Nova Onda Tech | Episódio 2: As Profissões do Futuro

Kelly talks with Silvia Masruah, a researcher at Embrapa Agricultura Digital, about how farming jobs are changing. They discuss the skills workers need as agriculture gets more digital, automation spreads, and Brazil builds digital farms to train the next generation.
Automação, inteligência artificial, dados, softwares, aprendizagem de máquinas. As novas tecnologias estão aumentando a produtividade, mudando rotinas e remodelando o mundo à nossa volta. E o que vai acontecer com as profissões do agro? Para entender o futuro do trabalho, a gente conversa com Silvia Masruah. Ela é pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital. Seja muito bem-vinda, Silvia.
Olá, Kelly. Eu que agradeço pela oportunidade.
Obrigada por estar conosco para nos contar que tipo de profissional está em falta no mercado de trabalho do agro hoje, hein?
Pois é, estamos passando por uma grande revolução digital em vários setores da economia e no agro não poderia ser diferente, né? Cada vez mais nós estamos precisando de agrônomos, técnicos agrícolas, extensionistas, que além de conhecer um pouco mais da fisiologia da planta, das ciências agrárias, que eles também tenham conhecimento dessas novas tecnologias digitais, de empreendedorismo. Hoje o agrônomo tem que ter uma visão muito mais horizontal. Ele é um pouco analista de negócio, um pouco de estatística, ciência de dados e ser um especialista do domínio também, entender de agricultura.
Ou seja, era algo que ele precisava saber de uma coisa só, no passado ele precisava saber de uma coisa só, e agora no futuro ele precisa saber de várias coisas ao mesmo tempo. Quando você diz que ele precisa saber de estatística, de agricultura digital, de novos negócios e empreendedorismo, Você diz isso com base na experiência, naquilo que você tá vendo mudar já no mercado de trabalho hoje?
Sim, inclusive a minha formação, eu sou de computação, né? Faz 30 anos que eu trabalho no agro, com computação aplicada à agricultura. Então, não que ele tenha o agrônomo entender de tudo, mas ele tem que saber trabalhar dentro de uma equipe multidisciplinar. Então provavelmente com um estatístico, um cientista da computação, entender um pouco de todas essas tecnologias para ele poder orientar melhor o produtor rural. Porque muitas vezes o produtor rural ele fica perdido, né? Hoje você está num mundo que tem várias empresas, várias startups oferecendo serviços no mercado e o produtor às vezes ele não sabe nem como utilizar o computador. Então, esse tipo de profissional, além de entender de práticas de manejo, sistemas de produção, ele tem que entender um pouquinho do que está acontecendo nessa revolução digital, nesse processo de transformação.
Muito bem. Então, o primeiro ponto que você está dando de dica aqui para a nossa audiência é que haverá espaço no mercado de trabalho do agro para o profissional multidisciplinar. que seja muito bom na sua área de atuação, que seja um técnico agrícola, um agrônomo, mas que seja ainda muito bom em outras disciplinas que tem a ver com o negócio do agro no futuro?
Exatamente, Kelly. Ele tem que ter essa visão horizontal, não é mais vertical como é a nossa formação básica. Hoje, para a gente atuar no agro, a gente tem que ter uma visão mais horizontal para a gente poder trabalhar com as várias disciplinas, que o agro antes era só agricultura, nós temos que trabalhar com várias disciplinas para ajudar a auxiliar o produtor rural.
A automação e a inteligência artificial estão mudando o mercado de trabalho do futuro. Um estudo da consultoria McKinsey apontou que 50% das atividades atuais são tecnicamente automatizáveis pela adaptação de tecnologia. Ou seja, num universo não só de agro, tá, gente? Num universo de 6, de 10 ocupações, tem mais de 30% das atividades que podem ficar automatizadas. Ou seja, Silvia, a gente quer entender se os trabalhos de hoje deixarão de existir. A automação vai reduzir o número de trabalho no agro, na sua opinião?
Eu não acredito que vá reduzir, mas vai ter uma realocação de postos, de berfis no agro. Como houve? Se a gente pode fazer uma comparação com a área financeira. Há 30 anos atrás, quantas agências tinham, né? Então, você vai mudando o tipo de profissional que você precisa no setor. E no agro, exatamente a mesma coisa. Hoje, cada vez mais, as empresas de implementos agrícolas, elas têm, assim, colheitadeiras automatizadas, com vários sensores, né? E o profissional, ele precisa muito mais entender, ser capacitado, né? Pra trabalhar com esse novo equipamento, com aplicativos, com software. do que às vezes um trabalho mais manual, mais operacional, repetitivo.
Se a gente for a Silvia que está elevando a cada nova rodada um patamar, porque essa mudança no perfil profissional, ela tende a aumentar a demanda por atividades menos mecânicas, que era o que a Silvia estava nos dizendo, e aumentar a demanda então por atividades mais cognitivas. A gente tem que pensar mais, tomar mais decisões no campo estratégico. Tem um cara que se chama David Deming. Ele é economista político da Harvard Kennedy School e ele analisou dados trabalhistas ao longo do último meio século. E sabe o que ele descobriu? Ele descobriu que a parcela de todos os empregos nos Estados Unidos que exigem a tomada de decisão aumentou. Aumentou de 6% na década de 60 para 34% em 2018. Silvia, tem aí uma pista do que vai ser o futuro na sua visão, tipo de habilidade que o profissional do futuro vai ter, uma habilidade de tomar mais decisões?
Sim, com certeza, Kelly. Por exemplo, tem uma frase que eu gosto muito do Alvin Toffoli, que é o seguinte, o analfabeto do século XXI não é quem não sabe ler e escrever. É aquela pessoa que não consegue aprender, desaprender e reaprender. Nós estamos num mundo muito dinâmico de mudanças, de transformação acelerada. Então, todo profissional do Árvore tem que saber desaprender e reaprender. Aquele que já está trabalhando há anos no agro, mas também aquele que está por vir as novas gerações. Então é bem interessante que a gente, né, a gente ouvia no passado, né, ah, eu vou sair da fazenda para estudar, né. Muitas vezes você quer ser alguém na vida, você sai da fazenda e vai estudar. Hoje já é o contrário. Se você quer atuar na fazenda, você vai ter que estudar. Então, essa nova geração, ela está trazendo um outro conceito, né? Então, inclusive, essas novas tecnologias estão atraindo a nova geração para o campo.
Eu gostei dessa complementariedade, ou seja, as informações, As gerações se completam, cada um com seus conhecimentos. E me recordo aqui que muita gente já me questionou, dizendo assim, está todo mundo falando do digital, da nova era, e tem muita gente, especialmente agrônomo, que esqueceu de colocar o pé no barro, e isso está fazendo falta. Ponto importante, o digital vai substituir o pé no barro ou eles vão se complementar?
Eu acredito que eles vão se complementar, não substituir. Na verdade, a tecnologia, ela vem para melhorar o processo de produção. É justamente esse novo modelo mental digital, né, que esses novos tipos de profissionais, essas novas tecnologias, que vão fazer a diferença nos sistemas de produção.
Excelente. Uma frase que eu gosto muito é O que nos trouxe até aqui não necessariamente nos levará para a próxima fase, então abrir a cabeça para aprender coisas novas é sempre muito bem-vindo. As grandes tendências de transformação nas carreiras agro, elas vêm da tecnologia, sabia? O Insper revelou uma lista com 13 profissões do futuro. que incluem, vou citar algumas aqui, desenvolvedor de softwares, analista de big data, desenvolvedor de dispositivos vestíveis, sabe como óculos de realidade virtual, relógios inteligentes, por exemplo, entre várias outras atividades. E é neste lugar que a gente está, tentando entender no presente quais vão ser as profissões do futuro em Silvia. É isso, a gente vai ter que aprender essas coisas novas e Terão novas versões?
Sim, com certeza. Mas o importante é ele entender que a tecnologia não é um custo pra ele. A tecnologia é investimento. Ele tem que entender esse retorno. Então, tem aí um letramento digital, né? E aí eu vou aí desde o produtor aos agrônomos. ao profissional, esses profissionais que você colocou, desenvolvimento de software, que trabalha com desenvolvimento de hardware também, pra essa nova era digital, esse pessoal tem que ir pro campo pra entender como que eles podem fazer esses equipamentos também mais adaptados ao agro.
Quanta coisa, hein? E aí, como será que o agricultor pode se preparar pra ter grande produtividade? Foi a palavra que a Silvia usou. Usando todas essas tecnologias que estão chegando. Como faz, Silvia?
O produtor hoje no Brasil, a gente tem uma extensão, nós temos aproximadamente 5 milhões de produtores, nós temos aí pequenos, médios, grandes produtores. Então assim, o digital chegou e eles não têm como abrir mão disso. Então eu entendo que a gente precisa fazer uma capacitação. Em Brapa a gente vem pensando nisso em alguns projetos, a gente acabou de provar um projeto grande, de criar 10 distritos agrotecnológicos no país para criar fazendas digitais de referência. Como a Embrapa ajuda a trazer novas práticas de manejo mais sustentáveis, a gente quer também, ouvindo as dores dos produtores, ver quais são os seus gargalos, quais são as tecnologias que estão disponíveis, gargalos de conectividade, porque a conectividade acaba sendo habilitadora para tudo isso. Então, e capacitação. Então, antes da gente trazer tecnologia, algo complicado para o produtor, vamos fazer uma inclusão digital daquele produtor.
Bom, e vamos saber desses dez agrodistritos tecnológicos, informação fresquinha para vocês aqui no Nova Onda. O que são esses dez novos distritos tecnológicos?
São unidades de referência na área digital, a gente quer criar essas unidades, fazendas digitais, E a ideia é trabalhar com as cadeias produtivas. Então você levanta as dores dos produtores junto à associação de produtores cooperativas. Quais são as possíveis tecnologias que estão no mercado que podem atender aquelas dores. Gargalhos de conectividade e capacitação. E você trabalha um projeto para aquela região, para aquela cadeia produtiva ou um sistema de produção, que pode ser um sistema integrado também. E você trabalha no norte o sistema agroflorestal, por exemplo. E aí desenvolve aquele projeto e cria um modelo econômico autossustentável. Quando o projeto acabar, aquele ecossistema ali, ele continua, né, e desenvolvendo e sendo referência para outras fazendas na região.
Muito legal. Está começando em 2023. E os primeiros resultados, a gente vai ver quando?
A gente já tem dois pilotos que a gente começou, um com café em Caconte, que na verdade ele foi até pra gente validar essa ideia. O outro na área de horticultura na região de São Miguel Arcanjo, Sorocaba. A ideia agora nós estamos no momento de definir mais três no estado de São Paulo e mais os outros cinco serão em outras regiões do país.
Muito bem, a gente aprendeu tanto, hein? Agora vou pedir pra Silvia completar uma última frase. A nova onda tech do agro nas profissões é qual? Que nova onda é essa?
A nova onda é você ser um eterno aprendiz. Porque eu acho que com essa revolução e essa mudança, a gente tem que estar sempre aberto para aprender com novas disciplinas, novas tecnologias, porque senão a gente no agro, nós não vamos conseguir manter o Brasil no protagonismo que o Brasil tem todo o potencial para continuar e protagonizar um grande produtor, exportador de grãos, carne e frutas no mundo.
Silvia, foi um prazer recebê-las.
Foi tudo meu. Muito obrigada.
Obrigada a você.
Foi ótimo estar com você.
A gente também adorou e a gente aprendeu muito. Multidisciplinaridade, mentalidade aberta ao aprendizado contínuo. Mudança do ambiente analógico para o digital e ainda as novas fazendas digitais com esses polos espalhados pelo Brasil. Imagino que você também tenha saído melhor do que entrou nesse bate-papo. Foi o que aconteceu comigo. No próximo episódio a gente vai tratar da revolução das máquinas agrícolas e a gestão dos negócios no lago. Eu espero vocês. Até lá.
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