Bem-estar corporativo e estratégia de crescimento com Bruno Rodrigues, da GoGood
4 Nov 2025 · 55 min
Bruno Rodrigues built GoGood into a B2B2C wellness marketplace connecting employers with gyms, mental health, nutrition, and telemedicine. Starting with accredited gyms, the company now covers around 200k lives and uses AI to predict churn. He's expanding region by region, partnering with benefit-card issuers to reach mid-market employers.
Questions this episode answers
~3,500 academias (accredited gyms).
Approximately 200,000 lives.
A little under 200 client companies (≈200).
ARR > R$15 million (revenue annual recorrente superior a R$15M).
~80% (taxa de crescimento de 80%).
Chapters
Eu sou Paulo Silveira e esse é o Like A Boss. Bruno Rodrigues, co-fundador e CEO da Golgud.
Paulo, obrigado por me receber, é uma felicidade imensa estar aqui.
Bruno, quero entender como que nasce a Golgud, qual que é o motivo, qual que era a dor que você tinha, alguém tinha e o que ela faz?
A Golgod nasce por uma paixão muito grande minha e por um problema de negócio que eu vivi. Eu fui atleta profissional durante 16 anos, comecei com 5 anos a competir Karatê, defendi a seleção brasileira e cresci dentro do esporte. Depois eu caí numa carreira corporativa, fui líder, executivo, E como líder e como executivo, eu tentei aplicar algumas das analogias do que eu aprendi no esporte, de prática de atividade física como parte fundamental pra gente estar bem, obviamente o atleta tem o seu corpo, mas também com a sua saúde mental, e eu via que o trabalhador intelectual ele não tinha isso tão bem conectado. Então a Golguz nasce pra, de fato, ajudar líderes e pessoas a terem mais bem-estar no trabalho, aplicando um pouco desses aprendizados do esporte. O mercado era bem diferente, é bem verdade, né? A gente tá falando de 2015, essas primeiras ideias surgindo. O mercado de bem-estar corporativo era muito distante do que era nos Estados Unidos, aqui no Brasil, por exemplo, né? Já tinha uma penetração super grande nos Estados Unidos, que todo RH olhava pra programa de bem-estar, E a gente apostou muito que esse mercado ia acontecer no Brasil como de fato, né? Hoje, todo RH tá discutindo saúde física, saúde mental, sua stack de benefícios pra atrair e reter seus principais talentos. E a Golgod nasce pra resolver essa dor que eu tive como líder, que era, poxa, como é que eu crio o melhor, o time com a mais alta performance que eu posso? A partir do que eu vivi como atleta.
E o que acontece que a Golgud oferece para essas empresas, para as academias, para essas outras profissionais liberais de bem-estar? Como que funciona? Qual é o funcionamento, o modelo de negócios da Golgud?
Legal, Paulo. A gente aprendeu durante essa jornada que o RH gosta de oferecer o melhor benefício financeiro para as pessoas. Então, não à toa que tem o plano de saúde, que é super disseminado, porque hoje você contratar, não depender da empresa, para contratar um plano de saúde é muito caro. Então, a empresa vem a baratear. Isso é percebido como dinheiro no final do dia, no final do mês aqui, porque é mais barato para ele contratar através da empresa ou até gratuito. e porque ele tem aquele interesse, e o interesse das pessoas agora se transformou, as pessoas querem fazer mais atividade física, elas querem cuidar da sua saúde mental, da sua alimentação, hoje eu falo que a gente vive a era de ouro do wellness, porque taxa de obesidade era super alta, o sedentarismo super elevado, doenças como ansiedade, depressão, de fato estão afligindo cada vez mais a nossa sociedade, e isso recaiu na empresa. As pessoas buscam mais bem-estar, inclusive no trabalho, para performarem melhor. E aí o RH passou a buscar soluções que de fato pudessem entregar isso para os seus colaboradores. Então a gente inicia a nossa jornada aqui com a parte de atividade física, a gente credencia as primeiras academias na nossa plataforma, entende que a gente consegue entregar um valor super legal de transformação de vidas das pessoas, largando o sedentarismo, fazendo mais atividade física, e logo fica muito evidente pra nós que atividade física, na verdade, ela é uma ponta super importante, mas ela se conecta com outras coisas, como saúde mental. A pessoa que começa a fazer atividade física, ela começa a se preocupar mais com a sua saúde mental e fazer uma terapia. Depois ela fala, poxa, minha alimentação não tá tão boa assim. Ela tem que cuidar melhor da alimentação, eu tenho que descansar melhor. E ela vai somando hábitos no seu dia a dia. E a Golguji meio que acompanha um pouco dessa jornada dos colaboradores, trazendo primeiro academias, depois psicólogos, depois psiquiatras, telemedicina, nutricionista, e a gente vai acompanhando essa jornada de bem-estar de cada colaborador e fazendo com que a ORH consiga também acompanhar oferecendo um benefício que de fato transforma essas vidas.
Porque para lembrar, 15 anos atrás, esses benefícios ou era só o plano de saúde, o vale e refeição, ou as empresas tinham mecanismos muito específicos, né? Ah, essa empresa aqui tem um vale X. Aí o X é pro psicólogo, ou é pra fisioterapia, ou é por causa da academia do bairro, uma empresinha pequenininha, tinha o ioga do bairro, porque o CEO gostava de ioga, essas coisas eram muito fragmentadas e específicas. Acontece, em algum momento, a palavra consolidação não de empresas, mas desses benefícios, de baixo de alguns grupos de guarda-chuva, tanto que acontece com aquele... os cartões de vale-refeição, o cartão que é meio dinheiro, meio que não, aconteceu esse e... recentemente, não tão recentemente, já que a Google Gold tem quase uma década, vem acontecer nessa parte do wellness mais amplo, que eu coloco aqui como exercício, mas não é só isso, né? Tem o mental, tem o apoio mental, saúde mental envolvida aí dentro. Isso começa a se juntar.
Total. 10 anos atrás, era normal você ver um RH que tinha talvez 3 benefícios. um plano de saúde, um plano odontológico ou seguro de vida e um vale alimentação ou vale refeição. E era meio que isso que eles tinham que administrar no dia a dia, que eram os principais, era o basicão bem feito. Hoje é natural você ver uma empresa que tem 15, 20, 25 benefícios diferentes, dos mais variados possíveis pra de fato atrair os talentos, mostrar que tem uma cultura diferente e o problema é que o headcount não cresceu na mesma proporção da complexidade da operação de benefícios. Então, a empresa que tinha 5 pessoas no RH para administrar os 3 benefícios, tem talvez 6 para fazer 15. E a administração desses benefícios já é complexa por si só e faz as pessoas usarem e perceberem valor ainda mais complexo. Então, costumo dizer que... só existe o mercado de benefício por causa do interesse do indivíduo. E se o interesse mudou, e é verdade que mudou, porque nunca se viu tantas pessoas correndo na rua com seu par de tênis, fazendo corrida de rua, se alimentando melhor, buscando uma alimentação orgânica, buscando cuidar do seu sono, a gente vê aqui as novas gerações menos orientadas pra bebida alcoólica e pra balada e muito mais pra cuidar do corpo e da mente, o mercado de trabalho mudou e o mercado de benefícios teve que acompanhar um pouco isso e gerou uma complexidade, uma oportunidade aqui que a Golgudi busca ajudar os RHs nesse sentido.
Ótimo! E aí, como fica então esse funcionamento de quem contrata quem? Como que vocês adquirem? Porque acaba sendo um marketplace, você tem essas empresas que fornecem, porque vocês não dão aula de Karatê nem de Yoga. Então, essas empresas se credenciam, vocês buscam elas para depois usar RHs. De que empresa? Média empresa? Pequena empresa? de uma região do Brasil vão se buscar algo good pra oferecer o cartão, a app, como que funciona esse marketplace tradicional?
O nosso ecossistema, vamos dizer assim, de produtos e serviços, ele se iniciou por academias. Então, a gente entendeu que se a gente tivesse uma densidade muito grande de academias em cada região que a gente atuasse, a gente teria um efeito de rede muito forte e uma prestação de serviço qualificada para o RH. Quer dizer, não preciso olhar para o Brasil primeiro. Academias são negócios originalmente do bairro. E quem estiver nos ouvindo aqui vai pensar, as vezes você nem usa a melhor academia da sua cidade e as vezes nem a melhor do seu bairro. É a mais conveniente pra você. Então a densidade de opções de qualidade e também de preço é super importante. Cada regiãozinha a gente ter uma penetração muito grande. Então isso, a gente tem um time de vendas, que credencia academias. Hoje nós temos perto de 3.500 academias que esse time vai se relacionando e vai trazendo oportunidades para popular mais essas academias, trazer mais oportunidade de negócio como um canal de distribuição para dentro dos RHs. E a gente traz os RHs pra, de fato, pagar pela contratação de um benefício, inicialmente de atividade física, que foi o nosso primeiro produto aqui, que a gente começa cidade a cidade, depois região a região, aí fazemos um estado, justamente buscando sempre ter um market share muito grande nessa parte de academias de credenciamento, pra entregar, num primeiro momento, pra médias empresas, Porque a gente vê que a grande empresa tem uma estrutura de RH e de endomarketing muito forte. Então, ela contrata um benefício e ela tem capacidade para divulgar o benefício, para engajar seus colaboradores e assim por diante. A média empresa não tem essa estrutura tão boa para fazer essa divulgação, a administração de pessoal, a entrada do novo funcionário, a retirada do funcionário que saiu... Tem toda uma tarefa administrativa de operação de benefício que a média empresa tem muita dificuldade de fazer isso de uma forma organizada.
Então, você oferecer isso é um diferencial para a média, não para a grande.
A gente inicia na média, porque a gente entendeu que o Brasil é feito principalmente por empresas regionalizadas, né? E assim, a gente fala, a gente vê muito aqui, poxa, nossos amigos da Faria Lima, Olham muito as oportunidades das grandes empresas do Brasil, que são grandes nomes e grandes marcas, mas o Brasil é feito, na verdade, por marcas às vezes muito desconhecidas. Só dando um exemplo numérico aqui, tem mil empresas com mais de mil funcionários, mas entre cem e mil funcionários tem oitenta mil empresas no Brasil.
Só tem mil empresas com mais de mil funcionários? Exatamente.
E a gente tem 80 mil empresas entre 100 e mil colaboradores. Quer dizer, você tem 80 mil... 80 vezes mais CNPJs de médias, vamos chamar assim, do que de grandes. E esse mercado aqui, ele tem uma dificuldade de administrar diversos benefícios, de lançar novos benefícios, porque tem uma estrutura de RH às vezes muito operacional ou muito pequena. Então a gente iniciou por ali, vendendo um benefício que ele tinha um parceiro, para administrar os seus benefícios, para lançar com um atendimento próximo, isso a gente começa com a atividade física. E logo fica claro que a parte de saúde mental, com psicólogos, com nutricionistas, com educadores físicos, seriam as próximas camadas de novos benefícios que eles gostariam de levar para os seus colaboradores, mas isso traria uma complexidade exponencial para esse RH que já não tem nem braço para fazer alguns poucos benefícios. Então a gente começa com essas médias empresas e criando uma densidade de academias em cada região que a gente trabalha, com uma proximidade muito grande, com efeito de rede dessas academias e empresas locais, que a gente começa a escalar e as grandes começam a vir. Isso foi uma surpresa positiva nos nossos primeiros anos. Hoje nós temos empresas principalmente entre 100 e 1.000, mas temos empresas de 3.000, 5.000, 7.000, 10.000 funcionários, porque já tem densidade de entrega para todos os seus colaboradores poderem usar nossas academias também.
Eu coloquei aqui a analogia de marketplace. E quando a gente fala marketplace em um podcast de empreendedorismo, de liderança, a gente pensa no puro digital. E no puro digital você tem esse balanço que todo mundo me fala que é... muito complexo da oferta e da demanda, porque se você tiver muito de um e pouco do outro, os sellers, as pessoas que estão fornecendo aquele trabalho, vão ficar frustradas porque não vendem nada, traz pouco ou é irrelevante. E se para os clientes estiverem faltando a oferta, fica esquisito e as pessoas vão falar, poxa, para que eu vou lá se não tenho o que eu vou acessar. Então, esse balanço é o tempo todo complexo. São duas dimensões simultâneas de trabalho hiperconectadas. Mas, no seu caso, a entrega do serviço é presencial. Ou, na maioria, vamos pensar aqui, a terapia, psicólogo, pode não ser, mas enfim. Mas tem a questão de tempo, de agenda, que também é outra dimensão. você contou isso de atacar primeiro uma cidade, um estado, o que já é interessante, porque também imagino que naquela época, startupeira, quando você começou, muita gente tentou criar marketplace atacando todas as cidades, estados, países do mundo simultâneo. E aí, é óbvio que a demanda e a oferta fica completamente desbalanceada, a não ser que você tenha acertado muito. Então, como que é essas próximas captações de empresas, academia, estúdio de pilates, etc? Porque tem que ser concomitante. Se você vai expandir para um próximo estado, e eu lembro que quando eu conversei as últimas vezes com você, você estava indo para Paraná. Então, como que é essa entrada no mercado? Porque você também não pode chegar pra uma empresa e bater na porta, então, tô chegando aqui e já já eu vou ter academia, hein? Agora se você também chegar numa academia e falar, olha, já já eu vou ter empresa, tudo fica esquisito. Como que é essa conversa e esse jogo pra acontecer meio que ao mesmo tempo? E qual que é a necessidade, se eu tô exagerando?
Sabe, Paulo, que não foi trivial pra gente pensar num produto de tecnologia que depende de um serviço local. Porque nosso primeiro produto, na verdade, que depois a gente veio apivotar, ele foi um SaaS puro. E o SaaS tem a beleza de ser escalável, de você distribuir em qualquer lugar, muda a língua, o produto tá entregue em qualquer lugar.
Isso pra mim... Foram raras as empresas que conseguiram seguir esse playbook dessa forma, né?
Mas o conceito é lindo, né? O conceito do escalável, no touch e tudo mais, acho que de alguma forma o mercado no passado valorizava bastante isso, a gente bebia um pouco dessa fonte. E na verdade eu entendi que a rede local tem uma fortaleza muito grande para o indivíduo, porque as pessoas já percebem valor na academia. Eu não preciso criar valor da academia. As pessoas já vão pra academia, já vão no crossfit, falam pra todo mundo que vai no crossfit, já fazem calistenia e já falam sobre isso, já jogam beat tênis, então é uma religião. Então, na verdade, eu tenho que facilitar esse ecossistema que já tem uma percepção de valor e numa ancoragem de valor até relevante. Isso pra nós foi um aprendizado que, poxa, uma vez que eu desenvolvo essa rede local, eu consigo criar uma percepção de valor até maior do que o software puro. E uma barreira de entrada de outros empreendedores, talvez, que não queiram lidar com uma rede local, que também é verdadeiro, porque tem a complexidade de você atuar com múltiplos interesses, né? A academia, o RH, o indivíduo... E assim, a gente foi criando um diferencial competitivo também, criando barreiras de entrada de altíssima densidade geográfica. Então, numa cidade hoje que a gente tem 20%, 30%, 40% de mais qualidade ou volume de rede do que outras empresas, é quase óbvio pra um RH que ele precisa da gente. É quase óbvio que aquele RH satisfeito ele indica pra outras empresas também, baseado nessa densidade de academias que estão atendendo bem, que já tem um relacionamento local com a gente, e assim a gente foi escalando um pouco mais a nossa operação.
Então você começa por elas?
Eu começo pelas academias, a gente começa pelas academias, porque a academia já tá educada, sobre o modelo de negócio. Então, se ela não tá com a gente, ela pode estar com algum outro agregador, como o El Hub, Total Pass, por exemplo, ou se ela não tá, ela já ouviu falar e ela já entende o modelo e já tem uma objeção muito clara de como que a gente transborda isso e melhora essa relação pra ele. E a gente tem uma proposta de valor que ela alinha melhor os incentivos com a academia.
Então você já aprendeu com o pessoal que abriu, que já bateu na porta antes, você consegue inclusive chegar com uma oferta melhor adaptada para aquela pessoa, para aquela academia.
É, porque enquanto modelo de negócio, a gente tem uma visão diferente do mercado. A gente começou com academia, mas ficou muito claro que academia é uma ponta que ela vai demandar outras pontas também de benefícios. Deu exemplo de psicólogo, de nutricionista, já tem seguro pet, tem os mais diversos que os RHs estão contratando também. E isso também é uma oportunidade de negócio. Se eu atendo bem o meu cliente, eu tenho a oportunidade de vender mais produtos pra dentro dessa plataforma, pra acompanhar essa jornada de outros benefícios de bem-estar. Isso muda tudo porque eu não preciso ganhar dinheiro em detrimento da academia. ganhar dinheiro na não utilização da academia. Eu quero que haja utilização na academia, aquele dinheiro que vem do usuário, ele tem praticamente margem zero pra gente, e aonde a gente faz o dinheiro é o RH contratando mais benefícios com a gente. Porque aí eu tenho uma margem bruta de SaaS Plus, né, acima de 80%. Ou seja, todo dinheiro que o RH contrata novos benefícios com a gente, a gente tem uma margem de SaaS super positiva. Isso faz com que a gente não tenha que necessariamente fazer com que as pessoas usem menos academia ou que eu dispute um bolo de dinheiro com academia. Eu quero que as academias ganhem mais dinheiro, porque vão prestar um melhor serviço, porque vão competir melhor no seu mercado, que eles vão atender melhor os nossos usuários e assim a gente consegue crescer junto. Então, essa engenharia toda de modelagem de negócio pra que a gente não tenha só 10 ou 20 reais per capita, que é o preço de um produto de academia que o RH paga, a gente pode ter 100 reais per capita, se eu consigo trabalhar outros benefícios, outros produtos com ele ao longo do tempo. Isso demanda que a gente tenha um atendimento melhor, isso demanda que a gente tenha uma proximidade maior dos RHs. Mas a gente sabe que eles vão precisar de novos benefícios e eles precisam de um trusted advisor, né? Eles precisam de um parceiro de confiança pra administrar e ajudar eles a engajarem os colaboradores em novos benefícios também. Aí que a nossa estratégia, ela se alinha melhor com os incentivos desse mercado todo.
Bem, nesse mecanismo B2B que você chega numa empresa, num RH pra ter essa conversa, é óbvio que tem a limitação dos mecanismos de vendas, SDR, aqueles playbooks de startup que 10 anos atrás ficaram muito conhecidos. Hoje todo mundo já vê algum esgotamento dessa força de vendas e já procura mecanismos de ou parceria ou canais de distribuição. A gente citou aqui, por exemplo, os cartõezinhos de Vale a Refeição que hoje em dia se modernizaram, apareceram competidores com mecanismos Similares, mas com alguma inovação. Esse seria, por exemplo, um canal para você montar uma parceria. Que outros? Como que hoje você chega em novas empresas daquele estado que você ainda não conhece, sem ser batendo na porta ou indo lá no LinkedIn direto falando, eu sou o Bruno da Guguld, não. está dentro de uma cartela de um outro grupo que já está lá dentro, que já tem um share of wallets e ele quer aumentar esse share. Como que fica esses novos mecanismos? Porque, lembrando, aqui tem muita gente que está escutando a gente que passa por esse problema, que fala, poxa, eu tenho um produto interessante, acho que tem todo um desenvolvimento hoje em dia de experiência, de marca, que tem ficado cada vez mais crucial para você não cair na comoditização mesmo de serviço. Mas tem esse de distribuição, que os canais e parcerias começam a ficar mais importantes, que também passa por um esgotamento, né? Tem aí como as operadoras de celular que são bombardeadas pra parceria, pra canal de distribuição, porque elas estão infiltradas em todo o B2C, né? Seria um exemplo. Como funciona pra você nesse B2B, onde o interlocutor é o RH?
Legal. Eu vejo que a tendência toda do RH é ele concentrar um pouco mais do relacionamento em menos marcas. Eu acho que o RH, nesses dez anos praticamente de Gol Good, mudou do patinho feio pra onde todo mundo tá buscando, de alguma forma, concentrar o orçamento e vender pro RH, né? Hoje tem vários produtinhos pro RH, tem um produtinho de saúde mental e vários deles agora com a mudança do regulamento da NR1, por exemplo, que a empresa tem que mapear seus riscos psicossociais, tem um monte de gente batendo nessa porta, se fala de benefícios de alimentação, diversos outros também. E de uma hora pra outra o RH saiu de pouquíssimos fornecedores pra muitos fornecedores, ele não consegue administrar isso direito. E as grandes empresas já começaram a perceber isso, né? Então hoje tem muito mais o efeito do bundle de soluções, de como eu me posiciono, né? Se eu sou uma etiqueteira de benefício, por exemplo, como é que eu não resolvo só a questão da alimentação, mas eu te trago também outras conveniências que dentro do meu relacionamento eu consigo te trazer um melhor preço, uma melhor entrega, e assim eu acho que isso vai acentuar cada vez mais, Paulo. Porque, de fato, os RHs, eles vão ter mais orçamento e eles têm mais necessidades também. E uma coisa que eu acho que o empreendedor médio, ele falha, é esquecer que no fim do dia a gente trabalha com confiança. Confiança como fornecedor, as empresas entenderem que a gente resolve a dor deles e é muito difícil você confiar em muitas e muitas pessoas. Assim, a gente mesmo, né? Nossos amigos, quantos que a gente confia? Talvez caiba em poucas mãos, uma mão aqui, né? E fornecedor da mesma forma, é muito mais fácil você confiar em alguém que traz um conjunto de soluções e você depositar uma jornada de diversos produtos com essa empresa do que propriamente você fazer a contratação direta. Eu dei essa volta pra dizer que a gente entendeu isso também, né, e acho que um pouco pela escassez. Como a gente inicialmente não tava em todo o Brasil, a gente precisava fazer com que cada lead em cada cidade não fosse desperdiçado. E a gente passou a ver que o nosso competidor não era necessariamente uma empresa que trabalha no mesmo segmento, né, como o El Hub ou o TotalPayz que eu citei. Mais de 80% dos leads que a gente perdia era pra fazer nada, era pra não contratar o benefício. Então a pergunta era, poxa, como é que eu faço pra eu ser a primeira solução de bem-estar desse mercado que tá dando só os primeiros passos? E aí a gente entendeu que, por exemplo, etiqueteiras de benefício estavam carentes por soluções pra venderem junto com os seus cartões. E a gente começa a fazer parceria com eles. A gente entende que cada comunidade de RH é carente de soluções educacionais sobre bem-estar? Como é que eu dou ROI nisso aqui, né? Como é que eu dou o retorno sobre investimento de um benefício de bem-estar? E, poxa, a gente pode ser uma voz relevante dentro dessas micro comunidades, cidade a cidade, região a região, isso é escalável. Se a gente olhar, poxa, as grandes empresas de software no Brasil, muitas delas têm um ponto de venda local que ela importa confiança pra vender lá numa cidadezinha que o headquarter da grande empresa não faz a menor ideia que existe, mas tem lá um ponto de venda local que tem essa confiança, esse relacionamento. Então é possível também escalar essa confiança, é possível também você criar em cima de uma plataforma esse relacionamento região a região, a partir de canais que tem essa penetração e que também você tem a ganho de escala nessa negociação conjunta. Então, por exemplo, hoje É muito possível que você consiga, através de um parceiro seu, ter um produto de bem-estar mais acessível. por conta dessa relação. Então você como RH, você começa a ter oportunidade financeira e os CFOs começam a brilhar o olho. Porque eu já tava investindo, poxa, então será que eu consigo dar mais eficiência pra esse investimento como um todo? E a gente cria então um playbook, que a gente chama de um flywheel aqui, de fato, trabalhar com parceiros locais, com produto de alta densidade de academias, com um win-win-win com o canal, então ele consegue ganhar negócios, reter negócios com a nossa parceria, e que tem sucesso no final do dia pro RH a partir dessa relação. A gente faz isso primeiro, de novo, uma cidade, depois uma região, depois um estado, E agora a gente olha pra Paraná, a gente começa por Santa Catarina, que foi onde a gente de fato começou o nosso negócio, agora olha pra Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e a coisa começa a se assentar. Entende que existe uma demanda latente e que grande parte das empresas não tá próxima o suficiente pra entender essas relações e entregar uma melhor solução nesse contexto, e a gente faz isso.
Bruno, qual é o tamanho da Google de hoje? O que você consegue colocar pra gente de, eu não sei qual é o termo que usa, planos, vidas, pessoas ativas, academias credenciadas, empresas clientes, qual é a dimensão que tem hoje a empresa?
Legal, a gente tá próximo de 200 mil vidas, com um pouquinho menos de 200 empresas dentro do nosso portfólio, a gente consegue ter um ritmo de crescimento nos últimos anos bastante interessante, nossa última rodada de captação foi em janeiro de 2023, a gente break-eva a nossa operação, hoje nossa receita anual recorrente é superior a 15 milhões, de reais numa taxa de crescimento aí de 80%, né? Então, a gente tá fazendo uma expansão rápida e eficiente. Isso tudo com 30 pessoas. Então, acho que as novas tecnologias nos ajudam também a cuidar do interesse do cliente, ter um diferencial competitivo e também não demandar aumento de despesa fixa num montante muito grande. E a gente tá super otimista aí por toda essa mudança de mercado. Hoje, todas as empresas estão discutindo o bem-estar. Isso não era realidade anos atrás, Paulo. Então a gente quer ser, de fato, um parceiro de confiança para essas empresas e, principalmente, as empresas que ainda não investiram, que ainda não começaram essa jornada. E tem muitas e muitas. Talvez a grande oportunidade hoje não seja necessariamente competir e ficar disputando um real a um real com outras empresas de bem-estar, mas, principalmente, atuar no convencimento de toda a camada de diretoria de empresas que ainda não investiram, que já sabem disso, mas não sabem por que aquilo faz sentido dentro do contexto daquela empresa. E a Golguth se propõe acesse o parceiro.
Inclusive, essa rodada de investimentos, vocês tiveram de uma empresa relacionada à saúde, tem isso também.
É, isso mesmo. A gente teve, quem liderou o nosso seed foi a Canary, um fundo de investimento que acho que é bastante conhecido aqui pelo público. E depois a gente fez um Pre-Series A, como a gente chama, com a DASA, que é uma empresa de saúde, tradicionalmente olhando para hospitais, para exames laboratoriais, entendem que o wellness está super conectado com saúde. Saúde no sentido de quase doença, quando a gente demanda um hospital, mas que toda a parte de prevenção talvez seja a próxima fronteira de saúde também. Entendendo que cada vez mais as patologias que nós temos, como doenças crônicas não transmissíveis, de diabetes, hipertensão, até o câncer, tem uma relação absolutamente direta com a prevenção na atividade física. Atividade física, alimentação, o sono, isso tudo indica muito bem como é que vai ser a nossa saúde daqui a 1, 2 ou 20 anos. Então eu vejo uma tendência também muito grande, Paulo, de no futuro haver uma consolidação não só dentro do próprio RH, mas também empresas tradicionalmente de saúde vindo pra Wellness. Essa fronteira de wellness, ela vai ser muito alavancada nos próximos anos. Seja principalmente pelo interesse do indivíduo, porque hoje as pessoas demandam atividade física, demandam roupas pra isso, demandam cada vez mais produtos e serviços, tem uma crescente, mas principalmente as empresas que não entenderem esse movimento vão perder competitividade por talentos, porque as pessoas não toleram mais abrir mão do seu próprio bem-estar em prol de um contra-cheque. E acho que esse equilíbrio aqui é uma oportunidade de negócio também.
E quais são os próximos passos? Acredito que essa expansão para outros estados é muito importante e que tem uma capacidade de crescimento relevante, dado que você tem ainda alguns estados-chave para destravar. Além disso, tem algum mecanismo de produto, de distribuição, do que ataca, do que mais pode ser pego?
Sabe que eu vou usar uma história aqui que a gente, que nos ajudou a entender muito de onde a gente tá na cabeça do nosso usuário, né? Nos primeiros anos do nosso produto, quando a gente tinha acabado de começar o produto de saúde mental junto com atividade física, a gente viu um usuário nos agradecer, isso tocou demais a gente, ele falando assim, olha, eu consegui, graças a Google, sair de uma depressão. E a gente ficou super, poxa, feliz com isso, né, obviamente. Mas a gente foi entender o que que ele usou dentro do nosso arsenal de ferramentas aqui, né. E, obviamente, ele passou por acompanhamento com psicólogo e ele fazia com uma assiduidade muito grande toda semana ali, falando com a psicóloga dele. Mas ele também encontrou atividade física, ele passou a fazer crossfit com uma alta frequência semanal. E depois a gente foi entender que aquela parte de socialização da atividade física dele também foi essencial pra que ele conseguisse sair daquele cenário que ele se encontrava. E por que que isso foi importante pra gente entender, né? Que se a gente olhasse só pra saúde mental, a gente falaria de psicólogo, falaria de psiquiatra, a gente não entenderia que a atividade física tava dentro desse contexto também e que a saúde é uma só. Então a gente enxerga que dentro dessa jornada de bem-estar, existem oportunidades pra gente integrar cada vez mais essas jornadas de produto. Então quando a gente vê, por exemplo, quem faz atividade física, tem 2,44 vezes mais chances de fazer terapia com alta frequência. E todo RH que eu converso fala assim, poxa, eu tenho um desafio muito grande pra fazer as pessoas fazerem mais terapia. Eu ofereço aqui, mas as pessoas não usam. Então, poxa, se você começa a trabalhar com tecnologia, com um produto mais integrado, que leva oportunidade de bem-estar pra quem já começou essa jornada de cuidado, a chance de engajamento, ela é muito maior. Então existe uma camada de produto que a gente vem desenvolvendo cada vez mais pra ter tecnologia que aumente o engajamento nas soluções. Isso a gente faz com o IA, por exemplo, que a gente tem uma predição de churn baseado em infinidade de dados que a gente tem.
Quando você fala do churn, você tá falando do aluno, não da empresa.
Do aluno, é. A pessoa que está usando a academia, a gente já sabe quais as academias que ele encaixou na rotina dele e ele faz... dois anos que ele usa na mesma frequência. Num dado momento, aquele comportamento de consumo dele muda. A gente, opa, pera aí, isso aqui é diferente. Ele parou de ir naquela academia, será que ele se machucou? A chance de ele cancelar aquele contrato de academia passa a ser muito grande. E a gente tem um alerta, baseado nessa IA, que fala, olha, tem 92% de chance de ele cancelar o contrato em menos de 30 dias, baseado nesse comportamento de consumo que ele tá tendo aqui. Como sabe quando você usa o cartão de crédito e você faz uma transação suspeita? E aí alguém te liga lá do cartão pra saber se foi você mesmo, a mesma coisa a gente tem pra parte de academias. Isso é só um exemplo, né, porque existe a possibilidade de você usar tecnologia pra aumentar engajamento nas diversas soluções de bem-estar. E aqui eu acho que tem uma entrega muito boa pro RH, porque o RH que só tem um benefício pra ninguém usar, ele tem na verdade um problema. Então, um parceiro engajado em resolver o problema de engajamento é um desafio de produto que a gente vem aprendendo cada vez mais e a gente está super entusiasmado em como usar as novas ferramentas e tecnologias para isso. Na parte de distribuição, acho que é aplicar o playbook que a gente fez em um estado para todos os estados. A gente começa fazendo só Santa Catarina, já passa a fazer Paraná, modelo... fica vencedor, interior de Minas Gerais. Então tem uma oportunidade muito grande pra gente fazer Brasil inteiro alinhando esse flywheel em espiral, trazendo os canais certos, as academias certas, replicando o que a gente fez em uma determinada região agora pra mais 26 estados. Então acho que fala muito mais sobre a nossa capacidade de execução nesse segundo aspecto de distribuição em cima de algo que já funcionou numa região específica do Brasil.
Você falando aqui, Bruno, ficou na cabeça a questão de marca posicionamento dos dois lados do marketplace. Porque acho que um desafio, e como você colocou agregador, é o problema de você cair num canto onde o seu cliente final, que acaba sendo um funcionário de uma dessas empresas, que é seu cliente, mas pra quem você entrega o serviço final, É, não é nem pra academia, nem pra empresa, é pra quem tá lá fazendo a aula do CrossFit. É muito fácil, se não tomar cuidado, o agregador some. Porque o nome da escola de CrossFit não é GoGurt. O nome da empresa que essa pessoa vai também não é GoGurt. Então... Eu entendo muito bem que você já reforça a GoGood ajudando as médias empresas que não tem essa comunicação interna, esse branding, employer branding, essa parte de engajamento de falar, olha aqui, a gente tá trabalhando pelo seu bem-estar, imagino que aí a GoGood apareça. onde mais ela aparece como marca pra que haja essa ligação, porque esse usuário, esse cliente mandar uma mensagem pra vocês já é notório não só a importância do produto, mas de que é criado um espaço na mente dessa pessoa, de que GoGood é um player importante para a minha vida. E a verdade é que no mundo da economia da atenção de hoje, para dizer outras obviedades, essa disputa por esse real estate da cabeça das pessoas virou a guerra número um no mercado. É a verdade. Então, como que Golgud aparece e não o nome da empresa de Crossfit e não a contratante da Golgud? Quer dizer, eles dois obviamente aparecem, mas como que você aparece pra esse cliente final? Quanto desforço você põe pra aparecer e pra ser lembrado?
Interessante isso, porque a gente valoriza muito os parceiros, né? Eu falei da estratégia ganha, ganha, ganha pra trazer a academia também pra dentro de uma forma positiva. Mas é bem verdade que o comportamento das pessoas, ele não é necessariamente atrelado a uma única academia. Quando a gente olha o extrato mensal, entre 20% e 30% da nossa base usa mais de uma academia nesse determinado mês. Se a gente olha numa perspectiva de seis meses, Isso aumenta pra quase 50%. Quer dizer, as pessoas vão experimentar modalidades diferentes em academias distintas e eventualmente vão se mudar ou vão viajar e eles vão precisar manter a sua rotina de atividade física. E isso é só a nossa marca que consegue fazer, a academia sozinha não consegue trazer necessariamente essa pessoa. Outro fator, acho que é importante, é que as pessoas percebem uma economia através da Golgud. Hoje, é bem verdade que 70, 80% das pessoas não tinham plano de academia contratado quando contratam a Golgud. Ou seja, a gente tá trazendo novos entrantes, novas pessoas pra esse mercado de academias e elas fazem isso porque eles têm um ticket mais baixo do que a contratação direta eventualmente dessas duas academias, que ficaria muito caro pra ela. Então a gente consegue ser quase que um, vamos dizer, um meio de pagamento, um facilitador, um democratizador financeiro pra esses indivíduos. Então é dessa forma que eles nos enxergam de uma forma direta, quer dizer, eu consigo promover, prover uma rede de diversas modalidades e de psicólogos e de psiquiatras e de telemedicina e tudo mais. e também de uma forma a viabilizar, né, mais barata pra esses indivíduos também. E nada vai substituir uma boa academia. Uma boa academia, ela fideliza. Então, essa pessoa começa a utilizar uma vez, duas vezes e ela vai ficar. A frequência é muito alta. Hoje, nosso churn médio, o número de pessoas que deixam de usar academia, ele é infinitamente menor do que o mercado. Porque a gente tem um suporte próximo, porque a gente tá sempre relembrando os usuários ali que pararam a sua rotina de alguma forma. Ou seja, a gente agrega valor pra academia também. Se a gente for visto como um bom meio de campo desse relacionamento todo de autocuidado, eu tô super feliz com isso. Ser lembrado como uma empresa que ajuda as pessoas a viverem bem, que eu sou lembrado como um apoio de saúde mental, de rotina de bem-estar, eu acho que a gente tá num lugar muito legal de mercado.
Perfeito, mas pra isso é quando a pessoa vai de uma cidade pra outra e tem que mudar de academia, ela tem que mostrar esse cartão e essa comunicação aparece a GoGud, onde que a GoGud aparece, qual que é o touch point com GoGud, é uma app, é no e-mail, é lá na academia credenciada, ele fala eu sou da GoGud, pra que isso fique de maneira tangível?
De forma super simples, né? Dentro do aplicativo, é um aplicativo corporativo que os funcionários da empresa têm acesso por conta do benefício contratado pela própria empresa. Ele tem ali como encontrar todas as modalidades, todas as academias credenciadas e isso é uma funcionalidade muito, muito, muito utilizada. Então a pessoa fica viajando ali, olha, o que será que eu posso fazer? Será que eu posso fazer yoga? Aqui perto do meu trabalho, o que que tem aqui? Deixa eu dar uma olhada, se não tem um lugar de Pilates que eu tava olhando. Poxa, eu tenho que fazer um recovery, o que que eu me machuquei? Será que não tem alguma coisa legal aqui? Então, é um lugar que ele pode caçar a oportunidade de bem-estar, e simplesmente na academia ou tem integração com o RP que a academia usa, e aí ele não precisa fazer nada de mais, ele só passa como se fosse um aluno comum dentro dessa academia, ou ele valida através do check-in do nosso aplicativo com o aplicativo da própria academia. Então ele usa como se fosse um aluno tradicional daquela própria academia. Então a experiência de uso é muito similar. Então eu vejo a gente como um guia também, sabe Paulo? Poxa, eu não tô me sentindo legal hoje. Será que não tem um terapeuta que consiga me ajudar aqui nos próximos minutos? Isso é verdade na imensa maioria das vezes. Poxa, meu filho tá com dor de garganta. Será que dentro do conjunto de soluções da Golgud não tem um médico 24 por 7 que vai dizer se eu tenho que correr para um pronto-socorro ou no conforto da minha casa eu já consigo fazer esse atendimento? Então, eu acho que a gente tem que ficar justamente nessa camada de lembrança nos momentos de bem-estar dos indivíduos, sabe? Round two, fight!
Bruno, nesse segundo round eu quero saber um pouco de você, de quem você é, o que que você fazia antes da Google de entender um pouco como você trabalha. Então, o que que você estuda, o que que você esteve fazendo antes de chegar na Google?
Legal, eu acho que eu tenho um hobby muito grande de aprender sobre negócios. Minha formação tradicional não é em business e eu acho que isso me ajudou demais. Eu sou advogado de formação, então eu estudei direito, sou a terceira geração da família de advogados. Achei que ia trabalhar com o M&A, justamente por esse lado de business, junto com o direito. E, na verdade, mudei completamente a minha carreira logo depois da formação e fui trabalhar com marketing, com vendas. E eu costumo dizer que eu adoro lidar com a minha própria ignorância. Então, eu adoro não saber sobre algo e eu adoro pesquisar sobre essa nova coisa e buscar referências internacionais e nacionais e tentar, de alguma forma, quebrar um pouco esse problema e colocar em prática de uma forma diferente. Isso se tornou uma forma de olhar para mercados, olhar para oportunidades, olhar para o nosso próprio negócio e, poxa, como é que eu quebro o óleo de uma forma diferente esse negócio. Então, assim, acho que é chover no molhado dizer da literatura de negócio, desde Jim Collins, Han Sharan, essa galera talvez mais conectada com empresas maiores, foi por ali que eu comecei estudando um pouco mais Porter e tudo mais, que continuam sendo literaturas úteis. Estou relendo Porter, estou relendo Jim Collins e tudo mais. Até, poxa, o primeiro case da Salesforce, né? Vendo os primeiros playbooks deles de como que eles quebraram a questão de prospecção. Isso lá em 2016, vendo como é que se prospectava para uma empresa de tecnologia. Eu lembro do nosso início assim, Paulo, que eu não conhecia ninguém em RH, não sou um cara de RH né, eu me tornei essa pessoa mais orientada pra RH por causa da GoGood, era um cara de marketing, de vendas, de estratégia, e obviamente meu networking era muito limitado né, e eu tinha que chegar em empresas de RH. Eu falei, poxa, não é possível. E eu lembro que não chegava e-mail, não tocava o telefone, né? Bem aquela dinâmica do início da empresa. Falei, pô, mas peraí, eu não sou o primeiro a ter esse problema. Então quem mais pode ter tido esse problema? Pô, empresas de tecnologia. E cheguei no livro lá, do fundador da Salesforce, falando desse playbook. Aí tinha o Predictable Revenue, né? Que hoje já tá mais do que batido, mas que naquela época também trazia uma forma diferente de pensar e tudo mais. E eu lembro que a partir dali, em dois meses, a agenda de prospecção tava cheia. Então, eu acho que essa é uma grande paixão que eu tenho, assim, achar problemas no dia a dia, buscar literatura, buscar cases, falar com outros empresários, outros empreendedores. Me apaixono pela forma que eles resolveram alguns problemas, me inspiro e trago pra minha realidade, tento implementar alguma coisa. E isso eu faço de uma forma muito orgânica no dia a dia. Eu tô sempre ouvindo um audiolivro, eu corro, né? Eu adoro correr. E nas minhas corridas, num ritmo mais baixo, eu tô sempre com um audiolivro, um podcast, como esse aqui, que eu sou fã, inclusive, né? que me ajudou em diversos momentos também. Então minha forma de operar é meio essa, eu tô sempre mandando referência pra alguém, eu sempre vi alguém que resolveu de uma outra forma, tô falando com meus líderes, puxando eles também pra aprenderem uma coisa diferente baseado nesses estudos, então acho que é um pouco do meu dia-a-dia de aprendizado também.
E como que é esse seu papel hoje? Você falou que tem 30 pessoas de líder, né? De CEO e fundador. Você ainda se envolve em 100%? Você tá desde a venda até a implementação técnica da app, até o credenciamento das academias?
Então, eu acho que tem um ponto de vista de alguma forma sólido que eu tenho sobre a minha própria atuação. É claro que eu tenho um papel muito importante sobre cultura, sobre inspirar as pessoas, sobre vender o sonho pra dentro e pra fora. Mas eu também acho que tem um papel muito importante meu de atuar nas grandes decisões da empresa. Então, se tem um cliente grande, por exemplo, enfrentando um desafio, eu não tenho porque deixar meu time sozinho resolvendo esse problema. Eu deveria estar junto com eles ajudando de alguma forma. Seja usando o meu cargo, eventualmente, seja meu conhecimento sobre de alguma forma poder resolver aquele determinado problema. Então, quando eu tenho, por exemplo, a prioridade da empresa é uma estratégia de growth, Obviamente eu tenho as pessoas certas, eu tenho o orgulho de ter formado um time muito legal, mas eu vou estar junto com eles, talvez provocando uma pergunta diferente, acelerando alguma coisa dentro da organização, tirando alguma trava também. Então eu gosto de pensar o meu papel como um grande facilitador das grandes decisões dentro da companhia. E muitas vezes eu vou fazer isso junto com as pessoas, mas eu vou provocar diferente. E assim, acho que tem uma questão da porta pra fora, que precisa ser um papel meu também de abrir novos relacionamentos. A gente tem canais de distribuição a cada região que a gente expande. Claro que eu tenho as pessoas pra fazerem isso, mas eu também posso ajudá-las trazendo uma pessoa pra perto, usando meu conhecimento, meu networking e tudo mais. Além de capacitar as lideranças, né? A gente formou muita gente dentro de casa. Tenho pessoas que têm 4, 5, 7 anos de GoGood que chegaram como estagiária e hoje são sócias e líderes. E eu só consigo fazer com que elas sejam boas líderes, ou boas líderes, capacitando, né, dando ferramentas. Então, a minha agenda, ela tem bastante um one-on-one, tem o skip level one-on-one, né, que é você pular algum nível também pra uma pessoa que tem potencial dentro da organização. Então, eu diria que é um misto entre questões de inspiração e cultura, com o que que tá pegando na empresa, o que que é importante agora e como que eu posso ser útil. de alguma maneira ajudá-los, mesmo que a decisão final seja a deles.
E acho que outro desses mantras de startup, de empresa, é aquele de resolver a dor, que foi como a gente começou aqui o podcast. E você colocou, né, de você estar sempre no esporte e que na empresa você queria entender esse mecanismo de como ajudar pra ter essa melhoria, porque tá muito associado mesmo, né, à saúde e por assim dizer, a felicidade, o bem-estar, tá associado de uma forma correlacionada à performance no trabalho. E você, sempre envolvido no Karatê, e hoje sei que você fez maratona, se preparou... E tá envolvido no esporte te faz melhor de entender o seu trabalho, porque de alguma forma você tá consumindo algo que tá muito próximo do seu produto.
Antes de me tornar melhor, eu acho que torna possível. No meu caso, não fazer atividade física, eu não sei como é que eu seria como empreendedor. Já tem um nível de dependência tão grande pra mim, que o trabalho e a atividade física e o autocuidado, eles estão intimamente ligados. E eu acredito tanto nisso, que eu acho que é um dos mantras que eu tento levar pra fora. Pessoas que cuidam do seu corpo e da sua mente, elas produzem muito melhor e por mais tempo. Então, eu vejo que hoje, se a gente olhar a camada de C-Level, por exemplo, a imensa maioria deles é corredor, triatleta, Ironman, maratonista, já tem um nível de autocuidado super grande, porque eles sabem que não conseguem lidar com tanta pressão de ser quem eles são, sem cuidar do seu corpo e da sua mente. Às vezes eles falham em cascatear isso pros seus colaboradores. E eu acho que é um pouco do nosso papel como GoGood, é provocar esse mercado e mostrar que, olha, se você se cuida pra produzir melhor, imagina os seus mil funcionários se cuidando, você teria o diferencial competitivo. Acho que de alguma forma, assim, Paulo, no passado, as empresas que tinham muito bem-estar, elas eram vistas como permissivas em resultado. Que não cuidavam tanto do resultado. Eram ONGs, né? Aqui tudo bem, a gente abraça árvore, tá tudo bem se não conseguir crescer e tudo mais. E eu acho que hoje, muito do nosso trabalho é mostrar que bem-estar é uma alavanca de resultado. Então, cada vez mais você fomenta o bem-estar e você consegue ter mais resultados no final do dia. E foi por isso até que em 12 semanas eu quis me preparar pra uma maratona, né, que é um prazo irreal pra maioria das pessoas. Mas eu quis mostrar que todo mundo tem um próximo passo de bem-estar e que é possível conciliar esse próximo passo de bem-estar com uma empresa que cresce rápido, com uma demanda de agenda super complexa, com uma demanda com o meu filho, com a minha esposa, né. É difícil, mas se você coloca isso como uma das prioridades da tua vida, é muito possível você conseguir fazer. Então acho que muito do meu trabalho, até de produção de conteúdo, é de alguma forma tentar inspirar as pessoas que carreira e trabalho estão intimamente ligadas com o nível de cuidado com a sua saúde física e sua saúde mental. É possível ter alta performance tanto no trabalho quanto na sua vida, na sua saúde.
Existe uma ligação interessante que essa temporada tem trazido, essas reflexões. Acaba tendo frases toscas lá do Elon Musk, ah não, não tem divisão da vida, o pessoal trabalha, não é isso. Mas existe uma correlação forte das coisas que acontecem e como acontecem. Acho que se tudo fica misturado e bagunçado, é difícil Você pode até conquistar, mas algo sofre. Mas existe mesmo essa correlação. Eu encontrei esporte só muito mais velho, né? Depois dos 30. E comecei a entender melhor isso de dedicação, de foco até. Apesar de que eu gostaria de ter mais, não tenho. Eu até tenho bastante tempo para isso, mas... O trabalho às vezes invade a hora que você tá pensando no esporte e... Eu acho que a gente deveria, inclusive, não ouvir o podcast enquanto a gente corre, né? Corre melhor, né? Você volta melhor sem ouvir o podcast, a verdade é essa. Então, pra você que tá ouvindo a gente, o Leica Boss fazendo exercício, entendo esse mecanismo, mas essa nossa geração, essa pós-modernidade onde todo mundo faz tudo ao mesmo tempo, Esse multitasking absoluto e generalizado tem seu preço, não se engane. Tem vantagem? Claro que tem. É divertido e desafiador? Claro que é. Mas tem alguns pontos aí que acabam deixando. Então, esse mecanismo da gente cuidar do bem-estar, por assim dizer, da saúde do corpo, mente, Precisa ser feito assim, como com seriedade, assim como quando você tá trabalhando com seriedade, você costuma colher frutos melhor, né? O comprometimento, que também apareceu aqui nessa temporada, aparece em diversas vezes. Tem que ter um nível de comprometimento, não dá pra ter sempre o nível máximo, porque acaba sendo... algumas raras pessoas conseguem. Mas se não, fica tudo muito aguado, não é? Você acaba não fazendo nada com excelência. Eu acho que o esporte, a atividade física, não necessariamente esporte, a atividade física te ensina. Para quem nunca conheceu a atividade física com algum nível de seriedade, vai entender. Então não é só para quem gosta de futebol? Não, não é só para quem gosta de futebol. Alguma coisa bate na cabeça.
Eu gosto de pensar, na analogia da corrida, que carreira é uma maratona. E se você corre os primeiros 100 metros com a intensidade de quem tá correndo só 100 metros, obviamente você vai ter um problema depois. Então, um dos grandes aprendizados pra quem sai de uma corrida curta pra uma corrida longa, é você saber correr leve. É você saber reduzir o ritmo pra você prolongar essa entrega. E eu acho que esse entendimento dessa analogia aplicado à carreira muda muita coisa. Eu não tô encorajando ninguém a trabalhar menos. Eu tô encorajando as pessoas a terem mais autoconhecimento pra saber como que você pode manter esse ritmo por muito e muito tempo. Acho que aumenta a qualidade da entrega, aumenta a satisfação e principalmente o quanto que você aproveita a jornada. Todo mundo tem a prioridade no trabalho, sim, mas a família tá ali, você precisa ser um bom marido, um bom pai, um bom filho. Você tem que estar perto e estar bem pra essas pessoas. Quando a gente corre uma maratona num ritmo de 100 metros, a gente sobe e desce e a gente machuca a gente e outras pessoas também. Sem contar que pode frustrar, inclusive, a nossa carreira, né? Porque a gente deu uma intensidade muito grande num momento que não era pra fazer tanto. Então eu acho que tem tantas analogias do esporte com carreira, que pra mim é indispensável você colocar como uma parte fundamental desse processo de crescimento na carreira, um autocuidado na parte de atividade física e de saúde mental. Esses vão ser os melhores profissionais pra mim, já são hoje e vão ser cada vez mais. Daqui a 10 anos, eu acho que todos os top performers vão ter uma rotina de autocuidado desproporcionalmente maior do que tínhamos 10 anos atrás.
Perfeito! E para a gente fechar, quem que é o profissional? Porque tem aqui na audiência, desde a audiência corporativa que está almejando o cargo da diretoria, do VP e desse mecanismo super interessante, tem gente que está buscando empreender e tem gente que quer trabalhar em startup. Dado esse movimento, dada a velocidade, dada a agilidade, dada essa vontade de fazer escalar, encontrar e trocar e poder mexer em vários parafusos diferentes. Quem que é a pessoa que você busca para trabalhar com você na Gol Good?
Pô, maita pergunta. E acho que mudou muito ao longo do tempo. Eu acho que eu já valorizei coisas que eram mais superficiais, como uma estampa no currículo, como uma história mais bem contada, e eu descobria Como ver um pouco mais o brilho no olho das pessoas, e isso pra mim é algo indispensável. A pessoa que tem paixão. Eu não consigo detalhar, mas uma pessoa que tem brilho no olho, ela tem paixão, ela tem algo diferente. Ela irradia. Em dois minutos de conversa você sente o que é essa pessoa de verdade. Segundo ponto, eu adoro pessoas que criam uma complexidade por elas. Vou dar um exemplo. O atleta de alto rendimento sofre por uma escolha completamente dele. Ninguém está obrigando ele, na média. a se comprometer em acordar cedo quando não precisa, em treinar muito mais horas do que o corpo dele muitas vezes aguenta, ele se coloca numa situação de desconforto em prol de um objetivo. E não é só o atleta, uma pessoa que toca piano excelentemente bem aos 14 anos, por exemplo, ela tem um negócio diferente ali. Ela tem um negócio de se dedicar, de ter profundidade nas coisas, de ser apaixonado por novos conceitos, de querer antecipar curvas de aprendizado. Essa paixão por desenvolvimento muitas vezes é materializada num esporte, numa arte, em alguma outra coisa também, que ela faça com profundidade desde os primeiros anos. Até organização de festas de igreja. Poxa, eu conheci isso, isso é uma história real. Assim, com 16 anos ela se envolvia com todas as festas da igreja da região dela e fazia isso com primazia.
Tirava do papel, fazia acontecer.
Fazia acontecer. Mas ela fazia acontecer porque ela amava aquele negócio, então ela tem uma capacidade de desenvolver paixão e de... pela realização, que eu acho que é um negócio espetacular. Isso são soft skills que eu acho que são cada vez mais legais nas pessoas. Numa sociedade que critica tanto a indiferença, né, você pegar pessoas que de fato se preocupam e queiram crescer e queiram desenvolver, eu acho que isso tem um valor espetacular, né, e acho que isso tem tudo a ver com a profundidade que as pessoas dão nas coisas, né, não parar nos 20%, 30%, Acho que eu vi uma coisa da Cristina Junqueira esses últimos dias, que ela falou que ninguém quer ficar rico lentamente. E que isso é verdade, tá todo mundo querendo resultado rápido e não quer pagar o preço por isso, né? E eu acho que as pessoas demonstram antes do trabalho, em outras coisas que não tem a ver com trabalho, o nível de profundidade e paixão que elas têm por tudo.
Bruno, muito obrigado.
Eu que agradeço, foi uma honra estar aqui, e eu já não segui o teu conselho, já corri ouvindo a voz várias vezes, já fiz isso de diversos aspectos, então pra mim é um prazer imenso estar aqui, obrigado.
Os conselhos que eu dou, eu sou bem, eu falo, fica parecendo que eu sou um ser iluminado né, que foca e que faz tudo direitinho, muito pelo contrário, tô sofrendo das mazelas que eu cito o tempo todo.
A gente aprende enquanto a gente fala, obrigado. YOU WIN!
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