E se eu não quiser ser mãe? Como se proteger das pressões com Aline Wolff e Juliana Teixeira
10 Jun 2025 · 39 min
Psychologist Aline Wolff and gynecologist Juliana Teixeira discuss the pressure women face to become mothers and how to protect yourself from it. They explore the tension between motherhood and career, and why mental health matters when deciding whether to have children.
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Nós precisamos descansar para continuarmos produzindo.
A gente tem que ter um ritmo que seja sustentável, senão a gente quebra no meio do caminho.
Você ainda não tem filhos? Não. E já tem muito claro que por enquanto não?
Por enquanto não. Grande parte das meninas que passam comigo ainda estão nessa fase do agora não e o sim às vezes não é nem uma certeza.
Bem-vindo ao Interiorisa Especial Maternidade. Adivinha qual o tema que a gente vai falar hoje? A gente quase não fala sobre isso. Maternidade e carreira. Quais são os desafios que todas nós ou estamos vivendo ou vamos viver, direta ou indiretamente. Então, eu tenho duas convidadas hoje que eu tenho certeza que vão contribuir muito para a sua tomada de decisão, seja para ter, seja para não ter, mas vai ser importante você ouvir a opinião de duas especialistas que trabalham com esse tema há muitos anos, ou seja, Todos os dias, Aline e Juliana orientam milhares de pessoas como que nós podemos conciliar ou não maternidade e carreira. Meninas, muito obrigada. Estou muito feliz pelo sim de vocês. Deixa eu apresentá-las. Nós estamos aqui com a Aline Wolff. Wolff ou Wolff? Wolff. Aline Wolff. Quem é Aline? Aline é psicóloga dos atletas olímpicos e tem uma abordagem que eu sou suspeita a dizer, que nós precisamos descansar para continuarmos produzindo.
Exatamente.
Só isso.
Simples assim, mas a gente tem que ter um ritmo que seja sustentável, senão a gente quebra no meio do caminho.
É mesmo?
Quebra!
Olha!
E com certeza, assim, quando a gente fala, né, e traz isso pra maternidade, que é uma sobreposição de afazeres, de responsabilidades, a gente tá falando de alta performance de alguma forma, né? E todo o caminho, toda a trajetória que eu tenho com atletas olímpicos, atletas olímpicos que são mães, e eu como profissional e mãe de dois, vejo o quanto a gente precisa realmente ter uma base sólida, cuidar da nossa saúde mental para que a gente tenha uma performance que seja sustentável e que se mantenha ao longo do tempo.
Aline do céu, nós já vamos falar mais sobre isso, porque desde 2020 eu também levo essa mensagem pela produtividade sustentável, que é isso, se você quer produzir por longos períodos, você vai precisar se respeitar, respeitar o seu corpo, o seu cansaço. Então já já nós vamos falar sobre como lidar com a culpa, porque acredito que muitas das mulheres podem até concordar conosco, mas elas vão falar assim, mas eu me sinto culpada por descansar e assim por diante. Já a gente vai falar sobre isso. E também conosco, Juliana Teixeira Gomes. Ela é ginecologista, obstetra e tiktoker. Eu acho essa definição muito boa, ou seja, porque você tem uma comunicação fantástica, então você está chegando nas meninas, nas jovens, de uma maneira necessária. Então, bem-vinda, Ju. Agora, diferente da Aline, você ainda não tem filhos? Não. E já tem muito claro que, por enquanto, não.
Por enquanto, não. Eu tô na fase que o profissional ainda tá pesando um pouco mais. Mas a maternidade é um sonho. Então, daqui a pouco. Aqueles aninhos.
Que curioso. As pessoas que te procuram, as mulheres que te procuram, você sente que se identificam com esse seu momento?
Muitas.
Muitas. Eu acho que elas, como elas percebem que eu sou jovem, minha comunicação é muito jovem, é com gíria, é informal. elas se identificam no agora não. Então, grande parte das meninas que passam comigo ainda estão nessa fase do agora não. E o sim, às vezes, não é nem uma certeza. É muito curioso.
Eu me identifico com essas... Aliás, me identifiquei muito tempo, né? Pra quem não sabe. Hoje eu tenho 44 anos. Hoje eu estou grávida, inclusive, né? Essa roupa linda aqui, inclusive, né? Está guardando aqui o Antônio. Eu passei muito mais tempo da minha vida afirmando que eu não seria mãe do que pensando que um dia eu poderia ser. E você que está nos acompanhando, tem clareza se você quer ou não? E por quê? Na minha, no meu caso, e agora eu quero te ouvir, justamente eram as questões profissionais. Não tinha espaço para ser outra coisa a não ser aquela pessoa que trabalhava muito e que tinha que mostrar muito serviço. Então não cabia um filho ali. Mas aí a história se mostrou diferente. E aí aos 39 eu me descubro mãe. E aí foi uma grande surpresa, porque foi lindo ser mãe na maturidade. A maternidade na maturidade é outra história. Então eu queria entender contigo, Aline, se essas jovens, elas têm justamente clareza, não quero, mas sei que o tempo pode não estar a meu favor. Como que é essa relação?
O que eu percebo é assim, a gente pergunta durante a anamnese se ela já engravidou alguma vez ou não. E se ela quer ou não. E quando, mais ou menos. Até pra gente pensar em contracepção, se você vai colocar um dia que dura 10 anos ou uma coisa que dura um mês, né? A gente faz essa pergunta. E é engraçado porque tem paciente que responde um sim sólido. Quero ano tal.
Pronto. Uau.
Tem paciente que responde um não mais sólido ainda, que você faz até assim também na cadeira. Tipo, não, não quero. Trabalhei já isso em terapia às vezes. Não quero porque precisei ajudar a minha mãe com os meus irmãos e agora eu não quero maternar novamente, porque eu já fiz isso uma vez.
Teve uma experiência.
Algumas madrastas também já exerceu. A maternidade dela ali, sendo madrasta um pouco, não quer ser o dela. E aí tem a zona nebulosa da pessoa que respira fundo pra me responder. É um sim ou não ao mesmo tempo. Às vezes a pessoa nem se permitiu direito questionar por que sim ou por que não, sabe?
Nem parou pra pensar.
Nem parou pra pensar. Porque a gente meio que é esperada a ser mãe um dia. As pessoas acham estranho quando você fala que você não vai querer ser mãe por algum motivo, né? E tipo, um checklist da vida lá. Você tem que se formar na faculdade, depois você tem que achar alguém, você tem que casar. E aí começa a te perguntar, cadê o filho?
Você é contra o checklist, né, Ju?
Ah, eu sou. Porque eu acho que coloca muita pressão e a gente vai indo numa vida vazia, que às vezes a gente faz sem nem pensar. Tipo, é isso que eu quero mesmo? Eu quero mesmo casar? Eu quero mesmo ser mãe? Se falaram que eu tenho que ser, eu tô só preenchendo ali o checklist, fazendo o que esperam de mim.
Que interessante.
E aí eu percebo que muitas pacientes, elas não se permitem. Às vezes ela seria uma pessoa que não quer ser mãe, só que ela meio que não se permite não ser, porque foi tão esperado dela ser mãe, que ela pensa assim, mas como que eu não vou? Ela não nem pensa. Engravida é sem pensar. E aí às vezes se frustra depois porque a maternidade não foi muito bem o que ela achou que seria.
Com certeza.
Isso é uma loucura.
Pra mim, tudo tem a ver com parar pra pensar, Aline. Se você não parar pra pensar, pode aí sim ser que no futuro você se arrependa. Ah, mas por que eu não pensei nisso antes? Então, vamos falar um pouquinho nesse parar pra pensar ali, né?
Isso é muito importante, porque isso que a Juliana falou é uma coisa que eu vejo muito no consultório. As pessoas seguindo regras ditadas por terceiros, por uma sociedade, pelo que deve ser. E sim, não é difícil cair nessa armadilha, né? Porque é a sociedade, a cultura que nos governa e a gente tenta se encaixar. Só que o que acontece? As pessoas não param pra se perceber. Parar para pensar e pra se sentir. Quem eu sou? O que eu quero para a minha vida? Que vida eu quero ter? Essa vida que me disseram que é legal ter uma família, casar. Essa é a vida que eu quero ter? Isso corresponde aos meus valores mais profundos, à minha essência? Essa pergunta a gente tem que responder todos os dias. E digo todos os dias porque a gente muda, tá? E aí eu escuto aqui a Juliana falar e vem uma vozinha na minha cabeça dizendo que na cidade eu também achava que não ia. Eu dizia a mesma coisa. E aí um belo dia eu me vejo parando em vitrines com roupa de bebê e achando aquilo maravilhoso. Então assim, essa coisa meio bicho que a gente é, é meio doido isso, né? A gente se destaca da nossa condição mamífero e somos mamíferos.
Exato.
E aí vem uma coisa que começa a gritar e aquilo parece ser a coisa mais interessante do mundo, de uma hora pra outra.
Eu tenho amigas que falam assim pra mim, nossa Isa, quem diria, eu ouço isso sempre na verdade, quem diria que agora você tá sendo essa mãe tão cuidadosa, Ou seja, a gente vai se atualizando. Sabe que eu trabalho esse tema como atualização de identidade. Reconhecer justamente não só as mudanças externas, mas sobretudo as internas, porque é por não parar para pensar, não se reconhecer nessas mudanças, a gente vai se atropelando e de repente você está seguindo um sonho que nem é mais seu. Agora, você falou num ponto, Aline, que eu queria voltar antes da gente continuar, sobre experiências passadas. Você que está nos assistindo, se viveu uma experiência com a sua mãe, com a sua madrasta ou com outras mulheres, só não se esqueça que cada uma de nós tem um repertório e vai viver uma experiência. Então, por mais que eu tenha vivido uma experiência não tão boa no passado, eu posso viver uma experiência boa agora. Eu quero trazer aqui o seguinte, que o passado não nos define, porque também tem muitas mulheres que se prendem a experiências ruins do passado e aí inviabilizam o futuro.
Sim, tem que fazer terapia.
Porque isso é uma experiência traumática, né? E o trauma tem essa coisa, você vive uma experiência traumática, aquilo congela e guia a tua vida. Só que isso pode mudar se tu olhar pra isso, se tu ressignificar isso. E assim, gente, isso não é fácil, não é uma coisa que tu faz assim. Isso exige esforço, empenho, trabalho. Só que isso é não ser refém da tua história. Tu ter coragem de desatar esses nós e encarar um processo terapêutico pra realmente se achar no meio disso. Porque é assim que as pessoas se perdem. Porque as pessoas ficam ali presas naquela experiência traumática que é realmente difícil de sair, né? Isso é super legítimo. mas acabam enviasando todo o resto da sua história por conta disso.
Eu sempre gosto de propor uma atividade muito simples, que é assim, olha, coloca aqui a data do seu nascimento e onde você está hoje. Quantos anos você tem hoje? Agora, joga pra frente 40 anos. No mínimo. Como é que você quer que sejam esses próximos 40 anos? E, às vezes, a gente fica tão presa, né, Aline, no que já aconteceu ou por uma interpretação que a gente fez de algo que as pessoas que estavam envolvidas não tinham como fazer diferente. Enfim, esse papo é super importante para você tomar boas decisões. Aline, as... Oh, Juliana. Desculpa, gente. Eu tô aqui, Juliana e Aline. trocando os nomes, mas Juliana, como que as jovens te acessam? Qual é a principal dor dessas jovens?
A maioria é assim, falando nesse tema, ela não quer agora Mas ela não quer perder a possibilidade de se um dia ela quiser, ela conseguir. Então é o medo de ter agora e também não ter depois.
E aí quais são as ferramentas que nós temos hoje na medicina para esta mulher que não quer ter agora, mas também quer saber se ela vai ter condições de ter depois?
A gente consegue avaliar uma coisa que chama reserva ovariana, que é pra ver, comparando com uma outra mulher da sua mesma idade, se você tá no que a medicina espera de reserva naquele momento ou se você tá pior. Porque a gente não tem remédio que guarda os óvulos. A gente nasce com uma quantidade de folículo e vai perdendo ao longo da vida. E vai acabar, vai ter a menopausa. E hoje não tem nenhum remédio que a pessoa consegue tomar pra guardar dentro dela, pra quando ela quiser engravidar ainda ter um estoque bom. Porque a gente vai com o tempo perdendo qualidade dos óvulos e quantidade. O que a gente consegue fazer na medicina hoje é tirar e congelar esses folículos, esses óvulos, para quando lá na frente ela quiser engravidar, a gente poder usar numa fertilização in vitro, por exemplo. Então ela usa com 48, o óvulo dela com 33. Então vai ter mais qualidade, mais quantidade, porque infelizmente isso é determinado pela nossa idade. O tempo passa e os óvulos vão se perdendo mesmo. E aí a menina mais nova, que ainda tá nesse vai, não vai, onde que ela tá, a gente consegue fazer essa avaliação da reserva ovariana, pra ver se ela tá dentro do esperado e às vezes ela pode simplesmente esperar mais um pouco pra engravidar depois. Ou se ela vai... ela precisa se preocupar um pouco antes, se a reserva dela estiver um pouco mais baixa do que deveria. Porque ela fumou, ela operou o ovário, ela teve endometriose.
Exato.
E são coisas que aceleram essa perda desses folículos. Então existem esses exames, tanto o ultrassom, que é uma contagem dos folículos antrais, que dá isso, quanto o exame de sangue, que chama hormônio antimileriano, que mostra pra gente como que tá essa reserva aí dela.
É, vou trazer aqui uma imagem pra você, então, criar na sua cabeça. Eu tenho uma filha de três anos e meio. Aí eu olho pra ela e falo assim, filha, você sabia que os meus netinhos estão já aí dentro?
É muito fofo.
Ou seja, as meninas nascem já com a capacidade de reprodução. Agora, eu fico só um pouco receosa com esses critérios, Ju, porque aquilo que nos dizem, se a gente assume como verdade única, você já carimba. Tá bom ou tá ruim? Por que que eu estou dizendo isso? Eu estou com 44 anos. A maior parte das pessoas me perguntam, ó, como que você engravidou naturalmente? E eu fico me segurando, porque se eu digo a verdade, eu estou levando para uma pessoa que não consegue uma sensação de incapacidade. Nossa, mas ela conseguiu e eu não. Mas assim, todas nós temos características muito distintas, embora sejamos todas mulheres. E não é só o ovário que envelhece, todo o nosso corpo envelhece. Lidar com esse envelhecimento, Aline, gostaria que você trouxesse agora o quanto a nossa saúde mental precisa estar em dia, porque o envelhecimento é um privilégio, não é um acidente.
Exato.
Mas muitas mulheres não conseguem engravidar porque ouviram a vida inteira. Ah, depois os 35 eu não vou conseguir, depois vai ser mais difícil. Aí pronto, aí vai ser mais difícil mesmo. Eu nunca trabalhei com essa hipótese. Eu sempre trabalhei com a hipótese de que, bom, se for para ser mãe, eu serei da maneira que tiver que ser.
Porque nós somos diferentes. Não existe a medicina, a psicologia. São ciências que estudam e nos trazem alguns padrões de funcionamento. Mas as pessoas são completamente distintas. Então, o que é importante, né, é a pessoa se saber de novo, se conhecer fisicamente. Então, assim, poxa, é muito legal ver eu fazer desde cedo, ver como é que a minha reserva ovariana na minha idade. Porque isso me traz, assim, mais conhecimento sobre como eu funciono, sobre como é o meu corpo. E as pessoas são diferentes. Então, às vezes, pra mim, vai dar mais tarde, né? Tá funcionando ainda, dá pra ser natural. Essa não é a realidade de todos. E aí é sobre a pessoa individualizar mais mesmo.
Se conhecer.
E se saber, né? Porque tudo é autoconhecimento, gente. Tudo. Saúde é autoconhecimento.
É verdade.
Quando a gente vai lá e faz um check-up e olha o exame de sangue, eu sou super curiosa com isso. Eu adoro ver meu exame de sangue, porque, gente, sou eu aquilo ali. Amém? Sou eu, né? Também. Então, assim, eu acho que é uma cultura importante que a gente tem que se apropriar, né? Que é uma cultura do autoconhecimento. E as decisões baseadas no autoconhecimento são decisões melhores. Isso vale também pro envelhecimento, né? Porque a gente vai saber, bom, eu sou mais branquinha, as minhas rugas vão aparecer antes. Então, assim, tô sabendo disso já, né? Então, assim, O que é isso? Faz parte. Eu me preparo para isso de uma forma diferente. Não é de assalto que eu me olho no espelho e estou cheia de rugas. Vai acontecer.
Exato. E aí eu avanço das rugas para problemas de saúde e assim por diante. Está nas nossas mãos o interesse do autoconhecimento.
Isso.
Eu não posso transferir isso pra ninguém. Agora, sobre o autoconhecimento, você trouxe agora, Aline, a questão do... Eu gosto de ver meus exames. Você gosta, Ju?
Mais ou menos.
Tem gente que não gosta nem de fazer exame. Ai não, quem procura acha. Gente, quem procura, cura. A palavra cura tá dando pra cura. Mas o que eu quero dizer é o seguinte. Existem algumas ferramentas disponíveis que a gente pode se conhecer. E outras coisas que a gente adoraria saber o que tá acontecendo dentro, mas não tem como. E aí eu fiquei muito feliz em saber que nós mulheres podemos agora ter uma informação que na nossa época a Aline não tinha. E eu quero agora que a Ju explique um pouquinho mais. Presta atenção que você já vai entender. Você que não tem um parceiro fixo, você que está procurando um parceiro fixo, deixa eu colocar toda essa narrativa assim, você que está solteira, que está na balada, etc. Imagina o quanto seria bom você saber, será que eu estou ovulando? Porque se eu estiver no período fértil, E eu não tenho um parceiro fixo, eu nem saio de casa, não é?
Tem, mas tem que usar preservativo.
Exato, exato. Você vai ter que duplicar a proteção, triplicar a proteção, né?
Vocês estão entendendo aqui, né?
Isso aqui é um programa de adultos. Então, o que eu quero dizer? Quando a Clear Blue me fala sobre este teste de dias mais férteis, eu falo, nossa! Olha a tecnologia a nosso favor. Então, trazendo o que a Aline disse, como é bom a gente se conhecer, agora é possível você, que está solteira e está tudo certo, estamos aí, você ter mais informações sobre o seu período FET ou não. O que que isso te traz de segurança agora, doutora Juliana?
É bem espetacular. Pra quem nunca ouviu falar, ele é um teste de urina, tipo o teste de gravidez que a gente já tá acostumada. Só que ele detecta um hormônio na urina que chama LH. que ele tem um pico no momento que a gente vai ovular, um pouquinho antes. Então, esse teste, na verdade, diferente do de gravidez, que é um só, ele tem vários tubinhos dentro, que é pra você fazer vários dias seguidos, ele vai ficar vindo negativo, e no dia que positivar é o que você tem que começar a prestar atenção, porque você vai entrar nos dois dias mais férteis ali do seu mês. Isso pode ser incrível pra quem tá tentando engravidar e quer planejar ali a relação, pra quem não quer de jeito nenhum, que ela já vai saber o dia que ela tem que ficar mais atenta.
Boa!
É muito bom esse exame.
Não, então eu vou repetir, porque a informação é muito importante. Então se você quer engravidar ou não, a informação que você tem que ter é, mas que dia então que eu vou ovular?
Exato.
Porque aí você vai tomar uma precaução, maior ou não. Ou seja, tudo que a gente pode ter de informação pra nós, a Lene fala pra mim. Eu queria aproveitar ainda esse tempo. É evidente que o nosso tema, que é a maternidade, você alinha a mãe de um menino de oito e um de três. E a maternidade, de fato, nos dá uma lente muito diferente da vida. E você é psicóloga de homens e mulheres, ou seja, atletas, atleta olímpico, Brasil, atleta olímpico, né? Eu me lembro de ter te conhecido mais e ter ouvido falar muito sobre você pela Rebeca Andrade. Estive com ela num episódio interessante do TEDx, né? Eu fui chamada em cima da hora para entrevistá-la e eu fiquei muito feliz. E ela falava de você, Aline. Mas ela falava de você, até me arrepia, porque ela me disse assim, Isabela, eu só não desisti da minha carreira. Eu só não desisti. Isso lá em 2022. Ela não tinha ainda ganhado a medalha de 2024. Em 2022 ela falou, eu só não desisti da minha vida. não foi só da carreira, porque eu tive apoio da Aline desde os 13 anos, se eu não estiver enganada, que ela estava contigo. Ali foi tão marcante para mim. Olha só quantos sonhos são interrompidos pela falta de apoio, pela falta de uma leitura isenta de julgamento e que te ajuda a voltar para os trilhos. Conta para nós como é que foi essa experiência.
Enfim, a Rebeca, eu acho que ela dispensa apresentações, o jeito que ela se coloca, o jeito que ela fala, a mensagem que ela passa, é uma mensagem que me orgulha muito, porque ela é uma atleta inteira, dona dela mesmo, segura. E isso foi construído, claro, não só comigo, mas com todo um trabalho de uma equipe incrível, construído pela entrega dela, porque é isso, ninguém faz nada se a pessoa não se entrega para um processo, que não é um processo fácil. O processo de crescimento é um processo desafiador, difícil, que exige muita coragem. E eu me sinto muito privilegiada de ter acompanhado essas diferentes fases da vida dela e de ter tido a oportunidade de segurar a mão dela e ainda segurar a mão dela para que ela se torne quem ela é. Eu acho que esse é o trabalho do psicólogo. E é engraçado que é um pouco como o do obstetra, você ajuda a nascer. De outra forma. Mas, assim, existe ali alguém que precisa nascer e... Eu adoro essa metáfora, porque eu acho que é muito isso.
Muito interessante.
Então, não é uma coisa que a gente vai lá e faz a coisa acontecer. A gente facilita que aquilo que precisa acontecer naturalmente aconteça.
E olha que interessante, a gente está falando de atletas de alta performance, para mim, Aline, me corrija, alta performance é performance constante.
Exato.
Não é uma performance pontual.
Isso. E os atletas, eles precisam render todos os dias. E aí, muitas vezes, me perguntam em palestra, me olham com uma coisa assim, ai, me conta o segredo. O segredo. Conta pra nós, então, qual é o segredo.
O que que eles têm?
E eu digo, gente, eles têm o que todos nós temos. Nós também somos assim, falo sem medo de errar, temos alta performance sim, porque fizemos, entregamos todos os dias. O esporte é um fenômeno muito inspirador, porque a gente consegue sentir aquilo ali acontecendo, afeta as nossas emoções na hora. E é muito bonita a transferência que o esporte traz para a vida de todos nós. E essa coisa que o atleta tem, ele tem que render todos os dias, ele tem que entregar todos os dias, ele precisa aprender a ter uma performance sustentável. Senão, ele vai ser um atleta de uma medalha só.
Pronto. É como o músico de uma música só. Então, eu vou só trazer aqui uma frase que você disse há pouco. Um atleta de alta performance precisa entregar todos os dias. Qual a diferença de um atleta de alta performance para nós, profissionais? Ou seja, o profissional de alta performance é aquele que produz todos os dias, não é uma produção pontual. Esse é um tipo de pressão. Agora, você imagina as meninas que chegam no seu consultório, Ju, com o tipo de pressão. humana, eu preciso chegar nesse lugar, eu preciso chegar no lugar da alta performance, mas e agora, eu preciso mais o que? Eu preciso parir, eu preciso engravidar, eu preciso praticar isso que o mundo espera de mim, mas e o que eu espero de mim? Então assim, lidar com essa pressão, na minha opinião, só com saúde mental.
Sou a maior advogada dos psicólogos que existem. Porque tem gente que ainda tem uma noção que a terapia é pra quem tá lidando com um problema muito grave. Então, pra ela, não. Ela não precisa. Porque nunca fez e não sabe como é bom fazer. E como pode ajudar em situações cotidianas e se renascer, descobrir uma nova mulher na terapia.
Pra gente encerrar, como é que vocês gostariam que o... a nossa sociedade acolhesse mais essa mulher que está na dúvida. Se é agora ou não, ou nunca. Agora, daqui a um pouquinho, ou mais pra frente. Ou não. Ou nunca.
Eu acho que a palavra é respeito mesmo. Respeito pelo processo do outro. As pessoas se autorizam a se enfiar no processo do outro e dizer o que o outro deve ou não fazer. E a gente não tem essa autorização. A priori a gente não tem essa autorização. E aquela pessoa que está em dúvida, que está ambivalente, que está contemplando uma ideia, ela pode daqui a pouco mudar de ideia, ela pode firmar o seu posicionamento. E eu acho que cabe a gente que está facilitando qualquer coisa, ou às vezes que está conversando com uma amiga, não precisa nem ser profissional de saúde, partir desse lugar de respeito e de validação de que aquele é o momento daquela pessoa naquele espaço tempo, mas que pode ser que mude, e tudo bem se mudar. Porque às vezes as pessoas também, rola muito isso, assim, não, eu disse que eu não queria ser mãe, mas agora eu quero. E aí eu não queria e agora eu quero. Mudou! Mudou, gente. E a gente tem que acomodar, porque a vida não é uma linha assim, né? Que acaba... Da bem, né? A gente muda o tempo inteiro. E é possível, né? Acomodar essas mudanças. Entende? Então acho que é sobre respeitar o momento daquela pessoa. Isso é o prioritário.
Bom senso, tá? Bom senso, cancha de galinha, né? Não faz mal a ninguém. E sem checklist, né, doutora Juliana?
Sim, tá tudo bem. Às vezes, evitar até de ficar perguntando algumas coisas, sabe? Não é por mal que você pergunta pra sua prima se ela vai ter filho ou não, mas às vezes ela tá numa batalha interna tão profunda que ela só não quer falar disso no almoço e domingo. Se ela quiser, ela vai falar. Então, às vezes, evitar algumas perguntas que não precisam ser feitas, a resposta vai vir da própria pessoa com o tempo.
Isso.
Reforça mais um pouquinho, doutora Juliana. Não, imagina eu com 44 e as pessoas falam assim, mas agora é o último, né?
Não precisa ser.
Olha, por acaso, por acaso, eu farei laqueadura. Porque eu estou com 44. Agora é uma decisão. Agora é uma decisão com maturidade, com experiência, com repertório. Mas... pra quê? O que essas perguntas vão mudar na sua vida?
Nada. Às vezes a pessoa nem quer saber direito a resposta. Ela só quer quebrar o gelo ali. A primeira coisa que vem na cabeça dela é isso. Ela verbaliza. Só que ela não tem noção do impacto que pode dar na pessoa que tá ouvindo a pergunta. O checklist da vida que eu brinco, ele vale pra tudo. É igual o seu primo que tá prestando vestibular e você pergunta, e aí, vai passar esse ano? Coitado, às vezes não vai.
Olha, claro que tu estudou. Tô querendo, né? Tô tentando.
Tô estudando. E aí a gente pergunta, às vezes a gente não tem noção o quanto. Imagina para o atleta, no almoço de domingo, a medalha vem nas Olimpíadas. Poxa vida, ele não precisa de mais uma pressão, né?
E isso, tu falou do atleta, e é uma coisa que a gente sempre trabalha muito. O aprendizado sobre que a expectativa dos outros é dos outros. A gente não precisa se comprometer com isso. E a gente pode só também se permitir dizer uma palavra muito simples, sonora, bonita, que é não. Sem explicação.
O não é uma palavra compara.
Aline, que perigo. Eu e você juntos, meu Deus do céu. Treina o não, gente. É igual treinar barras, né? Vão pra... Treina o não. Agora, não. Dessa vez, não.
É difícil falar não, hein?
É difícil, mas é um exercício.
É treino. A gente precisa aprender a dizer mais sim para nós, porque a gente fica buscando o sim das pessoas sem se dar o sim, e precisamos também treinar o não para as outras pessoas, porque senão você dá sim demais para lá, não demais para cá, e aí desequilibra. Esse papo, eu adoraria agora que tá começando a ficar bom, mas pra gente encerrar, nós começamos a falar sobre culpa. E quando nós falamos, ok, profissional de alta performance, atleta de alta performance, precisa descansar. Mas aí a pessoa fala, mas eu me sinto culpada por não fazer nada. Então, para a gente fechar, quero ouvir sobre a culpa do descansar e como lidar com a culpa nas questões ginecológicas obstétricas, como a tecnologia está a nosso favor para nos dar mais segurança, nos empoderar mais com o que é do nosso corpo. Aline.
A culpa é uma emoção que acompanha muitas pessoas, mas, sobretudo, mulheres. E a gente precisa falar sobre isso, porque as mulheres pegam o chapéu da culpa e vestem o tempo inteiro.
É uma burca, né?
Não é um chapéu, é uma burca. Exato! Portinha. Perfeito. E isso é algo que também é socialmente construído. Então, assim, Isso vale para, estou trabalhando ou não estou com o meu filho? Deveria estar com o meu filho, porque isso que mães fazem. Estou descansando e deveria estar produzindo alguma coisa, porque é isso que profissionais fazem. Então é uma luta constante e a culpa vem de um lugar de autocrítica. A gente precisa entender isso. Vem de um lugar de que a gente está Com a gente mesmo, criticando e dizendo que a gente está devendo.
Exato.
E aí vem a culpa, entende? Então assim, é esse lugar que a gente precisa acessar. E dar limite pra essa nossa parte que diz que a gente está devendo. E dizer não pra ela.
Não.
Tá falando pra quem? Agora é o momento de eu fazer nada. E esse, não adianta a gente querer exercitar o não pra fora se a gente não faz o não pra dentro. O não pra dentro é o precursor do não pra fora.
Exato.
Então esse, e isso é o interioriza. Então assim, a gente olhar lá, da pele pra dentro e que parte minha aqui que tá fazendo isso comigo? Porque vem a gente sendo o nosso próprio algoz e dizendo, mas tu deveria, mas tu não é boa mãe, então tu não é boa profissional, então tu não é boa em nada, porque tu tá assim devendo pra alguma coisa. É esse lugar que a gente precisa acessar e dar um limite mesmo, porque senão não tem como sustentar uma vida saudável, gente. Não tem como, porque a gente tá comendo a própria carne. Isso não dá pra fazer.
Essa sensação de débito é péssima. A conta corrente vai muito bem, obrigada, mas você tá no vermelho, consigo. Sim.
O que eu percebo nas pazes do consultório? Uma tentativa de equilibrar todos os pratinhos. Ela pega o pratinho dela e taca na parede, porque não vai dar tempo de pensar nela. Então ela para de se exercitar, ela deixa de comer bem e come qualquer coisa ali que tá ali na frente dela. Ela larga os hobbies, porque não dá tempo de ser hobby se você tem o filho e aí o trabalho e você tá equilibrando mil coisas ao mesmo tempo. Só que a conta chega na saúde depois. Tanto no mental quanto na física. Os exames mostram e a saúde mental mostra também.
Você sabe que eu ainda quero estar viva pra gente poder falar que saúde mental é redundância e saúde física é redundância? Porque tudo é saúde.
Eu concordo.
Tudo bem que a gente ainda tem que dividir porque nos fatiaram no passado, né? Então...
Didaticamente a gente precisa dividir, né? Pra que as pessoas entendam. Mas é junto. É junto.
Até os sintomas da pessoa não tem separação. A ansiedade ela manifesta físico.
Sim, e deixo só para finalizar aqui com um tema bem quente. Esses dias eu participei de um dos eventos, o maior evento de inovação e criatividade do mundo que é o SXSW. E o que eu quero compartilhar com vocês? Num evento de inteligência artificial, adivinha qual foi o tema mas provocativo. Saúde social. Porque sem saúde social, eu posso ter inteligência artificial que for, mas eu não consigo nem usar. Então foi muito interessante. Eu tava ali vibrando, né? Eu tava ovulando, literalmente. É possível estar grávida e ovulando, doutora? Não sei. Teoricamente, não. Mas assim, psicologicamente, eu estava assim, vibrando. Yes! Um evento que todo mundo vem buscar tecnologia, futuro. A gente tá falando de saúde social. O que é saúde social? Empatia mais saúde mental. A sua capacidade para se relacionar. E uma pessoa sem saúde mental, me corrija, Aline, afeta muito mais o ambiente do que uma pessoa sem saúde física.
Sem dúvida. E isso é algo que eu vejo que é super importante da gente levar para o mundo, sabe? Porque senão a gente não muda esse cenário, né? E agora todo mundo fala saúde mental no trabalho, tempos de NR1. Gente, se a gente não chega e trabalha saúde mental, sobretudo as lideranças, né Isabela? Não vai ter empatia, não vai ter escutativa, não vai ter saúde mental, vai ser só uma regra.
E saúde social tem a ver com coletivo, produtividade, resultado. Se ninguém faz nada sozinho, então a gente precisa pensar em como nós estamos lidando conosco e com o nosso entorno. Meninas, sensacional. Aline, quem está apaixonado por você e quer continuar, seguir acompanhando suas ideias? E o tom de voz da Aline, gente? Ela começa a falar assim, tão devagar. Aí eu já fico, meu Deus do céu, como eu falo alto, Isabela.
Olha a autocrítica, Isabela.
Não, mas eu já faço isso, então, de piada mesmo, porque eu não posso mudar quem eu sou?
Isso, que maravilha!
Eu hoje eu já sei admirar, reconhecer e falar, olha...
Isso é muito bom, né?
Quais são os caminhos para as pessoas continuarem te acompanhando?
Bom, foi muito bom estar aqui com vocês, com pessoas que eu admiro e que se comunicam com tanta gente, né? Então, quem quiser me acompanhar, alinevolffipsi no Instagram. LinkedIn, Aline Wolf. Eu tenho me dedicado muito depois desse evento de Paris, que meu nome ficou muito mais em voga. Tô saindo das fronteiras do consultório e tô levando a minha voz para que eu multiplique mesmo, para que eu leve uma mensagem que me motiva, que eu acredito, porque eu sou uma idealista, eu quero mudar o mundo.
Ai, total.
Total.
Semelhante atrás semelhante.
Exato. Então, assim, muito bom estar aqui com pessoas que estão fazendo o mesmo.
Que bom saber. Tem muitas líderes que acompanham o Interioriza, porque esse programa, que existe há mais de dois anos, tem uma característica, são mulheres em transição. Transição na vida, carreira, relacionamento pessoal e tudo mais. E tem muitas líderes que nos acompanham. Então é bom saber que agora a Aline está disponível também para te acompanhar nessa transição na sua jornada profissional também. Muito bom, excelente. E você, doutora Juliana?
Eu sou fácil de achar, na internet é um segundo.
Facinha, tá facinha. TikTok ou Instagram melhor?
Os dois. Eu gosto mais do TikTok, mas eu entendo que o pessoal ainda gosta mais do Instagram. Mas é o mesmo, é julianateixeira.gineco. Fácil de achar.
Excelente, excelente. E se você... Aliás, como é que estão os seus exames?
Pois é, gente.
Já foi na ginecologista esse ano, né? Eu me venha com esse negócio de quem procura acha, quem procura cura, cura tá dentro de procura, né? Faça, faça a sua parte. Antes de dar tchau, eu preciso agradecer quem? Primeiro quem está me vestindo, gente, Emma Fiorese, olha que elegância, né? Olha só, tô grávida, tá, gente? Essa roupa disfarça que é um negócio, né? A Emma Fiorese, quero agradecer também a Claire Blue, então, que está nos apoiando nessa temporada do interiorismo da maternidade, trazendo tanta segurança para nós mulheres, não só com os testes de gravidez, mas especialmente esse de ovulação, para você que está solteira, está na vida louca, está se divertindo, você precisa saber quando você está mais propensa a engravidar ou não. Também quero agradecer a Priscila Pacífico, a Ju Butler e Sonhos de Ninar por esse cenário tão fofo que nós temos aqui. E quem mais eu quero agradecer? Você, que nos acompanhou até aqui, nos dedicou o seu tempo e se tudo o que nós falamos aqui bateu no seu coração, fez sentido para você, compartilhe com quem você quer bem. Com certeza tem mais mulheres por aí querendo, então, ouvir essa prosa tão boa. Obrigada, meninas. Até breve. Até o próximo Interioriza.
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