Como a educação financeira pode nos ajudar trabalhar melhor? Live com Ana Leoni da Anbima

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a Portuguese-language YouTube live interview titled "Como a educação financeira pode nos ajudar trabalhar melhor? Live com Ana Leoni da Anbima" (created 2020-05-01) from the ‘Semana do Futuro do Trabalho’. Host Isabela Camargo interviews Ana Leoni (superintendente da ANBIMA, columnist and creator of 'Dinheiro com Atitude') in an approximately 45-minute session. The conversation covers personal finance and financial education topics: taking pauses for productivity, why people avoid budgeting, stages of financial education (formação, informação, proteção), emergency reserves (6 months guideline), retirement shortfalls and low private-previdência coverage, inclusion of financial education in the BNCC and challenges training teachers, practical advice for those in debt, ideas for earning income from home/entrepreneurship, and valuing the cost of one’s hourly work. The format is a live interview/Q&A with audience questions.
Chapters
Olá, olá, boa tarde! Iniciando mais uma entrevista aqui na Semana do Futuro do Trabalho. Eu fiz mais cedo uma provocação. Como Isabela marcou uma live na hora do almoço, no dia do trabalho, feriado, para falarmos sobre educação financeira. Porque eu acredito de verdade que não existe melhor hora para a gente falar sobre isso. Muito já foi falado, assim como saúde mental, né? E agora estamos tendo uma excelente oportunidade, mesmo que no momento doloroso, para falarmos sobre coisas muito importantes e que a gente estava deixando em segundo plano. Quem vai conversar Comigo agora é a Ana Leone, ela é superintendente da Ambima, Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais, também é colunista do Valor Investe e tem uma página incrível chamada Dinheiro com Atitude, se eu fosse você eu seguiria, porque ali ela compartilha um pouco da vida dela, que é a nossa vida, e por ser uma executiva incrível acaba também trazendo muitos insights pra gente. Ana já tá aqui? Já dividi bastante o seu tempo. Vamos ficar em torno de 45 minutos, tá, para não atrapalhar aí o almoço de ninguém. Mas como é feriado, né, a gente sempre tem de almoçar um pouquinho mais tarde. Tudo bem, Ana?
Olá, gente, tudo bem? Boa tarde para todo mundo.
Super boa tarde, obrigada por ter aceitado o meu convite.
Imagina, é um prazer, super legal, sou sua fã.
Imagina, eu sou sua. Porque sempre acompanho você no Dinheiro com Atitude e também no seu pessoal e adoro ver as suas listas que você faz.
Pois é, elas me ajudam pra caramba, principalmente para ter um dia produtivo, seja em casa agora, né, que a gente está precisando aproveitar melhor esse tempo que a gente tem disponível, ou no dia a dia mesmo. Então eu acho que elas ajudam também a gente saber não só o que precisa fazer, mas o que a gente deixa de fazer.
Olha que danada! Posso começar então já pelas listas? Porque duas coisas me chamaram atenção. Em uma delas você escreve: pausa a cada 2 horas. Eu sou super ativista na pausa, porque só nela a gente consegue atualizar a identidade e organizar nossas ideias. Queria entender com você sobre essa pausa de 2 horas, se você consegue realmente realizar sempre E entrar na questão da lista financeira. Antes da gente falar de gestão e tudo mais, por que a gente tem tanto medo, por que a gente foge tanto de fazer listas com gastos?
Pois é, bom, primeiro a pausa. Eu acho que a gente não se permite a parar, a desacelerar. Eu tenho falado bastante desde que a gente entrou na quarentena, e é uma pauta que você fala bastante, do quanto a gente tem que se permitir também respirar fundo, porque é nesses momentos que a gente desperta a criatividade. Quando a gente está muito ocupado, muito atarefado com as coisas do dia a dia, com aquelas coisas urgentes, a gente deixa o importante de lado. Então quando a gente para para pensar, alivia a cabeça, a gente acaba assim abrindo para receber coisas, né, inputs, ideias assim que a gente não parou para prestar atenção. Então eu acho que eu nem sempre eu consigo, gente, principalmente assim nas últimas semanas a gente está com mercado bastante volátil, a gente está uma maior correria, então nem sempre eu consigo fazer essa pausa, mas sempre que possível, principalmente para descer escada, para se alongar, para arrumar postura, eu acho que é super importante, mesmo no escritório e em casa isso é mais ainda. Então eu acho que super funciona e a gente tem que se permitir não fazer nada. Isso é bom, a gente, o ócio ele funciona para muita coisa e eu acredito que para criatividade ele é muito importante. Maravilha! Agora falando das listas financeiras, pois é, né? É listinha difícil de pôr no papel. A gente tem, né, Isabela, muitas influências quando a gente está falando de dinheiro. E em geral essas influências são negativas. Então a gente aprende, e é isso que a gente vai bater um papo aqui hoje, a ganhar dinheiro. Então a gente, desde pequeno, perguntam para a gente: "Ah, o que que você quer ser quando crescer?" você vai fazer o quê na sua vida adulta, que faculdade que você quer fazer. Então a gente sempre é condicionado a aprender a ganhar dinheiro, mas a gente não, não aprende a preservá-lo. E não adianta nada a gente saber ganhar se a gente não aprende preservar. Então desde pequeno a gente é muito influenciado negativamente. Então a gente tem influências sociais, então você tem uma, se você vive numa sociedade que o consumo é mais privilegiado, se se o teu entorno valoriza mais coisas materiais do que coisas mais essenciais. Você tem questões religiosas que influenciam a forma como você lida com dinheiro. E quando a gente está falando de dinheiro também, a gente não está falando só de um pedaço de papel. A gente está falando de conquistas, de fracassos, de dificuldades, de uma série de outras coisas. E essa lista toda acaba fazendo com que a gente tenha dificuldade de falar do assunto.
Você, eu adorei quando você fala, né, a gente aprende a ganhar e não aprende a guardar. Essa é uma questão que a gente vem alimentando, trazendo do passado para cá, mas como é que você vê então o presente para o futuro, né? Educação financeira nas escolas, educação financeira às vezes nas próprias empresas, por quê? Se eu não sei quanto custa a minha hora, se eu não sei o valor do meu trabalho, Eu posso trabalhar de uma forma equivocada achando que eu sempre preciso ganhar um valor X ou Y? Como a educação financeira pode ganhar espaço agora para a gente trabalhar melhor?
Olha, a educação financeira ela tem alguns estágios, né? Ela é um termo que sintetiza a gente ter uma relação melhor com dinheiro. A gente precisa ter, né? Como eu falei dessas influências negativas, sempre o recado que eu dou é o seguinte: olha, o dinheiro ele é essencial, queiramos ou não, a gente precisa dele para realizar os nossos objetivos de vida. Quem coleciona dinheiro realmente é péssimo, né? A gente não tá aqui para colecionar dinheiro, ele é um meio hábil da gente conseguir alguma coisa. Então a gente precisa saber lidar bem com aquilo, né? Ele é um bem escasso que a gente precisa saber guardar, zelar por ele para que a gente consiga ter esse bem escasso por mais tempo. Então a educação financeira é isso, ela te dá instrumentos, ferramentas para você lidar melhor com isso. E aí você tem a formação, a informação e a proteção. A formação, que é como você citou, começa na escola, em casa. Esses dias eu tenho postado, não sei se você viu, a lição de casa da minha filha que ela tá aprendendo e ela tá adorando, é muito legal. Eu então, né, eu paro tudo que eu tô fazendo para ver quais são as respostas dela. Então você tem ali uma coisa de formação, depois você tem a informação, que você precisa de informação no momento que você está tomando uma decisão. Então você está tomando uma decisão de tomar um crédito, você precisa ter informação clara o quanto você está pagando por ele. Você está fazendo um investimento, você precisa saber exatamente quais são as regras que estão ali contidas naquele, né, que riscos que você está correndo, que benefícios que você vai ter. E você tem a proteção, você tem que ter a certeza de que você tá entrando no ambiente regulado, supervisionado e que toma conta de públicos vulneráveis. Então isso são fatores importantes que a gente precisa considerar.
Nossa, você tá me abrindo aqui um leque de tantas perguntas, deixa eu tentar aqui organizar para responder o máximo de perguntas. Aliás, eu já quero convidar todos que estão aqui conosco para quem vir dúvidas Nós estamos aqui com uma das maiores especialistas do Brasil para falar sobre o assunto. Ana, então quando você fala sobre os estágios da educação financeira, eu começo pela formação, informação e depois proteção. Quando você publica ali as lições da sua filha, eu acho o máximo, teve uma, né, esse dinheiro não dá em árvore, como é que você faz? E tem uma outra publicação também sua que você diz: a gente só enriquece trabalhando. Mas a gente também tem uma crença de gastar o que ganha. Já começa errado, né?
Já, já.
Eu gasto tudo o que eu ganho e aí eu não guardo. Achar que guardar é um desperdício.
É, até eu dou sempre essa analogia, né? As pessoas sempre acham que equilíbrio financeiro está relacionado ao quanto você ganha e não é, é o quanto você gasta. Parece tão abstrato isso que eu estou dizendo, mas se você tem uma pessoa que vive dignamente com salário mínimo, com todas as suas dificuldades, não dá nem para desprezar as dificuldades de quem ganha pouco, mas essa pessoa consegue preservar alguma coisa, ela E a gente compara com uma pessoa que, por exemplo, ganha R$50 mil por mês e gasta R$51 mil por mês, a gente não tá falando de uma pessoa rica, a gente tá falando de uma pessoa gastona, porque ela não é capaz de preservar aquilo que ela ganha. Ao passo de que quem tem uma renda, nesse exemplo, uma renda menor, consegue preservar mais. Então esse é o primeiro equívoco, que a gente pensa que a gente só vai equilibrar as nossas finanças trabalhando mais, ganhando mais, e não é verdade. A gente pode ganhar o infinito, se a gente gasta o infinito, é o ralo, né, é maior do que a torneira. Então esse efeito acaba sendo nulo, porque você tá gastando na proporção. Então quando a gente gasta tudo que a gente ganha, a gente fica muito vulnerável a qualquer crise, a qualquer eventualidade que possa acontecer, como que a gente tá passando agora. Uma pesquisa da Ambima mostra que no ano passado 32% das pessoas tinham algum tipo de investimento. Então a gente está falando de pessoas, né, um grande número da população, e aí de novo essa pesquisa ela cobre a classe A, B e C, né, então a gente não tá falando da população que é mais vulnerável financeiramente. Então a gente está falando de pessoas que produzem renda, né, menos da metade consegue ter alguma reserva para, seja para o que for, para uma emergência ou para concretizar algum objetivo de vida. Então essas pessoas, então tá aí a explicação, né? Elas, agora que a gente tá aí, muita gente perdeu o emprego, a gente teve gente aí, empresários, empreendedores que tiveram a sua renda imediatamente comprometida com a crise, se viram sem nenhuma opção a não ser achar um jeito de continuar trabalhando mais.
Uau! Já quero falar contigo sobre reserva financeira. Adorei o que você falou sobre equilíbrio financeiro não é o que você ganha, é o que você guarda. E muitas pessoas acham que para guardar algum valor precisam começar com R$100. Você tem assim alguma média, alguma orientação para quem está nos ouvindo? Como eu guardo e onde eu guardo, né? Por exemplo, colocar R$10 onde? Numa poupança debaixo do colchão, sabe? Eu vou esconder esse dinheiro, porque aí você esquece dele?
Olha, não tem um número mágico. O que eu sempre recomendo é o seguinte: primeiro, para aquela coisa ali urgente, né? Aquela— eu até brinco que os investimentos nossos têm que ser igual uma prateleira. Aquele que a gente precisa sempre tem que estar à mão. Então é aquela coisa que você nem precisa baixar nem levantar, tá ali na mão, você pega. Esse dinheiro, ele tem que estar bem disponível para coisas como a gente está vivendo agora. Então complementar a renda para pagar o aluguel, para pagar as contas da casa e etc. Então esse dinheiro ele tem que ter aí, você tem que ter um volume nessa prateleira que seja aí de no mínimo 6 meses do quanto você gasta ou do quanto você ganha, depois eu vou falar sobre isso. Então ali é aquela coisa que é para você usar a hora que o sapato aperta. Depois para qualquer outra coisa que, então você já tem um objetivo, então você sabe onde quer chegar, poxa, se eu ganho 1.000, preciso ter R$3.000 ali guardadinhos. Então você já materializou quanto você precisa. Então se você ganha R$1.000 e gasta R$800, você sabe que esses R$200 vão ser colocados nessa prateleirinha. É melhor do que eu dizer: olha, é 20% ou 30% ou só 10%, porque senão depende muito do contexto que a pessoa está inserida, né? As outras prateleiras, que são aquelas que: ah, eu vou usar, mas aí eu só vou precisar de um banquinho que eu vou pegar, ou seja, ela, um banquinho vai ajudar eu pegar. Que é aquilo para concretizar os seus objetivos, uma viagem que você quer fazer, a reforma da casa, e quanto mais tangível for esses objetivos, mais fácil você vai, ou talvez não seja fácil, mas você vai saber o esforço que você precisa para alcançar. Então se você quer fazer uma viagem, que data, quantos dias, para que lugar, quanto custa, Que passeio que você quer fazer? Aí você vai saber qual o esforço que você vai ter que ter, além daqueles 200 da primeira prateleira, para colocar na segunda prateleira. E a lá de cima, aí você vai precisar de uma escada, você vai precisar de um monte de coisa, você empilhar um monte de coisa para você ir pegar. O que que é? O dinheiro do seu longo prazo, que você também vai ter que colocar nessa prateleira, mas você só vai acessar ele lá na frente. E todo mundo precisa pensar nele. E como a prateleira é alta, a gente nem olha para ela porque a gente tem dificuldade de olhar para frente, e a gente acaba deixando ela sempre vazia.
Fantástico! Ou seja, mais uma lista. Não adianta ter mais uma lista, não é, Ana? Então não existe número mágico. Tem gente falar: você tem que guardar 30% do que você ganha, 30% e tal do que você gasta. Esses 6 meses então que eu preciso guardar, ele não pode ser usado para mais nada. 6 meses guardado.
Exatamente. Ele pode até complementar alguma coisa ali da sua— então vamos supor que é um profissional liberal. Ah, esse mês eu ganhei menos do que eu tava planejando, pode tirar dali, mas imediatamente reponha.
Perfeito. Depois, o dinheiro de uma viagem, preciso também saber quanto eu vou ter que Quanto eu pretendo gastar para guardar? Mais uma linha. Esse dinheiro também deixo lá separado. E fora o dinheiro de longo prazo que eu posso chamar de previdência ou já dou outro nome?
Pode chamar. E ela também, a gente pode já ter um numerozinho mágico para ela. É mais difícil, mas outro número que é bem alarmante é que no Brasil menos de 3% da população Aposentada vive com os próprios recursos. Então a gente está dizendo isso em todas as classes, né? Então a gente está falando assim de um número assustador em que as pessoas não se preparam para o futuro e a gente precisa porque a gente vai viver mais, né?
Opa, ou seja, então só 3% da população vive com os próprios recursos, os outros 97% dependem da aposentadoria. Da aposentadoria que vem do governo?
Eles dependem, não, aí nesse número pode inclusive pessoas que vivem dela, mas ou eles precisam continuar trabalhando, precisam, dependem da família, então assim, ainda precisam de uma ajuda extra para poder se manter dignamente. Fato é, a gente vai viver mais tempo, aconteceu um, acho que um evento aqui no Brasil que é super positivo, mas ele também não parou a tempo. A população brasileira, ela envelheceu muito rápido, muito diferente do que aconteceu em outros países. Então, o que países da Europa levaram 100 anos para envelhecer, eles tiveram tempo de primeiro enriquecer, ou seja, diminuir desigualdade, né, ter serviços básicos, economia, enfim, acho que é um outro episódio. Mas eles enriqueceram antes de envelhecer. No Brasil, a gente envelheceu muito rápido, mas não enriqueceu na mesma proporção. Então tem um dado da ONU que mostra que o Brasil, ele vai ter 26% da população, olha que é muita coisa, é com mais de 50 anos, mais de 65 anos em 2050. Então a gente está falando que vamos envelhecer. Então nós aqui, a gente vai viver muito mais. A expectativa de vida no Brasil, apesar de ser 75 anos em média, ela é ao nascer, né? Ela é medida ao nascer. Quando a gente passa aí dos 30 anos, essa expectativa já pula para 80, porque a gente já tem a questão da mortalidade infantil, violência urbana, etc. Então a gente ganha muito tempo para frente. Então o que aconteceu foi que as pessoas que se prepararam, então aquelas que fizeram tudo direitinho, pensaram na previdência, como você falou, e a previdência não é um produto, ela é uma situação em que você vai se aposentar, elas fizeram certinho, só que elas fizeram para viver até 70, 75 anos e hoje tem 90, né? E aquelas pessoas que não fizeram nada também estão chegando aos 90 anos, então por isso esse número. Então, para a gente ter uma ideia de quanto a gente precisa guardar para essa previdência, a gente precisa saber quanto que a gente quer ganhar lá na frente também, quanto de renda a gente quer ter, sabendo que os nossos gastos vão aumentar, principalmente com cuidados da saúde.
Perfeito. Ô Ana, antes de seguir com as outras questões que chegaram também desde que eu comecei a divulgar nessa Semana do Futuro do Trabalho, neuroeconomia volta no assunto que você falou e acho que é importante a gente reforçar. A Educação financeira se tornou obrigatória a partir deste ano, mas como viabilizar essa educação nas escolas e formar educadores financeiros? E aí eu te pergunto ainda mais: essa educação financeira, ela é obrigatória em escolas públicas, privadas, municipais, estaduais?
Ela entrou, o tema de educação financeira, ele entrou na Base Comum Curricular. A Base Comum Curricular são as diretrizes dadas pelo Ministério da Educação para todo toda, né, toda a educação, seja ela pública, privada, municipal, estadual. O que, mas como é que ela entrou? Ninguém vai ter uma disciplina de educação financeira, ou na maior parte dos casos. O tema entrou como um tema integrador, então a gente vai enxergar a educação financeira em várias disciplinas, porque ele vai ser integrado. Em história, em matemática, em exemplos gramaticais. Então a ideia é que não seja uma disciplina, porque na verdade a gente, a educação financeira ou a relação que a gente tem com dinheiro, ela não é absoluta, ela está inserida e essa inserção é na vida. Então o aprendizado ele fica muito mais fluido. Eu participei desse processo quando começou-se a discutir isso, porque eu fiz parte do Comitê Nacional de Educação Financeira por bastante tempo, e aí foi interessante porque a maior parte dos especialistas em educação acreditava que o mais efetivo seria isso vir integrado dentro da escola. O desafio, sem dúvida nenhuma, é preparar esses educadores, porque muitos desses professores também têm relação difícil com dinheiro. Então a gente, né, um professor de matemática, ele tem facilidade em matemática, então ele vai poder ensinar com uma absoluta maestria, assim como um professor de português vai poder, né, porque ele domina aquele assunto. Quando a gente está falando de educação financeira, é uma pauta, como a gente falou no começo da conversa, que nem todo mundo tem facilidade. Então as pessoas vão ter que primeiro fazer uma autorreflexão, um autoconhecimento, né, para depois ter os instrumentos ou pelo menos ter a, eu acho que a motivação mais ali de dentro para ensinar os seus alunos. É um desafio.
Ana, você lê mentes, porque eu agora tava aqui pensando que essa falta de coragem de fazer lista, eu conheço gente que não quer olhar a conta porque tá com medo, né, que ela esteja no vermelho e não tenha saldo. Você acredita que essa falta de coragem para fazer listas, olhar conta ou falar sobre o assunto é falta de autoconhecimento? Porque a gente tende a não querer olhar para as nossas deficiências.
Eu acho que é, porque no fundo as nossas, a nossa conta bancária é o resultado das nossas escolhas, né? Então ela ali, se a gente escolheu, é tudo ali que a gente escolheu tá ali. A escolha do padrão de vida que a gente optou, a escolha do consumo que a gente fez, dos desperdícios que a gente tolera. Então quando a gente, por isso que eu falei, né, no começo, quando a gente olha um extrato, a gente está nos olhando. É porque, poxa, para que que eu comprei isso? É para que que eu tenho o carro desse padrão? Por que que eu fui no restaurante 5 vezes e não fui só 3? Então mostra ali falhas, né, ou conquistas. Mas mesmo com as conquistas, é difícil a gente olhar o extrato bancário. Vou falar para você que depois que começou essa crise toda Eu demorei uma semana para ter coragem de olhar meus investimentos, assim, porque eu sabia que, putz grila, né, o mercado assim despencando. E olha que eu sou uma pessoa que trabalha com o assunto, trabalho no mercado financeiro há 25 anos, né, tenho absoluta consciência do que eu, onde eu invisto. Mas foi muito difícil porque a gente tem uma aversão à perda muito grande, né. E ali eu saberia que iria estar explícito a minha decisão de ter diversificado, a minha decisão de ter optado por aquela Estratégia. Então quando a gente encara a conta bancária, é isso que a gente está falando. E o autoconhecimento, Isa, é importante para isso, porque a gente depois percebe quando faz aquela visita interna, sabe? Você vê que você precisa de bem menos, de que você está sendo tão influenciado pelo externo e você tá deixando de lado o interno. Então não dá para desassociar de uma questão bastante filosófica mesmo e de autoconhecimento. Então a gente precisa olhar no espelho E saber, eu gosto muito de moda, né? Então a moda é isso, ela ou você acompanha tudo e aí você vai se olhar no espelho, você vai ver uma coisa que não te representa. E quando a gente tá falando de dinheiro é a mesma coisa. Então se você não, você tem que olhar no espelho e ver o que que te representa. Representa essas escolhas ou você tá sendo influenciada pela moda que tá vindo de fora? Então eu tô indo no restaurante porque tá "Ah, tá todo mundo indo, eu tô comprando aquele produto porque tá todo mundo comprando." Então eu acho que tem uma coisa mesmo de reflexão, é o primeiro passo. Porque a gente, por mais que às vezes a gente— e às vezes esse passo nem é tão eficiente, tá? Só para terminar essa parte. Porque às vezes a gente vai se conscientizar, mas a gente não vai ter atitude para mudar. Que é como o cigarro, a gente sabe que faz mal hoje socialmente, É sabido que faz mal. No passado ele tinha, era uma influência, que era um charme fumar. Então você tinha, você acabava tendo um hábito porque socialmente aquilo tinha uma outra aceitação. Mas por mais que as pessoas saibam que mata, tem gente que continua fumando. Então você pode ter esse estágio de consciência das suas decisões financeiras, mas muita dificuldade de se desapegar dos padrões dessas influências sociais.
Mas nunca é tarde para aprender.
Não, eu sempre falo, né, porque é uma pergunta recorrente que eu recebo: ah, mas eu já tenho 40 anos e não fiz nada. Eu falo: bom, é melhor do que esperar 50, né? E quem tem 40 anos tem mais tempo para frente do que teve para trás, então tem muito chão pela frente.
Perfeito. A Fabrícia Oliveira Dias diz assim: onde localizamos as informações que que você deu agora sobre o projeto integrador na BNCC. E aproveito também para te questionar o seguinte: os professores vão ter um tempo para introduzir nas suas disciplinas a educação financeira?
Olha, tem sido feito um trabalho, né, muito, que começou há bastante tempo, da Associação Brasileira de Educação Financeira, que capacitou muitos professores e tá ainda capacitando professores ao redor do mundo. Foi a instituição que é responsável aí por ajudar essa disseminação e sem dúvida nenhuma isso começou lá atrás e hoje que, né, há pouco tempo entrou em vigor. Eu acho que como qualquer outra disciplina que entre na Base Comum, os professores vão ter tempo de se adaptar. Isso aconteceu com a educação ambiental, que entrou também como tema integrador, então outros temas também tiveram esse mesmo o desafio. Eu acho que tem escolas que estão fazendo um trabalho muito bacana nesse aspecto. As escolas públicas começaram antes do que as privadas. As privadas realmente esperaram vir a regra, ao passo que esse trabalho que foi feito na AEF, na Associação de Educação Financeira, foi bastante interessante porque começou nas escolas públicas. Então eles começaram já tendo bastante tempo para poder se engajar esse projeto. E é óbvio que a gente tem um desafio enorme no Brasil, né, porque ele é um país imenso. Então a gente tem que ter bastante paciência.
Inclusive, né, aproveitando aqui do nosso tempo, eu cheguei até você pelo Thiago Godói, meu marido, que trabalhava na EF. Eu me lembro quando ele falava: Ana Leônia, Ana Leônia, Ana Leônia. E aí quem diria que hoje nós teríamos essa oportunidade de trocar ideias para transmitir mais informações corretas para as pessoas. Então eu sempre ouvi, desde que a gente começou, aliás amanhã a gente completa 2 anos de—
Olha só!
Desde o primeiro dia a gente falava sobre a importância da educação financeira, os desafios que esse assunto ainda tem. Como você disse, ainda agora o pessoal despertou para isso. Não vocês, já especialistas, digo pessoas que é como eu na saúde mental. Parece que agora deram conta que tem cérebro. Antes de eu falar ainda sobre o momento que nós estamos vivendo e o mercado futuro de trabalho, Chicago Underline Educação fala assim: não conheço ninguém que tenha tido educação financeira. No passado sim, mas agora já tá mudando, né? E aprender sobre juros nas aulas não significa que a pessoa vai aprender sobre como lidar com o dinheiro. Então, como você disse, essa é uma construção. Para quem ainda está resistente ao aprendizado e a pensar sobre o assunto, o que você diria?
Olha, é tempo, né? A gente não muda um comportamento social de uma hora para outra. Se a gente voltar 20 anos atrás, existiam coisas que eram toleráveis e hoje a sociedade não tolera mais. A diferença salarial de mulheres no mercado de trabalho, a questão ambiental, era tolerável uma série de coisas que hoje não é mais. Como isso mudou? Na escola e na sociedade. Não dá pra gente colocar toda a conta na escola. Assim como os nossos filhos aprendem a ter consciência ecológica na escola e chega em casa, os pais jogam lixo na rua, eles não estão recebendo uma educação. Aí a influência do lar é muito forte. Então a gente precisa ter tempo para isso mudar. Quando eu comecei a trabalhar com educação financeira, apesar de estar muito tempo no mercado financeiro, era muito novo, né? 15 anos atrás, 16 anos atrás, faz agora no mês que vem. E era assim, a pergunta mais difícil que me faziam era: onde eu trabalho? Porque aí eu tinha que explicar a Ambimo, que era uma associação, etc. Aí a segunda: ah, mas o que você faz? Eu falava: então senta aí que eu preciso te contar. E eu brinco até, eu dou esse exemplo sempre, eu me sentia igual aquelas pessoas na praça pública com uma Bíblia embaixo do braço pregando ali para as pessoas que passam. Aí todo mundo fala: que essa fanática tá falando o quê? E etc. Então a gente precisa ter paciência. Talvez a nossa sociedade, a nossa geração, aliás, né, ela tenha mais consciência, mas certamente os nossos filhos terão uma relação melhor. Não é aprender sobre a matemática, mas é aprender o comportamento. O comportamento é a base da nossa relação com qualquer coisa, e com dinheiro não é diferente.
Não muda então comportamento de uma hora para outra. Ana, a Ana Tim diz: é urgente a educação financeira hoje para todos nós. Eu vou pedir aqui a licença de todos, eu vou desativar os comentários para que a gente possa ver a Ana melhor, né, nesses próximos 15 minutos. Eu sempre fico dividida, deixa comentário, tira o comentário, né. Conseguimos responder aqui algumas perguntas. E aí eu queria trazer então nesse momento, Ana, o que está acontecendo com muitos brasileiros e infelizmente vai ainda acontecer. Muita gente já não tá conseguindo pagar os boletos, né, tá com dificuldades financeiras. Imagina que você esteja falando sobre isso diariamente, mas o público sempre é um assunto infinito também, né, como a saúde. Para quem já está com dívidas, não está conseguindo pagar os boletos, o que você recomenda?
Bom, a primeira coisa é que, independente do caminho que a gente seja, siga na vida, que é ser um empregado de uma empresa, ser um profissional liberal, ou seja, um médico, dentista, arquiteto, etc., ou ser um empreendedor, a gente precisa ter boas noções de finanças pessoais, né, ou empresariais aí, para a gente poder lidar bem com isso. Nesse momento eu acho que não é momento da gente pensar, pelo menos para grande maioria, em fazer uma reserva de emergência. E depois me lembra que eu tenho uma diquinha de ouro aí para dar aquele estalo. Eu acho que o momento é de sobreviver. Então a gente tem que fazer assim, pôr a cabeça para fora da água para não morrer afogado. Tem que rever os gastos. A única coisa que está na mão das pessoas agora é os gastos, né? São os gastos, não é porque a receita vai depender de tantas variáveis. Então tem muito boleto chegando. Primeira coisa: você precisa mesmo da TV a cabo? A pergunta: ah, mas eu gosto tanto. Mas você precisa? O que que é melhor, você ficar sem os canais que você gosta ou você precisar daqui alguns meses trocar seu filho de escola? São escolhas. Então tem que fazer esse exercício. O que eu sempre digo assim: foque nos desperdícios. E os desperdícios são aquelas coisas mais gostosas O mais gostoso é o pãozinho de queijo, né? É a batata frita de vez em quando, mas são desperdícios que podem comprometer a dieta. Então foca nos desperdícios para não precisar mexer no necessário. Fez isso, você vai ter uma ideia do fôlego para ir começar a mexer no necessário. Então reverter todos os contratos, renegociar celular, renegociar— você tem uma linha fixa de celular, Você precisa dos dois? Ah, mas o pacote não vai fazer diferença. R$50, já paga o seu boleto de gás, né? Então assim, não despreze os pequenos valores e faça uma análise dos gastos. É a primeira coisa que tem que fazer, e é doído, é muito doloroso. Aí vocês vão chegar e falar: mas eu já cortei o suficiente. Se não está no azul, não cortou o suficiente. E aí O segundo passo é tentar fazer, ter alguma fonte de receita. Então tem gente agora vendendo máscara, comida congelada, dando aula digitalmente. E aí é usar a criatividade, achar um jeito de ampliar aí a renda.
Você escreveu numa publicação recente como conseguir renda dentro de casa, aliás, uma renda extra ou Nem seria extra, né, seria a fundamental, sem sair de casa. E você fala ali em plano B. Muito quando você fala em plano B, que geralmente o plano B é o nosso plano A, mas ele tá dentro da gaveta, você tá seguindo o modelo do passado ainda, né? Como é que você diria para essas pessoas que estão dentro de casa e precisam de uma renda?
Olha, eu acho que eu nunca empreendi Eu nunca tive um negócio, tá? Então, mas eu não deixo de ser uma empreendedora. Isso eu aprendi. A gente empreende o tempo inteiro. A gente empreende. Eu sou uma executiva, sempre trabalhei como executiva e sempre empreendi. Porque isso é tão verdade que eu sou formada em publicidade. Se eu não empreendesse, eu não estaria no mercado financeiro hoje. Eu estaria lá, né, dentro da minha zona de conforto. Empreender nada mais é do que ter audácia e coragem, mas não significa fazer uma loucura. Então o que esse momento, aí a gente falou no comecinho, essa pausa a cada 2 horas é um momento de você dedicar meia hora, uma hora que seja, para o que você pode tirar, como você pode tirar esse plano B do papel. Então existe fórmula sim, eu acho que é tentar Ousar mais. Então aquele talento que você— Tantos exemplos bacanas. Oi, tá ouvindo?
Agora sim.
Oi. Eu acho que é ter audácia mesmo de dedicar um tempo, e aí aquele tempo organizado mesmo. Então olha, eu vou trabalhar 8 horas no meu plano B, que eu falo que é o teu emprego, e vou usar aqui uma hora do meu dia para o meu plano A, porque aquilo que você quer fazer tem que ser a sua prioridade, né? Então eu acho que tem saídas e toda crise mostra um caminho, mas às vezes a gente está tão preocupado com urgente que deixa, né, desvaziar um pouco a mente e dedicar um plano A. Então assim, que público que você quer atuar? O que que você faz bem? "Ah, não faço nada bem." Alguma coisa você faz bem. Então você conta histórias, ou você pode fazer reforço escolar. Todo mundo é bom em alguma coisa e dá pra gente transformar isso numa fonte de receita. Uma outra coisa é vender as coisas desnecessárias. Todo mundo tem quinquilharia em casa que pode achar um jeito de vender. Então roupa, acessórios, ferramentas. Então é a gente ter desapego mesmo a ideias, que eu sempre falo isso, e ter desapego a coisas. É dessa forma que a gente consegue avançar.
Perfeito, desapego a ideias e coisas. Ana, para o futuro do mercado de trabalho, o que você poderia nos dizer em relação a saber quanto custa a hora de cada um. Depois dessa revisão que você disse, né, sobre o que realmente eu preciso, que é essencial, será que eu preciso me matar para estar no lugar X para ganhar Y, né? Saber custa nossa hora pode significar o que no futuro?
Pode significar uma valorização melhor do quanto a gente ganha, e a gente vai ter mais consciência, um pouquinho mais de dor na hora de gastar. Então a gente precisa saber mesmo, porque se você não valoriza como você ganha o dinheiro, você não vai valorizar como você gasta o dinheiro. Então se o dinheiro for para você só para pagar as contas do final do mês, é esse significado que ele vai ter. Então o importante é saber quanto custa cada gota do suor da sua testa. Então se você é, por exemplo, um produtor de máscaras caseiras, É, você tem que saber exatamente o quanto aquilo vai te custar e o quanto você quer ter de retorno naquele negócio. É um dado super relevante também, Isaia, que assim, boa parte dos empreendedores acaba tendo insucesso não é porque a ideia é ruim, e há uma confusão muito, muito grande disso, é porque não sabe fazer a gestão financeira daquele negócio. E se você não é bom nisso, procure alguém que possa te ajudar de verdade, Porque ninguém é bom em tudo, né? Você é bom em alguma coisa, certamente, mas não em todos os aspectos do seu negócio. Então empreender tem que ser uma coisa, não pode ser uma coisa solitária. Então se você não sabe gerir, porque olha, não, eu acho que eu tenho que vender uma máscara caseira R$10, ok, mas quanto custa o pano? Quanto custa o elástico? Quanto custa a linha? Quanto custa do seu tempo? Quanto que você quer colocar do seu tempo ali? Bom, eu tenho 8 horas do dia, eu acho que uma costureira que fez o conserto da minha roupa me cobrou tanto, poxa, isso equivale a R$30 a hora. Então se eu demoro para fazer uma hora a máscara, tá ali, ela não pode custar menos que R$30, porque ainda você tem o tecido, elástico, etc., etc. Então é, precisa se interessar pelo seu dinheiro. Se você não se interessa, nunca ele vai ser prioridade, ele nunca vai trabalhar por você.
Nossa, mãe, arrasou! Isso me fez lembrar o exemplo de uma manicure, e a hora dela custava R$25, e ela tava me dizendo que estava interessada em fazer um curso de sobrancelhas. E eu dizia para ela assim: Vilma, a sua hora hoje custa R$30, ela pode passar a custar R$50. Então, se você investir isso agora, depois a sua hora A gente também precisa entender, né, dentro dos nossos talentos, habilidades, como é que a gente pode valorizar mais nossa hora.
E a gente precisa ir se aperfeiçoando mesmo. O principal investimento que a gente tem que fazer quando a gente quer, né, pensa só, a pergunta que você me fez, essas pessoas, bom, precisa pagar os boletos, vamos olhar as despesas, passo 1. Passo 2, como é que eu tenho uma renda? E passo 3, como é que eu aumento essa renda? Uma forma de aumentar a renda é se especializando. Então você tem que investir em conhecimento, investir no seu negócio, seja ele qual for. Então eu aqui, né, apesar de ser executiva, tenho um trabalho nas redes sociais para levar conhecimento. Eu estudo muito sobre outras coisas que não estão cobertas na minha vida executiva. Então é um investimento que precisa ser feito. E nesse aspecto, as mulheres investem mais em conhecimento para poder gerar alguma renda lá na frente.
Olha, como eu digo, o papo bom passa muito mais rápido, né?
É mesmo, tô vendo agora.
Ana, eu sei que eu tinha te pedido 45 minutos, posso estender um pouquinho? Vamos lá, tem ainda dica de ouro, vou deixar ela para o fim, mas eu tô com uma ideia aqui de um porquinho. Pensa num porquinho, né? Uma imagem clássica de onde a gente guarda dinheiro. Muita gente já guardou dinheiro em porquinho, debaixo do colchão, né? E aí eu te pergunto, para quem já quer começar a pensar, estudar educação financeira, por onde começa guardando?
Olha, de novo, lembra as prateleiras? Em cada prateleira tem um lugar para guardar. Então o produto certo é aquele produto que vai dependendo da prateleira que você quer usar.
Legal.
E também o mercado financeiro, mundo dos investimentos, se lidar com dinheiro é difícil, aí a gente tem que vencer essa etapa de ter coragem de abrir a fatura do cartão de crédito, de cortar as despesas, etc. Ou seja, a gente fez um jeito de poupar, de sobrar mais, você tem um outro desafio, meu amigo, que é enfrentar o mundo dos investimentos que é muito árido. Ninguém precisa ser um especialista em investimento, mas as pessoas precisam ser especialistas nelas. Então, de novo, o autoconhecimento. Você sabe o que você precisa, você vai estar mais próximo do produto mais adequado para aquilo que você precisa. Então você tem aqueles investimentos que são adequados para o curto prazo, que é aquela prateleira que você pega ali na mão. Então ali são investimentos que não têm risco— corrigindo, todo investimento tem risco— mas que têm menos risco, que são pensados para objetivos de curto prazo. Então nesses investimentos talvez você não ganhe muito, mas você vai preservar o poder de compra dele porque você sempre vai precisar estar ali com ele acessível. Na prateleirinha mais alta, aí você pode abrir mão um pouquinho. Bom, eu só vou viajar daqui 2 anos, então eu já posso pensar em investimentos que tenham essa característica. E o lá de cima são investimentos acima de 10 anos. É, e aí Você precisa começar. Por onde começa? Começando. Começa abrindo uma conta, começa colocando R$100. Você não precisa pôr tudo, põe R$100, veja como é que é, entenda como é que funciona. Porque a gente também tem uma ânsia de querer resolver tudo de uma vez, as dívidas e os investimentos. Ninguém se endividou de uma hora para outra, ninguém vai sair das dívidas de uma hora para outra. Investir leva tempo e a gente precisa começar. Então começa mesmo. A poupança, que é um produto super consolidado, ele serve para muita gente, para aquelas pessoas que estão começando, para aquelas pessoas que vão colocando ali aos poucos. Depois pode pegar uma parte daquilo e já tentar um produto que seja um pouquinho mais sofisticado, com potencial de retorno maior. Então o importante é começar. "Ah, eu quero começar a investir em bolsa, não sei como." Pega R$10 e põe, compra uma ação. Pega R$100, aqueles R$100 que você vai pedir delivery para sua família hoje, em vez de fazer isso, cozinha, pega esses R$100 e compra R$100 e testa. Se no dia seguinte tiver R$90, você vai ficar bem ou você vai ficar nervoso? Se tiver R$110, você vai se seduzir ou você vai ter sangue frio para manter e esperar o objetivo que você tem. Então a gente precisa começar. Toda maratona começa no primeiro passo.
Linda, Ana! Sua dica de ouro então para a gente partir para conclusão?
Olha, tem uma regra que foi desenvolvida que é muito interessante, que chama 1369. Vocês já viram, já ouviram falar? Não. Então, ela é o seguinte: ela é um cálculo matemático que foi feito justamente para a gente ter aquela ancorazinha e saber se a gente está bem ou mal na nossa reserva financeira. A regra é muito simples: você tem que ter aos 25 anos— então o jogo começa aos 25 anos— aos 25 anos você tem que ter guardado 1 ano de receita, certo? Se você ganha R$10.000 por mês, Você tem que, você já teria que ter aos 25 anos R$120 mil guardadinhos para você. É isso feito, você vai se aposentar lá na frente, aos seus 60, 65, 70 anos, com tranquilidade. Por quê? Porque você é jovem e você tem o tempo a seu favor. Então esse era o valor real que você teria que ter aos 25 anos. Anos. O 3 é os 35 anos. Então quem tem 35 anos deveria já ter aí 3 anos de renda guardado para garantir os objetivos de aposentadoria. 45 anos, 6. E 65 anos, 9 anos. Então isso ajuda a gente saber o quão longe ou perto— só mãozinha no olho aí— para saber, porra, tô me devendo ou tô bem na conta, né? Então eu acho que é um jeito da gente saber. Então o que que é essa conta, né? Nada mais é que calculando um juro real, né, por um determinado tempo, né? Então o exemplo aqui, aos 25 anos você, para se aposentar aos 75 anos, você tem 50 anos. Então esses R$120 mil seria remunerado a uma taxa de juros por 50 anos para que você lá na frente, com este valor monetizado e mais uma previdência social, por exemplo, complementaria o que você precisaria de despesas até o resto da sua vida e até 100 anos, o cálculo. Então ele é nada mais é do que um, que a gente chama na economia comportamental de nudge, ou seja, aquela diquinha: putz grila, o quanto eu tô longe ou perto do meu objetivo.
Arrasou, Ana Leone, Dinheiro com Atitude. Recomendo que quem está nos assistindo ou vai, né, acabar assistindo no YouTube, Isabela Camargo Real, começa a seguir a Ana. Realmente, com informação a gente toma decisões muito melhores.
Obrigada, foi uma delícia, a gente voou o tempo.
Conversas boas, pessoas interessantes, inteligentes fazem o tempo passar voando. Ana, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Eu tô à disposição. Eu entendo que educação financeira interfere totalmente na nossa saúde mental. Quando a gente tá com boletos atrasados, quando as contas estão vencidas, a gente fica com mais estresse. E aí um monte de coisa acaba acontecendo, não é?
Inclusive, isso tá absolutamente relacionado a acidentes de trabalho, baixa produtividade, Porque se você tem uma dívida, você tá com foco tão, uma energia tão grande em cima disso que você deixa de colocar energia boa em outro lugar.
Maravilha! O Thiago te mandou um beijo.
Beijão para ele, adoro!
Eu tinha pedido para ele dar um alô aqui, mas acho que ele tá tímido, tá? Vamos ver se nos próximos segundos, mas te mandou um beijo e fico muito feliz por essa conexão para gente transmitir, compartilhar cada vez mais informações. Olha só, olá!
E aí, tudo bem? Salve, casal! Parabéns, hein, pelos 2 anos! Muitas felicidades para vocês, vocês merecem.
Para você ver como a gente tem que lidar com imprevistos, né? A nossa festa de casamento seria amanhã.
É verdade, né?
Isso não significa que A vida acabou. Então eu digo isso para outras pessoas também que tiveram que adiar ou cancelar planejamentos, né? Só cabe a nós começar a pensar diferente, recomeçar.
É verdade. E eu acho que o recado final, Iza, é o seguinte: toda crise passa. Essa não é a primeira e certamente não será a última, mas ela é uma enorme oportunidade para a gente se dar conta de que quando a gente tem calma financeira, equilíbrio financeiro, a gente pode enfrentar as outras que virão. Quem não conseguiu se preparar para essa, acredite, você tá tendo uma ótima oportunidade para se preparar, que para que a outra você já esteja absolutamente diferente do que a situação atual.
Arrasou, Ana! Mil vezes obrigada, vou liberar você aqui.
Tchau, gente, obrigada, um prazer.
Até breve, Ana. Que conversa incrível! Espero que você esteja saindo dessa live melhor do que você entrou. Nós teremos mais dois encontros hoje. Às 5:30 eu vou conversar com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva. Ela é autora de mais de— não, ela tem vários best-sellers, mas já vendeu mais de 20 milhões de livros. E ela me deu uma frase uma vez que eu adoro repetir: depressão é excesso de passado, estresse é excesso de presente, ansiedade excesso de futuro. E acredito que muitos de nós estamos vivendo o excesso de presente, excesso de futuro. Então eu recomendo, opa, que você coloque na sua agenda 5:30 essa conversa com a Doutora Ana Beatriz, e às 7:30 da noite, Carlos Wizard, um dos homens também mais inspiradores e propulsores, né, de boas ideias. Então te encontro mais tarde. Até mais!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








