Ep. 20 - Inovação aberta no setor público com João Matsuzaka, Luís Felipe Carvalho e Gustavo Arruda
11 Nov 2024 · 52 min
João Matsuzaka from Petrobras and Gustavo Arruda from AEVO discuss using CPSI, a new Brazilian public procurement model, to test innovations from startups. Petrobras launched its first CPSI contract in March 2022 and has since signed around 40 contracts, with four moving into actual supply. The model lets companies test up to three solutions for up to R$1.6 million before committing to larger purchases.
Questions this episode answers
Lei Complementar 182 (marco legal das startups), 2021.
CPSI test contract up to R$1.6 million; post-CPSI supply up to 5× that value (R$8 million).
Final (end) of October 2021.
March 2022 (first CPSI signed then).
More than 50 challenges launched and about 40 contracts signed (50+ challenges, ~40 contracts).
Chapters
E o fornecimento pós-CPC tem um limite de 5 vezes o valor, então até 8 milhões de reais. Então se você precisar contratar qualquer coisa acima de 8 milhões de reais, você fala, cara, eu preciso escalar esse negócio na Petrobras e, sei lá, vai ser um contrato muito maior do que o Petrobras.
Olá, muito bem-vinda, muito bem-vinda a mais um episódio do Aevo Boost, o podcast onde nós falamos sobre pessoas transformando as suas empresas através da inovação. Eu sou Luiz Felipe Carvalho, eu sou CEO na Aevo, e hoje a gente vai falar sobre inovação na administração pública. Dá pra inovar? Dá pra fazer inovação aberta? Dá pra se relacionar com startups no setor público? Para isso está aqui comigo o João Carlos Matsuzaka Costa. Ele é gerente de parcerias com startups na Petrobras. Tudo bem, João? Prazer tê-lo aqui no podcast.
Fala, pessoal. Muito obrigado por me receber aqui, Luiz. Um prazer estar aqui com vocês. E é possível sim, tá? Já adiantando, a gente vai falar bastante sobre isso, mas é possível sim. Acho que é legal me apresentar, né? Meu nome é João Carlos, como o Luiz falou. Eu tenho 15 anos de Petrobras, um pouquinho mais agora. E faz três anos que eu trabalho com inovação. Na Petrobras, a gente tem várias carreiras. Eu já trabalhei com desenvolvimento de software, já fui escrumato na análise de sistemas. Eu já trabalhei embarcado um tempo. Embarcado é quando a gente trabalha numa unidade de produção de óleo. Trabalhei cinco anos embarcado na Amazônia. E mais recentemente, eu estou no meu terceiro papel, terceira carreira na Petrobras, terceiro emprego, que é trabalhar com inovação, e aí estou trabalhando com startups, que é um prazer, que é um tema que eu gosto muito.
Maravilha, João. Ficou muito legal ver essa visão bem abrangente do negócio que você tem agora, entrando aí na inovação com startups. Agora não, né? Já há alguns anos à frente dessa nova responsabilidade na Petrobras. Bom, também conosco aqui o Gustavo Arruda, o Google Libera, lidera aqui o nosso time de vendas, Naio, e é um dos nossos principais especialistas em inovação para o setor público e está estreando hoje aqui no podcast. Tudo bem, Google? Você apresenta aí para o pessoal também.
Olá, Luiz. Olá, João. Tudo bem com vocês? Agradeço pelo convite. É um prazer estar aqui com vocês, inclusive ao lado de dois, posso dizer, monstros da inovação corporativa no mercado brasileiro, que entendem bastante do assunto. Espero poder contribuir aqui ao longo da discussão. E me apresentando rapidamente, o Luiz já comentou, eu sou o Gustavo Arruda, sou o responsável hoje por uma parte do time de vendas aqui da Ilco. E estou aqui na Ivo desde 2017, então pude acompanhar algumas jornadas, inclusive a da Petrobrás, fico muito feliz em poder acompanhá-la ali. E vamos falar um pouquinho mais sobre ela, inclusive, aqui hoje. Boa, Guga.
Pô, monstros da inovação, ganhei o dia aqui. Fiquei super feliz, cara. Mas menos, né? Mas bom, pessoal, assim, pra gente começar aqui, eu estou super feliz com esse podcast, acho que é um... Na verdade, aqui na EVA, a maior parte dos nossos clientes, a gente trabalha só com inovação, a maior parte dos nossos clientes é do setor privado, não é do setor público. Mas a gente tem visto vários e tem acompanhado, prestado serviço para várias empresas do setor público também, assim como Petrobras, que tem feito trabalhos fantásticos em inovação, conseguindo vencer a burocracia que existe, que é necessária do setor público para fazer inovação, enfim, trabalhar da forma mais ágil possível. E quão importante é isso, né? Que a gente consiga inovar o setor público, empresas públicas, para gerar competitividade, gerar serviços melhores para a população. Então, assim, esse é um podcast bem especial para mim, da gente estar discutindo inovação no setor público. E agora, a gente percebe que... Parte dos desafios que os gestores públicos têm hoje em dia está justamente em vencer as burocracias. Como eu falei, é necessário ter uma auditoria maior, um processo mais criterioso, é dinheiro público, e aí só que acaba que os processos ficam um pouco mais lentos e vai impedindo ou dificultando bastante a inovação com agilidade, o relacionamento com startups, enfim. A boa notícia é que hoje em dia a gente tem mecanismos, tem instrumentos que estão cada vez mais evoluindo e caminhando para permitir uma inovação no setor público, se aproximando da liberdade, possibilidades que a gente tem com o setor privado. E é justamente aí que entra a primeira pergunta. João, eu queria te chamar aqui, porque a gente tem um instrumento aí que é o CPSI, o Contrato Público de Solução Inovadora, e eu frequentemente falo de CPSI para pessoas que trabalham em empresas públicas, como Petrobras, ou enfim, setor público em geral, e não é raro eu ver do outro lado a cara de paisagem, a pessoa não conhece, nunca ouviu falar, o caviar, nunca vi nem comi. E nem ouço falar nesse caso, em muitos casos. Eu queria, para começar, que você explicasse para a gente, como alguém que estava usando e foi pioneiro nisso, o que é o CPSI, o Contrato Público de Solução Inovador?
Bom, então, gente, vamos lá. Eu acho que é importante mostrar, primeiro, a diferença entre o setor privado e o setor público. A gente brinca muito que, quando você está em uma empresa privada, você pode fazer qualquer coisa que a lei não proíba. O setor público é o contrário. Você só pode fazer o que a lei deixa. Em relação à contratação, mais especificamente, a gente segue leis diferentes do setor privado. Tem uma lei que as estatais seguem, que chama 3.203, que é uma lei de contratação para as estatais. É a lei que rege as licitações, basicamente, e tem artigos bem... bem restritos em relação a qualquer tipo de contratação. Como é dinheiro público, em geral, você tem que fazer o melhor uso dele, obviamente, e você tem que dar ampla competitividade para qualquer processo. Então, basicamente, isso freia um pouco a situação, porque você precisa licitar praticamente qualquer coisa. E uma licitação numa empresa como a da Petrobras demora entre seis meses a um ano para acontecer. Então, imagina se toda vez que a gente for contratar uma startup, a gente fala, daqui a um ano, A gente contrata vocês e eu não tenho nem garantia que vai ser vocês, porque vai ser uma licitação pública. Esse é o cenário que é desafiador. Não é que o setor público não queira inovar, mas o arcabouço legal para inovar é diferente. E o que aconteceu? A Petrobras renova há muito tempo. A gente vem construindo inovação após inovação. Descobriu o petróleo no Brasil, o pressal, e agora a gente está numa nova fauna de eletronexão energética. Então tecnologia e inovação é uma coisa muito importante na Petrobras. A gente tem um centro de pesquisa que tem 60 anos, o SEMPES. Então faz 60 anos que a gente faz inovação aberta. Só que a maior parte dessa inovação aberta tem um foco de médio e longo prazo. Então são projetos de 5, 10 anos. que moldam a indústria brasileira de petróleo até a indústria internacional. Temos vários prêmios internacionais de reconhecimento pelas descobertas tecnológicas que proporcionam furar o pré-sal. Mas essa inovação é feita com ICTs, é feita com academia, universidades, e depois uma parte dessa inovação chega no mercado de forma de licenciamento e outros fornecedores vêm e constroem as coisas que a gente inventa para a gente poder consumir e aplicar nas plataformas, etc. O que a gente carece, em geral o setor público carece muito, era de uma forma de inovar de uma forma mais rápida, nos processos mais corriqueiros, e de trazer a inovação que já está no mercado para dentro, para a gente poder testar e experimentar. E aí, em 21, surgiu o marco legal dos startups, a lei complementar 182, um marco legal dos startups, acho que é mais conhecido assim, e ele trouxe várias, tem vários capítulos, ele trouxe várias inovações legais para a gente. Uma delas foi o CPSI, Contrato Público para a Solução Inovadora. Então ele permite que uma empresa governamental, uma prefeitura, um governo estadual, teste uma tecnologia. E, por incrível que pareça, isso não existia antes. A gente não tinha um instrumento para poder testar, experimentar uma tecnologia. Então, isso era feito, em geral, com POCs gratuitos ou pagas. E tem um problema de fazer uma prova de conceito sem um instrumento, porque você precisa de algum contrato que viabilize aquela prova de conceito. E hoje era feito durante um fornecimento. Eu contrato um fornecimento sem saber se o negócio vai funcionar. Então eu licito o contrato e se não funcionar eu perco o valor da licitação, que também acontece muito. Então a grande vantagem do instrumento do CPC é que eu posso ir mais rápido para o mercado e eu tenho um instrumento que me permite pagar para uma outra empresa, fornecer uma tecnologia que eu vou testar. Eu não sei se funciona ainda ou não. Então eu vou testar isso, e se testar, aí sim eu posso contratar aquela tecnologia.
João, se você me permite um complemento. Primeiro que a sua explicação, trazendo todo o embasamento legal de como é que foi essa construção do CPC, acho que é fantástico. dar uma noção clara para gestores públicos que estão interessados em conhecer, em aprofundar um pouco mais sobre a lei, sobre o marco que foi criado em 2021, se não falha a memória. Mas sempre que me perguntam, às vezes em reuniões, eu gosto de fazer uma analogia, destacando um pouco das diferenças entre a licitação e o CPSI. Uma forma que eu encontrei que eu acho que é bem lúdica de explicar é que Imaginem que uma prefeitura, por exemplo, vai ter um dos exemplos que você citou, ela tem um desafio relacionado à mobilidade urbana, ou seja, o fluxo de veículos em determinada parte da cidade é muito intenso e o trânsito fica longo e as pessoas demoram muito para se deslocar de um ponto A para B de sua residência para o trabalho e para aí vai. E aí, se a prefeitura entendesse que precisamos resolver esse problema e ela fosse pelo caminho da licitação, o caminho tradicional, a primeira proposta provavelmente dela seria, vamos construir uma ponte em determinado local da cidade para desafogar um pouco o fluxo do centro, por exemplo. E aí, para fazer essa ponte, ela provavelmente colocaria uma especificação técnica detalhando qual que tem que ser a dimensão, o material, a quantidade de vias, ela especificaria bem o que seria ou como essa ponte deveria ser construída e várias empresas poderiam participar, preferencialmente construtores que têm essa expertise. Agora, se a mesma prefeitura fosse lançar esse desafio pelo CPSI, ela poderia talvez trazer, olha, eu tenho um desafio, tenho uma dor, um problema, que é a mobilidade urbana, E isso está gerando transtorno para os nossos cidadãos e eu quero soluções para resolver. E do outro lado poderiam vir soluções do tipo, alguém falando para construir uma ponte é uma solução, poderia ser viável. Como também poderiam aparecer startups, empresas de bases tecnológicas, que poderiam propor, por exemplo, por que a gente não testa um sistema de semáforos inteligentes, para em horários de pico o tempo de semáforo mudar, ou talvez a gente possa testar aplicativos de carona para diminuir a quantidade de veículos disponíveis que têm acesso ao centro. e aí facilita o fluxo de veículos a partir dali. O ponto é, não tem uma solução certa. O que tem é, são soluções possíveis para resolver o problema, e aí o CPS, ele permite, como você bem colocou, essa possibilidade de testar diferentes soluções, talvez duas ou três, dentro do mesmo processo, e isso depois poderia ser uma forma de validar qual seria a melhor solução a ser implementada posteriormente. Bom, esse modelo de analogia me ajuda até a entender para um leigo como eu no assunto um pouco melhor quais são as diferenças e onde pode ser aplicado.
Então, porque o pessoal fala assim, poxa, mas o CPS ainda é uma licitação, certo? E realmente é, né? Então, assim, a gente ainda licita, o que a gente chama de licitação especial, né? Então, qual a diferença básica? Você licita por um desafio e não por uma especificação. E isso já abre, como você falou, um leque de opções, porque muitas vezes eu não consigo especificar, eu nem sei qual é a especificação da tecnologia ou da solução que resolve aquele problema. Porque eu tenho o problema, eu tenho um desafio, eu tenho uma dor, eu sei exatamente o que eu quero fazer. Eu vou dar um exemplo que a gente lançou recentemente. A gente quer transportar cargas de pequeno porte entre plataformas. Eu imagino que vai ser feito por drone, certo? Mas poderia ser feito por um barquinho, poderia ser feito por um submarino, poderia ser teletransporte, se alguém inventar, certo? Vai que no meio da licitação alguém fala assim, pô, inventei o teletransporte. E aí o legal da licitação é isso, é que eu posso pegar o do CPSI, eu posso lançar o desafio e eu posso testar não só uma, porque geralmente quando você licita, você tem um vencedor. E aí você está fechado com aquele vencedor, seja por melhor preço ou melhor técnica. É aquela pessoa, aquela empresa que ganhou a licitação. No CPC tem uma vantagem que eu posso licitar e falar assim, cara, eu vou contratar até três soluções. Eu vou contratar três soluções distintas e vou testar as três. E aí eu tenho um ano para testar as três, tenho um limite de valor, 1.6 milhões hoje. E no final desses testes eu posso verificar qual foi a solução que mais atendeu aquele desafio, de acordo com certos critérios, e aí eu ganho uma dispensa de licitação no final do CPC. Essa outra coisa é bem legal. Então, eu licitei lá no começo, como uma licitação não convencional, uma licitação um pouco mais simplificada pelo desafio, testei várias soluções ao invés de trabalhar com uma só, e lá no final, a solução que se provou melhor para resolver aquele desafio, ela pode ser contratada de forma direta, então não preciso licitar de novo. Então esse é um mecanismo bem legal, porque ele, como eu falei, demora de seis a doze meses até a gente construir uma licitação aqui e realmente contratar alguém. Então a gente economiza esse tempo, já sabendo a melhor solução é a empresa A, então a empresa A a gente já consegue contratar direto e acelerar a implantação da inovação.
Ou seja, o que a gente está falando aqui, tentando resumir, é ir trazendo para o mundo da inovação e comparando com o privado. Em geral, a inovação acontece assim, Ela parte de um problema, ela parte de uma dor. A gente vai investigando e o jeito mais moderno de se fazer, ao invés de você já começar do ponto zero fazendo um grande projeto, a ideia é que você vá fazendo testes, ou seja, que você consiga avaliar ali possíveis soluções, fazer provas de conceito ou pequenos testes que possam validar se você está no caminho, aqueles que derem certo você gera escala, tende a ser mais inteligente, poupar recursos e te ajudar a investir mais quando você já tem mais certeza sobre aquela inovação. É assim que o setor privado faz e assim que o CPSI agora permite, ou seja, partir de uma dor fazer validações menores, testes, e se você encontra algo ali que faça sentido, você escala com o contrato de fornecimento definitivo a partir desse processo já validado. Faz muito sentido, é o que a gente traz aí, por isso que o instrumento está muito voltado para fazer inovação, inovação aberta, nesse caso, envolvendo empresas, startups, enfim, do mercado. E aí, nesse sentido, a gente abriu um universo novo. E, claro, você falou bem, João, no início, o setor público, a administração pública, ela só pode fazer aquilo que a lei permite. É diferente do setor privado, que pode fazer qualquer coisa. É claro, a ética está mantida aí também. de uma forma bem direta, assim, qualquer coisa que a lei não impeça. E aí, nesse sentido, é sempre um risco para uma nova empresa do setor público, uma empresa pública, alguma... Alguém da administração dá o primeiro passo. E a Petrobras deu esse primeiro passo. A Petrobras foi a pioneira em usar o CPSI, usar instrumentos. Imagino que vocês tenham passado por um processo bem complexo para conseguir se estruturarem para isso. E a gente participou junto com vocês. No início do processo, fomos o primeiro CPSI do Brasil. Mas eu queria entender assim, olhando para esse modelo de fazer inovação, partindo de dores, e aí fazendo testes com vocês, no caso CPSI, depois gerando contratos de fornecimento, como tem sido os resultados da Petrobras até aqui? Quantos desafios vocês lançaram? Quantos testes foram executados ali? O que já virou escala? Se você falasse um pouquinho, talvez contasse alguns casos aí para a gente, como é que tem sido a jornada da Petrobras nesses primeiros anos de uso de CPSI?
Ah, legal, né? Acho que é legal falar para todo mundo que, tipo assim, cara, esse negócio tem três anos. A gente lançou o edital, o primeiro edital do CPSI, foi no final de outubro de 2021. Então, assim, não fez três anos ainda. E três anos em tempos e movimentos de uma empresa do tamanho da Petrobras é um tempo muito curto. Então, assim, em geral, quando você cria um processo novo, é muito difícil você ter um resultado palpável em três anos. Mas, nesse processo, a gente estava bem feliz, bem surpreso. A gente já, de três anos para cá, a gente já lançou mais de cinquenta desafios para o mercado. E aí eu estava até falando com o pessoal do PCU, pessoal das outras estatais, e aí acho que o segundo colocador, o Jacenig, O Guilherme lançou 15 desafios já, então a Semiga também está acelerando, pisando no acelerador. Muito bom saber que tem mais gente usando o instrumento. Tem outros usos do instrumento um pouco menores aparecendo, mas é bem legal. Mas a gente está com mais de 50, 51, 52 lançados já. E todo mês a gente tem lançado dois ou três. Está na maquininha já. A gente já... assinou, acho que mais de 40 contratos, então tem 50 desafios, não é? 40 contratos assinados. E desses contratos assinados, vários passaram, como eu falei, o CPC é um ciclo de um ano, e vocês passaram por isso, então a gente tem um ano para testar, dois meses. E aí esses contratos podem ser aditivados. Então depois de dois meses, alguns contratos, eu quero fazer mais alguns testes. Uma coisa legal de falar é que o escopo do CPC é muito mais flexível que um contrato de fornecimento. Então, no meio do escopo, eu consigo... Cara, testou, não funcionou, eu consigo mudar o escopo para conseguir... Preciso testar mais alguma coisa. Preciso testar isso de novo. Então, ele tem um quê de parceria e um quê de desenvolvimento no meio do contrário. Então, a gente consegue fazer pequenos desenvolvimentos ao longo dos testes para poder aprimorar a tecnologia que a gente está testando. E por isso acaba que, de vez em quando, aquele planejamento inicial, você fala assim, pô, aquilo lá não deu, mas a gente precisa estender um pouquinho. Então, a lei permite que você estenda por mais 12 meses, né? Que você detive o contrato por mais 12 meses. E aí, vários estão em execução, né? Desses que a gente assinou, mas a gente já tem quatro fornecimentos. Então, se você pensar num ciclo de 24 meses, que é o máximo que o CPC consegue, a gente já lançou 50. Obviamente, não foram 50 no começo. A gente lançou 12 no edital que foram sendo assinados e acontecendo. O nosso mesmo foi assinado em março, se eu não me engano, de 22. E foi o primeiro CPC assinado no Correio. Então, de março de 22, se você colocar 24 meses, daria março de 24. A gente adiantou um pouquinho. e o fornecimento nosso, do Aevo, foi assinado em setembro. Teve um antes, que foi o do Alemóveis, que foi assinado um pouquinho antes, porque ele não fez esse ciclo de 24 meses, eles conseguiram engatar mais rápido nos 12 meses. Mas é isso, a gente já tem quatro fornecimentos. Dos fornecimentos, a gente assinou o quarto fornecimento hoje, não sei nem o nome da empresa ainda, porque é interessante. Dos fornecimentos, a gente tem de tudo. Então, vamos lá. A gente teve a Evo, que foi o primeiro CPSI, e é um sistema de gestão de inovação. Quem está ouvindo o podcast deve saber. E aí, tem uma escala pequena dentro da empresa, porque o número de usuários dentro da Petrobras que acaba usando a Evo não são 50 mil usuários, é uma Petrobras inteira que usa. A gente escolheu por estratégia, a gente tem pontos focais de inovação dentro das áreas, esses pontos focais que usam, então a gente tem cerca de 200, 300 usuários. E ele está implantado, está todo o vapor e toda a mecânica do CPSI hoje roda em cima da Evo. Então, tipo assim, né? Está bem curioso. Se a Evo parar, o CPSI para junto. Ainda bem que não para, né? E aí, o que acontece? A Alemobis, já que foi o primeiro contrato de fornecimento assinado, a Evo foi um pouquinho antes da Alemobis no CPSI e um pouquinho depois da Alemobis no fornecimento. A Alemobis é um aplicativo de saúde, E esse sim, todo funcionário da Petrobras usa. Então, nesse está super escalado. A gente tem cerca de 50 mil funcionários. Então, tem 50 mil potenciais usuários do aplicativo Chama Minha Saúde aqui pra gente. E o pessoal teve falado muito bem, agilizou muito. Eu mesmo fiz o periódico hoje, esse ano, pelo aplicativo. Foi bem bacana. E aí, o terceiro caso do CPC é um CPC que foi o primeiro CPC internacional. Então, assim, a gente não tinha relacionamento com startups internacionais. Então, esse CPSI da Agentes.in, que junto com a PTO, que é a empresa brasileira, ele é um CPSI que foi a primeira startup fora do Brasil que a gente se relacionou, a Agentes.in, que é uma startup de AI, bem diferente de agentes de AI. E se você for pensar bem, hoje está todo mundo falando disso, né? Ou pelo menos a gente está falando disso. Mas na época, três anos atrás, quem estava falando de agente de AI? E aí, eles já eram uma startup de agentes de AI, e aí eles foram para o fornecimento faz alguns meses aí. E é legal porque é uma startup alemã junto com, é uma joint venture, né? É uma colaboração com uma empresa nacional que está ajudando eles a nacionalizar o produto, fazer o contato com a Petrobras. E esse CPC foi uma mega experiência para a gente, porque, cara, tinha que pagar metade para o Brasil e metade para a Alemanha, era muito doido. A gente não tinha nem mecanismos para fazer isso direito. É bem interessante. A gente pastou um pouquinho ali, mas deu tudo certo e, cara, entrega um valor fenomenal para o Petrobras hoje. E aí, o quarto CPC, como eu falei, não tenho nem o nome da empresa ainda, mas ele não usou o mecanismo de contratação. É um mecanismo de dispensa de licitação. Então, a gente fez o teste e, depois do teste, a área cliente decidiu que ia contratar a empresa direto, eles têm patente. E aí a gente tá contratando por inegibilidade, que é uma das opções da 3303, a gente tá contratando a empresa de forma direta, porque era mais vantajoso pra gente, eu não sei se foi um cap de valor ou alguma coisa ali, mas era mais vantajoso pra Petrobras contratar de forma direta e não usar o mecanismo da lei. O mecanismo da lei é muito bom porque ele dá uma dispensa de insulação que a gente não precisa solicitar, mas ele tem algumas travas. A principal trava é a trava de valor. O CPC pode ir até 1.6 milhões e o fornecimento pós-CPC tem um limite de 5 vezes o valor, então até 8 milhões de reais. Então, se você precisar contratar qualquer coisa acima de R$ 8 milhões, você fala que precisa escalar esse negócio na Petrobras e, sei lá, vai ser um contrato muito maior do que R$ 8 milhões, não faz sentido você fazer esse contrato direto. Melhor você partir para um contrato maior e ter uma trava de dois anos também. Então, depois de a gente assinar esse contrato, a gente tem dois anos. Então, se você quer uma coisa um pouco mais a longo prazo também, faz sentido você mudar o mecanismo de contratação. Mas acho que os exemplos mais palpáveis são esses, mas a gente tem muitos CPCs no forno. A gente começou muito com software, não tinha tanta coisa de hardware, tinha uns UAVs que mergulhavam ali, mas a gente tem muito CPC de hardware, de sensor, de drone, de transporte de carga, de drone para inspeção de tanque, é bem variado. A gente está experimentando muita coisa, é bem bacana.
Excelente, João. Ótimos resultados, como você falou, em três anos, para uma empresa como a Petrobras, atingir tantos contratos de teste de CPSI, e a Mi já com quatro contratos de fornecimento. Então, as coisas estão certas, escalando, excelente. É muito bom ver isso acontecendo e gerando resultado. E bom que a EIV está sendo usada aí na orquestração desse processo aí dentro. A gente fica muito orgulhoso de ter sido o primeiro CPSI, acho que é um marco histórico, a gente ter o primeiro CPSI do Brasil ser feito pela Petrobras, com a EIV, e a gente, o segundo contrato de fornecimento agora sendo usado aí para a gestão desse processo. Aqui dentro a gente, como disse no começo, o Google é um dos nossos especialistas aqui para o setor público e ele interage com vários entes aí e foi do nosso time quem estava mais à frente aqui do processo do CPSI. Bom, Google, seria legal você falar do ponto de vista da startup, como é que foi a interação da Evo com o CPSI, com esse processo, até a gente ser agraciado com o contrato do CPSI.
Claro, Luiz. Vamos lá. Antes de responder a sua pergunta, lembrei de um fato que aconteceu. Nós já estávamos na fase final, quase, para assinar o CPSI. A gente já havia assinado. Eu lembro que o João me mandou um WhatsApp, encaminhando uma mensagem com aquela famosa frase da Amazon, que é bem famosa, que é o... Working hard, having fun, making history. Não sei se você lembra, João. E realmente, naquele momento, a gente já tinha noção que, cara, era um marco histórico. Primeiro CPS do Brasil, a Petrobras sendo pioneira, como sempre, em inovação no setor público brasileiro. Mas agora, quando a gente olha os resultados, os números, um pouco mais à frente, a gente realmente quer até um pouco, pouco não, muito maior do que a gente tinha imaginado o resultado e o alcance que isso está tomando aí dentro. Inclusive, até parabéns pelos resultados até aqui. Isso aqui é só o começo. E aí, respondendo a tua pergunta, Luiz, assim, aqui na Aiva a gente, eu tive o privilégio de poder acompanhar não só essa parceria do CPSI com a Petro, mas considerando um escopo totalmente diferente, já mais consolidado, quando a gente fala de programa de entrepreendedorismo, a gente já participou de algumas licitações chamadas de tradicionais aqui na Aiva. Depois, ao participar do CPSI, fica um pouco clara as grandes diferenças. Do nosso lado, do meu ponto de vista, como startup, o CPSI traz um processo muito mais flexível. Não que ele não é burocrático, não que ele não tenha trava de segurança, ele tem, assim como em qualquer licitação. mas ele é flexível a ponto de, numa licitação tradicional, a gente tem um canal único de comunicação na maioria das vezes. Basicamente, eu recebo uma especificação, faço uma proposta, envio. Em alguns casos, tem algum aumento para algum alinhamento de dúvidas, mas geralmente até por e-mail esse alinhamento de dúvidas. No CPSI, a gente teve espaço para não só formular a proposta, olhando o desafio, gerar algo diferente, a gente teve espaço para enviar um pitch gravado, a gente teve espaço para fazer um pitch ao vivo ali com a banca avaliadora do time da Petrobras e até tirar dúvidas. Então, aquele ajuste fino entre o problema e a solução que a gente está propondo tinha canais e espaços bem definidos para que a gente conseguisse fazer e até com espaço para ajustar ali, ajustes finos em cima da solução proposta. Então isso inclusive eu acho que foi um dos grandes diferenciais que permitiu a gente trazer e customizar uma solução que realmente era aderente ao processo que a Petra estava propondo ali. Além disso, entendo também que tem as travas, como eu disse, mas a burocracia é um pouco menor. Especialmente uma startup que tem pouco tempo de CNPJ, muitas vezes, pouco arca-bolsa histórico financeiro, por exemplo, consegue participar de uma licitação, que ela não tem, às vezes, a documentação, não tem o porte financeiro necessário, mas o CPSI, ele traz mecanismos que são definidos lá no marco legal de startups, que permitem que startups novas, de base tecnológica, realmente com soluções inovadoras, consigam participar assumindo riscos diferentes específicos desse mecanismo. Eu acho que isso facilita muito também essa aderência das startups, essa conexão mais direta. E por fim, só para destacar, eu vejo também que quando a gente estava participando, era muito fácil a gente entender quais eram os critérios que seriam usados para nos avaliar. A gente tinha noção clara de quais critérios, a gente tinha noção clara do que era importante para a banca avaliadora e por que isso estava bem definido. Não era só um processo que eu olhava, ah, você atende, você não atende. Era um processo que eu não vou avaliar o quanto você consegue customizar, até onde você integra com meus processos. Eu vou olhar a composição do teu time, porque o perfil é importante na hora de adaptar essa solução e evoluí-la durante o teste ou no contrato de fornecimento. Então, isso eu achei, foi outro diferencial bem bacana que a gente experimentou ali durante o processo do CPSI.
E essa clareza de requisitos é um ganha-ganha, porque para quem está contratando, deixar isso claro e... e o fornecedor, o startup, entender claramente quais são os grandes objetivos, está todo mundo ganhando no final das contas. Então não fica aquela coisa de simplesmente ser um processo de marcar X em funcionalidade, às vezes nem atendendo tão bem ou não chegando a um resultado. A gente está olhando muito mais para atender a uma solução, atender a objetivos que se esperam. Horavilha. João, querendo voltar para você aqui, para você falar para a gente um pouquinho assim, a gente falou muito de CPSI até agora, do processo, do mecanismo, das etapas, das suas vantagens, dos casos da Petrobras, mas por trás disso tem o modelo de gestão. Então tem um funil de inovação que você estruturou, você e o Tim estruturaram aí na Petrobras, para fazer a gestão desse processo, a governança, para nascer os desafios. Então, olhando para esse modelo de gestão, como é que ele foi estruturado? De onde vêm os desafios? Qual o caminho para que um desafio interno da Petrobras vire um desafio de inovação? Como é que essa jornada toda, de uma forma resumida aqui para a gente, às vezes um gestor público está vendo aqui, querendo dizer, como é que eu organizo esse processo aqui dentro da... do meu setor aqui. Como é que vocês estruturaram isso aí na Petrobras, João?
Funciona assim. Algumas decisões são feitas aqui, e para os gestores que estiverem ouvindo a gente, tem que lembrar que a Petrobras é uma empresa muito grande. Às vezes, como uma prefeitura pequena, as decisões seriam outras, porque você tem menos gente e menos alcance interno. Como a Petrobras é uma empresa muito grande, a gente escolheu, por não abrir, por exemplo, uma captura de desafios para todo e qualquer funcional. A gente já teve processos similares no passado. O que acontece é que a gente tem um flood de ideias e de desafios. Isso é ótimo, porque o pessoal participa, mas isso acaba inviabilizando o processo, porque você recebe muita coisa e vira gargalo do processo. A gente estruturou nas áreas de negócio, nas áreas clientes, pontos focais, um esquema de pontos focais. Cada área tem um ponto focal específico e essa pessoa é educada sobre o que é o CPC, como funciona, para que serve. E essa pessoa é responsável por levantar desafios daquela área específica, daquela temática específica. A gente tem duas grandes gerências executivas que trabalham com tecnologia. Uma é o SEMPES, o Centro de Pesquisas, e o Centro de Pesquisas é dividido por portfólios. Então você tem vários portfólios que são temáticas diferentes. E aí cada portfólio tem um ponto focal. E na parte de... A outra gerencia que eu tive é a TIC, a TI da Peter Weiss. E a TI também tem áreas de clientes específicas. Então, por exemplo... RH, serviços compartilhados, contratação. Então cada área dessas tem um sistema de contratação de tecnologia e aí você tem um ponto focal específico que entende de CPSI e encaixa o melhor uso do CPSI naquele portfólio. Então funciona assim. Esses pontos focais, então, eles levantam desafios. e cadastram na plataforma. Esse pessoal é o que ajuda a espalhar e evangelizar o CPC pela companhia. Basicamente é isso. Depois disso, partindo que você tem um desafio, tem um cadastro, a gente usa a plataforma para poder amadurecer esse desafio. Então vários crivos são feitos, a gente tem um processo de várias fases, vou passar por todas aqui, mas basicamente o que a gente olha, a gente olha fit com o mercado, ou seja, existe solução no mercado que resolve esse desafio realmente? E aí, para isso, a gente usa ferramenta de scouting de mercado. Então, muitas vezes, a gente vai para o mercado, faz uma pesquisa prévia antes de passar o desafio dessa fase. Valoração, ou potencial de impacto. E assim, a gente fala, vários têm impacto financeiro, claro, mas não só impacto financeiro. Então, a gente está muito preocupado com segurança, com meio ambiente, com valor, cuidado com empregado. A gente tenta, cara, essa solução, resolver esse desafio, resolver esse problema, ele traz um valor para a companhia. Isso é muito importante também, tem que ter valor. Outra coisa que a gente quer um Crivo grande é time, né? Então, cara, vai ter um time para tocar isso, né? Porque, cara, eu vou ter um player do outro lado. Vou ter uma startup, vou ter uma empresa contratada para resolver esse problema. Mas e aí? Nosso time interno vai estar engajado com isso? Então, tem um time engajado, faz parte de um portfólio de projetos, tem um projeto, ele vai encaixar em algum lugar na estrutura, na governança de projetos. Esses são os crivos mais importantes, eu acho, antes da gente sair com o desafio. A gente também analisa, tipo, sinergia, sinergia entre desafios, sinergia com outros projetos da Petrobras, integração de demanda em geral, mas esses são os crivos mais importantes. Depois disso, ele passa por um estágio, Ele passa por um comitê. Então a gente criou um comitê. Informalmente ele se chama comitê CPSI. É um comitê de inovação. Cada um dos desafios recebe pitches. Então tem um pitch interno. Por que eu quero lançar esse desafio? Então a gente faz um pitch interno hoje. Esse processo foi evoluindo, no começo não tinha. Foi uma coisa que a gente ganhou aos poucos. O que acontece? Esse comitê julga tudo isso. Tem um resumo de tudo isso. Ele julga se tem valor realmente, se tem FIT, se tem portfólio, se tem dinheiro para pagar o CPSI, esse tipo de coisa. E ele também julga uma coisa muito importante, que é o FIT com instrumento. Por que isso é importante? Porque, em princípio, o CPSI é uma licitação mais fácil. Não é verdade para quem toca, mas o pessoal vê internamente e externamente. Não tem o que especificar uma expressão técnica de 20 páginas, tem que escrever um desafio. Parece que é mais fácil. Não é mais fácil, não demora menos. É muito importante que a gente lance no CPC coisas que façam sentido, via CPC. Eu não posso, por exemplo, sair para contratar uma coisa que a Petrobras já sabe que funciona. É um instrumento de teste de tecnologia. Eu tenho que testar coisas que a gente não sabe se funcionam. Tem que ter uma incerteza no projeto. Se você já sabe que aquilo funciona, se é uma contratando com o Riqueiro... Não posso contratar o Office ou o SAP para o CPC. Então, o grande papel desse comitê, além de julgar tudo isso e ter uma representatividade das áreas, é garantir que a gente está soltando os desafios corretos no mercado. Depois que ele passa por um estágio do comitê, ele passa por uma fase de preparação, e nessa preparação a gente prepara o desafio para ser lançado. Então, coisas de redação, faz texto, outras coisas que precisam ser feitas para a gente criar a licitação. E aí depois dessa fase de preparação, que a gente tem todo o conteúdo de fato preparado, a gente abre a licitação, então aí já é a área de suprimentos que toma conta. E suprimentos abrem a licitação, hoje em dia é feito via Petronect, que é o portal de compras da Petrobras. E aí a licitação segue o rito, o CPSC tem um mínimo de 30 dias de publicação, então ele fica 30 dias ou mais aberto para propostas. E aí o que acontece? Na licitação a gente tem critérios, como o Guan falou, esses critérios não são tão específicos quanto quando vai ter uma especificação técnica, mas tem critérios bem objetivos. Então a gente tá, composição de time, capacidade de entrega, fit da solução proposta com desafio. Então são coisas que são analisadas aí ao longo do processo seletivo pra determinar um ranking de soluções. Depois disso, isso cai numa fase de negociação. Onde a gente pode ajustar pequenas coisas na proposta, ajustar tempos, alguns valores, alguma coisa que fica um pouco fora do que a nossa área de contratação julga necessário. E aí a gente assina o contrato. Então assim, não é um processo ultra inovador, ultra diferente, certo? Mas é um processo que funciona muito bem.
E um processo que nasce onde tem que nascer, né, João? Nasce no desafio da área. Esse processo que vocês estabeleceram de definir pontos focais, que eles tragam os desafios que eles têm nas áreas. Eu imagino que para você, como inovação na Petrobras, uma empresa do tamanho da Petrobras, seja inviável conhecer os desafios de todas as áreas. Você precisa ter esses braços ali, os pontos focais nas áreas de negócio para... que eles poderiam trazer, e aí depois a forma como você estruturou dali para frente o meio de filtrar e chegar nos desafios que realmente precisam ser lançados e que estão aderentes com o instrumento que é o CPSI. E aí deixa eu te fazer uma pergunta aí para uma startup que está nos ouvindo nesse episódio aqui. Qualquer startup pode participar de desafios no programa, no Conexões para a Inovação, Tem algum requisito mínimo para isso? Ou seja, abri a startup ontem, eu já posso entrar? Eu preciso ter um produto maduro? Como é que funciona se eu for uma startup e quiser participar do programa com a Petrobras?
Então, em princípio, sim. A gente tem duas formas de engajamento prioritárias com startups. O Conexões para Inovação é o hub de inovação aberto da Petrobras. e ele tem uma série de módulos. A gente separou o programa em vários módulos. Cada módulo é um processo um pouco diferente, ele tem um alvo um pouco diferente. Para startups, a gente tem dois módulos. Tem um módulo chamado startups, então chama módulo startups, que é um módulo um pouco mais antigo, foi o primeiro do conexões desde 19. Ele é um programa de P&D com startups. Então é bem diferente, ele usa verba de obrigação, é uma parceria com o Sebrae, E aí, a ideia lá é a startup fazer a tecnologia junto com o computer base. Então, se você tem uma startup mais early stage, talvez seja um módulo que tenha mais fit. O CPC, o nosso nome para o CPC é aquisição de soluções. A gente tem um módulo chamado módulo de aquisição de soluções, e o instrumento desse módulo é o CPC. E aí, lá a gente está procurando soluções um pouco mais maduras, em geral. A habilitação é muito tranquila. Então, a gente não tem, como o Guga falou, nem posso participar da licitação porque meu capital social não é X% do valor. Então, tem isso. Tem um monte de regrinhas de habilitação para fornecedores que, no caso do Acrescento de Soluções, não existem. Então, basicamente, você tem que ter um CNPJ, você tem que estar ativo, você tem que estar sem dívida, tem esses requisitos mínimos. Mas, em princípio, qualquer startup pode participar. Mas o alvo do CPSI, a gente fala que é sempre TRL 5 a 7. Então você tem que ter alguma coisa já meio pronta para resolver aquele desafio. Por que isso? Porque em 12 meses não dá tempo de a gente tirar nada do zero. Mesmo que seja software, que é muito mais fácil de desenvolver, os desafios da Petrobras são bem específicos, bem complexos. Vou dar o exemplo da Agents, por exemplo. O desafio da Agents era agentes de AI para prospecção de citações da Petrobras pela internet, com foco em celebridades, políticos, etc. Era um desafio de relacionamento institucional. Pra você fazer uma coisa dessa do zero em 12 meses é muito difícil. Eles já tinham agentes, a especialidade das agentes era patentes, por incrível que pareça. Então eles tinham agentes de AI que monitoravam patentes pelo mundo. Então eles pegaram essa tecnologia e eles fizeram uma proposta e falaram assim, cara, eu consigo resolver esse desafio da Petrobras modificando o que eu já tenho. E eles conseguiram em 12 meses fazer esse port. desenvolver toda uma plataforma de agentes de AI do zero em 12 meses, naquela época, três anos atrás, não sei se seria viável, e provavelmente, se chegasse alguém só com PowerPoint, falando assim, eu tenho uma boa ideia, tenho o know-how para fazer, não conseguiria passar. Então, você tem que ter um certo grau de maturidade, e isso é levado em conta na seleção, para a aquisição de soluções.
Muito bom. Você usou um termo aí, TRL, que é o nível de maturidade, de tecnologia ali, você falou de acima de 5 né, ele vai de 1 a 9, acho que talvez você pudesse explicar um pouquinho mais o que significa esse 5 para quem não conheça bem o TRL.
Então, o TRL 5 basicamente é que você já tem alguma coisa rodando, não está em piloto ainda, não está em campo, então ele é antes do teste de bancada. Mas, basicamente, você já tem os componentes prontos, você já sabe o que é a solução e você já tem alguma coisa pronta para poder ser testada ou quase pronta para poder ser testada em laboratório. E aí você fala assim, pô, mas isso é muito early stage, né? Não tem nenhum produto ainda. Mas, na verdade, o que acontece? Em geral, quando as empresas se deparam com o desafio da Peter Brice, assim, vou dar um exemplo da Evo aqui. Aí eu voltava em TRL 9, certo? Eu já tinha um monte de cliente. Mas quando chega na Petrobras, você fala assim, cara, mas tem isso que a plataforma não faz, tem isso que a plataforma não faz. Tem várias coisas que, cara, a gente precisa dessas coisas todas e a gente não tem nem como testar, porque você nem tem ainda na plataforma. E aí, ao longo do CPC, a gente foi desenvolvendo algumas funcionalidades, vocês devem lembrar. Então é a mesma coisa. Então, em geral, a tecnologia da startup, quando ela está lá no TRL 7, TRL 8, ela já tem algum cliente, já fez piloto em campo, né? Quando chega na Petrobras, fala assim, cara, esse TRL cai, a maturidade cai, porque eu tenho uma série de outros requisitos que eu tenho que resolver, que não são resolvidos hoje pela tecnologia, porque não era uma demanda normal do mercado que aquela startup estava alcançando. Então, geralmente, tem um decréscimo de maturidade, de nível de maturidade. E é por isso que é importante você já ter alguma coisa antes de aplicar, porque realmente não dá tempo de fazer.
Cara, muito bom. Muito bom, João. E, bom, ótimo papo. Eu acho que a gente conseguiu aqui desmistificar muito sobre esse tema. Trouxe uma visão geral dos instrumentos, você trouxe o processo, quem pode participar, nível de maturidade da tecnologia. Mas aí, para a gente fechar, João, e aí para endereçar diretamente aqui para aquele gestor de inovação que está em uma empresa pública, se interessou pelo tema, quer fazer mais inovação com startups, quer usar o instrumento CPSE aí previsto no marco legal. Que dicas que você daria para esse sugestor, João?
Eu acho que a primeira dica é o seguinte, cara. A lei de 21 já está sendo usada por muita gente. Então, acho que está disponível para usar. Então, assim, cara, a primeira coisa é ter a vontade de usar. Não dá para ficar esperando, esperando, tipo assim, vamos esperar alguém fazer alguma coisa para sair usando a lei. A lei está aí, é para todo mundo usar. A gente tomou um approach aqui bem ousado, eu diria, que é sair com o edital e construir o processo ao longo da experimentação. Então a gente experimentou com a lei, com o mecanismo, enquanto a gente construiu os nossos processos internos para poder lançar o CPSI, lançar o desafio e contratar, a gente foi construindo os processos junto com a experimentação. Então, assim, isso ajudou muito, porque a gente não teve nenhum big design upfront, a gente não ficou dois anos desenhando um processo para depois testar e descobrir que ele não funcionava. Então, a gente tomou decisões muito mais assertivas. Gera um pouco de desconforto nas pessoas, certo? Nas áreas mais tradicionais da empresa, na área de contratação, jurídico, todo mundo fica meio tipo assim, pô, mas e aí, não tem padrão, não tem processo, né? E a gente estava sempre construindo o padrão, construindo o processo e fazendo uma caminhadinha. Então isso foi uma escolha estratégica de lançar. E aí a gente acabou colhendo frutos disso. Quando a gente lançou o edital, a gente quis fazer uma coisa abrangente para a companhia. Então a gente lançou 12 desafios. Hoje eu não lançaria 12 desafios. A gente lançou o edital de novo em outubro. A gente contratou o primeiro CPC em março. Se tivéssemos lançado dois ou três desafios juntos, talvez tivéssemos sido mais rápidos e teríamos enterado mais rápido. Então eu iria com menos sede ao pote. Começa pequeno, lança dois ou três, e depois você consegue ter um processo interativo onde você vai melhorando e vai lançando e vai escalando mais. A gente lançou 12, ficou meio engargalado, e depois disso a gente teve que dar vazão nesses 12 para poder depois começar a melhorar o processo. Então a gente deu uma atrasadinha ali nos primeiros CPSIs. Como eu falo, em tempos de inovação de petrobrás não é um problema, mas talvez não fosse a melhor prática, lançaria menos desafios no começo. E uma coisa que você citou, cara, a área cliente tem que estar muito junto. Quem estiver engajado, você tem que escolher muito bem o early adopter ali, tem que ser uma dor real, que o cara, se resolver aquela dor, ele tenha um ganho expressivo, tenha um impacto expressivo. Porque aí ele vai estar junto de você e vai ser muito mais fácil você testar, você aprovar, você contratar, tudo isso, porque vai ter uma pessoa engajada internamente do seu lado. Engajar o mercado, acho que o mercado tem o chamariz, ele tem o dinheiro, ele tem o contrato com a organização, então é um pouco mais fácil. Engajar internamente, se você começa com uma área desengajada, é muito ruim, porque aí vira tipo você cobrando, você fazendo tudo, então isso não é legal. E isso pra qualquer processo de inovação, não é só pra uso do CPSI.
Muito bom. Então, resumindo aqui, começa logo, você tem a ler aí, mas começa pequeno, não começa abraçando o mundo e envolve áreas que tragam já o engajamento, que queiram inovar juntos nesse primeiro momento. Acho que são três dicas de ouro para quem está começando agora. Luga, você do nosso lado aqui, com a sua experiência também no setor público, a Evo, obviamente, pode ajudar empresas e órgãos públicos que queiram estruturar um processo com tecnologia para fazer esse CPSI. Que dicas que você daria para esse gestor de inovação para a gente fechar aqui a conversa?
Boa, Luiz. Acho que vocês já deram ótimas dicas de como tirar do zero, como começar. O que eu acrescentaria aqui nessa receita é, talvez, o que para muitos é óbvio, mas que nem sempre para a pessoa que está olhando e começando esse novo processo de uma empresa pública está tão claro assim que é. Na licitação, a gente já falou que o foco é a solução. No CPSI, o foco é a dor. Então, se apaixone pela dor. não se apegue a qual problema ou a qual solução, melhor dizendo, você acha que é a melhor. Se preocupe mais em... Eu preciso entender bem a dor, como o João falou, pegar um problema real e como é que eu especifico isso bem, o problema em si, como é que eu apresento isso bem para que eu tenha maior diversidade e qualidade nas soluções que vão ser apresentadas depois. Porque a parte de escolher qual a melhor solução faz parte da jornada, os critérios vão estar ali para ajudar, mas se a dor estiver bem definida, acho que já é meio caminho andado. E acrescentando também a dica que você deu, Luiz, de poder contar com a Evo para apoiar nesse processo, acho que um outro ponto que é super relevante é busca de benchmarks. Acho que o próprio João aqui é uma referência no assunto. Tem outras empresas, como ele já citou a Selig e algumas outras que estão fazendo isso também. Eu acho que trocar essas figurinhas. entender o que deu certo, o que não deu, como o João já deu alguns exemplos aqui, no cenário específico, no setor público e empresas semelhantes à minha que estão tentando fazer. Acho que isso é fundamental também para garantir que a gente tira do zero, tira do papel, mas já sai ali com um pouco à frente. Já eu considero nessa experiência ali que tem sido muito positiva, inclusive como o João compartilhou.
Muito bom, Guga. Poxa, pessoal, acho que a gente conseguiu fazer um... Um episódio aqui com muita informação e densa sobre o CPSI, sobre esse instrumento tão interessante para fomentar a inovação na administração pública. João, eu quero te agradecer demais aí. Primeiro, te dar os parabéns pelo pioneirismo aí no processo. Cara, histórico realmente ser a primeira do Brasil, o primeiro CPSI do Brasil na Petrobras. O trabalho que vocês estão fazendo é fantástico aí, parabéns mesmo. E te agradecer demais por compartilhar o seu conhecimento nessa jornada aí de quase três anos de CPSI, muitos aprendizados, muita coisa sendo construída ali, muitos resultados interessantes. Então, realmente, parabéns. E, cara, bom, eu sei que você está com a vida super corrida, mas se alguém quiser conversar contigo, qual o melhor ponto de contato, ou melhor ainda, como é que faz para se conectar aí, para entender quais são os desafios da Petrobras que pode usar por CPC ou por módulo startups? Quais são os melhores caminhos para quem quiser conectar e fazer inovação aberta com a Petrobras?
Então vamos lá, deixa eu fazer o Java primeiro. O portal chama Conexões para Inovação, você pode procurar no Google, Petrobras Conexões para Inovação ou tecnologia.petrobras.com.br e aí você consegue chegar no portal. Lá tem todos os desafios que são publicados pela Petrobras, não só no módulo de aquisição de soluções, que é o que trata do CPC, mas em todos os outros módulos. A gente tem sete módulos hoje no Conexões. Então tem desafios para startups, tem desafios para empresas, tem desafios para universidades, ICTs, tem até para pessoas físicas, tem para tudo. Tem repositório de código aberto para quem é dev e gosta de desafios complexos de software. Tem uma miríade de oportunidades para todo mundo, conexões para inovação. Eu gostaria de me colocar à disposição. A gente tem feito muito benchmarking. A gente tem conversado bastante com outros estatais, com órgãos governamentais em geral, e a gente está sempre aberto. Acho que o jeito mais fácil de me encontrar no LinkedIn, linkedin.com barra em barra jcmc, tá? jcmc de João Carlos Matosaka Costa. Então vocês podem me encontrar no linkedin. Quem é cliente da Evo pode pedir meu contato por Luiz. Fica um pouquinho mais fácil. Mas assim, eu respondo bem o linkedin, tá gente? E assim, meu e-mail na Petrobras também é jcmc arroba petrobras.com.br. Então, mesma coisa, vocês podem me mandar um e-mail ou me mandar um linkedin e a gente pode conversar.
Bacana, João, obrigado novamente. Guga, e você também, estreando aqui no podcast, acho que vai ter, vão vir muitos aí. Ótimas contribuições, obrigado mesmo. E, cara, para fechar aqui, sou do setor público, quero conversar com você sobre soluções e inovação, como é que faz para te contatar, Guga?
Boa, Luiz. Podem me encontrar no LinkedIn, Gustavo do Amaral Arruda, vocês encontram facilmente ali, associado à conta da Evo. Ou, se preferirem, meu e-mail também está à disposição, gustavo.arruda.evo.com.br. Contem comigo aí no que eu puder ajudá-los.
Boa, Guga. Bom, e quem quiser falar comigo, eu também estou no LinkedIn, é só me procurar lá como Luiz Felipe Carvalho, Luiz com S. Ou no e-mail também direto, luiz.evo.com.br, vai ser um prazer conversar sobre esse e outros assuntos de inovação. Bom, e para você que está nos assistindo até o final, muito obrigado. Se você curtiu, compartilha, especialmente com aquele seu amigo ali que está na administração pública, querendo inovar mais, querendo inovar melhor, querendo trazer mais eficiência. Acho que esse episódio vai... Acho não, tenho certeza que esse episódio vai gerar muito valor para quem está no setor. Um grande abraço e até o próximo episódio do Aivoboost.
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