Ep. 1 - Como colocar em prática uma cultura de inovação? com Lorena Tameirão, Débora Lage, Luís Felipe Carvalho e Alexandre Pagung
2 Jan 2026 · 52 min
Lorena Tameirão, Débora Lage, and Alexandre Pagung explain how MRV built an innovation culture through its Inova program. Last year MRV monitored 15 projects with 5 in scaling phase, potentially saving R$16 million. The company awards up to R$100k per group for ideas that can return R$2 million.
Questions this episode answers
More than 20 years.
15 projects tracked; 5 projects in scaling phase.
Approximately R$16 million (economia potencial acumulada de quase 16 milhões).
Up to R$100,000 per group; cited for projects that bring a return up to R$2 million.
MRV has existed for 42 years; the parede de concreto standard has been used for over 10 years.
Chapters
Olá, muito bem-vindo ao primeiro episódio do Aevo Boost, o podcast onde nós falamos sobre pessoas transformando as empresas através da inovação. Eu sou o Luiz Felipe Carvalho, sou o CEO na Aevo e hoje estou aqui com convidados muito especiais. Aqui comigo, Lorena Tameirão, que é gestora de inovação na MRV e responsável pelo programa de intraempreendedorismo. Bem-vinda, Lorena.
Bom dia, Luiz. Bom dia, pessoal. Obrigada pelo convite.
Obrigado por estar conosco, Lorena. Também conosco aqui é a Débora, que cuida do Programa de Intraempreendedorismo, o Inova, na MRV. Tudo bem, Débora? Muito bem-vinda.
Obrigada, Luiz.
Tudo bem.
Prazer em estar participando do primeiro podcast junto com vocês. Obrigada pelo convite.
Excelente. Prazer é nosso, Débora. E comigo aqui também é meu amigo Alexandre Pagung, diretor na Evo, responsável pelo nosso time de marketing e vendas. Fala aí, Ale. Tudo bem?
Tudo ótimo, Luiz. Vamos bater esse papo sobre inovação nesse primeiro episódio do nosso podcast.
Excelente. E hoje a gente trouxe essa turma pesada para falar sobre cultura de inovação. É um tema super relevante para a gente. E, Ale, eu queria começar com você. Quando a gente fala de cultura de inovação, é um termo que geralmente traz muita subjetividade. E eu queria que você trouxesse para a gente uma visão mais explicada. O que é cultura de inovação, Ale?
Boa, Luiz. Cara, para a gente conceituar cultura de inovação, acho que a gente tem que separar um pouco as coisas ali, para trazer um pouco mais de clareza para quem está nos escutando. Eu acho importante a gente conceituar primeiro cultura, que apesar de ser muito subjetivo, nada mais é do que o conjunto de hábitos, comportamento ou a mentalidade que guia uma organização. é muito o que a organização vive, é o que se estabelece como a cultura da empresa. Já a inovação é uma ideia implementada que gera valor para o negócio. Então, quando a gente fala de cultura de inovação, a gente está falando de um ambiente que estimule a criatividade e a geração de ideias. As empresas que vivem a cultura de inovação têm esse ambiente mais vivo dentro da sua companhia. As pessoas têm essa liberdade para poder contribuir e gerar insights e serem ouvidas dentro desse processo.
Muito bom, Alê. Realmente, é o que a gente vive, e as pessoas na nossa empresa têm um papel fundamental naturalmente, porque é através das ações delas, do que elas fazem, do que elas valorizam, que a gente consegue enxergar, sentir de fato a cultura da inovação acontecendo. E aí, pessoal, vou passar a bola agora para vocês, para a Lorena primeiro. Lorena, quando a gente fala de cultura, especialmente de uma empresa do tamanho da MRV com milhares de colaboradores, não é uma tarefa simples. Tem um grande desafio aí. Eu queria entender de você o que é cultura de inovação para a Lorena e que ações que vocês estão tomando na prática para transformar a cultura, para tornar a cultura da MRV cada vez mais inovadora.
Legal Luiz, acho que como o Alexandre trouxe, acho que cultura é o que a organização vive, é muito feito de pessoas. Então aqui como responsável pela gestão da inovação, A gente tem trabalhado muito próximo à área de RH da empresa, e a gente entende que não basta pensar em uma cultura de inovação. A área de inovação tem aqui um pilar, tem gente dedicada a trabalhar cultura de inovação, onde até a Débora é a principal pessoa responsável por alavancar isso por meio do programa de INTRA, mas a gente tem que trabalhar a empresa como um todo. Então, é uma base de mais de 10 mil colaboradores só no mundo corporativo, E aí, no ano passado, o DH, o nosso RH aqui, fez uma área, um trabalho bem interessante, voltado para reestruturar ali as competências culturais da empresa. Então, a gente tem uma competência que é colaborando, vamos mais longe, outra planejamos com excelência, gosto por empreender, gente com G maiúsculo e cliente a nossa razão. Então, são cinco competências aí que a gente vê que todas são transversais e perpassam a inovação. Diferente do que muita gente acha, inovação não tem metodologia, não tem planejamento. Então, planejamento é muito importante para que os projetos aconteçam. Então, esse é um pilar super importante para a gente que o DH trouxe. E é gozo por empreender, colaboramos, vamos mais longe, gente com o Dia Maiúsculo, são todos pilares que levam muito a esse direcionamento de como as pessoas fazem realmente a organização ser viva, como o Alexandre trouxe, e que tudo aconteça. E esses pilares foram muito importantes, essas competências, elas foram definidas no último ano junto com a alta liderança, então envolvendo presidentes, diretores, e repensando qual quais seriam os comportamentos esperados dos colaboradores da MRV e COO. Então, não são só competências culturais que foram definidas e divulgadas, são elas que orientam o desenvolvimento individual de cada um e são elas que também avaliam esses colaboradores no ciclo de avaliação e desempenho. Então, a gente fecha aí um loop orientar, falar o que achamos importante e avaliar em cima disso. Então, acho que com o tempo, foi o primeiro ano que a gente fez essa mudança, a organização vai se tornando cada vez mais orientada a esse pensamento e a esses comportamentos. Aqui dentro da inovação, a gente tem um programa específico para fomentar a cultura e para fomentar que todos os colaboradores se sintam parte, se sintam capazes de dar ideias, de fazer a inovação acontecer, E eu vou deixar a Débora falar um pouquinho mais desse programa. E aí, fora isso, a gente tem vários outros programas ali de desenvolvimento de liderança, programas de trainees, programas que fomentam o desenvolvimento e que a gente comunica e traz ali uma série de conteúdos voltados para o desenvolvimento de cada um. E que isso vai contribuindo para o nosso trabalho de formiguinha, eu brinco sempre, de fazer a cultura acontecer. Aí, Deb, se você quiser contar um pouquinho pra gente mais do programa de INTRA, né?
Claro, Lorena, conto sim. A gente vem fazendo alguns movimentos para implementar essa cultura de inovação dentro da companhia, Acho que assim, dentro da inovação, o nosso maior movimento para isso é, com certeza, o Inova, que é o programa de ideias da MRV e COOL. O programa, para quem não sabe, já existe há mais de 20 anos, mas a gente vem reestruturando, trazendo várias melhorias para que esse programa esteja cada vez melhor, e entregando premiações para os colaboradores, trazendo algumas ações interessantes de reconhecimento, que são primordiais para esse programa acontecer. A gente tem também talks, meetups, em que a gente traz parceiros externos para estar conversando um pouco sobre esses assuntos, sobre intraempreendedorismo com os colaboradores, os meetups onde a gente envolve também os próprios colaboradores da companhia para estar contando um pouquinho como é esse movimento intraempreendedor deles dentro da MRV. E também a gente tem atuado com o programa 111 Startups, onde a gente envolveu alguns líderes, como a Lorena falou. A gente ter esse trabalho junto com o pessoal do RH, onde a gente consegue identificar quem são aqueles colaboradores que têm esse perfil mais entre-empreendedor, que estão mais ligados à área de inovação. Então, esses colaboradores estão tendo a oportunidade de conhecer, de contribuir com a evolução de algumas startups dentro desse programa também.
Muito bom, muito bom, Débora, Lorena. Interessante conhecer, especialmente pelo tamanho do desafio da MRV. Realmente é um programa que tem que passar por muita formação das pessoas. Gostei de ver o Gente com G maiúsculo, acho que é fundamental. A gente sabe que tecnologia não inova nada sozinho, nenhuma inteligência artificial faz inovação, quem faz inovação somos nós, somos as pessoas. E o foco nos clientes também, essa vontade de empreender e essa valorização do cliente final. super relevante. E aí, nesse aspecto, até queria continuar com vocês falando um pouco do setor de construção. O setor de construção é reconhecido, até quando comparado a outros setores, por ter tido relativa baixa taxa de inovação nas últimas décadas. Os avanços de produtividade foram num ritmo que não acompanharam a inovação de outros setores. Você pode falar um pouquinho desse contexto para vocês? Especialmente na MRV, que é uma empresa bastante inovadora, a gente vê várias iniciativas inovadoras, vê esse foco nas pessoas inovando também. Para vocês, isso é uma oportunidade ou é mais um desafio? Como é que vocês enxergam esse contexto do setor de construção versus inovação e melhoria de produtividade?
Acho que um pouquinho dos dois, não é, Luiz? É um desafio gigante, junto com o desafio a gente tem a oportunidade de transformar esse setor. Vejo um paradigma grande quando a gente fala de inovar no setor da construção civil, porque é um setor que não é industrializado, não tem um processo produtivo industrializado e baseado em tecnologia, então a gente depende muito da mão de obra humana. Aqui na MRV já há mais de 10 anos o padrão construtivo, o método construtivo, é o de parede de concreto. Então, não vou entrar muito no tecniquês aqui, mas já é um método onde a gente busca aumentar a produtividade. E com esse método a gente cada vez mais consegue depender menos da mão de obra ali nessa base que a gente conhece da construção civil, empilhar tijolinho, passar ali argamassa. Então esse método construtivo tradicional do Brasil, que envolve também esse método das paredes de concreto, das formas de alumínio, enfim, ele ainda é muito carente de tecnologia. Você vê que depende de muita gente em canteiro, gente para produzir. E aí quando eu olho para inovar nesse setor, altamente dependente de mão de obra, com materiais e insumos que a gente não tem tecnologia muito explorada no mundo, a gente tem um desafio enorme para inovar e a gente precisa pensar, primeiro, se esse é o método construtivo ideal. Então, aqui, na minha vista, é um núcleo de execução dentro da diretoria de produção dedicada a pensar novos métodos construtivos. Então, coisas como Produção off-site, o que quer dizer isso? O in-site é produzir no canteiro de obra. Off-site é você produzir ali, seja o módulo do que vai ser construído ou o ambiente inteiro. Então, eu posso produzir um banheiro e trazer ele como módulo e encaixar ele já dentro de uma planta que está sendo construída in-site. Isso é um modelo que já funciona na Resia, que é a nossa empresa dentro do grupo MRV e Co. lá nos Estados Unidos. mas que aqui no Brasil, até por uma série de legislação, enfim, ainda está um pouco distante da nossa realidade. E aí hoje, quando a gente fala de MRV e COOL do grupo, a MRV é muito conhecida por construtora, Minha Casa Minha Vida, alguns programas do governo pensando no déficit habitacional, e ela existe há 42 anos como MRV construtora incorporadora. Há mais de dois anos a gente tem inovado em modelos de negócio, e aí eu acho que esse é um ponto legal para a gente explorar quando a gente fala em construção. A gente deixa de pensar só em construir e entregar a chave. Então, o nosso relacionamento com o cliente, ele não acaba mais na entrega de chaves. Ele vai perpassar todo o momento de moradia desse cliente ali nos empreendimentos que a gente constrói e como que esse ambiente com que esse cliente vai socializar, com que ele vai interagir com a região, com o bairro, enfim. Então, a gente fala de habitação. Por isso, a MRV Ecola começa a se posicionar como um ecossistema habitacional. E dentro desse ecossistema habitacional, dentro do pensar em habitação, em moradia, cabe muita coisa aí. Novos serviços, inovações, modelos de negócio. Então, a primeira coisa que a gente percebeu e que deu origem ao alugo que é o negócio onde a gente constrói e aluga, a MRV ainda é proprietária desse imóvel, tem gerentes ali. Então, a gente viu que a experiência do cliente na moradia tornava ali tudo mais agradável. Então, a Luba tem uma série de eventos, de serviços, por exemplo, dentro da Luba a gente tem bicicleta compartilhada, carros compartilhados, serviço de aluguel de elétrico doméstico, serviço de lavanderia compartilhada. Então, eu facilito para que a experiência do cliente ali morando nos empreendimentos da MRV e COO seja diferenciada. E isso muito vem no comportamento de novas gerações. Então, pensar em inovação tem toda uma análise de tendências do que está acontecendo no mundo, comportamento das gerações, das pessoas. Alugo foi o primeiro negócio que surgiu dentro do contexto da MRV e Coke, nasceu aqui dentro mesmo, com o spin-off, tornou uma proporção muito grande. É um negócio ainda muito relacionado a construir, mas diferente do padrão da MRV de vender, a gente aluga. A gente tem outros exemplos também de e-commerce. Dentro dessa nossa diretoria de inovação, nosso negócio, surgiu também o mundo da casa. É uma plataforma e-commerce que começou com a venda de armários planejados e acabamentos, onde o cliente poderia comprar o apartamento e já escolher isso. A MRV facilita o pagamento. A gente sabe que o preço de armários é bem alto, considerável, principalmente pensando no nosso público. Isso foi tornando uma proporção muito grande. Hoje é um negócio relevante dentro do grupo, e a gente tem uma série de parcerias com outras marcas pensando em toda a vivência do cliente. Então, assim, a inovação na construção não pode ser pensada, para a MRV e COPE pelo menos, ela não pode ser mais pensada só no canteiro. Então, o ciclo de vida e o ciclo de inovação no canteiro de obras é muito extenso, ele impacta muita coisa, ele tem ali um risco muito alto se a gente muda algo no método construtivo. Tem uma série de normatizações que dificultam também, mas, por outro lado, a gente está inovando cada vez mais nesse serviço em tudo que permeia a habitação, novos negócios, novos serviços.
Muito legal, Lorena, e perceber que como um olhar inovativo em adjacências, quando você olha para o cliente de fato e se desprende dos paradigmas de mercado, pensar que uma construtora constrói ponto final, Mas não, poder olhar mais abrangente, olhar de fato o meu cliente, o que é serviço para ele, o que é valor para o meu cliente e entrar aí com parcerias ou internamente, transformando essa jornada aí, olhando até para o depois, facilitando a vida dele com móveis planejados, enfim, com tudo que você foi comentando aí e também por outro lado a inovação da base do negócio mesmo, no canteiro, que claro, tem muitos desafios como você trouxe, mas traz o resultado também de mais eficiência. Você falou de ter que trabalhar custo, então a inovação é uma super ferramenta para você fazer eficiência de custo também, com todos os desafios do setor, mas muito interessante ver essa visão total, visão abrangente da habitação e não só da obra. E aí nesse sentido, a gente falando aqui de de inovação não dá para descolar de resultado. Inovação precisa existir para algum fim. A gente fala muito sobre isso na Evo. Não faz sentido algum inovar por inovar. Deveria, pelo menos uma empresa não deveria inovar para ser inovadora. Eu deveria inovar para algum resultado. E esse resultado pode tomar várias perspectivas. E aí, Ale, eu queria conversar sobre isso contigo. A gente, quando pensa em resultado, a princípio já fala de ROI, e que é muito importante também, retorno sobre investimento é fundamental, mas resultado e inovação é um assunto bastante abrangente. Você pode falar um pouco disso pra gente, dar alguns exemplos de resultado e inovação?
Bem, Luiz, quando a gente fala de resultado em inovação, acho que é legal a gente se atentar ao conceito de inovação, primeiramente, porque inovação é uma ideia implementada que gera valor para a empresa, então a gente tem que pensar muito bem o que é esse valor. Quando a gente fala no mundo corporativo, Quando a gente pensa em geração de valor, a gente está falando de gerar, aumentar a receita, faturamento através da inovação, ou você conseguir reduzir despesa e custo como resultado da iniciativa de inovação. Claro que muitas vezes, você trabalhando com um projeto de inovação, você vai conquistar ali um aumento de produtividade, uma redução de tempo, aumento de engajamento da equipe, mas todos esses fatores, no final, na essência, estão sendo relacionados a resultado financeiro, ou aumento do faturamento ou a redução de despesas. E aí, Quando a gente fala de resultado financeiro, a gente tem que mensurar muito bem esse retorno sobre o investimento. Então, para cada real que a empresa investe em inovação, quanto que isso está trazendo de retorno para a empresa? Por exemplo, alguns clientes nossos têm retorno sobre investimento na faixa de R$10, R$12, ou seja, para cada real investido, você tem um retorno de R$10, R$12 em inovação. E aí, muitas vezes, a pessoa que está nos escutando ou o vídeo que está nos escutando está pensando, poxa, legal, mas eu não tenho a maturidade ainda para mensurar o retorno financeiro que eu posso obter na minha iniciativa de inovação. Então, eu acho que nesse caso, a empresa que está querendo estruturar um programa de inovação, ela tem que pensar nos indicadores intermediários dentro desse caminho. Na hora que você fala de um processo de inovação, ele começa com uma fase de ideação. Então, qual o número de ideias que essa empresa está conseguindo colher, capturar? Qual o número de ideias que essa empresa está conseguindo aprovar, implantar? Quantas dessas ideias estão virando, de fato, projetos, projetos que geram valor? Então, à medida que a empresa vai avançando na maturidade, ela vai conseguindo evoluir nesse funil e chegando na etapa final de mensurar o retorno financeiro, que é onde eu acho que todas as empresas têm que mirar para, de fato, ter uma maturidade de mensurar o resultado sobre a inovação.
Perfeito, Alê. Realmente, acho que no final dessa jornada, o resultado tem que se transformar em financeiro. Para a iniciativa de inovação parar de pé, precisa ter resultado, precisa ter retorno. Mas o caminho a gente precisa semear, a gente precisa plantar e para colher lá na frente, realmente, eu acho que passa por esse assunto que a gente está discutindo aqui, a criação de cultura, o envolvimento das pessoas em inovação. para que o nosso time, os nossos colaboradores entendam que inovar é algo esperado deles, algo que eles façam cada vez melhor, que sejam mais eficientes, que tragam experiências e soluções melhores para os nossos clientes. E aí, Débora, eu queria passar a bola para você, especificamente no programa Inova, que é o programa de intraempreendedorismo da MRV, como vocês veem resultado, o que você pode compartilhar conosco de algum case, do que tem acontecido para vocês em termos de resultados do programa?
Tá legal, Luiz. Posso trazer aqui alguns exemplos, sim. Dentro do programa a gente tem algumas fases muito bem delimitadas, Então, passando por esse funil, a gente teve um número de projetos inscritos no programa do ano passado E aí, ao final, a gente teve 15 projetos que a gente vem fazendo o acompanhamento através dos indicadores Justamente para ver o resultado de cada um desses projetos A gente faz aí mentorias mensais junto com essas equipes, junto com os mentores dessas ideias também Então, dentro desses 15 projetos, atualmente a gente tem cinco projetos que já estão aí na fase de escala, com uma economia potencial acumulada de quase 16 milhões. Então, isso já é um resultado muito legal para a gente, com o resultado de um programa de um ano e de 15 projetos que a gente vem acompanhando, isso já é um resultado muito legal para a companhia.
Muito bom, muito bom, Débora. E Lorena, como é que isso se transforma, um programa desse que envolve colaboradores, que vira projeto, que traz resultado para a empresa, agora sob a ótica do colaborador? Que impacto que tem para o colaborador MRV participar do Innova, enfim, ser reconhecido, ter uma ideia dele se transformando num projeto, deixando um legado para a organização? Como é que vocês estão vendo isso? Como é que o colaborador está sendo impactado? Se é que tem algum exemplo que você pode compartilhar conosco também, seria muito legal.
Acho que essa é a melhor parte, de fazer parte aqui de liderar a área de inovação e de ver essas mudanças acontecendo, de ver ali a satisfação do colaborador, o quanto se impacta na vida dele. Então, tanto o impacto na vida pessoal quanto profissional. E aí, desde o início, da ideação, o programa ali no Funil, na fase de ideação, a gente envolve, engaja muito esses colaboradores, eles vão aprendendo e a gente vê, ele recebe depoimentos, a Débora acho que pode trazer isso até melhor, porque ela acompanha eles no dia a dia, a gente recebe depoimentos de colaboradores muito gratificados, primeiro pelo aprendizado, numa fase de ideação que eles estão sendo ali, empoderados para dar as suas ideias de forma mais estruturada. De forma mais estruturada é pensando, por que eu vou dar essa ideia? O que eu quero alcançar com ela? Qual é o retorno que ela pode trazer para a companhia? Então, a gente estimula isso desde o início. Quando os colaboradores vão caminhando nesse funil, e aí eles são selecionados, então, para fazer parte desse Top 15, que é o nome que a gente dá para a última etapa do programa, para os que estão, de fato, desenvolvendo os projetos, A gente fez no ano passado um Demo Day, ali é onde a gente convida a alta liderança e mais de 100 pessoas da empresa participaram em um evento onde esses colaboradores foram publicamente reconhecidos de forma presencial. Isso aí acho que... gera uma satisfação ali e uma motivação para aquele colaborador, que assim, na minha visão, é indescritível. A gente sente a energia ali do lugar. Fora isso, o Inova tem uma premiação também. Então, cada grupo recebe até 100 mil reais pela implementação daquela ideia. E aqui na Inovação, a gente acompanha e mensura isso. Se o projeto traz um retorno de até 2 milhões de reais, ele ganha até 100 mil reais para o grupo, que normalmente é entre 4 e 6 pessoas. Então, aí pensando quatro pessoas, cada uma recebe 25 mil reais. É um motivador? É um volume financeiro muito grande, né? para o colaborador ganhar em cima de um projeto, acho que isso motiva também, mas eu diria que esse engajamento, esses reconhecimentos que a gente faz ao longo do caminho, em uma jornada de quase um ano, faz toda a diferença na vida do colaborador, que ele acaba sendo muito reconhecido e ressaltado perante uma organização que é muito grande, como a gente trouxe no início, A MRV é uma grande empresa, uma grande corporação, e aqueles que se destacam, que são reconhecidos de forma pública, que recebem certificados de presidentes, enfim, aquilo para muitos colaboradores vale mais do que a premiação financeira. Eu queria pedir para a Débora trazer alguns exemplos aqui também do que a gente tem no dia a dia mesmo, declarações quase que nos emocionam, tanto interno quanto LinkedIn.
É, muito legal, Lorena. Claro que assim, né, premiação em dinheiro é muito legal, mas eu acho que vai muito além disso, né, e a Lorena falou que a gente recebe muito feedback, né, dos colaboradores que participam com a gente, realmente. A gente tem alguns momentos de capacitações desses colaboradores, é muito legal quando eles voltam para a gente e trazem um feedback falando o seguinte, olha, eu não fui selecionado aqui para o Top 15 de nova, mas só os treinamentos que eu tive aqui durante todas as fases, até chegar ao final do programa, já valeram. Eu nunca tinha preparado, por exemplo, uma apresentação de pitch da forma como eu preparei. Agora eu consigo montar uma apresentação para falar para o meu time um assunto específico, um planejamento do mês. Então, isso já vale muito, a gente escutar esse tipo de depoimento dos colaboradores e ver que a gente, de fato, fez a diferença não só no processo dentro de Nova, mas na vida deles. Isso é muito legal também.
Fantástico, fantástico. E acho que intraempreender é isso, essa coisa do colaborador ali com foco no cliente, com foco no resultado, ele poder trazer um benefício para a empresa, mas também colher frutos. E a gente tem várias histórias na Evo, relacionadas a esse intraempreendedorismo, a forma como as pessoas deixam o legado para a organização em diferentes níveis, e como vocês falaram, o reconhecimento faz muita diferença, porque, especialmente em empresas muito grandes, como é o caso da MRV, ser reconhecido e ter a sua reputação atrelada à inovação, em muitos cenários, também é um jeito da pessoa crescer na organização. Ela é vista ali como, poxa, aquilo ali tem um profissional inovador, ele faz coisas diferentes, ele traz resultado com isso, ele cria. um espaço melhor de trabalho. Então, muito legal. E, pô, muito bacana ver também a forma como a Mervi pensa para projetos maiores, com ROI calculado, trazer parte do retorno para o colaborador, que no final das contas é isso também, né? Quando a gente fala de intra, aquela pessoa que quer empreender e enxerga dentro da sua própria empresa um espaço para fazer isso com mais recurso, com mais segurança, mas empreendendo, colhendo frutos no final, certamente faz toda a diferença para a inovação da MRV. E aí, Ale, eu queria passar a bola para você nesse conceito de inovação. A gente está falando aqui de um espectro grande, tem inovações, menores, inovações de eficiência, e tem um outro lado da moeda que é uma inovação maior, mais transformacional, uma inovação que cria modelos de negócios novos. Enfim, mas a palavra é a mesma. Inovação é usada de maneiras diferentes, é uma palavra bem ampla. Então, para o nosso ouvinte que está lavando louça, que está passeando com o cachorro, que está preso no trânsito, Cara, o que é inovação de sustentação, inovação de transformação? O que é a diferença? Qual a relação que tem nesses conceitos?
É, Luiz. É muito legal que as pessoas... O conceito de inovação acaba recebendo diversas modelagens ou tipificações por diversos acadêmicos e também por... pessoas que aplicam a inovação na prática. Mas eu acho assim, o mais importante, a mensagem é que a gente entenda que a inovação é a melhor amiga do CEO da empresa. Com a inovação, o CEO consegue entregar o valor no presente e construir a sua proposta de valor do futuro. Quando a gente está falando de construir, de manter a proposta de valor do presente, a gente está falando de criar mecanismos para manter os diferenciais competitivos daquela empresa. Então, a gente está falando de inovar para continuar melhorando nossos produtos, nossos serviços e os processos que correspondem ao que a empresa gera de valor hoje. No momento em que a empresa está fazendo isso, ela está sustentando o valor que ela tem e ela está trabalhando na inovação de sustentação para garantir o resultado no presente. A partir do momento que a empresa busca, ao mesmo tempo, construir a sua proposta de valor de futuro, ou seja, entender que o modelo de negócio como existe hoje, os hábitos de consumo do jeito que estão hoje não vão permanecer no futuro, eles provavelmente vão ser modificados, eles vão ser alterados. Na hora que a empresa entende isso, ela começa a trabalhar também com a construção da sua proposta de valor do futuro, pensando que vai ser necessário em algum momento transformar o seu negócio. E nesse momento, a empresa busca hoje, no presente, trabalhar com essas inovações de transformação, investindo ali em inovações que vão poder, quem sabe, ser o futuro daquela companhia. Então, se a gente for resumir bem, inovação de sustentação é para garantir o presente da empresa, inovação de transformação é para construir o futuro da companhia.
Fantástico, Alê. E nesse sentido, a importância de ser realmente a melhor amiga do CEO. É um instrumento para você ser mais eficiente, mas para criar o futuro e manter a perenidade do negócio. Como você falou bem, o contexto muda muito e são os atores do ecossistema que mudam esse contexto. O próprio mercado vai se mudando. Então se você fica para trás, o seu produto atual pode ir se tornando obsoleto. Então a inovação de transformação, a que cria o nosso futuro, tem um papel fundamental para a perenidade dos negócios. E eu queria pegar esse ponto, falar de inovação de transformação. A gente está falando de cultura de inovação, de envolver as pessoas, a gente falou de eficiência, falamos de vários pontos. Lorena, o que acontece se um colaborador da MRV dentro do Innova tem uma ideia maior, uma ideia para uma inovação transformacional? Tem caminho para isso? Como é que vocês tratam esse tipo de ideia dentro do Innova?
Legal, Luiz. Acho que dentro do Innova, as ideias têm nível de maturidade e grau de inovação do que vocês falaram, tanto de sustentação quanto de transformação. Hoje, a gente tem abertura e tem ferramentas para apoiar o colaborador no desenvolvimento de qualquer que seja a maturidade dessa ideia. O programa, ele fomenta ali o desenvolvimento de ideias inovadoras e a área de inovação é que ela facilita, seleciona essas melhores ideias, né? Então, nesse funil ali de 112 ideias, a gente está apoiando o desenvolvimento de 15. Dentro dessa, Aquelas que são mais transformacionais, a gente conta com apoio de mentores mais estratégicos. Então, são diretores, é o responsável pela própria tema dentro da MRV, e isso tudo faz com que essa ideia alavanque, o que a gente trouxe aqui, até de desenvolvimento da carreira do colaborador dentro da empresa, alavanca tanto do ponto de vista do colaborador e do ponto de vista da solução, aquilo torna-se com uma proporção muito maior. Então, dentro do programa ali, a equipe mesmo oficial, essa equipe que faz usa premiação, que escreveu a ideia e passou por todo o processo, ela é de quatro a seis colaboradores. A gente tem projetos aqui que estão ocorrendo, que basicamente dobrou-se o tamanho dessa equipe, porque a diretora e o responsável pela área entender a importância daquilo. Então, a proporção que é tomada no desenvolvimento da ideia dentro da corporação, ela mudou completamente, a ideia segue com o recurso financeiro da diretoria, Ela segue com um time muito maior, com envolvimento direto dos responsáveis pela área. E isso tudo vai dando força para que ela tenha uma maior chance de sucesso. A gente sabe que ideias transformacionais têm um risco também muito grande de terem sucesso. Acho que quando a gente fala de inovação, de funil, isso tudo está bem claro. Acho que são coisas muito conectadas. Se eu estou falando de funil, o negócio vai afunilando ali, cada vez mais reduzido. E para essas ideias transformacionais, são a minoria dentro do nosso programa, dentro desse mesmo mindset. E aí o que eu posso dizer nesse momento que a gente tem feito é isso, promover a conexão do grupo, da equipe com as pessoas certas para que aquela ideia de fato alavanque, ajudando a disponibilizar recursos. Então aqui dentro da estrutura da área de inovação a gente responde direto para o comitê de inovação que envolve os CEOs, os presidentes e encaixa a necessidade também de uma ideia dentro do programa que necessite um recurso adicional ou uma validação mais estratégica junto ao CEO, a área de inovação responsável por fazer essa ponte. Então, a gente está aberto a isso, é a minoria do que a gente recebe hoje, a maturidade de chegar com ideias mais transformacionais, e até pensando no equilíbrio do portfólio, tanto das iniciativas de inovação quanto do próprio programa específico do Inova, Acho que isso é muito natural. Sempre a maior parte dos projetos são mais de sustentação e a gente tem ali um ou dois que são mais transformacionais e eventualmente pagam toda a estrutura. Surge ali uma ideia de novo negócio, de novo serviço que tem um retorno financeiro muito superior a todo o investimento que foi feito ali na maioria das ideias que são de sustentação. A gente acredita muito nesse equilíbrio do portfólio para fazer a roda da inovação girar. Então, a gente tem um retorno financeiro com alguns projetos específicos e outros a gente não tem retorno nenhum. A gente tem ali uma despesa de pessoas, recursos humanos, horas dedicadas, sem um retorno direto. Mas isso faz parte da visão sistêmica do ciclo da gestão da inovação.
Excelente, Lorena. Realmente é muito legal ver esse nível de maturidade da MRV, porque uma empresa do tamanho de vocês... anos de mercado, entender que a inovação é algo importante, talvez algo fundamental, e alocar recursos, entender que quando vem inovação transformacional tem erros juntos, a gente nem sempre acerta, a gente não tem bola de cristal, a gente está transformando, está criando o futuro, é difícil prever o que vai dar certo, o que vai dar errado, mas saber que isso é necessário e alocar recursos para isso e promover para que as pessoas trabalhem dessa forma. Você trouxe um outro ponto aí, que me chamou bastante atenção, a menor parte das ideias são transformacionais e isso é o normal. Até o Google, o Eric Schmidt tem uma frase bem famosa, quando ele era CEO do Google ele falava que na Google 70% das inovações do investimento e inovações deles era inovação de sustentação. e apenas, em horizonte 1 de inovação, e apenas 10% lá no horizonte 3 de inovação. Então é o normal mesmo. E eu acho que essas coisas estão muito ligadas, na verdade. A cultura de inovação, a inovação que roda no dia a dia, precisa ser criada para que essa empresa possa criar inovações transformacionais e inovações maiores. Então existe uma relação muito clara entre a inovação de sustentação e a inovação de transformação. Justamente você vai plantar uma roseira no deserto. Então você precisa estar em um lugar que tenha um terreno muito bom, as pessoas inovem para poder ter inovações maiores. E aí, nesse sentido, eu volto para a cultura de inovação aqui, queria entender com vocês como é que é o engajamento, como é que é engajar colaboradores, como é que é engajar o time para a inovação. E aí, Ale, eu queria te puxar primeiro nesse ponto aqui, porque aqui na Evo a gente fala muito de engajamento. A gente entende que isso é fundamental para o colaborador mudar. Quando a gente fala de mudança cultural, geralmente é um processo que não leva menos de anos. E um colaborador que numa empresa tradicional pode ter alguma dificuldade de buscar essa inovação. Como é que você vê o engajamento de forma geral? Como é que a gente faria engajamento de uma grande corporação para essa orientação mais inovadora?
Boa, Luiz. Cara, na hora que a gente fala de aumentar o engajamento, eu entendo muito como criar ferramentas para fortalecer a cultura de inovação da companhia. E talvez o passo zero para uma empresa que está se dispondo a encarar esse desafio seja criar um canal, um mecanismo para ouvir as ideias dos colaboradores, para que os colaboradores sejam ouvidos. e os seus insights ali possam ser avaliados, analisados e, quem sabe, já serem implantados. Mas aí talvez a empresa, criado o ambiente para que eles possam estar contribuindo, ela vai encarar o desafio que é, poxa, mas as pessoas estão tendo dificuldade, não estão contribuindo tanto quanto eu gostaria. Mas aí é exatamente que a gente vai ter que criar algumas alavancas de mudança, de comportamento, para que as pessoas mudem, de certa forma, a sua mentalidade. Uma das formas, por exemplo, que até a Débora comentou aqui, que eles fazem na MRV, que a gente vê como uma boa prática, é reconhecer o colaborador que ele já tem esse perfil ou essa pré-disposição a agir da forma como a empresa gostaria que os demais agissem. Aquele colaborador às vezes proativo, que instintivamente ele traz uma ideia, uma sugestão de melhoria para um produto, para um processo sem ser solicitado, é um comportamento que você quer que seja multiplicado em uma cultura corporativa de inovação. Então você trazer um reconhecimento para esse colaborador já no momento zero, mostra para os demais colaboradores que aquele é o caminho que a empresa está querendo seguir. Mas isso também não é suficiente. Você também precisa explicar o conceito. Então, trabalhar na capacitação sobre inovação e ter minimamente um alinhamento geral na empresa sobre o que é inovação, o que é uma ideia, como compartilhar uma ideia é fundamental para você dar esses passos iniciais. Mais pra frente, quando uma empresa vai evoluindo desse processo, criar recursos ou desenhar mesmo processos na empresa que façam com que a inovação faça parte do dia-a-dia também consegue ser um mecanismo ali para para evoluir e mudar a mentalidade e o comportamento dos colaboradores. Por exemplo, essa questão de recompensa financeira é um exemplo de como a empresa, como a MRV, ela criou um processo de recompensar financeiramente o colaborador que traz uma iniciativa, um projeto que gera um retorno financeiro. Outras empresas com diferentes níveis de maturidade atrelam ao PLR, às vezes no final do ano de um colaborador, o fato se ele conseguiu contribuir ou não com a iniciativa de inovação. Então a empresa começa a criar processos e estruturas para reforçar a relevância da inovação para o objetivo principal da companhia.
Muito bom, Alê. Acho que é um caminho realmente fundamental para ser feito em uma empresa que quer envolver os colaboradores na inovação. As pessoas são fundamentais nesse processo e a gente precisa de mecanismos claros, de planos claros para engajar o nosso time para inovar. E aí, Débora, como é que é esse desafio para a MRV? Que práticas que vocês têm usado nesse desafio de engajar, sei lá, milhares de pessoas num programa de inovação? O que vocês estão fazendo aí na prática?
Legal, Luiz. Acho que alguns exemplos que a gente pode dar, dentro do programa de ideias mesmo, durante as fases desse programa, a gente vai tentar reconhecer esses colaboradores dentro de cada um dos temas das fases. Então, por exemplo, na primeira etapa do ano passado, que era uma fase de ideação, a gente reconheceu alguns colaboradores com certificados que tinham ali assinatura do presidente. Então, assim, teve uma divulgação muito grande. Então, eu tenho o perfil intraempreendedor, eu participei do programa de ideias do Inova, isso é muito legal. Então, dentro de cada uma das fases, na fase de desenvolvimento do business case também, a gente conseguiu distribuir alguns certificados também para esses colaboradores dentro da temática ali da etapa e nas etapas seguintes. Além disso, a gente também tem uma experiência gamificada, né? Ele dentro da plataforma, a gente utiliza a Evo pra ir acompanhando o fluxo dessas ideias dentro de Nove, a gente proporciona essa experiência gamificada e lá dentro eles também conseguem trocar, né? os MRV-Coins, que é a moeda que a gente criou para premiar essas pessoas dentro do programa, então eles conseguem trocar ali por diversas experiências, diversos parceiros, e além disso, após o final desse programa também, a gente vem distribuindo alguns selos de reconhecimento, tanto para os mentores quanto para os próprios colaboradores, do programa. Então, assim, a gente pensa, assim, de categorias diferentes. Então, time mais engajado, time que evoluiu mais ali nos indicadores desse projeto, a gente vai tentando reconhecer ali em temáticas diferentes também para estimular os outros colaboradores, né? Até de entrega, né? De resultados que a gente tem ali a cada mês. Então, para estimular que cada uma dessas equipes, né? Atue de forma semelhante para quem sabe ali no próximo mês também receber um selo de certificação igual dos demais times.
É isso, Débora, realmente, acho que é fundamental, até para tirar da inércia, quando a gente está propondo mudança de cultura para os colaboradores serem mais inovadores, esses mecanismos são fundamentais para que ocorra esse engajamento, ele tem que ser algo feito propositadamente, a gente não pode esperar que isso aconteça sozinho. E aí eu queria fazer uma ponte aqui para um outro elemento, ainda em cultura, mas expandindo um pouco as fronteiras aqui, falar de inovação aberta. Quando a gente pensa cultura, a gente geralmente olha para dentro da empresa e é isso mesmo. A gente está falando de os valores que são praticados no dia a dia, como as pessoas fazem e tomam suas decisões, executam seus trabalhos dentro daqueles valores da empresa. Mas a gente vê muitas corporações se aproximando de startups, fazendo trabalho juntos, contratando, e aí nessa hora acontece um choque cultural. A startup, por natureza, geralmente é muito centrada no cliente, e ela é rápida, né? Estrutura pequena, é mais fácil de se movimentar. A gente brinca que a startup é um jet ski, enquanto que é uma grande corporação, muitas vezes é um grande navio, é mais difícil de virar. A startup vira mais rápido, é mais ágil. Nesse sentido, quando acontece esse choque desses mundos, em geral, isso pode também acelerar ou pode impactar a transformação cultural da corporação. E aí, Lorena, eu queria trazer para você como é que você enxerga isso? Na MRV isso acontece? Vocês estão aproximando de startups em alguns pontos. Você consegue perceber isso como trazendo algum efeito ou impacto para a cultura da MRV?
Com certeza, acho que desde o início da nossa conversa aqui do bate-papo, para mim, está muito implícito a inovação aberta. Quando a gente fala de inovação, a gente não pode pensar só em desenvolver e solucionar todas essas oportunidades, esses problemas identificados com recursos próprios, seja ele recurso humano ou recurso financeiro. Nesse ecossistema de inovação aberta, a gente tem uma série de recursos financeiros para alavancar o desenvolvimento de projetos, que as corporações exploram muito pouco, e tem também a grande questão de trabalhar com startups, essas empresas na maioria das vezes de base tecnológica, com uma cultura de agilidade muito diferente, e que é permitida também, claro, pelo tamanho, pelas proporções de cada organização, mas que, de certa forma, contaminam aqui do lado de dentro, tanto as lideranças quanto os times que trabalham em conjunto com essas. Startups. Então, dentro do próprio programa Inova, esse ano a gente tem algumas ideias que contam com apoio de startups para desenvolverem suas soluções. Então, é um programa que estimula o colaborador a dar uma ideia, a desenvolver essa ideia, ele é premiado por desenvolver a ideia. Então, a gente vai mesurando, à medida que ele traz o retorno para a companhia, ele é premiado. e ele não tem que fazer nada sozinho. Ele pode usar recursos dentro da companhia e recursos fora. Então, quando a gente identifica que já existe uma solução no ecossistema, já existe uma startup com aquilo, uma solução que venha a fomentar e acelerar o desenvolvimento daquela ideia, por que não? Por que ficar tentando desenvolver tudo dentro de casa? Então, a gente fomenta muito isso. Inclusive, o time de inovação, a gente utiliza muito até da plataforma Aevo para identificar ali na base de algumas startups que sejam aderentes àquelas ideias, enfim. Acho que o fato de ter, eu faço questão de citar aqui a ferramenta, o fato de ter uma ferramenta estruturada potencializa o programa, as ideias, todo esse acompanhamento. E aí, quando a gente fala de toda essa interação com o ecossistema, a gente se depara com alguns desafios culturais aqui dentro da companhia, de perceber a startup, o parceiro como alguém que está ali para criar junto, para desenvolver em conjunto. Não dá para a gente hoje pensar em desenvolver tudo com recursos próprios. E isso muitas vezes acelera o resultado que a gente quer entregar. É óbvio que traz desafios culturais, a gente vem trabalhando dentro da inovação com esses pontos, exaltando ali a diferença que é de trabalhar com fornecedor tradicional, um fornecedor ali às vezes maior e mais robusto, enfim. fluxos de pagamento, questões jurídicas, coisas que a gente não pode tratar uma pequena startup da mesma forma que a gente trata um fornecedor da cadeia produtiva. Isso, ao longo dos anos, foram aprendizados que a gente teve aqui dentro da MRB. Hoje a gente consegue tratar as startups com tempos de pagamento, com fórmulas, com NDAs e contratos de sigilo com uma proporção a cada interação que a gente faz com essas startups. E aí para monitorar o acompanhamento dessas startups também, a gente vai acompanhando, salva tudo em uma base para ver quais contratos que a gente tem ativos, enfim, isso muito incentivado por uma outra agente do ecossistema também, que é o Sem Open Startups. No ano passado, a gente foi classificado como primeiro lugar, top 1 da categoria imobiliária. Isso mostra a quantidade, o volume e a qualidade de interações que a gente tem com esse ecossistema. Para esse ano também, a gente está ansiosa por a divulgação deste ranking. mas tivemos também um volume grande de contratos, e do que a gente trouxe na conversa de inovação de sustentação e transformação, de novo, a maioria dessas startups atuam em processos transversais da companhia, muitas vezes não são inovações transformacionais, mas inovações de sustentação. Às vezes startups que aceleram o processo jurídico ou startups que facilitam o processo de gestão de resíduos. Enfim, a gente tem diversas startups permeando essa interação que já acontece da MRV com o mundo externo há alguns anos.
Excelente, excelente. E uma coisa que me chama atenção nesse movimento das empresas estando junto com as startups, inovando, compartilhando projetos com startups para inovar, seja no core ou seja, como você falou, em áreas transversais, em algum nível até um exercício de humildade, a grande corporação ali que tem muito mais recursos, estar junto, perceber que não vai fazer tudo sozinho, que não vale a pena. Tem gente que já está avançado em outras áreas aí, pesquisando isso, aplicando suas soluções em vários mercados, diferença que pode trazer rapidamente uma inovação que traz valor para a organização. Pessoal, eu queria fechar aqui agora a nossa conversa. O papo está muito bom, mas a gente precisa terminar o episódio. Mas eu queria fechar aqui para aquela nossa ouvinte, que é de uma empresa que está querendo começar essa mudança, querendo ir para uma cultura mais inovadora. O que vocês consideram como o mais importante nessa jornada de transformação da cultura de inovação?
Bom, acho que quando a gente fala de cultura, o tempo inteiro aqui a gente falou de cultura e de pessoas. Então, acho que o mais importante do meu ponto de vista é que a organização enxergue o colaborador em sua individualidade, que ela consiga pensar nos colaboradores como pessoas, entender as dores de cada um, apoiar o desenvolvimento dessas competências individuais em grupo. Então, é todo um trabalho de base que deve ser feito dentro da corporação, onde as pessoas tenham segurança psicológica para errar, que a organização seja capaz de lidar com o erro e aprender com esses erros. Então, para mim, o principal ponto está mesmo no mindset, no olhar da corporação, dos líderes com esses comportamentos que são naturais da inovação, o erro, o fracasso e também o sucesso. Então, desse sucesso, como reconhecer, como engajar.
É, eu vou concordar com a Lorenda nisso, porque o que a gente viu muito assim, por exemplo, no programa do ano passado, é que tá caminhando realmente ali, lado a lado com esses colaboradores, faz toda a diferença assim, até pra entender, né? o que eles têm ali de impeditivos ao longo do processo, de desenvolvimento de uma ideia dentro do programa. Então, é muito importante ter esse apoio do time de inovação, estar ali lado a lado, a cada fase, escutando. A gente até brinca um pouco que ano passado acabei virando um pouco psicóloga de alguns colaboradores, porque a gente acabava se envolvendo muito com o desenvolvimento dessas ideias mesmo, mas é muito importante estar caminhando junto a eles, com certeza.
Muito bom, pessoal. Ótimos insights. Obrigado pelo bate-papo, Débora, Lorena. A gente trouxe aqui realmente, acho que certeza que a gente está ajudando a quem tem o desafio de transformar a cultura de inovação em suas empresas, a ter um primeiro passo, a saber o que fazer, entender como esse processo pode ser estabelecido. Débora, Lorena, qual o LinkedIn de vocês caso os nossos ouvintes queiram um contato pelas redes sociais?
Podem me achar no LinkedIn como Lorena Tamerão, fiquem à vontade para entrar em contato e a gente troca uma ideia aí mais sobre inovação.
Isso aí, quem quiser me achar no LinkedIn, Débora Lá de Barbosa, pode me chamar lá no chat, a gente vai trocando uma ideia, quem quiser falar sobre inovação, programa de ideias, estou super à disposição. Obrigada!
Ale, se alguém quiser um contato contigo, entender um pouco melhor sobre a Evo, sobre os programas de inovação, cultura, como é que a gente faz para entrar em contato com você, Ale?
Luiz, o melhor canal é o meu e-mail mesmo, é só mandar um e-mail para alexandre.evo.com.br e se quiser conectar comigo no LinkedIn também é alexandre.pagunk.
Boa, pessoal, quem quiser contato comigo também é só mandar um e-mail no luiz.aewo.com.br, linkedin, Luiz Felipe Carvalho. Estou à disposição para a gente conversar sobre inovação, sobre pessoas, cultura, acho que é um caminho super importante para o nosso desenvolvimento. E é isso. Muito obrigado a todos. Obrigado a você também, ouvinte, que está aqui conosco até o final. Fique ligado aí, dá o joinha ali no nosso canal e siga a gente que tem muitos episódios aí pela frente. Um abraço.
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