Diabetes: qual a relação das emoções com a doença - Tom Bueno - Interior iza EP14
10 May 2023 · 46 min
Isabela Camargo talks with Tom Bueno, a diabetes education specialist in Brazil, about how emotions affect diabetes and why education matters for managing the disease.
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Oi, bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza. Já ouviu falar em diabetes? Quantos tipos? Excesso ou falta de açúcar? O que será que pode acontecer com alguém que tem um diagnóstico de diabetes? Então, hoje nós vamos interiorizar de uma vez por todas o significado da diabetes ou do diabetes. Já vamos entender tudo isso com o Tom Bueno. O maior especialista em educação em diabetes no Brasil. Embaixador da Informação Correta da Diabetes.
Olha só.
Bem-vindo.
Obrigado. Um prazer participar do Interioriza. Pra gente interiorizar já uma doença de base que afeta a vida de todo mundo. E pra começar, tanto faz, a O Diabetes.
Ah, não é a diabetes ou o diabetes?
Pode, tanto faz.
Tanto faz.
Tanto faz. O importante é saber que diabetes não é causado só por conta do doce, tá? Não é porque eu comi doce que eu tenho diabetes. E eu vou te explicar. Por quê? Porque, na verdade, todo mundo acha isso, né? A pergunta que todo mundo me faz. Você comia muito doce pra ter diabetes?
E aí, comia?
Não comi. A gente vai explicar porque, na verdade, o nosso desafio é desmistificar muita coisa que falavam lá atrás, né? Por falta de conhecimento, de informação, mas hoje a gente tem espaços como esses aqui pra gente falar abertamente e ajudar pessoas que convivem com diabetes. e desmistificar e tirar esse estigma que as pessoas acabam compartilhando em relação ao consumo de doce, a ter um padrão, né? Diabetes tem cara? Você acha que tem cara? Então, não tem cara e a gente vai falar sobre vários aspectos importantes. Obrigado pelo convite, acho fundamental. A gente tem um espaço como esse daqui para poder chegar onde as pessoas precisam de ajuda. Eu costumo dizer assim, informação é remédio e a gente tem que compartilhar conhecimento a quem mais precisa.
Deixa eu contar um negócio pra vocês que eu nunca contei. O Tom Bueno é meu irmão gêmeo. Nós somos separados na maternidade. Pode ver que nós não somos iguaizinhos, né? Cor de pele, sardinhas e tal. Porque eu, Isabela Camargo, trabalho com educação e saúde. Tom Bueno, jornalista, também trabalha com educação e saúde. A minha área é saúde mental, a sua é diabetes. Só que uma tá totalmente relacionada à outra.
Você sabe, vou te contar uma coisa, eu trabalho com cinco pilares no tratamento do diabetes. A gente compartilha isso todo dia, toda semana, nas plataformas, nas redes sociais, no portal de notícias que eu tenho. Então a gente fala em cinco. A primeira delas, informação. Segunda, atividade física. Terceira, alimentação. A quarta, controle metabólico, que é um bom tratamento. E a quinta, não sendo menor, tão importante quanto todas as outras, saúde mental. Durante muito tempo, ninguém falava sobre saúde mental. E você sabia que a forma como você está sentindo ou você está digerindo algo que você está sentindo afeta a sua glicemia e o controle do diabetes?
Repete.
A forma como você lida, sente as suas emoções, tudo isso pode afetar o controle do seu diabetes.
Quem disse isso, Tom?
A ciência diz isso e a gente estuda isso todos os dias. Quando eu faço uma live para falar sobre saúde emocional, você não tem ideia das perguntas que chegam de textos desse tamanho para poder falar assim, para mim faz todo sentido. E a gente vai falar um pouquinho mais sobre isso, porque eu acho que o meu diagnóstico também tem tudo a ver com a questão emocional. Só que numa época em que pouco se falava sobre saúde emocional, né? E ainda tinha muito estigma em relação a isso, né? E preconceito, na verdade.
É por isso que nós estamos aqui. Então vamos lá. Eu já vou entrar nos aspectos emocionais do diabetes. Antes, é importante você contar pra gente quais são os tipos de diabetes.
Vamos lá, os mais comuns, existem dois, o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2. A grande diferença, o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, ou seja, sua célula de defesa entendeu que a sua célula que produz insulina ali no pâncreas, elas são inimigas, e aí começa a atacar a sua célula de defesa ataca as células beta que produzem insulina. Elas vão morrendo, param de produzir. Esse é o diabetes tipo 1, uma doença autoimune. Não tem prevenção, apesar de agora estar surgindo um novo medicamento que foi aprovado nos Estados Unidos que previne e retarda o diagnóstico do diabetes tipo 1, mas em 2, 3 anos. Mas não tem prevenção. Agora o diabetes tipo 2, que afeta 90% da população com diabetes, É uma doença metabólica com base nas genéticas. Pessoas... Já tem alguém na família que tem diabetes, né? Então, ela já tem esse gene associado aos maus hábitos de vida, alimentação, ganho de peso. Tudo isso acaba desencadeando o diabetes tipo 2. A grande maioria convive com diabetes tipo 2. E a gente fala... O diabetes é uma doença silenciosa? não é pra todo mundo, tá? Pra quem tem diabetes tipo 1, que representa 5% da população com diabetes, não é porque o pâncreas para de produzir insulina, seu corpo já reage. Então você começa a emagrecer, começa a tomar muita água, você começa a ir muitas vezes ao banheiro, a visão fica turva e você começa... a ter muita fadiga, cansaço, boca seca, é um sinal quando isso se prolonga por um período também de diabetes tipo 1. Pâncreas não produzem insulina. Parou. Esse hormônio é essencial pra nossa vida.
Pra quê?
Porque assim, ó, a insulina é a chave pra gente ter energia. Como que funciona? Quando a gente come qualquer coisa com carboidrato, vira glicose no sangue. E aí, a glicose tá caída ali no sangue, ela não deve ficar ali. Ela tem que entrar dentro da célula pra gente ter energia, né. Assim, a gente consegue trabalhar, acordar, fazer atividade física. Quando essa célula não entra dentro da… Quando essa glicose não entra dentro da célula a gente tem hiperglicemia, muita glicose no sangue. A gente fica cansado, com muito sono, a gente não consegue fazer muitas coisas. E a insulina, ela pega essa célula, essa glicose, vai lá na célula abre a célula e coloca a glicose lá dentro. E aí vira energia. Então a insulina é essencial pra nossa existência. Sem ela, a gente não… Só pra você ter uma ideia Em 1920, antes da descoberta da insulina, as pessoas recebiam o diagnóstico de diabetes tipo 1 como uma sentença de morte. Não existia tratamento. Também para o tipo 2, porque com o tipo 2, com o passar do tempo, O pâncreas pode ir parando de produzir insulina. E essas pessoas precisam tomar tanto medicamento oral como insulina. Então, a insulina é vida. O ano passado, a gente comemorou 100 anos de insulina, da existência da insulina. Então, é fundamental a gente também desmistificar, porque a insulina não vicia. Aliás, ela até pode viciar porque a gente produz isso. A gente precisa dela pra sobreviver. No caso da pessoa com diabetes que precisa tomar insulina, ela só precisa tomar insulina porque ela não tem produção de insulina. E aí, a gente tem esses dois tipos mais comuns, mas aí a gente tem o diabetes gestacional, que é quando acontece num período em que a mulher tá grávida. por conta de mudanças do hormônio, a placenta ali tem uma produção de alguns hormônios que acabam causando diabetes gestacional, que pode levar ao diabetes tipo 2. Algumas conseguem melhorar depois da gravidez, e outras já tem o diagnóstico de diabetes tipo 2. Aí temos dois tipos mais raros, que é o MOD, e o diabetes LADA, que são... O LADA não tá tão mais comum assim, porque eu tô vendo muita gente com diagnóstico de diabetes LADA tardia, né? Nada mais é que um diabetes tipo 1 com um período mais longo pra que as células parem de produzir. Então, a insulina, né? A pessoa recebe o diagnóstico de diabetes, ela já tem os sintomas, mas ela não começa com insulina como diabetes tipo 1, mas ao longo do tempo ela vai precisar. Então, são esses cinco tipos mais comuns aí de diabetes, o tipo 1 e o tipo 2, que afeta a maior parte da população. E a gente tem que levar a informação pra todas essas pessoas, né? Então... São doenças com o mesmo nome, com o mesmo aspecto fisiológico e que traz complicações graves pra nossa vida, mas que tem que ser olhada de formas diferentes.
Qual que é a principal diferença entre o diabetes 1 e 2?
A diferença do diabetes tipo 1 é que não tem produção de insulina no momento do diagnóstico. não produz insulina e precisa aplicar insulina. O tipo 2 não. O tipo 2 precisa de medicação para melhorar a resistência à insulina, porque ele tem uma resistência à insulina, o pâncreas produz insulina, mas com o tempo ele pode parar, e aí essa pessoa precisa de insulina.
Ainda produz.
Mas aí nesse caso, no tipo 2, se você mudar os seus hábitos de vida, emagrecer, ter uma alimentação saudável, saudável, eu tô dizendo saudável pra qualquer pessoa, tendo ou não diabetes, né? Eu tô dizendo que não existe uma dieta pra pessoa que tem diabetes, o que seria bom pra todo mundo. Essa pessoa, ela pode perder peso, porque a obesidade hoje é o grande problema, né? A grande questão que afeta a maior parte da população com diabetes tipo 2, 9 em cada 10. E quando você emagrece, você tem a remissão do diabetes, que nada mais é do que colocar o diabetes para dormir. Ele não está ali, não sobe, fica dentro do controle. Mas se você voltar ao seu estilo de vida, ganhar peso, não fazer atividade física, comer mal, você acaba voltando a ter problemas em relação ao controle da glicemia ou da glicose.
Uau. É muita coisa. Eu conheci o Tom e me chamou. Tem só uma tatuagem que você tem. Queria que você mostrasse aqui para essa câmera.
Sim, diabético.
E em cima?
É um sensor de glicose. Isso é uma... Graças à tecnologia, o desenvolvimento. A gente, até 1980, a gente não tinha nem tiras pra furar o dedo. Sabe esse exame?
Nenhum medidor.
Não tinha esse medidor. A gente tinha que medir na urina. Eu não tinha diabetes nessa época, tá? A gente vai estudando. Então, o controle era muito difícil. Aí chegaram os glicosímetros. que a gente não tinha acesso também na época e foi todo um processo de divulgação pra que as pessoas soubessem que existia esse tipo de aparelho pra medir a glicose e o governo entendesse que isso era fundamental pra evitar as complicações. Hoje é o sensor de glicose, porque ele não fala só o número, ele me passa em tempo real o tempo todo quanto tá a glicemia e qual é o caminho que essa glicemia tá fazendo. Então, por exemplo, se eu meço, tá 140, eu vou olhar a seta também. Então, a seta diz, tá indo numa estável, tá subindo, tá subindo muito rápido, tá caindo, tá caindo muito rápido. Então, eu tenho a direção.
E isso tudo sofre interferência do que você come e do que você está fazendo. Ou seja, o seu ambiente afeta a sua glicose.
O que você sente. Vamos chegar lá!
Por isso que chama interioriza. A gente precisa de humildade e paciência para compreender assuntos muito importantes para vivermos melhor.
Vou te contar um caso. Recentemente, eu estava numa reunião, inclusive com a minha médica, e eu estava falando, mas eu estava irritado, e eu estava falando de uma forma irritada. E aí ela olhou pra mim e falou assim, Tom, você não quer medir a glicose? Tô achando você um pouquinho alterado, assim, a forma de falar. E eu, por dentro, tava irritado com tudo, assim, tudo que tava acontecendo, mas não tinha motivo, não era a pessoa, não era o que tava acontecendo.
Era a situação.
Era a situação. Eu medi a glicose e eu tive um pico, e o sensor mostra isso, né? Exatamente na hora que começou a reunião, eu tive um pico, a glicose tava 140, 150, eu não lembro, mas ela chegou a 318. E aí eu coloquei isso, eu tirei uma foto, publiquei nas redes sociais, e aí dezenas de pessoas me escrevendo, isso acontece comigo, quando eu tô irritado, porque o que você sente pode elevar a sua glicose, mas ela também pode ser um sinal de que algo não tá bem.
Sempre.
E aí, você pode usar isso de duas formas, né? Ela pode piorar, né? Você sentir... Tá estressado, vai fazer a glicose subir por conta do cortisol. Ah, então a gente tem que respirar. Respirar sempre e olhar que, às vezes, não é alimentação, não é só alimentação.
Pronto.
Eu costumo não colocar nenhum alimento como vilão. Porque senão, as pessoas, elas... 880. E pra mim, eu acho que existe um equilíbrio que dá pra gente seguir. E cada pessoa é de um jeito. E aí, quando a gente fala de alimentação, a gente tem que lembrar de outros fatores. Então, por exemplo, eu estar estressado vai fazer com que minha glicose descompense. Eu não praticar uma atividade física que me traz um bem-estar, também vai atrapalhar minha glicose. A alimentação, se eu exagerar, como qualquer coisa na vida, inclusive água, também vai afetar. E é isso. Falta de informação também vai afetar, porque você vai cometer vários erros e não vai saber lidar e tomar a melhor decisão quando você precisar. Eu falei.
Não, eu tô adorando. Por isso que eu falei. Nós somos irmãos gêmeos, né, gente? Igualzinho. Tom, é que eu vou trazer aqui, então, uma experiência. sobre ambiente, o quanto o ambiente pode afetar ou não a sua saúde. Eu já falei isso duzentas mil vezes, mas eu vou repetir. Quando eu estava no meu pré-burnout, eu já estava tratando de várias doenças. Quando eu entrevisto uma especialista em sono para o meu livro, que nasceu bem antes do meu burnout, A doutora Dalva Poiares, do Instituto do Sono, ela me disse assim, Isabela, pessoas que trabalham à noite vivem sob estresse constante, porque o corpo está trabalhando num contexto em que era para ele estar em repouso, e se ele está trabalhando, ele já está em estresse. A longo prazo, você pode ter cinco doenças graves. Dessas cinco, eu, Isabela, já tinha desenvolvido três. Quando eu pergunto para ela, eu falei, quais são as outras duas? Ela fala, diabetes e câncer. E eu começo a chorar. Por quê? Porque na minha família tem diabetes. Agora você tá me trazendo 90% do diabetes tipo 2, ou seja, são pessoas que já estão com uma desfunção do pâncreas pra produção de insulina. Correto? Naquele momento, eu não tinha essas informações que você tá me dando. Mas o meu corpo reagiu com choro, com lágrimas, do tipo, eu não posso deixar isso acontecer. E por que eu não podia deixar isso acontecer? Porque anos atrás, em uma outra reportagem, eu conheci uma moça na Fundação Dorina Noil, que tinha ficado cega de um dia para o outro. Ela estava lá na reabilitação, a minha reportagem era sobre isso, e eu pergunto, o que aconteceu com você? Como você ficou cega de um dia para o outro? Ela, diabetes. Então, quando eu ouço daquela especialista que, se eu continuasse com aquele estilo de vida, eu poderia ter cinco doenças graves, dessas cinco, três eu já tinha, e as últimas duas, uma eu já tinha na genética, aí que eu me dei conta do quanto o ambiente pode, então, despertar, acordar células. ou não. Faz sentido esse acordar células que podem estar adormecidas pela genética?
Com certeza. Pra mim, eu chamo de gatilho, né? Elas servem como gatilhos, né? Se você vive num ambiente que te coloca em estresse constante, o sono, eu não falei, mas o sono é fundamental pro controle da glicemia. Por quê? Porque é durante o sono que a gente consegue... se abastecer de alguns hormônios, né? E durante a madrugada, quando a gente acorda, por volta das quatro horas da manhã, se você olhar... Eu consigo olhar porque eu tenho um sensor de glicose que mostra isso pra mim. A partir das quatro horas da manhã, você percebe que você não precisa comer nada. Você vai ter um aumento da sua glicose no sangue. É natural isso. Sabe por quê? Porque o fígado entende que às quatro horas da manhã, daqui duas ou três horas, você vai ter que acordar. E pra você acordar, você precisa de energia. Pra você despertar e levantar da cama. Existe um fenômeno chamado fenômeno do alvorecer. Isso, pra quem tem diabetes, às vezes, é um desafio. Porque você precisa burlar esse fenômeno do alvorecer com medicação mesmo. Por quê? É natural que ela suba. Mas quando você não tá com o ajuste de insulina correto, você precisa fazer esse ajuste com ajuda médica. Aí, o que acontece? sua glicose já eleva. Então você não comeu nada e acordou de manhã com a sua glicose em 300.
Ou em cima.
Mas não é porque você comeu nada, é porque o seu corpo naturalmente liberou uma glicose pra você despertar. E aí quando você não dorme, é uma confusão. Porque o momento em que ele deveria liberar essa glicose, você tá acordado. Aí você não vai metabolizar isso, porque de manhã a gente tem um pouquinho mais de resistência insulínica. Você vai chegar na sua casa, vai fazer o quê? Vai dormir. Então, tipo, a sua rotina e pro seu corpo, isso é muito desafiador. E eu vou te contar uma coisa, eu trabalhei um ano na madrugada. Eu coloco madrugada e noite, tá? Porque a noite... Nossa, é uma coisa. Noite, pra mim, ainda é menos pior, porque eu penso que se chega uma hora, eu durmo. Eu sou um cara que durma às 10 horas da noite, tá?
Viu? Gêmeos, gêmeos, gêmeos.
Mas aí, na madrugada, eu aguentei cinco meses. E foi o pior período da minha vida. Eu emagreci demais, meu corpo não entendia, eu adoeci, eu tive tudo. Inclusive, eu acho que eu só não tive diagnóstico, porque eu não fui atrás. Mas eu também tive depressão naquele período ali. Porque eu lembro que era um período muito escuro pra mim, muito... Desafiador. Desafiador. Então o ambiente traz isso pra você. Seja você trabalhando à noite ou seja em um lugar que te exige muito e que você não prioriza nunca a sua saúde. O trabalho é sempre o primeiro lugar.
Senhoras e senhores, vamos voltar.
Os desafios é sempre assim. Você sabe que eu falo sempre pra minha equipe assim, seguinte, a gente fala de saúde. Nunca o nosso trabalho deve afetar a nossa saúde. Se tiver acontecendo isso, a gente tem alguma coisa errada.
Ah, você pode repetir, por favor? Tem uma pessoa aqui na audiência que precisa ouvir isso.
Saúde é prioridade. Eu não posso falar de saúde e quem tá do meu lado não ter saúde por conta desse trabalho. Não faz sentido nenhum.
Pronto.
Bom, foi uma direta.
Ô, Tom, é porque isso faz parte do nosso trabalho de educação e saúde e de conscientização. Não é porque a gente fala que as pessoas entendem.
Sim.
Geralmente, a compreensão só vem com a dor. E nós que já vivemos períodos de dor, nós queremos poupar as pessoas que amamos dessa dor. E eu tô falando sobre limites. Tô falando sobre posicionamento para chegar agora na saúde emocional. Nos contaram muitas histórias em que as emoções não nos afetavam. Tanto que ouvi, por muito tempo, o não leve problemas do trabalho para casa e da casa para o trabalho. Quando veio a pandemia, gente, vamos ser humilde para aceitar que as empresas tiveram que aceitar a nossa casa, porque, senão, não haveria emprego. Então, eu tive que levar o trabalho para casa. Então, por tantos séculos não podemos levar o problema de casa para o trabalho, depois eu sou obrigada a trazer o trabalho para dentro de casa. Então, está aí o primeiro ponto para quebrar essas barreiras de que somos um ser integral, fora e dentro de casa. É impossível você deixar suas emoções. Não, você pode escolher não pensar nelas por um curto período de tempo, mas não pensar nelas não vai apagá-las.
Sim.
Onde eu estou chegando? Eu vou chegar agora na questão dos gatilhos. E o quanto o ambiente afeta o quanto o ambiente te afeta a partir da sua saúde mental, que é como você vai reagir às situações. Saúde mental, na tradução, o mais simples que eu posso te passar é a capacidade de lidar com altos e baixos todos os dias. Isso é saúde mental. Lidar com altos e baixos e imprevistos todos os dias. Você pode olhar para este copinho como um copinho ou como um baita de um problema. Quem vai dar o tamanho é você, baseado na sua saúde mental. Então isso transcende para elevador que não chega, trânsito parado, os imprevistos. Eles podem te trazer aprendizados ou problemas. Dito isso, Quando você se deu conta de algum gatilho e qual foi, para o diagnóstico da diabetes?
Eu tinha 20 anos de idade. Para você ter uma ideia, eu trabalhava em duas emissoras de TV na época e estudava.
Ai, meus 20 anos, né? Então, é isso. 20 anos, a gente tem duas empresas.
Eu saía às 6 horas da manhã de casa para chegar à meia-noite. Ou seja, praticamente não dormia. Foi um período que eu me dediquei muito e eu não tinha conhecimento nenhum. Apesar de trabalhar com informação, claro que eu estava engateando, não entendia muita coisa, eu estava me formando, mas eu trabalhava com informação. Eu sou um cara que tem ferramentas pra ter acesso. Mas eu não tinha, e eu não queria ter. Pra mim, não fazia sentido. Pra mim, eu nunca achei que eu fosse ter uma doença crônica, por exemplo. Receber um diagnóstico. Pra mim, diabetes era coisa de pessoas mais velhas, pessoas que estavam acima do peso. Eu não via o diabetes em pessoas novas. Com a minha idade, por exemplo. E eu não tinha rede social. Naquela época, não existia rede social.
Estamos falando de que ano?
2006, 2007. Estava começando. O Orkut era o que tinha de mais novo na época. E aí, eu comecei primeiro, né? Eu venho de uma família, minha família nunca teve dinheiro, então eu sempre trabalhei pra poder pagar minha faculdade, pra eu conseguir minhas coisas. Meu primeiro desafio foi deixar o emprego, que eu ganhava R$ 1.500,00 pra ganhar um de R$ 135,00 numa TV. Meu primeiro salário.
135 reais?
135 reais. Foi meu primeiro trabalho.
Por mês?
Por mês.
O que você fazia?
Eu era produtor. Era uma TV pequena que me contrataram. Era uma filiada do SBT em Campinas, na época.
Mas era o que você queria pra aprender.
Era, e pra mim não tava tudo certo, mas foi o desafiador, porque não ter dinheiro também é um problema. Mas é assim, meu pai sempre me disse, um passo pra trás, dois lá na frente. Então tá tudo bem, fui. Então tinha vários desafios, faculdade, duas emissoras, a incerteza, de que eu ia continuar ou não. E uma outra questão, eu me apaixonei por um homem. E ali eu percebi que eu lutava a vida inteira, desde a minha adolescência, para eu não ser essa pessoa, ou seja, não existia. A gente fala muito de autocuidado, mas como você consegue ter um autocuidado se você nem existe? E aí eu estou falando como um homem gay. e eu me apaixonei e não conseguia lidar com aquilo, porque ali foi a prova que eu tinha que lidar com uma situação que, para mim, era um problema. Num ambiente em que você trabalhou anos em televisão, você sabe, naquela época não tinha referência de homens gays na televisão. Se você fosse gay, possivelmente...
Não que eles não existissem.
Mas não tinha referência.
Exato.
Então eu vivia um medo de falar, peraí, se eles descobrirem, eu nunca vou mais ser repórter, nunca mais vou ser apresentador. Então eu tinha essa pressão. E sem contar o ambiente tóxico que era. Porque era do tipo, um cinegrafista que fazia piadinha, brincadeira, te testava o tempo todo. Então era um ambiente muito difícil. Hostil. Eu fingia que não era, né? Eu tentava lidar bem, mas por dentro eu tava me corroendo e adoecendo.
Quando você fala corroendo, eu complemento como corrompendo quem você era.
Exatamente. Eu não estava mais aguentando. Tanto é que, quando eu verbalizei que eu era um homem gay, foi dentro de um carro de reportagem. Porque eu não aguentava mais ser testado o tempo todo por um cinegrafista que eu nunca mais olhei na cara. Mas não tem rancor, mas assim... Foi seu professor, né?
Foi ele que...
Mas assim, eu não aguentava cenas de machismo, de preconceito dentro de um carro de reportagem, e a gente falando de informação, a gente tentando...
Desigualdade.
Desigualdade, e ter isso no seu ambiente de trabalho. E eu tinha 28 anos de idade quando isso aconteceu. Então, o ambiente todo... Voltando um pouquinho, né? Estou falando de quando eu falei.
Excelente.
Voltando... Com 20 anos de idade, uma foca, como a gente chama no jornalismo, começando, conhecendo esse mundo. Eu não tenho ninguém de televisão, então para mim era um sonho de infância. Então tinha muitas coisas colocadas ali naquele momento da minha vida que eram fundamentais e que eu poderia, na minha cabeça, perder. caso eu falasse que eu era gay ou se alguém descobrisse. E eu tinha muitas responsabilidades. Eu tinha uma faculdade para pagar, eu tinha dois empregos, eu tinha um TCC para concluir. Aí eu percebi que eu comecei a emagrecer muito. Em dois meses, eu descobri que eu tinha perdido 13 quilos. E minha mãe olhou pra mim um domingo. Filho, você não quer ir ao médico? Você deve estar com alguma doença grave. Dá pra ver o osso do seu rosto. E eu fui. Chegando lá, eu não fui bem acolhido, mas eu recebi a minha primeira informação que eu tinha diabetes. Mas só falaram assim para mim, corta o doce. Mas eu continuei comendo as outras coisas. Dois dias depois, eu tive um quadro de cetoacidose, fui internado. com a glicemia em 640 é quando o corpo entra em colapso mesmo. E aí veio o diagnóstico. E eu tenho certeza absoluta que isso foi um gatilho por conta desse estresse crônico e desses sentimentos que eu sentia. Sentimento de rejeição, sentimento de medo. de insegurança. Eu não era quem eu queria ser, então eu não existia. Eu estava sobrevivendo, eu não estava vivendo. E, para mim, eu falo isso para as pessoas e, quando eu falo, Muita gente me escreve dizendo assim, eu sinto a mesma coisa, eu estou passando por isso nesse momento. Eu estou falando isso de quem faz parte do LGBTQIAPN+. Muita gente ainda vive com medo. Não é só isso, tá? Além de todo esse preconceito, a gente também vive num país que mais se mata gays, lésbicas, trans, todo mundo da comunidade LGBTQIAPN+. Então, isso também te coloca numa situação vulnerável. E, naquela época, eu não tinha informação de nada disso, mas eu sabia que acontecia e tinha muito medo. Então, a minha associação do diagnóstico está muito ligada ao meu descobrimento mesmo de ser um homem gay e lidando com muitas situações que hoje, se a gente tivesse um espaço como esse, tivesse a internet que a gente tem hoje, talvez tivesse sido diferente. Mas eu acho que tem coisa que a gente passa na vida pra poder aprender e ajudar outras pessoas.
Tom Bueno é meu irmão gêmeo, tá? Não sei se você já entende, se eu já falei isso aqui hoje. Ô, Tom... Na sua página no Instagram, um diabético, recomendo muito que você acesse e compartilhe também com alguém da sua família, que vai ser muito importante. Você diz, informação é remédio. Mas lá no século XVI, um médico químico cientista chamado Paracelso, ele já disse, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Isso é pra tudo.
Pra tudo.
Tudo, tudo, tudo, tudo. Quando você fala, ah, mandaram cortar o açúcar. mas tiveram outras coisas. E queria que você trouxesse também quando o açúcar vai te salvar numa crise.
É porque a gente tem que lembrar que nada é tão certo. A gente é um ser humano. E todo mundo tem as suas diferenças. E o que funciona para mim hoje, talvez não funcione para minha mãe. E assim funciona também nas questões de saúde. Quando a gente fala em açúcar, eu cortei o açúcar da minha vida quando eu recebi o diagnóstico, porque eu não tinha informação. E hoje ela não faz parte da minha vida o tempo todo. Eu também nem propago esse uso excessivo de açúcar em tudo. Mas assim como gordura, carboidrato, proteína, tudo que é demais, inclusive água, faz mal, como eu já disse. Quando eu comecei a trabalhar com informação, a primeira coisa que eu tinha que fazer é lutar contra as fake news. Porque hoje, você coloca nas redes sociais, muita gente querendo ganhar dinheiro em cima da dor do outro, oferecendo coisas milagrosas e prometendo coisas que não funcionam.
Diabetes não tem cura.
Diabetes não tem cura. O diabetes tipo 2 pode ter remissão, que é o diabetes que adormece, fica tudo controlado, e aí se você voltar a ganhar peso, volta tudo ao normal. Por isso que eles não falam em cura, mas é uma remissão. Para uma pessoa que nunca mais voltou a ter problema, para ela pode ser a cura, né? Se ela faleceu e não teve mais oscilação de glicemia. Mas nenhuma ciência fala sobre isso, né? Cura do diabetes. Agora, quando a gente fala de açúcar, que é um dos grandes vilões aí, né, em relação ao diabetes, o açúcar do sangue não é o açúcar que a gente come, tá? É que o açúcar que a gente consome é carboidrato, né? E o carboidrato, assim como o arroz, como o pão, como... Não é pra cortar nada disso, tá, gente? É só pra saber comer com equilíbrio. São todos carboidratos que vão virar glicose no sangue, né? Tem um impacto na sua glicemia. Você tem que saber como você consome isso. Mas no caso de uma hipoglicemia, quando eu recebi o diagnóstico, parecia que me deram uma sentença de morte. Tipo assim, você tem diabetes. Eu falei assim, tá, em quanto tempo eu vivo? E aí ninguém me falou nada, disse assim, olha, você tem que tomar medicação, porque o meu diagnóstico foi errado, veio como 2, porque eu já era mais velho. Depois que a gente descobriu que era tipo 1. Então eu comecei a tratar errado. Mas todos os exames mostram que é tipo 1. E aí ele pediu, olha, não come mais açúcar. Ao invés de pão, você come torrada. Não toma nada de leite. Fez umas substituições. Primeiro, torrada e pão, se você for olhar, é a mesma coisa. Não muda nada. O açúcar. Quando você fala pra uma pessoa não consumir mais açúcar, ela não entende que aquilo é um veneno. Só que se uma pessoa aplicou uma dose a mais de insulina, ou por algum motivo ficou muito tempo sem comer, ela precisa do quê quando ela tem uma hipoglicemia? De açúcar, de glicose. A gente pode ter a glicose, que a gente compra, que aí você vai pagar, tipo, dois reais num sachê que não tem em qualquer lugar. Ou você vai ter açúcar na sua casa. O que você vai consumir? Água com açúcar, açúcar... Então, nessas horas, o açúcar pode salvar a sua vida. Então, não dá pra gente tá achar dizendo assim, olha, não consome açúcar nunca mais na sua vida. Se essa pessoa tem hipoglicemia, é a única coisa que vai salvar a vida dela. E hipoglicemia é coisa séria. Pode levar a pessoa à morte, pode deixar consequências, sequelas cerebrais pro resto da sua vida. Então, ninguém fala, quando você recebe o diagnóstico do diabetes, eu tô falando ninguém fala, eu tô generalizando, mas a maior parte não fala mesmo. no sentido, você tem a glicose muito alta, aí o que você acha? Tipo, ah, então tem que deixar baixa. Só que se você tiver baixa, seu corpo não funciona. Então existe um controle, quando a gente fala controle do diabetes, é um controle, é como se fosse uma gangorra, que você tem que equilibrar pra ela ficar aqui, ó. E ela não pode ficar muito aqui e nem muito aqui. porque aí vai trazer as sequelas. Você estava falando... Toda vez que eu falo de complicações do diabetes, eu me emociono. Eu quase chorei aqui, você falando. Por quê? Porque aquilo é a realidade da maioria das pessoas. É o caminho que as pessoas vão seguir, porque elas não sabem, porque elas não têm orientação, porque tem profissionais de saúde que também não sabem. Então, a educação não é só para o paciente, é também para o profissional de saúde, que ainda acredita que diabetes é causado pelo açúcar. Então a gente tem que educar todos pra que a gente consiga reverter essa situação. E aí a gente tá falando de complicações graves, porque o diabetes mal controlado é cruel. Ele causa cegueira, mas, principalmente, ele mata com infarto ou derrame, ou deixa sequelas. Insuficiência renal manda a pessoa para hemodiálise. Ele causa amputação. Se eu não me engano, 70% das amputações no Brasil são causadas pelo pé diabético, por uma feridinha que abriu ali. E por problema vascular que você tem por conta do diabetes, que você tem muito açúcar e deixa tudo inflamado e tal, você acaba tendo uma infecção e as pessoas morrem também por isso. Além de perder os membros ao longo dos anos, acabam morrendo. Então, é muito cruel. Eu tento falar isso de uma forma muito leve. Porque a realidade é dessa menina jovem, né?
Sim.
Que perdeu a visão. E é muito triste. E é um medo que eu carrego. É o meu fantasma, isso. Eu convivo com isso todos os dias. É que eu tenho que saber lidar com isso. Eu tento lidar da melhor forma possível. Mas quando eu encaro isso frente a frente, quando eu vejo isso, é muito mais difícil. É muito mais difícil porque eu sei que eu sou um privilegiado, que eu vivo numa bolha de privilégios e que desses 16 milhões, eu faço parte de uns 10 mil.
16 milhões, você está se referindo a?
De pessoas com diabetes.
No Brasil. 16 milhões.
16 milhões.
Com diagnóstico.
E metade dessa população, 15 milhões, são diabetes tipo 2. Só que essa é uma estimativa em que metade dessa população nem sabe que tem a doença.
E não faz ideia. Quais são os sintomas que pode fazer quem está nos acompanhando procurar um endócrino?
O endócrino, ou até mesmo na rede pública, o médico de família, o clínico geral, ele deveria ser capacitado pra poder fazer esse diagnóstico.
Mas quais são os sintomas?
Normalmente é assim ó, pra quem não tem sintomas, você tem alguém na família que tem diabetes?
Tenho.
Faça exames.
De sangue?
De sangue. Você faz o exame de glicemia em jejum, hemoglobina glicada, e aí se precisar de mais algum, eles vão pedir, mas normalmente é hemoglobina glicada e glicemia em jejum. Preventivo. Pra quem tá sentindo sintomas, já tá tendo sinais ou sintomas, que eu costumo dizer, vontade de ir ao banheiro o tempo todo, uma sede desesperadora, uma fome desesperadora e perdendo peso, ou seja, a conta não bate.
Eu só não tô perdendo peso. Tem que ser todos esses sintomas?
Não, não.
O resto tem todos?
Não, aí tem que fazer os exames e assim, não dá pra entrar numa neura, porque tem coisas que acontecem mesmo, mas muita fraqueza, visão turva. Eu perdi a visão em dois dias, eu não consegui enxergar nada. E eu não te contei, o meu diagnóstico foi indo pro estúdio. Eu não lia mais TP, não conseguia ler mais TP, eu subi dois degraus e parei, não consegui mais subir, porque o cansaço é muito grande. Então esses são os sintomas, para o diabetes tipo 1 acontece na hora, para o diabetes tipo 2, depois de muitos anos sem ter diagnóstico, sem tratar esse diabetes, aí o seu corpo começa a dar sinal. E normalmente é o sinal ou você vai ter ou já teve uma complicação. Normalmente, as pessoas descobrem quando tiveram um infarto, um derrame ou tiveram algo mais grave. A pele também dá sinal, tá? A pele seca demais pode ser um sinal de diabetes.
Você falou tudo do burnout. Aqui também é uma consequência de um ambiente com estresse crônico.
Sim.
Para finalizar, Tom, eu me lembro quando eu trabalhava no Band News TV, nossa, há muitos anos, eu tinha dores de garganta frequente. E aí eu ia ao médico, tomava remédios, tal, não sei o quê, e a dor de garganta não passava. Até que um médico mais integrativo me disse, você tá querendo dizer alguma coisa pra alguém e não diz? Como assim?
Todo dia.
Como assim, né? Não, na época era, deviam ser situações ali normais, mas onde eu quero chegar, quando você engole os seus sentimentos, isso vai trazer uma consequência. E aí eu me lembro de ter vindo uma outra situação com alguém com dor de ouvido, aí eu falei, você não, você tá querendo fugir de alguma situação que você não quer ouvir? E aquilo foi me chamando a atenção. Eu falei, gente, parece que por trás de toda a dor que a gente sente no corpo, há uma questão emocional mal resolvida. E aí eu fui estudar a metafísica da saúde. E na metafísica da saúde, há informações que diabetes é falta de amor. Alguém vai dizer, que bobageada. Está a provar ciência? Está a provar? Gente, antes da ciência, existem também milhares de anos de desenvolvimento humano. Então, faz sentido pra você falta de amor relacionado à diabetes? E aí eu não estou nem falando falta de amor de outro, é amor próprio.
Eu acho que tem tudo a ver. Quando a gente fala de autocuidado, para você ter autocuidado, você precisa ter amor próprio, né? Eu acho que pode ser de vários aspectos, não só vindo de você, mas eu acho que sim. A gente costuma dizer, algumas mães principalmente falam, ah, é meu docinho, meu docinho, né? Porque eles acreditam que as crianças com diabetes são mais doces, né? Mas, na verdade, eu acho que isso tem a ver mesmo com o amor próprio, que a gente não sabe lidar com as nossas emoções, a gente já tá mais vulnerável, e eu acho que é uma forma do corpo dizer, né? Olhe pra você, se cuide, algo não tá bem. E eu acho que é muito importante quando você fala assim, eu não tava querendo falar algo, né? Você tava sentindo uma dor de garganta. É uma coisa reprimida, a gente vai reprimindo ao longo do tempo coisas do dia a dia, coisas que deixam você numa situação em que você não é você. Então, a partir do momento em que, por exemplo, eu sou esse tipo de pessoa, eu era, na verdade, um tipo de pessoa que queria agradar as pessoas o tempo todo. Então, eu deixava de falar muitas vezes para poder agradar. E aí, para mim, isso é falta de amor próprio mesmo, de autoconfiança. Então, a gente vai deixando de lado o que é nossa essência para poder agradar o outro. Em televisão, não sei você, mas a gente é avaliado o tempo todo. Quem não? Quando eu comecei em televisão, sabe qual que foi a posição que me colocaram? Tipo, se você não quiser, tem um monte de gente querendo. Por isso que eu aceitei ganhar 136 reais com o ônibus. Mas assim, ok, aquilo foi importante pra mim hoje. Mas você acha que aquilo também não teve um reflexo na minha vida? São escolhas que a gente faz. E eu não vou ficar sofrendo por essa escolha. Mas eu posso, a partir dessa descoberta, tornar isso algo pra minha vida, que eu não preciso repetir. A gente pode cometer outras escolhas, tendo consciência do que a gente tá fazendo. Eu só tinha 20 anos, eu não tinha muita consciência, nem experiência de vida.
Exato, exato. Agora tem.
Agora tenho.
O famoso, sabendo disso, o que você vai fazer?
É, porque a gente pode saber de tudo, né? É tão legal a gente se autoconhecer. E eu falo isso muito na minha terapia, sabe? Tá, beleza, cheguei nessa resposta. Mas o que eu vou fazer a partir disso? Porque só ter a informação... Como você recebeu um diagnóstico de diabetes? Tá, você tem diabetes. E aí, o que eu faço? O que você tá aprontando aí?
Um elemento que sempre trago aqui em alguns contextos. Hoje você já sabe quem é o Tom Bueno?
Acho que estou me descobrindo cada dia mais. Eu tento me encontrar, mas eu sei quem sou eu.
Na hora que você olha para essa imagem, o que você sente?
Eu sou um cara livre, que tenta cada dia mais voar pra chegar em lugares onde pessoas estão precisando de ajuda, do básico pra mim. Coisa básica, tá? Eu tô dizendo básico, porque todo dia eu falo isso. Sabe o alfabeto? A gente, pra saber ler, a gente tem que aprender casaletra. E tem gente recebendo diagnóstico de diabetes, de outro problema de saúde mental o tempo todo. E para essas pessoas aprenderem a lidar com isso, elas precisam saber o básico e ir aprendendo todos os dias. E às vezes precisa o A... Às vezes não, sempre, né? O A, B, C dálio inteiro.
Repetição.
Para ela começar a entender como lidar. Eu demorei cinco anos para poder aprender.
Eu com o Bernalte foram quatro.
A gente já tá nisso. A gente é meio...
A gente tá um bueno irmão gêmeo, então encerrando aqui o interioriza. Meu querido, você trouxe milhares de informações fantásticas. Pra quem quer seguir te acompanhando, quais são os canais?
Bom, pelo Instagram, arroba 1 diabético. No YouTube, a gente tem youtube.com barra 1 diabético. É o maior canal de informação em diabetes da América Latina hoje.
Uau.
A gente tem lives toda semana com os maiores especialistas em diabetes. Eu falo isso com muito orgulho, sabe por quê? Porque eu acho que é permitir acesso, acesso à informação, porque isso transforma a vida dessas pessoas. E a gente também tem o portal de notícias, com notícias todos os dias relacionadas ao diabetes e tudo que envolve o diabetes. Então, todas as doenças associadas, mas numa pegada mais de prevenção e de ajuda. A gente trabalha com educação. Então, a gente tenta trazer o que é novidade, tudo que envolve o diabetes e essas outras doenças, a gente traz lá ondiabetico.com.br.
Pronto. Então, sabendo disso, o que você vai fazer? Me veio agora aquela música, você falou, se você está reprimindo algo, isso vai ter consequências. Tinha uma música que é alguma coisa, não se reprima, não se reprima, me veio essa.
Era os Menudos, não era?
Menudos, me lembro.
Era Menudos, não era?
Menudos? Pronto, aqui, o ponto. Vê aqui o ponto, a resposta. Então, não reprima nenhum sentimento. Busque na origem o que está latejando, o que está fazendo mal para você. Cedo ou tarde, pode vir um diagnóstico. E mais um episódio, a gente encerra falando de autoconhecimento. Você nos ajudou, me ajudou a me conhecer melhor. Tom, muito obrigada. Te desejo muita saúde.
Eu que agradeço. E eu acho que, assim, esse autocuidado que a gente tem significa amor próprio.
Exato.
Quando a gente entende isso, as coisas mudam. Porque, às vezes, a gente fala autocuidado e parece algo muito complexo, né?
É simples.
É simples, é. Na verdade, saber quem a gente é, e fazer de acordo com os nossos valores e aquilo que a gente acredita. Se a gente for fazer tudo para agradar os outros, a gente nunca vai ser a gente. Então, é esse o grande desafio. E ainda com rede social, hoje em dia, a gente tem que usá-las de uma forma inteligente, porque a gente não vai agradar todo mundo. E está tudo bem, não precisamos agradar todo mundo. E eu costumo dizer assim, para quem tem diabetes, boas glicemias.
Boas glicemias pra você. Tchim, tchim.
Vamos lá, interioriza.
A vida.
A vida.
Obrigada, Antônio.
Obrigado pelo convite.
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