Three employees of São Paulo's Public Ministry died by suicide in one year amid allegations of systematic harassment and overwork. A survey of 4,000 public servants found half experienced moral harassment. The speaker argues harassment combined with extreme workload triggers mental health crises and urges workplace culture change.
Chapters
Três pessoas tiraram a própria vida em menos de um ano no Ministério Público de São Paulo. Uma quarta pessoa foi impedida. Os servidores relataram assédio sistemático de chefes e sobrecarga, de acordo com a matéria divulgada na Folha. Já a chefia do órgão afirma que os casos são isolados de pessoas com problemas pessoais e não sobrecarga. Quando nós falamos em suicídio, nós precisamos considerar que a pessoa está sendo afetada por fatores internos e externos. A extrema sobrecarga de trabalho, associada a um ambiente com algum tipo de assédio, pode provocar vários problemas de saúde, inclusive a síndrome de burnout. E quem tem o diagnóstico chega muito perto de ideias suicidas. Eu falo por experiência própria. Mesmo que o sujeito esteja com muitos problemas pessoais, se o ambiente profissional for no mínimo acolhedor, e quando eu falo acolhedor eu digo ambiente com respeito, é possível reconhecer quem está precisando de ajuda. Isso eu tenho certeza. E o trabalho acaba sendo um fator de proteção. Eu não tenho como dizer como é o ambiente no Ministério Público de São Paulo, mas uma pesquisa com 4 mil servidores, pouco mais de 4 mil servidores, apontou que metade sofreu assédio moral. Então eu quero reforçar o seguinte. todo tipo de assédio nos adoece, especialmente mentalmente. E como explica o coronel do Corpo de Bombeiros de São Paulo, especialista em prevenção do suicídio, o Diógenes Munhoz, uma pessoa que comete suicídio quer se livrar de uma dor, não quer se livrar da vida. Então, se você conviver com alguém que não está conseguindo se expressar, mas você reconhece que ela não está bem, não julgue. Acolha e encaminhe para quem tiver mais recursos para ajudar, quem quer que seja. E quando puder, se informe melhor sobre as consequências do assédio. Só assim nós vamos mudar a cultura do trabalho.