Autocuidado como caminho para o bem-estar da mente - Live com Análise Nicolau

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a Portuguese-language YouTube live titled "Autocuidado como caminho para o bem-estar da mente - Live com Análise Nicolau" (recorded June 12, 2020). It is a live interview/conversation in which host Ana Nicolau (ANA NICOLAU) speaks with guest Isabela Camargo — a journalist and broadcaster — about mental health, burnout and panic syndrome, self-care practices (especially sleep hygiene), updating personal identity and practical tips for coping during the pandemic and stressful work rhythms. The excerpt includes personal experiences, examples from media work (night shifts), and concrete suggestions for establishing limits, improving sleep, and reclaiming time for self-care.
Chapters
Olá, meus amores, boa tarde! O online desta quinta-feira já está no ar e hoje nós vamos falar sobre um assunto aí que vem chamando bastante atenção, né, nos últimos tempos, no atual momento em que vivemos com pandemia, economia desacelerada, política, tantas informações desencontradas adiantadas, sonhos também não realizados, tem a procrastinação. Tudo isso nos leva a uma verdadeira exaustão, não só física como mental também. Quando eu conheci a nossa entrevistada de hoje, eu já admirava ela profissionalmente. Depois nós tivemos uma vivência maravilhosa num curso de expansão de consciência, né? No qual fez com que nós nos aproximássemos muito. E na época, o que me chamava muita atenção, que a Isabela, ela falava muito sobre o tempo, né? E eu acho que ela vai poder hoje tá conversando um pouquinho com a gente sobre isso. A nossa convidada hoje do On Live é Isabela Camargo. É, hoje ela vai estar aqui com a gente. A Isabela, ela é comunicadora aí há mais de 23 anos, Trabalhou na TV Globo, na Band, no SBT. Hoje ela é apresentadora do jornal Primeira Hora na Rádio Bandeirantes. Que delícia ter a voz dela, né? E também tem um programa no YouTube que se chama Unha Talks. Ela traz mulheres inspiradoras, né? E além disso tudo, ela também é palestrante. Vamos dar as boas-vindas para minha grande amiga Quero saber aí com vocês e quem tiver acompanhando a gente, que tiver alguma pergunta para estar passando para Isabela, a gente está aberta aqui. Oi, Isabela!
Tudo bem, Ana? Tudo bem.
Que delícia ver você!
Eu adorei o convite, e assim que a gente puder voltar a conviver normalmente, você está na lista das entrevistadas do Inha Talks, com certeza. Eu tinha feito uma temporada, e aí quando eu ia continuar, tudo teve que parar. Então tá lá, tá lá no YouTube as entrevistas. Depois dá uma olhada.
Eu tenho acompanhado todo o seu trabalho, toda essa mudança, né, que aconteceu na sua vida. Eu acho que nós duas somos grandes exemplos de mulheres que quando começaram a tomar conta realmente do seu aviãozinho decolaram.
Que bom, é isso mesmo, Ana. No início dá medo, né, a gente fica assim meio confusa, mas nós vivemos ambientes muito parecidos, né, o ambiente da televisão, da comunicação. Nós continuamos comunicadoras, nós continuamos fazendo o que a gente sempre fez, mas agora com outro viés, com outro filtro, e aqui nos nossos canais individuais.
Isso é maravilhoso, né? Muito, muito, porque assim mostra que não é somente na televisão que a gente consegue se comunicar com as pessoas, né? A gente achava que era só através da TV, através do rádio, mas a gente pode se comunicar de várias formas. Mas hoje a gente assim tem, lógico, a gente tem muita coisa para estar conversando. Eu acho que assim, nesse momento que a gente vem vivendo, principalmente, né, Isabela, e depois de tudo que você passou, e eu também passei por situações muito parecidas, só levamos, vamos dizer assim, outros nomes, né? Você teve a síndrome de burnout, eu tive síndrome do pânico. Então eu acho, você acha que isso foi a maior mudança que teve na sua vida em termos até de olhar para a vida de uma outra forma?
Totalmente, Ana. Que bom que você mencionou a síndrome do pânico, ela é irmã da síndrome de burnout, né? Ela é um estágio, na minha opinião, os médicos que ainda vão dizer, né, porque precisa estudar muito ainda, Mas por tudo que eu ouço, sabe, Ana, a síndrome do pânico é um estágio antes do burnout, né, que é o sinal máximo que o seu corpo tá dando. Na verdade é o grito, né, porque sinal ele deu vários e a gente foi jogando debaixo do tapete e foi achando que nunca ia acontecer nada conosco. Por isso que eu insisto tanto na tecla do autocuidado, tá. Mas a síndrome do pânico, a síndrome de burnout são irmãs. E sim, para mim foi a maior mudança da minha vida. Como todos os fatores desorganizadores, né, porque o luto, Ana, ele tá relacionado a toda perda de vínculo que você tem. Então uma demissão é perda de vínculo, né, um afastamento é perda de vínculo, infertilidade é perda de vínculo, além das perdas humanas, tem um monte de perda. Mas o luto pela perda do trabalho, como ele não é falado, então você não compreende muito bem. Ah, é agora eu posso então ficar triste na minha, em silêncio. Você não sabe, né, porque ninguém te fala, né, ninguém te fala, Ana, que a perda, demissão especialmente, né, como foi meu caso, ela é um luto. Então você vive com o seu corpo completamente em frangalhos, você tem uma realidade completamente diferente de um dia para o outro, violentamente você perde, né, o seu chão. Você tem que tomar decisões burocráticas que vão influenciar sua vida inteira, sem condições. Menina, é tanta coisa, sabe? Então, sim, hoje eu olhando para trás, eu vejo sim que foi o momento mais desorganizador da minha vida. Vou mandar um beijo aqui para o Rafa. Isso, beijo, Rafa. Opa, foi sim o evento mais desorganizador, mas É clichê, e justamente por ser clichê é muito verdadeiro. Depois que você compreende o porquê daquilo, aí você fala: ah, entendi, eu precisei desse freio para poder tomar outro trajeto. Esse freio machuca, né? É igual você tá aqui, ó, imagina, me vem aqui na cabeça, você tá dirigindo Você dirige moto, né, Ana?
Sim.
Danada! Aí você tá lá com a sua moto, você tá passeando, se você freia é uma coisa, se você tá 100 por hora e freia é um impacto maior. Então, dependendo do ritmo que você tá, da velocidade, um freio como burnout, ele machuca muito. Mas depois a gente vai entender que, bom, aquele ciclo acabou, vamos partir para outro.
Sim, e como é que começa essa mudança, né? Você passou por tudo isso e hoje a gente vai estar conversando aqui sobre esse autocuidado, né, que muitas vezes a gente deixa de lado o eu e olha só para fora, né, só para o outro, para o outro, e esquece de olhar. Explica para gente um pouco melhor como é que as pessoas, né, todo mundo que está assistindo aqui a gente, elas podem ter essa visão mais ampliada do autocuidado.
Ana, a gente não marca reunião com a gente. Você marca reunião com todo mundo, você não marca reunião com você, você não se coloca na agenda. E isso, a médio e longo prazo, é muito danoso, sabe? Tem uma frase de um médico do século 16, Paracelso, e ele dizia que a diferença entre o remédio e a O veneno é a dose. Então eu tenho que tomar muito cuidado quando a gente fala sobre o excesso de trabalho, porque em nenhum momento eu tô dizendo que trabalhar é ruim. Pelo contrário, eu amo o que eu faço e você também ama o que você faz, né? Mas o excesso é que é o problema, por longos períodos. E por que que eu tô trazendo isso antes da fala do autocuidado? Porque a falta de autocuidado É um problema, especialmente por longos períodos. Então você não se colocar na agenda uma semana não tem problema. Agora você não se colocar na agenda por anos é outra história. Deixa eu aproveitar, Ana, responder que essa moça, a Ângela, né, ela pergunta se eu sou psiquiatra. Obrigada até por essa pergunta, porque no início das palestras eu sempre preciso dizer: não sou psiquiatra, não sou psicóloga e não sou burnout. É, eu sou uma jornalista que viveu uma experiência e aí decidiu compartilhar as informações que eu encontrei, né? A gente tem isso na veia. E aí, o que que eu descobri, Ana? Que a ausência de mim por tanto tempo fez com que eu chegasse onde eu cheguei. Eu tinha percebido que tinha algo errado antes? Muitas vezes. Foram 2 anos pedindo ajuda. Não só no ambiente que eu trabalhava, mas para médicos diversos, diversos. E fiz de ritual xamânico até anfetaminas eu tomei para dar conta daquele modelo que meu corpo já estava dizendo: vai dar ruim, vai dar ruim, vai dar ruim. É igual um painel de carro, a hora que acende aquela luz dizendo, né, tipo, ó, vai vai para revisão, né? A gente fala: ah, não, depois eu vou.
E é muito engraçado, né, Isabela, porque assim, o corpo vai te dando sinais, né? Às vezes é um escorregão que você leva, uma dor no joelho, uma dor no braço. É muito engraçado que o corpo vai te dando sinais: dá uma olhadinha aqui, dá uma parada. E a gente não para, né? A gente continua no mesmo ritmo.
É outra coisa que eu identifiquei, aquela máxima, né? Se O corpo fala, você não ouve, ele grita. Que é o que acaba acontecendo muito nas nossas relações interpessoais. Você tá conversando, né, com seu cônjuge, com alguém da família, amigo e tal, você tá falando, falando, falando, falando, falando, a pessoa não ouve, até chega uma hora que você fala: alô! O corpo acontece igual, tá? Você sabe, Ana, lembra do livro que eu tava escrevendo, que você falou do tempo? Então, menina, vai lançar daqui a uns meses. É, já tava pronto, aí veio o coronavírus, aí parou, igual em Atox parou. E aí por outras razões também tive que reescrever alguns capítulos. Então em breve vai. Mas por que que eu tô falando isso? Quando eu coloco lá o que que eu aprendi com o burnout, porque o livro não é sobre o burnout, mas o burnout é uma consequência do tempo. Ai, que loucura, dos tempos que nós estamos vivendo, né? E aí eu coloco os 28 problemas de saúde que eu tive. E que eu validei com muitas pessoas que me procuravam, me procuraram e me procuram. Então eu posso dizer que o corpo, sim, Ana, ele começa a te chamar atenção das formas mais simples. Eu vou chamar de simples, tá, porque aqui não são tão perigosas. Então vem acne, mancha na pele, queda de cabelo, aquela dor de cabeça frequente que aí acaba se tornando uma enxaqueca, dor de estômago, intestino preso, problema cardiovascular. Aí começa aí problemas mais graves: gastrointestinal, arritmia, transpiração, falta de ar. Menina, é um negócio que a hora que você vê a lista, você fala: para esse trem que eu quero descer! Mas foi assim. E aí você vai acumulando, acumulando, acumulando, acumulando, até que aí chega uma hora em que não dá mais. Então sim, o seu corpo ele vai enviar vários avisos. Se você vai ouvir, melhor. Senão a fatura vai chegar lá na frente, amiga.
Não é, porque assim, como você vinha também, né, e eu também digo isso porque a gente trabalhou na mesma época em emissoras diferentes, mas no mesmo horário, trabalhando de madrugada. E a gente meio que, depois que você sai, que você passa por isso tudo, você vê o quanto você tava no piloto automático, né, da casa para o trabalho, do trabalho para casa, de casa para o trabalho, e não se tem uma vida social pelo fato de trabalhar de madrugada. Então acho que isso também faz a gente esquecer de olhar para gente, né, Isabela? E como é que começa esse autocuidado? Vamos falar sobre o autocuidado, porque as pessoas querem ouvir isso. Porque a gente assim, eu acho que a gente tem que mostrar o lado bom. Como que a gente faz para começar a se olhar de novo, né?
Então, Ana, é engraçado, né, você dizer isso. Nós somos A gente defende a mesma bandeira, a gente precisa falar de coisas boas, né? Evidente. Mas para falar das coisas boas, Ana, para chegar nas coisas boas, a gente precisa falar da origem daquilo que não é bom. Senão a gente vai continuar buscando atalhos na farmácia e aí não entende o que é autocuidado. Porque para quem não entende o que é autocuidado, aí quando você fala automedicação, você fala: "Ah, entendi, é quando eu me medico." Autocuidado é quando eu cuido de mim. "Ah, entendi." tá? E só um ponto para complementar o que você acabou de falar, porque no meu caso o burnout ele veio com dois caminhos, né? Então foram anos na madrugada e anos acumulando funções no meio, dentro do horário. Então há muitas pessoas me perguntam: ah, mas se eu trabalhar 15 horas é o problema? Depende por quanto tempo. Ah, mas se eu trabalhar 6 horas é um problema? Depende por quanto tempo que você faz dentro dessas horas. No meu caso, eu fazia muitos produtos ao mesmo tempo.
E às vezes até fazia de madrugada e ainda ia durante o dia fazer, né?
Sim, sim. Eu também fiz isso vários dias. Então a gente tem que olhar para todos os detalhes para que ninguém venha com uma avaliação rápida ou um julgamento rápido, por mais que isso aconteça mesmo de qualquer maneira, mas assim, existem características que você precisa olhar do começo ao fim, senão a interpretação fica comprometida. Então não é só um final de semana, não, são anos. Não é só o horário de madrugada ou de dia, não, são horário mais o que você faz dentro dessas horas, tá? Então tudo isso a gente leva em conta. Mas vamos lá, aí, Ana, é, ela depende do horário, não da jornada. Não, depende dos dois, depende do horário, da jornada, depende das características biológicas, viu, Ana? Das características biológicas.
Você falando isso, começou a aparecer a minha historinha aqui na minha mente, né? Que eu trabalhava até às 6 da manhã, ia para casa, e às vezes era meio-dia, eu estava dormindo, a emissora ligava para eu ir à tarde também novamente. Então assim, você não dormiu, seu corpo tá em estado de alerta, né? Não descansa. Então é justamente isso, não é reclamar de horário, nada. Eu acho que as pessoas que estão acompanhando a gente aqui, elas sabem disso, né? Eu acho que ninguém aqui tá falando: "Ah, eu não gosto de trabalhar." Não é nada disso, gente. Até a gente traz a Isabela justamente para a gente tá falando isso, né? Porque existem gatilhos que vão fazer com que você entre nessas síndromes, e é bem isso.
Ana, é um assunto tão infinito e maravilhoso ao mesmo tempo. Por mais que a gente fale, né, de dor, fale das consequências desses novos tempos, a gente precisa falar sobre isso. Para quê? Primeiro, para viver uma vida que vale a pena ser vivida. Segundo, para que você continue executando a sua vocação, para que você continue fazendo aquilo que você ama e o seu dom, né? Você tem que colocar o seu dom a favor do mundo, mas não a qualquer custo. Não a qualquer preço, porque não importa o quanto te paguem ou quanto você almeja materialmente, se você não tiver saúde, a coisa não vai andar. E a gente tem que escolher, Ana, trazendo aqui para o momento que a gente tá vivendo, de qual estatísticas nós vamos querer fazer parte. Isso para sempre. Se eu quero continuar num trabalho doente, ou se eu quero procurar um outro caminho com saúde. Eu sei que dá medo de pensar em outro caminho, eu sei que dá medo de você encarar aquela situação e falar: agora não dá mais, né? Por mais que você pense, mas a gente também tem que olhar para o futuro. E eu entrevistei vários futuristas, sabe, Ana, para entender que, ok, nós temos milhões de vagas, milhões de desempregados, mas a gente também tem milhares de vagas em aberto. Então, ou seja, é uma mudança completa de entendimento que a gente tem que ter por tudo, não só pelo nosso corpo, mas por todo o modelo. Então vamos lá, é um monte de assunto. Então você vê, né, eu vou e volto, volto.
A gente vai ter que fazer algumas lives, eu acho.
Várias. Aliás, eu adorei o convite, eu fiquei extremamente lisonjeada. E espaços como esse são fundamentais. Ana, se você me permitir, eu vou compartilhar no meu YouTube, Isabela Camargo Real, porque Aí as pessoas podem ver a hora que elas quiserem. Mas eu vou pegar uma coisa que você falou para responder a sua pergunta sobre o autocuidado. Ana, o que que a gente precisa para limpar um chão, por exemplo? O chão tá sujo, o que que você precisa?
Eu preciso de um balde, de um pano, de um rodo, né, uma vassoura, um produtinho de limpeza.
Pronto. Sabe como é que a gente higieniza, como é que a gente limpa a nossa mente? Dormindo. Não adianta eu ser uma mestra em meditação, fazer yoga, me alimentar bem, fazer tudo que, né, todos os protocolos, se eu não dormir bem.
Verdade.
Quando você conversa, né, com o pessoal da Associação Brasileira do Sono, do Instituto do Sono, Ana, não tem como a gente fugir desse assunto. Qualquer live que me pedirem para fazer, qualquer entrevista, a gente vai chegar no sono, porque ele é o primeiro que nós subtraímos para dar conta de uma agenda maximizada. E aí nós temos duas coisas que é importante dizer. Como você mesmo disse, te ligavam, você acordava e ia durante o dia, né? Existem as situações voluntárias e as involuntárias. A privação de sono existe, a voluntária, involuntária. Eu tinha uma privação de sono involuntário, né? Tanto que hoje eu durmo sem remédio. As pessoas perguntam qual foi a principal mudança. Menina, maravilhoso! Você também é muito bom.
Eu posso falar porque depois de 8 anos eu consigo dormir sem remédio.
Pronto, duas. Eu não fiquei 8 anos, fiquei 6 anos e meio. Maravilhoso! Dá 10 horas, eu durmo. 6 horas eu acordo e estou extremamente bem, disposta, cabeça funcionando, né?
O dia rende, menina.
Eu falo isso no livro, né? A gente vive, bom, milhares de assuntos. Deixa eu tentar organizar aqui. São muitas distrações, são muitas exigências. Ok, com tudo isso, o que que eu faço? Se eu não me cuidar, eu vou ter que viver tudo isso de uma maneira muito mais pesada e danosa. Isso eu falo, Ana, para médicos, bancários, todos os profissionais, professores. Tem uma turma falando comigo sobre isso, porque a gente está vivendo um modelo de trabalho que não começou ontem. Então quando você olha para o passado, você entende como nós chegamos aqui. Só que agora, olhando um pouquinho para frente, e vários estudos já estão saindo, o número de burnout vai aumentar exponencialmente. Profissionais de saúde, professores que tiveram que se adaptar assim radicalmente para continuar servindo, continuar atendendo os alunos, os pacientes, porque assim todos nós tivemos que nos adaptar, beleza. E o professor que teve que se adaptar ao EAD de um momento para o outro, aí no Zap começou a falar com 200 alunos, Bom, outra live, tá? Então vamos lá, a gente precisa entender o modelo que nós estamos, o que pode acontecer para realmente marcar agenda com a gente, marcar reunião com a gente e nos colocar na agenda. O sono, como eu tava dizendo, é o primeiro que a gente abre mão quando a agenda tá cheia demais, porque a gente vem de uma crença em que dormir é perda de tempo. E que eu posso dormir menos para produzir mais. Gente do céu, para esse trem que eu quero descer! Ana, se nós soubéssemos desde quando nós somos adolescentes que aquilo que a gente faz lá na adolescência não vai poder continuar, especialmente com as horas de sono, tudo seria diferente. Tem uma coisa que eu insisto muito também, inclusive nas palestras, que é atualização de identidade. Ana, eu não posso fazer hoje com os meus cabelinhos brancos aqui o que eu fazia com 20 anos. Verdade, né? Quando a gente tinha 20 anos, a gente podia ir para uma balada ou dormir pouco numa noite e no dia seguinte falar: nossa, dormi 4 horas, ó, tô bem, né? E continuar produzindo genialmente. Hoje não dá. E não é que isso é um demérito, você tá, né? Tô desabonando a pessoa? Não, eu estou reconhecendo que o nosso corpo muda. Já vamos falar ainda mais sobre autocuidado, mas tudo isso faz parte, tá, da coisa boa. Eu preciso entender que o meu corpo ao dormir já é diferente de quando eu acordo. Se todos os dias a nossa atmosfera é diferente, o nosso corpo também. Então não adianta eu querer estar com 40 anos com a cabeça de 20, com os hábitos de 20, não com a cabeça, perdão, com os hábitos de 20. Então tem coisas que antes eu comia e que hoje se eu comer me faz mal, que eu bebia, que hoje beber me faz mal. Tô falando de quantidade, qualidade, né? Então o sono é a mesma coisa. Tudo isso passa pela atualização de identidade, e eu só consigo me cuidar de verdade se eu reconheço o que eu preciso hoje para estar bem e não ficar insistindo, Ana, numa tecla que funcionaria no passado e não agora. Faz sentido o que eu tô dizendo?
Lógico, com certeza.
E nessa atualização de identidade, eu já vou dizer para vocês, muitas coisas ficaram no passado, só que outras estão no presente. Então não olhem só para essa atualização de identidade dizendo assim: ai, porque eu era, porque eu fazia. Não, aquilo foi necessário para a gente chegar aqui. Agora, os caminhos que vieram até aqui não necessariamente seguirão a partir daqui. Ana, eu não tô falando isso de, de, eu não estou repetindo falas de ninguém, eu tô dizendo que eu vivi e vivo, porque a gente tenta se enganar, né?
A gente tem quase a mesma idade, né? Então a gente sabe que com 20 anos a gente tem outra energia, outro pique. Não que a gente não tem as mesmas vontades com 40, mas a gente tem que se tornar mais consciente do corpo da gente, que já não é tão é, tudo muda, né? E aí eu acho que começa com a aceitação, né, de você aceitar.
A gente só aceita naquilo que a gente conhece. Eu preciso conhecer, preciso reconhecer, isso tá, isso existe, eu aceito, eu recuso, decisão é minha. E aí então, veja, atualização de identidade, o autocuidado, as escolhas e a pausa para tudo isso, a decisão é minha, as consequências também são minhas. Então quem ainda achar que dormir é perda de tempo vai colher consequências a curto, médio e longo prazo. Se você conversar, Ana, com qualquer psiquiatra ou psicólogo que acompanha casos de Alzheimer, você vai entender que o Alzheimer é a consequência de hábitos dessas pessoas. Ainda não tem muito claro quais hábitos são exatamente, se é um, se são vários. Mas assim, o que eu quero dizer é que se a gente não parar para cuidar da nossa mente hoje, a gente vai ter consequências não é só amanhã numa noite mal dormida, é a médio e longo prazo. O sono, Ana, é responsável por registrar a nossa memória, recuperar todos os órgãos e fazer com que o seu tanque de energia comece cheio no dia seguinte. Então você, como eu, e assim como milhares de pessoas que trabalham de madrugada, só nós sabemos o que o nosso corpo tem que fazer para um dia seguinte você parecer bem. Parecer, né? E aí tem aquela história também, ah, eu não vou, quando viaja, né, eu não vou dormir em dólar, eu não vou dormir em euro. Ou dormir é para os fracos. Então a gente tem que revisar várias crenças, não só do modelo de trabalho, mas como também é dos nossos estilos de vida, para realmente ver se aquelas ideias do passado fazem sentido com esse mundo de hoje. Eu preciso passar por essa atualização de identidade. Aí entra a escolha, o autocuidado. Eu vou ter que escolher, Ana, se eu vou colocar na agenda uma coisa que eu posso deixar para depois, que não é tão importante, ou se eu vou querer me colocar na agenda para escovar o dente 4 vezes por dia. Isabela, mas isso é exemplo? Sim, o autocuidado vai dos cuidados pessoais mais básicos aos mais sofisticados, eu vou chamar assim. É um curso, né, de expansão de consciência, como nós fizemos com o Tadashi, maravilhoso, E se você não se der o tempo de tomar um banho decente, não adianta querer ir para a Lua, não adianta querer fazer um doutorado, não adianta querer ir para o MIT. O autocuidado, Ana, é o único caminho para você continuar se adaptando a todas essas mudanças e a todas que ainda virão sem tantos custos. É claro que de repente você tá numa semana, num projeto, você dormiu pouco, Tudo bem, se na próxima semana você compensar. É isso, autocuidado é fazer por você aquilo que só você pode fazer por você. Não é só fazer a unha, não é só é cuidar de fora, mas é cuidar de dentro, mas de verdade. É menos blá-blá-blá e mais ação. E essa ação não é sair desesperada fazendo mais um monte de coisa, não, pelo contrário. É fazer menos coisa fora para você fazer mais coisas por você. E começa pelo sono, tá? O sono, gente, em qualquer lista, primeiro tópico.
Primeiro um bom descanso, né, para depois fazer tudo aquilo que você quer fazer, realizar todos os sonhos. Isabela, e o que que você poderia indicar para as pessoas em termos de autocuidado, né? Começar o dia já de uma outra forma, como amanhã é o Dia dos Namorados, né? E assim, o que que eu posso fazer por mim, já que, né, algumas pessoas não poderão estar perto, né, dos namorados ou das namoradas? Mas o que eu posso fazer no dia de amanhã, começar um novo dia já pensando nesse autocuidado?
Ai, que danada, Ana! Eu acho que o dia Já que então você me abriu esse espaço, ele precisa começar com a noite. Não adianta eu querer levar o celular para cá ou para a cama e depois reclamar que o sono está conturbado, que foi fragmentado, que acordou cansado. Porque também não importa a quantidade, de novo, né, quantidade e intensidade. Não importa o número de horas de sono, mas a qualidade dessas horas de sono. Então eu vou dizer uma coisa que eu faço, tá? Eu faço Todo mundo ali à noite foi lá, escovou o dente e tal, tá indo para cama, deita com o celular, dá aquela última revisada nas redes sociais, no Zap, no e-mail e tal. O que que eu faço, Ana? O Thiago dá risada, né, porque ele deita com o celular e eu fico em pé na cama. Eu dou a revisada, vejo se não tem nenhuma mensagem urgente, né, alguma coisa, mas eu fico com o telefone em pé do lado da cama. Dou a última revisada porque eu sei que se eu entrar em algum conteúdo, se eu me aprofundar em alguma mensagem, minhas pernas vão começar a doer e é o sinal tipo deu. Então eu olho o telefone por último em pé do lado da cama porque isso me obriga, aliás, isso me desperta por um tempo mais curto, né, tipo deu, Isabela, agora é hora de dormir. Já faço um exercício de fazer isso pelo menos uns 20 minutos antes de eu ter que estar dormindo. Eu voltei agora para a Rádio Bandeirantes, então eu posso acordar 10 para 6. Olha que maravilha, maravilha! Porque se você me perguntar qual é o horário de sonho, de dormir, dormir 10, acordar 6. Que que eu tô fazendo? Durmo 10 para 10, acordo 10 para 6. Eu ajustei 10 minutos. Então o que que eu faço? Eu, 20 minutos, 30 minutos antes, eu já me desligo. Consigo fazer isso todo dia? Não. Mas o dia que eu não tenho essa disciplina, aí o bicho pega, entende? Então é você já ficar atenta às consequências dos seus hábitos assim, horas depois, né, no dia seguinte. Então tô dando esse exemplo porque às vezes a gente ouve assim: ai, faça um ritual, 1, 2 horas antes desligue o telefone. É lindo na teoria, mas na prática, será que a gente consegue? Não sei, né?
Então, pelo menos algumas vezes eu já tentei, mas é muito engraçado como você fica durante muitos anos trabalhando. No meu caso, né, e eu acho que no seu também, a gente ficou muito tempo trabalhando de noite para madrugada. A maioria das pessoas que a gente conhece e que a gente foi tendo amizade também trabalhavam nesses horários e continuam trabalhando nesses horários. Então assim, hoje em dia a gente vai dormir 10 horas, 10:30, vem uma mensagem de alguém que tá trabalhando ainda. Ai, como é que você tá? Não sei o quê, preciso conversar com você, tal assunto. Eu não posso falar: eu preciso ir dormir, né? Então assim, tem dias e dias, mas já tem que começar aí já preparando o dia para isso.
Perfeito que você falou, Ana. Aí entra no outro assunto que eu abordo, né, nas palestras, que é o encontrar limite no mundo sem limites. Né, porque você vai ter que colocar. Então os amigos vão continuar mandando mensagem? Aí, quando trabalhava na madrugada, eu tinha que, né, tentar dormir às 5 da tarde, acordava 1 da manhã. Se eu respondesse uma mensagem 1 da manhã, será que alguém ia ficar feliz? Quem não era da madrugada também não, entende? Então existiu uma compreensão de mão dupla. Desculpa. Aí lá na hora do almoço, né, que já era quase o final do dia para nós. Aí eu respondi, olha, tal, tal, tal. Então acho que é uma compreensão de mão dupla nesse caso. Você tem que colocar os limites. Então, respondendo a sua pergunta, eu preciso começar a minha noite de sono bem para acordar no dia seguinte bem. Então, será que eu estou— você falou do Dia dos Namorados, né? E teve essa semana, eu tive acesso a uma informação, fiz até uma live, que aumentou 9.900% o número de procura no Google pela palavra divórcio online.
Eita, tá.
Então a gente sabe que nesses últimos meses muitas pessoas viveram por milhares de situações adaptativas, estressantes e tal. Mas vamos lá, para quem está namorando, né, mas tá assim meio irritado, meio cansado, a gente tem que entender o que é meu, que é do outro, que é da internet, o que é meu, o que que eu posso eliminar. E isso passa por esses hábitos do sono, Ana, do sono, sabe? Então, para uma relação saudável, eu tenho que ter todo o ambiente saudável, né? Que você perguntou, então, Dia dos Namorados, eu vejo uma relação saudável é um ambiente todo saudável. A gente precisa pensar de uma maneira ecologicamente integral, né? Não adianta só culpar uma outra coisa, uma outra pessoa, e se colocar também nesse jogo E aí sim, da autorresponsabilidade, e volta o autocuidado.
Eu até vi um comentário que foi feito agora há pouco aqui, ela falando assim: ah, mas o meu marido não gosta de dormir com a TV ligada e eu gosto de dormir com a TV ligada. Tem que entrar num consenso, né? Um dia você vai dormir com a TV ligada, outro dia a gente vai dormir sem a TV tá ligada. Tem que ter um acordo. Luiz já tá reclamando aqui já. Que ele gosta de dormir com a TV ligada e eu não consigo de jeito nenhum.
Eu também não. Nossa, mãe, eu viro um bicho, na verdade. Mexeu no meu sono, Ana, eu viro um bicho. É que o Thiago tá lá no trucão, senão ele vinha aqui dar um depoimento. Sim, a compreensão ela tem que vir dos dois lados também, porque hoje é um que tá com uma rotina, né, com mais limitações, no dia seguinte é outro, e assim vamos. Mas Acho que no geral, eu não sei se eu respondi sua pergunta ou não, mas o sono ele precisa ser considerado, a gente precisa respeitar mais o sono. O telefone é a última coisa que a gente desliga e a última coisa que a gente liga. E aí complementando, eu coloco inclusive isso no livro. Acordou, por mais que já dá aquele ciricutico de pegar o dedinho e já ligar o telefone e ver o que que tem, Vai no banheiro, faz seu xixi, escova seu dente, lava seu rosto, toma seu café, pelo menos começa a preparar o café sem o telefone. Olha que loucura! Há 20 anos isso não era pauta em lugar nenhum. Mas sim, a gente precisa se adaptar. Nós precisamos de novo encontrar o nosso limite nesse mundo sem limites, porque enquanto você colocar o telefone na tomada, ele vai funcionar. Enquanto esse dedinho estiver incontrolável, a gente vai viver uma vida esgotada, cansada, porque nós estamos consumindo o cérebro. E se a gente não dorme bem, o cérebro não se recupera e você vai num ciclo vicioso.
E a gente tem visto aí, né, Isabela, pesquisas, né, comprovando hoje que as estruturas cerebrais elas se renovam. Então a gente precisa tá cuidando bem delas para que essa renovação aconteça de uma forma positiva, né.
Neuroplasticidade, neurogênese ou neuroplasticidade, você pode usar os dois termos. E os médicos, Ana, a ciência na verdade só reconhece isso há 10 anos. Então olha quanta coisa a gente ainda vai evoluir, sabe? Quantas conversas ainda como essas existirão para que as resistências comecem a se flexibilizar, para que as crenças comecem a ser também revisadas. Porque não adianta crença antiga para o mundo novo, não adianta. A gente só vai ficar sofrendo. E aí, de quem é culpa? Culpa do tempo, é para fazer mais rápido? Não, nós é que não estamos encontrando os nossos limites.
Isabela, queria agradecer muito. Eu acho que assim, a gente tem muito, a gente tem 35, tá em 35 minutos de live. Daqui a 5 minutos eles me derrubam, eles têm feito isso, eles têm feito isso.
O Instagram é uma hora.
Ah, com a gente não tem sido feito isso não. Vamos conversar, vamos continuar. Se eles derrubarem a gente, a gente depois manda uma reclamação as duas juntas.
Pronto, fica no seu tempo. Se também é, precisa encerrar, a gente depois faz outra, sem problema.
Vamos falar, porque a gente tem muito assunto. Eu assim, eu posso chamar assim, a gente eu acho que tem que se chamar mais, conversar mais, porque nós passamos por situações muito parecidas e eu acho que quem está assistindo a gente também passa todo dia por isso e a gente tem que trazer isso à tona. A gente não pode mais ter medo de falar: olha, gente, eu passei por isso ou eu passei por aquilo. Que nem tem muita gente que eu conheci nesse caminho, né, de quando tomava remédios para dormir, tudo, que falava assim: ai, eu não posso falar que eu tomo remédio para dormir. Eu disse assim: por que não? É aceitar que você está precisando de ajuda, né? E o assunto do autocuidado é justamente isso, né? Você aceitar que precisa de ajuda e que pode falar sobre isso, né?
Ana, maravilhosa colocação. É a falta de atualização de identidade, porque quando a ficha cair, você não vai ter vergonha de falar. Para quem quer que seja, que você precisa de ajuda. Aliás, pedir ajuda é um ato tremendo de coragem, né?
Parece que você se renova depois que você consegue fazer essa caminhada, né, da autoajuda. É muito gostoso.
É, a Rosa tá falando: Isabela, faça uma live sobre como dormir. Rosa, eu já fiz 3, tá tudo lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, e é um assunto infinito também. Se deixar, eu faço uma por semana. E o assunto rende porque é um problema que atinge milhares de pessoas e nós não vamos na origem. É igual a gastrite, né, que é uma consequência da falta do autocuidado. Aí o pessoal fala assim: ah, porque é, tô trabalhando tanto com uma gastrite que eu tenho que tomar um monte de café. A gastrite não é por conta do café, a gastrite é por conta do excesso de trabalho, que aí sim você tem que tomar um monte de cafeína, né? Então você tem que ir na origem do trem, não adianta ficar ali só na superficialidade. E quando você fala, me vem assim várias coisas, eu preciso escolher o que que eu vou falar. Mas é muito importante a gente falar sobre as características biológicas, tá? Eu sou mulher, você é mulher. Que tipo sanguíneo você é?
Eu sou A positivo.
Pronto, eu também sou A positivo. Mas vamos supor que eu fosse O positivo. Somos mulheres, já não temos o mesmo tipo sanguíneo. Somos iguais?
Não, não.
Se nós engravidássemos agora e a gente vai numa padaria, nós duas juntas, a gente toma um suco de melancia, eu enjoo e você não, eu sou a fresca? Pegou? Então a gente tem que tomar cuidado com os nossos julgamentos e análises superficiais por tudo que tá, por tudo que acontece ao nosso redor, porque Eu vivi no meio ambiente julgamentos muito, muito, muito equivocados, inadequados, com comentários assim: ah, mas tal pessoa também faz esse horário, fez esse horário e não adoeceu. Sério? Sério? Vamos lá então ver a necessaire da bolsa, vamos então perguntar realmente como essa pessoa está debaixo dessa maquiagem, Vamos ver realmente quais são, né? Então assim, a gente não pode julgar o outro por aquilo que a gente tá vendo, porque aquilo que a gente não vê, Ana, é muito maior do que aquilo que a gente vê, muito maior, né? Então esse julgamento que as doenças invisíveis trazem, ele é muito danoso. E aí, como eu te falei, além da pessoa ter que lidar com tudo que ela já tá lidando, com, né, o corpo que já tá ali, né, pedindo um socorro tremendo, ela tem que ligar, lidar com Gente que não sabe o que tá falando. Aí você não sabe, você quer se defender, você quer ajudar a pessoa, tipo, pera, né, vamos ampliar esse repertório. Mas aí também chega um momento que você cansa de querer convencer as resistências. Hoje eu não convenço mais resistência nenhuma porque a gente tem dados. A gente tem dados porque, por exemplo, especificamente sobre burnout, a gente tem quase 20 milhões de brasileiros com diagnóstico. 20 milhões é mais do que a população de Aí, se você juntar com a depressão e com ansiedade, diagnósticos, tá? Não as pessoas que ainda nem procuram. Nós temos 50 milhões. Então é um quarto da população brasileira economicamente ativa que está passando por alguma dificuldade, por algum, alguma, como é que chama? Tem uma psiquiatra que fala sofrimento mental, e isso é incapacitante. Então eu não posso mais falar que isso que eu não enxergo é frescura, que é mimimi, Ana. Sabe por quê? Senão eu vou ter que falar que o COVID é frescura, eu não tô vendo o vírus. Então eu preciso ter, eu preciso de empatia por aquilo que eu não vejo. Senão, Ana, eu tô assim, ó, hoje com o burnout, com tudo que eu venho estudando, eu não titubeio em dizer: ou você tá tendo, ou vai ter, ou está convivendo com alguém que tem. Sim, e isso atinge de profissionais de saúde a padres, Ana, padres que também se dedicam muito, não conseguem se cuidar, estão sempre disponíveis e não podem errar.
Oi, Isabela, e você acha que isso tem a ver com o fato, e eu até, até você falou anteriormente, né, da crença que a gente não podia muito mostrar, né, o que a gente sentia, o sofrimento, né, que sofrimento não se mostra, só se mostra a parte feliz, né, a parte boa da vida e que a gente não deve mostrar os sofrimentos internos da gente. Acho que chegou o momento da gente ser totalmente transparente, né?
É, a Brené Brown, ela tem feito uma, ela tem sido uma voz muito importante nesse sentido. Ana, tem vários livros, documentários, TED Talks e tal, e ela fala sobre a tal da vulnerabilidade. E eu entendo quando as pessoas têm dificuldade em reconhecer a fragilidade, Por quê? Porque, Ana, a gente ouve que— e o assédio moral? Você não quer fazer? Tem uma fila querendo fazer, né? Engole esse choro, né? Não traz o problema de casa para o trabalho. E agora ferrou, né? Porque o trabalho tá em casa. E aí, gente, como é que a gente faz? Você entendeu, né? O tipo, como é que é? Não leve trabalho para casa, você tá trabalhando em casa. E aí tem o oposto, né? Do tipo, ah, não trago os problemas de fora para dentro da empresa. E aí, gente, É mais um motivo para a gente pensar ecologicamente uma rede integral. Não dá mais para ter esse tipo de fala, não dá mais para eu chegar para uma analista maravilhosa, competente, e dizer assim: "Ah não, você não precisa descansar, Ana." Ah não? Ana, até máquina precisa de manutenção. Máquina precisa trocar peça, precisa de manutenção, precisa de upgrade. Então assim, vamos parar com a hipocrisia de achar que a gente é super-homem, super-mulher. Nós não somos. Uma outra coisa também do: ah, você tem que superar os seus limites. Eu compreendo, mas não todo dia. Não se colocar em risco todo dia. Ninguém sobe Everest todo dia, tá?
As pessoas se preparam, vão lá, cumprem as suas ações, depois tem um tempo de descanso.
Linda! É isso. Quando eu falei dos padres, eu gosto de mostrar, né, a gente adora dar fonte, né, Ana? Esse livro aqui, ó, O Desgaste na Vida Sacerdotal: Prevenir e Superar a Síndrome de Burnout. Essa autora, a Helena de Meserville, ela entrevistou 700 padres da América Latina. Ana, 3 em cada 5— 900, perdão— 3 em cada 5 dos quase 900 sacerdotes que ela entrevistou Tem burnout. Então nós vamos ter que considerar que todos esses padres estão de mimimi? Não, gente.
É porque se a gente for ver, né, Isabela, na história, né, o que ficou lá atrás, hoje a gente passa por esses tratamentos, né, que nem terapia, você vai no psicólogo. Antes ninguém ia. Quem passava por algum problema assim já era internado de cara, né? Quantas clínicas, né, foram queimadas, foram destruídas depois de um tempo que eles começaram a ver o que causaram de danos nessas pessoas. E hoje, graças a Deus, a gente tem médicos maravilhosos que estudam cada vez mais, a ciência vai trazendo respostas, trazendo informação pra gente, e hoje a gente não precisa mais passar por isso. Então ainda existe aquela população que tem medo de procurar um psicólogo, um psiquiatra. Ah, eu não vou no psicólogo, não vou fazer uma terapia, porque acha que isso é coisa de gente fraca. E nós, sendo nós duas mulheres fortes do jeito que a gente é, a gente sabe que não é coisa de gente fraca, né? A gente pode hoje falar isso de boca cheia, que não é.
Aliás, que delícia, né, a gente poder falar a verdade, libertador, sério, é libertador.
Poder falar.
A liberdade é um negócio, Ana. É, eu tenho hoje muito, eu fico triste quando eu ouço as pessoas ainda repetindo isso, né, que é psiquiatra, psicólogo, é médico de louco. E eu digo, louco é quem ainda pensa assim, né? Eu não preciso procurar ajuda, senão vou demonstrar fragilidade, que que vão pensar de mim? Meu amigo, É melhor você explicar, se você tiver que falar para alguém, com saúde, sabe? Eu entendo esse medo por conta das medidas higienistas, como você mesmo mencionou, né? As interpretações, elas foram muito equivocadas no passado. A gente não tá mais vendo no passado, a gente tá vivendo no presente. Então, de novo, revisão de crenças, né? E aí tem uma outra coisa, né, Ana? Se há 100 anos, por isso que eu te falo, a gente tem que ver o caminho que nós chegamos até aqui, porque não foi de um dia para o outro, né, que nós estamos vivendo, estamos vivendo. Então, se há 100 anos eu usava mais a minha força física, ah, é por isso que hoje você chega em qualquer pronto-socorro, tem um clínico geral e um ortopedista. Legal. E agora eu tô usando o quê? Minha força mental, intelectual. O burnout, inclusive, tem vários médicos que me falam, é a repetição. Repetição. E a outra crença absolutamente ilusória de que eu posso fazer várias coisas ao mesmo tempo. Nossa, eu tô aqui falando no telefone, respondendo e-mail, ouvindo isso aqui. Não, você não está fazendo tudo isso ao mesmo tempo. Você está se autoenganando que você tá fazendo tudo isso bem feito. Não, você tá botando uma atenção aqui um pouquinho, ali um pouquinho, gasta uma energia tremenda, chega o final do dia, está exausto. Fala: nossa, não fiz nada. Você fez um monte de coisa, no fundo você sente que você não fez nada, que tudo ficou mal acabado, ficou pela metade.
Você não consegue nem ter, como você falou, uma noite de sono de qualidade, porque simplesmente você tá com a mente destruída, né?
O sono é o mensageiro do dia. O sono mensageiro do dia. Não adianta a gente também ter outra ilusão de que, ai, tive um dia absolutamente esquizofrênico, aí vou chegar à noite, ai, vou dormir igual um anjo. Não vai, o sono é consequência também do dia. Que que a gente estava falando antes de agora falar disso, gente? Eu tava falando tanta coisa.
Não, mas vamos deixar fluir.
Não, tem muito, mas eu falei, sai do assunto, que a questão genética, tá? A gente tem que levar sempre em conta não só o ambiente mas as nossas características genéticas para que o ambiente não potencialize. Onde eu quero chegar com essa história? Se eu já tenho histórico familiar de diabetes, eu não posso trabalhar de madrugada, Ana, e eu tenho histórico. Quando eu entrevistei a Doutora Dalva Poiares do Instituto do Sono e ela começou a me falar que quem, mulheres que trabalham no turno da noite, tem 20% mais chance de desenvolver câncer de mama e saem com 84 doenças na frente do que pessoas que trabalham no horário normal. E dessas 84, 5 são gravíssimas. Eu já tinha 3, e a quarta, né, que eu poderia desenvolver uma diabetes, foi ali que eu falei: minha família tem. E aí é quando os especialistas falam: por mais que o ambiente não seja o causador original, ele pode ser o potencializador de alguma situação que já, que já, que pode, né, ser potencializada, vamos dizer assim. E aí, Ana, o seu organismo vai começar a pifar, a solicitar mais energia no órgão mais vulnerável. É por isso que umas pessoas começam esse processo do burnout com dor de estômago, outras com taquicardia, outras com problema não sei aonde, porque é o órgão mais vulnerável de cada pessoa que vai reagir primeiro. E aí, se você não para, um órgão vai precisar da energia do outro, que vai precisar da energia do energia do outro, aí você tá completamente desequilibrado, sobrecarrega a máquina toda, né? Pronto, é isso.
Tá bom, Isabela, eu agradeço muito, tá? Não vejo a hora de poder te dar um abraço daqueles bem dados que nem a gente dava lá no curso de expansão. Maravilhoso, demais, muito bom. Eu acho que a gente se conheceu na hora certa, né? Com certeza, é muito gostoso essa troca da gente poder estar trazendo, né, essas informações através das lives, eu tenho acompanhado as suas lives também, eu acho que isso trouxe uma união da gente, que mesmo depois que a gente passar por isso tudo, a gente não pode perder, né? E saber que a gente pode levar comunicação para as pessoas e que hoje as pessoas também estão se permitindo se atualizarem também, né? Em vez delas ficarem esperando tantos anos para terem essa informação, elas estão conseguindo agora através das lives. Então a gente tem que saber, como você falou, ter esse equilíbrio, né, justamente, mas também se permitir usar a tecnologia de ponto favorável. Me fala novamente o seu site para as pessoas poderem, que tem um monte de gente aqui que querem saber da parte da respiração, querem saber de como dormir melhor. Eu acho que nós duas somos bons exemplos de que assim Gente, existe forma de parar de tomar remédio para dormir, existe, e é maravilhoso, é saudável, tá? Ele pode ser um pouco difícil no início, né, Isabela? Mas depois a gente vai vendo que a gente vai voltando ao normal aos poucos, né?
Sim, até porque, né, Ana, repetindo, nós não estamos como estamos de um dia para o outro. Então também não vai ser de um dia para o outro em que você vai voltar ou começar a ter uma vida que vale a pena ser vivida. Então lá no meu canal, Isabela Camargo Real, tem todas as conversas que eu venho tendo nesses últimos meses. É, convido todos para entrar. E as palavras são sementes, né? Se eu conseguir semear aqui um coração, já fico feliz, porque a gente pode replicar. E nós estamos somando juntas. Eu fiquei muito feliz com seu convite. Também quero Te parabenizar pelo que você está fazendo, pelo que você começou a fazer logo após a sua saída. E nós ainda temos muito chão pela frente, Ana. E nesse momento, se eu pudesse dar assim o último recado, é: precisamos reler a nossa biografia, entender o que a gente fez até aqui, validar tudo que nós fizemos até aqui, reconhecer o que vamos ainda levar na bagagem, o que pode ficar com muito carinho no passado, que a gente não precisa mais. Reler a biografia ajuda no E cada um sabe a sua lista de autocuidado. Eu falei aqui exaustivamente sobre o sono, mas alguém vai falar qualquer outra coisa. Vem a Isabela chatonida de novo e fala: tá, faça isso, mas durma, tá? Então, no caminho do autocuidado, você começa dormindo bem para depois viver bem. Tô à disposição sempre, Ana.
Obrigada, querida. Gratidão. Tudo de bom para você, tá?
Um beijo grande. Obrigada, gente.
É isso aí, meus amores. Hoje o On Live fica por aqui. Quem esteve com a gente foi a jornalista Isabela Camargo, uma belíssima comunicadora aí que sempre traz informações ótimas para gente. E o On Live você pode acompanhar também pelo podcast, tá, no Spotify, Deezer e CastBox. Eu vou deixar no IGTV e também depois na página no YouTube. Um grande beijo para vocês, um feliz Dia dos Namorados amanhã. Aproveite o momento e não esqueça que a Isabela falou: durma bem para restaurar tudo.
Beijo!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








