Grávida com diagnóstico de diabetes: e agora? com Alexander Buarque e Isabela Windlin
20 May 2025 · 55 min
Isabela Windlin and Dr. Alexander Buarque discuss gestational diabetes during pregnancy. They cover personal experiences, medical management, and how to navigate work while pregnant with the diagnosis.
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Eu me lembro do obstetra dizendo assim, você não pode comer isso, não pode comer aquilo, não pode comer aquilo. Aí eu olhei pra ele e falei, então eu vou comer o que?
Bom, de todos os medos que a gente tem durante a gestação, eu não tinha pensado na diabetes gestacional. Imagina! Porque não tinha caso na família, não conhecia gente que convivia com diabetes. Não tinha, não era uma questão.
Existem várias complicações que a gente pode ter, tanto para o feto quanto para a mãe e o número de situações é enorme.
Você sabe que esta temporada do interioriza começou a partir de uma necessidade. Eu logo que descobri a minha segunda gestação, também descobri que a minha glicose estava um pouquinho mais alta do que o normal para uma mulher que não estivesse gestante ok, mas para uma gestante não estava legal. E aí eu conheci a palavra diabetes gestacional. Naquele momento, para onde eu fui? Para o Google, claro. Fui começar a procurar informações, não encontrei de fontes seguras e a partir daquele momento eu pensei, então vamos fazer uma temporada interioriza especial sobre tudo que envolve a maternidade e esses imprevistos que podem acontecer com a chegada, com a notícia de uma gestação. Por isso, hoje eu tenho o privilégio de trazer aqui para o nosso estúdio ela que é especialista em neuropsicologia, mestre em neurologia, psicóloga, Isabela Windelin, Minha Chará, bem-vinda. Obrigada, viu?
Obrigada pelo convite.
A Isa, Minha Chará, ela é mãe do Nicolas de dois anos e sete meses e viveu a diabetes gestacional. Já já você vai explicar para nós como foi essa notícia e como você foi conduzindo depois a diabetes durante a gestação. E junto conosco, quem está aqui, o doutor Alexander Buarque. Obrigada, doutor.
Obrigado pelo convite.
Eu e o doutor já estivemos em outros carnavais falando sobre saúde mental no trabalho. Doutor Alex, você sempre me ensinou muito, especialmente sobre a ergonomia no trabalho, o quanto isso é importante para a manutenção da nossa saúde, mas mais do que isso, hoje o doutor Alex é supervisor dos estágios práticos do curso de especialização em medicina do trabalho da Faculdade de Medicina da USP, É diretor e logo logo vai ser presidente da Associação Paulista de Medicina do Trabalho e membro da International Commission on Occupational Health. Falei certo?
Tá certo.
Muito bem.
Perfeito.
É casado com a Laís Alves, pai do Nícolas também. Mentira que vocês têm o nome dos filhos. Olha que incrível, né? É pai do Nícolas e também da Isabela, de sete anos, e do Luca.
Exatamente. Está a pressão vestibular aí. Vamos ver se ele vai seguir a carreira de medicina.
E por que o doutor Alex está aqui? O doutor Alex também trabalha em um laboratório que hoje fornece os medidores de glicose. E aí naquele momento em que eu estava... Pensa numa notícia, você com 43 anos, gestante, diabetes estacional. Faça o que? E aí, a primeira coisa foi falar com o doutor. Falei assim, doutor, e aí? Posso usar mesmo esse medidor? Não posso? E aí eu me lembro que você deu uma aula sobre diabetes gestacional para mim, especialmente para mulheres muito ativas que estão trabalhando. Eu gostaria muito que a gente começasse com você explicando, então, como nós podemos definir a condição de uma gestante que está com diabetes gestacional.
Muito legal. Obrigado pelo convite novamente, Isabela. Vamos entender o que é, o que diferencia dessa diabetes gestacional de uma diabetes do tipo 1, tipo 2, que foi diagnosticada antes da gestação. Então, a diabetes gestacional, ela não vai atender os critérios de uma diabetes e ela vai ser diagnosticada durante o período da gestação, Após ter feito lá o teste de glicemia de jejum, depois é feito no primeiro trimestre, depois no segundo trimestre é feito então o teste de tolerância à glicose, um exame onde você administra um xarope de açúcar, um açúcar, e a gestante tem então uma medição tanto do jejum, uma hora e duas horas. Dependendo dessa curva, essa gestante, você pode descobrir que tem uma diabetes de verdade, porque ela tinha uma diabetes e não sabia, ou vai ter uma diabetes que não atende esses parâmetros que a gente vai chamar de diabetes gestacional, que é um parâmetro mais intermediário. E é isso que é importante. E aí quando a gente conversou naquela época, tem muito a ver com o fato de que não a gestante que descobre que está com diabetes gestacional, ela não tem um hábito desenvolvido ao longo de sua vida, como por exemplo uma diabetes tipo 1, de alimentação, de cuidado, de medir a glicemia e ela precisa aprender isso muito rápido.
De um dia para o outro.
E aí que a gente falou muito sobre essa questão da monitoração da glicemia, o quanto que era importante para ajudar a desenvolver esse autocuidado. Não excluindo os outros pontos importantes em relação a diabetes gestacional, mas esse era um ponto que a gente conversou bastante, enquanto que isso ia te ajudar a aprender o que é bom para eu comer, como é que era a sua alimentação, que é o ponto principal do tratamento da diabetes gestacional, a questão da alimentação.
Exato. Eu me lembro do obstetra dizendo assim, você não pode comer isso, não pode comer aquilo, não pode comer aquilo. Aí eu olhei para ele e falei, Então eu vou comer o quê? Eu vou comer o quê? Então é um momento de ansiedade, de dúvida, de medo em que você tá privado de fazer aquilo que você sempre fez. Quanto que estava a minha glicose naquele momento? 92. Se eu não estivesse grávida? teria passado numa boa, mas o bistetra falou assim, olha, isso aqui, se você não se cuidar, dependendo do que você comer, você pode desenvolver a diabetes gestacional. E aí eu usei um medidor que monitorava a cada hora tudo que eu comia e não desenvolvia a diabetes gestacional. No seu caso foi diferente, né, Isa? Você teve mesmo a diabetes durante a gestação. Como é que foi a descoberta e o que você fez?
Bom, de todos os medos que a gente tem durante a gestação, eu não tinha pensado na diabetes gestacional.
Imagina!
Porque não tinha caso na família, não conhecia gente que convivia com diabetes. Não tinha, não era uma questão. E aí fui fazer o exame das 24 semanas e aí, batata, apareceu ali. Então teve lá um um pico em alguma dos momentos lá, eu lembro que eu sozinha olhando pensei, ah, um só não dá nada, ficou acima, mas aí depois foi me explicado que em qualquer uma das medições que tivesse passado, alguma coisa assim, né? já seria diagnosticado. E eu tava mesmo com já alguns sinais por conta do tamanho do Nicolas na época, então ele tava um pouco maior e o líquido amniótico estava aumentado também, então já eram sinais.
Repete quais foram os sinais que já estavam ali no seu corpo e que depois levaram o diagnóstico?
O tamanho do bebê e a quantidade de líquido amniótico também.
O tamanho do bebê que naquele período.
Da semana, das 24 semanas, ele estava maior do que o, a fase, tanto até ele nasceu antes do tempo e acima também com 3,7 kg ele nasceu.
Tá, e por quantas semanas?
37, foi cravadinho assim, por muito pouco não foi antes, e bom, foi perfeito o seu exemplo ali daquela pergunta, né, e agora o que eu faço? Eu tenho uma pequena curiosidade que no dia que eu conversei com a minha médica, que de fato estava diagnosticada com diabetes gestacional, eu tinha uma viagem para os Estados Unidos. Dali dois dias, eu tinha comprado passagem que tinha ficado da pandemia, ia vencer. Aí a gente falou, vai ter que ser agora, porque depois que nascer não vamos conseguir, então vai ter que ser agora. E aí eu falei, e agora? Como que eu vou? Aqui em casa eu sei, vou conseguir, mas e lá? O que eu vou fazer no aeroporto? O que eu vou fazer a hora que eu quiser comer? E aí, gente, eu tive uma nutricionista. Beijo, Bruna. Ela me atendeu no horário de almoço dela, que eu estava em desespero. Ela me deu uma aula, ela me ensinou sobre a questão dos alimentos, das fibras.
A ordem dos alimentos.
A ordem dos alimentos. Ler os rótulos de absolutamente tudo.
Tudo, exato.
E, na época, eu não sabia dos medidores. Então eu fui, gente, com a canetinha. No avião ali, medindo cada refeição.
E deixando sangue em todos os lugares. Não dá pra ser um criminoso, porque você vai deixando, dependendo do medidor que você usa, você vai deixando o sanguinho espalhado.
Sim, e desconfortável também.
Pelo amor de Deus. Aí você não sabia desse outro.
Não, eu só fui usar ele um pouquinho, um tempo depois ali, aí é um outro alívio pra vida, assim, né? E aí eu lembro assim, gente, é... o quanto aqui no Brasil a gente tá muito mais preparado, parece. Não sei se foi a região que eu tava, mas eu lembro de ter entrado num mercado, num mercadinho ali no... Lá a gente tava em São Francisco. E eu li, eu queria tomar um iogurte, eu li todos os rótulos, não tinha nenhum sem açúcar. Todos tinham. Não tinha o iogurte natural sem nada? Não tinha, não achei. e dali pra baixo, assim, então foi bem difícil naquela fase ali, aquela semaninha eu tive um pico ali de glicemia enorme, uma refeição salgada, até hoje não sei o que foi, tava cuidando de tudo e é... e acho que mais ou menos por aí, assim, né?
A principal mudança que você teve que fazer então na sua rotina foi ler os rótulos das coisas antes de comer, pra não comer nada com açúcar Cortou pão, cortou massa. Aí alguém que tá aqui assistindo fala assim, ah, mas é só isso. O fato é que muitas coisas que nos rótulos está escrito sem adição de açúcar não significa que não tem açúcar. Tem açúcar. Sabe o que eu descobri? Até no sal tem açúcar, gente. Eu tô brincando! Alô, edição! Isso é uma brincadeira, mas eu lendo os rótulos, em tudo tem açúcar. Então a gente fica muito aflita, porque assim, doutora Alex, olha só a responsabilidade. A mãe tá lá gestando, né, como aqui, estou aqui. A Antônia tá aqui. Aí você recebe essa informação da diabetes estacional ou da pré-diabetes. que foi o meu caso, e você coloca uma corda no pescoço, você fica sem saída. E aí, você tá num ambiente bolha, em que alguém vai poder cozinhar pra você, em que você vai comer as coisas, você não consegue. Não dá pra ser tão regrado assim. E aí é muita responsabilidade, por quê? Qual é o perigo da diabetes gestacional, Alex?
Bem, existem várias complicações que a gente pode ter, tanto para o feto quanto para a mãe, e o número de situações é enorme. É claro que dentro da diabetes tipo 1, 2, a gestacional é aquela que tem menor risco para o feto. Parto permaturo é um deles, que a.
Gente pode ter de complicação.
Transformação, o ganho de peso, como foi citado aqui também. Então são alguns dos exemplos e é claro que tem despejos piores, mas principalmente a gente está falando desses casos. E a questão da alimentação que você falou é fundamental, porque a gente agora tem que restringir, ou seja, a gestante, não é que ela não vai comer nenhum açúcar, porque a gente tá falando de açúcar é um tipo de carboidrato, então a gente tá falando de carboidratos que a gente vai ter que fazer escolhas, carboidratos com baixo teor glicêmico, são aqueles carboidratos que não vão dar picos de glicemia no sangue, que o organismo ele tem um tempo para se recuperar, então não vai chegar de uma vez, então são esses carboidratos que são os preferenciais para gestantes. É claro que muda, a gente tem que fazer uma dieta balanceada, com fibra, com tudo isso, e como vocês falaram. E a grande dificuldade, principalmente do trabalho, se em casa já é difícil, imagina às vezes até no trabalho você conseguir regular essa dieta. E claro, às vezes você não está com hábito também de praticar atividade física, entre outras coisas, você vai ter que mudar muito a sua rotina.
Exato. Eu descobri então para o controle da pré-diabética, eu não desenvolvi, não desenvolvi, Inclusive, no último exame, o tamanho do Antônio, as medidas, elas estão dentro da média. E aí o que significa? Quando a mulher ganha muito peso ou está com a diabetes descontrolada, o neném ganha muito peso e aí nasce prematuro. Em síntese, é isso. Mas aí eu descobri, então, o que comer, quando comer e atividade física. Mas teve uma coisa que eu comi, que é aparentemente super natural, melão. Come melão uma noite como se não houvesse amanhã. Ah, já que é melão mesmo, posso comer.
É fruta natural.
Aí bota aqui o telefone no medidor e eu... 180! Saiu assim de 90 e foi para 180. Então nem todas as frutas também são inofensivas, né doutor?
Sim, porque depende também de fibras, entre outros fatores. E a glicemia ela não vai alterar só com o fator da alimentação, por isso que a atividade física também ajuda nesse controle, mas por exemplo fatores como.
O estresse, Eu ia entrar nesse assunto agora.
O estresse é um fator que também pode aumentar bastante a glicemia, então é um parâmetro biológico, até se a gente fosse olhar a poliúsia de estresse.
E agora que você entrasse nesse assunto, quando a Isa disse, ah, eu tive uma refeição salgada e tive um pico de glicemia. Você consegue se lembrar o contexto dessa refeição, se você estava vivendo em um ambiente com alguma situação que te parecia ameaça, ou seja, muito estressante?
Eu acho que aquele contexto específico não. Talvez fosse alguma coisa ali, um molho, alguma coisa que tivesse um pouco de açúcar, alguma coisa ali assim. Mas eu fico pensando ali no começo, eu tive vários picos. e o quanto, na verdade, tinha mexido com o meu emocional.
Isso, pronto.
Sabe? Bate ali num lugar de culpa do que eu fiz de errado e que, será que eu estou sendo uma ameaça para o meu bebê? É uma coisa muito ali, intenso assim. mexe bastante mesmo. Então, eu lembro de ter ficado ali, passado maus bocados.
Sua saúde mental foi afetada com a notícia da diabetes?
Totalmente, totalmente. Eu fiquei...
Tensa?
Tensa, com muito medo, mas eu tinha muito medo, assim, de... E se aquele pico específico vai fazer alguma coisa de errado, vai dar alguma coisa de ruim, né? Tudo bem que eu acho que foi um pouco neurótica demais, mas... Eu acho que é justamente essa junção de você não tinha um preparo, não tinha imaginado.
Não tinha ninguém na sua família com diabetes?
Ninguém, não tinha um convívio. A gente sabe que diabetes é uma doença de controle, crônica, pode-se viver uma vida inteira ali com ela controlada e tudo mais. Mas ainda assim, no contexto de uma gestação, não é o que a gente tá esperando, né? A gente não tá esperando mais uma doença na gestação, a gente tá esperando ali só alegrias e curtição, né?
Só ilusão.
Você sabe que eu tenho uma amiga que ficou grávida bem perto de mim, e ela aproveitou a gestação pra ir em vários restaurantes com muitas filas, porque ela ia cortar a fila. Então, todos os restaurantes que ninguém conseguia entrar, ela conseguiu ir.
Não tinha pensado nisso?
Menina, só agora!
Vou usar o colar da grávida hoje.
Então! E eu, pelo contrário, eu fui deixando de me divertir, de ir para restaurante, porque acontece, gente, e eu fico pensando muito nas pessoas com diabetes, como é que estão fazendo, né? Porque é restrito, é muito restrito.
Aí depois que você teve o Nicolas, os índices normalizaram?
Rapidamente, sim. Na mesma... Logo após o nascimento, é assim mesmo.
Pode ser, pode ser. Pode perdurar por mais tempo, mas normalmente é isso.
Eu me cuidei muito também. Eu fiz muita atividade física. Quando eu coloquei o medidor, eu percebi até o quanto caía muito a glicemia ali no pós-atividade física. Então, assim, eu consegui controlar. Eu não precisei entrar em tomar insulina, né? Porque a gente sabe que tem ainda esses casos mais graves. Mas eu tive que ter ali uma rigidez e um controle mesmo, bastante.
O que acontece na gestação é que você nunca espera uma notícia de complicação. você espera que seja de fato um estado absoluto de graça e que tudo vá fluir, sem nenhum imprevisto, e vai. Especialmente se você estiver trabalhando em um ambiente em que não haja nenhuma política que beneficie essa saúde da gestante. Doutor Alex, você é médico do trabalho, especialista em ergonomia, e a gente está falando sobre bem-estar, que agora inclusive é tema da própria NR1, riscos psicossociais. Tem alguma coisa que as empresas podem fazer sabendo que as gestantes com esse diagnóstico, precisam de uma alimentação diferente, enfim. Isso é utopia ou não? É possível fazer alguma coisa por essas mulheres?
Não, é bem possível, principalmente porque tem uma mudança muito grande na rotina da mulher e a empresa tem que ser um meio facilitador, ela tem que ser, trazer essas facilidades. Claro que dependendo do tamanho da empresa, às vezes tem coisas que a gente pode citar aqui que serão mais difíceis de ser executado, mas a gente, vamos começar primeiro em relação ao período da, por exemplo, da licença maternidade que ele pode ser estendido, né? Então, além do direito constitucional que a gente já tem da licença, mas a extensão que tem um programa da empresa cidadã e que ela pode prorrogar mais dois meses a licença. Então, esse é um ponto importante. E é um benefício para a empresa, porque todo esse valor, ele é descontado do imposto de renda da empresa. Então, é um ganha-ganha, acaba sendo um grande benefício para a empresa em relação a esse período de prorrogação. Isso a gente está falando das questões legais, a mulher, a gestante vai ter espaços específicos para estacionar, mas flexibilidade, por exemplo, no trabalho, que é um ponto fundamental, a gente está falando para poder sair Mais cedo para aumentar, mas vamos falar da gestante ainda. Quando a gente está falando da gestante, essa gestante pode ter, além da flexibilidade, pegar um período da gestação, às vezes até mais extenso, terceiro trimestre ou mais, tendo possibilidade de um home office. Trabalhar em casa, você tem um acesso mais fácil.
Né?
As condições de ter que olhar o todo, se antes já era importante todo mundo ter pausas, por exemplo, pra gestante e pra paciente gestante diabética, ela vai precisar dessas pausas, inclusive, de forma mais intensa, porque ela tem que fazer tantas aferições da glicemia com frequência, eu vou ter que ter um local pra, por exemplo, onde é que vai parar todas essas agulhinhas, né? Ou se ela tiver que usar a insulina. Então, tem que ter um local preparado, tanto pra armazenamento, quanto pra poder fazer o descarte adequado desses resíduos biológicos e juntamente com isso Dentro dessa política de flexibilidade, local de armazenamento, permitir os locais para colocar e permitir essa pausa com maior frequência, sabe? Essa autonomia de você tomar a decisão de você sair. E um outro ponto importante tem a ver com a alimentação. A gente já falou aqui o quanto é importante ter a alimentação balanceada em relação aos carboidratos de baixo teor glicêmico. Como é que a gente vai fazer isso? Algumas empresas montam um prato específico para as pessoas que têm diabetes, que têm hipertensão. Então, às vezes, empresas que têm refeitório, você faz a comunicação, ter esse prato específico montado para gestantes diabéticos é uma ação interessante para que você facilite a alimentação. E se não é o caso, eu tenho que ter uma copa para essa pessoa trazer a sua marmita, para fazer a sua alimentação, que ela já foi preparada, ou para o processionista. que tem uma geladeira, um micro-ondas, que você possa ter uma alimentação adequada em todas as condições. E além disso, se a gente for além, ter uma equipe multiprofissional para dar suporte, e aí eu não estou falando só do médico, não estou falando do psicólogo, mas às vezes o acompanhamento de uma enfermeira, estar perto, esses sensores permitem, por exemplo, você acompanhar a distância, compartilhando as informações com o seu médico. Então, E mesmo os seus resultados que você pode estar usando da glicemia capilar, que ela é mais precisa às vezes para algumas situações, mas esse caso, principalmente para os casos para desenvolver esse autoconhecimento é importante. Como a gente já falou lá no começo, você não tinha diabetes. Agora você tem gestação, que é um monte de mudança na sua rotina e você agora já tem mais uma doença que você precisa tratar. Então você tem que ter essa educação, então promover palestra, workshop, educação em diabetes para essas gestantes, permitindo que isso torne-se um pouco mais fluido, um pouco mais prático. Então essa flexibilidade, essa sensibilidade pelo lado da empresa é fundamental.
E isso não é custo. Atenção, isso não é custo, isso não é um privilégio, isso faz parte inclusive sobre os direitos da saúde mental, porque esta funcionária que está fazendo o seu melhor, falando ainda de quem está trabalhando em uma empresa, está fazendo o seu melhor, mas está vivendo uma fase apenas, uma fase em que ela precisa de mais flexibilidade.
Tem outro ponto que você falou, para eu não perder o fio da meada, E além de direito que ela tem, é fundamental lembrar que essa exigência não pode estar exposta aos riscos. Porque você tem o direito legal dela não estar exposta a risco, então ela tem o direito de estar em uma outra função. Ou se não existe uma outra alternativa, vai ter que estar afastada do trabalho. Normalmente se adapta. E a gente, lembrando da NR1, da questão do psicosocial, ele também é um risco. Então, situações extremamente estressantes, elas são uma dificuldade para esse controle. Então, ele também é um elemento importante e a gente está só começando nisso.
Só começando. Eu estou doida para saber sobre os efeitos do estresse no corpo, já já o Dr. Alex vai falar sobre isso. Antes, deixa eu só confirmar aqui com a Isa, porque você não tinha um trabalho com carteira assinada, você era empreendedora. Autônoma, muito bem, autônoma. Como foi lidar então com as agendas, com as pressões, com a necessidade também da entrada de dinheiro para as responsabilidades financeiras, como é que você lidou com tudo aquilo?
Ai gente, é assim, eu tive que me programar, me organizar pra todo esse processo, né? Eu que tive que ali me organizar pra ter, conseguir separar alguns meses de licença, né? Com base ali no meu, no dinheiro que eu trabalhei antes, né? Então eu fui me organizando dessa forma, claro, tive apoio do meu marido também Mas durante o trabalho, teve uma hora que eu comecei a ficar muito limitada por conta de movimento, porque além da diabetes gestacional, eu tinha azia, tinha falta de ar, dor nas costas, dor pélvica, eu tive bastante por conta do peso dele. Então, eu precisei em algum momento de uma pessoa para me auxiliar, porque como eu faço avaliação infantil e precisava muito brincar com crianças no chão, Eu comecei a não conseguir sentar no chão ou se sentava pra levantar, era o fim do mundo. Então eu precisei buscar suporte, por exemplo, eu tive que fazer fisioterapia pélvica por conta da dor que eu tinha no quadril ali, muito forte. E aí ela foi me ensinando como me posicionar, como me, enfim, me configurar ali pra conseguir sentar, como é o jeito certo de levantar do chão, que às vezes a gente não aprende isso, né, estando com uma barriga grande. E aí eu fui assim, me ajustando nesse sentido.
Tudo isso que a Isa trouxe, doutor, é ergonomia.
Sim, tudo isso. A primeira coisa que a gente não pode esquecer é que saúde mental é ergonomia, porque tem a ver com como a gente organiza o trabalho, como a gente organiza a nossa vida, como é essa questão de propósito, e vem um propósito novo que nasce para a nossa vida. Então, está tudo muito interrelacionado, essa questão da ergonomia. Ergonomia não é só a mesa cadeira, que a gente tá falando de conforto, a gente começou falando de conforto, né? E a ergonomia tem a ver essa questão cognitiva, a gente às vezes está... Tem uma alteração hormonal na mulher, e a causa...
As palavras que somem.
Então, e aí você tem questões da cognição por conta de tudo isso, até a própria diabetes, que é por conta dessas alterações hormonais. que surgiu durante a gestação. E aí, tem essas questões de atenção, tomada de decisão, memória. Então, todos esses aspectos cognitivos. E aí, tem os aspectos emocionais. E quando você vê essas dificuldades que vêm pra você, isso te torna, deixa mais estressado. Às vezes, você acha que você é uma outra pessoa, você não tá conseguindo. E você tem que superar tudo isso. Então, é um processo que eu acho que até a psicóloga pode nos ajudar, mas... que ele demanda esse autoconhecimento. Igual a diabetes, estou com uma nova doença, mas eu preciso me conhecer, conhecer essa minha situação, preciso saber como que eu vou, até o autocuidado, como que eu vou me cuidar frente a essas situações, quais estratégias que eu vou usar e às vezes a gente vai ter que procurar alguns profissionais para esse auxílio. Mas do ponto de vista de ergonomia, é fundamental a gente pensar não só no conforto, mas também nas questões que são aspectos que vão interferir. Isso interfere... Será que eu tenho que ter as mesmas metas que outras pessoas, né? Quando ele contou nesse perígio, qual é a sensibilidade? Será que eu tenho... Às vezes eu tenho até que ter reduzido o meu tempo para cuidar do meu estado de saúde. Sabe a hora de parar. No meu caso, eu tinha que...
Eu fui ter que ir adivinhando... A parte engraçada, eu me programei para parar um mês antes das 40 semanas e ele nasceu um mês antes, né? Mais ou menos, né? Então, acabou que eu não tive descanso. Eu trabalhei até, sei lá, uma sexta-feira e ele nasceu na terça-feira seguinte.
E depois você conseguiu ficar um tempo parada?
Consegui fazer cinco meses de licença.
Parada, né? Parada é como se você ficasse parada no sofá. Não, você só ficou com o neném, não teve que ir trabalhar fora de casa. Conseguiu, conseguiu.
Consegui mais, até me expondo um pouco, assim que ele nasceu ali, aquela fase do puerperio, comecei ali com uma sensação de muita tristeza, achei que fosse o baby blues, mas a coisa foi se estendendo. a ponto de realmente eu ficar, estar muito mal, né, e aí precisei de uma, fiz terapia, sempre fiz terapia durante todo esse tempo, mas acabei precisando de uma ajuda médica, né, e passei com uma psiquiatra que me diagnosticou com depressão pós-parto, e ela, sendo especialista em saúde materno, nessa área materno-infantil, Ela até estava me explicando a associação de algumas ocorrências ali, intercorrências na gravidez com a depressão pós-parto, incluindo a diabetes gestacional como um fator de risco para desenvolvimento de depressão, porque você vem de uma, de estresse. Seu estresse começa antes do puerperio, né? Então, pensando até nessa questão de risco pra saúde mental, né? A gente, vou dizer aqui, né? Vamos supor que a empresa pensa que, então, saiu de licença tá garantido, né? Mas a licença, às vezes, ela também pode ser muito pesada dentro desses casos, né?
Fala, doutor.
Colocando esse contexto no trabalho, o que acontece? O programa de acompanhamento dessas gestantes na empresa, que é uma outra ação que a empresa pode fazer, ajuda. Às vezes eles dão um kit para a mamãe, para os primeiros dias do bebê, uma roupinha, uma pomada, uma bolsa para acompanhar esse bebê, fraldas, mas também outras ações de flexibilização, claro, e também um acompanhamento multiprofissional. Então, se você desconecta totalmente da empresa, a gente não está dizendo que você vai trabalhar, que nem pode, né? Depois, quando você está na licença. Mas, se você desconecta totalmente, vem ainda mais ansiedades e medos em relação, será que eu vou retornar e eu vou estar lá com o meu emprego garantido? Me falaram que tal pessoa foi demitida logo que vou retornar ao trabalho. Todas essas angústias. Saber que tem uma sala de amamentação lá significa que a empresa está olhando para a gestante quando ela volta. Uma sala de lactação, de ordenha, a proximidade do time mostra cuidado, reduz essa ansiedade, medo em relação ao seu retorno ao trabalho que é a parte mais difícil. E a própria norma de regulamentadora, a 7, que fala do retorno ao trabalho, a gente está falando do retorno ao trabalho, normalmente a gente está falando do adoecimento, mas inclusive o retorno ao trabalho era feito nas gestantes, agora não precisa mais porque alterou a norma. Mas no retorno, esse retorno deve ser gradual. Ninguém volta. Todo mundo fala assim, às vezes a gente ouve muito na empresa. Você tem que voltar 100%, senão não precisa, sabe?
Não, não existe.
Ninguém volta 100%. A gente sempre volta de forma gradual. O cirurgião que fica 6 meses afastado, imagina se esse cirurgião tivesse grávido, né? E ele voltasse só depois de 6 meses, ele perde destreza. Ele tem que recuperar essa destreza. Então, em todas as profissões, a gente não vai estar com o mesmo Nem a senha do computador, você lembra quando você tira férias, 30 dias. Então, você imagina você retomar essa rotina. E essa rotina tem que ser gradual. Então, ter esse acolhimento gradual é, às vezes, até a redução das metas. Tem empresas que adotam, por exemplo, o primeiro mês que a pessoa retorna, ela não tem essa meta cobrada. Ela vai trabalhar na média de toda a equipe para receber o bônus. depois ela vai aumentando, vai aumentando de forma gradativa. Isso é importante, isso é cuidado com essa gestante.
Esse é o mundo ideal, mas infelizmente a gente ainda vive num mundo em que ninguém quer que a gente engravide, inclusive. O nosso sonho é que, sim, haja uma política para o retorno, para que essa gestante tenha apoio durante a gestação, mas a gente sabe que muitas mulheres, inclusive, adiam a gravidez porque temem o quanto aquilo pode prejudicar a carreira, porque sabem das notícias, se eu não estiver enganada, 50% das mulheres depois que tem o primeiro filho ou elas são demitidas ou elas mesmas precisam sair porque não conseguem, porque voltam para esse mesmo estilo de vida e não vai rolar.
Não se sustenta.
Antes da gente passar aqui pra nossa conclusão, quero só trazer um ponto, Isa, porque eu não tive diabetes.
Não se identifica com aquele trabalho quando ela volta. Ela vai assim, vou voltar para aquele trabalho. Não é mais eu, né?
Totalmente isso.
A atualização de identidade.
Exatamente.
E evidente que você não é mais a mesma pessoa. Não é. Eu não tive depressão pós-parto. Eu tive depressão durante a gestação.
Nossa.
Justamente porque eu já sabia que aos 39 anos, quando eu tive minha primeira gestação, eu teria que deixar de ser quem eu sempre tinha sido. Para ser uma pessoa que eu não sabia como eu seria, mas que já havia uma cobrança de acerto disso, daquilo. E aí eu me lembro da minha psiquiatra dizendo, Isa, nós vamos ter que entrar então com é uma medicação para te ajudar então nesta travessia e foi a melhor coisa que aconteceu porque aí depois eu não tive uma piora no quadro. Imagina se eu tivesse recusado o sentimento, a tristeza. Eu não estava triste porque eu estava grávida, eu estava muito feliz, mas eu estava triste por saber que eu tinha que deixar de ser quem eu sempre fui, ou seja, a única versão que eu sabia até então. Outra coisa que é importante é que a gestação, uma mulher grávida, ela não está doente. mas ela também não está em um estado normal. E como a gente não está sangrando, eu sempre tenho que comentar isso, tá, doutor? Eu falei outro dia com a Obstetra, eu falei assim, olha, eu tô um pouco cansada de justificar a minha irritação, que aí vem pela falta de ar, o diafragma aperta e a costela do lado direito dói porque pressiona o fígado. Então, existe uma imagem tão equivocada de como a gestante está, que aí ela passa a não ter direito de sentir dores. E a gente sabe que a dor que não sangra dói em dobro, porque além de você estar se segurando, fazendo ali o seu melhor, você ainda precisa mostrar que, ok, você tá grávida, mas não tá doente. Como é que a gente ouve? Eu tô grávida, mas não tô doente. Tem umas coisas assim.
É limitada alguma coisa assim? Enfim.
Falta muito bom senso, na verdade, eu quero dizer, nesse papo de necessidades no ambiente de trabalho. A começar porque as empresas nem querem que as mulheres engravidem. Outro dia eu ouvi um amigo dizendo assim pra funcionária dele, não me engravida esse ano, hein? Peguei e chamei ele e falei, deixa eu te contar uma coisa, isso é assédio. Não pode falar isso, mas a gente sabe que isso existe. Pra gente encerrar, nós temos que falar de estresse. Mas antes de falar como o estresse afeta tudo isso, deixa eu só saber uma coisa. Doutor, você tem três filhos. Você soube dessas gestações como? Foi teste de sangue, teste de farmácia, você acordou, sonhou, amor, tomou grávida, como é que foi?
Quase sempre a curiosidade é o teste de farmácia, né? Essa é sempre a primeira notícia, né? E às vezes a gente não é a primeira pessoa. perguntar pra mim, às vezes é mais difícil, porque a curiosidade sempre é da mãe, né? De saber, ó, alguma coisa terrada aqui, né? De ir atrás dessa informação, às vezes conta, né? Mas eu diria que normalmente ela acaba sendo, assim, como é que eu vou dizer? Não pela surpresa, mas justamente quem vai, que a primeira pessoa curiosa a saber é a mãe. Mas sempre é uma felicidade a gente ter essa notícia. É um propósito novo na vida, né? Ele agrega esse propósito.
Os três foram planejados?
Não, não sempre. Mas sempre são maravilhosos, né? E assim, a gente tenta sempre estar perto o tempo todo deles e é a coisa mais gostosa ter filho, né?
Teve alguma história, por exemplo, curiosa em relação aos testes, né? Por exemplo, a sua esposa tava na dúvida, foi lá. Alguma situação assim que você queira dividir?
Eu acho que não tem nada de muito novo nesse teste. Principalmente da Isabela, que veio agora no final, sempre foi uma angústia. Ela estava bem angustiada. Até porque a gente não era casado ainda, entendeu? Então, foi uma situação assim, como é que a gente vai fazer isso? E foi muito interessante, porque muda. Assim, eu já era pai antes, mas a minha esposa atual não era mãe, não tinha sido mãe. Então, eu acho que estava até mais preparado do que a ansiedade dela. Muito mais.
Você já tinha vivido aquilo, ela não.
Eu já tinha vivido isso, eu estava mais tranquilo com a surpresa. E eu acho que isso muda a forma dela pensar e de... Acho que mudou totalmente a rotina, a vida, e... Como é que eu vou dizer? E eu esperava, precisava de uma menina, né? Porque... Como é que eu vou ficar, né? E agora eu tô cercado de mulheres, porque tem a nossa cachorrinha, que é a Sara, que também é menina. Então ficou uma casa só de mulheres, que mandam, né? Sempre mandam a gente.
Entendi. Então tem sua esposa, a Isabela, e... A Petty.
A Petty lá em casa vivendo.
Entendi, entendi. Oisa, e você? Como é que você descobriu a chegada do Nicolas?
O Nicolas foi muito planejado, porque na verdade eu tive muita dificuldade para engravidar e eu precisei fazer um tratamento. Então ele é um bebezinho de proveta. E aí, quando ele foi logo, assim, deu tudo muito bem, né? Apesar de eu ter descoberto vários problemas, né? Antes de conseguir engravidar, quando eu fiz a primeira tentativa já veio ele, então deu tudo certo. Mas tem a história engraçada por trás disso, né? É porque quando você faz a fertilização in vitro, né? Você já vai fazer direto um exame de sangue, né? Mas eu não estava, ia ser assim no sábado, na sexta-feira, eu não estava me aguentando de vontade. Eu pensava, meu Deus, não é possível que entre sexta e sábado vai dar tanta diferença assim. Então eu corri na farmácia e eu lembro que sexta-feira era o rodízio do carro e faltava dez minutos para o rodízio e foi o tempo de eu voar na farmácia, entrar correndo, pegar o teste. E a gente até deu muita risada, assim, que falando o que a moça da farmácia tava achando que tava acontecendo, assim, de entrar correndo, pegar o teste, pagar. A mulher, quer a notinha? Não, não, não precisa, não precisa. Sai correndo e tudo. Fiz o teste e descobri antes, pelo teste, que tinha dado certo.
Aí quando você fez o teste, foi esse aqui?
Foi esse aqui.
Aí você fez o teste da Clearblue, você viu o sinal de mais. Porque você tava em busca do sinal de mais, vamos lá. Tem gente que faz o teste em busca do sinal de menos. É uma confirmação de que não engravidei, mas tem gente que busca o teste pra querer o mais. Aí quando você viu o mais lá, como é que foi?
Foi aquela sensação de isso tá acontecendo.
Há quanto tempo vocês estavam tentando?
Ah, um ano mais ou menos. E um ano, na verdade, um ano de tratamento, né? Mas já tinha uns dois anos, pelo menos. E aí, uma sensação, apesar de assim, de saber, eu lembro do meu marido falar, mas Isa, A gente já sabia que ia dar certo, não, mas saber ver isso agora, eu precisava ter esse momento de descobrir pelo teste de farmácia.
Perfeito. Doutor, olha só que curioso, o ver para crer. ainda é muito importante pra gente reduzir as descargas de cortisol no nosso sangue. O que eu quero dizer com isso é que por mais que você tenha feito o tratamento, já existia um outro exame, você ainda foi e buscou um teste na farmácia e na hora que você viu o sinal de mais, Ou seja, essa informação é muito importante. Além do teste da Clear Blue, tem uma outra coisa que eu só quero dizer para as outras mães que estão nos acompanhando. Se você quiser saber o dia exato que é tipo, é hoje! é hoje, né parceiro, é hoje. Esse é um teste de ovulação que eu não conhecia, é um produto recente e que você fica sabendo quais são os seus dois dias mais férteis do mês. Ou seja, se você quiser ter outro filho, doutor, você já dá pra sua esposa?
Já fiz um tratamento aqui.
Já cortou? Já. Então tudo bem. Então você que ainda, você vai querer ter filho?
Eu acho que eu não tô ainda muito preparada.
Ainda não. Então por isso que é importante o teste de ovulação, não é hoje. Olha que curioso. Ter essa informação, doutor, reduz o estresse?
Com certeza, né? É facilitador. Ainda que não seja certeza de que você tenha êxito, ele é um fator que facilita bastante, né? Claro que às vezes até a mulher tem, já tem algum conhecimento, né? Desses momentos, né? Mas é uma contribuição bem grande.
A segunda gestação, sim. A primeira, não. Porque na segunda, eu já fiz sabendo que estava. Na primeira não. Na primeira era assim, era uma intuição, mas ok, vamos ver isso aqui. O que eu quero dizer com você, para a gente finalizar, doutora, é o seguinte. O estresse mal gerenciado é uma descarga de hormônio no nosso corpo que inflama as células. Muitas pessoas me perguntam como eu consegui engravidar depois do burnout. E eu sempre respondo que eu só consegui gerar o amor, depois que eu experimentei o amor próprio e pra isso eu tive que abrir mão de muitas coisas que até poderiam ser muito legais mas que eram uma churrada de cortisol ruim, não cortisol bom, não estresse bom queria que você então trouxesse pra nós o quanto o excesso de estresse mal gerenciado ou seja, situações crônicas podem te levar para um estado de inflamação e que pode, na minha humilde opinião, inviabilizar um processo de fertilização, podem te levar a um pico de glicose, o estresse pode fazer tudo isso mesmo?
Pode, com certeza. A gente não tem como dissociar mente e corpo, são indissociáveis. A gente está falando aqui de que é uma relação hormonal, é uma relação de neurotransmissores, é uma relação biológica. Então, a gente olha, tem vários parâmetros que mudam. Temperatura dérmica, pressão arterial, frequência cardíaca, a gente sente quando está estressado aquela sensação no estômago, pode sentir uma acia, aquela alteração da produção de sugo gástrico e tudo mais. Então, todas essas alterações acontecem no nosso organismo. E a questão de como que eu vou gerenciar isso, né? E é um processo complexo, porque a gente tá falando de vida. Eu tenho uma parte do meu dia que é a vida e a gente às vezes esquece que tem outra parte que é o trabalho. E esse trabalho, como a gente falou lá, a pessoa até saiu, ela optou por sair. Mas esse trabalho, ele tem um caráter pra evitar esse estresse, pra gente poder ajudar, pra gerenciar, que tá ligado a alguns fatores que a gente já conhece, né? Dentre eles, A gente está falando sobre a demanda, não é só a demanda, porque o trabalho, ele é importante. A dificuldade do trabalho, ele é importante. O problema é que nem sempre a gente tem o que a gente chama de reconhecimento dentro desse ambiente de trabalho. Então, tudo isso são fatores de controle que a gente quer para a gente gerenciar esse estresse, para evitar esses efeitos que levam ao adoecimento. Seja alguns orgânicos mesmo, como a gente já citou aqui, e outros que são transtornos mentais que são das mais variáveis possíveis. Existem certas situações de estresse que não é só, vou ficar com depressão, ansiedade, vou estar com burnout, é inúmeras situações. Tem pessoas que viram alcoólatras, usuários de drogas, por situações das mais possíveis, entre outros, né? Fobias, estresse pós-traumático, o número é inúmero. Mas a gente pensando, então, tem essa recompensa. Então, o que a gente coloca dentro dessa balança, porque o esforço ele é importante. O problema é quando você se esforça e você não vê o propósito lá, ou seja, não tem uma recompensa disso. Eu não vejo sentido do que eu tô fazendo, satisfação no trabalho e essa recompensa... e às vezes eu ouço muito pessoas falando assim, o trabalho adoece. Daí outros querem falar, não, o trabalho protege. Aquela de consumir, não. Mas, na verdade, é mais do que isso. O trabalho transforma a gente. Viver transforma a gente. Ninguém chegou no trabalho e é igual como saiu. Ele sempre está melhorando. A gente está transformando. E essa transformação, desde que ela seja positiva, porque a gente aprende, tem novos conhecimentos. E é isso que é importante. As pessoas adoecem mais por não ter trabalho do que ter trabalho. Então é importante ter esse suporte social que a gente encontra no trabalho e na vida, para controlar esses testes. Esse suporte social pode vir lá da liderança que sabe te apoia, do seu colega de trabalho e fora também, porque às vezes a gente não vê esse apoio dentro do trabalho. né? Mas a gente vem em casa. E de que forma? Uma relação familiar boa, positiva, que nessa gestação, essa diabetes gestacional, ela é importante, né? A nossa fé. Às vezes eu não tenho apoio nem da família, nem no trabalho. Meu trabalho, ó, é ruim. A minha relação familiar não é boa. E aí, cê vai ter ainda outros elementos que vão ser seu apoio. Vai ser a fé, vai ser o grupo de amigos e você vai ter que achar algum apoio pra você ter esse esse suporte pra poder gerenciar melhor esse estresse.
Que lindo te ouvir falando de fé, pra gente encerrar com essa esperança. Por isso que é importante você calibrar, equilibrar, moderar, como você quiser usar o verbo, nos objetivos pessoais e profissionais. Porque se você não tem relacionamentos familiares, você não tem relacionamentos com amigos, ou seja, você não tem nenhuma parte da sua vida fora do trabalho, quando você perde o trabalho, você perde a vida. E toda vez que a gente coloca todas as nossas expectativas e energia Tudo. No trabalho, quando acontece alguma coisa neste ambiente, tudo desmorona. Por isso que é tão importante a gente ter este equilíbrio. Você já conhece essa frase de um médico do século XVI, que é a diferença entre o remédio e o veneno. É a dose. Concordo totalmente que o trabalho transforma. E esse propósito tem muita gente buscando nos lugares antes de encontrar dentro de si. É muito difícil você querer que o seu trabalho te dê o propósito se você ainda não fez a sua lição de casa, né? O seu turismo interno pra saber exatamente o quanto você pode fazer ou não, como você mesmo disse. Eu me programei, tive que parar antes, mas depois eu consegui ficar, ou seja, é ajuste o tempo inteiro. Então não ficar agarrado a grandes certezas porque o nosso corpo vai reagir de forma muito diferente, mesmo a gente se cuidando. Para a gente encerrar, qual mensagem, Isa, você tira de toda a sua experiência com a diabetes gestacional?
Olha, eu acho que, te ouvindo falar, me veio na cabeça o quanto a gente vai aprender esse termo na maternidade, mas a gente deveria, na verdade, expandir isso, que é o de rede de apoio, o conceito de rede de apoio. E acho que é exatamente disso que você tá falando. A gente tem que encontrar as formas de apoio na vida por aí. Mas também concordo que foi uma palavrinha que você falou muito, Isa, a questão do autoconhecimento. o curioso a diabetes gestacional te coloca pra ele conhecer o teu corpo, né? Então você tem que anotar ali tudo que você come, como fica a glicemia, e aí nessas você vai descobrindo que, bom, isso aqui meu corpo reage melhor, isso aqui ele reage pior, né? É todo um processo muito louco, assim, de você entender a sua biologia.
Muito bom, né?
E muito bom, né? E eu acho que, na verdade, não querendo puxar a sardinha para o meu lado, mas assim, poder estar num processo de autoconhecimento, seja pela terapia ou por alguma outra forma terapêutica de se olhar, eu acho que tem a ver com isso, encontrar sentido nas coisas que você vai fazendo, propósitos, né? Então, desde a gestação, eu acho que uma coisa que pegou muito, assim, foi realmente de uma desilusão com a expectativa tão romântica da gestação, né? Que eu tinha, por exemplo, né? Então, entender que, na verdade, pode ser um pouquinho mais difícil, pode ser maravilhoso em algumas mulheres também. E isso também, retornar para o trabalho. Então tá, agora com a minha vida transformada, qual que é o meu propósito aqui, o que eu quero. E quando a gente se conhece bem, a gente se posiciona melhor.
Com certeza. É muito interessante isso. A expectativa não tem que ser nem muito muito positiva nem muito negativa, ela tem que ser real. E é isso que tem que estar próximo, a realidade é a sua expectativa, o que é real. E eu acho que isso reduz um pouco essa ansiedade, o estresse e tudo mais.
Na psicologia a gente fala muito sobre o quanto poder se informar sobre a coisa, se conscientizar, estar em contato com a realidade, isso não é destrutivo, pelo contrário, isso fortalece a gente.
Você acredita que você se tornou uma pessoa mais saudável depois da diabetes gestacional?
Sim, todo mundo fala isso. Eu não parei mais de fazer atividade física, eu melhorei meu empenho em atividade física e o meu conhecimento sobre alimentação.
Eu sou muito fã de uma afirmação que tudo acontece para o nosso bem. Enquanto tá doendo, enquanto a coisa tá ali dolorida, mas a hora que passa um pouquinho você fala, agora eu entendi. E você, doutor, acredita que esses problemas podem acontecer para serem freios na nossa vida e nos colocar, aí sim, numa rota mais saudável?
Sim, porque existe uma mudança de rotina. Quando a gente fala de hábito, de hábito na verdade, a gestação vai durar esse período de nove meses, até a descoberta, no mínimo, a partir da 24ª semana, 28ª, e vai mudar a sua rotina. Essa rotina, ao longo de um certo tempo, vira um hábito. E quando vira um hábito, aquilo já tá engramado na gente, já tá enraizado na gente. E essa é a grande diferença. Uma é a ação, a outra é a rotina e a outra é o hábito. Rotina, eu tô começando a mudar o meu modo de agir, tô lá nos primeiros 30 dias. Depois, passou lá cem dias, aquilo já começa a tornar um hábito. Se você não faz, você não é mais você. Já é o você, já é aquele novo hábito. Isso serve pra tudo, né? E a gente tem que entender, se a gente falhar, É normal. É igual a questão do cigarro, né? Você precisa criar um hábito e tem gente que fala assim, não, putz, saí com meus amigos.
Tive uma recaída.
Não aconteceu nada. Você só fumou um cigarro e acabou. É a mesma coisa o nosso hábito. Essa semana não deu pra praticar atividade física, vamos retomar. Não pode deixar um novo hábito, que aí ruim, que tome espaço pra essa situação.
Exato.
É por isso que, depois de tantos meses, isso passou a ser parte dessas novas Isabelas.
Que lindo, Charlles. Não tenho dúvida. Doutor, quer deixar alguma página, alguma referência para alguém que quiser continuar te ouvindo? Você faz um trabalho fantástico com a medicina do trabalho. Temos muitas ideias em comum. O que você quer deixar para a nossa audiência?
Olha, eu acho que, do ponto de vista, vamos primeiro fazer um encerramento, eu acho que o mais importante é a gente buscar, seja dentro do trabalho ou no lar, todos esses cuidados que a gente já discutiu aqui nessas nossas conversas aqui, lembrando a questão da economia, mudou o centro de gravidade dessa Seu, né? Você não é a mesma pessoa na distribuição, assim, e é temporário, e a gente tem que entender isso, e esses cuidados são importantes. Então, da ergonomia, você vai levar pra vida como você citar. E fazer essas mudanças, ter esse apoio e tudo mais, eu acho que é o fundamental, né?
Se não conseguir, pedir ajuda também, né? Tem tanto profissional tão especializado assim. Eu só conheci gente boa nesse processo todo.
Pra tirar todas essas angústias, essas dúvidas e também trazer esclarecimento e encontrar os recursos que às vezes você não tem. E o profissional tem os recursos para te ajudar. Ele te dê as ferramentas, as estratégias para você superar. Seja no psicólogo, seja no médico, seja no médico de trabalho, seja na enfermeira, seja no obstetra, seja no endócrino. Então esses recursos você vai buscar com esses profissionais. Então acho que pedir ajuda é fundamental e mostra a força, não mostra a fraqueza, mostra a força. E por fim, eu acho que eu tô mais nos LinkedIn da vida, no Instagram, mais com o meu nome mesmo, e sempre tem algum evento, principalmente na nossa área de ergonomia, saúde mental, medicina e trabalho, eu tô presente aí sempre que posso.
Que bom, a gente sempre se encontra, eu fico muito feliz quando eu sou chamada assim no evento, sabe, do nada. Chega o encontro do doutor Alex e eu estou no lugar certo. Estou no caminho certo, só vai, só vai.
Ai, que delícia. Não é pouco, né?
Procurando pelo meu nome, ele é um pouquinho incomum, então pelo sobrenome você me acha, né? Então, Instagram, LinkedIn também.
Você hoje atende como psicóloga.
Eu atendo como psicóloga, tenho o meu consultório aqui em São Paulo, então, precisando, às vezes, se quiser só trocar uma ideia, eu adoro conversar.
Maravilha, maravilha, Iza. Quero agradecer também, sabe quem? Priscila Pacífico, obrigada por estar aqui comigo nessa jornada junto com a Ju Butler Shopper e a Sonho de Linar, que fizeram esse cenário fofo. Não é fofíssimo? E também a Claire Blue, que depois de me apoiar nessas duas gestações, sem saber quando eu estava buscando o meu mais, agora nos apoia também nesta temporada exclusiva sobre maternidade real. E foi o que você falou. Expectativa? Nem maior nem menor. A real. Essa é a mais importante. Obrigada. Muita saúde, que a gente tenha condições de analisar realmente aquilo que está nos acontecendo e sempre nos levar para um caminho de melhoria. Afinal, é por isso que a gente está aqui. E você que nos acompanhou, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Se esse assunto fez sentido para você, compartilhe com quem você quer bem. Até o próximo episódio do Interioriza Especial Maternidade. Até mais. Esse episódio tem o patrocínio de Clearblue, uma marca P&G.
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