Dizer não é libertador e necessário! com Mariana Hein no InteriorIza
4 Feb 2025 · 49 min
Mariana Hein talks about burnout, saying no, and finding herself again. She discusses acting, spiritual growth, and why refusing things matters more than people think.
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Bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza. A partir de agora, ideias que já passaram do tempo da gente interiorizar. Antes de apresentar aqui a minha convidada, eu quero trazer uma frase pra você, pra que você pense junto conosco. Quanto mais você se cura, menos você tolera. Quanto mais você se cura, menos você tolera. A nossa convidada de hoje, gostaria que você olhasse pra ela aqui. a Mariana Rai. Bem-vinda.
Obrigada, Isabela.
Eu pedi pra que todos te olhem, porque o seu rosto é ultrafamiliar, né? Parece que a gente já se conhece, né? É amiga. Mas, não, a gente estudou junto?
Não!
Eu fazia aquela novela. Não, eu participei de tal coisa. Você é atriz. Mas hoje, em 2025, 2025, quem é a Mariana Rai?
A Mariana Rain é filha da Ana Maria do Jurassic.
Isso não muda.
Isso não muda. Sou filha sozinha ali, porque minha mãe perdeu um bebê antes de mim, mas tenho meus primos, nossa família. Sou mãe de planta. Que delícia. Adoro, tenho minhas plantas, eu tenho umas quatro árvores pequenas em casa e tal. E sou uma curiosa. Uma curiosa do ser humano, uma curiosa do universo. Desde pequena, sempre eu olhava pras coisas e perguntava, mas por que isso? E o que é aquilo? E uma conexão muito grande com a natureza também. Então, eu sou o meu estado do que eu estou no momento. Então, eu sou uma pessoa, hoje, calma, divertida, alegre. Porque eu não era assim, né? Eu trabalhei muito, tive muita disciplina pra me transformar nessa pessoa que eu sou hoje. Então, o que eu entendo é... Quando você me pergunta quem eu sou, diz respeito ao estado interno que eu me sinto. Então, eu me sinto em paz comigo mesma. em comunhão com as pessoas, e eu adoro trocar ideias, adoro falar, então é... sou uma comunicadora.
Maravilhosa. Agora, você, sendo comunicadora, Nata, quando você fala, uma curiosidade, você não foi para o jornalismo? Não.
Não, porque tem coisas que eu não quero falar.
Viu? Alô? Aqui, alô, atenção. Atenção. Aqui, estudante de jornalismo, presta bem atenção. Eu, aos meus 43 anos, eu vou dizer. Presta atenção no que a doutora Mariana vai falar. Porque se você é uma comunicadora, se você nasce com esse dom da comunicação, não necessariamente você precisa ser jornalista.
Não.
Eu mesmo só descobri a minha missão, dentro da minha profissão, depois da minha situação. Vamos lá. Mas você, então, não foi para o jornalismo, você foi para o artístico.
É, eu sempre quis ser atriz, nesse sentido, porque era onde eu me identificava, sempre fui muito exibida, adorava cantar, dançar. Colocava os discos, assim, no sofá da sala, as bonecas lá, ficava cantando pra eles. Disco de quem que você colocava? Ai, era da Madonna, Michael Jackson, dos Beatles.
Essas eram as suas referências.
Trem da Alegria, aquela galera boa, assim, dos anos 80, né? Pegava a escova de cabelo, aquela escova de cabelo pra fazer o rolinho, né? E ficava lá dançando, fazia balé, fazia jazz. Eu tinha, o quê? Os meus cinco, seis anos, né? Até os dez, assim. E eu gostava muito disso. Aí a gente fazia novela com as Barbies e as minhas amigas. A gente ficava inventando lá videoclipe das musiquinhas. Eu gostava muito daquilo, mas eu não tinha noção de que eu podia fazer isso. Então eu gostava muito, por exemplo, até hoje, desde criança, você vai no supermercado, aí tem alguém dando uma degustação. E eu, né, faminta, quero experimentar tudo. Me dá isso aí, eu comia. De repente, começava a juntar gente em volta. Olhava pra mim, eu comendo, e começava a comprar as coisas. Entendeu? Então, até hoje é assim. Eu posso estar sozinha na gôndola, no supermercado. Vou lá tomar um café. Aí eu começo a conversar com a pessoa. Eu falo, nossa, que bom mesmo, né? Porque, de repente, quando eu olho, tá cheio de gente. Minha mulher começa a vender um monte de coisa. Aquelas pastinhas de baba ganoushe, não sei o quê.
Ixi!
Eu olho e brinco assim, quantos de desconto que eu vou levar, né? E ainda me reconhecem, ainda tenho que quase tirar foto, né? Dar autógrafo, essas coisas. Então, assim, quando eu vi, eu tava indo pra publicidade, porque eu achava muito legal.
Você foi um rosto que, com muita frequência, tava na televisão.
Sim, já tive cinco campanhas ao mesmo tempo.
Cinco campanhas ao mesmo tempo. A televisão, gente, pra quem nasceu já com o telefone, era... A única forma da gente reconhecer os artistas.
Era.
Ou o teatro.
Ou o teatro.
O rosto.
O cinema não tinha muito, né? No Brasil, aquela época. Tem épocas, né?
Fases. Sim, sim.
Mas não é que não tinha. A produção era menor, então a gente não conseguia transitar tanto assim. Mas eu adorava fazer publicidade. Eu fiz mais de 300 campanhas. Pra mim, não tinha esse problema. Eu comecei como figuração e eu ficava lá olhando. Era um dinheirinho que caía, né? E eu ficava lá olhando e falava, aí eu faria diferente. Por que a pessoa não faz o que o diretor tá me mandando? Aí um dia eu perguntei pra produtora lá da figuração. Falei assim, desculpa perguntar, tal, mas por que ela não faz o que o diretor tá falando? Ela falou, também não sei mais. Também não sei. E aí, vinha o meu interesse e começavam a me explicar. E começavam a me botar mais na frente. Até o dia que eu ganhei um close e saí de figuração pra coadjuvante e do coadjuvante pra principal. Então, você... Fui conquistando aquilo. Fui entendendo como é que era a brincadeira, né? Desse posicionamento.
Figuração, coadjuvante e principal. Eu não tinha me dado conta dessas três etapas. Figuração, coadjuvante e principal. Tá. Aí você era só figurante. Eu também já fiz muita figuração.
É muito legal.
Muita figuração, aí você foi papel de coadjuvante, e aí quando você chega no papel de principal... Acontece o quê?
Você não pode mais fazer figuração, né? Você perde aquele seu dinheirinho. Você tem que começar a trabalhar muito mais pra conseguir mais papéis de coadjuvante e protagonista. Porque se você faz figuração, não te valorizam. Ah, não, ela faz figuração. Mas ela é principal ou ela é coadjuvante? Ou ela é figuração? Então aí começa outra batalha, outro dilema. Então, tipo, aquele dinheiro que eu tirava, sei lá, dois mil, três mil reais por mês, isso lá em 98, 99, Nossa, eu vivia super bem.
Era muito dinheiro.
Era, porque você fazia 50, 100 reais. Quando era de madrugada, dava 150.
Que era o dobro.
Que era o dobro. Então, assim, dava pra fazer bastante coisa. Eu dava aula de inglês. E aí, ia testando, né, as coisas. Mas depois que você vai pra protagonista… Aí, assim, eu não tinha, Isabela, aquele negócio de competição. Eu nunca tive. Eu fazia porque eu achava muito legal. E eu queria cada vez mais trabalhar com quem eu admirava. É óbvio que eu ficava tremendo, às vezes, né. A minha primeira coisa na televisão que eu fiz foi com a Marília Peira. Imagina, eu tremi, assim. Minha primeira entrevista no video show foi o Tony Ramos. Eu olhava e falava assim… Quem sou eu, né? Calma, menina, calma. Vamos conversar um pouquinho". Aí já começava a contar piada, já ia. Então assim, eu sempre fui muito cara de pau, e eu gostava das coisas. Eu fui vendo depois as outras pessoas que ficavam puxando o meu tapete, que começavam a fazer a minha... caveira assim, né? Falei, mas como assim? Por que, né? Tá, a gente tá disputando esse papel, mas não precisa. A gente tinha um grupinho que ia nos testes de publicidade, a hora que a gente chegava, as quatro, a povo olhava assim, falava assim, ai, danou, uma das quatro vai pegar. E era bem isso mesmo.
É mesmo.
A gente sabia. Às vezes eu ia no teste, eu falava assim pra minha amiga. Ju, é você que vai pegar isso aí. Eu tô indo só pelo Cacheteste e pela balada teste, que a gente encontrava todo mundo. Imagina, 20 anos, você encontrava só aquele cara gato, assim. Teste de colgate, teste de, sei lá, refrigerante que tinha beijo. Você ficava, ai, meu Deus! Né? Aqueles, todos aqueles modelos maravilhosos, você falava, meu Deus do céu, quando que eu ia ter chance de ver... Ainda tô.
Ganhando pra estar aqui, né?
Os homens desses, né?
Quantos anos você tinha nessa época?
Ah, entre 18 e 20, que eu entrei na Globo com 20 anos.
Tá. Quando você entra na Globo, você já era coadjuvante?
Não, já era protagonista.
Já era protagonista. Quando você chega na Globo, você já era protagonista. Já.
Em 99, eu fiquei com cinco filmes no ar. Então eu peguei um atrás do outro. E o legal era que quanto mais você fazia publicidade, mais o seu valor subia. Porque eu vendo. Então, a minha nota... Tem uma nota que as pessoas têm, né? Os apresentadores. Todo mundo tem aquela nota de quanto cada um vende. Então, a minha nota era alta. Então, eu peguei. Eu tava com um comercial da Aspirina, Banco Real. Era o outro Embratel, que tinha os DDDs lá, que virava DDI. Então, era esse e esse. E era assim, tipo... Imagina, o fim de semana. Carnaval, Fórmula 1. Então, o Banco Real patrocinava a Fórmula 1 e a Embratel também.
A Mari tava lá.
E o resto, quem... a Aspirina bancava o Carnaval. Então, entrava, assim, era um atrás do outro. Eu juro pra você, teve um dia que até minha família falou assim, que porra é essa, né? Desculpa, falei palavrão. Mas como assim? Tipo, um atrás do outro. E todo o comercial da Fórmula 1, essas coisas.
Tipo, você agora virou sócia da TV?
Pois é. E eles gostavam disso, então foi muito legal.
Entendi.
Por causa disso também que eu comecei a fazer os testes na Globo.
Legal.
Então já era esse lugar. Então, quando eu entro lá, fiz vários testes, até pra malhação. E não deu certo. Falei, vai, quer saber? Se dane, vou ficar fazendo teatro aqui. Gosto das minhas publicidades e não quero mais ficar nessa coisa.
Você fazia teatro e publicidade. É.
E testes, né? Pra outras coisas também. Aí me convidaram pra fazer um teste pro piloto do Garotas do Programa, que era a direção de José Lovini, que era um humorístico. E eles tinham as atrizes principais e queriam lançar uma novata. Aí eu achei que era piada, né? Com a minha cara, né? Falei assim, cara, eu não consegui pegar a malhação e eu vou entrar num programa com a Marília Pera, com a Zezé Polessa, com a Beth Goffman, né? A Drica Moraes, a Camila Pitanga. Eu. Eu tenho cara de palhaça.
Olha a síndrome da impostora aí, né? Olha a impostora chegando.
É, mas é porque eu já tinha passado num negócio lá do teste da malhação também, que tava assim, olha, se eu te ligar em meia hora, você tem que vir amanhã pro Rio, tá? Acho que eu passei tanto nervoso nesse dia, que eu falei, cara, agora vocês não me quiseram pra malhação, vocês vão me querer pra trabalhar com a Marília Pereira? Eu tenho cara de idiota, né?
O que você fez? Pra gerenciar... O que você fez pra gerenciar essa ansiedade?
Eu saí com a minha amiga, a gente foi tomar um chão. que eu fazia naquela época.
Não fazia, tipo, ginástica, ia pro mar?
Não, imagina. Isso daí, eu tava esperando pra ir pra... Era meu rodízio, eu tava sentada lá.
Vida real, viu, gente?
Era rodízio. A gente parava na padaria pra esperar dar o horário do rodízio pra poder ir pro teatro. Isso foi numa sexta-feira, esse negócio da malhação. Então, eu tava esperando pra ir realmente trabalhar. Agora, o do Garotas do Programa tava na casa da minha amiga, mas eu fiquei muito brava, eu xinguei muito. Minha amiga falava, que maravilhoso! Eu falava, eu sei, mas eu tenho cara de palhaça, Fabiana! Olha pra minha cara! Até aparece! Aí, eu tava esbravejando, ela, calma, toma, senta, toma uma água aqui. Eu não quero, eu só quero... Aí, liga, era a assistente de direção, Isabela Sequin, maravilhosa, do Zé Lavigne, falando. Mari, então, a gente viu aqui o seu videobook, que é aquela... A gente gostou, a gente quer que você venha pro Rio. Você vem? Aí eu… Quando? Ah, tal dia. Aí eu… Ih, tal dia eu não posso, eu tenho uma gravação. Eu ia gravar um comercial da Bic. Aí eu… Mas eu vou gravar o comercial agora, não sei o quê! Aí ela… Não, não, não. Quarta-feira você pode? Aí eu fiz, quarta-feira eu posso. Porque primeiro eu ia pra lá, era na semana, né, pra conversar com o Zé, enfim. E aí deu tudo certo, então eu já estreei ali na… Realizando um sonho também, era bem gostoso. Podia me jogar, era um… Era o figurino do Cláudio Tovaro, então a gente se empequetava toda, né? E era aquele saltão. Nós éramos todas drags ali. Era muito legal. Ele vestia a gente bem exagerado. Era uma coisa muito fora do tempo. Foi... Aprendi muito, muito mesmo. E pude trabalhar com atrizes que eu amo, assim. Então, pra mim, voltando, né, naquela questão, eu sempre achei muito maravilhoso. Eu sempre quis, assim, eu quero trabalhar com esse diretor, eu quero trabalhar com esses atores, com essas atrizes. Nunca tive esse negócio de competição, ó, sou eu ou ela.
Exato, exato. Bom, por falar em dilemas, eu fico aqui no dilema. Aviso ou não que a Mari tá com uma sensibilidade no ouvido, com uma lágrima aqui. Fica à vontade, tá?
Com a lágrima?
Sim. Eu sempre vou te deixar o máximo confortável.
Ah não, é normal. Isso daqui, eu tenho sensibilidade à luz. E aí, eu fico chorando de emoção, entendeu, gente? Aí dá esse brilho no olhar, é uma lágrima!
Excepcional. Eu tô te ouvindo, eu tô me vendo. me vendo. A diferença é que eu fui para o jornalismo. E eu me lembro de pessoas dizendo, ah, mas tal lugar é muito competitivo, tal lugar... Eu nem entendi o que eles estavam falando.
Eu também não.
Eu não entendia o que é que estava em jogo. Porque é a mesma coisa, pra mim, o fazer era tão extraordinário. Somar, fazer, contribuir, era... imagina! Mas, até fazendo o que a gente ama, a gente adoece. Você teve um episódio de burnout quando não se falava de burnout.
Sim.
2011.
Sim. Foi ficar sabendo só... Foi cair a ficha mesmo pra mim, acho que ano passado, conversando assim com as pessoas e tal. Mas eu tava fazendo um trabalho de pesquisa profundo aqui em São Paulo com o Grupo Tapa. que eu participava do grupo de estudos, né? Fiquei 10 anos com eles. Então, assim, eu ia pro Rio, gravava, voltava, voltava pra estudar. Nunca parei. A gente tá sempre ali, né? Se atualizando. E azeitando as articulações, né? Porque a gente precisa estar em movimento. Pesquisando e tal. E tava fazendo um trabalho com os autores americanos. Então a gente tava traduzindo as peças curtas do Tennessee Williams, a gente fez... Publicamos essas peças curtas também. E aí, eu tava contratada da Record na época. E me chamaram pra fazer uma novela. E aí, eu não podia dizer não. Porque eu tava ali, eu tinha feito uma novela que tinha sido super sucesso, que foi Chamas da Vida. tipo, levou o meu patamar mais assim, mas falei, nossa, que legal, né, essa oportunidade e tal. Então, me chamaram. É, que bom, vou fazer novela, vou ficar aplicada, vou ganhar um pouquinho a mais, mas tudo bem. Mas eu não queria deixar de fazer o que eu tava fazendo, porque tava sendo uma coisa muito maravilhosa pra mim, né? E aí começou esse conflito interno. Então, toda vez que eu tinha que ir pro Rio, eu ficava naquela coisa. Então, imagina, nove meses. Essa novela, ela demorou um ano. Quase um ano e três meses, Ribeirão do Tempo. E teve um problema com um personagem que fazia o meu filho. Eu não sei o que aconteceu. A história não aconteceu como tinha que acontecer. Foi pra um outro lado. E eu via que eu tava perdendo as coisas em São Paulo também, né? Então aquilo começou a ficar muito difícil pra mim. E eu entrava em pânico quando tocava o Nextel, fazia... Até um dia que eu falava, cara, eu preciso não gravar essa semana, porque eu preciso estar em São Paulo esse dia, e eu ficava lá rezando pra eles, tipo, não bater data, sabe? E aí, a hora que dava, na beirada, assim, do tempo, tocava o Nextel, eu tive um ataque. Eu comecei a gritar, não, não. Meu namorado, na época, entrou num quarto e falou assim, o que tá acontecendo? Eu não quero ir, eu não quero ir. Fala com eles, fala que eu não posso ir. Ele ficou me olhando, tipo, passado. Ele falou assim, calma, tal. Mas isso daí, depois eu caí em mim e falei assim, caraca. Olha como eu tô." Aí eu falei, olha como eu tô, olha o que aconteceu, né? Mas por que você tá assim? Aí eu expliquei, eu não quero ir por causa disso. Olha aqui, olha o bloco, olha o que eu tô indo pra lá gravar. E vou perder esse outro aqui. Aí conversamos tudo, mas foi muito difícil pra mim. Então, daí foi uma coisa que eu desenvolvi. Eu travei o pescoço e a lombar ao mesmo tempo. Quase rompi o tendão do ombro, então deu bursite. Aí eu ficava assim, com a pescoceira.
Era a vida te dizendo o quê?
A vida me dizendo que eu precisava parar e olhar pra mim. Pra mim, Mariana. Eu tava me doando demais, buscando muito reconhecimento, buscando muita aceitação. Mas quem tinha que se aceitar era eu. Eu tinha que aceitar como eu sou.
As escolhas que você tinha feita.
É. Porque o primeiro desafio, né, do ator, da atriz, é você lidar com a sua imagem. Então, e o desafio do ser humano também. A partir desse lugar aqui é o que comunica, a gente chega, nosso cartão de visita, nosso corpo, nossa roupa, tudo. Então, eu era totalmente diferente. não tinha tantos ruivos assim, tanto que você via os personagens que eu fazia, sempre a maioria eram vilãs, e não tinha pai, não tinha mãe. A Carol do Anjo e a Carol do Céu, ela era uma órfã, a outra mãe nunca aparecia. Então assim, tipo, hoje não. Mas lá naquela época, tinha eu, tinha mais umas outras duas atrizes só. Eu entrava meio junto com as loiras um pouco, mas meu cabelo era mais ruivo, né? Há 10 anos atrás. Então, assim, não tinha. Eu era a minoria da minoria da minoria. Quando queriam, falavam assim, você é muito exótica. Eu não sabia se isso era um elogio, se era bom. Ela não é bonita, ela é exótica. Eu falei, o que é ser exótica? Eu me sentia um lagarto.
Eu vivi essa época também, em que eu também já ouvi. É uma beleza exótica.
Eu me sentia um lagarto, sabe? E eu sou bem camaleoa mesmo. Se você me pôr uma peruca, você não me reconhece. Tem gente que me conheceu de cabelo preso, que me vê de cabelo solto e me fala prazer. que me reconhece pela voz.
O quanto dos papéis que você interpretou e interpreta impacta o seu estado emocional?
Então, essa foi a grande questão. Porque de 2011, né, quando eu tive esse burnout, eu terminei o contrato com a Record. Porque eu falei, não, eu preciso... Espairecer, preciso de um tempo, tal. Quero voltar a fazer outras coisas. Tava começando a abrir essa coisa do canal a cabo. Eu tava com os outros projetos, com os amigos, da gente fazer umas séries, tal. Então eu falei assim, quer saber? Vamos por aqui um pouquinho. Aí eu me separei. Aí caiu a minha casa toda, né? Porque eu achava que eu ia casar com essa pessoa, que eu ia viver pro resto da minha vida. Então, tudo que eu acreditava foi por água abaixo. Então, foi uma coisa do tipo, assim, aí eu fiquei sem chão mesmo. Falei, peraí. Então, o que eu imaginava ser de trabalho não é. O que... A vida, o relacionamento também não, quem sou eu? O que que é essa vida?
Quantos anos você tinha?
Eu tava com 33.
33. A pergunta, quem sou eu? É. Tá.
Tem gente... Ou a vida é isso, né? A vida é isso? Viver é isso? Não, não pode ser. Porque é sempre assim, você vai lá, se quebra, pega os caquinhos e se remonta. Aí você acha que vai dar tudo certo de novo, vem outra coisa, puxa o teu tapete e vai. Aí foi onde teve essa... Essa grande questão, mesmo que foi em 2014, eu tinha voltado para Globo, aí deu uma questão muito feia no trabalho, botaram a culpa em mim de uma coisa que eu não tinha. Não tive culpa, mas caiu em cima de mim, né, na outra ponta lá. Porque eu também era aquela sempre que tava buscando ajudar e vamos lá. E eu me meti num negócio que já tava zoado lá pra trás. Ao mesmo tempo, eu tava me recuperando, né, dessas questões financeiras. Então, o banco também veio... Caí num golpe do banco também.
Financeiro, emocional, profissional.
E foi aí que eu perguntei, tava sem ninguém também. Eu perguntei, falei assim, Deus, viver é isso? Não pode ser. Ou tem que ter uma outra forma de viver, ou não vale a pena. E aí, foi quando eu comecei essa caminhada espiritual. Então, tudo que eu já tinha feito de análise, terapia, buscado em todas as religiões, eu nunca tinha encontrado. E quando eu cheguei na espiritualidade, eu encontrei. Eu fui praquele lugar do vazio, do… É aqui, pronto, chegou. Isso existe. Então, aí me deu esse fôlego pra ir atrás. Então, conforme foi passando, isso de 2014. Quando chegou em 2017, que eu conheci a minha mestra, a Shiripur Tadi. Todos os conteúdos que ela me passou… Que ela passou, era um curso que chamava Be Limitless, né. Seja ilimitado. Então… Tudo que ela falava tinha a ver com o que eu já sabia, com o que eu já acreditava lá atrás. Não era assim, tipo, ó, isso daqui é assim agora pra você viver, tem que ser desse jeito. Não, é uma relembrança.
É um convite daquilo que você já sabe que tem que fazer.
Da sua própria natureza. Então, chegou um momento em que eu estava em uma dessas imersões, que era bem um dia que era a palavra sobre filhos e tal. E quem não tem filho joga nos projetos, né? Então, eu estava com essa questão com a minha carreira, porque eu falava, cara, eu não conseguia mais interpretar os personagens. Porque eu tava lá, empenhada a acabar com as minhas dores. Mas só chegava pra personagem mal caráter, personagem que tinha inveja do outro. Aqueles conflitos absurdos que, tipo, já tinha interpretado há 10 anos atrás. E eles continuavam com a mesma coisa. Parecia que não tinha uma criatividade pra mudar nem o nome da personagem. Sabe? As coisas assim. Enfim. Aí… Eu falava, cara, não consigo mais. E aí, eu fui pro yoga, começaram a me chamar pra dar aula de yoga. Eu vi que eu tava indo pra esse lugar. E aí, eu comecei a dar aula de meditação. Um pouquinho ali que eu conhecia. Tanto que no FOA, eu tava dando a yoga, fazia mestre de cerimônias. Então, eu tava me colocando ali também nesse lugar que... Entendi. Que eu conseguia fazer como comunicadora. E aí, ali, eu tive uma visão num desses... dessas imersões. E eu me vi uma zumbi. Uma zumbi, assim, babando mesmo. Sabe aquela zumbilândia? Exatamente aquilo lá. Então eu vi que eu era aquilo. Eu olhava assim, eu não tinha... Não tinha carne, nada.
Em um dos palcos que você tava?
Não, eu tava na imersão, sentada lá, fazendo o processo, né. E aí eu falei, o que eu faço da minha vida, com a minha carreira agora? Que eu não consigo mais atuar, falei, né. E aí, eu vi isso aí. Eu me vi de frente pra um espelho. E aí, eu vi a minha imagem assim. E de repente, a minha imagem ia começando a ficar zumbi, assim, ó. Aí ia começar a aparecer outros atores famosos. Aí eu tive outras… Outras revelações que eu tô colocando no meu livro, isso, né? Porque são coisas que não dá pra falar. O pessoal tem que ler, ou então tem que ser num ambiente... Quando a gente tá junto, assim, mais fechado. Ou em algumas imersões que eu dou. Ou então, quando eu tô fazendo mentorias. Se tem uma história minha que vai ajudar a pessoa, aí eu falo. Mas não dá pra falar, assim, abertamente, né? Mas dali, eu falei assim, cara, eu não posso mais continuar fazendo as pessoas... se manterem crenças limitantes, se eu tô gastando uma grana violenta pra eu me curar disso, desses traumas, aí que eu entrei num outro conflito, né, Isabel? Que eu fui só entender melhor depois, em 2020, quando apareceu a parte de tradução. de tradutor e intérprete. Então me levou de volta pra aquele pedaço de fazer traduções, né? Então eu consegui encontrar uma outra forma de me comunicar, sendo apresentadora também, porque aí eu comecei a trabalhar com o Sebrae, eu fui pro Futura, fui fazer o Almanac Saúde também. Que aí era uma coisa bem legal. Vou dar uma secadinha aqui. E era uma coisa bem legal, porque eu visitava as empresas, as indústrias, pra mostrar o programa pros colaboradores, de saúde e bem-estar pros colaboradores. Então, o primeiro foi em 2016, o segundo foi em 2018. Então, em 2016, a gente não podia falar tantas coisas assim. Não tinha tanta saúde mental. Não tinha nada dessas coisas, né? Mas... Era psicologia, psicólogo. A saúde mental, entrevistava o psicólogo. E outras doenças, tal. Quando chegou em 2018, o Almanac, virou a hora da mudança. Aí já era um reality show de mudança de hábitos em 21 dias. E aí, eu tava me formando em coaching. E aí, eu entrei como apresentadora e coaching dos participantes. Então, já foi um outro lugar, né? Então aquilo me mostrou também que, tipo, Mari, eu posso ser uma comunicadora, não sou jornalista, porque eu não vou querer dar notícia ruim, eu só quero dar notícia boa. Notícia ruim tem outras pessoas, elas que dêem, sabe? Tem gente que vai querer notícia ruim, eu sei que existe, não é negacionismo. Não é negacionismo, mas eu prefiro não, sabe?
Sim. Estou me vendo, Mariana, é como se tivesse um espelho aqui na minha frente. Bom, eu poderia levar aqui a nossa conversa para vários lugares, mas os nossos 30 minutos já foram. É impressionante como o tempo passa rápido, gente. Olha, esta mesa hoje está demais. Quando você fala... Então, o papel que você interpreta, sim, pode ter impacto na sua vida, especialmente se a sua saúde mental não estiver... em dia?
Sim, porque sempre que a gente vai atrás das coisas, a gente quer ter realização pessoal, né? Só que a partir de que lugar que você vai atrás disso? Eu quero provar pros outros? Eu quero ter mais dinheiro por causa disso? Então, a gente vai a partir do medo, a gente vai a partir da insegurança atrás de realizar os nossos desejos. Então, você só gera mais essa coisa, né? Agora, assim, o que eu percebi? E é o que eu trago pra parte do que eu faço hoje, né? Por que que eu comecei a falar da comunicação? Por que que a comunicação pra mim é a chave? Porque justamente é esse lugar, porque a vida é relacionamento, relacionamento é se comunicar. Tudo comunica. A gente fica muito preso em relacionamento. E não sabe se falar. Não sabe demonstrar o que você tá sentindo. Tudo a discussão sempre cai numa coisa de posicionamento, de disputa pra ver quem tá certo.
De novo a competição.
De novo a competição. Então assim, eu tava vendo até umas aulas de uma pessoa que ela também é professora de oratória. E ela tava falando assim, olha, esse jeito aqui é mais maldoso. Eu olhei assim, só porque ela tava ensinando como você rebater quando uma pessoa te desmente. Eu olhei assim, como assim? Você é mais maldoso? E é a mesma coisa assim, a pessoa quer te desmentir, mas você não acha que isso daqui podia ser diferente? Você dá razão primeiro pra pessoa e depois você fala outra coisa, né? Em vez de ela falar assim, isso daqui você vai ser mais educada e elegante. Ah, se você usar essa palavra aqui, você vai ser mais maldosa. Eu parei, eu olhei. Aí eu falei assim, obrigada Deus, porque todas as vezes... Agora eu entendo por que eu tenho que ficar falando realmente assim. Eu não preciso ficar ensinando técnica pra você? Como é que você vai argumentar? Como é que você vai se posicionar? Se eu te ajudar a ficar bem, a fazer as pazes com você e sentar aqui e não ter medo do que eu for falar, não ter medo de pergunta, não ter medo de me olhar no espelho e falar, hoje não tô gostando, tô chorando demais, ou então essa cor não tá me valorizando, vou mudar. Sim, levar e fazer uma tempestade no copo d'água e viver, aproveitar as coisas, tá ótimo, sabe? Não quero ser a melhor, maior do mundo.
Você sabia que isso é saúde mental?
Lógico!
Saúde mental é a capacidade para lidar com os altos e baixos e imprevistos todos os dias.
Sim.
Tendo cada vez mais consciência das consequências do que a gente faz ou deixa de fazer. E é curioso que quando você fala, aos 33, você se perguntou quem sou eu. Eu também, já me perguntei, e eu brincava dizendo, ah, é uma crise existencial. E eu fazia piada disso. E aí hoje, eu olho pra trás e eu vejo, do que que a gente faz piada? Então a gente faz piada das nossas crises, a gente faz piada das nossas dores, a gente faz piada dos nossos comportamentos, como se algum agente externo viesse nos salvar. E não vai. No início do programa, eu trouxe a frase, quanto mais você se cura, menos você tolera. Hoje, você consegue dizer mais não para abusos, para coisas que antes você até tolerava, você estava nessa construção da persona. Hoje, você mais curada, consegue tolerar menos ou mais coisas.
Então, não é que eu tolero, eu não tenho opinião. Você não precisa ter opinião de tudo. É esse negócio que a mente quer entender, a mente quer ter opinião. E tolerar é você ficar naquela... É como se você estivesse no meio do cabo de guerra. A equanimidade é o caminho do meio. Mas eu olho e falo assim, mil cairão aqui ao meu lado, mais mil cairão para o meu outro lado e eu não vou me abalar. Esse que é o lugar. Sabe? E não é uma tolerância. Eu acho que a gente tem que entender e aceitar. É uma questão de aceitação. A pluralidade de Deus, das coisas todas, né? O que seria dessa planta se a outra não existisse também? Eu gosto de olhar pro mato. E ver aquele monte de plantas, tudo assim. Você olha e fala, mas como é que elas conseguiram fazer essa harmonia maravilhosa? Uma não combina com a outra. Fala pra Deus, então, que, né? Aí nasce uma bromélia alenzina, me cai um outro. E aquilo te traz uma paz? Então, assim... Como é que é a pergunta hoje?
Quanto mais você se cura, menos você tolera.
Acho que quanto mais você se cura, mais em paz com você mesmo, com os outros e com o universo você está. Eu tenho muita... Eu sou muito abençoada de ter encontrado Esses mestres, sabe? Porque... E todos os outros, né? A Pritadinho, o Cristina Di, são os que eu sigo, porque eu acabo também servindo pra eles, fazendo as traduções dos cursos, eu levo as pessoas pra Índia, tudo, né? Então, assim... E eles me ajudaram a eu me reconectar comigo mesma, a gostar de mim. Então, hoje, a comunicação que eu ensino, que eu posso e que eu quero fazer... Eu não quero mais ser uma personagem.
Sim.
Eu quero ser uma personagem se eu quiser entrar ali ou não. Então é muito legal, porque dentro das coisas que eu trago, e eu adoro isso, antes eu estudava como criar pessoas a partir de técnicas de construção de personagens. Quando você vai pra meditação e você vai se conhecer quem sou eu, você tem que soltar tudo. Você vai se despindo de tudo. Você vai deixando fora. Não é que você nunca mais vai ser aquilo. Mas você precisa entender, primeiro, o que são as outras coisas pra saber quem é você e em que lugar que eu me encaixo. Então, aqui, eu venho a Mariana, que é a influencer, que é a figura pública. A hora que eu tô na minha casa de pijama, eu sou a mesma Mariana, mas eu sou a Mariana de pijama.
Perfeito. A questão é quando eu me coloco para a situação e não que eu estou obrigada à situação. Então, se eu tiver que interpretar um personagem, eu tenho consciência, tempo e ninguém vai me obrigando.
Uma das coisas que eu tive que aprender a falar não, era... Tinha muito que acontecia isso, e foi o ano passado. Ainda tenho que lidar um pouco com essa situação. Mas eu agradeço muito essa pessoa, de verdade. Porque eu aprendi a colocar limite. Eu falava, eu sou muito boazinha, né? Ah, Libriana, boazinha, tal, não sei o quê. Então chega uma hora que a Mari deixa tudo. E eu falava, não, tá bom, só pra não criar conflito. Ah, não, você quer essa carta, você quer desse lado? Fica desse lado, então eu vou sentar desse lado, não tem problema. Mas aí eu falava assim, toda vez a mesma coisa, né? Ah, vamos pedir pizza do quê? Mussarela. Ah, não, Mari, mussarela. Falei, então não me pergunta mais. Vocês sabem que eu vou falar mussarela, não me pergunta.
Você é Libra?
Eu sou.
Que dia?
24 de setembro.
Tá. Já foi. No dia que nós estamos gravando, já foi.
Já passou.
Já foi.
Mas, o que aconteceu? O que acontecia? As pessoas começavam a... Eu falava querendo organizar, ou então, tipo, resolver o conflito. Isso. Mostrar que a gente podia dar um jeito pra todo mundo se dar bem. E aí começavam a colocar palavra na minha boca e mudar toda a situação. Então, a pessoa que fez um mal pra mim, E aí, eu disse não. Aí, ela começava a fazer todo um negócio como se eu que tivesse feito mal pra ela. Aí, dessa última vez, eu falei assim... Só porque eu te disse não, você tá achando que eu tô menosprezando você? Eu simplesmente disse que não. E essa é o meu ponto. A minha resposta pra essa pergunta é não. Eu não vou mudar. E começou blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Assim, como eu disse anteriormente, é não. Então, assim, eu me senti tão empoderada nesse lugar, e eu não precisei ser agressiva, não precisei xingar, não precisei falar nada. Então, isso me deu, assim, quem tinha que tomar o meu partido era eu.
Exato.
Quem tem que me defender sou eu. Então é isso que é o bom do autoconhecimento e que traz essa saúde mental mesmo.
Eu tenho uma regra pro não, que eu sempre gosto de replicar. Quando um sim te coloca em risco, a resposta é não. Risco de que, Isabela? Ficar sem dormir, sem tomar banho, sem se alimentar, sem ter tempo para se deslocar de forma segura nos ambientes. Então, quando um sim te coloca em risco, a resposta é não. Agora, o que te coloca em risco, varia muito. Antes da gente terminar, você falou de livro. Quando sai... Já temos nome editora? Não.
Não, não. Eu tô começando a escrever esse livro porque eu percebi que... Como é que eu poderia contar essas histórias, né? Como é que elas poderiam chegar? E aí, eu como atriz, como artista, o que que eu entendi? O que que desperta mais a nossa imaginação e que leva a gente a fazer essas viagens astrais, vamos assim dizer, o livro.
Total.
Né? Então, ali eu posso... Eu sei que eu colocando o meu... A minha intenção, a minha emoção nas palavras, a pessoa que lê, ela vai ler do jeito dela, óbvio, mas vai estar ali, as imagens vão estar lá. Então, como é que você explica você voando no universo só lendo? Quando você lê, você consegue ter a sua imaginação do que é voar no universo. Então, são muitos desses processos que eu passei de cura, Com rituais e imersões e respirações, todas essas terapias. Sonhos também, hoje eu trabalho muito com sonhos também, porque é uma comunicação maravilhosa de autoconhecimento. Então, eu tô... Provavelmente, quando a gente for pro ar, eu já devo estar ali no processo. Tudo bem.
Você falou da Siri Pritta, de... Nós temos um episódio com ela aqui no Interioriza, que eu gravei em 2023. Muito especial. E eu gosto muito do trabalho que ela vem fazendo, das meditações e de tudo o que envolve a filosofia que ela tá multiplicando pelo mundo. Você falou de livro, eu vou te dar o meu, dar um tempo. Que é para quem quer fazer os pasos com o tempo. E a caneca também é sua. Qual é a mensagem da caneca?
Eu tô sem óculos, mas vamos lá, é que a letra tá grande. Eu quero, mereço, preciso de pausas voluntárias e ter um gatinho ainda.
Descansando.
Ai, gente!
Quero! Você sente que você precisa?
Eu faço isso, sabe? Isso foi uma coisa que eu coloquei pra mim, que é não adianta você estudar e não aplicar. E mesmo assim, eu falo pros meus mentorados. Pausa, respira, etc. E eu não faço. Então, assim, eu mesma faço. Só que sabe o que eu percebi também? Esse negócio do workaholic. Eu vou pra Índia, né? Então todo ano eu vou pra Índia, levo o grupo. Só que eu vou e tenho um tempinho eu pra mim. Vamos, vai ser bem legal. Aí o que eu faço a primeira vez? A primeira vez que eu tirei férias mesmo. Tô aqui 20 dias, xiquexe, nananã. A pessoa se matriculou num curso de trainer, de yoga, no primeiro dia. Não bastasse, em vez de ela fazer o curso... Eu fui lá pra fazer yoga, só conhecer as aulas. Não, ela se matricula num curso para virar professora de yoga. Não satisfeita, ela fala, bom, se eu vou fazer o curso de professora de yoga, eu quero uma massagem. Ela chega no lugar da massagem, em vez de ela perguntar, tem massagem? Ela pergunta, tem curso de massagem? Então, eu fui lá pras minhas primeiras férias pra Índia. Fiquei uns 20 dias lá em Rishikesh e me formei em professora de yoga e massagista.
Entendi.
Tia Bianga, né? E eu falava, para, Mari, tanto que agora eu consigo parar. Mas uma coisa que eu adoro fazer é entre uma coisa e outra, né? Dar uma respiradinha antes de começar. Termina também, a gente respira dentro do mindfulness. Eu sou instrutora de mindfulness também.
Pronto.
Então, isso que mudou a minha vida. E adoro também ficar cinco minutos deitada no chão em shavasana. Porque isso pro pescoço e pra lombar, você que trabalha o dia inteiro aqui, escrevendo, sentada, isso é maravilhoso.
Eu me lembro, com a professora Âmala, que eu fazia algumas aulas de yoga, e aí ela tinha uma amanecer séria que era assim, eu só vim pra shavasana. Porque é a posição que você... Fica deitado. Mari, aqui meu livro, então, pra você. Dá um tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, que significa como você vai desenvolver essa autorregulação, essa autoproteção diante de tudo que a gente tem. Mas, o que eu quero te provocar tá aqui, ó. Enfrente o estresse, sem questões, pra ajudar você a identificar as situações desgastantes e lidar com elas. Essa caixinha, eu fiz junto com a ajuda de Mari em 2021. 2021. E tem 100 questões aqui que parecem muito simples, mas que são as que provavelmente nos tiram do eixo. Então tem cinco áreas. Saúde, tem trabalho, tem família, tem amor e tem dinheiro. Então veja qual pode fazer sentido pra você e a gente finaliza com ela. Você deve gostar dessas cartinhas também.
Eu adoro, tem um monte também. Uma das coisas que vieram pra mim, muito em meditação, em processos, em retiros e tal, jogos. Eu já tenho quatro jogos. Que... Nossa, que legal esse jogo, hein?
Vamos ver. Quer que eu leia pra você?
Quais situações tiram você do sério? Por quê? E é possível evitar algumas delas? Ai, o que me tira do sério... Assim, eu nem saio mais do sério. Mas o que me tira mais do sério é quando eu vejo o ser humano totalmente desconectado da natureza. Esses últimos acontecimentos de queimadas, dessa falta de noção das pessoas falarem que não tem nada a ver com a questão do clima. Isso daí me deixa muito triste. Quando vejo alguém querendo passar a perna no outro, esses lugares de desconexão.
As.
Pessoas estarem defendendo partidos ou lados, sendo que elas nem estão ali naquele conflito e não estão vendo a dor de quem está matando e quem está sendo morto. com esse monte de criança doente, traumatizada. Que tá lá, o quê? Fazendo uma bomba maior. A minha bomba é maior do que a sua. E tem que fazer um tratado pra que ninguém destrua. Porque uma bomba desse tamanhinho, assim, já destrói o planeta inteiro. Então pra quê? Que você quer ser maior e mais bonzão do que o outro, sabe?
Que tira muito do sério isso. É possível evitar alguma delas? Você evita as notícias? Você evita saber?
Eu evito. Eu não vejo o telejornal. Tudo que tem que chegar até mim, chega. É impressionante.
Ótimo, penso da mesma maneira.
E assim, se eu voltar a ver... qualquer coisa, porque às vezes eu vejo novela, porque eu quero saber o que tá acontecendo, pra também poder trazer conteúdo pras pessoas, porque também não dá pra ficar alienada num grupo. Eu tenho que conversar com as pessoas que estão precisando também, né? Então eu escuto muitas coisas também. E eu evito jornal, eu não assisto, eu procuro ver ali o que tá escrito, melhor ler do que ouvir, do que ver algumas coisas. De vez em quando eu assisto pra ver o que tá acontecendo, mas a melhor coisa para a sua saúde mental é parar de ver notícia, porque é só notícia ruim. Não precisa. Não precisa mesmo. Você já tem muito problema na sua vida para resolver. Então, para que você vai querer problema dos outros também? Tem muito desse lugar também. Eu estava vendo outro dia que eu fico estudando inglês. Com vídeo no YouTube, né? Então eu vejo de tudo. Desde as de fofoca, pra pegar vocabulário, né?
Gírias.
Gírias tudo, né? Aí tava lá um que era... Passei assim, era... Previsões dos astros para os famosos. Pra que que eu vou deixar de viver a minha vida pra ver qual que é a previsão de um futuro pra outra pessoa? Essa pessoa faz parte da minha vida?
Não.
Então eu tô deixando de cuidar da minha vida, de ver o que que seria uma previsão pra mim. Vai fazer uma previsão pra você, vai fazer uma pastral pra você, vai jogar um tarô pra você decidir as coisas. Viajo para os Bahamas ou viajo pra não sei o que, pra sei lá, pra China. Entendeu? Joga no tarot, vai saber se o tarot não vai ver o que tá melhor pra você. Olha o seu mapa astral. Conversa com um amigo. Pegue esse tempo de cuidar da vida dos outros pra cuidar da sua vida. Você vai ser muito mais próspero, muito mais alegre. E você não vai precisar ficar... O povo adora, mas não é chato ficar falando de fofoca. Chato quem não gosta de fofoca. Amigo. Sua vida vai ser muito melhor se você parar de fazer fofoca. Uma coisa é você compartilhar. Você viu a sua amiga? Tá acontecendo tal coisa, você não quer ligar pra ela? Isso é um fato. Ou você tem uma preocupação, né? Eu tenho um amigo meu que a gente fala que ele é o pai e eu sou a mãe. A gente chega com os amigos e fala, como é que tá fulano? Você acha que tá bem? Não, tá bem, tá encaminhado. Aquele lá a gente tem que ficar mais em cima, né? A gente conversa um pouco com os nossos amigos, assim, como cuidando mesmo. Mas não é um lugar pejorativo de ficar julgando e criticando. Então, assim, isso daí já corta 50% de doenças e esse que é a tal da saúde mental, do próprio autocuidado. Você vai querer abrir a porta e a janela da sua casa pra entrar poeira, entrar sujeira? Tanto que ele vai ser assim, ah, vou soprar canela na porta. Não, amor, não precisa soprar canela na porta. Faz ali a sua intenção. Se conecta com as sincronicidades da vida. Depois você vai ficar soprando canela ali. Não é a canela que vai trazer prosperidade pra sua vida. É o seu estado interno, né?
É o que você quer plantar. Intenção com intuição.
Sucesso.
Intenção com intuição. Então pega a sua intuição, todo o seu repertório do que você já viveu, todos os seus ancestrais já viveu, mas a sua intenção atual. Muda tudo. Mari, pra gente encerrar, como é que a turma te acha?
Me acha no meu Instagram, no arroba Mari Reim. E tem o meu site também, www.marireim.com.br.
Palestras, mentorias, cursos.
Continuo trabalhando como apresentadora também, como mestre de cerimônias. Gosto bastante disso, faço bastante tradução. Sou doutora intérprete também. Mas esse lugar, se você quer uma ajuda para fazer as pazes com você, para fazer as pazes com a vida também, para aprender uma comunicação mais harmoniosa, que eu chamo de inteligente. Porque quando você se conecta com a tua intuição, e com a sua criatividade, aí você está acessando essa inteligência que permeia tudo e a todos. E aí a comunicação é inteligente, porque você é fluxo da inteligência maior.
Instrumento.
E o fluxo também, porque aí as coisas vão acontecendo. Dentro do meu site também tem todas essas coisas. Tem o Personazem, que não é personagem. Tem o Personazem, que é esse lugar de você encontrar essa persona que é o seu caminho do meio, que é o seu ponto de... Tem a chatinha, tem a louquinha, tem a jogadora, tem a que gosta de passear, tem a que gosta de dormir, mas quem está ali no microfone? É a Zeyn, a Zeyn está ali. Quem tem que falar nesse momento? Eu gosto muito desse lugar. Se eu puder contribuir para a gente ter uma comunicação melhor, Isabela, pra gente resolver conflitos. Acho que minha missão agora é nesse lugar. Se for através da tua ação, se for através de apresentar um programa, se for um podcast, como eu tô também lá no Resiliência Humana, né? Te recebo lá também. A gente vai mais meia hora lá no meu, então, agora, pra gente continuar esse papo. Porque, cara, pra gente não ver mais e evitar essas coisas ruins, pra não ter mais guerra, a gente tem que parar a guerra interna. Então, se eu puder contribuir com qualquer coisa e ajudar alguém, eu falo assim, tá, eu também posso, porque eu era o cão chupando manga. Eu era uma pessoa muito instável internamente. Eu tinha crises mesmo de pânico e estresse, que eu nem sabia que era na época, né? Mas depois, quando eu voltei pra São Paulo, do Rio, fui fazer terapia também, fui tratando várias coisas nesse sentido. Mas só a espiritualidade me trouxe um caminho de transformação. O que adianta ter todos esses livros aqui, saber todos os meus problemas? Aí eles ficam lá, sentados na minha sala, bebendo de graça, me enchendo a Paco Vá. E, amor, problema? Achou? Vai embora, que são os demônios. Achou? Vai embora, que você não vai entrar. Então, eu quero melhorar. Então, esse lugar da espiritualidade, da reconexão com Deus, com a natureza, é a chave. É a conexão. Conexão e espiritualidade.
Eu adorei. Adorei. Tenho certeza que você também gostou. Vamos lá, se você gostou assim como eu gostei, compartilha com quem você quer bem, porque assim essa mensagem pode chegar em mais pessoas. Quando você se inscreve aqui no canal, você também fica sabendo em primeira mão quem são os convidados. Toda semana um convidado ultra especial para trazer assuntos que já passaram do tempo da gente interiorizar. E aquele coraçãozinho fofo? que às vezes eu acho que não precisa lembrar, mas se você puder deixar, também contribui para que essa mensagem se multiplique. Mari, muito obrigada. Seguimos juntas, tá? Conte comigo.
Você também.
Até o próximo Iterariza.
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