Agro Tendências 2021 - Dia 01 - John Deere

Live event from July 2021 featuring Paulo Herrmann of John Deere Brazil, André Franco from Syngenta Seeds, and Gil Barabá from Safras e Mercado Consultores discussing technology, digitalization, and sustainability trends in Brazilian agriculture.
Olá, muito boa noite para vocês. Sejam bem-vindos ao Agro Tendências 2021. Nas próximas horas estaremos aqui juntos para entender o que vem pela frente no agro brasileiro. Eu sou o Kellen Severo e estarei com vocês conduzindo este super evento que tive a satisfação de ser convidada pela John Deere para estar aqui hoje mediando estes debates e estes novos conhecimentos que estarão em pauta. Nós estamos no estúdio aqui em São Paulo ao vivo para todo o Brasil e seguindo rigorosamente todas as normas de higiene e o protocolo de combate à disseminação da covid-19. Na noite de hoje nós teremos especialistas convidados que nos dirão O que vem pela frente no agro brasileiro? O que podemos esperar para o mercado de grãos, soja, milho, câmbio? E mais, como a inovação vai impactar o agro daqui pra frente? O que podemos esperar dos próximos 10 anos? na genética, na tecnologia, nos modos de fazer lá na lavoura. Tudo isso e mais você vai saber nesta edição do Agro Tendências que já está no ar. E é claro que eu vou trazer mais novidades ao longo desta noite. Para começarmos eu gostaria de iniciar este bate-papo convidando para estar conosco ele que é uma das personalidades mais influentes do agro brasileiro. Ele já está conosco e eu quero chamá-lo para vir aqui trazer as primeiras palavras para o nosso agrotendências 2021. Vocês já sabem de quem eu estou falando? É isso mesmo, estou falando do presidente da John Deere Brasil, Paulo Herrmann. Ele já está aqui comigo. Primeiramente, muito boa noite. Que honra estar com vocês no Agro Tendências 2021. Seja bem-vindo, Paulo Herrmann.
Muito obrigado, Kellen. Obrigado a todos que nos assistem, que se inscreveram a participar deste AgroTendências que estamos fazendo esse ano em duas etapas. No dia de hoje nós vamos debater com três especialistas o tema do grão no Brasil, como a Kellen falou, O grão hoje, amanhã, qual é a tendência, para onde nós vamos. E amanhã nós teremos semelhante debate com especialistas na área da cana, no mesmo horário, falando um pouco sobre a energia renovável, a questão do álcool, do etanol, do açúcar, enfim, do futuro dessa atividade econômica. Eu quero também, Kellen, aproveitar e agradecer quem vai nos acompanhar hoje aqui. Eu tenho um privilégio de ter aí três pessoas extremamente relevantes no assunto da cana, no assunto do grão, melhor dizendo. que é o André Franco, que é o diretor da Cingenta, na área de sementes, é um amigo nosso de longa data e hoje ele vai emprestar os seus conhecimentos com relação a esse tema de grãos. Também estará na sequência conosco o Gil Barabá, O Gil trabalha nas safras de mercados, é uma consultoria muito conhecida, muito importante no Brasil, e o Gil vai nos trazer também a perspectiva dele sobre a questão dos mercados, do futuro, como é que nós estamos posicionados. E, finalmente, nós vamos ter aqui a presença do Henrique Citrone, ele que está entrando desde Rio Verde, A família dele é cliente de John Deere e ele é uma pessoa vinculada ao negócio de sementes, atua na Pioneer há muitos anos e ele também vai trazer a visão dele com relação a esse mercado, Kellen. Será sem dúvida nenhuma uma super noite e que certamente cada um irá conseguir tirar alguma coisa do conhecimento dessas pessoas relevantes que nós temos aqui.
É realmente uma noite muito especial porque, afinal de contas, Hermann, as dinâmicas nesse mercado do agro estão mudando cada vez mais velozmente. E é nosso papel aqui trazer para esta audiência tão qualificada as novidades para que todos estejam preparados e possam surfar essa onda de oportunidades. Eu gostaria, então, de saber, nestes minutos iniciais, qual é a visão do Paulo Herrmann para o agro-brasileiro. É um cenário de mais desafios, de mais oportunidades? Para onde o setor está caminhando e quais as mudanças e agrotendências que você já vislumbra?
Vocês vão ver depois da minha introdução os especialistas tratando do tema. Kellen, você me conhece e quem está nos assistindo também, eu sou um otimista por definição. Para mim o copo sempre está meio cheio, eu não consigo enxergar copo meio vazio, mas nesse momento eu preciso chamar atenção que estamos vivendo um ponto de inflexão. um momento de descontinuidade. Tem gente que chama de disrupção, pode chamar do que quiser, mas é um momento em que nós vamos sair de um sistema de crescimento orgânico para, vamos nos aproximar no agro, um crescimento exponencial. E eu explico isso por três motivos básicos pelos quais eu acredito nesse ponto de inflexão, nesse crescimento exponencial. Primeiro, é essa combinação favorável que está acontecendo no agro, que a gente pode até dizer que é um alinhamento de astros, certamente isto não é para sempre, estamos vivendo um momento de exceção, mas não importa, é um momento favorável. onde vários astros estão alinhados. E um deles é a questão dos asiáticos. Os asiáticos estão recompondo os estoques de alimentos deles e em cima da recomposição ainda colocando uma quantidade de segurança exatamente com medo de que em algum lugar do mundo possa ocorrer algum lockdown, alguma disrupção. e eles ficarem com problema de segurança alimentar. Esse é um primeiro ponto. Exportações do agro muito forte, estão dando 10 bilhões de dólares por mês de exportação. Número um. Número dois, são os preços acima da média histórica em Chicago. Se nós olharmos a média histórica da soja de 10 dólares o bucho, hoje estamos trabalhando em 13 dólares, já teve 16, mas enfim. Da mesma forma o milho, média histórica de 4 dólares, estamos hoje operando em 5. Então estes preços de Chicago que refletem exatamente esse aumento das exportações para a Ásia, e não é só a China, é para a Ásia de uma maneira geral. combinado com uma taxa de câmbio acima de 5, hoje fechou 5,15 por aí, 5,16, isso gera um volume de recursos que faz tempo que a gente não consegue gerar um caixa tão favorável quanto esse. Então você tem o segundo ácido alinhado, que é o caixa, em função de Chicago e da taxa de câmbio. O terceiro astro, Kellen, é essa baixa remuneração. Não é baixa de remuneração, é que em um ambiente de economia estável, a taxa de juros começa a ficar baixa e a remuneração dos multimercados e outros papéis que tem por aí não são muito expressivos. quando fica muito claro para o agricultor que se ele investir na atividade dele, ele tem um retorno maior do que investir em papéis em banco. Então esse é o primeiro fato. Eu não me lembro na minha carreira de ter vivido um momento de um pacote tão maciço, tão relevante de tecnologia no campo. em todas as frentes, não estou falando só de máquinas, estou falando de sementes, nós temos hoje dois especialistas aqui de sementes, vocês vão confirmar isso aí, energia solar, irrigação, armazenagem, químicas, nunca vendemos tanto produto fertilizante, enfim, alta, alta quantidade de tecnologia, número um. Número dois, é um outro fenômeno muito interessante, Com o Covid, houve uma digitalização acelerada em todos os campos. Essa plataforma que nós estamos usando hoje de noite aqui, um ano e meio atrás, não existia. Ou se existia, nós nem usávamos, nunca usamos isso. E hoje nós estamos com gente de Porto Alegre, Rio Verde, São Paulo, vários lugares do Brasil e mais de mil pessoas assistindo no conforto das suas casas, recebendo as mensagens, debatendo, vai ter uma sessão de perguntas. Então, a digitalização andou e várias iniciativas de trazer a internet para o campo estão ocorrendo e aqui eu coloco um outro fator importante. De três a cinco anos, nós vamos ter o Brasil conectado ponta a ponta com internet 4G ou 5G, não importa qual é o valor. Qual é a banda? Esse é um fenômeno, e esse fenômeno está atraindo jovens, porque os jovens filhos agricultores que estavam vivendo nas cidades, Com o lockdown das cidades, as universidades fecharam, restaurantes fecharam, shoppings fecharam, o pessoal resolveu voltar para casa. E, ao voltar para casa, se deparou com toda essa tecnologia que eu estou falando, mais a digitalização, mais a conectividade que está começando a se tornar uma realidade no Brasil. Ainda tem muito para crescer, mas já é um fato que se discute de uma maneira muito frequente nossas reuniões. É o segundo ponto. Então, um rejuvenescimento do agro em cima da conectividade do digital. A idade média do agricultor brasileiro é 45 anos. Tem um estudo da McKinsey, há poucas semanas atrás, que mostrou isso. Comparativamente com 58 nos Estados Unidos e 62 na Europa. Então, isso aí tem várias gerações tecnológicas quando a gente fala no mundo digital. Então, esse é um segundo fenômeno importante, porque toda essa tecnologia que está sendo aportada, ela vai ter ali uma utilização sendo feita por jovens com as pessoas de mais idade e experientes que estão no campo. Então, esse é o segundo ponto. E o terceiro, para encerrar, Kellen, é a questão do propósito. Você sabe que os jovens hoje não estão tão interessados, talvez como no meu tempo, no salário ou no quanto vai ganhar e se vou me aposentar naquela empresa, mas os jovens estão interessados em trabalhar em alguma coisa que tenha um propósito relevante na vida deles. e o agro sempre teve um propósito, mas nessa pandemia ele sai reforçado no seu propósito, ele sai fortalecido no propósito de alimentar pessoas, no propósito de salvar vidas, no propósito de gerar bem-estar e se criar um ambiente de segurança alimentar. Então se você combinar essas três coisas, a tecnologia que está sendo aportada, com o rejuvenescimento do agro que está sendo acompanhado de um aumento da digitalização no campo e o propósito do agro. Isto são fatores fundamentais para eu acreditar nesse salto que nós vamos dar e sair de um crescimento de 4, 5% ao ano para um crescimento de 8 a 10% ao ano já a partir de 2021, 2022. Essa é a minha crença nesse momento.
Muito bem, Paulo Herman, a gente começa já o Agro Tendências 2021 com uma mensagem que é otimista, mas é ao mesmo tempo calcada em dados de realidade, projeções baseadas em fatos. A exemplo do que o Herman trouxe aqui da juventude que faz parte do agro brasileiro. É um agro jovem, ao redor de 45 anos. a digitalização, investimentos, a renda, todos esses fatores conjugados devem trazer um salto, de acordo com o Herman, crescimento de 8% a 10% nos próximos anos, a partir de 2021, 2022. Paulo Herman, eu quero já te agradecer. Daqui a pouquinho a gente vai conversar no debate para aprofundar estes temas que foram aqui trazidos. Obrigada por enquanto. Bom, e a gente já começou, então, anotem aí os primeiros pontos do Agrotendências 2021. Momento de descontinuidade, sai-se, deixa-se para trás um crescimento orgânico e passa a ter, então, um crescimento exponencial, ou seja, mais acelerado. Pilares para esse crescimento mais agudo, tecnologia e rejuvenescimento da população no campo associada à digitalização e demanda aquecida vinda, por exemplo, da Ásia. Vamos dar mais um passo adiante daqui a pouquinho. Agora, neste momento, eu tenho um convite para fazer para vocês. Vocês já conhecem o Conecta? Este é o aplicativo da John Deere. Você pode agora acessar pelo seu celular e ficar por dentro de todas as notícias do agro, seja para a agricultura, seja para a pecuária. Você pode ainda ter cotações de câmbio, commodities agrícolas e muito mais. Se você estiver nos assistindo neste momento, coloque o seu celular na frente da tela, Aproveite o QR Code que está aparecendo aí e faça já o download. Inclusive, se você pegar o seu celular já com o aplicativo Conecta e for em uma das 270 lojas da John Deere no Brasil, você sairá de lá com um boné exclusivo. Agora corra porque os estoques são limitados. Aproveite o nosso evento de hoje e já faça o download desse super aplicativo que vai te deixar ainda mais conectado com as novidades do mundo agro. E vamos seguir em frente, porque agora nós vamos receber mais um dos nossos especialistas convidados na noite de hoje. Eu quero já chamar André Franco. Ele é Business Unit Head Brasil e Paraguai da Singenta Seeds. E ele está aqui conosco para trazer mais agrotendências. André, seja muito bem-vindo. O que nós precisamos saber hoje para estarmos aí à frente entendendo o que está por vir no agro, hein? Conte para a gente. Seja bem-vindo.
Muito obrigado, Kellen. Muito bom te rever. Já tivemos outras oportunidades juntos. Eu gostaria aqui de aproveitar, agradecer na pessoa do Paulo Herrmann, pela John Deere, por esse convite, por essa oportunidade de estar aqui falando com agricultores, distribuidores e pessoas que fazem parte dessa cadeia do agronegócio. Eu queria aqui, para aqueles que pudessem ter uma referência da minha parte, hoje eu estou como diretor-geral para a CJ2 Cities, como você comentou, e para os produtores que nos veem, Eles realmente nos veem através de duas marcas, são as marcas Nidera e NK. Esta é a referência com que nós chegamos no mercado. O que me foi pedido para esse bate-papo com vocês foi de compartilhar a minha visão sobre a indústria de sementes, as tendências agronômicas e tecnológicas para a indústria de sementes. Eu não pretendo aqui falar do desenvolvimento, do trabalho da CGTC, mas sim, com muita humildade, tentar dividir a minha perspectiva para o negócio e para a indústria de sementes no Brasil, que é um dos fatores, dos motores e propulsores da produtividade para os produtores brasileiros. Muito bem, o que eu pretendo dividir com vocês, estou tentando passar aqui os meus slides, Está sob quatro, infelizmente, para variar nesse mundo digital. Nós temos um problema, mas eu posso ir falando com vocês sobre isso. Eu vou tentar parar de compartilhar e compartilhar novamente.
André, só para te avisar que nós estávamos vendo os slides perfeitamente. De repente, se você quiser recompartilhar... Ah, que bom.
Não, já recompartilhei. Já recompartilhei com todos. Muito bem.
Ótimo, então vamos em frente.
Vamos lá. Eu não consigo ver aqui o que vocês estão vendo, mas vamos embora. Quem sabe faz ao vivo e vamos seguir em frente. Vamos lá, eu vejo quatro tendências para o negócio de sementes no Brasil. Um deles é o jogo duro no mercado, que é assim que eu estou chamando. Segunda parte, digital. O digital veio para ficar no Brasil e veio para ficar no mundo do agronegócio. E, finalmente, a edição genética, novas tecnologias e, para fechar, a quarta tendência, a tendência da agricultura regenerativa. Vamos tentar abordar, pela minha visão, essas quatro tendências do agronegócio. Vou começar aqui pelo jogo duro no mercado. A indústria de sementes no mundo já está altamente consolidada e essa tendência continua. Só para você ter uma ideia, três empresas hoje detém mais de 60% do mercado global de sementes. Eu tenho a honra de estar participando de uma delas. Essa concentração leva, naturalmente, a uma alta capacidade de investimento, seja em biotecnologia, seja em serviços, seja em genética, seja em qualidade de semente, seja em alternativas digitais. Esse é um lado dessa equação do jogo duro. Como foi dito aqui pelo Paulo, a China e os asiáticos continuam impulsionando o crescimento global, o consumo de proteína continuará crescente, tudo indica assim, e isso vai impressionar as exportações do Brasil. Eu não vou entrar muito nessa área, acho que tem gente muito mais competente do que eu aqui para falar sobre esse tema, mas isso vai ao final impulsionar a área plantada. Na terceira parte, nós temos aí os preços de commodities que ainda retomem um patamar um pouco mais baixo do que a gente está vendo nesse momento. ainda vão ficar em patamares muito elevados, bem acima daquilo que a gente via historicamente no mercado. E isso vai trazer para os produtores uma alta capacidade, aliás, já traz aos produtores uma alta capacidade de investimento. O Paulo fez alguns comentários absolutamente verdadeiros que nunca se investiu tanto em tecnologia, nunca se vendeu tanto em várias áreas do agronegócio. Agora, no final dessa história, o jogo vai se fechar para mim na proximidade com o produtor. A gente vai ter sim uma indústria em consolidação, a gente vai ter um mercado consumidor forte, a gente vai ter preços de commodities em patamares elevados, mas a proximidade, a melhor experiência com o produtor na indústria de sementes vai fazer a diferença, porque é na semente que vive, que mora o potencial de produtividade. que faz toda a diferença. E o uso de todas as demais técnicas do plantio, a colheita, permitem você aproveitar todo esse potencial. Então, para fechar o jogo duro, eu estou falando com vocês aqui. Falei com vocês sobre consolidação do mercado, falei com vocês da China como promotor, dos países asiáticos como motor do crescimento e agricultores em boa posição para se investir em tecnologia. Deixa eu falar para vocês da segunda tendência que eu vejo para o mercado das sementes, digital. O Paulo já comentou com vocês, é uma verdade para todos os segmentos, dentro e fora do agro, e a gente não está fora desse processo. Agricultura de precisão já é uma realidade, já está na mão de todos, muitos já podem ter acesso, mas as soluções digitais elas podem alavancar resultados em vários caminhos durante todo o processo da agricultura. O Marco Fava Neves, ele faz um comentário que eu acho muito interessante, que é nós saímos da agricultura por hectare para a agricultura do metro quadrado. Pessoalmente, eu acho que no futuro muito próximo, a gente vai estar falando da agricultura por planta. Nessas diferentes fases, no planejamento, A questão mais básica é que a gente democratiza o conhecimento. Produtores passam, já há algum tempo, a ter acesso a informações sobre os diferentes híbridos, diferentes cultivares, a uma profundidade que não existia e a uma facilidade de acesso que não existia há algum tempo atrás. Permite a conversa com os produtores, com os representantes de empresa, em um outro patamar, em um outro nível de profundidade. E no nível mais avançado, você tem inteligência artificial e processamento massivo de dados, que pode, por exemplo, levar ferramentas como nós já temos disponibilizado, recomendador automático de sementes. O que quer dizer isso? Você imagina, na época que eu estudei agronomia, já há bastante tempo, a gente falava de um ano típico, que já não existe há muito tempo, eu já não sei mais dizer o que é um ano típico, todos os anos são distintos uns dos outros. Frente àquela situação, você pode colocar sobre essa condição de umidade, sobre essa condição de nutrição, sobre essa condição de época de plantio, qual a melhor população que eu devo plantar, em quais condições eu devo fazer esse plantio. Você pode ter uma profundidade muito maior. Lá na fase de monitoramento da lavoura, já é utilizado e vai continuar sendo cada vez mais as ferramentas de soluções de sensoriamento remoto. Basicamente, em outras palavras, satélites, aviões, drones. Isso vão continuar identificando e trazendo soluções muito mais precisas. E na comercialização de produtos, os produtores já estão utilizando várias formas de acompanhar preços em tempo real, melhores canais de venda, e com isso, lá na frente, permitir a comercialização de crédito, de carbono, que é, sem dúvida da minha visão, uma das ferramentas, uma das fontes de lucro que o produtor brasileiro vai poder se beneficiar talvez mais do que qualquer outro produtor ao redor do planeta. Como o último caminho nessa parte de digital, você tem a rastreabilidade. que através desse monitoramento e processamento massivo de dados, a gente vai poder tomar decisões mais inteligentes. Então, dois exemplos simples. No caso da indústria, vamos lembrar que a indústria, por exemplo, de sementes de milho, não faz o plantio de híbridos, ela faz o plantio de linhagens pais e mães, que são muito diferentes dos híbridos, mas muito, muito, muito, muito. Com o desenvolvimento e a informação que a gente pode coletar ao longo de todo o processo, a gente pode tomar decisões mais acertadas sobre esses plantios, levando produtos, sementes de melhor qualidade ao produtor. No caso do produtor, um outro exemplo muito simples de rastreadibilidade é poder comprovar as diferentes técnicas de manejo, de manejo ambiental e com isso conseguir melhores preços. melhores condições de crédito e, mais uma vez, permitir a venda de crédito de carbono no futuro. Então, para fechar essa parte de digital, o que eu dividi aqui com vocês, se vocês puderem colocar o slide novo na tela, está ali a inteligência artificial, falei um pouquinho sobre o melhor momento e canal de comercialização e as sementes com qualidade cada vez melhor, permitindo lá no futuro a comercialização de crédito de carbono. No futuro não, né? Hoje e no futuro. Na minha perspectiva, outra tendência da indústria de sementes está nas novas técnicas de melhoramento. Bom, novas técnicas de melhoramento é sempre um assunto fascinante, mas também muito técnico, para qualquer um de nós. Os reais experts desse processo, certamente eu não posso traduzi-los da melhor forma. Mas eu vou tentar dividir para vocês a forma com que eu vejo isso, de forma muito simples, mais simples possível. Tudo que se fala em melhoramento genético tem três objetivos. na indústria de sementes. Aumentar o ganho genético, que basicamente é fazer com que a gente lance um híbrido esse ano, uma cultivar esse ano, que é melhor e mais produtiva do que a do ano passado. E assim por diante. Ou seja, trazer ganhos de produtividade ano após ano. O segundo objetivo é reduzir o ciclo de lançamentos. Reduzindo o ciclo de lançamento, você consegue trazer produtos adaptados às condições mais recentes. Um exemplo claríssimo no Brasil, dois exemplos claríssimos, é a questão de nematóides em soja, que a indústria foi capaz de trazer cultivares mais resistentes, tolerantes a esses nematóides, e a recente situação de enfezamento em milho, que a indústria rapidamente está conseguindo trazer materiais tolerantes, medianamente tolerantes, sob um cenário que não existia de forma generalizada no Brasil há quatro anos atrás. Você identificava em alguns pontos, mas não de forma generalizada como a gente começa a perceber no Brasil. E o terceiro ponto que se busca é a adição de novas características, trazer novas características que podem ser de biotecnologia ou não. Como eu comentei, resistência nematode cisto, resistência em enfezamento, no caso de milho, e tantas outras possibilidades que aqui trazem. São esses três objetivos que a gente gasta milhões e milhões para trazer para o produtor brasileiro. E como é que isso vai acontecer, provavelmente no futuro, da minha perspectiva? A gente vai sair do que a gente chama de melhoramento preditivo, palavra difícil, para melhoramento prescritivo. O que basicamente é isso? O melhoramento preditivo é onde você desenvolve híbridos e cultivares de soja que são avaliados por marcadores moleculares, conseguimos com isso prever essas características e ganhar tempo e escalabilidade. Em resumo, a gente consegue saber melhor o que é que a gente vai lançar num tempo mais curto. É isso que acontece hoje. O que se espera na frente é o melhoramento prescritivo. Os americanos chamam isso de Breeding by Design. Que basicamente é com técnicas super avançadas de mapeamento genético, identificar cada característica e poder empilhar essas características. Imaginem um Lego. Lembra do Lego? Imagina que cada Lego seja uma característica agronômica desejada e você pode empilhar e formar aquele produto, aquele híbrido de milho, aquela cultivar de soja adaptada para aquela situação. Se eu fosse aqui fazer uma outra comparação, seria como você entrar em uma boa loja para comprar uma camisa, eles fazem da melhor forma possível para você, só que quando você compra, você vai encontrar que a manga está um pouco mais comprida do que você gostaria, ou seja, o ciclo está um pouco mais longo, que a gola está um pouco mais apertada, que a janela de plantio daquele material é um pouco mais restrita e assim por diante. A outra forma é você mandar fazer uma camisa sob medida, que vai ficar perfeita para a sua estrutura. Então essa é uma diferença. E o CRISPR é uma tecnologia, que a gente não vai entrar aqui em detalhes, que é super conhecida e está sendo muito utilizada, que pode ou não ser para os estrangeiros. E uma outra tendência que vem nessa parte do melhoramento, especialmente em milho mais do que em soja, é o aumento da densidade de plantio. Objetivo simples, aumentar a produtividade por unidade diária e, com isso, essas técnicas de programamento permitem também identificar materiais capazes de performar de forma exponencial sobre essa situação de moradência também. Em resumo, gente, tudo isso para trazer variedades e híbridos de milho em tempo mais curto, com melhores características para alimentar uma população crescente, que hoje, vista de 7,5 bilhões de pessoas, caminhando para 9 bilhões em 2050, 10 bilhões ao final desse século. E a gente precisa fazer isso sem derrubar mais uma árvore, sem criar, entrar em áreas que a gente não precisa. E com isso eu vou para a minha última tendência, que é a tendência da agricultura regenerativa. como alimentar todos esses, todas essas pessoas, todas essas bocas ao redor do mundo, protegendo o meio ambiente frente a esse ambiente caótico de mudanças climáticas. Esse ano é um ano clássico, dá para perceber aqui claramente as mudanças que a gente está enfrentando. E a agricultura regenerativa, ela vem por quê? Por que a agricultura tem esse papel? Cerca de 12% a 25%, é uma variação grande, mas qualquer lugar entre 12% e 25% é a participação da agricultura os gases do efeito estufa. 70% do uso da água doce é feito na agricultura. Então com isso a gente precisa, e já faz parte, o Brasil dá exemplo em fazer parte de uma agricultura sustentável, mas a gente precisa continuar neste caminho. E uma dessas formas é através da agricultura regenerativa, que em outras palavras é você trazer áreas degradadas em retorno à produção agrícola. O nosso papel na indústria garantir que, mesmo sob esse ambiente de mudanças climáticas, nós tenhamos crescimento de produtividade ano após ano e que a gente possa trazer cultivares e híbridos mais adaptados para essas áreas de transição. O que eu estou querendo dizer, só para ter um número, o Cerrado Brasileiro hoje estima ter cerca de 8 milhões de hectares de áreas degradadas com capacidade de retorno Isso os produtores vão precisar fazer através de técnicas já conhecidas como plantio direto e tantas outras, mas também vão precisar de cultivares de soja e híbridos de milho mais adaptados para sobreviver e mais do que isso, produzir em condições econômicas sobre esses ambientes. A indústria de sementes vai ter um papel importante também neste ponto. Para fechar então esse meu ponto aqui sobre as quatro tendências, eu falei agora sobre a agricultura regenerativa como parte da solução contra as mudanças climáticas, com o papel da indústria em trazer novas cultivares e variedades de soja e híbridos de milho e o uso de tecnologias que já são em larga escala conhecidas. Então, na minha perspectiva, essas quatro tendências vão nortear a indústria de sementes, vão nortear as ações desde a área comercial até a área de pesquisa em trazer produtos, mas também trazer proximidade e uma experiência positiva com os produtores. Digital vem e vem para ficar. Novas técnicas de melhoramento para trazer produtos mais rápido, melhores, mais produtivo e com características necessárias e desejadas e finalmente a agricultura regenerativa. Essas quatro tendências vão nortear os esforços da indústria de semente nos próximos 10, talvez 15 anos. Eu espero que com isso eu possa ter deixado Para cada um de vocês, uma pequena mensagem. Se eu conseguir deixar uma mensagenzinha para cada pessoa que criou uma curiosidade, que criou uma dúvida, que criou uma pergunta, eu me dou por mais do que satisfeito. Uma mensagem que seria interessante sobre o futuro da indústria de sementes no Brasil e sobre essas quatro tendências. Nessa indústria, que é uma indústria que tem altíssima capacidade de inovação, uma indústria que renova o portfólio a uma taxa de média de 15% ao ano, sempre para levar mais produtividade ao produtor brasileiro. Eu espero ver todos vocês daqui a pouco no nosso bate-papo da mesa redonda e agradeço, não só em meu nome, mas em nome das nossas marcas Nidera e NK. Muitíssimo obrigado.
Muito obrigada a você, André, por trazer já no início do nosso painel tantas informações relevantes que nos sinalizam para um movimento muito importante que está em curso no agro-brasileiro. Você trouxe palavras que são chave e eu gostaria, inclusive, frisar aqui para quem está em casa tomando nota de quais são as agrotendências, o André trouxe mais alguns componentes aqui. Ele reafirma a questão da digitalização, trazida também por Paulo Herrmann, mas ele acrescenta outras palavras-chave. Agricultura regenerativa, melhoramento genético, e esse aprimoramento numa velocidade ainda mais célere do que temos visto. André, eu volto com você daqui a pouco para a gente aprofundar estes conceitos. Vamos em frente, então, porque tem muito mais. A gente passou agora por alguns conceitos que vocês já estão acompanhando. Vejam que a gente já passou por tecnologia, rejuvenescimento do campo brasileiro, horizonte promissor em relação à produtividade, edição genética, técnicas que vão aumentar a densidade de plantas por hectares. E agora a gente precisa saber se vai ter renda, se vai ter fartura no agro para que este momento que estamos vivendo continue nos próximos anos. Porque de um lado a gente avança em produtividade, Mas a gente precisa é de lucratividade também. Palavras chaves que andam lado a lado. Vamos adiante. Hora de convidar ele que é analista de mercado da Safras e Mercado Consultores, Gil Barabá, que vai nos dizer para onde vão os preços dessas commodities que o Brasil está produzindo com fartura, grãos, soja, milho. Preço vai subir mais ou não? Gil Barabá, a gente já começa assim querendo te ouvir. O que vem por aí? Seja bem-vindo.
Boa noite, boa noite a todos. Que bom te revelar, Kellen.
Igualmente.
Queria agradecer o convite de um dia em nome do Paulo Herrmann. André, muito boa a tua palestra, excelente. Bom, agora a minha parte é falar um pouco de mercado. O futuro do agro parece bastante promissor, em termos tecnológicos, enfim. Agora vamos falar um pouco sobre esse mercado, o que a gente tem hoje, o que a gente pode imaginar para o restante desse ano, ano que vem. Então vamos falar um pouquinho de mercado, vou aqui compartilhar O material, tá todo mundo vendo aí? Tá tudo ok?
Está ok. Estamos recebendo, podemos continuar.
Então vamos lá. Bom, vamos começar por soja. Você já falou que a gente vai falar de soja e milho, então vamos começar por soja. O que a gente tem aqui de soja? Eu trago aqui para vocês um comportamento do preço de soja recente, utilizando aqui o contrato de novembro em Chicago, na Bolsa de Chicago. Esse é o contrato que tem maior liquidez agora nesse momento, o contrato da entrada da safra americana, é o que serve de referência para preço físico nesse momento. físico disponível nesse momento. O que a gente vê nesse gráfico aqui? A gente vê um rally muito forte de preço de soja e esse rally de soja ele é justificado primeiro pela quebra do ano passado na safra de soja e depois esse ano um começo de safra nos Estados Unidos complicado com atraso no plantio E daí você tem mais um movimento de alta no preço e depois esse último movimento de alta no preço foi da frustração do mercado que esperava que a área americana seria maior do que a intenção do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos, o uso das trouxas. Aí criou uma expectativa por conta desses preços muito altos. Chegou no disponível, como o Paulo falou, chegou a 16 dólares o bushel. Então, quer dizer, a expectativa era que a área ia ser maior. Ela veio grande, eu creio que um crescimento de 5% na área é um crescimento grande, mas o mercado esperava mais. E em cima disso, ele deu mais uma puxada no preço. Depois foi acomodando e daí o plantio foi andando mais rápido, apareceu algumas sinalizações que a área poderia ser revista depois da intenção, no primeiro número de área poderia trazer aquela expectativa inicial, então o mercado foi devolvendo um pouco desse ganho e agora recentemente veio o relatório de intenção, ele manteve a área anterior de crescimento de 5%, o mercado deu mais uma puxada, E agora está passando por uma acomodação e recentemente ele voltou a subir. Bom, o que a gente tem que olhar agora, quando a gente está falando em soja, falando em Chicago, o que o mercado está olhando? Ele está olhando para a próxima safra americana. e daí ele está olhando para o mercado de clima nos Estados Unidos, ele está olhando para a chuva no meio oeste americano e essa recente alta tem a ver com a questão de uma segunda quinzena de julho de pouca chuva, então aí o mercado de clima trazendo volatilidade para o mercado, isso é um ponto interessante, volatilidade é interessante porque ele traz juntamente, ele pode trazer risco e oportunidade, então é bom prestar atenção nessa questão de mercado de clima, que é o que está pegando no mercado de soja hoje, mercado internacional em Chicago. Então essa questão de volatilidade climática é que vai dar o ritmo do mercado nesses meses de julho e agosto, principalmente setembro, a partir do final de setembro você já começa a colher essa safra nova. mas em meio a esse movimento aqui de acomodação, a gente viu que estava muito mais alto e caiu, esse movimento de acomodação nos preços de Chicago, da soja, ele deve encontrar um suporte. Qual que é o suporte? Os estoques baixos americanos. Os estoques americanos estão muito baixos, isso dá um suporte, ele limita uma queda maior nos preços. Ele não só limita uma queda maior nos preços como ele dá intensidade à volatilidade do mercado de clima. Por quê? Quando você tem estoque muito baixo o mercado super reage a qualquer notícia de negativo em relação à produção. Então quer dizer, não vai chover nos próximos duas semanas ou nos próximos dez dias nos Estados Unidos, o mercado reage. Por quê? Porque ele não está calçado, o estoque está muito Então esse mercado de clima americano, ele promete bastante por conta disso, por conta dos estoques muito baixos nos Estados Unidos. Então essa é a cara, esse é o jeitão que a gente tem hoje do mercado de estoque que explica desse movimento que a gente tá vendo lá fora. Legal. Pra gente, aqui pro Brasil, a gente já vendeu 79% da nossa safra desse ano, então você tem esse restante aí 20% pra vender, mas a gente tá de olho muito mais para 2022, essas fixações da safra 2022. E daí a gente está olhando para contrato de março e de maio do ano que vem. E o que a gente está olhando aqui? Peguei o contrato de maio, maio de 2022. Interessante, tem um comportamento, ele já teve um pico maior de preço, ele devolveu um pouco, mas ele está acima do patamar de 13 dólares o bucho. O Paul já citou que é um patamar extremamente alto e bem acima da média normal. Então você tem um patamar ainda alto em Chicago. O preço de soja está valorizado em Chicago. Hoje você tem isso. Se quiser fixar preço de soja para maio de 2022, desde a tua safra nova, você tem acima de 3 dólares você consegue fixar, com esse patamar de preço internacional, que é um baita de um preço. Uma outra coisa que o produtor tem que olhar, não só esse comportamento de preço, essa acomodação, mas também essa questão aqui, essa diferença entre o maio e o novembro aqui, que está diminuindo. Então, quer dizer, ajustar, quanto menor essa diferença aqui, essa aqui é a diferença negativa, quanto menor essa diferença, melhor, porque quer dizer que novembro e maio estão mais alinhados, quando você abre mais, quer dizer, você desvaloriza normalmente o contrato mais distante que seria o maio, então ele tá mais junto, que é também um fator interessante para o produtor monitorar. Mas o importante aqui é que você está conseguindo um preço alto. Apesar dessa acomodação, mesmo para maio 22, onde você tem a expectativa da safra americana e a expectativa da safra sul-americana, ainda está segurando um patamar alto de preço. Muito em função daquele estoque baixo dos Estados Unidos, muito por conta dessa incerteza climática dessa safra americana que começou esquisita e ainda não trouxe segurança para o mercado. Legal. Bom, então, no último relatório do Usda, ele trouxe esses números aqui para a gente amarrar a questão mundial. Eu não vou passar cada ponto aqui, mas vou puxar um dado interessante. Primeiro, esses são os primeiros números para 2021 e 2022 de produção mundial. tirando aqui que está na minha frente, daí trouxe 385 milhões de toneladas, o crescimento da produção de 6%, o crescimento de consumo de 3%, exportação crescendo 4% e estoques subindo 3%. Legal, o que é interessante aqui? Se a gente pegar 18, 19 e 17, 18, olha aqui, a gente estava vivendo um momento de super arte na produção mundial. Então, lembra? não gosto muito de lembrar, mas lembra que Chicago chegou perto dos 8 dólares o bucho? Ela flertou, chegou a bater, chegou a cair abaixo no disponível de 8 dólares o bucho? Estava aqui a razão. A gente estava gerando no mundo super hábitos grandes, ou seja, estava gerando excesso. Esse excesso de produção ele refletia nos estoques, os estoques cresciam e negativamente sob os preços. De 19, da temporada de 19, 20 e 20, 21, a gente inverteu de uma situação de superávit, uma situação de déficit na produção. E daí, isso fez com que o preço subisse e chegasse no patamar que chegou. Agora, o que o USA está indicando, está sinalizando para essa safra 21, 22, que começa com a safra americana e depois termina com a safra sul-americana no primeiro semestre do ano que vem? que você vai passar de uma situação de déficit para uma situação de superávit, ele é pequeno, mas você está apontando para isso, se confirmar a safra americana, se confirmar uma safra boa aqui na América do Sul. Isso explica por que a acomodação na linha dos preços, ele ainda vai ter suporte nos estoques americanos, mas você começa a fazer uma correção nessa curva de preço. Legal, mas o primeiro ponto, o ponto mais importante hoje é a safra americana. E a safra americana, o que eles estão dizendo? Estão dizendo que a safra cresceu uma área em 5%, 21%, 22%, 5% com 35 milhões de hectares, uma produção projetada em 119,9, perto de 120 milhões de toneladas. E estoques de 4.2, olha aqui o estoque de 3.7 contra 14, contra 24, como caiu os estoques? Isso aqui é no meio da guerra comercial, que os Estados Unidos não exportavam, quer dizer, os nossos estoques caíram, os deles ficavam altos, olha aqui, e depois desse processo aí de redução dos estoques. Esses estoques aqui baixos, mesmo com o crescimento da produção, ele dá suporte para os preços, ele suaviza. Quer dizer, o que a gente está imaginando por esse número aqui? Que você vai ter uma correção na curva de preço, mas essa correção vai ser suavizada por conta disso aqui, esses estoques baixos, principalmente nos Estados Unidos. E daí o seguinte, por que a safra americana está no radar e ela é tão importante? Porque se você não colher 120 milhões, vai colher menos do que isso, esse estoque vai ficar menor ainda. Se colher mais, ele vai ficar maior. Então, quer dizer, essa definição da safra americana, ela define os estoques aqui e pode trazer uma situação de mais aperto ou menos aperto no abastecimento. dos Estados Unidos no abastecimento mundial. Por isso é importante. O primeiro ponto é justamente a safra americana. E por quê? Dessa volatilidade em cima do clima nos Estados Unidos que está definindo produtividade. A área, a princípio, está definida com crescimento de 5%. Agora o olho é nas condições da lavoura e produtividade que vai sinalizar o que você pode ter de potencial de produção. Bom, o segundo ponto é a safra da América do Sul. E daí a gente vai entrar em Brasil. Para o Brasil, a gente está terminando de colher a nossa safra agora. Então esse aqui é o nosso número de oferta e demanda para o Brasil. O que a gente tem aqui? A gente tem uma produção projetada pelos safras de 137 milhões, então é uma produção recorde. E daí você vai jogar para um processamento estável, um nível de processamento estável e chama atenção aqui para as exportações recordes. 86 milhões de toneladas exportadas, isso que a gente está projetando. Essa exportação aqui ajuda a enxugar parte dessa produção recorde aqui. Mesmo assim, a gente está trabalhando com o crescimento de estoques. Estoques crescendo 60%. É mais baixo que 19%, é mais baixo que 2018, mas é melhor que 2020. O que a gente quer dizer com esse quadro aqui? Que a situação melhora Então você vai ter ainda uma situação de aperto na intressafra, então o segundo semestre do ano ainda vai ser de pouca disponibilidade física de soja, mas vai ter mais soja do que do ano passado. Serve de um certo alento para a indústria local. Então se você pegar em termos de curva de preço, o ano passado teve uma curva de preço, esse ano vai ter uma curva de preço de alta por conta uma valorização de prêmio, de pouca disponibilidade, mas menos inclinada do que teve o ano passado. Ainda vai ter uma situação difícil para você comprar soja e pagar pelo farelo, pelo óleo, mas menos do que você teve o ano passado. Esse é o quadro que a gente está desenhando, por conta principalmente das exportações, e essas exportações foram puxadas por China muito agressiva no mercado, já foi citado pelo Paul o motivo. e também pela questão do dólar alto durante o ano. A gente não esperava esse dólar tão alto e esse dólar se manteve muito alto, um patamar bem acima de 5 praticamente durante todo o ano e isso alavancou as exportações. A questão de esmagamento estável, você pode reduzir um pouquinho com a redução da mistura, obrigatória de biodiesel. E o esforço aqui para recuperação dos estoques estavam muito baixos. Estavam muito baixos e tem um esforço para recuperação dos estoques. Isso é o que a gente está olhando para essa safra que a gente acabou de colher. Depois a gente vai falar um pouquinho sobre a nossa intenção de plantio para a próxima safra que sai na sexta-feira. Legal. O que eu falei ali, produção dos Estados Unidos, produção do Brasil, fundamento, que explica o porquê de Chicago ter alcançado o patamar que alcançou e agora passa por uma correção. Agora vamos olhar para a outra ponta. Então você tem preço internacional dolarizado e agora vamos dar uma olhada no dólar, porque a soma dos dois e prêmio que determina o preço interno de soja, no mercado físico de soja. E aqui a gente está olhando aqui para o dólar, a gente está olhando um comportamento de câmbio que é o seguinte, um comportamento que o dólar chegou a romper a linha dos R$5, caiu a R$4,90, ele caiu aqui a R$4,90 e depois ele deu uma outra puxada, ralizão de alta, muito pesado e ele voltou a reagir. O que ele fez? esse dólar reagir. Primeiro, a questão do FED, a mudança de postura do FED. Não a mudança de postura, a mudança de sinalização do FED que ele pode antecipar a normalização monetária. O que quer dizer isso? Que ele pode reduzir a compra de ativos, reduzir liquidez no mercado e também começar a aumentar a taxa de juros. É projetado inicialmente só para 2023 para ele aumentar a taxa de juros. Ele pode antecipar isso. E o mercado reagiu a essa mudança de postura do FED. E daí quando ele reage, fez o dólar subir. Legal. Um outro fator que ajuda nessa alta do dólar é a questão dessa nova variante do coronavírus. A delta que está aí pode levar a fechamento ou adiamento de reabertura da economia, isso tudo aí tirou um pouquinho do otimismo do mercado e fez segurar um pouquinho e ajudou com que o dólar subisse. isso cenário externo internamente a gente teve a questão da crise política né aí também essa esse conflito do imposto de renda mas principalmente a crise política e ano de eleitoral então essa questão fiscal ela fica mais a fica mais latente no mercado e a gente não pode esquecer que a partir de agosto a gente vai começar a discutir o orçamento de 2022 e olha o que aconteceu no orçamento de 2021, isso tudo cria um ambiente aí que o mercado financeiro vai procurar proteção no câmbio. Mas só tem uma coisa importante que a gente não pode esquecer que os fundamentos são positivos. O que são os fundamentos positivos? A gente deve crescer, o PIB deve crescer de uma forma muito vigorosa esse ano, parte por questão de ajuste estatístico, que é aquilo que como ele estava muito pressionado, você solta um pouquinho ele sobe, mas também tem também sinais positivos de segmento e o agro é um deles, que ajuda a puxar esse PIB. Então você tem a questão do PIB e tem também a questão de os juros, essa transferência de taxa de juros, essa arbitragem de taxa de juros que o investidor toma emprestado nos Estados Unidos a um juro muito baixo, quase zerado, e traz aqui, empresta para cá através de títulos públicos ou investimentos aqui que estão pagando uma taxa de juros maior. Essas são as chamadas operações de carry trade. E isso aí tende a crescer, tende a ficar maior esse fluxo por conta da projeção de crescimento da selic, ter que continuar avançando enquanto a taxa de juros dos Estados Unidos deve ficar estável por enquanto. Então esse fluxo financeiro ele deve pesar contra o dólar e a favor do real. Então a leitura de médio prazo é uma leitura mais negativa para o dólar. Os analistas financeiros projetam um rompimento dessa linha do 5 no médio prazo, indo buscar 5,80, 5,70, que existe espaço para o dólar recuar em função desses fundamentos mais positivos. O que pode mexer e atenuar esse movimento é justamente a questão interna, essa questão política interna e questão da fragilidade fiscal e o movimento mais, digamos, mais agressivo do FED em relação à normalização, você quebra um pouquinho essa leitura. Então, o que a gente tem de curva de dólar? Tem uma curva dólar volátil no curto prazo, ainda se mantendo num patamar alto. Para o médio prazo, a tendência é do dólar recuar. em função desses fundamentos que eu falei, e daí, digamos, quando você pensa em 2022, principalmente segundo semestre de 2022, abre um espaço maior para o dólar recuperar em função do quê? De retomada da normalização monetária nos Estados Unidos com redução de liquidez e aumento de taxa de juros, isso aí deve fazer com que o dólar retome valor. Então essa é a curva a princípio, curva hoje de momento para o dólar. Volátil, queda e recuperação para frente. Isso aí é volatil no curto prazo, médio prazo com uma tendência de queda e recuperação no mais longo prazo. Essa é a ideia para dólar. Já falamos de fundamento, já falamos de câmbio, agora vamos falar de preço de soja. Preço de soja, peguei como referência aqui Rondonópolis, preço nominal, e a gente vê que se a gente pegar o período do ano passado para agora, o preço nominal da soja subiu 44%. Se a gente pegar julho do ano passado para agora, ele subiu 44% o preço da soja nominal. Daí eu pergunto para vocês, qual o investimento? que dá uma rentabilidade em um ano de 44%. Isso, aquele que pegou soja lá em julho do ano passado e está vendendo agora e teve uma rentabilidade nominal de 44%. Pergunto qual que é o investimento lícito que dá 44% em um ano. É bem difícil, mas soja deu. E olha que ela já tinha subido um monte, no ano passado essa valorização ainda maior. Hoje você tem essa pressão sazonal, você segurou um pouco os preços e você tem já ideia para janeiro de 2022, ou seja, para você fixar tua safra lá em 22 a 146 reais. Aqui eu chamo atenção para vocês de duas coisas, uma coisa importante, gerir oportunidade. Eu acho que é importante a gente pensar em gerir oportunidade. oportunidade, o que eu quero dizer com gerir oportunidade? Esse preço da soja, já foi falado anteriormente, a gente está vivendo uma situação singular, não é todo dia e não vai ficar para sempre nesse patamar de preço. Então você tem aqui uma oportunidade, é importante você gerir essa oportunidade. Pode quebrar a safra americana e subir mais o preço da soja? Pode, mas hoje Qual que é a margem que você consegue proteger com esse preço de soja para 2022? Pensa em proteção de margem. Você está gerindo essa oportunidade de, pelo menos parcialmente, você ir fixando a sua margem. Olhe na volatilidade cambial. Dólar subindo, dólar caindo. Pode ser interessante quando ele está caindo para você o quê? Fazer gestão de custo. O custo dos insumos dolarizados. E se ele estiver subindo, para você fazer gestão de receita. E daí você vai o quê? Vai controlando a margem. Também prestar atenção nessa questão da volatilidade cambial para trazer para a tua estratégia comercial. E a questão é, não, eu faço trava física, trava física ou você já fazer uma fixação junto com uma trade para 2022. Ou você pode fazer operações financeiras para proteger essa tua rentabilidade. Ou fazer as duas. Tem muito produtor hoje de soja que olha para o mercado e diz o seguinte, não, eu não vou fazer a venda hoje para 2022, porque ano passado eu fiz e depois o mercado subiu e eu perdi na curva, eu perdi parte dessa valorização. O que dá pra fazer é você juntar o físico e o financeiro. Você faz uma trava... para proteger sua margem, para garantir sua rentabilidade física e pode para o mercado financeiro fazer uma operação usando, por exemplo, o mercado de opções ou outro mercado, para você o quê? Para você participar de uma alta. Daí você está trabalhando, gerindo, trazendo também essa vertente financeira para dentro da sua realidade física. Mas o principal aqui é Gerir as oportunidades, não deixar de olhar para o mercado, não deixar de proteger margem, de trazer rentabilidade, que nem diz um antigo gestor, vai colocando na tua mochila a rentabilidade devagarinho, vai trabalhando na curva, porque você não sabe aonde essa curva vai dar. Então vai trabalhando gradativamente na curva e vai gerindo essa oportunidade, porque o mercado está oferecendo coisas interessantes para você. Legal? Bom, para fechar aqui soja, de uma forma rápida aqui, o cenário de soja para depois a gente falar de milho, mercado está em acomodação de alta, mas ainda tende a segurar ali um patamar por conta dos estoques baixos nos Estados Unidos. Atenção ao clima e o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos, a volatilidade do mercado de clima. Você tem aí a questão de compras da China, se ela continuar agressiva ela te dá suporte nos preços, se ela diminuir a agressividade você tira suporte dos preços, isso aí pode mexer também com a curva do preço internacional, com a curva lá em Chicago. A questão da Argentina aqui, que eles venderam 43% contra 54% no ano passado, quer dizer que vai sobrar mais soja para o segundo semestre, isso deve reverter em farelo e exportação de farelo, isso também pode mexer um pouco com o mercado de soja no segundo semestre, tirar um pouquinho da força, se por acaso ainda se confirmar uma safra recorde, uma safra boa nos Estados Unidos. Mas, em todo caso, como eu falei anteriormente, os estoques americanos sustentam essa queda, quer dizer, a tendência é que você confirmar uma safra cheia nos Estados Unidos, esse primeiro pouso vai ser mais suave por conta dos estoques baixos dos Estados Unidos e depois eles vão olhar o que? A safra da América do Sul, que começa a entrar no começo do ano que vem. Bom, sobre o foco, o foco sai da América do Sul e vai para os Estados Unidos, então por isso que eu falei lá no começo, atenção mercado de clima dos Estados Unidos, isso vai dar dinâmica dos preços lá fora. Brasil vendeu 79% da safra, até dia 9 de julho, contra a média de 78% está mais ou menos em linha, mas abaixo do ano passado, que nessa mesma época ele tinha vendido 93% da safra. Então quer dizer o que? Vai sobrar um pouco mais de soja esse ano do que sobrou ano passado e se alinha com aquilo que a gente projetou no cenário de oferta e demanda de sobrar mais soja, um estoque um pouco mais alto de recuperação dos estoques e uma situação levemente não melhor, menos sufocante para quem compra soja no mercado. Legal, sinalização para o segundo semestre. Mercado firme, baixa liquidez e demanda, mas calma isso aí, e alta nos prêmios, isso aí no disponível. E o interesse de venda por safra nova, por fixação futura, creio que vai estar aterelado muito à acomodação em Chicago. Se Chicago continuar testando alta e se mantendo num patamar alto, o produtor vai continuar trabalhando as posições muito lentamente, de forma muito cadenciada. Se por acaso tiver uma correção um pouco mais acentuada dos preços lá, deve aparecer mais produtor para fazer fixação. Por que eu digo isso? Porque até dia 9 de julho a gente tinha 21% da safra vendida. fixado do ano que vem, da safra 21-22, contra 39, quase 40 no ano passado nessa mesma época. É acima da média, que era 17, mas vamos comparar períodos que você teve um preço muito interessante para fazer fixação antecipada. que é o ano passado e esse ano. O ano passado se fixou muito mais do que esse ano. E por que isso? Por causa da memória recente, aquilo que eu falei anteriormente. Fixou e depois o mercado continuou subindo ou esse ano ele está segurando um pouco mais para fazer? Eu creio que se você tiver uma acomodação em Chicago deve aparecer um pouco mais de fixação para aproveitar ainda essa curva positiva nos preços. Dólar volátil no curto prazo, viés de alto no médio e foco em Chicago é na safra dos Estados Unidos. Bom, isso aqui dando uma resumida em soja, vamos passar para milho. Então, olhando para milho, peguei aqui como referência, para não pegar uma praça específica, eu peguei o contrato de setembro na B3, que serve de benchmark para o mercado, como um todo no Brasil. Peguei o contrato de setembro, o contrato de entrada de safrinha, e daí o que a gente vê aqui? O comportamento de preço subiu bastante, depois caiu. Aqui, ele caindo por conta da chegada de... de milho novo no mercado com o início de colheita da segunda safra, da safrinha. Mas mesmo assim, olha, o seguinte, ele tava no fundo aqui a R$ 80,00 a saca. É um preço alto pra caramba numa entrada de safra pra milho. Mas só que é o seguinte, veio a geada e o mercado voltou ali pros patamares de perto de R$ 100,00. O que tá fazendo esse preço de milho ficar tão firme? Quebra na safrinha. Primeiro, com a questão da estiagem em abril e maio e agora com a geada. Então, esses dois fatores, eles reduzem a produção de safrinha, reduzem a oferta de milho, E daí fazem o preço subir. E forçam uma necessidade de importação. Então você caminha ali para você importar mais milho esse ano que você importou ano passado. Isso aí já também cria um outro ambiente em relação à formação de preço interno. Então, aqui só pra gente pontuar em relação à safrinha, até que 21, era a nossa última projeção pra milho. Safrinha de 61,5, isso aqui já trabalhando com a questão de estiagem em abril, maio. Então a gente já jogou, puxou nossa safrinha pra baixo pra 61,6, né? E uma produção de milho caindo aí de 110 pra... de 106 pra... A gente tava trabalhando até com 110 no começo, depois veio pra 106 e depois reduziu pra 95. Isso só com a hasteagem, quer dizer, a primeira quebra foi com a hasteagem. Legal. E com estoques aqui de 3.9, você tem exportações de 23.9, bem abaixo dos 35, dos 41 que foram exportados em anos anteriores. Daí veio a geada. A princípio, essa é uma ideia preliminar em relação ao efeito da geada sobre a produção da safrinha. O que a gente imagina a princípio? Que você vai ter uma redução na produção de safrinha de 5 milhões de sacos. A gente tinha ali para eliminar de 4 a 8, daí a gente chegou nesse número, a princípio, ideia de 5 milhões de toneladas a menos por conta da geada. Daí você reduz a produção de milho para 90 milhões. Se você reduzir a produção de 90, como é que você vai fazer para fechar as contas? Você vai ter que aumentar importações. manter o consumo estável ou ajustar ele um pouco para baixo, mas vamos trabalhar com o consumo interno estável e você vai ter que reduzir exportações e reduzir estoques. Então, quer dizer, os vetores aqui dessa quebra da safrinha é você tá mexendo com as importações para cima, exportações para baixo e estoques para baixo. Então, quer dizer, um quadro que já era de aperto vai ficar mais apertado ainda. Então, esse é o quadro do milho. Esse é o cenário para o milho. Entenderam? Daí você pode dizer o seguinte, bom, se a gente não exportar nada, não vai precisar importar nem nada, mas a gente já tem lineups, a gente já tem contrato de exportação de milho, inclusive com lineups aí já com navios nomeados para exportação de milho. Então a gente vai ter que mexer nessa questão aqui de exportações para ajustar o nosso o nosso abastecimento interno e daí a gente vai começar a olhar para preço de que paridade de exportação paridade de importação vai ser referência para o mercado interno e daí você olha para bola e vai olhar para Chicago que seriam as referências né e daí nisso Está aqui, olhando para Chicago. Então, segundo semestre, principalmente, ele vai estar atrelado à cena externa. Paridade de exportação, paridade de importação. O que a gente viu aqui? O preço do milho subindo bastante, caindo, depois subindo. E agora, nesse ajuste agora recente aqui, ele chegou a flertar com a linha de 5 dólares o bucho, mas voltou a subir. Está acima de 5 dólares o bucho. A ideia é que você tem um pouco mais de folga na oferta de milho esse ano. A ideia é 385 milhões de toneladas, a projeção inicial do uso é uma safra grande de milho. Então você projeta aí um pouco mais de folga, mas só que você tem o seguinte, você tem uma situação de clima ainda, não é um clima ideal para a produção. No soja é pior, no milho está um pouco melhor a situação, mas ainda essa questão de você não ter chuvas regulares, ela deixa um ponto de interrogação em relação ao potencial produtivo e explica essa recuperação dos preços aqui. Dentro dos cenários, se os Estados Unidos colher essa safra record e se as compras da China encolherem como está se sinalizando, você tem espaço aí para uma oferta maior, uma maior folga em relação ao abastecimento e daí muito possivelmente você rompe essa linha dos 5 dólares o bucho. 4,70, 4,80, você pode ir buscar esses patamares que ainda sim é um patamar alto para o milho, não tão alto como ele está agora, mas ainda é um patamar alto para o milho. Se por acaso qualquer problema tiver na safra dos Estados Unidos, Chicago sobe e daí isso vai encarecer o quê? Importação e vai encarecer exportação e a paridade para o mercado interno, o sarrafo vai subir mais ainda do que já está. Então é importante, segundo semestre vai estar muito atrelado a esses dois fatores por conta da pouca disponibilidade, a gente precisa importar e exportar menos, para exportar menos o mercado interno tem que pagar mais do que a paridade da exportação e para importar é dólar e Chicago que determinam o preço. aqui a questão da preocupação com abastecimento do segundo, a gente tem esse segundo semestre de pouca disponibilidade de milho, mas preocupa ainda mais o primeiro semestre de 2022, porque normalmente o que acontece? A safra de verão é insuficiente para atender a necessidade, geralmente você tem que passar com o estoque da safrinha, para suprir o abastecimento do primeiro semestre do ano. Se você tem pouca disponibilidade, você vai ter pouco milho para passar para o primeiro semestre do ano que vem. Daí você vai depender da safra de verão. E ela normalmente é uma safra mais sojeira do que de milho. mudar um pouquinho hoje, mas esse ano, por conta do preço alto do milho, mas não deve mudar a característica de ser uma safra mais de soja do que de milho. Então, você pode potencializar o problema do abastecimento para o primeiro semestre do ano que vem, por conta desse quadro ali que a gente está apontando de quebra da safrinha. Dentro disso, a gente tem esse cenário aqui para finalizar, esse cenário em relação ao milho. Mercado muito firme, feta apertada por conta da quebra da safrinha, com seco e geado. Aqui os dados de comercialização e colheita. A questão é o padrão de qualidade da safra, a gente está enxergando ali que pode ver ter algum milho para silagem e daí vamos ver como é que vai se comportar isso em relação ao impacto na demanda de milho. desse milho indo para a silagem, como é que vai ser esse impacto no resto da composição de demanda de milho. Pensa a importação, é um ano que vai ter que se pensar mais em importação, Paraguai menos porque quebrou por causa da geada, então aqui tem os números de produção caindo de 5 para 4 e exportação caindo de 3 para 2,78, então ela deve se concentrar muito mais na Argentina, essas compras na Argentina, nos Estados Unidos alguma coisa, mas é mais caro, então quer dizer essa paridade ela fica mais alta, mas é bom pensar em importação e também a questão da recompra de exportação. O que é a recompra de exportação? A Trade que tinha um contrato de exportação de milho, ela não denominou origem, ela pega ao invés de pegar a origem brasileira, ela pega a origem dos Estados Unidos e leva dos Estados Unidos e aquele milho que ela recebe do produtor, ela revete para o mercado interno. Quando ela vai fazer isso? Quando o mercado interno estiver pagando mais, ela conseguir comprar mais barato lá fora para repor esse contrato e ter um preço mais alto no mercado interno. Por isso eu falei anteriormente que, principalmente no segundo semestre, a paridade de exportação e a paridade de importação seriam aí patamares para a gente ver aonde esse mercado de milho pode alcançar. depois de superado essa entrada de safra que a gente está tendo aí de colheita e entrada de milho novo no mercado. Questão aí de determinantes para 2021 e 2022, o tamanho da safrinha, aquela é uma projeção inicial que a gente trouxe, a questão do dólar, essa oscilação do dólar também é importante e o patamar alcançado pelo milho em Chicago, por conta disso que eu falei anteriormente. Safra dos Estados Unidos e importações da China também é bom monitorar. E a questão da volatilidade do dólar porque estimula exportação e encarece importação. Esse é o impacto do dólar em relação ao mercado de milho e ele fica mais gritante esse ano por conta dessa recomposição onde importação e recompra da exportação ganha um destaque maior por conta da quebra dessa coisa.
Muito obrigada, Gil Barabá, pela apresentação. A gente vai, daqui a pouquinho, seguir para o debate trazendo todos esses elementos do mercado agrícola. Agora, eu tenho um recadinho para você aí de casa. Você já aproveitou este momento para baixar o aplicativo Conecta? Lá você encontra informações sobre agricultura, pecuária, cotações do mercado financeiro, do mercado agrícola e muito mais. Aproveite este momento e faça o download já aí no seu celular. Se preferir, aponte a câmera do seu aparelho aqui para o QR Code e aí você já vai estar com o Conecta no seu telefone. Se você for em uma das 270 lojas da John Deere espalhadas pelo Brasil e mostrar o Conecta no seu celular, você levará para casa um boné exclusivo. Então, aproveite porque os estoques são limitados. Vamos agora ao debate. Sei que tem muita gente querendo saber o que vem por aí. Até onde vai a onda de prosperidade do agro-brasileiro? Eu já estou aqui com os nossos painelistas. Paulo Herman, André Franco, Gil Barabá e também vamos receber o Henrique Citrone, RC da Corteva e Pioneer que se junta a nós neste momento. Vamos saudá-los então mais uma vez. Boa noite a todos neste momento. Eu gostaria já de dirigir a palavra ao Henrique, que está chegando aqui conosco. O Henrique, que tem longa experiência no agro, convive diretamente com produtores, está em Goiás. E eu gostaria de saber qual é a sua percepção sobre tudo isso que foi dito, o que mudou no agro brasileiro. Henrique, seja bem-vindo.
Boa noite, pessoal. É um prazer estar aqui falando com vocês. Agradecer na pessoa do Paulo o convite. O meu papel aqui falando como representante da PNER há 22 anos, estamos todo dia no campo, é tentar juntar todas as áreas que foram comentadas aqui hoje. O bom do agronegócio é você tem que ser bom em máquinas, você tem que ser bom em sementes, você tem que ser bom em comercialização para você ser um bom produtor. Hoje o agronegócio não permite mais aquela antiga frase, hoje a gente precisa ser profissional em todo o segmento do agronegócio. Então, eu gostaria muito de agradecer a todos pela palestra. Gil falou muito bem, hoje o mercado está muito dinâmico. André, é o nosso segmento, falamos de semente e muito boa noite a todos.
Muito obrigada, Henrique. E a gente vai já começar o painel. O painel com muito dinamismo. Gente, é assim que eu peço para todos os painelistas para a gente aproveitar a atenção do nosso público e eu quero já dirigir a primeira pergunta ao Paulo Herrmann. Paulo, eu observei em comum entre você e os demais painelistas a citação da Ásia e da demanda chinesa. E a gente sabe que a agricultura é feita de altos e baixos. Você acredita que esse ciclo de prosperidade vai durar bastante tempo ou estamos sob risco, a depender do comportamento da China, de uma mudança de padrão de consumo, o agro-brasileiro pode ser prejudicado?
Eu acredito que nós vamos continuar crescendo até num patamar maior do que nós vínhamos crescendo. Primeiro, porque nós temos terra, nós temos fotossíntese, que é o sol, nós temos água, temos a Embrapa, que gera a tecnologia, empresas privadas investindo pesado, como a Pioneer, como a Singenta, que nos acompanha. Então, o agro e agricultores destemidos, agricultores que não têm medo de apostar. Isso vai continuar crescendo. O segundo ponto, com relação à demanda. Nós somos produtores, na verdade, de proteína. animal ou vegetal. E a proteína, ela é fundamental para o ser humano. Cada ser humano precisa consumir 1 grama de proteína por quilo dia. Ou seja, uma pessoa de 100 quilos precisa 100 gramas de proteína a dia para estar adequadamente alimentado. E quando a gente olha para a Ásia, a gente vê uma população crescendo, nos próximos 20, 30 anos, só a China e a Índia vão ter 4 bilhões de pessoas, ou seja, dos 7 bilhões de pessoas, provavelmente de 5 a 6 vão estar localizados na Ásia e eles não têm a prioridade de fazer agricultura, a prioridade deles é na área de serviços e na área da manufatura. Então eu vejo, claro que vai ter oscilações, você ter um grande comprador sempre é um risco, porque ele vai demandar muito, mas a realidade é o seguinte, ele está aumentando o poder aquisitivo de um dólar por dia para dois dólares por dia, ou seja, isso é simplesmente 100% de aumento de renda, eles têm aumento de população. tem mudanças de hábitos alimentares e não tem a vocação para a agricultura que nós temos. Então, eu não vejo que ali tenha qualquer restrição. O resto é mercado e como o Gil falou, agora a gente tem que estar com um olho no molho e o outro no gato, ou seja, olhar o clima, olhar o mercado, olhar americano, olhar chinês. Infelizmente ou felizmente, esse é o mundo que nós estamos.
Muito bem, obrigada Paulo Herrmann pelas colocações. Vamos adiante, eu gostaria de ouvir de você, André, que trouxe vários pontos como a edição genética, o melhoramento genético, o aprimoramento da pesquisa para incrementar a produtividade do agro-brasileiro. E a minha pergunta é sobre a velocidade das mudanças. O que está por vir no melhoramento genético? O que você acha que estará em discussão no agro-brasileiro num curto prazo que você já tem visto aí em desenvolvimento nas pesquisas. Qual será o pulo do gato?
O pulo do gato, para mim, é justamente a questão que eu comentei do melhoramento prescritivo, né? Ou aquele, os americanos colocam o Breeding by Design, né? Isso vai permitir com que a gente Se hoje a indústria já trabalhou com períodos de desenvolvimento de híbridos e cultivares na faixa de 7 a 8 anos, hoje a gente consegue lançar já alguns produtos entre 4 a 5. É possível que a gente venha fazer isso num espaço ainda mais curto. Difícil aqui criar hipótese C2, C3, mas o melhoramento prescritivo, que é você poder identificar aquelas peças de Lego e empilhar para trazer o produto desejado para aquele segmento, para mim vai ser o grande impulsionador daqui para frente. De novo, trazendo aumento de ganho genético, reduzindo o ciclo de desenvolvimento de produtos e adicionando novas características num período cada vez mais rápido, porque a gente vai continuar tendo cada vez mais oscilações climáticas em condições gerais, pragas que não eram importantes passando a ser importantes, doenças novas vindo e indo, e a gente vai ter que se adaptar e a indústria dos sementes tem que trazer ferramentas de uma velocidade cada vez mais rápida.
Muito bem, essa palavra é uma palavra chave também para o nosso debate aqui, agrotendências, é a palavra velocidade. Velocidade em que o mercado muda, velocidade em que novas tecnologias surgem e a necessidade de se adaptar para não ser superado. Vamos adiante trazendo a participação aqui do Gil Barabás. Gil, você chamou a atenção da nossa audiência sobre a gestão de oportunidades e disse ainda que o mercado está em um momento acima da média, garantindo rentabilidade para agricultores, mesmo assim, o percentual de fixação, ele está abaixo do que se observou no ano passado. Você acredita que os produtores brasileiros estão tomando mais risco e essa é uma atitude acertada. Qual é a sua recomendação hoje na hora de negociar? O pessoal de casa quer saber. Será que eu fecho um pouco mais a minha soja ou aquela chamada e famosa soja lobo guará está por chegar aí no segundo semestre desse ano?
Pode até chegar, mas você está tomando risco esperando ela chegar. Quer dizer, a pergunta sua, se os produtores estão tomando risco? Sim, eles estão tomando risco. Se você olha para o mercado hoje, ele é extremamente rentável. está te dando uma margem alta e você espera ele subir mais, você está assumindo risco que ele possa não subir, que ele caia e você perca essa rentabilidade. Então eles estão assumindo mais risco. O porquê disso? O porquê disso é a memória recente. O ano passado muitos produtores foram fazendo posições ao longo do ano e quando chegou na hora de entregar essa soja, entregaram num preço mais baixo do que o mercado estava pagando. Essa memória recente ela explica porque o produtor está fazendo de uma forma mais cadenciada, num ritmo mais lento do que fez o ano passado. Ele está mais capitalizado, também está mais tranquilo para fazer. E daí você pergunta qual que seria a minha recomendação? A minha recomendação é o seguinte, você tem que primeiro gerir o teu negócio. Então quer dizer, você protege a tua margem, gera o teu operacional, faz a tua gestão de imagem, a minha formação é como economista, então eu olho para o agro de um lado financeiro, ele precisa me dar resultado financeiro, então eu vou proteger meu resultado financeiro e se eu acredito que essa safra americana ela vai ter algum problema, eu posso usar de instrumentos financeiros para me apostar nessa alta. Então eu faço uma gestão da minha margem, garanto minha margem, garanto minha rentabilidade, faço a gestão do meu operacional e parte dessa gestão eu tiro uma parte dessa minha rentabilidade para eu fazer operações para o quê? Para eu apostar nessa alta. Daí sim, eu vou entrar numa situação de risco, mas de risco financeiro e esse risco vai estar controlado. Por que eu estou controlando ele? Agora, se você deixar de vender apostando na alta, você não controla a tua rentabilidade inteira, porque você está expondo a tua rentabilidade ao mercado cair lá na frente. Agora, se eu protejo minha rentabilidade aqui e tiro parte dela para me fazer uma aposta financeira ali na frente, Ao mesmo tempo que eu protejo aqui a minha rentabilidade, tiro uma parte dela e ainda aproveito se por acaso acontecer que nem aconteceu do ano passado e quebrar a safra americana e o preço de soja voltar 14, 15, 16 dólares o múltiplo, eu vou participar dessa aula aqui em Chicago. Mas só que financeiro, não é com o produto físico. Existe maneira de fazer isso. Eu vejo que quando o produtor carrega um volume muito grande de soja para esperar esses 14, 15, 16 dólares de bucho, que pode não acontecer esse ano como aconteceu ano passado, ele está se expondo demais ao risco.
Tá certo. Muito obrigada, Gil Barabá. E eu quero, neste momento, chamar o Henrique para fazer aqui junto comigo algumas perguntas para os nossos painelistas. Henrique, para quem você dirige, a sua primeira pergunta.
Vamos lá, Gil. Vou aproveitar que você está aí. Realmente aqui no sudoeste de Goiás já se começou a colheita do milho safrin e realmente as percas estão se confirmando em muitos casos até mais do que se esperava. A minha pergunta é simples e direta para ti. Pensando em 2021 e 2022, você plantaria uma área agora, você investiria em soja ou você investiria no milho?
Bom, sendo direto para você, tentar pensar da seguinte forma, se eu tenho soja e milho hoje na minha mão e preciso vender um dos dois para me rentabilizar e segurar o outro, quer dizer, um dos dois eu vou apostar que vai subir mais que o outro, não é verdade? eu venderia soja e apostaria no milho. Por quê? Porque hoje você tem um cenário muito claro de quebra do milho e de falta de milho no mercado interno brasileiro. De soja você tem um cenário de entre safra, mas digamos, no segundo semestre você vai começar a plantar essa soja. E ela vai colher já no começo do ano que vem. E paralelamente você tem aí uma safra dos Estados Unidos que está sendo desenvolvida. Você pode ter umas surpresas positivas na safra americana, você pode ter uma queda do dólar que pode interferir sobre a soja. Do milho você tem um quadro muito mais caracterizado de potencial de alta de preço. Por isso que eu apostaria no milho.
Muito bem. Muito obrigada, Henrique, pela pergunta. Obrigada, Gil Barabá, pela resposta. A gente vai dar início agora à nossa segunda rodada e eu dirijo a pergunta ao Paulo Herrmann. Paulo Herrmann, qual é a melhor forma do produtor se preparar para acompanhar essas evoluções que estão acontecendo na agricultura, evoluções, inclusive, citadas por você?
Olha, essa é uma pergunta muito interessante, né? Eu acho que foi o Enrique que falou, o volume de tecnologia que hoje é colocado dentro de uma propriedade agrícola é fora de qualquer precedente. Se vocês analisarem a soja, a semente, A gente antigamente falava, e não tão antigamente, em sacos de semente por hectare. Hoje o André está falando em número de sementes por hectare, o André e o Henrique. Número de sementes por hectare, e nós estamos partindo já nas máquinas para fazer pulverização por pé de semente, por unidade e não mais por área, nem para fazer desligamentos por seções de pulverizador. da mesma forma nas máquinas, da mesma forma na comercialização. Então só tem uma forma... Kellen, para responder a tua pergunta, é evolução contínua, nós vamos ter que estar cada vez mais ligados e aí é importante, eu já estou falando disso há algum tempo, de trazer a família para dentro da atividade. Não dá mais para uma pessoa ser bom de comercialização, ser bom de produção, tem a questão ambiental, tem toda a questão de financiamentos novos que estão chegando ambientais. Então, nós vamos ter que ter uma estrutura, uma governança, primeiro familiar, se é que ela existe, se não existe, vai ter que profissionalizar. não tem outro jeito, a agricultura não é mais uma atividade para se fazer no empirismo ou em cima da minha experiência do ano passado, vou repetir agora, é uma coisa muito profissional e não importa, e acho que isso aqui eu quero deixar bem claro, não importa o tamanho da propriedade, As máquinas que nós fazemos têm máquinas pequenas que têm mais tecnologia do que as máquinas grandes, inclusive. Então, nós vamos ter que realmente caminhar na profissionalização e aí as empresas privadas vão ter um papel importantíssimo, cada vez mais importante, que é entregar o valor. que é explicar o uso adequado. Eu sempre digo que dificilmente um operador tira mais do que 60% do potencial da máquina que eu entrego para ele. Aí a máquina fica cara, porque se ele compra e paga por 100 e usa 60, entendeu? Então aí tem um espaço. E aí é o treinamento, é acompanhamento, Nós vamos ter um perfil também diferente de profissionais, nós vamos ter técnicos, agrônomos entrando no sistema de operação e não apenas na parte de orientação genética e tal, mas entrando na produção, que o equipamento ele gera dados e vão ter um big data enorme na mão para fazer o processamento. É desafiador, mas é bom, porque, graças a Deus, não estamos discutindo de evolução de tecnologia de futuro.
Muito bem, é desafiador, mas é bom. Essa é uma frase que, de fato, sintetiza o que estamos vivendo. Obrigada, Paulo Herrmann. Gostaria de passar ao André, que trouxe em um dos elementos ali, quando apresentou as agrotendências, o fator digitalização. E a minha pergunta para você é que tipo de conhecimentos o agro está buscando, considerando essa jornada da digitalização que você colocou, que é uma agrotendência, André?
Dá para fazer uma palestra nova aqui de 40 minutos sobre o tema. A digitalização está passando por todas as fases do agronegócio, todas as etapas do agro. Tenho certeza que a John Deere está tendo uma revolução absoluta com a adoção de agro e vê para frente, como o Paulo acabou de comentar, aquela agricultura por planta, você olhar por aquela questão e nem dos redes sementes não é diferente, nas demais também não é. Uma das minhas maiores preocupações, só para falar do outro lado da digitalização, é o universo de ferramentas que um produtor vai ter na mão. A indústria não só de sementes, mas a indústria como um todo, Eu acho que tem um papel importante para fazer com que a digitalização simplifique a vida do produtor e não complique a vida do produtor. E por que eu digo isso? As pesquisas recentes têm mostrado que no primeiro momento o produtor se encantou com uma série de facilidades que passaram a existir com a digitalização. Eu posso trazer exemplos nossos de recomendadores, por exemplo, de plantio, recomendadores de posicionamento de produtos. Só que no segundo momento o produtor começa a falar, eu já não sei mais em qual utilizar. porque eu tenho um de uma empresa, tenho outro de outra empresa, tenho outro de uma terceira empresa. Então, para quem antes trabalhava com 50 planilhas de Excel, 3, 4 livros de K, agora tem 50 aplicativos na tela do celular. De alguma forma, a indústria vai ter que buscar uma maneira de simplificar a vida do produtor com a digitalização. Ela é extremamente poderosa, ela é muito forte, Ela pode trazer conhecimento, como eu comentei, nas questões mais básicas, pode trazer uma informação, uma capacidade de gestão de dados que era impensável algum tempo atrás, mas ao mesmo tempo ela tem a capacidade de fazer duas coisas. Um, levar a complexidade, coisa que nós precisamos trabalhar no sentido inverso, e dois, levar a distanciamento. Por isso eu comentei no início do meu bate-papo de que lá no final de tudo, a proximidade e a experiência do cliente é que vai se achar. Se a experiência se tornar complexa, complicada, com o número de decisões que um produtor tem que tomar, ele não vai tirar o melhor dessa oportunidade. E só para fechar, uma pesquisa recente que a gente fez, tentou fazer uma avaliação de quantas decisões um produtor toma por dia. E a gente chegou a simples 200 decisões ao dia que um produtor tem que tomar. entre plantio, planejamento, monitoramento, venda, compra de produtos. Quando você imagina um negócio dessa dimensão, digital pode, de novo, ser uma grande ferramenta nas diferentes fases. Mas, se a gente não trabalhar direito, a gente pode complicar a vida do produtor e fazer com que essa oportunidade que a gente tem na mão seja dispersada.
Muito bom ponto, a simplificação, a proximidade, de uma forma melhor a utilizar a digitalização. Nós estamos chegando ao finalzinho do nosso evento, então eu vou pedir para os nossos panelistas também serem breves. Gil Barabá, a gente está falando aqui em velocidade, em digitalização, em gestão de oportunidades, tomadas de decisões, pelo menos 200 por dia, E eu tenho visto muitos agricultores já falando em negociar safra 22, 23. Isto é uma realidade no Brasil? Em que proporção estamos falando de soja e milho?
Olha, exato. Você tem algumas iniciativas, já algumas vendas? O volume ainda é pequeno, porque para 22, quer dizer, 21, 22, que é a próxima safra, você tem aí um volume que eu apresentei ali em torno de 39%. Mas, para frente, você vai reduzindo esse patamar. Ainda é um ou outro produtor que faz por conta justamente do que aconteceu o ano passado. de você pegar aquela curva e o preço continuar subindo, então ele segurou um pouquinho esse perfil de venda. Mas já tem, sim, iniciativas em relação a você começar a planejar. Eu sempre falo o seguinte, quando você... Há um tempo atrás, você tinha a gestão de caminhonete, a gestão comercial de caminhonete. No ano que você ganhava dinheiro, o produtor ia lá e comprava uma caminhonete. Daí no outro ano ele perdia dinheiro e ele vendia caminhonete para pagar as dívidas. Então ele fazia a gestão de caminhonete, quer dizer, ano bom comprava ano ruim e trabalhava ano a ano. Hoje ele tem que pensar, não safra a safra ano a ano, ele tem que pensar que ele vai ser um produtor de soja e de milho por um tempo, pela vida dele inteira. Então ele tem que planejar, se eu quero fazer um investimento na minha lavoura, se eu quero fazer um investimento na minha fazenda, de lavoura, comprar uma máquina, enfim, eu tenho que planejar esse investimento. E eu posso planejar esse investimento fazendo o quê? Travando minha margem e garantindo minha rentabilidade, daí eu fico mais tranquilo para me fazer esse investimento. E daí sim entra essas alternativas de você fazer a gestão comercial, não só da safra e da próxima, mas você esticar um pouquinho mais, pensar em 22, pensar em 23, já atrelando esse investimento que você está fazendo à tua rentabilidade, à parte da tua rentabilidade com a produção. Isso é você olhar o teu negócio de uma forma mais empresarial e de proteção de margem, eu acho que a gente caminha para isso, para frente, sem dúvida nenhuma.
Muito bem. Vou pedir então para o Henrique, nesse momento, trazer a sua consideração final, Henrique, uma palavra que te marcou nesse momento, diante de tudo que foi aqui colocado, o que você entende que é o agro do futuro, a agrotendência, o que vem por aí, a sua experiência para a gente, Henrique.
Boa noite de novo. Como eu comentei no começo, a gente precisa ser bom, acho que nos três assuntos que a gente comentou aqui, comercialização, É um desafio hoje. A parte de equipamentos é outra coisa que tem nos preocupado e eu quero com isso fechar minha pergunta, fazer uma pergunta para o Paulo, para ele fechar para a minha parte. Falando em agrotendência, a gente vê muitas áreas sendo desabertas, muito investimento e não se faz nada sem máquinas e equipamentos. O que você fala para a gente para 2022 no ramo de máquinas e equipamentos, oportunidades e desafios para o agronegócio.
Excelente Henrique, passo a palavra então para você Paulo Herman se puder também já fazer o fechamento das considerações do nosso primeiro dia.
Então eu quero agradecer ao Gil, que eu estava com milho e soja para vender, então ele está dizendo que eu é para vender a soja e segurar o milho. Eu já estou saindo no lucro, brincadeira, eu não tenho um saco desse troço, um negócio é outro. Obrigado também, André, pela tua palestra fantástica, que aula você deu sobre essas tendências. E ao Henrique, nós estamos vivendo um momento de exceção. Quem me conhece há mais tempo sabe que eu sou um otimista por natureza, mas eu sou nesse momento um cara mais conservador. Eu estou vendo tudo isso acontecer, essa disrupção, como eu falei no início, mas também tem muita euforia, tem muita empolgação. Por isso, até que numa entrevista que eu dei para a Kellen, eu disse, gente, não vamos sair a comprar o que a gente não precisa. O que precisa, vamos comprar. Eu não disse que não era para comprar, mas não é para ir na onda do vizinho, na onda do cara que comprou, porque eu tenho que comprar. É a mesma coisa. A indústria brasileira está estruturada para atender a demanda por máquinas, por semente, por adubo, tudo. Não tem problema. Nós estamos estruturados, Henrique, para o que vem pela frente. Agora, não dá para atender quatro ônibus cheios de gente que chega às dez para o meio-dia e querem comer ao meio-dia. e querem comida boa, barata e de qualidade. Não é possível. Vai arrebentar os cozinheiros. Então é o que está acontecendo hoje no setor de semente, no setor de irrigação, das máquinas. Todo mundo quer as coisas ao mesmo tempo. Eu espero que essa onda passe. que as pessoas adquiram apenas aquilo que precisam, vamos reformar o equipamento que é pós ser reformado e vamos acompanhar onde ano que vem tem mais, a agricultura não vai terminar, não precisamos correr, nos matar aí para comprar e para pagar coisa que isso só inflaciona, porque eu estou gastando 4 a 5 milhões de dólares por semana, Henrique, com frete aérea. para trazer coisas de outro lugar do mundo, porque por navio não dá para chegar. Estou pagando hora extra, estou trabalhando sábado e hora extra no máximo do dia, e todo mundo sabe quanto custa a hora extra. Ainda nós temos 15% de pessoas em absenteísmo, que por alguma razão, ou porque um familiar está com Covid, etc., ou está se sentindo mal, não vai trabalhar. Eu tenho 10% da minha força de trabalho que está em casa, porque tem alguma comorbidade, ou são diabéticos, ou têm pressão, sei lá o quê, entendeu? E contratamos um bando de gente jovem mais de 1.500 pessoas, então a gente tem que trabalhar com calma, eu já vi esse filme passar, nós não precisamos sair correndo. O cenário para o ano que vem é bom, o Gil falou, os preços de milho, os estoques nunca estão negativos, e tem compromisso de exportação que tem que fazer, não adianta, já está vendido na frente, e tu não pode deixar de entregar, senão tu perde o comprador, ano que vem você vai lá e ele não está mais. um outro país tomou conta. Então nós temos um cenário maravilhoso na soja, no algodão, no milho, no café, no açúcar, no etanol. Amanhã vamos falar de etanol. A China vai botar 20% de etanol nos carros, vai começar também a fazer o flexfil que nós temos aqui. Isso tira a China, perdão, a Índia, Isso tira a Índia, Tailândia do mercado do açúcar, melhora os preços. Então, nós temos um cenário muito bom. O que a gente não pode é se afobar. Chegar às dez por meio dia, quatro ônibus na frente do restaurante, não tem como receber comida de qualidade.
Muito bom, Paulo Herrmann, muito obrigada pela colocação, pela presença, pela oportunidade de ouvi-lo nesta noite. Gostaria de passar a palavra para você, André, uma palavra-chave, a mensagem que você quer deixar para a nossa audiência no Agrotendências.
Minha palavra de novo é de agradecimento, mais uma vez agradecimento a John Deere por essa oportunidade, aos meus colegas aqui, Henrique, Gil e mais uma vez ao Paulo, Foi um grande prazer, uma honra estar aqui presente com vocês. Espero que eu possa ter deixado aí uma mensagem interessante sobre o futuro e a tendência do negócio de sementes dessa indústria que é tão inovadora no Brasil. Foi um prazer, muito obrigado.
Muito obrigada a você, André. Com certeza, uma rica mensagem ficou para todos nós. Gil Barabá, qual é a sua palavra-chave, a mensagem para a nossa audiência?
Oi Kelly, eu queria só agradecer a oportunidade, André, Paulo, Henrique, você Kelly, a audiência, para a gente discutir sobre mercado, sobre tecnologia, sobre o futuro do agro. Foi muito bom, só tenho a agradecer.
Muito obrigada, agradeço a você Henrique, a você Gil Barabá, a você André, a você Paulo Herman, foi uma satisfação estar com vocês e vocês aí de casa também. Amanhã a gente tem mais um encontro aqui no Agro Tendências 2021 e a gente vai tratar de cana e se você não baixou o aplicativo Conecta, faça isso já. Amanhã a gente se encontra no mesmo horário, 18h30, no mesmo link, eu estarei aqui E espero que vocês também! Até lá! Tchau, tchau! Tchau, gente!
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