidades. Você, diante de situações muito desafiadoras da sua vida, você criou oportunidades. Ah, então se ninguém tá fazendo isso, eu vou fazer. E eu gosto muito de falar de uma forma que na vida só existem duas cadeiras, a de vítima e a de aprendiz. E muitas vezes nós estamos na cadeira de vítima por N razões. Você perdeu seu pai muito jovem, a sua mãe, que já não tinha um repertório de banco, de cuidar de uma vida como seu pai fazia, teve que assumir isso, ou seja, você falou, bom, agora eu vou. E depois, todas as outras situações que você está descrevendo, você foi criando as oportunidades. Isso é maravilhoso. Então, para você que está nos assistindo, veja só esse exemplo. Se você está esperando uma oportunidade, será que você não está na hora de criar uma oportunidade?
Não, e até hoje eu crio oportunidades. Porque a vida... nada vai chegar... às vezes... obviamente que hoje... às vezes coisas... as pessoas chegam na minha vida. Mas muitas não. E essas que eu acredito que sejam interessantes, importantes, eu vou atrás e posso receber um não.
Exato. Eu sou dessas também.
Mas eu vou atrás.
Eu sou dessas também. Inclusive, olha só, esta figura simpática que está aqui na nossa gravação.
A Marantina.
A Marantina, né, foi uma situação dessa. Você viu, falou, opa, quanto custa? Eu quero pra mim.
Foi desse jeito.
E ela tem sido aqui o seu talismã.
Se eu puder escolher uma peça só aqui dentro da minha casa, você leva ela no colo de novo.
A marantila. Pronto. Edu, pra gente encerrar, então ficou muito evidente o quanto você é talentoso, o quanto você transborda o seu talento naturalmente. Para quem está nos acompanhando, para quem gosta de moda ou pensa na moda como uma forma de se comunicar, mas ainda está preso no conservadorismo, qual é a sua mensagem? para quem está nos acompanhando, para seguir a intuição. Deixa eu contar um negócio aqui, não sei se você conhece, posso mostrar? Esse é um livro que eu e Isabela, quando eu cheguei aqui na casa do Edu, ele estava com o livro na mão e eu falei, eu uso esse livro já faz mais de 10 anos e eu vou marcando a cada página que eu abro, eu vou marcando o ano, porque às vezes as mensagens vão se repetindo. Eu vou abrir uma agora. Tome uma atitude impecável. É muito comum que nos sintamos culpados por experiências negativas do passado, vivido assim a percepção amorosa que gostaríamos de ter tido então. Quando estamos dispostos a perdoar, a alma nos concede o dom de podermos admitir a nossa impecabilidade. A atitude impecável nos convida a ser e agir segundo a percepção mais elevada que temos de nós mesmos e dos outros, além das aparências e das limitações do ego. O eterno presente é o único tempo e lugar onde poderíamos nos sentir livres da culpa e dar um passo adiante em qualquer situação nova de modo impecável. Gente, e a roupa dele não é impecável? Estar aqui não é um momento impecável? Foi muito especial. Você falou, ah, as pessoas não chegam na minha vida à toa. Eu já digo assim, nenhuma informação chega até mim sem ter algum significado. Sabe? Então quando me disseram, não, vamos ali no Showroom do Eduardo Amarante, eu, quem? Imagina. Você não estava no meu radar. Porque você já, você, você, aqui ó, Isabela tá aqui, Eduardo Amarante tá aqui. Falei, ah, tá bom, vamos lá então. Aí eu fui lá conhecer. Uau, olha eu aqui agora. Isso tudo é pra te encorajar. Isso tudo é para você interiorizar. Que quando o ouvido está pronto, a mensagem chega.
Chega.
Por isso que a gente tem que estar presente.
Por isso que tem que ter intuição, né? Por isso tem que ter coragem.
Só que você sabe que a intuição, sem presença, ela passa?
Passa.
Então a gente está recebendo intuições o tempo inteiro, mas se você não tiver presente, a intuição passa.
Exato.
Então, que você esteja presente, que você esteja de fato Se amando, independentemente do caos que esteja acontecendo, dos conflitos, é muito importante desenvolver o amor próprio, pra você poder transbordar. Eu tenho certeza que você começou a fazer isso, você foi treinando, né, tudo isso.
É que, na verdade, quando chegou o amar na minha vida, o se amar antes, eu acho que ele veio muito mais como uma mensagem pra mim porque eu acho que no meio disso tudo eu não consegui ter... eu perdi essa parte de mim... e hoje não... hoje eu me amo. Hoje é diferente, por isso que eu levo essa mensagem, porque é transformador. Quando você encontra o amor em você, o outro vai te amar, mas também pouco importa se ele passa pela sua vida e não te trouxer esse amor também. Porque o primeiro amor é nosso e é uma obrigação nos amar.
E você vai descobrir ele... Vai depender muito de... De nos amar, não se amar. É, e isso não depende de idade. Isso pode ser aos 20, 30, 40, 50, 60, que seja em algum momento da sua vida.
Mais que seja.
Mais que seja. Obrigada, meu querido. Foi muito bom. Gente, essas mãos aqui, ó. Você que borda mesmo?
Infelizmente, não.
Falaram, olha essas mãos que bordaram a minha camisa maravilhosa. Hoje você tem uma equipe de quantas pessoas?
Hoje somos... Hoje é a La Moda, que é um grupo onde participa o Eduardo Amarante do Brasil. Nós temos dois mil colaboradores internos e é muito mais... São muitas famílias.
Muitas famílias, muitas vidas e vocês transformam a vida de milhares. Então, muito obrigada que você tenha muita intuição.
Esses dias eu cheguei em uma... Fizeram uma conta que a gente veste um milhão e tantas mulheres por ano. Imagina o que é isso.
Não, eu teria mais perguntas, tá? Porque eu vejo você fazendo um monte de coleção. Eu não sei como é que você consegue tanta inspiração. É... Entra no Instagram dele que você vai ver. É lançamento da loja aqui, lançamento da loja ali, lançamento da loja... Eu falo assim, não tô dando conta.
É, todos nós que estamos nessa indústria da moda, literalmente, ela é dessa maneira, né? Porque é uma roda, né? A gente termina uma coleção pra começar outra. Ou já tá com a outra pronta, com a outra lançando, e assim vai.
Você vê moda em tudo? Porque eu, como jornalista, eu fico vendo reportagem em tudo. Aí eu tô na rua e já falo, isso aqui, eu começaria assim. Estilista é assim também? Tipo, vê uma coisa e fala, nossa, vou fazer agora a próxima coleção para a Amarantina.
Muito, muito, muito, muito.
Vê uma orquídea?
Orquídea, a orquídea é o meu maior símbolo, né? Quando eu criei a Amarante, ela foi o meu vestido flor, que é o vestido mais vendido das minhas coleções, que é um clássico. A Amarante nasceu com esse vestido.
Uau, viu?
E a Marante nasceu durante a pandemia, né? Então, um momento bem delicado. E dentro dessa pandemia, aconteceu o Big Brother Brasil. Só pra gente dar mais um minuto de fala. E aí, nesse Big Brother Brasil, eu tinha acabado de sair do meu último emprego. Só que as pessoas só falavam do Eduardo Marante, não falavam do Andamar. E eu tinha uma fã que eu não sabia, que chamava Juliette.
Mentira!
E Juliette entra no Big Brother com uma mala de roupa emprestada com todos os looks meus. E falava meu nome durante o Big Brother. tudo e naquele momento eu estava construindo uma amarante a energia e a sinergia da conexão foi tão grande que a equipe dela entrou em contato comigo para fazer a mala dela após o Big Brother e enfim, Deus né, Deus sempre comunicando comigo de maneira bem especial.
Tô passada, Brasil.
Eu tenho recordes guinnes da roupa com mais curtidas em menos tempo do mundo.
Mentira.
Que foi a roupa da final, que é uma compra tiado, que a Juliette usou.
Meu Deus, eu não tô me aguentando. Eu já estava me sentindo exibida, agora eu não estou me aguentando. Edu, do céu, que você tenha muita saúde. Que você tenha muita inspiração pra continuar, então, nos inspirando a seguir adiante. Conte comigo. Seguimos juntos. Seguimos juntos. Agora, vem cá, olha pra essa câmera aqui. Qual é a mensagem que você deixa pra quem tem todo esse talento também, que quer fazer moda, que quer comunicar pela moda. Qual é a sua sugestão?
A minha sugestão...
Nessa câmera aqui, bem fechadinha.
É que não vai ser fácil, te garanto, porque pra mim não foi, mas entre várias vezes que eu estive por desistir, eu levantei e continuei. Então vale a pena persistir em tudo que vocês sonharem, porque os sonhos eles nos levam para o lugar que você sonha e deseja estar.
Perfeito. Gente, os olhos dele. Vamos fazer aqui um tchim tchim, né? Saúde pra nós. Saúde. Muita saúde. Muito obrigada por terem vindo à nossa casa. E você que nos acompanha até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Até o próximo interioriza.
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