Autocuidado para o bem-estar da nossa mente.

Journalist José Paulo interviews author Isabela Camargo about burnout and self-care. Camargo burned out after a TV career, developing 28 health issues from occupational stress. She recommends micro-breaks, conscious breathing, saying no, and updating your self-image rather than clinging to who you used to be.
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Olá, tudo bem? Boa noite, estamos começando aqui a nossa live ao vivo pelo Instagram. A gente atrasou um pouquinho, me perdoe pelo atraso, me perdoe porque a gente estava concluindo o evento agora e acabou dando um probleminha. Obrigado a você que está participando conosco, vai ser muito legal essa live. Eu estou aqui com a Isabela Camargo, ela é uma pessoa mais que especial e vamos falar sobre um tema extremamente importante hoje. Eu estou aqui conectando Participe aqui ao vivo do nosso Instagram, fazendo perguntas. Vai ser uma live muito legal. Olá, Isabela. Como vai?
Tudo bem.
Tudo bem. Me perdoe por trazer os minutinhos, Isabela.
Tudo bem? Tá tudo certo. Na hora certa, dá certo sempre, não é?
Olha, vai ser um desafio falar com alguém que é mestre na comunicação. Eu que acompanhei você tantas vezes na telinha. Logo pelas manhãs eu acordava e tinha oportunidade de olhar e ter as informações do dia e tal. Então eu vou tentar fazer o melhor porque eu não sou um profissional da comunicação. Vamos ver como é que a gente faz, né?
Primeiro, eu preciso saber se eu posso chamar de Zé Paulo, José Paulo, Zé Paulo. Como é que você gosta? Como é que você prefere?
No Brasil, acho que deve ter 100 milhões de José. Pode chamar de José, o nome popular, José, José Paulo, como você quiser.
Pronto, você então já definiu, então você já me deu ok. José Paulo então. Fique à vontade, fique tranquilo. Eu já quero agradecer o convite da Live e também o livro Decisão Ideal. Gosto muito do que você coloca aqui sobre a integridade, a constância, resultados e estou animada para essa nossa conversa. Feliz que tenha dado certo.
Que legal. Já que você mostrou aqui, eu também quero agradecer a você Muito obrigado, né? Só foi digital? Só foi digital? É, porque aqui onde eu tô, eles não entregam aqui o físico, então eu comprei, eu tive que mudar minha loja Amazon pro Brasil, aí fiz a compra do Kindle do Brasil, aí depois mudei de novo a loja pra cá.
Menino.
Mas deu tudo certo. Eu li o teu livro. E eu vou começar a dar uma primeira dica aqui para as pessoas. É um livro maravilhoso. Você está de parabéns. É um livro que você traz um tema com leveza, com muita riqueza de dados. E uma dica que eu dou aqui de tempo, hein. Quem clica no Notas Populares do Kindle, ele pega os highlights que todo mundo assurou em toda parte do mundo. A inteligência coletiva. Então, eu gosto de livro digital porque, por exemplo, no teu livro aqui, só pra você ter uma ideia legal, chama-se Popular Highlights. Olha. 300 pessoas achuraram isso no capítulo 1. Velocidade é uma virtude, pressa é um descontrole. Então, cada capítulo, quem tem agilidade, quem quer utilizar tempo, compra um livrão maravilhoso desse e tem notas populares, onde tudo marcou, você lê o livro, que é uma maravilha.
Gente, já aprendi uma. Está vendo a tecnologia fantástica? Fisicamente distantes, mas mentalmente conectados. Já aprendi uma aqui na cara.
Eu tinha um chefe que ele comprou uns livros pra nós, ele dizia o seguinte Toda escola, por mais simples que seja, tem uma biblioteca E por que as empresas não tem uma biblioteca? E aí ele comprou os livros lá e disse, a empresa precisa capacitar as pessoas e tal E nessa época, a gente tinha aquele amarelinho que a gente pintava, a caneta amarela, a Lumicomio, e aí aquele livro passava na mão de um e outro. E aí a gente às vezes pegava e lia. Agora, é interessante que o teorismo aqui tem marcação aqui em tudo que é capítulo e muita marcação.
Ele se tornou best-seller há dois meses, Paulo. Lancei em agosto e há dois meses ele se tornou best-seller porque ele é um livro que fala pra quem tá vivo. Pra quem tá vivo. Não é um livro sobre burnout, não é da minha história, não. É sobre o tempo. Então é pra quem quer viver um tempo de qualidade. É tanto pra aquelas pessoas que acham que o tempo tá voando ou pra aquelas pessoas que acham que o tempo está parado.
Agora, diz uma coisa, Isabela. Bom, você dispensa apresentações. Agora todo mundo conhece a Isabela Camargo. Brilhante jornalista, comunicadora. Todos nós tivemos a oportunidade de você brilhar nas telas da televisão aberta. Quer dizer, fala um pouco mais sobre a Isabela, além das câmeras de TV, que é um sucesso absoluto. O que mais a gente pode saber da Isabela?
Olha, eu sou paranaense, sou do interior do Paraná, vim pra São Paulo com 16 anos e tenho muitas passagens que são parecidas com a sua história também. Então, quando começamos jovens, nós temos muito tempo e poucas oportunidades. Aí a gente vai trabalhando até essa conta inverter. Na verdade, você vai trabalhando bastante para que as oportunidades aumentem e aí que vem um grande ponto, que eu já quero aqui, já na largada, aproveitar quem está nos acompanhando. Que é saber reconhecer, Paulo, quando você tem que aprender a dizer não Porque senão você vai trabalhando, se aperfeiçoando, se aprimorando, e se você não aprender a dizer não Você vai vivendo uma vida que não vale a pena ser vivida, porque aí você só sobrevive pra cumprir tarefas, não é? Então, eu vi aqui numa publicação sua, eu até deixei aqui, olha, profissionais do futuro devem ter capacidade de fazer grandes perguntas. E você sabe que pra treinar ou não, uma das formas que eu ensino, inclusive no livro, é fazendo perguntas antes do sim. Então quando você vai receber mais trabalho, quando você recebe um convite, quando você recebe realmente pedidos de trabalho, se você não perguntar pra quando mais alguém pode vir comigo, o prazo pode ser estendido, você vai entrando numa cilada. Então, com medo de fazer perguntas, você vai dizendo sim, só que é o seu tempo, meu amigo, que está indo embora. E, de repente, é um tempo que pode te fazer falta para o essencial. E o essencial, Paulo, é aquilo que você, como mentor e gestor de outras mentes brilhantes, sabe que você vai ter que entender o que sim e o que não, senão vão fazer isso por você. Faz sentido?
Total sentido. Isabela, além de você ser uma pessoa extremamente simpática, carismática, né? E as pessoas que assistem na televisão e tal, elas têm a impressão... Olha, a Isabela é soft, light, não tem sobrecarga de trabalho. está sempre sorrindo, feliz, para nós e tal. Então, para a audiência que acompanha, é como se você fosse alguém sem limites, porque está sempre sorrindo todos os dias, seja notícia difícil, notícia boa e tal, e você está sempre, tem um posicionamento impecável, né? Eu queria que você falasse um pouco, quer dizer, como é que se faz nos dias de hoje o contexto, um mundo incerto, complexo e veloz? Como é que a gente faz nos dias de hoje, ainda mais quem trabalha com comunicação, que é uma coisa absolutamente dinâmica, pra manter o controle e a paz espírita?
Que pergunta ótima. Paulo, seguinte. O subtítulo do meu livro, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. Aí eu vou ter que trazer aqui o seu livro, para mostrar o seguinte, integridade, constância, resultado e fé. Como você consegue encontrar limite em um mundo sem limites? Primeiro, é você sendo integrou para se ouvir. Se ouvir. Não importa o que você faça, o negócio que você esteja entrando, as ideias que você quer colocar em prática, você precisa ouvir o que o seu corpo está dizendo. Se não, depois você vai reclamar, ou pior, botar culpa em alguém ou em algo. Só que você se negligenciou. Então hoje, pra você encontrar limite nesse mundo sem limites, você não pode se negligenciar. E eu digo isso em relação à experiência que eu vivi com a síndrome de burnout, que eu não reconheci os meus limites. Então, você perguntou, você falou em relação à TV. Aquilo que você vê na TV, ao vivo, são minutos ou até segundos de um trabalho que foi executado por horas antes daquilo ir pro ar. É a mesma coisa que alguém vê você e fala assim, nossa Paulo, mas você tá trabalhando só umas 3, 4 horas hoje? Que fácil. Mas ninguém vê o que você faz antes de aparecer. E todas as profissões são assim. Entende? Eu nunca posso subestimar a trajetória, o tempo dedicado para nada, porque eu não sei. Como é que eu posso julgar? Então, infelizmente na TV você tem um recorte, como nas redes sociais também você tem um recorte. Mas ok, respondendo a sua pergunta, então os limites todos nós ultrapassamos. Por quatro questões. Os nossos limites físicos e mentais. Vamos lá. Nós vivemos em uma sociedade que quer resultado. Ponto. Isso é um fato. Isso não é bom nem ruim. É. Mas algumas empresas querem resultados sobre-humanos sem te dar condições de executar o que você precisa executar. Então essa é uma coisa. A sociedade é como é. A sociedade é. Ponto. De novo, nem boa nem ruim, ela é. Segundo, você quer ser produtivo. Você não quer, Paulo? Lógico que você quer ser produtivo. Você quer ser produtivo, você estuda, você se aperfeiçoa. E você quer performar? Evidente. Terceira coisa, você não vê problema em abrir mão de si para performar, para trabalhar. Você não vê problema em abrir mão do seu sono, do seu tempo de lazer, do seu tempo com a família para trabalhar. Você não vê problema nisso. E quarto elemento, Paulo, que agora você vai juntar tudo, a sociedade valoriza esse comportamento de só trabalhar. Esses quatro elementos favorecem a uma vida em que você não reconhece os seus limites. E outra coisa, que aí eu trato no livro com bastante carinho, atualização de identidade, Paulo. Se você não reconhecer as suas características hoje, você vive uma ilusão. Porque o meu corpo e o seu corpo hoje são diferentes de ontem e de 10 anos atrás. Então não adianta a gente querer viver numa ilusão de que eu hoje, Isabela, com 39 anos, posso dormir pouco como eu dormia quando eu tinha 19, por exemplo. Quem nunca ficou até tarde estudando, ou foi pra uma festa, né? Dormiu pouco no dia seguinte e ainda falava, nossa, olha, eu sou, né? Porque eu quase não dormi e tô ótimo. Quando a gente tem menos idade, o nosso metabolismo é diferente, a nossa recuperação é outra. Mas depois com o tempo, o tempo vai passando, Paulo, e você precisa atualizar a sua identidade. Quem você é hoje e quais são as suas características de saúde hoje. Aliás, gente, o nosso corpo muda do bom dia ao boa noite, tá? A gente acorda de um jeito e dorme de outro jeito. Então, pra você, Paulo, falando diretamente aqui com o seu público pelo que eu pude sentir.
Tem bastante gente aqui, nós estamos com 3.657 pessoas.
Muito obrigada pelo tempo e confiança de vocês. Então, se você quer realizar os seus planos e metas, se você quer continuar acelerando, pega essa, você vai ter que desacelerar um pouquinho. Você vai ter que ter a humildade e reconhecer que sim, o seu corpo precisa descansar. Paulo, se você tivesse me dado assim, ó, aliás um beijo pra Bárbara, tá, que fez aqui a conexão conosco. Se a Bárbara tivesse falado assim, Isabela, você vai ter só 5 segundos com o Paulo. Se vira. O que que você vai falar? Eu diria... Durma. Não me importa, tal, que se você me perguntasse eu ia te falar.
Durma.
Porque pra você viver bem, você precisa dormir bem. No mínimo, no mínimo, no mínimo. Não adianta querer alçar, querer conquistar bens materiais de milhares de dígitos, porque se você não cuidar da sua saúde, você não usufrui nada daquilo que você trabalha. Eu sei que às vezes essa forma de falar parece um pouco dura, Paulo, mas eu gostaria de ter ouvido isso antes, porque eu vivi naquela ilusão de que nós não temos limites. Veja, Uma coisa é um projeto especial, uma coisa é alcançar uma meta, uma coisa é meses, você viver meses de extrema entrega. Se esses 3.600 corações que estão aqui já viveram o sonho de correr uma maratona ou já correram uma maratona, o que eu vou dizer? Você tem que recuperar entre uma maratona e outra. O problema é que nós estamos querendo ir de maratona em maratona sem tempo de descanso. E o Gustavo Borges, falando então de maratona e ele nadador-atleta, ele fala no meu livro, quando eu perguntei assim pra ele, Paulo, eu falei, quanto tempo um atleta de alta performance treina? Aí ele falou 16 horas. Eu falei, como 16 horas? Ele falou assim, tem o tempo do treino na piscina, o tempo do sono, o tempo da alimentação. O tempo do sono? Ele sim. Para um atleta de alta performance performar, eu preciso incluir no essencial o tempo de descanso. Então você, Paulo, um profissional de alta performance, que lida com profissionais de alta performance, você tem se incluído na agenda para descansar? Ah, Isabela, nesses últimos tempos não. Tudo bem. Desde que você reconheça que, ó, agora, virando a semana, eu vou me recuperar. Mas não dá mais pra gente viver a imagem que nós não precisamos descansar, porque vivemos num mundo digital. Mas o nosso cérebro, o nosso corpinho ainda é do tempo das cavernas.
Agora, Isabela, você como eu, nós somos imigrantes digitais. Na minha época, quer dizer, na minha adolescência, não tinha internet. Eu vi o internet nascer, aquele sistema de conexão de internet do IG, do cachorrinho. Não sei se você acompanha essa... Até.
Hoje eu vejo aquele cachorrinho e eu falo, olha o IG.
Então, nós que somos imigrantes digitais, essa galera aí que já é nativa digital, eu queria fazer uma pergunta. Você acredita que, inclusive está no teu livro, você acredita que o mau uso da internet pode acelerar as pessoas em fazer mal?
Sim, acredito, baseado até pelo que os médicos explicam. Os especialistas que estão no livro e outros que não estão no livro, mas com quem eu converso sempre, sim. Paulo, tudo que você não sabe usar, você é usado. Tudo em excesso faz mal. Estar desempregado é ruim. Estar em burnout é ruim. Só tem burnout quem ama o que faz. 99% das pessoas que eu conversei, e foram 4 mil, que tiveram o diagnóstico da síndrome de burnout, amavam o que faziam. Então eu generalizo, pode ser que uma ou outra pessoa vai dizer, ah, mas eu tive que, eu fiquei sobrecarregado por anos, mas eu não gostava do que eu fazia. Você é minoria. Porque a maior parte das pessoas que ultrapassa seus limites, é porque ama o que faz e não vê problema em fazer mais do que o corpo aguenta. E vai negligenciando aquelas vozes que chegam, aliás, aquelas mensagens que chegam em forma de dor. Só pra finalizar, desculpa, desculpa, desculpa te interromper. Então sim, a internet, ela traz a ilusão de apenas benefícios, mas se você também não coloca limite, você vai sofrer as consequências dela. Se você quiser, depois a gente fala sobre isso.
Quer dizer, é uma ferramenta que, bem utilizada, pode aumentar a proteção, mas a mal utilizada... É que nem uma faca, não é burro e ela pode cortar carne ou matar alguém, né?
Como avião, como carro, como um monte de coisa.
Agora diz uma coisa importante para o pessoal que está nos acompanhando. Bom, o que é burnout? Quando a gente pensa em burnout, é o fogo que... Quer dizer, é como se fosse cozinhar o ovo, acabou a água e aí começa a panela. Explica um pouco de uma maneira didática, porque parece... O que é burnout?
Bom, burnout, definição que você vai encontrar no Google. É um problema que você adquire dentro do ambiente do trabalho pelo excesso de trabalho e estresse. Então, classificação da Organização Mundial da Saúde. Fenômeno ocupacional causado pelo excesso de estresse e trabalho dentro do ambiente laboral. Paulo, é um problema de saúde como qualquer outro que você adquire dentro do ambiente profissional. Na década de 90, já que você falou da nossa trajetória, mais ou menos temos uma idade parecida, na década de 90 os bancários tiveram um problema nas articulações, chamava Lerdort, lesão por esforço repetitivo. Isso foi um problema ocupacional da década de 90. Século XXI, estamos usando mais a força muscular, a articulação ou o mental?
Mental.
Então teremos problemas de saúde relacionados à mente. Simples assim. Assim como nós tínhamos lesões físicas pelo excesso de trabalho no passado, hoje nós estamos com lesões mentais pelo excesso de trabalho. E assim como uma lesão física pode ser superficial ou profunda, o burnout também. Você tem estágios do burnout. Eu fui diagnosticada já nos últimos estágios do burnout e que eu vi do meu médico que já era um pré-infarto. Eu já cheguei no médico com o braço esquerdo adormecido. Já cheguei sob risco de convulsão. Então, isso é burnout. Problema ocupacional. Pelo excesso de estresse e trabalho. Definição da Isabela. Ausência de si mesmo. Tá certo. É a negligência É a sua autonegligência. Você está carregando uma necessaire provavelmente cheia de remédio e não está vendo o problema em ficar apelando para remédio para dar conta do trabalho. Faz sentido, Paulo?
Todo sentido. Agora, diz uma coisa. No capítulo 2 do seu livro, tem uma frase aqui que muita gente assinalou que é o seguinte. Depressão é excesso de passado, estresse é excesso de presente e ansiedade é excesso de futuro. Existe alguma relação entre depressão, estresse e ansiedade com o burnout?
Toda. Toda. Algumas crenças explicam... Vamos começar pelo presente. Essa frase foi trazida pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, uma autora de vários best-sellers que fala sobre saúde mental. Nós viemos também, Paulo, de uma... Nós não somos só da geração da internet discada, né? Eu e você, e acredito que muitos que estão aqui, somos de uma geração em que houve que você ser multitarefa e fazer várias coisas ao mesmo tempo é normal. Bom, especialistas também dizem que não. Você não consegue fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo. O que você tem é a ilusão de alternar a sua atenção. Então, eu posso estar aqui vendo e conversando com você. Eu posso até, de repente, surgir um barulho aqui na sala, eu vou com a minha atenção pra lá e volto, mas eu perdi o que você falou. O que que eu posso fazer ao mesmo tempo? Lavar louça, manual, e ouvir essa nossa entrevista. Então, uma atividade manual e uma intelectual até passa. Até passa. Mas, querer responder um e-mail, falando no telefone e ficar ali observando alguma coisa, isso não vai acontecer. Por quê? Imagina um quarto escuro, Paulo. Imagina você colocando um farol no cantinho desse quarto escuro. Assim é a nossa atenção. Então imagina que essa caneta é um farol. Eu estou colocando luz aqui nesse canto, pode até vir uma luzinha pra cá, mas é esse canto que está sendo iluminado. A nossa mente é assim. Você só vai absorver e viver aquilo que você está dando foco. Nossa, olha só pra onde vai esse raciocínio. Significa que se eu tiver distraído com muitas coisas, eu não estou vivendo em lugar nenhum.
Não vive o presente. A única coisa que pode ser vivida é o presente, né?
Isso. Vou te fazer uma pergunta. Onde está o passado e o futuro?
Não está ao meu alcance.
Está aqui, Paulo. Inclusive, Santo Agostinho fala no livro. Santo Agostinho foi o religioso estudioso do tema.
Conheço, sou teólogo.
Pronto, Santo Agostinho. Presente do presente, presente do passado e presente do futuro. Santo Agostinho diz, escreve no livro, confissões. que o correto seria nós chamarmos presente do presente, presente do passado e presente do futuro, porque eu só consigo, ó, já vou respondendo a outra pergunta, depressão e ansiedade. Eu só consigo, Paulo, lembrar do meu passado agora. E eu só consigo lembrar do meu futuro agora. Porque se eu vou pensar em algo que eu planejei para o futuro, isso já é uma memória organizada. Então, tanto o passado quanto o futuro, olha que lindo isso, gente. É memória, é presente. Então, memória não é passado, não é memória, é presente. Você só consegue lembrar do passado agora. Você só consegue lembrar do que você já tá planejando pro final de semana agora. Então, isso já é um passado organizado. Você já pensou em algum momento pra hoje pensar no futuro. Olha que curioso. E aí, o que vai acontecer, Paulo? Olha como tudo se encaixa. Se eu estou usando a minha energia e o meu cérebro hoje de forma equivocada, ou seja, se eu não estou dando tempo para uma informação ser absorvida, se eu não estou dando tempo para as minhas emoções, se eu não estou dando tempo para viver e estou apenas usando o meu tempo para sobreviver, eu não formo memória. Quantos de nós chegamos ao final do dia e a gente nem lembra o que almoçou? Por quê? Porque fez um monte de coisa ao mesmo tempo. Passou de uma atividade pra outra sem dar tempo pra essa caixa maravilhosa chamada cérebro, que é o hardware, a mente que tá dentro, que é o software, processar as informações. Então, o que a depressão e ansiedade tem a ver com o que nós estamos falando? Bom, se eu não vivo, se eu não estou agora prestando atenção no que você tá me falando, se eu estiver preocupada com a sua próxima pergunta, se eu estiver preocupada com alguma outra coisa que vai acontecer, eu não estou prestando atenção no que você tá me falando. Vamos estender isso ao longo do nosso dia. Se eu terminei o dia sem estar presente no meu presente, pode ser que depois de um tempo eu olhe para o meu passado com muita insatisfação. E aí vem a emoção chamada tristeza. Tristeza é emoção, depressão é uma doença. Então, depois de longos períodos de tristeza, por mau aproveitamento do tempo, por reações indevidas, aí sim eu posso ter uma depressão. Por que a depressão é excesso de passado? Eu estou tão agarrada a algo que aconteceu, bom ou ruim, que eu esqueço de viver agora. E a ansiedade, sendo excesso de futuro, é porque eu estou tão preocupada com o que vai acontecer, Eu tô tão tensa com o que de pior pode acontecer, que eu deixo de viver o presente. E aí eu entro num quadro ansioso. Lembrando que a ansiedade tem a boa e a ruim. A boa é aquela, Paulo, por exemplo, eu estava em uma baita expectativa pela nossa conversa. Nós demoramos pra cruzar a agenda, e eu sabia que na hora certa ia dar certo. Eu estava muito curiosa em conhecer você aqui digitalmente, embora já tivesse passado pelo seu livro e olhado o seu conteúdo. Eu estava com uma ansiedade boa. Ansiedade ruim é aquela patológica em que eu só vejo o futuro da pior maneira. Nossa, mas o que ele vai me perguntar? E se eu não souber? E não sei o que? Já é um sofrimento. Percebe? Então, você pode entrar em um caminho para a ansiedade patológica. E você pode entrar em um caminho da tristeza pra te levar à depressão se você estiver absolutamente distraído e não tiver atualizado a identidade, Paula. Você só vai conseguir viver uma vida que vale a pena ser vivida se você souber quem você é hoje. Porque se você estiver alimentando aquelas ilusões de, ai, mas antes eu fazia assim, antes era assado, isso é uma ilusão. Então você não pode lembrar do passado com perdas, mas você também ganhou. Você tem habilidades hoje, Paulo, que antes você não tinha, com certeza?
Sim, sem dúvida. Eu acho que é muito legal isso. E eu acredito que muitas pessoas mesmo, elas... tem traumas, ressentimentos, pensamentos que trazem o passado e realmente, às vezes, dificulta até focar no presente ou ficam ansiosos, como você falou. Eu acho que isso é uma grande realidade. E diz uma coisa, perfeito. Hoje, você escreveu esse livro, você teve uma mudança de carreira, uma transição de carreira. Imagino que hoje você treina muitos executivos, empresários e a audiência Precisa muito disso, pessoal que está nos acompanhando, porque a gente, normalmente, o empresário, empreendedor, executivo, é meio pilhado. Pessoal de TV, acho que também é, porque é o que você disse, o que a gente vê são poucos fleches. Como que a gente busca esse equilíbrio? Eu, Zé Paulo, nós temos aí as sete áreas da vida. Eu criei um sistema meu próprio, nós temos um projeto que a gente ensina a equilibrar pessoal, profissional, familiar, social, financeiro, cultural e espiritual. A gente organiza a semana em blocos e cuida de cada coisa como aquele chinês que bate sete pratinhos, quando chega no sétimo, o primeiro tá pra cair. Como é que você vê essa questão de equilíbrio? Como colocar isso na prática?
A atualização de identidade.
Agora, olha que coisa interessante.
Porque se você não organizar, Paulo, se você não olhar pra sua realidade, você vai ficar vivendo na ilusão do passado e esses pratinhos, ou seja, a roda não gira. Eu costumo usar uma mandala do tempo, uma roda do tempo, eu coloco 10 áreas e dentro dessas áreas eu coloco o tempo livre. Paulo, as pessoas não sabem o que é tempo livre. Muitos me perguntam, ah, mas o que é tempo livre? Dormir é tempo livre? Ah não, lazer é tempo livre? E eu vou explicar com muito carinho, não. Tempo livre é nada. É você fazer nada. E a gente desaprendeu a fazer nada. Paulo, presta atenção no que eu vou te dizer. É justamente pra você e pra sua audiência. Pra continuar acelerando, a gente precisa desacelerar um pouquinho. E o que eu quero dizer com isso? Parar para se ouvir e respirar, prestar atenção na respiração, não é meditação. Não é mindfulness. Tem pessoas muito mais habilitadas para falar sobre isso. Estou falando sobre amor próprio. Respirar. Porque o intervalo, Paulo, entre a inspiração e a expiração é o que eu chamo de tempo. É o que nós temos de vida. Porque o dia que a gente não fizer mais esse movimento significa fim. E eu preciso lembrar do fim para promover a vida. para ter noção de que se eu não respeitar os limites do meu corpo, eu não vou continuar. E veja, isso é tão simples, mas o simples ofende, e o simples às vezes incomoda. Que muitos executivos falam assim, mas eu não posso parar. Não estou pedindo para você parar. Todo mundo aqui deve dirigir, ou se não dirige, acompanha alguém que dirige. Como é você sair do ponto A ao ponto B? Você tem que dar uma freadinha na lombada, você para no farol, você continua. Porque se você quiser ficar duzentos por hora o tempo inteiro, você vai se acidentar e vai se colocar em risco. E outras pessoas em risco. Então quando eu falo em pausa, em micropausa, é você, entre um e meio e outro, respirar. Entre uma atividade e outra, tomar um copo d'água. É ir ao banheiro sem o celular. Faz sentido, Paulo? É que é simples demais.
Sim, claro. Você sabe que tem o Domênico de Masi, né? Domênico de Masi.
Domênico de Masi.
É isso aí, o osso criativo, ele trata algumas coisas. Agora, você comentou uma coisa interessante, aliás, até alinhado com essa pessoa, o Stephen Cove, nos 7 Hábitos, que ele escreve aquele livro, o best-seller, ele coloca da galinha, quer dizer, galinha dos ovos de ouro, né? Que você tem que preservar a saúde dela pra conseguir manter a geração dos ovos de ouro, mas certa vez o fazendeiro quis que a galinha produzisse mais e começou a colocar algumas coisas para que ela produzisse mais. A galinha morreu e aí até aquilo que ele tinha não tem mais. Aí ele fala do equilíbrio da capacidade de produção com produção e acho que esse overload de atividades é muito legal. Esse overload de atividades realmente... E ele tem uma frase muito legal nesse livro que diz o seguinte, quem tem pressa tenta dar devagar, né?
Sim. Inclusive, quando eu falo nos meus cursos sobre produtividade sustentável, que é você continuar fazendo o que ama com saúde, porque ninguém, Paulo, quer ser o funcionário do mês e no mês seguinte o afastado do mês. Produtividade sustentável é você fazer o que ama, ou seja, continuar fazendo o que você ama com saúde. Então, eu não conhecia essa história da galinha, já gostei, depois eu quero até acessar esse conteúdo, mas quando eu falo sobre prestar atenção na respiração ou tomar um gole d'água entre um e-mail e outro, E várias pessoas me olham com aquela cara do tipo, nossa, que bobagem, eu não tenho tempo pra fazer isso. É aí que você tem que pensar no assunto. Porque se você acha desnecessário se cuidar só com a respiração, beber água, dar um intervalo de alguns segundos, eu chamo de micro-férias, Paulo, 30 segundos de férias por dia. Todo mundo aqui deve gostar de tirar férias. Então o que eu sugiro? 30 segundos de férias. É entre você, entre uma atividade e outra, Botar os pés no chão, sentar direitinho e respirar com o nariz, soltar com a boca. Simples, mas o simples ofende, porque a pessoa vai dizer, nossa, mas se é tão simples assim, como que eu não sabia disso antes? Isso é transformador. Só que aí, de novo, você tem que ter humildade, Paulo, em reconhecer que a solução não tá na farmácia. Tá na pausa que você não quer fazer.
Olha, Isabela, há 4 mil anos atrás, um pouquinho mais, na Bíblia Sagrada, o Deus no sétimo dia descansou. Quando ele concluiu a sua obra no sexto, no sétimo ele descansou. Então, o exemplo vem do Criador do Universo, que nós temos que ter o tempo para descansar, e nesse tempo a gente consegue se conectar com coisas que vão muito além do T, aí vão no campo do C. Então, como nós estamos num mundo capitalista orientado pelo T, em um mundo extremamente frenético, dinâmico, incerto, veloz, as pessoas, essa economia do conhecimento imprimiu uma dinâmica absurda nas pessoas. Aliás, tem um vídeo, um filme que você já deve ter assistido, que é o Dinema das Redes. No Netflix tem um que diz que se você não compra nenhum produto, você é o produto, né?
Sim, é isso mesmo.
Você tá nas mídias sociais, existe toda uma inteligência pra poder mostrar pra você as propagandas e tal. Eu queria que você falasse um pouquinho pro pessoal que está aqui, qual o primeiro passo pra pessoa encontrar, ter um encontro consigo própria e começar a entrar na estrada do equilíbrio e da felicidade?
A atualização de identidade.
Agora, essa atualização, deixa eu explicar uma coisa importante. Umas vão para o Tibete fazer meditação, outras vão para o deserto do Sahara olhar as estrelas, outras vão para a igreja, outras oram ao Senhor pedindo que abençoe e diga qual é o seu objetivo aqui na vida, o seu propósito. Aliás, abrindo um parênteses, no seu capítulo, Tempos Mais Que Modernos, eu lembrei de uma frase do Charles Chaplin que dizia o seguinte, a vida do artista, do famoso, é difícil, porque metade do tempo ele alcança a fama, e a outra metade ele tenta se esconder da fama, porque é todo mundo que vê as pessoas em tudo quanto é lugar, e quer autógrafo, quer tirar foto e tal. Por que eu estou falando isso para você? Essa questão da busca da identidade, de quem sou eu, especialmente para quem tem notoriedade, para quem tem uma vida extremamente agitada. Como é que a pessoa faz para poder encontrar? Busca de identidade. E eu me recordo de uma atriz que deixou de ser atriz para ser mãe. E era de ser a mãe mais feliz do mundo. Só que na época, eu achava que se eu fosse ficar fora das telas, Como ia ficar o meu brilho? As pessoas me conheciam, queriam fotos comigo, etc. E ela disse que é a mãe mais feliz do mundo e tal. Então, eu quero te fazer uma pergunta. Como buscar a identidade? Muitas pessoas estão falando conosco aqui, são pessoas famosas, pessoas que têm uma projeção e tal. E, às vezes, encontrar essa resposta não pode fazer com que a pessoa seja uma pessoa muito de profissão, uma outra atividade. Como lidar com tudo isso? Compreendemos essa pergunta?
Sim, acho que sim. Bom, primeiro eu tenho que fazer uma outra pergunta Por que será que nós temos que atualizar documentos com frequência? Carteira de motorista, RG, será que a gente só muda fora ou muda dentro?
Muda dentro.
Também muda dentro. Quando eu falo em atualização de identidade é você reconhecer se os planos que você tinha há 10 anos ainda estão valendo, o sonho que você tá correndo atrás ainda é o que te faz sentido, porque às vezes, Paulo, eu vou generalizar, não gosto de generalização, mas aqui cabe, em muitos momentos nós estamos correndo atrás de algo que nem é mais o nosso foco. Por que estamos distraídos e por que não paramos para pensar? Então, essa resposta que muitas pessoas vão buscar longe, tá aqui dentro. No silêncio que a gente não faz. E é claro que por termos mais farmácias do que livrarias nas esquinas, é muito mais fácil você buscar a solução dos seus problemas em um remédio. Então, por que Estou como estou? É uma pergunta. Aliás, o que que eu tô sentindo? Se eu não reconhecer um problema, como é que eu quero resolver um problema? Eu tô buscando solução pra quê mesmo? Por que que eu quero o que eu quero? Por que que eu tô fazendo o que eu tô fazendo? Por quê? Para quem? Como eu estou fazendo? Que custo esse sonho tem hoje na minha vida? lidamos agora nos últimos meses, estamos lidando com a pandemia achando que tudo sempre esteve no nosso controle e não, a única coisa que está no nosso controle é a nossa respiração porque a partir dela que você vai tomar decisões, que você vai escolher, que você vai reagir. Então Paulo Eu não vejo essa fala do Chaplin só para artistas. Eu sou jornalista, então é um outro grupo para todas as pessoas. Às vezes estamos buscando algo e depois a gente foge daquilo que a gente buscou por falta de atualização de identidade. Aí o que vem? Um burnout, um infarto, um AVC, um aneurisma, ou seja, uma dor muito que vai bater forte pra você falar, nossa, não sabia que eu tava indo por esse caminho. Não sabia que eu estava assim. Então, primeiro, toda dor é uma mensageira. A dor não é sua inimiga, ela é consequência daquilo que você tá fazendo. E encontrar a sua, aliás, atualizar a sua identidade pra supor que você reconheça a sua identidade. Então você vai ter que parar alguns minutos, e aí sabe o que eu sugiro, Paulo? Minutos sabáticos. Muitas pessoas querem parar tudo e aí vou ficar seis meses, né, pra me encontrar. Não precisa, não precisa. Você pode fazer minutos sabáticos por dia. Você pode incluir uma respiração consciente. Alguns minutos por dia. Paulo, você já dirigiu um carro com câmbio manual e câmbio automático?
Sim.
Qual é a diferença quando você dirige um carro com câmbio automático e manual? Qual é a diferença?
O manual tem que trocar as marcas, o automático não.
Sim. O que está por baixo disso que você me disse?
A gente fica no piloto automático.
Isso. Quando você coloca o câmbio automático no manual, você está tendo a autonomia do carro de novo. A respiração é a mesma coisa. Ela está no modo automático o tempo inteiro. É involuntário. Só que ela é absolutamente passiva. A hora que eu penso em encher os meus pulmões de ar, e soltar este ar, eu tô colocando o meu câmbio no manual. Eu tô assumindo a autonomia da minha respiração. E que se a minha respiração, se eu considerar essa figura de linguagem que o momento em que eu inspiro e expiro a tempo, eu tô assumindo a autonomia da minha vida.
Sim. Agora, você acredita que, por exemplo, Eu, particularmente, acredito que todas as pessoas têm uma contribuição importante a dar para o mundo. Eu acredito que todos nós estamos aqui para fazermos esse mundo um mundo melhor, um mundo mais fraterno, um mundo mais positivo, agregar de alguma forma com as boas qualidades que a gente recebeu quando nasceu. Então a gente recebe algumas qualidades, desenvolve outras e agrega ao mundo. Você acredita que viver em desacordo com o seu propósito, pode gerar um grande mal e até um problema como esse?
Sim, um problema de saúde, como temos vários. Fibromialgia, tiroides. Tantos problemas de saúde que, na verdade, são pedidos do seu corpo para dizer, para um pouquinho, não é por aí.
Agora, Jamela, o burnout e a ansiedade eles parecem que são primos, eles andam ali meio lado a lado. Eu não tô falando como médico, eu não sou médico. Mas alguns sintomas do burnout se assemelham com ansiedade, não?
Alguns sintomas do burnout se assemelham com infarto, se assemelham com vários problemas de saúde. Sim.
E você quando passou por tudo isso, quer dizer, você ao longo do processo, imagino que isso não foi de um dia pra noite. Como é que você percebeu que tinha que buscar uma ajuda de um especialista? Porque as coisas vão acontecendo, de repente você sente uma dor muscular, o pé começa a gelar, alguma coisa nesse sentido. Como é que você falou que tem que procurar?
Na verdade, foram dois anos em que eu acumulei 28 problemas de saúde. Eu já tratava com seis especialistas.
Mas você parece bem. Você não parece que tem nenhum problema de saúde? Você acumulou esses 28 problemas de saúde?
Paulo, você é teólogo. Você vê a fé?
Não.
Como é que você acredita na fé?
Hebreus 11. A fé é o primeiro fundamento daquilo que não se vê, mas você tem absoluta certeza. Olha, eu não vejo o vento, mas eu tô sentindo ele batendo aqui porque tem um ventilador do meu lado.
Pronto. Excelente explicação pra qualquer pessoa que ainda tiver dúvida sobre o que é depressão e ansiedade. A gente não tem empatia por aquilo que a gente não vê. Eu não acredito que uma pessoa que aparentemente tem tudo e que tá ótima, não consiga trabalhar. Que é frescura. Frescura é a dor que você ainda não sentiu. Então eu preciso, no mínimo, Deixar de ter preguiça, porque ignorância é preguiça, pela busca de uma informação que você ainda não tem. E reconhecer, Paulo, números. No Brasil são 20 milhões de brasileiros com diagnóstico da síndrome de burnout, esgotados, colapsados mental e fisicamente. 19 milhões de ansiosos, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, e 12 milhões de depressivos. Então eu tenho cerca de 50 milhões de pessoas com frescura? Estão mentindo? Preciso rever então os meus conceitos sobre aquilo que eu não vejo. Como é que eu acredito no coronavírus se eu também não vejo o vírus? Ah, então eu preciso rever as minhas crenças. Eu preciso, no mínimo, como eu disse, deixar a ignorância de lado e buscar novas informações para entender que Nós escondemos dores debaixo da maquiagem, debaixo de um terno muito bem cortado, dentro de um carro bem luxuoso. Todos nós temos nossas dores e são a partir delas que nós nos reconhecemos. O que eu só não posso sair daqui e deixar de dizer que é o seguinte, tudo isso pode ser prevenido. Se você tiver humildade em reconhecer que toda ação vai ter uma consequência e você só vai colher aquilo que você plantar. Felizmente ou infelizmente é assim. Só que no meu caso, e no caso de muitas pessoas que eu já entrevistei, mais de 4 mil, foram 28 problemas de saúde sendo tratados com especialistas. Nossa, Isabela, então você não esperava que aconteceria algo pior? A gente acha que nunca vai acontecer nada pior. Então eu ia tratando com seis especialistas diferentes, cardiologista, endocrinologista, psiquiatra, psicólogo, cada um tratando na sua área, até que o último chegou e juntou as peças do quebra-cabeça e falou, isso chama síndrome de burnout. É um conjunto de sinais e sintomas adquiridos no ambiente profissional. Então não é que quando eu tive o apagão ao vivo em um dos maiores canais de TV, eu esqueci a capital do meu estado. Todo mundo tem lápis de memória, não tem? Todo mundo tem lápis de memória. A diferença é quando você esquece. a chave de casa e onde você mora. São esquecimentos diferentes. E naquele momento, esse meu apagãozinho teria passado batido se eu não estivesse ao vivo, em um dos maiores programas, um dos maiores jornais do mundo. Só que o que ninguém via é que eu estava colapsando. Então meu corpo estava transpirando inteiro, taquicardia, falta de ar, mãos e pés gelados, tontura, enjoo, ou seja, um colapso. Então eu não posso dizer que aquilo que eu não vejo não acredita, que aí eu, trazendo aqui para o presente, eu não acredito no coronavírus. Então eu preciso ter mais empatia por uma dor que eu não vejo.
E nesse momento, quer dizer, aquilo que eu perguntei, quer dizer, o momento que você decidiu buscar ajuda era um momento que colapsou ou antes de colapsar?
Não, então. Eu já estava procurando ajuda com seis especialistas. Eu já estava buscando ajuda. Eu não negligenciei os 28 problemas de saúde. Eu busquei ajuda fora da empresa e dentro da empresa. Só que só foi depois deste apagão que outro especialista juntou as peças de um quebra-cabeça. Então a mensagem que fica aqui é, será que nós estamos tratando como normal o que é anormal? Será que eu preciso infartar pra ver que seis especialistas me tratando estão querendo mostrar alguma coisa? Eles não sabiam o diagnóstico, a gente ainda tem dificuldade, porque o diagnóstico é clínico. Ah, não é a vizinha que fala, não é o colega que fala, não. É um conjunto de sinais e sintomas que você tem que avaliar. Então, na verdade, foi o último especialista que me deu o diagnóstico correto. Mas eu poderia ter parado antes. Mas aí seria tema pra uma outra live, que aí envolve outras decisões.
Quer dizer, é um especialista, possivelmente um psiquiatra, né?
Depende. Hoje eu conheço médicos integrativos maravilhosos. Eu falo, nossa, porque eu não te conheci antes? Então não é só um psiquiatra que pode te ajudar. Um neurologista, um ginecologista, ou seja, é aquele médico que vai ouvir você e que vai olhar não só os seus exames de sangue, números, mas vai te perguntar como você está integral. Porque nós somos integral. Eu não sei em que momento da medicina se separou mente e corpo. Saúde física e saúde mental. Não, gente, é saúde. A sobrancelha pra baixo não funciona se da sobrancelha pra cima não estiver ok.
Olha, eu vou além, aí a gente marca outra live. Saúde física, mental e espiritual.
Totalmente, totalmente.
Mas, olha, tem tanta coisa pra gente falar. Eu queria, antes de terminar aqui, a gente tá... Deixa eu ver... Nós temos ainda alguns minutos. Antes de terminar, eu queria fazer uma perguntinha pra você, quer dizer... Ao longo de todas essas entrevistas, de todas essas pessoas que você conversou e tudo, muitas pessoas, elas tardam a buscar ajuda. Elas procuram... Eu sei porque eu já tive uma síndrome do pânico. Eu já passei por uma coisa como essa e eu não queria ir no psiquiatra porque eu achava que quem ia no psiquiatra era maluco.
Irmã do burnout. E aí eu tive um problema aí.
Enfim, aí eu tive essa situação. E aí eu recebo que muitas pessoas ainda, elas não procuram ajuda no psiquiatra, num especialista de mente, porque elas têm o preconceito de achar que, poxa vida, vou procurar um psiquiatra, porque as pessoas vão pensar de mim que eu tô ficando maluco? Mas aqui não é nada disso, é um profissional capacitado ou que seja outros médicos. Eu queria que você falasse um pouquinho para as pessoas que não chegaram a um estágio avançado, mas estão sentindo alguns sintomas disso. Ok, tem a questão da identidade, mas o que elas podem fazer? Primeiro, lê o seu livro. Eu acho que é um livro muito legal. A pessoa lê o livro, amou o livro, como eu amei o livro. O que a pessoa tem que fazer?
O livro é pra quem tá vivo.
Pra quem tá vivo.
Pra quem tá vivo. Não importa o seu grau de escolaridade, sua idade, sua posição social. É pra quem tá vivo. E é pra quem lida com 24 horas. Então, a partir do momento que você tem mais autonomia do que você faz com as suas 24 horas, você vai tendo mais consciência das consequências do que você faz no seu corpo. A atualização de identidade, Paulo, passa por uma noção real das suas dores atuais, de onde elas vêm, e como você vai poder curá-las. E não terceirizar isso pra alguém. Entende? Então se você hoje está tratando como normal o que é normal, eu tô aqui pra te dizer o seguinte. Se cuide, tá? Porque não espere as férias para descansar, não espere o final de semana para descansar, não se exclua da própria agenda, se inclua na própria agenda. E veja se é o preconceito que está te impedindo de viver, porque provavelmente o preconceito está te promovendo a sobreviver. E quando a gente trabalha com dor, Paulo, com a necessidade cheia de remédios, nós não estamos vivendo, nós estamos sobrevivendo. Então, sim, eu recomendo que você procure um especialista. Vá no psicólogo. Vá no neurologista. Sim, temos preconceito ainda para falar sobre saúde mental, mas com a pandemia, como a Organização Mundial da Saúde já explicou que as consequências de uma pandemia relacionadas à saúde mental podem durar até três anos após o fim dela, significa que como vamos interagir com as situações interfere totalmente na nossa mente. Então se você não cuida da sua mente, ela domina você e domina da pior maneira. Em que você não sabe mais onde você está, pra onde você vai, quem é você. E aí muitos talentos, Paulo, são absolutamente ignorados. Então assim, você precisa estar bem integralmente pra colocar os seus dons a serviço do mundo. Não esconda suas dores, não joga debaixo do tapete porque uma hora o corpinho vai parar, que foi o que aconteceu comigo.
E que sugestões você dá para os familiares, para o chefe da empresa lidar com pessoas que estão com esses sintomas? O que eles devem fazer para ajudar a pessoa?
Bom, duas situações. Empresas, vocês têm profissionais muito dedicados, só tem burnout quem ama o que faz. Então, se você oferece plano de saúde para o seu funcionário, veja nos dados do plano de saúde quais são os caminhos que certos profissionais estão tomando. E não ignore esses dados. Não ofereça um plano de saúde e depois vai brigar com o sujeito porque ele tá usando um plano de saúde, não. O RH tem números, Paulo, que podem evitar milhares de problemas, milhares de dores e milhares de custos. Então a empresa sabe. A empresa sabe o profissional que tá entregando, ele sabe o profissional que está tentando ser mais do que ele pode. Quer fugir da síndrome de burnout? Fuja dessa imagem. Nós não somos super-heróis. Isso aqui é um recorte. Igual o que você vê na TV, é um recorte. Então nós precisamos descansar, como você bem mencionou, como está no descanso da Bíblia, no sétimo dia. Então, empresas, sendo muito objetiva, vocês podem criar métricas dentro, usando os números que vocês já têm. Não ignorem o problema. Porque depois, quando um profissional não é ouvido dentro, ele vai buscar ajuda fora. E aí ele vai encontrar outras pessoas que também estão buscando ajuda fora. Entende? E aí você interfere na reputação da empresa de uma maneira que poderia ter sido evitada. Eu sei que é difícil lidar com isso, mas não se esqueça que temos problemas ocupacionais desde que a Revolução Industrial substituiu o trabalho artesanal de uma pessoa que era de uma vida em um dia. Bom, família. Primeira coisa, você gosta de ser acolhido e de não ser julgado. Quem está do seu lado também quer acolhimento e não quer mais julgamento. Já está tendo julgamento de muitas pessoas. Então, às vezes, Paulo, você queria ajudar alguém que está em um estado depressivo e que não tem norte, você fala, não, levanta daí, vamos para o shopping, vamos para o show. Isso é uma violência. A melhor maneira de você oferecer ajuda é se colocando diante da pessoa, seja por telefone ou fisicamente, dizendo, estou aqui. Quando você tiver vontade, quando você quiser falar, eu estou aqui para te ouvir. Ponto. E não faça a pergunta, posso te ajudar? É, como eu posso te ajudar? Muda tudo.
Isabela, tem alguma coisa que eu não perguntei, em linha geral, que você queira falar, que é importante para a audiência saber? Aliás, eu já sugiro às pessoas que sigam você, Isabela Camargo Real, você tem entrevistas lá, muito legal. Às pessoas que não adquiriram o livro, comprar o seu livro, acompanhar o seu canal no YouTube, que é cheio de dicas. E você é uma excelente palestrante, uma excelente... apresentadora, que também ajuda a empresa. Eu queria que você fizesse algum comentário final de algo que eu não tenha perguntado, que você acha relevante, e falasse um pouco do belo trabalho que você faz hoje em prol das pessoas desse problema de burnout.
Então, a prevenção, ela é a resposta para qualquer pessoa. Prevenção. Lembrando que burnout não é o fim, é só um freio, como outros problemas de saúde, outros problemas ocupacionais. Então eu vivi essa experiência pra hoje, como jornalista, poder falar sobre prevenção. Como que você vai prevenir a síndrome de burnout e qualquer outro problema de saúde? Se incluindo na própria agenda. Então vamos aproveitar. Você sabe que essa é minha última live, né Paulo? Olha só que minha última live do ano, a não ser que surja alguma outra situação, mas eu fiquei muito feliz em poder fechar minha agenda com você, que eu sabia que seria para um público que precisa se incluir na agenda. Aproveitando então o final do ano, antes que você faça aquelas listas de o que eu vou fazer e não sei o que, primeiro faça uma lista que você vai excluir para se incluir. Não adianta depois dizer que o tempo tá contra você. Não. Ninguém tá contra você. É você mesmo que está indo contra a própria agenda. Porque estamos gananciosos demais querendo fazer tudo o tempo inteiro. Não. Como diz Ecclesiastes mesmo, tá aqui no livro, há um tempo pra tudo. Então você tem que ter a humildade em reconhecer quando o tempo é dinheiro e quando você precisa descansar. Então, talvez a principal mensagem que eu queira deixar agora, Paulo, é se inclua na agenda. Não faça uma lista de o que é prioridade importante. Você primeiro tem que fazer, antes de tudo isso, a lista do que é essencial. A lista do essencial vem antes de todas as outras. E se você não estiver no essencial, as outras listas não vão se realizar. Então, ideal mesmo, Paulo, é você parar um pouquinho, E se ouvir, que dor que você tá escondendo? Que sonho que você tá nutrindo? Tá tudo certo? Tá tudo fazendo sentido? Bora lá. Mas se não, perceba onde você se perdeu. O burnout é um luto. O burnout você se perde em algum momento porque quis performar demais, teve medo de dizer não, teve medo do desemprego. e você tá colhendo as consequências desses excessos. Então, Paulo, talvez é o Si Incluir em 2021 que vai ser aqui a minha mensagem final.
Isabela, eu quero finalizar agradecendo você imensamente por estar aqui conversando comigo, agradecer você pelas horas dedicadas na televisão, com extrema dedicação pra nós que somos como telespectadores e somos, esse burnout aí, esse excesso de dedicação, que nós tivemos a oportunidade de assistir conteúdos maravilhosos que você trazia à televisão. Parabéns por esse ajuste de rota, por escrever um livro tão especial, tão maravilhoso. Acho que eu nunca li nada com uma clareza tão grande, porque você consegue traduzir as contas complicadas de uma maneira muito didática. É um livro que eu recomendo para todos. E que todos possam acessar, como eu disse, o teu perfil, Isabela Camargo Real, não é isso? Até nisso você foi diferente. Um coloca oficial, outro... Mas você colocou Isabela Camargo Real. É você mesmo, né?
Realidade. Real de realidade.
Tá certo. E as pessoas que querem conhecer um pouco mais todo esse trabalho que você faz, além do livro, como que elas podem acessar?
O principal canal é o Instagram mesmo. Ali eu consigo tanto encaminhar para a empresa que me ajuda com as palestras, quanto para os treinamentos. E eu estou sempre à disposição. Dentro do meu tempo, eu respondo. Nas primeiras oportunidades, algumas pessoas me cobram. Ah, eu te escrevi, você me respondeu. Sim. Temos também que respeitar o tempo do outro. Isso seria uma outra live, viu, Paulo?
Eu quero ter uma outra live com você. Preciso fazer uma perguntinha final que todo mundo tá me perguntando aqui. Se a gente vai ver a Isabela novamente nos telejornais ou não?
Adoraria. Na hora certa vai dar certo.
Dá certo. É isso aí.
Parabéns.
Obrigado por tudo. Um excelente final de ano. Um abraço. Tchau, tchau.
Pra você também. Boa noite. Tchau, tchau. Saúde pra todos.
Tchau, tchau.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








