AAP | Ep. 38: Casamento financeiro frágil: envolver-se ou delegar? Decisão “tectônica”: mudar de país. Em definitivo"?
14 Nov 2023 · 45 min
Transcrição do episódio 38 do podcast da Academia de Planejadores (31/10/2023) com André Novaes, Frederico Gonçalves e Rodrigo. Os hosts discutem dois casos práticos: (1) tensão financeira conjugal quando um cônjuge precisa de apoio e falta diálogo; (2) decisão tectônica de mudar de país (expatriação) e os impactos sobre patrimônio, moeda e motivação. O episódio aborda o papel do planejador financeiro em mediar diálogo, propor planejamento familiar e orientar sobre internacionalização de ativos.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao 38º episódio nosso aqui. Já adianto, viu, turma, nessa nossa primeira temporada, o nosso objetivo aqui, trancos e barrancos, né, Fred? A turma tá ocupada pra caramba, é chegar em 40 episódios. E se eu não me engano, Rodrigo, essa é o quê? A tua terceira, quarta, quinta ou décima terceira participação?
8ª participação.
Então o Rodrigo vai estar em praticamente 20% dos nossos episódios aqui, o que é uma honra. Obrigado, obrigado pela disponibilidade de participar. A gente reconhece que a agenda é sempre um desafio. A gente está gravando esse episódio no dia 31 de outubro, as margens do mês de mais feriado a cada 4, 5 anos. Vocês sabiam que essa configuração de novembro é o que apresenta o maior número de feriados e isso acontece a cada 4 anos, salvo engano. Dou aqui também as boas-vindas ao Frederico Gonçalves, que volta para o 38º episódio. Fred, seja bem-vindo de volta.
Tudo bom, pessoal? Como é que vocês estão? Falhei um aí, mas foi por uma boa causa.
Bora lá.
Bora lá. Seguinte, para lembrar, a ideia aqui é uma conversa sobre casos reais. A gente realmente acredita que planejamento financeiro pessoal é uma arte e a arte tem esses traços por hora, não muitas vezes fácil de se reconhecer. Por hora, a gente chega para uma reunião com tudo bem organizado, bem pensado, dentro do escopo, num cronograma, e o cliente vem e traz para a gente algo completamente diferente do que havia sido pensado, e a gente precisa saber lidar com isso. Então, a gente quer poder explorar um pouco desses casos reais aqui, sem script, dialogando, para você poder sentir como que é a troca entre verdadeiros planejadores e que isso te ajude também a ponderar se essa é um tipo de atividade, se essa é uma abordagem que você gostaria de poder ter, viver, ter como dia a dia junto com os seus clientes. A gente busca fazer disso uma grande troca de experiências, mas também um momento no qual eu, o Fred e o Rodrigo, nesse episódio em particular, podemos mostrar como a gente busca caminhar em profundidade e em abrangência com os diversos assuntos que emergem no grande e amplo contexto do planejamento financeiro pessoal. Sem mais delongas, eu convido aqui o Fred a compartilhar com a gente, queridão, o que você teve aí de caso interessante, recente, para a gente poder dialogar e você presentear, brindar quem está ouvindo Um caso legal. O que você conta?
Bom, vocês sabem que geralmente a gente conversa sobre podermos marcar agendas individuais com cada um dos cônjuges, né? E nesse caso foi uma dessas, o marido me procurou, falou, Fred, hoje vou só eu, quero conversar contigo. Ele veio, nós começamos a conversar, eu tenho sentido já há um tempo aí um ruído nessa relação financeira, vamos falar assim, deles. É um casal que juntos tem um potencial fantástico, mas que vira e mexe tem um pontinho ali. E o que acontece, só para contextualizar todo mundo, há um tempo atrás ela da executiva de uma empresa grande, multinacional, saiu e precisou de um tempo para se recolocar de forma consultiva.
E hoje está super bem, mas precisou de um backup, vamos falar assim, dele lá na época. E hoje, coincidentemente, é ele que tem precisado disso. Ele que tem precisado dessa rotina de, ó, estou precisando tirar dinheiro da aplicação, vamos entender como é que as contas estão. Eles dividem as contas 100%, então cada um paga uma parte, etc. E ela mesma, há um tempo atrás, ofereceu, falou, deixa que eu pago as contas todas. Mas o apoio não está vindo de tão tranquilo assim, sabe? Tem tido uma cobrança em relação a esse apoio. E aí a conversa evoluiu para esse lado de falarmos um pouquinho sobre essa relação financeira estremecida entre eles nessa ponta do... de como lidar com tudo isso, de como entender. Ele abriu o coração aqui para mim, realmente, e falou assim, pô, Fred, da minha parte, nunca imaginei algo do tipo, mas, enfim, quero a tua ajuda aí para entender o que e como fazemos.
Mas dá um pouco mais de detalhe, Freire, para a gente. Ele manifestando para você o que é uma certa, naturalmente, um incômodo, porque, pelo que eu entendo, na cabeça dele, quando... Meu cônjuge precisou, eu apoiei, e apoiei de maneira incondicional, agora a maré virou e eu estou precisando de um apoio. O apoio vem, mas, poxa, vem de maneira mais tensa, vem com...
Vem mais tenso, vem com questionamento. Ela mesma já falou sozinha comigo sobre alguns pontos. Ela fala que não se sente à vontade de trocar o carro, porque não sabe o que vai imaginar. Não sei se vai incomodar ele. Está faltando um pouco de diálogo. Está faltando um pouco mais de diálogo. Tem muito achismo e interpretações de todo um histórico familiar, principalmente pelo lado dela, etc.
Mas tem muito achismo nisso tudo, não é? E está faltando esse diálogo. E aí o que acontece? Está existindo uma... Vamos falar assim, tem um caderninho que está sendo anotado as ajudas para depois você... Vai ter um.
Checks and balances ali.
É, isso incomodou bastante ele.
O Rodrigão, dizem por aí que no casamento de marido e mulher não se mete a colher, ou é algo do gênero. Mas e num caso como esse? O que você... Pensa qual deve ser o papel de um planejador. Ele tem algum papel nesse contexto? Ou a gente aponta para algum outro tipo de profissional e diz, não, meu negócio aqui é só cuidar, te deixar mais rico ou te deixar menos pobre. O que você tem para compartilhar sobre o papel de um verdadeiro planejador quando existe alguma disfunção conjugal?
André, essas situações de algum...
Uma de sincronia, assim, entre o casal e a nossa participação nesse contexto é até mais comum, né, do que talvez o público, em geral, imagine, né. Eu já tive essa experiência, que o Fred comentou também, de ter uma conversa individual, né. Lógico que a gente fomenta muito, a gente fala muito sobre a importância de… de fazer esse planejamento com o casal, por exemplo, o casou, às vezes até envolvendo filhos quando já estão maiores e conseguem compreender melhor, mas também às vezes é importante ter essa perspectiva individual, porque por incrível que pareça.
Alguém do casal, ou às vezes ambos.
Se sentem à vontade em abrir o que são esses dilemas para o planejador, quando você constrói essa confiança, antes até de expor isso para o próprio cônjuge. Então, eu acho que a gente tem um papel importante aqui, fundamental, até porque a gente está numa posição privilegiada, digamos assim, para abordar esses problemas, justamente porque a gente tem algum distanciamento.
Se complicam muito, às vezes, porque eles estão, entre aspas, contaminados aqui pelos aspectos da relação, pelas questões afetivas, que muitas vezes deixam alguns temas mais nebulosos do que deveriam ser. Esse ponto que o Fred destaca, eu vejo como um clássico contexto em que o diálogo tem que ser muito importante. E ele tinha que ter sido, inclusive, eu não sei o quanto isso foi... foi feito antes da tomada de decisão, né, antes de decidir essas mudanças estruturais, assim, né, de carreira, passos importantes. O quanto isso foi discutido, conversado, compartilhado no casal antes que essa decisão fosse tomada, né. Porque é lógico que é super importante a gente respeitar as individualidades, acho, numa relação, né. Claro que tem que ter o espaço pro indivíduo, né. Mas quando uma família é constituída, a gente precisa ter esse olhar generoso, acho, empático, de entender como essas coisas afetam o outro também, né? Ela vai se sentir muito pressionada? Vai ter um peso? Não vai? Como é que dá pra gente construir um planejamento, um passo a passo aqui, que todo mundo consiga estar relativamente bem nessa transição, né? Isso precisa conversar. Tem que ter um diálogo e essas conversas difíceis.
Conversas difíceis. Olha só, Fredão, volto pra você. O Rodrigo não deixou dúvidas de que sim, a gente deve se envolver, inclusive argumentou, ao meu ver, de maneira bastante sólida, porque temos uma perspectiva um pouco apartada, isso dá pra gente o privilégio de uma análise talvez menos carregada de emoções, então a gente pode sim servir. Então, o quê está bem determinado aqui entre a gente. Fred, volto para você agora. E o como? Como é que você tem atuado nessa área? o que você tem feito, e tenta passar para a turma, Fred, meio que um passo a passo, naturalmente, e cada caso é um caso, mas não mostra o trilho, porque a gente não confia nele. Mas qual é a trilha que você tem seguido para ajudar um casal que cada um está te trazendo uma perspectiva aí? Porque eles estão te pedindo ajuda. Como é que você tem desempenhado essa ajuda? Bem objetivamente.
André, eu vou colocar até aqui, desde o início, porque pontualmente, aqui você sabe que as minhas anotações, elas são muito focadas no me ajudar com o trabalho para frente. Então, eu coloco muito elas ali na C já. de forma a eu realmente pescar bastante essas questões todas e começar a responder aquilo e criar essa trilha junto com os clientes. Então, por exemplo, lá de trás, eu já tinha pontuado e grifado que essas finanças são totalmente separadas. E que sempre a conversa do dinheiro não foi muito simples. E fala dos dois, tá? A gente não faz muito plano junto. Ele sempre foi uma pessoa mais contida e etc. E ela sempre investiu muito para um lado de uma previdência privada, que era o foco principal da outra atividade dela, que era o maior montante. Eles têm cada um um imóvel de locação e tem uma...
Salas comerciais em conjunto, tal, etc. Mas fazem investimentos separados e tal. Então, o que eu tenho? Eu só estou apontando para vocês essas características. Para quê? Para... caminhar para o lado do seguinte, como é que a gente constrói isso ao longo dessa trilha toda, dessa história toda? Incentivando o diálogo entre eles. Então, só para vocês terem uma ideia, saiu uma viagem com a filha de cinco para seis anos agora, para sete, perdão. Quase sete agora, já que a gente já está faz tempo juntos.
De uma conversa deles sobre um plano junto, um legado que eles querem construir para essa família, entendeu? Que eles querem deixar exemplo da relação de conversa e tal, etc. Então, eu venho construindo junto com eles ou com os clientes.
A gente olha para as finanças, vamos olhar para os investimentos, vai estar tudo bem. E vai estar tudo bem. Vamos fazer um plano para estar tudo bem. Mas o que precisa estar bem é, para que tudo aquilo serve? Para que tudo aquilo vai servir? Para que tudo aquilo que está sendo feito vai ser destinado? Para onde? Qual vai ser a alocação final obediente aos planos e projetos da família? Então, por exemplo, a dúvida atual deles lá atrás era se comprariam ou não uma casa, e uma casa que não fazia o menor sentido para eles.
Por quê?
Porque eles não tinham um planejamento de vida em comum para a família. E aí, o que eu tenho incentivado é esse planejamento em comum para a família. O entendimento. E aí, pô, como é que você constrói isso, Fred? A trilha e não o trilho, né? Eu já cheguei a caminhar com ele em volta aqui do clube aqui, para conversar com ele. Já cheguei a ir tomar um café só com ela para conversar com ela, para entender todas essas coisas. Então, você constrói se adaptando àquilo que está pintando para você. Então, a gente tem que ir entendendo e abrir e sempre ir no extra mile, né, André, que a gente fala bastante, de, cara, às vezes você vai ter que tomar um café com o cliente e falar outras coisas para entender como é que ele está reagindo a tudo aquilo, né? para entender como é que as coisas têm sido trazidas. Então, estou dando muito o exemplo deles, mas é o que eu faço com os outros, é tentar ajustar tudo isso para que a conversa caminhe para o lado deles e não daquilo que os outros estão falando. Para que o contexto caminhe para aquele que é o deles e não o contexto que estão montando para eles, entendeu? Para que as coisas caminhem em um alvo comum e não um fim de uma relação.
Legal, legal. Rodrigão, voltando aí agora, querendo te escutar um pouquinho também na direção do como, cara. Ao se deparar com situações análogas, o que você tem buscado fazer de prática realmente? O Fred propõe aí, poxa, mais diálogos na direção de um plano em comum. reuniões talvez extraordinárias, um café, uma caminhada para... Deixe-me conhecer um pouquinho mais a perspectiva de cada. E você, o que você traz para a gente poder dialogar?
É, André, acho que é uma situação que de fato diz muito mais respeito às questões pessoais deles, anseios pessoais. e como eles estão se sentindo com relação a esses planos, até do que algo tecnicamente, financeiro, uma série de contas que a gente vai fazer. Então, acho que eu concordo completamente com o Fred sobre o valor dessas conversas agora. Porque o Fred até traz alguns pontos que dão a sensação pra gente de que eles estão decidindo uma série de planos ou tomando uma série de decisões, iniciativas. Porque, ah, é o que eu acho que deve fazer. É o controle que eu acho que a gente deve ter. Mas sem refletir muito sobre um olhar maior. Qual que é o objetivo aqui da família como um todo, né? O caderninho de Chex, que eu… que o Fred citou, me chama muito a atenção. Então, a gente está contabilizando a ajuda, entre aspas, aqui, ajuda que um dá para o outro em momentos de necessidade. Esse controle, qual que é o objetivo, de fato? Vai ter algum momento que, se esse check não estiver no zero a zero, alguém ganha um prêmio de melhor anjo? Ou alguém é punido por não ter tido a condição de ajudar tanto quanto o outro, né. E lógico aqui que eu tô partindo de um princípio de que a gente tá construindo uma relação saudável e que ninguém aqui tá abusando, digamos assim, do afeto do outro, né. Eu imagino que eles queiram as mesmas coisas, que eles se gostem que eles queiram uma família que esteja bem, próspera, né, e que siga bem. Então nesse contexto, né, se é isso que a gente... que é construindo esse diálogo, né? Poxa, será que não é melhor a gente entender o que é o ponto de dor de cada um e conciliar isso, né? Se ele tá se sentindo mal, se sentindo vulnerável nessa transição, será que não é uma conversa com eles que vai fazer ele relaxar e até conseguir tocar melhor essa transição, se ela der essa... essa segurança para ele. Se por outro lado ela está se sentindo pressionada com o peso de agora individualmente durante esse período tem uma responsabilidade maior será que ele também não consegue compreender isso e eles tomarem algumas decisões com relação às reservas que eles têm ou como essa transição vai ser feita para que ela se sinta mais tranquila, né. Agora, de fato, o que pode acontecer é os dois sofrendo sozinhos, né. E aí que entra essa questão que o Fred falou, né. Essa pessoa externa de fora pode ter um olhar desse todo. E ainda que com uma intimidade menor, evidente, do que o casal tem entre si. pode ser quem vai promover esse encontro e fazer os próximos passos serem muito mais tranquilos do que podem parecer agora.
Muito legal, muito bom, muito bem. Casais, acho que uma coisa muito importante que busco também é ajudar os casais a terem algumas conversas até bastante simples. Por exemplo, quando eu vejo que há uma disfunção, e essa disfunção pode ser manifesta na direção de dividir totalmente as contas, ou uma cobrança muito excessiva, a gente percebe isso. Não é nem uma ciência de foguete perceber que, opa, tem alguma coisa aqui que não está tão bem. Eu gosto de olhar bem no olho deles, no olho de cada um, e dizer primeiro, Rei, eu gostaria aqui de assumir um compromisso. Um compromisso de ajudá-los no casamento de vocês e não apenas nas finanças de vocês. Tudo bem? Tudo bem eu poder me candidatar a isso? Eu acho importante ter esse acordo inicial. Aí depois, na trilha, a segunda coisa que eu faço é Primeiro, queridos, me conta um pouquinho, João, por que vocês começaram? Eu quero escutar um pouquinho falando sobre o primeiro amor. Por que vocês começaram? Maria, por que vocês começaram? Pessoal, nunca eu ouvi respostas de utilidade. Ah, era mais útil ter algo... Nunca. Tudo bem que isso também tem ali a sua importância. Mas sempre tem um tom de amor, um tom de cuidado, um tom de admiração para o outro.
E eu acho que é importante resgatar. Sempre na vida, quando a gente está abalado com alguma coisa, a gente vale a pena fazer esse exercício. Lembre-se do porquê que você começou. Casamentos são intensos e eles podem deteriorar. Carreiras são intensas, elas podem deteriorar. Relações entre amigos, elas podem se deteriorar. A gente tem que, muitas vezes, gatar qual é o primeiro amor com isso tudo. E depois, para não ficar numa cartilha muito longa aqui, eu uso um expediente que é universal. Universal na direção de uso para todos eles. Eu digo, olha, vocês nasceram dependentes. O ser humano nasce dependente. Eu nasci dependente, o Rodrigo, o Fred também, todo mundo aqui que está ouvindo a gente, o João e Maria também. Dependentes dos nossos pais. E a espécie humana é uma daquelas que permanece dependente por mais tempo. Chega uma hora que a gente amadurece, a gente busca uma carreira, uma profissão, e aqui eu sei que estou falando sobre a espécie humana bem no ambiente cosmopolita urbano, a gente busca a independência. Agora eu sou uma pessoa independente. Eu não preciso mais dos meus pais, eu já tenho... E lógico, a gente pode depois dialogar sobre independência, verdadeira independência emocional, social, familiar, tem gente que não tem tanto isso, mas enfim. E aí João encontra Maria, Maria encontra João. E se eles quiserem ter uma relação conjugal, totalmente dependente, um dependendo do outro, a coisa não vai dar muito certo.
Mas também se eles quiserem ter uma relação conjugal independente totalmente, notadamente não vai dar certo. Mas até esse momento, são dois seres humanos que só tiveram a experiência de serem dependentes ou independentes. Eles não sabem como ter uma relação interdependente. E aí eu acho que a gente pode servir, que a gente pode ajudar.
Em como estabelecer uma relação de interdependência, muito mais baseada realmente no apoio, naturalmente dependente de um amplo e maduro diálogo. Eu concordo com o que o Fred colocou na direção do diálogo, com o que o Rodrigo reforçou também na direção de bom ter o diálogo assistido por uma pessoa de fora, que promova essas conversas. Daí a primeira etapa da minha trilha. e olhar no olho e dizer, eu vou cuidar do casamento de vocês e não só das finanças de vocês. E eu vou ajudar a gente a estabelecer diálogo. E quando a Cristina D'Aguino fala assim, ei, para, para, Maria. Maria, olha o que você está dizendo efetivamente para o João. É isso realmente? Ou será que não tem um melhor caminho? E aí depois tem várias outras técnicas que a gente usa. Já explorei em algumas open classes que a gente tem aqui. Se você estiver ouvindo a gente, ainda não é assinante da Academia Premium. Você não sabe o que você está perdendo. Lá tem um monte de material nessa direção também. Mas eu acho que aqui o recado principal, pelo menos na minha prática, viu, Rodrigo e Fred? Eu não me abstenho. Se a coisa não está muito bem numa relação conjugal, dizer... Não tem nada a ver com 100% do CDI ou com nada disso. Não existe sucesso profissional, não existe sucesso financeiro que supere um fracasso familiar.
E é por isso que eu, então, coloco a colher, coloco o garfo, coloco a faca, coloco o prato, coloco o copo e me envolvo numa relação conjugal.
Enfim, dá certo todas as vezes? Não. Mas dá certo na maioria das vezes. Dá certo na maioria das vezes. Rodrigão, Fred, que Deus te abençoe aí com esse casal. Eu já sei que ele te faz instrumento desse jovem casal. E eu adorei uma ideia que você deu agora, que é dar uma caminhada. Vamos sair para dar uma caminhada. Cara, realmente, até sair do ambiente reunião, escritório, seja no escritório, seja na casa do cliente, vamos dar uma caminhada. Muito bacana. Obrigado por ter compartilhado isso.
A caminhada foi tão legal que ele... Ele toda hora, ele fala, ó, tô à disposição. Quando você quiser caminhar, bora lá.
Me convida que eu tô junto. Boa, muito legal. Ô, e você, cara? O que você contou aí da semana passada?
Por coincidência, acho que é uma família que tem também aqui o tema, são essas decisões grandes familiares mesmo, né? É um casal ali em torno dos 40 e pouquinhos anos, então um casal jovem, tem dois filhos pequenos, e eles tomaram uma decisão de carreira de deixar o Brasil, tiveram uma oportunidade de passar, construir uma carreira nos Estados Unidos. Então foram para Nova York, estão por lá.
Só que com isso surgiram algumas inseguranças ali com relação ao patrimônio deles nessa nova vida. e em meio a muito ruído que a gente tem no nosso contexto atual, YouTube, rede social, TV e muita dificuldade em separar o que de fato é sinal e o que é ruído, eles têm uma insegurança quanto à internacionalização do patrimônio deles. A gente deve... ter tudo aqui nos Estados Unidos, eu não posso manter nada no Brasil, medo sobre o futuro do Brasil. Então, muita gente no entorno comentando sobre isso, sobre a insegurança, e essa é a grande... angústia deles que a gente tem conversado, que nós conversamos na última semana, basicamente tentando separar um pouco. Acho que o principal tema tem sido, André, tentar evitar que esse medo, que essa insegurança seja a bússola deles de tomada de decisão. E tentar comentar com eles, trazer alguns temas de, poxa, nessa decisão de internacionalização o que deve orientar esse pensamento deles nessa fase da vida. Esse foi o papo mais recente da semana.
Legal legal. Fredão. Eu acho que você já passou por casos assim também. Só para fazer um rápido comentário aqui, brevemente comentei isso nos nossos bastidores aqui, eu costumo trazer para o cliente basicamente três tipos de mudanças que são importantes. Eu digo que a primeira mudança é o tipo de mudança orçamentária, que é tomar decisões de estilo de vida, de estilos de consumo, viagens para fazer, tipo de comida que a gente come, de roupa que a gente veste, mas são decisões de impacto basicamente orçamentário. Aí tem decisões que eu chamo de decisões e de mudanças estruturais, que também impactam o orçamento, eventualmente impactam até a questão patrimonial, que é, por exemplo, uma mudança de casa, um tirar filho da escola, um mudar plano de saúde.
E tem outras que estão no terceiro nível, eu não consigo imaginar um quarto, que são mudanças tectônicas. Talvez o quarto nível sejam mudanças repentinas, o falecimento de alguém, receber uma grande herança ou alguma coisa do gênero. Mas as mudanças tectônicas são como essa que o Rodrigo descreveu, uma mudança total de carreira, uma mudança de país.
E fato que existem questões também técnicas, né, Fred, que a gente tem que cuidar. Por exemplo, a questão da residência fiscal e etc. Como é que você tem abordado esses assuntos com os clientes? E note que o que o Rodrigo trouxe para a gente foi algo que está aqui dentro da Vertical da Arte, que é as motivações deles, os receios deles, as ainda inseguranças que permeiam uma mudança tectônica. Como é que você tem conduzido essa questão, cara?
Bom, primeiro ponto é entender junto aos clientes, efetivamente, onde eles se enxergam no futuro. Se é realmente lá ou se existe só essa... Posso falar uma coisa aqui que pode ser até meio polêmica, mas se existe só esse modismo de vou colocar alguma coisa lá fora.
Porque até onde eu entendo é o seguinte, a partir do momento que eles estão lá profissionalmente, a vida deles está lá, faz o menor sentido. E se realmente sair da fiscal definitiva aqui no Brasil, não faz nenhum sentido a gente pensar em colocar a risco Brasil para quem mora nos Estados Unidos. Ponto. Agora, só faz sentido colocar risco fora do país para quem tem um projeto fora do país. Só faz sentido alocar dinheiro lá fora para quem tem tudo resolvido aqui dentro. E só vai fazer sentido de forma efetiva, gente. Posso até dar números aqui se vocês quiserem, mas no meu entendimento, só vai fazer sentido de forma efetiva essa alocação externa versus os juros e as garantias, etc., que nós temos aqui dentro do país, se for muito dinheiro lá fora. Eu só começo a enxergar possibilidades de ter retornos positivos e corretos, alinhados, etc, com mais de um milhão de dólares. Só para vocês terem uma ideia. Você começa a brincar com plataformas corretas que vão te servir de forma correta acessando coisas lá fora de 300 para frente. Então não é sair com 10 que vai resolver com 20, com 50. Você vai acessar porcaria. Você pode acessar coisa daqui. Eu estou sendo muito sincero em relação a tudo isso. Você vai poder fazer. Você quer ter risco americano? Pega o IGBB11. Você vai pegar a S&P 500 em reais.
Pronto. Acabou.
Você quer colocar lá fora? Pode ser dessa forma. Porque, efetivamente, a alocação final tem que ser 100% obediente à destinação para a qual o dinheiro vai ser colocado, aportado e destinado. Então, assim.
Se a vida custa em dólar, beleza investir em dólar, tranquilamente. Agora, se a vida custa em real, Faz sentido. Você não vai jogar câmbio contra você, você vai jogar oscilação. Se a gente for acompanhar a curva do dólar nos últimos 20 anos, vocês vão ver a tinta que ela toma. de qualquer IPT a longo e curto também. Então, não faz sentido investir em dólar só pelo preço.
Em dólar, a rentabilidade real é negativa.
Em dólar, a rentabilidade real é negativa, se for só pela moeda em si. Então, se a minha vida está lá fora, mas hoje tem oportunidade de taxas altas lá fora, quero ver se acessar elas de verdade, se acessar um T-bill mesmo de verdade. Você não vai acessar abrindo a conta Vou fazer uma propaganda aqui no meio, abrindo a conta internacional do C6 para investir. Isso vai ser taxado de meio por cento a mais.
Não sei se vai compensar. E efetivamente, o cara só consegue sair com um volume desse. Quando a gente fala em 300 mil dólares, a gente está falando de um milhão e meio de reais ou mais. O cara só vai conseguir sair com isso daqui se ele tiver muito mais aqui. para ter alguma coisa lá fora. E se fizer sentido, ah, projeto da vida futura das crianças, porque eles vão fazer faculdade lá, tudo bem, gente. Mas efetivamente, você tem que caminhar com o cliente para o seguinte, aonde você quer estar? E aí, vai totalmente contra aqui, André, a definição e destinação 100%, disso tudo, dessa forma que as pessoas acabam querendo colocar, vai totalmente contra aquela flexibilização que eu falei com o pessoal aqui dentro da Live num último MMM nosso. Você começa a decidir por um lado que te trava tanto.
Que depois você não tem margem de manobra. Então, tem que ser uma conversa muito séria. É definitivo mesmo? Se for definitivo, então, cara, sai com o CPF. Nem pensa aqui, Brasil. Bora, Rodrigão, estudar junto comigo aí, se você quiser, porque eu estou estudando. Vamos estudar coisa lá fora e beleza.
O Fred falou que ia fazer publicidade do C6, mas a gente fez um Publis com eles para esse episódio, e cada vez que a gente fala C6, a gente ganha mil dólares. Então segura aí, Fredão.
Transparência.
Olha só, C6 estão pensando em servir clientes. Se C6 estão fazendo conta, se vale a pena ou não. Se seis, já estamos ampliando o copo aqui. Brincadeira, lógico que não. Isso aqui não tem patrocínio de lugar nenhum, nunca vai ter. Rua, conta para a gente. Primeiro, na tua carteira, é a primeira experiência de uma potencial expatriação completa que você está enfrentando aí? Já teve algum caso antes? E, independentemente disso, como é que você está pretendendo conduzir aí? O que você está pensando em fazer para a gente poder caminhar junto com você?
André, eu já tive casos de brasileiros, como o Fred falou, atuando aqui com carteiras internacionalizadas ou com recursos fora do país, seja em estruturas mais sofisticadas assim, offshore mesmo, ou algumas possibilidades que a gente tem hoje em dia até mais simples, como o Fred comentou, de contas internacionais, ou o investimento aqui no Brasil, custodiado aqui, mas está amarrado. com o dólar ou com Bolsa Americana ou com outros índices até por aí. E bom, até o momento, a primeira abordagem, a primeira preocupação minha e que isso se aplica a essa família, mas a todas essas que tinham alguma questão com internacionalização, foi deixar claro que o medo nunca é um bom direcionador. Então, André, eu sempre faço questão, quando comentam isso, isso é com qualquer insegurança, pode ser insegurança com o futuro do Brasil, com o contexto econômico do Brasil, mas com qualquer outra, é de entender muito bem com o seu cliente, com quem você está caminhando ali, qual é o receio? o que se ouviu, para tentar explorar muito bem quais de fato são os receios, o quanto esses receios estão pautados na realidade objetiva. E aqui já, muitas vezes, a gente se surpreende com o cliente com dificuldade até de definir de fato o que é o receio dele. Por conta... desse contexto que eu comentei até também, né, de às vezes a gente se vê num turbilhão de informação e isso deixa a gente, de fato, com uma série de medos que a gente às vezes não consegue nem articular direito, né. Então, auxiliar o cliente nisso, temerar de fato, entender o que é um risco realmente e daí passar a pensar como a gente toma decisões coerentes com a construção desse patrimônio E aí o que o Fred colocou tem total relação de bom então vamos entender como você pode se beneficiar se é que você pode se beneficiar de ter uma parte do seu patrimônio por exemplo em outro país ou em um ativo. que não desrespeito as questões domésticas aqui do Brasil, né. Então acho que isso já foi uma conversa que eu tive com eles já super produtiva, né. Acho que já trouxe muita paz pra eles, né. Alguma segurança adicional de, olha, tem um caminho aqui, né, pra gente pensar sobre isso, né. E daí entram os outros temas bem particulares, né. que é o que o Fred comentou, a gente começou a discutir, para entender, lógico, na medida do possível, da visibilidade que eles têm hoje, o quanto essa mudança é definitiva. É lógico que a gente nunca vai conseguir cravar, né. Mas você consegue ter uma boa percepção ali do que é a intenção deles, né. Do que já é possível entender quanto tempo eles querem ficar lá, né. Ou se eles já cogitam, em algum momento, voltar. Porque entender o quanto da vida deles tá no Brasil o quanto da vida deles tá, de fato, fora é essencial para a gente conseguir estruturar a exposição que eles deveriam ter em reais, em dólar, e possivelmente traçar um caminho em que eles possam se beneficiar, muitas vezes, do que há de bom, de segurança e contexto econômico num país desenvolvido, com um ambiente de negócios como o que os Estados Unidos têm, assim como possivelmente se beneficiar também do que é característica de um país emergente como o Brasil, né. Lógico, o conhecimento da realidade brasileira que eles têm, o contato com as notícias que eles têm, a familiaridade com o Brasil que eles têm, juros de país emergente, coisas assim, né. Então, no final das contas, acho que é isso, é entender, é tirar essa parte do medo ter claro o que é que nós queremos construir com essa internacionalização e possivelmente construir um caminho nem tanto ao céu nem tanto ao mar e que uma família dessa possa se beneficiar do que há de melhor nos dois contextos, digamos assim.
Muito bom. Eu vou me contar, esse caso em particular, eles foram para os Estados Unidos a partir de uma oportunidade, de um convite de trabalho, ou seja, esse primeiro capítulo, tudo muito bem organizado, bem formatado, eles não foram lá para, vamos ver o que vai dar, e as coisas começaram a se encaixar, ou não, eles foram meio que na cara e coragem. Como é que foi o primeiro capítulo dessa família em particular?
Não, eles foram mais bem organizadinhos, assim, tá, André? Então assim, não foi na cara e na coragem, vamos ver o que vai acontecer, né. Eles tinham esse desejo há algum tempo, e surgiu um caminho inicial, né. Surgiu uma oportunidade pra começar a construir. Lógico que você parte de um estágio ali, né, na carreira profissional diferente do que eles já tinham construído no Brasil, né. Então tem... uma construção que tem sido feita lá. Mas eles tinham um caminho inicial para a prática profissional deles.
Acho que, naturalmente, a primeira coisa mais contextual, toda mudança tectônica também pode apontar para algumas outras mudanças relevantes acontecendo no curto e médio prazo. Ou seja, aqui vale muito mais o conceito do planejamento como um filme do que o plano como uma foto. Vale menos o que eu faço agora e vale mais o como eu me organizo para uma jornada, uma temporada de algumas mudanças que vão acontecer na minha vida. Naturalmente, também é importante observar, Rodrigo, as questões legais que precisam ser conversadas no contexto de uma expatriação. para que não haja nenhum problema. E, principalmente, mais importante do que a ausência de um problema é a presença de uma retidão, de fazer o que é certo, de fazer o que é correto, mesmo que isso seja custoso. Não dá para relativizar muito. Em um período de grandes mudanças, a gente tem a tendência a vamos ver o que vai dar e ficar no limbo por um tempo. Ok, algumas coisas são assim mesmo, mas dentro das quatro linhas. Então, aponte o cliente para algumas coisas que a gente precisa ajeitar desde já.
E depois, acho que essa é a reflexão mais importante. Também conversar sobre as motivações para isso. Para que a conversa de motivação não seja etérea demais, eu sempre costumo apresentar a seguinte reflexão para a família. Sempre que a gente faz um movimento para fugir de algo, é pior do que um movimento para ir na direção de algo. Ou seja, é muito ruim quando a gente tá reagindo à vida. É melhor quando a gente tá agindo na direção de uma motivação, de um projeto maior. Que projeto maior é esse? Qual é essa estrela norte que a gente tem pra perseguir? E depois a gente vai ver se o caminho passa pelos Estados Unidos ou se passa por qualquer outro lugar. E eu acho que essa é uma conversa importante também que um planejador financeiro deve ter com essa família. E a partir dela, dentro sempre da observação das quatro linhas, a gente começa a organizar toda a questão fiscal e toda a questão financeira. E é fato, pessoal, se os nossos passivos estão numa moeda, o ideal é que os nossos ativos estejam na mesma moeda. Talvez isso seja algo constitucional dentro do livro das leis do planejamento financeiro cross border, ou do planejamento financeiro global, é atrelar ativo com passivo dentro das quatro linhas. Mas antes, antes, antes, qual é a verdadeira motivação para tudo isso? Cara, a gente está conversando sobre a motivação há um ano, um ano e meio, não tem problema. Contanto que cada conversa comece a convergir um pouco mais. Sempre aponte para uma convergência, aponte para uma direção. O nosso valor vai ser amplamente percebido nessa direção. Também, Rô, que Deus te abençoe também com esse caso. que você seja um bom ponto de reflexão, de ponderação, de pensamento e também de ação na direção dos ajustes que são necessários numa situação como essa. Viu? Obrigado por compartilhar.
Valeu. Valeu. É sempre ótimo conversar com vocês. A gente sempre sai com a cabeça boa também para as novas.
É bom, não é? Você viu que essas oito... Imagina as minhas 39 vezes que serão até a gente completar isso, as suas oito. Imagina as novas. O mais legal, Rodrigão, é a hora que a gente chegar no 40 e o André vamos empatar, porque cada um faltou numa.
Faltou uma.
39 cada um. Ou seja, ninguém vai ser 100% como não devemos ser, porque tudo tem flexibilidade.
Eu não sei você, Thad, mas eu sou 100% homem. Se você quer flexibilidade...
Não, não, eu tô brincando.
Ah, botaram infa, infa.
Pelo amor de Deus. Eu tô brincando.
Brincadeira essa parte. Rô, obrigado. Fredão, mais uma vez, muito obrigado. A gente volta em breve. A gente quer ainda fazer, nesse ano de 2023, o 39º e o 40º episódio. Depois a gente vai descansar um pouquinho, né, Fred? Tirar um tempinho de descanso e vamos ver o que a gente prepara para a próxima temporada desse nosso podcast aqui. Turma, obrigado. Bom descanso. Fiquei com Deus. Um abraço. Tchau.
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