Já pensou em tirar um período sabático? com Eberson Terra & Iara Vilela - EP 39 - ÏnteriorIza
11 Oct 2023 · 33 min
Eberson Terra e Iara Vilela conversam sobre tirar um período sabático. Eles compartilham experiências pessoais, discutem como planejar financeiramente e o impacto na saúde mental e crescimento pessoal.
Chapters
O tempo ideal para planejar um sabático é aquele que você não sairá tão tarde a ponto da espera destruir sua saúde mental e nem tão rápido que um descuido destrua o seu patrimônio financeiro. Já ouviu falar de sabático? Aqui ó, o poder da pausa. Nossa, que coisa chique, sofisticada, né? Só gente rica que pode fazer isso, será? Vamos ver com eles que estão rodando o mundo, nos mostrando que, sim, é possível fazer uma pausa saudável, sustentável e trazendo muitos aprendizados para todos nós, não é? Eberson Terra e Ara Villela, bem-vindos aqui no Interioriza.
Obrigada. Obrigada. É uma honra estar aqui.
O prazer é nosso.
Vocês estão vivendo na...?
Espanha.
Espanha agora. E estão aqui no Brasil para lançar esta belezinha que está nas minhas mãos. Fresquinho, gente. O livro saiu em setembro. Pensa bem. Sabático, o poder da pausa. Eu tive o privilégio de trazer aqui algumas frases, mas eu vou dizer para vocês o que está escrito, inclusive, aqui na capa. Eu me sinto muito honrada em poder estar aqui. O poder da pausa me devolve a esperança e se mostra essencial para quem quer se reencontrar. Onde vocês estavam quando vocês decidiram fazer o Sabático?
Bom, vamos lá. Primeiro, privilégio ter você aí fazendo uma recomendação na capa. Muito obrigado mais uma vez. Obrigado por ter feito o convite para a gente bater esse papo.
Sim.
Bom, o Sabático nasceu na nossa vida. A gente não sabia, e agora a gente estava falando aqui fora das câmeras, que a gente não sabia dar o nome desse incômodo que a gente sentia. Eu trabalhava como executivo de uma grande empresa, liderava mais de 2.500 pessoas na época. E um fato aconteceu para que a gente tomasse a decisão de mudar o jeito de lidar com a nossa vida, seja profissional, seja pessoal, a gente estava em desequilíbrio, essa era a visão, mas a gente não sabia exatamente como reverter esse desequilíbrio. A Yara, como jornalista, vai falar um pouquinho também a experiência dela, mas eu entendi que nesse ciclo dentro da minha carreira, Estava prestes a acabar, eu precisava entender para onde eu iria profissionalmente e eu tomei a decisão de deixar essa companhia numa posição de diretoria, eu era diretor, para me reencontrar como pessoa, para depois eu entender como seria o Eberson como profissional. Então, primeiro precisava me reencontrar como pessoa para depois me reencontrar como profissional. E aí veio o sabático.
Eu acho sensacional, porque em um contexto em que a gente vive, em que as pessoas têm tanto medo de pedir demissão, pedir demissão de empregos horríveis, que ganham mal, você, como diretor, não estava ganhando mal.
Não, pelo contrário. Muita gente falava, você é louco? Por que você vai? Muita gente fala isso. Na verdade, é um efeito que a gente também viu muito grande, que aconteceu durante a pandemia, que chama grande renúncia. Então, muita gente tomou a decisão de realmente sair da empresa, que não estava se sentindo bem. O meu caso não foi por isso. Óbvio, eu tinha sintomas, por exemplo, de um pré-burnout, se a gente pode chamar assim, mas a grande questão é que eu encontrei o momento certo de encerrar um ciclo. Eu acho que as pessoas têm essa dificuldade de encerrar ciclos. E o sabático é uma maneira, eu acho que é a maneira ideal de você encerrar bem um ciclo. Por quê? Porque a gente vai criando hábitos ruins durante a carreira, isso vai influenciando a nossa vida pessoal também, e o sabático é um jeito de você, na verdade, se livrar desses hábitos ruins. E pra isso você precisa de tempo, você precisa de reflexão. Exato. E o sabático é assim. Muita gente relaciona sabático com viagem, mas, na verdade, o sabático acontece dentro da gente.
É a viagem, é o turismo interno.
Exato.
Você pode também usar o sabático para se livrar desses hábitos ruins, de um emprego que não te faz feliz, mas não necessariamente você vai usar um sabático para viajar ou só para pedir, como se fosse pouco, pedir demissão de uma carreira, de uma vida. Mas você pode fazer voluntariado, você pode ficar em casa lendo livros, se é isso que te faz feliz. Você pode fazer um curso de crochê. Você pode viajar o mundo, claro, mas é desde que você entenda que é um momento que você está tirando pra você. Tem que te fazer sentido. Óbvio, muitas pessoas me chamaram de maluca, muitas pessoas mais ainda, na verdade, chamaram o Eberson porque ele tinha uma posição numa empresa, um cargo, um nomezinho na mesa, como o pessoal gosta de falar, né? E como assim você vai largar isso? Pra fazer o quê? Mas como você vai viajar? Você é maluco? Principalmente as pessoas ao nosso redor, a gente não vem de família, a gente não é herdeiro.
Nem ganhamos a Mega-Sena.
Muito menos, gostaria, mas não. Então, a gente vem de família simples. Eu fui a primeira pessoa a fazer uma faculdade na minha família. Então, como assim vocês vão largar esse pequeno castelinho que vocês conseguiram construir? E, na verdade, foi a melhor coisa que a gente fez, até hoje. Óbvio, sabemos que o Brasil é um país desigual. Sabemos que não é qualquer pessoa que pode pensar num sabático, enquanto algumas pessoas estão pensando em comer na próxima refeição, em sobreviver. Sabemos disso, que é um privilégio. Mas, podendo fazer isso, se você pode pensar nisso, se você tem esse privilégio de poder pensar num sabático, Realmente, a gente tenta não cair no clichê de que ele vai te mudar, etc., mas ele te muda. Não é um clichê. Você não sai a mesma pessoa.
É porque, na verdade, toda pausa faz com que você reorganize a bagunça. Toda pausa.
Sim.
Se ela for voluntária.
Vamos lá. Exatamente.
Eu gosto muito de trazer essa diferença. Ou você faz uma pausa voluntária Ou você faz uma pausa involuntária, por experiência própria, por quem evitou as pausas voluntárias, porque achava que não precisava. E eu entendo que quanto maior é o salário e mais prestígio o lugar tem, mais difícil é você Tomar essa decisão e abrir mão de tudo isso. Exato. Eu queria ouvir da Yara Eberson, quando você fala de hábitos ruins, eu chamo isso de comportamentos tóxicos. Porque senão também a gente pinta o mundo e os lugares de sins e as pessoas todas são ruins. Eu sou ótima. Não, mas a gente também tem comportamentos tóxicos. E a Yara é jornalista, né? Como o Joe. Ô Yara, quais são os comportamentos tóxicos que você acha que a gente vai nutrindo achando que não vai trazer consequências, porque a gente ama tanto o que a gente faz. Quais são? Quais você descobriu tóxicos no sabático?
Desenrolar uma listinha aqui. Mas eu acho que, muitas vezes, a gente até já sabe, algumas pessoas falam para a gente, seja como casal, seja como amigo, e a gente não entende, a gente fala... Depois. Então, assim, óbvio, cada um sabe a sua rotina de vida, sabe o que casa para você, mas é desde... Eu não fazia exercício físico, nenhum. Eu mal é mal falava com a minha mãe, não tinha tempo, não tinha paciência de ligar a sua filha única. como que eu não vou ter paciência para ligar para a minha mãe, conversar com o meu parceiro. E a gente chegou num ponto que estava dos dois lados, a gente meio que não se conversava, cada um estava assim, tocando ouvido no automático.
Vivendo rotinas insustentáveis. Mas o que você estava fazendo muito para estar fazendo menos para si e para o relacionamento?
Sempre trabalhando. Eu acho que quando você Acho que a gente tem que separar assim, quando você... É normal que a gente trabalhe, trabalhe bastante, o problema não é trabalhar, mas quando a sua vida, você, é só o seu trabalho, Eu acho que isso... A gente sempre vai apagando um pouquinho de quem a gente é. Todo dia a gente apaga um pouquinho mais, apaga um pouquinho mais, vai deixando lá no fundo da gaveta, vai ficando empoeirado. Então, se você é só o seu trabalho, se você é... Eu não sou IAR, eu só sou jornalista, eu só sou a jornalista que trabalha no Veículo X, eu só sou a... a diretora, o chefe, qualquer coisa que você queira dar um nome, se eu só sou isso, se a minha vida fora dali não tem sentido, valor, graça, senta, reflete que talvez você não esteja num caminho legal. Você pode não ter chego ainda no ápice do que te incomoda, Você vai chegar em algum momento.
As pessoas, eu acho que estão se acostumando a querer enriquecer como profissional e acaba se empobrecendo como pessoa. Quer dizer, você tem uma dicotomia entre o esforço que você tem para virar um bom profissional e você gasta muito tempo com aquilo, mas você não gasta o mesmo tempo para ser uma boa pessoa. E as pessoas acabam empobrecendo como pessoa por isso. E essa rotina que a gente tem, extenuante, de todo dia e etc., vai apagando, realmente, como a Yara falou, quem a gente é.
E a gente vai acostumando a trabalhar 8, 10, 12, 14, 15 horas de um dia.
Mas vamos lá, um dia ou outro. Um dia ou outro.
Tá tudo certo.
Todos nós já vivemos situações em que nós vamos trabalhar mais. Por exemplo, nós estamos gravando este episódio no mês de setembro, quando o livro foi lançado. Setembro é um mês que eu, Isabela, trabalho muito. Setembro, para mim, é o dezembro para o Papai Noel. O que eu preciso fazer sabendo disso? Poupar minha energia, poupar discussões, evitar conversa fiada, evitar fofoca, fake news, etc. Tudo o que eu... Se tiver que perder energia, eu seguro. É como se o Papai Noel chegasse em setembro, sabendo que tem dezembro pela frente, quisesse fazer um freela lá de outro personagem. Então, nós, adultos, precisamos saber qual é o período que você mais vai trabalhar. Se tem alguma coisa adiante à planejada pra você se resguardar. E a gente vai perdendo a mão nesse fazer, fazer, fazer, vai aceitando, aceitando, aceitando e a saúde vai gritar.
O Eberson, ele fala, ele dá um exemplo muito bom, eu sempre acho muito bom. Vão ter momentos na sua vida que o seu foco é o trabalho e é normal, quando você está começando uma carreira, você quer, você vai... Ou se.
Recolocando em outra... Ou se recolocando, é.
Normal, tem períodos da sua vida que você vai ter que trabalhar horas e horas e horas, e é normal, e a gente tem mesmo. Agora, se você vê que ao longo dos últimos 5, 8 anos você só é o seu emprego... Perfeito. Acho que é a hora certa de você refletir sobre como você está levando.
Eu queria ouvir agora do Eberson a questão do dinheiro, porque comecei falando assim, será que sabático é coisa para rico? Eu usei um termo que é como se fala, isso é coisa de gente rica, não é, Eberson? É ou não é?
Eu acho que o brasileiro tem essa visão ainda. É claro que muita gente associa o sabático a esse movimento de viagem, que é o tanto que... Eu acho que o tanto que a gente quis falar de bater na tecla de que sabático é uma experiência de reflexão em que você não tem... Você pode fazer qualquer coisa, por exemplo, aprender, obviamente, A gente traz no livro a referência do Domenico De Masi, que faleceu recentemente, falando sobre o ósseo criativo e, na verdade, o que a gente está falando do período sabático é de você não ter uma preocupação naquele momento de reflexão com a parte laboral. Mas não tem nada a ver com viagem. Então, quando a gente fala de pausas, as pausas voluntárias, que é o ideal quando você se planeja, óbvio, é interessante que você tenha um planejamento financeiro pra passar por esse momento sem, eventualmente, uma receita vindo de um emprego formal.
Exato.
E também que essa reserva financeira também seja feita para o período do retorno do sabático. Muita gente acha assim, ah, eu vou passar um período estudando, fazendo um intercâmbio, que é o que a maioria das pessoas no exterior hoje fazem. A gente vê nos Estados Unidos, na Europa, os jovens fazendo o período sabático antes de entrarem na faculdade e fazem o intercâmbio, etc. Eu, obviamente, tenho os recursos ali do pai, né? Pra gente que já tá trabalhando e tudo mais, a gente precisa de uma reserva de retorno porque a gente vai precisar se recolocar e você não sabe quanto tempo você vai demorar pra se recolocar no trabalho. Então, eu acho que a gente tenta desmistificar um pouco no livro a questão de ser só pra elite esse assunto porque a gente pode fazer a reflexão de acordo com as suas possibilidades. O que é o luxo para você? É uma pergunta que a gente traz. Pode ser que seja ter a tranquilidade de tomar um banho quente porque está inverno, mas você não se preocupa em, por exemplo, dormir algumas noites num colchão no chão. Então depende muito. O sabático pode ter um preço exorbitante para quem tem muitos luxos e pode ser algo simples. E a gente remete isso muito quando a gente fala do voluntariado, das questões espirituais. Muita gente faz o sabático para um retiro espiritual. Muita gente a gente vê também fazendo o caminho de Santiago de Compostela, por exemplo, enfim. Então, depende de cada um, desde que saiba que o sabático precisa ter um objetivo. E o objetivo é ter uma reflexão de vida para encontrar esse equilíbrio. Quando vocês estavam falando sobre equilíbrio, muita gente acha que equilíbrio é 50-50. 50% uma coisa, 50% outra.
É variável o tempo inteiro.
Exato. Pode ser que um dia seja... Você está começando numa nova empresa, vai ser 80% o trabalho, 80-20. Então, é variável. o importante é saber dosar corretamente esse equilíbrio de acordo com a vida. É o que muita gente não tá conseguindo fazer hoje.
Mas a parte financeira é o que muita gente pergunta pra gente. Então, alguns anos antes, a gente nem tinha o nome que a gente ia tirar um sabático, só que a gente queria um tempo, ele ia pedir demissão...
Tem um livro que eu conheço que chama Dar um Tempo.
Olha ali.
Que coisa!
E dar um tempo parece que é um crime, né? Então, vejam, vocês não sabiam que o nome que vocês dariam para aquele incômodo que vocês estavam sentindo, que aquele estilo de vida era insustentável, ponto. Ou seja, não dá para continuar assim. Se a gente vai mudar de cidade, de emprego, ou se nós vamos parar um pouquinho para recalcular a rota, Não sabemos.
Então, o que a gente fez? Como pessoas que não são herdeiras... E.
Nem ganharam na Megastore.
E nem ganhamos na Megastore, a gente começou a guardar dinheiro.
Boa!
O que a gente podia... A gente refez nossa planilha ali. O que dá para guardar mais? Vamos guardar mais. Então, onde a gente podia economizar, a gente começou a economizar.
Que legal!
Para, corta, para alguns anos depois, a gente... Chegou a hora, a Bárbara falou assim, ó, chegou a hora...
Quanto tempo de planejamento?
Três anos.
Três anos e meio, mais ou menos. Três anos. Falou assim, ó, chegou a minha hora e eu vou pedir demissão. Tá assim, assim, assado e pra mim o melhor caminho é eu sair. Esperei fundo, falei assim, tem certeza? Tem. Bora. Então é isso. Porque eu já estava numa fase que eu já era freelancer, eu já trabalhava de casa. Então, eu já não estava mais numa companhia formal, num trabalho formal, digamos assim. Então, foi daí que a gente começou a pensar... A gente vai viajar? Nós não tivemos a oportunidade de fazer intercâmbio, como muita gente faz. A gente vai fazer um intercâmbio já passado dos 30? O que a gente vai fazer? Então, foi daí que a gente foi encontrando o sabático que chegou até a gente nesse momento.
E uma coisa interessante é que a gente buscou naquele momento, que o início do nosso planejamento foi em 2015, a gente não achava nada sobre como fazer o planejamento de um sabático. E aí veio.
Agora temos o planejamento de um sabático. Uma vez eu entrevistei o Nizango Anais e a gente estava falando sobre esse assunto e ele falou assim, gente, faz sabático de um dia. Sabático, eu já ouvi que é quando todo dia é sábado.
É uma crença... Tem algumas histórias, né?
A gente ouve algumas coisas assim, e eu acho curioso... Quando a gente fala sábado todo dia, sábado é uma delícia. Mas eu também sei que, num período sabático, não foram todos os dias delícia. E vocês, como casal, devem ter tido muitos desafios. Porque aí nós estamos falando de inseguranças e angústias de ambos.
Sim.
Diferentes?
Eu acho que foi um pouco mais suave, porque nós estávamos em momentos diferentes. Ele começou o sabático num período, eu comecei alguns meses para frente, porque eu ainda estava num trabalho... Se desligando. Me desligando, porque eu tinha entregas ainda por alguns meses. Então, eu acho que ele foi se despressurizando primeiro, que ele realmente estava numa fase muito difícil psicologicamente, muito abalado e tal, Então, ele foi se despressurizando e eu fui vendo o que estava funcionando com ele e não também. E quando chegou a minha vez, para mim já estava mais tranquilo. Foi mais fácil, então para ele foi mais pesado.
E tem que ter um planejamento, porque imagina você sair de uma rotina em que você tem cinco reuniões, falando com 200 mil pessoas, aí de um dia para o outro você...
É o dia mais estranho da sua vida. É o que eu falo isso no livro. É o dia mais estranho da sua vida. Tipo assim... E agora?
Onde eu vou colocar minha energia?
A primeira e segunda-feira foi terrível.
E aí? Foi muito louco. Porque foram 12 anos nessa... desse jeito, exatamente. E aí, eu conto isso e eu acho que esse é o principal sentido do sabático, quando a gente falou aqui de hábitos ruins, comportamentos tóxicos, e etc, é de você conseguir analisar esse hábito ruim e não transferir para outra coisa. Então, eu dou o exemplo, eu cheguei a um momento muito próximo da minha saída, de eu acordar de madrugada para ir no banheiro e olhar no celular para ver se tinha algum e-mail corporativo com alguma urgência para fazer.
Sério? Que você faz parte daquela estimativa de pessoas que levam o telefone quando faz xixi de madrugada?
Fazia. Não faço mais.
E você que está acompanhando a gente, conhece alguém assim? Eu conheço uma pessoa. Mora, inclusive, comigo. Não é a Angelina, né? que vai no banheiro de madrugada e pega o telefone. Que isso, gente?
Só que eu transferi esse hábito ruim. Eu parei de olhar o e-mail corporativo, porque eu não tinha mais e-mail corporativo. Pra quê? Pra rede social. Então, o hábito, eu fui carregando o hábito ruim pra outras coisas. Então, foram meses. para tentar acabar com esse hábito ruim.
Para desmamar.
Para desmamar, exatamente.
Para fazer intoxicação mesmo. Total.
Exato.
Isso é maravilhoso vocês estarem falando, porque não é de um dia para o outro que a gente começa a se viciar, assim como não é de um dia para o outro que o detox acontece.
Sim, até porque as pessoas falam, sai de sabático, segunda-feira minha vida agora é normal, passarinhos cantam. Não. Eu acho que o primeiro mês, ele é punk, porque daí você... você não sabe mais que personagem você é, porque tem a parte do trabalho que você já não é mais, mas aí você quer saber o que estava acontecendo, você sente falta dos colegas do cafezinho.
Total.
E é normal.
E aí vive luto, porque luto é perda de vínculo. Então, quando a gente deixa um trabalho, uma pessoa deixa de trabalhar conosco... Eu vivi isso há pouco tempo. Uma pessoa que eu tenho grande estima, não trabalha mais comigo. É um luto. Eu não queria que isso tivesse acontecido, mas aconteceu. E quando a gente toma decisões que você quer que aconteçam, é luto também. Então, acho que isso fica muito forte para mim aqui no livro de vocês, essa responsabilidade com o que a pausa vai provocar, não só do lado positivo, mas pelo negativo, que você também vai ter que passar.
Dói. E é isso, acho que toda jornada de autoconhecimento, ela carrega com ela muitas alegrias, que você vai melhorando, você vai chegando num lugar que você gostaria de chegar, mas ela também carrega um pouquinho de dor. Ela também carrega um pouquinho de frustração. Então, é maravilhoso você sair num sabático, seja para viajar, fazer voluntariado, ficar em casa. Mas, todo dia, quando você tem aquele momento de reflexão, vai ter um incômodozinho, vai ter uma dorzinha. que você vai ter que... É o momento que você tem que ser sincera com você.
É o momento de levantar o tapete, ó, chacalhar e vamos fazer a sua faxina.
Exato.
Passou anos jogando ali embaixo, é o momento de limpar tudo. É o momento de limpar tudo. Fácil, não é? Porque todo momento de autoconhecimento, de desapego é dolorido. Mas eu acho que só assim a gente também está pronto, inclusive, para voltar para o mercado como um profissional melhor. Tem uma parte aí do livro que eu conto muito brevemente. Diz a fofoca literária que o sabático entrou no mundo corporativo através de um professor, uma universidade grande dos Estados Unidos queria contratar um biólogo e ele falou assim, ok, eu vou, mas desde que a cada sete anos trabalhados, que vem do sabático mesmo, que a gente também explica no livro, mas a cada sete anos trabalhados, eu quero um ano não remunerado. Porque como ele era filólogo, então ele precisava fazer explorações longas, como que uma determinada planta se comporta primavera, verão, outono, inverno, ele precisava fazer isso.
Só vira campo.
Para ele, inclusive, ser um profissional melhor também. Então tem a parte pessoal, claro que sim, Mas para ele continuar sendo um profissional bom, para ele ser melhor, para ele ter mais conhecimento e passar mais conhecimento para adiante como professor, ele precisava desse tempo também. Então, acho que quando a gente para para pensar num sabático, qualquer que seja o seu propósito, é algo que também vai te ajudar a retornar como um profissional melhor. Como uma pessoa melhor, obviamente, com a sua família, com seus amigos, consigo mesmo, mas como profissional também.
Mas eu acho que a gente precisa também olhar o lado das empresas. A gente está falando muito da gente, que eu acho que é o mais importante, óbvio. Mas as empresas estão olhando com bons olhos quem sai num período sabático? Qual foi o efeito final da grande renúncia que tanta gente nos Estados Unidos e no Brasil tomou a decisão, muita gente tomou a decisão de sair de um emprego também que estava relativamente confortável, talvez um ambiente tóxico, mas confortável financeiramente e salário caindo. O que a gente percebe, a gente entrevistou também algumas empresas, de que talvez seja melhor você perder um bom talento, um grande funcionário por algum período, mas sê-lo de volta. do que você perder ele para sempre. Para ele sair no período sabático e quando ele voltar para o mercado, ele não queira voltar para a sua empresa porque você não deu a chance para ele sair no período sabático. E existem empresas hoje que estão inserindo isso como benefício. Seja não remunerado, mas que mantem talvez o benefício de seguro saúde. Enfim, tem empresas.
Eu me lembro, quando eu trabalhava na Globo, que tinha um rapaz que tirou seis meses de licença não remunerada, ele foi para a França, e aí, quando ele voltou da França, ele foi recontratado. É bem isso mesmo. Olha que interessante. Gosto muito. É melhor você dar chance... É igual relacionamento, a pessoa acha que está horrível ali, aí você fala, está bom, vai para a vida. Aí a pessoa vai, volta e entende que é... É comigo, né? Não é o mundo que tá estranho. Sou eu que preciso me reorganizar.
É isso.
Tá.
Casal mais lindo que já veio neste programa. O nosso tempo tá acabando. Mas eu tenho aqui em mãos um livro, já que nós estamos falando quase do fim do ano, que vai ser bacana você dar uma pausa e entender se você precisa fazer uma pausa micro, média ou longa. E, às vezes, por evitar micropausas, descansar, a gente depois tem que fazer uma pausa bem longa, bem forçada.
O sabático, a gente fala isso no livro, que o sabático não é férias. Você não vai resolver sua vida em 30 dias. Aliás, você não resolve em seis meses, você não resolve em um ano. A vida é cíclica.
É todo dia.
Problemas, é montanha-russa. Problemas surgem, problemas são resolvidos. Mas é muito importante que, apesar de que não são férias, também não é o ano sabático. Você pode tirar três meses, seis meses, um ano. vai de acordo com o que você quer e com o que você pode tirar. Financeiramente, fizemos as contas e nossa viagem durou seis meses. Ficamos mais tempo de sabático, mas a viagem durou seis meses, porque era o que conseguíamos bancar. Você pode bancar uma viagem maior ou menor, pode fazer de acordo com o que fica melhor para você, mas funciona.
Funciona. Eberson, olha bem para essa câmera aqui e diga por que eu preciso ler sabático.
Eu acho que todo mundo precisa, em algum momento da vida, ter um momento para si, para reflexão, para descomprimir. da nossa vida. Então, eu acho que o Sabático, esse livro especificamente, ele é um dos poucos livros em língua portuguesa que trata de planejamento e também sobre a volta, porque não basta só sair, você tem que voltar. E é algo que a gente realmente não encontrou quando a gente... Existem livros fantásticos sobre experiências de período sabático. Porém, a gente vê pouco com dicas práticas de como fazer mesmo o seu planejamento e como você retorna para o mercado depois que você sai do período sabático. Então, a gente tentou trazer isso tudo no livro. Fica a dica para o pessoal que quer em algum momento da vida, não tem idade, não tem momento, é o momento que você achar adequado.
E o incômodo, ele precisa ser visto como um convite? Outro dia eu estava conversando com uma terapeuta e ela disse assim, a dor carrega a cura. ou você vai ouvir a dor, porque ela é um convite para você resolver algo que está acontecendo, ou você só vai jogando debaixo do tapete e depois vai ficar pior. E aí, quando eu pego um roteiro sonhando com os pés no chão, é isso, é parar de julgar aqueles que fazem justamente porque eu não tenho informação, me informar melhor e, opa, pode ser que eu me beneficie disso. Se eu não conseguir fazer um ano, posso fazer um mês ou posso fazer uma semana. E se eu fizer um dia? Ah, quem está me acompanhando sabe que quando escreve para mim, aí eu falo assim para as mulheres, Yara, você já experimentou reservar um hotel só para você um dia? Um dia? Se tem filho, pede pro marido, deixa pra quem você puder. Tenha um dia só pra você, um dia. Isso não é privilégio, isso é direito. Pausa é direito, não é privilégio. Gente, o carro já é... O carro que sempre foi mecânico hoje é automático e continua com o pedaço de freio e o acelerador. O que isso significa? Que precisamos... frear para continuar acelerando. Eu tenho uma frase que é o desacelerar para continuar em movimento. Vocês desaceleraram para agora voltarem para o rolê. Vocês querem voltar logo? Como é que vocês já voltaram?
A gente tirou em 2018, já tem um bom tempo. Só que o mais importante é que a gente voltou como outras pessoas, tanto que eu não voltei para o mercado. Eu fui trabalhar com algo que realmente me fazia feliz e que me mantinha nesse equilíbrio. Então, eu não voltei para o mundo corporativo. E não quero voltar. Descobri isso.
E você, Yara?
Eu não voltei para a redação. Eu continuo como jornalista, só que eu escrevo sobre o turismo.
Maravilhosa.
Mas eu não voltei para a redação.
Algumas pessoas pode ser que vão te perguntar, tá? Como perguntaram pra mim, nossa, você é uma jornalista, né? Não, jornalista eu sou, só estou trabalhando para uma emissora X ou Y, né? Agora também nós temos essa possibilidade. A tecnologia nos dá esse direito de sermos os nossos próprios veículos. Casal, que bom que vocês pararam pra agora continuar disseminando essa informação de saúde mental, porque tudo isso que nós estamos falando reflete na saúde mental.
Sempre.
Obrigada mais uma vez.
Obrigado.
Que vocês tenham muitas pausas voluntárias, muitas pausas voluntárias, e que vocês levem o poder da pausa cada vez para mais pessoas. Obrigada. Se você... Ah, redes, redes, redes, redes de vocês, por favor.
Legal. Eu tô sempre no LinkedIn.
LinkedIn Top Voice, gente. Olha que coisa chique.
Minha companheira top voice também.
Parabéns. Não sei nem o que faz com isso. Me tornei top voice esses dias.
Foi por conta do Setembro Amarelo, né?
É uma lista específica de saúde mental. Top voice, equilíbrio, vida e trabalho.
Que legal.
E posso já fazer uma correção? Eu avisei o pessoal do LinkedIn. Eu falei, gente, vamos lá. Então tá. Então agradeço. Mas, ó, equilíbrio, vida e trabalho, não existe. Vida é uma só. É equilíbrio objetivos pessoais e profissionais, porque vida é uma só. Mas ok, aceito e quem sabe também vou poder alterar esse título. Bora, Eberson. Além de LinkedIn e Top Voice, onde a gente te encontra?
Eu estou no Instagram, arroba Eberson Terra. Só tem eu lá, você não vai encontrar outro Eberson Terra. E no LinkedIn também, basta digitar Eberson Terra com E, B de bola, Eberson Terra. Eu estou por lá.
Yara Villela, a viajadora. Viajando Aprendi. Viajando Aprendi.
Tô lá. Arroba Viajando Aprendi.
Maravilha. E eu aprendi bastante com vocês. Obrigada mais uma vez. Obrigada. Você que nos acompanha até aqui, curtiu, já sabe, né? Compartilha então com quem você quer bem. A gente se encontra no próximo interiorista. Até mais.
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