Como educar e proteger com limites? com William Borghetti no Ïnterioriza #43

Isabela Camargo e William Borghetti discutem como estabelecer limites saudáveis na educação de adolescentes. Borghetti apresenta o método ALI (Amor, Limite e Estímulo) e explica como limites bem definidos na verdade promovem liberdade e respeito, usando princípios de neurocomunicação.
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Está no ar mais um interioriza hoje com o criador do método ALI, amor, limite e estímulo, o professor William Borghetti, fundador do Instituto Brasileiro de Neurocomunicação. Uma salva de palmas.
Muito bom.
William, que privilégio receber aqui.
Privilégio é meu. Quantas vezes eu já assisti desejando estar aqui.
Sério?
E hoje eu estou aqui. Cuidado com o que você deseja, porque pode acontecer, não é mesmo?
Adoro. Cuidado com o que você pensa, com o que você pede, o que vai acontecer. É um privilégio te receber aqui, professor. Eu te encontrei nas páginas do Pedro Cortella.
Perfeito.
Não é?
Nosso amigo em comum, né?
Vocês estavam falando de mim. Eu falei, o que tá acontecendo, né? E aí você estava falando sobre os EPIs da saúde mental.
Isso.
E aí quando eu fui te procurar, eu vi lá, especialista em neurocomunicação. Eu, opa! Neurocomunicação. Já gostei. Aí depois eu descobri, nesse método ALI, amor, limite e estímulo. A palavra limite é muito importante pra mim. Inclusive, dá uma olhada na sua caneca. A frase que tá aí.
Só os limites garantem a liberdade.
Essa caneca é sua, tá?
Ah, muito obrigado.
Essa foi uma frase que me ocorreu em algum momento aí da vida e pra mim faz muito sentido. Limites trazem liberdade. Mas demora pra gente entender isso.
E quando a gente lida com adolescente, então, essa frase faz efeito vezes 100.
Porque ele imite da impressão que é uma coisa ruim.
Perfeito. Por isso que tem o amor e o estímulo, né? Então, é igual o tripé aqui, né? O pessoal que tá assistindo não consegue ver, talvez, mas tem um tripé ali das máquinas. Então, se um pezinho desse tripé for menor que o outro, a máquina cai. Só se sustenta quando os três estão em equilíbrio, né? Então, por exemplo, quando a gente tem alguém que lida com o adolescente, um professor, um pai, ou alguém que lida de alguma forma, que ele só tem amor e estímulo, falta o limite. Cria aquela criança que, sabe, que mexe nas coisas, e o pai fala... Como é que é feio, a gente tá botando fogo na casa de alguém. Então falta ali… Limite. Delimitar. E o limite, ele pode, muitas vezes, ser visto como uma coisa negativa. Mas até, por exemplo, quando a gente tá num país, o país diz assim, ó… Até esse limite, essa lei, esse combinado, esse documento… passou daquele limite para... Até pra que você se oriente, é importante ter o limite, né?
Eu gosto muito porque limite é igual a dose. Para Celso, eu já disse, no século XVI, ele aparece todo o programa, tá?
Perfeito.
Pra nos lembrar que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Exatamente. E por que os limites trazem a liberdade? Porque se você não souber qual é o seu limite, Daquele ambiente, os seus limites emocionais, físicos, você só se corrompe, só adoece. E se você é um adolescente já sabendo que os limites são importantes pra sua liberdade, você vai viver de uma maneira mais harmoniosa, com as regras.
E aí, falando do veneno e do remédio, se a gente tem limite, tá? Limite. E amor sem estímulo, você cria alguém super protegido. Então, sabe o Kiko? A dona Florinda ama, ela põe os limites ali, mas ela não deixa ele fazer nada. Então ele é super protegido. Então você vê que cada base desse tripé, se falta um pedaço, ele tomba. Porque muitas vezes, quando a gente fala de respeitar o adolescente... Quer ver eu arrumar uma briga na internet? Vai encher de hater aqui no comentário agora.
Vamos lá.
Não agrida criança e adolescente. Pronto. Declarei guerra na internet. Por quê? Porque as pessoas acham ainda, principalmente com adolescente, que agressão, bater, esses moleque, quer saber nada? Adolescente vagabundo, sei lá. Assim ó, declaração de guerra é falar pra não agredir, né? Então quando a gente fala de respeito, de amor e tal, aí você fala assim, ah, mas então tem que deixar o adolescente...
Não, também não é isso.
Exato, né? Eu tenho um vídeo que ultrapassou um milhão de visualizações, ele tá gigante, que eu falo assim, e se a gente entendesse o tanto que o adolescente estuda, por exemplo, E... e compreender, se falasse assim, caramba, é difícil, né? Eu fui dar uma palestra no Paraná pra 500 pais de uma escola lá em Humuarama, e aí o rapaz que abriu o evento falou uma coisa muito linda, assim, a hora que eu terminei, os aplausos e tal. E aí ele falou assim, vocês estão aqui há duas horas no nosso evento. Abertura, palestra do William e tal. Cansa, não cansa essa cadeira? Imagina. Aí ele falou, ó, seis horas seu filho fica todo dia. Aí eu fiz um corte sobre isso, falando, né? Vamos compreender. Vamos falar assim, cara, me conta o teu cansaço e tal. Aí os comentários lá embaixo são assim, ah, mas carregar caminhão no sol cansa mais. Claro que cansa. Só que a gente desconsidera a dor do outro, né? Então a gente pode falar assim, ah, Isa, você teve burnout apresentando jornal. E o cara que tá descarregando caminhão? Os dois estão expostos a situações negativas. Não tem uma dor pior que a outra.
Concordo, absolutamente. E pra mim, uma das piores dores da sociedade é o quanto a gente anula quando a gente invalida uma dor que não sangra.
E aí eu vou pôr um ponto nessa sua frase. Com a adolescência é pior ainda. Porque é aquela velha história. Se eu entrar lá no teu post e menosprezar a tua dor, você é uma adulta, eu vou... assim, vão xingar eu demais. Se eu menosprezar a dor de um idoso, um idoso lá com Alzheimer, vai falar... Agora, o adolescente parece assim, é, o adolescente tem que se ferrar mesmo pra aprender.
É mesmo.
Nossa, total. Começa a olhar os comentários. Quando você fala assim, por exemplo, adolescente teve uma estafa por estudar 10 horas por dia. Vamos procurar um post desse, quem tá em casa procure e leia o comentário. Faça o seu papel de cientista. Pesquise lá e veja os comentários. É um absurdo. Então parece que a agressão física, psicológica contra o adolescente... Você assistiu um dia uma mãe batendo no adolescente? Aquela que sai na internet de vez em quando? Ah, o filho repetiu de ano e a mãe bateu com o chinelo.
Eu não vejo essas coisas assim.
Muita gente comentando embaixo. É isso aí. É por isso que a mãe tem que fazer.
Entendi. Bom, vamos então colocar ordem na casa, né? Este é um programa pra gente interiorizar, de uma vez por todas, o que é respeito. Olha só, a gente ia começar falando sobre neurocomunicação, mas tá na hora da gente contextualizar o que é respeito. E a diferença que tem quando você conduz uma pessoa pelo diálogo ou pela agressão. Não quer conversar? Não converse. Mas se depois essa pessoa se tornar agressiva e disfuncional, Vai culpar quem? É curioso isso, né, William?
E tem a questão que é a seguinte, a que ponto que o seu filho, o seu aluno, o adolescente que você lida, ele tá com você porque ele quer ou ele tá com você por necessidade? Você tem um filho? Quantos anos o seu filho tem?
A minha, a Gelina, tem três.
Três. Então, assim, a sua filha, ela não tem Muito que decidir, né? Ela fala, se eu for embora, não tenho onde morar. Eu vou ter que ficar aqui, nesse lugar. Só que quando chega um momento, ela vai ter a decisão assim... Eu posso, eu trabalho, eu tenho a minha condição. Mas ainda assim, eu quero estar com a minha mãe. Então, há essa diferença de qualquer... Quando você aprisiona alguém, essa pessoa será aprisionada até o momento que ela puder ter liberdade. Se o portão ficar aberto, sabe, o cachorro que foge, o caramelo. O caramelo vê o portãozinho aberto, ele cai no mundo. Então, a pergunta é, esse respeito que é construído, principalmente na adolescência, que é a hora do conflito. Sua filha, provavelmente, de três anos, você fala, faz isso, faz isso, faz isso. Ela meio que, ah, vou seguir. Daqui dez anos, tenho que te trazer essa notícia. Ela fala assim, por quê que eu tenho que fazer isso?
Pera lá, mas a Angelina já faz isso. O professor, a Angelina faz... Um adolescentezinho ali. O quê? Não, pera lá. A Angelina faz coisas com 3 anos que eu demorei 40 pra fazer. Ela se posiciona, ela fala, não quero, não vou. Como assim? É curioso porque eu uso a palavra limite todo dia em casa. Então, quando a gente conversa, aí eu falo, filho, isso é limite. Filho, isso é limite. Para ela, entendendo essa palavrinha já desde cedo, limite é para a sua liberdade.
Perfeito. O professor Clóvis fala muito se liberdade é fazer o que quer ou se é fazer o que não quer. quem é livre de fato, porque quando eu faço aquilo que eu não quero, mas que é preciso fazer, isso me traz liberdade.
Exato. E aí eu conquisto uma série de recursos e privilégios do que aquele que.
Tentou não Ah, eu sou livre, então vou sair, vou chutar o balde, mas aí esse chutar o balde vai trazer a ele imposições, punições, que ele não vai conseguir ser livre no final das contas.
Professor, aí nós estamos falando de uma ideia que, para mim, ela é muito coerente, mas para muitas pessoas ter limite, ter regra, dizer que um adolescente pode se tornar um adulto melhor sem brigar, essas ideias ainda não são tão coerentes. E aí?
Como é que a gente conversa? Porque a geração que tem filhos adolescentes, ela é a última geração que apanhou. Nós somos de uma idade parecida. É muito fácil encontrar pessoas da nossa idade que foram violentadas fisicamente, psicologicamente. Tipo, apanhei de vassoura. Apanhei de cinta.
Folha de mamona.
Uma vez eu fiz... É, a varetinha lá, né? Uma vez, eu fiz um post sobre isso, e várias pessoas começaram a me chamar no inbox, relatando histórias. Então, eu tive histórias assim, pessoas de 35 a 40 anos, que faziam alguma arte, e a mãe colocava pra dormir no relento. Dormia, sabe aquela telha de garagens, assim? Uma criança de cinco, seis anos, dormindo no relento. Ali, uma outra menina me chamou e falou que a mãe, a mãe dessa pessoa, deu um tapa na orelha dela, que ela é surda da orelha até hoje. Ela não tem audição em um dos ouvidos, sabe? E o mais triste ainda, Izaé, é você ver muita gente dizendo, ah, eu apanhei, por isso que eu sou bom. Hoje eu sou um bom profissional, hoje eu sou não sei o que lá, porque eu apanhei. Aí a gente tem duas questões. Primeiro, se você não apanhasse, você não tem como saber onde você chegaria. Talvez isso foi um limitador. Você chegou longe, mas talvez você teria chegado mais longe. E outra, a que preço? Às vezes você é assim, ah, eu sou CEO, eu ganho 50 milhões, lindo. Você dorme.
Alta performance profissional, baixa performance pessoal.
Exato. Então, o equilíbrio nesse lugar ali é bem-vindo, né? Então, a gente tem, por exemplo, numa sala de aula onde você tem 30, ali que você tem que gerir, dá pra gerir com respeito, com educação. Eu tive agora, hoje, eu fui levar uns papéis numa escola que eu dei aula no primeiro semestre, e a hora que eu tava saindo, pediu um Uber, tô lá na calçada esperando, saiu a turma que eu dava aula, que eu dei aula no primeiro semestre. Eu fui atacado pelos adolescentes.
No bom sentido?
No ótimo sentido. Por exemplo, você vai voltar, não sei o quê. Falei, não, eu vim fazer o papel, não sei o quê. E aí o Uber chegou. Aí eu falei pro cara, só um minutinho que eu tô sendo atacado aqui pelos adolescentes. E assim, abraça, não sei o quê, e volte e tal.
Maravilhoso.
É. O que que eu fiz? Nossa, eu trouxe um conceito técnico. Não. Simplesmente respeitar. E quando eu começo numa turma, a primeira pergunta que eu faço é, como é que você quer ser tratado? Eu sei tratar você com educação, com respeito. Só que eu dei aula numa escola de freiras. Aí eu brinco com eles. A freira faz o bem sem olhar quem? Eu não. Eu vou te tratar com todo o respeito do mundo. Mas eu exijo que você faça o mesmo. Senão, eu sou besta, né? Eu vou ficar tratando você com respeito. Você vai ser respeitado como você talvez nunca tenha sido na sua vida. Mas eu exijo o retorno. Então veja, quanto de amor, estímulo e limite tem nessa abordagem.
Amor, limite e estímulo. Método ALE.
Isso.
Antes da gente continuar, é importante a gente trazer aqui, professor William, o que significa neurocomunicação. Pausa. Comunicação, por mais evidente que seja, há um grande gap entre o que é na teoria e na prática. Neuroplasticidade, neurociência, mais ainda. Então, neurocomunicação, como nós explicaríamos para qualquer pessoa entender?
Eu gosto muito, até parafraseando o Cortella, que vem do latim, sempre a palavra é bem explicada etimologicamente. A etimologia de comunicação vem de communicatio, que significa tornar comum. Eu sei e agora você também sabe, tornei comum. Porque muitas vezes, nós que somos da área da comunicação, parece que, por exemplo, a repórter que tem aquela voz Impostada. E tal. Eu lá, hoje em dia, eu ministro. Legal, importante, mas isso não é comunicação. Só isso.
Exato.
Só falar, né? Calabresa, 29,90. O cara do mercado não é exatamente... Sim, sim. Tanto, nós tivemos a perda do Silvio Santos, né? Inclusive, vi lá toda a sua...
Trajetória, muitas passagens.
Qual que era a grande habilidade do Silvio Santos, se a gente for trazer uma? Qualquer pessoa... rico, pobre, ignorante, três doutorados. Entendia o que ele tava querendo passar. Então, quando eu quero cuidar de um adolescente, só que ele acha que eu tô prendendo ele, eu posso fazer todas as abordagens possíveis. Sem comunicação, eu não consigo acessar isso. Porque às vezes ele não entende que quando eu ligo pra ele e falo assim, onde você tá? São 10 horas da noite. Ele fala assim, ah, deixa eu sair, deixa eu sair, não tem nada. Então, peraí. O problema aqui, ó, um pai responsável querendo saber onde o filho tá, um adolescente às 10 horas da noite na rua, eu quero saber onde ele tá, tá tudo bem. Qual que tá sendo o erro aqui? A comunicação. Um quer dizer, estou preocupado com você. O outro entende, você não tem capacidade de andar sozinho. Estragou. Então, a gente dá todo esse rolê, a gente fala de neurônio, neuroplasticidade, tudo. Mas a gente cai na comunicação. O que é a neurocomunicação? É entender que se eu falo um tom diferente com você, eu uso uma palavra diferente, eu causo em você emoções e sentimentos diferentes. Simples assim.
Simples assim.
Então a neurocomunicação é como que a comunicação bate e qual é o desdobramento disso emocional.
Ué, mas então eu já estava fazendo isso sem saber?
Olha aí. Neurocomunicadora.
Ué, mas sem saber. Porque, professor, veja, eu sou especialista em comunicação. E porque eu vou nas empresas, faço letramento com as lideranças... Perfeito. De diversas áreas, porque a hora que você chega num problema, a hora que você se aprofunda um pouquinho, você vai chegar na falta de comunicação.
Isso.
E essa comunicação não tem a ver só com os envolvidos, é muito sua.
Exatamente.
Eu, inclusive, especialista em comunicação, na principal emissora de comunicação, adoeci porque eu não me comunicava comigo.
Então agora... Que aí vem a página dois do livro. Isso. A página dois do livro qual que é? Antes de você se comunicar com todo mundo...
Eu preciso me comunicar comigo. Pronto. E aí entra a questão de atualização de identidade e uma série de elementos que eu abordo, inclusive, no meu livro, que é para quem quer fazer as pazes com o tempo, né? O Cortella, então, que é o nosso elo, fez o prefácio do Dão Tempo. Mas, voltando, a questão da comunicação. Não importa se ninguém te ensinou, agora tá na hora de aprender.
Exatamente.
E, adolescente ou não, não importa o seu background, toda a sua trajetória, você sabe que quando o ouvido está pronto, a mensagem chega. E se esse episódio está chegando pra você, pode ser que algumas coisas façam mais sentido, porque o William tem a capacidade de trazer pra gente de uma forma diferente.
O algoritmo tudo sabe. Se ele está chegando na pessoa, o algoritmo já viu que está tendo um conflito aí, tá sabendo.
Um match.
É.
Um match.
Exatamente. Então assim, de novo, quando eu coloco de uma forma que o outro não entende, vamos falar comunicação com qualquer pessoa, conflito. Você disse, por exemplo, ah, eu chego na empresa e aí eu falo com a liderança, e aí você deve até ouvir a frase assim, ah, mas eu falo isso sempre, por que os funcionários entenderam com a palestrante? Então, assim, você fala isso sempre, mas talvez você não está tornando comum.
Tornar comum, perfeito.
Então, assim, você tá falando de um jeito, de uma forma, talvez muito aqui ou muito aqui. Se você quer matar um adolescente de raiva, você trata ele igual criança. Então, por exemplo, quando eu tenho problemas ali na sala de aula, que eu falo, ah, agora eu vou chamar só a mãe, eu vou te dar advertência, eu vou te mandar pra diretoria, eu falo negativo. Na minha aula, ninguém vai pra diretoria e ninguém chama a mãe. Você vai resolver o seu problema comigo. Quem vai chamar a mãe é você. Você que vai arregar e vai chamar a tua mãe. Ah, professor, então eu quero ver. Agora eu gostei.
Ou seja, desenvolve autorresponsabilidade.
Porque aí eu pego ele onde ele mais sente. Porque o adolescente quer se impor, causando ali alguns problemas, pra mostrar, ele tá comunicando, ele tá tornando comum ao ambiente que ele não é mais uma criança. Então eu preciso às vezes beber, eu preciso arrumar uma briga, eu preciso ser alguém muito violento. Daqui a pouco ele vai entender que eu posso me impor, eu posso ser respeitado sem subir o tom da voz. Mas até ele aprender isso, ele vai por alguns caminhos. Você vê um problema de comunicação que tem muito em escola. Qualquer professor que sentar aqui e faça essa pergunta, você vai ver que é um dos maiores problemas que tem na escola. O aluno sai, vai no banheiro e não volta.
Por quê?
Porque ele fala, a aula tá chata, eu vou sair pra ir no banheiro e não vou voltar.
Eu estive há pouco tempo em Vitória, em um evento só pra professores, um evento que chama Sapient Summit, eram mais de mil professores.
Aliás, belíssimo nome.
Não, o Sapient Summit, o Ronis lá de Colatina, organiza já há 11 anos esse encontro. É formação de professores. Achei fantástico. E aí, qual era o problema? desse evento. Os professores estão com dificuldade de desaprender para aprender. Aí eu falei, Rony, mas isso aí é o que a gente vê nas lideranças também, várias empresas, eu lido todos os dias. Por que é tão difícil? Para um adulto, um adulto. desaprender para aprender ou acreditar que aquele modelo que pode ter funcionado no passado não está funcionando mais, aí eu preciso de uma habilidade diferente, eu preciso de uma parceria diferente. Por que que quanto mais o tempo passa, mais engessadas minhas ideias ficam?
Perfeito. Aí a gente sai do comunicação e vai pro neuro, né? Porque é importante entender essa ligação entre cérebro e comunicação.
Ótimo.
Existe um conceito chamado neuroplasticidade. Vou aqui...
Explica, explica, explica.
Vou buscar na etimologia plasticidade, que vem do grego, né? Falar igual o Cortella. É... Plástico vem do grego plastikós, que significa aquele que se molda. Então, qual que é a grande vantagem do plástico perante a madeira ou aço? É que você molda ele muito facilmente. Ele tem plasticidade. É muito fácil você moldar.
Flexível.
Exato. Então, assim... Quando uma criança nasce, ela tem um cérebro absurdamente plástico, porque ela precisa se adaptar ao ambiente na qual ela está inserida. Então, a natureza já fez um cérebro muito fácil de manipular, manusear, para o bem e para o mal, o que está acontecendo no ambiente. Se a gente imaginar um trauma, Imagina assim, por exemplo, um abuso sexual, um trauma gravíssimo. É diferente um abuso sexual em uma criança e um abuso sexual em um adulto. Os dois são péssimos, os dois são horríveis, mas as marcas profundas... Digamos que a profundidade dessa... Os dois vão aprofundar, mas a da criança vai aprofundar muito mais. Então, eu gosto de usar aquele filme Ghost. Pra quem aí tem menos de 30 anos, vai no YouTube.
Gente, não Google. Ghost. É... Como é que era o nome? Demi Moore.
Demi Moore e Patrick Swayze. Então eles têm uma cena que eles fazem um barro, um vaso, né? Que só contextualizando, o Patrick Tracy faz o papel de um casal e ele morre atacado, num assalto e tudo mais. E aí o espírito vem, e aí ela tá construindo aquele vaso de barro e o espírito pega na mão dela, toca a música lá.
É, aí agora, professor, já trouxe uma camada de complexidade pro... Como é que chama essa arte do barro?
Ah, não faz. Se chama vaso.
Como que chama a arte do barro, senhoras e senhores?
Vasologia deve chamar.
Não, não, não. Cerâmica, professor. Ô, Jesus. Na arte da cerâmica, vamos lá. Pausa o ghost, porque agora você tem esse espírito. Aí já deu uma complexidade.
A turma já falou.
Ah, agora é pra mim. Então, pera lá. Cerâmica. Pegamos um barro.
Isso. Então, qual que é o grande conceito? Quando o barro está bem molhado... Qualquer pequeno movimento, se eu pegar ali uma varetinha e bater, que ele tá rodando, né? Eu bato ali, eu faço um rasgo nele. Então, qualquer pequeno estímulo tem um grande efeito. Eu dou um estímulo um e tem um efeito mil. Então, por exemplo, né? Uma criança que tá lá na Palestina, nesse momento, tomando bomba na cabeça. Pra ela, o mundo é daquele jeito. Não há outro formato de mundo. Então, aquela criança, ela vai aprender a lidar com essa situação, ficando com medo, ficando assustada. Conforme o barro vai secando, você consegue ainda manusear, só que agora você precisa de uma ferramenta um pouquinho mais afiada. Você precisa dar um corte.
Uma terapia comportamental cognitiva.
Exatamente, exatamente.
São outras ferramentas.
Até para o bem e para o mal. O adulto tem uma casca maior para receber estímulos aversivos do ambiente e também estímulos positivos. E aí lá no final da vida, vamos falar 90, 100 anos, que hoje muita gente vivendo 100 anos, ainda tem neuroplasticidade? O cérebro ainda aprende? Sim, ele ainda se adapta. Só que com uma velocidade muito menor. Então aquele nosso vaso de barro, ele é um vaso de barro pronto, seco. Eu consigo fazer um corte num barro seco? Consigo. Mas eu preciso de uma serra, eu preciso de tempo, energia... Desessenão. Isso. Tanto que é difícil a gente ver um idoso mudar de comportamento. Assim, acordei hoje, a avó acordou, skateista, né?
Uau!
Assim, é muito difícil. Só que a gente vê isso a criança. Criança, depois, por exemplo, dos dois anos, um mês é outra criança. Quando a gente passa, às vezes, sem ver uma criança há alguns meses, assim, você vê e fala, cadê? embora, uma criança está outra. Porque é a neuroplasticidade, essa adaptação.
Eu tenho uma filha de três anos, eu fui mãe aos 40, e muitas mulheres me procuram me perguntando, mas como é que é ser mãe, empresária, empreendedora e tudo ao mesmo tempo? Se eu não tiver disponibilidade para aprender com a minha filha, E se eu ficar aqui no alto das experiências que eu tive, eu não vivo a infância dela, eu perco esse meu momento, que é tão especial, e aí eu fico tentando aprender o máximo com ela, porque ela me devolve pra mim.
Exato.
Sabe? As crianças nos devolvem.
Absolutamente.
E a cada semana eu vejo ela numa mudança tremenda. Eu falo, mas como assim? Mas como você tá falando inglês? Tem três anos. É.
Você deu um exemplo maravilhoso. Aprendei idioma. A sua filha, se você levar ela na Alemanha, que é um idioma totalmente invertido, e deixar ela seis meses lá, ela estará falando alemão em seis meses com fluência.
Você sabe o que eu até pensei com o meu marido?
E nós não aprendemos espanhol, que é tipo quase igual.
Exato. Irmão, língua e irmã. Eu já até comentei com o meu marido, falei assim, a gente podia morar uns seis meses na Itália, depois uns seis meses na França, que é o que você pode sonhar. Ela vai aprender todos os idiomas que a gente não aprendeu.
E aprende assim numa facilidade tão absurda assim, que é o estímulo do ambiente. Olha o ezinho lá do método A. Ambientes estimulantes fazem com que essa criança aprenda. Aí tem um outro processo que acontece no cérebro chamado poda sináptica. Ou em alguns livros aí vão falar poda neuronal. Então, tem esses dois nomes aí. O que é a poda? Quando eu tenho uma planta, eu quero que nasça flores lá, rosas.
Vai ter uma rosinha.
Isso. Por que eu podo? A seiva que alimenta aquela planta, ela é limitada. Eu não quero gastar seiva que a flor murcha. Eu quero falar... Eu não quero muitas. Eu quero poucas, porém, bonitas. Certo? Não faz sentido eu falar assim, nossa, tem uma roseira com 50 rosas, mas tudo murcha. Não, melhor eu ter uma com uma rosa, mas uma rosa bonita. Então, pra quê que a poda serve? Eu vou eliminando o que não tá legal, pra deixar o que tá legal ainda mais forte.
Como é que eu faço isso no dia a dia?
Então, o cérebro faz, a natureza faz sozinha isso.
Será?
Então, a primeira poda neuronal acontece aos dois anos de idade. Então, imagina assim, ó. Da concepção de uma criança até os dois anos, a neurociência chama isso de mil dias. Então, as quarenta semanas de gestação mais os dois primeiros anos. Nesse momento, o cérebro vai priorizar a quantidade, a qualidade, né? Pensa assim, de um espermatozoide para uma criança de dois anos, olha quantos aprendizados. Anda, fala, mastiga, não tem rim, não tem pulmão, tudo se cria, tudo entra em conceito. Quando chega aos dois anos, o cérebro fala assim, ó, agora a gente vai tirar o que não tá usando pra fortalecer o que tá usando. Só que existe um maniqueísmo de bom e mal que a gente usa como humano. O cérebro, biologia, não tem bom e mal. Pra ele é assim, criança numa área de guerra, vamos fortalecer a defesa. A biologia não vê mal e bom. Criança num lar amoroso, vamos fortalecer a comunicação. Então, até os dois anos, acontece a primeira, né. A partir… Inclusive, a gente conhece os dois anos como o adolescência da criança, o terrible two, né.
Terrible two, mas, gente, tem terrible até o 15, tá, BT? Terrible three… Ah, tô… Primeira pauta da neural, os dois anos. E depois?
Depois vai acontecer ali, perto dos sete.
Sete anos.
Pra quê? para começar a preparar aquele ser humano para a adolescência. Então, olha que interessante essa poda dos sete anos. Uma criança, você tem um conceito que nós chamamos de limear. O que é o limear? Se eu preciso de um quilo de força para subir essa caneca, se eu aplicar 700 gramas, 800 gramas, 900 gramas, não muda. Quando ela começa a subir, eu falo, ó, a partir de um quilo, sobe. Então imagina que um estímulo dopaminérgico, por exemplo. Eu chego pra uma criança e falo assim, vamos olhar o sol? A criança faz… Uuuuh! Tipo, é muito legal. Ou seja, o limiarzinho dela tá lá no pé. Vamos na vovó, é tipo… Nossa!
A atividade.
O cachorro na rua, uau, assim. Então você bota um estímulozinho, ela responde muito alto. Concorda comigo que se esse estímulo continuasse assim, eu não conseguiria evoluir como humano?
Sim.
Adulto, reprodução, outras coisas que vão chegar lá na frente?
Tá.
Então essa poda dos sete anos, o que ela faz? Ela sobe esse limiar. Ela elimina aquelas bobeirinhas, boneco, carrinho, tuque, oi, vamos na vovó.
O problema é que depois isso fica muito no extremo, né?
Aí vai para a adolescência. E a adolescência vai arrumar isso daí para fazer adulto. Então o que eu costumo dizer? A criança aprende, o adolescente testa e o adulto vive. Então nós adultos somos o resultado dessa equação. Eu aprendi muitas coisas ali na infância. Eu testei na adolescência aquela coisa. Ah, deixa eu ver se a minha mãe tá certa mesmo. Deixa eu ver se minha mãe sabe, deixa eu ver. Vai testando. E a fase adulta é o resultado disso, né? Então, assim... Nossa, eu aprendi em casa que um lar é importante. Aí eu, na adolescência, falei. Minha mãe é bobeira, família, meus amigos que sabem tudo. Quebrou a cara, falou não. Legal. Família é uma coisa importante. Ou não. Dependendo de cada cenário. Então você vê que a neuroplasticidade, o cérebro, ele vai tendo essa plasticidade, e essa plasticidade do 7 vai acontecer ali durante a adolescência, e ela vai ter um decréscimo, ou seja, vai chegar uma hora que o cérebro continua tendo, mas ele cai muito em volta, em torno dos 25 anos.
Tá, então primeira poda neural aos 2, a segunda aos 7, a terceira... E depois?
Depois não vai ter essa poda, não vai acontecer.
Depois é autoresponsabilidade.
É usar agora o que aconteceu.
Aí é você com a sua vassourinha, fazendo eliminações. Aí entra de novo na atualização de identidade.
Isso. E a comunicação com você mesmo. E volta, a gente entra nesse ciclo aqui sempre. Então, é muito comum, às vezes... Eu tenho uma comunidade de pais, mães e professores de adolescentes.
Ah, aonde tá?
Nós temos um grupo lá, chama Descomplicando a Adolescência.
Lá, Descomplicando a Adolescência.
Na minha bio, você encontra ali as informações.
Aliás, a sua bio, pra quem não.
Sabe, é William... Arroba William.Borghetti. Muito ruim esse nome de procurar.
É nada aqui, ó. William com W, double L, William.
Se o pessoal escrever neurocomunicação na busca, é a primeira página que aparece.
Sim, eu gostei muito quando eu vi que você conecta pais e adolescentes.
É. E aí, o que acontece agora? Uma coisa que tá acontecendo agora, até publicitariamente, tem vindo muitos pais de crianças pro meu grupo.
Mas é evidente.
Porque eles estão assim, olha, tá entrando nessa fase, então é muito legal entender que já há uma consciência preventiva. Porque assim, aquele adolescente de 15, vai mudar, tá tudo certo, mas é mais fácil orientar o de 7.
Mas professor, é o que eu faço nas empresas. Ou eu entro pra tratar, ou entro pra prevenir. E é muito melhor quando a gente previne. Você já tem as informações, né? E aí, então, já sabemos que quanto mais o tempo passa, menos flexibilidade eu tenho, mas nunca é tarde pra gente começar a pensar sobre.
A minha avó faleceu faz três anos com 94 anos. Quando ela fez 92 ou 93, um dos últimos aniversários dela, Nós somos em 23 primos, então a gente falou, vamos dar um presente legal pra vó, porque um real cada um já dá baita dinheiro, é muito primo. Vó, o que você quer? Qualquer coisa. Pode pedir que a gente vai te dar. Ela falou que quer um tablet.
Ai, que demais!
Eu falei, vó, você sabe o que é um tablet? Ela falou, claro, é um celular grande.
Ah, menino.
Né? Porque ela fazia crochê, tinha aquelas revistinhas de crochê. E aí, alguém mostrou YouTube pra ela, que alguém ensinava. Ela podia voltar, ela podia repetir, não sei o quê. E aí, a gente chegava na casa da vó Júlia, ela tava ouvindo um… Assim, você ouvia um árabe, um francês, um… Sei lá, um alemão. O que a vó tá assistindo? A pessoa tava ali falando em alemão e beleza. O que a vó tava fazendo ali? Neuroplasticidade. Criando novas conexões. Claro que um cérebro de 93 anos, cansado e tal, vai aprender com bastante dificuldade. Mas não deixa de aprender.
Por isso que a fruta não cai longe do pé. A vó Júlia vai me ajudar a trazer aqui a finalização desse programa. A gente nem conseguiu falar de tecnologia, mas então eu vou deixar aqui uma pauta pra gente ter a segunda rodada.
Pra gravar, diretor, tira o corte aí.
Segunda rodada, com certeza. A tecnologia não vai substituir os humanos. A tecnologia vai substituir os humanos que não sabem usar a tecnologia.
Exatamente.
Só que pra isso eu preciso ser um humano funcional.
Perfeito. Aí eu vou falar uma frase da vó Júlia que é, não sabe viver, não bebe. Julia trazia essa ideia pra gente que não sabe viver, não bebe.
Ô Pedro, obrigada por ter me apresentado, professor William. Não à toa, eu tenho muito orgulho de dizer que o professor Cortella me acompanha já há muitos anos, ele é meu mentor, ele é VIP igual eu, nós viemos do interior do Paraná.
Minha mãe também. Sou filho do interior do Paraná.
É mesmo?
De que cidade? Minha mãe é de Santo Inácio, uma cidade próxima de Colorado, Maringá, assim, é uma região mais...
É, igual eu ali.
Pé vermelho.
Perto, perto.
Sempre perto de algum lugar, né?
Sensacional, William. Foi uma conversa excelente. Você estava dizendo da sua página, só pra gente fechar, pra quem está apaixonado, apaixonada... Muito bom. ...pelas suas ideias, como continuam te seguindo.
Então, arroba, William... William.Borghetti. Mas é ruim de escrever? Então você coloca lá na lupinha do Instagram. Neurocomunicação. Minha página é a primeira que vai aparecer. É a página verificadinha lá, porque tem gente já fazendo fake, aquela bagunça toda. E tem uma comunidade Descomplicando a Adolescência, que é uma comunidade onde tem aulas gravadas, a pessoa assiste, pra entender esse conceito de neuroplasticidade e tudo como é o funcionamento do cérebro. E um grupo no WhatsApp, que é porque... Pra trocar? É, e uma coisa que eu escuto muito. Mães, principalmente. Então, um recado aos homens aí que estão assistindo. A dor da mãe é, eu crio meu filho sozinho. Eu ensino os problemas. O pai, mesmo morando junto, não participa dessa criação. Então, ali, ela tem a oportunidade de conversar com centenas de mães e pais e professores. Então, no final de semana aí, uma menina, ah, chegou a atrasar, marcou, vai chegar 10, em casa, chegou meia noite. A mãe falou, o que eu faço? Eu dou punição, não deixo mais sair? Jogou no grupo. E a gente começou a debater. Será que se eu... Tinha até um aniversário de 15 anos no outro dia, de uma colega. Eu falei, se você cortar isso, é um evento social muito importante pra menina. Será que o atraso, eu vou tirar isso? Então a gente bateu um papo. Fala assim, aborda assim. Põe pra lavar louça. A punição, põe pra lavar louça. Ao invés de tirar uma coisa que depois não tem como arrumar. Imagina na segunda-feira todas as coleguinhas falando da festa e ela não foi porque...
Pronto, o trauma já está instalado. De novo, comunicação.
Comunicação. Sem comunicação. E outra, a parte importante da comunicação, escutar, né? Então escute mais os adolescentes, as crianças que talvez saiam coisas...
Agora sim, você sabe que a maior parte do público que acompanha o interioriza é formado por líderes e pessoas em transição. Transição de carreira, transição de vida, né? Transição X. Eu costumo ouvir muito assim, Isabela, porque você vem aqui na minha empresa, porque tá tendo um conflito de geração. me conta mais. Que tipo de conflito? Não, porque a gente tá com a geração XYZ, eu falei, tá, então é um encontro de gerações.
Baby Boomer conversando com a geração Z. E a geração Z, ela tá entrando agora no mercado de trabalho, e a geração Z é o seguinte, é a geração Z.
Tá, mas nós nem vamos entrar nisso, vai ficar pra etapa dois do programa, mas assim, também é a forma como eu vejo se é conflito ou se é encontro. O quanto eu estou disponível para ouvir essa complementaridade de ideias. Pode ser assim?
Total. E aí quando eu escuto, que é diferente de ouvir, e aí eu escuto com atenção, eu falo assim, tá, o que motiva essa pessoa? Porque no final das contas, eu quero o resultado, eu utilizo das ferramentas que motivam e aquilo funciona. Então se eu não escutar como líder, se eu não escutar como pai, se eu não escutar como professor, Eu vou ficar lá, adolescente, aborrecente.
E tá deixando de aprender.
Total.
Professor, a gente vai fazer uma manifestação na Paulista em breve. Eu, você e a Irene.
Boa, gostei.
E a gente depois passa uma data de quando vai ser esse encontro na Paulista. Gente, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Essa foi mais uma edição do interioriza feito com muito carinho para que você tenha insights para tomar boas decisões. Até o próximo.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








