Cintia Chagas A professora mais divertida do Brasil! Entrevista com Cíntia Chagas | Izabella Camargo

Izabella Camargo interviews Cíntia Chagas, a Portuguese teacher known for her bestselling books and humorous teaching methods. Chagas discusses using humor and memorable rules to teach Portuguese, her experiences during COVID-19, being fired multiple times before opening her own cursinho, and how mindset shaped her success.
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Olá, olá, muito boa noite, tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos a mais uma entrevista, mais uma conversa que, se é interessante para mim, pode ser muito interessante para vocês. Eu tenho certeza que essa próxima hora será muito interessante e muito divertida. Quero dar um beijo especial aqui para o Lucas, um fotógrafo especial que inclusive foi o responsável pela foto da capa do meu livro, que tá saindo agora do forno da gráfica. Eu tô muito feliz, Lucas, obrigada! Essa capa tem sido muito elogiada, muita gente tem sentido aí uma vibe bacana, e graças a você, né, nós conseguimos então transmitir o que estávamos sentindo e toda aquela alegria, toda aquela emoção e entusiasmo. Bom, se eu pudesse, eu daria aqui um beijo em todos Mas como o nosso tempo, ele tá cheio de coisa para fazer, deixa eu já ver se a Cíntia Chagas está aqui, que a gente já vai dividir tela e começar a nossa prosa. Então vamos lá, agora sim. Com a Cíntia Chagas, ela que é a professora mais divertida e mais linda de todo o Brasil, professora de português e que nos ensina sempre Tudo bem, lindeza? Tudo bom? Tudo ótimo, graças a Deus. Tava aqui dando uma olhada aqui no seu Instagram, vendo as suas fotos. Você tá mais bonita agora do que antes, você sabe, né?
Ô gente, mas por quê? É a luz, ó, vou apagar, ó, piorou.
Não, senhora, você tá mais feliz e consequentemente mais bonita. Tô errada?
Obrigada. Ah, não sei, gente, tem um botox aqui. Tem preenchimento ali.
Hahaha! Oi, Cintia! Eu vou fazer o seguinte: eu vou tirar os comentários para que todo mundo possa te ver, mas vou fazer um convite, né? Se você quiser enviar uma pergunta, fazer algum comentário para Cintia, mande para a gente nessa caixinha aqui, né, com esse pontinho de interrogação. E mande também coraçõezinhos pra nós, sabe por quê? Cintia, eu descobri que o Instagram entende que o assunto é relevante a partir do número de corações que sobem, você acredita?
Gente, pelo amor de Deus, coração aí, ó! Dá-lhe coração, gente!
Não é?
A gente podia estar matando, a gente podia estar roubando, a gente tá pedindo só um coração.
Pronto, arrasou! Não preciso nem pedir mais nada. Cintia, obrigada por ter—
a fazer live, tá? Então me fala se tá bom ou não, que o Nando tomou conta ali da parte em que eu gosto de fazer live. Mas aqui tem Wi-Fi, mas eu não sei se tá bom, tá?
Tá linda, tá linda, tá linda. Eu tô aqui com cenário também que eu tô me ajeitando agora, acabei de mudar. Mas vamos lá, Cintia, obrigada por ter aceitado o meu convite.
Eu que agradeço.
Tô muito feliz. Você é uma mulher que eu admiro muito, muito generosa, A gente se identificou em N aspectos, né, tempos atrás. E eu gostaria então de trocar essa ideia contigo, porque você já ensinou milhares de pessoas, ensinou português, né, ensinou, enfim, tanta coisa. Vamos falar sobre tudo isso, mas eu gostaria de te ouvir para entender o que que você aprendeu com o tempo, né? O que que nos últimos anos você aprendeu? O que mudou na sua vida com o passar do tempo? Então tudo isso nós vamos dividindo ao longo dessa próxima hora.
Tá bom. Bem, eu poderia falar agora desse período de pandemia, por exemplo. Eu tenho dois livros. Eu te mandei meus livros, Isabela?
Não, ainda não, mas eu até quero que você fale dos dois best-sellers. Gente, a professora, ela não é só professora linda, maravilhosa. Não, ela é autora de dois best-sellers, e amanhã você receberá os dois, ok? Nada, nada. O seu, ó, fresquinho.
Eu tô doida para ler. Cadê o meu?
Vai chegar já já, tá saindo da gráfica hoje.
Ai, ai, a gente fica emocionada, né?
Muito. Primeiro, pensa, nunca tive filho não, mas acho que deve ser igual, gente.
Que Ave Maria! É assim, Sobre o que eu aprendi. Eu achei muito interessante, eu falo o que eu aprendi na pandemia. Eu achei muito interessante porque o meu primeiro livro eu escrevi em 20 dias. O segundo eu escrevi em 20 dias também.
Sério?
20, 20. O primeiro eu escrevi em casa, com esse meu jeito dramático de ser, assim como se eu fosse aquelas escritoras, sabe? Com uma taça de vinho ao lado. Uma taça é um eufemismo. Uma taça de vinho ao lado e tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, e acabava de escrever às 5 da manhã, ia dormir, sabe? Apaixonada, no flow, enquanto escrevia, aquela coisa. Ligava para minha mãe: Mãe, eu te odeio. Depois: Não, mãe, eu te amo. Porque é autobiográfico, né? Então é português, mas é autobiográfico. O primeiro livro tem 60 dicas de português. O segundo livro também foi em 20 dias, Só que isso já foi de dia normal. Falei: "Gente, vou acabar com minha saúde toda vez que eu resolver escrever um livro." E aí quando entrou esse negócio de pandemia, eu pensei assim: "Gente, vou escrever 10 livros, vou escrever 15 livros." Se for essa média de 20 dias, né? Eu vou ter todo o tempo do mundo e tal. Que eu descobri que esse tal de ócio criativo, ele só é bom e verdadeiramente criativo Quando ele é proposital, foi isso que eu entendi, porque eu não escrevi nada. A única coisa que eu escrevi foram os meus artigos para o jornal Estado de Minas e os meus cursos. Só que isso assim, escrever um artigo é uma coisa desse tamanho, muito simples e tal, você elege um tema e vai, em 20 minutos sai. Agora, escrever para os cursos é muito É muito automático, né?
Já tá tudo na sua cabeça.
Agora, essa escrita que demanda uma inspiração maior, ela foi impossível. Eu tô assim impressionada. A gente imagina que por ter tempo a gente vai conseguir, mas pelo menos pra mim isso não foi uma verdade. Então essa é uma das coisas que eu aprendi agora no período de pandemia, que realmente as coisas não são como a gente quer, não são na hora que a gente quer, do jeito que a gente quer. E isso para mim é bem difícil de aceitar.
Bom, eu quero que você fale sobre os cursos e já vou voltar aí sobre o aspecto dos livros, né? Porque esse último livro eu achei o máximo, né? Nós já vamos falar dele, mas só pegando aqui o ganchinho do que você falou, Eu trato disso no meu livro. Eu trato justamente sobre esse aspecto de que pode estar acontecendo qualquer pausa involuntária fora, mas se você não fizer uma pausa voluntária dentro e organizar tudo, a coisa fica complicada. E o ócio, ele é fundamental, mas quando você já está com um tempo sobrando, não é ócio.
É, aí perde o valor, né?
Pois é, então depois a gente fala mais sobre isso. Aí quando você ler, depois você me conta, tá? Porque tem justamente isso aqui. Mas, ó, você, o primeiro livro você falou sobre regras de português e o segundo livro você descreve a sua experiência.
Aham.
E aí?
O primeiro, ele é autobiográfico, ele tem 30 contos. E era minha amiga de solteira. Eu, louca no mundo, viajando sozinha. Eu já fui pra Roma 3 vezes sozinha, eu já fui pra Veneza sozinha. Gente, eu fui pra Veneza sozinha!
Nossa! Aquele lugar maravilhoso.
Sozinha, gente.
Entendeu?
Que eu pensei: vai que aquele trem transborda. Entendeu?
E eu aqui largada.
Até eu achar alguém pra ir pra Veneza. Aí, enfim. Então, primeiro, ele é português no meio das histórias, dos contos. E ele tem 60 dicas, 60 regras. O segundo, ele é a minha história louca aí com o meu marido, em que eu o conheci num dia, ele me pediu em casamento no segundo encontro, e eu modifiquei a minha vida inteira, mudei de estado, fechei meu cursinho. Eu já ia fechar, ok? Eu já tinha um planejamento de fechar neste ano, eu só adiantei um processo. Porque já faz 5 anos que eu tô no online e eu já tinha feito estudos sobre o mercado de pré-vestibulares e tal, e eu sabia que 2020 seria o máximo. E aí esse outro livro, enquanto eu conto a história, eu dou mais de 100 dicas de português à medida que eu vou contando. Por exemplo: Então, leitor, "Quando cheguei àquele local..." Ah, reparem que coloquei crase em "aquele", porque tananã, tananã, tananã... Mas voltando à história, o leitor não sabe se ele está lendo uma história, que no meu caso acho que parece mais 50 Tons de Cinza, me parece mais um suspense romântico, porque ninguém sabe o que vai acontecer com a louca aqui. Ele não sabe se ele está lendo isso ou se ele está aprendendo português. Uma coisa interessante, pegando aí algo que eu acho que hoje é sua área, que é a saúde humana, mental e tal, eu nunca planejei isso, mas eu recebo muitos relatos por direct de mulheres que leram o meu livro e se sentiram encorajadas para ir atrás do cara que elas querem, para terminar um namoro, para trabalhar, para não sei o quê. Só que eu nunca fiz pensando em nada disso, jamais. Eu só queria contar minha história e ponto final, e ensinar português. Nunca foi assim com público definido, idade, nada disso. Tanto é que o meu público Hoje no Instagram ele é muito variado, né? O que eu faço eu acho que não é pra idade nenhuma, apesar de eu ter nascido profissionalmente no pré-vestibular. Eu vejo os meus cursos, a média de idade das pessoas que fazem meu curso hoje é 40.
Uau!
Isso me surpreende, não era uma coisa que eu esperava. E eu adoro, adoro a troca assim. Mulheres grávidas, amamentando. Tá lá cuidando do filho pequeno, tem que ficar em casa e aí assiste a aula e por aí vai.
Claro, claro. Eu quero falar sobre isso contigo porque me parece, né, quando você é mais jovem, vou falar por mim, então quando eu estava lá na escola aprendendo um monte de coisa, pode ser que eu não dei atenção, eu não coloquei a atenção que eu deveria para algumas coisas que hoje são fundamentais. Português, por exemplo, vira e mexe eu tenho dúvida. É evidente, né? Aí eu vou lá, procuro e tento memorizar. Então, por que eu tô trazendo isso? Porque é como você diz, não tem idade para aprender. E esse espírito de aprendiz, ele é fundamental para a gente não estacionar e para a gente continuar reciclando, reaprendendo ou aprendendo da maneira certa.
Sim.
E nesse aspecto eu entendo assim que você é fundamental, porque quem já viu as suas aulas, quem já viu os seus shows nos cursinhos, né, aprende de uma forma muito deliciosa. Eu sei que você ouviu isso diversas vezes, mas ó, eu já tô perto dos 40, sabe, e eu aprendo sempre com você. Então você ensina brincando, né, tem uma foto lá sua na piscina toda bonitona, né, ensinando lá uma regra que vai ficar mais fácil memorizar. Então isso é muito bacana, que bom que você só mudou o lugar em que você ensina, mas continua ensinando.
Eu acho que nesse processo aí entra o humor, né? O humor é fundamental para o aprendizado. Ontem eu dei uma entrevista para a Leda Nagle e falei isso, vou repetir aqui: a gente só ri de piada que a gente entende. Logo, a partir do momento em que a gente une uma lição de português com uma piada, se a gente consegue fazer, né, se eu conseguir fazer com que você ria, é sinal de que você aprendeu, né, ou então de que você é simpática, no caso, e riu só para me deixar bem. Mas o humor é fundamental.
Duvido. E o que que você aprendeu, tirando agora da pandemia, nos últimos anos? Ou seja, desde o período em que você recebeu alguns nãos, e aí ao invés de você desistir, você foi se superando e buscando novos lugares, até hoje, o que mais mudou na sua vida ou nas suas opiniões?
Eu vou entrar então numa questão talvez metafísica, que é o seguinte: eu fui demitida 10 vezes, trabalhei em 13 lugares, um era meu, o outro quebrou, ou seja, só um lugar não me demitiu. Eu ouvi milhares de vezes, milhares, isso aí é uma hipérbole, né, gente, obviamente não foram milhares, mas eu ouvi várias vezes que eu não servia para ser, que eu não serviria para ser professora. Ouvi isso quando eu era estagiária, o que eu acho que é um crime, né, Você estagiária, você ainda na faculdade, alguém virar para você e falar assim: "Você não serve para isso, queridinha." Ouvi dos meus professores, de mais de um professor na faculdade. Eu fui uma aluna excelente na faculdade, tirando umas matérias, outras aí que eu realmente detestava e achava que eram inúteis, mas de um modo geral, aquilo que eu achava que era bom, naquilo eu ia muito bem. Teve um professor em cuja matéria eu cheguei a tirar, acho que 95, 25, em 100, uma coisa assim. E ele virou para mim e falou assim: você é muito bonita para ser professora, querida, por que você não vai ser modelo? Eu ouvi muito que o meu jeito de vestir, que o meu gosto por coisas mais refinadas, que isso tudo era simbologia de futilidade, de burrice. Por não ter o estereótipo esperado para uma professora, eu fui muito, muito, muito, muito discriminada na faculdade. Eu acho que é aquele bullying reverso, né? Eles vêm encher o saco de quem é privilegiado, privilegiado na visão deles.
Para tentar reduzir, né? Para tentar reduzir a luz.
É, então assim, e com isso tudo, eu desde muito cedo, assim, logo já na faculdade, eu comecei, para criar força, eu comecei a me imaginar no lugar que eu queria, fazendo a coisa que eu queria, sabe? Eu desenvolvi um poder de visualizar o que eu quero que, modéstia à parte, é bem fora do comum. Só que isso qualquer ser humano consegue fazer, porque é muito simples. Pelo menos naquilo que eu acredito, isso independe de religião, é tudo que existe na face da Terra, ele, essa coisa, ela vem do universo. Ela vem do pensamento, ela vem da força que você coloca na coisa. Pra mim, independentemente de religião, eu sigo uma filosofia de vida que se chama Seishonoye. Não sei se você já ouviu falar. Sim, sim, é pra cá. Que tudo aquilo que se manifesta na mente ocorre. De doenças a grandes alegrias, a você ficar milionário, seja o que for. Então o que eu aprendi com isso tudo foi que o meu sucesso ele dependeria única e exclusivamente de mim. E eu sempre imaginei conhecida, me imaginei lá dando entrevista pro Danilo Gentili, várias coisas que eu não imaginei ocorreram, fui capa do G1, sei lá, eu fui parar em vários programas de TV interessantes, na Veja, na Isto É, num monte de coisa. Então eu sempre imaginava até assim os amigos que eu teria, sabe? Ah, Padre Fábio. Ele é muito amigo meu, muito, muito, muito, muito, muito. A gente tem uma amizade há 3 anos mais ou menos, e uma amizade 3 ou 4, ah, não sei mais. E uma amizade muito verdadeira, muito verdadeira, muito legal mesmo. E você acredita que eu falava em sala de aula que eu ainda ia ser amiga dele? Aí os meus alunos: "Ah, tá!" Eu falava: "Gente, gente, eu vou ser amiga do padre." E o mais interessante, eu me imaginava amiga dele porque eu também me via muito nele. Nós temos uma personalidade, assim, intimamente falando, parecida. Ele é muito debochado, como eu sou. Ele é um cara assim que gosta... Eu não vou falar provocativo, não. Ele usa um termo sobre ele, tá até na biografia dele. É, não é o que arrisca, é o que, é o que não obedece muito. Eu esqueci o adjetivo.
Rebelde?
Tipo isso, tipo rebelde, mas não é tão assim rebelde, é, mas é aquele que se rebela.
Inquieto?
Não.
Ai, Jesus, mas a gente lembra, relaxa, calma, já a gente lembra.
É, e questionador e tal. E nós dois somos assim, nós acreditamos no humor. Eu olhava para ele e falava: cara, Esse cara é meu irmão. E ele separado na maternidade, é, na minha cabeça era. E eu, tadinha de mim, lá de Belo Horizonte, normalzinha e tal. E aí eu ficava imaginando, quer dizer, ah, eu pensava assim, salvas as devidas proporções, que o que ele fez com a profissão dele— não sei se padre é profissão, né, pode ser um erro que eu tô falando aqui— mas com o ofício dele Foi o que eu fiz com o meu, que é realmente se rebelar contra tudo que ocorre e fazer muito diferente. E eu não precisei fazer força nenhuma. Eu acreditei tanto que um dia nós seríamos amigos que a coisa caiu aqui assim no meu colo. A gente se conheceu e quem que veio me mandar direct e me mandar WhatsApp foi ele, não fui eu. Porque foi ele que me mandou. Um cara desse, né, super assediado. Quem? Ok, Deus, obrigada, já conheci, tá ótimo. E aí ele começou com dúvida de português, de repente ele tava falando coisas dele ou coisas minhas, e foi. Então o que a vida me ensinou foi isso assim. Eu tenho uma história, não sei se dá tempo, a história Eu tenho uma história, ela tá no meu primeiro livro, ela é ótima, ela é muito inspiradora, muito legal. Eu venho de uma família classe média, eu estudei em um excelente colégio, mas dinheiro era uma coisa que não sobrava, assim, eu não fui pra Disney com 15 anos, eu não tive festa de 15 anos, essas coisas. E aí beleza, e aí eu fiz 18 anos e meu sonho era ter um carro, como todo mundo que faz 18 anos. E aí eu não havia a menor possibilidade de eu ganhar um carro, não existia isso. Até porque as pessoas na minha família que podiam dar carros para os filhos não davam. Na minha família tem muito aquela coisa da meritocracia, de vai lá e compra, se vira. Eu me virei.
Trabalha, trabalha, trabalha.
Aí eu falei: gente, eu não vou conseguir nunca. Aí eu falei: não, vamos mudar isso. O que eu fiz? Eu aprendi que a gente tinha que mentalizar a coisa. Eu falei: então tá, que carro que eu quero? E assim, que eu posso dentro da minha realidade. Eu pensei: eu quero um Corsa, tá? Que cor que vai ser esse Corsa? Ah, verde, um verde escuro, tipo esse aqui, um verde escuro, tá? Beleza. Mas como é que eu vou ter esse carro? Já sei, vou comprar uma chave de um Corsa. Fui até a lotérica que havia perto da minha casa e pedi para o chaveiro da lotérica uma chave de um Corsa. Ele olhou para mim e falou assim: menina, "Eu tenho duas chaves de carro aqui e uma delas é de um Corsa." "Para que você quer isso?" Eu falei que eu tô fazendo um teatro, agora eu sou atriz e tal, e eu preciso de um carro para peça. Peguei a chave do Corsa, coloquei no meu chaveiro e toda vez que eu me sentava à mesa com alguém eu pegava a chave e colocava lá, como se eu fosse a dona do carro, um carro que não existia. As minhas amigas, a Luciana, minha amiga, olhou e falou assim: 'Você comprou carro desde quando?' Eu falei: 'No plano espiritual esse carro já tá comprado.' Aí tá, aí eu com a chave do Corsa, teve, houve uma vez em que eu estava no shopping, aí eu desci, fiquei procurando no estacionamento um Corsa verde. Na hora que eu achei, eu fui em direção ao Corsa com a chave como se fosse meu, para sentir o que que seria ter um Corsa verde. Olha que louca! Aí beleza. Aí de repente passou um tempo, outro tempo, outro tempo e nada do Corsa. Eu falei: Deus, você tá me ferrando? O que que tá acontecendo? Vamos conversar aqui, qual que é seu problema comigo? O que que eu tô fazendo de errado? Aí eu me lembrei que eu não tinha carteira. Eu falei: claro, Deus não tá me dando o carro porque eu não tenho carteira. Isso é óbvio. Eu falei: eu vou tirar carteira. Fui lá, foi um sofrimento para tirar carteira. Eu tive de tomar antidepressivo excessivo para tirar a carteira.
O quê?
Fazer baliza? Para fazer o controle do carro, controle de embreagem.
Olha até como é na unha dessa história.
Eu não conseguia fazer o tal do controle de embreagem. Tomava um pau, outro pau. No terceiro pau eu falei: já sei. Na região metropolitana de Belo Horizonte havia uma cidadezinha que é em que o único lugar de treinamento era o lugar em que era a prova. Eu falei: "Já sei, eu vou lá porque eu vou decorar as viradas e vou me preocupar só com tal do controle de embreagem." Beleza, fui para lá, pegava dois ônibus para ir, ia chorando, voltava chorando mais ainda e tal. Aí tá, fiz, passei finalmente porque eu decorei, né, como é que fazia o negócio lá. Passado um tempo, meu tio morre. Que Deus o tenha. Meu tio morre. E aí minha avó me chama e fala assim: "Você sabia que seu Corsa verde vai chegar?" Eu falei: "Como assim, vó?" Porque eu não parava de falar do Corsa verde. Eu vi um Corsa verde, eu me imaginava nele, né? Eu visualizava mesmo, gente. Era coisa incrível. Eu dentro do ônibus, eu olhava pro Corsa verde e falava: "Olha eu ali, olha. Tô me vendo. Meu cabelo preto, eu assim com meu óculos." Enfim, a louca. Aí minha avó foi e falou assim: pois é, minha filha, seu tio faleceu, ele não tinha filho, deixou para minha avó o seguro e tal. Aí tá, aí ela me deu o cheque para eu ir comprar o carro.
Uau!
Entrei num shopping de carros, né, só de carros. A primeira loja do lado esquerdo, qual era o carro que estava do lado de fora.
Uai, Corsa verde!
Aí eu comecei a chorar, eu chorava, chorava, chorava, chorava, chorava, e o vendedor não tava entendendo nada. Quem que é essa louca, né? Então eu acho que aí, bem nova, eu tive a minha primeira lição. Ok, que eu preciso matar meu tio, né?
Não, mas você não matou ele, gente! Você não matou ele, pera!
Mas assim, de alguma forma o destino me deu aquilo. Então essa pra mim é a maior lição da minha vida. Quando as coisas estão dando errado na minha vida, eu sei que a culpada sou eu. Eu sei que lá atrás, que há alguns meses, eu vinha fraquejando no tipo de pensamento que eu emanava. Então eu assumo a culpa. Pelas minhas perdas e também pelos meus ganhos mentalmente.
Você acabou de falar uma frase que a professora Luciana Galvão, você conhece ela? Da Nova Acrópole, uma filósofa. Menina, você precisa conhecer a professora Lucilena, é fabulosa. E ela é uma filósofa que há muitos anos tem difundido ideias fabulosas. E ela disse, né, os pensamentos fazem parte da oficina da ação. Então tudo começa no pensamento. Isso inclusive tá no livro Caibalion, que é espetacular, um conhecimento de milênios. E que bacana você trazer isso, eu nunca ia imaginar que você ia trazer esse assunto. Tô bem feliz.
É porque a sua pergunta é muito ampla, né? E eu até fiquei pensando assim, eu sabia que você ia me perguntar algo assim, eu achei que fosse sobre a pandemia. Mas assim, de um modo geral, é isso. E nesse momento aí agora de pandemia, a gente precisa vigiar a natureza do pensamento da gente, né? Eu no início tava achando lindo, tava lindo assim, gente, pelo amor de Deus, vou me explicar melhor, né? Nenhuma pandemia é linda, as pessoas estão morrendo e tal. Agora, dentro da minha casa, no início Eu tive uma vantagem, que qual foi? É, eu me casei com um homem workaholic, eu sou outra. Então eu queria saber, eu queria experimentar essa coisa de poder assistir ao Jornal Nacional, por exemplo, com meu marido. Eu não sabia o que que era isso, a gente nunca teve uma rotina.
Vocês viveram mais, mais tempo, tiveram mais tempo juntos?
É, e aí no início eu achei muito bom, mas agora já deu, tá? Já cansei.
Já cansou. Você falou agora há pouco que no início da sua vida profissional você ouviu algumas pessoas dizendo que você não era para aquilo, né? No meu livro eu trago a história do Maurício de Souza, que ouviu logo no início da carreira dele que ele não seria um bom desenhista. Ana Paula Padrão fala no primeiro livro dela, se não me engano, é que ela tava lá em Brasília numa primeira seleção para a Band, inclusive. Aí uma pessoa, quando ela chegou na hora dela, falou assim: você não tem perfil nenhum para ser jornalista, né? Por que que eu tô trazendo esses dois exemplos? Porque você, com o tempo, não desistiu. Era lá que deu uma travadinha. Deixa eu ver se volta. Só um segundo, gente. Internet essa hora é hora do rush. Deixa eu ver se assim volta. Cíntia já vai voltar. Internet essa hora é o prime time, né? Hora do rush. A Cíntia voltando, a gente retoma. A gente estava conversando sobre os nãos que vamos levando, né, no decorrer da vida. É natural que isso aconteça, mas aí como é que a gente vai reagir diante deles é que vai fazer toda a diferença. Deixa eu ver se a Cíntia já volta para cá para a gente continuar. O papo tá ótimo, Cíntia. É a professora de português mais divertida do Brasil, com certeza, autora de dois best-sellers, e tá contando aqui para nós o que que veio mudando na vida dela e o que também vem mudando, especialmente sobre um aspecto que ela compartilhou da criação das ideias no pensamento e depois transformando, as transformando em ação. Então vamos ver se ela entra, se eu consigo chamar também. Deixa eu ver, só um pouquinho, gente. Cíntia, você tá me ouvindo? Eu não consigo te chamar. Peraí, gente, não vai embora não. O Lucas tava perguntando, né, a Cíntia, professora de português, Cíntia Chagas. Recomendo para quem ainda não está seguindo, para que dê uma olhada na página dela, vale muito a pena, e também acesse os livros dela. Só um pouquinho, deixa eu mandar aqui uma mensagem. E tudo pode acontecer, né, gente? A vida é ao vivo, então que a gente tenha bom humor, jogo de cintura para os imprevistos que sempre podem acontecer. Se você vai voltar, vamos ver. E aí a gente já volta. Pronto, a gente já vai entrar em instantes. Sabe que eu tava fazendo uma bobagem? Eu não sabia que quando os comentários estão desativados eu não conseguia entrar. Se pronto. Oi, Rose, Luiz, pronto.
O iPhone esquentou, aí parou assim, falou, e tava escrito assim: temperatura. É o papo que tá muito quente.
Pronto, ainda nem chegamos no papo quente, tá vendo? Eu tava comentando o exemplo da Ana Paula Padrão, do Mário de Souza, que ouviram também. Grandes nãos e mesmo assim não desistiram. E aí, além desse exemplo que você mencionou, o que mais você não aceitou? O que mais você insistiu com a sua fé, com seus pensamentos, enfim, com a sua crença?
Tanta coisa assim. Eu não escondo de ninguém que Eu sempre quis ter um programa em que eu falasse de português. A minha missão de vida é ensinar. A minha missão de vida, o que me faz feliz, o que faz com que eu esqueça os meus problemas é poder brincar com português. Então eu nunca escondi a vontade que eu tenho de ter um programa na TV. Sempre foi na TV, claro, porque a gente vem da época em que a TV que era o legal. Opa, hoje, ok, pode ser no YouTube e tal. Só que assim, eu já tenho Instagram, meu Instagram, Instagram bom, forte e tal. Eu não tive vontade ainda de ir para o YouTube para fazer alguma coisa, até porque o que eu quero fazer é bem específico. Mas enfim, eu já recebi convites para ter programas de TV em que eu não falaria de português. Em que eu falaria da senhora de 70 anos que tem 30 gatos em casa. Eu não conseguiria, sabe? É nada contra, ok, vamos falar da senhora de 70 anos que tem 30 gatos em casa, depois a gente chama o anunciante e depois fala da funkeira que tá atrás de um marido, sabe? Essas coisas. Eu não queria falar disso. Então eu me recusei e meu coração doeu demais. Já me recusei também a trabalhar em um local que eu não posso falar qual que é, que poderia prejudicar a minha imagem, mas que eu adoro e tal. O que mais?
Agora, na verdade, eu quero Eu quero ouvir você, porque quando você ouviu não, você insistiu na sua verdade. Agora, por exemplo, você insiste na sua verdade e nem sempre as pessoas têm coragem de insistir nas suas verdades, por N necessidades ou por alguma escassez. Muitas pessoas acabam aceitando lugares ou situações que elas não gostam, né? Mas você, na vida pessoal, pelo que a gente já conversou, você sempre manteve uma postura muito firme. Mesmo estando com pessoas que, ah, não rolou, ok, beijo, tchau, vamos em frente. Ou seja, eu nunca ouvi você me dizendo que ficou triste, abatida, ou raspou assim na desistência de algo que você queria mesmo.
É assim, sabe o que que é? É que eu me construí a partir do problema. Então, para mim é muito fácil renascer das cinzas, para mim é muito fácil ser uma fênix. Modéstia à parte, eu sou foda, sabe? Assim, eu tenho uma força, eu tenho uma crença de que as coisas vão dar certo. Quando eu falo eu sou foda, agora 170, tinha 180, foi para 177, ó, subiu para 181. Eu não tô falando em momento nenhum que eu seja melhor. Não é nada disso, não é nada disso. O meu "eu sou foda" é: eu não desisto, eu não desisto. E lá no início, quando eu fui demitida de 10 lugares, o que as pessoas não entendem dessas demissões é o seguinte: eu comecei a trabalhar no primeiro período da faculdade, beleza. Então, quando eu me formei, eu tinha já 4 anos de experiência. No dia em que eu fui colar grau, eu estava colando grau assim, meu celular tocou, Era uma escola me oferecendo emprego. As pessoas eram emprego assim, ó. O povo me demitia, mas também o povo me assediava muito e tal. Então quando eu percebi, quando eu dei por mim, eu estava dando aula sempre em 5, 6 lugares ao mesmo tempo para poder me garantir, porque eu sabia que a qualquer momento alguém ia me demitir por me achar muito engraçadinha, por eu causar muitos problemas. Com os professores, problemas de raiva, de inveja, de não sei o quê e tal. Então eu fui lá e abri meu cursinho com o dinheiro que eu ganhava. Eu peguei uma parte desse dinheiro e abri uma sala no shopping. E eu comecei com 3 alunos, não pagava o aluguel da sala, mas eu acreditei, eu acreditei. Num prazo de mais ou menos 2 anos e meio, eu já tinha 100 e 20 alunos mais ou menos e já tava começando a ter lista de espera. Então, pra mim, o não já existe e eu tô atrás do sim o tempo inteiro. É óbvio que há momentos em que você fala: "Poxa vida, não é possível." Eu tenho um caso aqui de uma pessoa da minha família, por exemplo, que me sacaneou muito, não é pouco não. Foi muito. Ela trabalha em uma emissora, uma emissora grande, e tinha problemas comigo. E toda vez que a tal emissora ia filmar o meu aulão lá em BH, um aulão em que eu sozinha, eu, eu, eu, sem secretária, mais ninguém, só eu dava aula no meu cursinho, colocava lá cento e tantos alunos na balada e tal, uma coisa, era beneficente. Você é jornalista, você é uma senhora pauta. Uma professora que vai vestida a caráter, toda maquiada, uma aula com DJ. Era um show aquilo. Eu fiz aqui, acho que foram 14 aulas assim. E aí toda vez que a emissora em questão me ligava: "Ai, tal, Cíntia Chagas, a gente vai cobrir, não sei quem, não sei quem, não sei quem." Passava o quê? Um dia. Aí: "Ah, pois é, você é parente de primeiro grau da fulana de tal." "Que pena, nós não poderemos ir e tal." E ela fez isso comigo 3 ou 4 vezes. E assim, é óbvio que aí você tem muita raiva, você quer matar, você deseja mal, você xinga e tudo. Só que não adianta. Aí eu aprendi também uma coisa, que uma porta que se fecha é para abrir outra. Então no dia que eu saí na emissora em questão, eu acabei de contar qual é, eu vou acabar contando, Eu fui a capa do G1, eu saí no Jornal Nacional, eu saí no Jornal da Globo. O William Wack, que eu amo, acho aquele cara foda, William Wack falando de mim. Era uma matéria sobre mim, sobre o meu trabalho, sobre a minha ideia, sobre a minha audácia e tal. Aí minha vontade era falar: queridinha, olha aí, entendeu? Foi legal porque Talvez se eu tivesse, aí eu não entendo como que é esse negócio de jornalismo, mas talvez se eu tivesse já saído na emissora local, eu não tivesse saído na emissora nacional? Não sei. O que eu sei é que isso me rendeu a capa do G1 e pronto. Então eu não tô querendo dar aqui de Buda e falar: gente, vamos lá, a gente perdoa tudo. Não, mas é orai e vigiai, é você o tempo inteiro tentar entender que o que tá acontecendo é para o seu aprendizado, né? É porque lá na frente vem alguma coisa melhor. Mas isso também, se você for uma pessoa do bem, né? Porque papai do céu não ajuda quem não é bom.
Isso. Tem uma gata aqui, ó, tá doida para aparecer. Michelle Obama. Ela sobe, eu boto ela para o chão. Sim, na verdade, você tá me dizendo É homenagem. Menina, eu trabalhava no BandNews nessa época, ó, que ela já tem já 10 anos. Eu trabalhava no BandNews TV e eu participei da eleição do Obama. Sou apaixonada por aquele casal. E aí, na época, eu queria adotar um casal, só que aí veio a Michelle, e assim, homenagem total. Amo ela de paixão.
Eu tô tentando imaginar o que eu sentiria se meu nome estivesse numa gata.
É homenagem. Ninguém coloca o nome num pet que não seja homenagem, tá? Já vou falar. Inclusive, quando eu vou na casa de alguém que a cachorra, por exemplo, chama Belinha ou Bela, né, como minha família no Paraná me chama, uai, que ótimo, né? É uma fofinha. Então pronto, vamos pensar assim, né? Mas será que você vai colocar o nome em algum pet que você não gosta, de alguém que você não gosta?
É que como eu não posso ter animal, que eu sou assim alérgica ao extremo de ir pro hospital, tipo, se eu entrar na sua casa eu não preciso encostar na gata, só de entrar meu olho já começa a sair água, água, água, água. Tudo bem, não tem problema. Aí eu nunca pensei nisso, sabe, assim, nome de animal, nunca.
Inclusive o Obama, ele adotou um cachorro que na época, se eu não me engano, ele era antialérgico. Ele tinha um tipo de pelo numa raça específica que não dava alergia. Depois dá uma olhada na internet, tá, falando da família Obama. Mas vamos lá, ó, eu tenho pouco tempo ainda com você e pelo que você tá me dizendo, me vem à cabeça a história do que vai dar certo, que tiver que dar certo na hora certa. Então você, por todas as experiências que você tá contando, para quem ainda não sabe os detalhes, você não se corrompeu, você não deixou a sua graça, você que você não deixou que ninguém apagasse o seu brilho, certo? Você foi indo, confiando naquilo que você melhor fazia. Agora, e no aspecto amoroso? Porque acho que a sua história ela pode inspirar outras Cíntias, Isabelas, e enfim, porque você tinha uma posição e com o tempo você foi mudando essa posição. O que que te fez deixar de ser uma pessoa livre em voo solo para aceitar o amor, se abrir para o amor. Isso foi o tempo que te trouxe?
Não, não foi o tempo não. Assim, eu acho que foi o encontro com um homem mais homem do que eu, né? E talvez os desencontros também com os outros. Eu era uma solteira convicta, eu falava que eu ia terminar com o Soamal porque eu admiro muito. Mas que meu destino ia ser a Glória Maria, né? Que ela mesma já brincou falando que ela tem um namorado em cada país. Como eu viajava muito, era isso que eu tava pretendendo. Mas assim, o meu caso com o Nando, que deu o livro, tem a ver até com o Padre Fábio. Eu tava numa festa cheia de... Eu chamo de Beata do Padre Fábio, Beatas. Que são mulheres que vivem com ele aí para tudo que é canto e tal. Eu estava lá com elas, aí uma delas falou assim comigo— BH é muito pequena, né, gente, a roça, todo mundo sabe da vida de todo mundo. Aí ela tá assim: não é possível, você acabou de terminar com fulano. Eu falei: ah, para você ver, minha filha, meu destino é ficar sozinha, já entendi isso. Ela: ah, é porque você não achou um homem mais homem do que você. Eu falei: ah, tá, mas qual?
Onde tá?
Onde está? Ela falou: olha, eu conheço dois. 'Um deles é William Wack.' Aí eu falei: 'William Wack, jornalista?' Ela falou: 'É.' Eu falei: 'Minha filha, como assim? Eu não sei se o homem é casado, eu moro em BH, não tô entendendo, não tem nada mais fácil aí, não?' Ela falou assim: 'O outro é de São Paulo, mas é mais fácil, o nome dele é Luiz Fernando Garcia.' Eu falei: 'O que que ele é?' Aí ela falou assim: 'O que que ele faz? Quem que ele é? Me dá aí o perfil.' Aí ela falou assim: 'Olha, "Tem a idade que você gosta, né, tá na faixa dos 50, que eu sempre gostei de homens mais velhos, né, cabelos grisalhos e tal. Ele é psicoterapeuta, só que ele é tipo... ele é um showman, como você." Aí ela começou um joguinho muito interessante, ela falou assim: "Você dá palestra?" Eu falei: "Dou." Ela falou assim: "Ele não tem horário pro ano que vem inteiro, de 2019." Eu falei: "Ahn." Aí ela: "Ahn." Aí ela: "Você tem livro bestseller?" Eu falei: "Tem." Ela: "Quantos? Um?" "Ah, queridinha, ele tem 4 ou 5." Aí eu: "Ahn." Aí ela: "Você já foi ao Danilo Gentili, né?" Eu falei: "Já." Aí ela: "Pois é, ele já foi ao Jô Soares." Eu falei: "Tá bom, psicanalista que faz isso tudo, aposto que é baixinho, careca e barrigudo." Ela falou: "Não, querida, ele é sarado, gosta de treinar como você, alto, metade do corpo tatuada." Eu falei: "Gente, então só pode ser viado, porque um homem hétero não vai reunir esse tanto de característica positiva, não, né? Eu só conheço viado que é assim, bem-sucedido, intelectualizado, sarado, nananã. Foi viado." "Não, Cíntia, foi casado por 25 anos, ou seja, ao contrário de você, é um homem estável e está separado há 2 anos." Eu falei: "Gente, cadê esse homem?" Ela: "Não, gente..." que eu vou marcar uma. E ela nem o conhecia, ele era amigo do sócio dela. De tanto sócio, eu falo, ah, ela tinha virado, ela virou fã dele. Aí ela, não, eu faço um jantar lá em casa. Eu falei, que jantar, o quê? Deixa eu ver o Instagram dele agora. Aí depois, mais tarde, depois da festa, ainda fui para outro lugar beber para criar coragem, mandei um direct para ele, né, fui lá seguir. Aí curti tudo para ele ver que eu tô lá, né? Apesar de que a gente é verificado, o povo vê, né? Não tem jeito. Aí achei um vídeo em que ele falava de pessoas que não conseguiam terminar relacionamentos. Aí eu falei assim: e quando o problema é começar? Porque menina, eu começo, vai dando tudo errado. Aí ele: provavelmente é deve ser de vínculo com o pai. Eu falei: gente, sou eu, conheci meu pai tinha 15 anos, é isso mesmo. E comecei a conversar com ele. Pronto, aí eu soltei um assim: tá bom, muito obrigada, não é à toa que falam tão bem de você em Belo Horizonte. Aí eu acho que ele foi lá ver as fotos e tal, porque tava muito grosso no início. Aí ele voltou: ah, se você quiser eu levo para você uns livros quando eu estiver aí.
Nossa, que coisa!
Aí eu "Segue o meu WhatsApp. Boas festas." Isso era o quê? Perto do Natal. "Boas festas." Aí ele: "Boas festas nada. Calma que antes de..." "Não, que eu quero conversar mais com você" e não sei o quê. Começamos a conversar. Aí a gente não se desgrudou mais. Eu falei: "Gente, o cara é psicanalista especialista em psicopatas. Se eu mentir, eu tô ferrada, porque ele vai perceber." Então eu vou ser eu mesma. Tudo que ele perguntava, eu falava a verdade. Coisas que nenhuma mulher seria capaz de admitir, eu falava. Ele ia perguntando, eu falando. Falei: "Ah, é tudo ou nada aqui, azar. Tudo ou nada." Fui falando, falando. "Ah, por que você não dá certo pra ninguém?" Eu falei: "Ah, porque eu escolho homem como se eu estivesse escolhendo um carro. Simplesmente por isso, que eu sou uma pessoa fria. Eu sou uma pessoa que olha assim: você vai me dar trabalho, você não vai?" Começou a dar trabalho. Começou a dar trabalho, me apurrinhou. "De repente eu tô pensando mais na relação do que na minha profissão, termina, eu sou assim e tal." E eu acho que ele ficou muito impressionado com o meu excesso de sinceridade. E aí a gente foi conversando por uns 15 dias.
Pausa nos 15 dias. Mais uma vez você insistiu na sua verdade, você honrou a sua personalidade, né?
É, é.
Verdade.
Aí a gente ficou conversando por uns 15 dias, e aquela coisa apaixonada igual adolescente, conversando até às 4 horas da manhã. Eu já tava sofrendo, sofrendo, que eu queria conhecer, ele queria me conhecer, ele tava em outro país e tal. Aí ele voltou no dia 4 de janeiro de 2019, eu ia viajar. Não, ele voltou no dia 5, eu ia viajar no dia 4, eu adiei minha viagem. E aí ele queria ir para BH, eu falei: não vem para BH não, que essa cidade é muito pequena, um homem desse tamanho vai todo mundo olhar, eu sou ciumenta possessiva. Não, não vem não, pode deixar que eu vou para aí. Onde você tá? São Paulo? Não, Balneário Camboriú. Fui para Balneário e aí de repente essa imagem é ótima. E de repente ele, e a gente nunca tinha se visto, né, só por FaceTime. Aí de repente ele vira para mim e fala assim: é, tô chegando ao aeroporto, como é, como que é para eu chegar? Aí eu respondi: rápido. Aí, minha filha, de repente vem aquele homem assim enorme, aquela mão. A primeira coisa que eu vi nele foi a mão. Olhei para baixo assim, vi a mão, falei: Deus é Pai, não é padrasto. A mão é grande, o resto também deve ser. Graças a Deus! Aí ele me virou, me deu um beijo, e eu só fui ver o Nando depois que beijou. Eu abri o olho e vi depois do beijo. Isso tudo tá no meu livro, essa história linda, só que com português no meio e tal. E aí a gente, ele me pediu em casamento no segundo encontro, a gente se casou em setembro. E estamos aí.
Pronto, simples assim.
Foi para 307, gente.
Tá vendo essa história?
É só dar uma apimentada.
Agora o celular não vai esquentar, né? Ele vai— Oxi. Mas ó, essa história de vocês é muito interessante e você sabe que eu gosto de ouvir ela sempre e eu sempre me emociono sempre, né? Porque na minha humilde opinião, o tempo, o passar do tempo vai deixando a gente com mais coragem, mais experiência. Eu não sei. Pra mim é aquela velha história, né? Com o tempo você vai ganhando mais maturidade, você vai entendendo certas coisas que antes não tinha como entender. Você concorda? O que você pensa sobre essa maturidade que tantos falam? Porque idade também não significa maturidade. Eu conheci muitos caras, inclusive mais velhos, e que meu pai amado, então é uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Mas eu não entendi sua pergunta, eu acho. Você tá me perguntando o que que eu acho da maturidade?
O que que você acha do passar do tempo com essas experiências, se elas foram te trazendo mais maturidade e capacidade de valorizar o Nando, por exemplo, né? De repente no passado ele teria passado por você.
Sim, é óbvio que a gente passa a valorizar também aspectos do outro porque a gente passou por outros e tal. Mas uma coisa interessante, eu acho que as pessoas elas estão na vida uma da outra para que elas aprendam, né? Eu tenho uma história linda que deu um livro, se Deus quiser vai dar um filme. Era para eu ter escrito já o roteiro do filme, mas essa quantidade de curso que eu tô lançando não me deixa escrever.
Vamos falar sobre eles agora.
É, e assim, eu entendo que por mais que a minha história seja linda, há uma necessidade de evolução constante, né? Porque, ok, eu tô com 37 anos, mas eu continuo difícil, me acho uma mulher bem difícil, bem difícil, mas muito. Sabe? Assim, engenhosa, complicada, brava, possessiva, mais possessiva do que todos os pronomes possessivos juntos. E algumas coisas a gente tem que também aceitar que são da personalidade, que não vai mudar tanto, que outras já vão mudar. Eu não sou uma pessoa calma, não tem jeito. Muitas vezes o Nando me chama, por exemplo, E eu queria ser assim, ó: "Oi." Eu não sou.
"Oi!" Sabe?
Eu não sou meiga. Eu queria ser mais meiga, mas não tá em mim. Quando eu vou ver, eu já falei: "Quê? Hã?
Hã?" Agitada.
Eu tenho inveja da Sandy.
Você respeita o seu tempo, você honra a sua personalidade. Eu tô adorando, porque olha, essa Sei lá, nossa quarta, quinta conversa, e cada vez eu aprendo mais com você. Você pode ter as características que você quiser, mas você é uma mulher forte e inspiradora, certo?
Não sei.
Sim, sim, sim, sim. Fazer a enquete aqui, vamos ver. Oci, nós temos 6 minutos. Você me falou desde o início então que o que o tempo te trouxe foi justamente a confiança de começar na mente o que você quer que aconteça na sua vida e acreditar nisso. E aí você falou dos cursos, né? Você ignorou os nãos, todos aqueles desafios, fez o seu curso e agora você tem os seus cursos online. Vamos falar deles para quem quiser então aprender ou reaprender o português de verdade?
Sim, é a primeira coisa, eu evito Eu não dou mais aula daquele português que as pessoas não usam, sabe? Oração subordinada adverbial causal reduzida de gerúndio, apesar de eu amar essa aula e tal, esse conteúdo. O português que eu ensino é um português para que as pessoas falem melhor, escrevam melhor. É diferente daquilo que a pessoa tem na sala de aula. Então, por exemplo, o meu curso que está aberto ainda, que se chama Português no Instagram, é um curso em que eu dou as matérias das quais a pessoa necessita para falar e escrever bem. Crase, vírgula, uso do porquê, uso do este, do esse, do aquele, regência verbal, né? Para quem não sabe o que é regência verbal, qual que é o correto? Assistir o filme ou assistir ao filme? Isso, concordância nominal, concordância verbal. Só que o que que eu faço? Eu tô aqui, olha, por coincidência, aqui no meu quarto, duas gramáticas que eu amo. Rocha Lima, adoro. Napoleão Mendes de Almeida, eu acho que é só para professor. Mas enfim, o que que eu faço? O que que eu fiz? Eu peguei a gramática, que ninguém tem a obrigação de saber ou de gostar, eu peguei a gramática e tá, regência verbal, eu olho aqui dessas regras aqui, quais realmente são necessárias para as pessoas, porque as pessoas não têm mais paciência. Hoje um áudio de 4 minutos para muitas pessoas é falta de educação, né?
Total.
Parece que tá mandando um respeito com o tempo do outro.
Eu falo isso, é o tempo do outro.
"É, parece um podcast, não um áudio." Então assim, né? Então assim, o meu curso, esse português no Instagram, ele é de gramática, ele é feito por meio daquele grupo Melhores Amigos. Então chega via story para pessoa, e aí são 15 minutos por dia, 3 vezes por semana, segunda, quarta e sexta. A aula ela fica armazenada nos destaques, a pessoa pode ver quantas vezes ela quiser dentro do período do curso. E eu dou exercício com 10 frases, 13, 15 frases, só que frases bem pensadas, e corrijo para ver se a pessoa entendeu a matéria. Esse é um deles que eu acho que para mim é o mais legal, é o que eu mais faço graça e o que eu mais divirto. Há também o curso de redação para o ENEM em que eu dou modelos, assim, é muito gratificante. São cursos baratos, né, cursos que dão aqui, uns eu acho que R$30 por mês, outros R$50 por mês e por aí vai. Pessoas do norte do país, pessoas que não saíam da nota 300 no ENEM chegam a 800 com esse curso porque eu dou 2 modelos métodos de escrita com os quais alunos meus tiraram 980, 960. Então a pessoa só tem que gravar. E tenho também o curso para concursos, que eu acho que ele é mais— acho não, ele é mais utilizado por pessoas que querem apenas aprender a escrever melhor, escrever um texto com início, meio e fim bem feito e tal, do que por concursandos mesmo, né. Aliás, o certo é concursando, não é concurseiro. Então hoje eu tenho esses 3 e vou gravar mais um quinta, sexta, sábado e domingo que vem. Já tô quase acabando esse outro e por aí vai. Mas os que eu amo são os que eu posso fazer muita graça, que são os de gramática, porque brincar com a gramática é muito legal, muito.
Pronto. Eu vou fazer seu curso da crase porque às vezes me dá umas dúvidas assim, eu falo: gente, mas é ou não é, né? Enfim, e não tenho vergonha nenhuma de dizer isso porque eu me lembro uma vez rapidamente alguém me falou assim: ah, você é jornalista, você é obrigado a saber. Eu falei: não, jornalista é obrigado a perguntar. Então vamos em frente. Se o nosso tempo tá acabando, eu quero te agradecer profundamente pelo seu tempo, pela sua confiança. Obrigada por ter compartilhado histórias tão interessantes da sua vida e que vão inspirar muitas pessoas que assistiram e que ainda vão assistir. Depois eu vou deixar o conteúdo todo lá no YouTube, tá bom?
Tá bom, espero que realmente faça diferença aí para as pessoas, né? Um pouquinho da vida da gente, a gente tenta. Muito obrigada.
Obrigada, que o tempo sempre esteja a seu favor. E esse a seu favor é sem crase, né?
Sim, maravilha, porque seu não é palavra feminina.
Obrigada, Cí, até breve. Tchau, tchau.
Beijo, tchau, gente. Obrigada.
Obrigada por cada um de vocês aqui. Nós conversamos com a Cíntia Chagas, a professora de português mais linda e mais divertida do Brasil. Amanhã eu volto com mais um assunto muito bacana e, como eu digo, se interessa a mim, pode interessar a você. Boa noite, bom descanso e até amanhã.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








