Joel Jota: Conheça o maior treinador de alta performance do Brasil - Interior Ïza
26 Aug 2023 · 38 min
This content was created by Izabella Camargo. This content was uploaded by GHION.AI . This is a podcast titled "Joel Jota: Conheça o maior treinador de alta performance do Brasil - Interior Ïza" featuring an interview conducted by Izabella Camargo with Joel Jota. The conversation, recorded on August 26, 2023, explores Joel Jota's personal journey, his dreams, experiences as an athlete, professor, and entrepreneur, and his perspectives on discipline, identity, and personal growth.
Chapters
Bem que se quis.
Não é assim.
Com Isaac Amago você vai ser feliz.
Mas já não há caminhos pra voltar. O que que a vida fez da nossa vida? O que que a gente não faz por amor? Já me esqueci de te esquecer porque teu desejo é meu melhor prazer. E o meu destino é querer sempre mais. A minha estrada corre pro seu mar. Vem depressa, vem sem fim Dentro de mim Que eu quero sentir o seu corpo pesando Sobre o meu Vem meu amor, vem pra mim Me abraça devagar Me beija e me faz esquecer Zueira, zueira Que bom saber que você vai reservar 30 minutos do seu dia pra acompanhar o interioriza de hoje com Joel Jota. Obrigada por estar aqui.
É uma honra, prazer estar aqui.
Muito obrigada pelo seu tempo, pela sua disponibilidade. E pra começar, quero saber quem é Joel J hoje?
Pai do João, Joaquim e do Pedro. Marido da Lalas. Dedicado. Amo o que faz. se tornou uma referência pra algumas pessoas, e uma pessoa que... é comprometida com o aprendizado antes de ensinar. Caraca, que pergunta difícil, cara. Fui buscar longe.
Tirando os filhos, tirando a Lalas, quem é o Joel J hoje? Tirando o trabalho, tirando os filhos, tirando.
A Lalas... Tá bom.
Quem é o Joel J hoje?
É uma pessoa que tá vivendo o sonho dela.
Qual o sonho?
De fazer o que ama, impactar pessoas e aproveitar a jornada.
Quando começou esse sonho?
Quando eu comecei a caminhar, a vivê-lo, quando eu comecei a sonhá-lo.
Quando foi? O que aconteceu na sua vida para você começar a sonhar o que você está vivendo?
Quando eu tinha uns 12 anos, em algum momento… Eu gostava muito de música, ainda não tava nadando. E aí, eu via aqueles shows com muita gente. E eu pensava assim, nossa, deve ser muito legal, né. Escrever uma música a ponto de várias pessoas cantarem. Eu acho que eu vi um show do Beatles. Acho que alguém tava cantando Imagine, alguma coisa nesse sentido. E eu falei, nossa, deve ser muito legal, né. ser capaz de escrever uma letra que transmite uma mensagem. E essa mensagem ecoa a ponto de todo mundo cantar. E aquilo me chamou atenção. E hoje, o sonho que eu tô vivendo é isso aí, é músicas.
Tá cantando?
Não tô cantando, mas as pessoas falam o que eu escrevo. Esse é o lugar mais longe que eu consigo ir do sonho. Porque eu tirei tudo da frente. Eu tirei a percepção, sei lá, racional da coisa, o dinheiro da coisa, a profissão da coisa. A primeira vez que eu sonhei com isso eu tinha uns 12.
Que interessante.
Eu não sabia disso. Isso é recente também, que eu lembrei. Quando foi que eu gostei da multidão? Eu não gostei da multidão por conta de me mostrar. Eu gostei da multidão porque eu achava bonito alguém ter feito algo a ponto de uma multidão falar daquele algo. Então eu fiquei muito mais ligado no algo do que na multidão.
Propósito. Famoso propósito. O Joel, 12 anos você sonhou com isso. Você sabe que até no meu livro, no capítulo da música, porque a música marca o tempo, se marca o tempo, marca as pessoas. O Lenine me disse, quando você está num show e vê as pessoas cantando a sua música, ele diz essa frase, aí você percebe que a vida valeu a pena. Tá escrito. Lenine tá lá no down-tempo.
Se você quer me seguir, não é seguro... Isso é Lenine.
Gente, antes de gravar esse podcast, nós estávamos cantando Marisa Monte, pimpolha, assim. O repertório é vasto porque nós temos a mesma idade, então a gente acompanhou, né, os mesmos sucessos.
Falando como que a gente chama a esposa e o marido de broto.
Abafa. Olha só. Tá, então hoje você tá vivendo o seu sonho. Mas o sonho não era ser nadador olímpico? Como é que nasceu isso?
Depois foi ser nadador olímpico. Mas o primeirinho foi ter algo pra transmitir pra muita gente.
Tá. Nos últimos 30 anos, o que que aconteceu? Porque você sonhou com 12 e nós estamos com 42. O que que aconteceu nesses últimos 30 anos?
Bom, nesses últimos 30 anos, grandes coisas. Eu fiquei 20 anos sendo atleta, borda de piscina, convivendo, treinando e aprendendo performance na prática. Nesse tempo também, Eu fui professor universitário, o que significa que era falar com jovens, trazer para os jovens um motivo do porquê eles estão naquela sala de aula, responder cada pergunta, Iza. Nossa, a molecada faz cada pergunta.
Você lembra de alguma assim que te deixou de calça curta?
Lembro. Eu sou um cara que me comunico de maneira simples, persuasiva, e algumas belas vezes, ao final da aula, eu recebi esse feedback, professor, Gosto do jeito que você fala, muito legal o que você falou, mas não consigo ver como que eu vou aplicar isso na minha vida. Eu vi várias vezes.
Eles foram seus professores nesse momento, né?
Total. E eu falei, é mesmo? A turma gosta de você. Legal o jeito que você fala. A gente gosta do teu jeitão, mas... Sempre se mais... É meio que... Eu não sei por que eu vim aqui hoje ouvir o que você falou. Eu não consigo aplicar isso na prática. Meu, na outra aula tava muito melhor. Eu ia pra casa. Legal. Eu não achava isso ruim, eu achava isso bom. Eu não achava esse aluno arrogante, eu achava ele... ele tá me ajudando. Que coragem pra falar pro professor, sabe? Eu vi isso muitas vezes. Muitas, muitas, muitas vezes. Tô lembrando das alunas que me falaram isso, dos alunos que me falaram isso. Então, eles não apenas querem aprender, mas eles querem aprender, saber onde eles vão aplicar e qual que é o sentido daquilo. É um belo de um desafio. Então, foi uma boa... foi uma excelente escola pra mim. Aí eu fiquei muito tempo sendo professor, de graduação e de pós-graduação, o que exigiu que eu fosse muito estudioso, porque era uma atividade sine qua non. Eu tinha que ser estudioso, afinal de contas, era o meu trabalho.
Exato. Fazia parte do jogo.
Fazer a parte, então é mais do que gostar, é mais do que gostar, é uma questão de sobrevivência. E eu fui estudando, estudando, estudando, e quanto mais você estuda, mais você conhece os caminhos e os buracos obscuros do conhecimento, e quanto mais você estuda, mais humilde você fica. Então a minha humildade vem porque eu tenho noção da minha finitude, da minha incapacidade e do pouquinho que eu sei. Então você vai buscando, vai buscando, vai buscando. É um buraco que você vai cavando, cavando, cavando. E aí você começa a se comprometer em estudar antes de ensinar alguém. Porque pra eu ensinar alguém eu preciso primeiro esvaziar meu copo, colocar, pra depois transbordar. Não dá pra tá transbordando e se eu quero aumentar um repertório eu preciso esvaziar e encher de novo. Então teve essa fase, aí uma outra fase foi quando eu resolvi empreender. Então eu comecei intra-empreendendo. Empreendi nas empresas. Eu queria que as empresas crescessem, eu queria que os meus chefes ficassem cada vez mais bem-sucedidos, aumentassem as suas receitas de faturamento e, como consequência, eu ia ter um plano de carreira. Esse plano de carreira ele compunha crescimento profissional, crescimento financeiro, novas oportunidades.
Você fez o seu plano de carreira?
Acho que de uma maneira inconsciente, sim.
Ah, você não esperou que alguma empresa fizesse por você?
Não. Então, por exemplo, eu sabia que se eu fizesse uma pausa de graduação, ia melhorar a minha empregabilidade. Eu sabia que se eu fizesse mestrado, ia melhorar a minha empregabilidade. Não só na empresa, mas no mercado. Então eu pensava, poxa, se eu for demitido... se eu tiver esse corpo de experiência, de conhecimento, o mercado vai me absorver.
E agora, inclusive, vocês estão diante de um futuro doutor de HD. Isso para mim é o que ratifica o que você faz todos os dias, é continuar estudando e buscando, continuar estudando e buscando, porque a hora que a gente parar, aí...
Uma vez eu viajei pra China com a Lalas e a Lalas, minha esposa, e a gente foi, foi 2015, a gente foi no Templo do Confúcio.
Adoro.
O Templo do Confúcio tem 700 anos. E aí a gente entrou lá, bacana, né? O Brasil foi descoberto há um pouquinho mais do que 500 anos, entendeu? E aí a gente andou no templo do Confúcio, aquele filósofo chinês, e aí tinha uma estátua dele, tem uma estátua dele, e aí tinha um texto escrito em chinês e tinha uma tradução pro inglês, aí tava escrito lá. A única pessoa incapaz de aprender é a preguiçosa. Confúcio. E aí aquilo me tocou. Então dá pra gente aprender até o último instante segundo da nossa vida. Só o preguiçoso e o ignorante que não aprende, o restante aprende.
Aí, nesses últimos 30 anos, você continua aprendendo, dando aula. Quem me falou muito parecido com o que você disse foi o Heródoto Barbeiro. Num congresso de longevidade, ele começou a me explicar, perguntei para ele como é que ele desenvolveu essa fala que ele tem tão acessível, e o Heródoto me disse, quando eu dava aula, os alunos me disseram a mesma coisa que você ouviu. Professor, você é muito legal, muito bom, mas tem que melhorar o jeito de falar. E assim, Heródoto Barbeiro começou a trabalhar a mensagem dele para ir para a televisão.
Sim.
Quando eu fui entrevistada por este rapaz, eu te disse assim... Mãe, tô na Globo. Você riu. Porque eu falei... Mãe, tô no Joel. A gente sempre ouve quando as pessoas aparecem na Globo... Mãe, tô na Globo. E lá no seu podcast eu falei... Mãe, tô no Joel. Você riu. Por que você riu?
Porque eu devo ter sido tomado pela Síndrome do Impostor.
Ulala!
Você olha pra mim e acha que eu tenho síndrome do impostor? Frequentemente?
Às vezes.
Eu tenho frequentemente. Dá pra acreditar num negócio desse? Não parece, né? Mas eu tenho.
Explica pra quem não sabe o que é síndrome do impostor, primeiro, por favor.
Síndrome do impostor é uma característica que acomete muitas pessoas quando elas têm dificuldade de aceitar e de reconhecer alguns progressos, elogios e avanços que ela teve na vida. Então, quando você fala, mãe, tô na Globo, eu falo, não, pá, para com isso, pá.
Falo, mãe, tô no Joel.
Mãe, tô no Joel, é verdade. Mãe, tô no Joel, eu falo, ah, não, né, Isa, pô.
O que aconteceu com isso? Foi um fenômeno que eu só tinha vivido com o Padre Fábio até então. Quando eu participei do programa do Padre Fábio, isso deve fazer uns cinco anos, as pessoas chegavam para mim, mais na rua até do que na internet, porque a internet não estava como está hoje, e elas diziam, Bela, eu te ouvi no Padre Fábio, a sua mensagem me tocou demais, eu fui procurar ajuda. Ok, roda a fita. Quando eu estive no seu, a quantidade de pessoas que falaram comigo, dizendo, te conheci pelo Joel, a sua mensagem. Eu falei, é isso, nós não precisamos esperar só das grandes mídias tradicionais um canal para comunicar a nossa mensagem. E você me ajudou a chegar em muitas pessoas que não conheciam a minha mensagem. Então, muito obrigada.
Pô, eu que agradeço.
Eu já te agradeci, mas quero agradecer publicamente.
Foi fantástico. Você deu um show.
Ô Joel, e aí hoje você faz o que você faz por quê?
Porque... Tá bom. Honestamente, eu gosto. Tá.
Precisa de dinheiro?
Não. Farei de graça. Tá.
O que te deixa com mais tesão durante o dia?
O que me deixa com mais tesão durante o dia é ensinar. É sentar com alguém, trocar uma ideia e a gente aprender juntos. Eu contribuir com alguma coisa, a pessoa contribuir comigo. A minha curiosidade em poder aprender, me desenvolver é a coisa que mais me energiza.
Você faz muito as conexões também. Eu acredito muito no poder das conexões, das trocas, mas, para isso, você tem que ter presença. E você sabe que o futuro não existe, não é? Gente, não sei se você sabe, mas o futuro não existe. Ninguém tem certeza do que vai acontecer essa noite. Então, se a gente não tiver muita presença, você não aprende, você não conecta, você não ouve os insights. Tem ouvido muitos insights?
Sim. Conscientes e inconscientes.
Explica, professor.
Ontem mesmo, eu tava numa live, você entrou e eu simplesmente recebi um insight de... Liga a live e fala. O quê? Não sei quando, agora. De onde? De onde você tá.
Você ouviu isso pelo coração, pela sua mente? Como é que chegou essa mensagem pra você?
Pelo ouvido. Eu escuto.
Você escuta vozes?
Não. Mas eu escuto.
Ok.
Mas não é uma voz. Mas eu escuto.
Ok. A gente não precisa explicar o que a gente não vê. A gente tem mania de querer ver tudo. E você sabe que até o século XVI não existia bactéria? Porque não tinha microscópio.
Exato.
Aí, os médicos... A ciência, a tecnologia desenvolveu o microscópio e os médicos... Opa! Tem bactéria. Imagina os médicos recusarem a ideia de algo que eles não viam, mas matava as pessoas.
Sim.
Por que eu tô trazendo aqui a história do microscópio? Porque eu acompanhei essa live e eu senti muita verdade você expondo certas dificuldades em lidar com a passagem do tempo. E esse é um assunto que se você evitar, ok, é um direito seu, não tem certo, não tem errado, mas o envelhecimento não é um benefício concedido a todos. Se nós estamos envelhecendo, se a ruga está aparecendo, se o cabelo está ficando branco, que bom é o tempo passando. E aí, se você está satisfeito com o que você está fazendo nesse tempo, ok. Senão, realmente, essa passagem do tempo vai ficar dura.
Sim. Boa.
E aí, eu entendi ali que você estava... atualizando a sua identidade ao vivo. Esse é um tema que eu gosto muito de levar... Muito bom esse assunto. ...no meu conteúdo da produtividade sustentável. Assim, uma coisa é o CNPJ, outra coisa é o CPF. CNPJ é Segurança Psicológica. Outra história, não vai dar tempo de falar aqui, mas atualização de identidade, então, é isso que eu queria investir nos nossos próximos 15 minutos. Ela é fundamental pra gente aceitar o que está acontecendo sem lamúrias.
Uhum.
E entender, sua saúde está em dia, os seus amigos, com quem você está investindo tempo, faz parte do seu estilo de vida hoje? Joel, quantas pessoas você tem, estima, mas que não fazem mais parte do seu estilo de vida?
Nossa, muitas. Talvez dezenas a centenas.
Outro dia eu estava entrevistando o Tiago Pereira e ele falou assim, Isa, não nado mais. Nadou por um tempo. Agora não nada mais.
Que legal isso quando você fala de atualização da identidade, porque isso dá uma leveza. É. Nadei por um tempo, não nado mais. Atualiza.
Isso. Quantas vezes você já atualizou seu RG? Carteira de motorista.
Alguma... É, carteira de motorista tem que atualizar sim.
Passaporte.
Sim.
Então a gente tá acostumado a atualizar a identidade por uma obrigação legal. A gente tem que provar pra sociedade que somos quem somos, porque a nossa fisionomia muda.
Sim.
Né? E internamente. Quem é que te estimula a atualizar o que você está sentindo hoje, se os seus sonhos são os mesmos. Então, por exemplo, você falou, meu sonho aos 12 anos era esse. Depois você foi atualizando. E hoje? Percebe? Quais são os seus sonhos? O que te move?
Ah, hoje tem uma coisa que me move muito. Eu tenho um design de estilo de vida muito legal. Eu recentemente estudei uma teoria chamada de cetênios. E pra quem não sabe, essa teoria é que a gente tem uma fase... É como se fosse criança, adulto e uma pessoa mais velha. E são blocos de 21 anos. A cada bloco de 21 anos, tem micro blocos de 7 anos.
Antroposofia.
Antroposofia. Então, entre os 35 aos 42, é uma etapa. E quando você entra nos 42 e vai até os 49, é uma outra etapa. Eu tenho 42, eu simplesmente tô entrando nesse novo setênio e tá batendo assim.
E não é um tesão descobrir isso?
Nossa, é demais. Eu tô num momento assim, cara, eu já sei quem eu sou, ou o que eu quero, e não é a mesma coisa que eu queria sete anos atrás, e tá tudo bem. Então, hoje, meu design, na minha cabeça, é familiar, Amigo. Diversão. Eu quero agora... Me divertir enquanto eu trabalho. Eu quero que o meu trabalho... Por isso que eu gosto de cantar. Ah, mas você tá cantando? Vamos cantar, Pimpolho. Por que ter que ser divertido? Pode ser divertido. É legal ser divertido. As pessoas mais inteligentes que existem são aquelas pessoas que ganham dinheiro e se divertem ao mesmo tempo. Não precisa extinguir uma coisa da outra. Só que eu tenho 42. Eu levei um tempinho pra chegar nisso. Falar pra um menino ou pra uma menina de 25, eles talvez falam... É, esse papo, acho que tá meio antiquado. Eu entendo. Talvez no futuro eles vão compreender.
Sabe qual é o problema de chegar aos 42? Que a gente passa pelos 20 e pelos 30. E quando a gente tem 20 anos, gente, nada nos acontece. Você pode dormir pouco, comer mal, não fazer atividade física, que o seu metabolismo vai reagir de uma maneira. As consequências do dia seguinte serão menores. E conforme o tempo passa, você precisa se incluir na própria agenda com mais respeito e não viver com o que sobra. Como você vê, então, agora, os seus próximos 42 anos? Porque a hora que você aprende da antroposofia sobre os cetênios, você tem mais clareza, de fato, das fases. Sabe igual jogo de videogame? Você vai passando de fase. É uma delícia você passar de fase no videogame, não é? E na vida. A gente não pode ver essa passagem de fase como perda, como algo ruim. Eu joguei muito Mario Bros. Você jogou Mario Bros.?
Muito.
Adoro.
Mario Bros., Mario Kart. Eu gostava da princesa. Mario Kart.
Pronto. E é só quem nasceu em 80. E aí, por que eu tô trazendo aqui essa analogia? É muito legal quando você passa de fase no videogame. E aí, quando a gente tá passando de fase na vida, o que a gente faz? Paralisa. Nega. Recusa. Meu amor, você tá passando de fase, você tá se desenvolvendo. E todo desenvolvimento, todo crescimento, vai ter renúncia, você vai ter que abrir mão de algumas coisas, não vai dar pra levar todo mundo pra festinha da escola. Você vai ter que escolher muito bem. Então, queria saber como é que você... Primeiro, queria saber se você já parou pra pensar como serão os próximos 42 anos.
Não. Eu já parei pra pensar como é que serão os próximos 14.
Tá.
Sete mais sete.
Tá.
Os próximos sete vão ser de preparação e para... Eu vou me preparar para sair.
Nos próximos... Sete. Sete.
Eu vou me preparar, já estou me preparando para sair e ficar uns 80% só com a minha família.
Tá.
Sobretudo, meus filhos. Meu filho vai ter 12, o mais velho. E ele vai estar numa janela de construção de personalidade muito forte, esportiva e escolar. E eu vou dedicar 80% do meu tempo à minha família, aos meus filhos. Os outros 20, eu vou dedicar 10% a projetos sociais. Nos outros 10, eu vou dedicar a contribuir com jovens empreendedores. Então, eu me imagino sendo um palestrante mentor só. Sabe? Ah, vou lá falar com um grupo de pessoas. Joga quanto custa a tua palestra? Eu não tenho um cachê. Ah, tudo bem. Quem são os meninos? Eu vou para orientar essa turma e os outros 80% é família. Mas assim, all-in na escola, no esporte. Eu realmente acredito que eu tenho três fenômenos dentro da minha casa. Primeiro que sou pai babão.
Né?
Sou pai babão. Segundo... Não, não tem segundo. Eu sou pai babão. Então, eu vou realmente me dedicar. Então, esses sete anos é preparar pra sair.
Legal.
O plano tá feito. Eu já sei o que eu tenho que fazer. Eu já sei como eu vou fazer. Eu já sei onde eu vou fazer. Eu já sei quanto tempo vai levar. E... As chances de dar errado é muito baixa.
Pronto. vou voltar uma fala sua para a gente depois ir para a conclusão. Você me disse, você acha que eu tenho síndrome do impostor? Algumas vezes. Você disse que sim. E o que faz você voltar para o seu eixo? Depois que passa o impostor dizendo, ah, Joel, você não é tudo isso. Ah, Joel, tá. Aí depois, a que você se agarra?
Caramba, que boa pergunta.
É... Vou te dar um exemplo, tá?
Tá.
Posso dar um exemplo?
Pode.
Quando a impostora bate aqui e bate forte... Aí, eu aprendi a lidar com esta situação. Assumo, tô triste, e já falo pra galera aqui ao redor, ó, hoje não estou num dia normal, tá estranho, não sei o que é, não sei o que é. E tá tudo certo falar, tá estranho, tá esquisito, não sei o que é. Provavelmente, alguma coisa me acessou um ponto de desvalorização. do passado. Eu não vivo mais nesse passado. Aí, o que eu faço? Eu converso com a dor, converso com a sensação estranha. Eu falo, ó, hoje nós já podemos mudar de lugarzinho. Não da vítima, vamos para o aprendiz. Aquele lugar de desvalorização não existe mais. Então, eu vou conversando, tá? Com o meu sentimento. Aí eu viro o jogo. Porque a Síndrome de Postor geralmente vem com uma situação muito pequena, e aí você esquece o todo. dá o tamanho certo pra situação e volta pro todo. Aí é do micro pro macro.
Tá. Boa. Eu acho que eu faço a mesma coisa. Lembrei como é que eu faço. A síndrome do impostor, ela é muito forte no meu livro. Muito forte. Agora é mais fraca. Então, assim, eu encontro uma pessoa, a pessoa fala, Joel, o seu livro mudou a minha vida. Pra mim, assim, nossa. Meu livro não é capaz de fazer isso. Essa era a minha cabeça. Meu livro não é capaz de fazer isso. Não, quem mudou a sua vida foi você. Não, você só lê. E nós, Joel, o seu livro mudou a minha vida. Aí eu fiquei ouvindo, ouvindo, ouvindo. Até um dia que eu parei e falei, cara, pensa, calma. Algum livro mudou a sua vida, Joel? Vários. Então o seu livro também é capaz de mudar a vida das pessoas.
Aí eu... Oba!
Aí eu aceito. É assim que eu faço.
É.
Te ouvindo, aí eu fui buscar como é que eu faço, né?
Isso, isso.
É lembrar.
Pronto, é lembrar. Então, e isso é saúde mental, né? É você não... aumentar o ruim e reduzir o bom.
Sim.
E aí, se você está cansado, se você não dormiu bem, se você está esquisito, você vai potencializar as coisas pequenas que, sim, podem ser ruins, e vai esquecer o bom. Então... Joel Jota, meu treinador, gente, tá? Tá me ensinando natação forte.
Fortíssimo. Nado borboleta.
Tô nadando de braçada numa área que você me ajudou muito. E eu tenho certeza que a gente ainda vai fazer muita coisa junto, né? Porque quando você desperta para a sua potência e não aquilo que querem que você faça, que a sua família quer que você faça. Nossa Senhora! Você sabe que quanto mais prestígio um lugar tem, ou um lugar, eu digo, físico, ou que você ocupa, mais você vai engolindo o sapo, você vai deixando de ser quem você é. Então, na hora que você experimenta a liberdade, gente, é inexplicável, tem que sentir. Nós já entrevistamos algumas pessoas aqui na interioriza que falaram sobre isso, mas outra coisa é viver. Pra gente finalizar, nós temos cinco minutos.
Tá.
E eu entendo que quando você fala muito de disciplina, disciplina, disciplina, todo mundo acha isso uma coisa chata. É boring. Ah, ela vai falar de disciplina, rotina. E, cara, só os limites vão garantindo a nossa liberdade. Só a rotina vai nos permitindo ter tempo livre. Pra quem tá nos acompanhando, que ainda está resistindo a treino, a comprometimento diário, O que você quer dizer para essas pessoas?
Esse papo da disciplina é uma das coisas que a turma mais me pergunta. E tem um jeito de elas me perguntarem. Como que eu faço para ter disciplina? E eu já dei diversas explicações. Eu vou numa explicação motivacional, eu vou numa explicação técnica.
Qual funciona mais?
Eu vou numa explicação científica, eu vou numa explicação de uma história. Eu creio que todas elas funcionam, mas tem uma que eu descobri recentemente que é a melhor de todas. Porque eu respondo, respondo, respondo, respondo e ela continua vindo. Como que eu faço para ter disciplina? Como que eu faço para ter disciplina? Como que eu faço para ter disciplina? E eu falei, eu preciso encontrar um mecanismo mais eficiente. Eu preciso aumentar a performance nisso aqui. Então, eu peço para as pessoas mudarem a pergunta. A pergunta não deve ser, como que eu faço para ter disciplina? A pergunta deve ser, o que a disciplina faz por mim?
Legal.
Aí ela abre um... O que a disciplina faz por você? Aí a pessoa fala, me molda. Aí o outro fala, faz eu atingir meus objetivos, faz eu chegar onde eu quero. Eu falo, ótimo, legal. Então ela é o meio, né? Sim. Então o que tu quer? Aí eu já vou... O que você quer? O que você quer. Não é o que eu quero, nem o mundo quer. O que você, e só você, quer para você. Aí o cara pode falar, poxa, eu quero fazer transição de carreira. Legal. Então, o que você precisa fazer? Eu quero, ah, preciso, sei lá, me aprofundar e ter conhecimento. E quem que vai ser essa ponte? Eu quero a disciplina. Então ele olha pra disciplina, não agora como mais um elemento torturante, mas como um elemento, vamos dizer assim, é um fundamento, é um pilar, é um príncipe e fala, ah, entendi. Sem isso, não chego onde eu quero. Então é isso. Disciplina não é fim. Disciplina é meio. E a disciplina é a mãe de todas as skills, cara, na minha opinião. Todas as skills.
É treino.
É treino. Repete, repete, repete, cara. Repete. Repete de novo. E não é o número de repetições. É o número de repetições acertadas. É um pouquinho diferente. Não é fazer 20 vezes. É fazer 20 vezes certo. E às vezes, pra fazer 20 vezes certo, você fez 46 vezes. Você errou 26 vezes pra acertar as outras 20. Isso também é Joel, isso também é Joel, isso é Oscar Schmidt. Lembra? Mão santanada, mão treinada. Ele falava, ele fala, né, que ao final do treino ele tinha que fazer 20 sextas de 3 seguidas. Então ele treinava, treinava, treinava, treinava. Todo mundo ia embora, ele pegava a bola. E ele ia lá pra linha de três e tinha que fazer 20 seguidas. E ele falava, se eu jogasse a 19ª aro, caiu, eu não jogava a 20ª. Eu recomeçava. Quando eu vi isso, eu falei... Ele recomeçava. E ele conta também, grande abraço pra você, Oscar, que ele tinha uma fã, que ele casou com essa fã, que era uma menina que pegava as bolas pra ele. A esposa dele era a menina que pegava as bolas. Ele falou assim, essa mulher, fica aqui. No final do treino, pegando as bolas pra mim.
Ela me ama.
Ela me ama. Eu vou casar com essa mulher.
Maravilhoso, maravilhoso. Beijo. Beijo. É... Você já assistiu Ted Lasso?
Não.
Não?
Tá.
Ted Lasso é uma série que tá passando... Eu não sei em qual plataforma de streaming. É só dar um Google aí que você vai achar. e conta a história de um treinador, de um time de futebol americano, e ele coloca em prática a segurança psicológica. Então, eu queria encerrar aqui com esse raciocínio. E durante a jornada ali do treinador e tal, ele é uma zebra, na verdade. Ele é uma zebra, ele foi contratado pra fazer um time dar ruim, porque acontece um divórcio, é uma história fantástica. E aí, ele chega e vai conquistando todo mundo. a mídia, os jogadores, ninguém dava bola pra ele, porque ele não era um técnico tradicional.
Sim.
Ele tem muito humor, ele é leve, ele faz brincadeira e tal. Então, ali tem recursos bem legais pra quem quer liderar um time e tal. Mas tem um exemplo lá. Um atacante, quando chega, o Rojas... Me chamou atenção agora que você disse isso, porque tem um jogo que o Rojas faz um gol. E aí o Teddy chega pra turma e fala, ah, o Rojas tá treinando. Quem é que depois de um êxito? continua treinando.
Sim.
Né?
Sim.
E o Bernardinho falou isso no meu livro, é... Quando a pessoa... Quando o time ganha, dissipa fácil. Quando o time perde, precisa treinar mais.
Sim.
Mas... Até que ponto se a gente deixar o treino depois de toda a situação, a gente vai ficar cada vez melhor?
Sim.
Então, pra mim, disciplina é treino, e treino é todo dia. Se tiver difícil pra você começar algo ou alcançar o que você quer, começa de pouquinho, vai pegando gosto, vai experimentando, mas não para e não desista sem treinar, sem tentar.
Nossa, muito bom isso aí, cara.
Teve alguma vez na piscina, pra gente encerrar, tá? Que o nosso tempo já acabou. Teve alguma vez na piscina que você falou, cara, não quero mais fazer isso aqui, não?
Várias. Inúmeras, dezenas. Não dá, não aguento. Chega, deu.
Deu?
Deu.
Seus amigos iam pra balada e você tinha que treinar?
Muitas vezes. Isso aí, quando eu tinha 15, 16 anos... foi talvez a maior interferência de toda a minha vida naquela idade. Era… Eu tinha 15. Então, um menino querendo… Poxa, despertando pro lado das meninas, sabe? De beijar e de namorar uma menina. E eu era o único da minha sala que era atleta. Não é que eu nadava, eu nunca era atleta. E sempre tinha coisa no sábado pra ir. Não, não. Sempre tinha coisa sexta-noite.
Ah, sim.
E sábado de manhã tinha treino. E eu lembro que... E eu lembro que o meu pai, né, era um cara muito firme, assim, comigo. E aí eu falo, pai e tal, posso ir? Um aniversário, uma festinha, que não sei onde. Ele, e a mãe, você não tem treino?
Pronto.
Eu falei, tenho, mas é rápido. Ele, tá bom, então vamos combinar, 10 horas em casa.
Total.
Dez horas em casa.
Começava às dez.
Dez horas pra começar.
Total.
E aí eu falo, não, é... Dele, Joel. Pô, cara. Escolhe aí. E aí eu, tá. Não era legal. E se eu falar assim, vamos lá, focado. Não, não era legal. Era chato, era ruim na segunda-feira. Pô, tu não foi, pô, tu não foi. Tá perdendo tua juventude, tá perdendo tua juventude. Mas aí os resultados começaram a vir. a minha galera começou a ser a galera do esporte, e aí a gente se entendia. Não é que eu não saía, ninguém saía. A gente meio que saía juntos, comia lá qualquer coisa, ia dormir muito cedo. Então a gente ficou na nossa tribo.
Talvez essa tenha sido a sua primeira atualização de identidade inconsciente.
É, de tribo. De sair de escola e ir pra clube.
Sair de um grupo de pessoas, que não é que você não gosta dessas pessoas, mas é que nesse estilo de vida mudou.
Não dá.
É.
Olha, eu vou até te dar um exemplo. Eu gostava muito de tocar, e aí eu tocava, tocava cavaquinho, banjo e tal. Eu comecei a tocar muito bem, muito bem, muito bem. E aí, aquele negócio que estava um hobby, começou a ficar uma coisa mais profissional. E aí, com 18 anos, eu estava tocando num grupo de pagode profícia em Santos, aos sábados. E o grupo estava dando muito certo. Então, eu treinava sábado, ia para o treino... E o pagode era das 5h da tarde às 8h da noite. E eu tocava bem. E começou a chegar gente do samba, começou a gente a chegar do samba. E aí, apareceu um cara e falou assim, vocês são bons, vocês são jovens. Eu tenho uma proposta, cara. Eu acho que a gente pode começar a tocar terças, quintas e sábados. Eu vou começar a pagar vocês. E ali, eu falei, cara, será que agora eu vou… Eu acho que eu vou ser músico. Eu vou ser músico. Pra eu ser músico, eu vou largar natação. No mesmo dia que eu pensei isso, 20 minutos depois, eu vi um cara que tocava comigo cheirando cocaína. Na minha frente. Eu admirava demais o cara. E eu não sabia. E aí, quando ele cheirou cocaína, na minha frente, naquele mesmo instante, eu nunca mais voltei pra roda de samba. Olha que louco. Agora, nadador, quase...
Exemplo.
Quase... Repensei e falei, não, isso aqui não é pra mim. Essa identidade aqui, eu tô... Fora. E aí, deixa eu ficar tocando meu cavaquinho dentro da minha casa. Não que... Não que os músicos façam isso, que, por favor, entendam o meu exemplo, mas... Foi ali uma atualização dentro da... Não. Eu só queria ser músico. Eu não vou passar por isso.
Você toca... Eu vejo você tocando muita corda, mas você é daqueles também que encontra um negocinho e fica com o batuque? Sim.
O tempo inteiro.
Então, pera lá. Ale, me dá essa caixa de giz.
Ah, mentira.
Vamos lá. Pra gente encerrar.
Ah, agora?
A gente encerrar. E aí, eu quero encerrar. Interioriza.
Será que agora que eu vou mudar?
Aqui com a música que você... Qual música você quer encerrar ou interiorizar? Para a turma que nos acompanhou, que nos escolheu até aqui, rapaz. Olha quanto conteúdo bom que tem por aí. E a turma ficou com a gente até agora.
Eu vou terminar cantando essa aqui, ó. Pimpolho é um cara bem legal. Pedra que não pode ver mulher. Na dança ele já pede pra baixar. Já pede pra baixar. Ela quer parar, ele não quer.
Ela tá dançando e o pimpolho tá de olho.
Cuidado com a cabeça do pimpolho.
Quem diria, Joel J. Encerrando nossa interioriza com o pimpolho. Cara, o pagode marcou muito a nossa vida, né?
Muito.
Que bom. E você marca demais a minha e a de todos que passam pelo seu caminho. Obrigada.
Obrigado. Você é uma craque. Conta comigo. É só o começo.
Seguimos. Seguimos juntos. E você, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Até o próximo interioriza.
Valeu, gente. Tchau, tchau.
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