Ep. 146 | Como a IA pode acelerar a "green economy" e promover sustentabilidade? Gerd Leonhard sobre IA.
3 Oct 2023 · 13 min
André Iorio and futurist Gerd Leonhard discuss how AI can accelerate the green economy and fight climate change. They examine AI's energy consumption, sustainable energy solutions, and Bitcoin's environmental impact.
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Lembra de alguns anos atrás, no meio do hype do Bitcoin e das criptomoedas, como se falava com uma enorme preocupação dos custos ambientais delas? Em particular, o problema estava com o Bitcoin, porque em 2022, o Cambridge Centre for Alternative Finance estimou que o Bitcoin consumia 131 teravatura anualmente, representando 0,29% da produção mundial de energia. e 0,59% da produção mundial de eletricidade, classificando a mineração de bitcoin como se fosse um país entre a Ucrânia e Egito em termos de consumo de eletricidade. Por que isso? Porque principalmente pelo processo de mineração de bitcoins. Em 2022, se estima que essa mineração de bitcoin fosse responsável por 0,1% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Um segundo efeito ambiental é a poluição do ar causada pela geração de eletricidade de carvão. E um terceiro é o lixo eletrônico devido à curta expectativa de vida dos equipamentos de mineração de bitcoin. Hoje, com a aceleração do uso da inteligência artificial, está começando a surgir perguntas semelhantes sobre o impacto dela no meio ambiente. Mas nós não podemos também esquecer que ela também tem o potencial de ajudar no combate à mudança climática. Vamos falar disso tudo neste episódio da quarta temporada do Metano e Além. Aqui o André Aiori, o palestrante e escritor sobre transformação digital, liderança e inovação. Já fui diretor do Tinder por 5 anos e Chief Digital Officer na L'Oréal e sou professor de MBA na Fundação Dom Cabral. Hoje trabalho com mais de 100 empresas por ano nos Estados Unidos, Europa e América Latina em projetos de transformação do seu negócio e sua cultura e sou também autor dos livros 6 competências para surfar na transformação digital e o mais recente, Meta Leadership. Também quero lembrar que essa quarta temporada é também um oferecimento da Oi Soluções, da qual sou embaixador na área de tecnologia. A Oi Soluções é uma integradora de soluções digitais para grandes empresas, com um portfólio completo de cibersegurança, cloud, UCNC, IoT, big data e analytics, aplicações digitais e serviços gerenciados, ou seja, tem todo tipo de solução tecnológica e inovação que simplifica a transformação digital, diz a empresa. Então lembre-se sempre, desafios inovadores pedem UiSoluções. Mais detalhes no site UiSoluções.com.br ou entre em contato com o consultor UiSoluções. Ah, e se quiser me acompanhar e interagir mais comigo, pelo meu site andreaiorio.com. E para entrarmos um pouco mais a fundo no tema deste episódio, ou seja, de como a inteligência artificial pode acelerar a green economy e promover sustentabilidade, vamos ouvir então uma frase do Gert Leonhardt, um grande futurista e palestrante, que nos fala sobre tudo isso. Ouça só. Acredito que para onde todos estamos indo, acho que estamos caminhando para um mundo em que isso é bastante óbvio. A transição é dolorosa, mas a economia sustentável não apenas custa dinheiro, ela também gera dinheiro. Essa é boa notícia. Sim, é caro passar por essa transição, mas esse gráfico aqui da BlackRock, um dos maiores investidores do mundo, mostra basicamente que a linha verde representa os gastos com infraestrutura, a redução dos danos climáticos e os custos de transição. E no final, acabamos com mais, não menos. Isso é uma boa notícia e também algo novo que podemos ver desta maneira. O gráfico do Fórum Econômico Mundial mostra um trilhão de dólares em novas receitas e eles dizem que haverá 395 milhões de empregos novos em 20 anos. Isso é um pouco otimista. Não sei se seriam 395 milhões de empregos novos, mas muitos empregos novos. Ok, então estamos mudando nossa forma de pensar e nosso mundo, passando da extração e exploração que vem do petróleo e do gás para o Facebook, que essencialmente extrai informações de você para o mundo da criação. É isso o caminho para a Europa, para o nosso futuro. Podemos ser líderes globais em sustentabilidade. Podemos ser líderes globais também na proteção dos seres humanos contra a extração. Nós vemos com o ato dos mercados digitais e outros, não é? E claramente o que está evoluindo é que ser sustentável é um novo lucro. Em muitos casos a inteligência artificial é apresentada em termos binários, seja na cultura popular quanto nas discussões econômicas e políticas, porque ou representa a chave para uma utopia futurística definida pela integração da inteligência humana com a inteligência artificial, ou é o primeiro passo para uma evolução distópica das máquinas que vão dominar o mundo e extinguir a sociedade humana. Mas o mesmo pensamento binário é praticado por acadêmicos, empresários e até ativistas em relação à aplicação da inteligência artificial no combate às mudanças climáticas. E o foco único da indústria de tecnologia no papel da inteligência artificial na verdade pode ser muito menos, digamos, dualístico do que a gente possa imaginar porque na verdade assim como a inteligência artificial pode impactar negativamente e exacerbar a degradação ambiental muitas vezes ela pode ser utilizada na luta contra as mudanças climáticas de uma forma que de fato esteja alinhado com sua promessa tecnológica de trazer novas formas de inteligência. Então veja bem, inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa para combater as mudanças climáticas. Por exemplo, carros autônomos com inteligência artificial podem reduzir as emissões em 50% até 2050 ao identificar rotas mais eficientes. Empregar a inteligência artificial na agricultura traz rendimentos mais altos. Olha só, os produtores de amendoim na Índia obtiveram uma colheta 30 vezes maior usando a tecnologia da inteligência artificial para planejamento. Além disso, a inteligência artificial pode fornecer análises mais rápidas e precisas de imagens de satélites que identificam áreas atingidas por desastres. ou destruição da floresta tropical, como no caso da Amazônia. A análise de inteligência artificial autônoma pode ajudar a prever padrões climáticos perigosos e aumentar, de fato, a preparação das populações e inclusive monitorar com precisão se governos e empresas estão cumprindo suas metas de emissões. No entanto, a inteligência artificial e, de forma geral, o mundo da internet e o mundo da tecnologia, tem sido cada vez mais criticado por usar quantidades enormes de energia. Para um pouco do problema que o Bitcoin vive, veja a parte de processamento de dados, por exemplo. Os supercomputadores usados para executar programas de inteligência artificial de ponta são alimentados pela rede pública de eletricidade e, muitas vezes, geradores a diesel de reserva. Então, o treinamento de um único sistema de inteligência artificial pode emitir mais de 250 mil libras de dióxido de carbono. De fato, o uso da tecnologia da inteligência artificial em todos os setores produz emissões de dióxido de carbono em um nível comparável à indústria de aviação. Essas emissões adicionais impactam desproporcionalmente comunidades historicamente marginalizadas, que vivem em áreas altamente poluídas e são diretamente afetadas pelos riscos à saúde. Por causa desta poluição, Então, recentemente, cientistas e engenheiros de inteligência artificial responderam a essas críticas e estão considerando novas fontes para alimentar data farms. Então, fábricas de dados. No entanto, mesmo novas fontes de energia mais sustentáveis, como baterias recarregáveis, podem agravar as mudanças climáticas. A maioria das baterias hoje em dia é construída com lítio, um metal de terras raras, cuja extração pode ter efeitos negativos para algumas comunidades. De fato, também usa muita água, da ordem de 500 mil galões de água para cada tonelada de lítio extraído. Então no Chile, o segundo maior produtor de lítio no mundo, comunidades indígenas como o povo Copiapó, no norte, muitas vezes entram em conflito com mineradores por causa dos direitos à terra e água. E essas atividades da mineração são tão intensivas em água que o Instituto de Pesquisas Energéticas informa que no salário de Atacama eles já consumiram 65%. da água da região. Essa perda de água danifica e esgota permanentemente as zonas úmidas e as fontes de águas, o que fez com que as espécies nativas de flora e fauna se tornassem ameaçadas e afetassem as populações locais. Então, só descrever o lítio como uma energia limpa simplesmente porque é menos desastroso para o meio ambiente do que o diesel e o carvão, é meio que uma falsa dicotomia, que pelo menos desencoraja as partes interessadas de buscar fontes de energia mais novas e ecológicas. O desenvolvimento da tecnologia da inteligência artificial é um símbolo incrível de progresso. Vejamos, isso é verdade. Porém, o progresso não é, de fato, o igual para todo mundo. E, às vezes, as empresas que desenvolvem essas tecnologias têm a responsabilidade de garantir que as comunidades mais marginalizadas não sofram o peso dos efeitos colaterais negativos da revolução da inteligência artificial. Algumas data farms, ou seja, fazendas de dados, mudaram para funcionar inteiramente com energia limpa. Na Islândia, por exemplo, funciona com grande parte energia limpa de recursos hidrelétricos e geotérmicos da ilha, e o país se tornou, de fato, um local para novos data centers. Esses datacenters também não precisam ser resfriados por ventiladores ou ar-condicionado, que usa inclusive muita energia. Por quê? Porque justamente o clima frio da Finlândia, da Islândia, é suficiente. Então, é muito adequado para hospitar, sendo de processamento de dados. Até porque a maioria dos outros países não consegue replicar essas condições ambientais únicas. Então grandes empresas de dados podem evitar as armadilhas das baterias de lítio usando baterias físicas feitas de concreto. Essas baterias armazenam energia potencial gravitacional em blocos elevados de concreto que podem ser aproveitados em qualquer ponto. Isso não é uma ideia muito distante. Em um vale suíço, por exemplo, dois blocos de concreto de 35 toneladas são suspensos por uma torre de 246 pés. Eles são um protótipo inicial de como seria uma bateria física e, juntos, eles armazenam energia suficiente para abastecer 2 mil residências, ou seja, 2 megawatts. As baterias físicas são uma alternativa potencial a baterias de lítio, com menor custo para o meio ambiente e comunidades marginalizadas, e que podem ser construídas com materiais comunemente disponíveis, como concreto. Agora, o governo dos Estados Unidos, por meio do DARPA, que é a Agência de Projeto de Pesquisa Avançada da Defesa, em parceria com o Departamento de Energia do governo, investiram bilhões de dólares na melhora das baterias de lítio, especialmente criando baterias de íon de lítio de estado sólido, que poderiam fornecer melhor segurança, densidade de energia e vida útil em comparação com as baterias de íon de lítio tradicionais. Algumas empresas privadas se comprometeram a expandir o uso da tecnologia de íons de lítio em suas instalações, incluindo o Google, que criou um programa piloto para eliminar geradores de diesel em alguns data centers e substituí-los por baterias de íons de lítio. Esses investimentos não são suficientes, especialmente no momento em que os fabricantes de veículos elétricos e o governo dos Estados Unidos estão fazendo investimentos de bilhões de dólares em novos tipos de baterias. As empresas de tecnologia precisam fazer muito mais para ajudar a resolver os problemas de uso e armazenamento de energia apresentados pela inteligência artificial. De fato, a inteligência artificial apresenta uma série de vantagens para resolver a atual crise climática, mas os potenciais efeitos colaterais ambientais são difíceis de ignorar. As empresas de tecnologia costumam ser elogiadas por sua criatividade e engenhosidade, e é por isso que o meu incentivo é que eles possam usar tudo isso para resolver os problemas associados ao impacto da inteligência artificial e das novas tecnologias no meio ambiente. Eu quero que você reflita nisso tudo como dever de casa e me conte qualquer ideia, dúvida, comentário, até mesmo reclamação, entrar em contato comigo pelos sites andreaiorio.com.br, pelo Instagram, arroba andreaioriokeynotes, ou por meu LinkedIn, o Instagram. Lembrando que este episódio é um oferecimento da Oi Soluções, qual sou embaixador na área de tecnologia. A Oi Soluções é uma integradora de soluções digitais para grandes empresas com um portfólio completo de cibersegurança, cloud, UCNC, IoT, big data e analytics, aplicações digitais e serviços gerenciados. Ou seja, toda solução que é precisa para acelerar a transformação digital da sua empresa. Muito obrigado pela atenção até agora e até o próximo episódio do Metanoelab.
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