Nova Onda Tech | Novidades 2024 e Motor a etanol

Kellen interviews Antônio Carreri, president of John Deere Brasil, about agricultural tech trends for 2024. They discuss machine intelligence, sustainability, automation, and John Deere's new ethanol-powered engines designed for Brazilian farming.
A minha conversa de hoje é com o presidente da John Deere Brasil, Antônio Carreri. Carreri, prazer conversar com você, especialmente nesse momento que você acabou de voltar da maior feira agrícola do mundo de tecnologias. O que você viu por lá? Qual vai ser a tendência de 2024?
Kellen, bom dia, sempre um prazer estar juntos. Primeiro, eu gostaria de ressaltar o privilégio que temos no Brasil com o clima, porque fazia um frio muito forte na Alemanha, fez um frio realmente... foi bom ir e voltar para o Brasil, viu? E aproveitar aqui esse clima fantástico que nós temos, clima tropical para a produção agrícola. Na feira você enxerga realmente uma agricultura se transformando de forma permanente, uma evolução muito rápida e a Jundir tinha lá um stand, uma presença de 10 mil metros quadrados, ou seja, uma hectare só com a tecnologia Jundir mostrando o melhor e o mais moderno que tem o mundo no que se refere à inteligência artificial, no que se refere às novas motorizações das máquinas, mas principalmente como as nossas máquinas trabalham no ecossistema do sistema de produção do cliente, ou seja, Na Europa, por exemplo, tem um forte foco na produção de leite, de carne, de cultivos de alto valor, que nós chamamos High Value Crops, como pode ser uma batata, uma mandioca. Então, você enxerga muitas máquinas especializadas para esse tipo de cultivo. Obviamente, cereais como a cebada, o trigo, são muito importantes na Europa. E aqui onde nós temos um foco bastante mais forte na soja, no milho, na carne de açúcar, por exemplo, no algodão. Então é interessante hoje como a Joandir quer contribuir e ajudar os nossos clientes em todos os sistemas de produção que eles escolhem estar. E aqui as palavras-chave, eu acredito que são a inteligência das máquinas, que estão cada vez mais inteligentes, cada vez mais sustentáveis, ou seja, Já é sabido que a população atingiu 8 bilhões de pessoas em janeiro, vai continuar crescendo, então é uma população que precisa de cada vez mais alimento e mais energia. E para nós poder produzir mais com menos, é que a John Deere está investindo de forma muito forte em inteligência e em diferentes alternativas para os nossos motores.
Interessante. Você fala em inteligência das máquinas, motorização das máquinas, sustentabilidade. E aí a gente se pergunta, num contexto de investimento em agricultura de precisão, O que você enxerga como as realidades de um futuro muito próximo já na agricultura brasileira?
É uma pergunta fantástica. A evolução, e para alguém como eu que desde criança está trabalhando com máquinas, a evolução tem sido fantástica e ultimamente, nos últimos anos, os avanços têm sido muito grandes, ou seja, por exemplo, a John Deere, começando com um GPS, um posicionamento alá, faz 25 anos, até o que a máquina é capaz de fazer hoje com sensores, com visão, e ajudam a maximizar a capacidade humana. Então, se nós olhamos, por exemplo, o que foi a transição da agricultura, passou de uma labrança manual a uma labrança, um trabalho nas fazendas com animais, depois com máquinas e agora com inteligência. O que nós estamos tentando fazer é ajudar que o ser humano possa produzir cada vez mais com menos, cuidando do planeta, cuidando da sustentabilidade. E nesse sentido, as máquinas hoje da John Deere são embarcadas já com inteligência artificial, são embarcadas agora com visão. Se nós pensamos nos cinco sentidos do ser humano, a visão é um sentido que ajuda a captar dados, captar informações e em nossa cabeça nos transformamos isso em uma decisão, por exemplo. E isso é o que nós estamos fazendo nas máquinas, estamos colocando visão nas máquinas para que a inteligência artificial possa processar o que está enxergando e possa atuar. Então é um trabalho de automação que nós estamos trazendo muito grande para as máquinas. Se você enxerga, por exemplo, uma coletadeira de grãos ou um pulverizador, são máquinas muito grandes. E nós, com nossos dois olhos, que são fantásticos, não dá para enxergar tudo o que está acontecendo ao redor dessa máquina. Quanto mais sensores nós coloquemos, quanto mais visão nós possamos trazer via câmaras, nós vamos poder ajudar ou assegurar que essa máquina entregue seu máximo potencial para os nossos produtores. Então, o objetivo é trazer uma eficiência e uma produtividade e uma sustentabilidade para o cliente cada vez maior via essa tecnologia.
Você falou em automação das máquinas. Esse é um tema que interessa demais a todos nós porque ele reflete o que é um futuro muito próximo ou quem sabe até um presente. Já temos máquinas 100% autônomas em teste no Brasil, máquinas da Jungir. Quando isso vai ser uma realidade nas fazendas do futuro, Karheri?
Hoje nós temos máquinas com inteligência artificial sendo produzidas no Brasil, ou seja, nós temos coletadeiras produzidas em Horizonte, China, por exemplo, que tem vários conjuntos de inteligência artificial, de machine learning, que permitem, por exemplo, a máquina monitorar diferentes variáveis e se autoajustar a cada três minutos. E isso a máquina faz de forma sozinha. Só as pessoas têm que ligar essa tecnologia. E, aqui, um dos nossos maiores desafios é que as pessoas comprem as máquinas, mas não ligam a tecnologia. Então, aqui fica já o convite para que as pessoas aproveitem essa tecnologia que já vem embarcada nas máquinas para ajudá-las a produzir cada vez mais ou de forma mais eficiente. Então, nesse sentido... A John Deere tem se preocupado muito em assegurar que a tecnologia seja de fácil utilização. Entendemos que não todos os produtores querem ser engenheiros da NASA para poder operar as máquinas. Então, nós focamos bastante em trazer tecnologia amigável que seja de fácil utilização para os operadores ou as operadoras ao redor do Brasil e do mundo. Também entendemos que em partes do mundo tem pessoas que querem migrar às cidades, por exemplo. Então, nós não temos mão de obra disponível nas fazendas em algumas partes do mundo. Por isso, estamos nessa jornada que a máquina vai aprendendo, vai conhecendo para chegar eventualmente a uma máquina autônoma. E aqui nós trouxemos, e você estava junto conosco no Agrishow de 2023, onde trouxemos um aspersor, um pulverizador autônomo, o gás que nós fabricamos na Califórnia, nos Estados Unidos, e que trouxemos pela primeira vez para fazer testes no café, por exemplo, testes na produção de laranja. Então, estamos trazendo essas tecnologias. Já também aqui, então isso é uma máquina completamente autônoma que não tem cabine e que uma pessoa vai poder trabalhar desde um escritório ou desde uma fazenda remota para assegurar que a máquina continue a trabalhar sempre de forma mais segura e eficiente. Agora, a Jundia também entende que muitos agricultores estão na agricultura pela paixão de entrar na cabine e trabalhar. Então, nós hoje, que também já lançamos, que é uma realidade, a primeira operação autônoma, que é um trator autônomo, trabalhando com um produto de um implemento de labrança, de movimento de terra. Então, essa operação hoje é uma realidade nos Estados Unidos, na Europa está sendo lançado, mas aqui para que o Brasil possa trazer essa tecnologia, nós ainda precisamos trabalhar em conectividade, assegurar que o Brasil tenha uma conectividade em qualquer ponto do país. Uma pergunta para outro momento.
Muito interessante, ou seja, estamos no caminho ainda, dependemos de avanço de infraestrutura, mas é uma realidade não muito distante, né Carreri? Dentro dessa perspectiva de palavras-chave sobre o futuro das máquinas e da agricultura, eu gostaria de entender mais sobre um lançamento que tem chamado a atenção da nossa audiência, que é o motor movido a etanol. A motorização das máquinas, como serão essas máquinas do futuro?
Ótima pergunta. Nessa evolução que todos nós estamos tentando fazer para cuidar do meio ambiente, nós entendemos que precisamos trabalhar com tecnologias alternativas à tecnologia já existente nos motores a diesel, por exemplo, que é o principal motor do mundo agrícola ou das máquinas maiores. Nesse sentido então a gente tem um compromisso até 2030 de realmente diminuir o impacto do greenhouse emissions ou das emissões dos efeitos de gás estufa e então nesse sentido nós estamos trabalhando com toda a cadeia de valor da produção desde os nossos fornecedores, nossas fábricas e nossa rede de concessionários e também nossos clientes e aqui é onde o que você coloca é realmente importante. A John Deere quer trazer para o cliente soluções elétricas, onde faz sentido que seja uma solução elétrica, ou uma solução de um combustível alternativo, onde faz sentido utilizar um combustível alternativo. Como pode ser, por exemplo, aqui no Brasil, o etanol. E aqui então, na Agritecnica, nós lançamos para o mundo, ou anunciamos para o mundo, o conceito do motor etanol. Então esse é um conceito novo para nós, trazendo uma tecnologia revolucionária para assegurar que o cliente possa utilizar um motor a combustão interna, ou seja, não vai precisar modificar o equipamento, só vai mudar o motor. Então os clientes que já utilizam uma colhedora de cana, por exemplo, no futuro poderão utilizar uma colhedora de cana com um motor a etanol.
Interessantíssimo. E muita gente aqui enviou perguntas sobre a performance comparativa entre um motor a diesel, um motor a etanol. Quais são os primeiros insights que vocês já tiveram?
E aqui nós estamos trabalhando já faz tempo em testes de laboratório, assegurando que a tecnologia realmente funciona. E como você coloca a estrutura química do diesel é diferente do etanol, A densidade de energia do etanol, por exemplo, é 60% do mesmo volume de um diesel. Então você naturalmente precisa de mais etanol para gerar a mesma quantidade de energia que um combustível como o diesel. Em laboratórios, hoje, a densidade, a diferença é quase de 40%. Ou seja, você precisa, para gerar a mesma energia que um litro de diesel, você precisa de 1,6 litro de etanol, por exemplo. O interessante do que nós estamos colocando aqui para o mundo é Nós já fizemos os testes no laboratório. Pela pesquisa e desenvolvimento, tem se dado tão bem que agora vamos passar para os testes reais, no que se refere ao campo. Então, muitos dos resultados de como o motor funciona, da energia que ele gera, agora nós vamos confirmar certinho. E o interessante é que vamos confirmar aqui no Brasil.
Isto que eu gostaria de saber. Essas confirmações vão ser feitas em testes em campo e mais com clientes brasileiros. Onde no Brasil isso vai acontecer é já no começo de 2024 e o que vocês querem aprender dessa máquina movida etanol nos campos do Brasil.
Então, nós lançamos, e aqui é interessante, na medida que o mundo se converte em um mundo cada vez mais ágil, um mundo cada vez mais necessitado dessas novas tecnologias, nós estamos lançando ou anunciando esse conceito do motor de uma forma que nós estamos avançando com a pesquisa, ou seja, nossa pesquisa está começando nesse momento. O que nós vamos fazer é trazer um trator para o Brasil, agora nos começos de 2024, e vamos colocá-lo em testes reais, ou seja, sendo utilizado por clientes de onde ir, em aplicações que já esses clientes utilizam a máquina no dia de hoje. e conferir essa pesquisa e tudo que tem a ver com o desenvolvimento do motor, a duração do motor, como se comporta em temperaturas altas, principalmente nós vamos começar nossos estudos aqui na zona de produção de cana-de-açúcar. Então, aqui no que pode ser o estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, é onde nós vamos trazer a máquina e começar a fazer esses testes.
Interessantíssimo. E aí a dúvida que fica é qual é a forma em que você enxerga uma fazenda daqui a cinco anos? Como é que serão as máquinas nesta fazenda e como será a produção?
Então, e aqui de novo, o protagonismo do Brasil é extraordinário. O mundo precisa de cada vez mais alimento, precisa de cada vez mais combustível sustentável, uma matriz energética realmente sustentável e para isso o agro vai ser o grande protagonista. E dentro do mundo agro, o Brasil e a América Latina serão os grandes protagonistas de hoje e no futuro. Nesse sentido, nós entendemos que hoje a gestão das fazendas pode ganhar eficiência se nós entrarmos cada vez mais específicos. Por exemplo, assim como cada um de nós, seres humanos, somos únicos e diferentes, as plantas são também únicas e diferentes. Então, a Jundia está em uma jornada de transformação onde nós vamos passar de hoje fazer uma gestão de fazenda ou talião a fazer uma gestão de planta por planta. Imagina que no futuro nós vamos saber onde está colocada cada semente em sua latitude e longitude para poder assegurar que nós estamos cuidando de planta a planta de forma repetitiva em toda a fazenda, sem importar se é uma fazenda pequena, média ou grande.
Essa era a questão que eu gostaria de saber de você. Essa jornada de mais tecnologia nas fazendas do agrobrasil, ela é uma jornada que exclui alguns agricultores que hoje às vezes não sabem muito bem o que é machine learning ou inteligência artificial ou ela inclui e se ela inclui como que ela vai fazer isso?
Ao contrário, nós entendemos que a responsabilidade de ter cientistas de dados não fica com o produtor ou a produtora, mas com a nossa responsabilidade. O nosso conceito é trazer tecnologias que sejam de fácil utilização e que tenham um impacto em todos os tamanhos de fazenda, sejam pequenas, sejam médias, grandes, e na produção de vários cultivos. Por exemplo, Estivemos visitando um grande produtor de mandioca em Paraná, em Maringá, especificamente, onde eles já estão utilizando a agricultura de precisão com um impacto tangível, um impacto real na fazenda, na produção de mandioca, por exemplo. Então, foi realmente gratificante para nós, da Jundir, Enxergar como a agricultura de precisão, por exemplo, está tendo um impacto real na produção de soja, milho, cana-de-açúcar, mandioca ou amendoim também, por exemplo.
Interessante, agora pra gente fechar, quem assistiu essa entrevista até aqui quer levar pra casa pelo menos quatro palavras-chave para entender o futuro da agricultura, o futuro das máquinas de 2024 em diante. Quais são essas quatro palavras-chave que a gente tem que saber para estar inserido nesse mundo da tecnologia que muda tão rapidamente?
Hoje, primeiro seria assegurar que as pessoas comecem a enxergar as máquinas como uma geradora de dados. Nós entendemos que a produção e os produtores e as produtoras precisam de cada vez mais dados para assegurar que as decisões que eles estão tomando são as mais benéficas, as que geram maior eficiência, produtividade e sustentabilidade. Então, nós precisamos começar a enxergar a máquina como uma geradora de dados, número um. Dois, a conectividade, para que a máquina realmente possa operar da melhor forma possível. Já hoje, necessitamos conectividade e a conectividade também está se transformando. onde nós temos redes de Wi-Fi em algumas fazendas, já temos hoje soluções de celular também. Então a rede John Deere, trabalhando com nossa parceira Sol, oferece uma conectividade de celular em qualquer ponto do Brasil. E, proximamente, também já anunciando em 2024, que a John Deere vai também trazer uma solução de conectividade satelital para o Brasil, principalmente, ou começando pelo Brasil, para assegurar que o cliente possa, mais uma vez, aproveitar toda a tecnologia embarcada nas máquinas. Então, dados número um, dois, conectividade, E a terceira eu acho que é a sustentabilidade, como fazemos para produzir mais com menos e aqui são as máquinas inteligentes, as máquinas que nos ajudam a atuar, por exemplo, com tecnologias como Seed and Spray, nossas pulverizadoras onde você vai poder aplicar cada vez menos produto para assegurar uma produção de soja cada vez mais sustentável, por exemplo, ou milho ou algodão. Então, nesse sentido, tudo que tem a ver com a inteligência vai nos ajudar a produzir mais de forma sustentável. Seriam as três palavras-chave.
Três palavras-chave. Scarreri, muito obrigada por dividir conosco a sua visão de futuro e que a gente possa trazer muito mais inovações e novidades para a nossa audiência. Obrigada.
Sempre um prazer. Muito obrigado.
Obrigada a você também. O Nova Onda Tech fica por aqui. A gente volta com mais entrevistas. Até.
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