Tecnologia, inovação e o futuro do mercado financeiro com Márcio Castro da RTM
18 Dec 2025 · 44 min
Portuguese interview (Like a Boss podcast) with Márcio Castro, CEO of RTM, covering RTM's origin (1997) and core product Financial Net — a private corporate internet/hub for secure information exchange in Brazil's financial markets — plus SPB participation (one of two providers), data centers/private cloud (OpenShift-based), marketplace and Banking-as-a-Service/platform offerings for payments, cards, funds and credit, examples of customers/verticals (B3, Banco Carrefour, agribusiness, education groups), RTM's move into blockchain/tokenization infrastructure related to the Central Bank's DREX (real-digital) agenda, cybersecurity/compliance certifications (PCI DSS, ISO 27001 v2022), relationships with startups and innovation programs, and Márcio's professional background and CEO management style (hands-on, communication-focused, 250 employees).
Chapters
Márcio Castro, CEO da RTM. Eu sou Paulo Silveira e esse é o Like a Boss. Márcio, eu queria entender o que a RTM faz, ela nasce com qual propósito? Que problema que existia que alguém falou assim, poxa, precisamos estruturar isso aqui porque existe uma oportunidade de negócio, porque existem clientes demandando, onde que isso acontece?
Paulo, isso começa lá no final dos anos 90, 1997, que quando a RTM nasce, e ela nasce dentro do ambiente do mercado financeiro. Em 1997, a internet já existia, mas ela não tinha uso comercial, não era utilizada pelas empresas, muito menos pelos bancos. Então, nesse momento, em 1997, os bancos se reúnem e criam a RTM para criar um produto, que é o produto dos mais principais da RTM até hoje, que é a Financial Net, que é a internet corporativa, a internet do mercado financeiro. Ou seja, a internet já existia, mas não tinha uso nos bancos, Mas os benefícios da internet já eram visíveis para o mercado financeiro, para os bancos. E daí nasce a RTM e nasce o primeiro produto e até hoje o mais relevante da RTM, que é a Financial Net. E daí nasce também o DNA da RTM, porque o principal objetivo da internet e dessa internet privada foi e é troca de informações. E esse é o mote da RTM. O DNA da RTM, o mote da RTM é o hub integrador do mercado financeiro.
Então nasce no final da década de 90 para ser uma rede mesmo de conectar e troca de dados. Fora internet ou em cima da internet?
Fora da internet, com links privados.
Olha só!
E até hoje, né? Em algum momento ali com a evolução da internet, que obviamente depois a internet foi ganhando território, passou a ter uso comercial, ficou mais segura, passou a ser usada pelos bancos, os internetbanks, os mobilebanks, Os bancos digitais estão aí e demonstram isso, o quanto que a internet se tornou relevante. Porém, ao mesmo tempo, né, e isso nosso portfólio de produtos foi só crescendo exatamente porque a gente percebia que haveria aí uma ameaça ao nosso principal produto, no entanto, não aconteceu. Por quê? Porque ao mesmo tempo que a internet, por ser pública, continuava ali evoluindo, ganhando cada vez mais relevância, sendo cada vez mais corporativa, mais segura, também, por estar exposto ao público, também sofria de todas as ameaças que os ciberatacantes sempre trazem, né? Então, nosso produto continuou relevante por esse motivo, porque ele também acaba sendo hoje um atributo de troca de informações segura, justamente por não estar exposto a um ambiente público.
Então, essa Financial Net existe até hoje, é grande, é relevante na RTM e o objetivo é o quê? Os bancos usarem para trocar informações só entre eles. Quais informações? Um PIX, então, entre dois bancos e o Banco Central não roda na internet pura? Roda nessa rede? Como que... Onde que isso tá?
Exatamente, tem várias. Eu costumo dizer até que hoje dá para comparar a Financial Net com uma Netflix do mercado financeiro também. Porque em torno dessa rede se tornou também um ambiente de provedor de conteúdo e consumidor de conteúdo. Então, vou dar um exemplo, a B3, o ambiente de bolsa de valores, o ambiente de títulos públicos federais, o ambiente de renda fixa, ele está na nossa rede e ele é acessível somente pela nossa rede. Portanto, as instituições financeiras que querem acessar esses produtos da B3 precisam estar nesta rede. Então veja, provedor de conteúdo B3, consumidor de conteúdo mercado financeiro. Você perguntou do PIX. Para falar do PIX, talvez eu devo falar de uma outra rede que a gente também administra, que é talvez o nosso segundo produto na RTM, que nasceu nos anos de 2000, 2001, 2002, que é a Rede do Sistema Financeiro Nacional, o SPB. É uma rede administrada pelo Banco Central e da qual nós somos um dos dois provedores.
É onde passava o TED?
É onde passava o TED e onde ainda passa parte do PIX, né? Então, sim. O uso dessa rede é fundamental e passa pela RTM. Eu costumo até dizer que... A gente fala, né, que qualquer PIX que você enviar, de uma certa forma, ele passou pela infraestrutura da RTM ou da outra provedora da rede, que é a Telmex.
Então, ela seria uma concorrente.
Isso. Na verdade, é...
Complementar.
Complementar. Por quê? Como é uma rede de missão crítica, a obrigatoriedade do sistema é que você tenha duas. Então tem que ter duas. Então você tem a RTM e a Telmex provendo isso, e todo cliente que contrata e precisa estar no Sistema Financeiro Nacional, ele vai contratar a RTM e também a Telmex para ter backup.
Então, realmente, essas transações, grande parte, não estão passando nos protocolos clássicos da internet, numa rede que o pessoal técnico conhece bem. vai passar com outros protocolos, em outra rede, num fio onde não se passa a internet.
Exatamente. Num fio onde não se passa a internet.
É surpreendente.
É surpreendente. E assim, quando você percebe essa característica, você vê que realmente é um produto de grande relevância e de grande importância. Existem outras indústrias que têm esse mesmo dilema. Outro dia a gente estava conversando sobre o setor elétrico, que também ali é um lugar onde cabe bem também esse tipo de rede privada, também pela questão estratégica, pela questão de missão crítica, então também é uma outra característica. Até estava conversando recentemente.
Com o João.
Né, sobre o RNP, que é uma rede também voltada para o mercado educacional e também é uma rede privada. Então existe espaço, né, no mercado de redes para esse tipo de rede que reúne ali uma comunidade e cria esse conteúdo de provedor, esse contexto de provedor de conteúdo e consumidor de conteúdo.
É, eu lembro que também dentro da... da área da medicina, da saúde dentro de hospitais, até porque nasceu antes da internet grande, há mecanismos de redes que ainda são privados, são protocolos não públicos, e que hoje é óbvio que acaba rodando junto com a internet. Mas aqui ainda existe esse mecanismo de segurança, certo? Você tem essa questão da segurança da informação, e de ter essa confiabilidade, porque o sistema não pode cair, especialmente entre bancos, né? Talvez caia com a maquininha do adquirente, mas não entre os bancos, precisa ter uma sustentação.
Com certeza. Você citou o exemplo da medicina, é ótimo, né? Porque hoje em dia, até com o avançar da medicina, existem cirurgias remotas, por exemplo, né? Imagina. Você tem que ter uma rede super confiável, que essa é outra característica das redes privadas, né? Você consegue ter muito mais previsibilidade da banda disponível e você consegue também ter muita previsibilidade da latência. Então essa é outra característica.
Você não tá exposto a... Você vai ter um show ao vivo de alguém, ou se teve um ataque de DDoS, simplesmente porque você não faz parte dessa rede.
Exatamente. Simplesmente porque você não faz parte dessa rede. Você não tá nesse ambiente exposto. Nesse ambiente público.
Bem, então a RTM surge com esse mecanismo de infraestrutura para a estrada dos bancos e instituições financeiras e sistema de pagamento e banco central. Não à toa o Brasil, todo mundo considera como muito evoluído nessa parte digital finanças. E aí, pelo que eu entendo hoje, a RTM abraça essa parte mais cool do mercado, que não sei se a gente põe embaixo de Open Finance, de Open Banking, se a gente põe na parte de desrupção startup... Mas tudo isso que tem aparecido aí nas finanças, desde... blockchain, desde moedas digitais a brasileira, a Trex, desde oferecer serviços para empresas que não são financeiras, para que elas possam oferecer serviços financeiros para o cliente final, então acho que aí a palavra hub começa a ficar ainda mais óbvio. Queria então que você pudesse colocar 1, 2, 3 desses produtos que você acha interessante que vocês estão abraçando, que eu imagino que sejam menores, né, do que essa rede atualmente.
Exatamente. E aí, sendo fiel ao nosso propósito, né, que é permitir a evolução do mercado financeiro através da tecnologia e nesse nosso DNA de integração, de troca de informações e de ser o hub integrador do mercado financeiro, a gente começou a evoluir o nosso portfólio de produtos e serviços com uma pegada muito forte em infraestrutura ainda, mas voltada à troca de informações. E aí depois do depois da Financial Net e depois do SPB, né? A gente também, obviamente, por ser rede, rede fala muito com o Data Center, né? O cabo de rede vai ter que terminar no Data Center, então a gente passou a oferecer serviços de Data Center, né? E uma vez que você oferece serviços de Data Center, é um pulo pra você ter sua cloud privada. E a RTM hoje tem a sua cloud privada, né? Mas a gente não parou por aí, a gente começou a fazer também plataformas digitais, software como serviço, com a mesma missão da RTM, que é de troca de informações. E a gente começou a fazer isso por verticais financeiras. Então a gente fez para pagamentos, muito além do PIX, muito além do próprio SPB, mas também voltado para questões de liquidação de cartões, processamento de cartões, enfim, e aí a gente criou as verticais de pagamentos e crédito, né, e as verticais de fundos e investimentos, né, então são torres ali para as quais a gente constrói softwares como serviços para poder trocar informações. Um exemplo Gosto muito de apresentar porque deixa mais claro, é a indústria de fundos. A indústria de fundos é uma indústria na qual necessariamente você tem o gestor do fundo, você tem o distribuidor do fundo, você tem o administrador do fundo e o custodiante do fundo.
É difícil pra gente entender, né? Quando a gente faz um pequeno investimento nesses... No fundo do banco a gente acha que tá tudo lá, no Banco do Brasil, no Santander. Na verdade não, é um que gere, outro não sei o que, tem uma empresa que faz não sei o que, o outro faz a papelada, o outro garante. São várias pontas.
São várias pontas. E essas várias pontas, elas precisam ter, a rigor, a mesma informação ao mesmo tempo. Então a RTM criou uma plataforma na qual você coloca a informação na plataforma e a plataforma garante que essa mesma informação, de uma maneira padronizada e tecnológica, chegue em todos esses demais participantes que precisam ter essa informação. Então, veja, a gente saiu do cabo de rede, da fibra ótica e fomos para a API, para a troca de informações no nível do software. Então foi a evolução e o caminho que a RTM teve. E com isso, obviamente, a gente começou a prestar serviço para uma classe mais ampla de participantes do mercado financeiro. que foi aí, acompanhamos a evolução.
As corretoras, sei lá.
As corretoras, as corretoras foi mais ou menos em 2010, elas participaram do SPB, passaram a ser grandes clientes da RTM, mais do que anteriormente, né. E também assim, os bancos digitais, as instituições de pagamento, foi um outro fenômeno também que aconteceu depois das corretoras, que também ampliou enormemente o público da RTM, nessa linha. Um banco digital, por exemplo, muitas vezes ele representa um player de uma indústria, onde ele é líder naquela indústria, mas ele quer explorar, como você disse, a vertical financeira. Então, muitas vezes ele tem a oportunidade de criar uma instituição de pagamento e a partir dessa instituição de pagamento, constituir o seu banco digital e começa a explorar vertical finanças dentro do seu negócio.
Que interessante, porque... Então a RTM nasce com, literalmente, infraestrutura Física, né?
Porque cabos, né?
Cabos, máquinas. E percebe que o caminho de infraestrutura se torna um pouco digital, se torna um pouco produto, né? Porque alguns pontos que você tá colocando aqui, né? Ser um banco digital e vai ter um cartãozinho e vai ter uma conta, É um pouco mais tangível, né? Tudo bem que talvez seja 100% digital, mas a gente ter uma conta, a gente sente como produto. Então, me parece interessante a evolução do business, como primeiro a gente tem as ruas e o pavimento, depois a gente põe os carros, agora a gente tá fazendo estofado pra quem... Eu também vendo o estofado, se você precisar ir de um lado pro outro. Parece, inclusive, que esse Banking as a Service era meio que vocês já faziam antes do nome... Aquela coisa, né? A gente já fazia isso antes do nome existir.
Exatamente.
Não é um pouco... Fiquei com essa sensação.
E aí, você vai lá em pacota, adiciona algumas coisas e você tem um novo produto digital, um novo produto de integração.
Então agora eu vou colocar a pergunta desse momento atual. Se eu sou uma empresa, então acho que o cliente final são empresas, hoje em dia não mais só empresas financeiras, mas que estão ali com alguma ideia, o que você me oferece hoje em dia? O que está na ponta que é mais fácil de consumir, que já ficou mais... que não é tão infraestrutura hardware. Eu realmente posso falar, a gente quer montar um banco e controlar aqui a conta e as pessoas podem depositar e ter peaks? Eu posso fazer crédito? Eu posso criar o meu ETF, meu fundo? O que são essas ofertas que eu não preciso ser um banco e vocês me ajudam a fazer?
Com certeza, Paulo. Acho que talvez o mais tangível é a cloud privada da RTM. É uma cloud baseada na Red Hat, Então usa o OpenShift, né? E essa Cloud, ela tem vantagem como produto dela estar inserida na RTM. Por quê? Porque a partir da RTM então ela tem proximidades, né? E essas proximidades representam diminuição de risco. de disponibilidade e representam melhor performance, né? E quais são as proximidades que a Cloud da RTM possui? Ela possui proximidade com as redes, tanto com a Financial Net, que é administrada pela RTM, quanto com a rede do SPB. Ela possui proximidade Com a B3, o que pra quem é trader, pra quem precisa ali daquela menor latência possível, precisa de zero risco pra poder executar sua operação na bolsa, também é uma vantagem. Então são vantagens de produto, né? Outra vantagem de produto muito rica, que vai no ponto da sua questão, é o Marketplace que tem na nuvem da RTM. Então a gente tem dentro da RTM vários provedores de Bank as a Service, de plataformas digitais financeiras, que você pode se conectar estando na cloud da RTM. Obviamente que dentro da cloud da RTM você vai construir, codificar, entregar os seus produtos, né? Que também é uma cloud, diga, você também se integra, né? É um ambiente multi-cloud, você pode se integrar com nuvens públicas, né? Temos produtos para isso e gerenciamos esse ambiente multi-cloud. Então, eu acho que o ponto de partida talvez seja a partir da cloud da RTM e do marketplace da RTM.
E você me dá exemplos de empresas que têm serviço, que agora oferecem serviços financeiros e antes não ofereciam com o apoio de vocês?
Acho que, como estamos aqui em uma casa de educação, acho que também vale mencionar o Grupo CER. Ele tem a CER Finance Bay Uni, que é cliente da RTM e que realmente construiu o seu banco digital. Temos casos também no agronegócio de empresas que inclusive vem crescendo, né? A quantidade de empresas do agronegócio que...
Oferecem crédito, por exemplo?
Exatamente, oferecem crédito, financiam sua cadeia, né? Empresas transportadoras, né? O Urbano Bank, por exemplo, vem de uma transportadora, líder no supermercado, né? Enfim, o Banco Carrefour é um outro exemplo, né? É um banco que está constituído ali dentro do ambiente do supermercado Carrefour, né? Cliente da RTM também.
Então ele faz toda ou quase toda a infraestrutura do banco dele para o cliente que quer parcelar a compra.
Oferecer um cartão de crédito para o cliente.
Entendi.
Bancos de montadora, um outro bom exemplo, os bancos de montadora existem com a finalidade de financiar a compra do veículo daquela montadora. E todos eles também são clientes da ATM e participam lá do nosso ecossistema.
Então, realmente começa a ter mais capilaridade. Porque eu fico pensando nesse assunto de Open Banking, Banking as a Service... A gente já ouve... É sempre assim, né? A gente ouve eu falar 10 anos e fala, pô, mas cadê, né? Me parece que hoje é mais real, as empresas realmente, porque se você me cita que Carrefour tá oferecendo crédito e cartão pros clientes através de vocês e imagino que eles não contrataram mil pessoas pra criar um banco no modelo que a gente imagina. Isso realmente tá acontecendo? E no futuro, isso vai ser para mais empresas? Mais empresas vão ter o seu cartão de crédito, seu mecanismo de financiamento? Porque até para te dar um exemplo, você colocou esse da educação, né? Aqui, debaixo do Grupo Allen, a gente também tem o centro universitário que é a FIAP, a gente grava daqui inclusive. E aqui na FIAPA, a gente faz isso em house. Então, esse financiamento para o aluno que vai fazer o tecnólogo em dois anos para quatro anos, a gente calcula e faz dentro de casa. Que tem vantagens, mas traz uma certa complexidade, né? Como a inadimplência é muito baixa pro nosso cenário, nosso perfil de aluno, acho que é ótimo, né? E até porque tem vezes que você precisa ter o contato Você quer ser dono da cadeia inteira, tem vários motivos pelo qual você não quer dividir esse stack. de... Mas seria esse tipo de serviço que você ia falar para outra por uma escolinha pequena que ela poderia fazer ou um grupo grande atacadista que você quer financiar?
Com certeza, é exatamente nessa linha e traz muito da questão da escala. Quando você faz in-house, e é muito comum isso acontecer, Existem empresas, inclusive, que a sua área de tesouraria é maior do que algumas instituições financeiras de pequeno porte. Mas você pode, quando você entra no mercado financeiro, você consegue dar muito escala a isso. Quando a gente fala em crédito, você vai ter desde a originação, funding, várias etapas do crédito, que quando você está dentro do ecossistema financeiro, você consegue ter outras outras portas, outras fontes, outros mecanismos de integração que vão te dar muito mais escala no seu negócio, né? E que acaba ajudando o seu business também, né? Porque aí você tendo mais poder ali de poder ajudar, no teu exemplo aí, um aluno a conseguir financiar o seu estudo, você vai conseguir trazer mais alunos, né? Então, eu acho que acaba sempre tendo ali a função de agregar o negócio, né? E também acaba sendo muitas vezes uma fonte adicional de captura de receita, né? Então, realmente você ganha na verticalização. Em termos de plano macro do Banco Central, acaba contribuindo para a redução dos spreads bancários, porque aumenta a competição. Aumenta a competição dentro de um ambiente onde você conhece muito melhor o seu cliente. Você está mais próximo do seu cliente e vai conseguir fazer decisões muito mais educadas. Então, nesse sentido, está bem em linha com a agenda do Banco Central. E quando a gente pensa na agenda do Banco Central do ponto de vista tecnológico, desde muito tempo atrás, ela se apoiou em três grandes etapas, a etapa PIX, a etapa Open Finance e a etapa DREX. O PIX, não preciso nem dizer o sucesso que foi, um sucesso enorme, uma rápida captura do benefício pela comunidade em geral.
Acertaram na veia, acho que ninguém imaginava o sucesso. Imaginava que ia ser um sucesso mais esse.
Exatamente, ninguém esperava. Realmente foi um divisor de águas, colaborou com a inclusão bancária, enfim. E eu costumo dizer que desses três, você tem estágios decrescentes de dificuldade de adesão. O Open Finance vem crescendo, mas num ritmo muito menor do que o BIX. Então ainda está num processo de amadurecimento. E o DREX é o ponto mais desafiador. O DREX, no entanto, ele tem a questão do Central Bank Digital Currency, não é uma coisa isolada no Brasil. O mundo inteiro vem estudando isso. Então tem estudos, tem progressos em várias geografias. O DREX, recentemente, O Banco Central deu uma pivotada para atingir um objetivo mais imediato na área de crédito, mas continua lá a ideia, os problemas vão ser resolvidos e eu não tenho dúvida que nós vamos ter nossa moeda digital DREX.
A ideia do DREX é que ela seja contratual possibilite e eu faço a compra e tem uma condição de que realmente a gente tenha rastreabilidade do dinheiro.
Exatamente, é o real digital, ele vai ter paridade com o real, E ele justamente vai estar em um ambiente, um ambiente tokenizado, um ambiente blockchain, e que isso permite uma série de coisas. Permite liquidações instantâneas, permite um processo que liga o físico com o financeiro de uma maneira muito muito forte, então você vai poder negociar um ativo financeiro e esse ativo financeiro vai ser liquidado imediatamente a partir do Real Digital. Enfim, tem vários benefícios que alguns deles o Pix já traz hoje, mas não na mesma dimensão que o Real Digital vai trazer. Isso até me dá oportunidade, porque aí na fronteira de crescimento da própria RTM, a gente passou a construir e disponibilizar uma plataforma de infraestrutura para blockchain, para plataformas de tokenização. Então esse é um produto que a gente lançou no Febravantec de dois anos atrás, foi em 2024, numa época que.
Não deveria ter muito cliente pra isso.
Não, não tinha, a gente lançou e que agora vem amadurecendo, assim, o próprio impulso que os projetos do Drex trouxeram reativaram muito o interesse nessa nossa plataforma, que foi fiel e é fiel ao nosso DNA, que é a infraestrutura, né? Então a gente não entra na questão de administrar a rede, de ser o o operador de negócios dessa rede, mas de prover a infraestrutura e procurar resolver um dilema que existe na tecnologia blockchain, que é muito caro porque não tem escala, ou não tem escala porque é muito caro, né? A gente procura, através da nossa nuvem, da cloud, da RTM, criar uma condição financeira que facilite a entrada no mundo blockchain e que, com isso, consiga disseminar essa tecnologia e ampliar seu uso. Então a gente tá avançando nessa fronteira aí de produtos que continuam no nosso DNA, que é a infraestrutura voltada à integração, e que com isso a gente então inaugura aí uma nova fase também na RTN.
E esse envolvimento com startup, porque realmente como vocês estão criando esses produtos novos, que inclusive me parece que vai tatear o público ainda, fazer negócio de blockchain, real digital, agora ou até mesmo antes é uma aposta de alguma forma, é claro, bem calculada. E tem isso, o pessoal trouxe até do ranking de Open Startup e qual que é esse vínculo que vocês têm com, seja com o ecossistema, seja dentro, seja com a gestão dessa Vou usar a palavra inovação, é sempre difícil, estou tentando evitar palavras óbvias em todos os podcasts, mas é isso. Não é bem inovação, é uma descoberta de novos produtos.
Sim, com certeza. Eu acho que a gente sempre ficou muito próximo do ecossistema de inovação. A própria RTM nasceu de uma inovação, de uma oportunidade de inovação. Eu costumo até dizer que a gente é uma startup de 28 anos. Mas essa proximidade se deu durante muito tempo. com a RTM associada a Darwin, Darwin Startups, então a gente participou de vários batches da Darwin, nos aproximamos de muitas startups, fizemos parcerias com várias delas. Inovação é um core value da RTM, um valor nosso que a gente respeita muito, e com uma inovação ali com propósito, com finalidade. Então a gente sempre procura estar próximo desse ecossistema que foi impulsionado até pelo mundo de negócios, e do próprio Banco Central novamente, porque quando o Banco Central, na sua meta de diminuir o spread bancário, de ampliar a inclusão digital, criou condições para que instituições de pagamento pudessem constituir os seus bancos digitais, a gente também passou a tê-los como clientes. Então muitas startups do mercado financeiro, muitas fintechs, se tornaram clientes da RTM. Então essa proximidade que a gente já vinha nutrindo em busca de renovar, de trazer essa oxigenação para dentro da RTM, acabou também se transformando em negócios, seja via parcerias, seja esse público, sobretudo de fintechs, se tornando cliente da RTM. E a gente vê hoje isso partindo agora, Paulo, para um estágio até de maior maturidade, porque a gente vê agora um movimento desafiador para as startups, porque a liquidez baixou, então o dinheiro que antes era bem abundante para investimentos em startups, ele diminuiu bastante, já vista o que é a renda fixa hoje em dia, não só no Brasil, mas no mundo, decorrente de inflações persistentes, então o ambiente de liquidez para investimentos se tornou desafiador, ao mesmo tempo a gente começou a ver ali uma necessidade de que os patamares de exigência subissem também para as fintechs para as startups de uma maneira geral até ali por um contraponto válido. das instituições estabelecidas. Começaram a questionar. Poxa vida, aqui eu tenho um patamar de exigência, de observância que é altíssimo, enquanto as startups, as fintechs, têm uma exigência menor. Isso está desigual. Vamos tentar deixar isso num patamar mais equilibrado? Então a gente começa a ver agora um estágio de maturidade. E aí, de novo, a RTM passa a ser um parceiro essencial para esse público de startups, porque justamente como o nosso ambiente, até pelo nosso principal produto, a Fire National Net, representa maior segurança, a gente já traz esse ambiente mais seguro, a gente tem critérios ali até pela maturidade da empresa, pelo nosso foco no mercado financeiro, a gente tem critérios de observância muito altos, a gente é bastante auditado, por vários serviços que a gente presta, por exemplo, a gente tem serviços na área de cartão, então a gente tem a certificação PCI DSS, que é uma exigência dentro da indústria de pagamentos em cartões. A gente tem, por iniciativa nossa, a certificação ISO 27001, então essa certificação também foi renovada recentemente, inclusive na versão 2022, que é mais, ela reestruturou muitas coisas, mas traz ali um peso maior em assuntos voltados ali a a segurança cibernética, sobretudo, Threat Intelligence. Então, essas certificações, esse respaldo que a RTM traz, acaba ajudando essas startups e essas fintechs nesse novo estágio, onde elas também vão ser mais exigidas.
Ronda 2, luta! Mas nessa segunda parte, eu quero saber um pouco de você, do seu trabalho e da sua carreira. Como você se torna CEO da RTM? O que você estudou? Qual é o seu caminho, se você puder dar uma palha sobre isso?
Paulo, legal. Vamos falar um pouquinho sobre isso. Eu costumo dizer que... eu fui mais feito a partir do próprio trabalho, não foi muito no âmbito acadêmico. Eu estudei em colégio público, em escola pública desde muito cedo, e na época de fazer faculdade, eu obviamente fiz cursinho, preparatório pro vestibular, eu lembro que eu passei na PUC, passei na Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, Ambas públicas, né? E passei na FASP, que é uma faculdade que não existe mais. Era de tecnologia. Isso, exatamente. E assim, eu trabalhava, né? E trabalhava o dia inteiro, né? Então o PUC não deu, por dois motivos. Era uma faculdade de dia inteiro, com dinheiro da computação, e era muito caro, né? Aí a outra alternativa era Guaratinguetá. Eu tinha que me mudar pra Guaratinguetá na UNESP FEG, né? E também não podia, porque eu trabalhava, né? Então... não dava para me mudar e também não ia conseguir viver, me manter em uma cidade fora de São Paulo. Então eu fui estudar na FASP. Olha que legal, que interessante. E a FASP... Tem muitos amigos que se foram lá. Na época era referência em tecnologia, foi a primeira que inaugurou o curso de administração de empresas com ênfase em análise de sistemas. Era muito próximo da IBM, uma empresa que anos depois eu fui trabalhar nela e isso criou um vínculo legal da FASP com a IBM. né? Enfim, mas eu até brinco com o meu filho, né? Eu falo, filho, eu estudei numa faculdade que nem existe mais, né? Eu sei que ela foi adquirida, não sei o que aconteceu, mas o nome FASP é uma lembrança antiga aí.
Era na Paulista, né?
Era na Paulista.
É, eu falo sem muita humildade que a gente aqui na FIAPA, a gente ocupou esse espaço de referência tecnologial. Especialmente em São Paulo.
Integralmente, com certeza. E aí, né, eu já tava trabalhando, né, ali em 93 eu já, inclusive, tava trabalhando na IBM, né, enfim, e aí eu me lembro que surgiu uma oportunidade, não foi antes de 93, eu tava indo na FASP, eu trabalhava em outro lugar, e surgiu uma oportunidade de fazer um curso de verão na USP, né, e aí eu consegui uma dispensa lá no trabalho e fui fazer esse curso de verão. E era um curso de algoritmos, né, e usava o Pascal, né, eu adorei o curso. Ficava lá na USP o dia todo, fazendo os exercícios ali que o professor passava, né. E aí o professor, o instrutor desse curso, ele gostou do meu resultado ali e falou, pô Marcio, ah, não sei estudar, estuda na FASP. Aí ele deu aquela torcida no nariz, né? Ele falou assim, olha, se eu fosse você, depois fazia uma pós-graduação na GV ou aqui na FIA, né? Recomendou ali, né? E porque depois, o que fica é esse nome, né? Ele deu essa dica. E dita e feita, eu fiz isso. Depois eu fiz uma pós-graduação na GV. Então essa é na parte acadêmica, né? Então eu costumo dizer, Paulo, que eu realmente me formei ali muito voltado ali no dia a dia profissional, né? E aí como que eu cheguei na RTM, né? Eu comecei muito cedo, trabalhei muito cedo. E é até curioso, meu primeiro estágio em programação foi em Assembler, Assembler Z80. E então fui me envolvendo com diversas linguagens de programação, minha carreira foi passando ali entre trabalhar com programação, trabalhar com infraestrutura, então eu fui variando muito. E aí teve esses seis anos que eu trabalhei na IBM, na área de atendimento, depois na parte de software, de atualização de software nos clientes, e aí fui parar na BMF, na Bolsa. E aí a Bolsa eu me encontrei. Fiquei 15 anos trabalhando na bolsa, nos diversos estágios da bolsa, quando era BMF, quando se tornou BMF Bovespa, depois vim trabalhar na CETIP, enfim, tive uma carreira muito voltada para essa infraestrutura de mercado financeiro de uma maneira geral. Foram 15 anos e aí minha carreira cresceu muito nesse tempo, foi quando eu Rapidamente ali, em diversos momentos, tive a oportunidade de sair da parte técnica e entrar na carreira gerencial, e aí minha carreira foi subindo de coordenador para gerente, superintendente, finalmente CIO, né? Desenvolvi uma carreira muito longa como CIO, né? Sempre como o chefe ali da tecnologia, né? Tenho muita felicidade em ter desenvolvido essa carreira porque eu gosto muito de tecnologia, né? Então, eu sou um tecnologista. Por assim dizer, gosto muito de, às vezes, entrar no tema ali, no detalhe, eu brinco com o meu time que eu faço um zoom in, zoom out. Como gestor, eu olho todo e de vez em quando eu faço um zoom in. Quando é que eu faço zoom in? Quando tem algum problema e aí eu quero saber no detalhe para poder ajudar ou quando eu gosto muito do tema, então também eu vou lá e mergulho porque eu gosto. Então tem essa característica. Mas sempre assim nessa visão CIO. Quando eu saí da B3 eu fui trabalhar no Banco Safra, trabalhando no Banco Safra durante dois anos. Quando eu saí do Safra eu resolvi empreender.
E perdão, no Safra qual que era a posição?
CIO. CIO do Banco J Safra.
Aí você resolveu se voltar fácil a vida no financeiro, eu vou empreender, tá certo?
Vou empreender. Empreendi numa Infratec, uma empresa de tecnologia voltada para o mercado financeiro. Foi a Lina OpenX. Hoje em dia o nome da empresa é Lina OpenX. Trabalha, milita na área de Open Finance. Open Finance e Open Insurance. Então fundei a empresa, a gente constituiu a empresa, começando a trabalhar nela. Quando foi em 23, surgiu a oportunidade de eu ser CEO. da Bolsa de Energia. Então, veja, na Alina eu era o CEO também, então comecei uma experiência de CEO. depois na BBC é também como CEO, Bolsa de Energia, só que com uma pegada muito forte de tecnologia, então acabou que eu fui sendo CEO de empresa sempre com uma vertente muito forte em tecnologia, mas isso me agradou muito porque antes como tecnologista eu tinha uma visão do negócio no aspecto tecnológico, mas eu não, apesar de contribuir, de colaborar, de estar sempre envolvido com os objetivos da empresa de uma maneira geral, eu não era responsável pelo P&L, eu não era responsável por absolutamente tudo na empresa. Então essa possibilidade de, com esse skill de tecnologia, conseguir olhar o todo e trabalhar o todo, me agradou muito na carreira de CEO. Então foi aí que na Lina eu me desenvolvi minha carreira, depois na Bolsa de Energia, na BBC, e aí a partir de junho de 23 eu já comecei as conversas com a RTM, foi um processo sucessório que aconteceu ali, e aí nesse processo sucessório o fundador da empresa, que tinha começado ela lá em 1997, se aposentou, o André Mello, e eu o substituí a partir de fevereiro de 24, e cá estou com o CEO da RTM.
Muito legal, que história bacana. E aí eu quero entender qual é o seu papel como CEO? Falei que é uma pergunta difícil, né? De novo, agora que eu tenho um pouco mais de experiência, eu vejo que... Vou falar uma platitude, né? As empresas e organizações funcionam de formas muito diferentes. E não é só uma questão cultural, é tão básico quanto o organograma, o quão hands-on, hands-off, do que você participa, o quão próximo você está do time. Então, queria entender o seu papel como CEO da RTM. Como você se enxerga o seu dia-a-dia? O que você precisa fazer?
Olha, realmente é um conjunto bastante grande de responsabilidades, desde coisas mais simples como aprovar certas coisas no banco, coisas do dia a dia ali que, queira ou não, você vai parar um tempo para fazer, vai ter que ter uma análise crítica sua. Mas acho que o principal é comunicação. Acho que você realmente conseguir fazer fluir a comunicação dentro da empresa. Eu costumo associar a comunicação no mundo empresarial com a respiração. Ela tem que caminhar em ambos os sentidos, para cima e para baixo. Então, eu reforço isso sempre com o meu time, que a gente tem que estar próximo. No começo da semana, toda segunda-feira, a gente consome a manhã inteira conversando entre nós, eu e meus diretos, e a gente tem como modelo de gestão que essa comunicação seja replicada com as respectivas áreas. Porque aí a mensagem que eu passo chega pra todo mundo na empresa. E ao mesmo tempo, as informações e os feedbacks dos RTMers, eles acontecem também de baixo pra cima. E eu consigo estar sabendo disso. Eu tenho um estilo de gestão que eu fico próximo das pessoas, né? Eu gosto de estar sempre ali participando das reuniões que tem o time, conversando com o time de maneira geral.
Reuniões de trabalho.
Reuniões de trabalho, reuniões assim com outros propósitos, às vezes com reunião com o único objetivo de realmente ter ali um contato com a pessoa, então a gente tem uma dinâmica de reuniões, algumas de skip level, onde eu participo diretamente com os RTMers, e tudo faz parte desse processo de conseguir ter feedbacks bastante rápidos, sentir o pulso, sentir o pulso, ter o pulso da organização.
Você tem skip level, não é necessariamente o one-on-one, você tem reunião que... Não estou nem com skip level, eu vou ali na gerência de marketing para ver como vocês estão fazendo. Pergunto também, primeiro, porque eu acho interessante esse estilo e segundo, porque aqui antes da gente gravar, eu senti que você estava conversando comigo tanto com o pulso de tecnologia, quanto de vendas, quanto de negócios. Você me colocou umas perguntas tentando entender modelo de negócio aqui e... já querendo ver como que a gente pode ser cliente e também tentando entender da tecnologia. Eu falei, peraí, mas ele tá me perguntando de vários assuntos, ele deve ser mais hands-on. Foi o meu preconceito imediato, foi esse.
É, eu acho que eu tenho um estilo hands-on, né, até porque tem certos temas que me estimulam muito, me chamam atenção e eu gosto de me aprofundar no tema. Mas assim, eu realmente consigo, prefiro e gosto mais da estratégia, de desenhar estratégia, de reconhecer ali onde que eu vou fazer realmente mudar a cotação do dólar da empresa, entendeu? Então eu gosto muito desse tema, faço isso muito próximo dos meus diretos, interajo muito com os meus conselheiros, que me dão as direções, me dão muitas vezes insights preciosíssimos. Ontem mesmo, fui num jantar e, de novo, acho que a sua ideia desse podcast te ajuda muito também, porque você consegue coletar a visão de vários CEOs. Mas ontem eu estava jantando com outro CEO e eu vi que ele estava ali com uma ideia que eu achei genial. Ele estava com uma ideia que, na verdade, ia levar o negócio dele para um outro patamar de escala. Eu falei, eu preciso disso também. Não que eu estivesse pensando, né? Por exemplo, como eu te disse pra você, na RTM, mudou sempre o patamar da RTM quando uma nova classe de participantes do mercado financeiro passaram a ser clientes da RTM. Então eu venho trabalhando muito em procurar ser interessante e atraente para classes adicionais desta indústria financeira. Por exemplo, o mercado segurador hoje não é grande cliente da RTM. Eu tenho planos, tenho estratégias para que esse mercado se torne cliente da RTM.
Planos de aproximação.
Isso, aproximação e assim de realmente ter produtos que façam sentido para eles e com o DNA da RTM que é de integração de troca de informações que é uma demanda de toda a indústria né. Então realmente juntando isso né. Mas o que eu presenciei ontem era assim em termos de escala do que eu vinha pensando é assim 10 vezes maior. Então assim foi uma inspiração para mim e obviamente começou a gerar pensamentos do que eu posso gerar de estratégia que realmente leve a escala dos nossos produtos e serviços para outro patamar.
Qual o tamanho da RTM hoje de colaboradores?
250 colaboradores.
Márcio, e quem é a pessoa que você contrata? Qual que é a característica que você busca? Seja pra direto, pra você trabalhar direto, ou mesmo quando você tá participando de algum processo ou tá percebendo algumas pessoas?
Eu acho que a curiosidade é um elemento bastante importante, a agilidade de aprendizagem, acho que a RTM, até a gente conversou um pouquinho aqui pré-podcast, a RTM é um pouco difícil de conceituar, então agilidade no aprendizado é importante, até porque o nosso portfólio de produtos e serviços cresceu bastante, então ele ficou mais difícil de explicar na sua magnitude, né, então acho que agilidade de aprendizado e curiosidade são elementos que eu sempre procuro analisar, né. Do ponto de vista ali de modelo de operação, né, eu costumo trabalhar três pilares, né, o pilar da excelência operacional, o pilar de projetos e o pilar de inovação, né. A excelência operacional é muito dura, né? Alí indicadores, é consistência, é realmente uma atenção aos indicadores operacionais, é ter o pulso da operação, né? Então, realmente, a excelência operacional, e eu costumo traçar a relação com os demais pilares, né? Se você tá com a operação mal arrumada, você vai viver apagando incêndio. Se você viver nesse ritmo, seus projetos vão degringolar, eles não vão ser bem executados. E se você não tiver projetos bem executados, você não vai se habilitar a ser um ente que tem alguma proposta de inovação, porque como é que você vai se propor a ser um ente inovador, uma vez que os seus projetos não são bem executados e a sua operação, ela tá com indisponibilidade, ela tá com problemas. Então eu acho que essas três elas operam muito bem juntas, e aí de novo, quando eu contrato alguém, eu quero ver esses ingredientes, e quando eu digo isso, esses pilares não são só na parte tecnológica, na operação tecnológica, mas vale para todo o resto, eu acho que você conseguir acompanhar os indicadores da sua operação, seja ela uma operação de vendas, seja ela uma operação de marketing, seja ela uma operação de rede, É importante você ter domínio de quais são as alavancas que movem aquela tua operação. Então você tem que acompanhar os indicadores, você tem que ter gestão sobre esses indicadores, ter estratégia sobre esses indicadores para realmente conseguir acompanhar e vê-los chegar onde você quer. Então, essa excelência operacional dos projetos, os projetos é o que leva a empresa pra frente. É o que vai fazer, vai proporcionar a criação de um produto novo, vai proporcionar um aperfeiçoamento de uma operação, vai te possibilitar ganho de escala, enfim. Os projetos é que materializam isso. Então, quais são suas iniciativas? Quais são seus projetos? O que está no seu roadmap? Enfim, e executar bem isso é fundamental. E a inovação vem com isso. Eu ganhei todas essas credenciais, posso olhar aqui de uma maneira maior, né, como é que vai ser a RTM daqui, como é que vai ser a RTM de 2030, como é que vai ser a RTM de 2050, né, então nessa caixa da inovação cabe tudo isso.
E Márcio, o que você faz fora da RTM?
Fora da RTM eu procuro praticar esporte, né? A minha nova paixão também é ioga, né? Então eu procuro praticar pelo menos duas vezes por semana, né? E tem feito muito bem. Então eu acho que isso são coisas assim que... E obviamente gastar tempo com a família, com os entes queridos, né? Então sempre muito bom.
Márcio Castro, CEO da RTM, muito obrigado.
Obrigado, Paulo. YOU WIN!
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