“Cada segundo é inédito!”

Isabela Camargo and Professor Clóvis de Barros discuss how technology changes our perception of time and what that means for happiness. Recorded August 25, 2020, the conversation explores the idea that each moment is unprecedented and how we might find limits in a world without them.
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Olá, muito boa noite. Sejam bem-vindos. Hoje é terça-feira, 25 de agosto de 2020. Seis horas e quarenta e quatro minutos. E sejam então muito bem-vindos a mais esta conversa inspiradora, com certeza, e que eu espero que vocês saiam destes nossos próximos minutos melhor do que estão entrando. Eu terei o privilégio de começar uma série de entrevistas com pessoas muito inspiradoras, especialistas do nosso tempo, para repercutirmos os assuntos que está aqui no livro Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. Eu tenho o privilégio, então, de iniciar esta série de entrevistas com o professor, filósofo e explicador, como gosta de ser chamado, o nosso querido Clóvis de Barros. Ele já está aqui e, sendo muito responsável com o tempo do professor e de vocês também, Já divido tela agora. Professor Clóvis nos dará um tempo precioso, não é professor?
Como vai? Olá, tudo bem? Tô me tentando me enquadrar aqui. O tempo é... Como você sabe, você não quer me ajudar? Porque... É um caos. Olha, você fica à vontade para fazer suas perguntas porque eu já estou a postos.
Professor, antes de tudo, muito obrigada pelo seu tempo. Obrigada pela sua confiança. Nós nos encontramos anos atrás para entrevista sobre as percepções do tempo, para o livro Dá um Tempo, e agora estamos aqui, então, no tempo certo para falarmos se o tempo está passando mais rápido ou não. Então, muito obrigada.
Olha, em primeiro lugar, eu queria te agradecer demais a oportunidade de ter participado do seu livro, que ficou maravilhoso. e agora a oportunidade de abrir essa série de conversas sobre esse tema que é tão relevante e tão importante. Então, estou super feliz de ter sido chamado, do meu nome ter sido lembrado e tomar o bate-papo seja mesmo esclarecedor e inspirador, como você falou.
Com certeza será professor. Então sendo muito responsável com o seu tempo e com o tempo de todos, eu já lhe passo a palavra para pensarmos sobre o seguinte. Agosto geralmente é o mês em que muitas pessoas sentem na pele ou percebem que o tempo está passando mais rápido. Quando nós conversamos lá atrás sobre isso, você me deu uma frase que inclusive está no livro. Quando eu lhe perguntei sobre a internet ser responsáveis por esta percepção que o tempo está passando mais rápido. E você me disse lá atrás que o homem continua soberano para discernir sobre o uso e o que quer com este uso e finaliza que se nós responsabilizarmos uma ferramenta que o homem mesmo criou pela incompetência existencial é mais um subterfúgio da falta de responsabilidade sobre si mesmo. Então professor, para quem ainda acha que a internet ou a tecnologia é a nossa vilã, o que você diria sobre o tempo parecer passar mais rápido?
Bem, eu diria, antes de mais nada, que o tempo para nós é mesmo sempre esse, o tempo que percebemos. E, é claro, os ritmos do tempo, eles decorrem de tudo que acontece conosco da vida, daquilo que nós chamamos de existência, algumas existências parecem nos tirar do tempo, outras nos arremessam num tempo enfadonho, outras nos excitam com um tempo alegre, e é claro que eu diria que a percepção da duração do tempo é só um aspecto de toda essa subjetividade que carrega a nossa percepção. Então eu acho que muito do que podemos até falar sobre felicidade é inseparável dessa sensação que é a nossa de viver num certo tempo.
Perfeito. Vamos falar então sobre o tempo da felicidade, pegando já aqui a sua última frase. O tempo da felicidade é mais rápido do que o tempo da infelicidade, professor?
Eu penso que essa questão da rapidez é talvez empobrecedora. Vamos imaginar que você tenha durante a quarentena lançado mão de um livro para e que esse livro tenha capturado a sua mente. Mas capturado a sua mente de maneira tão plena que você, durante o tempo da leitura, não conseguiu ter nenhum espaço mental para pensar em vidas paralelas. Nem que poderiam estar sendo vividas naquele momento, tampouco vidas pretéritas ou projetadas no futuro. A trama capturou a mente. Bom, esse tipo de experiência de plenitude espiritual, que pode se dar em situações existenciais, é um tipo de experiência do tempo muito particular. Eu não me atreveria a dizer que simplesmente o tempo passa rápido. Eu me atreveria a dizer que está mais para para ele não contar, ele não figurar. É uma espécie de experiência onde a sensação é de atemporalidade. E eu até me atreveria a dizer que talvez seja esse a eternidade que temos chance de viver no mundo da vida. O que é então a eternidade? menos do que viver para sempre numa existência que não acaba nunca, a eternidade é um tipo de experiência onde o tempo é, de uma certa maneira, colocado descanteio. De tal maneira, a plenitude satisfez a existência. Então, eu acho que quando talvez pudéssemos dizer que haverá uma vida boa toda vez que desejarmos a eternidade do instante vivido, talvez eu esteja me referindo a esse tipo de eternidade, que não é ficar para sempre onde você está, mas é um tipo de experiência onde você não sente o tempo passar, eu diria, nem devagar, nem rápido. Porque, como toda eternidade, é um presente que não vira passado. Aliás, belíssima definição, eternidade, um presente que não vira passado, a sensação de eternidade é a sensação daquele presente que permanece presente e que, portanto, não deixa o tempo escoar. Eu acho que aí teríamos um tipo de experiência muito particular, pode ser um pôr do sol, pode ser um beijo, pode ser um abraço, pode ser uma ducha, mas a leitura me parece um excelente exemplo.
Perfeito, professor. Pode ser também um pote de doce de leite viçosa, como você já me disse tempos atrás?
Repito, como você vê, eu continuo firme nas minhas convicções e não consegui a sabedoria de poder revisitá-las, revê-las e me livrar delas. Eu acho que a felicidade é mesmo como um pote de doce de leite que já acabou e você continua lambendo inconformado que ele tenha acabado. Então penso que é uma outra maneira de entender o problema. Quando a vida é boa, é normal que você queira que ela continue. que ela permaneça. Assim também é um beijo, assim também é um abraço, assim também é a leitura de um bom livro. E eu me lembro, lá no passado, com o meu pai, lendo As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, e o livro acabou e eu chorei. E meu pai está chorando porque, pela trama, o livro tem um final feliz, E eu digo, não é pelo final do livro, é pelo fim do livro. O que é completamente diferente é porque não há mais páginas para ler. E eu gostaria que esse livro não terminasse nunca mais como um pote de doce de leite de viciosa.
É isso mesmo. Professor, é fantástico. Nós temos aqui cada vez mais pessoas entrando para participar dessa nossa prosa, então eu quero só mais uma vez agradecer pelo seu tempo e dizer que eu, Isabela Camargo, estou conversando com o explicador professor Clóvis de Barros, queridíssimo, que participou do livro Dá um Tempo Como Encontrar Limite no Mundo dos Limites. Estamos falando sobre algumas questões que podem envolver a percepção do tempo estar passando mais rápido, que aflige muitas pessoas. Professor, falamos no início sobre internet, mas por todos os seus anos como professor, como a comunicação, como a evolução da comunicação também pode contribuir para que alguns sintam que o tempo está, na maior parte do tempo, passando mais rápido?
Bem, eu imagino que as técnicas novas, de uma maneira geral, encurtaram as distâncias e permitem, portanto, uma aceleração de encontros. Aquilo que levava uma semana para chegar uma carta daqui até Lisboa, agora traz a imagem da pessoa do outro lado no mesmo instante. E, portanto, essa aceleração de encontros, ela evidentemente reduz o tempo da espera a quase zero. Então, fomos desaprendendo a esperar. E, de certa maneira, isso provavelmente terá consequências em relação à nossa paciência diante das ocorrências do mundo pelas quais estamos ávidos, estamos esperando propriamente. Então eu penso que esta aceleração de encontros, onde aquilo que poderia levar meses leva segundos, poderá ser decisiva na hora da sensação sobre o transcorrer do tempo. Mas é preciso lembrar de uma coisa, os ritmos da vida, sempre foram ditados na sociedade em relações de poder. Em outras palavras, os ritmos da vida são um aprendizado. Você vai à escola, as aulas são de 45 minutos, toca o sinal, vai para o recreio, 15 minutos, toca o sinal de novo, você volta, e de certa maneira você sem perceber vai organizando o seu tempo em função de uma agenda que foi pré-definida a você propriamente. Assim também se você vai em instituições de maior disciplina e de maior rigor, até os passos são definidos pelo apito. propriamente. Então há uma íntima relação dos ritmos do tempo com as relações de poder. E eu diria que os meios de comunicação, de certa forma, são uma outra maneira de entender esse mesmo problema. Em outras palavras, nós continuamos com os nossos ritmos definidos por técnicas, por recursos tecnológicos que se impõe a nós. E por que se impõe a nós? Porque se nos rebelarmos contra eles, estaremos excluídos de maneira muito clara de uma série de cenários de vida social. Para existir em sociedade, é preciso aceitar certos ritmos que agora são definidos não mais pela sirene da escola, não mais pelo apito do guarda, mas pelos cliques do mouse.
É isso mesmo. Antes a notícia tinha hora para chegar. Jornais ou impressos que chegavam de manhã ou pela televisão de manhã, tarde, no meio da noite. Tudo isso consome cérebro, consome energia e consome tempo. Professor, eu ouvi algumas histórias de pessoas em que o tempo não está passando muito rápido na maior parte do tempo. Quem são essas pessoas? As que estão na fila de um banco, as que estão na fila do banheiro, um minuto fora do banheiro é diferente de um minuto dentro do banheiro, mas pessoas que estavam na fila do transplante. transplante de coração, por exemplo. Então, quando alguém diz, o tempo tá passando muito rápido? Depende. Como você disse, é uma percepção muito particular. Mas agora, nós temos ainda 15 minutos dessa nossa prosa, eu gostaria de lhe perguntar. Na sua vida como professor, em que momento você sentiu que estava acelerando demais? porque o tempo natural continua tendo 24 horas, mas na sua vida, quando o tempo acelerou mais?
O tempo acelerou mais quando eu fui abandonando uma atividade propriamente acadêmica, que era a minha mais habitual durante 30 anos, e eu entrei num mercado muito específico, muito particular, que é o mercado de palestras, propriamente. Mercado de palestras onde, aliás, eu estou instalado aí nos últimos anos, me encontro até hoje. Então, houve esta mudança de universo social frequentado, ela se traduziu numa série de rupturas simbólicas e uma das principais é, sem dúvida nenhuma, o novo ritmo. Um ritmo que sucumbido por mim e ditado, evidentemente, por uma lógica transsubjetiva social que se impõe, e assim isso se materializa em agendas definidas pelos clientes e não por mim, isso se materializa por deslocamentos definidos pelos clientes e não por mim, isso se materializa em viagens, em auditórios, em espaços de trabalho que nunca são os mesmos e sempre definidos pelos clientes e não por mim e, finalmente, isso se materializa por colegas de trabalho que, de uma certa maneira, colaboram, mas também disputam um certo espaço e que, pela competência que têm, extraordinária competência que tem acabam de certa maneira exigindo performances cada vez mais excelentes para que possa haver essa permanência no mercado para que você possa continuar sendo lembrado e assim por diante. Então eu me vi constrangido, quer pelos compradores, pelos demandantes, quer pelos concorrentes, digamos assim. E aí o ritmo se acelerou poderosamente, porque eu me vi tendo que publicar no mesmo ritmo de outros, porque no final das contas as publicações acabam simbolizando potência, energia, vitalidade, criatividade e uma série de coisas que se espera de um palestrante, eu acabei me vendo ter que estar em todos os lugares ao mesmo tempo para poder dar conta de uma demanda que poderia me punir, no caso, de uma abdicação confortável, então eu me vi premido e agredido por um ritmo de tempo que eu não escolhi, eu repito, mas que se impôs a minha vida de maneira muito clara.
Ou seja, antes, professor, você tinha um contrato de tempo que já era definido. Um professor participa de um contrato de tempo social, como você disse, um ritmo. Agora, com as demandas que podem acontecer a qualquer hora, você deixa de ser o dono da sua agenda. Isso gera ansiedade, professor? Como você controla isso?
A ansiedade maior sempre advém de incertezas, e a incerteza pior é não ter quem queira te ouvir. Quando começou a pandemia, por exemplo, você imagina que o mercado de palestra sofre um abalo terrível por conta da copresencialidade interditada, propriamente. Então surge um novo mercado de lives e prestações online, propriamente. Esse novo mercado é ditado por novas regras, novos pretendentes, etc. Então, evidentemente, é preciso se posicionar É preciso se colocar, é preciso se apresentar e, de certa maneira, assegurar aos clientes que você continua no páreo, digamos assim, disponível. E aí eu te diria, Isabela, que o descontrole da agenda, em relação à agenda, aumentou ainda mais. E por quê? porque antes o cliente sabia, não adianta querer me apressar, daqui a Manaus são quatro horas e meia, não adianta querer acelerar, mas agora que eu sento aqui nessa poltrona onde eu estou sete horas da manhã e saio às vezes dez da noite, ou eu estou tal como com você aqui conversando nos horários definidos, evidentemente por agendas que se impõem a mim, ou eu estou estudando e me preparando para poder ter o que dizer para essas pessoas. Uma outra coisa curiosa é que a pandemia trouxe um outro arsenal de temas a apresentar, a discutir, o que exigiu, de certa maneira, uma preparação, uma pesquisa, um estudo para essa, eu diria, inovação, o que não é só a inovação de aprender a falar diante de um buraquinho do iPad, mas é uma inovação temática mesmo e até mesmo de propósito em relação à prestação, porque se antes a coisa era, digamos, mais de aguerrimento competitivo, agora parece ser alguma coisa um pouco mais de pegar pela mão, dizer pera lá, vamos lá, Eu estou ciente das circunstâncias, mas vamos junto, eu estou aqui. Portanto, houve, eu diria, uma humanização das demandas em relação ao que acontecia previamente. E tudo isso é inovador e desafiador.
Perfeito. Pegando então a sua fala, professor, mais uma vez então, tudo bem eu lhe chamar de professor?
Pode chamar como quiser. Até de Clovis, que é o meu nome, como quiser.
Você me disse tempos atrás que você gostava do explicador. mas eu sinto muito carinho em me chamar por professor e por isso então prefiro sempre confirmar, né? Posso continuar lhe chamando assim.
Claro, claro. Eu gosto muito de explicador, não é por vontade de me discriminar, não. É que eu comecei a ver as estatísticas e muitos professores estavam apanhando na sala de aula. Então, para me proteger, eu adquiri essa nova nomenclatura e isso pode levar o aluno a uma certa dúvida e com isso dá tempo de eu me evadir, no caso de de um enfrentamento.
Vejam bem. Professor, nós ainda temos alguns minutos, mas antes da pergunta final, que é qual a recomendação para encontrarmos limites com os sem limites, eu gostaria de lhe perguntar sobre o seu podcast, Inédita Pamonha. Porque você acabou de me dizer sobre a sua reinvenção constante, sobre essa renovação de temas constante. Então, o podcast Inédita Pamonha tem este nome simpático por quê?
Porque para destacar o ineditismo da vida, para destacar que nosso corpo e nossa alma a cada segundo são renovados e encontram um mundo nunca de antes encontrado. Portanto, se a vida resulta de encontros nossos com o mundo, evidentemente que nenhum desses dois polos se mantém. E é por isso que cada segundo da vida é inédito, desautorizando toda a fórmula pré-estabelecida. Assim, se em algum momento a vida deu certo, ela deu certo para um corpo, uma alma e um mundo que já não existem mais. E isso nos remete à necessidade de estar o tempo inteiro dispostos a encontrar novos caminhos, novas propostas, novas soluções para problemas existenciais inéditos, propriamente. E é por isso que inédita pamonha remete a uma historinha que eu sempre contei, que a primeira pamonha você tá com muita fome, aí a pamonha cai como uma luva, a segunda pamonha, embora seja com a mesma fórmula de pamonha no mesmo lugar, ela já não é tão alegradora, a terceira pamonha começa a entristecer e se você continuar em 30 minutos você vai a óbito por aumento inopinado da taxa glicêmica, mostrando claramente o quanto a sabedoria quer sempre pensar a vida e viver o pensamento, o quanto a sabedoria pressupõe um certo entendimento da nossa finitude e, portanto, um certo entendimento de temporalidade definido pelos limites desta finitude. Em outras palavras, resumindo o que eu tentei dizer, se fôssemos viver para sempre, toda a filosofia seria outra. todo o pensamento seria outro, mas a reflexão que fazemos sobre a vida é marcada por esse traço fundamental da vida que é a sua finitude e uma temporalidade que tem esta finitude como principal referência e é exatamente por isso que Inédita Pamonha procura chamar atenção para o fato de que Toda tentativa de repetir soluções alegradoras do passado no presente é uma acomodação que poderá custar caro.
Gente, grava essa frase, temos que ouvir de novo. Especialmente esse pedaço aqui que o professor falou pra gente escrever, tá professor? Deixar assim ó, bem na frente aqui da nossa tela. Bem, nos últimos cinco minutos professor, diante então da sua fala, temos um tempo finito, dentro de um tempo que sabemos ainda que é infinito, neste excesso de acessos. em que todo mundo nos cobra disponibilidade, produtividade integral, como podemos encontrar limite no mundo sem limites?
Através da vontade. A vontade é aquilo que temos de soberania em nós. A vontade é o pedaço da vida definido pelas rédeas que controlamos. A vontade é o intervalo de autonomia entre o nosso instinto e a nossa existência. Se um gato é 100% regido pelo seu instinto, e, portanto, desprovido de vontade, a natureza do gato é determinante da vida do gato em todos os instantes. Sabemos muito bem que temos instinto e temos natureza, mas ela não dá conta da nossa vida. A nossa vida requer muito mais do que o nosso instinto. Por isso, nós transcendemos a nossa natureza. Vamos além da nossa natureza. E é por isso que reservamos pra nós autonomia, soberania, capacidade de escolha, de decisão e responsabilidade por tudo isso. E isso, claro, podemos denominar de vontade. Agora, observe bem, o mundo pode nos atropelar com as demandas que quiser. ainda assim temos a condição de levantar a mão, zelando por essa soberania e definir os limites desta invasão, e isso nos é facultado sempre. Claro, corremos o risco de represália? Naturalmente, corremos sempre o risco de represália. Corremos o risco de um negativo assim, ou de uma vaia, ou até de um xingamento? Naturalmente que sim, mas isso já acontecia também antes do mundo alucinado dessa digitalidade. Portanto, continuamos soberanos, continuamos capazes de desligar todos os aparelhos para ver televisão ou até desligar a televisão para ler ou até fechar o livro para dormir. Continuamos com muito mais soberania do que acreditamos ter e continuamos com lucidez e inteligência para o quanto a nossa autonomia, a nossa liberdade tem um preço, e um preço que quase sempre vale muito a pena pagar, porque é através da nossa soberania, da nossa liberdade, da nossa autonomia e das nossas decisões que nós marcaremos o mundo com a nossa marca, a nossa chancela, O nosso selo é através das nossas escolhas que revelamos ao mundo os nossos valores, os nossos desejos, aquilo que importa para nós. E, portanto, haverá quem não goste do meu estilo de falar, haverá quem diga que eu falo muito alto, haverá quem diga que eu gesticule muito, haverá quem diga que... E eu respeito, entendo, e aprecio esse tipo de avaliação, mas claro eu tenho a possibilidade de ser autêntico, a possibilidade de manifestar através da vida o meu eu interior mais profundo e com isso a oportunidade de marcar o mundo com um eu e não estou disposto a abrir mão dele.
Por uma.
Negociação tão miúda como essa que costuma me ser proposta. Eis aí a ideia que eu queria passar. Antes de me despedir, eu queria lembrar que o meu próximo projeto é um grupo de leitura para o qual eu quero convidar você. É um grupo de leitura muito particular. Eu queria sempre lembrar que, dentre todos os meus colegas, eu gostaria de destacar sempre, quando falo de sabedoria, a Monja Cohen, Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé, são pessoas de grande sabedoria, de grande inteligência, que todos os teus seguidores devem acompanhar com enorme interesse, são pessoas de quem eu sou muito fã. e eu então montei um grupo de leitura para estimular a leitura dos clássicos, aqueles livros que todo mundo sabe que existe, mas ninguém abre para ler, ou muito pouca gente abre para ler, e eu pensei num grupo de leitura particular, diferente, com acompanhamento diário com um vídeo diário. Então, eu divido o livro em 30 pedaços e cada dia do mês eu mando um vídeo comentando aquele pedaço. Mais do que comentando, entregando a chave do castelo para o entendimento que me parece mais adequado e oferecendo a outra chave, que é a chave da atualidade daquele pensamento. O que isso tem a ver com a nossa vida? Então, o teu seguidor poderá ir lá no www.classicosdopensamento.com.br e encontrará lá a possibilidade de se pré-inscrever, as inscrições estão destinadas ao mês de setembro, para que em outubro a gente abra com a Odisseia e, evidentemente, a tua presença entre nós.
Estarei lá, professor. Lembrando que Monja Coen, Cortella e Karnal estão contigo no livro Dá um Tempo.
É, claro. Eu sei disso e fico honradíssimo porque, porque eu repito, são pessoas de extraordinária sabedoria, isto é, pensam bem a vida e vivem de acordo com o que pensam e são pessoas Eu repito, por quem eu tenho extraordinária admiração, no verdadeiro sentido do termo, uma espécie de surpresa ante as suas competências e, ao mesmo tempo, o reconhecimento da excelência de suas manifestações Então, eu realmente tenho uma imensa alegria de ser contemporâneo dessas pessoas e poder aproveitar não só o registro em livros da sua inteligência, mas a possibilidade de dialogar com elas. Alegria que provavelmente tinha todo aquele que podia encontrar Sócrates no meio da rua em Atenas. Essa é a alegria que eu tenho quando encontro cada um deles nos eventos da vida.
Com certeza. Professor Clóvis, mil vezes obrigada pelo seu tempo. Que o tempo sempre esteja a seu favor. Desejo muitos potes de doce de leite viçosa. Tá certo?
Certo, certo.
E o tempo para que você viva uma vida que vale a pena ser vivida.
Eu me esforço muito nos limites da minha lucidez e eu queria agradecer muito o seu convite novamente. Uma alegria imensa ter estado aqui, sempre às ordens, e a certeza de que todos aqueles que te seguem devem ler com muita, muita atenção o livro que você escreveu, porque ele é realmente um primor. Uma contribuição extraordinária para os nossos tempos. Uma reflexão sobre o tempo lindíssima e que dá a palavra a porta-vozes provenientes de diversos universos e formações. Uma autêntica maravilha. Parabéns pelo seu trabalho.
Professor, muito obrigada.
Imagina, eu que agradeço.
Até breve.
Até breve.
Vou ser muito responsável com o tempo do professor. Até mais, professor.
Tchau, querida.
Eu vou já liberar o professor, assim, cumpro exatamente a minha palavra. Refaça o convite que o professor Clóvis acabou de nos deixar, www.classicosdopensamento.com.br. Ele abrirá um grupo de leituras, fantástico. E este convite, veja, recebemos aqui com muito carinho. E se você ainda não está acompanhando o professor Clóvis de Barros no Instagram, faça isso. Além do podcast Inédita Pamonha, que os episódios são fantásticos. Meus amores, então eu estou encerrando aqui nossa primeira live. em que eu estou abordando os conteúdos do livro Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, Selo Princípio, Editora Globo. Todos os dias eu trarei aqui um dos entrevistados para abordarmos os conteúdos que eu fui apurando durante quatro anos para apresentar para vocês dicas úteis para preservarmos a vida, dicas úteis para nos colocarmos na agenda, dicas úteis para vivermos um tempo de qualidade. Então, vocês podem adquirir o livro, Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, em todas as plataformas de vendas digitais. Amazon, Sul Marino, Resiliência Humana, Magalu, enfim. Eu ficarei muito feliz com esse apoio de vocês. E, digo mais, as palavras são sementes. Se o que eu e o professor Clóvis falamos aqui fez sentido para vocês, compartilhe então. Essa live ficará salva, além aqui do IGTV. no Instagram, mas também lá no YouTube, no meu canal Isabela Camargo Real. Portanto, muito obrigada pelo tempo de vocês, pela confiança. Amanhã eu estou de volta, sabe com quem? Gustavo Borges. Sim, o nosso querido nadador medalhista, às sete da noite, para a gente falar sobre o tempo no esporte, o tempo de um atleta e como a gente pode usar o tempo sempre a nosso favor. Um beijo grande, bom descanso, durmam bem, ainda vamos falar muito aqui sobre sono e até amanhã.
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