Marketplace, IA e cultura digital: os bastidores da transformação do Magalu com André Fatala
25 Nov 2025 · 69 min
Entrevista em português com André Fatala (VP de Plataformas Digitais, Magazine Luiza) sobre a transformação do Magalu de varejo 1P para plataforma de marketplace e ecossistema digital. Cobre história da multicanalidade e unificação de estoque, decisões arquiteturais (estoque agnóstico ao canal), lançamento e evolução do marketplace (início em 2018 com ~50 sellers), modelos logísticos (seller-fulfilled, Magalu fulfillment, partner shipping, same‑day via provedores parceiros), Magalu Pay e gestão de recebíveis/comissões, uso intensivo de dados para alocação de estoque e mídia, criação e integração do Luisa Labs, estratégia de IA (manifesto, LLM-as-a-service, governança, projeto “Cérebro da Luna”) e construção da Magalu Cloud (laboratório iniciado 2020, anúncio em 12/2023, produtos públicos 12/2024, >1.000 clientes pagantes). Também aborda papel e rotina de Fatala (assumiu VP em mar/2025), cultura de inovação e iniciativas pessoais (Stanford exec course; doutor honoris causa pelo C.E.S.A.R.; projeto de escola profissionalizante).
Questions this episode answers
Cerca de 50 sellers (lançamento em 2018).
2010 (citou que estava no Magalu há ~15 anos durante a entrevista).
Dezembro de 2024 (produtos públicos).
>1.000 clientes pagantes (rampando após abertura pública).
Março de 2025.
Chapters
Eu sou o Paulo Silveira e esse é o Like A Boss. André Fatala, vice-presidente de plataformas digitais do Magalu. André, seja bem-vindo.
Obrigado pelo prazer de estar aqui e poder compartilhar mais uma vez um pouco da minha carreira, das coisas que a gente está fazendo, também de Magalu, vai ser um prazer.
Eu vou te chamar de Fatala porque é como a gente está acostumado de te chamar. E é interessante ter você aqui no Like A Boss, porque eu também tenho esse background em tecnologia e eu já desconectei bastante disso. Você vive os dois mundos de tecnologia e negócio, e agora aqui no podcast a gente tem trazido C-Level, VP de grandes empresas, corporações e até startups para entender a cabeça, porque as pessoas querem saber como é esse trabalho, como foi chegar lá, o que é feito no dia a dia. E pra gente começar essa conversa, eu acho que a gente às vezes tem a impressão que no Magalhão a gente sabe, né? Então eu vou lá no site comprar alguma coisa lá, né? No e-commerce, no site onde você compra coisas. E você que trabalha há bastante tempo no Magazine Luiza, você participou de todo esse mecanismo de marketplace. E marketplace acabou sendo um conceito que não fica sendo só no físico, né? Pra comprar... Comprei recentemente uma bateria dessa de carregar o celular no Magalu, né? E hoje em dia, Marketplace é um conceito que vai muito além, porque as startups, as corporações... A gente teve outras empresas aqui que... que estão vendendo cerveja, mas também tem um pequeno marketplace dentro, mesmo para produtos concorrentes. Então, eu queria que você colocasse o modelo de negócio de um marketplace. O que é feito? O que é intermediado? O que não é intermediado? Que pontas estão aí envolvidas?
Legal! Bom, acho que vale colocar o contexto da... do como o Magalu foi se transformando para chegar à parte de ser uma plataforma de marketplace. Certo. O Magalu tem 67 anos, uma empresa que começou no varejo tradicional, loja física e crescendo a rede. Por volta de 2000, lançou o e-commerce. Até aí, sempre trabalhando com o que a gente chama dos produtos 1P, que é First Party, ou seja, que o Magalu compra do fornecedor, estoca, distribui e entrega para os clientes.
Um P, então, seria um de distância do Magalu, só um passo.
É, só um passo, porque o próprio Magalu vai lá e compra do fornecedor e faz também toda a parte da gestão da cadeia inteira, da compra à distribuição à entrega para o cliente.
O que seria um modelo tradicional?
Um modelo tradicional, que muitos varejistas nasceram assim. Depois começa o e-commerce, o e-commerce numa linha de sempre, desde o início, entregar um e-commerce que fosse multicanal, já que o Magalu tinha as lojas, já tinha toda a parte de infraestrutura de CDs para atender essas lojas. Como eu faço para integrar os dois mundos? Como eu faço com que a parte do online tire benefício dessa presença física? Então, o e-commerce do Magalu, o Fred até conta muito essa história, que é o nosso CEO, que quando ele foi para o Magalu para construir o negócio do e-commerce, a força que tinha ali dos investidores da época, mesmo sendo capital fechada, era de separar esse negócio. Uma coisa é você ser o varista físico, a outra é você ter o e-commerce, a parte do online. Mas ele tinha essa visão que a combinação dos dois era que poderia trazer tanto para o cliente uma maior conveniência, né? Posso ir até uma loja e retirar o produto, eu também posso usar o próprio estoque da loja e enviar direto, faturar daquela loja e enviar direto para o consumidor que está próxima dela, né? Então... tentou nascer já com esse diferencial desde o início, não era muito fashion na época falar que você seria multicanal ou virou depois a grande moda do omnicanal, né?
É curioso porque nessa época do comecinho do e-commerce, você também ter a loja física soava para as pessoas uma desvantagem, né? Sendo que parece que vocês já estavam enxergando que, pera lá, deve ter alguma vantagem competitiva de estar assim, vamos aprender e vocês foram aprendendo. Aposto que isso foi mudando como que a gente tira proveito do e-commerce e tirar da lojinha.
E tinha uma parte não trivial que é como você faz na parte da tecnologia que realmente a possibilidade dessa integração toda aconteça. Porque quando você olha, o Magalu começou com a parte de loja. Então, todos os sistemas, tudo que foi construído naquela época era direcionado a esse canal.
Ponto de venda.
Ponto de venda. Aí vem o e-commerce. Quando ele nasceu, mesmo tentando aproveitar muito desses assets que já existiam, teve uma parte de um monte de customizações específicas para o e-com. Quando eu cheguei em 2010, eu tenho 15 anos, acho que uma das grandes missões iniciais minha olhar é, ok, como que a gente monta uma arquitetura que permita com que essa integração aconteça de verdade. Então eu lembro até hoje, depois de... Já contei essa história de como nasceu o Luisa Labs, a parte de pesquisa e desenvolvimento e tudo mais, mas quando o Lab começa a ir mais para o core do Magalu, de resolver os problemas do core do negócio, Um dos primeiros que a gente encarou foi esse, de como eu vou desbloquear, via arquitetura dos nossos sistemas, a possibilidade de ter essa multicanalidade. E a primeira coisa, que foi a mais simples, mas acho que é o coração disso, foi o sistema todo nosso, que controla a parte do estoque e tem que ser agnóstico ao canal. É como se o estoque não, ele não é mais direcionado pelo canal, mas sim pela visão do cliente. Que a gente quer entregar a experiência pro cliente. Então, aí foi que possibilitou essa parte de eu consigo ler o estoque real time da loja e faturar um pedido de lá e enviar pra casa do cliente.
Como se subisse uma cama, você tem que mudar a visão de como você enxerga seu próprio inventário.
É, e fazer com que, a partir dali, a vontade do cliente se prevaleça do que, vamos dizer assim, a parte de cada um dos canais, né? E fazer essa integração maior, fazer com que todos os CDs possam operar atendendo os dois canais, né? Então, foi um trabalho que foi habilitando essa parte dessa experiência mais multicanal.
Porque não é só sistema, é cultural.
É cultural também, é um ponto do... Há uma ingenuidade de dizer que quem tá lá na loja não enxergava na época o e-commerce como um concorrente.
Do emprego, né?
Poxa, tá tirando a minha venda, né? E isso teve uma parte de uma transformação mais cultural dentro do Magalu pra esse lado de, não, a gente vai ser realmente uma empresa multicanal e não é simplesmente porque a gente quer empurrar isso, é porque o consumidor quer isso, né? Teve muito dessa conversa dentro da da companhia, a gente tá enxergando que o consumidor, ele tá migrando para o ambiente online. Não posso simplesmente ignorar e falar, não, você só vai comprar aqui na loja física, né? Então... E também teve o outro ponto de demonstrar o que traria de benefício essa integração. Então, um desses benefícios era, poxa, a parte da retirada de loja vai enviar mais clientes, levar tráfego para a loja. E a possibilidade também de clientes que nunca tinham comprado na loja física poderem ir até uma loja e converter lá. E também a possibilidade, que eu não comentei, mas que a gente habilitou também, de todos os vendedores do Magalu poderem vender o estoque do e-commerce. Então, uma loja, dependendo do tamanho dela, ela tem por volta de... 1.500, 3.000 escalos máximo, né? E você tem o conceito da vitrina infinita de poder acessar todo o catálogo do e-commerce. Então, na mão do vendedor, também abre esse leque de oportunidades de uma conversão e aí ele faz a venda dele ali na loja e já consegue colocar um outro produto de cross-sell do e-commerce, por exemplo. Então, essas coisas foram todas se conectando mostrando essa parte do benefício que teria também dentro da loja física. Era muito claro o que se enxergava do e-commerce, por ter a presença física, até a nível de atendimento para o consumidor. Então isso foi uma fase de 2013 a 2017, que a gente foi ficando bem maduro nessa experiência multicanal. E aí 2017 começa a discussão do Marketplace. E ela foi interessante, porque muita gente imagina que ela veio só do... Poxa, tá todo mundo fazendo Marketplace, a gente deveria fazer Marketplace também. Mas foi uma conversa que a gente teve sobre... A hora que você olha, de novo, falando sobre o asset, o tamanho da infraestrutura, né? Já tinha perto de 15 CDs, mais ou menos, chegando próximo de mil lojas, né? E eu lembro da conversa que eu tive com o Fred, assim, da gente conversar e ele falou, poxa, tudo isso pra um CNPJ só? usar só o CNPJ do próprio Magazine News, usando toda essa infraestrutura.
Com certeza, tem ociosidade em algum canto e um mau aproveitamento em outro.
Então, por que não fazer com que outros CNPJs de outros varejistas do país possam utilizar também dessa infraestrutura toda, desse time tecnologia que está desenvolvendo um monte de solução, e a partir daí ser uma plataforma mesmo.
É, porque parece que se vocês tivessem apenas um CD e vendessem apenas uma linha de produto, entrar no Marketplace sem ter a super distribuição, sem ser super amplo, parece realmente entrar só porque os outros estão entrando. Não, já havia uma estrutura que indicava um espaço.
Um espaço. E a partir dali que a gente começou a fazer o trabalho de desenvolver, Essa plataforma de marketplace, que no final é um conceito teórico de plataforma, você tem consumidores e produtores, o seu trabalho como plataforma é permitir com quem eles se encontrem, gerem um match e os dois sejam recompensados. Então, o consumidor conseguir achar aquela oferta que ele realmente quer, no prazo que ele precisa, o valor que ele precisa, o que a gente chama de seller, que é o varejista, ele acaba tendo a transação dele acontecendo, ele é recompensado financeiramente em cima disso, e aí a partir dali, de você ficar fazendo muito disso acontecer, gerar um efeito de rede, e aí começar a crescer muito dos dois lados. Cada vez ter mais tráfego, porque você tem mais ofertas, que geram mais transações, e assim o negócio vai crescendo. E disso, a gente... Pegou a fase de... Lançou o marketplace, ele novinho ali, 18.
Com poucas... Com poucos sellers, com... Bom.
Ao começo a gente tinha... Quando a gente lançou tinha uns 50 sellers.
Bem escolhidos e de temáticas específicas.
É, e pra... É, assim, como... Você já passou muito tempo em Vinteq, eu também assim, precisamos, a gente não tá há 15 anos fazendo isso, há 10 anos fazendo isso. A gente precisa ir aprendendo e evoluindo.
Pra não escorregar.
Pra não escorregar, que até a Magalu tinha uma grande escala. Então a gente começou dessa maneira, aí fizemos uma parte de uma evolução, principalmente do que a gente chama de portal do seller, o console, onde ele opera toda a parte da loja dele dentro da plataforma de marketplace. A gente foi evoluindo. Fazendo integrações, o Brasil é um modelo bem diferente porque ele tem um monte de integrador que agrega esses sellers e daí ele faz a integração com a plataforma e aí você tem um upload em massa de sellers e do catálogo dele para poder ser vendido com as ofertas. A gente foi fazendo isso e aí pegou a parte da pandemia, crescimento absurdo assim dentro da plataforma, mas encurtando muito a parte da história dessa fase, o Marketplace do Magalu ficou maior do que lojas físicas em cinco anos, em GMV, né, que é o volume transacionado dentro do canal.
E pra eu entender um pouquinho mais, porque Marketplace de objetos físicos, ainda mais quando você tem essa rede de CD e até de entrega e de faturamento, Qual que é o modelo? Quem é? Onde que tá o objeto? A bateria que eu comprei de celular tava num CD do Magalu? Ou na verdade tava na casa do seller, ele mandou pro CD do Magalu? Ou ele mandou direto pra mim da loja dele? Quem faturou? Como que fez esse split de dinheiro? Ou não fez? Eu paguei para ele, ele vai pagar para você, eu paguei para você, ele vai pagar para ele... Eu estou fazendo perguntas que eu imagino que haja várias respostas e em um marketplace do seu tamanho, você deve ter várias dessas opções. Só para poder encaixar melhor os grandes modelos na cabeça.
Legal. Bom, com o tempo foi crescendo a ponto de a gente ir construindo todos esses tipos de serviços, né? Tipo os serviços financeiros, da gente hoje ter o Magalu Pay, que é uma... é uma financeira como uma instituição de pagamento, onde dentro dela a gente gerencia toda essa frente dos pagamentos que acontecem, gerencia a agenda de recebíveis do seller, então ele vende algum produto, cai numa carteira que é essa agenda e a gente faz o repasse depois pra ele da parte que é da comissão dele. Então, todo modelo de plataforma de marketplace, a venda que acontece de um produto, a plataforma fica com uma comissão e repassa o resto do valor pro por o que a gente chama de seller, preço varejista. Então, essa solução a gente acabou desenvolvendo com o tempo. A mesma coisa aconteceu para a parte logística. Na logística, a gente começou primeiro falando, bom, pelo volume do próprio Magalu, o que eu tenho de contratos com transportadores já é muito mais... Algo que para o seller, ele não vai conseguir ter de vantagem, de preço, nos custos que existem, porque ele não tem esse volume. Então, quando a gente começou o Magalu Entregas, eu conseguia colocar esse seller dentro de um contrato de guarda-chuva, que ele conseguia, a partir dali, oferecer um frete muito mais barato. Certo. Começou assim, mas depois foi evoluindo. Como você falou, quais são os modelos que existem? Hoje a gente tem o Fulfillment, que o seller pode mandar o produto dele para os CD's do Magalu.
E deixar lá. Só que aí eles não podem ficar muito velhos e ocupar muito espaço por muito tempo?
Aí entra o ponto do que você como plataforma tem que fazer, que é na camada de inteligência, de conseguir dizer para ele o que deve chegar, porque você está fazendo análise de demanda e a partir dali, se você enviar o item certo para o CD correto, a demanda vem e consegue fazer com que o giro seja muito curto.
É uma ciência de foguete.
É, é um pouco mais simples que enviar foguete, mas assim, tem um trabalho ali de você conseguir identificar a parte de precisidade de demanda, saber pra onde distribuir exatamente os itens, mas eu acho que nessa parte que entrou o conhecimento profundo que o Magalu tinha de fazer isso pra 1P, né, pros produtos que a gente comprava, porque hoje tem que distribuir pra mais de 20 CDs e tem 1300 lojas. E você tem que acabar tendo uma parte de diferença muito grande em cima disso, porque se gera uma ruptura, aí demanda existe e você não tem aquele item lá, você perdeu a venda, certo? E tem o contrário, se você erra também o que tinha que ser enviado, ele fica empacado e aí você vai pagar por... está segurando esse estoque e ele não girando. Então, é um pouco de uma transferência desse conhecimento de fazer tão bem para o sétimo. De poder falar, olha, esse tipo de item, se você enviar, a gente já identifica que tem a demanda e ele vai girar rápido. Então, você tem que fazer isso para funcionar bem.
E isso, com o tempo, vai afinando.
É, vai afinando. É um ponto de que você vai aprender. Acho que a parte dos negócios de plataforma, O que faz esse negócio funcionar bem também é a quantidade que você consegue coletar de dados. Você ter muitos pontos de dados de coleta, trazer tudo isso e, a partir disso, usar esses dados para conseguir direcionar bem, dando informação e inteligência para o seller. Também sabendo como você vai utilizar aquilo para fazer investimento depois em mídia, para trazer tráfego para aqueles tipos de oferta que você tem. Então, é muito importante essa gestão da parte dos dados. A gente pode falar com mais detalhes sobre isso, mas voltando para a parte da logística, não tem o fulfillment. tem a parte do que a gente faz, coleta dentro do seller. Então, se ele tem um volume que é considerável, a gente vai coletar nele, traz para dentro da malha logística do Magalu e depois faz o transporte à entrega.
Seja direto para o CD ou seja direto em um Pit Stop ali?
Isso. Pode ser, tipo, pega e leva para um hub específico, ou pega e leva para o CD, onde vai agregar em mais, ter mais volume de outras cargas para ir para o destino final. Então, a gente faz isso também, né? E também tem o modelo que a gente chama de envio parceiro, onde ele já tem uma transportadora, já tem alguém que faz essa parte da entrega e aí é feito por ele. Aí você pode perguntar, mas... Porque vocês construíram a do próprio Magalu, né? Entra de já usar algo que existia, por causa do UMP, mas também você tendo isso em escala, você começa a ofertar prazos muito melhores, né? E uma diluição bem alta, assim, do custo de frete. Então... E isso é importante, você tendo escala, você consegue colocar cada vez mais pedidos, diluindo bastante desse custo, e aumenta muito a conversão quando você consegue fazer um equilíbrio entre frete baixo e prazo rápido. É ali onde a conversão cresce muito.
Você pesca o cliente pelo... Putz, já está caro, eu posso esperar sete dias e pagar barato ou não, eu quero gastar mais dinheiro e tal. Então, tem muitos mecanismos, muitos detalhes sensíveis na conversão que o frete tem uma pressão muito grande. Não só o preço do frete, o tempo do frete.
É, acho que tem uma frase do Jeff Bezos que é legal, eu quero... o CEO da Amazon, que todo mundo ficava perguntando pra ele, o que vai mudar no e-commerce? O que você vê no e-commerce daqui a 10 anos? Aí ele virou e respondeu assim, não, eu vou falar o que não vai mudar. O cliente quer preço baixo, frete barato e prazo de entrega extremamente rápido. Acho que isso é um ponto do nível de serviço que a barra vai aumentando cada vez mais.
E eu acho essa discussão muito interessante porque ela também reflete, não só quem é marketplace, são mesmo corporações, empresas digitais, esse dilema do build-by, do bundling-unbundling, né? Ah, então eu sou responsável pela malha inteira ou não? É a Luiza que entrega ou não? É o motoboy da pessoa ou a pessoa busca no correio ou não? É claro que para empresas menores, não necessariamente de varejo, Não dá para chegar nessa quantidade de opções que vocês chegaram, de ter o carro, ter o CD, etc... Mas dá para pensar que tem muitos pontos de ataque. Eu acho que hoje, eu fico pensando... A gente tem um Like a Boss há quase 10 anos, o podcast, e que a gente passou aquela geração de startups que resolviam apps, que resolviam um único problema, um único ponto de dor de um cliente e o resto tudo. Ah, aí ambas as partes se viram, ou o cliente se vira. Não. Hoje, não só o cliente quer a experiência completa, mas não só por ele querer. Sem isso, se você não tiver, ou pelo menos boa parte da jornada, fica difícil competir e entender mercado, né?
É, e é um ponto, assim, essas construções, vamos dizer assim, de... Como se fossem ecossistemas, né? Isso, isso.
Você tem a necessidade de ecossistema.
É, você tem a necessidade de ecossistema, então... E isso se aplica até saindo da parte do varejo, quando a gente fala sobre ecossistemas de tipo Apple, onde todos os dispositivos se conectam da maneira mais... nativa possível e tudo funciona com a melhor experiência possível, né? Acho que entra um pouco disso também, de quando tudo tá muito bem conectado, a experiência é a melhor possível. Então, essa é uma preocupação nossa, assim, de tentar remover fricção de todo esse processo. Então, quando você começa a desenvolver esses tipos de soluções, você está meio que verticalizando tudo, fica tudo bem integrado. Acho que esse é o ponto do que você fazer todas as soluções e não usar só um monte de parceiro para um monte de coisa, te permite fazer. De ser muito mais conectado. Ah, você compra e tá numa galinha de entregas, e o tracking é o mais preciso possível, porque a gente sabe que a pessoa fez o picking, empacotou, saiu do CD, entrou no caminho, aí você consegue demonstrar, inclusive, todos esses processos. Você tá num terceiro, você já tá dependendo do qual é a quantidade Saiu, tá em algum lugar, tipo, a API não te diz todos os status do que tá passando, então... E isso entra um pouco nesse impacto da experiência, no nosso caso, pro consumidor, de... do próprio seller em usar, fazer a gestão inteira dentro do portal, ou fazer via o integrador, então... E tem esse ponto que você falou, tem um pouco de balanço. Também não dá pra gente cuidar de tudo.
Construir tudo e ter tudo.
E construir tudo e ter tudo. Então, em vários pontos você tem que identificar aonde faz sentido, na verdade, operar meio como plataforma pura e construir em rede, que é se conecta todo mundo aqui e a partir disso a gente vai entregar essa experiência em conjunto. Um exemplo. disso que é muito claro, a gente tá começando a trabalhar bastante em entrega no mesmo dia. E pra fazer isso, imagina... Pra deixar nossa ansiedade bem... Mas imagine você fazer isso e construir toda a parte da logística de malha pra entregar no mesmo dia e funcionar muito bem. É um mega investimento que precisa ser feito. E, nesse lado, a gente escolheu fazer num modelo meio plataforma pura. Na verdade, eu vou conectar uma base de entregadores que conseguem fazer essa entrega naquele determinado raio no mesmo dia diretamente com os sellers. Então, ele consegue escolher esses fornecedores que conseguem fazer essa entrega numa carteira que são os que estão plugados com a gente. E aí, para o consumidor, a gente mostra. A gente fala, esse produto aqui você recebe uma hora na sua casa. E esse seller já tem uma carteira de fornecedores, que são provedores para a plataforma, que conseguem fazer essa entrega. Então ele escolhe de algum, habilita, fechou, já cospe uma etiqueta nele, já vem o cara, coleta e leva para a casa do cliente. Ao invés da gente construir toda essa malha dos motoristas que vão trabalhar com as motos e todo mundo ser magalu, plugado é um monte de empresa mega pulverizada que estão todas conectadas.
Como que fica essa jornada toda do digital, da inovação? Porque a gente passou e você entrou lá, né? Nesse ano 2010, era o negócio, era o papo, que na verdade até hoje, né? De transformação digital e de ágil. Então essa conversa era alta. E se você for ver, hoje também é. Talvez a conotação tenha mudado, certo? Eu, inclusive, acredito, não só eu, uma visão de muita gente, que a transformação... Primeiro que esse nome digital tem que perder, né? É transformação. Segundo, que não é que teve aquele período de transformação digital, é que agora os períodos de transformações, os ciclos são mais curtos. Então você, infelizmente, você está se transformando o tempo inteiro. Caso contrário, a competitividade cai. É um fato, gostemos ou não, que pessoalmente eu acho que isso traz uns desafios para o mundo corporativo e pessoal enormes. Tem uma parte divertida? Claro que tem. Mas é uma sacudida o tempo todo. Pô, mais uma sacudida, né? Agora vem dados, agora vem IA, agora vem Cloud, agora vem alguma coisa. Então, como que vocês se posicionam nesse mecanismo de inovação, tanto pra dentro quanto pra fora? Porque, recentemente, vocês fizeram mais um movimento, talvez muito mais ousado, que é ter o próprio cloud, provedor de cloud. E teve uma sacada que, agora eu fazendo a conexão do que você trouxe, tem... Poxa, a gente não vai fazer um crowd só para fazer. É porque os sellers estão com essa necessidade. Ou porque quem já está aqui próximo da gente, a gente já tem o que precisa, né? Ou a gente já via essa necessidade e já tem os CDs, né? Como foi o caso de quando vocês foram fazer o Marketplace, alguma coisa vocês costuraram e falaram... Poxa, mas a gente já tem gente pedindo. Vamos fazer. É óbvio que construir um marketplace é muito difícil, construir um cloud é muito, muito, muito difícil. Pelo menos é a minha visão. Talvez os dois sejam um tão difíceis.
Um quanto os outros.
Então, como que é esse processo dos próximos passos, já misturando tudo isso com o IA, né? Porque tem, ah, vou criar o próprio cloud e oferecer como serviço, E, em teoria, vislumbrando, e é óbvio que algo vai acontecer, as compras vão ser feitas por chatbot, ou vão ser feitas por áudio, ou vão ser feitas pela geladeira, que vai perceber, assim como você hoje percebe e puxa a demanda do seller, do que tem que ter, tem que ter bateria aqui da Anker ou não? Quantas? Talvez tenha que já mandar, olha, paga tanto de subscription e a minha inteligência vai te mandar o que você precisa, portanto... Viajando aqui completamente, né? Óbvio que eu acho que não vai ser algo assim, mas algo aí no meio... Vai acabar sendo, porque a gente está em uma transformação constante. Como que é o pensamento, como que é a ação, como que se prepara? Tem um comitê, tem time, todo mundo olha... Vocês têm o Caio lá agora, mas talvez seja mais como executivo, porque isso hoje permeia, né? Não só o Cloud, não só o Marketplace, não só a IA, permeia todo o time, inclusive o pessoal do RH. Como fica essa dor da... Eu tô chamando de inovação, transformação, eu acho que esses nomes também não dizem tanto.
Legal, bom... A reflexão maior que eu tenho sobre isso, até pela... A empresa tá aqui com 67 anos e super relevante, é que... E eu, ao chegar lá, entendi muito disso, até no próprio processo pra entrar no Magalu, que era essa parte de inovação, ou de se arriscar mais e tentar coisas diferentes, sempre esteve na cultura da empresa, sabe? Isso vem de Luiz Helena, em 92, falando, poxa, é caro abrir loja, né? Por que a gente não faz uma loja virtual, que as pessoas vão assistir numa fita a descrição dos produtos, que aparece num vídeo, daí ela fala, eu quero esse, eu quero esse aqui, e aí é assistido, porque tem um vendedor, ele tira o pedido e depois fala, ó, depois vai estar lá na sua casa.
É, desculpa, não tem como falar que o mecanismo visionário de inovação vem da raiz, né?
É cultural. Isso, acho que esse ponto é muito forte da cultura do Magalu. Tá lá, assim, né? Então eu lembro, ao montar o Luisa Labs, que era uma área de pesquisa e desenvolvimento, também veio muito em cima disso, de como a gente pode expandir muito dessa pesquisa em novas tecnologias, sempre direcionado em como ela vai impactar o nosso negócio e esses testes acontecerem em produção. Também não pode ser só um monte de prova de conceito piloto, que a gente não... Tem que ser em produção, né?
Se não ele fica perdido lá.
Fica perdido. Então, é que foi o que a gente fez dentro do lab e é muito interessante na nossa história que ao invés de ficar isolado, com uma área de inovação, esse negócio foi indo para o trabalhar no core do Magalu, porque vários modelos que a gente vê de outras corporações, seria uma área que constrói essas provas de conceito, esses pilotos, você pega o que deu certo e passa para um time que vai agora colocar em produção e fazer com que ele seja sustentado e tudo mais. Ainda existe muito desse modelo, mas na nossa cabeça começou a ir para o lado de tipo, não, tudo da tecnologia deveria ser assim. Que esses times tenham esse nível de entender problemas, trazer ali para a realidade do time de construir soluções, ver o que realmente funciona e escalar. Escalar, sempre buscar escalar. Então foi um pouco do que a gente... Acho que o ambiente já era propício, e aí a partir dali a gente conseguiu implementar algo que foi muito direcionado mais ao digital de início, mais o mundo online, né? E ajudou a fazer com que ele tivesse esse... Esse grande crescimento. E aí eu acho que um negócio legal que você... mencionou e faz parte da minha vida assim, é... cada vez eu tenho mais dificuldade pra dormir, meu smartwatch que eu digo, o score sempre... porque, cara, é o que você falou, o ciclo tá diminuindo cada vez mais, né? E... eu, faz parte da minha pessoa de tentar entender as coisas, de tipo, eu tenho um processo mas é um pouco científico em cima de aprender as coisas, de tentar saber porque aquilo funciona daquele jeito, e como isso poderia ser então...
É o espírito nerd.
É, espírito nerd, é isso aí. E isso, de alguma maneira, impacta bastante de você estar extremamente ligado a todo momento e refletindo mas também aquele viés depois de, cara, eu preciso executar, porque eu não sou o cara que está sendo pago só para ficar pensando no que vai acontecer no futuro, né? A minha responsabilidade é de executar. Então, gera um ponto grande de ansiedade também, de você colocar coisas em prática, mas esse modelo, acho que a gente construiu da parte do Lab, dele ter ido para o Core, ajuda muito, porque é quando você está analisando essas coisas, você está discutindo com o seu time, falando sobre e falando, ok, como que a gente pega alguma partezinha desse nosso negócio para tentar implementar e ver o impacto que vai gerar, o resultado que pode trazer. Isso acontece bastante, muita coisa. AI, quando eu tive uma eureca, eu fui para um evento em 23, na Califórnia, lembro que eu liguei de lá pro Fred todo entusiasmo, falei assim, cara agora é pra valer, tipo esse negócio vai mudar tudo. Sabe? E foi... Eu via as pessoas falando, as possibilidades, aí eu falei, acho que agora... Agora vai, né? Agora vai, né? Tempo que eu liguei pra lá, o Fred falou, cara, você tá empolgado mesmo, hein? Acho que... Aí foi legal, quando eu voltei, a gente conversou um pouco, depois ele foi também num evento e falou, caramba, é isso mesmo.
Então, quando que você foi?
23, a primeira vez, assim. 21 deu aquele... É, né? Tipo, opa, tem alguma coisa aqui, mas 23 Eureka pra mim foi porque eu vi e falei, nossa, tipo, a possibilidade de implementar isso com a parte do que a gente tem de domínio de dados, começa a levar para um outro patamar, o que é possível ser feito. Porque quando você vê só o chegar para o usuário final, é aquele esquema de tipo, beleza, escrevo prompt, gero texto, imagem, ok. Agora, quando você vê tudo aquilo podendo ser conectado no seu domínio das informações, e você consegue enxergar processos que você tem interno mudando, teu canal de venda sendo impactado e tudo mais, pode ser muito poderoso. Então, dali foi quando a gente, por exemplo, tomou a decisão de falar, vamos direcionar a companhia para realmente abraçar essa parte da inteligência artificial. E sempre com uma cabeça que, poxa, no começo ainda tem muito aprendizado, não dá pra você sair cravando nada, né. E tem uma outra parte cultural do Magalu que eu acho muito legal, Luiz Helena defende muito disso, que é tudo acontece na ponta. Tudo acontece onde realmente as pessoas estão lá na loja atendendo o cliente, lá no atendimento. O cara que tá lá trabalhando pra abastecer a loja é lá que tá meio a verdade, sabe? Então, a nossa cabeça foi, poxa, se a gente for trabalhar com essa parte de, ah, não pode ser algo que vai estar fechado dentro da área de tecnologia. tem que ser democratizado. Como que a empresa pode ser capacitada pra usar essa ferramenta como uma ferramenta mesmo pra desenvolver soluções. Então nasceu lá um manifesto de AI, o Fred escreveu, a gente tá aberto. Acho que não tá público o manifesto, acho que saiu algumas coisas de alguns bullets que a gente tinha. Mas foi feito isso e foi colocado pra organização como um todo, né, tentando demonstrar o que a gente enxerga do impacto de AI e como a gente pode atuar. Legal, já dá pelo menos aquela engajada em todo mundo, mas depois veio o como, né, também, que é o mais importante. Então, o como foi muito direcionado em capacitação, A galera enfiava a mão na massa mesmo, tipo... Então, gente do time do CSC, Centro de Serviços Compartilhados, pegando e desenvolvendo solução. Eles, porque é ele que tem a dor lá de ficar o dia todo nos processos que toda empresa tem, né? Alguns processos que são ou mais manuais ou eles são robotizados em determinada parte, mas depois tem um trabalho de check e a galera começando a usar soluções pra meio que automatizar de verdade tudo isso. Em alguns casos até Tem times indo pro lado dessa arquitetura de agentes pra delegar a tarefa mesmo. Delegar, tomar decisão. Então, um ano muito legal, assim, de, tipo, entender bastante aonde dá pra ser implementado, como... E agora uma construção de, ainda assim, do NoComo, que é uma construção de, ok, agora como que a gente vai fazer governança de tudo isso, né? Que é aqui onde o bicho pega um pouco. Então, a gente começou a montar e desenhar o que vai ser uma plataforma de AI. Então, vamos ter serviços de LLM, então LLM-as-a-Service, HAG-as-a-Service. Vamos tentar simplificar um tipo de solução. que dentro dela eu implemento tudo que eu tenho de preocupação de governança, política, segurança e tudo mais, e aí o pessoal que quer construir soluções, ele a partir dali pode fazer o que quiser, porque aqui a gente tá protegendo, né? Então, bem no conceito de plataforma tecnológica mesmo. Tipo, aqui a galera tá desenvolvendo as peças de Lego e em cima o pessoal tá pegando aquela peça e fazendo carro, avião, helicóptero, torre, o que quiser com aquelas peças de Lego. Então a gente tá indo pra esse lado agora pra poder habilitar a organização inteira na frente de EA. E tem um outro ponto falando especificamente de AI e aí a gente pode morrer pra cloud. O pensamento também de tipo, poxa, todo mundo fala de AI e na hora que você vai ver o exemplo, é exemplo de otimização, de eficiência, fazer com menos, né, automatizar tudo e não ter pessoas, é sempre meio esse papo. E o Fred teve sempre um negócio de tipo, beleza, mas como a gente usa isso pra crescimento? Como a gente usa isso pra um novo canal de venda? de... E aí nasceu o projeto também que é o Cérebro da Luna. Você comentou sobre, tem tecnologias que acabam vindo, é outra palavra do... de bus pra gente completar o bingo, né? Desruptar, né? Pode causar desrupção em cima daquilo. Mas acho que tem uma realidade aqui.
Tem, tem. É só que às vezes a gente exagera.
A palavra é a chave. É, a chave. Mas de verdade é a primeira vez que você pode repensar mais a experiência do e-commerce, né? Porque até então, a grande inovação que teve em e-commerce era, ok, eu tenho um catálogo infinito e eu tenho um campo de busca. Eu vou lá e consigo procurar alguma coisa.
Agora dá pra virar de ponta cabeça. A gente não sabe como vai ser, mas dá pra virar de ponta cabeça.
Dá pra virar de ponta cabeça e aí o nosso... a nossa... visão assim foi, poxa, se você for ver, todas as ferramentas de IA estão tentando tocar em shopping de alguma maneira, né? Então, vou lá, agrego todas as informações, trago aqui pra dentro e eu consigo solucionar o problema de qual que é o melhor produto pra necessidade que eu tenho. que ainda funciona bem esquisito. E a gente teve a ideia de falar, bom, por que não fazer uma ferramenta de IA que ela é especialista só nisso, só em realmente vender através de uma interface que vai ser mais de conversacional, como falam.
Contextualizada com o e-commerce.
Muito contextualizado com o e-commerce, muito especialista nisso, e essa interface acontecer via a Lu, né? Porque como a Lu é uma influenciadora digital com mais de 30 milhões de seguidores, mas hoje ela mais empurra conteúdo, por que não as pessoas começarem a Acioná-la. Acioná-la pra ajudar. Então a gente começou a desenvolver esse projeto também. E a gente tá agora com pouco mais de mil pessoas testando. É um... A gente já tem um canal que foi construído há pelo menos... Cara, faz mais de 5 anos que a gente tem um canal dentro do WhatsApp. Onde a Lu começou a fazer toda a parte de tracking de pedidos, né? Rastrear toda a parte de pedido e ajudar no pós-venda. Era isso que ela fazia ali dentro do WhatsApp. Agora a gente tá se movendo na jornada pra parte da compra. Então, desde a pessoa tirar dúvidas sobre produtos, pedir ajuda em qual é o melhor para o uso dela, até ela definir o que quer comprar e fazer essa compra dentro desse ambiente, sem sair de lá, de dentro do WhatsApp. E a escolha de WhatsApp foi muito direcionada porque já tinham 20 milhões de pessoas com opt-in dentro desse canal. Que a gente pra caramba, a gente tem 30 no app. Só que também teve uma discussão sobre É, vamos ver se a gente vai estar certo ou não, mas fazer isso dentro do app tradicional do Magalu... a mudança.
Impobrece a experiência?
Eu acho que isso e tem uma parte de um esforço cognitivo seu.
Isso, isso, isso.
Você tá acostumado a entrar aí na busca.
Aí você ainda fica com boas opções.
Aí você fala, cara, o que tá acontecendo, né? Porque a gente fez um pouco de pesquisa e a gente viu que nos Estados Unidos o Rufus lá da Amazon causa um pouco essa confusão. As pessoas falam, mas cara, eu já tô aqui, já tô acostumado.
O que você quer que eu faça?
Então... A gente foi pra um lado aonde... Pô, toda a experiência conversacional, você usa o WhatsApp pra conversar com alguém. Já é natural. Então, você vai chegar lá e é a luz, tem que conversar com ela, né?
Eu dou o exemplo que tem alguns business e algumas empresas que você entra e é aquela... churrascaria de São Paulo, que também tem sushi e pizza. Aí você fica, mas... você quer que eu como o quê? Não, é que você pode escolher qualquer coisa. Ok, mas é uma carga cognitiva que... e primeiro que não tem como você ser bom em tudo, né? No mesmo lugar, né? Ou pelo menos a mensagem fica difícil de você ser bom em tudo. Então, acho que a verdade é que a gente precisa mesmo ter mensagens separadas e espaços separados, senão é o desafio, dentre os vários desafios do home office, é o desafio de você, eu estou em casa ou estou no trabalho? É a mesma coisa, como eu tenho que agir aqui? O comportamental é muito forte, a gente esquece esses detalhes, a gente está tão data-driven que a gente esquece do psicológico. Até o UX virou... Não, mas onde que clica? Quanto que leu? Quanto deu de conversão? Calma, cara! Ninguém vai conseguir... escrever no mesmo lugar é meio intuitivo, entendeu? Não, mas o dado tem que mostrar calma, a gente não vai fazer uma asneira só porque o dado está mostrando, faça asneira, né? É difícil.
E é real, né? Tipo, eu vejo eu mesmo como usuário e tal... Tipo, começou no Brasil, está indo um pouco mais para a pegada agora dos super apps, como... Eles têm muito na asa e tal. E é estranho quando você começa a ver... Poxa, mas esse aplicativo aqui, eu pedi a comida agora, tem carro e tem... Você fica um pouco meio calma, né? Preciso ter um processo de meio aprendizado ali, né? Mas a gente foi pra esse lado. Então, acho que a parte de... Falando de tocar a nossa tecnologia, você aprende inovação e tudo mais em IA, teve muito disso e tem a parte da cloud, né? E a Cloud... Muita gente veio e falou, poxa, mas... Cara, vocês estão copiando a Amazon e tal. E definitivamente não foi por isso. Assim como eu contei da história do Wacom, virou marketplace, a discussão toda. Teve um direcionador que foi... A gente usa Cloud desde quando eu entrei no Magalu. Onde quase ninguém... Eu tive contato com... Plataformas de Cloud em 2007. Tipo, Google App Engine. pedacinhos de AWS, S3, coisas assim. E aí, quando eu fui pro Magalu, uma das coisas que eu falei, tendo uma área muito pequena, que eram basicamente três engenheiros, era... Cara, não dá pra gente ficar ainda operando infraestrutura, cuidando de nada disso. Tudo que a gente for desenvolver aqui, a gente já desenvolve em cloud. Então, lá em 2010, já foi esse o direcionador. Então, uma certo nível de experiência e de interesse de entender como que é esse business também. O que é o business de cloud? Tipo, como que é por dentro? Ok, eu entendo todo o impacto que ele gera de transformação, um empoderamento grande para o time de engenharia, principalmente. Eu vi isso, porque no Lab a gente ia lá, ia construindo coisa, colocando no ar, sendo que o modelo tradicional era Olha, você vai fazer esse projeto, vai ter que pedir infraestrutura, aí você tem que ir lá para o time de infra, falar o requisito do que você precisa de recurso computacional, e às vezes o que a gente estava desenvolvendo ficava pronto antes de ter esse recurso disponível para usar. Era essa, mais ou menos, o ciclo. E com o Cloud, a gente falou, aperta um botão aqui, subiu o recurso e pronto. Então, isso realmente habilita muito. Acho que foi muito importante para o processo de transformação do Magalu. Mas chegou um determinado momento, principalmente quando a gente começou a rampar muito a parte do online, que eu fiz a seguinte observação. Cara, por que minha conta de Cloud aumenta mais rápido do que o meu crescimento do próprio e-commerce? Essa foi a pergunta. Como pode? Deveria pelo menos o Treco acompanhar e ser igual. E aí vem um monte de discussão. A gente que tá sendo mega desleixado em escrever aplicação e tal, mas nunca foi da cultura. Tem uma cultura de... frugalidade muito forte, assim, do Magalu. É varejo, né, cara? Tipo, tudo melhora a tua margem, que é minúsculo.
Aliás, se você soluçar, você toma um susto.
É, você toma um susto. Então, isso sempre teve. Aí eu falei, pô, a gente cuida pra caramba e esse negócio tá acontecendo. E aí foi, tipo, meio um momento heureca, assim, de falar, cara, talvez esse negócio esteja indo pra um lado que várias empresas, principalmente as digitais, isso vai comer a margem do próprio negócio. Nesse nível que tá indo da despesa. E foi daí que nasceu a primeira discussão de por que não tentar fazer uma parte de infraestrutura digital aonde a experiência vai ter que ser a experiência como a gente enxerga dos outros players, o Hyper Skeletons, porque senão, nenhum dev vai querer usar. Tô aqui, aperto o botão, tudo funciona, CLI pra tudo e tal. Mega automação, se o treco não for desse jeito, ninguém usa. E a gente começa a usar como infraestrutura própria, porque o que eu fiz foi projetar o Magalu até 10 anos pra frente, 2027 na época. e olhar pra quanto que ia a nossa conta da Cloud. Aí eu falei, se for pra tudo isso, mesmo que a gente tenha um crescimento, vai ser bem relevante, vai começar a bater bastante na parte do nosso OPEX. E aí foi quando veio a discussão inicial, O Magalu vinha fazendo um investimento forte em tech, o Lab crescendo pra caramba. Quando a gente saiu lá em 2017 eram 320. Hoje são 2300. Então a coisa foi crescendo bastante. E aí eu falei, tentar montar alguma coisa inicial, meio voltando às raízes do Luisa Labs PID, meio de um laboratório, pra ver se a gente consegue colocar um negócio desse em pé. Se a gente consegue construir realmente uma parte de uma stack de cloud. E aí, a primeira coisa que eu falei, poxa, eu não conheço ninguém que fez cloud, fora os meus amigos que estão nos grandes, eu não conheço ninguém que Realmente teve bastante contato, assim, e tal. E aí começou uma caça de encontrar alguém pra poder fazer parte disso. Eu achei o Kiko, que é o nosso Head da Cloud. Ele trabalhava na Canonical, lá desenvolvendo Ubuntu há 14 anos. E a última fase dele era vendendo Ubuntu exatamente pros Hyperscalers, pras grandes clouds. E com isso ele tava há anos ali lá dentro, né? Morava inclusive em Seattle pra ficar ainda no escritório dos caras. E dali o Kiko aceitou fazer parte do projeto e final de 2020 a gente começou de verdade, foi quando nasceu a Magalu Cloud. Então, vem primeiro esse laboratório, eu tirando um pouco de CAPEX do que eu tinha, do meu próprio orçamento, pra gente ir fazendo, compra hardware, contrata a gente e tal. A gente conseguiu validar isso até 2022, porque a gente começou a migrar algumas aplicações do próprio Magalu e ver que, tipo, olha, estamos aprendendo algumas coisas, tá funcionando. E aí foi quando a gente fez a parte de levar para o conselho do Magalu um business plan da cloud como um negócio, como uma cloud pública mesmo. Para vender. Para vender.
Para virar um business.
Não só uma melhoria de custo. Exatamente. Não só um impacto na nossa despesa interna, como uma cloud privada.
Que já seria bom.
Já seria bom, mas com uma cloud pública. E aí é um processo, né? Porque apresentar, primeiro para todos os executivos, depois para todo o board, explicar o porquê de uma empresa que toda a raiz é do varejo, e a gente falando de fazer um business de tecnologia que é bem deep tech mesmo. Uma ajuda que a gente teve, o Silvio Meira faz parte do conselho, o professor Silvio Meira, então... Ele ajudou muito a traduzir, a costurar, a mostrar. Enxergava também a parte do impacto. E acho que também teve um ponto, no nosso caso, que nasceu com a ideia de fazer uma cloud que possibilitasse com que o valor fosse de uma infraestrutura como outra qualquer. A gente não paga um mega premium de eletricidade. ou de água. Então, veio um pouco lá de trás de... Será que agora teria espaço para haver algum player tentando desafiar um pouco esse modelo? Para ficar mais... Que é sempre de um CAPEX bilionário, muito baseado em você construir primeiro para trazer, porque depois a demanda vem. Todos os data centers, os data halls gigantescos, tolados de servidores para funcionar. Então, veio um pouco dessa missão, tentar fazer algo diferente e que fosse muito mais acessível. Porque uma das coisas no processo de pesquisa que a gente fez, de escutar mercado e tudo mais, já vinha de uma parte das clouds começarem a sofrer um pouco mais, porque ali dá câmbio, o dólar teve um spike gigantesco de 2015 pra frente. E aí você, sem fazer nada, você podia ter a sua parte de recursos os mesmos e você estava vendo lá a sua conta aumentar sozinha, certo? Alocando os mesmos recursos. Tem isso, tem a barreira do... da língua, quem não paga um time para fazer suporte, vai abrir ticket e alguém de fora te responder. Então, a gente via também uma certa dificuldade de várias empresas de conseguirem efetivamente usar a cloud. Aí você vê qual que é a penetração do mercado, de quanto os workloads estão em cloud versus on-premise. Ainda hoje, é um negócio de duplo dígito baixo. do que dos workloads que estão em cloud. Tem muito espaço. E outra coisa que a gente via era, pra tentar lidar com esse ponto da despesa, 70% dos workloads rodam em regiões americanas e não regiões brasileiras. Porque, em média, é entre 50% e 60% mais caro você rodar no Brasil. O Brasil é das regiões mais caras que existem de todos os players. Então acaba que os workloads todos lá fora, inclusive do Magalu era a mesma coisa, buscando reduzir essa despesa e você ter que ficar lidando com latência por causa disso. 150 versus... 5, 10, aqui, dependendo de onde. Então, a gente foi encaixando essas frentes, apresentou tudo isso, colocou isso como o ponto de diferenciação para o mercado, e aí a gente teve o quê? A gente teve o go ahead do conselho para desenvolver a Magalu Cloud, e aí sai um pouco dessa parte de estar fazendo com um orçamento ali que vem de tecnologia, para ter realmente um serviço dedicado para Magalu Cloud. A gente começa a expandir mais, trabalhar com duas regiões, ser multizona em cada uma dessas regiões por alta disponibilidade. Então, as aplicações estarem distribuídas, montagem de time maior, mais produtos. E aí, em 2023, a gente fez um evento divulgando o que estava fazendo a cloud, porque começou a vazar gente no LinkedIn, engenheiro de cloud. Tipo, a galera começou a perguntar, que é empresa de capital aberto, né? Então, começou a, inclusive, fundos, investidores, que que vocês estão fazendo, que que vocês estão contratando engenheiro de cloud, né? Eu dava uns migué, assim, não, os caras de infraestrutura, os caras cuidam de cloud. E aí, a gente divulgou no final de 23, dezembro de 23, que tava desenvolvendo uma cloud, e aí um ano depois, ficamos um ano testando com clientes convidados à Cloud. E aí, dezembro de 24, a gente falou, ó, agora todos os produtos estão disponíveis publicamente. Qualquer um pode entrar, cria sua conta e usa. E foi muito interessante. De lá pra cá, a gente saiu de menos de 50 clientes pra mais de mil pagantes agora. Então, tá rampando bem, assim, a parte da... da Cloud, acho que também a gente tá vivendo um momento geopolítico bem turbulento, né? E que pode ser propício. Que pode ser propício, começa a impactar muito na discussão sobre soberania, e não é só soberania de dados, é soberania tecnológica, né? Tipo, dependendo do que acontecer, a gente tem total condição de continuar operando com os nossos negócios digitais, daquilo que tá principalmente em cloud. De novo, tem muita coisa on-premise, né? Mas do que tá em cloud, a gente sabe que tem muita coisa muito importante rodando em cloud no país. Então, acho que tudo isso também tá nos ajudando agora nesse momento aí da Magalu Cloud. Fatala.
Nesse segundo round, eu queria saber de você um pouco do seu trabalho e da sua pessoa, não é? Então, você teve essa carreira como dev lá atrás, até entrar nesse mecanismo de laboratório, de inovação, e aí vai pra chefia de liderança técnica, CTO, VP agora de plataformas digitais, né? Qual é o seu papel? Qual é o seu trabalho? Difícil, né? Eu tô falando boas perguntas.
Ótima pergunta. Eu considero que hoje o meu trabalho é conseguir pegar parte da estratégia da empresa e desenrolar numa visão onde para os times fique claro aquilo que a gente precisa fazer. Acho que eu considero muito disso, porque... é mais complexo você estar inserido num negócio que é um grande ecossistema. Porque tem vertical de logística, de commerce, de pagamentos, de cloud, de conteúdo, que é o ecossistema do Magalu. E você depois fazer tudo isso se conectar, porque acho que a magia desse tipo de negócio é que cada uma dessas frentes você tem uma alavanca que quando dá certo de você puxar e ela funcionar, ela empurra outra, outra, outra... Então, aquele esquema do flywheel, assim... Começa a acontecer mesmo, né? Mas...
Mas isso quer dizer que você não tá mais hands-on, porque você sempre foi... Eu te conheço, eu sou histórico... E você sempre foi hands-on, literalmente, quem vende tecnologia tá apertando... O hands tá na mão do teclado, né? o quanto hoje em dia você é obrigado a ficar em cima e não consegue entrar, ou você dá apoio à decisão quando alguém tem uma dificuldade. arquitetural, solução de tecnologia, é óbvio que hoje em dia você não vai ter mais essa especificidade. Mas você entra na reunião de trabalho pra ajudar e... esse desdobramento ou ele é só direcional?
São as duas coisas, é tentar deixar mais claro e depois eu sempre falo que eu sou a pessoa pra tentar tirar bloco.
Ótimo.
Então... Março desse ano, esse pra quem estivesse em 2025, foi quando eu assumi esse papel de VP de plataformas, então foi quando veio pra minha responsabilidade áreas de negócio, né? Marketplace, o de Ads, que é a publicidade, se juntaram, já tinha a Cloud como um negócio e a área de tecnologia, e teve uma cerejinha do bolo aí, que é o Marketing.
Então... Você tá com Marketing?
Eu tô com Marketing também, como departamento, né? Departamento de Marketing e de Tecnologia. Então, cara, teve um grande aprendizado, assim, em eu me acertar, eu tinha, poxa, como você falou, eu tinha anos e anos de tecnologia de Magalu, então os rituais todos estavam extremamente azeitados, né, com o meu time. Até o papel e tudo mais.
Você sabia o que fazer.
É, e aquele negócio de, tipo, gerar... gera cola, né? E o time, quando tá muito tempo, tem aquele negócio de você... Só pisca, né? Ou só pisca, você fala, vou jogar ali, o cara sabe que ele vai tá lá. Isso tá sendo reconstruído, né? Normal. Que é normal. Mas mesmo... Agora, tem uma parte de engenharia que eu acho que tá sendo muito legal de eu trazer pra parte de negócio. e outras de negócios que eu tô aprendendo também, mas eu acho que tem uma parte da engenharia dessa organização que a gente tem, a busca por entender métricas, como elas são impactadas, que quando você leva pra parte de negócio de uma maneira mais organizada, é muito interessante, porque eu via muito aquela tensão entre negócio e tecnologia sobre, poxa, precisa fazer isso, os caras sempre tão mega atolados e demora pra fazer, e hoje eu vejo de uma maneira que é muito interessante em várias organizações do que eu converso, que É o... existe uma dificuldade de priorização do que realmente é importante ser feito. Sabe?
Então você entra nisso e fala, gente, tira um pouco isso aqui, vamos mais aqui.
É, tipo, tá vendo? Esses daqui são os grandes problemas. Tipo, isso que a gente deveria direcionar mais capacite e energia, né? Você começa a ver isso um pouco de uma maneira mais cross e mais clara. E aí é mais fácil você ir tentando arrumar e direcionar pro time poder ir. E uma coisa que eu fazia e eu resgatei fazer com o time, porque depois que eu vim pra parte de negócio, eu deixei de fazer. Falei, não, a galera agora já sabe muito bem como rodar. que é fazer checkpoints com os times de tech. A gente é dividido no Magalu quase como se fossem unidades de negócio, como se tivesse um CTO para cada uma dessas empresas verticais que eu disse. E aí, o que eu voltei a fazer foi, eu tenho uma reunião com esse CTO e todos os líderes da parte técnica pra olhar as coisas que estão sendo feitas, aonde tem determinados blocos ou aonde o entendimento não tá tão claro e ajudar a direcionar. Então isso eu faço toda sexta-feira, sexta-feira é bloqueada pra ficar falando com os times de de tecnologia. Pois é necessário. É muito necessário, cara, sim. E eu... E depois, conversando com eles e tudo mais, a galera é tipo, cara, que bom que voltou. Sabe?
Olha só.
Ou direcionar. Então, eu vejo também que hoje eu tenho um papel meio de... produto, eu diria. Porque no final do dia, quando você tá construindo esses negócios de plataforma e tudo mais, você tá precisando de serviço, né? Então a cabeça é muito direcionada, tipo, esse serviço que você tá construindo, ele é... Muitos deles são produtos. O Magalhão entrega um produto. A parte de pagamento é outro produto. Essas experiências todas que você tem ou o consumidor ou o seller usando são produtos e serviços que você está provendo. Então ir nessa linha um pouco também de ser o cara meio tentando encaixar a visão desse produto que está sendo construído e dar mais clareza é um negócio que acho que também pelo tempo de casa e de estudo do negócio em si eu fui aprendendo e é mais fácil direcionar os times.
Fathala, eu queria fechar sabendo o que você faz além do Magalu, né? Então eu já vou dar um spoiler que você tem essa paixão da bicicleta, pelo que eu entendo, hoje em dia você tem, inclusive, tá se envolvido com educação, querendo apoiar a escola de onde te trouxe essas oportunidades. O que que você faz além, indo além do trabalho, apesar de que eu sei que o seu trabalho e a cultura Luiza Trajano, Magalu, tem esse colaborativo, tem esse cooperativo, que fica meio óbvio pela paixão e data e tempo que as pessoas ficam na empresa, né? Não tem como falar, né? É uma empresa que eu faço a leitura de perfil colaborativo. Não tô falando contra os que são mais agressivos e competitivos, mas essa é a minha visão, né? Então, o que mais você faz que vai...
Além. E concordo com ela, acho que das empresas que eu passei também não foram muitas, mas Magalu tem muito força essa parte da colaboração. Bom, o que eu faço fora? Como você disse, bike é uma grande maneira de válvula de escape pra mim, não só pelo bem da parte da saúde, física e tudo mais, mas é um momento que eu consigo realmente não pensar em outra coisa, então por isso que eu gosto bastante. principalmente pra montar um bike no meio do mato, assim. É... Tá com a minha família, bastante. Eu tenho esposo e dois filhos e é muito legal passar o tempo com eles e conseguir construir coisas com eles. Acho esse... Passar por essa experiência de ter filhos e tudo mais era algo que eu não imaginava ter, inclusive, até 2000. E 15 eu ficava meio assim, eu não sei se eu quero, mas acho que era algo que eu tinha que passar na minha vida e ajudou em muitas coisas. Em amadurecer. Foi muito bom pra mim, assim, como pessoa. E aí, uma coisa que eu sempre... Poxa, eu sou um cara que eu fiz colégio técnico, Tentei fazer faculdade, mas eu já tava trabalhando, e aí aquele negócio de você dar mais prioridade, assim, ao trabalho, e também tinha uma certa necessidade, família mais simples, querer ajudar e tudo mais, né? Então, me dediquei muito a estudar sozinho, assim, depois de um tempo. Então, levou um tempo, eu entendi, tipo, puta, eu sou autodidata, mesmo que eu pegue o livro e vou e... Programação, uma boa parte foi assim. E aí aconteceu duas coisas muito legais comigo no ano passado. Pra essa preparação do... A possibilidade de assumir uma área de negócio, eu fui estudar fora, daí eu fiz o curso pra Executivos de Stanford, passei dois meses lá, e abriu muito a minha cabeça pra muita coisa, sendo um cara com um background muito técnico, ajudou bastante. Talvez até... As aulas são muito legais, professores ótimos, mas você conviver com 200 pessoas do mundo todo...
É mais interessante.
É muito interessante, assim. E, cara, depois que eu voltei teve uma mega surpresa, assim, na minha vida, que foi... Eu fui indicado pelo Silvio Meira pra... pra receber um título de doutor honoris causa. Pelo Cesar School. E foi muito engraçado que eu tava fazendo o caminho da fé lá de bike. Aí, tipo, deu uma ligação dele, péssimo sinal. Falei, cara, não consigo te escutar. Na hora que eu chegar num ponto que tiver Wi-Fi, eu te ligo. Daí na hora que eu liguei pra ele, ele falou assim, olha aí seu celular. Aí tinha o PDF. Rolando.
Que legal, parabéns.
Eu falei, puta.
Não tava atento.
Não, nem imaginava que ia rolar, não tinha dado spoiler nenhum e tal. Aí ele fez a indicação, passou por toda a bancada e tudo mais.
Se eu ganhasse um chiclé do Silvio Meira, eu ficaria muito contente.
É, ainda mais se o cara ser meio o padrinho que te indicou pra... E aí o ano passado eu recebi lá o título de doutor honoris causa em engenharia da computação e foi o primeiro do Brasil. Esse de Engenharia da Computação. Eu fiquei feliz, porque levei minha família, levei meu pai, pra ver assim, meu pai pedreiro e tal, tipo, mega emocionante, né? Então, eu quase não consegui falar o que eu tinha colocado pra falar. E isso, cara, me deu uma pancada grande, assim, de falar, poxa, no final, tudo que eu consegui foi por estudar. De sair da onde eu tava e tudo mais, foi... Foi basicamente isso. Eu falei, eu tenho que de alguma maneira tentar proporcionar isso pra mais gente e eu tenho um amigão de Barra Bonita, que é a cidade que eu saí, que é o Bruninho, que tava já com um projeto. de montar uma escola profissionalizante, ele já vinha fazendo no meio, numa maneira menor ali, e aí a gente conversou, ele falou, puta cara, a gente podia se juntar e você fazer a parte de tecnologia também, ter essa grade e tal, e aí ser uma escola realmente, e eu falei, vambora, eu vou fazer isso com o maior prazer do mundo assim. E aí agora a gente está nos finalmentes da construção do curso de tecnologia e ele começa em janeiro do ano que vem. Ele é direcionado para crianças do ensino médio, tem uma parte de uma seleção e tem uma priorização nossa de pegar crianças que têm mais necessidade, que precisam de uma ajuda maior para conseguir acelerar um pouco esse processo.
Eu vou fazer questão de deixar o link aqui para quem está assistindo a gente e queria agradecer André Fatala, VP de Plataformas Digitais, acompanha sua carreira, é muito bom ter alguém que é de tech, que entende de business e que certamente inspira as pessoas, tá bem?
Valeu, obrigado.
Obrigado, Fatala.
Valeu, Paulo. Prazer.
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