Câncer de colo de útero - Saiba como prevenir o 3º câncer mais comum em mulheres

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Câncer de colo de útero - Saiba como prevenir o 3º câncer mais comum em mulheres" created on March 16, 2022. It features a conversation in Portuguese between Isabela and Dr. Audrey Tsunoda, discussing the prevention, diagnosis, and treatment of cervical cancer, the role of HPV, and the importance of regular medical check-ups and vaccinations. The discussion is part of a health promotion series during the "Março Lilás" campaign, aimed at raising awareness about cervical cancer prevention.
Chapters
Olá, olá! Seja muito bem-vindo, bem-vinda a mais um Promovendo Saúde. Nós estamos no Março Lilás, o mês de prevenção ao câncer de colo de útero. E esse título, ele pode te deixar um pouco tensa ou eu não tenho nada a ver com isso, vocês vão entender hoje como a prevenção, como exames periódicos podem prevenir um dos cânceres que mais são comuns entre as mulheres. O câncer de colo de útero é o terceiro câncer mais comum entre as mulheres. E quem vai explicar um pouco mais sobre como nós podemos prevenir, quais são os rastreamentos, se tem os tratamentos, se tem cura ou não, é a doutora Audrey Tsunoda, médica cirurgião oncológica do Departamento de Ginecologia e Mastologia do Hospital Erasto Gertner, de Curitiba. Bem-vinda, doutora Audrey.
Boa noite, Isabela. Boa noite a todos que nos assistem. Muito obrigada pelo convite. É uma grande satisfação estar aqui com vocês hoje.
Obrigada, Audrey. A Joelma está nos acompanhando do Facebook, o Diego também do YouTube. Nós já estamos aqui no Instagram também. Multiplataformas para levarmos, então, educação e saúde para quem quiser prevenir, para quem está buscando mais informações. Audrey, vamos lá. Então, infelizmente, o câncer de colo de útero é o terceiro câncer mais comum entre as mulheres. De que idade nós estamos falando?
Olha, a idade média de diagnóstico do câncer de colo do útero, atualmente a gente tira em torno de 50 a 55 anos. Mas mulheres jovens, mais jovens, podem ter sim, assim como mulheres de mais idade. Mas a média é essa, em torno de 50 a 55.
O diagnóstico vem entre 50 e 55, mas o câncer ele pode começar antes? Ele é silencioso?
É, e aí é que mora o perigo. Muitas vezes a mulher não sente nada, vou dizer pra vocês, na maioria absoluta das vezes, nas suas fases iniciais, é completamente sem sintoma. E é aí que entra o exame de prevenção. Então, quando a gente não sente nada, é que a gente deve procurar avaliar e realizar a prevenção.
Tá, então você tá me dizendo que o diagnóstico ele pode acontecer entre 50 e 55 anos, mas isso não significa que o câncer já não esteja no corpo da mulher antes. Você falou de exames, né? A gente tá falando de quais exames para as mulheres, Aldo? E vai ser importante nessa noite a gente explicar qual é a responsabilidade também do homem, né? Já vamos falar das vacinas também.
Sim, porque olha, O que é importante que as pessoas saibam, Isabela, é que o câncer do colo do útero é uma doença prevenível, porque a principal causa do câncer do colo, na atualidade, é o vírus do HPV, o papiloma vírus humano. Esse vírus é contraído via sexual em qualquer época da vida da gente. Veja, de cada 10 mulheres que já tiveram relação sexual na vida, 8 já tiveram contato com o vírus. Então ele é muito frequente. Não quer dizer nada nem a favor nem contra uma mulher ter tido contato com a HPV porque ele é muito frequente. E obviamente ela teve geralmente com um homem que passou pra ela aquele vírus, né, e vice-versa. Bem, pra gente tentar prevenir o vírus do HPV, aí a gente tem algumas formas também, né. Mas quando a mulher, por algumas questões pessoais, ela persiste com o vírus ao longo de anos, esse vírus pode gerar alterações que podem evoluir para o câncer. Então são alterações que anos, não é algo rápido, é lento, né, e esse diagnóstico, essa detecção de alterações precursoras, que um dia podem evoluir para câncer, ela deve ser eficiente para que a gente elimine essas alterações e previna o câncer, inclusive, sabe?
Sim, você comentou, doutora, a mulher que tem contato com o vírus, ou seja, oito em cada dez mulheres podem ter contato com o vírus da HPV, mas aí vai depender do que para esse vírus se instalar, da imunidade dela, da idade.
Sim, depende de uma conjunção de fatores. O mais clássico é a imunidade, mas veja, mulheres com imunidade comprometida podem persistir com o vírus com mais facilidade, mas as mulheres que fumam, o tabagismo, extremamente, fortemente relacionado à persistência do vírus, assim como alguns outros fatores pessoais, doenças que geram algum grau de imunidade, déficit de imunidade, como diabetes, por exemplo, uso de algumas medicações que podem ser necessários por outros motivos, né, vários fatores. E alguns dos fatores estão ligados à vida moderna, né, como, por exemplo, privação de sono, Dieta irregular, estresse, falta de exercício regular, tudo isso que muitas vezes está ligado a uma rotina muito dura do cotidiano, pode estar relacionado à persistência do vírus do HPV.
Doutorado, nós estamos com um grupo fantástico que nos acompanhando no YouTube, no Facebook e no Instagram. Eu não disse na nossa abertura, mas você também é coordenadora internacional do grupo EVA. que é um grupo dedicado a rastreamento e tratamento de tumores ginecológicos. Então, nós estamos falando de um problema que afeta o útero feminino a partir de uma relação que ela tem com o homem, certo? Como que nós podemos prevenir as vacinas contra o HPV? Quais são as idades e quem deve tomar?
Muito bem, olha, falou em câncer de colo e vários outros tumores relacionados ao HPV, vou te falar Isabel, tumor de cabeça e pescoço, tumor de pênis, que é muito mais raro, né, porque os homens eles têm uma imunidade diferente no local, mas vários outros, canal anal, né, do ânus, são tumores relacionados ao HPV, sabe? E aí pra gente prevenir todos esses tumores, o Ministério da Saúde no Brasil foi arrojado e há muitos anos oferece pelo Sistema Público de Saúde a vacinação em massa para as meninas entre os 9 anos e os 14 anos de idade e para os meninos dos 11 aos 14. Essa vacina é aplicada em duas doses, sabe? Uma dose e um reforço. Quando a gente está falando de pessoas que já passaram dessa faixa de idade, por exemplo, nasceram antes, né, previamente, a vacinação e tudo, há possibilidade, sim, de vacinar. Hoje, na bula do remédio, da vacina, né, do remédio, a indicação é para os homens até os 25 anos e para as mulheres até os 45 anos. Só que, nesses casos, a gente deve aplicar em três doses, porque a imunidade da gente é diferente depois dessa fase da adolescência, sabe?
Muda, vai mudando com o tempo, né, Audrey?
Sim.
Muda com o tempo, muda com os nossos comportamentos. Então, olha, vou repetir pra você que está nos ouvindo. Se conhece alguma mamãe, papai, convida pra essa nossa conversa. Porque meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 devem tomar a vacina contra o HPV, que é gratuita pelo SUS.
Sim. Sim.
Gratuita pelo SUS. Então a gente pode prevenir muitos problemas.
A gente, pelo Grupo Eva, Isabela, a gente até comenta, né? Puxa vida, o que você como pai, como mãe faria, o que você pagaria, o que você faria para evitar que um filho seu tenha câncer? Pois eu te digo, vacine, vacine seu filho porque isso previne o câncer, previne o sofrimento, previne vários tratamentos previne complicações, né. Então essa é uma mensagem muito forte, né, que nós tentamos trabalhar nas sociedades médicas e principalmente no grupo EVA, né, que é o Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos. Aqui nesse grupo a gente concentra vários profissionais multidisciplinares ligados à prevenção e ao tratamento desses tumores que afetam as mulheres do Brasil.
Audrey, a Enilda pergunta via Instagram se o HPV tem cura.
Pois olha, graças a Deus, Enilda, a maioria absoluta das pessoas elimina o vírus do HPV por conta própria. A sua própria imunidade elimina o vírus. Mas, em algumas pessoas que têm esses fatores que a gente comentou, pode ser que o vírus persista. Nesses casos onde há persistência do vírus e, eventualmente, onde há lesões que podem gerar o câncer, por exemplo, quando a gente trata essas lesões, a gente já recomenda parar o tabagismo, melhorar os hábitos de vida, controlar essas outras causas. de falta de imunidade, né, o de déficit de diminuição da imunidade. E aí a própria defesa, a imunidade da pessoa, pode sim eliminar o vírus. Algumas vezes o vírus pode ficar, como a gente diria, incubado, né, guardado, armazenado, e se manifestar em alguma outra época da vida dessa pessoa, se ela tiver uma nova baixa da imunidade. Mas o O ideal é que a gente, se possível, tenha vacinação, né? Se não for possível a vacinação, que a gente tenha a prevenção com os exames rotineiros, né? Então, todas nós precisamos manter os exames de prevenção, sabe? Mesmo que a gente nunca tenha tido ou que a gente já tinha tido há muitos anos e depois o vírus tenha negativado.
Você tá falando do exame ginecológico ao Papa Nicolau, por exemplo, ou tem algum outro?
O exame do Papa Nicolau é um exame que a gente coleta dessa área do colo do útero, que é a área mais sensível, é mais frágil, para contrair o vírus do HPV. Durante esse exame ginecológico, a gente coleta células que ficam ali no local e pode detectar alterações causadas pelo vírus. O Papa Nicolau tem várias vantagens e algumas desvantagens também. Como um exame de rastreamento, o Papa Nicolau não é um exame de diagnóstico. Ele é de suspeita. Ele é um exame que sugere que a gente deve complementar com algum exame adicional. em alguns países a gente pode utilizar uma outra ferramenta também, cuja coleta é no mesmo local, com o mesmo material, material bem parecido, para pesquisa do HPV. Hoje a gente, por conta do Covid, que é um outro vírus, a gente ouve muito falar da PCR, para o COVID, o teste de PCR para o COVID. Então existe um teste de PCR para o HPV, que a gente pode coletar, o mesmo tipo de escovinha que a gente coleta no nariz por conta do COVID, a gente coleta do colo do útero e pesquisa o HPV. Ter o HPV não quer dizer que você tem doença, não necessariamente, quer dizer apenas que você deve modificar o acompanhamento, né? Às vezes acompanhar um pouquinho mais de do que aquelas mulheres que não têm HPV.
Audrey, você disse que o HPV tem cura. Mesmo assim, muitas mulheres estão morrendo por conta do câncer de colo de útero, não é?
É verdade. Infelizmente, hoje, atualmente, no Brasil, cerca de 16 a 17 mil mulheres, mil mulheres por ano, a cada ano, tem diagnóstico de câncer de colo do útero. Não é de alteração precursora, é de câncer do colo do útero. E a gente estima que cerca de um terço delas vá falecer desse diagnóstico. Então ainda é uma doença que, olha, é frequente no Brasil, infelizmente. Depende muito de acesso, né, da mulher aos exames de prevenção. E infelizmente o que houve em várias regiões ao longo da pandemia é que as mulheres diminuíram o seu acesso, por vários motivos, aos exames de rastreamento. Então a gente recomenda você que está ali, aqui, ouvindo, né? que é mulher ou que conhece mulheres que postergaram os seus exames, que voltem a atualizar os seus exames. Porque isso pode gerar um atraso. E esse atraso pode fazer com que uma alteração que muitas vezes não era câncer ainda, era uma alteração que poderia se tornar, se torne câncer. Então vamos reduzir esse tempo, esse intervalo. A gente precisa coletar os exames de prevenção.
Sabe, Audrey, eu penso que tudo que a gente pode prevenir, a gente deve prevenir. E essa conversa, ela é de utilidade pública. Então, você que está nos acompanhando, se você é homem, convide a sua esposa, sua companheira, sua parceira, sua mãe, sua tia, sua irmã. Se elas estiverem ocupadas depois, transmita o link. E meninas, vocês que estão nos acompanhando, isso é muito sério. Sabe por quê, Audrey? Quando você fala dos exames, eles são anuais, né? O acompanhamento, ele é anual, certo?
Sim, de modo geral, o acompanhamento é anual.
Pois é. Aí, nós estamos vivendo com muito tempo sobrando, né? Tá todo mundo indo no médico, todo mundo fazendo exames. E aí, na correria, especialmente aquelas mulheres que estão muito estressadas, porque não tem tempo para sempre ir na própria agenda, estão, então, correndo o risco muito grande, ou seja, porque já estão vivendo uma agenda muito estressante, que não dá nem tempo de ir ao médico. E a imunidade pode estar baixa. E se tiver tido contato com a HPV... Sim.
Então, essa é uma equação difícil, né, Isabela? Porque, realmente, muitas vezes a mulher está num momento mais duro de vida, né? Que não está conseguindo se cuidar, não consegue se alimentar tão bem, né? O sono muitas vezes não está em dia, né? do nosso cotidiano aqui, né? Às vezes ela é tabagista, ela fuma, né? E esses fatores, eles podem contribuir, infelizmente, para que o vírus persista, né? E assim, olha, vou te falar, a mulher tem um perfil emocional, né, de cuidar dos outros, e esquecer um pouquinho de si mesma, né? Mas como é que a gente cuida do outro se a gente estiver doente, se a gente estiver com algum problema de saúde, né? Então, eu acho que a gente sempre deve tentar considerar isso, sabe? Pesar nas nossas escolhas. Todas as vezes que a gente deixa a gente de lado, né? Na nossa agenda, no nosso dia a dia. Puxa vida, como que eu vou cuidar de quem eu amo, né? Como que eu vou distribuir todo o meu amor se eu realmente não estiver me sentindo bem, estiver doente. Então, infelizmente, o câncer do colo, ele pode comprometer vários aspectos da vida da mulher, né? Tanto ginecológicos gerais, sexuais, emocionais, a fertilidade e inclusive outros órgãos próximos, né? Como a bexiga, o intestino. Então, o tratamento e a jornada da mulher com o diagnóstico pode ser difícil. mas nós temos vários recursos, vários recursos de várias esferas e em todos os estágios, todos, nós temos o que fazer para contribuir para a vida da mulher que recebe esse diagnóstico. Então ele não é, ele está longe de ser uma sentença de morte, sabe? Ainda assim, essas mulheres que padecem, que tem esse problema, né, infelizmente mais grave, geralmente é por conta do momento do diagnóstico, que é mais tardio. Se a gente faz um diagnóstico mais precoce, nós temos muitas, muitas opções de tratamento, né, e aí a gente pode preservar muito da qualidade de vida, da fertilidade e tudo mais que a gente gosta, né, de oferecer como tratamento para as mulheres.
Sim. Como a nossa audiência flutua bastante, doutora, eu vou repetir. Gente, a doutora diz que, em média, nós temos 16 mil mulheres com diagnóstico de câncer de colo de útero no Brasil. Dessas 16 mil, um terço morre. É um número muito alto e muito triste, mas isso se dá pelo momento, então, do diagnóstico. Porque uma vez que o diagnóstico foi feito, possivelmente há tratamento, então, doutora, há cura.
Ah, ah sim! Esse é um dos tumores mais curáveis, sabe? Da Oncodinecologia, da especialidade dos tumores ginecológicos, né? Porque nas suas fases iniciais, olha Isabela, a gente preserva a fertilidade, a gente preserva a função, a qualidade de vida, né? Pequenos procedimentos muitas vezes podem resolver, né? Resolver definitivamente Então, quando a gente detecta precocemente, há menos complicações para a vida da pessoa e altíssimas taxas de cura. Vou te falar, Isabel, em média, mais de 95% das vezes das mulheres ficam curadas mesmo, sabe? Por outro lado, se eventualmente você recebe o diagnóstico num estágio um pouco mais avançado, também não há o que se desesperar, porque graças a Deus há muitas tecnologias novas, inovadoras, muito avançadas, que podem oferecer também taxas de resolução muito boas. Então nós temos várias opções, são várias modalidades de combinações de tratamentos para a gente oferecer resultado excelente para as mulheres. E no Brasil há vários centros que podem oferecer essas tecnologias.
Pois é. Audrey, tem uma pergunta aqui da Soleni. Eu vou já colocar a pergunta dela, pra gente depois poder falar como... o que vocês estão descobrindo no Grupo Eva e como que nós podemos, então, divulgar ainda mais as informações que todos precisamos. A Soleni, ela diz que precisa fazer o Papa Nicolau, mas está muito ressecada. Se existe algum creme que ela pode usar pra não sofrer muito. Você acha que tem algumas mulheres que evitam o exame por medo da dor, Audrey?
Sim, infelizmente sim. E aí, Solene, é possível de se melhorar, sim, o conforto durante o exame, sabe? Converse com o seu médico, porque é de caso a caso. Tem mulheres que podem fazer alguns cremes, outras mulheres não podem. Então, não consigo te dizer uma receita para todas as mulheres que têm esse problema. Mas há, sim, várias formas, né? E, geralmente, para mulheres que têm essa sensação, esse ressecamento, a gente utiliza aparelhinhos pequenos, faz um exame gentil, uma posição confortável. Então costuma ser bem tranquilo, mas basta que a gente faça um preparo adequado mesmo. E se estiver muito ressecada mesmo, a coleta fica prejudicada. Então o ideal é que a gente faça um preparozinho antes mesmo.
Ou seja, então a Solenine Ribeiro, ela precisa conversar com o médico médica dela para entender como que esse exame pode ser mais suave, né, vamos dizer assim. A Enilda Cabana, ela pergunta, caso se confirme o câncer de colo de útero, é necessário retirar o útero, Audrey?
Não, olha só que bonito, né? Então, a gente pode preservar a fertilidade das mulheres que desejam, principalmente nos tumores mais iniciais. Então, quando a gente detecta, porque, olha, eu tenho mulheres inclusive que participam das atividades e ativamente, né, de orientação de outras mulheres, pacientes nossas inclusive, várias, que depois do diagnóstico do câncer do colo, a gente preservou a fertilidade, engravidaram mais de uma vez inclusive, né, e conseguem viver normalmente, vamos dizer assim, mas precisa da detecção nas suas fases iniciais, né, para que isso possa ser possível. Daí a gente realmente não precisa retirar o útero.
Excelente notícia. A Maria Tereza, ela pergunta quem tem adenomiose ou endometriose? Pode ter câncer?
Essa é uma pergunta excelente, Maria Tereza. É muito, vamos dizer assim, particular, porque a adenomiose e a endometriose são doenças muito frequentes. Não é tanto a adenomiose, mas a endometriose em si, ela é muito frequente. A gente acha, estima ali, que cerca de 60% das mulheres em idade fértil, né, que menstruam regularmente, possam ter algum grau de endometriose. Olha, o câncer relacionado à endometriose pode sim acontecer, mas ele é muito, muito raro, tá? Então, dentre essas mulheres que têm endometriose, é uma exceção você evoluir com algum tipo de câncer. Não é no colo do útero nesse caso, sabe? Os tumores relacionados à endometriose geralmente são do peritônio ou dos ovários, sabe? Então ele é um pouco diferente, o perfil é diferente e o comportamento desses tumores é diferente. E a forma como a gente aborda também é diferente. Cada caso no seu caso, mas o câncer e a endometriose podem estar correlacionados de uma forma rara.
E aí, Audrey, nós estamos no mês da mulher. Olha o comentário que a Renata Trotman trouxe. Esse vírus, nós estamos falando do HPV, pode causar também o câncer de vulva. A minha mãe faleceu devido ao câncer de vulva. Não ouço ninguém falar desse tipo de câncer. Ela está pedindo, então, para a gente abordar esse assunto.
É, Renata, porque infelizmente esse tumor é um pouco mais raro do que os outros tumores, então a gente fala menos por ser menos comum do que os outros tumores. Como o câncer de colo do útero é muito mais frequente, te falei que o colo do útero tem uma área que é mais sensível pra adquirir o HPV. Mas a vulva, assim como o ânus e outros órgãos, podem muito bem sim albergar o HPV, sabe? Várias causas podem gerar o câncer de vulva. O HPV é uma delas, né? Outras causas podem estar relacionadas. Ainda assim, eu não sei bem qual foi a combinação de causas do tumor da sua mãe, infelizmente, sabe, querido? mas eu concordo contigo que a gente deveria falar um pouco mais sobre a vulva. No ano passado, na nossa campanha do Setembro em Flor, do grupo EVA, a gente abordou os tumores de vulva, porque você lembrou bem, são tumores que são um pouco mais arriscados do que os tumores de coloterino, até mesmo porque as mulheres geralmente têm um pouco mais de idade e elas ficam constrangidas e elas não vão procurar avaliação e atendimento em tempo e isso pode realmente prejudicar o diagnóstico e o diagnóstico ser mais tardio.
Renata, eu sinto muito pela perda da sua mãe, por isso que esse nosso encontro é tão importante. Porque se uma pessoa daqui sair já consciente de fazer os seus exames, de compartilhar com a amiga essa notícia que meninos e meninas têm vacinas gratuitas no SUS contra a HPV, nós podemos prevenir muita dor. Né, Audrey? A Dani Garcia, eu vou trazer a pergunta dela, depois a gente já vai para o nosso encerramento. Miomas causam câncer?
Olha, essa é outra curiosidade bem interessante, né? Porque a gente ouviu falar, não sei se vocês ouviram falar, vocês que estão assistindo, mas nos Estados Unidos teve uma senhora, há uns anos atrás, né? que foi retirar o mioma e era um câncer. E ela teve, durante a cirurgia, um espalhamento desse câncer dentro do abdômen, porque o cirurgião não sabia que era um câncer, ele achou que era um mioma. Vou te falar o seguinte, Dani, que os miomas, eles não causam o câncer, mas alguns tipos raríssimos, esses são muito raros. Alguns tumores do útero podem muito parecer um mioma e confundir o médico que está atendendo. Então hoje, quando a gente vai remover um mioma, a gente não costuma mais cortá-la em pedacinhos e liberar esses pedacinhos dentro do abdômen, sabe? A gente sempre remove o mioma na íntegra pra evitar ou reduzir bastante esse risco de disseminar um tumor durante um procedimento. E isso a gente pode fazer tanto por cirurgia aberta, convencional, e também por cirurgia que a gente chama minimamente invasiva, que é uma cirurgia que a gente não realiza cortes grandes no abdômen, apenas pequenos, e a gente pode retirar esses miomas através de instrumentos protegidos dentro de bolsas específicas para isso. Então, se eu for te falar, um mioma não gera câncer, mas algum tumor raro de útero que nós chamamos sarcomas uterinos, os sarcomas podem surgir no útero e eles serem parecidos, confundirem o médico que atende com o mioma.
É isso, é um disfarce, né?
Sim, esse é um tipo de tumor.
Audrey, pelo nosso tempo aqui, pelo que nós tínhamos combinado, eu queria entender contigo, aliás, fazer um convite para quem está nos acompanhando. No site eva.org.br, tem lá tudo sobre o câncer de cola de útero, câncer vaginal, câncer de vulva, inclusive, Renata, câncer de endométrio, que é o grupo brasileiro de tumores ginecológicos. Eu queria, então, nesse fechamento, Audrey, que você nos contasse o que vocês estão descobrindo E qual mensagem nós precisamos reforçar para quem estamos acompanhando?
Bem, dentro do grupo EVA, nós temos vários pesquisadores e educadores, né? Vários profissionais, multiprofissionais, que trabalham com pesquisa e trabalham com a educação para ensinar outros profissionais e também a população geral, as pessoas gerais, de modo geral, a respeito desses tumores que acabam aí modificando a vida das mulheres. vários membros do grupo participam de pesquisas inclusive internacionais e com muito renome. Então é bacana de visualizar isso, que na nossa especialidade os brasileiros despontam ao lado dos americanos, dos europeus, dos chineses, dos japoneses. Então é muito bonito de visualizar, porque às vezes a gente pensa que o Brasil tá muito atrás, né, e graças a Deus temos muitos recursos aí diferentes, novas medicações, novas tecnologias. novos recursos de cirurgia, inclusive, mais avançados, né, que a gente dispõe, disponibiliza no Brasil. E, além disso, o grupo EVA trabalha muito com a prevenção, que é isso que a gente tá fazendo aqui, né, hoje, Isabel, que é orientar as pessoas e também trabalhar com novas tecnologias na prevenção dos tumores ginecológicos. Bem, como mensagem do grupo e como profissional que lida com tumores ginecológicos há muitos anos, de início gostaria de agradecer a oportunidade, mas lembrar pra você que está assistindo que vários tumores são gerados, principalmente o câncer de colo do útero, são gerados por um vírus, pelo vírus do HPV. Não é uma vergonha você ter tido contato com o vírus, afinal de contas ele é muito frequente. E por conta disso, por ser tão frequente, ele só perde pro vírus da gripe, talvez do covid agora, né? Ele é muito frequente. Portanto, você deve recomendar a vacinação para as crianças gratuitamente, as meninas dos 9 aos 14, os meninos dos 11 aos 14 e também para outras faixas etárias aí fora do sistema público de saúde, né, para que as pessoas previnam a contaminação, né, você se infectar com o vírus do HPV e previnam esses tumores todos. É muito importante que, além de vacinar, você realize seus exames regularmente, tenha o seu profissional de saúde de confiança ou a unidade de saúde, onde você pode ter como referência, para seu conselheiro, né, e para, inclusive, para ser uma fonte de saúde para você, né, e não apenas de problemas, né. Às vezes as pessoas falam, mas você vai mexer em quem tá quieto, né, não tá sentindo nada. Atenção, é quando a gente não sente nada que a gente pode detectar alterações antes delas evoluírem, e aí receber essa boa notícia de cura.
Sim. Excelente, doutora Audrey. Que simpatia muito acolhedora. Você é muito acolhedora, Audrey. Eu tô muito feliz por esse nosso encontro. Muitas pessoas estão aqui agradecendo, e aí eu fico feliz em ver um comentário, como o do Bruno Azevedo, pelo YouTube, excelentes colocações. Então, é o Bruno, ou seja, é um homem que está prestando atenção no que a gente está falando e que provavelmente o Bruno vai compartilhar com parceiras, amigas, familiares. Essa, gente, é um conteúdo de utilidade pública. Nós estamos vivendo um contexto em que estão discutindo a distribuição de absorvente. Então, nós precisamos falar sobre o que pode prejudicar a nossa saúde. Então, se ainda estamos discutindo absorvente, né, doutora, imagina os exames.
E olha, a gente tem acesso no Brasil, então a gente precisa procurar, nós precisamos procurar o nosso direito. O nosso direito é realmente poder realizar os exames, poder fazer valer o nosso direito de vacinar nossas crianças. Já que temos esses direitos, vamos utilizá-los e vamos compartilhar essa informação para que as pessoas possam realmente se cuidar, se manter saudáveis. a gente prevenir o câncer nas nossas crianças, né? Então, acho que é muito importante esse recado seu de hoje, Isabela. Muito obrigada, viu? É uma oportunidade de ouro pra nós.
Audrey, vou colocar dois comentários pra você. A Prospera Psicopedagogia, ela está dizendo, acolhedora, segura e tranquila.
Obrigada, muito obrigada.
Por outro lado da Instagram. a Poliana, né, dizendo que a live foi muito especial e que amou tudo que ela aprendeu aqui. Então, é isso, doutora. Foi o nosso primeiro encontro para promovermos saúde nesse mês de março, Lilás, que é o mês de prevenção ao câncer de colo de útero, mas conte comigo, tá, para o setembro em flor, para que a gente possa educar cada vez mais a nossa população de saúde.
Muito obrigada, que show. Será muito bem-vinda. Combinadíssimo.
Obrigada, Audrey, e bom trabalho para você, tanto lá no Hospital Horácio Gertner, também lá no Grupo Eva.
Muito obrigada, boa noite a todos vocês.
E você que nos acompanha até aqui. Não se deixe pra depois. Se inclua na própria agenda. A gente precisa cuidar da nossa saúde enquanto temos saúde. Então, você sabe que esse é meu mantra. Se inclua na própria agenda. A nossa imunidade vai mudando com o tempo. A doutora Audrey falou sobre isso no início da nossa entrevista. Se você perdeu, assista novamente. A nossa imunidade vai mudando. E dependendo de como estiver a sua imunidade, se você raspa pelo vírus, que pode sim desenvolver um câncer de colo de útero ou outros, como ela também já falou, que são os tumores ginecológicos. Então, se cuide, tá? Vá ao ginecologista. Homens que estão nos acompanhando, relembre a sua esposa, a sua parceira, a sua amiga, foi ao ginecologista esse ano? Quando você se preocupa com a saúde de alguém, isso é prova de amor, tá? Pense nisso. Muito obrigada, então, mais uma vez. Amanhã vai ter dobradinha, sete horas. A gente vai falar sobre o sono, porque sexta-feira é o Dia Mundial do Sono, e amanhã, então, nós vamos falar sobre o sono, a qualidade do sono aqui dos brasileiros. Se você estiver dormindo bem, seja bem-vindo. Se você estiver dormindo mal, seja bem-vindo também, porque a gente precisa dormir melhor para viver melhor. Combinado? Até amanhã.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








