Como as Empresas Brasileiras podem Acelerar com Tecnologia Blockchain

The webinar, organized by Founder Institute Brazil in partnership with Jupiter and RedPoint, opened the Brazil Blockchain Mastermind series. Host Nima Kazerooni introduced the initiative, announced a new fellowship, and presented the panelists: Juliana Assad (CEO/Co‑founder of Coinwise), Carl Amorim (Blockchain Research Institute), and Courtney Guimarães (CTO of Idea Partners Holding). The discussion covered the challenges Brazilian blockchain startups face—technical complexity, talent scarcity, adoption hurdles, regulatory uncertainty, and the tension between hype and real‑world implementation—while highlighting market potential for transparent accounting, cross‑border payments, supply‑chain traceability, distributed energy, and token‑based financing. Juliana emphasized the cultural trust crisis, the need for creative new models, and the importance of aligning blockchain solutions with genuine business problems. Carl described blockchain as a cultural shift requiring network‑effects, Darwinian adaptation, and cost‑math analysis, and gave concrete use‑case examples. Courtney placed blockchain in a historical wave of technologies, described the current funding boom (US$ 14 bn in six months, ICOs raising millions), critiqued the conflation of DLT and blockchain, and warned about regulatory maturation. The panel answered audience questions on cost, when blockchain is indispensable, how to build technical teams, learning pathways, MVP vs Minimum Viable Network, and permissioned blockchain for regulator‑startup interaction. The session promoted the next Mastermind webinar on ICOs and detailed the Fellowship application process across several Brazilian cities. Overall, the conversation stressed the gap between hype and practical adoption, the necessity of talent development, and the transformative potential of blockchain when combined with appropriate business models.
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You're muted.
I think you're muted.
Niemand gemutet.
Yeah, so there we go, now we're back on. Boa noite, Brasil! Tudo bem? Eu sou Nima Kazerooni, diretor do Founder Institute Brasil, e eu tenho a honra e privilégio hoje de estar aqui com vocês para a gente experienciar essa primeira edição da série de webinars do Brasil Blockchain Mastermind que nós estamos promovendo junto com o Founder Institute, Jupiter e RedPoint, junto com nossos queridos palestrantes hoje. Então, o que eu vou fazer agora? Eu vou falar brevemente sobre o Founder Institute e esta iniciativa nova do Brasil Blockchain Mastermind. Vou introduzir nossos speakers e a gente vai começar com o assunto na pauta. Vamos lá, pessoal! Estou com screen share aqui. Começamos. Então dá para ver tudo certinho aí? Então, pessoal, nós estamos hoje como primeiro episódio do webinar série Brasil Blockchain Mastermind, e esse primeiro episódio vai se focar em como as startups brasileiras Podem acelerar com tecnologia blockchain e temos alguns especialistas do mercado aqui junto com a gente hoje para ajudarem vocês nesta missão. Primeiramente, quem somos nós? O que é o Founder Institute? O Founder Institute é uma aceleradora das ideias que ajuda os ou as empreendedoras a lançarem negócios de tecnologia por meio de estrutura orientação e uma rede global. A nossa missão é de globalizar o Vale do Silício e treinar empreendedores para que construíram empresas que criarão 1 milhão de empregos mundialmente. E aqui no Brasil estamos tentando criar 100 mil desses empregos por meio das empresas dos fundadores ou as fundadoras graduadas do Founder Institute Brasil. Aqui no Brasil nós começamos faz uns 3 anos e já temos muitas conquistas graças aos mais que 25 diretores e associados que estão ajudando nosso programa e mais que 400 mentores em nossa rede. Nós estamos hoje operando em 10 cidades aqui no Brasil e já temos graduados quase 100 empresas, os 100 fundadores com 100 empresas pelo Founder Institute Brasil, que tem levantado recursos suficientes, recursos significativos também. Então, apesar de todos os problemas que nós achamos que temos no Brasil, ainda dá para empreender como uma saída de sucesso para muitos brasileiros ainda. E estamos aqui com Founder Institute Brasil para ajudar você a fazer parte desta onda também. Então, vou brevemente explicar para vocês essa nova iniciativa do Brasil Blockchain Mastermind, de onde veio, Então, a empresa Founder Institute junto com Júpiter e Redpoint Ventures, nós estamos promovendo essa nova vertical do Founder Institute, onde acreditamos que no Brasil vamos ter muitas oportunidades para explorar tecnologias de blockchain para ajudar a resolver grandes problemas que empreendedores e o público e indústrias do Brasil em geral enfrentam. Então nós acreditamos que no Brasil vamos ter muitos empreendimentos na área de blockchain e nós queremos criar um grupo de mastermind, seja grupo das pessoas e das entidades que trazem os smarts ou inteligência ou ajuda ou advisory para as entidades que estão, para as pessoas que estão tentando criar novas entidades nesta área. Então os nossos palestrantes hoje são São exatamente essas pessoas. Então nesse primeiro episódio vamos falar sobre como as startups brasileiras podem acelerar com tecnologia blockchain. E nós temos conosco hoje a Juliana Assad, que é cofundadora e CEO da Coinwise, que é uma empresa de criptomoedas e soluções em blockchain. A Juliana vem com grande experiência como executiva e também como formação em ciências de computação, onde ela acredito que já tem a sua PhD em ciências de computação, se eu não me engano. Ela vai poder explicar um pouco melhor ela mesma. E depois também temos o nosso amigo Carl Amorim. O Carl é diretor executivo do Blockchain Research Institute, Blockchain Research Institute, que também é do Canadá, de onde eu sou, né? Está aqui no Brasil e o Carl é nosso representante aqui. E o Carlinho, com vasta experiência também na indústria, e ele tem um grande conhecimento da nova economia e como aplicar as regras da nova economia neste mundo de blockchain para que sua empresa também pode dar certo. E last but not least, definitivamente not least, um dos grandes amigos meus, o Kornay Guimarães, que é CTO da Idea Partners Holding. O Kornay vem com mais de 30 anos de experiência na área de arquitetura e infraestrutura de TI e também tem experiência, vasta experiência em aplicação de tecnologia de blockchain para startups. Inclusive, Cortnay já é um dos advisors de um dos graduados do Founder Institute Curitiba, a 4Hat, na área de blockchain e tokenização das startups. Então, antes da gente começar o webinar, eu queria anunciar, fazer um novo anúncio para todo mundo aqui. Então, como essa nova iniciativa, pessoal, estamos lançando no FI Brasil um novo fellowship. Para quem já conhece, os fellowships do Founder Institute são programas que ajudam pessoas que se destacam na inscrição do Founder Institute a poderem fazer o programa de lançamento de startup com o Founder Institute na sua cidade, sem precisar pagar a taxa de matrícula, que soma cerca de $700 americanos. Então, Brasil Blockchain Mastermind Fellowship está disponível e você pode se aplicar para essa fellowship se inscrevendo pelo link que está aqui no slide, fi.co/join/mastermind. Estamos com matrículas abertas hoje em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, e uma menção especial para nosso capítulo em Campinas, onde o pessoal está também com foco pleno na área de blockchain. Temos muitas iniciativas nessa área lá e temos um prazo de inscrição que está comparecendo, que está chegando muito próximo. Então sugiro para o pessoal que está na região de Campinas se inscreverem. Correm, se inscreverem hoje. Se vocês usam este link de Mastermind, você vai ser ficar também para talvez ganhar a bolsa de fellowship e ter seu curso, sua taxa de matrícula reembolsado e zerado. Nós vamos abrir matrículas em breve também de novo em Londrina e Maringá, onde já operamos um semestre, e nós temos o privilégio, eu tenho o privilégio de hoje anunciar para vocês nossas 3 novas cidades do Foundry Institute Brasil, que são Joinville, Porto Alegre E Salvador. Então se você vive e mora nessas regiões também, daqui a pouco vai ter um Founder Institute perto de você e o Blockchain Mastermind Fellowship vai estar aplicando nessas regiões também. E antes do que a gente encerrar nosso webinar hoje, vamos falar um pouquinho também e convidar vocês a se inscreverem já para o próximo webinar, que vai ser o segundo episódio do Brasil Blockchain Mastermind. Que vai ser no dia 29 de agosto, mesmo horário que hoje, o link de inscrição está aí. Esse episódio vai se focar sobre ICOs, ou Initial Coin Offerings, e como novas empresas podem levantar fundos através de venda de tokens. Neste daqui vamos ter também 3 palestrantes que são também líderes neste espaço: o Bernardo Quintão, um grande amigo meu, que também morava aqui em Curitiba, ele é managing partner da Bossa Nova Advisors e está por trás de um novo security token offering que vai acontecer logo. A Anne Chang, que é sócia na HCO Law e advisor, que é um advisor de ICOs aqui no Brasil. E também o Manuel Lemos, managing partner do nosso parceiro e proponente do Zinco, que é tipo do Zinco Blockchain Mr. Night. À RedPoint Ventures. Então, pessoal, without further ado, eu vou começar a introduzir as speakers e ter elas começarem. Então vamos começar com a Juliana Assad, CEO e co-founder da CoinWise. Oi, Juliana, tudo bem?
Oi, tudo bom? Boa noite a todo mundo, é um prazer enorme estar aqui. Eu vou Eu fiz aqui alguns slides, uma breve apresentação, e mais para direcionar a nossa conversa. Mas a minha ideia aqui nesse painel é falar do ponto de vista de quem empreende utilizando blockchain como a grande plataforma do nosso negócio, blockchain, criptomoedas. Então quero falar um pouco dos desafios, das oportunidades, porque que a gente tá nessa e e como é que a gente vê esse mercado. E obviamente quando a gente fala nesse assunto a gente tem 3 perspectivas, né? Tem a perspectiva de quem empreende efetivamente em blockchain, em quem quer usar a tecnologia para algum fim, e também investidores que querem olhar efetivamente esse espaço e achar oportunidade de investimento. Então vamos fazer isso mais como um bate-papo, eu vou tentar aqui compartilhar os slides com vocês. Deixa eu ver se eu consigo fazer isso. Vamos ver, só um minuto. Ok, me avisem aí se tá tudo ok. Vocês estão conseguindo ver a apresentação?
Estamos vendo.
Só que ela começou lá do meio, deixa eu voltar ela para o começo. Então vamos lá. A Coinwise é uma empresa brasileira. Como o Nima já falou, eu sou oriunda do mundo de tecnologia. A minha carreira teve dois grandes momentos. Acho um primeiro momento muito acadêmico e um segundo momento como empreendedora. Eu venho desse mundo, antigamente não se chamava de fintech. Fintech é um termo que já ficou até muito batido, um termo que as pessoas usam hoje para empresas de tecnologia aplicadas ao mercado financeiro. Eu venho desse mundo. E há um ano atrás a gente montou a Coinwise, eu e o Marco Carnu, meu sócio, e a gente se intitula uma empresa de blockchains e criptomoedas. Eu vou falar um pouquinho sobre a nossa experiência aqui nos próximos slides. Aqui, como eu falei antes, eu vou falar um pouco a perspectiva de uma empresa desse setor. Eu elenquei os principais desafios que a gente enxerga aqui. Então, o principal desafio é o desafio tecnológico. Eu gosto de bater nesse ponto porque, principalmente no Brasil, a gente escuta, o mundo inteiro, a gente tem todo esse hype de blockchain. No Brasil não é diferente, o hype tá em todo lugar. Por outro lado, a gente vê muito pouco sendo feito do ponto de vista tecnológico, né? A gente vê muito pouco conhecimento efetivo sobre a tecnologia. E desenvolver para blockchain e criptomoedas não é, não é tão trivial quanto parece, quando pode, como pode parecer. Em vista disso, a gente, por isso que a gente enxerga tantos problemas de hacking, tantos problemas estruturais, tantas promessas não cumpridas. Quando se diz respeito ao desenvolvimento de soluções, aplicações afins em blockchain. Obviamente que a gente também tem um outro desafio, que é um desafio de capacitação e formação. Não é fácil hoje no mundo inteiro você ter poucas pessoas de fato preparadas para desenvolvedores preparados para esse ambiente. E no Brasil não é diferente, talvez um pouco pior, mas não é diferente do que no resto do mundo. Mas a gente tem muito pouca mão de obra capacitada para trabalhar nesse ambiente. Um outro desafio é o desafio da curva de adoção. Não é fácil empreender, é gostoso, mas não é fácil empreender num negócio, uma tecnologia tão recente. Então a gente tá brincando, desenvolvendo, empreendendo em algo que está em evolução constante. Acredito que o Kantner vai falar muito sobre isso, mas o que a gente tem vivido aí, que nos últimos 2 anos é um roller coaster imenso de novidades, de coisas acontecendo. A gente não consegue dar conta de tudo que está acontecendo. Por outro lado, a gente sabe que nesse momento é difícil apontar um norte, é difícil ter certezas absolutas. A gente remete muito, quem é um pouco mais velho como eu aqui, a gente remete muito ao início da internet, onde a gente não sabia muito bem no que isso ia dar. Eu me lembro que no começo da internet as pessoas falavam assim: mas para que que eu preciso de internet se eu tenho fax, né? Então a gente passa por coisas muito similares no que diz respeito à adoção das criptos e dos blockchains. A gente tem o desafio regulatório, e esse é um desafio global. O Brasil ainda não tem uma regulação para blockchains e criptomoedas, principalmente para criptomoedas. E isso traz um desafio de como que a gente empreende de uma forma compliant e tranquila no Brasil. Isso leva a gente para algumas situações. É muito diferente você trabalhar em algo, para mim tá sendo uma experiência muito nova, trabalhar em algo que ainda tá sendo regulado, ainda tá sendo entendido, que ainda tem um monte de arestas, que às vezes é visto, não muito bem visto em alguns círculos Isso traz um desafio adicional. E obviamente o desafio de ser Brasil versus ser global. Blockchain nasceu global, as criptomoedas são globais, não é um mercado local. E o Brasil, a gente ainda peca muito em internacionalização, talvez pelo tamanho do nosso país. As oportunidades do nosso país são enormes, obviamente. Por outro lado, isso deixa a gente um pouco isolado dos movimentos de internacionalização. As empresas têm feito um enorme esforço para serem globais. Existem várias iniciativas acontecendo. Não quero fazer um spoiler aqui dos próximos webinars. O próximo é de ICOs, então não vou fazer um spoiler aqui sobre isso. E falando sobre o desafio de investimento, então captar investimento também tem sido tricky nesse mercado, porque o mercado brasileiro, por não ser regulado, e aí o mercado brasileiro ainda tem uma dicotomia entre o que é blockchain e criptomoedas. Isso é bom, isso é ruim? Eu vou falar um pouco mais sobre na frente, o que afasta principalmente daqui os investidores institucionais, os fundos de pensão, por exemplo, os investidores convencionais ficam um pouco afastados dessa conversa por enquanto. Passando aqui para o próximo slide, aqui mais para a gente setar o prumo da conversa, né, voltando um pouco lá atrás, de onde é que tudo isso surgiu? Tudo surgiu do Bitcoin. É sempre bom a gente lembrar. E aí do lado tem uma, uma das definições de blockchain, a que a gente gosta muito, que uma das grandes inovações do blockchain é trazer a contabilidade global perfeita. Isso nunca tinha sido feito na história da humanidade. A gente não tem sistemas contábeis perfeitos, e o blockchain permite isso por uma simples razão: auditoria, ela vem antes do transacional. Então quando a gente pensa em inovação, em cripto e blockchain, eu não gosto de separar essas duas coisas, tá, mas eu vou separar aqui um pouco, falar muito em criptomoedas e blockchain porque tem algumas conotações um pouco diferentes. Eu particularmente não gosto de separar, mas quando a gente pensa em um ativo financeiro, uma moeda da internet de um lado, e eu tenho do outro lado o poder da contabilidade global perfeita num blockchain, isso abre uma caixa Não de Pandora, mas uma caixa de oportunidades de novos negócios e de impacto em várias áreas da sociedade. E daí vem muito o nosso total comprometimento em fazer as criptomoedas e os blockchain chegarem no dia a dia das pessoas e das empresas. Passando aqui um pouco, obviamente as empresas que, como a nossa, não lidam diretamente com a especulação financeira do blockchain, do Bitcoin, veja bem, a gente não tá falando mal da especulação financeira. Eu acho que por conta de toda essa valorização financeira, as criptomoedas ganharam toda a projeção e chamaram atenção das pessoas em geral. Mas o fato é que a alta valorização que a gente viu, principalmente em 2017, Foi, foi tão gritante, foi tão absurda, que tem um gráfico que compara o retorno das principais classes de ativos no mundo quanto o retorno do Bitcoin, das outras criptos. Isso tirou muito foco do desenvolvimento da tecnologia. Então esse ano a gente tem um mercado um pouco, ou bem mais tranquilo até o momento, em termos de grandes valorizações, o que volta um pouco o foco para tecnologia que nos interessa especialmente sobre o desenvolvimento dos blockchains e das criptomoedas mundo afora. Aqui falando um pouco do mercado, dando perspectiva muito, muito high level aqui do mundo. O G20 esse ano definiu criptomoedas como um ativo. A gente tem as 5 maiores criptomoedas aí com 188 bi de dólares de market cap. Esse número muda, hoje é maior. Alta que teve nessa última semana. A lista de países criptofriendly tem crescido, e países de relevância. E a gente vê aqui uma coisa também muito, muito interessante, que a Ásia despontando como grande centro de inovação do mundo blockchain. Talvez o Kourtney fale um pouco sobre isso depois, mas algo que se discute muito é que o centro deste, dessa nova economia, não tá no Silicon Valley, mas muito provavelmente na Ásia. Enquanto isso, no Brasil a gente vive um paradoxo em relação ao que acontece no resto do mundo. A gente não tem ainda uma regulação, a gente sofre muito do paradigma: cripto é legal e blockchain é ruim, blockchain é legal. A gente tem muitas discussões, eu canso de conversar com investidores que dizem: poxa, gosto muito de blockchain, mas criptomoedas não é para mim. E aí eu falo: bem, "Será que você está falando das coisas certas com a empresa certa?" Talvez não. A gente ainda tem que trabalhar muito nesse conhecimento e nesse aculturamento sobre essa diferença de cripto e blockchain, não faz muito sentido. A falta de recursos humanos, aí eu estou falando de tech people capacitados para as empresas de tecnologia voltadas para esse ambiente, é um isho. A gente tem lidado isso no dia a dia. Mas enfim, faz parte, é o momento que a gente tá. E aqui tem o que eu já falei um pouco, os VCs tradicionais e investidores institucionais ainda estão um pouco distante desse mundo porque entende que ainda é um negócio não regulado. Aí se você diz, não, mas eu tenho um negócio blockchain, eles se interessam. Aí você diz, não, mas eu tenho um negócio cripto, eles já não querem falar. E aí eles não entendem muito bem do que estão falando, e isso traz uma série de misunderstandings e complicações para o ambiente. Aqui é um estudo da McKinsey que saiu agora recentemente. Eu não concordo absolutamente com tudo, mas eu acho que tem um panorama interessante aqui da forma como eles colocaram as informações, que é colocando quais os setores que tendem a ser mais impactados pelos blockchains versus a capacidade disso de fato ser executado. E aí a gente tem aqui entre os amarelinhos, o amarelinho, o setor público. Aqui eu não concordo, eu não sei se é tão feasible como mostra aqui, muito mais por uma questão de se de fato os governos querem toda essa transparência e o uso dos blockchains. Aqui muito mais por um querer e não por um poder. E aqui a gente tem os serviços financeiros, que de fato é por onde os blockchains têm evoluído, a tecnologia tem evoluído de uma forma mais pungente. É tudo que permeia o mundo financeiro e os serviços financeiros. Aqui um pouquinho para a gente ir terminando, alguns comentários meus sobre as principais máximas que a gente escuta. A principal é: blockchain é hype, é vazio, né? Só essa conversa toda que tem. É hype, sim, é óbvio que é. A gente escuta blockchain em todo lugar, parece que é um remédio, é um xarope que serve para todas as dores. A gente disse, não é assim, não é um xarope para todas as dores, mas isso também não tira o valor e o potencial do que a gente tá falando. Então, hype faz parte. A gente viveu isso na bolha das ponto-coms e a gente viveu isso nos clouds e a gente tá vivendo isso nos blockchains. Sempre passa por um hype antes da gente ter de fato a tecnologia sendo usada em prol das pessoas e das empresas. Ainda estamos em fase experimental, isso a gente vê em vários estudos. É sim, é verdade, estamos em fase ainda experimental, principalmente no que tange a blockchains. A gente escuta muito algumas POCs, MVPs, e poucas aplicações reais em produção. Mas a gente sabe também que no mundo de hoje essas coisas evoluem muito rapidamente. Então é preciso ter um pouco de cautela quando a gente fala: ah, tá experimentando, tal, então eu não vou olhar para isso agora. Tem que ter um pouco de calma nesse tipo de afirmação. Volto para o ponto de blockchain bom versus criptomoedas ruim. A gente precisa trabalhar para limpar esses conceitos das cabeças das pessoas, essa separação. E aí, com exceção de algumas coisas, talvez também a gente fale isso um pouco mais na frente, das DLTs e tal, não exige essa separação. O economics Tá intrínseco dentro da infraestrutura, as coisas não são dissociáveis, então a gente precisa trabalhar melhor esses conceitos. E a gente escuta outra coisa: é uma solução em busca de um problema, né? Eu já escutei isso em várias reuniões, em várias palestras que eu dou. As pessoas dizem: ah, eu tenho a sensação que blockchain é uma solução em busca de um problema. Eu não coloco dessa forma. Eu acho que a gente tem uma assimetria de informação pelo momento que a gente tá. Quem conhece de blockchain não tá no dia a dia das empresas e dos negócios, e quem tá nas empresas que poderia trazer os cases ideais não tá, não entende como utilizar o blockchain. Então a gente tem uma simetria de informação que faz parte do momento em que a gente tá, e o que a gente trabalha é para fazer com que essas coisas se unam e converjam. E aí eu coloquei uma frase que a gente repete muito assim: não confundir o estado atual ainda, o cuidado e iniciar o desenvolvimento dessa tecnologia com a possibilidade e com o potencial que ela tem. Então, muito, muita calma entre dar os pesos e as medidas. É como a gente imaginar a internet lá atrás na década de 90, onde ninguém imaginava aonde ia dar, e as pessoas falavam: ah, é impossível, demora muito, internet discada. Tinha uma série de discussões que hoje parecem completamente malucas. A gente já viveu isso antes, a gente tem que ter um pouco de cuidado. Com um agravante de que a velocidade das coisas, eu não preciso dizer, é muito maior do que a gente vivia há 20 anos atrás. E por fim, um pouco do que a gente faz. O que a gente quer é aproximar as pessoas e empresas desse novo mundo. Para isso, a gente desenvolve uma série de soluções voltadas para o uso das criptomoedas e dos blockchains no dia a dia das pessoas e das empresas. Temos o meu contato, não quero gastar muito tempo com isso, a gente tem muita conversa pela frente, mas estou à disposição.
Muito obrigada, Juliana. Foi excelente aprender do teu ponto de vista como que, quão desafiador esse espaço realmente é, mas que também representa muitas oportunidades para a gente e os empreendedores do Brasil nesse espaço. Eu particularmente acredito que por causa dos problemas que temos no Brasil, nós temos então ainda maiores oportunidades e mais em quantidade de oportunidades também para as pessoas resolver esses problemas por meio de startups que alavancam tecnologias como blockchain, não necessariamente, mas quando cabe essa solução no problema que eles descobrem e querem resolver, né? Então, pessoal, vocês podem fazer todas as suas perguntas para qualquer um dos palestrantes aqui ao lado no chat, no meu lado direito. Eu vou também introduzir para vocês o meu colega aí, o Lloyd. Lloyd, levanta a mão, diz um oi para pessoal aí. O Lloyd também acontece ser um canadense perdido como eu aqui no Brasil e Estamos ajudando vocês aqui em fazer esse webinar. Então podem fazer suas perguntas. O Lloyd está coletando perguntas de todo mundo e no final, depois da fala dos palestrantes, a gente vai fazer uma sessão de Q&A e tentar responder todas as perguntas. Alguém perguntou ali que não podia ver todos os slides da Juliana.
Então não se preocupe.
A gente vai enviar os decks para todo mundo depois também. Então agora vamos para nossa segunda speaker, second but not least, né, o nosso grande amigo Carla Morim do Blockchain Research Institute. Vai lá, grande cara!
Ok, deixa eu compartilhar minha tela aqui. Vocês me avisam se der aquela tela infinita, né? Tá aparecendo a minha apresentação aí?
Sim, está aí, dá para ver.
Então vamos lá, eu vou fazer uma Uma complementação do que a Juliana tá falando, basicamente porque a gente tem uma visão sobre a adoção do blockchain, é esse nosso trabalho de desmistificar um pouco algumas coisas antes de entrar na parte absolutamente técnica. O que a gente diz, e a gente parte do princípio que inovação não é a tecnologia, Mas ela é a mudança cultural que isso vai produzir, né? Isso o Marshall McLuhan falava lá atrás e a gente, eu fui introduzido a esse tipo de pensamento na época que a gente estava trabalhando com organizações em rede. Obviamente a gente acredita que o blockchain vai ser o grande protocolo, né? A grande base, a fundação da inovação, das novas tecnologias. E é ele que vai permitir que tudo isso que tá vindo aí se materialize, né? E ele, como essa internet de valor e transmissão desses ativos todos, permite que a gente acabe com intermediário. Mas não acabar com intermediário a ponto de falar a vida não vai ter, né? Vai necessitar uma ressignificação desse intermediário, vai ressignificar o cartório, o banco, universidade, a forma como a gente trafega esse tipo de coisa. E começa, né, já entrando um pouco no que a Juliana falou, né, a gente tem uma grande resistência pelo que tá acontecendo por um problema de desinformação. Então quando a gente fala em criptomoedas, e efetivamente criptomoedas carregam estigma que foi erroneamente criado pela mídia, porque precisa do sensacionalismo, do Silk Road, daquelas coisas, você perde a visão dos papéis que esse criptoativo na verdade poderia ter, não só de moeda, mas de equity, de security, de produto, e tantas outras classificações que estão aparecendo, né? Às vezes meio batido fica essa discussão do que é centralizado, o que é descentralizado, mas o que acontece é que o blockchain é uma tecnologia que permite uma organização de um formato, de uma topologia distribuída, onde você não tem um centro, onde você não tem um responsável. E as empresas e toda a nossa educação é baseado na criação de organizações descentralizadas, onde a gente tem múltiplos níveis. Eu falo em governo, eu falo em prefeito, falo em deputado, falo em senador, falo em governador, falo em deputado de novo, falo em presidente. Eu falo em educação, eu tô falando professor, coordenador, diretor, reitor, né? Eu, a gente ainda monta os nossos modelos de negócio de forma onde a gente há algum nível de centralização e a gente vai ter que mudar isso. A gente tem que entender e começar a desenvolver modelos distribuídos. A gente precisa ter uma visão onde a gente mantenha a eficiência de sobrevivência, de fazer as coisas certo, maior produtividade, menor custo, menor uso de recursos, mas a gente vai ter que começar a colocar eficácia. Nós vamos ter que fazer as coisas certo, vamos pensar em evoluir. Nós temos que pensar em modelos de negócio mais inclusivos, né? A evolução e a sobrevivência juntas que vão nos dar prosperidade. A eficiência no blockchain vem o que a gente tá vendo aí, esses POCs, esses projetos que estão aparecendo. Você tá reduzindo o custo de pesquisa, custo de contratação, custo de coordenação, custo de estabelecimento de confiança, que na verdade isso vem desde a teoria da firma, 1930, Ronald Coase, que falava: a firma serve para reduzir custo de transação. Eu não preciso... a faculdade de administração mostra isso fácil. O que não mostra é o que a gente fala da eficácia. Como é que a gente faz modelos de negócio que sejam inclusivos? Que eu não precise definir um público-alvo e eu consiga massificar de forma personalizada a prestação de serviço? Que eu possa ter diversidade que eu possa ter exponencialidade, que eu possa chegar num conceito de abundância, que não é eu acumular recursos para eu ter guardado no meu estoque, mas sim eu contratar acessos que me deem aquilo que eu quero, na quantidade que eu quero, no momento que eu preciso, né. E aí eu trago alguns exemplos. Por exemplo, em energia distribuída, onde a gente sai de estruturas centralizadas de grandes usinas para estruturas distribuídas com painéis solares ou com turbinas, aonde o próprio consumidor é consumidor e produtor. O blockchain pode, por exemplo, criar um solarcoin que ajuda a financiar a instalação dessas usinas, essas estruturas de forma distribuída, onde eu não preciso de uma grande distribuidora, de uma grande produtora, e eu consiga fazer isso pelo público em geral. Em logística e supply chain, eu tô falando em usar o blockchain para manter um estado da rede. Internet das coisas e inteligência artificial, aonde eu posso ter a participação do ser humano apenas no design de uma cadeia, e o resto tudo isso é feito de forma automática, controlado e negociado por meio dessa tecnologia. E hoje o Walmart tá conseguindo fazer isso. Ainda não chegou na distribuição, mas ele já chegou no caso real, que em um ano isso vai estar apresentando resultados que vão poder ser compartilhados. Eu tô falando de indústria 4.0, Você distribuir a produção e não centralizar. Em vez de você ter uma grande fábrica na China, nós estamos falando em máquinas que vão produzir localmente, impressoras 3D. E a gente tem um estudo que hoje peças de avião já são impressas no local de manutenção e não numa grande fábrica em algum lugar do mundo. E a gente vê pequenas iniciativas acontecendo, Essa aqui é um caso de uma startup brasileira até, que está produzindo uma máquina que faz cerveja e você distribui a receita por meio de um aplicativo, permitindo que em qualquer comunidade você possa ou ser o criador da receita, ou ser o produtor da cerveja, ou ser o revendedor. Se a gente faz isso com cerveja, a gente também faz isso com cosméticos. Isso aqui é uma rede que já está fazendo isso há pelo menos uns 2, 3 anos. É o Leandro, um cara que a gente conhece, faz cosméticos veganos. Você pode ser um criador do cosmético, você pode ser um produtor de cosméticos, você pode ser um revendedor de cosméticos, você pode ser tudo junto. Não tem nem obrigação de você contribuir para a rede para fazer isso, né? Então são modelos de negócio que junta sobrevivência com a evolução, né? Nós estamos falando de modelos saúde que vão integrar desde a indústria, governo, instituições de pesquisa que podem utilizar o blockchain. Nós estamos falando de cadeias de varejo que vão começar a olhar o blockchain como forma de, de dar certificado de procedência nos produtos. E não só você criar produtos mais baratos, mas conseguir diferenciar o teu produto e cobrar mais por ele, né? Então eu acho que o blockchain traz para nós uma série de promessas que já estão começando a a ser testadas e é questão de tempo da gente ter isso como casos de verdade, casos de sucesso. Ele é muito novo para a gente chegar nisso. Eu tenho, até nessa apresentação tinha colocado, mas da gente falar um pouco sobre ICO, né? Mas eu queria deixar só essa ideia de que o blockchain passa a ser uma forma da gente poder, de forma responsável e distribuída, conseguir financiar as empresas, já que hoje o IPO não permite, né? E deixar só uma provocação: é óbvio que a gente sabe que pode falhar, é óbvio que a gente sabe que tem um problema, que tem problemas que virão aí, mas eles estão listados, né? Eu não gosto de falar de problema, eu gosto de falar de solução. Eu gosto de citar esse cara que falava A gente escolheu ir para a Lua não porque é fácil, mas é porque é difícil. E quando a gente faz isso, a gente chega num novo patamar. Se a gente conseguir fazer essa mudança de paradigma do descentralizado ou do centralizado para o distribuído, mudar nosso modelo de negócio, mudar a forma como a gente enxerga essa tecnologia, a gente cria esses modelos, a gente vai poder fazer essa transição. Óbvio, mudança de paradigma envolve deslocamento, conflito, confusão, incerteza, né? Principalmente em quem tá lá. O inovador é sempre um grande traidor, é o cara que incomoda a empresa, é o cara que chega nos processos estabelecidos e fala: olha, vocês estão todos errados, olha, vocês não sabem o que vocês estão fazendo, né? O traidor é sempre o chato, né? Mas hoje a gente vê as empresas inovando fora do das suas sedes, né? Você tem os grandes espaços, os cubos, os habitats e todas essas estruturas que estão permitindo inovação e quando ela se comprova, isso é internado pela empresa. Então o que a gente vai ver é: sim, nós estamos aí na década de 90, mas hoje a gente já tem a infraestrutura, a gente já tem a tecnologia, falta é a mudança de mentalidade. A mudança de mentalidade tá vindo. Quer dizer, quando a gente vê um prédio de 10 andares fora da Cidade de Deus recebendo startups, recebendo, discutindo blockchain, ainda não discute criptomoeda, mas já discute alguma coisa, a gente sabe que bancos e grandes instituições estão caminhando numa direção que não é só resistente. Então a nossa missão agora é: como eu faço isso de forma que eu incentivo essa mudança de paradigma, na verdade. Essa é a missão que a gente tem seguido lá no Blockchain Research Institute aqui no Brasil, principalmente. A gente tem alguns projetos que a gente desenvolveu, o principal dele é o primeiro ICO de verdade no Brasil e a primeira DAO que a gente fez aqui no Brasil para tradução do livro do Don Tapscott e para outros negócios. E agora, até por tanta insistência do Courtney, nós vamos começar a fazer uma metodologia disso e começar a levar isso para que possa ser replicado aqui e depois no mundo. Então era essa mensagem que eu queria colocar e colocar à disposição de todo mundo para a gente conversar um pouco mais a respeito Muito bom, Carl.
Muito obrigado, Carl. Pessoal, Carl Amorim de novo do Blockchain Research Institute, uma instituição que começou lá no Canadá e agora está em vários países no mundo. O Carl é representativo aqui no Brasil da entidade e fica à disposição. Carl, nós podemos também compartilhar o seu slide deck depois? Pois, certo?
Sim, claro, claro, não tem problema.
Pois a gente vai mandar um e-mail para vocês na sequência. Na sequência a gente vai enviar um e-mail para todo mundo com um link de webinar gravado no YouTube junto com os slides textos de todo mundo, inclusive o meu, que acredito que não foi visível para vocês, né? Então pelo menos me ajudou a ler tudo certinho com meu português fortinho. É, vamos, vamos para a próxima. Antes do que, antes do que a gente demorar muito mais, vamos para a próxima. Nosso grande amigo aí, o Courtney Guimarães, o Courtney Cognochain Guimarães, né? Courtney, como o Chapéu Bonito de Crocodile Dundee, como Juliana destacou mais cedo, está aqui pronto para a gente Direto do Nordeste do Brasil.
Obrigado, boa noite. Vocês estão me escutando bem?
Sim, estamos.
Ok, obrigado, gente. Eu tô meio refugiado aqui na Bahia, tô com um problema pessoal e tô conectado graças a uma míride de tecnologias. A principal delas é um quarto escondido longe das crianças. Propostalmente me deixaram por último, né? Eu tô aqui à base de café e rapadura. Já que estou na Bahia. E eu tenho uma boa notícia para todos os empreendedores, mas é a notícia mais apavorante que eu posso dar para qualquer um dos meus 30 anos de aventuras pelo mundo de tecnologia, né? Então nós estamos aqui num seminário gigantesco, Blockchain Masterminds, mas não tem blockchain ainda, infelizmente, para quem botou o título do seminário. E essa é a melhor notícia dos empreendedores, né? Eu tanto acredito nisso que eu tô apostando a minha reputação, eu tô começando um doutorado lá na USP, que é uma das coisas mais estranhas que eu já pensei em fazer na vida, porque é um doutorado dentro da escola de medicina, então imagina como vai ser essa coisa. Mas basicamente, como a Juliana falou e um pouquinho o Carl também, a gente tá vivendo uma época de explosão cambriana. A gente já viveu isso em outras épocas, pegando um pouquinho da da velhice da Juliana, vou pegar o meu lado astrolopteco para dar uma pequena aula de história. Nos anos 70 existiam mais ou menos 700 fabricantes de uma coisa chamada personal computer, e nesses fabricantes você tinha desde ratoeiras que davam choque até coisas interessantes, né, nascidas em 77, 78, 79, que a gente nunca mais ouviu falar: Sinclair, Commodore. E hoje a gente convive, e eu tô usando o tatará, tatará, tatará, tataraneto desse cara, que é o Macintosh ou Apple I, né, que nasceu lá em 77. Eu tô conectado aqui com vocês via um iPhone. E a gente tá vivendo a mesma coisa hoje que a gente viveu depois da era dos PCs. A gente viveu a época da conectividade. Então, para quem não lembra, antes da internet existia o Alexander Mandic, as BBSs, né. Depois veio a internet sem browser, que também as pessoas não lembram, mas que era assim. Aí veio a internet com browser, mas que não era os browsers que a gente tá acostumado hoje, que são lentos, etc., que bisbilhotam as vidas. Depois vieram as.coms, depois vieram duas gerações de mobilidade, uma com iPhone e outra sem o iPhone, né? E depois vieram as benditas plataformas, que todo dia tem um nome diferente, né? Na plataforma social, agora economia compartilhada. E o blockchain nos traz, né, no dia que ele existir, o que a gente chama de economia pós-plataformas. E que diabos é uma economia pós- mas por que que isso interessa tanto a empreendedores? Porque nunca na história da humanidade transferir riqueza foi uma coisa tão fácil, né? Eu acabei de mandar para vocês aí um link que saiu hoje, inclusive, fortuitamente, que é o estado do mercado de uma empresa chamada CoinDesk, onde tem lá 110 páginas de coisas interessantes sobre que diabos nós estamos vendo no mercado. E esse estado do mercado, que já é publicado tem uns 4 anos, né, uma das coisas que me trouxe para blockchain, ela traz Carolário de uma grande distorção. A primeira delas é que o Estado do Mercado passa a primeira parte dele falando do Bitcoin. Isso quase 10 anos depois do Bitcoin tá nascido, vivido, crescido, com netos do caramba, 4. Então, se o Estado do Mercado começa pela criptomoeda, tem um fator preponderante por isso. E o primeiro fator preponderante é que tudo que veio depois do Bitcoin— e eu não sou Bitcoin maximalista, tá, gente, eu acho que o Bitcoin mais cedo ou mais tarde vai morrer, vai ser substituído por uma coisa bem interessante, assim como aqueles PCzinhos lá dos anos 70. Depois do Bitcoin, tudo que nós temos são tentativas, e tentativas muito fermentadas, né? Tudo que eu falei agora sobre as eras da inovação, as eras glaciais, as eras paleontológicas que a gente viveu nos últimos 30 anos, o Marc Andreessen também falou lá em 2014 num artigo seminal, onde talvez tenha sido ali o grande, o grande fermento inicial do hype ao redor do termo blockchain. Ele falou: olha, teve internet, teve o PC, teve isso, e agora Nós temos o blockchain. E em cima disso, a primeira grande coisa que o empreendedor pode ter olhando para essa tecnologia tão embrionária realmente chama-se funding. Nunca foi tão fácil e essa coisa não diminuiu, né? O pessoal fala muito: ah, estourou a bolha das criptomoedas, o afã, a especulação acabou. Mas esse semestre o mercado de captação pegou a singela quantia de 14 bilhões de dólares. Ou seja, esse ano já se captou quase 3 vezes mais do que foi captado no ano passado inteiro. Vamos tirar duas grandes distorções aí, três na verdade, né, que é a história lá da Venezuela, uma empresinha chamada EOS e o ICO do Telegram. Mesmo assim, né, são números bastante significativos. E em cima dessa questão de funding, existe todo um arcabouço regulatório ainda a ser desenvolvido, principalmente aqui no Brasil, mas existem também possibilidades que qualquer empresa que já tem um produto, principalmente produto eletrônico, um produto digital pronto, pode basicamente vender esse seu produto com desconto. Literalmente faz um cupom de desconto, que é o que a gente chama de token utilitário, token do consumidor, e vende esse negócio na internet em escala global e rapidamente consegue uma quantidade, eu diria, bastante expressiva de funding para tocar sua empresa. Os ICOs mais modestos que a gente tem visto nessa linha captam entre 2 a 3 milhões de dólares muito fácil. E essa é a primeira grande mudança. Empreender deixou de ser aquele bootstrapping miserável de sair batendo lata, ouvir 200 não de 300 VC diferentes e 400 coisas para você ter esse canal mais democrático. E ele começa numa maneira muito, muito comum aos brasileiros, que é a famosa vaquinha, né? Então o crowdfunding, se você conseguir provar para todos os reguladores do mundo que você não tá fazendo nada errado, funciona, e funciona direitinho. Tem muita gente fazendo isso em vários lugares do mundo. Mundo. E finalmente, quando a regulação tiver bastante madura, e isso eu acho que é uma coisa que ainda vai demorar bastante, você vai poder fazer os seus processos de IPO, ou seja, abrir seu capital de uma maneira bem mais transparente nas redes criptográficas. Eu acho que isso ainda demora bastante, né, demora bastante em termos blockchain, pode significar de 6 meses a 5 anos, a gente nunca sabe, mas é uma coisa que depende muito dos nossos queridos amigos reguladores, e isso tem se mostrado ainda meio tumultuado mundo afora. A segunda grande coisa, que o Carl falou bem rapidamente, mas que a gente vivencia muito no dia a dia, é uma grande revolução de modelo de negócio. Pensar em rede, ele tem um efeito muito curioso. Ele, ao mesmo tempo que ele diminui a expectativa de fazer milionários ou bilionários, por assim dizer, ele cria elementos de valor muito mais rapidamente e de uma maneira muito mais abrangente. A Singularity University nasceu com a história da exponencialidade e dos bilionários, né, que afetaram 1 bilhão de pessoas. Então esse modelo em rede permite que você atinja esse número mágico de 1 bilhão de pessoas de uma maneira muito mais rápida e muito mais impactante. Então tudo que a gente ouve falar sobre a China, do WeChat, do Tencent, da Alibaba e etc., qualquer pessoa no mundo pode ter isso, desde que ela consiga fazer o santo grau de de criar essa plataforma blockchain de uma maneira bem estruturada. E isso nos leva a viver talvez uma das poucas eras da humanidade onde a disponibilidade de ferramenta se junte de uma maneira muito íntima com a disponibilidade de capital, em uma métrica que até 5 anos atrás parecia absurdo a gente tá falando isso. Nós temos tecnologia de sobra, capital de sobra para fazer praticamente qualquer coisa empresarialmente que a gente queira. Ou seja, o melhor tempo do mundo para ter startup, é o melhor momento do mundo para você empreender, porque os recursos básicos nunca foram tão fartos. E aí vem a terceira coisa que o blockchain está nos trazendo nesse período embrionário, que é o impulso para você literalmente empreender. Porque com o lado da destruição dos empregos, ou pelo menos dos empregos como a gente conhece hoje, que essa miríade de tecnologias está trazendo, se você não empreender, basicamente em 5, 10 anos você não vai ter renda. Você vai sobreviver de renda doado, alguma coisa assim. E essa possibilidade que os negócios em redes nos trazem. Finalmente, last but not least, no meio dessas ondas de revolução que estão vindo por aí, existe a probabilidade de você criar realmente o blockchain. São hoje quase 800 projetos que existem no mundo, e dentro desses projetos ainda não existe um vencedor. A gente compete em termos globais temos globais com grandes economias como a China, que tem bilhões investidos e milhares de pessoas com doutorado, etc. Só uma pausa, gente. Vocês vão passar por um momento exatamente igual aquele professor inglês, né? Isso aqui, ó, alfa 1 e alfa 2, né? Como eu disse, eu tava tentando ficar refugiado aqui. Só uma rápida pausa. Isso porque tinha uma jaca inteira que elas estavam distraídas. Acabou a jaca, elas vieram invadir aqui. Então, basicamente, quando a gente compete com esses laboratórios da China, a gente entende que existe uma premência muito grande ainda de se criar este blockchain. E aí eu vou me referenciar uma casa que eu trabalhei muito tempo atrás, que é a Oracle, onde o Larry Ellison, quando ele criou a Oracle, ele já tinha 43 ou 42 anos. Anos e já existia uma indústria estabelecida de bancos de dados e tava simplesmente nascendo banco de dados relacional. E ele e os sócios ficaram procurando a grande aplicação disso até que acharam e a Oracle hoje é uma das maiores empresas de software do mundo. Então por que que ele foi criar banco de dados na época que já existia o domínio do DBM, já existia o domínio de processamento e tudo mais? Porque o paradigma de negócio mudou e o paradigma de negócio é o que driver uma nova tecnologia e não o contrário. E qual é o paradigma de negócio que está mudando hoje? Nós estamos aqui, se eu não me engano, somos quase 200 pessoas, deixa eu olhar o número aqui, são 144 pessoas, cada um conectado num canto, tentando aprender um pouquinho sobre isso, e dentro dessas perspectivas, cada um está usando um meio de se conectar. Esse tipo de lecture anteriormente a gente só faria num seminário a 2 mil dólares por cabeça, num auditório pomposo, todo mundo sentado bonitinho, etc. E é o que mais se faz hoje, esse modelo de colaboração que ao mesmo tempo ele cria valor para a rede e destrói valor para acumulação individual, ele é uma nova forma econômica. E essa nova forma econômica é que vem drivando nos últimos 10 anos que exista uma tecnologia que nos traga a garantia de que essas trocas em redes acontecerão. E aí, quando eu falo garantia, eu não tô falando só de remuneração, não. Eu sou o Curtin, eu tô aqui fisicamente no vídeo, mas se eu não fosse, o meu avatar digital, ele teria que ter a capacidade de se autoprovar se preparar para toda uma série de transações e experiências em redes digitais. O meu carro tem que se provar daqui a pouco que ele é ele mesmo. Quando a gente tiver carro autônomo, carro elétrico, etc., isso vai gerar uma série de novas questões que, se essa tecnologia nova não tiver pronta, madura, escalável, à prova de falhas, a gente não vai conseguir responder. E dentro disso é que as mentes mais brilhantes que eu já tive a sorte de conhecer na minha vida estão trabalhando. Isso é blockchain, são literalmente milhares e milhares de gênios em todos os lugares do mundo dominando várias disciplinas extremamente complexas, né, das quais eu muito humildemente não tenho nem como dominar nenhuma delas. E você pega lá os avatares como Vitalik, etc., esses caras são ultra mega super gênios. Momento professor inglês de novo, pessoas aqui atrás, gente, tchau! Você vê, 3 crianças pequenas com menos de 5 anos dá nisso, né? E aí quando a gente começa a olhar a catalisação que essas mentes estão tentando criar, elas vislumbram esse novo modelo econômico e criam tecnologias ainda em beta. E é esse momento que a gente tá vivendo. Então nunca foi tão impactante ser empreendedor, nunca foi tão fácil em termos de recursos. E recursos não são, não são só recursos financeiros, né, recursos tecnológicos, você conseguir pegar uma lista de discussão como Reddit e achar 290 mil especialistas sobre qualquer tópico que você queira desenvolver, fóruns abertos, comunicação, gente para trocar ideia 24 horas por dia. Nunca teve muito recurso. Só que qual é o carolário? Nós estamos no momento de muito pouca criatividade. Pela primeira vez na história, a gente não pode fazer uma inovação sem que ela seja disruptiva, porque desta vez a disrupção tá vindo do próprio ecossistema humano. Esse ecossistema em rede, esse ecossistema global de transparência total, de comunicação aberta, e de uma necessidade que exija uma distribuição da criação e da remuneração dessa criação de uma maneira mais equânime, sem de ser socialista, chegou no ápice tão grande que essas mentes brilhantes vão criar isso. E aí, voltando ao meu primeiro tema, o porquê que hoje a gente tem esse boom de ICOs? Porque lá atrás um bando de gente anônima, voltando à questão do Bitcoin, criou uma ferramenta que se ultra super mega hiper valorizou no ano passado. Então, do nada, foram criados mais ou menos 400 bilhões de dólares em valuation, e muita gente vendeu esse, esse esse valor em dinheiro real no final do ano passado para investir em startups esse ano. A criação de Ethereum veio de gente que já trabalhava com Bitcoin, e o próprio ecossistema de Ethereum, que tem hoje uma capacidade de investimento muito grande, retroalimenta quase 1.400 empresas que estão tentando criar suas aplicações, as famosas fintechs. E o próprio Ethereum ainda é um produto beta. Esse efeito cíclico e esse efeito de retroalimentação é como se a gente tivesse falando de um efeito de rede ao Você tem a rede e a rede retroalimenta novas redes dentro delas mesmas. E esse efeito em rede é que é a grande revolução social, política, econômica e, por que não dizer, demográfica que tá arrastando esse movimento de inovação tecnológica ao redor do blockchain. Então, se alguém tinha medo de empreender, pode perder o medo. Dinheiro tá fácil, tecnologia tá fácil, gente tá bem difícil, e principalmente criatividade nunca foi tão difícil. O que quer dizer para o empreendedor que se ele acertar a veia depois de errar mil, como fazia o Thomas Alva Edison, ele vai acabar muito bem nos próximos 200 anos da vida dele. Basicamente era isso, gente.
Muito bom, concordo, Gênero, no mil grau que você falou. A turma espera que a gente brigue, né?
Tem que brigar, é Zero treta, gente, temos crianças na sala.
Eu acho, mas eu concordo com, eu concordo com o Kurt, né? Hoje eu tava conversando e eu me deram a espetacular notícia que tem 85 novas exchanges abrindo no Brasil, como se a gente não tivesse nenhuma. É a falta de criatividade, é boçalica, né? Porque a gente só consegue pensar nessas pequenas coisas e se replicar modelos de negócio do passado, né?
Mas eu boto um adendo aí, eu concordo com você, eu acho que tem uma falta de criatividade e é meio que do ser humano ver o dinheiro, que é o dinheiro rápido, né? E talvez a ponta da exchange seja a que mais traduz isso tudo. Por outro lado, eu vejo também a necessidade de uma nova geração de aplicações, das mais diversas, inclusive das próprias exchanges, visto tudo que a gente tem presenciado, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, de hackings. As plataformas já não atendem ao que as pessoas querem, e aí tá todo mundo tentando achar um um novo modelo. Então concordo com você, mas eu boto também esse adendo. Eu acho que o mercado também vai passar por essa depuração, né, de plataformas cada vez melhores, soluções cada vez melhores, enfim. Mas eu tô com vocês no quesito falta de criatividade, essa é uma verdade.
O darwinismo é bom por isso, né, ficam os mais adaptados e e vamos procurar outros modelos. Mas primeiro a gente vai ter que fazer essa transição cultural para organização em rede, para essa exponencialidade que o Raymond Kurzweil chamava da lei dos retornos acelerados, a hora que o efeito em rede dá dupla exponencialidade nos modelos de negócio.
Eu gostei muito da sua fala, em especial quando você fala da questão cultural, E para a gente que tá empreendendo nesse mundo e tentando achar as coisas talvez mais criativas, por outro lado a gente tem contas para pagar. Como startups, a gente tem salários para pagar e folhas para pagar e cash flows e investidores que querem ver a sua projeção de fluxo de caixa e coisas do tipo. É sempre um exercício muito curioso. A gente tá sempre olhando o que que a gente acredita para tecnologia vis-à-vis o que, o que a cultura vigente nos fala, né? E sem dúvida eu acho que o blockchain traz essa disrupção cultural, é uma disrupção de pensar global, é uma rediscussão da propriedade, é uma discussão sobre a confiança. A gente vive mundialmente numa crise de confiança muito grande, muito grande, o dinheiro de investidores e o dinheiro de uma forma geral tentando achar novos caminhos por onde correr, já que a economia vigente parece caducar. Então a gente vê toda essa efervescência e isso em última instância afeta as pessoas culturalmente de uma forma muito forte, né? E a gente às vezes observa no nosso exercício de desenvolver soluções que mudem o status quo, que existe um caminho a ser percorrido entre o que a tecnologia permite e o que as pessoas estão dispostas a abrir mão. Então, uma coisa que se fala muito, pegando o gancho do Bitcoin, das criptos, é o pânico que as pessoas têm em lidar com as chaves criptográficas, com a segurança nesse ambiente, com a propriedade disso. E se eu perder, o que vai acontecer comigo? O que vai acontecer com meu dinheiro, ele vai sumir, vai, vai sumir. É uma nova, é uma nova cultura que precisa ser criada, que eu não tenho dúvida que vai ser criada. Agora, o tempo que isso vai levar e a forma como isso vai evoluir, eu acho que são as cenas dos próximos capítulos. Mas como o Kantner falou, próximos capítulos breves, né? As coisas são muito mais rápidas do que a gente imaginava. Esse final de semana eu tava com meu pai, ele dizendo: esse Esse negócio de blockchain me deixa um pouco reticente porque são muitas siglas diferentes, são muitos nomes diferentes, são muitas palavras. Mas engraçado, você já prestou atenção que você já aprendeu o que é Wi-Fi, ADSL, 4G, tudo isso nos últimos 10 anos? Você vai aprender outras, não se preocupa.
E a gente vai começar a aprender a esquecer.
Papai gosta muito desses blockchains aí, né? Ela vê livro, viu, falando, vê essas coisas e tal.
Mas esqueceu, né?
Que que o pessoal tá perguntando aí, que eu tô curioso, né? Saindo do nosso trio aqui, eu gosto de perguntas.
Eu tava falando aqui que eu gosto de perguntas.
Vocês me permitem? O Lloyd está coletando perguntas que vêm por meio de chat e também por outros canais. Daí eu vou perguntar para vocês e vocês podem responder. Sim, vamos lá. Lloyd, você já tem populado algumas perguntas aqui. Eu vou começar com uma primeira pergunta que surgiu durante a talk da Juliana. Todos vocês podem responder, um de cada vez. Todas essas perguntas basicamente não são direcionadas especificamente a ninguém, mas sim a todos vocês. Então, o Dair Machado, ele pergunta E ele fala que eu fiquei surpreso em ver que o blockchain está sendo considerado na maioria das fintechs, mas considerando o custo no desenvolvimento, aonde acreditam que realmente o blockchain é imprescindível? Então, essa Juliana pode começar, começa, porque surgiu essa pergunta na tua fala lá. Daí das outras podem também perguntar por que, enquanto custa tanto desenvolver Primeiro, eu faria a pergunta: será que custa mais desenvolver em blockchain ou outro formato de solução para estabilizar qualquer tipo de rede? Ou, e também, se custa mais, por que investir nela?
Vamos lá, essa é uma pergunta tricky, né? Ela é uma pergunta curiosa. Eu vou remeter para a história de que Blockchain não é o xarope para todas as doenças. E aí eu acho que os maiores problemas em relação a custo de desenvolvimento, é difícil, é custoso, é ou não é, eu acho que depende da aplicação que está falando. Obviamente eu acho que existem aquelas aplicações que são matadoras, por exemplo, cross-border payments, nada mais eficiente do que fazer pagamentos cross-border que são entre países internacionalmente. Do que usando blockchains. Por outro lado, se você quer fazer uma aplicação interna, se você não tá preocupado com a transparência, se você não tá preocupado com esse efeito rede, com esses novos modelos de negócio que a gente falou aqui, se você quer continuar fazendo o mesmo modelo de sempre e só colocar isso no blockchain, de fato você vai ter aí uma inconsistência e incongruência. Você vai tentar tentar encaixar um triângulo num retângulo e vai ficar esquisito. E aí é muito menos uma questão de custo e muito mais uma questão de mau uso da tecnologia. Não vai servir para o que você quer, no final das contas você vai ficar frustrado. Eu já tive muitas reuniões onde as pessoas disseram: mas eu quero usar blockchain. Bem, se você quer usar como PR, né, como marketing, imprensa e tal, pô, a escolha é sua. Mas será que o que você tá, você não tá preocupado com transparência, você não tá preocupado com transacional, você não tá preocupado com efeito em rede, você não tá preocupado em ter um tracking, por exemplo, de um supply chain, como foi um case que o Carl mandou. Você vai usar blockchain em que sentido, né? Então eu acho que não, não é custoso desenvolver, não é esse bicho de 7 cabeças. Ele é sim um bicho de 7 cabeças quando você tenta encaixar ele no modelo antigo. Aí ele vira um bicho de 7 cabeças. Fora isso, eu sou adepta, né?
Eu acho que é um problema de matemática, um problema de saber fazer conta, um problema de cálculo de custo, né? Se você usar, se você olhar o custo do desenvolvedor, talvez desenvolver em blockchain seja mais caro porque tem pouco desenvolvedor. Então você tem uma maior demanda no mercado para Cara, mas e o resto? E você não ter que investir num banco de dados centralizado? E você ter processos distribuídos? E você ter uma maior eficiência nos custos de transação de ativo? Eu, em 2010, nós fizemos um projeto, governo de Minas Gerais, onde a gente montou uma rede de mais de 150 mil pessoas. E toda vez que entrava na distribuição financeira eu tava faltando fluxo de receita por conta dos custos bancários, o modelo de negócio ruía. Então não interessa quanto custa desenvolver, se eu conseguir conectar 150 mil pessoas que estão negociando entre si, produzindo, consumindo, vendendo, todo mundo junto com fluxo financeiro de micropagamentos, não tem preço Negócio desse, e qualquer economia que você tiver para um modelo centralizado vai ser destruída pela necessidade de você ter uma infraestrutura piramidal e hierárquica com custos bancários e com custos absolutamente proibitivos, que o que você que você ganhou, né, economizando no desenvolvimento, você vai gastar no modelo de negócio e não vai ser sustentável. Então, usar o blockchain é um negócio que você tiver os processos certos e o modelo de negócio certo, ele sempre vai ser mais barato do que você optar por uma solução centralizada. Mas depende do modelo de negócio, depende dos processos que você trabalhar.
Eu diria o seguinte, hoje neste momento, a não ser fazer uma empresa nova e muito provavelmente fazer um blockchain novo, é uma grande escola. O grande retorno do blockchain hoje é aprendizado. Todos os projetos que eu vi nos últimos 18 meses, que é quando eu tô mais à frente de projetos tentando fazer alguma coisa, são grandes laboratórios. E aí os maiores laboratórios são os protocolos, A gente olha o Ethereum, os que eu mais gosto, Cardano, EOS, etc., são laboratórios sobre como construir essa plataforma nova. Quando a gente vai para aplicativos, tirando aí os nossos queridos cripto-quiris, as coisas não têm lá muita fecundidade, né? A gente fica tentando botar coisinha triangular em buraco octagonal e isso não tem visto muito sucesso no mercado. E aquilo que eu A gente tem muita tecnologia disponível e muito pouca criatividade. E o último fator que eu vejo, pelo menos das coisas que eu tenho levantado, é que as pessoas confundem que você ter uma aplicação matadora em rede é uma aplicação nesse tal desse blockchain, e não é verdade, né? Tanto não é verdade que a gente tem hoje uma aplicação matadora numa tecnologia de quase 30 anos, que a internet, chamada Uber, e o modelo de negócio Uber deveria ser o primeiro a ser impactado e disruptado pelo blockchain, que é literalmente uma rede de motoristas, uma rede de pensadores, de passageiros compartilhando um serviço. Então isso na teoria seria literalmente a killer application para qualquer plataforma de blockchain. Pergunta idiota que ninguém tem resposta. Por que que não foi feito ainda? Por que que os motoristas do Uber pagam 30%, 35% do seu faturamento? Segmento ao Uber, sendo que Uber não agrega absolutamente nada de estratégico no negócio. Não tem nenhuma barreira de entrada para você fazer 700 modelos iguais ao Uber, simplesmente por uma questão chamada execução. O cara foi lá, montou o site, executou, fez uma mega estratégia de marketing, cadastrou todo mundo e o pessoal tá lá dentro. E aí, uma vez que o pessoal esteja lá dentro, o pessoal não muda. O lock-in effect das redes, principalmente nas redes de serviços utilitários, milionários. É uma coisa absurda. Nós somos absolutamente cristalizantes nos nossos hábitos de consumo digital. É por isso que a gente é viciado em Facebook, por isso que a gente é viciado em Twitter, por isso que a gente é viciado em Uber. Tem Uber, tem Cabify, enfim, tem 790 mil aplicativos. Qual que você usa?
Uber.
Por quê? Porque tá lá o aplicativo, entra motorista, bluf, entrei. Por que que o motorista, que é o cara mais impactado por tudo isso, continua pago, por que que não teve uma revolta gigante geral? Por que que os motoristas não pegaram os filhos deles, né, que na verdade são os geeks, botaram para programar de uma maneira coletiva o tal do Arcade City, que é a plataforma que você serviria para isso? Uma vez que só de número, como falou o Carl, sumiria 30%. Ninguém sabe. E a minha resposta é muito simples: natureza humana. A natureza humana é uma natureza biologicamente predatorial. Tem que ter um leão correndo atrás de mil gazelas todo dia de manhã, como diz Aquele provérbio africano, enquanto a gente não sair dessa história de um predador e mil vítimas, acabou, acabou. A gente não vai conseguir criar a killer application. Enquanto a killer application não for preeminente, não for dominante, não vai existir a killer technology platform. E é por isso que a gente não tem um blockchain. Voltando à estaca zero, qual foi a grande killer application do Bitcoin? Ponto zero, fazer uma coisa que nenhum governo permitia, tá? Ia ser o que não deixa a gente mentir. Ponto 2: ganhar dinheiro deslavadamente rápido, estupidamente, sem o menor fundamento, e de uma maneira que até vovozinha ficou interessada. Tá aí as matérias de Fantástico de novembro e dezembro do ano passado. Isso é real? Não, isso é surreal, como diria lá o surrealista. Estourou a bolha? Estourou, graças a Deus. Voltou de novo esses últimos dias, mas eu acho que a gente não vai chegar nunca mais a ver Bitcoin a $21.000. E para mim, se cair para $1.000, estaria seria mais do que suficiente. O próprio Carl é testemunha, esteve no evento do ano passado. Quanto vai valer o Bitcoin daqui a 5 anos? A 100 mil, 200 mil? Ele vai valer zero, porque esse negócio não tem fundamento econômico, esse negócio tem um fundamento especulativo. Quando o fundamento econômico do Bitcoin encontra a realidade, ele vira o que ele nasceu para ser: uma killer application. Infelizmente, só tá acontecendo em situações de absoluta falência das instituições humanas. Tipo Venezuela, Zimbábue, Zimbábue, lugar onde tem gente morrendo, literalmente criança morrendo, pessoas morrendo de fome ou porque não tem remédio, etc. Aí sim, a única ferramenta inviolável, a única ferramenta à prova de falha, a única ferramenta que é à prova de governos corruptos, de qualquer outra forma de barreira, faz o que ela nasceu para fazer: ser uma transferência de valor, ser a contabilidade perfeita lá que o Kiko fala, e acabou. Quantas outras dessas aplicações existem? Existem nenhuma, porque as pessoas que realmente querem criar negócios em rede, elas não querem criar o negócio, elas querem criar a rede. E criar a rede é um exercício de desprendimento acima do budismo, é um exercício igual plantar tâmara. Vou plantar tâmara e não vou colher por um carolário.
Eu costumo dizer que é bíblico, né?
O único carolário dessa história é que o cara que mais conseguiu fazer isso virou bilionário. E aí o pessoal tá confundindo, né, aquela velha relação estatística de correlação ou de relação com causalidade. Ele ficou bilionário não porque ele quis, mas por um acaso do destino, porque ele tava na onda lá do hype da bolinha. E o que que tá acontecendo desde 2007? Todo mundo quis pegar o mesmo hype, virou literalmente o network effect do network effect acima do network effect da especulação. Quando isso aí baixar, e é o que aconteceu esse ano, a gente volta para aplicação. Qual é a aplicação? Ninguém sabe. Novamente, um velho e bom ponto: você quer usar blockchain? Para! Não tente usar blockchain. Nós temos 1400 tecnologias disruptivas que tem que ser usadas em conjunto com blockchain para fazer uma série de coisas. São 1400, todas elas no mesmo nível. Você quer fazer o quê? Ah, eu quero criar uma cooperativa educacional. Ah, eu quero criar um contrato para fazer mensuração de água poluída em todas as nascentes do mundo. Aí eu quero criar um aplicativo que o cara põe no celular dele, que ele consiga pegar a placa de energia solar da casa dele, vender esse excedente de energia. Se o cara morar numa favela em cima lá do morro do Rio, não tem nada para fazer, ele enche aquela tralha de placa de energia e vende energia solar para o cara que tá lá embaixo em São Gonçalo ligar ar-condicionado dele, ficar jogando videogame. Isso é aplicação. Quando você começar a pensar nesse uso, você começar a pensar nesse troço de maneira global e restrita, começando com um pequeno público de 1 bilhão de pessoas, aí a solução começa a cristalizar na cabeça. E tem uma outra coisa que é muito cruel: uma boa parte do que está sendo feito hoje no famoso universo dos blockchains abertos é open source. Então o criador, no frigir dos ovos, ele nem é dono da criatura. Ele cria o troço que nem a gente cria filho. Passou de um tempinho, os caras bateram, fazem porra, que viram outro projeto, muitas vezes muito diferente do projeto original. E quando a gente não consegue controlar, novamente budisticamente falando, o nosso ego não gosta muito disso. E o ego, para quem não sabe, é o primeiro motivador da criatividade. A gente não faz a coisa porque a gente se inspirou, tomou uma tequila, fumou, fez outra coisa. A gente se inspira porque o nosso ego precisa ser satisfeito. Isso aqui fui eu que criei. Tá aí o Steve Jobs, que é um dos maiores criativos indústria e tecnologia, que ao mesmo tempo é o déspota que deu certo. Um dos maiores egocêntricos, que são as biografias que falam isso. Mas era o cara mais criativo, porque ele acreditava no tacape dele. Ele falava: cara, eu não vim aqui para não deixar uma mordida no universo. Deixar uma mordida no universo, se não é o maior ego que eu já vi na minha vida, desconheço. O último cara que deu uma mordida no universo chamava Satanás, mordeu uma maçã, ou fez alguém morder uma maçã. Então esse tipo de coisa de pensamento em rede é que precisam mudar para que aí sim a gente tem uma série de coisas acontecendo. Qual é a boa notícia? Esse troço tá mudando, tá mudando em escala global, tá mudando inclusive em escala nacional. Nós temos um projeto aqui raríssimo, que é um dos poucos que eu ainda consigo dizer e bater palma, nem sei em que pé anda, mas a ideia dele é sensacional, que é o moeda.in de inclusão, que é uma menina, basicamente menina porque tem 20 e poucos anos, filha de cooperativado do sistema cooperativo fez lá o troço, captou 30 milhões de dólares para montar um troço para agricultura familiar feminina, de mulheres que trabalham com agricultura de subsistência. Olha que coisa, projeto brasileiro, aí, seu, feito na Suíça, metade da grana veio da China e vai ser desenvolvido aqui lá em Goiânia, aquela regiãozinha lá de soja. Enfim, onde tá todo mundo pobre, não é na Faria Lima, não é em Curitiba, não é em Porto Alegre, não é em no sertão. E isso sim é uma aplicação. Então você quer usar blockchain, amigo? Para, tá tudo errado. Não pensa por aí. Você quer resolver alguma coisa que vai impactar um monte de gente, vai criar uma rede, vai criar valor, vai permitir que a galera que tá, os 99%, deixa a gente ser 99%, tem tecnologia de sobra e tem ideia de sobra.
É isso aí, muito obrigado, pessoal. Então eu vou adicionar o two cents do do Founder Institute sobre isso. Primeiramente, se você é um empreendedor que tem um problema que você quer resolver, onde esse problema não está sendo bem atendido no mundo atual, e acontece que a solução que resolveria esse problema alavancaria ou precisaria de tecnologia de blockchain, daí sim, com certeza vale a pena para você explorar essa opção. Mas só para encaixar como que os palestrantes já falaram, encaixar essa tecnologia de blockchain só para ganhar um impulso na mídia ou alguma popularidade, essas coisas, já está muito caro e provavelmente muito errado para você explorar esse lado. Então acho que de novo, como o Courtney daí também sumarizou, é que se você tem um problema que você está resolvendo, onde cabe blockchain da forma mais eficaz para criar uma solução para resolver esse problema, daí sim cabe. Eu também compartilhei um link aí ao lado para o pessoal do meu mentor, que não sabe quem é meu mentor também, por meio do YouTube, Medium, o Andreas Antonopoulos. Ele é meu mentor de Bitcoin e ele sempre fala a mesma coisa, né, sobre blockchain. Ele fala que blockchain é tudo, blockchain é tudo Crimem, mentira e tudo é fake, e Bitcoin que é verdade. É o motivo que ele fala isso é porque 99,999% dos tempos que a gente vê tecnologias, o desenvolvimento de blockchain ou ICOs, normalmente acontece porque a pessoa está aproveitando do oportunismo em vez do que resolver um problema cuja solução seria literalmente essas coisas. Então, nesse sentido, é bom para você focar no problema que você quer resolver para o seu público. E se o blockchain foi a melhor forma de resolver ela, daí seria interessante para você seguir em frente com essa opção. Então vou fazer, levantar outra pergunta aqui. O Jonathan pergunta, durante a apresentação do Carlos, Jonathan perguntou o que recomendariam para buscar por conhecimento técnico? Então, como que vocês estão vendo esse mundo? Como que pessoas que estão assistindo esse webinar podem se capacitar para aprender melhor como lidar com tecnologias de blockchain, como desenvolvê-las, como aprender mais sobre elas tecnicamente? Então, como que vocês sugerem? Podemos começar dessa vez por Carl.
Eu começo sugerindo para essa pessoa começar a prototipar antes de mais nada. Só o conhecimento teórico, você aprender uma linguagem de programação, não vai resolver muita coisa. Quer dizer, engaja num projeto, engaja numa discussão, participa dos fóruns, testa, monta um smart contract, testa uma moeda, testa uma solução qualquer, É, eu não, eu desconheço uma instituição ou alguma coisa que possa fornecer algum tipo de formação, até formal. Eu não acredito nem na formação formal de um negócio desse, falar que, ah, eu sou especialista em blockchain. Mas especialista em que parte? Em que, né? Você pode ser especialista em uma linguagem, você pode ser especialista em um tipo de projeto para alguma coisa, Eu acho que tem hoje muito especialista para pouco projeto acontecendo. Então a minha experiência, o meu conhecimento que vem do blockchain, vem dos protótipos e dos erros que eu fiz. Uma coisa meio Thomas Edison, como o Kurt nem citou, eu aprendi como não fazer muito mais coisa do que como fazer. Fazer eu aprendi uma vez só, os meus erros são muitos. Então a prototipação eu acho mais importante hoje em dia do que o conhecimento formal teórico sobre alguma coisa.
Concordamos em grau, gênero e prototipação. Na verdade assim, a gente passou, todo mundo no ano passado, uma boa parte do tempo meio atabalhoado com conhecimento. Essa pergunta é bem complexa. Eu fui sócio da Blockchain Academy, o Carl tem um BRIN, dá aulas e dá workshop, até workshop em Curitiba junto com founders e tal. Mas é um dos assuntos mais indigestos que eu já tive na minha vida. Inclusive eu me considero absolutamente incapaz de explicar isso para público leigo. Para conseguir ter aula comigo, a pessoa precisa entender um pouco mais de como é que funciona as coisas. Mas é um defeito Eu acho que eu me apego muito à complexidade das coisas, eu não consigo simplificar. E eu lembro que a gente ficou 6 meses montando um curso chamado Imersão para conseguir criar milhões de metáforas para explicando as coisas. E a gente se situou muito na questão do Bitcoin. Bom, eu também sou professor há 200 anos e eu concordo com o que o Carl falou. A melhor maneira de aprender, infelizmente, não é nem ouvindo, nem lendo, nem nada, é fazendo. E a grande dificuldade é fazer o quê? Então quando eu queria aprender a programar, começava lá a fazer o bendito Hello World, programinha para fazer desenho de coração quando eu fazia matemática e tudo mais. Como é que você começa com blockchain? Você tem que fazer uma rede. E aí eu vou dizer uma coisa que é absolutamente nonsense, mas que fez todo sentido, porque eu trabalhei com cooperativas e depois eu trabalhei com o pessoal que tá montando blockchain. Eu faço parte de algumas dessas iniciativas, mas como observador do que como contribuidor. Se você quer aprender blockchain, tenta montar uma cooperativa de qualquer coisa. As dificuldades de uma cooperativa são as dificuldades de você trabalhar o uso de um blockchain para alguma coisa, porque é uma rede. Segundo, não tem dono. Terceiro, não tem controle. E quarto, é uma coisa que vai crescer organicamente muito além daquilo que você imaginou. Só tem isso em cooperativa, pessoal do Cicobi, do Sicredi, da Unicred lá do Rio Grande do Sul vai entender o que eu tô falando. A outra coisa, existe, graças a Deus, uma disponibilidade absurda de recursos na internet, porque desde a época que eu trabalhava com inteligência artificial, nada é tão motivador e sexy quanto falar eu entendo blockchain. A gente teve no evento chamado Consensus, que é em Nova York, esse ano, e ao contrário do ano passado, tinha 8 mil pessoas no lugar, cabiam 2 8.000, e das 8.000 que estavam lá, 12 não sabiam o que estava acontecendo, mas era, as pessoas estavam no lugar onde se falava de blockchain. Então tem muito conhecimento livre disponível em português ou inglês, e tem muita coisa hoje que está sendo feita de maneira também colaborativa e de maneira cooperativa. Uma boa parte dos ex-alunos do ano passado de todas as escolas hoje são professores. Todo dia tem um evento diferente, um lugar Eu costumo dizer que eu cheguei no meu maior ponto de desejo do ano passado, que 90 pessoas, 90% das pessoas que eu vejo nos eventos são pessoas que eu nunca ouvi falar. Isso para mim é sensacional, gente que eu não conheço, não foi da minha convivência no ano passado e hoje tá aí dando aula, falando coisas e etc. Mas basicamente, antes de entender blockchain, você precisa entender ciência da computação no nível atual, que é aplicativos em rede e aplicativo em rede tem um pedaço na tela, um pedaço no celular, um pedaço no chip que tá dentro do seu carro, e um pedaço em outro canto que a gente não sabe ainda o que é. Como é que você vai lidar com todas essas partes? Isso é essencial você entender antes de sair construindo alguma coisa no blockchain.
Eu vou só contribuir com coisa um pouco mais básica, mas considerando, levando em consideração que você já saiba programar e que você sabe tenho básico de ciências da computação, como o Cartney falou, de programação em rede. Acho que um bom começo é você ir para o GitHub e lá e ver os códigos todos do Bitcoin. Acho que esse é um bom começo. Tem que entender, é uma dinâmica diferente. Por experiência própria, eu tenho bons programadores, já vi bons programadores terem muita dificuldade de programar aplicações em ambiente blockchain, porque a dinâmica é diferente, as estruturas são diferentes. Então acho que você tem que entender o básico, como é que monta os endereços, como é que faz uma transação. Acho que tem que começar por aí, depois você vai escolhendo um pouco qual a sua vertente predileta, né? Como o Cadê falou, você tem, tem o Ethereum, tem gente que só desenvolve para ambiente Ethereum, tem gente que desenvolve blockchain do Bitcoin. Enfim, você tem várias coisas que a gente não considera tão blockchain assim. Então você tem várias vertentes depois, mas eu começaria por aí. Eu ia no GitHub, daria uma olhada em tudo que você tem. Tem muito material disponível, muito open source. Acho que é um bom começo.
Boa, gente, excelentes respostas aí. A gente também tá ainda, pessoal, vocês podem fazer mais muitas perguntas, nós não vamos poder responder todas as perguntas hoje, mas o que vamos fazendo é que ao longo da semana a gente vai compartilhando essas perguntas e pedindo para os palestrantes responderem nas redes sociais. Então vocês podem ainda procurar as respostas nas redes sociais, na sequência nos canais do Founder Institute, Júpiter, RedPoint, e também da blockchain, do Brasil Blockchain Mastermind aí. Tem também outras perguntas aí que o pessoal estão perguntando. Por exemplo, Pietro pergunta: quais seriam as dicas que vocês dariam aos empreendedores que querem tornar seus negócios mais transparentes criando uma blockchain permissionada entre o empreendedor e os órgãos reguladores do Brasil? Então, qual seria as dicas de vocês para os empreendedores que querem ser mais transparente com blockchain permissionada entre o empreendedor ou empreendimento e os órgãos reguladores do Brasil. Eu sei que aqui em Júpiter e também no Founder Institute nós estamos com esse desafio ultimamente esquentando, estamos tentando resolver esse problema para facilitar a vida do empreendedor, que realmente é nosso papel, né? Então gostaria de ouvir de vocês mais sobre isso. Então você corta e pode começar aí.
Sobrou para mim. Então, pergunta errada para o cara errado, porque eu não acredito em DLT, né? DLT, ao contrário de algo absolutamente inútil. Eu sou engenheiro de sistema, já levam 30 e tantos anos, e toda vez que eu vou falar DLT, eu respondo SAP. E eu tive umas consultorias empresariais esse ano ano, onde, cara, 100% dos cases a gente resolvia dentro da SAP. Tem uma exceção da regra, e isso é outro momento histórico, né? Primeiro momento histórico é o Carl concordando comigo. Segundo é eu falando esse tipo de coisa, que eu me aproximei muito da comunidade do Corel recentemente. Continuo achando a plataforma tecnológica uma bosta, para não perder o meu costume suíço de falar isso, mas a maneira como, pelo menos a nova geração, a turma que assumiu eu tenho esse processo de uns 6 meses para cá, vem trabalhando, e principalmente o tipo de interlocução que eu tenho tido com os meus amigos da B3, do Bradesco e do Itaú, virou uma coisa bastante interessante, porque eles sim são as pessoas que têm um problema, né, um problema assim absurdo. Todo mundo fala vamos acabar com os bancos, todo mundo fala eu odeio banco, né, ninguém vai no banco assim com levar flores, etc., leva vinho para o gerente, o caramba, mas prateio de conto, cheque especial sem juros, não pagar anuidade do cartão de crédito e tal. Mas você nunca ouviu falar da pessoa assim, olha, vou tatuar aqui no braço Itaú, eu amo você e tal. E esse pessoal começou a olhar para os problemas que eles têm de eficiência operacional, como diz lá o Carl, entrou um dólar, tem que voltar 3, né, de preferência em D0, de uma maneira bastante criativa. E eles encontraram uma pancada de casos de usos, que sim exige uma gambiarrazinha no meio do caminho, porque eles não conseguem resolver de maneira centralizada por uma questão muito simples: se tem um cara que não confia no outro, é um banco confiando no outro banco. A natureza do negócio deles é tão violenta, é tão agressiva um com o outro, que não existe confiança entre esses dois elementos. Neste ambiente, como ficar discutindo o que eu vou compartilhar, que tipo de informação eu vou dividir ou não, foi um exercício que eu vi aflorar nos últimos 6 meses uma criatividade absurda. E aí também tem outra questão, que é uma mudança cultural, que eu acho que vai ser, isso vai servir muito para os blockchains abertos. O Corda nasceu como um consórcio, virou uma empresa SA, era liderado por uns caras do Goldman Sachs, e hoje ele voltou a ser um consórcio, porque os bancos são sócios, muito parecidos aqui com o nosso modelo da CIP. E esse pessoal que hoje é sócio falou, não, pera aí, acabou "Ah, mano, já que é para fazer alguma coisa com isso aqui, eu quero fazer isso funcionar." E isso está sendo feito também no Ethereum Enterprise e em coisas mais exóticas ainda, como o Quorum, que é uma derivada do Ethereum Enterprise e que é do JP Morgan. Eu conheci a Amber Balday, conheci a Christiane, que agora é a líder do projeto. A maneira como eles estão desenvolvendo uso de negócio em cima disso é bastante interessante. Então, respondendo a pergunta original, se você fala assim: "Eu quero fazer uma DLT." entre uma empresa, uma startup e o governo, eu diria que a sua tarefa é bíblica, como diria o Carl. Tem uma passagem da Bíblia chamada Torre de Babel, que é mais ou menos o que você tá querendo fazer. Mas para sua sorte, já tem algumas, alguns experimentos bastante interessantes. Então, inimigo com inimigo, branco com branco, preto com preto, o governo já tá tentando falar ele com ele mesmo, né? Então tem uma iniciativa grande do nosso Banco Central que já tá rodando tem alguns meses de falar autarquias com autarquias. Nós temos um exemplo muito forte dentro do próprio governo. Nós temos um dos governos, por incrível que pareça, mais online do mundo. Então, SPEDs, SPED fiscal, contábil, etc., etc., etc. E o nosso Banco Central é o Banco Central mais online do mundo. Em nenhum outro lugar desse planeta a gente entrega contabilidade bancária todo dia. Em nenhum lugar o plano bancário é uma lei, e é o que acontece aqui. Transferência T0 também, com a Jabuticaba, muito boa que a gente tem aqui, então já tem essa cultura de falar empresa com governo e etc. Eu diria só o seguinte: uma startup querer fazer isso, ela vai ser um tanto quanto execrada pela comunidade pública, porque você ter um governo online quer dizer uma única coisa: imposto online. Então você vai ter muito menos campo para fazer contabilidades criativas ou para tentar fugir das garras de tributação instantânea. Online, ou seja, você tem uma série de recursos que você faz. E aí, por isso que os nossos queridos advogados tributaristas são tão ricos, né, de não quebrar a lei, mas de bendar a lei, usar os recursos que a própria lei permite para pagar menos imposto. Quando você faz tudo online, quem tem imposto recolhido na fonte, né, quem é empregado sabe disso, não tem muito para onde correr. Uma vez que imposto foi, para ele voltar, eu diria que ele dá muito mais trabalho. E aí a gente esbarra numa outra gestão brasileira, que é toda vez que você tenta fazer um projeto com o governo existe um pequeno probleminha chamado corrupção. E eu diria que hoje, se eu fosse um empreendedor com 2 bilhões de pessoas online no mundo, eu estaria muito mais propenso em criar o próximo Facebook do que tentar fazer alguma coisa online com um governo, principalmente o governo brasileiro. Então tentar fazer esse tipo de startup, para mim, já falando um pouquinho como mentor, é um belo desperdício de oportunidade. Da revolução digital que a gente tá vivendo hoje. Basicamente, 4 grandes religiões ao redor do hype blockchain. A primeira delas, e que é uma aberração da natureza, a blockchain é uma parte de alguma coisa. Essa alguma coisa ainda não se deu um nome, porque o primeiro nome dessa coisa chamava Bitcoin, e o Bitcoin é o nome da plataforma, da tecnologia, mas também deu nome a uma moeda. E aí uma coisa foi confundida com a outra e a gente se meteu no problema de hermenêutica gigante. O blockchain é o odômetro do Bitcoin. Depois que você criou chave pública, privada, fez um monte de coisa, criou mecanismo de consenso, botou chinês para fazer mineração, né, botou todo um mecanismo de autenticação, criou toda uma engenharia econômica para fazer todo mundo manter a rede funcionando com não sei quantos petahash de desenvolvimento, você vai lá e a tal da contabilidade perfeita é o blockchain. Você registra tudo aquilo depois que aconteceu e aquele troço você não consegue mudar Aquele ali, memória de elefante, memória de sogra, são exatamente a mesma coisa. Então o blockchain, ele é uma pecinha numa engrenagem de tecnologia. E essas tecnologias, a primeira versão era o chamado blockchain público, aberto, privado, open source e sem dono. Tão aberto, tão open source, tão sem dono que o dono desapareceu, o tal do Satoshi, que para mim, um monte de gente, não, nunca deu as caras. Teve até uma audiência no Congresso sucesso. Essa semana tava lá uma cadeirinha escrita Satoshi Nakamoto e o sujeito não apareceu por lá. Depois que o Bitcoin foi feito, durante 200 anos de limbo, lá para 2014, 2015, quando se criou o hype, o pessoal começou a fazer copy-paste no código do Bitcoin. Então você tem uma série de outras coisas que chamavam asterisco coin, que o cara pegava o código fonte em C, dava copy-paste, mudava meia dúzia de coisa, ia lá e botava um novo nome e aparecia uma nova no mercado. A segunda geração disso, dos famosos blockchains abertos e open source, etc., é uma geração transacional. Cara falou: não, esse Bitcoin aí é uma calculadora muito boa, mas ele só serve para pagar e receber. Eu quero botar código, eu quero que esse troço seja um computador, uma máquina de estados distribuída. E aí a coisa é tão complicada que antes você falava de white paper, que é um paper científico não revisado, e um cara chamado Gavin Wood escreveu um yellow paper, E aí, para encurtar a história longa, quando esse negócio ganhou muita força, o pessoal falou: não, pera aí, eu quero as vantagens dessa garantia distribuída, mas eu não quero a moeda. E aí o pessoal que era de banco, obviamente, inventou uma nova terminologia chamada Distributed Ledger Technology, quer dizer, um livro razão distribuído. E a gente volta a história do Corda: eu chamo Itaú, você chama Bradesco, nós nunca vamos confiar plenamente um um para o outro. Mas tem uma coisinha aqui no meio do caminho chamada risco de crédito, que a gente paga rios de dinheiro para Serasa, ou a gente constrói esse troço junto aqui só para saber o risco de crédito daquele CPF, acabou. E esse tipo de informação pode trazer lucro para nós dois. Então a tentativa de colaborar entre dois inimigos, ou como a gente fala aqui na Bahia, dois porco-espinho tentando fazer amor, né? Para separar do mundo blockchain, que tava muito ligado DLT é um blockchain que não gera riqueza, ele gera custo. Toda vez que vocês ouvirem a palavra blockchain, impreterivelmente ela tá associada a uma moeda, com ou sem ICO, e essa moeda na teoria ganharia dinheiro no futuro e faria um monte de gente rica para a gente comprar as costelas lá do carro. Toda vez que você ouvir falar DLT, tem uma empresa de software por trás, tem um consórcio, tem alguém que fez aquilo ali, e tem clientes corporativos pagando por essa tecnologia. Tecnologia. Então basicamente essas são as duas grandes religiões. É que nem a gente falar de Windows e Linux. O Linux é o mundo blockchain e o Windows é o mundo DLT. Para não dizer que não falei das flores, tem uma galera esperta que falou: peraí, eu não quero só ganhar dinheiro desse jeito, eu vou fazer uma outra coisa. Eu não quero falar de tecnologia, eu quero falar de serviço, eu quero cobrar por serviço. E apareceu a terceira religião, que é onde só tem um exemplar maldito chamado Ripple. E maldito porque tem n misunderstandings ao redor do conceito, mas basicamente eles são empresas de serviço. E fala assim, olha, eu sou blockchain. Depois eu falo, não, eu não sou blockchain. Não, eu tenho um token que eu posso vender. Não, mas pera aí, o token não serve para nada. Então subiu, valeu, na verdade literalmente até hoje ele não serve para nada. Mas é uma empresa fundada por pessoal, pelas pessoas que vieram do mundo cripto, tem investidores originais lá atrás bastante enfranhados na indústria, e hoje a empresa de serviços cuja única missão dela em vida é combater uma outra empresa de serviços do setor financeiro chamada Swift. E aí o pessoal falou: pô, temos empresa de serviço, temos um mundinho aqui das empresas de software, temos lá o mundo open source. Como é que a gente junta tudo isso num sarapatel? Vamos criar os consórcios. Aí apareceu Hyperledger, que tem 290 mil empresas, apareceu o Ethereum Enterprise, que também tem 280 mil empresas, que basicamente eles se apropriaram de códigos e transformaram esses códigos em elementos open source, mas os mantenedores desse pessoas, são empresas. Então assim, quem paga mais manda mais, quem tem mais dinheiro diz mais para que lado vai aquela coisa. Então essas 4 grandes religiões, se você juntar tudo isso, tá tudo dentro da terminologia que a gente costuma dizer no imaginário popular de blockchain, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Nós estamos falando de Linux, Unix, nós estamos falando do velho e bom modelo de vender serviço, e nós estamos falando de um modelo cooperativo de tentar desenvolver essa tecnologia que em alguns casos deu certo, que é o que eu tava falando do Corda, né, falando com bancos, sistema financeiro, falando com o sistema financeiro sobre dores agudas que tira dinheiro do sistema. Então isso realmente costuma funcionar bem lá dentro. Até uma grande incógnita do destino que agora começou a pegar força, que é o Hyperledger. E o Hyperledger tem uma história muito mais engraçada. O Hyperledger era um startup lá em 2000, minha mãe não era nascida. E aí uma das pessoas que mais alavancou o termo blockchain aqui, que é uma pessoa chamada Blythe Masters, que me fez dois favores, né, criou o universo blockchain e tem um nome mais complicado que o meu, então dá mais trabalho falar o nome dela. Ela comprou a Hyperledger, criou uma empresa chamada Digital Assets, azucrinou o mercado inteiro durante 2015, e no final de 2015 ela vendeu a empresa que ela tinha comprado para o consórcio Hyperledger e fez alguém pagar a conta. Até hoje eu não sei quem foi, mas pagaram uma bela conta para ela, e ela continuou com os direitos direitos do antigo Hyperledger na Digital Assets e continua fazendo rounds e rounds de ICO da empresa dela. Então uma startupzinha pequena foi comprada, virou open source, continua na empresa fechada e continua gerando renda para um monte de gente. Eu avisei que não era muito bom para explicar para leigos.
Muito obrigado por ter explicado para nós o Distributed Ledger Technology. Eu atualmente, na verdade, estou estudando que a empresa on-chain está desenvolvendo na China, se chama de DNA, Distributed Network Architecture, que é parecido com Hyperledger, um pouquinho diferente, mas um mundo ou outro é incrível aprender essas coisas cada vez mais. Então eu vou fazer uma outra perguntinha aí. O Israel Judá, ele primeiro pede uma salva para Manaus e eu mando uma Salve, jovem! Live long and prosper aí para Manaus. E o Founder Institute está sempre na procura de novos líderes. E aí, Carlos já tá aprendendo também seu salve joviano aí. Estamos querendo muito abrir em Manaus, então se vocês conhecem pessoas que possam ser bons líderes aí, é fi.co/lead ou Vou pedir aí para o Lloyd para colocar esse link aí também. O Israel Judá também fez um comentário e perguntou quem é o cara que não fala nada e por que não fala. Então, Lloyd, aproveita aí, se apresenta um pouquinho para o pessoal te conhecer também.
Então, boa noite, pessoal. Eu sou Lloyd, estou aqui para anotar as perguntas e também eu vou cuidar do da resposta será dada nas redes sociais. Então se você tem perguntas, por favor anota aí, a gente vai tentar responder todas as perguntas com cada um dos apresentadores hoje e compartilhar em nossa rede social.
Tá bom?
Perfeito, obrigado, Luiz. O Lloyd, para quem não sabe, é um francês disfarçado, ele está aqui no Brasil só olhando a seleção brasileira achando que vai pegar eles na próxima Copa.
Lloyd na verdade é um francês-canadense, então nós temos alguma coisa em comum, eu e ele nos entendemos um pouco aqui perdidos, gringos perdidos no Brasil aqui. Então nós temos uma outra pergunta e queria direcionar essa pergunta para Juliana, daí tem uma outra pergunta para o Carl. O Laerson Badotti, ele pergunta, ele acho que é Desculpa, foi uma moça. Pergunta: qual a melhor forma de montar uma equipe técnica, Juliana? Como que você está montando a sua equipe técnica aí?
Olha, não tenho receita não, tá? Eu tô aprendendo, mas basicamente a nossa equipe técnica fica em Recife. Recife é um grande polo de tecnologia, a gente tem pessoas muito qualificadas lá. E basicamente a gente traz as pessoas que a gente considera boas para dentro, bons programadores, bons desenvolvedores, e faz uma super imersão em todas as nossas, dentro das ideologias todas que o company montou. Não gosto de chamar de religião porque religião parece que a gente não vai mudar de ideia nunca, e eu tô super aberta a mudar de ideias, sempre que me provem que vale a pena. Mas nós somos afeitos aos blockchains abertos, né, os públicos, os open source, e é nesse universo que a gente gosta de trabalhar. Então a gente faz uma imersão. Pela minha experiência, uma pessoa que chega leiga, vai nas tecnologias em blockchain e desenvolvimento de aplicações para esse ambiente, ela demora mais ou menos uns 6 meses até começar de fato aptos a produzir. Então é um esforço de desenvolvimento, é um esforço, a gente aposta muito nessas pessoas. Por outro lado, né, como empresa a gente sempre pensa em retenção, né? Como é que eu tô treinando uma pessoa e será que ela vai embora amanhã? E como é que eu retenho? Enfim, mas o que a gente tem visto é o contrário, as pessoas que têm contato com essa tecnologia se apaixonam, quem começa a desenvolver aplicações para tanto para criptos, blockchains, se apaixonam por isso. E talvez eu seja não tão humilde em dizer isso, mas eu acho que a gente tem uma empresa muito interessante para trabalhar. Então a gente acabou criando um grupo. Hoje nós somos 11 pessoas, das quais 7 são devs. Então a gente tem conseguido criar um ambiente profícuo para isso, mas não tem segredo não, tá? A gente, a gente tá as pessoas que a gente acredita que têm potencial, coloca dentro de casa e treina.
É isso. Deixa eu só complementar um pouquinho, Juliana. Acho que tem uma coisa bastante surreal. Existe uma coisa que o Carl falou, e isso é extremamente fundamental: aprender fazendo. Eu hoje pegaria excelentes sócios, excelentes parceiros ao redor de um propósito e usaria esse propósito como grande motivador para todo mundo aprender junto. Junto e aprender pelo desenho, pelo negócio, e depois passar pela tecnologia. Assim, se a gente fosse olhar e pegar uma plataforma só, o Ethereum, o que acontece em uma semana no Ethereum é enlouquecedor. Todo mundo muda. Eu já montei curso de desenvolvimento para pegar um código que eu testei na segunda-feira e o curso ia começar na outra segunda-feira. No domingo de noite, só para desencadear consciência, eu fui compilar o troço, não funcionava mais nada porque tinha mudado tudo. Então é uma dinâmica de mudança tão grande que eu acho que aprender fazendo e principalmente investir em quem você se você quer estar ali perto como sócio, realmente pegar 40% da sua startup, distribuir com todo mundo que tá lá dentro, não só os founders, é o melhor argumento que você vai achar para manter todo mundo ligado, aprendendo, up to date, e com a energia necessária para desaprender algumas coisas também. Porque esse ano a gente viveu coisa muito engraçada. Tinha muita gente que no ano passado era da religião Ethereum e tava lá construindo suas coisas, e esse ano migrou para o iOS, por exemplo, plataforma que tava prometendo para caramba. E depois das grandes dificuldades do iOS, já estão pensando em migrar de novo para coisas estranhas como o Hedera Hashgraph. Basicamente, você aprender e desaprender 3 vezes em menos de 12 meses como funciona um blockchain qualquer é uma tarefa para maluco. Eu diria assim, é 12 horas por dia, 7 dias por semana, só estudando aquele negócio para fazer as coisas. E aí, pegando o gancho da Juliana, eu conheço alguns malucos que tem lá na CoinWise. E o brilho do olho dos caras lá, dos malucos de Recife, brilha para caramba. E respondendo para o meu amigo de Manaus, cara, toma tuxava lá todo santo dia, e só o cara de Manaus vai entender o que que é isso.
Interessante. Então, Carlos, temos uma pergunta para você ali, essa é nossa última pergunta antes que a gente fecha hoje. Carlos, já que você trabalha com algumas corporações soluções grandes para tentar ajudar eles a resolverem problemas deles por meio de blockchain. Tem alguns casos que você conhece que indústria brasileira ou grandes empresas brasileiras estão aplicando blockchain para resolver algum problema?
Não, eu não. Eu sei que o agronegócio tá testando algumas soluções, principalmente usando a IBM. Eu tô acompanhando um negócio aí, não é uma grande indústria, na verdade é um, é o eu vejo, né, as associações, os grandes varejistas de moda, por meio da Fundação CIA, falando de como ter uma regulamentação e acompanhamento maior da cadeia da moda. Mas a indústria ainda tá observando. Eu hoje tô dentro da FIESP, a gente tá começando a olhar alguns projetos. A FIESP pegou lá 35 áreas de aplicação do blockchain. Eles queriam definir uma prioridade. Eu falei, olha, acho que a primeira prioridade é a gente resolver um problema de registro de documento para a gente poder ter mais celeridade no nosso processo de abertura e fechamento de empresa, e acertar definitivamente algum tipo de protocolo para identidade.
Interessante. Então alguém mais tem alguma ideia sobre isso? Alguns casos de estudo que vocês conhecem que o pessoal pode olhar?
Olha, da indústria não sei se o Kupney tem alguma dica. Eu não tenho ainda uma notícia de algo efetivamente sendo implantado aqui.
A gente tem muitas POCs no mundo inteiro. A turma do Hyperledger, aspas, IBM andou fazendo muita coisa durante o ano de 2016, acho que tem umas 400 e poucas aí em laboratório para a gente ver. 2017 também teve muita coisa, mas é prova de conceito. Eu atendi uma grande indústria no Brasil em 290 mil aspectos lá de dentro, é onde a gente validou vários casos de uso, infelizmente assim a gente não pode falar nada do que falou lá dentro. A empresa é Ambev, então é realmente uma grande indústria tem problema para caramba com distribuição, matéria-prima importada, a questão de qualidade de matéria-prima, caramba, 4. Mas assim, são realmente muitas tentativas de entender aonde a conta fecha. Eu acho que com a entrada da Oracle, da SAP dentro do mercado do Hyperledger, a gente vai ter algumas novidades, porque eles são fabricantes de aplicativos, então eles estão dentro do modelo operacional profissional das empresas. E aí sim, quando você tem alguém que cuida da eficiência operacional com a ferramenta nova, eles vão tentar achar alguma maneira de equalizar isso. E aonde eu tô vendo uma série de provas novas nascendo, eu tô muito próximo da hora com isso, mas a gente ainda não conseguiu fechar a conta. Olhando de fora, eu vou me remeter à China. Então a China tem realmente um exército de pessoas e um caminhão de dinheiro olhando isso. E eu acho que uma das coisas mais interessantes para olhar, que não é na indústria, mas vai impactar brutalmente a indústria, é o que o Alibaba tá fazendo com blockchain e inteligência artificial, tudo junto. E basicamente ele vai fazer pela indústria o que o Walmart fez muito tempo atrás, quando ele começou a trabalhar com continuous replenishment e coisas ligadas. Olha, varejista, não me diz quanto você quer pagar, só me dá tua gôndola e deixa aí que eu vou lá e cuido de encher eu vou fazer um espaço com que vai te dar uma rentabilidade de X dólares por metro quadrado de venda que você me der aí. No caso específico de indústrias mais ligadas a produtos manufaturados pesados, tipo indústria do aço, a indústria com materiais de construção aqui no Brasil, etc., nós temos um problema recentemente, né, doeu no fígado de todo mundo, chamado transporte. Então a gente tem uma série de coisas na nossa malha logística nacional que são absurdamente jabuticabas podres. Então o fato da gente depender de transporte rodoviário é um grande problema para o Brasil. E eu sei que tem gente atacando isso, tem gente olhando para nichos de mercado do tipo transporte de remédios muito caros, remédios acima de R$150, R$200 mil. E eu sei que tem, né, infelizmente eu tô aqui isolado que minha mãe tá em tratamento de câncer, tem remédios que custam isso. Então tem gente trabalhando soluções logísticas para esse tipo de coisa. Só que aí não é Brasil, é global. Todas as grandes soluções que atacam esse tipo de coisa são soluções globais. A IBM e a Mars, que tem uma joint venture, elas fizeram a prova de conceito e no final da prova de conceito elas entenderam que elas precisavam criar uma empresa para isso e criaram a joint venture simplesmente para atacar o problema do transporte marítimo de cargas. É um problema de 4 trilhões de dólares, segundo o Elon Musk, entre container, porto, demoragem e toda, enfim, a burocracia que tem por aí hoje. É um problema bastante interessante por essa época. Isso afeta obviamente a indústria, né? Eu tenho muita afinidade com a indústria de cacau. E para você olhar sobre a ótica do cara que tá fazendo cacau lá, chocolate fino lá na Europa, a produção de cacau no mundo, transporte disso, custo de imagem, etc., tem um impacto muito grande em como ele vai industrializar e como ele vai comercializar esse tipo de coisa.
É, só complementando, acho que— Oi, passa lá.
Eu queria que você desse uma última palavra também, por favor.
Isso, falando um pouco sobre as aplicações, eu acho que é muito o que o Carl falou, a gente ainda está numa fase de POCs. O Brasil, a gente não tem uma tradição das empresas investirem em inovação, e não é diferente com isso aqui. Então a gente tem muitas POCs acontecendo, a grande parte a gente não pode falar muita coisa, mas em geral a gente vê as POCs muito voltadas para negócios de supply chain, que é rastreamento de cadeias de fornecimento de indústrias diversas. Eu tenho visto algumas coisas acontecendo na área médica, hospitais, em relação em relação a exames e a publicação dessas informações, a transparência dessas informações. Obviamente, a área financeira é onde a gente vê mais coisas acontecendo, porque permeia toda a origem, né, dos blockchains através do Bitcoin, das outras criptos que surgiram a partir daí. Então, a gente tem soluções de pagamentos, de cross-border, de transferências de recursos. O que mais? E uma outra solução que a gente tem usado bastante, tem visto bastante as pessoas usando, são registros de informações. Então, desde registros de contratos, assinaturas de contratos, registros de documentos, utilizar o blockchain como um grande registrador, certificador de informações. Eu acho que é mais aí que eu tenho visto no Brasil recentemente.
Perfeito, muito obrigado. E eu vou ajudar o Odair, quem fez o primeiro Primeira pergunta, tá fazendo mais uma pergunta, ele pergunta: faz sentido desenvolver MVP em blockchain? Primeiro eu vou desmistificar essa sigla de MVP, produto mínimo viável, em inglês minimum viable product. O que que é uma startup procura desenvolver como primeiro produto dela para que ela, esse produto ajuda ela a provar ou desprovar os primeiros premissas dela, alguma suposição que a startup tem. Então, sendo isso, Odair, se a única forma que você pode testar algum premissa ou suposição da tua startup para testar alguma coisa, a única forma seria por meio de blockchain, daí sim o teu MVP tem que envolver o blockchain. Mas em 99,9999% dos casos, eu acredito eu acredito que isso não seja o caso, principalmente no início, quando você está tentando basicamente testar o primeiro primício de seu problema. Existe que você quer resolver? Para que tipo de pessoa que ela existe? Em qual momento que esse problema aparece? E como que você podia resolver ela? Então, normalmente MVP são soluções bem mais simples do que tem, do que precisar montar uma blockchain inteira só para provar um conceito, para testar algum premissa no início. Então vou agradecendo nossos speakers, pessoal, e vou pedir para vocês, já que todo mundo tem tantas perguntas, para a gente poder compartilhar o contato de vocês também nas redes, se vocês gostariam ou não. Se alguém não gostaria disso, e a apresentação também.
Olha, para variar, como já não tem muito o que fazer da vida, eu sugeriria criar grupo do Telegram, porque deve ter gente para caramba para botar todo mundo lá dentro. A gente fica discutindo essas coisas dentro desse grupo. Mais um grupo, né?
Porque o Brasil Blockchain Mastermind está aqui para ficar, um vertical novo que nós estamos desenvolvendo com Founder Institute, Júpiter, Red Point, as empresas de vocês e também empresas das outras palestrantes que vamos ter em todo, em cada episódio aqui. Então a gente vai querer desenvolvendo esses relacionamentos para que ambos lados da moeda vão ganhando, né? Vocês são pessoas que se especializam em darem advisory para as outras empresas que estão querendo desenvolver tecnologias de blockchain, e temos aqui um monte de fundadores ou fundadores aspirantes perdidos tentando achar seu caminho. Então eu Acho que vocês vão poder ajudar bastante por meio desse.
Eu vou rapidamente, só para não perder o gancho que você falou, tem uma coisa importante que você falou. Olha, a gente, se tiver tentando resolver um problema, não precisa fazer MVP. Na verdade, você precisa fazer um MVN, que é o Minimum Viable Network. Essa é a história, que acabou de ser como queria demonstrar para o meu primeiro argumento. Momento de que a gente não consegue pensar no problema a ser resolvido. Uma startup que vai fazer um produto, sua colocação tá absolutamente perfeita. Uma startup que vai desenvolver uma rede, ela precisa desenvolver um microcosmos dessa rede. E o Carl Taíde, testemunha viva, enche o saco dele por causa disso. A primeira rede que ele criou tinha um maluco chamado Osvaldo que falou: cara, eu quero fazer uma coisa distributiva. E a primeira prova de conceito foi como é que a gente traduz um livro. Mas pera aí, não, tradutor juramentado, cara, juntou um bando de maluco e basicamente traduziram um dos melhores livros de redes para cá, que é o livro do Antonopoulos. Aí depois traduziram um dos piores, que é outra história.
Não, não, não, primeiro foi o pior, não vem não, o Antonopoulos não saiu ainda.
E aí o que acontece, essa rede deu cria, tem um monte de coisa lá dentro que até hoje eu me perco. Então tem lá o Prospera de Cerveja, o que foi fazer audiovisual, foi não sei o quê. Cada um foi criando sua micro redezinha e dá para criar esse mínimo network. O problema é pensar na rede. Tem poucos negócios que nasceram com uma Secredi da vida. Que que é a Secredi? Cooperativa de alguma coisa. Quando vocês pensarem numa cooperativa, o mínimo network acaba ficando mais claro. O problema todo é esse, é pensar numa rede e não no produto.
Esse foi o primeiro de uma série de webinars e esperamos que esses mentores, a Juliana, Carly e o Courtney, fiquem na rede ainda porque nós temos muitas startups que vão saindo ainda do Founder Institute daqui pela frente ainda e vão precisar de ajuda de mentores como vocês. E convidamos o pessoal que estão na rede assistindo agora de adicionar vocês nas redes e contatarem com vocês também. A gente vai compartilhar a rede, a apresentação da Juliana e do Carl também. E eu falo de Courtney, Courtney, também compartilhamos teu artigo, a matéria do Medium aí para o pessoal saber. Então, como alguns pensamentos finais, eu gostaria de convidar todo mundo de novo, se vocês têm uma ideia de startup e querem lançar uma e ainda não tem um jeito de fazer interesse ou estão procurando uma rede de apoio, principalmente nessa área de blockchain, que é tema de hoje, ou qualquer outra área, falando isso de agnóstico de setor, você pode se inscrever por meio de fi.co/join/mastermind. Se você tem uma ideia de blockchain e sua ideia e você como empreendedor são destaques na inscrição, você vai poder qualificar para ganhar uma das bolsas de Brasil Blockchain Mastermind Fellowship em uma das cidades onde estamos matriculando agora. Matrículas são abertas em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília. E mais uma vez um convite especial para a pessoa na região de Campinas, onde as matrículas vão fechar no final desta semana. Então corre aí se você está em Campinas, se inscreve já, e de repente talvez você vai ganhar ganhar uma bolsa de blockchain fellowship também. Em breve vamos abrir matrículas em Londrina e Maringá de novo para o próximo semestre lá, e Joinville, Porto Alegre e Salvador pela primeira vez. E se vocês, ou nossos palestrantes, ou outras pessoas participando aqui conhecem mais gente em outras cidades do Brasil, estamos procurando líderes para novos capítulos lá, para trazer o programa mais próximo a vocês também. E por final, gostaria de convidar de novo todos vocês que têm interesse em aprender mais, aprofundar mais ainda no assunto, conhecer mais da nossa rede de mastermind de blockchain aqui, para assistir o segundo episódio que vai no dia 29 de agosto, mesmo horário, das 21 horas a gente começa. Essa vai ser sobre o tema de ICOs, Initial Coin Offerings, ou Token Offerings ou Security Token Offerings, qualquer sigla que você quer usar, e como novas empresas, startups, podem levantar fundos através da venda de tokens. Esse próximo webinar vai ser com nosso amigo Bernardo Quintão, a Anne Chang e o Manuel Lemos da RedPoint Ventures. Então, pessoal, mais uma, gostaria de de agradecer nossos speakers, a Juliana, Courtney, o Carl e o Lloyd, que sem você, Lloyd, não ia ser possível este webinar aqui. E sem ter todo mundo que está assistindo, não ia valer a pena fazer tudo isso, né, gente?
Obrigado, gente, boa noite!
Obrigado a vocês e mais um saludo de italiano no final aqui.
Aqui para todos vocês.
Boa noite, pessoal!
Tchau, tchau!










