Para que e quando usar os implantes hormonais? Manu Coutinho EP 36 ÏnteriorIza
22 Sept 2023 · 32 min
This content was created by Izabella Camargo. This content was uploaded by GHION.AI . This is a podcast episode titled "Para que e quando usar os implantes hormonais? Manu Coutinho EP 36 ÏnteriorIza" from the series Interioriza, created by Izabella Camargo on September 22, 2023. The episode features a conversation in Portuguese between the host and Manu Coutinho, discussing the history, development, and applications of hormonal implants, particularly focusing on gestrinona and its uses for conditions like endometriosis and pre-menopausal symptoms. The discussion also touches on the misconceptions and criticisms surrounding the use of these implants.
Chapters
A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Vou repetir. A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. O que será que o médico Paracelso, lá no século XVI, tentou explicar com esta afirmação? Que tudo vai depender da forma como a gente usa as coisas. Nós vamos usá-las para o bem ou para o mal. Sabe o que é isso aqui? Esse tubinho aqui, flexível, transparente. Isso pode ser usado para o benefício das mulheres, se for utilizado de forma correta.
Ou não.
A gente vai saber mais sobre os implantes hormonais, sobre o chip da beleza. Com ela, Manu Coutinho, a empresária e a mulher que me introduziu o assunto com tanta clareza. Tudo bem, Manu?
Tudo bem.
Bem-vinda.
Obrigada.
Que alegria te receber aqui.
Minha também.
Vou deixar aqui na mesa. Manu, pra gente começar, quem é você?
Eu sou Manu Coutinho, Manuela. Eu trabalho com implantes há 12 anos. Eu tenho o implante como trabalho e como parte da minha vida. Minha vida é bem misturada com a história dos implantes, porque meu avô era o Simar Coutinho e ele desenvolveu os implantes. Então, eu brinco assim, que enquanto as pessoas nas famílias normais falavam sobre a novela ou sobre o jornal, a gente falava sobre implante. Então, era uma coisa muito normal em todo o meu crescimento, porque meu avô desenvolveu os implantes em 1960. Eu nasci em 84, então... Quando eu cresci e participava dessas conversas, meu avô já utilizava os implantes há 30 anos.
Deixa eu ver se eu entendi. O seu avô foi quem desenvolveu os implantes hormonais aqui no Brasil?
No mundo. Ele que desenvolveu, ele que inventou esse implante.
Tá brincando?
É.
Então foi ele que inventou o chip da beleza? Ah!
O Chip da Beleza veio depois, né? Veio, assim... O Chip da Beleza é um apelido, não é um produto, né? É um apelido que foi colocado. Ele inventou os implantes hormonais.
Perfeito.
Aí, o apelido que cada um quiser dar é da responsabilidade de cada um.
Já, já, nós vamos falar sobre isso. Eu estou brincando, mas você que está acompanhando o Interioriza já captou que tudo depende de como a gente utiliza as coisas. Então vamos lá. Aí você cresceu com o vovô falando dos implantes hormonais.
Isso.
O que ele buscou lá na década de 60 resolver? Qual o problema que o seu avô queria resolver das mulheres?
Na verdade, os implantes surgiram através de uma... Eles estavam buscando outra coisa. Eles estavam buscando um contraceptivo a longo prazo, um NARC. Eles queriam um contraceptivo que pudesse ser utilizado em populações, em países subdesenvolvidos. num momento em que tinha uma preocupação grande com o baby boom, ali na década de 80, que foi quando foi introduzido no mercado. Então, assim, eles estavam procurando isso, e aí começaram a testar diferentes progestinas no implante pra ver qual era a progestina que durava mais tempo, certo? E aí foi quando surgiu o primeiro anticoncepcional que existe no mundo todo, que se chamou Uniplan, que é um contraceptivo à base de levonogestrel, que é uma outra progestina muito similar à gestrinona. Certo? Então, assim, foi uma construção. No desenvolvimento do Uniplant, as drogas que estavam em pesquisa eram também a gestrinona.
Entendi.
Entendeu? Só que o Uniplant durava 5 anos, durava 3 anos, e a gestrinona durava 12 meses. Então, para o que eles queriam. era maior tempo. E aí, o que ganhou foi, no final, foi o Levanor Gastrel, que é o que tá aí no... No Brasil não tem, mas hoje já tem o Uniplan 2, quer dizer, já tá no mercado há muito tempo, e nos Estados Unidos, na Europa, enfim.
Eu gosto muito de saber a história por trás das histórias, né? Ou seja, o seu avô, ele começou a se desenvolver, aliás, ele começou a desenvolver um método contraceptivo, provavelmente para usar em países em que o aumento populacional precisa de medidas muito eficientes.
É, pessoas assim, tem países, porque isso às vezes é longe da realidade da maioria das pessoas, mas tem países em que a menstruação leva a mulheres a situação de risco por não ter acesso à higiene básica. Então, assim, são problemas que o Population Council, que é essa associação que pesquisa métodos contraceptivos, principalmente em países em desenvolvimento, para países em desenvolvimento, estava buscando soluções para essas populações. O que a gente pode fazer pra que essas mulheres consigam ter uma contracepção e consigam ter uma saúde íntima melhor e tudo? Então, era essa busca. A gestrinona, que virou depois o centro, hoje em dia virou o centro, ela começou a ser objeto de estudo em cápsula. Lá atrás, em cápsula, que era pra ser tomada uma cápsula semanal. Seria o primeiro contraceptivo semanal.
Uau!
Era uma cápsula, uma vez por semana e tal, e foi feita toda a pesquisa. A gente teve depois, teve o dimetrose, mas na época da pesquisa, como contraceptivo, fazia contracepção, era tudo bem, só que o que acontecia? Os contraceptivos conhecidos na época não tinham efeitos colaterais imediatos. Como não tem hoje. Você usa o contraceptivo oral, as meninas começam a usar com 13 anos e usam até 35, achando que é uma pílula de farinha que só não faz beber. Não tem um efeito... imediato, e a gestrinona tem. A gestrinona, a pele fica mais oleosa, aumenta peso e tal. Então, as mulheres, quando fizeram, as mulheres na pesquisa, elas relatavam coisas boas, aumento de disposição, aumento de, melhor, de libido, padrão de sangramento bloqueado e tal, só que também tinham efeitos colaterais que elas não esperavam para uma pílula anticoncepcional. Eu não quero ficar com a pele oleosa. Eu não quero ter... Meu cabelo tá caindo mais. Eu não quero. Eu não quero aumentar de peso. Então, isso gerou uma... Assim, eu acho que era uma falta de comunicação, entendeu? Entre o que era esperado da pílula anticoncepcional e a que a gestronomia entregava. E aí, não foi pra frente como contraceptivo. Mas, só pra terminar rapidinho, como contraceptivo não foi pra frente. Na pesquisa, meu avô percebeu que a gestinona tinha um potencial antiestrogênico bem forte.
E o que isso provoca?
Isso provoca... Isso poderia ser um tratamento para endometriose, que era uma doença, até então e até hoje, com muita falta de tratamento efetivo, sabe? Até hoje, o padrão ouro é ruim pra mulher. Então, ele viu que tinha esse padrão, esse potencial anti-estrogênico e falou, isso pode ser usado pra tratar endometriose. Naquela época, era a época de ouro da laparoscopia. Então, eles estavam descobrindo mais endometriose. Tipo, descobrindo a extensão dos focos, descobrindo que os focos não eram... estavam em lugares, né? Assim, até em pulmão tem foco, mas assim, foi quando a... a doença começou a ser mais estudada, sabe? Mais vista por dentro. E aí, ele conseguiu que a Roussel-Claff, que era, na época, a indústria farmacêutica francesa, que sintetizava a gestrinona, ia descontinuar a gestrinona. E ele escreveu uma carta pra Eduard, que era o dono, e disse, por favor, não descontinue, deixa eu fazer um teste com mulheres que têm problema de mioma, endometriose e tal. E aí começou... Aí ele começou a usar a gestinona nessas mulheres, na maternidade escola que ele coordenava, que era Climério de Oliveira, na Bahia, com resultados excelentes. E aí começou a publicar a gestinona, e aí surgiu a pílula pra tratar endometriose.
Perfeito.
A base de gestinona, entendeu? Então, assim, foi toda uma construção, e meu avô, meu, que encabeçou várias etapas, tanto do implante... quanto Vários movimentos. da gestrinona em si, sabe?
E aí, de lá pra cá, depois desse uso, então, da gestrinona para resolver a endometriose, porque, olha, você que está nos acompanhando, não sei se você já sentiu ou teve o diagnóstico ou conhece alguém, mas a endometriose provoca dores em tempo prolongado, é uma perda de qualidade de vida tremenda. Então, tudo que a gente pode melhorar, nós precisamos nos aprofundar.
A endometriose é uma doença muito cruel. É uma coisa que... Porque ela atinge a menina desde o início ali, de quando ela começa a menstruar, ela atinge a sua fase fértil toda.
E demora muito pro diagnóstico, né?
Ah, então quando você chegar na menopausa que você vai parar de ter sintoma, não. Porque quando você chegar na menopausa, você já tá toda... Toda estragada.
Toda estragada, dolorida.
E aí, tem focos em outros lugares, e os focos continuam a doer. Entendeu? Então, às vezes, as pessoas acham, vai tirar o útero, vai ficar. Não vai. Entendeu? Então, é uma doença que é cruel, porque as pessoas dizem, ah, que é só uma dozinha, que tarará, desmerecem muito.
A dor da pessoa. Porque é uma dor invisível, mano.
Ah, sua tia... Você precisava ver sua tia. Sua tia ficava de cama. A minha tia... E aí, a pessoa fica, entendeu? Ela vai ficando, ela vai se acostumando com aquilo. A dor vai fazendo parte da personalidade da pessoa. A pessoa acaba virando a dor, entendeu? Porque você fica todo mês, você tem… É uma dor muito forte, é uma dor que… Eventualmente, a pessoa vai começar a ir pra pronto atendimento vai começar a tomar morfina, vai começar a não sei o quê. Porque ela só piora, só piora, só piora. Então quando a pessoa não tá realmente com a dor, ela tá com medo da dor. E depois, quando a dor passa, ela tá se recuperando da dor. Então ela vira a dor! Sabe? E é triste, sabe? Meninas jovens.
E você sabe, Manu, que eu gosto de explicar que dor invisível é dor em dobro. Porque tem a dor que você está sentindo, tentando se adaptar ou resolvê-la, além do preconceito do entorno. E você tem que também gerenciar o preconceito de quem está em volta, achando que aquilo que você está sentindo não é tão dolorido assim. Manu, tá. Então, gestrinona. Seu avô trouxe mais estudos para o tratamento da endometriose. E o que aconteceu neste caminho? Hoje, a gestrinona é usada pra que mais?
Assim, o que que acontece? A gestrinona foi pra patologias estrogênio-independentes. Então, as patologias estrogênio-independentes são as patologias que dependem do estrogênio para se desenvolver. E aí tem a endometriose, tem mioma, tem adenomiose. Essas doenças, então, a gestrinona sempre caminhou ali. O que que acontece? O meu avô, ele sempre foi usando... A gesticula só existia em forma de implante aqui, todo esse tempo, certo? Então ficou uma coisa muito restrita. Há meu avô e há poucos... Poucos médicos que trabalhavam ali com ele e tal. Mas ele era a voz disso, né? E por isso, o movimento era controlado, era bem restrito e tal. Ele ia tratando... Só que... O mercado foi crescendo, os médicos foram fazendo cursos, os médicos foram se interando e foram tratando pacientes que às vezes, por exemplo, a paciente ela não tem um diagnóstico de endometriose formal, certo? Ou de adenomiose e tal, mas ela tem, por exemplo, um fluxo abundante, muito fluxo, muito fluxo, muito fluxo menstrual. Ou ela tem uma TPM que fica descontrolada, que atrapalha a vida social e a vida familiar dela. Tem várias coisas que ainda não são doença e que nem por isso têm que ser desmerecidas, entendeu? Quer dizer, você vai esperar ficar jogada na cama pra melhorar a sua vida? Por que a gente desenvolveu essa tolerância à dor da mulher que a gente só tem que tratar quando estiver quase morrendo?
Ah, tô com você.
Entendeu? Então, assim, os médicos foram entendendo que a gastrinona, o implante de gastrinona, ao bloquear a menstruação da mulher, ele devolvia a qualidade de vida pra aquela mulher que sofria com a menstruação.
Só quem... E aí, esse é um papo, né, que não é só direcionado às mulheres que menstruam, mas às pessoas que convivem com essas mulheres que têm essas disfunções mensais, Poxa, Manu, isso é de utilidade pública. O que a gestrinona também faz na pré-menopausa?
Assim, quando chega nessa parte da pré-menopausa, aí é a hora que tem que ter o cuidado e tem que saber para escrever bem a gestrinona. Por quê? A gestrinona é anti-estrogênico, certo? Então, o que é que a gente precisa na menopausa? Estrogênio. Então, você tá dando e tirando. A pessoa que vai prescrever uma gestrinona para uma mulher que está nessa fase, precisa saber bem compensar o estrogênio que ele tá repondo naquela mulher, e a gestrinona em doses baixas. Ah, mas por que uma mulher precisaria de gestrinona nessa fase? Normalmente, mulheres que têm nessa fase, a gente já perde muita massa muscular. E é muito difícil de ganhar massa muscular. É mais difícil de ganhar massa muscular. E a gestinona ajuda a ganhar a massa muscular e ajuda na densidade óssea. Então, é um tratamento que ajuda, protege a estrutura física da mulher que precisa daquilo, certo? Então, assim, uma mulher que tem uma sarcopenia ou que ainda não tem uma sarcopenia...
O que é sarcopenia?
Que é ter menos massa muscular do que você deveria ter pra sustentar o seu corpo. Então, você tem que ter um banco de músculos quando você chega nessa fase. E a maioria das pessoas não tem. Então, assim, a gestinona ajuda a recuperar essa massa muscular e tal. E a disposição e ajuda na libido, ajuda em várias coisas. Mas nessa fase de climatério e menopausa, tem que ter esse cuidado, porque o protagonismo é o estrogênio. O estrogênio é sempre protagonista na reposição hormonal, porque é ele que parou de ser produzido, né? Então você tem que... E aí, a gestinona é um coadjuvante que chega ali quando precisa, né? Ou não, vai chegar ou não, mas não é o astro.
Nossa, muitas perguntas. Quanto custa um tratamento com a gestrinona? Aquela que vai durar um ano.
Tá, o que vai durar um ano... O que vai durar um ano em implante, nesse tipo de implante, se for um tratamento. de patologia estrógeno-independente, que se for um tratamento assim, de contracepção, certo? Pra interromper uma situação e tal, que é um tratamento que a gente fala assim, dose plena, né? É, vai, varia, porque varia de acordo com a região, de acordo com o.
Médico... E a quantidade de peso também.
E tal, varia de acordo com a prescrição, mas vai ser assim, entre cinco e oito mil reais. O ano todo? Pra o ano todo.
Perfeito. Esse é o valor da sua paz? Esse é o valor de você não sentir dor e ter uma qualidade de vida melhor. Manu, agora vamos lá. Por que que alguns médicos e algumas áreas da medicina criticam tanto a gestrinona?
Porque começou a ser utilizada pelo efeito colateral, em vez de pelo fundamento dela, né? Assim, a gestrinona, até pouco tempo atrás, ela só estava disponível aqui, certo? Você via que ela estava disponível só nesse tipo de implante.
Tá.
Que é o implante de silástico, dura um ano, que é um implante que faz contracepção e que trata a patologia e tal. Há uns seis anos, surgiu os implantes absorvíveis, que são implantezinhos menores, que duram menos tempo, que não precisam ser retirados. E esses implantes abriram...
Não precisam ser retirados, eles são absorvíveis. O corpo vai absorvendo... Vai absorvendo. É essa mesma estrutura?
Não. Parece uma cápsula, como se fosse uma cápsula o quê? Como se fosse uma aspirina, de forma cilíndrica. e menorzinho, assim, de acordo com a gramatura, né? Se for 25 ou se for 40, enfim. Mas o que acontece? A partir do surgimento da gestinona em implante absorvível, entraram muitos outros médicos no mercado, que não necessariamente são ginecologistas. Tá? Então, assim, isso não quer dizer que é ruim. Quer dizer o seguinte, entrou gente. Entrou muito mais gente do que o que a gente tava acostumado. E dentro dessas pessoas, tem médicos excelentes e tem médicos que não são excelentes. E os médicos que não são excelentes acabam tentando surfar uma onda de chip da beleza e tal pra atrair paciente, e falando que a gestronoma vai fazer isso, e vai fazer aquilo, e vai, entendeu? Fazer a mulher virar a Miss Praia, entendeu? Verão do Rio de Janeiro. E não vai. A gente sabe que não vai. A gente que trabalha com gestronoma há muito tempo, ela não foi feita pra isso. E o que acontece é que a paciente, quando vai em busca disso e o médico fala pra ela, ela acredita. E faz um tratamento muitas vezes mal indicado, mal prescrito, não tá pronta e acontece o oposto.
Acontece o quê?
Acontece que ela retém líquido, que ela fica cheia de espinha, que cabelo cai. Entendeu? Porque ela não deveria, ela não está pronta para usar aquele medicamento. E mais ainda se for em implante absorvível, que é um implante que apesar de ter a facilidade de não ter que retirar, é um implante que ele faz um pico de ação alto no início. Então você tem ali uma super dose do hormônio por um tempo, pelo primeiro e segundo mês ali, você tem uma super dose do hormônio. E o corpo que não tá pronto pra receber aquele hormônio, reage. Entendeu? E aí vira uma loucura. A pessoa fica irritada, a pessoa faz hipoestrogenismo, que é... tem sintoma de menopausa. Calorão, insônia, vagina seca. É tudo o contrário do que você queria. E aí começa, entendeu? Começa a...
As reclamações.
Entendeu? A pessoa reclama.
Então, pera lá. O chip da beleza que deram esse nome é gestrinona ou é outra coisa dentro do chip?
Não.
Que não é isso aqui não, pra gente.
Deram esse nome para o implante de gestrinona. Entendeu? É... Ele está associado, né? Tá associado diretamente à gestrinona. Mas o interessante é que o chip... Esse termo, chip da beleza, surgiu há muitos anos. E foi a Ébica Margo que inventou.
É mesmo?
Foi. Foi a Ébica Margo que inventou, porque ela era paciente de um dos médicos que trabalhava lá, né? Que era pupilo de meu avô, assim. E esse médico, no Rio de Janeiro, ele trabalhava também com agência de modelos. E essa agência de modelos, o que ela fazia? Ela, quando a menina vinha, né, jovem e tal, vinha se inscrever. E a menstruação atrapalhava muito as meninas. Então, a agência mandava as meninas para o médico, ginecologista, pra fazer consulta e tal. E para botar o implante, que não era de gestrinola. Era de Nestorone, é outro implante. É outro implante.
Parece um palavrão, como é que é?
Nestorone.
Ok, não precisa salvar esse nome não, gente.
Nestorone, que também foi chamado por muito tempo de elcometrina, por causa de meu avô. Porque meu avô foi um dos desenvolvedores dele também. E esse implantezinho é um implante que dura seis meses e também é excelente pra tratar endometriose. É um implante que tem zero efeito colateral. É maravilhoso! E as meninas botavam só pra não ciclar, só pra não ter um inchaço pré e tal, não sei o quê, e não menstruar e ficar bem. Só que as meninas eram modelos, elas já eram lindas. Então ficou... A Iébica Margo falou, ah, aquele chip da beleza e tal.
Gente...
No ar, se referindo a esse implante, que era o implante que ele usava nas modelos, mas não era a gestrinona, na época. Era a nastroone. Passou o tempo, O tempo foi passando, não teve nenhuma repercussão grande de estipe da beleza, nem nada. Mas...
Não tinha internet, né?
É. Não tinha esse abuso de informação que a gente tem hoje, né? Que é assim. Só que aconteceu o seguinte. Depois de alguns anos, duas atrizes famosas, assim, e já muito bonitas, que eram pacientes até de lá de meu avô e tudo, falaram publicamente que usavam implante de digestinona.
Entendi.
Uma foi Juliana Paz e a outra foi Débora Seco. E saíram, tipo assim, em veículos grandes.
Aí a mulherada ficou louca. Quero ficar igual a Juliana Paz. Bota o chip aqui em mim.
Você viu Juliana Paz como era antes de botar o implante? Já era linda. Débora Seco já era linda. Assim, não foi o implante. Entendeu? Foi que, ah, sim, elas emagreceram, ficaram mais definidas, ganharam mais massa muscular e tal. Provavelmente, mas porque elas já estavam, já eram assim, já tinham esses hábitos, já estavam nesse caminho, sabe?
Perfeito. Manu, a gente tem poucos minutos pra encerrar o nosso programa, então eu quero trazer aqui uma informação de utilidade pública, porque quando nós nos conhecemos e você começou a me dizer Quantos anos antes da menopausa a pessoa já começa a ter alguns sintomas e a perda óssea, a perda muscular? Você falava isso e eu me via na sua fala. Porque eu já tenho 42 anos nessa gravação, tá, gente? Não sei, né? No futuro... Neste momento em que estamos gravando, eu tenho 42 anos e comecei a sentir alguns calores. Aí quando eu validei com a minha mãe, eu falei, mãe, quando você terminou a pausa?
Ah, tanto.
Eu falei, opa, então eu já tô nesse período de 10 anos antes. E todas as características que você dava das mulheres, o que vai acontecendo com o tempo, eu já tava percebendo. E aí... Como sou uma mulher que gosta de viver na pele aquilo que eu sinto, que vai contribuir pra vida das pessoas, eu pedi a gestrinona para experimentar. E estou com ela aqui no meu bumbum, tá, gente? Não vou mostrar pra vocês, que é impróprio, né, pro horário. Mas o que eu quero dizer? Vocês estão vendo espinha aqui no meu rosto? Dá um close aí, Jean. Hã? Tem espinha aqui no meu rosto? Não. Meu cabelo está caindo? Sim ou não? Não. Eu estou mais irritada? Não. Ou seja, a prescrição que me foi feita pela minha idade, pelo meu peso e pelas características que eu buscava, foram atendidas e tá tudo certo. Então, muito cuidado com esses últimos minutos aqui. Eu passo a palavra pra você encerrar, Manu, sobre a quantidade e o que você tá buscando. Porque ilusão tem um monte por aí.
Exato. É, eu sempre tento alertar as pessoas de que, assim, quando você vai buscando a gestinona, você vai buscando a solução pra uma questão hormonal, sabe? É uma questão específica. A gestinona, ela não vai resolver todos os problemas de sua vida. Ela não vai resolver a crise do seu casamento, ela não vai te dar um emprego novo, ela não vai fazer você ganhar na megacina, ela não vai fazer isso, entendeu? Ela não é a solução pra tudo, mas para... a sua questão hormonal, ela pode ajudar, se ela for o hormônio indicado.
Exato. Se tiver realmente a indicação.
Se ela for o tratamento indicado, ela vai te ajudar bastante. E aí, sim, se você tiver mais disposição, se você tiver sem dor e tudo, é muito mais fácil melhorar o casamento, tá? Mas continua dependendo de você.
Sensacional. É, porque é isso. Muito cuidado, tá, gente? Na verdade, assim, se te venderem qualquer solução milagrosa, já desconfie. Isso não existe. E eu fico muito triste quando eu vejo mulheres que... estão tendo prescrições equivocadas, reclamando de consequências que não têm nada a ver, porque não teve a prescrição correta. Então, pra mim, veja, por mais que eu falei pra Manu, Manu, eu quero experimentar isso, eu quero viver essa experiência, né? Eu tenho 42 anos, eu sou adulto, eu tenho maturidade pela decisão que eu tô tomando. Só que só quando eu falei com o médico, fiz todos os exames, é que nós tomamos, de fato, a decisão.
Exato.
É, porque... Foi porque deu a louca, agora eu quero. Não, vamos ver se é possível reduzir esses sintomas. Só as mulheres que sentem esses calorões pré-menopausa entendem o que eu estou falando.
Exato.
O quanto isso é desafiador.
Muito. É muito difícil. E viver assim é uma coisa... como se fosse normal, sabe? Como se você tivesse que lidar com isso e nada tá acontecendo. Você fala, mas tá acontecendo. Tipo, está acontecendo alguma coisa. Né? Assim, você não tem que passar por isso sozinha. Né? Assim, você pode procurar um médico. A gente sempre tem... Se acostumou a que o outro valide que não tá tudo bem. Sabe? Você espera outra pessoa te dizer se tá bem ou não com você. Você sabe. Você sabe quando você não tá bem. Sabe? Então, assim, é... Quando me perguntam, muitas vezes as meninas perguntam, é normal isso, isso, isso? Eu falo, não. Normal é se sentir bem. Normal é você estar bem, entendeu? Não é normal você não estar se sentindo bem. Confie, confie no seu julgamento. Confie no seu instinto, você se conhece. Sabe? Então, se você vai num médico e você dá um monte de sintoma e o médico diz que é normal, troque de médico.
Fala isso de novo olhando pra sua câmera, por favor.
Se você vai num médico e dá todos os sintomas, sabendo que tem uma coisa que não tá legal, e o médico olha pra você e diz que isso é normal, você tem que trocar de médico.
Salva de palmas. Não falo palavrão. Se eu falasse, eu diria... A gente precisa repetir essa informação. Manu, o que eu tenho ouvido de relatos que as pessoas falam assim, ah, eu cheguei no médico e tal, fiz exame, ah, ele disse que eu não tenho nada. Se alguém te disser isso, dependendo do que você estiver sentindo, é porque você tem tudo.
Ele não está te ouvindo. Entendeu? Assim, ele não está te ouvindo.
Não está te vendo inteira.
Não está, assim, e a gente... Tem que confiar, sabe? Assim, a gente se conhece bem. Você sabe quem você é. Então, quando você não tá bem, você não precisa de outra pessoa que te diga que você não tá bem. Você sabe, você só precisa de uma pessoa que te ajude a te resgatar.
A ficar melhor.
Entendeu?
Pronto.
É só isso. Maravilhoso.
Então, vamos lá. Este é um ritual que eu tenho feito com alguns convidados e você vai participar, então, deste ritual das areias, que é a soma aqui de todas as intenções de todos os convidados que sentam nesse sofá. E coloque aqui. Você vai escolher a cor que você quiser, a areia que você quiser. A gente abre aqui e você coloca inteiro. E aí você mentaliza, né? O que você quer que quem está nos acompanhando absorva desse papo, dessa informação, as suas considerações finais. Pode, como você quiser. Ou só joga. Imagina quando ele estiver cheio, quantas intenções boas, né? Então vamos lá.
Eu desejo, sim, que uma pessoa que esteja vendo isso tenha a vida realmente melhorada, sabe? E se reencontre, sabe? E que as pessoas entendam que elas podem ser felizes. Sempre. Sabe? Que não tem uma idade que você deixa de ser feliz. Que você tem que passar a sobreviver porque, entendeu? Não existe isso. A gente pode ser feliz a vida toda, sabe?
Até porque se... Nós estamos falando aqui de longevidade, tá? Não sei se já ficou claro aqui o que nós estamos falando. Nós estamos falando de longevidade. E quanto mais nós estamos vivendo, mais nós vamos ter que falar sobre a reposição hormonal. Por quê? Porque nós vamos deixando de produzir muitos hormônios com o passar do tempo. Então é evidente que eu, com 40 anos, não terei as mesmas produções do passado. E adiante, eu não vou ter as que eu tô tendo agora. A gente precisa falar mais sobre reposição hormonal.
Exato.
Ou eu tô doida.
Precisa, porque não tem... Quando a gente olha para a vida da mulher, o motivo para o qual ela foi idealizada... A mulher foi idealizada para quê? Para nascer, para reproduzir e para morrer. Reprodução da espécie. A mulher não foi idealizada para ser como eu e como você. Tipo, tá aqui com 40 anos, trabalhando, bonita, malhando, fazendo amor, tudo. A mulher não foi. Não foi esse o objetivo da fêmea no mundo. Certo? Então, assim, se a gente fosse cumprir com o objetivo da natureza mesmo, a gente ia, a partir de 15 anos, a gente ia começar a parir um filho por ano. Certo? E aí, quando a gente estivesse com 35 anos ou mais, a gente ia parar de ter esses filhos e, até ali, uma regra ou outra ia entrar na menopausa. A gente não ia menstruar a vida toda. E aí ia morrer. Entendeu? Porque uma mulher de 40 anos, de 45 anos, há pouco tempo atrás era uma idosa.
Eu ia falar isso agora, gente. Eu olhava a minha avó com 50 e eu achava ela uma senhora, senhora.
Exato, uma senhora.
Uma senhora, senhora. Imagina! Hoje eu vejo uma mulher de 50 anos e eu falo, meu Deus do céu, que potência! Claro que vai depender muito da sua saúde mental pra se desenvolver e buscar recursos que, se você não estiver produzindo naturalmente, que você encontre um médico que faça a prescrição correta, uma solução.
Uma mulher de 35 anos produz metade da taxastarona que ela produzia com 20.
Ixi, aí nós entraremos aqui em testosterona e não vai dar tempo.
Provavelmente precisa do dobro, entendeu? Pra cumprir com as obrigações e com as funções e com os desejos de 35. Então, assim, a questão é, se a gente quer ser essa mulher produtiva, saudável, por até 80, 100, 120 anos, a gente vai ter que repoucar a gente deixar de produzir, porque não tem como, é um carro sem gasolina. Não tem como. Entendeu? E aí, a gente vai ser obrigado a falar sobre isso.
Que bom que você que chegou até aqui no Interioriza já teve essas informações e agora tá contigo. Se aprofundar mais no assunto, buscar mais informações. Segui a Manu no Instagram, por onde?
Manucoutinhoreal.
Tá, tem mais alguma outra informação que você queira divulgar?
Não, acho que tá tudo lá. Acho que é isso. Tô aqui, tô à disposição. Minha função, além do ser empresária e de ter laboratório de implantes hormonais, que.
É o Lavi... E ser a neta.
De quem criou, do criador. Minha função, além de tudo isso, é jogar luz. na saúde das mulheres. É realmente um desejo que as mulheres entendam a sua saúde como uma coisa gostosa e não como falta de doença. A saúde como uma bênção, como uma coisa boa, como uma vida boa, e não como só... Entendeu? Só não estar doente, sabe? E eu acho que, a partir disso, a gente ganha vida no mundo todo. Porque eu sempre falo assim, quando você cuida de uma mulher, você melhora o mundo. Porque uma mulher melhora tudo em volta dela. Uma mulher, quando tá bem, ela melhora a família, ela melhora a comunidade, ela melhora tudo. Então, quando a gente cuida de uma mulher, a gente melhora o mundo. E eu acredito nisso piamente, assim, sabe?
Eu também, por isso que você tá aqui. Obrigada. Até breve, minha querida. Seguimos juntas. Obrigada pelo seu tempo e confiança. Gostou? Então compartilha com todas as mulheres da sua vida. Ah, mas eu não tenho nenhuma mulher pra compartilhar. Compartilha com quem você quiser. Assim você nos ajuda a distribuir essa informação correta e coerente nesses tempos que nós estamos vivendo. Até o próximo interioriza.
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