Márcia Dantas: “O que a demissão me ensinou sobre amor-próprio e coragem?” #141 InteriorIza
5 Nov 2025 · 56 min
In this episode of the InteriorIza podcast, journalist Márcia Dantas sits with host Isabela Camargo to reflect on how her recent dismissal sparked a deep re‑evaluation of self‑love, courage, and mental health. The conversation moves from emotional reactions to concrete, actionable strategies for reclaiming personal well‑being. They discuss setting a firm digital‑detox rule (no phone after 8 p.m.), pruning WhatsApp groups and Instagram follows, and limiting lunchtime appointments to protect restorative breaks. They explore the psychological impact of social‑media comparison and the importance of decluttering both virtual and physical spaces—letting go of items and relationships that no longer serve the present self. The duo emphasizes the need for adequate sleep, balanced nutrition, and realistic workload expectations, especially for a journalist who now must present political analysis with clarity. Throughout, Márcia shares personal anecdotes (e.g., a personal trainer’s blunt comment, a missed coffee that allowed extra sleep) that illustrate the tension between over‑commitment and self‑care. The episode closes with a call to listeners to share the story, spreading awareness of mental‑health practices and encouraging others to redesign their agendas with compassion.
Chapters
Algo que eu sempre soube, Isa, é que o meu potencial era grande. Por mais que em algum momento eu duvidasse dele pela dor e pelo sofrimento, eu nunca duvidei do que eu sou capaz. Recebi vários nãos, fiz Uber, fiz aplicativo para ganhar dinheiro. Oi? Pensei em trocar e largar tudo. Pensei em abandonar a carreira.
Como é que você se sentiu quando você foi dispensada, já tendo uma promessa de que no seu retorno do descanso você seria promovida?
Eu liguei pro meu marido, fiquei sozinha na sala e eu só falava assim, amor, você tem orgulho de mim? Porque eu não cheguei até aqui, tá? Eu falava assim, amor, pelo amor de Deus, só me fala que você tem orgulho de mim, porque eu sei mais se eu vou conseguir, né?
Acha que o fato de você expressar publicamente que você queria engravidar pode ter afetado a sua decisão?
Porque ainda teve isso, né? Ainda contei no SBT antes de sair que eu queria engravidar. Então ainda teve esse plus aí, que se teve ou não teve, ninguém sabe, mas teve esse plus, né? Que uma semana antes eu tava no programa da Patrícia contando que eu queria engravidar.
Pode dizer que se as lágrimas ainda correm é porque ainda precisa de mais um pouquinho de tempo pra entender que nós precisamos de pausas pra fazer as mudanças. Bora pra mais um interioriza este momento tão bacana em que eu sempre trago pessoas especiais pra você interiorizar. Você sabe, não é? A minha convidada de hoje, veja só, ela Nasceu dia 1º de agosto. Eu nasci dia 1º de fevereiro. Ela é leonina com acidente aquário. Eu sou aquário. Ela é uma mulher morena, de pele clara, cabelo preto. Eu sou uma mulher morena, de pele clara, cabelo preto. Somos jornalistas. Não nascemos em São Paulo, mas atualmente moramos em São Paulo. Eu poderia dizer que ela é minha irmã gêmea, mas que eu nasci alguns anos antes dela. Mas não tem problema. Agora nós estamos aqui juntas. Márcia Adanthas, bem-vinda!
Ai, obrigada! Ai, a gente podia ser irmã mesmo, hein?
Primeiro de agosto, primeiro de fevereiro.
Eu amo aquarianos. Tem mais uma coisa em comum. Meus melhores amigos são aquarianos. Por isso que quando ela me viu.
Pela primeira vez, ela falou… A gente tem muita coisa pra conversar. Muita coisa pra conversar.
Eu amo aquarianos.
E é curioso, porque… O que aconteceu com você é muito similar com o que aconteceu comigo, por razões diferentes. Mas foi a dor que nos aproximou. Engraçado, né? Não foi o jornalismo que nos aproximou. Porque você tá no SBT há quantos anos?
Eu tava no SBT há nove anos.
Nove anos. A idade do seu filho?
A idade do meu filho. O Gabi nasceu, tinha seis meses, eu entrei no SBT. É, foi. Foi logo depois que ele nasceu.
Lá, em Belém?
Não, aqui, em São Paulo. Foi uma loucura a minha vida, foi assim, Isabela. Em Belém, eu fiquei quase cinco anos na Record. E era assim… O começo da minha carreira foi tudo muito rápido, né. Eu te falei, comecei com 19 anos, já apresentadora. Me jogaram lá naquele negócio, no mar de leões, e eu, uma menina… E uma menina que ouviu, que não sabia ler TP, que era burra que tremia muito, que não era praquilo. E aí, que chorava todo dia indo pro camarim, porque as pessoas atrás… Sabe aquela redação que fica com a redação atrás e o aquário? Eu via o jornal depois pra me assistir, porque ninguém me dava feedback nenhum. E as pessoas estavam rindo de mim na redação. Tipo assim… sacota, sabe? Porque de fato, eu era ruim quando eu comecei. Porque ninguém começa bom, né, em nada. E eu passei por situações constrangedoras. Mas eu ia lá pro Arquivo, fiquei amiga da moça do Arquivo, a Helpe. Beijo, Helpe. E aí eu pedia pra me assistir, porque eu ia assistindo os outros apresentadores e ia vendo onde é que eu mexia muito a mão, onde é que meu olho abria muito, onde é que eu gaguejava. E foi assim que eu fiz durante seis meses, todos os dias, indo chorar um pouquinho e me assistir um pouquinho pra poder melhorar. Sozinha, sem ninguém na mão. 19, 20 anos. Isso na Band, primeiro. Na Band de Belém, que foi o meu primeiro contrato, carteira assinada.
Passamos pela Band também, mais um ponto em comum.
Olha aí, mais um ponto em comum. E depois eu fui pra Record como repórter. Minha mãe falou, nossa, você vai voltar a ser repórter? Mas eu nunca tinha sido repórter. Falei, mãe, eu preciso da reportagem.
Mais um ponto em comum, Brasil.
Falei assim, eu quero ser repórter pra aprender e tudo. Aí voltei pra reportagem, oito meses depois falaram, bom, temos um cargo aqui de apresentadora, você pode ser os dois. Repórter e apresentadora, mais um ponto em comum.
Meu Deus do céu!
Igual.
Eu já ouvi essa história. Já ouvi.
Então, aí duas funções, fiquei. A recorte tinha uma coisa assim, tinha ou não, né, gente? Vamos combinar? Tem que ser muito magra, tem que ter uma estética muito bonita. E toda vez que eu voltava de férias, engordava um pouquinho, ia, nossa, tá gorda. Ah, nossa, você tem que emagrecer. Era, tipo, uma pressão estética muito grande dentro da Record. Isso acontecia muito. Não sei hoje, porque também é muito tempo. Mas eu desconfio que ainda aconteça. Na TV em geral, eu acho, né. É um pouco, né. Mas enfim. E aí eu comecei a ter oportunidades em São Paulo. O chefe daqui me viu e me chamou. Aconteceu também parecido com você ou não?
Não, eu já comecei aqui em São Paulo.
Não, o meu não. Ele via e me chamava. Eu passava dois meses em São Paulo e voltava pra Belém. Aí comecei a sofrer.
São os testes, né? Os testes. Só pra você que tá nos acompanhando entender, quando a gente tá falando de uma emissora de TV, existem as cabeças de rede, né? Que geralmente ficam em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, né? E alguma outra capital do Norte ou do Nordeste faz parte, tá? Isso faz parte do modelo da TV, não é porque eu ou a Márcia queremos assim. E quando os chefes da cabeça de rede querem testar repórteres ou apresentadores de outros estados, a gente passa temporadas na matriz.
Isso, era férias de alguém que me chamavam. E eu era já repórter de rede, então aparecia na rede todos os dias, repórter de rede Belém. E mais, ia fazendo esses testes lá. Só que cada vez que eu voltava de um teste desse, era uma frustração tamanha. E era um bullying também da equipe. Ó, tá vendo? Foi lá, achou bonitona que ia ficar, não ficou. Então eu comecei a sofrer. Tanto quando ia, quanto quando voltava. Isso mexeu muito com a minha saúde mental. Eu já tinha um problema emocional com compulsão alimentar. Então eu engordei 20 quilos no meu último ano em Belém. E entrei em depressão. Porque foram frustrações e mais frustrações que não... Uma época eu fiquei seis meses em São Paulo. Quando eu fiquei seis meses em São Paulo e eu voltei, parecia que a minha cabeça, meu mundo tinha caído. Eu falei assim, não, vou pedir demissão. Vou pedir demissão, não tenho como.
Mas quando você ficou seis meses em São Paulo, você ficou com alguma promessa que você ficaria?
Sim, sim. Mas aí depois... Pausa.
Esta promessa é que, ao longo do tempo, vai causando o que o desembargador chama de dano existencial. Você tá acreditando em uma jornada, você está fazendo por essa jornada. Porque você tá jogando o jogo que te combinaram. Aí você joga o jogo, aí você ganha o jogo. Aí na hora de ganhar a medalha... Ah, não. Então a medalha agora vai ficar pra outra pessoa.
Exatamente o que aconteceu, Isa. Exatamente. E assim, me tirou tão do chão. Por quê? Porque eu era elogiada, eu fazia as coberturas, assim, de chuva, de enchente. Ficava, assim, 10 minutos num ao vivo. Eu sempre fui muito boa de vivo, de improviso. E as pessoas aqui em São Paulo não eram tanto, assim. Na minha época, tinham poucas repórteres. Eu me destacava por isso. E aí, eu fiquei sabendo que a vaga que seria minha foi para a namorada de um chefe, né. E aí, vem mais uma questão, né. Então eu falei assim, não quero mais isso pra mim. Eu juntei um dinheiro, porque quando eu fiquei em São Paulo eu ganhava o salário de Belém, mais um acumulado por ser daqui. Então eu falei, vou guardar o dinheiro. Porque eu tinha alimentação, tudo aqui. Transporte, casa paga, porque eles pagavam tudo. E aí, eu guardei o dinheiro. O que eu fiz? Um pé de meia pra ficar seis meses em São Paulo, sem emprego.
E isso é saúde mental. Isso é saúde mental. Quando você já faz um planejamento, segura.
Um dinheiro... Porque assim, eu falei… A minha família nunca me bancou. Sempre foi uma família assim, ok. Mas nunca teve dinheiro pra realizar um sonho assim. E eu falei, vou. Peguei meu dinheiro, pedi demissão. Peguei a rescisão e mais o dinheiro que eu tinha guardado. E com a cara e com a coragem, cheguei em São Paulo. Sem nada! Sem nem uma possibilidade de emprego. Com uma ajuda de amigos que já moravam aqui, mandando contatos. Fiz um teste na Band News, não passei. O cara da Band News olhava pro relógio… 2015.
Tá, 2015, tá.
Não, 2014, perdão.
2014.
O Gabi nasceu em 2015, que foi o ano seguinte.
Tá bom, 2014, você tá lá no.
Band News… Não, Gabi nasceu em 2015, 2014… Ai, 2015, tá certo, falei certo. Tá bom, ok. Eu tenho 10 anos de São Paulo, acabei de completar 10 anos. Aí eu fui na bandinita, o cara olhava pro relógio e não me olhava. E assim, nem me atendeu direito.
Ah, enfim.
Recebi vários nãos. Fiz Uber. Fiz aplicativo pra ganhar dinheiro. Oi? Pensei em trocar e largar tudo. Pensei em abandonar a carreira. Eu queria virar... como é? Nômade digital. Escrevendo.
Pausa. Então, há jornalista que chegava a ficar 10 minutos improvisando.
Sim.
Eu só tô trazendo esses detalhes, gente, porque, assim, a capacidade cognitiva que você dispende pra fazer um ao vivo com informações que você tá apurando enquanto você está falando, e é um conjunto de situações, né, que podem, inclusive, ser ameaçadoras, né, quando a gente tá na rua, a gente tá sujeito a qualquer situação. Isso não é pra qualquer pessoa. Então, isso é um talento. Isso é um talento. Depois de uma frustração, Depois de seis meses, então, que você investiu o tempo aqui, você volta pra Belém e fala, bom, então não quero mais isso.
Não, eu não voltei. Eu tentei continuar me mantendo, apesar disso, aqui. Com trabalhos de bicos, mas sem nenhuma oportunidade.
Na Record?
Não, na Record eu ouvi de um chefe que eu não servia nem para ser produtora naquele momento, que não tinha vaga. Foi exatamente isso. E aí o que aconteceu foi que a minha mudança foi roubada, eu cheguei com uma mala, porque o meu carro veio com parte da mudança, eu perdi toda a mudança. Depois eu tive um acidente grave de carro na rotatória da Barra Funda, bem aqui pertinho. E aí, eu perdi o meu carro, foi PT. O ônibus bateu na lateral do carro. Isso em junho. Eu cheguei em março. E aí, minha mudança foi roubada em junho. Meu carro, PT total.
Até então, você tá achando assim, não é pra eu estar aqui.
Exatamente.
O mundo tá contra mim.
Exatamente.
Como é que sua família te tratava?
A minha família falava, volta. Eu falei, eu não vou, calma. Falava, eu vou segurar. Assim, chorando todo dia, mas vou segurar. Nesse meio termo, eu conheci o pai do Gabi.
Tá.
Que é o Perantunes, que trabalha ainda na Record. E aí, ele... Eu nunca quis. Eu falei, eu não quero que você me indique. Eu não quero. Eu quero por mérito meu. Porque ele sempre trabalhou lá e tal. Ele falou, não, mas quando surgir algo, eu vou te indicar. Eu falei, tá, mas beleza. A gente começou a namorar. Tínhamos poucos meses de namoro. Acho que quatro meses de namoro. Eu engravidei. Em agosto, eu engravidei do Gab. Então, no ano que eu cheguei, com tudo isso que aconteceu, eu engravidei. E aí, o que eu costumo dizer? Eu tomava remédio já pra depressão, já me tratava. Eu falo assim, que Deus e o universo, e o que você acredita, me arrancaram todo meu chão, assim. Todas as minhas expectativas, tudo foi tirado de mim. E eu precisei me reconstruir, me deixar vulnerável de novo. Pra criar aquela criança, né. Pra focar na minha vida, pra voltar a ter força. Porque eu não me enxergava mais. Eu não me via mais nem como jornalista. E eu falei, se eu não me vejo mais como jornalista, agora eu vou me ver como mãe. Pelo menos como mãe. Então eu me resgatei na maternidade.
Pausa. Já traz um lenço aqui, gente, que ela tá quase chorando. Quando eu digo que os filhos nos devolvem pra gente... Aqui, Carol, por favor. Obrigada. Eu digo que os filhos nos devolvem pra nós. E agora é mais um exemplo.
Foi isso.
Aí o Gabriel te devolveu pra você.
Foi, foi.
Quando tudo tava dizendo, tava tudo meio confuso. Tá, você tinha 29 anos quando você engravidou do Gabriel.
29 anos, exatamente.
Aí, o Gabriel começou a crescer.
E aí, eu primeiro recebi algumas oportunidades que eu chorei pra dizer não, porque eu achava que o salário era muito baixo. E eu achava que eu merecia mais. Algo que eu sempre soube, Isa, é que o meu potencial era grande. Por mais que em algum momento eu duvidasse dele pela dor e pelo sofrimento, eu nunca duvidei do que eu sou capaz, sabe? O meu pai fortaleceu em mim muito coisas assim. Você é um diamante a ser lapidado. Às vezes, as pessoas que estão te vendo de fora não enxergam o que eu vejo. Eu sou seu pai, eu te conheço. Você é uma estrela. É o Gabriel. É o Gabriel.
Ai, seu Gabriel! E aí, o seu filho é um homenagem ao seu pai?
É, ele faleceu.
Agora eu vou chorar, me dá orgulho.
O meu pai foi a pessoa que mais acreditou em mim e que fortaleceu a minha autoestima. Sem ele, eu não estaria em pé aqui. Porque o mundo já grita contra a gente todos os momentos que a gente não é capaz, que a gente não pode. Eu ouvi muitas vezes isso. Eu ia chorando no carro, meu pai me pegava no trabalho. Falava assim, eles não sabem onde você vai chegar. Eu já enxergo, eles não. Você precisa só continuar. Você é essa estrela a ser lapidada. Então, dentro de mim, por mais que as dificuldades estivessem acontecendo, eu sempre soube do meu valor. Eu sempre soube que quando eu quero, eu consigo chegar, sabe? É só eu... Eu segurar, continuar. Então eu recebi algumas propostas depois que o Gab nasceu. Mas eu via um salário de 2 mil reais pra trabalhar 12 horas por dia. umas coisas absurdas, assim, e não era um negócio que eu via que eu ia crescer. Aí eu falei assim, não, isso aqui eu não quero, isso aqui eu não quero. E foi difícil dizer não, né, porque você quer voltar. E aí, veio a oportunidade de ser freelancer no SBT. Freela, pra quem não sabe, né, e tá assistindo a gente. Eu vou dar uma de apresentadora desse podcast.
É um trabalho momentâneo, boa.
É um trabalho momentâneo, que a pessoa não tem ali um emprego fixo, não é carteira assinada. Você tira férias, você fica 10 dias, 12 dias. E foi assim que eu comecei a fazer no SBT, porque o SBT é uma das únicas emissoras em São Paulo que pega freelancers repórteres, né? Pra tirar férias ou cobrir alguma licença e tal. E aí, eu primeiro fiquei uma semana, gostaram, fui ficando, aí eu fui ficando e fiquei quase um ano como freela. O que nem é legal, né? Mas tudo bem. Porque hoje em dia dizem que até seis meses, né, que pode ser freelancer. Não tem isso, Iza. Enfim, tem uma legislação aí. Mas resumo, eu fui ficando porque na mesma época criaram um programa jornalístico policial de manhã, que é o Primeiro Impacto. E aí não tinha repórter que ficava 10 minutos ao vivo, que era eu. E eu fiz um teste no estacionamento do SBT. Quanto tempo você consegue ficar ao vivo? Esse assunto é esse assunto, a gente deu e eu fiz o teste. E fiquei lá horas falando até falarem pra eu parar. E aí foi assim que eu passei e fiquei no programa como repórter. Depois de dois anos, eu já tinha virado a co-apresentadora do programa da rua. Pelo meu desempenho, eu conseguia todos os furos de São Paulo, chegava antes em todos os lugares. E a Globo, por conta disso, teve que fazer o Hora 1, porque o primeiro impacto tava ganhando e tava batendo, chegando perto. E aí veio o Hora 1. Que é mais uma conexão!
Me lembro bem quando o jornal começou, qual era o impacto. Do primeiro impacto.
Do primeiro impacto, pra Globo foi grande.
É. E aí, olha como nossas vidas vão se cruzando. Aí você foi co-apresentadora e depois... Virei apresentadora desse canal. E aí ficou quantos anos?
Não, aí depois o Silvio, foi o Silvio que me viu e me colocou lá. Eu tava cobrindo férias do Marcão, ele viu e falou, quem é essa menina e tal? Aquelas ligações, aquelas coisas que mudavam a vida.
Sim, ele é desse.
Silvio fez isso. Quando Raquel Scherazade foi sair do SBT Brasil, que é o principal jornal do SBT, o Silvio falou, eu quero aquela moça, eu quero aquela menina lá da manhã.
Legal.
Puxa ela. E aí, eu fui pra CBT Brasil. E fiquei quase quatro anos na CBT Brasil. No principal jornal da casa, segundo maior jornal do Brasil. E assim, foi um sonho realizado.
Maravilhoso.
Aí, desempenhos... Minha vida mudou completamente. É, sim. Tive que moldar toda aquela menina da rua afobada que tal, foi moldada pra bancada novamente. Mas eu sempre me adaptei muito rápido e fácil às situações. A gente, assim, né?
É, a Leolina com a sedente aquática. Não poderia ser diferente. Aí, tudo certo, tudo caminhando bem. Sílvio, apaixonado… Depois eu conto, né. Eu tive uma experiência com o Sílvio também, muito similar a essa. Que bom que a gente pôde viver essas experiências. Eu me lembro quando eu tava no Band News, a minha carreira também, eu comecei a cair na apresentação. Mas aí eu já estava no Band News, e aí eu falava no chefe da época, não foi esse, tá? De 2014 que você começou.
Você sabe quem é, o de 2014? Ah, depois a gente fala.
Na época, nós estamos falando de 2006, e aí quando eu cheguei... Humberto Candil falava assim pra mim, não, você tá pronta, você já vai fazer a bancada. Eu falei, mas eu preciso da reportagem, eu preciso da reportagem. Ele falava, menina, mas você já tem uma voz, você já tem isso. E aí eu insisti tanto. Depois de um ou dois anos... O SBT tinha um programa à tarde chamado Olha Você, que tava passando por reformulações de apresentadores. O horário da tarde sempre foi muito difícil de ser preenchido. E aí, eu saio do Band News, eu saio. Eu escrevo uma carta no RH da Band, com a Zoca, um beijo, Zoca. Escrevo uma carta assim. Estou saindo por uma oportunidade na reportagem. Porque as pessoas da Band não acreditavam que eu estava deixando a bancada do Band News pra ser repórter no SBT. Mas assim, as portas ficaram super abertas e tal. Então, esse foi o caminho. Quando eu chego no SBT pra ser repórter, naquela semana, o Silvio estava testando outras pessoas. Mas ele não estava só me testando, ele estava testando um monte de coisa. E aí, quando na segunda-feira eu começaria como repórter, ele me coloca na apresentação. Depois de uma semana que o Ibope subiu, as coisas estavam engrenando. Eu não sei qual foi o bastidor, que aí o Silvio disse, chega. E aí, depois de uma semana, eu fui dispensada. E aí, ficou aquele zeriguedum. Mas o jornalismo não me quis, porque eu não tinha experiência na reportagem. Aí, sabendo disso, a Band… Te pegou de volta? Como repórter.
Porque Band News… Porque era o que eu queria.
Aí eu chego na Band como repórter, e depois de alguns meses aí eu comecei a substituir o Boris, o Borchardt, todos os apresentadores que tinham pra substituir, eu substituía. Então é muito curioso você falar sobre isso, porque eu vivi a mesma situação. Então, sim, gente, isso não é lenda. O Silvio, ele via, ele decidia e acabou.
E ao mesmo tempo que ele decidia, ele também desdecidia.
Então, mas assim, o que importa foram as experiências. É verdade. Que nos trouxeram até aqui. E aí, agora, você... Aí, agora, não. Aí você tá lá... Apresentando.
SVT Brasil.
Tudo indo bem.
Tudo indo bem.
O que aconteceu?
Aí chegou... O Silvio começou a se afastar pós-pandemia, né? Porque ele teve também uma depressão, né? Ficou mais recolhido e tudo. E as filhas começaram a preservá-lo. Então ele parou. Eu gravei um dos últimos programas com ele, inclusive. E aí, as filhas começaram a assumir. E desde que começaram a assumir, reformulações acontecem, é natural. E chegou lá pro nosso chefe, na época, que o César Filho seria o novo apresentador. E houve uma preparação, nós fomos avisados. Olha, a gente quer aproveitar vocês, tanto você quanto o Marcelo. O Marcelo foi pra Buenos Aires, e eu… Ele falou assim, você aceita, por enquanto, fazer a previsão do tempo? Mais uma coisa, né? Você fez também. Então, aí eu virei a louca da previsão. Estudei tudo, fui fazer curso com o pessoal do… Enfim. Fiz tudo e comecei a apresentar a previsão do tempo. E aí, eu fiquei três meses só na previsão do tempo. E aí me chamaram pra fazer um programa da tarde, que a Cristina Rocha saiu. E eu e o Marcão do Povo faziam o Tá Na Hora, que hoje é o De Novo Aqui Agora. Fiquei com o Marcão do Povo seis meses. Ah, não, não, não. Agora a gente vai te colocar amanhã de novo. Aí voltei pra amanhã. Resumo, essa instabilidade, porque todo momento não sabiam se eu era boa o suficiente pra ficar em tal lugar. Porque parecia sempre isso. Ah, não, ela aqui. Ah, eu substituí a Michelle Barros também num programa que eles fizeram de meio dia, que era um jornal. Que eu amei fazer, inclusive, que era o Notícias, o Chega Mais Notícias. Era muito legal. E aí fiquei... é resumo, fiquei em quase todos os programas da casa no ano antes de sair. E aí até que, um pouco antes de eu tirar férias, não, recessos de fim de ano, me chamaram e falaram assim, olha, no ano que vem, que seria em 2025, a gente tem um projeto pra um programa da manhã, feminino e tal, a gente enxerga muito seu nome... Aí, nossa, eu fico muito feliz. Começaram a sair até boatos no X, naqueles perfis de fofoca e tal. E eu fiquei super feliz e fui pro meu recesso. Quando eu voltei do recesso, eu voltei pra mesma sala pra demissão. Aí eu falei, calma, peraí, antes de vocês me demitirem, eu só queria entender o que que mudou de um mês pra cá, quando eu estava nessa sala, que vocês fizeram essas e essas e essas promessas. Ah, não, não, é que a gente não conseguiu verbar, não, não, porque a gestão mudou, só corta uma parte, o chefe da antigo foi demitido e foi contratado outro chefe. E aí, realmente, quando um outro chefe chega, ele faz a equipe dele, né? Então, muita gente foi demitida junto comigo, não só eu, pra contratação de outras pessoas. Aí disseram que o meu salário era muito alto pra realidade, mas muito alto, não igual ao dos outros apresentadores homens, por exemplo, como sempre. Então, assim, eles pegaram o meu salário pra picotar o meu salário pra mais três, quatro pessoas, ganhando muito pouco. Foi isso que aconteceu. Então, é isso. Assim, foi um baque, né?
Como é que você se sentiu quando você foi dispensada? Já tendo uma promessa de que no seu retorno do descanso você seria promovida.
Exatamente. Eu liguei pro meu marido, fiquei sozinha na sala e eu só falava assim, amor, você tem orgulho de mim? que eu cheguei até aqui e tal. Eu falava assim, amor, pelo amor de Deus, só me fala que você tem orgulho de mim, porque nem eu sei mais quem eu vou conseguir, né? Aí eles falavam assim, eu te amo muito, amor, eu tenho muito orgulho de você, você é foda, olha onde você chegou e tal. Então eu precisava ouvir de alguém que me amava, que ele tinha orgulho do que eu tinha feito até ali, sabe? Porque é muito difícil. Você, Sônia… As pessoas falam assim, ah, você não pode… Tratar a empresa como casa, você tem que ser profissional. Mas eu tava vivendo um sonho. Quem vem de lá, de Belém do Pará, uma mulher do Norte… Não tem como não ter vivido um sonho de estar numa emissora como o SPT. Então assim, eu realmente… O sonho virou pesadelo, sabe assim? E aí… Eu pensei e falei, nossa, tá bom. Depois de tudo, eu fiquei pensando onde eu errei, né? A gente se recoloca. Onde foi que eu errei? O que foi a minha parte de tudo isso? O que não? E hoje, assim, eu entendo que tinha que ser desse jeito, porque a minha saúde mental tava muito... Prejudicado. Eu voltei a tomar medicamento, né? Eu nunca mais tinha tomado. Voltei a tomar.
Primeiro dá sua mãozinha aqui pra mim.
Você tem orgulho de mim?
Mas antes eu vou te falar uma coisa que demoraram muito. Eu demorei dois anos pra que me dissessem. Você é uma excelente profissional. Você não é uma má profissional. Você só estava vivendo um mau momento da emissora. Ouça o que eu vou dizer. Você não é uma má profissional. Você só estava vivendo um mau momento profissional e que estava relacionado a outras pessoas. Então não foi nada pessoal.
Sim.
Isso aconteceu quando?
Em janeiro.
Janeiro. Nós estamos gravando esse episódio no início de outubro.
Eu achei que eu já estava bem pra nem chorar falando disso.
Eu sei porque. É inevitável a gente se emocionar com a sua história. Porque a sua história é a minha história e é a história de milhares de que estão aqui assistindo.
Sim.
Tá? Então, respira fundo. Entenda. Vou repetir pra você e pra quem está nos ouvindo. Não é nada pessoal. Não é nada pessoal, Márcia. Eu demorei tanto para entender isso, mas tanto, mas tanto. Talvez agora eu me emocione por me culpar de tanto que eu demorei pra cair a ficha de que realmente não é nada pessoal.
Você se culpou também.
Tanto que, quando me diziam assim, Isa, como é que você se curou? Não existe cura, né? Você tá em vigilância constante o tempo inteiro, né, em relação à síndrome de Burnout. Mas uma das coisas que te ajuda a virar a página é o auto-perdão. Então é perdoar a si, por todas as coisas que você fez, pensando em estar fazendo da melhor maneira possível e perdoar as pessoas que também estavam naquele contexto, que estariam fazendo aquilo com outras pessoas.
Isa, eu nunca tinha mais visto algumas dessas pessoas. E aí, teve um show que eu fui, que eu acabei vendo algumas. E assim, foi tão difícil, porque eu queria prestar atenção no show, mas eu ficava com medo de vê-las, porque é um trauma.
Trauma. Com você, quantas pessoas foram dispensadas? Um.
Mais de 30, eu acho.
Então, Márcia Dantas foi dispensada, foi desligada, com cerca de 30 pessoas. Se nós colocássemos aqui 30 pessoas, uma do lado da outra, provavelmente todas contariam a mesma história. A diferença é que quem está na frente da câmera, ela acaba tendo uma visibilidade maior, porque acaba afetando mais pessoas. Então, que este exemplo da Márcia te lembre o que o Luciano Santos diz sempre que é seja egoísta com a sua carreira. Então, resumindo, depois que você se recupera do susto, a gente considera o seguinte, realmente, é só mais um emprego?
Sim.
Existe vida fora dessas paredes? E eu não tô falando só da TV, eu ouço isso de executivos que saem das empresas, né? Será que existe vida fora? Então, existe vida fora? Muita. Assim como também existe vida dentro. Então, minha querida, você tá com 38 anos, Daqui um tempo, a gente vai se encontrar e você vai dizer assim, nossa Isabela, você lembra? Naquela época, eu tinha 38, você tinha 44. Eu tenho 44, né, meu amor? E aí você vai lembrar, você vai falar assim, que bom. Porque eu tenho certeza que todas as situações que Deus nos coloca é justamente para que você cresça a partir do sofrimento. Se você tiver com a saúde mental em ordem. Quando acontece uma situação como essa e a gente não se recoloca, eu não tô falando só recoloca profissionalmente, mas se recoloca como protagonista da vida, aí o bicho pega. No meu caso, eu ainda... Você já está trabalhando, você está na Jovem Pan fazendo dois programas.
Sim, sim.
Me conta.
Então, é... Eu, antes da Jovem Pan, eu vivi o meu luto, né. Deixei uns meses pra ficar em casa. Chorei, fui… Enfim, acolhida pela minha família, pelos meus amigos. Viajei com a minha família também. Viajei com o meu marido, a gente fez a nossa lua de mel, porque… Eu não contei, mas eu casei meses antes, né, dessa demissão. Em outubro do ano passado, eu casei, né. Então foi uma festona televisionada pelo SBT. Dois meses antes deles me demitirem. Passou no Domingo Legal, né. Inclusive, no programa de maior audiência da casa. E aí, com tudo isso, nós fomos viver a nossa lua de mel. Em abril, que já tava marcado, e tudo que era o período de férias. Enfim, fiz a minha vida. A cara da Isa, assim, tipo, chocada. É, acontece. E aí, nesse período, até eu voltar a imaginar como eu queria trabalhar, eu também quase não disse sim pra Jovem Pan. Porque a gente ficou namorando, assim, há algum tempo. E eu não tinha certeza se era isso que eu queria ainda. Porque, primeiro, é uma história muito focada em política e economia. Era algo que eu nunca tinha feito. E eu fiquei pensando, mas será? Será? Será? E aí, eu sou movida a desafios, né, também. Pra eu decidir, eu conversei com o meu marido. E eu falei pra ele, eu falei, bom, eu… Será que eu pego? Ele falou, você tem que sentir, né. Não tenho como te dizer. Corta pro dia que eu fiz o teste na Jovem Pan. Eu fiz um teste na farmácia também, peguei e comprei um teste farmácia. E eu tava grávida. No dia que eu fiz o teste na Jovem Pan, voltei pra casa. Fiz um teste de farmácia, deu positivo. Liguei pra minha médica maluca, falei, não é possível. Eu fiz dois, três, não.
Tá?
Tá, tá. Aí eu falei pro Rafa, amor, não sei, o que vamos fazer agora? Ele falou, vamos esperar. Não diz sim nem não. Primeiro, calma nosso coração, vamos ver, vamos viajar. A gente ainda ia pra Europa e tudo que fomos. Na segunda semana de viagem, eu tive um sangramento na quinta semana de gravidez e perdi. Eu sabia que eu tinha perdido, não fiz teste nenhum. Mas eu falei, amor, eu perdi. Porque veio um jato, assim, de sangue, do nada, com uma cólica. Falei, não é possível, isso não é normal. Liguei pra minha médica, ela falou, olha, eu não vou te mandar pro hospital aí. Se o sangramento não cessar amanhã, você pode ir por uma questão, né, de hemorragia e tal. Mas eu acho que não. Eu não posso dizer se você perdeu ou não. Pode ser um sangramento comum também. Resumo, voltei da Europa, fui pro médico no mesmo dia. E o meu útero estava completamente limpo. Eu tive uma gravidez química. Pra quem nunca ouviu falar esse termo, é uma gravidez que até a sexta semana, ela não evolui. É como se o embrião não conseguisse realmente fecundar da forma que deveria. Então, é mais normal do que a gente imagina. 90% das mulheres já passaram por isso. Só que o que acontece é que a gente pensa que é uma menstruação. Se eu não tivesse feito o teste antes, ia cair exatamente no meu período menstrual, porque eu não estava com ele atrasado.
Uau!
Então, eu só soube que eu estava grávida porque eu fiz o teste.
Exato.
E aí, eu voltei, realmente teve essa situação. Eu percebi que eu tinha perdido realmente. A minha médica falou, não precisamos fazer curetagem nem nada. Você pode, inclusive, continuar tentando, porque já estávamos tentando. Mas eu decidi dar uma pausa e decidi falar sim então para a Jovem Pan. Falei, bom, já que aconteceu isso, eu acho que é para eu aceitar e eu quero entrar de cabeça nessa situação. Contei para o meu chefe o que tinha acontecido e falei que daqui a um tempo, sim, ainda continuava nos meus planos. Porque ainda teve isso, né? Ainda contei no SBT antes de sair que eu queria engravidar. Então ela teve esse plus aí, que se teve a ver, se não teve, ninguém sabe, mas teve esse plus, né? Que uma semana antes eu tava no programa da Patrícia contando que eu queria engravidar. E aí depois foi demitido. Então teve casamento, teve gravidez.
Você acha que o fato de você expressar publicamente que você queria engravidar pode ter afetado a sua decisão?
Foi assim que eu conheci o Luciano Santos. Porque no primeiro capítulo do livro do Luciano, ele diz que o pior erro de qualquer mulher é contar pra chefia que vai engravidar. Tá no livro do Lu. Inclusive, começaram a me mandar esse livro, depois do que aconteceu. E foi assim que me conectei com o Lu, que é maravilhoso. Foi no meu podcast também, enfim. E aí, foi isso. Eu não sei se teve a ver. Só que depois de ler o livro e de entender o mercado, eu acredito que possa ter contribuído. Não foi o fator decisivo, mas pode ter contribuído.
Não foi verbalizado.
Não, jamais seria.
A gente nunca vai saber.
A gente nunca vai saber.
Chefia, vocês nasceram de onde? De uma mulher ou de um homem? Alguém nasce de homem?
Você sabe que muitas mulheres me mandaram mensagem depois que isso aconteceu, que passaram pelo mesmo. ou foram pra licença maternidade e voltaram. E aí eu fui pesquisar, né, que tem altos índices aqui no Brasil de demissões de mulheres por isso.
Existe um número que eu não vou saber dizer, minúsculo, de mulheres que ao retornarem da licença maternidade até conseguem promoções e tudo mais, mas a maioria é dispensada. Gente, deixa eu te explicar um trem. Se existe... um ser mais eficiente do que mãe, eu não conheço.
Nossa, depois da gravidez do Gabi, eu voltei assim, com gás, com uma vontade.
Eficiência significa assim, foco, resolução, criatividade. Então, meu pai amado, você vê, né? O homem já foi pro espaço e a gente ainda está falando de um modelo de trabalho que não valoriza as mulheres que engravidam. Ó, eu sinto muito. Pela perda do neném, por esse contexto que talvez a gente nunca vai saber o que aconteceu. O que eu posso te dizer é que agora eu vejo uma mulher linda. Um brinco de fora. Pra quem me conhece aqui, eu adoro um brinco de fora.
Gêmea. Um brinco de fora.
Total, total. Eu fiquei muito feliz quando você me convidou pra fazer uma participação lá no Jovem Pan. né, falando sobre esses temas. E tô muito feliz de você estar aqui no Interiorism, porque, de novo, a sua história é a minha e é de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, o que que a vida já me ensinou? A gente alimenta os nossos sonhos baseados nas nossas crenças. Então, você acreditou muito naquilo que você estava fazendo. E eu tenho certeza que todo mundo que está ouvindo esse programa, quando se dedica a algo, quer ver o melhor resultado naquilo. Então, na minha opinião, não tem problema nenhum você sofrer e ficar triste. É evidente. Isso é muito natural. Mas a gente não tem controle no que acontece fora. A gente só consegue gerenciar o que acontece dentro. E eu vou te dizer que se as lágrimas ainda correm é porque ainda precisa de mais um pouquinho de tempo para entender que nós precisamos de pausas para fazer as mudanças. Eu costumo usar o exemplo do carro. O carro mudou o câmbio. Antes era Sim, manual. Manual, e agora é automático. Mas a gente continua com dois pedais, freio e acelerador. Porque se eu só acelero, eu vou morrer. Eu preciso, então, freando e acelerando, freando e acelerando. Eu gosto muito dessa analogia. Então, você viveu uma pausa involuntária. É. Você não queria sair dali. Você tava crente que era casamento. Né? Na verdade, casamento não. Você já tinha casado. Era bodas. Era bodas. E não foi. Dito isso, moral da história, e aí? Se a gente não se reinventar, se a gente não atualizar nossa identidade, você vai ficar só lamentando pelo que foi.
Você sabe que uma coisa também que eu tenho muito dentro de mim é que eu sou muito inteira em tudo que eu faço. Inteira não é ser homogênea, inteiro é ser diverso. Mas bancar o que você tem de diverso. Porque o mais difícil é provar para o mundo que você não cabe nas caixas que eles querem te colocar o tempo inteiro. Então, quando eu estava no SBT, sempre quiseram me colocar na caixa da apresentadora, que era a padrinhada do Silvio, e que era alegre, divertida, e que jamais faria um programa de política e economia. Aí eu chego na Jovem Pan e em três meses o meu chefe fala assim, uau, você se adaptou muito mais rápido do que eu imagino. Porque em três meses eu fui estudar política e economia, eu fui ouvir todos os dias Natuza, Sadi, ler todas as colunas da Globo, eu fui ouvir os podcasts da Folha, mas eu fui com... Porque eu gosto de tudo que eu faço. Me entregar, ser inteira e fazer bem, e com felicidade. Porque não adianta também, eu ia… Ah, porque vou estudar… Não, eu vou com felicidade, assim.
Com tesão!
Você é assim também? Assim, quando você caiu de cabeça aí? Foi a mesma coisa. Comigo agora, eu quero. Aí os meninos brincam hoje lá… Não, Jovem Punk, eu sou nada contra assadir. Mas sou assadir com… Como é que ele fala? Je ne sais quoi. Que é o molho. Não, porque eu brinco, né? Eu falo de política e economia hoje no meu programa de uma forma muito leve e com o meu linguajar, que às vezes é de linguajar a internet, que às vezes eu falo, mas e o Trump, hein? Sei lá, umas coisas assim.
E aí eu te pergunto, por que não?
Exato! Aí o meu chefe falou, hoje você conseguiu equilibrar quem você é com o assunto que você já dá, você já tem as camadas do assunto que no começo você não tinha esse repertório de aprofundar, de analisar, que hoje você já consegue.
Repertório.
É o repertório que você cria.
Eu não tinha.
Tempo real, duas horas da tarde, todos os dias. Eu fico duas horas no ar de duas às quatro. Todos os dias de segunda à sexta. E a gente analisa tudo o que está acontecendo no Senado. Hoje vamos falar da MP que foi derrubada, inclusive.
Como que é o nome do... Sério?
Sério, vamos falar disso hoje.
Ô Márcia, sabe quando que eu diria sim pra um trem desse? Nunca. Sério?
Então nisso a gente é diferente.
Por exemplo, porque eu acho extremamente desafiador. Extremamente desafiador. Então, que bom. Olha só, agora vamos lá. Vamos recapitular pra gente encerrar. Se você não tivesse saído do SBT, você não estaria vivendo esta versão que, na minha opinião, pode te levar pra lugares muito melhores.
Eu enxergo já isso. Eu já enxergo isso!
Pegou?
Totalmente!
Então, vou te dizer uma frase que recentemente me veio, né? As pessoas falam, Isabela, como é que você tem esses insights? Não sou nem melhor, nem pior que ninguém. Eu só tenho prestado muita atenção nos meus insights e no silêncio. Ontem eu não mudo. Hoje e amanhã, sim. O que significa que nós estamos sempre em vantagem. Que é uma outra maneira, o passado eu não altero, o presente e o futuro, sim. Então estamos sempre em vantagem. Então você acabou de mostrar o quanto foi importante, né, você ter um momento de luto. Sofri, sofri mesmo, gente, fiquei triste, é uma sacanagem, é um absurdo. Agora tá, vamos viver. Um desafio novo, estou livre para esse desafio novo. Será que se você estivesse na SBT e recebesse essa proposta da Jovem Pan, você faria?
Jamais. Não, e tem um plus em tudo isso. Porque eu coloquei no meio do contrato da Jovem Pan algo que eu sempre quis. Eu sempre ajudei muitos estudantes de jornalismo. Eu fui uma das primeiras a criar um curso de jornalismo online que é o meu curso de Telejornalismo Prático. E aí, eu falei, por que não criar um portal de jornalismo colaborativo? Pra trazer todos esses jovens. Até me arrepio quando falo disso, porque é uma paixão que eu tenho. E aí, eu fiz uma seleção de jovens de todo o Brasil. E coloquei gente que trabalha comigo. Hoje a gente tem 43 jovens de todos os estados desse país. E a gente tem um portal colaborativo de notícias que chama Portal MD News, que é o portal que eu faço. Então… Por que eu demorei pra aceitar a Jovem Pan? Porque eu falei, eu só vou se eu tiver com o MD junto. E aí, hoje, os meninos do MD entram na programação da Jovem Pan. como estagiários e conseguem ter o seu trabalho também reconhecido por lá. Então, a gente dá portfólio para essas pessoas que não tinham a oportunidade de começar. E aí, a Jovem Pan abraçou o meu projeto e a gente pensa em fazer cursos agora dentro da Pan. É um projeto que vem para frente. Salve de palmas.
Salve de palmas.
Eu jamais conseguiria isso, levar o meu negócio, o meu sonho.
Pronto. Fora a sua expressão na internet. Então, eu posso dizer que agora você tá com mais liberdade do que antes.
Completamente. E é uma liberdade deliciosa. Deliciosa, que eu nunca experimentei na vida. E outra, é liberdade com maturidade, né? Porque se fosse essa liberdade com a Márcia de 10 anos, coitada de mim. Eu acho que eu nem carreira teria, porque eu era uma bem doidinha, assim, na vida. Era do teatro, era das artes, era de sonhadora. Ah, eu amo, né? Esse meu lado sonhador é o que me traz até aqui, né?
Deixa eu te explicar. Quando a gente para de sonhar, a gente para de viver.
Então... E é isso. Então, a liberdade com a maturidade me trouxe pra isso. Porque quando eu bati o pé e falei assim, olha, Jovem Pan, só quero se for assim, eu mostrei o meu valor. Então, eu falei assim, eu só vou se for assim. E aí, entendeu? A gente nunca pode perder o nosso valor.
Pega isso, Brasil. Repete. Quando você... Entendeu o seu valor e você colocou sua condição.
E o meu valor não tá em nenhuma empresa. O meu valor não estava no SBT. O meu valor não está em nenhum lugar. O meu valor está em mim, no trabalho que eu faço, nas coisas que eu gosto.
Mulher, em dez meses você já descobriu isso? Eu demorei sete anos. Uma salva de palmas para a Jaroltazinho. Marcia, eu amei. Eu amei, eu amei. Ó, conte comigo para esse… Vamos falar.
Com os meus jovens um dia? Você topa?
Absolutamente.
Oi, eu vou chamar.
Absolutamente, porque eu já tive vários momentos com estudantes. E eu gosto de dizer o seguinte, olha só. Você quer ser jornalista ou você quer ser artista? Já começa por aí, você quer ser jornalista ou você quer ser artista?
Eu já fiz um crivo, viu?
Você tá querendo trabalhar na TV pra quê? É pra salvar vidas, é pra investir em temas que não é o glamour que você tá imaginando. Então deixar todo mundo assim, sabe, falando a mesma língua. Com certeza, com certeza. Especialmente... Um dos problemas que eu mais vejo hoje, não só dentro da TV, mas em várias áreas, que é a armadilha da competência. Quando a gente tem talento e é muito bom no que faz, as pessoas... Evidente que vão te dar mais trabalho por você fazer muito bem o que você faz. Parabéns, você fez um ótimo trabalho, então eu vou te dar mais um trabalho. Aí você fala, opa, então agora... E o salário? Lembra o professor Raimundo e o salário, e aí o reconhecimento financeiro nunca vem, o emocional fica naquela corda bamba, que ficam com elogios rasos e promessas rasas, e a gente que é idealista vai acreditando. Então eu preciso avisar isso pros adolescentes, tá? Titi, Isabela… Ai, Isabela, você joga um balde de água fria. Não.
Eles estão um pouco mais conscientes, eu acho.
Que bom.
Porque, tipo, hoje estagiaram num top pra mais trabalhar final de semana. E aí tem gente metendo pra essa geração. Não, não. Eles sabem que não… Entendeu? Eu acho que tem um negócio assim, um pouco… Isso é outro episódio, isso. Mas é isso, é doideira.
Vou deixar aqui um spoiler, tá? É porque nós vamos entrevistar a doutora Ana Escobar, que é pediatra, tá? E eu vou justamente trazer pra ela o seguinte. Doutora Ana, as crianças, os adolescentes hoje não querem as coisas que não querem porque estão vendo os adultos como estão. Não, como estão. Então, se essa geração está dizendo desse jeito não, a gente tem que aplaudir Porque é uma geração que está tendo coerência, que se eu não descanso, se eu não recupero, eu não vou continuar. Agora, contraponto. Ah, mas então nunca ninguém vai trabalhar de fim de semana. Vai, mas não todos. Que é quando você tá no início da carreira, as pessoas, sabendo que você tá com vontade de fazer, acontecer e mostrar, abusam. E aí o sujeito que tá vindo de qualquer lugar, de qualquer lugar, Quando começa num trabalho, quer mostrar serviço. Aí junta a fome com a vontade de comer e não descansa. Então o meu recado é sempre esse. Você pode vestir a camisa da empresa, desde que você visse o seu pijama também.
E eu tô nessa fase de tentar equilibrar isso, porque como eu peguei muitos projetos, eu tô quase no burnout.
Aí gente, me traz mais um café.
Eu já ia te dizer isso, porque eu cheguei aqui hoje meio que assim, sufocado. Aí, Deus, eu posso te contar um negócio? Meu filho fez um relatório com a psicóloga, aí ele descreveu algumas coisas do pai e da mãe. Isso pra mim foi um tapa na cara, porque ele disse assim... A minha mãe é muito legal, mas às vezes ela é meio brava, mas às vezes ela é meio chata, mas às vezes ela é meio não sei o quê. O único problema dela é que ela trabalha demais. Aí eu falei, meu Deus!
Ô, Gabriel.
Ô, Gabriel. Aí foi, é isso.
Bom, Deus está falando com você através do Gabriel. E aí a questão é... É... O burnout acontece nessa situação que você tá. De muita exaustão. Você disse sim pra várias coisas que te deixam com tesão. E é por isso que eu digo que a síndrome de burnout afeta quem gosta do que faz. Porque quem não gosta não vai assumir mais do que uma responsabilidade. Mas nesse contexto que você está, se você viver uma situação com características de assédio, Aí, a gota transborda o copo. O que é isso? Depois de tudo isso que você está... Olha, agora caiu a ficha aí. Depois de tudo isso que você está vivendo e fazendo, se você viver uma situação em que alguém vai te desrespeitar, que vai te abusar verbalmente... Fisicamente, eu sei que não, porque você já sabe, já se posicionar. Ali, você pode viver um burnout. Então, quando você ultrapassa todas as fases do cansaço, do esgotamento. Então, você tá no limite. Você tá, assim, igual o telefone. Carregou, usou. Carregou, usou. Carregou, usou. Você não tá com bateria de sobra.
Eu não tô. Ultimamente, eu não tô.
Você tá sem poupança de saúde mental.
Eu não tô.
Aí, se alguém te desrespeitar... Ferrou. Ali é um problema, tá? Então, que você tenha vindo aqui pro interioriza pra ter despertado. Né, assim, respira fundo agora. Eu sei que você ama o que você faz. Você tem 38 anos. É uma potência tremenda. E você tá, de parabéns, trazendo então agora, deixando um legado. Olha que interessante. Então você não faz mais todos os dias um jornal apenas pela transmissão da comunicação. Mas você está deixando um legado, ensinando outros jovens, inserindo no mercado de trabalho. Então, parabéns. Obrigada. Esse é o legado da Márcia Dantas.
Agora o legado também precisa ser pra mim, né?
Só que Marcia Danta só vai continuar fazendo se você tiver saúde. E essa saúde virá com sono. Alimentação, tempo para a higiene, o tempo para o lazer que são minutos com o Gabriel, com a sua espiritualidade, com as suas panlantas, com os seus pets, enfim.
Às vezes eu tenho almoçado no carro, Isa. Então, assim, eu tô pecando comigo. Eu sinto que tô. Então, que bom que eu vim aqui ouvir de vocês. Que esse final desse episódio estão de certeza que eu tô pecando comigo. Não tô me sentindo bem com as coisas que eu não tenho feito direito, sabe? Tomar banho rápido, comer rápido, viver rápido. Eu não tô feliz.
Sabe qual é agora então a solução? Começa com F. Não é foda-se.
Eu ia amar se fosse também.
É faxina. Faxina, Márcia Dantas. O que é faxina? No meu livro, eu falo sobre atualização de identidade. Eu te dei meu livro, né, Clídia, na Jovem Pan? Mas já vi que você não tá sem tempo pra ler. Não se preocupe. No meu livro, no último capítulo, eu falo sobre atualização de identidade. O que é isso? Vamos fazer na prática, então. Será que Márcia Dantas hoje, com 38 anos, é a mesma Márcia Dantas de 29? Não. Ponto. Você usa as mesmas roupas? Não. Não. Você usa o mesmo perfume?
Não.
Não. Você já mudou a sua forma de alimentar, por exemplo, tem coisas que você gosta, coisas que você não gosta?
Perfeito, não bebo mais, por exemplo.
Não bebe mais, muito bem. Que tipo de comportamento que você ainda está tendo? que você precisa eliminar, como você já eliminou roupas, sapatos, maquiagem, ou seja, será que eu tô marcando café pra conversar com quem não faz mais parte do meu estilo de vida? Será que eu tô insistindo em mensagens com pessoas que não combinam mais comigo? Porque aí você vai ficar sem tempo pra você. Então, quando eu tô falando faxina... Um.
Dia que eu tô colocando energia que eu não devo mais colocar.
O seu tempo, exato.
Meu tempo.
Então, aí você vai pegar uma listinha, ó. Tô falando pra Márcia e tô falando pra você. Você vai pegar uma listinha e você vai dividir, então assim... O que eu quero e o que eu posso. Boa.
Eu quero! Ah, eu quero.
Fazer atividade física. O que mais?
Eu quero ter uma hora pra comer na hora do almoço. Pelo menos uma hora que eu possa me desconectar.
Pausa. Eu atendi três anos um banco. E aí, no treinamento pra gerentes, um deles me disse assim. Isabela, minha vida mudou quando eu passei a almoçar. Falei, não entendi. Não, eu só parei pra almoçar. Eu falei, ah, não fiz reunião, não fiquei marcando almoço. Tá, então uma hora pra almoçar. O que mais que você quer?
Ai, eu quero chegar em casa e não pegar mais no celular.
Tá. Então, sem celular, a partir de que horas?
A partir de oito da noite, pode ser.
A partir de vinte horas, muito bem. Vamos só deixar três coisas que você quer?
Porque já são muito gente.
Três coisas. Pra fazer isso, agora vamos lá. Pra fazer o que você quer, o que você tem que eliminar? Então, aqui na coluna do que eu posso, então o que você vai eliminar? Porque se você não está com tempo pra fazer as coisas que você quer, que te devolvem saúde mental todos os dias, nós estamos falando de saúde mental na prática, né? O que você vai eliminar? Vai ter que eliminar alguma coisa. Então, você vai ter que sair de grupos de WhatsApp. Então, vamos começar pelo mais simples. Sair de grupos de WhatsApp.
Não marcar nada na hora do almoço, né?
Bloquear almoço, só pra almoçar, tá? Esse aqui é um dossiê, tá, gente? Outra coisa, pega o seu Instagram e suas páginas que você costuma seguir e faz faxina. Ah, tô lá. Eu sigo 900 pessoas. Se você entrar no meu Instagram agora, você vai ver. Eu sigo 900 pessoas. Essas 900 pessoas ainda combinam com o meu estilo de vida atual?
Ai, não. Tem um monte de gente que eu queria tirar mesmo. Verdade. Então, faxina... Nas redes sociais.
Redes sociais. Por quê? Se eu hoje começar a ver aquelas jovens que ficam o dia inteiro na academia, eu vou começar a me comparar. E eu não vou ter tempo. E aí eu vou começar já a...
Não, o meu personal falou assim, você ainda quer ser sarada? Tem certeza que nessa fase da sua vida você quer ter gominho na barriga se você não tem tempo nem barriga?
Não, né, Marcia Dantas?
Aí ele falou, para, né?
Pronto.
Eu só quero te manter saudável.
Pronto, saudável, saudável. Então, pronto. Então, vocês estão entendendo onde eu quero chegar? Sim, doida. Porque pra fazer o que você quer, o que você sabe que te faz bem, você vai ter que fazer faxina. É. Só que fazer faxina em ideias e comportamentos parece fácil. Pode ser fácil. Mas aí você vai começar pela faxina nas gavetas. Então vamos pegar coisas materiais. Gaveta da cozinha, gaveta de banheiro, de quarto. Só que aí eu quero que você se desfaça de coisas que são preciosas pra você, mas que você não usa mais. Esse é o ponto. Esse é o segredo. É você reconhecer que aquilo foi importante. Aquela pessoa foi importante, bacana, gratidão, não é prisão. Eu preciso me liberar desta carga pra ter tempo pra mim agora. Porque se ontem eu não mudo hoje e amanhã sim, na prática é faxina hoje pra que você tenha tempo pra você.
Pra preencher esse espaço que agora eu não tenho, né? Tá bom.
Tarefa de casa, Márcia Dantas.
Pronto.
Estaremos de olho, tá, na senhorita.
Eu vou pegar... Eu posso abrir só a última... Então, o último capítulo do livro, já direto? Já porque... Já como eu tô com o tempo reduzido...
O meu convite pra você, Márcia, e pra todos que nos acompanharam aqui, talvez seja um dos episódios mais longos, mas foi super importante. Eu fiquei emocionada com a sua história, a gente se emocionou. Tenho certeza de quem também está conosco. Se emocionou, se reconheceu. O convite aqui é para... Que a sua história inspire outras pessoas. E que esta sua... Como é que chama? Essa honestidade em me dizer que, ó, tô errando comigo, também sirva de inspiração pra você refazer a sua agenda e entender. Isso aqui que eu quero tá coerente com o que eu posso porque a gente adoece querendo dar conta.
Perfeito.
Da agenda de hoje com as características de como nós éramos antes. E a Márcia começou com 29 anos, podia dormir pouco, podia comer mal, mas que não tinha consequências, não afetava a parte cognitiva.
Não, hoje, se eu não durmo direito, como é que eu vou apresentar um programa de análise de política que eu preciso formular perguntas, que eu preciso...
A Isabela já deu... Vai, vai, gente, são 11, ela precisa trabalhar. Vambora. Márcia, obrigada.
Obrigada, Is, amei, amei.
Pra quem está apaixonado, apaixonada por você e quer continuar, qual é a sua principal rede que você quer divulgar?
É o arroba marciadantestv em todas as redes e tem o portal mdnews também agora, né, que é o portal.
Marcia, eu vou ficar de olho em você.
Tá bom.
Fala mais, tá descansando.
Foi bom aquele dia que você desmarcou o café, que eu dormi mais.
Tínhamos um café antes desse encontro, né? E aí aconteceu alguma situação, algum imprevisto que eu não pude estar com você.
Foi, e aí eu dormi nesse dia. Tá vendo?
Foi bom.
Você me ajudou já.
Acho que você tem a mesma questão que eu. A gente tem medo de ver buraco na agenda.
Super.
A gente se culpa.
Sabia que uma vez uma psicóloga falou isso pra mim. Por que você tá? Por que você tá preenchendo tanto? Que vazio você tá tentando preencher? O que tá te doendo que você tá preenchendo com trabalho pra dizer que você não pode resolver? Muito doido! Ah, meu filho, se deixar… Vamos continuar outro podcast.
Outro podcast. Eu sei que você gostou dessa história, né. Então vai ser muito bacana se você puder compartilhar, tá, esse episódio com quem você quer bem. E me ajudar a levar essa educação em saúde mental, né. Interioriza afora, pra que mais pessoas possam se reconhecer, pra acontecer com saúde. Obrigada.
Obrigada. Beijos, adorei. Tchau, tchau.
Até breve.
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