Comunicação assertiva: como o autoconhecimento te ajuda a se expressar melhor - Marc Tawil - EP12 Ïnterior iza
26 Apr 2023 · 33 min
Isa Camargo conversa com Marc Tawil sobre como o autoconhecimento melhora a comunicação assertiva. Eles discutem a flexibilidade da linguagem, o impacto das redes sociais e o desafio de manter autenticidade ao se expressar.
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Oi, que bom saber que você tá aqui no Interioriza, em que a gente fala assuntos que já passaram do tempo, não é? Da gente interiorizar. Adivinha qual é o tema de hoje? Algo que você quase nem precisa pra viver bem. Tô falando de comunicação. Sim, senhoras e senhores, aqui comigo, um dos maiores especialistas em comunicação do Brasil, Marquita Will. Bem-vindo!
Eu não vou te desmentir. Quem sou eu pra te desmentir?
Até rimou. Um dos maiores especialistas em comunicação do Brasil, Mark Thauil. Meu querido, que bom que você tá aqui.
Olha, melhor ainda saber que esse podcast chama Interioriza. A gente sempre fala do dentro pra fora. E aqui você tem um podcast que é dentro pra dentro.
Exato.
E desse dentro sai muita coisa. Então eu tô muito feliz, muito tocado de ter sido convidado pra essa temporada. A gente se conhece faz 15 anos pelas minhas contas, mas certamente pelo amor que eu tenho por você, pelo teu marido, pela tua filha, vem de outras vidas. É uma ligação atávica.
Atávica. Traduza, Mark Tawhil.
De outras vidas.
Já aprendemos o que significa atávica. Mark, deixa eu te fazer uma pergunta. A comunicação nos uniu em 2008. Trabalhávamos no mesmo grupo de comunicação, mas não tínhamos proximidade. E ao longo do tempo eu vejo você sendo referência em comunicação dentro das empresas, treinamento para liderança, enfim. Em várias revistas e jornais, você está em vários lugares, sempre mantendo a constância na educação da comunicação. Para quem está nos acompanhando então, o que já passou do tempo da gente entender o quanto a comunicação é importante para a nossa vida?
Bom, uma das lições da comunicação... Fica muita rasgação de seda, mas a gente é obrigado a fazer. Eu aprendi que se comunicar consigo mesmo é o primeiro passo. Eu aprendi isso com você. E aí o lance é, quando a gente se comunica com a gente mesmo, quando a gente consegue entender, se ouvir, ouvir o nosso corpo, a nossa vontade, ouvir a nossa mente, ouvir os nossos sentimentos, a gente consegue comunicar com o outro. Não adianta mais você imaginar que você vai ser um excelente comunicador, uma pessoa falante, destemida no palco, mas nos bastidores vai ser um E-S-R-O... Como é que é? E-S-C-R-O-T-O. Um chato. Isso não existe mais. Isso já passou do tempo. As pessoas entendem, elas veem entre os bastidores hoje como jamais viram antes. A gente até brincava aqui fora do ar. A gente precisa praticar aquilo que a gente posta. Tá todo mundo vendo. Então, Isa, o bom comunicador não é aquele que fala bem. Não é aquele que chega saltitando, é simpático, é o simpático com todo mundo. Nem aquele que tem um vozeirão e nem aquele que imposta bem. Você vai ter pessoas mudas, literalmente, que comunicam muito bem. Você vai ter gente que sorriu o dia inteiro e não tem um dente na boca. E você vai ter pessoas que são muito comunicativas, mas tão péssimas de caráter. Então eu vejo que comunicação é energia, comunicação é conexão, comunicação é passar mensagem. E pra isso hoje, felizmente, existem inúmeras maneiras. E eu penso também, aí você pode me responder, que o mundo tá mais flexível pra receber isso de outra forma.
Até porque a gente vem de uma escola do jornalismo em que muitas coisas eram proibidas. não estou nem falando em termos de opinião, estou falando de concepção de texto e leitura. Nós viemos dessa escola.
Nós viemos dessa escola, eu fico imaginando a escola que você passou, porque eu ainda vim de rádio e o rádio, você também fez muito rádio? Faz, mas você fez muita televisão. E a televisão a gente tem graças ao Bonifácio Sobrinho, que é o Boni e o Padrão Globo, que é um padrão incrível, excelente. Mas a própria Globo percebeu, de uns anos pra cá, que fica muito sisudo, talvez, você tratar o telespectador e até os colegas de uma certa maneira. Então o Padrão Globo funcionou muito, foi muito, muito, vamos dizer, castrador. Pra muita gente. Pessoas acima do peso, a gente sabe. Pessoas que são mais velhas, a gente sabe. Pessoas que têm sotaque, a gente sabe. Pessoas que têm problemas na voz, a gente sabe. Mas hoje, a Globo inaugurou o verbo TAR. Você conhece o verbo TAR?
Não.
Tá tudo bem. Tá tudo assim, tá tudo assado. É muito difícil você ver. O Bonner nem se fala, mas você vê todos os apresentadores da Globo falar estar, como era antigamente. Então o padrão de linguagem mudou pra ficar mais próximo e acessível. Então a própria Globo, que dita essa moda, percebeu as diferenças.
Perfeito. Eu vivi bastante disso quando eu trabalhei lá, com esta linguagem mais acessível, mais próxima. E até usando Não só piadinhas, mas a linguagem que todo mundo fala. Especialmente em alguns estados, quando eu falava da previsão do tempo. Coisas que no passado eram impossíveis, depois começaram a ser mais aceitas. E hoje, então, você também reconhece isso. É um fato. Essa flexibilidade da linguagem, especialmente na Globo e nas redes sociais.
Bom, nas redes sociais não tem como você segurar. A gente tá realmente falando de pessoas que publicam o dia inteiro, de todos os lugares do mundo. Só que, claro, quando você escreve, você não tem o áudio. Então, uma pessoa que publica, eu te amo no Nordeste, eu te amo no Sul, vai sair eu te amo por escrito. A menos que seja no YouTube. E eu vejo que sim, houve uma flexibilidade, até por conta de super influenciadores, o Whindersson Nunes, por exemplo. Recentemente uma Juliette. E aí você começa a perceber que até os sotaques, como aqui em São Paulo, por exemplo, tinha propaganda do Extra. e no Rio de Janeiro do Extra.
É verdade.
E isso em termos de propaganda, mas você começa a perceber que é importante você trazer outros sotaques, outros rostos, outros corpos e cores, tanto que o Big Brother, que tá no ar há mais de 20 anos, traz isso, porque essa diversidade regional, ela faz muito sentido. E tá fazendo sentido também entre as empresas.
Perfeito. Essa diversidade e essa Flexibilidade. Entendo que são ingredientes fundamentais para quem quer se comunicar com o maior número de pessoas, certo?
Claro.
Diversidade e flexibilidade. Mas queria trazer agora o que vai contra uma boa comunicação. Se nós vivemos num mundo em que o excesso de acessos deixa todo mundo com pressa querendo fazer um monte de coisa, etc. Como a pressa pode atrapalhar, causar ruído numa boa comunicação?
Antes da pressa, improvisando um pouco aqui em relação ao que você falou agora, eu acho que tem uma questão de preconceito e julgamento. As pessoas que moram no Nordeste muitas vezes reclamam que as empresas as veem como inferiores na hora delas falarem aqui em São Paulo, na hora de se projetarem por conta do sotaque. Isso infelizmente acontece.
Ainda acontece.
Ainda acontece. Então você vai ver isso acontecer, você vai ver, inclusive em programas de televisão, A Juliette foi uma quebra de paradigma, mas, em geral, o que mais prevalece é o sotaque ainda paulista, paulistano, aquele sotaque um pouco mais do Sul. Você pode ver que a Grazi Massafera, quando foi pra televisão, ela mudou o.
Próprio R. Opa, e ela é do Norte, do Paraná, como eu.
Pois é. Então você vê que tem isso. A gente tem uma grande amiga, Mayara Bastianello, que é super... Ela é de Cascavel. E quando ela vai pra televisão, ela é super imposta. É um problema? Claro que não. Mas é uma escola que a gente aprendeu. Então isso tem uma questão de preconceito ainda, e as pessoas acabam até se auto... transformando por conta disso, pra não sofrer lá na frente. Você falou de pressa, e a pressa, claro, sempre foi e sempre vai ser a inimiga da precisão, não só da perfeição, porque a perfeição não existe. Agora, quando a gente fala em pressa, o que a gente tá falando? A gente tá falando em risco. Isa, quando eu quero postar rápido, e eu posto como aconteceu que todo nordestino, entre aspas, tá? Muitas aspas, deveria morrer afogado, quanto tempo eu demoro pra postar esse tweet? Me responde você.
Menos de 30 segundos.
Esse tweet foi feito por uma estudante de direito do quarto ano, se eu não me engano carioca, por conta de um jogo do Flamengo. Uma loucura total que a gente deve fazer uns 10 anos ou mais. Essa menina foi expulsa do escritório, foi expulsa da faculdade, perdeu o emprego, tudo por menos de 30 segundos. Então, claro, além da carga de preconceito que ela trouxe, tem uma questão de não pensar antes de fazer. E a pressa faz isso. A pressa faz você curtir um comentário que você não faria normalmente, você comentar alguma coisa que você não diria, você compartilhar sem perceber. A pressa te faz cair na fake news. Então, a pressa, ela inimiga de muita coisa. E hoje, num mundo de escala, em que tudo explode muito rápido, é perigosíssimo.
Anote aí. A pressa não é inimiga da perfeição. Vamos voltar. Anote aí. A pressa não é inimiga da perfeição. A pressa é inimiga da precisão. Amei isso, Mark.
Olha, eu demorei sabe quantos anos pra ter esse conceito? Dois segundos que eu fiz agora.
Que bom, eu interiorizo trazendo aqui pra você aforismos, né?
Aforismos.
Aforismos que são...
É o carpinejar do LinkedIn.
Palavras, poucas palavras pra explicar muita coisa. Então, a pressa é inimiga da precisão. porque pode causar ruído. E aí, como esse caso que você trouxe, depois, para você voltar atrás...
Não tem como voltar atrás. Vou te dar um outro exemplo rápido. Uma moça que fez um comentário, ela estava indo para... África, não me lembro de que país. E ela postou antes de subir no avião, espero que não me estuprem. Porque lá tem uma recorrência muito forte de estupros mesmo. Tem mesmo.
Isso é um fato.
É um fato. E ela falou alguma coisa de AIDS ainda, pior ainda. Ela subiu no avião e foi pra África. Quando ela chegou, ela já tinha sido demitida. O marido já tava recebendo inúmeras ligações. e, obviamente, uma dor de cabeça sem fim. Além de ter uma conotação racista, uma conotação agressiva, preconceituosa, inúmeros gatilhos, você tem uma absoluta falta de inteligência de uma pessoa que posta e vai pegar um avião. Ela nem pôde se defender, não deu tempo, porque ela postou e saiu correndo. De novo, pressa, falta de maturidade, mas, acima de tudo, falta de inteligência.
Nossa, eu tô realmente chocada, porque tem gente que fala assim, que precisa ter voz boa pra se comunicar. É como você tá falando.
Já precisou.
Não é só falar.
Já precisou.
Já.
Já precisou. Não, não é só falar. Isa, a gente, também graças à internet e à vida, que é um grande reality show, você começa a perceber que A imagem mítica que a gente tem do jornalista, do grande advogado, do isso, do aquilo, ela vai caindo por terra ao longo dos anos. Você vai perceber que... Outro dia eu estava vendo até isso sobre agentes secretos. A gente imagina que o agente secreto é uma pessoa super preparada, o James Bond, bate, apanha. São pessoas absolutamente normais. Absolutamente normais.
Mas treinaram o quê?
Treinaram sair de algumas situações, porque na maioria das vezes não tá armada. Essa gente não tá armada. Então, ela chega pra mentir bem, pra inventar história, pra tirar segredo e pra se fingir ser uma outra pessoa. É muito maluco. Você tem casos e casos que explicam isso. Então, não é de novo o cara que bate, o cara que apanha, que invade o território armado. Não, é uma pessoa comum.
Muito bem. Quando você, eu agora te ouvindo, me veio a imagem, sabe de quem? Princesa Diana. Princesa Diana foi uma figura que pouco falava, mas que muito transmitia e que inspirou milhares de pessoas. Então, a comunicação também tem muito a ver com o comportamento.
Também.
Também viemos de uma escola que, senhoras e senhores, você só ficava sabendo as notícias com hora marcada quando... Chegava o jornal na banca quando o seu programa de rádio começava ou quando o seu programa da televisão começava. E agora com as redes sociais temos uma infinidade de portais de informação. E qualquer pessoa pode ser um portal de informação.
Sem dúvida.
Já sabemos disso. Marque, olha que loucura. Eu me lembro que lá na época da TV, existia um estudo pra saber qual era o conteúdo que ia ter maior audiência, a gente sabia qual era o melhor horário e tal. E hoje eu vejo muitas pessoas sofrendo com as redes sociais pra entender qual é o melhor horário que eu vou publicar pra chegar na minha audiência. E vejo muitas pessoas aflitíssimas. Como eu já vivi isso no passado, eu tenho um pouco de... Eu fico triste em ver pessoas adoecendo por conta das redes sociais, porque não estão expandindo como gostariam. Por quê? A gente está construindo avião em pleno voo.
Perfeito. Eu uso muito essa metáfora.
É mesmo?
Muito. Trocar asa com voo.
Então assim, com a televisão que nós tínhamos lá aqui no Brasil, quatro grandes canais de comunicação, e hoje? De quantas pessoas você consome conteúdo? Eu não sei nem te responder quantas.
Iza, você tá sendo muito generosa, porque assim, recentemente entrou um grande ator, grande ator, chamado de atriz, que é a inteligência artificial. Ui! Então quando a gente fala em quantas pessoas, já tem pessoas em redações jornalísticas sendo substituídas por chatbot. Entre aspas, por que eu vou pagar uma pessoa para escrever dez textos por dia? Ela vai ficar ali na minha frente. Vou pagar imposto, vou ter que aguentar de novo, entre aspas. Ficar ali me relacionando com uma pessoa, se em dez minutos eu posso ter cem textos. Se em dez minutos ela me escreve quatro redações do Enem, talvez melhor que a pessoa. Então a gente vai ver acontecer uma transformação na comunicação, uma transformação na imagem, e que eu posso te provar aqui, por A mais B, em coisa de 5 minutos, que eu consigo fazer um texto e gerar uma imagem de uma pessoa que não existe. Uma outra Isabela com um rosto diferente que não existe. Ela não existe. A partir de inteligência artificial. Então eu vejo que existe uma nova geração agora de inteligência artificial que ainda vai mexer mais com a questão comunicacional. Se todos nós somos um universo, a gente vai ter mais um universo paralelo pra precisar lidar e pra precisar ver. Isso é verdade? Isso saiu de alguém? Eu coloquei meu nome, e olha que eu tenho bastante referência na internet, naquele chat da moda, chat GPT, que é um software que escreve texto e você faz uma pergunta. Ele me deu oito biografias diferentes de mim e nenhuma estava correta. Ou seja, se você quiser procurar pelo Mark Itaúil nesse chat GPT, vai aparecer até que eu era ator do Glee. que é uma série. É uma inteligência artificial, como se fosse um bate-papo, você faz uma pergunta e ele responde. Só que sai pronto. Se eu falo assim, cinco frases sobre o amor com autores, vai trazer cinco frases com o autor. Escreva um texto de quarenta linhas sobre... vai escrever um texto de quarenta linhas.
Tá brincando.
E na hora, você vai vendo ele escrever. porque ele vai fazer uma varredura na internet, junta milhões ou trilhões de informações.
Sim, sim.
Só que tem muita coisa errada. Não é preciso. Então, eu acho que o mundo, Isa, ele vai se transformar ainda mais. A pergunta mesmo era...
A pergunta mesmo era sobre como construir o avião em pleno voo sem surtar. Porque hoje nós...
Eu vou chamar meu psiquiatra, acho que é mais fácil dele responder.
Vocês entenderam de onde eu quero chegar? Antes, as pessoas que trabalhavam nas grandes emissoras e nos grupos de comunicação, Eles estudavam muito para saber o melhor horário para aquela programação. Isso pode, isso não pode. E agora, com as redes sociais, em que todo mundo pode publicar o que quiser, eu vejo um grande sofrimento de pessoas adoecendo porque não estão crescendo como gostariam, porque não estão chegando. Então, como eu posso calibrar a minha comunicação para ser um... um porta-voz de alguma informação que eu deseje, e isso pode ser maquiagem, pode ser produtividade sustentável, como é o caso, comunicação, você, mas levando em conta o emissor. Queria que você trouxesse aquela história. Ah, eu sou responsável pelo que eu falo, mas como eu garanto que essa mensagem não chegue com ruído do lado de lá? Vou repetir, dentro das redes sociais, porque na televisão já tem décadas de pessoas estudando formas e formatos. Agora eu tô falando de redes sociais, então como é que eu garanto que o meu receptor receba mensagem sem ruído?
Sim, primeiro dizer que toda parte profissional da coisa, então televisão, rádio, a gente fala de metrificação, métrica, ou seja, qual é o rastro de tudo isso. Então todas essas TVs, todos os grandes grupos, E até grupos médios, eles já tem como metrificar. Eles sabem quem que abriu o post, quem que leu, quem que não leu, pra onde que foi, quais são os melhores horários, porque você vai gerando dados. Quando você pausa alguma coisa, a rede social já vai ter aquilo ali, vamos dizer, tem um rastro digital, tem pegada. digital. Então beleza. Então a televisão que paga por isso tem isso muito claro hoje em dia, muito fácil de entender cada vez mais. Então pra esses não tem problema. Como você pessoa normal, como eu, como você aqui Isa, a gente consegue entender. Eu acho que primeiro é sempre uma mentalidade de aprendiz. A gente tá o tempo todo aprendendo a lidar com as redes sociais que são relativamente novas. A comunicação tem milhões de anos. A rede social tem 20, 30. Orkut não tinha 30 anos. Então a gente tá aprendendo e a gente tem que lidar. E aí eu acho que a gente tem que tomar dois cuidados. O primeiro deles é entender e ressignificar uma frase que é muito usada. Comunicação não é o que eu falo, mas é o que o outro entende. Comunicação não é o que eu falo, mas é o que o outro entende. Isso é uma frase que ficou, vamos dizer, cravada na pedra como um grande lance para dizer o seguinte, ó, não adianta falar, todo mundo entende o que quer. Se eu falar uma coisa aqui, você vai entender o que ela quer e acabou, assim que funciona. Mas tá errado. Porque no mundo de hoje, com tantas histórias acontecendo, se eu digo pra você, Isa, que cabelo lindo que você tem, você vai pensar, esse cara tá me assediando. Ou você pode pensar isso. E aí o problema é meu, não teu. Porque se você vir e falar, o Mark me assediou, o problema é de quem? Meu ou teu? Isso também mudou. Hoje, eu tenho que provar que eu sou inocente. Então, o que eu quero dizer? Estou pegando um caso extremo para mostrar o seguinte. A gente tem por obrigação tomar cuidado, ser responsável por aquilo que sai da nossa boca. A gente precisa bancar e praticar aquilo que a gente posta. Então, primeiro, todo cuidado é pouco. A gente tem que olhar pra comunicação como um fator estratégico, como um pilar definitivo, como um direcionamento real que pode acabar com a tua vida e com a tua carreira. Sim, não é você falar legal, ser o simpaticão. Às vezes, uma brincadeira mal colocada te faz perder muita coisa.
Por isso que a pressa é, pra mim, a pior inimiga.
Sim, sem dúvida. A pressa, e claro, tem os teus preconceitos. Se você é externo ao preconceito, não precisa nem ter pressa. Você pode fazer um texto demorado, cheio de preconceito. É um problema teu. E também vai pagar por isso. A gente tá na era do cancelamento, na era da exposição, do exposed. Então assim, muita coisa. Então esse é o primeiro ponto. A questão do conteúdo é a gente realmente verificar o que sai, ter responsabilidade e criar a arte de se comunicar. O outro precisa entender. E se a gente percebe que ele ficou em dúvida, é importante você fazer uma checagem. Isa, ficou claro? Eu quis dizer isso, você entendeu isso? Tem alguma dúvida? Se você percebe que é um assunto difícil. Uma outra coisa que a gente tava falando aqui, fora do ar, que eu acho que é legal trazer. Timing de comunicação. Será que eu preciso falar tudo na hora que eu quero? Ai, mas eu sou muito autêntica. Esquece. Ser autêntico não é falar tudo na hora que quer, na hora que quer. Isso é ser burro. Acho que a autenticidade é você tá alinhada com os teus valores, e as pessoas saberem, e você não trocar esses valores por conta de um ambiente externo. Ou talvez trocar, pra mostrar o seguinte, a minha autenticidade é ser flexível, então eu vou lá e troco. Tudo bem. Agora, não é você falar a hora que você quer. Isso é falta de, até de sensibilidade. Tem coisa que não se fala a hora que quer. E o terceiro e último ponto, acho que como a gente consegue criar uma audiência ou fazer a nossa mensagem e receber de volta a reciprocidade, que no mundo de hoje se traduz muitas vezes em like, em comentário ou até em contratação. Aí você vai me dar uma lição que você me ensinou aqui, que é super importante. O que eu quero? O que eu quero? Eu quero alcance, eu quero credibilidade, eu quero autoridade, E isso você vai poder me responder e pra todo mundo que tá ouvindo e assistindo interioriza. O que que é tão importante dessa clareza?
É um bandido. Ô Mark, perfeito esse raciocínio que você trouxe. Vindo pra essa gravação, eu falava sobre o Arthur Bender, que é um Estrategista de Marcas Pessoais Empresariais.
Tem um livro muito bom também.
Acabou de sair, Autenticidade. Tem até uma fruta na capa que algumas pessoas já experimentaram, que é a pitaia, né? Ou seja, é essa a capa.
Passa pra você visualizar. Não é bonita, mas é gostosa.
Gostosa, viu? Então, essa é a capa do livro do Arthur Bender, Autenticidade. E ele me disse... Algo que eu vou compartilhar com muito amor. Quanto mais distância entre a imagem que você projeta e suas raízes, pior. Então, esse personagem que às vezes muitas pessoas insistem em fazer, se ele estiver longe da sua raiz, ele não se sustenta.
Perfeito, perfeito.
E em relação à comunicação, por que eu estou fazendo este preâmbulo? Você já trouxe aqui, a comunicação não é só o que eu falo, é como eu falo, como eu me comporto, a energia que eu estou, porque se é fake, a gente já pega.
Na nossa época, Isa, tinha aquela história assim, ele é muito legal fora do ar. Nossa! Lembra disso? Ah, ele é muito legal fora do ar. O que era isso? Era pra dizer o seguinte, nas câmeras é uma coisa, fora das câmeras é outra. A gente sabe que hoje em dia é muito mais fácil identificar isso, porque as próprias pessoas identificam.
É totalmente o contrário, tá, gente? Nossa, essa pessoa fora do ar é insuportável. Por quê? Fazia um personagem tão impecável ali durante a apresentação, e fora era uma pessoa que maltratava todo mundo.
E aí eu quero te perguntar, qual é a imagem que fica disso? Quem é o verdadeiro? É aquele que é o legal, que é combativo e tal, ou aquele que passa no acostamento, quando ninguém tá vendo, quase atropelando a família de Ribeirinho?
Para mim, a comunicação envolve muita verdade, muitos valores, muitas virtudes e, de novo, envolve caráter. Vou colocar aqui um objeto na mesa.
Sim. Olha lá, hein? Não vai colocar um vibrador aqui que tu não sai.
Não seria pauta, mas se fosse, sem problema nenhum. Aliás, boa dica de eu trazer uma amiga que fala sobre o prazer. Ah, danado.
Tá vendo?
A gente é assim, tá gente? Nós vamos trocando as pautas.
Solteira.
Solteira.
Pode fazer um programa A3.
Eu nunca tinha pensado nisso.
A vida é assim mesmo.
Bom, vamos lá. Vou colocar um objeto aqui. E eu gostaria que você associasse a leveza e a brincadeira por trás.
Olha, uma cecizinha.
Desta bicicleta.
Uma bicicleta com cestinha, cecizinha. Olha que legal.
Exatamente.
Ah, eu, assim, eu... É engraçado, depois que você vira pai, e eu sou pai de uma menina de 9, a Cora e um menino que vai fazer 7, o Josh, A Angelina tá com quanto?
Um e sete.
Um e sete, a nossa mensageira. A hora que eu olho pra bicicleta, tudo que é um pouco mais lúdico, automaticamente me remete aos meus filhos. Mas essa daqui, curiosamente, me remeteu à minha infância. Embora não tivesse tido uma cecizinha, na época era bicicleta de mulher, lembra? Era Calói 10 pra homem e Ceci pra mulher.
Ceci pra mulher, exatamente.
Me lembra um pouco a minha infância. Acabei de me lembrar, me veio o meu prédio onde eu morava quando era criança, na São Carlos do Pinhal. Me veio isso, e aí eu fui uma criança muito de playground, sabe? Pronto. Anos 80.
Então já que você trouxe isso, curiosamente eu me conectei com essa sua história, antes de você me falar dela, e eu gostaria de saber como que você se tornou especialista em comunicação? Foi essa criança que brincava de bicicleta, que já sabia se comunicar e queria ser jornalista, apresentador, Porque ser especialista em comunicação traz contigo uma responsabilidade e um repertório fabuloso, não é qualquer pessoa que tem.
Assim, é engraçado, porque agora também vira uma mesa branca. Mas assim, voltando, me veio uma história que eu gostava de fazer jornalzinho, porque eu vi um amigo meu fazer jornalzinho que eu colava na parede da sala de aula e fazia no mimiógrafo, sabe? Lembra? Ou depois eu ia fazer xerox, o meu pai, que Deus o tenha. Então é curioso. Eu sempre gostei de fazer comunicação nesse sentido, mas sempre autoral. Eu queria alguma coisa que tivesse a minha marca. É o título do meu livro que sai esse ano, Seja Sua Própria Marca.
Olha!
Então ele não tem essa característica de... Como é que eu posso te dizer? De ser uma comunicação só, ele se comunica bem, ele fala legal, porque eu entrei na faculdade com 20 anos. E eu só comecei a virar especialista em comunicação de poucos anos pra cá. Eu sempre fui jornalista de redação, depois eu saí e tive uma agência, virei LinkedIn Top Voice com 42 anos, vou fazer 50 nesse ano, quer dizer, 43. Você vê que eu virei velho, fiz a virada de chave, maduro, vamos dizer assim, não era criança, tinha 43, faz 7 anos. E na pandemia, Isa, eu perdi muitos clientes na agência, e eu já tava querendo fazer uma virada na minha vida. E aí teve uma onda de lives, lembra? Você abriu uma gaveta, tinha uma live, olhava de baixo.
Fizemos várias, não, mas foi lindo.
Não, a gente fez várias do meio pra frente. Em abril, quando teve um... Lembra que abaixou a curva da Covid de live, não? A da live não abaixava.
A live só subia.
Só subia. Sabe quantas... Eu tinha meio milhão de seguidores. Sabe quantas lives eu fiz? Chuta.
Por dia?
Por dia.
Umas cinco.
Não fiz nenhuma. Ninguém me chamou. E ninguém me chamou.
Eu te chamei sim, senhor. Fizemos o Instagram.
Depois. Então, mas depois. E por que que ninguém me chamou? E eu comecei a ficar mal. Falei, pô, chamei todo mundo, convidei todo mundo. Nunca ninguém me chamou. Sabe, eu sempre protagonizei o outro e o motivo era simples. Eu não tinha tema. Eu era o cara que perguntava. Eu não era o cara que respondia. Eu não era o cara que era fonte de alguma coisa. E aí eu comecei a trocar a asa do avião com ele voando. Então foi durante a pandemia que eu comecei a entender, bom, pra que eu sirvo no mundo? Quem eu sou e pra que eu sirvo? O que as pessoas podem comprar de mim? Também teve isso. E aí comecei a fazer um reskelling, a palavra da moda, uma requalificação da minha vida.
Eu chamo atualização de identidade.
Perfeito. Mas acho que a atualização de identidade é uma coisa ainda maior. Porque acho que envolve também outras questões. Aprendi com você. Acho que envolve uma atualização do ser e não do fazer. E eu tava também me encontrando. Eu tive a perda do meu pai por Covid meses antes, em março de 2020. Dá pra três anos. Depois eu tive um divórcio, também pra mim foi muito difícil no sentido de... de quebra de um paradigma que era muito forte em 2021. Em 2022, foi o ano da reconstrução. Em 2023, estou aqui brindando com você.
Especialista em comunicação.
No Interioriza, na frente da Cecizinha.
Isso tem tudo a ver com a transição que nós falamos. Antes, nós repetíamos os textos. Hoje nós fazemos os textos. Para mim, esse é o principal ganho que a internet traz. Antes, nós éramos obrigados a ler de um jeito, a fazer de um jeito. Rapaz, eu não podia nem substituir uma palavra por outra, por mais que ela fosse super usada no coloquial. Não, mas no jornalismo não pode. Hoje é diferente.
Não, eu imitava o Zacarias na Band News FM e tomava bronca. Hoje eu seria, eu era vanguarda, eu não sabia.
Hoje você seria o...
Eu seria, cara, eu estaria no lugar do Boixá.
O que eu quero dizer com isso? Que comunicação... É ação. E se é ação, é mudança. E se tem mudança, você tem que aceitar a mudança. E ao invés de ficar brigando com o óbvio, aceita a mudança.
Exatamente. Tinha uma coisa que eu queria ter falado bem no início, a gente tem pouco tempo ainda pra terminar, mas eu queria falar. Você me perguntou, pô, mas existe uma fórmula das pessoas realmente não pirarem com essa comunicação de hoje fazendo tudo? Existe. A questão é adaptabilidade.
Perfeito.
Quando você se adapta ao mundo, quando você tá aberto a aprender desde a tua filha de um ano e... Sete. Sete meses, que eu tenho certeza que é tua influenciadora também.
Muito. Aprendo com ela todo dia.
Todo dia. E eu com os meus filhos, até com as pessoas que, entre aspas, estão num outro extrato da pirâmide. A gente não aprende com o CEO. Ele não vai abrir pra você. A gente aprende com o pessoal do café. E não é falsa humildade. Eu acho que o lance é realmente estar aberto. As pessoas podem ser incríveis e podem não ter ganhado milhões. E as pessoas podem ser tão miseráveis que só têm dinheiro. É isso aí. Falei mesmo? Obrigado.
Não, volta, volta, volta pra gente se despedir. Mark, foi sensacional.
Adorei.
Totalmente diferente do que eu podia imaginar.
Você viu como eu tava presente aqui? O João Jota ficaria orgulhoso. 100% presente. 100% presente.
Eu ouvi do Murilugan esses dias, né? Quando você perde a presença, você perde a paciência.
Adorei.
E na comunicação, a presença é fundamental pra você não perder a paciência.
Perfeito.
Não comprar brigas, discussões.
E tá aqui, né? Fazer uma executativa, fazer uma devolutiva justa. Mostrar pra pessoa que é educação também.
Eu gostei muito de uma coisa que você fez e que muitas pessoas têm medo de fazer. E eu vou extrapolar um pouquinho aqui o nosso tempo pra trazer este ponto que eu sei que vai mudar a vida de quem está nos acompanhando. Eu te fiz uma pergunta. Longa. Você respondeu, aí você se perdeu, porque você veio falando outras coisas mais interessantes, então não é que você se perdeu, você perdeu a minha pergunta. E você disse, o que você perguntou mesmo, Isa? Gente, isso é fundamental. Você ganha o jogo mostrando a sua... podem chamar de vulnerabilidade ou não. Por que eu tô dizendo isso? Porque às vezes, com medo de perguntar, a gente perde grandes oportunidades de se comunicar.
Advogados têm uma imensa dificuldade com o cliente porque eles mandam toda a explicação e a conclusão no final. Aí ele vira pro cliente, ou explicando, ou escrevendo. Você entendeu o cliente? Entendi o cliente, eu não quero passar vergonha. O que eu sugiro? Escreve primeiro a conclusão. E depois você diz como chegou até lá. Porque o cliente não vai entender. E ele não vai querer fazer papel de bobo. Fala, não, entendi sim. E depois ele, pô, você não me falou. Então acho que tem maneiras da gente se adaptar a esse novo mundo.
Pronto. Então, senhoras e senhores, na minha opinião, uma boa comunicação começa com perguntas. Se você ficou com alguma dúvida desse assunto, escreva aqui nos comentários que eu transmitirei pro Mark e você faz favor de responder, tá? Porque aqui nas redes sociais...
Não, vou deixar só a minha arroba, porque não tem mais telefone de contato. Posso deixar a minha arroba?
Claro.
Arroba M-A-R-C-T-A-W-I-L Mark Itaúil ou arroba Cauã Reymond. Também nas redes sociais como Instagram, você pode escolher.
Mas ele é terrível. Mark, o que nós vamos brindar pra encerrar?
Vamos brindar a vida, vamos brindar... Seu livro em 2023? Meu livro em 2023, mas acima de tudo, o momento presente. Interioriza com Isa Camargo.
Obrigada. Obrigada, Mark.
Olha como eu entendi agora o trocadilho. Juro, interioriza. Gente, como eu sou burro. Parabéns.
Muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Eu espero que você tenha aprendido, assimilado algo, e mais do que isso, eu sugiro que você treine todos os dias e experimente essas dicas que o Mark trouxe pra gente. Até breve, até o próximo interioriza.
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