Sucessão familiar: liberdade fortalece as relações que envolvem negócios e família - Maria Anselmi - EP11 Ïnterior iza
31 Dec 2025 · 28 min
This content was created by Izabella Camargo. This content was uploaded by GHION.AI . This is a podcast episode titled "Sucessão familiar: liberdade fortalece as relações que envolvem negócios e família - Maria Anselmi - EP11 Ïnterior iza" from the series "Interioriza," created by Izabella Camargo on April 19, 2023. The episode features a conversation in Portuguese between Isabela and Maria Anselmi, discussing Maria's journey as a business leader managing a family business with over 11 stores and 600 employees in Brazil. They explore themes of leadership, family business dynamics, personal growth, and the importance of values and empathy in business.
Chapters
Olá, olá, bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza. Você conhece alguma empresa familiar? A maior parte das empresas são familiares, não são? E hoje eu estou aqui com uma líder, Maria Anselmi, empresária. Muito obrigada por estar aqui.
Ai, obrigada pelo convite, muito honrada.
E eu tô muito feliz em ter você comigo porque a sua história ela é muito inspiradora e eu tenho certeza que muitas pessoas podem se identificar com o que aconteceu na sua vida e como você teve que se ressignificar diante dos episódios que aconteceram. A Maria Anselmi cuida de mais de 11 lojas pelo Brasil, e tem mais duas vindo aí, né, Maria?
Tem mais duas.
São quantos funcionários neste ecossistema chamado Anselmi? Quantos funcionários?
Eu não tenho assim o número bem certo, mas é mais de 600 pessoas, né, que hoje a gente tem que cuidar e liderar.
Todas essas pessoas, é mais fácil do que liderar a família?
Olha, eu digo sempre que a coisa mais difícil que tem lidar com pessoas. Mas eu tenho uma coisa que as pessoas sempre me perguntam, né? Como é que você conseguiu? Eu sempre comento, Isabela, Isabela, Isabela, Isabela, que eu toquei a minha história, a minha vida, construí a minha, a minha história em cima dos princípios e dos valores que eu aprendi com meu pai, com a minha mãe, que era o quê? Fazer a coisa correta, ajudar as pessoas, não mentir, ser verdadeiro, sabe? Ajudar, ter empatia. E eu criei a minha história em cima disso. Então, para liderar pessoas, que quando a pessoa ela se sente que tu é verdadeira com ela, que a tua intenção é boa, que tu quer ajudar e quer a coisa correta, É muito mais fácil. Então, liderar pessoas tem que— eu amo história, eu amo estudar, gosto de filosofia para poder entender mais de gente, entender as pessoas. Porque é muito fácil nós julgarmos as pessoas, né? E quando vejo uma situação, o que que tem por trás disso? Então, eu acho que a empatia, empatia, eu acho que ela é muito importante para quem lidera pessoas. Pessoas, porque é muito triste quando você tá na frente de uma pessoa. Eu sempre me coloco assim: se eu estivesse no lugar ali, o que que gostaria que fizesse comigo? Então eu sempre trabalho em cima disso, né, com os meus líderes. Que eu iniciei empresa, é mais de 40 anos que eu iniciei empresa, e muitas vezes eu fui chamada de ingênua. "Ah, tu é muito ingênua, porque eu ajudava, porque eu falava a verdade." Mas isso eu vejo que é uma qualidade minha. Claro que de vez em quando a gente leva nas costas também, né? Mas de ser assim uma pessoa que tem sempre de ajudar a pessoa, fazer o melhor. Eu sempre comento dentro da empresa com os meus filhos, com os meus funcionários, Eu sempre digo: juntos somos muito mais inteligentes.
Com certeza.
Então, uma coisa assim que eu digo sempre: quanto mais sei, sei que não sei. Então, a compreensão com os filhos também, com os funcionários, ajudá-los, é isso que te ajuda. Eles te ajudam a caminhar.
Hoje, esse ecossistema chamado Anselmi começou há mais de 40 anos, que você falou, né?
Sim, mais de 40 anos.
E começou por quê? Começou como?
É uma história bem complicada. Eu morava no interior, né? E sou a filha mais velha, somos 6 irmãos. E tu imagina que com 12 anos eu tive que parar de estudar. Foi a minha maior frustração. Porque eu tinha que cuidar dos irmãos. Meu pai e minha mãe tinham que trabalhar na roça e eu era a filha mais velha, tinha que cuidar. E eu gostava muito do crochê, de bordar, de fazer essas coisas. Eu desmanchava. Os crochê do enxoval da minha mãe para ter linha, sabe? Nas camisolas que ela fazia, os crochê, porque meu pai e minha mãe não tinha dinheiro para comprar um novelo de linha, não tinha. Então eu queria ter linha para mim fazer isso. Aí quando parei de estudar, eu pedi para o pai e a mãe pelo menos me dar um curso de corte e costura, que tinha uma pessoa na Vila Jâncio ali no interior de Farroupilha que eu queria fazer um curso de corte e costura. Fui fazer o curso de corte e costura Casei com 16 anos, fui morar junto com sogra, cunhados, e trabalhava na roça. E aí o meu ex-marido, ele disse: "Ai, não gosto mais de trabalhar aqui, vou comprar um caminhão, vou viajar." Bom, disse: "Se tu for viajar, tu não vai me deixar aqui na roça, tu vai me tirar daqui." Porque o meu sonho era sair da roça. E aí eu cheguei na cidade, daí Meu filho Eduardo tinha 15 dias. Eu já fui procurar serviço nas malharias na região para mim trabalhar em casa. Veio a sogra e a minha cunhada junto, mas a minha sogra disse: eu não quero compromisso, eu quero ter liberdade. Se eu quero ficar lá na roça 15 dias, eu quero ficar. Então eu não poderia trabalhar fora. Aí eu fui buscar serviço nas malharias para mim trabalhar em casa. Aí você tava junto, aí eu fazia bordado, costurava. E o meu conhecimento era muito pequeno. Porque tu imagina, na roça, na época assim, nem televisão eu não tinha. Não tinha televisão, não tinha telefone, não tinha nada. Então o conhecimento era muito pequeno. Era trabalhar, fazer a coisa correta, né? E no domingo ir na igreja, ali na capela, rezar o terço junto com a mãe, né? Era o mundo, era uma realidade de muitas pessoas ainda hoje, tá, gente?
Ainda hoje.
Então era uma realidade assim, bem pouco conhecimento. Mas ao longo do tempo eu descobri que eu tinha o maior conhecimento, que eram os princípios e os valores. Isso para mim, assim, depois eu vou contar um pouco da história, que quando me dei conta assim, que disse, sempre fiz tudo tão, tão correto sem saber que era tão correto.
Mas era natural para você, era a única maneira que você conhecia.
É a única maneira que eu conhecia. Daí a minha sogra queria liberdade, eu não podia trabalhar fora, daí comecei a pegar serviço em casa. E quando eu ia nas empresas, eu ficava de olho em tudo, como eles faziam, como é que era, né? Eu gostaria tanto de montar meu negócio, mas como é que eu faço? Não tenho dinheiro, não tenho conhecimento, não sei nada. "Como é que eu vou fazer isso?" E aquilo ficou matutando na minha cabeça. E chegou um momento que eu tinha um dinheirinho, porque eu trabalhava, mas tinha que comprar comida, não podia guardar o dinheiro, porque a vida era muito difícil. Aí eu consegui sobrar um dinheiro que, se você contar hoje e comprar o tecido que eu comprei, eu vou dizer que seriam uns R$1.200, R$1.300.
Você comprou tecido?
Tecido. R$1.300, vamos dizer, era o dinheiro que tinha conseguido guardar para mim começar um negócio. Você imagina, com R$1.300 começar um negócio. Aí eu fui comprar tecido e fiz umas camisas. Na época se usava camisa bordada na gola, na manga. Era um tecido que se chamava tecido javanesa. Fiz as camisas Tá, e agora como que eu vou vender isso? Como é que eu vou fazer? Aí eu peguei uma sacolinha, né, fui para o centro de Farroupilha e tentar oferecer nas lojas minhas peças. Aí o pessoal olhava: ai, tá bonito assim, ah, bonito, ah, não sei o quê. Mas não consegui vender nenhuma peça. Voltei tão frustrada, mas eu continuava trabalhando para as malharias. Eu tinha minhas camisas prontas que eu queria vender, mas Tava em busca. E um dia, voltando de uma empresa que eu trabalhava, encontrei uma senhora na rua assim caminhando. Eu sempre fui muito curiosa, muito perguntar, né? Encontrei essa senhora e perguntei: o que que a senhora faz? Da onde que a senhora é? Aí ela disse: eu sou de Porto Alegre e sou revendedora.
Nossa!
Quando ela me disse a palavra revendedora, eu pensei: tá aqui a minha oportunidade. "Está aqui." Eu contei para ela que tinha as camisas, expliquei. E ela me disse: "Onde é que você mora?" "Lá no bairro São Luís." "Não, não, muito longe." "Não, não", ela disse, "muito longe." Eu pensei: "Mas não posso perder essa oportunidade." Eu disse para ela: "E se eu pegar um táxi?" Ela disse: "Se você me levar de táxi, tudo certo." Eu consegui um táxi. Levei ela para minha casa, comprometada nas minhas camisas. Imagina a emoção, a alegria de eu ter conseguido vender. Eu tinha 20 camisas, vender 10 camisas para a mulher.
O seu talento.
E ela olhou assim, gostou das camisas, e me lembro que eu disse para ela assim: "Na próxima vez que a senhora vier à Farroupilha, se a senhora não conseguir vender as camisas por tamanho, cor, eu troco para a senhora." E me lembro que ela ficou muito feliz. Aí passou, aí ela me disse assim: bom, se as clientes gostarem das camisas, eu vou te mandar uma carta. Porque eu não tinha telefone, uma carta. Quando falo isso, Isabela, parece que eu sou do tempo.
Não, só lembrar que a gente só tem o iPhone, o aparelho, o smartphone, aliás, como nós conhecemos, há menos de 10 anos. Há menos de 20 O telefone era um bem super precioso, a carta era a maneira de se comunicar mesmo.
Então ela disse: eu vou te mandar uma carta, se as mulheres gostarem, tiver um pedido, na semana seguinte eu recebi a carta.
Uau!
Com pedido das camisas. A minha alegria de comprar o tecido, e eu já tinha um pouquinho de dinheiro a mais porque tinha o lucro das camisas que eu tinha vendido. Então eu comprei para fazer o pedido e o que me sobrou de dinheiro comprei um pouco a mais, né, para fazer e ter um estoquezinho. E quando ela veio buscar, ela veio com uma amiga que também era revendedora, e que a amiga também comprou. Então ali começou a ter as revendedoras. E na frente da minha casa eu tinha uma mulher que tecia, fazia a malha. Aí eu disse assim: pô, mas as mulheres vendem malha, por que que eu não posso? "Eu sabia costurar. Daí eu fui falar com a minha vizinha e disse: 'Se você comprar fio, você tece para mim?'" "Sim, sim, se você comprar o fio e me der o modelo, eu vou tecer para você." Aí eu fui, quando eu tinha um dinheirinho, tinha pouco, daí tive que comprar pouco fio. Então eu comprei e levei lá para ela, ela teceu para mim, fiz as peças e as mulheres começaram a comprar, e assim foi. Eu tenho uma história interessante do fio.
Você tinha quantos anos? 16 nessa época ou já tinha mais?
Eu tinha na época 21 anos.
21 anos, tá. Ok.
Eu tinha 2 filhos, né?
2 filhos. Tudo isso com 2 filhos?
Com 2 filhos, né? E tem uma história ali do fio que isso me marcou, porque eu ia comprar o fio, só que a minha casa até a rodoviária era um pouco longe. E de Caxias do Sul, da rodoviária até a loja do fio, Também era longe. Então, quando comecei a comprar um pouco mais, conforme foi sobrando dinheiro, foi aumentando o meu pacotinho, né, comprar fio. Mas me doía quando comprava esses pacotes de fio, o dinheiro que eu gastava com o táxi, que você podia estar investindo no produto. Eu podia comprar. Daí um dia eu peguei o pacote assim, disse: eu vou conseguir carregar, e ainda consigo comprar uma roca de fio, que era 1 kg de fio. Quilo de fio, eu vou fazer duas peças, duas peças, eu vou faturar tanto, eu vou carregar isso aqui, vou conseguir. Aí comecei a carregar os pacotes e me lembro quando fui tomar banho, me olhei assim, estava toda roxa aqui no lado, era de carregar pacote, economizando o dinheiro do táxi para comprar matéria-prima. E assim foi a minha história.
Então você começa Trazendo aqui para nós sobre o seu talento que você descobriu ao não se conformar com aquele contexto que você vivia. Ao invés de reclamar, você foi buscar uma alternativa na cidade e você tem um talento então com as suas mãos. Já deu para entender, uma mulher criativa, talentosa e muito sagaz, porque a maior parte das pessoas tende a reclamar do contexto que vive e não busca alternativa. E a nossa história aqui é para te inspirar, para que você interiorize a possibilidade de buscar habilidades, buscar habilidades para viver um contexto melhor do que você está vivendo. Vou repetir: se você não está satisfeito ou satisfeita com o contexto que você vive, só depende de você buscar habilidades para mudar esse contexto. Isso é muito importante e eu tenho muita responsabilidade, Maria, para falar isso num país como nós vivemos, com tantas desigualdades. Sabemos das injustiças e das desigualdades. Independentemente disso, se você não está satisfeito no contexto que você vive, vai depender só de você, como a Maria está mostrando aqui, buscar habilidades. Aí, Dona Maria sai lá aos 16 anos com o Eduardo pequeno, começa a empreender. Você é uma empreendedora nata. É porque você foi comprando, costurando, vendendo. Aí nasce a Anselme.
Sim, aí eu comecei, o negócio começou a dar certo, né? Na verdade, eu comecei com 20 anos, tá? Eu casei com 16, até os 20 morei lá no interior, sim, na roça, trabalhando na roça. Então eu comecei com 21. Aí nasce a Anselmo. E aí eu comecei a produzir e a coisa começou a tomar volume. E aí eu tive que pensar: bom, não dá mais para ficar assim, porque eu sou uma empresária. Aí eu comecei minha empresa dentro de um quartinho que cabia uma cama de casal. Tirei a cama, botei duas macas, máquinas e duas prateleiras, uma mesa, que mal e mal conseguia me virar. E aí a gente construiu uma casa, né? Porque o meu ex-marido também tinha uma terra na colônia ali, que ele recebia todos os anos um pouco de renda ali da uva, né? E aí construímos uma casa, e na casa daí então eu tive um porãozinho para mim ampliar um pouco o meu negócio. Daí lá também eu não tinha registrado quando eu fui para casa ainda. Aí eu tinha uma sala um pouco maior, cantinho um pouco melhor, porque lá estava dentro de um quartinho, sim, sufocada.
Sim.
Aí disse: não, eu tenho que registrar a empresa. Aí eu registrei a empresa e a coisa só andou, né?
Sensacional.
E se tu me perguntar assim, nesses 40, mais de 40 anos, teve assim um momento que deu boom na empresa? Não, foi sempre uma caminhada. Eu sou uma pessoa muito curiosa, busco sempre, fiz muito curso, depois eu voltei, fui estudar, fiz depois pós-graduação de gestão empresarial de noite.
Ou seja, você foi buscar habilidades.
Eu fui, fui. Comecei a viajar para o exterior, entrei no sindicato em Caxias do Sul, que tinha sindicato, tem o comitê de moda e estilo.
Sim.
Junto com as profs, comecei a viajar para Paris, na Prêt-à-Porter, junto. Quando comecei a viajar para fora do Brasil, a minha janelinha também começou a abrir. Visitar feiras, ver como era, fazer pesquisa. Era meia-noite, nós estávamos ainda nas ruas, tirando foto, fazendo... Meu Deus! E sempre queria surpreender. Surpreender o cliente, fazer o meu melhor. Sempre tive uma preocupação em fazer a coisa da melhor forma possível, fazer tudo com excelência. Eu comento, Isabela, que não importa o que você faz, se você é cozinheira, se você limpa a casa, seja a melhor, que você vai se dar bem. Fazer com excelência tudo que você faz. E eu procurei na minha vida sempre fazer com excelência e sempre com muita empatia, me colocando no lugar das pessoas, não colocando o dinheiro em primeiro lugar. Eu nunca imaginei que na minha vida eu chegasse onde eu cheguei. Foi uma consequência, as coisas foram acontecendo.
Agora você chegou num ponto que eu gosto muito quando eu falo de propósito. Quando você coloca o dinheiro na frente, provavelmente você não vai chegar a lugar nenhum. Ou pode até chegar, mas não é sustentável. Quando você descobre o seu talento ou o que você precisa realmente fazer como trabalho, faça bem feito que o dinheiro vem. Agora, se você fizer qualquer coisa pensando no dinheiro, aí as coisas mudam. Olha, o dinheiro vai ser consequência, é isso que eu quero trazer.
Consequências. Claro que tem pessoas que passam por cima de tudo, só pensam no dinheiro e fazem dinheiro, mas só que não é sustentável. Não, a gente vê que tem gente no mercado ali que são muito sem-vergonha, né? Mas essas pessoas, eu digo que são tão pobre, tão pobre que só tem dinheiro.
Pois é, repete essa frase, por favor, Maria.
As pessoas são tão pobre, tão pobre que só tem dinheiro. Pra mim, assim, olha, eu vivo no meio de pessoas que têm muito dinheiro, olha assim, a infelicidade às vezes dessas pessoas, olha assim, e o que adianta aquele dinheiro? Pronto. Eu acho que não podemos vender a paz. Pra mim, ter paz, a sucessão com os meus filhos também, de ter meus filhos dentro da empresa, que estão tocando a empresa.
Isso que nós vamos falar agora. Gosto muito quando você me lembra que paz a gente não negocia.
Não, né? Para mim não tem preço isso.
Paz a gente não pode negociar. Não, por isso que você precisa de habilidades para te deixar forte, para tomar decisões, para manter a sua paz. Que se você está negociando a sua paz, você está se desrespeitando. Maria, você falou agora então da sucessão com seus filhos, e eu abri aqui o nosso programa falando sobre empresas familiares. Eu não tenho aqui o número exato do número de empresas familiares, mas A maior parte das empresas no Brasil nasceram com sonhos como o seu e foram crescendo e foram expandindo e prosperando. É fácil trabalhar com os filhos?
Olha, não é fácil no começo assim. A minha história também, então comecei sozinha, comecei junto, depois o meu ex-marido veio junto, passei por uma separação. Onde eu passei por um momento muito difícil, porque eu como mulher, o pessoal não acreditava.
Mas o negócio era seu?
Era meu, mas achava que eu era mulher, que mulher não consegue. Mas era um momento tão difícil assim, as pessoas me julgando. Cidade pequena, principalmente, as pessoas resolvem tudo na tua vida.
Mesmo a barreira delas.
Me venderam até a casa, botaram preço na casa. Não, é uma coisa surreal.
Você criou o negócio, o seu marido deixou o negócio dele para trabalhar com você, e quando vocês separaram, achava que não, que era ele que tocava a empresa.
Mas tudo bem. Aí o que que eu pensei, Isabela? Eu pensei assim: o que que eu vou fazer? Eu vou continuar fazendo aquilo que eu sempre fiz. Pronto, pronto. Aí os meus filhos, quando eu estava junto com o meu ex, era um pouco difícil porque nós tínhamos Como é que eu vou te dizer? Acho que faltou maturidade minha e dele também, tá? Nós não sabemos assim lidar com isso, mas tudo que não mata fortalece. Na separação, peguei meus filhos. Bom, o talento desse, a Sandra, ela sempre me acompanhou nas viagens, nas pesquisas. Então a Sandra tem uma história, ela me acompanhou muito, né? Aí veio o Eduardo Aí começou a fazer curso na Itália, na Alemanha, no Japão. A Patrícia também, que hoje eu tenho os 3 filhos, a Sandra é responsável da criação hoje, o Eduardo no administrativo, ele fez direito, então ele tem conhecimento de chão de fábrica, ele tem um conhecimento muito grande. A Patrícia, do lado do marketing, Fez curso em Milão, estudou. Aí cada um foi se ajeitando. E como cada um encontrou seu canto, não tem disputa entre eles, e eles são muito unidos, se torna fácil. Mas eu tive que dar espaço. Eu quero fazer isso. Eu só ficava pensando assim: se isso aí der errado, quanto vai custar? Ah, vai custar tanto, então deixa fazer. "Deixa fazer." Porque, como os pais, se eles não dão liberdade para os filhos, os filhos vão embora, eles não querem ficar. Então, tem que oportunizar os filhos e ouvi-los e dar oportunidade. Então, foi isso que eu fiz. Nós temos uma harmonia muito grande dentro da empresa. Meus 3 filhos, eles são muito unidos. E eles assim, se ela precisa, eles têm que estar bem, sabe? Eles assim, eles têm assim um coração muito bom. Digo para minhas netas, porque tem duas gêmeas, porque tem os olhos bonitos, porque isso, porque aquilo, digo para elas assim: sabe o que é mais importante na vida? É ter coração bom. Digo: não adianta ser linda e ter um coração ruim. Então eu acho que os princípios e os valores, eu e o meu ex-marido, nós conseguimos colocar muito bem nossos filhos.
Gostei muito quando você diz, né, dê espaço para os filhos experimentarem.
Isso.
Tem um ponto, Maria, que eu quero trazer antes da gente encerrar, que surge em empresas familiares ou não, que é o conflito geracional, o conflito de gerações.
Sim.
Só você sabe tudo que você passou para chegar hoje a ter 11 lojas em shoppings, gente, que Não estão para brincadeira, 600 funcionários. Aí os seus filhos chegam, de uma nova geração, com outro contexto, com outras facilidades. Como é que vocês falam a mesma língua? E como que esta sua resposta pode contribuir para quem está nos ouvindo nesses conflitos de geração?
Como é que a gente fala a mesma língua? É assim: tem respeito. Eu tenho respeito pelas ideias deles e eles têm respeito pela história da mãe. E nós não tomamos uma decisão assim: "Não, você vai ter que engolir isso." E o bacana é que, em Anselmi, nós estamos assim, os 4, focados para o mesmo foco. Então, é fazer o melhor produto, cuidar das pessoas, cuidar do meio ambiente, e que todos estejam bem. Cuidar dos nossos colaboradores. Nós temos funcionários lá dentro que já fazem 38 anos que estão comigo. É incrível. E eles nos conhecem, nós temos bons profissionais, e eles se sentem em casa. Então, é um ambiente gostoso.
Perfeito. Agora, antes da gente encerrar, eu vou trazer aqui um objeto na mesa, e eu gostaria de te ouvir sobre o que representa esta mulher que está sentada Com as mãos aqui na altura do coração, fazendo uma alusão à meditação, respiração, respeito a si. Como que é a mulher por trás dessa empresária toda? Dá tempo de descansar?
Olha, se a gente se organiza, dá tempo de descansar. Por exemplo, eu me sinto jovem ainda, e agora estou tendo tempo de curtir a vida. "Porque consegui delegar para os meus filhos. A empresa anda sem a minha presença, então, tenho tempo de cuidar de mim. Agora, comecei jovem e agora vou desfrutar a vida." E essa mulher assim, centrada, respirando, pensando, meditando. É o que faço. Às vezes, faço terapia. Sou apaixonada também por terapia para conhecer e entender de gente. E pensar assim: agora vou cuidar de mim também. Cuido da empresa e cuido de mim. E também tem uma coisa que eu estou sempre aprendendo. Digo: quanto mais sei, sei que não sei. E estou sempre buscando informação, inovando, para mim como pessoa e também para a empresa.
Gostou?
Amei. Amei.
Viu, gente? Olha, trouxe assim pela intuição. E gostei muito disso que você falou. Sobre sei delegar, passo também para os meus filhos para poder viver. Muitas pessoas conheço que estão tão apegadas àquilo que construíram que não abrem mão daquilo para viver. Qual a sua mensagem final então para todas as mulheres e homens que estão nos acompanhando, que já passaram dos seus 30, 40, 50, não importa a idade, a sua mensagem para que essas pessoas tenham saúde e paz interna, já que nós falamos que paz não se negocia, e viver daquilo que fizeram?
Olha, eu acho que para a gente conseguir ter uma vida equilibrada, nós precisamos assim não colocar o dinheiro em primeiro lugar e sempre procurar fazer a coisa para não vender a paz, que todos estejam bem. E quando você está numa empresa, empresa familiar, não importa, funcionário, você sempre tem que tomar a decisão sempre pelo lado do bem. Fiz um curso na Escócia que era o milagre das escolhas. O milagre é quando você sempre escolhe para o lado do bem. Pode ser até errado, mas a sua intenção era boa. Eu acho que aí não tem, não tem como dar errado.
Excelente, Maria! Foi uma aula aqui que eu tive nesses últimos 30 minutos. Estou saindo bem melhor do que começamos. Muito obrigada pelo seu tempo.
Imagina, eu que agradeço a oportunidade.
Se você ainda não conhece as peças lindas da Anselme, vale a pena, vai aparecer aqui na tela o endereço para você ver tudo isso que a Maria trouxe sobre essas peças que você colocou tanto amor desde cedo.
Muito amor.
Não coloque o dinheiro em primeiro lugar, o dinheiro vem se você faz com amor. Até o próximo episódio do Interioriza. Se você tiver alguma sugestão, comentário, escreva aqui. E se esse papo tocou o seu coração, compartilhe com quem você quer bem. Até mais!
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