CEO de corpo e alma, com Maria Claudia Villaboim Pontes no Ïnterioriza #42

Maria Claudia Villaboim Pontes, CEO of Veleda in Brazil, talks about anthroposophy, women's leadership in pharma, and how personal growth shifts across different life stages.
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A nossa entrevistada de hoje do Interioriza é CEO de uma das grandes empresas que podem transformar a saúde no mundo. Mas ela começou no balcão de uma farmácia. Ela fez parte do lançamento do genérico no Brasil, sabe? As medicações genéricas que você utiliza, ou seja, ela transformou o acesso das medicações no Brasil e desde 2016 está à frente da Veleda aqui no Brasil. Então, Maria Cláudia Villa Boim Ponte, seja muito bem-vinda.
Muito obrigada, obrigada pelo convite, pela introdução.
A nossa plateia toda pode aplaudir. Muito bem, agora sim. Bem-vinda.
Muito obrigada, querida. Um prazer estar aqui. Uma honra estar participando do seu programa e poder conversar um pouquinho contigo sobre Veleda, sobre mulheres, sobre a vida.
Sobre antroposofia. Eu sou apaixonada por antroposofia e eu já queria começar sobre o que significa a filosofia antroposófica para quem não conhece.
Perfeito. Nossa! Uma responsabilidade muito grande falar de antroposofia, falar de Steiner. Mas eu posso resumir de uma maneira que as pessoas possam entender facilmente. Antroposofia tem a ver com o desenvolvimento do ser humano. A gente chama de uma ciência espiritual porque a gente entende que nós, como seres vivos, seres humanos, estamos em constante evolução e tem algumas coisas que o ser humano passa Nessa sua jornada na Terra, em que a gente está em evolução, está aprendendo e ainda está por se tornar a ser o que a gente vai ser. Uma das coisas que eu acho muito bonita da antroposofia é essa percepção que a gente está conectado. Nós somos seres vivos, assim como a planta, assim como o animal. assim até mesmo como o minério e assim como a terra que também está em evolução. Então todos nós estamos nessa evolução, nessa jornada para se tornar cada vez melhor e aprender nessa vida. Então é muito gratificante ter essa filosofia, que é espiritual de fato, ligada em algo que é material. Porque eu conduzo uma empresa, que é uma empresa no final do dia, mas a gente não esquece essa raiz, essa filosofia, esses valores que permeiam todo o nosso negócio. Seja da Veleda, especificamente, que é uma ciência aplicada à medicina, como em outras áreas. Você tem uma escola Waldorf, você tem uma terapia, uma pedagogia, você tem uma arquitetura, uma biodinâmica de agricultura. Então, assim, é muito bonito poder falar sobre isso.
A antroposofia mantém a minha esperança? Não é nem que devolve. Algumas situações, algumas pessoas me devolvem. No caso da antroposofia, não. Eu mantenho a minha esperança porque eu venho de um sítio. A minha família mora ainda num sítio. Então, o contato com a natureza, a troca com a natureza, o estar na natureza sempre fez parte da minha vida. Não é um luxo, não é algo assim, nossa, preciso pisar na grama. Isso não é uma dificuldade para mim. Eu necessito dessa troca porque fico em vigilância constante. Nós somos natureza.
Nós somos natureza.
E se nós não estivermos... em cooperação com a natureza ao nosso redor, vai dar ruim, né?
Isso. Essa conexão. E é muito interessante porque a gente desconecta. E a primeira desconexão é que já te traz ao adoecimento.
Qual desconexão se fala agora?
Com a natureza, com o universo, com as coisas simples da vida. Então, um andar descalço, um respirar um ar puro, um sono, um pensamento interior. São esses pequenos gestos que fazem a gente conseguir ter o equilíbrio e, em tendo equilíbrio, ter uma saúde, ter um bem-estar. Então, a gente vem para um efeito manada, animal, que segue o que todo mundo está fazendo, sem se conectar com a sua natureza interna e, obviamente, adoecendo.
Lembrando que a doutora Maria Cláudia, estou falando de doutora, gente, que é uma maneira muito respeitosa, muito carinhosa, também está há dois anos fazendo parte do grupo de ICO Mulheres da Indústria Farmacêutica do Brasil. As mulheres estão nos cargos de ICO.
Algo impensado, né? Alguns anos atrás. Eu falo que hoje as pessoas mais jovens, a gente já é 15% da população de seus mulheres, mas se a gente voltar aqui a uma indústria super tradicional como a indústria farmacêutica, vem avançando nessa pauta de diversidade e já consegue aí ter um grupo de mulheres liderando, um grupo de mulheres inspirando uma média gerência da indústria farmacêutica que é composta na sua maioria por mulheres.
Com certeza.
Então é muito bom.
Eu quero dar parabéns pra você e pra todas que fazem parte desse grupo e pra todas aquelas que querem fazer parte desse grupo de shows, porque nós só vamos mudar os contextos que nós já sabemos que estão em desequilíbrio com a força do coletivo que é feminino.
Exatamente.
Então nós precisamos de inspiração. Maria Cláudia chegou aqui no estúdio já iluminando, já falando, já dando risada. É disso mesmo que a gente precisa. De exemplos reais, de lideranças femininas reais.
Reais.
Perfeito. Agora, na antroposofia, ó, eu vou sempre fazer conexões, tá? Com a antroposofia. Nós vamos dividindo, nós vamos tendo marcos setênios na nossa vida de grandes transformações, né? Você é a Maria Cláudia de hoje. Essa Maria Cláudia, ela vem sendo construída desde quando?
Desde da minha infância, talvez até de outras vidas.
Mas a antroposofia chegou na sua vida com que idade?
Ela chegou pra mim quando eu fui pra Veleda. Isaia, eu nem sabia o que era antroposofia. Eu nem tinha ideia do que era, mas eu sempre tive, desde criança, por isso que eu te falei, desde os meus sete anos, eu sempre tive essa curiosidade pelo ser humano, eu sempre fui atenta, uma observadora da natureza das pessoas, alguém que se destacava por ser diferente, o que é, obviamente, para um adolescente, muitas vezes, para uma criança, não é bom, Mas isso já era da minha personalidade e eu brinco que o plano espiritual, a sincronicidade já me encaminhavam para eu ir para a veleda. Não podia ser outra pessoa a ir para a veleda, porque eu já tinha toda essa bagagem e esse meu pensar crítico. essas minhas considerações, os meus valores muito fortes. Eu sempre fui uma pessoa distinta dentro de uma indústria tradicional farmacêutica, da qual eu já faço parte há 30 anos. Então, assim, chegar na Veleda foi um presente. E fazer a Veleda se desenvolver, pra mim, se tornou quase uma missão de vida. Então, assim, é muito bom você poder se sentir muito à vontade em fazer o que você gosta e, principalmente, o que você acredita.
Pertencendo.
É, pertencendo e mobilizando pessoas a fazerem parte, porque a gente está nessa busca. A gente está na busca da consciência, a gente está na busca do acordar, A gente questiona as coisas erradas que fazem, às vezes nos falta força, ou a gente não quer desafiar o status quo. Então, na hora que você percebe que, sim, você pode ser diferente, sim, existem outras formas de fazer negócio, sim, existem ambientes que podem ser respeitosos e trazer resultado, até se surpreende. Eu falo que não existe uma pessoa que eu falo que é veleda, que não fala, uau, que maravilha, isso existe. Então, assim, eu acho que é uma responsabilidade, é um prazer, sim, mas uma responsabilidade muito grande em a gente poder trabalhar com veleda e promover veleda. Não só veleda, mas os valores antroposóficos, o entendimento dessa natureza humana.
Tá, nesses valores antroposóficos, pra gente depois poder partir pra outro tema, Para quem não conhece a antroposofia, quando você traz a palavra espiritual, a gente só precisa fazer aqui uma explicação que nós não estamos falando de religião, nós estamos falando de essência. E você sabe que uma vez eu vi uma médica dizendo assim, olha, quando você se aproxima do burnout é porque você está afastado, afastada da sua essência. E de fato, Eu tô afastada da natureza, tô afastada da minha espiritualidade, tô afastada dos meus valores, ou seja, por estar tanto neste mundo material. Nós não estamos falando aqui de extremos, tá gente? Agora vamos falar aqui de equilíbrio, então faz todo sentido.
Todo sentido, e só corroborando o que você tá falando, religião é dogma, é coisa criada. Eu sempre faço um paralelo, eu acho que fica muito fácil para entender. A gente tem o osso que fica na terra quando a gente morre. A gente tem a vitalidade que tem em uma planta. A gente tem as paixões, os desejos do animal. E a gente tem essa individualidade que é somente nossa e que nos torna únicos. E essa unicidade nossa nos permite o livre arbítrio, o pensar no passado, o pensar no futuro e tomar ações no presente. Então a gente pensa, a gente sente e a gente age. E você estar de acordo com isso, você ter uma coerência te faz ser bem, estar bem. E não é o que você faz que é meu exemplo, é o que eu sou e como eu faço com o que eu sou, como eu ajo segundo esses meus valores. Então, isso eu acho que é a principal mensagem que a gente tem dentro da antroposofia, a gente querer dar essa humanidade à individualidade de cada um. respeitar, não prejulgar, aceitar, confiar, não punir, mas dar a liberdade, dar os ensinamentos para que cada uma das pessoas pense e encontre a sua verdade. Isso eu acho muito bonito. E muito maravilhoso.
Aí, quem ouviu agora essa fala, fala assim, tá, onde eu encontro isso? Pra onde eu mando meu currículo?
Pode mandar pra gente, mas a gente paga pouco, porque ainda somos pequenos.
Nossa, olha só. Deixa eu só contar uma coisa pra você que tá assistindo, eu não tô ganhando nada com este programa, tá? Porque de repente as pessoas estão vendo aqui veleda, ouvindo a Maria Cláudia, não, ah, você tá ganhando, não, tô ganhando nada da veleda, não. Eu já uso veleda desde que a veleda nem sabia que eu existia, e nem eu sabia que veleda era veleda. Lá nas minhas épocas de madrugada, eu consumia muitos produtos pra Sabe? Entrar em descompressão. E aí eu ganhei essa caixa aqui. Então, o que eu ganhei nesta gravação? Essa caixa aqui de chás maravilhosos que eu vou usar com as minhas canecas, né? Especiais. Tem aqui rotina de autocuidado pra começar o dia, pra depois do almoço, pra depois... Aliás, pra higiene do sono e depois pra melhorar a imunidade. Tudo natural.
E orgânico.
E orgânico. E se tem uma coisa que te ajuda a interiorizar, é uma xícara de chá que você espera, né? O ritual. O ritual. A gente tá precisando de mais rituais.
Precisamos de mais pausas. né, pausas na vida pra gente poder perceber, pra gente interiorizar, pra gente ouvir a nossa voz do nosso coração, pra gente ter coerência e ter equilíbrio. A gente precisa sim.
Mas Maria Cláudia, eu fico imaginando tudo que você teve que passar pra hoje ser senhor da Veleda, porque você esteve em grandes laboratórios, fez parte de grandes movimentações nacionais, né, como os genéricos que eu falei, e as mulheres nunca ocuparam o cargo de senhor. Agora, como é que vocês chegaram? Como é que esse grupo, por exemplo, de CEOs, Mulheres da Indústria Farmacêutica, se formou? O que vocês tiveram que desenvolver, se adaptar, se atualizar para agora ser respeitada?
Eu diria que é um processo. Quando eu comecei minha carreira, no ano de 98, as mulheres eram algumas gerentes, algumas diretoras, mas a gente tinha o dia-a-dia. O mercado farmacêutico é um mercado muito tradicional. masculino. Então a gente teve que sim que provar os nossos valores, a gente teve que trabalhar 18, 12, não sei quantas horas.
O dobro pra provar a competência.
Podia, pra provar, porque isso é bem básico da mulher, fora a dupla ou tripla jornada, então teve um sacrifício muito grande. Eu diria que até algumas mulheres se tornaram mais masculinizadas no sentido de agir como um homem, de ter a voz mais grossa, de usar o comando e o poder, o comando e o controle, para se impor e ser mais dura, totalmente discordante com o que é a nossa natureza. A nossa natureza é acolhedora, a nossa natureza é coletiva, é de colaboração. Isso é da natureza feminina. E o homem sempre um pouco mais agressivo e aguerrido e mais focado. Então, eu diria que nós, mulheres, que chegamos a esses cargos de CEO ou de diretora, a gente teve que passar por muito perrengue. E até diria que hoje, alguns assédios, e fomos lá fortes e firmes e conseguimos provar o valor e também a nossa capacidade intelectual de entrega. Hoje, ano 2024, está muito mais fácil. A diversidade é uma pauta. A gente já sabe que as mulheres são, muitas vezes, até mais instruídas do que os homens, têm sua competência, têm sua competência emocional, mas também têm sua competência técnica e existem menos barreiras para você ter uma mulher como um C-level de uma organização. Mas nós, como grupos, a gente ajuda essa mulher que almeja chegar a uma presidência, dando todo o suporte, seja emocional, mas também de dicas, para que ela consiga se firmar e não seja uma porta rotatória, entra uma e sai, sabe? Sai do outro lado. Porque não é fácil, não é fácil para a mulher ter um cargo mais alto, um C-level, porque é uma coisa sozinha e falta muita referência ainda. Então a gente faz um trabalho para acolher essas mulheres jovens.
Então, mas veja, se faltava referência, agora quando você fala, já somos 13%, já temos mais referência, né? Agora eu vou ter que falar de uma coisa que tá aqui, agora eu vou ter que vender a minha sardinha, né? Neste livro aqui, que é dar um tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, tem um capítulo que eu falo sobre atualização de identidade. Vamos lá. E, neste capítulo, o que eu menciono? Se a gente não para para atualizar a nossa identidade, você pode estar em busca de sonhos que talvez nem te brilham mais os olhos. Então, você precisa atualizar o seu sonho, dependendo do mercado que você está, do que você está fazendo. E fazer uma pausa voluntária para entender se a energia que você está hoje investindo no que você está fazendo é o que te motiva, é o que te dosiasma. Só que se a gente não para para pensar nisso com saúde, infelizmente você vai ter que parar depois sem saúde. E as dores que nós vamos sentindo, ou de forma crônica ou aguda, são mensageiras. A dor é uma mensagem. Então quais são as mensagens que o seu corpo está transmitindo pra você? Quais você tá silenciando? Quais você tá ouvindo? Pra que você chegue no lugar que você quer, não importa qual seja. Nós estamos falando aqui da liderança, mas de repente tem mulheres que nem querem. Mas as que querem e tem medo porque acha que não vai ter horário, aí depende de você. Quanto mais você atualiza sua identidade, mais você define seus limites.
Perfeito. E isso é um olhar interior. Não é ninguém que vai te dar. É só você com você mesmo. Então é importante você, sim, ter referência, mas você fazer esse tipo de questionamento. É isso que eu quero? É isso que meu coração Brilha? Não, não é brilha. Brilha são os olhos. Mas é isso que meu coração almeja. E esse olhar, muitas vezes, ou maior parte das vezes, a gente não aprende. Então é muito importante pra você ser o que você quer ser.
Isso. Não importa o que você quer ser, seja, mas pra isso atualize sua identidade. Se o lugar que você tá faz sentido, se os produtos que você tá consumindo fazem sentido, se as pessoas com quem você tá se relacionando fazem sentido, tudo isso é muito importante. Porque senão eu só vou ficar buscando uma ilusão de uma satisfação que nunca vai chegar. E eu entendo que a antroposofia é um grande instrumento pra gente poder fazer essa atualização constante. Tem alguma coisa que acontece dos 21 aos 42 que você quer trazer aqui de detalhe?
É, dos 21 aos 42 é o momento na vida de nós seres humanos em que a gente se posiciona na Terra, nesse planeta, e a gente desenvolve. Então desenvolve o quê? busca de uma família, de bens materiais, de você colocar a sua força no mundo, de você ganhar a sua estima e o seu reconhecimento, de você criar uma família. Então, é a parte mais material da nossa jornada na Terra. de 21 aos 42. Então, quando você pega, por exemplo, um jovem e às vezes você quer dizer conceitos mais, talvez, coletivos ou mais emocionais, espirituais, é mais difícil para esse jovem entender, porque ele está num momento da vida dele em que a matéria é muito importante. É muito importante a Lena se firmar e se reconhecer no trabalho dele. Então é um momento que realmente ele tá crescendo. como indivíduo no ponto de vista material. Depois dos 42, que tem uma primeira crise de identidade, você começa a olhar se fez sentido o que você construiu anteriormente.
Só que gente, esses setênios, então nós estamos falando 7, 14, 21, 28, 34, 42, 49, eles também tem igual ibope? Dois para cima, dois para baixo? Porque eu já começo a reavaliar, eu tô com 43.
Então, prova... Então, somos seres humanos e cada um é diferente. Isso aqui é um olhar geral da natureza, né? Então, sei lá, criança de 0 a 7 anos, a maioria age de uma maneira. Então é a mesma coisa, tem pessoas que amadurecem antes e tem pessoas que não amadurecem nunca. Então a maioria tem essa necessidade dos 21 aos 42 de se firmar, de escolher o seu caminho, qual é o dom que eu tenho, como eu vou servir ao mundo. o que eu quero fazer, seja de bens materiais, o que eu quero fazer da minha vida. Então, é o ápice do ser humano na sua jornada terrestre. Depois dos 42, você começa esse questionamento. Muitas vezes, ainda lhe falta coragem para romper coisas. Então, você tem uma vida, você trabalha, você não está feliz, mas você começa a questionar mais firmemente a partir desse período. E o que é bom depois dos 49? Estou já indo para o outro cetênio. Porque nos 49 é quando você começa a perceber e começa a decidir, isto eu não quero mais.
Gente, eu estou muito adiantada, porque eu já estou fazendo isso antes. Eu estou com 43, eu já estou fazendo isso?
Então você é precoce, aí. Né? Isso é precoce. Ou você leu, ou você se atualizou, ou você sofreu. Comentávamos anteriormente, o sofrimento é um presente. Se a gente consegue encarar com isso, né? Mas quando a gente é mais novo, vê um problema, fica desesperado. A maturidade te dá um olhar mais generoso pra tudo que acontece na sua vida. Então, o sofrimento pode ser um aprendizado, mesmo que seja sofrido, né? Você aprende na dor ou no amor. Mas você acaba ganhando algumas casinhas nessa jornada. Não deve ser o seu caso. Eu não. Nos 49, apertei o meu botão, sou outra pessoa. Acabei... Várias coisas que eu trabalhava no passado, que eu me questionava, eu me libertei, o que é muito bom. Você tá olhando assim, você vai chegar lá. O que?
Me dá um exemplo. Você quer saber um exemplo também, né? Com certeza?
Não, eu acho que, de novo, é o nosso processo. Quando você começa, chega nos 49, que você não precisa mais dar satisfações. Porque geralmente uma mulher de 49 já tá com um filho criado. Uma mulher de 49 já chegou no auge da sua carreira. Então, nesse momento, ela fala, isto eu quero, isto eu não quero. Isto eu aceito, isto eu não aceito.
Mulher, mas olha só, adoro. Isso é saúde mental, tá? É quando a gente diverge, complementa e tudo mais. Veja só que interessante. Quando eu escrevo esse livro, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, também é trazendo um pouco desse questionamento antes dos 49, para que ele não precise ser nador. Eu vejo muitas mulheres que acompanham, inclusive interioriza, que estão querendo uma transição de vida, Mas que estão ali ainda, entre os 34 e os 42, por exemplo, ou 34 e os 49, querem fazer uma transição, mas sentem que não podem. Então, vale a pena você se questionar antes?
Você pode se questionar e você, talvez a mensagem é, se prepare, porque o que você está sentindo, a maioria de nós sente. Não necessariamente a gente expressa. As frustrações, as dificuldades, elas são iguais para todos, mas a sua resposta é que é diferente. Então se você está passando por um momento crítico na sua carreira, quer mudar, minha dica é prepare-se para isso. Não perca a sua coerência para você ser uma outra coisa ou até Coloque um limite pra você. Vou aguentar isso aqui até este momento. Depois não vou aguentar mais. Ou vou trabalhar muito, vou conseguir alguma coisa durante esse período e depois eu me liberto. Então, assim, eu acho que ter essa coerência... Eu brinco muito, sabe? É... Né? Quem tem vida corporativa, fala assim, ah, como é que eu vou sair das algemas de ouro? Já ouviu essa expressão?
Eu ouvia gaiola de ouro quando eu trabalhava na TV.
Quase a mesma coisa, porque você não quer... E, de novo, é dicotômico porque eu não sou aquela, eu estou naquela função. Eu sou a Maria Cláudia, eu estou numa função que exige uma série de comportamentos para eu atuar naquela função. Não sou melhor nem pior do que ninguém. Então, eu vou lá e exerço minha função, mas eu não preciso ficar presa a isso e não deveria ser uma coisa que me incomoda por causa do dinheiro. Então, eu vou usufruir do dinheiro por um período, mas sabendo que aquilo lá não me satisfaz e passando o meu objetivo alcançado, aí eu posso fazer a migração para onde eu quiser, sem eu me apoderar, sem eu deixar o meu ego ser mais forte do que a minha vontade. Eu acho que essa é a sacada. Não sei se eu fui clara.
Gente, que maravilhosa. Uma salva de palmas. Esse programa precisa ter plateia maior ao vivo, né? Porque isso não se ensina em nenhuma faculdade.
Ninguém fala. A gente só fala no Instagram. A gente só vê as pessoas maravilhosas.
Não, aqui não interioriza. A gente fala.
E aí eu falo pra você que foi a minha mudança, né? Eu sempre achava que eu era deslocada porque eu era diferente de todas as pessoas. E aí quando eu cheguei, eu acho que na primeira pausa, aos 49, deu um clique e eu falei, para. Eu não serei nunca uma mulher alta, loura e magra. E não serei nunca uma pessoa que fala com a voz massa, porque minha voz é grossa. Eu falo alto. Então, assim, na hora que eu percebi isso, está tudo bem. E eu vou ser desse jeito. Então, eu comecei a me aceitar a partir dos 49. Até então, eu não me aceitava. Eu vivia sempre em dilemas comigo mesma. E a partir do momento que, obviamente, com muita veleda para ajudar. Trabalhando num lugar que eu me sinto muito à vontade. E eu não trabalho na veleda por causa de dinheiro. Eu trabalho na veleda porque eu quero que mais pessoas se beneficiem da veleda, e dos produtos, e da filosofia. E provar que tem uma empresa que pode ter propósito, pode ter respeito ao meio ambiente, à sustentabilidade, ao social e também ter sucesso. Não é problema ter sucesso, ter dinheiro. Qual o problema é pensar só nisso e ser ganancioso e ser egoísta. Isso pra mim é um problema e sempre foi. Então eu tô muito confortável.
Vou beber uma água.
Bebe aí. Depois você põe um chá aí, um chá do sono.
Quando a gente fala sobre os dilemas de todas as faixas etárias, isso afeta a saúde mental. O problema é que a gente só tem falado disso agora. Mas, ok. O problema, na verdade, desculpa, é a solução. Estamos falando disso agora. Mas, para muitas pessoas, saúde mental ainda é um tema muito distante. Nos últimos tempos, a gente ganhou duas garotas propagandas maravilhosas, Simone Biles e Rebeca Andrade. Eu comecei a falar da Simone, Maria Cláudia, desde que ela fez a pausa na competição para continuar a carreira lá em Tóquio. Aí vem na Olimpíada lá, medalha de ouro. Eu estive com a Rebeca Andrade num TEDx em 2022. Então eu estive com ela, não é que me contaram, eu entrevistei ela. E a Rebeca foi muito categórica. Eu só estou aqui e na época ela estava treinando para as Olimpíadas porque eu comecei a fazer terapia. Então, o instrumento que a Rebeca utilizou para lidar com os dilemas em relação à saúde mental foram na terapia. Que eu vi você como uma CEO. o quanto a saúde mental ainda precisa ser repetida, debatida, trazida para a estratégia do negócio?
Nossa, é assim ó, a gente trabalha com pessoas para pessoas. Então, pessoa é o centro de tudo. Por mais que seja algo muito concreto que você venda, mas você precisa ainda de pessoas, né? Tudo bem, inteligência artificial tá vindo, mas a gente é humano e humano precisa pertencer, precisa sentir... colaboração, confiança, ter a tal da segurança psicológica. Você precisa ter essa noção, né, errar, sabendo que você erra porque você é humano. Se você fosse perfeito, você não estava aqui, estava em outro lugar. Então, eu acho que esse acolhimento, esse senso de pertencimento, não julgamento, é muito importante. E nós, no final do dia, A gente vive a vida sozinho, né? Você nasce sozinho, vai morrer sozinho, mas você tá dentro de uma comunidade, de uma sociedade que te suporta. Então, no caso... Desculpa aqui. No caso, né? Vamos pegar os casos da Simone, que eu acho que é bem emblemático. Que menina corajosa! Ela tava numa Olimpíada, E, nossa, pra mim, assim, tiro todos os chapéus que eu possa tirar pra ela. Porque quem que na hora que tá ali pra ganhar, ganhar dinheiro, ganhar visibilidade, né, premiações. Imagina a pressão que tava na cabeça dessa menina. Provavelmente a gente ia lá fazer, né? E não ia ser tão bem, ia ficar destruído, porque ia se culpar de ter feito e não ter dado certo. E essa é a nossa vida. A gente vai na manada. Então, ela parou. Ela teve a coragem de falar não. Ela saiu de cena e foi se recuperar pra voltar linda e brilhante, todo mundo torcendo pra Simone Biles ganhar a sua medalha, bem como a Rebeca. Então, assim, são casos distantes, mas estão no nosso dia a dia. A gente, todo dia, a gente precisa dessa escuta nossa, que também não aprendemos a fazer, e se a gente não consegue, que a gente busque um apoio de alguém que nos ajude a identificar os nossos gatilhos, as nossas dificuldades, ou que apenas ouça o que a gente precisa falar. Porque você não precisa nem que ninguém te dê solução, mas você precisa sentir que alguém ouve e alguém está te dando a oportunidade de você se manifestar.
Sim. Agora, eu entendo o que você está dizendo. Muitas pessoas que acompanham o terrorismo também. Mas ainda existe uma grande barreira para as empresas trazerem a saúde mental para a estratégia do negócio. O que está faltando, Maria Cláudia?
Eu acho que está faltando todo mundo surtar. Você perder seus empregados, as pessoas não quererem mais trabalhar, porque é esse caminho que a gente vai ter no final do dia. Eu sempre brinco, se a gente não mudar o jeito de tratar as pessoas dentro das companhias, as pessoas não vão querer mais trabalhar. Você pega o jovem, que hoje se recusa. Você pega o jovem, ele quer ir para uma startup, não quer ir para o modelo tradicional de empresa. Porque já deu. competição, pressão, essa nova geração vai desafiar tudo isso. Então se nós, como empresários, executivos, não mudarmos, não nos atentarmos da importância do acolhimento, de uma colaboração, de valores mais importantes, o jovem não vai ser mais a nossa força de trabalho. Então eu acho que é isso, aí acaba a empresa.
Eu me lembro quando eu trabalhava na última emissora que eu passei e eu vi algumas pessoas mais jovens pedindo demissão voluntariamente, eu... Mas como assim? Você vai pedir demissão daqui? Você tá doido? Mas como assim? E aí depois a história correu e essas pessoas estavam fazendo o melhor pra elas.
Exatamente, porque o jovem tem mais coragem ou menos responsabilidade do que a gente. Você é mais nova do que eu, mas era o emprego do seu sonho. Você vai ficar, até diria que gerações anteriores à minha, você vai trabalhar, vai ser fiel a uma só companhia.
Custe o que custar.
E a gente foi seguindo esse modelo de empresa. A empresa não é mais importante do que você. Você tem uma chance única no presente hoje. de estar vivendo isso, né? O seu tempo é limitado. Não sabemos qual é o nosso tempo, mas a gente tem mais do que dar simplesmente estar numa empresa e aceitar qualquer coisa. Hoje em dia o jovem, e que bom isso, ele é menos ambicioso. Ah, é ruim, né? Não, não é ruim. Ele precisa de menos consumo. Olha que coisa linda, pro planeta. Pra sociedade, claro, você tem um outro lado, ele tá mais alienado. Então, não pode estar alienado porque também vai sofrer da saúde mental em estar alienado. Então, o que a gente precisa sempre é o caminho do meio, né? Você se respeitar, respeitar o outro, respeitar o planeta e fazer o melhor que você pode fazer, sempre. Sem o julgamento, mas fazendo a sua parte.
Sim. É o equilíbrio entre os objetivos pessoais e profissionais. Eu sempre converso nas palestras e treinamentos. Por que nunca vai funcionar se você quiser equilibrar vida profissional e vida pessoal? Porque não existe. Vida é uma só. Então a gente precisa ressignificar uma forma que nós aprendemos, e não, nós vamos equilibrar vida pessoal e vida profissional. Não vai, porque vida é uma só. Você não tem duas vidas, tem uma. O que você tem são objetivos pessoais e profissionais. O quanto você está desperto, ou seja, disposto, desperto e presente para reconhecer quando você vai dizer sim, quando você vai dizer não, como você vai fazer isso. sem se sentir culpado. Para mim, na antroposofia, a gente tem muitas dessas respostas.
Eu acho que tem uma coisa que eu sempre falo, acho que aprendi desde criança. Se você consegue reconhecer aonde está o seu diferencial, sua unicidade, e colocar ele à disposição do mundo de uma maneira bem altruísta, você já está tendo, já é o seu sucesso. E, de novo, a gente não aprende isso. A gente está sempre no olhar externo, nas buscas de referência ou do ter, não do ser. Na hora que você percebe o que é ser único e você coloca esse serviço, a vida se abre para você. Eu acho que isso também é uma boa dica. Para os teus ouvintes e para todo mundo perceber o que é seu e o que você faz de melhor. E doar. Doe para o universo. Doe para o mundo. Doe para a sociedade.
Sim. E a consequência é... O resultado dessa doação é muito interessante que você não precisa pedir. Ela acontece naturalmente.
Acontece naturalmente.
Nesses últimos 30 anos, o que você gostaria de compartilhar aqui para essa câmera? Para todas aquelas pessoas que estão querendo uma transição. Estão com medo. Medo de fazer diferente.
É, o medo paralisa. E eu acho que a confiança, e essa confiança não é confiança externa. é a confiança interna. Você saber e se conhecer para você mesmo identificar suas fragilidades e as suas fortalezas. Somos todos perfeitos e não somos perfeitos. É super ambíguo, mas na hora que eu consigo identificar o que me brilha os olhos, o que meu coração pede e eu conseguir agir de acordo com isso, pra mim isso é sucesso e isso vai me levar. A despeito dos desafios, dos obstáculos, dos tombos, se eu focar nisso, eu vou conseguir entregar e vou conseguir ter esse sucesso ou essa plenitude de falar eu fiz o meu melhor.
Eu tenho certeza que você fez o seu melhor, Maria Cláudia, porque você já está abrindo caminhos para várias mulheres que querem seguir na jornada que você seguiu e agora não precisam mais ser escada.
Ainda bem, né?
Podem assumir o cargo que quiserem. Então, parabéns por ter feito esse trabalho. Muito obrigada por participar do interioriza.
Muito obrigada pelo seu tempo, pelo convite.
Falamos sobre Antroposofia, os cetênios, são assuntos que você agora precisa se aprofundar. E aí tá contigo. No site da Veleda tem a história, inclusive, da coleta das substâncias, das plantas. Super recomendo. Qual outro canal você quer deixar para quem quiser saber mais sobre Veleda e Antroposofia?
Procurar Veleda nas mídias sociais, a gente está à disposição. Nós temos também as nossas lojas, são farmácias, tem a comunidade maravilhosa antroposófica, tem a sociedade antroposófica com vários cursos, tem livros sobre biografia, sobre Stein. Então, tem uma vasta literatura. A antroposofia é um caminho. Existem outros caminhos. Acho que o caminho nosso de buscar nos conhecer, nos desenvolver, Seja qual for o nome, é esse que a gente tem que tentar buscar, de se tornar seres humanos melhores. Ai, que linda! Deveria ser nossa jornada.
Excelente! Uma salva de palmas, Maria Cláudia Villa Boen Contes. Obrigada pelo seu tempo e confiança aqui na interioriza. E você que nos acompanha até aqui, muito obrigada também pelo seu tempo, pela sua confiança. Se essa prosa aqui fez sentido pra você, compartilha com quem você quer bem, assim a gente ajuda a semear sementes e a gente espera que chegue em terrenos férteis, não é? Obrigada, minha querida. Até o próximo.
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