A short excerpt of a 2019 YouTube video about development work in Serra do Mar (Brazil). The clip alternates between a long-time resident (Speaker A) describing living conditions before a relocation project (lack of electricity, poor water access, informal housing) and the community transformation after resettlement (new apartments, social cohesion, local newspaper), and an institutional representative (Speaker B) from the Inter-American Development Bank explaining the Bank's role financing long-term development projects, the use of technology to improve public services, and the complexities of relocating communities near Serra do Mar to allow forest recovery while improving residents' opportunities.
Chapters
Cheguei aqui em 1962, tinha dois anos de idade. Então minha vida foi nesse bairro. Antes do projeto, toda a borda dessa mata era casa, invadida. Era morava pendurado nos murros.
Nós, como instituição, proporcionamos financiamento a longo prazo para projetos de desenvolvimento na América Latina e no Caribe. Pensem em uma estrada, pensem em uma escola, pensem em um sistema judicial. Todos os tipos de serviços que o setor público deveria proporcionar, nós ajudamos a fazê-los de uma forma melhor. A tecnologia é um encarregador. Ela não é uma solução em si mesma. Então a questão é como usamos a tecnologia para fazer o nosso trabalho melhor.
Aqui não existia energia elétrica. A água era canalizada, mas muito ruim as irrigações. Usava balbeira, usava bambu, para a água chegar na casa das pessoas.
Serra do Mar é uma montanha entre a cidade de São Paulo e o porto de Santos. E nessa montanha é o maior fragmento da floresta atlântica. O estado de São Paulo decidiu resgatar as pessoas que vivem nas fronteiras do parque de maneira que lhes dará mais oportunidades e melhor acesso econômico, e ao mesmo tempo dará ao parque a oportunidade de se recuperar. Mas essa solução é muito complexa, porque algumas dessas pessoas vivem lá há décadas.
Eu fui eleito para ser o interlocutor da minha comunidade para morar. O cara, de repente, morava num barraco de madeira lá. De repente, ele vem para morar aqui numa sobreposta ou num apartamento. Uma mudança muito grande. Fiquei três anos para tentar ajudar na adaptação dos moradores que saíram lá dos bairros gotas. A gente ia de casa em casa, ia dos bairros, conversa com... Criamos um jornal e o jornal passou a ser um porta-voz da comunidade. Muita gente mesmo não se reconhecia como cidadão. E nesse processo todo, começou uma transformação. Houve uma mudança radical nas pessoas, na comunidade.
Você precisa entender o melhor modo de distribuir esse projeto, baseado não somente no interesse do Estado ou do governo local, mas igualmente na comunidade maior. Você precisa entender as pessoas, o que as leva e quais são os seus preocupações. E hoje você pode fazer isso com tecnologia que você não poderia fazer, digamos, 15 ou 20 anos atrás.
Veja bem que eu estou há sete anos aqui. Eu sei exatamente a importância que tem esses projetos sociais, que na verdade agrega às pessoas. Aqui mesmo é comum. Eu saía e ia chegar. Não, porque eu vou para o meu apartamento. O cara fala de boca cheia.
Quando falamos de melhorar as vidas, falamos de sociedade, falamos de governo, mas também falamos de comunidade.
Para quem viveu aqui, que nem eu, que vi andando aqui nas ruas de terra, com muita dificuldade, hoje, para nós, isso é muito sério. O Projeto Cerdão, para nós, é muito grande. Nos trouxe segurança de viver, uma situação melhor. Nós terminamos uma nova vida.