É preciso atitude para se reinventar! com Rafael Cortez no Ïnterioriza #45
10 Dec 2024 · 48 min
This content was created by Izabella Camargo. This content was uploaded by GHION.AI . This is a podcast titled 'É preciso atitude para se reinventar! com Rafael Cortez no Ïnterioriza #45' created by Izabella Camargo on December 10, 2024. It features an interview with Rafael Cortez discussing his career transition from comedy to motivational speaking and writing, emphasizing the importance of attitude and reinvention in personal and professional life. The conversation touches on themes of career change, personal growth, and the impact of the pandemic on media opportunities.
Chapters
Você conheceu ele com certeza como um comediante. Posso chamar comediante? Provavelmente você conheceu ele como comediante, mas hoje você vai conhecer novamente Rafael Cortes. Bem-vindo.
Meu Deus do céu, que medo. Oi, Isabela.
Não é mais comediante, né? Já percebeu pela seriedade.
Vou lá, você que nos vê.
Rafa, você... Aliás, nós já trabalhamos juntos quando eu ficava dentro de um aquário.
É verdade.
Aquela Gloob Gloob, né? Não, não é da sua época. Eu ficava dentro de um aquário fazendo o Band News TV. Não é? Gloob Gloob, se você não sabe o que a gente tá falando, bota no Google que você vai ver um programa antigo. Bom, na época do Grupo Bandeirantes, em que eu trabalhava no Band News TV e você trabalhava em um programa chamado CQC.
Sim, sim, sim, é verdade. Estivemos juntos na Band, tínhamos salário. E era um sonho. Tínhamos crediários, honrávamos as prestações.
É mesmo?
Claro, tínhamos salários, podíamos nos comprometer com coisas a crédito.
E você acha que agora sem salário a gente não pode se comprometer com responsabilidades financeiras?
A gente passa mais percalço e sugere um certo risco para o nosso investidor, mas tá tudo bem.
De lá pra cá... você se transformou num cara muito mais legal.
Que bom!
Muito mais inteligente, interessante. E que bom que eu te conheci nesses últimos meses de 2024. E a Mariana com Y Mari, beijo! Provoca também essa conexão. Junto com isso, você me conta que vai lançar um livro, né?
Sim!
Lá, naquela época, chamado Atitude Transformador. Cara, esse cara, ele está se transformando e quer transformar a vida de outras pessoas. Então, bem-vindo!
Cara, é o melhor começo de podcast que eu já tive em todos os tempos.
Que mentira.
Você começou muito bem, porque você já foi direto ao ponto. Ou seja, essa coisa de reter a audiência nos primeiros minutos do algoritmo foi cumprida com maestria. Ao mesmo tempo que você contextualizou e também trouxe um fator clímax. Que você falou, você já foi um merda, eu já não gostei de você. Eu sei que não foi isso, mas enfim. A imagem que eu tinha de você era outra. Já deu um feedback pra pessoa que tá assistindo. Falou, vou pesquisar o que ele era. Ao mesmo tempo, contextualizou que tem uma mudança. Retém a audiência. E tá trazendo uma expectativa pra ficar até o final. Onde a gente vai ter um prêmio pra você, que nos assiste. É isso.
Mas tem presente!
Aliás, eu trouxe um presente pra você. São delícias da Glace Patisserie, que é a confeitaria. que eu tenho sociedade com a minha mulher, Marcela Calhado, uma grande confeiteira, que antes era só exclusiva do mercado de casamentos, e agora pouco, Marcela abriu sua primeira loja física.
Uau!
Marcela é uma gênia da confeitaria, falando sério.
Gênia da confeitaria. O que temos aqui dentro? Deixa eu ver.
Temos acepipes deliciosos. Eu chamo de acepipe todo doce.
Acepipes. Nossa! Em formato de coração.
Coraçãozinho.
Olha isso aqui, gente.
Esse é um coraçãozinho recheado. Aquele é um caramelo com flor de sal e doce de leite.
Ah, é doce fino.
E tem um pistache, um brigadeiro de pistache, que é o máximo.
Então são doces finos.
Doces finos, mas muito acessíveis. Apesar de finos, não são caros.
E tem aqui um wafer.
Wafer ou crocante?
Wafer ou wafer? Porque aqui tá escrito wafer. Ué, foi um crocante. Agradecer, Pati. Adorei. Obrigada, Marcela.
E a pipoquinha delicinha também.
Pipoca. Pipoca em volta do quê?
Ela é uma pipoca doce, muito gostosa, muito... Eu também não sei o que é. Entendi.
Nós vamos experimentar. Nós vamos experimentar. Eu vou deixar aqui, ó. Este programa é um oferecimento da Glace Patisserie. Ó, você que está assistindo a gente, veja só. Você sabe que aqui no Interioriza a gente sempre traz assuntos que já passaram do tempo da gente interiorizar. Assuntos que já passaram do tempo da gente assimilar. E eu não brinquei. Quando eu te conheci, eu falei, nossa, não tem nada a ver com a imagem que eu tinha criado. A gente forma muitas imagens, né, das pessoas por pequenos recordes que a gente tem.
Claro.
E me impressionou demais o quanto você é gente fina e o quanto você pode mudar o ambiente que você tá.
Pô, que bom.
Com a sua leveza, você é um cara extremamente inteligente. Então, nós temos agora 30 minutos pra você dizer aqui pra esta câmera quem é Rafael Cortez em 2024.
Uau, nossa, sério, muito obrigado por isso. Eu sou um cara que tá fazendo uma transição de carreira mesmo, assim. Isso já aconteceria naturalmente pela idade que eu tô chegando, né? Vou beirando 50, vou fazer 48 esse ano.
Uau, tá muito bem.
É, tentamos. Mas eu acho que organicamente já faria essa transição, mas eu fui obrigado a fazer a transição de carreira também por uma coisa chamada água que bate na bunda, que é um termo que todo mundo conhece. É um termo chulo, mas é fácil...
Água que bate na bunda. Vou anotar aqui pra gente se aprofundar depois.
Ótimo.
Tá.
Bom, todo mundo conhece o famoso termo água que bate na bunda, né? Isso aconteceu no meu circuito. Com a pandemia, Isabela, que é de televisão, sabe muito bem. Aconteceu um fenômeno cruel, assim, né? O afunilamento das oportunidades televisivas, porque as TVs que já não andavam bem das pernas, na pandemia, perderam muito público. pra outras formas de se conhecer conteúdo, de se consumir conteúdo. Durante a pandemia, as pessoas ficaram em casas entediadas. E se dividiram entre dois tipos de pessoas. Produtoras de conteúdo e consumidoras de conteúdo. E algumas fizeram as duas coisas ao mesmo tempo. Então, durante a pandemia surgiram podcasts, lives em TikTok, lives no Instagram. Todos os tipos de streamings possíveis e imagináveis, eles ganharam força durante a pandemia. Porque eles contaram que a gente que estava em casa sem nada pra fazer, por razões óbvias, a gente podia ter a democratização de recursos, de mídias, de informações, como não se pensava que a gente teria antes.
Que era possível. É? Tá.
E é o que aconteceu. Quando a pandemia acabou, e eu tentei voltar pra TV, que deu uma travada durante esse período, tava já mais difícil, porque as TVs estavam mais fragilizadas do que antes, porque perderam muita audiência na pandemia. E o que é pior, assim... Muita gente voltou para as TVs junto comigo, junto com você, sem necessariamente ter a história que a gente tem em televisão, né?
Tá.
Então muitos influencers, com todo o respeito a eles, mas enfim, eles passaram a disputar as mesmas vagas que a gente disputava entre nós.
Entendi.
E aí eu comecei a não ter trabalho. E eu pensei, putz, eu preciso me reinventar no meio dessa história toda. E eu comecei a pensar em que tipo de atitude eu deveria ter pra me reinventar. E a palavra foi autoexplicativa, assim. Atitude foi a palavra de reinvenção. Quando eu pensei em que tipo de atitude eu tenho pra me reinventar, eu falei, pô, peraí, a palavra atitude já diz uma série de coisas. Eu posso fazer uma palestra sobre atitude, eu posso escrever um livro sobre atitude. Eu comecei a entender que eu encontrei um lugar de fala em cima de um tema que virou um produto que... parece fazer sentido para as pessoas em 2024, especialmente no corporativo. Eu percebi, por exemplo, que na televisão aberta, que nas grandes mídias, talvez eu não faça diferença e não faço mesmo, assim, e tá tudo bem. Eu fico relativamente magoado, mas isso não tira o meu sono. Mas eu tenho um discurso e uma prática em cima do tema da atitude que é bem-vinda pro corporativo. O tipo de humor que eu faço, o tipo de speech que eu tenho, falando sobre a gente criar as nossas próprias oportunidades, ser proativo, confiar no próprio taco, ter segurança, ter domínio da comunicação. Isso dentro do corporativo, que sempre é mais engessado, faz mais sentido agora do que nas TVs, do que na internet. e eu vi que esse público precisa de mim, e eu hoje trabalho pra quem precisa de mim. Se a TV não precisa de mim, paciência. Quem sabe um dia ela volte a precisar de mim. Mas enquanto ela não precisa, o corporativo precisa de um cara disruptivo que diga que com leveza, mas ao mesmo tempo repleto de seriedade nessa leveza, com humor como gancho, como ferramenta, a gente chega nos lugares que a gente tem vontade de chegar. E foi isso. Eu sou esse cara que tá em transição de carreira, por essa dupla razão, assim, tempo e água batendo na bunda.
Tá, então humor como ferramenta, adoro. Faz todo sentido. E quando você lança um livro chamado Atitude Transformadora, nós recusamos muito a tomada de atitude. Porque dá trabalho, dá medo, nós já sabemos disso. Mas a hora que você decide agir, é impressionante como as coisas acontecem. Olha só, você age e as coisas acontecem. Assim como você não agindo, as coisas não vão acontecer. Qual foi a principal motivação? Foi financeira, foi... Até eu acho curioso quando você escolhe a caneca menos ego, mais elos, igual a eco.
Essa frase é muito poderosa, eu adorei.
É a caneca que o Rafael está usando na nossa gravação. E se você quiser também uma igual a essa, pra ter sempre esse lembrete, é só entrar aqui na descrição desse vídeo. Rafa, foi ego que fez você tipo, agora eu vou ter que me reinventar? Não, tipo, eu preciso, eu tenho conta pra pagar. O que mais te pegou naquele momento? Nós estamos falando de 2020?
2022.
2022.
Eu escolhi a do ego, porque muito do que eu penso hoje na vida tá relacionado a ego. Inclusive, se eu tiver que palestrar sobre um novo tema, assim, eu penso já em fazer uma outra palestra, possivelmente vai ser sobre ego. Ego é um elemento que tá diretamente ligado com a tal da atitude, assim. Como continuidade da minha pesquisa sobre o poder transformador de uma atitude, eu talvez falasse sobre o ego, porque Você tem que ter o ego muito bem ajustado pra você ter as atitudes que você precisa ter.
Calibrado.
Não é só no sentido de baixar a sua bola e ter a humildade de ser proativo e criar uma oportunidade pra você, já que o telefone não vai tocar. Tem isso, sim. Mas também tem gente que tem que ter atitude, porque precisa confiar mais no ego que já sabe que tem. Precisa ter essa soberba, sabe? Tem gente que no momento certo fala assim, cara, peraí, eu sou uma pessoa relevante no que eu tô fazendo aqui? Vou parar com essa síndrome do impostor, do complexo de vira-lata? E começar a bater um pouco no peito e falar assim, peraí, o que eu tenho aqui é foda. E eu vou criar um produto em cima disso. Então, esse meio termo do ego é super funcional. E eu fui acostumado com CQC a achar que eu era muito mais importante do que de fato eu sou. Inclusive, quando eu faço um retrospecto, eu vejo que as pessoas que mais me fizeram mal no processo midiático do CQC não foram os haters. Os haters, obviamente, estão aí pra te dar uma balada, pra mexer com a tua estrutura, né? Mas eu, de cara, aprendi a lidar bem com o hater. Houve um momento que eu não sabia lidar, eu entrava no embate, respondia, ia pro pau, ameaçava processar. E em um momento eu passei a ignorar os haters. Diz uma coisa que eu não gosto, ok, registrei, deletei. Se é uma coisa que eu posso crescer e melhorar a partir do feedback, beleza, agora ódio gratuito, eu deleto, bloqueio, excluo, não dou embate. Só que eu achava que eles eram o pior da operação da mídia, e o mais grave da operação da mídia são as pessoas que dizem que você é muito mais foda do que você de fato é. Na época do CQC eu tinha fã clubes, tinha vários fã clubes, tinha as Las Cortezas, as Rafa Náticas, tinham todos os tipos de fã clubes que você puder imaginar. E eram meninas, na sua grande maioria muito jovens, muito adolescentes, que naquele afã juvenil, naquela coisa dos hormônios e da histeria coletiva da adolescência, diziam coisas como, você nunca vai sair da mídia, você é o melhor, é impossível a coisa não acontecer pra você. Em algum momento aconteceu, em algum momento eu saí da mídia e eu não voltei. E não consigo voltar. Isabela, eu não consigo voltar para as TVs. E há um movimento meu de tentar voltar, mas eu não consigo voltar. Salvo como um entrevistado, uma participação aqui, ali a colar, etc. E eu lembrava dessas meninas dizendo assim, mas você é foda. Eu lembrava de pessoas que diziam, você é muito bom. Como você não volta? E aí começou a me fazer mais mal essa memória do tanto que disseram que eu era foda. do que o hater que falava que eu era um merda, sabe? Então foi preciso fazer um grande ajuste de ego, assim. E quem me ajudou muito nesse processo foi o Abujamra. O Antônio Abujamra, porque quando eu estive lá no Provocações dele, em 2011, eu dei uma entrevista pra ele, que eu fui rever em 2022. E o Abu falava uma coisa pra mim, assim, eu tava muito bombado quando fui lá. E ele, muito sábio, o velho Abu, falou, não acredita nessa história de sucesso, não. Porque sucesso e fracasso são iguais, eles são impostores. E eu lembro que naquela época eu fiquei com isso na minha cabeça, mas fez ainda mais sentido quando a intersáfra de carreira veio. Eu precisei ajustar esse ego porque realmente, assim, eu não sou tão grande quanto diziam que eu era, mas também não sou um merda que queriam dizer que eu sou, entendeu? E aí nasceu um produto passional. personalizado, que eu faço com todo o amor do meu coração e que eu falo que eu faço a diferença. Nunca fabriquei um lugar de fala na atitude. Eu fiz seis anos de CQC, que era pé na porta. E eu fui fazendo um retrospecto e eu falei, cara, tudo que eu fiz até hoje teve iniciativa. Tudo que eu fiz, todas as grandes movimentações da minha carreira nasceram de proatividade e de duvidar do não. O não pra mim é uma coisa que pode virar talvez se eu for pro lugar certo. E se eu fizer mais ações ainda, ele vira um sim. Quantas vezes disseram, não dá, cara. Isso aqui não dá. Você não chega aqui. Aqui você não pode. Ah, é? Mas tem que falar com quem? Tem que fazer o quê? Puta, tem que falar com o Fulano.
O que eu posso melhorar?
É, mas o Fulano não vai te atender. Ah, é? Alguém já tentou falar com o cara? Ninguém tem sido assim.
Tá.
É isso.
Tá. O Rafa, quando você fala eu não volto pra TV, quando você fala isso aí dói aqui, porque eu também fiquei muitos anos esperando uma proposta pra voltar pra TV, porque era o que eu conhecia, né? Até que essa proposta não veio. E é muito interessante, porque quando você está trabalhando em algum lugar e você ouve propostas de outros lugares, você pensa, bom, então quando eu não estiver nesse lugar, eu estarei nos outros. Só que aí os outros não te chamam. E aí eu entendo hoje, olhando agora pelo retrovisor, que só assim, pra gente poder sair, então, do nosso lugar, do nosso lugar de desconforto, né, que parece confortável, mas o nosso lugar de desconforto, e buscar uma coisa nova. Vai dar medo, claro que vai. Mas se não for assim também, Você consegue ter ideia do quanto você pode transformar hoje as pessoas que passam por você diferentemente do passado? Eu estive numa palestra sua. Eu vi o quanto você falava sobre a importância da comunicação e de calibrar esse ego. O que a gente precisa é calibrar o ego. pra que ele nos impulsione numa atitude transformadora e não numa atitude de rebeldia ou, como é que eu posso dizer, de reclamação. Não, isso não é atitude. Então vamos fazer diferente. Você consegue ter essa ideia já?
Não, e você falando, eu fico até meio emocionado, assim, porque eu não consigo ter muito essa dimensão, a não ser quando pessoas de fora que eu admiro E respeito, como é o seu caso, a gente é amigo e se diverte muito. A gente tá falando muitas risadas aqui com essa gravação. Mas eu, obviamente, respeito você, acho você incrível. E quando você me fala, eu sinto que a sua pergunta tem um pouco de afirmação, assim. Você tá perguntando se eu tenho essa consciência, mas você afirma que eu, de certa maneira, mudo. E aí, isso me faz pensar que, olha, tá dando certo.
Tá dando certo.
Eu sempre me imbuí de um propósito, né? Propósito é um tema muito relevante dentro da gente, na cultura de palestra, né? A gente fala muito sobre isso. E eu falo que o meu propósito na vida é fazer as coisas pela minha filha, depois que ela nasceu. Mas há um propósito anterior, que eu nem cito na minha palestra, que tá comigo, assim, há muitos e muitos anos. que é, na qualidade de artista, de comunicador, modificar, de alguma maneira, positivamente, a vida das pessoas que consomem algum conteúdo meu.
Pronto.
Quando eu fazia CQC, eu queria que as pessoas rissem das minhas piadas e também queria que, nas nossas abordagens políticas, elas refletissem.
Provocassem.
É, eu queria uma provocação, eu queria que fosse um humor que, com o passar dos anos, passou a ser cada vez mais questionador. Como comediante de stand-up, a minha proposta já é outra. Eu quero que você vá no meu show e você se divirta. E você tenha uma hora muito engraçada e vai embora dando tapê nas minhas costas e eu rir. Só que quando eu comecei a fazer palestra de atitude, e consequentemente tenho um livro... O livro ainda não tem um feedback, porque as pessoas não leram o livro e me disseram o quanto as impactou. Mas como palestrante, eu tenho tido um feedback que é muito mais legal do que... Fui no seu show de stand-up e dei risada com você. Ou você marcou minha vida fazendo CQC, que era um programa que marcou a recalação na minha casa. A gente travava tudo pra ver você. Eu era adolescente e tinha um crush em você. Tem essas coisas que a gente ouve, né? Mas o palestrante, quando acerta a mão, houve coisas do tipo, você mudou minha vida, você me deu um chacoalhão que eu precisava, eu vou me mexer agora, eu te agradeço muito, eu tava precisando disso. E isso é muito foda de ouvir. É muito mais foda do que rir com você, tava precisando rir. Ou você marcou minha adolescência.
Olha que curioso, você agora transforma vidas também com humor. Porque é impossível você ouvir o Rafael Cortes e não dar risada da forma como você fala e do que você fala. Então, antes comediante, hoje?
Um comediante que usa também a palestra para fazer humor, mas com conteúdo. Eu acho que assim, o barato da minha palestra E também do livro é que, assim como acontece com a minha carreira, uma coisa não exclui outra. E essa é uma confusão na vida das pessoas, assim. O entendimento das pessoas ao meu respeito é perturbado... Ou é uma coisa ou outra. Por essa coisa de, ah, ou é ou não é. Porque o Brasil não tem a cultura do artista multifacetado como tem nos Estados Unidos, né?
Exato, exato, exato.
Que é uma merda. Nos Estados Unidos, a Cher ganhou o Oscar de melhor atriz.
Sendo?
Cantora. Por um filme chamado Feitiço da Lua. A Lady Gaga, que é cantora, fez um filme com o Bradley Cooper e foi indicada ao Oscar. Então é comum que nos Estados Unidos um artista seja múltiplo. Ele pode cantar, ele pode atuar, ele pode produzir, ele pode sapatear. Porque a Broadway é uma escola multifacetada de mil... mil aptidões artísticas, né? Agora, o Brasil, eu sou o ex-CQC. E se eu sou o ex-CQC, como assim eu vou palestrar? Aos olhos do grande público, tem um ruído. É difícil. Só que pra mim sempre foi muito claro. Eu sou um cara que vai somando conhecimento. A minha carreira é um rio. onde os afluentes são áreas específicas da minha carreira. Minha carreira é comunicação e artes, tem um afluente da música, tem sete discos no Spotify, tem um afluente da literatura, tem três livros já lançados, tem um afluente do audiolivro, tem seis audiolivros lidos, tem um afluente da TV, tem oito programas que eu fiz e assim sucessivamente. E agora eu somei esse conhecimento, eu tenho um um know-how de comédia, porque faço stand-up há 16 anos, fiz seis anos de CQC, fazia matérias no video-show com comédia, dois anos. E falei, pô, vou usar o que eu sei fazer de comédia a serviço de um conteúdo jornalístico, já que me formei em jornalismo na PUC. E com a seriedade que eu sei que a palestra exige, desanuviada pelo humor. Essa seriedade tá lá, mas o humor é um alimento de fixação do conceito. Eu ponho cirurgicamente uma piada num momento da palestra que eu quero que a pessoa fixe.
Maravilhoso.
Porque a piada é aquilo que retém a atenção da galera, né?
Sim. Agora, olha que curioso, né? Em 2003, você foi premiado com o Prêmio Abril de Conteúdo Digital.
Ah, é, foi. Foi muito legal, muito legal.
Bom, eu quero dizer o seguinte, já tava escrito?
É, eu fui com uma galera, né? Era aquelas premiações coletivas da Abril que premiavam no departamento inteiro, mas eu tava lá, eu tava lá entre as pessoas todas e...
Eu quero dizer o seguinte, já estava escrito que a TV, Rafa... ela acaba sendo muito limitada. E quando a gente não cabe mais na TV, a gente precisa ir pra outros ambientes. E o digital... A gente tem espaço no digital. A gente cabe no digital.
Tem, tem, tem.
Eu sei. Então, isso é muito importante a gente relembrar. Gostei muito do que você disse. Ah, eu vou somando, sem dúvida. Uma coisa não vai anular a outra. Então, comediante e palestrante, você vai levar informações relevantes pras empresas com humor. Que é uma ferramenta que funciona. Pronto. O que que eu preciso ter para começar uma atitude transformadora?
Segurança. Segurança é condição sine qua non.
E onde eu compro?
Tem algumas ferramentas que a gente já tem dentro de si. O que é doido... Pausa!
Condição sine qua non? O que é isso pra quem não sabe o que é sine qua non?
Eu adoro o termo condição sine qua non. Eu usei muito a minha vida inteira e eu falei errado por vários anos assim. Eu falava condição sine qua non. É a minha condição sine qua non. Aí alguém que era mais inteligente ia falar assim... É a condição sine qua non.
O que significa sine qua non?
Olha, muito possivelmente é do latim e é alguma coisa na linha do sem a qual algo não pode acontecer. Tá? Eu não sei. Se alguém souber... É do latim? É do latim? Alguém já tinha pesquisado? Vocês queriam me ferrar, né? Vamos ver se ele sabe o sinequanon.
Não, é porque o Vitor Caran, que está aqui nos bastidores, que faz parte da nossa linda equipe, outro dia ele se aproximou dessa palavra e começou a usar. Eu adoro trazer palavras novas para o nosso contexto. Então você falou uma condição sinequanon, traduza.
Condição sem a qual algo não poderá ser feito.
Cinecono.
Algo nessa linha, né? Enfim. Então, eu tenho... Segurança.
A gente tá falando de segurança. O que você tem pra ter atitude transformadora?
Exato. Ainda bem que você voltou, que eu tava perdido aqui.
Volta.
Eu falei, eu tenho uma glaceia pra te servir.
O que eu preciso ter para agir?
O movimento da... o elemento da segurança. E segurança é uma parada muito louca, assim. As pessoas superestimam a segurança como superestimam a tal da atitude. E é muito louco, porque tanto segurança quanto atitude são ferramentas que a gente tem dentro da gente.
Sim.
Você não compra a segurança, você não compra a atitude. Você tem isso, é um reservatório. Dentro do mesmo jeito que a gente produz endorfina, né, que a gente produz dopamina, que a gente tem as substâncias químicas que o nosso corpo produz aqui no dia a dia, A gente tem reservatórios de atitude e segurança dentro de nós que a gente só não sabe ativar. Isso que é muito louco. É diferente, por exemplo, de carisma. Carisma. Se alguém estiver palestrando sobre carisma, e eu nunca vi alguém palestrar, ou se vir a palestrar, ou ensinar a ter carisma, eu vou dizer, é picareta. Porque carisma é uma coisa que ou você tem, ou você não tem. Carisma... Carisma, pra mim, Rafa Cortez, é um elemento que você tem ou não tem. E isso é meio inato, tá? Agora, segurança e atitude são elementos que estão dentro da gente.
É treinável?
É treinável. E é mais simples do que parece. Na minha palestra, eu falo sobre terapia de choque pra você atingir segurança. Terapia de choque é você fazer teatro, por exemplo, que... Pô, eu acho um prazer, mas chamo de terapia de choque pro corporativo. E terapia de choque brabo é curso de palhaço. Curso de palhaço é aula... E vários executivos fazem curso de palhaço, inclusive o Márcio Balas, que é o cara que você tem que trazer aqui.
Eu amo o Márcio.
O Balas é foda.
Você acha que eu já tô convidando o Márcio há quantos anos?
O Balas é foda.
Eu já fiz o curso dele duas vezes de improviso. Eu amo, amo, recomendo pra todo mundo.
Ah, e Ballas tem curso de palhaço pra executivo. Tem CEO de multinacional que faz curso do Ballas.
Isso você entende que vai favorecer destravar a atitude?
Vai favorecer muito. Mas tem gente que fala assim, pô, eu não tenho nem tempo nem saco pra fazer investimento em teatro, quanto mais em palhaço. Normal, tudo bem. Mas tem pequenos truques do dia-a-dia que ajudam você a ter atitude. Você forçar, por exemplo, a conversa olho no olho. Atitude é segurança, tô dizendo, né? Você forçar segurança, vírgula, que é pré-requisito pra se ter atitude. Se você não tem segurança, não adianta que você não vai conseguir ter atitude. Quanto mais uma atitude transformadora. E aí, você quer fazer atitude? Beleza, começa treinando segurança nas conversas. Começa a conversar com as pessoas tentando olhar no olho das pessoas. Quando você vai cumprimentar a pessoa, tenta exercer um cumprimento mais forte. Tenha um pouco mais de energia aqui. Tenha tônus, sabe? Tônus, não é? É isso aí, Bessa, tá boa. Aquela pessoa que fala pedindo desculpa, vai falar em público, seja lá como for, tem dificuldade com oratória, beleza, mas tenta lembrar de abrir o peito. Tem um pouco de postura assim, sabe? Não custa nada, puxa um pouquinho pra trás o teu eixo aqui. Essas são pequenos truques de comunicador. Da mesma maneira, a voz meio tom acima. Isso sugere também uma... Eu sou mais grave, mas quando eu tô falando, você faz a mesma coisa. A gente que é de comunicação, sempre dá uma pequena ênfase, uma moduladinha pra cima da nossa voz, né? A gente tem uma coisa de colocá-la um pouquinho mais agradável aqui. Quase...
Grave.
É, sai do grave e vem aqui pra um certo falsete. Alguns são extremos, como o Rodrigo Faro. que apresenta os programas falando assim. Mas isso é um truque de comunicador, porque o cérebro da pessoa que recebe informação coloca esse registro de voz num campo confortável, sabe? Fala, ah, putz, peraí, quero ouvir o que essa pessoa tá dizendo. Truques de modulação de voz também. Energia, frases impositivas, usar mais o imperativo. Façamos, haja, faça, traga, venha, né? São coisas que você começa a falar, além de mantra.
Aí vai treinando. É.
E tem um truque que é básico, assim. Aí eu não consigo fazer nada disso. Talvez porque você não confia em você mesmo ou em você mesma. E se você tem esse problema, você tem que começar a criar uma positividade, nem que seja pela base da repetição. Eu falo de mantra, né? Mantra é aquilo. Minha avó me ensinou um, que era… Eu sou um centro de paz, de energia e amor. Por muito tempo, eu me senti um bosta na vida, Isabella. Mas tenho certeza, eu fui um estereótipo adolescente problemático. Quando eu iniciei minha jornada artística, eu era o cara das coxias e dos bastidores. Eu trabalhava em prol dos espetáculos, mas eu nunca tava em cima do palco. Nas noites de estreias dos espetáculos que eu produzia, todo mundo bebia de feliz e eu era o único que voltava pra casa bêbado porque eu tava deprimido. Eu era profundamente problemático.
Por quê?
Porque eu era o cara de coxia.
Você queria estar no palco?
Queria estar no palco.
E aí?
Trabalhei quase 15 anos em bastidores de teatro, TV, circo, sendo que eu queria estar em cima do palco, em frente à câmera. E eu claro que me sentia muito mal, e nessa época minha avó me ensinou um mantra poderoso, que eu sou um centro de paz, de energia e amor. E eu passei a repetir aquilo pra mim todos os dias, mesmo sem acreditar. Eu questionava o mantra, assim, eu não sou nada de paz, eu sou super perturbado. Energia, minha energia é caótica. Amor, eu odeio todo mundo. Mas eu repeti tantas vezes isso pra mim mesmo, que em algum momento eu comecei a acreditar no que eu tava dizendo e comecei a organicamente aplicar isso na minha vida. Então, pra quem não tem nenhuma segurança, comece a repetir positividade. E veja coisas positivas, leia coisas positivas, leia livros positivos, veja filmes mais de comédia, evite a sanguinolência das redes sociais, siga os perfis bons do Instagram, caçadores de bons exemplos, sou eu na vida, que é divertido. Vai fazer coisas legais, não fica vendo faces da morte.
Sim, concordo.
É isso, você queria essa energia.
Eu gosto de usar a palavra frequência pra isso. A gente se encontrou numa frequência ótima.
É verdade.
Como a gente não tinha se encontrado antes. E olha, com muitas pessoas em comum. Então eu quero trazer esse ponto, inclusive pra você que pode me dizer assim, cair de paraquedas nesse programa. Tem muita gente que fala assim, cair de paraquedas nessa entrevista. Não, é a sua frequência. E quem procura interioriza, Rafa, sabe que aqui a gente fala sobre assuntos que já passaram do tempo da gente assimilar e muito o que o entrevistado fez depois de algo que aconteceu. Com uma atitude transformadora, absolutamente. Porque ou a gente vai ficar sentado na cadeirazinha de vítima, ou nós vamos pra de aprendiz.
Exatamente. é uma decisão completamente única. Ou a gente faz parte de estatística, de fatalismo e vitimização, ou a gente entra no hall daqueles que souberam não pertencer a nenhum tipo de nicho fatal, nenhum tipo de estatística cruel. A gente tem isso aí, né? Por exemplo, quem trabalha, quem tem... Eu sou muito crítico às pessoas que trabalham odiando o seu trabalho, odiando os seus chefes, odiando suas equipes, porque... Bicho, só de você trabalhar num país tão desigual como o nosso, onde tem tanta gente chorando por uma oportunidade... Pra.
Ter o que você tem.
Nossa, a gente é tão privilegiado de fazer parte daquela fatia pequenina da sociedade que movimenta a economia, que tem como se comprometer com o crediário, que tem como honrar a conta. Então, assim, trabalhem com alegria, trabalhem com prazer. E se tá muito ruim trabalhar, tenha a atitude transformadora de sair desse lugar, de se reinventar. Ah, não posso sair de jeito nenhum. Então, ressignifique esse trabalho. Faça alguma coisa pra você migrar de área dentro do seu trabalho, pra você... Subir um posto pra você ter um outro olhar sobre o seu time. Eu não sei. Tudo isso tá por trás da tal da atitude. Não é só pra pessoa conseguir um trabalho quando o telefone não toca. É pra pessoa que tá já trabalhando performar melhor. É pro líder saber ouvir sua equipe. É pro cara que é de vendas saber se comunicar tão bem como um vendedor que ele vira um comunicador do produto e ele é imbatível.
Exato.
Todo mundo ganha com atitude.
Exato. O seu livro, A Atitude Transformadora, não é o primeiro, né?
Não. E os outros dois livros conversam muito com essa coisa multifacetada da minha carreira. É muito maluco, cara. Porque em 2015, eu lancei o meu Azar com as Mulheres.
Você tinha Azar com as Mulheres?
Não, cara.
Que agora você tem muita sorte, né, Marcela?
Eu tenho muita sorte com as Mulheres, na verdade. Eu sempre fui muito feliz com as Mulheres. Mas eu tive que lançar um livro divertido. Eu era muito comediante em 2015. Eu tava no CQC, e a imagem percebida das pessoas e a imagem pretendida também era comédia. E aí, a encomenda que eu recebi da Panda Books, que era a editora, era um livro divertido. Possivelmente sobre relacionamento. Eu lembrei de várias histórias que eram engraçadas, que eu tive com sogra, namorada, chefa... Chefa é ótimo. E botei... Várias histórias meio vilanizando as mulheres. E hoje, 2024, acho que é um mau livro. É um livro que envelheceu mal. E eu tenho essa autocrítica, assim. Meu primeiro livro é um livro que é um produto do seu tempo. É um livro que você deveria ler e deveria ter uma informação antes, assim. Contém piadas e comportamentos típicos da época. Tem nove anos, esse livro.
Uau!
Mas ele... O humor em 2015 era um humor muito mais... Babaca do que a gente tem agora, né?
Mas, Rafa, isso que você trouxe também... A gente fala, por exemplo, sobre os trapalhões, sobre outros tipos de comédia que antes eram normalizados e hoje a gente já sabe que...
Ok.
Não é exclusividade sua, só quero trazer o que você relata no livro. Foram experiências que você viveu, ponto.
É, forçando a barra, né? Eu forcei. Eram experiências que eu tinha vivido, mas como um cara de exageros, comédia tem muito exagero. Eu dava uma escarafunchada aqui, assim, ficava forçando. Eu reli esse livro no avião esses dias e me perdoei, porque eu tava achando que ele era muito pior do que eu imagino. Eu fui lendo e eu dei risada. Eu falei, ah, é um livro que envelheceu mal, porque nós estamos em outro momento da sociedade.
Tá, você falou, me perdoei. Gostei disso.
Me perdoei, assim, eu tava dizendo por aí que era um livro muito pior do que de fato é. Não, ele é engraçado, ele tá aí, quem quiser ler, ele tá em várias livrarias. Mas ele não é tão bom quanto o meu segundo livro, que é de prosa e poesia, que é o Memórias de Zarabatanas. Mas olha que coisa maluca, o primeiro era comédia, o segundo, prosa e poesia. A editora que lançou esse livro, inclusive, que foi a Selman, é uma editora que merece um prêmio, porque ela foi muito, muito generosa de pegar um comediante consolidado, que estava na Rede Globo nessa época, fazendo video show, e lançar um livro desse cara no seu lado poeta, cronista, assim.
Maravilhoso?
Não, ela foi muito... E eu falo assim, vocês vão lançar? Sabe quando você fala ninguém vai querer? E eles quiseram. Claro que tomaram prejuízo, desgramento, porque tá tudo empacado lá. Que ninguém comprou o meu livro de prós e poesia.
Ué, vamos colocar pra rodar esse livro?
Olha, tadinhos. Eu os entendo. Eles fizeram uma tiragem linda, maior do que eu imaginei. Eu falei, não façam tantos livros assim, não vai vender. Porque eu sabia, né? Difícil você, que é comediante conhecido, lançar um livro de prós e poesia e o povo comprar. O Brasil não tem essa cultura.
Ainda não.
Não tem.
Mas a gente pode ajudar.
Pode, e a gente falar aqui é muito legal, e eu imagino que em algum momento as pessoas vão se abrir pras nuances das pessoas, né? Porque comprar um livro de prós e poesia do comediante é se abrir pra nuances.
Sim!
Coisa que o corporativo faz quando contrata a minha palestra da atitude. E aí o terceiro livro já é de atitude, o terceiro é de carreira. Então o primeiro foi comédia, prosa e poesia o segundo, carreira. E eu quero escrever um romance como o quarto livro que, putz, tá tudo pronto na minha cabeça.
Ah, sim. Só falta fazer o download, né? Aqui, ó.
É, eu tô esperando me preparar emocionalmente, porque é um livro pesado, assim, um livro porrada. Tá, tá.
Mas esse o Atitude Transformadora é pra quem quer sair do lugar que está. Não importa se eu não sei pra onde eu vou, mas pelo menos o lugar que eu tô não dá pra ficar. Desse jeito não dá.
Exatamente. Para quem, independentemente do seu objetivo, precisa de um chacoalhão, precisa de um empurrãozinho. A atitude transformadora é um empurrãozinho que a pessoa precisa para chegar onde quer que for. E não é um livro que vai explicar como ter sucesso, do mesmo jeito que a palestra não é. Nem o livro, nem a palestra são cases de sucesso, são histórias de vencedor, engajamento. Eu não sou nada disso. As pessoas não consomem esses produtos porque estão comprando de um vencedor. Elas estão comprando esses produtos de um cara que, com ou sem mídia, com ou sem visibilidade, com oportunidade ou não, segue trabalhando. Isso é verdade. Eu sigo trabalhando desde então.
Por isso que nós estamos juntos. É isso. Mostra sua caneca lá de novo. Menos ego, mais elos.
É igual a eco. Eco. É muito bom isso aqui.
Eco. É pra gente ecoar.
Maravilhoso.
E pra gente seguir ecoando, que o nosso tempo acabou.
Ah, vai!
Pois é.
Eu não saio da minha casa numa segunda-feira pra isso. Tô brincando.
Pra falar 40 minutos. O Rafa, como é que você se imagina daqui cinco anos?
Olha, as minhas preocupações futuras têm mais a ver hoje com o quanto eu vou conseguir estar com o máximo de qualidade ao lado da minha filha. Depois que a Nara nasceu, as minhas preocupações passam muito mais por ela do que por mim, assim. Então a primeira resposta é, eu espero estar saudável, espero estar em forma. Eu prefiro pensar que eu vou estar com energia pra acompanhar uma fase que ela vai estar vivendo que vai ser linda, assim. Que é a segunda infância dela, né? A Narinha tá com dois anos. E eu muitas vezes quero brincar com a Nara na horizontal, assim. Eu tô cansado. Então eu falo, vamos brincar de colar na cama. E ela já tá naquela fase da vertical, ela quer pular, ela quer correr.
Fala pra ela maquiar o papai, que você fica deitado de olho fechado. Jura?
Isso eu não fiz. Sério.
Opa, o Thiago direto. Papai financeiro, filha, vem maquia.
Essa é uma ótima coisa, cara.
Brincar de maquiagem, passar esmalte.
Esmalte.
Esmalte, pô. O papai vai ficar deitado aqui pra você passar esmalte. Total, total.
Olha que dicas de gente cansada. Que bom.
Dicas de pais depois dos 40 anos. Eu fui mãe com 40, né, uai.
Cara, é muito. Total.
Os filhos... A Angelina me devolve pra mim. Acho que os filhos devolvem a gente pra gente. E é muito legal a maternidade. O que você tá achando da paternidade?
Tô achando difícil, mas eu tô muito emocionado de ser pai da Nara. Eu tô muito curioso de ir no podcast do Thiago pra falar sobre isso. É um dos que eu mais quero ir. Porque ninguém me pergunta muito sobre a paternidade. Quando a gente é pai, é muito doido como a gente fica em segundo plano, né. Pai, mãe, assim, a gente nunca mais ganha um presente. É tudo pra Nara, é tudo pra… A gente quer saber dos nossos filhos, enfim. É… E eu vou falar com muita franqueza quando for lá no podcast. Eu não vou dar spoiler, mas eu posso dizer que eu acho difícil. Eu não romantizo a paternidade. Eu acho que muitos momentos é muito complexo.
Total.
É muito complexo você ter filho.
E educar.
E educar, imagina. E administrar as coisas que são inexplicavelmente inatas. Inexplicavelmente da personalidade da pessoa.
Me dê um exemplo, por favor.
A Nara é uma bebê. Já não é uma bebê, ela vai fazer dois anos assim, mas a Nara tem coisas que ela traz do berço que não são da mãe dela e não são de mim, assim.
E conta mais.
Ela é teimosa. A Nara é uma menina completamente teimosa. E eu sou ansioso. Eu não conheço PC não. Acho que ela é ansiosa que nem eu. A Marcela não é teimosa. A Marcela é reativa. Agora a Nara é teimosa. Ela faz coisas que a gente não consegue entender. Ela, às vezes, tem atitudes de menininha mimada, sabe? De se jogar no chão. E eu falo, o que que é isso? Não educamos você pra fazer showzinho, sabe? Aparece aquele meme da garota adolescente que ganhou o iPhone 13 e criou o iPhone 15 e viralizou. Não sempre, não sempre. Às vezes a Nara faz umas coisas e fala, mano... Ela é manipuladora. Minha filha tem umas coisas manipuladoras.
Estamos falando da Angelina ou da Nara?
Nara!
Porque a Angelina também é assim.
Jura?
Nossa! Já vieram, né? Crianças já vieram com esse update. O Rafa, nós vamos deixar esse assunto de paternidade pra você falar com o Thiago Godoy no Papais Reais, mas aqui eu quero te agradecer profundamente pelo tempo que você dedicou, mas pelo que você compartilhou. As verdades que você trouxe.
Eu não falei nada. Ai... Nada disso, nada greguei.
Eu falei nada. Eu adorei. Você, pra mim, é o exemplo que eu mais gosto. Nós vamos somando as experiências que vão nos acontecendo e que bom que a gente passa por lugares como aqueles que nós já passamos. pra mostrar pra todo mundo que o mundo é muito maior do que aquilo que a gente tá insistindo pra caber e se machucando pra fazer parte. Não precisa. Se você tem um talento, você pode transbordar esse talento em um terreno que seja fértil.
Claro. E sabe o que mais legal? Quando eu fico falando sobre atitude na palestra, no livro, eu estou estimulando que as pessoas tenham vivências. A atitude é uma coisa que obviamente vai te dar a oportunidade de experimentar coisas, de vivenciar coisas. E se você não vivenciar as coisas, você não vai ter um elemento fundamental para se tornar uma pessoa interessante, seja para o corporativo, seja para as relações cotidianas. Não interessa para que efeito. Se você não tiver vivenciado as coisas, você não tem repertório. Repertório...
Amo!
Amo!
Amo! Amo! Amo! Amo! Amo! Amo!
Quando o Jô morreu, quando o Jô Soares morreu, me ligaram de algum veículo de comunicação, falaram com alguns comediantes e perguntaram assim, pra você, qual é a maior falta que o Jô vai deixar? E na lata, eu falei assim, a falta de ver um cara com tanto repertório disseminando esse conteúdo em TV aberta. Porque o que era mais incrível pra mim no Jô, além da facilidade que ele tinha como comediante, além da habilidade de comunicador, entrevistador, etc, É que era um cara que podia conversar com qualquer pessoa, de qualquer nicho social, de qualquer tipo de formação, de qualquer tipo de especificidade, de igual para igual. É um teólogo, ele tem conhecimento sobre teologia. É um cara de fábrica, ele sabe falar sobre isso. É um enólogo, ele toma vinho. Repertório é fundamental. As pessoas interessantes, se vocês forem ver, todas elas têm repertório. E tem um monte de gente que não se arrisca em nada, fica com um conhecimento específico e beleza, vai lá e é um burocrata de plantão, faz o seu, ganha, movimenta a economia, mas é chato, é chata. E a gente, quando perde uma pessoa, a pessoa fala assim, ah, sinto falta dessa coisa dela aqui, mas ela não me faz falta na vida, né? Então a gente tem que fazer falta para as pessoas a partir do que a gente tem de conteúdo, repertório. Puta, e as pessoas estão muito preguiçosas para ter repertório. Elas não querem ler, elas não querem experimentar. Mas se, pelo menos, elas tiverem atitude, elas vão viver. E viver é tão importante quanto ler e aprender.
Uma salva de palmas para Rafael Cortez.
Essa frase final ficou bonita, né?
Vamos ouvir de novo, gente?
Que viver é tão importante. Olha, cara, nem eu sei o que eu falei.
Precisa se arriscar?
Claro.
Precisa se arriscar?
Claro, claro.
Precisa de atitude?
Claro.
Rafa, pra quem continua apaixonado ou apaixonada por você e quer continuar, né, no.
Nosso conteúdo... Mais notícias, estou casado. Ah, você tá falando de...
Isso, isso, isso. Nas redes sociais?
É, basicamente... Eu já tô nas redes sociais, né?
Ótimo!
Isabela, porra, cadê a Globo? Vamos voltar pra essa... Enfim, tudo bem. Olha, quem tiver ainda afim de entender o que eu tô fazendo... Eu sou velho, né? Então eu ainda sou aquele cara que passa o site... Eu juro pra você que todas as semanas eu atualizo a minha homepage. Eu não sei quem navega ali, quem trafega ali, mas assim, rafaelcortez.com tem a minha agenda, tem os meus trabalhos, tem os downloads dos meus vídeos, tem um monte de coisa.
É você que faz tudo ou você tem uma equipe?
Jamais, eu tenho uma equipe ótima. Ali eu acho um portfólio de carreira completo. Ali tem tudo o que eu já fiz e atualização do que eu tô fazendo. Mas o meu veículo de comunicação real, recente, em tempo real, é Instagram, né?
Instagram?
Arroba Rafael Cortez. Vai lá.
A sua palestra, eu assisti, eu ri muito. Quem aparece na palestra do Rafael Cortez? Gretchen?
É verdade.
Quem mais? Ah, lembro. Eu me lembro muito da Gretchen.
A Gretchen aparece, a Narcisa aparece.
A Narcisa, exato, a Narcisa.
O Capitão Nascimento.
Total! Não, foi excelente, excelente. Bom, então é o seguinte, se você, você já sabe como é que você vai continuar seguindo, né, o Rafael, o livro Atitude Transformadora recomendo profundamente. O de Poemas e Poesias, a gente podia fazer um preço, sabe, melhor, que aí a gente já proporciona essas poesias para todas as pessoas?
Claro. Se quiser o livro de poesia, me escreve. Eu tenho vários exemplares dele na minha casa. Tipo, quantos? 6 mil. Tô brincando. Olha, quando você lança muito conteúdo, quando você se esmere em ter produtos, você tem gavetas e armários cheios de livros e discos, né? Minha mulher tá muito chateada comigo, porque no apartamento que a gente tem, o melhor armário da sala, que é um armário que vai de uma ponta a outra, ela viu aquele armário e falou assim... Faz tudo o que eu quero aqui dentro. Vai nas louças, vai num sei o quê, tchau, tchau, tchau. É o armário dos meus produtos. Então eu tenho livros, eu tenho CDs, eu tenho audiolivros, eu tenho muitos produtos físicos. Porque eu sou besta a ponto de continuar lançando produto físico.
Eu também.
É isso, o livro tá saindo agora. E aí o povo fala assim, faz só o e-book. Eu falei, não, eu quero o livro físico. CD, eu lancei em 2021 um disco, eu prensei 500 cópias. Ninguém faz isso em 2021, entendeu?
Você tem ainda CD?
Se eu lançar um disco ano que vem, eu vou prensar cópias. Porque eu gosto da experiência de você tirar o celofane e abrir o... E depois usar o CD como um porta-copos, que é o que certamente vai acontecer na casa da pessoa. Então eu quero possibilitar que você tenha uma excelente porta-copos. Ei, você! É isso.
Rafa, vamos botar pra vender o CD com os livros, a gente coloca as canecas também e seguimos. Enfim, a gente tá tentando, né? Essa questão. Estamos tentando. E que a nossa mensagem possa alcançar cada vez mais pessoas, porque nós temos muito pra transbordar, cara. Pra transformar. Transbordar e transformar.
E você... Você é mais ainda, Isabela. Você não faz ideia.
Esse assunto é sobre você.
Você é uma potência, cara.
Esse programa é sobre você. 48 minutos! Yes!
Yes!
Bom, me pedem para te avisar que se você gostou desse programa, você precisa clicar no sininho. Você acredita que me lembra? Não, pede para lembrar. Eu acho que não precisa me lembrar. Se você gostou, você compartilha com quem você quer bem, você curte, você comenta, inscreve no canal, né? Precisa pedir ainda? Então, já sabe. Foi um papo muito bom. E a gente ainda vai estar junto muitas vezes.
Pausa. Antes de terminar, deixa eu fazer uma pergunta de ordem pessoal pra você. Eu sempre quis te perguntar isso há muitos anos. O quanto na sua vida você foi confundida com a atriz Isabela Camargo e parabenizada por trabalhos que você não fez?
Atriz Isabela Camargo?
Tem Isabela Camargo.
Não, eu sou Isabela Camargo.
Você, mas tem a atriz Isabela.
Isabela Garcia.
É verdade! Então, a resposta é nenhuma vez, porque uma coisa é a Isabela Garcia... Você falou Isabela Garcia! E a outra coisa é a Isabela Camargo. É verdade! Gente, se eu tiver encontrado a Isabela Garcia, eu chamei ela Isabela Camargo, e é por isso que ela não foi legal comigo. Agora entendi. Aquela vez que eu fui entrevistá-la e chamei de Isabela Camargo. A Isabela Garcia... Você confundiu, não.
Você confundiu total agora com Isabela Garcia e Isabela Camargo.
Nossa, eu tive certeza que a Isabela Garcia chamava Isabela Camargo.
Não, eu tenho uma jornalista homônima na Globo, inclusive, chamada Isabela Camargo. Quando eu trabalhava lá, já era Isabela Camargo. A diferença era na grafia do nome.
Caralho, eu errei total. Então deixa eu te contar uma história, só pra fechar. Eu tenho dois homônimos maravilhosos. Um é o doutor Rafael Cortez Neto, que é um proctologista.
Proctologista? Piada pronta!
Posso estar em lá, mas parece que o doutor Rafael Cortez Neto é um importante e iminente proctologista. Depois faço uma pesquisa aí. Isso não me gera problemas, porque ele é o Rafael Cortez Neto. Agora tem o Rafael Cortez, cientista político, que é, exatamente, Rafael Cortez e dá palestras. E dá palestras. Recentemente, um amigo meu falou assim, estou indicando você para palestrar no evento Travis Terrace. Falei assim, me indica. Passado um tempo, ninguém me procurou, também esqueci. Na véspera, ele falou assim, ei, irmão, tamo junto, vou palestrar e você também vai. Eu falei, não vou, ninguém jamais me procurou. Ele falou, seu nome tá no line-up, tava lá, Rafael Cortez. Ele falou, inclusive, achei o seu tema maravilhoso, inclinações políticas do neoliberalismo.
Eu falei, Mentira!
Não sou eu! Eles contrataram o Rafael Cortez errado. E a empresa que ele indicou, ligou pro cara e falou, Rafael Cortez, você tem parceria? Tenho. Pode dar? Posso. Qual o seu tema? Eles adoraram o tema, ele arrasou lá. E ele ganhou um cachê maravilhoso e eu não. Então tem um homônimo, Rafael Cortez?
Não, Rafael Cortez... Gente, Rafael Cortez, comediante, palestrante, é um só. E está aqui no Interioriza Conosco.
Tchau!
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