Nova Onda Tech | Episódio 3: A Revolução das Máquinas

Kelly talks with Estela Dias, a marketing manager at John Deere, about how autonomous machines and digital tech are changing agriculture in Brazil and the US. They cover what's being used now and where the technology is headed.
A revolução das máquinas começou há centenas de anos. Desde lá, a John Deere está liderando a inovação no campo. Máquinas 100% autônomas, maior volume de dados para medir e melhorar as operações com capacidades sobre-humanas e muito mais. Para detalharmos isso e mais, a gente recebe a nossa convidada, Estela Dias. A Estela, que é gerente de marketing para tecnologia e precisão da John Deere. Seja muito bem-vinda, Estela.
Obrigada, Karen. Estou feliz de estar aqui conversando com você.
Também estou muito feliz de te receber, justamente para a gente saber hoje como as máquinas podem ajudar a medir e melhorar as operações, os resultados do campo. Como funciona?
Hoje a gente já tem muitas tecnologias consolidadas e disponíveis para o agricultor. Coisas que já estão no mercado há alguns anos. Um exemplo clássico e muito utilizado que é o piloto automático. Esse é um exemplo de tecnologia que traz benefício aliado a outras tecnologias, por exemplo, a evitar sobreposição diária. O que significa isso? Se um agricultor está plantando, por exemplo, ele tem a capacidade de passar exatamente no lugar onde foi planejado e não ter sobreposição. Quando ele voltar e for passar de novo, as nossas áreas não são uniformes, então isso acontece bastante, ele evita de aplicar um produto ou plantar uma semente no lugar que ele já plantou. Então essas são tecnologias já bastante consolidadas e que significa benefício direto com dinheiro no bolso, a partir do momento que eu faço um uso mais racional do meu insumo.
Vou pegar um link do que você acabou de dizer, dinheiro no bolso. Esse é um fator importante, afinal de contas a gente sabe que as tecnologias elas têm altos valores e pra gente recuperar parte desse investimento a gente espera ganhos de eficiência, produtividade. Tudo isso tem muita relação com o aproveitamento que se faz daquela tecnologia. Se diz que tem tecnologias que já são bastante usadas e difundidas. Citou alguns exemplos. Quanto de toda tecnologia que está embarcada numa máquina é usado hoje no Brasil? Os agricultores estão usando 100%?
Muitos utilizam, depende muito da cultura. Existem culturas, quando a gente vai, por exemplo, para uma cultura perene, que é o caso de café, laranja, eucalipto, mesmo a cana que é semiperene, esse tipo de tecnologia ele já não consegue não utilizar mais. Porque é através desse tipo de tecnologia que ele consegue fazer o melhor uso, o melhor aproveitamento daquela área, uma vez que eu garanto, por exemplo, o paralelismo. Se eu estou passando em uma determinada linha, eu garanto que vou passar exatamente a mesma distância da outra. Hoje a gente fala, por exemplo, uma precisão de 2,5 centímetros, Então, esse é um tipo de benefício que o agricultor que usa, ele não deixa de utilizar mais. Mas a gente tem ainda alguns números, mesmo falando dessas tecnologias que já estão há bastante tempo no mercado, que ainda cerca de 60% realmente usa. E a gente tem, às vezes, 40% que estão disponíveis, muitas vezes, nos equipamentos e a gente ainda não está usando de uma maneira completa.
Ou seja, a gente está olhando para o futuro, tentando entender o que vem aí. de novas tecnologias, mas ainda com grande espaço para melhorar no aproveitamento das tecnologias que já estão disponíveis. A gente, no episódio anterior, ouviu um agricultor dizendo que ele é um voraz leitor de manual e ele disse que isso ajuda a chegar nesse percentual de mais de 90%, quase 100% de uso das tecnologias da máquina. Essa é uma prática habitual? Que outra prática você, como uma especialista no tema, enxerga que ajuda o agricultor a aproveitar o máximo das tecnologias Stella?
Existem muitas formas de difusão de conhecimento. O manual é uma delas, mas hoje a gente vê muito a questão do próprio digital. Então, existe muita gente colocando tutorial no YouTube. Nós, como fabricantes, a gente também tem vídeos curtos que a gente disponibiliza e ensina como fazer, como utilizar. Uma coisa que a gente introduziu de forma um pouco mais recente, que também são soluções que vão no caminho da evolução tecnológica, é, por exemplo, as plataformas digitais. Desde 2018, a gente já leva máquinas para o campo conectadas. Isso permitiu com que o agricultor começasse a receber, através da plataforma digital, que no nosso caso é o John Deere Operations Center, informações do que está acontecendo lá na propriedade dele. Isso começa a mudar um pouco do cenário que a gente tinha antes e ele começa a ter um volume muito maior de informação. e dentro da própria plataforma digital ele tem tutoriais ali também.
Quando nós estamos aprendendo ou desenvolvendo a capacidade de aprender com estes dados, porque ainda na minha percepção e me corrija se eu estiver errado, há muita gente extraindo muito dado e não sabendo o que fazer com aquele tanto de dado, ou talvez não sabendo o que perguntar para encontrar as respostas nos dados. Isso tem muita gente nessa mesma situação? Ou não, quem está olhando para dados sabe exatamente o que está buscando e está encontrando, Estela?
Aí vem um ponto importante, por exemplo, da plataforma digital. A gente fala que o que a gente quer dar de retorno para um agricultor não é só o dado, é a informação. Para ele o que importa é a informação. O que a gente faz com um monte de dados? Nada. Então ele é importante para alimentar o nosso sistema e cada vez mais a gente está olhando para a facilidade de uso. Então, tem que ser smart que a gente fala, tem que ser rápido, tem que ser inteligente, tem que ser fácil de usar para eu conseguir olhar para informações que realmente eu preciso olhar. Então, isso faz parte de todo um sistema integrado. Nós temos a capacidade de ingestão, tratamento desse dado e o que eu quero voltar para o agricultor ou é uma informação na plataforma digital para que ele possa tomar uma decisão mais assertiva, tomar uma decisão mais rápida ou a minha capacidade de voltar para o equipamento um comando de automação. Algo que eu vou falar pro equipamento, que ninguém vai interferir. Eu vou falar pro equipamento, através de inteligência artificial, de conexão com esse equipamento, o que ele mesmo deve fazer, o que ele mesmo pode se autorregular ou tomar as próprias decisões.
Só pra eu entender, a gente tava no presente e agora a gente partiu pro futuro? Porque você falou em automação.
É um presente misturado com o futuro. A gente fala muito de futuro, mas tem muita coisa que a gente já tem hoje, que já é presente, que a gente imagina que é futuro. Mas para você ter ideia, por exemplo, hoje as colheitadeiras, colheitadeiras, colhedoras de cana, elas já conseguem se autorregular. Você seta parâmetros, você pode ir no monitor do equipamento, colocar ali parâmetros que você quer, por exemplo, de qualidade de um grão, de quanto você aceita perder, quanto você quer de consumo de combustível, e a máquina vai tomar a decisão sozinha. Ela se autorregula. Eu não deixo mais na mão do operador. Então, essas soluções de automação, a gente tem avançado em uma velocidade muito rápida. E a gente fala assim, que mesmo que a gente ainda necessita do operador na cabine, a gente quer tirar a dependência do operador na cabine. A gente quer deixar o trabalho mais fácil e automatizar, fazendo automação nesses níveis de trabalho. Mas nós temos muitos equipamentos já com alto nível.
Que interessante, gente. Agora, essa situação dos tratores autônomos, ela falou autônomo, eu já fiquei aqui pensando, né, de tratores autônomos, porque já há em circulação em algumas fazendas dos Estados Unidos. A gente quer saber quais são os resultados que têm sido observados, porque não é mais sobre futuro, você disse, presente e futuro estão bastante conectados. Esses resultados já estão aparecendo?
Hoje a gente já tem essa operação completamente autônoma, A gente lançou isso nos Estados Unidos, não está aqui no Brasil ainda disponível. A gente tem algumas dezenas de unidades de um trator já comercial. Isso foi um passo bastante grande, não é um protótipo. É um trator comercial e a autonomia desse trator está em uma operação. Ele é específico para preparo de solo. Então, quando a gente olha em benefício, o preparo do solo é uma operação que eu tenho a capacidade de rodar 24 horas. Eu não preciso parar. Então, com esse trator, eu consigo aproveitar essas 24 horas. Isso dá cerca de 30% a mais do que a gente pensar na realidade de hoje.
Esse ciclo já começou com esse equipamento que está sendo usado nos Estados Unidos e os relatos de agricultores que têm usado. Você teve acesso? O que eles disseram? Estão mais assustados ou empolgados com essa novidade?
Estão bem mais empolgados com essa novidade. Tem um vídeo que a gente divulga bastante de um agricultor que trouxe o relato do uso Então, além dele falar essa questão que eu já comentei de poder trabalhar as 24 horas, o que aconteceu? Sobrou muito mais tempo para ele para ficar com a família, por exemplo. Ou ele consegue hoje um equipamento que tem autonomia completa como esse, ele controla da tela para o celular. Então, eu não tenho mais que estar lá dentro da cabine. E isso é um papel superimportante, inclusive, da plataforma digital. A gente tem que pensar que a plataforma digital, ela traz inúmeros benefícios, como eu comentei, a decisão mais assertiva de eu ter informação, mas ela é um elemento crítico quando eu pensar que eu tenho um equipamento completamente autônomo. É através dela que eu dou partida no trator. É através dela que eu envio o comando para o trabalho ser realizado.
Imagina, essa é uma situação que você deve estar pensando, e quando chega ao Brasil? Eu quero saber, Estela.
A gente está trabalhando nesses planos, eu não tenho uma data ainda exata de quando isso chega ao Brasil, mas se a gente olhar para um horizonte dos próximos cinco a dez anos, isso já vai crescer de forma bastante exponencial nos Estados Unidos, e aí a gente vai começar a espalhar isso para o restante do mundo, inclusive para o Brasil, mas hoje a gente não tem uma data ainda. Existe legislação brasileira a ser trabalhada, não é algo tão simples. A tecnologia tá aí, a possibilidade já existe. E ela é um passo pra autonomia de outras operações, porque a gente, quando a gente olha pra um trator desse, é um trator equipado com seis pares de câmeras estéreo, que a gente chama. O que são essas câmeras? São câmeras de altíssima capacidade de captura e de olhar 360 graus. Então, isso a gente fala, inclusive, que são capacidades sobre-humanas que a gente consegue dar para um equipamento. Hoje, um olho humano, a gente não conseguiria ter esse campo de visão. E a capacidade de a gente tratar essas imagens que são geradas, para você ter ideia, a gente tem a capacidade de tratar cada pixel a cada 100 milissegundos. Isso significa que se um equipamento desse encontra um obstáculo na frente, um galho, um animal, ele tem a capacidade de parar naquele momento. Então, isso já é possível e aí a gente tem que trabalhar a legislação, porque essa é uma grande preocupação.
Gente, que salto na revolução das máquinas, hein? 5 a 10 anos e escalando exponencialmente. Foi o que a Estela disse para a gente. O que quer dizer é que a cada novo salto tecnológico, a gente vai vendo velocidades ainda maiores. Qual é o grande salto que vem por aí? Você já deu uma pista. Ele já começou lá nos Estados Unidos, essa máquina fazendo por si só um trabalho e o comando sendo dado por celular, seja onde você estiver. Esse é o próximo grande salto ou tem outro no seu radar?
O próximo grande salto, ele passa pelas operações. Existem outras tecnologias do ponto de vista de semente, genética, mas passa também pelas operações. Como a gente vai conseguir produzir numa mesma área a ter uma maior produtividade.
Explica pra gente melhor isso. O que significa passa pelas operações? Vai mudar o jeito que se produz um alimento? Que se planta, que se cole?
Não, vai mudar a eficiência com que eu faço essa operação. Então, assim, como eu olho para tecnologias que eu tenho um melhor uso, faço um uso racional dos meus insumos, que eu tenha capacidade de aplicar em um determinado local aquilo que eu preciso, de repente, para eu extrair o máximo potencial daquela planta. Então, a gente fala que a gente está passando do gerenciamento de talhão a talhão para um gerenciamento planta a planta. Então, eu tenho a capacidade de fazer um escaneamento, vamos dizer, uma varredura da área que eu estou, entender aquela área, e ter a capacidade de aplicar aonde eu realmente preciso aplicar.
Estela, você está trazendo para a gente informações que apontam para um futuro de produção agrícola cada vez mais autônomo, com um nível de precisão ali no detalhe e tomadas de decisões mais rápidas. Isso vai mudar o mercado de trabalho? Isso vai mudar o perfil de profissional que a gente vai precisar? E como que a gente está no Brasil nesse momento para atender essa demanda?
Bom, a gente tem uma situação única no Brasil. A oportunidade que a gente tem com a agricultura brasileira E já existe o reconhecimento dos agricultores brasileiros que são tecnológicos e abertos à tecnologia. Quando a gente olha para aquela pesquisa da McKinsey de algum tempo atrás, a gente vê a diferença de idade do produtor brasileiro com o produtor americano. e o quanto nós estamos abertos à digitalização e às novas tecnologias. Então, acho que a gente está numa posição única no Brasil. A gente tem muita oportunidade. Por muito tempo, a gente trouxe tecnologias de fora para cá. Hoje, a gente vê um movimento diferente acontecendo e a gente olhando para as necessidades do Brasil e já pensando em tecnologias daqui que a gente vai levar para fora.
Pra quem ficou se perguntando em relação a essa pesquisa que a Estela citou, é bom lembrar que a média de idade do agricultor brasileiro está entre 40 e 46 anos, ele é bem mais jovem do que os agricultores dos Estados Unidos e da Europa. Agora pra gente encaminhar pro finalzinho, quem nos acompanha em Estela já sabe que a gente sempre quer saber qual é a nova onda tech que vem por aí. E a minha pergunta pra você é, a nova onda tech na revolução das máquinas é?
Digitalização e conexão no campo. Isso já está transformando tudo e é o que vai nos habilitar a dar o próximo salto.
Excelente, Estela. Um prazer te receber. Volte sempre. A gente quer aprender mais sobre essa revolução que já está em curso. Obrigada.
Eu que agradeço a participação aqui, Kelly.
Obrigada a você. E no próximo episódio, a gente vai tratar de futurismo no agro. Eu espero vocês. Até lá.
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