Sono: O faxineiro da mente! com o Dr. George Pinheiro e Dr. Guilherme no Ïnterioriza #47
27 Dec 2024 · 46 min
Dr. George Pinheiro and Dr. Guilherme Brassanini explain why sleep matters for your health and why society treats sleep deprivation like a badge of honor instead of a warning sign.
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Você tá dormindo bem? Gostaria de dormir melhor? Se você respondeu sim pra uma dessas perguntas, o programa de hoje é especial pra você, com dois especialistas em sono, doutor Jorge do Lago Pinheiro, bem-vindo.
Obrigado, Isabela.
E o doutor Guilherme Brassanini, doutor sono.
Obrigado, Iza. É um prazer estar aqui, viu?
Eles não querem que eu fale, mas eu vou falar. Doutores GG. Jorge e Guilherme. Foi muito bacana ter participado do Durma Com Essa. Neste podcast, nesta mesa estúdia. Nos estúdios, a Mauro e Mauro, nós estivemos juntos. E aí eu falei, não, agora a gente precisa inverter as cadeiras. Agora eu preciso entrevistar vocês. porque todos os dias eu encontro pessoas que estão em sofrimentos profundos, e o sofrimento tem diversas formas, e a hora que você faz uma, duas perguntas, você descobre que a pessoa tá dormindo mal. Então eu tenho uma impressão, e gostaria então já de confirmar isso com vocês, começando já na largada. A privação de sono pode ser a.
Mãe dos nossos problemas, Eu gosto de brincar que o sono é o grande mestre da nossa vida, né? Então, se a gente pensa nos pilares da saúde, eu coloco sempre o sono como grande guia, né? O maestro da nossa vida. Se você não dorme bem, se você não tem uma noite de sono reparadora, você não tem disposição pro outro dia, você não consegue fazer o exercício como você deveria, não consegue se alimentar bem como você deveria, fica irritado, nervoso, a questão mental começa já a se desregular de uma forma instantânea, praticamente, né? Então, eu acho que o sono é o grande guia da nossa vida, o maestro.
Eu acho que a gente entender o sono como uma função biológica é fundamental, porque a gente não deixa de comer, por exemplo. Eu posso até pular uma refeição, mas pular duas, três refeições, a gente não faz isso. Se eu tiver vontade de ir ao banheiro com a bexiga cheia, eu não deixo de ir. Mas por que o sono a gente troca por qualquer outra coisa? Isso é uma questão que eu sempre levanto com as pessoas. Eu digo, por que a gente troca sono por tudo? E talvez venham questões aí da nossa formação, como sociedade mesmo, em acreditar no que é o sono. O que é esse momento que a gente fecha os olhos? Será que não acontece nada? Eu tô colocando ali o meu corpo no modo stand-by e tá tudo bem? Na verdade, eu acho que o primeiro passo é entender que muita coisa acontece eu estando de olhos fechados, não é um desligado corpo.
Será que isso tem a ver com o que a gente ouviu sobre... por tudo que o sono foi subestimado? Porque eu cresci ouvindo assim, não, é só dormir. A agenda tá muito longa? Diminui o tempo de sono pra você dar conta da sua agenda. E foi curioso quando eu comecei a estudar sobre a história da eletricidade, né? Thomas Edison, quem aperfeiçoou a lâmpada como a gente conhece hoje, ele não gostava de dormir. Sabiam disso?
Não gostava, ainda fazia o tempo de sono dele, que nós chamamos de sono polifásico. Ele dormia em pequenos trechos durante o dia e ele detestava. Ele realmente falava assim, olha, não vamos perder tempo dormindo, não. Ainda criou a eletricidade que... Então, essas.
Coisas ajudam a entender como é que nós chegamos subestimando tanto o sono. Ou seja, dormir é perda de tempo. Não, dormir não é perda de tempo se você não dorme bem, você não vive bem. Mas quando a gente tem 20 e poucos anos, até 30 e poucos anos, as consequências de uma noite mal dormida são totalmente diferentes do que quando você tem 40 e assim por diante. É verdade? Então, conforme o tempo passa, o nosso corpo vai se manifestando de formas diferentes, porque precisar do sono ele sempre precisa.
Exatamente. Então, quando a gente não dorme bem, essa percepção do não dormir bem, ela vai se modificando, porque o nosso corpo se modifica. Então, com 20 anos, às vezes, a gente tem uma vida noturna, a gente sai mais. E no outro dia, tá ali na faculdade, fazendo uma prova.
Aguenta o tranco.
Se achando.
Aguenta o tranco, achando que tá tudo bem, né?
Sim.
Mas aí, com 30 anos, essa percepção já começa a ficar um pouco mais evidente dos sinais. Nos 40 anos, parece que a gente tem... foi atropelado por um caminhão, alguma coisa assim.
Sim, uma noite sem dormir.
Só que o problema é que uma noite só sem dormir, ela já traz consequências. Agora, se eu faço isso de forma muito recorrente e frequente, e a gente faz por diversos motivos, às vezes motivos até de certa forma que justificam, por exemplo, eu tenho uma prova e eu deixo de dormir para estudar, eu acho que está tudo certo, ou se eu tenho um filho, meu filho depende de mim, ok, ninguém está falando disso, mas é importante a gente lembrar que qualquer forma de a gente não dormir vai ter consequência e essa consequência eu não tenho escolha, independente da motivação de eu estar acordado ou não.
A gente fala na medicina do sono que não é uma moeda de troca. Não tem como você emprestar sono e depois conseguir isso de volta. Uma vez que você perder uma noite de sono, você não vai recuperá-la de uma forma que seu organismo consiga se reparar devido àquela privação que você teve.
Tem gente que diz assim, ah, dormi mal uma noite, eu recupero na seguinte. É possível?
Não, isso não é possível.
Isso é só uma redução de danos.
Uma redução de danos, exato. É igual, eu durmo mal a semana inteira, fim de semana eu aproveito pra dormir. Você faz uma reparação leve ali de danos, mas não é de uma forma que você não vai ter consequências se você mantiver esse hábito, entendeu?
A gente tem que pensar que o sono, ele é um compromisso que eu tenho com o meu corpo. Eu acho que isso explica muita coisa. Então, se eu falto um compromisso, eu não consigo fazer as mesmas funções em outro momento. Então, se eu não dormir agora à noite, vai chegar durante o dia, eu vou ter sonolência, vou ter fadiga, o que eu faço? Posso até dormir à tarde e eu vou diminuir esses sintomas, mas eu perdi uma série de funções que era para acontecerem no momento que eu estava dormindo. Então não tem essa de que, ah não, tudo bem, eu trabalho à noite e durante o dia eu durmo. Você reduz danos, mas você não faz as funções que são específicas. Eu perdi o horário de dormir.
Exatamente. É como se fosse um automóvel de corrida. É necessário, às vezes, o pit-stop pra você fazer toda a troca de pneu, às vezes, manutenção ali do carro pra que ele volte a ter uma performance adequada de uma corrida. Nosso organismo é a mesma coisa. Se você perde esse pit-stop, você não vai voltar pra corrida no dia seguinte rendendo o que você deveria render.
Ou, quando faz isso de forma irresponsável, aí vai café. Quais são os outros estimulantes?
Diversos, né? Então, aí a gente entra naquela questão da sociedade do liga e desliga. Então, eu tomo o remédio pra dormir e o remédio pra acordar. Então, vem o café, vem aqueles estimulantes que são utilizados para tratamentos médicos, como TDAH, como hiperatividade, né? E que as pessoas desfocam pra ter uma espécie de uma performance maior. E será que é uma performance mesmo? Eu acho que essa é uma questão da gente refletir, né, Gui?
É, exatamente. E aí a gente entra também na questão do... Do que que a gente tem de informação na internet, né? Então, hoje em dia a gente vê uma enxurrada de pessoas com diagnóstico de TDAH. A gente pensa, será que, de fato, é um diagnóstico de TDAH? Será que essa pessoa não vem passando por alguns outros problemas que não foram corrigidos? E aí entram as medicações. Então, ou... Não é nem por indicação médica. Muitas vezes é lá, meu amigo já está tomando, né? O remédio pra ligar e tá indo super bem, eu vou tomar também. Então esse é um grande problema que a gente vê aí, inclusive no consultório. Que a gente muitas vezes tem que trucar mesmo. Será que tá correto esse diagnóstico? Por que não foi manifestada essa doença antes? Por que agora que realmente apareceu? Será que de fato é?
Ou é um estilo de vida?
Ou será que são modificações que aí os sintomas se assemelham à doença e acaba muitas vezes sendo confundido.
E dependendo da profissão que você exerce, sempre vai ter um risco, mas o risco pode ser maior ou menor. Mas, por exemplo, um motorista de ônibus, um motorista de caminhão, e a gente sabe que existe dentro desse público uma exigência de que eles precisam entregar uma carga que, de repente, ela pode estragar, então ele precisa cumprir um prazo e esse prazo vem a todo custo. Então é muito comum às vezes o uso de medicações ou às vezes até drogas ilícitas para se manter acordado e cumprir toda a agenda de entregas. Então é uma questão social importante. Teve um trabalho muito interessante feito com a professora Cláudia Moreno, que é uma bióloga pesquisadora sobre ritmos biológicos. E ela avaliou como era o perfil desses pacientes, que eram motoristas de ônibus, motoristas de transporte de carga, e percebeu que a gente vive sob um risco, porque o trânsito não é só quem está dirigindo, mas depende também da outra pessoa que está vindo na minha direção. Eu posso ser prudente, mas se a outra pessoa está trazendo um risco, a gente realmente tem... É uma das principais causas realmente de acidente de trânsito, é a sonolência no volante.
E é uma população também, quando a gente vai falar de motorista, de caminhão, ônibus que elas muitas vezes não tem aquela regularidade em relação a exercício físico, se alimentar bem, então começa a se pesar outros fatores ali de risco para alterar ainda mais o sono. Então aí entra muitas vezes a questão da obesidade que pode influenciar uma apnea do sono, aí vem associado a essa privação de tempo de sono, que ele dorme pouco para poder cumprir os horários e aí vira uma bola de neve que muitas vezes ele coloca em risco não só a vida dele, como também de outras pessoas.
Doutores, se a gente quisesse ter um papo assim, bem reto, uma conversa bem difícil... que na verdade não é difícil, é só a gente somar os dados. Por que que nós somos a sociedade mais ansiosa, a segunda mais estressada? Por que que o número de acidentes aumenta? Por que que os números ruins aumentam? Porque as horas de sono estão diminuindo. Pra mim isso é muito evidente. É só cruzar os dados que você vai entender. Que ou a gente para, reorganiza a bagunça, porque não vai ter remédio que dê conta de tantas pessoas adoecidas. Teve um especialista que passou aqui no interioriza, o doutor Pablo Vinicius, que é de Brasília, psiquiatra. Ele disse que muitas pessoas, quando chegam no consultório dele, a primeira pergunta que ele faz é, como é que está o seu sono? A pessoa se ofende. Não, mas eu preciso de um remédio. Meu sono não é o problema. E aí é quando ele vai insistindo na pessoa para chegar no tempo de sono, porque não vai adiantar remédio se não mudar o estilo de vida. Percebe? E aí, quando você fala sobre redução de danos, a gente podia falar aqui muito sobre a importância de você saber fazer as suas escolhas ao longo do dia pra dormir melhor, porque no fundo vai ser isso. As escolhas que você vai fazer ao longo do dia. Vai passar pelo não, pelo telefone, ou seja, todo o filtro que você vai criar. pra poder dormir na hora que você precisa. Aí nós estamos falando de pessoas que têm ainda o privilégio de dormir à noite. Porque existe uma grande camada. Eu estava fazendo uma lista aqui, ó. Jornalistas, motoristas, médicos, padeiros, porteiros.
Seguranças.
A minha profunda admiração, respeito e, assim, um abraço demorado. Sabe? Com o significado de oito horas de sono. Porque só quem teve o sono privado involuntariamente sabe o que é. A privação de sono recorrente.
E o trabalho em turnos é colocado dentro da classificação internacional dos distúrbios do sono, é colocado como ali um capítulo à parte, podemos dizer assim, como um distúrbio do sono.
Como assim?
O trabalhador de turno, ele trabalha fora do ritmo biológico. Nós somos seres diurnos, né? Sério? Pode falar o que for, mas nós somos feitos pra acordar, pra trabalhar durante o dia, né? Pra conviver durante o dia e dormir à noite. É, exatamente.
Gente, breaking news.
Sim, e tive quanto outra. Aquela questão daquele vespertino extremo que fala, nossa, eu sou noturno, vou dormir cinco horas da manhã e vou falar pra vocês, isso aqui não tá certo também, não, existe muito bem isso. Mas é, mas assim, é um distúrbio do sono, né? Você não dormir conforme o seu ritmo biológico e natural, fisiológico, faz com que você tenha sérios problemas. Então a gente sempre coloca. Chega pra mim um médico que dá plantão, chega uma jornalista, fala pra mim, o que que eu faço? Eu falo, o ideal é você colocar um prazo de término. Eu sei que é difícil falar isso, mas tem que ter prazo, porque se você continuar a vida inteira assim, é um custo muito alto. pra se pagar lá na frente.
Exato.
E o resultado não é tão automático, né? Então, por exemplo, a gente tá há anos trabalhando em turnos, como o Gui já bem explicou, e aí eu vou resolver mudar. E eu acho que depois de anos submetido a uma rotina, eu rapidamente vou Retoma, e não é uma tarefa fácil. Agora, o importante é, como você disse, a gente refletir sobre as minhas escolhas dentro do que é possível, dentro da realidade social, mas eu pensar que o sono é uma construção do dia, então tudo que eu vou fazer durante o dia vai influenciar na minha noite e o que eu faço a noite, dormir ou não, vai influenciar o meu dia. Então não tem como a gente separar isso tudo, na verdade, é um contexto único de 24 horas. Então a gente parece que faz uma clara separação na minha cabeça do que é dia e do que é noite. Didaticamente, pra gente entender o que funciona no nosso corpo fica mais fácil, mas na verdade é uma amálgama de situações, né? O sono e o dia, eles funcionam dependentes um do outro. Então não tem como ter uma boa noite de sono sem construir adequadamente através de uma rotina. Então a gente chega lá, quer um remédio, às vezes o remédio pode ter uma indicação, mas sem mudanças de hábito, nós estamos trabalhando num terreno muito perigoso, nebuloso e, de certa forma, uma areia movediça que a gente tá balançando pra sair de um cenário difícil.
É, eu digo porque eu vivi. O remédio trata. A mudança de estilo de vida e de comportamento cura. Não vai adiantar. Claro que em algumas situações, dependendo da intensidade do problema, a medicação é necessária pra você ter a força pra seguir. Mas se você não mudar também o estilo de vida, não adianta só tomar remédio. Eu digo isso por mim. Eu tomava remédio pra dormir e pra acordar. E foram muitos anos pra poder dormir e acordar sem remédio.
E chega pacientes, deve chegar pro Jorge também, querendo medicação. Às vezes ele fala assim, eu vim aqui porque eu preciso de uma medicação pra dormir. E eu falo assim, a gente como médico, a coisa mais fácil que tem, entre aspas, fácil, tá? É fazer você dormir. Só que a questão não é fazer dormir, é entender o sono e como você pode melhorar isso de uma forma mais natural possível. Tanto que o tratamento da insônia, o padrão ouro, não é medicamentoso. Não é medicamento.
Repete.
O tratamento da insônia crônica, o padrão ouro de tratamento não é medicação. Você pode auxiliar, mas o padrão ouro de tratamento é terapia cognitiva comportamental. pra insônia.
É a gente mudar nossa relação com sono. Porque durante muito tempo a gente dormindo mal, não dormindo bem, a gente cria associações equivocadas com sono. E aí, algo que foi um fator precipitante pra insônia, eu cronifico através de hábitos inadequados. Então, às vezes o paciente chega no consultório e ele fala, não, não tô dormindo. Ele começa a contar tudo do que ele faz à noite. Ele diz, não, porque eu diminuo o celular, eu não tô usando isso e mesmo assim eu não tô dormindo bem. Já fiz a tal da higiene do sono e nada resolve. E é o primeiro passo que eu falo com ele, vamos sair um pouco da noite, vamos pro dia. Então, é o que a gente chama de recordatório do sono. A gente pega as 24 horas e sai pontuando com ele tudo que ele faz. Eu preciso saber os horários de refeições, eu preciso saber que horas ele levanta, que horas ele sai da cama, que horas ele acorda, são coisas diferentes, se ele toma sol. o que ele come, o que ele faz até chegar no período da noite. Então não tem como a gente abordar insônia sem conhecer esse paciente. Às vezes eu falo que a primeira consulta não é a consulta de solucionar problemas, mas é de identificar. A gente precisa identificar comportamentos que estão favorecendo esse quadro e tudo que traz aquela queixa relacionada ao sono.
Olha, um reconhecimento aqui público, estes são os médicos que nós queremos na nossa vida. Se você está procurando um médico que vai te dar remédio, cuidado. Posso trazer aqui um depoimento?
Pode, claro.
Preciso trazer um reconhecimento público para o Dr. Bruno Halper. O Dr. Bruno é endocrinologista. Endocrino, certo? Quando eu estava lá naquela fase insustentável de trabalho na madrugada, em que eu não dava mais conta com todos os estimulantes que eu já tomava durante o dia, oficiais, os cafés e tudo o que eu podia fazer para dormir durante o dia. Então, tudo quanto é coisa que você me dissesse que eu dormiria, eu fazia. Botava incenso, pedra, ametista. Comprei uma ametista desse tamanho para colocar na cabeceira da cama, que ajuda a dormir. Um exercício para o pé. Tudo o que eu fazia para dormir. Evidente que eu mudei, inclusive, do terceiro andar para um outro apartamento, para o décimo sexto, para não ouvir o barulho da rua. pra conseguir dormir durante o dia. Ou seja, tava colocando meu corpo totalmente contra o ritmo normal. Eu cheguei pro doutor Bruno Halpern e falei assim, doutor, eu preciso de um remédio. Doutor, eu preciso de um remédio, pelo amor de Deus. Eu preciso dormir 5 horas, eu preciso acordar meia-noite, eu preciso estar ótima, etc, etc, etc. Ele falou, eu não vou te dar remédio, Isabela. Sai de lá batendo o pé. Que absurdo! Não me deu remédio. Ele estava me salvando, porque ele me disse, Isabela, esse estilo de vida que você está tendo não dura muito mais tempo. Então, quando você fala, quem pode dormir, durma, quem não pode, crie um time, porque senão um problema grave de saúde vai te encontrar. Quando aí eu não contente, com esta bronca que eu levo, eu procuro outro médico, com uma outra consulta, endocrinologista também. Falei, doutor, eu preciso de um remédio, pelo amor de Deus. Ah, Isabela, pera lá. Tem esse aqui, ó. Tá na moda, né? Você vai produzir muito bem, de fato. Mas foi como colocar pneus novos num carro sem motor. Eu rodei só mais alguns meses, tanto que depois eu pifei. Então, o doutor Bruno, quando ele não quis me dar remédio, e eu fiquei muito brava naquele momento, ele tava me salvando. Então, muitas vezes, os profissionais da área da saúde estão te salvando, fazendo o diferente daquilo que você quer. Do que acha que precisa. Moral da história. Ou a gente começa a trazer o sono de maneira mais respeitosa, e aí se incluindo na agenda com o sono, não com o que sobra, porque isso é um desrespeito tremendo com a sua vida, ou a gente vai continuar acreditando nessas soluções, nesses remédios que vão trazer consequências. Pelo que você me disse, Guilherme, uma pessoa que dorme sob remédio não tem a mesma qualidade do sono do que uma pessoa que dorme normalmente.
Assim, só o fato de a pessoa precisar de um remédio para dormir, de fato ela tem algum problema. Existem medicações que de fato alteram ali a arquitetura do sono, faz com que tenha supressão de fases do sono importantes para a gente atingir e reparar nosso organismo de uma maneira total. A gente fala principalmente a fase do sono profundo, E também que é o sono de ondas lentas e a fase do sono REM, que é a fase onde a gente tem mais atividade onírica, sonha pra caramba, sonhos roteirizados, coloridos, a gente às vezes acorda e fala, meu Deus, era sonho mesmo? Mas essa fase, por que é tão vívido assim? Porque tá ocorrendo reparação toda parte neurológica, memorização, questão de controle de comportamento, tudo acontece durante essa fase do sono tão importante, né? que é o REM. E a fase do sono profundo também é muito importante, principalmente, ó, eu tô falando de uma forma geral, tá? Pra reparação mais parte metabólica, hormonal, cardiovascular, muscular. Então, são fases muito importantes e ela não chega tão fácil assim. Não são fases que você dormiu e chegou. Então você tem que ter um sono estável, sem nenhum distúrbio, pra você conseguir atingir de forma necessária entre 4 a 6 vezes esse ciclo de sono durante a noite.
Tem um remédio que começa com R, não vou falar o nome.
Talvez a gente possa falar a substância.
Substância.
É, o clonazepam.
Clonazepam.
Pronto.
O clonazepam. É a substância de um remédio que começa com R, que, se eu não me engano, é um dos mais vendidos no mundo. A turma está tomando como se fosse água e ele suprime.
E é interessante porque esse remédio, clonazepam, se você procurar nos consensos de tratamento de insônia, ele não aparece como opção terapêutica para isso. Olha que contraponto, né? Ele não é um tratamento utilizado para insônia. Na verdade, como foi um medicamento muito utilizado na década de 70 para esse fim, mas ele é utilizado com boa indicação para outros transtornos como, por exemplo, depressão, ansiedade, transtorno do pânico, e acabou, de certa forma, sendo utilizado porque ele realmente tem essa ação que nós chamamos hipnótica. E olha que interessante, eu trabalho muito, Isabela, laudando exames de polisonografia. Então, no laboratório do sono, o paciente vai lá monitorado, e ele tem os eletrodos para avaliar a atividade cerebral. E, às vezes, eu não li nada sobre o paciente, ele não é meu paciente, ele foi fazer o exame, eu não vi a ficha ainda, eu abro o exame, eu olho e digo, este paciente usa clonazepam só ao olhar o padrão de onda cerebral. Se ele usa durante muito tempo e se ele usa doses mais altas, a gente consegue identificar uma modificação do ponto de vista das ondas cerebrais. Então, a gente não fica tão isento de qualquer efeito. É lógico que o medicamento, a gente sempre pesa, né? Nenhum medicamento não vai ficar isento de um efeito adverso. Mas a gente pesa, naquele momento, o que é importante para aquele paciente. Então, às vezes, é necessário. Mas, por exemplo, na questão do sono, muitos pacientes estão utilizando esses medicamentos já há longo período. E muitas vezes os pacientes, eles dormem, mas eles não têm a sensação do adormecimento. Eles têm uma sensação de que apagaram, né?
Mas não descansa.
Mas não descansa. Então, isso é algo importante. Às vezes, eles pensam, nossa, parece que eu fechei os olhos e abri. E eles dormiram, sei lá, seis horas, seis horas e meia. Então, o sono é muito mais do que calcular, é o sentir também. E o quanto que, às vezes, isso está nos tirando a possibilidade de sentir o sono.
Gostei disso. Não é só calcular, mas como você sentiu.
Exato.
No programa que eu gravei com os doutores GG, você vai ouvir muitas das minhas histórias, que eu não contei em lugar nenhum, inclusive. Por muito tempo, eu não sonhava. Não vou contar aqui, senão eu tiro o tempo deles. Mas por muito tempo, eu não sonhava. E agora você tá me dizendo que quando você tem sonhos coloridos, vívicos, etc., é porque você tá fazendo uma faxina na sua circuitaria.
Sim.
Quem não sonha, não tá dormindo bem.
E não necessariamente você... Tem pessoas que sonham e não se lembram, Thaís. Então a gente tem que ter também esse cuidado. O que eu sempre falo é a questão de você perceber alterações de padrão. Se você é uma pessoa que sonhava, lembrava dos seus sonhos e parou de sonhar, é uma questão. Outra coisa, pessoas que nunca lembraram muito bem do sonho, mas mantém o mesmo padrão. E aí vem o que o Jorge falou, a questão de você sentir o sono. Se você tem um sono reparador, se sente bem, e consegue viver muito bem com isso, a gente não considera essa questão de lembrar ou não do sono uma questão relativa à qualidade do sono, não. E sim à mudança de padrão, aí eu acho que é mais importante.
Mas essa questão de perceber o sono é tão interessante, porque quando a gente fala de insônia, a gente lembra logo de dormir pouco. Então realmente existe isso, essa relação da insônia e dormir pouco, e existe duas entidades de insônia, uma que a gente chama de insônia com tempo curto de duração de sono e insônia com tempo de duração de sono normal, porque na verdade as pessoas não percebem que elas dormem. Então tem todo um trabalho através da terapia cognitivo-comportamental para resgatar essa sensação ou essa impressão do quanto você dorme. Então o sono, ele é desafiador porque a gente trabalha não só com horas de sono, mas também com o quanto que você percebe isso. Como também tem pacientes que eles, a gente recebe o exame de polistonografia em que ele foi avaliado do ponto de vista do eletroencefalograma e ele diz, eu não dormi nada. E tem lá que ele dormiu, do ponto de vista neurofisiológico, ele dormiu. Mas não vou usar esse exame para confrontar, não, você dormiu, sim. Não, na verdade, isso é uma forma de a gente entender que esse paciente precisa ser abordado de uma forma diferente, que a gente precisa buscar outros métodos para tratar essa percepção de sono. Isso é um transtorno.
Tá. Antes da gente passar para os tratamentos, eu só quero fechar aqui um raciocínio para aqueles profissionais que têm o sono privado de forma involuntária. Só pra gente fechar esse raciocínio. Porque existe, inclusive, na lei, um adicional de insalubridade para quem trabalha de madrugada. Por que será, Brasil, que existe um adicional de insalubridade, doutor Guilherme?
Porque é insalubre. Trabalhar enquanto você deveria estar dormindo é insalubre.
Fala aqui direto. De novo, olhando pra sua câmera.
Trabalhar enquanto você deveria estar dormindo é insalubre.
Esse adicional de insalubridade, muitos profissionais, inclusive, da comunicação, optam porque ganham mais.
É um ganho a mais bastante relativo.
Sim, mas veja que pra quem tá ganhando pouco, um pouquinho a mais, mesmo se colocando em risco de vida tremendo, vai nessa falácia.
Você sabe que, há umas duas semanas atrás, eu conversei com um colega médico que atua na área do sono, mas ele é italiano e trabalha na Suíça. E o controle com relação aos distúrbios do sono é muito maior. Por exemplo, se um indivíduo tem apneia do sono, que é uma doença que as pessoas têm alterações na respiração enquanto dormem e que, de certa forma, pode prejudicar a qualidade de sono, Esse indivíduo, ele é monitorado do ponto de vista coletivo, a sociedade monitora ele. Então, se ele exerce alguma função e ele não trata, ele é convocado e ele é monitorado através desse tratamento estar sendo efetivado, porque ele é um risco para a sociedade, assim como também para outras funções. A gente precisa aprender com essas políticas públicas que tem em diversos países, como, por exemplo, uma política pública da Espanha, o fato culturalmente deles tirarem um cochilo de 30 minutos após o almoço, e que já ajuda muito, e que nós poderíamos fazer isso facilmente. As empresas tomarem a ciência do quanto isso pode aumentar a produtividade. Porque a gente chega lá no remédio, né? Eu quero lá algo para aumentar a minha produtividade. Tudo bem, mas se você tirar um cochilo de 30 minutos, isso já vai te ajudar.
Sabe uma das coisas que eu mais invejava quando eu trabalhava de madrugada? Quando eu andava durante o dia e eu via aquelas pessoas que às vezes estão trabalhando numa obra, assim, na rua e dormem, assim, no meio fio, e deitam e dormem, assim, ó. E eu olhava e falava, nossa, que inveja. Como eu gostaria de deitar agora, agora, nesse chão, qualquer lugar. Eu dormia em qualquer lugar. E eu que dormia de olho aberto. Já ouviram falar disso? Preciso ter estudado, doutor.
Já foi grave.
Eu dormia de olho aberto, falando.
A privação de sono é igual um avião. Por exemplo, o avião, quando eu vou decolar, ele atinge uma velocidade X, que a partir daquele momento, ele sai do solo e toma o ar pra poder voar. Então é igual o sono. Nós estamos aqui privados, privados de sonho, assim que chega o momento que a gente perde a capacidade de controlar isso. Então, às vezes, o meu olho está aberto, a gente está ali numa situação pré-sono, mas a minha mente já está dormindo.
Bom, o que que... Então, pessoas, se você pode dormir à noite, durma. Não entra nessa ilusão de que, dormindo menos, você vai viver mais. Agora, pra você que tem o sono privado de forma involuntária, ou seja, precisa trabalhar de madrugada, coloque um time, porque isso vai trazer riscos e, na minha impressão, eu tenho a impressão que, quanto mais tempo passa, os riscos vão ficando piores. Então, ok, até aqui? Fechamos?
Perfeito.
E não há adicional de salubridade que supere as consequências de noites mal dormidas.
Tá, todo esse dinheiro você vai investir no tratamento da sua saúde mental, da sua saúde metabólica e cardiovascular e não vai ser suficiente. Então, na verdade, as pessoas elas estão aí fazendo uma conta equivocada, né? Porque o certo é você dormir pra investir numa saúde e qualidade e você gastar menos com tratamentos e todas as outras despesas.
E eu acho que o grande desafio é que é algo que não é mensurável. Se fosse mensurável, algo assim... Se fosse, ah, eu vivei de sono, eu sei que eu vou perder tal coisa, a pessoa talvez ela pensasse duas vezes.
Mas já sabe agora?
Mas ela sabe que ela vai perder, mas ela não sabe o quê.
É uma roleta russa.
É uma roleta russa. Então assim, a questão da pessoa... Às vezes quando ela fala assim, eu acho que comigo não é tanto assim, eu não sinto tanto, eu tô bem do outro dia. Só que, por exemplo, pra você ter uma tomada de decisão fundamental na sua vida, que pode ser um ponto de inflexão, pode mudar totalmente sua jornada na Terra. Você tem que estar dormindo bem, você pode perder uma oportunidade. Porque você simplesmente teve uma privação de sono. Seja ela uma noite de sono ruim ou seja ela algumas dezenas de noites de sono que você... É imensurável, você não sabe.
É impossível você saber disso. E não se incluir mais na própria agenda. E não trazer o sono como o inegociável. Pra mim, o sono é inegociável. A noite que eu preciso dormir menos, nossa... Eu já tenho que pensar o que eu vou tirar do dia seguinte. Porque o café, até um determinado momento, ele cai bem, depois ele já me deixa enjoado. E a hora que ele deixou enjoado, opa, já é o limite, já excedeu.
Mas você sabe disso porque você se permitiu conhecer o autoconhecimento, né?
Permitir conhecer não, né, doutor? Obrigada.
Obrigada, é, exatamente. E é interessante isso que o Gui falou, porque, por exemplo, pra você foi muita questão da saúde mental, do burnout e tudo isso envolvido. Mas pode ser uma arritmia, pode ser um AVC, pode ser a obesidade, pode ser uma série de... o diabetes e tudo isso que vem.
Um acidente de trânsito.
E pode ser acidente de trabalho, acidente de trânsito.
Acho muito curioso na CIPATES, na Semana de Prevenção de Acidentes, e eu tô indo pra falar dos EPIs da saúde mental, e quando eu vou falar da saúde mental, primeiro faxineiro da saúde mental, sono. A turma olha pra mim e fala, ah, sim. E é justamente pela privação de sono que nós estamos adoecendo, as pessoas ao nosso redor estão adoecendo. E aí eu lhe pergunto, o que é pior nesse estilo de vida maravilhoso que a gente tá tendo? Café ou açúcar?
Olha, as duas coisas têm papéis que nós precisamos repensar muito. Do ponto de vista do café e puxando muito para a minha realidade prática, as pessoas realmente enxergam no café a tábua de salvação e isso me preocupa muito. Porque, na verdade, a dose de café é diretamente proporcional ao quanto você precisa repensar o seu sono. Se você está tomando muito café, você precisa reavaliar o quanto você não está dormindo. Então a gente sabe, por exemplo, que isso tem uma questão individual. Pessoas são mais sensíveis ou não ao café. Mas se você vai num ambiente corporativo, é absurdo o quanto que as pessoas consomem café com objetivos exatamente de se manterem vigis, acordadas. Então a gente precisa repensar. O café é cultural, é nosso brasileiro, ninguém é nada contra isso, é delicioso, mas nós precisamos pensar na dose, lembrando que acima de 4 xícaras já pode ser uma dose limite pra gente tomar no nosso dia.
São cerca de 400mg um adulto, né?
Tá, vamos lá. Quem foi o médico lá no século XVI que disse que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose? Paracelsus. O médico Paracelso, químico no século XVI, ele já trouxe. A diferença entre o remédio, o veneno e a dose. Então, o café, excelente. Pra mim, eu sinto vontade. Mas também se eu não tomar, eu não vou morrer. Mas eu preciso dosar, porque senão aquilo já se torna remédio. É, perdão, aquilo já se torna veneno. E aí eu já vou começar a ter problemas de estômago. Não é?
E outros problemas, porque a cafeína também, quando utilizada de uma maneira incorreta e em grandes doses, causa uma intoxicação. Você acaba não tendo os efeitos benéficos da cafeína, acaba tendo os efeitos maléficos da cafeína. E acaba você virando uma bola de neve, né?
Eu tava vendo um Instagram de um doutor chamado doutor sono. Chama Guilherme Brassanini, que tá aqui inclusive nessa mesa. E você fez uma publicação fantástica, em que alguém deve ter te questionado sobre noites de sono, e você colocou, olha, eu tomo café até tal hora, dependendo do dia, eu ajusto essa tomada de café. É essa percepção que a gente precisa ter sobre as doses do que a gente faz.
Exato.
Mas o açúcar também é muito... A gente recorre muito ao açúcar quando a gente dorme menos. E precisa de energia. Por isso que eu te falei, é café ou açúcar? Porque, ah, não, parei de tomar café três da tarde. Mas vai no chocolate.
Que as duas coisas são sinais importantes que podem estar relacionadas à nossa qualidade de sono. Então, por exemplo, eu dormir pouco vai sinalizar para o meu corpo que eu estou passando sinais de estresse intensos. Então, o que o corpo entende? Olha, você precisa de energia, você está em uma situação de perigo. E aí, onde eu encontro energia? Fácil, né? Porque Por exemplo, na proteína, eu até preciso quebrar essa proteína muito pra poder buscar uma energia. Mas é no carboidrato que eu encontro. Então basta lembrar daquela noite de sono que você não teve. Então vai viajar, por exemplo. Tá no aeroporto, né? E o que você vai lá? Você quer logo... de manhã cedo uma Coca-Cola, um doce, alguma pizza, você muda a sua preferência alimentar. E essa preferência, isso já foi mostrado cientificamente, isso não é uma percepção individual, mas na verdade, isso a ciência mostra claramente. Dormir pouco muda. Aí você fica lá na dieta, pensando um monte de coisas, e o seu sono? A dieta é super importante, mas dormir bem também faz parte.
Outro dia eu vi um meme que era assim, ó, eu tô dependente do café, igual o Brasil no início do século passado. Dependente da cafeína, o café é igual o Brasil no século passado. Então, só antes da gente finalizar, cuidado porque nós estamos falando aqui de drogas que são receitadas, mas outras drogas que até na farmácia tem lá uma bancada. de doce, eu falo que se eu fosse presidente, a primeira coisa que eu faria seria abolir essa oferta de açúcar que a gente tem, porque é um veneno também. Então, ah tá, então eu não posso tomar Zolpidem. Zolpidem pode falar?
Pode, pode. É a droga em si, a substância.
Não posso falar de Zolpidem, é uma droga. Não vou tomar Zolpidem, mas vou Me entupir de café.
É tudo relativizado, né?
Então. Isso é muito ruim. Gostaria que vocês trouxessem as frases desmotivacionais pra gente trazer a dignidade pro sono.
Eu começo, então.
Começa aqui, vai lá.
Trabalho enquanto eles dormem.
O que você faz de meia-noite às seis horas da manhã?
Posso trazer uma?
Pode.
Dormir é perda de tempo.
Dormir é perda de tempo.
É, na verdade, tem um milhão de coisas, né? As pessoas, elas falam que Deus ajuda quem cedo e madruga, Deus ajuda quem dorme no seu horário e que respeita o seu corpo, né?
É, Deus ajuda quem cedo e madruga no matutino. Se o cara foi vervespertino e não tiver o relógio biológico ali pra acordar tão cedo, ele vai... não vai ser ajudado não, vai ser prejudicado.
Parênteses, não tem problema nenhum você acordar cedo, desde que você durma cedo.
Que seja o seu ritmo.
Que você respeite as horas necessárias de sono. E dentro do seu ritmo biológico também. Acho que a gente não vai ter tempo pra falar sobre os cronotipos. Mas entender que tem pessoas que tem maior predisposição a dormir cedo e acordar cedo. E pessoas que tem uma predisposição a dormir um pouco mais tarde. Eu falei um pouco mais tarde. E acordar um pouco mais tarde. É porque às vezes se fala, o vespertino, a pessoa acha que dormir quatro horas da manhã é normal. Mas daí ela já tá fora do ritmo biológico total. É um outro estúdio do sono. Mas é importante entender que existem essas variações.
A sua sorte é que o Dr. Jorge e o Dr. Guilherme se uniram no podcast Durma Com Essa e que ali você vai aprender como superar o jet lag, como dormir melhor, qual é a tríade do sono, enfim, toda a ciência por trás desta maravilha que é dormir e a gente acha que não precisa. Antes de encerrar, eu quero só fazer mais um reconhecimento, porque eu sou uma apaixonada pelo tema. Quando eu estava pesquisando o meu livro, o Down Tempo, eu tive o privilégio de conhecer a doutora Dalva Poiares, Andréa Bacelar e o doutor Luiz Menabarreto. Três grandes especialistas do sono, eu estou falando lá de 2017, e foi quando eu conversei com a doutora Dalva Poiares, em que ela me disse quais eram as consequências mais negativas da privação de sono, e eu já tava vivendo três, que naquela entrevista eu começo a chorar, e aí que eu entendo o grave problema que eu tava vivendo. E eu tava normalizando. Mas imagina, qual o problema? Que eu tô dormindo menos. Nas férias eu durmo, depois eu descanso, né? Então Dalva Poiares, Andrea Bocelar, Luiz Mena Barreto também fazem parte desse grupo junto com o Dr. Giorgi. e o doutor Guilherme na educação da importância do sono, o quanto nós não podemos subestimar esse faxineiro da mente.
E é um faxineiro mesmo.
Total!
Só pra você ter uma ideia, foi descrito um sistema que funciona no nosso sistema nervoso central, chama-se sistema glinfático.
Adoram.
Exato, e o sistema glinfático ele faz uma limpeza cerebral enquanto nós dormimos, então pessoas que dormem pouco, elas acumulam algumas proteínas que são neurotóxicas, como a proteína beta-amiloide. Então, onde a gente encontra em que perfil de pessoas que a gente encontra uma proteína beta-amilóide em grande quantidade? Pessoas que têm síndromes demenciais, por exemplo. Então, é durante o sono que a gente limpa muito o nosso cérebro, a gente se prepara pra eliminar essas toxicidades. Então eu passo anos dormindo mal e aí pra minha empresa tá tudo certo, eu estou rendendo ali milagrosamente, eu não sei por qual motivo, e aí eu me aposento, né, e eu acho que tá tudo bem. A empresa acabou o compromisso dela comigo. E aí eu tenho compromisso meu com o meu corpo. Eu estou agora sujeito a diversos riscos pra doenças sérias, neurodegenerativas, cardiovasculares. Então, olha como... Eu sempre falo da aposentadoria de saúde, né, que não é se aposentar da sua saúde, mas você construir um momento adequado pra você vivenciar tudo isso. Porque não adianta eu ter só aposentadoria privada, é ótimo. Aposentadoria seja pública. Isso é muito sério. Mas eu vivenciar esse momento. Agora, se eu dormo pouco, né, Gui, eu chego nesse momento, eu não tenho saúde mais. Então eu preciso olhar pro sono também. Eu preciso pensar que dormir é um investimento, sim, na minha vida e na minha qualidade de vida, a curto e a longo prazo.
Se você dormiu bem essa noite, que tá assistindo esse programa, você pegou o que o Dr. Jorge falou. Se você não dormiu bem, você não pegou. Ou seja, depois que eu me aposento, dependendo do problema de saúde mental que.
Eu tenho, Eu não vou ter essas horas, ah, eu quero viajar, eu quero ir pra praia. Não, eu vou ter uma série de doenças. São consequências das minhas escolhas e também do próprio sistema, que eu acho que é uma questão que você levanta muito. Que nem sempre a gente tá ali em situações de escolha, mas um sistema que nos obriga a viver de forma desordenada.
Aí nós teríamos que falar sobre, desde a entrada dos alunos na escola antes das sete da manhã, o quanto isso é ruim pro desenvolvimento e pra memorização. Se você não dormiu bem, você não vai memorizar.
E aí a gente faz plantão de estudo, né? Bonito isso, né? É uma tragédia anunciada, né?
E falando das crianças, em um cérebro que está completamente predisposto ao aprendizado, cheio de sinapses acontecendo, um monte de...
A neuroplasticidade é maior.
A neuroplasticidade é enorme. Quando a gente é criança, é como se o nosso cérebro fosse uma floresta e a gente estivesse abrindo vias com estrada de terra, e durante o sono ocorre essa pavimentação. Então, muitas vezes, a criança não dorme o suficiente para pavimentar. E é por isso que a criança consegue aprender línguas mais facilmente que adultos, porque ela tem uma neuroplasticidade muito alta. E ocorre tudo isso durante o sono.
Mas pra isso precisa dormir bem.
E pra isso precisa dormir bem. E aí é importante os pais olharem isso, né? Então, ofertar uma higiene do sono também pros seus filhos.
Rotina é importante?
Rotina é super importante. Talvez a mais importante, né? Na criança é ter rotina. E observar, né? Lembrar uma coisa que eu sempre falo. Às vezes acha que criança roncar é normal, criança roncar não é normal. Pode ser sintoma de apnéa do sono. Pode estar fragmentando o sono e também é um... A gente não consegue calcular o quanto de prejuízo a criança vai ter no seu desenvolvimento.
No Durma Com Essa, vocês já falaram sobre isso.
Sim, a gente chamou atenção para o ronco, né? A gente tem questões muito... É uma prática clínica nossa como otorrino, a gente atende muito essas demandas. E essa questão que o Gui levantou, ela vem de encontro a um sinal super importante. Porque, por exemplo, quando o adulto não dorme bem, ele fica mais cansado, sonolento. A criança, ela fica ao contrário, ela fica agitada. Então, às vezes, aquele comportamento agressivo tem relação com o sono da criança, né? Pode ser apnea, pode ser dormir pouco. E só pra ter uma ideia, teve um estudo americano com 10 mil crianças. 10 mil crianças avaliando dos 5, idade escolar. Dos 5 aos 11 anos. E aumentou muito a taxa de crianças com agressividade, comportamentos violentos na escola, com interação social comprometida, porque dormiam pouco. Então não é algo pra gente pensar na possibilidade de refletir sobre isso. É algo mandatório na sociedade que a gente tá vivendo. As crianças, a gente tá construindo adultos ansiosos, adultos com personalidades agressivas e violentas, porque estamos deixando o sono em último lugar, né? Nem em segundo lugar, em último lugar.
Muitas vezes substituindo por telas, né?
Substituindo por telas, né?
Então daí é o combo perfeito, né? Pra desenvolver.
Não são só as crianças que ficam agressivas quando dormem menos.
Não, não. Eu fico, viu?
A questão é que os adultos conseguem disfarçar mais. A maquiagem disfarça mais. Existem outros anestésicos. Porque um dos últimos pontos para você desenvolver o burnout, os últimos sinais, perdão, para quem quer saber o que está acontecendo, é a agressividade. Vem um monte de sinais, sintomas, um monte de problemas de saúde, mas quando chega no isolamento e na agressividade, ali depois é a ideia suicida. E tudo isso foi porque não teve uma construção de sono coerente e adequada. É evidente que eu ficaria horas com vocês Açúcar, então, é perigo. Café é perigo, depende da dose. Cuidado com o adicional de salubridade, porque pode ser que depois, quando você vai pegar esse dinheiro, você vai ter que investir em algum problema de saúde. pra recuperar.
O que o Jorge falou foi perfeito, da aposentadoria, da saúde.
Maravilhoso!
É pensar nisso.
Esse programa é de utilidade pública. Se você nos acompanha até aqui, compartilhe com quem você quer bem. Com certeza tem alguém na sua família precisando. Nós estamos dormindo menos, né, doutor? Isso é um fato.
Estamos dormindo menos. Uma hora e meia nós perdemos de sono como sociedade no último século. Isso é muito. E lembrando que isso é em progressão, tá? A gente tá progredindo, então talvez estudos mais recentes já tenham chegado aí a menos duas horas de média de sono na população.
Pra encerrar, doutor Guilherme, três coisas pra gente dormir bem. Que qualquer pessoa, não importa onde você mora e quanto você ganhe, pode fazer.
Exercício físico, alimentação e saúde mental.
Ué, mas quem que veio antes, o sono ou a saúde mental?
O sono controla tudo, mas quando você vai pegar os pacientes que têm queixa de sono e começar a conversar com eles, você vai ver que muitas vezes o problema tá ou na falta de exercício ou alguma alteração no organismo dele, né, alteração hormonal, metabólica, alguma doença não controlada, ou ele tá se alimentando de uma forma completamente errada, usando substâncias que não deveria, ou muitas vezes ele tá passando por algum problema de saúde mental mesmo. Às vezes por um problema de ansiedade, estresse, ou já indo para um Aí.
Eu lhe pergunto, quem veio antes? A privação de sono ou o problema relacionado à saúde mental?
Aí é uma bola de neve, né? Aquele retroalimento.
É aquilo, né? Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? É isso, um tá relacionado ao outro.
Sim.
Muito bem, doutores, eu desejo que vocês tenham uma excelente noite de sono, tá? Você que está nos acompanhando também, durma bem. Que você consiga praticar tudo que você já sabe, porque no fundo a gente já sabe o que tem que fazer. Mas não deixe acontecer para depois você recuperar. Não existe, não existe, não dá para recuperar o tempo perdido e nem o sono perdido. Então, que a gente possa dormir melhor com as informações que nós já temos. O Durma com Essa.
Está disponível nas principais plataformas, né? YouTube. Então, faça lá o nosso... Dê o like, siga a gente. Tem muita informação sobre o sono. E obrigado mesmo pelo espaço. Fiquei super honrado de estar aqui.
Obrigada, menino. Seguimos juntos, seguimos em frente.
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