Como formar líderes éticos? com Luiz Fernando Lucas no Ïnterioriza

Luiz Fernando Lucas, author of A Era da Integridade, talks about forming ethical leaders through inner work and consciousness. He discusses transforming pressure into purpose, converting knowledge into wisdom, and the Escola da Integridade, a training program that teaches leaders practical tools to handle fear and build values-based leadership.
Chapters
Que tal você transformar a pressão em propósito? Só que para você ter propósito, você precisa estar presente. E para estar presente, será que você está íntegro a ponto de saber diferenciar o quanto da pressão do dia a dia é útil, é positiva para que você coloque em prática o seu propósito? Eu sei que tudo isso pode parecer muito distante, mas eu te convido então a estar presente neste Interioriza em que eu trago aqui o Luiz Fernando Lucas, autor do livro A Era da Integridade. Luiz, bem-vindo!
Gratidão, uma honra, um prazer estar aqui.
Muito feliz em estar contigo. E eu quero só trazer aqui uma frase, a partir dela a gente engata, tá? A integridade pressupõe que não há falhas de princípio, caráter ou valores. Assim como o frio é ausência de calor e a sombra é ausência de luz, pode-se dizer que a corrupção, a mentira, a escassez, a falta de confiança, a degradação, entre outras mazelas, são apenas aspectos da Ausência de integridade. Luiz do céu, você tem meia hora para contar para nós o quanto é possível fazer negócio com ética, o quanto é possível viver neste contexto que nós estamos vivendo, com tantos acessos, com tantos excessos, o quanto eu preciso ter consciência de mim para ser íntegro.
Meia hora é um desafio. Eu tô há uns 15 anos buscando essa resposta, mas a brincadeira é que é uma busca contínua, né? A busca da integridade é uma busca que não é possível de ser 99%, é um conceito binário, é ou não é. Então é um conceito 1 e 0. Todos nós estamos nesse caminho da integridade. Então a primeira questão é a gente ter a leveza de buscar a integridade Mas também não ficar querendo fazer disso algum conflito de moral ou de falsa moral, porque nós estamos, né? "Humanum errare est". A gente é um ser humano que erra. A questão é se a gente está consciente dos nossos erros e transformando eles em aprendizados. E quando você leu essa frase do meu livro, me lembrei de uma frase do Stefano Dana, o filósofo que foi meu mentor, italiano, autor do livro "A Escola dos Deuses". Que ele diz: o seu antagonista é, na verdade, seu maior aliado. Agradeçam. E as pressões, os problemas, as questões da vida, inclusive da nossa saúde, elas são, como eu já ouvi você dizendo isso, mensageiros. Elas estão a nosso serviço. O problema é a nossa capacidade de percepção, né? O awareness, que é a palavra em inglês, que nós não temos aqui. A gente também usa consciência para essa palavra. De perceber os sinais para poder aprender com eles. E isso só é possível na presença, só é possível quando a gente não está com algum pensamento no futuro que nos gera ansiedade, quando a gente não está com alguma coisa presa no passado que nos gera depressão, ou quando a gente está realmente ouvindo e percebendo porque a gente quer aprender. As pessoas, às vezes, elas estão ouvindo e não percebendo porque elas não estão preocupadas em aprender. Ela só está preocupada em responder, em impor a sua verdade. Então não tem nada mais importante que a gente aprender a vir para o presente, que é um conceito comportamental de integridade, né? Porque integridade vem do inteiro, do conceito matemático. Mas na nossa vida, para a gente estar inteiro, só estando no presente.
Quando você diz isso, eu entendo que a busca pela integridade é uma construção. Então eu estou construindo a minha integridade?
Todos nós estamos. Como conceito, integridade absoluta, ela não tem contrário porque ela é um valor absoluto, assim como a verdade, a confiança, a honestidade. A nossa jornada, que eu chamo de caminho da integridade, é como uma jornada de herói para chegar na perfeição, na imortalidade que o herói busca, né? Lembra, os gregos tinham os heróis, os deuses e os mortais. O O que difere os mortais, aqueles que não têm história, que morrem, dos heróis é a busca da imortalidade, a busca da perfeição. Como Platão dizia, o campo das ideias da perfeição, os gregos separavam isso. A busca da imortalidade, da perfeição, os heróis fazem porque eles constroem a sua própria história. Então, a nossa vida é também uma jornada de herói. Mas toda jornada de herói tem desafios, tem dificuldades, tem que lutar contra os gigantes ou contra o chefão, sabe, do final do videogame. Não tem jeito, tem a... Os 40 dias no deserto de Jesus. As nossas histórias são cheias de dificuldades. Se prender às dificuldades é ficar mortal. Vencer as dificuldades é se transformar num herói, é se aproximar de Deus.
Repete, repete.
Se agarrar, se agarrar nos problemas, desistir deles, lamentá-los, é ser mortal. E ninguém sabe história de mortal. Você não sabe o nome de nenhum mortal a não ser narrado na história de um herói. Os heróis são aqueles que olham os desafios e vencem a si próprio, que olham os desafios e entendem os desafios como um trampolim, um degrau para sua própria evolução. E por isso eles se aproximam da imortalidade, de Deus, da perfeição. É legal que a gente conhece os heróis, que eles agem com coragem, né? Todo mundo sabe a expressão de coragem, coragem, agir com o coração. Mas de onde vem a palavra herói? Herói, na etimologia, está narrado no livro de Platão, Sócrates contando a etimologia dessa palavra. Herói é o filho de Eros, deus do amor. Porque a gente sabe que os heróis eram filhos de deuses com mortais, né? Os semideuses na mitologia. Herói é quem é filho de Eros, deus do amor. E quem é amor? No meu livro tem essa etimologia da palavra amor.
A-mors.
A de prefixo de ausência ou negação e mors. Amor é ausência de morte. Amor é vida. Amor é eternidade. Então todo líder que quer deixar um legado, toda pessoa que quer deixar alguma coisa, ele tem esse princípio da imortalidade. Os gregos buscavam a beleza, a correção, o justo, o belo, porque eles estavam buscando a perfeição. Então a gente consciente ou inconscientemente busca a nossa jornada de imortalidade Busca se aproximar do amor, e quem busca o amor é filho de Eros, é um herói da própria vida. Então, não se prender aos problemas, entendê-los como o chefão que nos faz passar de fase, é sair da condição mortal que os gregos colocavam e ir para a condição de herói, de fazer a sua própria história, vencer os próprios desafios, agradecer. Como disse a frase do Stefano D'Anno: o antagonista é seu melhor aliado, agradeça-o. É Agradecer os desafios, agradecer os problemas, agradecer as dores, agradecer as doenças, porque elas vão fazer você subir de nível na sua consciência, na sua evolução espiritual, na sua evolução como ser humano.
Gente, uma salva de palmas! Você me lembrou duas pessoas. Uma que esteve aqui há pouco tempo, o professor Clóvis de Barros. Ele veio no dia do aniversário dele. Aí eu perguntei: Professor, tá valendo a pena viver? Eles: "Sim, isso não significa que eu não tenha dor de barriga, que eu não tenha problema, que eu não tenha insatisfação, que eu não reclame, etc." Então, me lembrou o professor Clóvis nessa fala recente e me lembrou outro professor, que é o que faz o prefácio do meu livro, que é o Cortella, que também vem sempre aqui nos Estudos do Amaury Mauro. O Cortella sempre diz que aquele que você vê como concorrente, se você tiver respeito por ele, ele vai ser o seu maior amigo. Então, quando eu tenho a condição de ver naquele que me provoca o meu professor, ai, que maravilha! Mas no dia a dia não é assim que a gente age.
Primeiro quero deixar minha gratidão aqui com referências que eu admiro muito, né? Professor Cortella, Professor Clóvis de Barros. Aliás, eu vou estar num painel com o Clóvis nos próximos dias no evento em Goiânia. Mas sou muito honrado por essa referência, eu sou aprendiz deles. Mas é isso, o seu aliado é o seu maior— o seu antagonista é o seu maior aliado. Essa frase, quando eu recebi ela do professor Stefano D'Anna, esse filósofo, ela ecoou dentro de mim. Tem um filme que é uma jornada de herói, filme de Arthur, do Rei Arthur. Tem um filme do diretor Guy Ritchie, chama Arthur: A Lenda da Espada, recomendo. Ele narra a história do Arthur de uma maneira mais moderna e épica. É um grande tratado sobre Consciência e Ego. E é maravilhoso. No meu YouTube eu tenho uma análise simbólica desse vídeo, pra quem quiser depois. Mas no final, o Arthur, quando ele vence o tio, né, que destrona o pai— A história de Arthur, não tem problema dar spoiler, porque ela é bem antiga. Ele olha pro tio que tinha matado o pai, que tinha destronado, e que faz o Arthur ficar vivendo como um plebeu. E depois, quando ele retoma o trono, na luta final contra o seu tio, ele olha nos olhos do tio e fala: Eu só me tornei quem eu sou por conta de você. Muito obrigado. O tio tinha sido o carrasco da vida dele, tinha sido que colocou ele em todas as condições difíceis. E aquilo é de uma beleza simbólica, que é mais que o perdão, é a gratidão pelas dificuldades da vida que fazem você se tornar quem você veio aqui ser.
Trazendo para o presente, eu me lembro de uma pessoa específica que foi muito, mas foi numa situação muito, muito, muito difícil profissional, que foi quando eu retorno da licença médica, eu sou demitida naquele dia. Outro dia eu sonhei com ela e aí eu ainda comentei, né, com o Thiago, eu falei assim: Ti, se ela me chamasse para uma conversa, eu adoraria dizer obrigada.
E é isso. Fica a dica, hashtag chama ela, chama ela. Obrigado.
É, não, mas eu já agradeci já muitas vezes. O que eu quero dizer é que todos nós vamos viver situações que podem ser muito degradantes, delicadas. E aí teve um dia, Luiz, que eu considerei assim: na vida temos duas cadeiras, a de vítima, de aprendiz. E por mais que você é colocado numa cadeira de vítima É sua responsabilidade sair dela e ir para a de aprendiz. Evidente que quando é uma dor, é quando tá tudo sangrando, não é naquele momento. Calma, se recupera primeiro. Então essa é a dica que eu também posso dar, tá? Se recupera, mas levante da cadeira de vítima e vá para de aprendiz, porque toda situação pode te trazer um aprendizado. Você ainda não trouxe porque tá faltando o quê?
A sua percepção. Que é isso, você pode mudar os fatos? Existe aquela oração da serenidade, né? Que eu acho maravilhosa, né? Que: dai-me paciência e resiliência para aguentar tudo aquilo que eu tiver que passar, dai-me sabedoria para lidar com aquilo que eu posso mudar, a minha aceitação para aquilo que eu não posso mudar, e sabedoria para distinguir o que eu posso mudar do que eu não consigo mudar. Então, aceitação do que é, capacidade de mudar o que eu posso mudar, e sabedoria para diferenciar.
Sim.
E tem uma frase de Epíteto, um filósofo estoico, né, que é mais ou menos assim, né: o que importa não são os fatos, mas como você reage a eles, né. Toda psicologia de Jung, ela vem depois disso. E um psicólogo renegado, a história, quase ninguém fala dele, que é o Adrian, que ele, desculpa, Adler. Adler, ele foi contemporâneo de Freud. Freud fala do trauma, A gente põe a culpa em alguém, né? Um fato externo. E o Adler, ele traz a psicologia individual, que é como é que eu reajo aos fatos, independente da dificuldade deles. Eu posso usar uma dificuldade para me destruir ou para me glorificar, me levantar. Então tudo muda aqui dentro, interiorize.
Não é? Quando eu recebi o seu livro pela Editora Gente, eu fiquei muito feliz e Esse não é um livro. Repete, quando que você lançou mesmo?
2020.
Exatamente. Ele não é 2024. 2020 foi o ano do meu livro também. Então eu lembro que me marcou. Eu falei, poxa, esse livro chegou e podia ter trazido até algumas coisas deste livro no meu.
Aí o seu também, viu?
Porque eu faço ali é para quem quer fazer as pazes com o tempo, que é para quem quer fazer as pazes consigo. Mas é que na capa tem uma frase, gente, olha só. Homo Conscius, a próxima evolução, o impacto da consciência, da cultura de valores para encontrar propósito, paz espiritual e abundância material na sua vida pessoal, profissional, na sociedade, seja na sua vida. Parece que abundância material não tem nada a ver com que nós estamos falando, é, mas tem tudo a ver, né?
Integridade é uma coisa só.
Vamos lá, queria que você falasse um pouco sobre isso, né? O quanto eu ser íntegro, eu ter valores também significa merecer.
Muito legal isso, porque a gente vive numa cultura da— que parece que quem tem sucesso fez algo errado, ou de diminuir a importância das pessoas ricas, dos empresários. E isso nada mais é do que uma separação, e toda separação é, de certa forma, ela é o início de uma implosão, né? Quando a bomba atômica é a separação do átomo. Átomo é aquilo que é indivisível, a palavra em grego, que vem do latim indivisum, aquilo que é indivisível, a mesma origem etimológica de individuo. Nós também somos indivisíveis, mas parece que a gente prefere a dualidade. Então, por que que eu tô falando esse conceito? Porque se eu tiver na minha integridade, eu vou estar dando o melhor do meu ser para o mundo, a começar por mim mesmo. E os japoneses têm um conceito chamado ikigai, né, a confluência entre o que você gosta de fazer, o que você é muito bom, tem talentos, o que alguém te paga para fazer e que o mundo precisa. Traz o bom, o belo, justo, né, da filosofia para sua atividade. Então, se a pessoa tiver no Ikigai, ela além de prestar um serviço que o mundo precisa, ela vai ser paga por isso, ela gosta e ela é boa. Então, transporta esse conceito do Ikigai para o seu comportamento. Se você tiver fazendo O seu melhor, equilibrando a sua vida, buscando a sua consciência, vivendo com base em virtudes, princípios e valores, sendo honesto, correto, verdadeiro, não tem a menor chance de você ser infeliz. E se você tiver bem, você vai encontrar a sua missão no mundo, vai recordar o seu propósito, e alguma utilidade no seu trabalho alguém vai remunerar.
Exato.
E a prosperidade, até mais, hoje se eu fosse reescrever esse título da capa, eu mudaria para prosperidade, não abundância. Mas abundância é bom também, mas abundância é quando parece que tem um pouco até em excesso, a mais. A prosperidade é quando você tem tudo que precisa e flui na sua vida. Então, não tem, você tem um conceito também de prosperidade que é rico não é quem tem muito, é quem precisa de pouco. E toda busca de autoconhecimento filosófica, espiritual, também vai reduzindo um pouco as suas necessidades externas. E eu não faço nenhuma apologia à pobreza. Eu acho que a beleza, a prosperidade é bom. Se você tiver um conforto financeiro, o Thiago fala muito bem disso, você pode exercer o seu melhor no mundo. Se você estiver abaixo da sua independência financeira, você vai ainda estar de alguma forma escravo de ter que vender o seu tempo ou escravo de não poder tomar suas decisões como você gostaria. A prosperidade também faz com que seja mais fácil buscar essa evolução de consciência. Então uma coisa atrai a outra, uma coisa constrói a outra. Não tenho dúvida que, até porque tudo que a gente tenta separar é uma ilusão. Toda separação é uma ilusão. Não tem nada separado.
Até o lixo, tá, gente? Você coloca o lixo, você, ah, agora joguei o lixo. Eu fico vendo de lugar, né?
Você jogou para onde? Já jogou para fora do planeta? Ainda assim tá no sistema solar.
Pois é, ô Luiz. E aí, quando nós começamos a falar, eu ainda quero investir tempo aqui na questão da ética, porque algumas palavras precisam de repetição. Repetição. Tem a Escola da Integridade que você fundou, uma Escola da Integridade. Mas antes então de falar sobre ética, Escola da Integridade, homo conscius, tem que ser muito abstrato. Então, que provocação é essa?
É uma provocação que veio para mim. Eu escutei um pouco esses termos e e materializei ele, a provocação de que a gente vive num grande paradoxo, Isabela. A gente tá no que dizem por aí a era do conhecimento e da informação e a gente tá doente da mente. É um grande paradoxo por si só.
Total.
Como que a gente pode ter, no momento da humanidade, a informação que a gente quiser de qualquer coisa na ponta do dedo, o conhecimento para resolver todos os problemas do mundo, e a gente não resolveu ainda, a tecnologia disponível, que não tá disponível, a gente já sabe a teoria, A gente tem equipamentos já para editar o nosso próprio gene. Então hoje, e não é de hoje, tá? Quando eu escrevi meu livro já tinha isso. O CRISPR é uma tecnologia que você edita o gene humano. Então está à nossa disposição definir como que é a nossa própria evolução. A primeira vez que tem isso na história. O que nós vamos fazer com isso? E aí o meu pensamento e a minha vida foi: com tanta coisa disponível, por que que eu ainda tô em crise? Por que eu olho para fora e vejo fome, miséria, tristeza, mentira? Por que eu olho para dentro e vejo isso também? Então não é pelo mais informação, mais conhecimento. Então o Homo sapiens sapiens, essa espécie que fazemos parte, Homo sapiens sapiens, a subespécie que significa o ser humano que sabe e que sabe que sabe. E aí cheguei à conclusão que saber e saber que sabe não é suficiente para nos trazer felicidade. A gente sabe muito, mas não coloca em prática.
Pronto.
Então, a transformação do conhecimento em sabedoria é o que nos transforma em sábios. E a sabedoria, ela nos leva para consciência, que é eu saber o que os meus atos e omissões vão causar em mim, no entorno, no planeta. E isso não é mais conhecimento, É por isso que eu gosto da expressão que eu—
Isso é consciência.
Isso é consciência. Ela é além do que passa na minha mente. Ela também leva em conta o todo, leva em conta uma consciência maior e independente de crenças. Porque se eu ficar preso ao conhecimento, é o que tem feito as pessoas buscarem abundância e prosperidade apenas no material. E aí fica rico e depois doente. Pobre, pobre de espírito, ou pobre das relações, ou no corpo, ou na mente. É uma frase do Jim Carrey que eu gosto muito, né? Se você tiver todo poder, dinheiro e fama do mundo, isso não vai te trazer felicidade. E então o Homo sapiens sapiens é esse ser humano que sabe muito, mas tá doente, continua fazendo guerra, depressão, ansiedade, burnout como doenças. Então que tal a gente buscar a nossa consciência E aí, esse foi um pensamento de: se eu evoluir tudo no material, na genética, eu vou querer fazer humanos mais fortes, mais capacidade de guerra, mais poderosos e mais ricos, e aí eles vão continuar infelizes. Seja por consciência, ou seja pelo amor, seja pela dor da tentativa e erro, o ser humano vai chegar um dia à conclusão de que a única coisa que vai trazer paz, felicidade, abundância, prosperidade é a consciência. E esse é o humano consciente de si. E do seu papel na sociedade, na humanidade, é o homo conscious, a evolução da espécie pela consciência.
Meu pai, eu preciso começar a incluir isso nas minhas palestras, porque quando eu digo assim, gente, olha só, porque eu, Luiz, eu sou especialista em comunicação, não sou médica, sou especialista em comunicação. Eu adoeci e percebo que as pessoas nas empresas estão adoecendo, não é por falta de informação, É por falta de comunicação interna. Porque quando eu, especialista em comunicação, alcanço o principal lugar da comunicação e adoeço, mas então o que que faltou? Ah, falta comunicação interna. Quando eu começo a ter consciência das consequências do que eu faço, deixo de fazer, aí o jogo vira.
Perfeito. Que aliás, a informação em excesso, ela deixa a gente doente.
Então não é mais informação. Você sabe que eu até começo, né, assim, as falas, eu falo assim: gente, aí fica com aqueles olhinhos assim, né, esperando você falar alguma coisa. Eu falo: o que que eu vou poder falar de diferente que você ainda nunca ouviu, né? Porque geralmente você tá falando com públicos que já ouviram de tudo, né? E conceitos e palestras e tal. Fala assim: então o que que eu vou poder falar de diferente? Então pode ser que a maneira que eu falo seja diferente. Então a minha missão é tornar comum assuntos que já passaram do tempo da gente interiorizar. E você então, trazendo o conceito do Homo Conscius, é isso, gente. Vamos dar um passo agora a mais. Todo mundo tem essa tecnologia, tá todo mundo vestido, tá todo mundo saudável pelos conceitos visíveis. E a consciência? Aí você cria uma escola então da integridade, porque não nos ensinam isso, né? A gente só aprende na porrada.
A gente ensina os hard skills, as técnicas, e a gente vive numa sociedade da técnica, e o excesso da técnica fez a gente ficar menos humano. E aí depois precisa ensinar os soft skills, porque a gente desaprendeu a se relacionar, a empatia, a ouvir, a falar. Legal. Mas aí a Escola da Integridade, ela vem trabalhar os inner skills.
Nossa, até bati no microfone, desculpa.
Repete. É o inner, né? Deu o som do inner aqui.
Repete.
A escola da integridade é uma escola do ser. Ela trabalha os inner skills, as competências e capacidades internas, inatas do ser humano, que a gente se recordou que a gente não aprende. Então, por exemplo, a gente aprende técnica, a gente aprende capacidade, a gente aprende até os soft skills. Mas o que nos torna humanos? As nossas emoções, os nossos pensamentos. E a gente não aprende como lidar com os pensamentos e emoções negativas. O filme Divertidamente é muito legal da gente olhar isso, né? A gente olha, a gente tem hoje psicólogos, psiquiatras e todo um estudo da psicologia, da psiquiatria, da neurociência, e pouco a gente está estudando do ser humano, do aprender a viver, que é um conceito filosófico por excelência, e de resgatar. Por que que tá tão na moda, Isabela, a questão de propósito? Porque quando a gente excesso de técnica, a gente perde o porquê das coisas, o propósito, o sentido.
Exato.
Qual o sentido da vida? Qual o sentido da minha vida na vida? Qual o sentido da vida na minha vida? Então, quando eu começo a voltar para as questões filosóficas fundamentais, eu retorno também às perguntas fundamentais, que é: por que a morte? Por que o medo da morte? Como que eu lido com as minhas crises existenciais internamente? Então O Stefano Danes, filósofo que eu citei duas vezes, foi um mentor para mim.
Livro A Escola dos Deuses.
E também o livro Um Sonho para o Mundo, que narra a história de um empresário com integridade, integridade em ação. O George Cooks, dono da maior empresa de software para bancos do mundo.
É mesmo? A história é real?
Real. Tive a oportunidade de conhecer esse ser, me arrepia de lembrar. Ele fez a passagem, né, faleceu agora em agosto desse ano de 2004. George Cooks construiu uma empresa baseada na integridade, tem vários exemplos dele, aprendi um monte com ele. George Cook trouxe para o Stefano Dana o seguinte conceito: Stefano Dana tinha criado uma escola, uma faculdade na Europa com alguns campi que já tinham como princípio trazer a integridade, mas ele chegou à conclusão que ensinar as pessoas algo não transformava as pessoas e que assim como para tirar a pietá da pedra precisa eliminar os excessos, Ele não tinha o que ensinar para adicionar alguém. Essa questão do interiorizar. E aí o George Cooks dá a seguinte dica para ele, e isso nasce esse livro, Um Sonho para o Mundo, que é: pra gente transformar chumbo em ouro, todo mundo conhece essa analogia da alquimia, de buscar tirar o que é tóxico, sujo, pesado, sem valor, escuro, como chumbo, e transformar em algo reluzente, valoroso, que não pega sujeira, que é brilhante de dentro para fora, como ouro, não tem que adicionar nada. Isso tá já na tabela periódica. Chumbo tem 82 prótons, ouro tem 79 prótons.
Você tira chumbo?
Quando a gente pensa em transformar chumbo em ouro, sabe, a gente vem no pensamento comum que eu vou colocar alguma coisa no caldeirão lá e vou ferver, vai tirar. Para transformar chumbo em ouro, você tem que tirar 3 prótons do chumbo, ele vira o ouro. E aí o George Cooks e o Stefano D'Annunzio disseram: quais são esses 3 prótons para tirar da humanidade, para transformar o ser humano de tóxico, denso, pesado, em brilhante, reluzente, valoroso? O medo, aprender a lidar com os pensamentos e emoções negativas.
Posso chamar de gerenciamento das emoções?
Mais do que as emoções, é os pensamentos que geram as emoções e as emoções que geram os pensamentos.
Gerenciamento dos pensamentos negativos.
Pensamentos e emoções negativas. Porque senão fica só na mente, e as emoções é o que a gente sente também, é o coração. E aí eu já vou dar uma dica na sequência. A terceiro próton é a crença na morte como conceito filosófico de trabalhar em si a imortalidade, a imortalidade dos atos, a imortalidade do que a gente chama de legado, ou quando a gente faz algo na nossa presença, na nossa integridade, no instante presente, ele é eterno. Isso é imortal como conceito. E se você olhar lá no passado, grandes questões filosóficas eram como aprender a lidar com a morte, como o memento mori, um conceito filosófico de sabendo da finitude do corpo, da vida, eu vivo, aprendo a viver o presente. Então nesse contexto de qual é a eternidade dos meus atos que eu quero ter, a minha liderança na minha vida, medo, crença na morte, pensamentos e emoções negativos, os três prótons a retirar para transformar um ser humano de chumbo em ouro.
Aí você na Escola da Integridade ensina isso?
Trabalhamos isso em profundidade, em pequeno grau trazendo um impacto, né, seja numa palestra, mas o mais profundo grau a gente faz umas imersões para líderes onde 3 dias só trabalhando isso. Porque que adianta skills e um monte de coisa que a gente tem fora se a gente não aprendeu ainda a lidar com o básico que nos torna seres humanos.
E para entrar nessa escola precisa do quê?
Querer.
Não tem assim, não tem que ser PhD, tem que ter doutorado, tem que ter o mestrado, tem que estar em busca de se transformar no seu melhor potencial.
E aí, lógico, tem várias formas, né? A gente tem alguns cursos, algumas imersões, mas a gente tem uma comunidade se formando. Bem-vindo, bem-vindo! E que nós estamos nesse momento trabalhando para criar essa comunidade cujo cuja busca é de se transformar em ouro, se transformar no melhor ser humano possível para compreender e recordar qual é o nosso propósito, não criar nenhum.
Recordar.
Recordar o nosso. Uma frase do Stefano Dana é: "Recorde seu futuro, mude seu passado, faça o seu presente." Repete. "Recorde o seu futuro", que é uma provocação, é um paradoxo. Recorda o seu futuro. Porque isso é um sonho. É aquela visualização que você já enxerga real, só que só tá faltando alguns ajustes no seu presente para transformar esse futuro em realidade. Recorde o seu sonho, recorde quem tu és, e aí vai lá e corrige aquilo que você andou fazendo errado dentro de você através da sua mudança de atitudes e os valores. A gente começou a falar de ética, de princípio, de integridade. Os valores têm essa magia Porque eu procurei, eu procurei em tudo, na ciência, na espiritualidade, na filosofia, tudo está embasado em dualidades. A gente tem luz e sombra, certo e errado, direita e esquerda. Os valores não têm contrários. Então se a gente se pautar na verdade, na justiça, na honestidade, na confiança—
Os valores não são duais.
Não são duais. A ética ainda é. Olha que paradoxal, porque a ética é circunstancial e temporal. A ética, ela, tanto que a gente conhece a ética do presídio, a ética dos canibais era comer os inimigos desde que fossem saudáveis.
A ética é circunstancial e temporal. Temporal.
Ela muda de acordo com os tempos. A gente achava que era ético escravizar pessoas de outra cor e de outra origem, era ético e legal. Hoje a gente sabe por consciência que isso não faz o menor sentido.
Muda de acordo com o tempo. E aí, quais valores não são duais?
Nenhum dos valores são duais, porque eles são absolutos. A verdade, por exemplo, como conceito platônico da perfeição. Porque a gente fala assim: tem a minha verdade, a sua verdade. Não, mas eu tô falando dos pontos de vista da verdade, eu tô falando da verdade, aquela que tem todos os pontos de vista. O que que é a mentira então? É ausência da verdade, é um grau relativo à verdade. Se for no dicionário, mentira é aquilo que não é verdade, ela precisa da verdade para existir. Se eu for no dicionário procurar verdade, não se fala em mentira, porque verdade é aquilo que é real, ela vive e existe por si só, ela é absoluta. A mentira é um grau relativo, é ausência da. A verdade é um conceito do campo das ideias de Platão, da perfeição, de eu consigo imaginar a verdade. Por isso que os gregos criaram lá a deusa da verdade, é uma mitologia de transformar essa Esse valor, os princípios em um comportamento humano tangível para nossa compreensão. Depois vem a moral, que é o que o grupo entende como correto, e a ética, aquilo que nós fazemos, é muito mais do indivíduo. Então, por que eu tô falando disso? Porque se a gente quiser sair dessa dualidade, se a gente quiser sair desse conflito que a gente existe e sair e aprender a lidar com os medos, com as emoções negativas, a gente só tem um caminho, que é se pautar nos valores. É buscar a nossa verdade, a confiança, a honestidade, a compaixão e todos os outros valores que nos tiram da dualidade, nos fazem compreender um conceito maior de perfeição, de inteireza, de plenitude, de— que são todos palavras sinônimos de integridade, unidade, inteireza, completude, perfeição. São todos sinônimos do dicionário de integridade. Plenitude. Essa busca da integridade, esse caminho da integridade, é eu buscar a minha perfeição, a minha plenitude, a minha ausência de dualidade. E isso é uma jornada interna, é uma jornada que, aprendendo com os conflitos, me torno melhor a cada dia e saio da dualidade. E quando eu escutar uma história, um ponto de vista, eu lembrar que aquilo é só uma parcial verdade. E qual é a verdade absoluta? E quando eu buscar um valor, uma referência sem dualidade, eu saio dessa dicotômica, esquizofrênica descrição de mundo de que parece que para eu estar certo alguém tem que estar errado, para eu ter alguém precisa não ter, e que o meu pensamento de direita é melhor do que o da esquerda ou vice-versa, depende do ponto de vista que eu estiver olhando. E compreender que só é possível enxergar os contrastes e aprender com eles. Seu Einstein já nos mostrou que eu nem seria possível aprender sobre a luz não fosse a sombra.
Exato.
Então a dualidade nos traz os contrastes, nos traz os contrastes, mas não podemos nos prender a eles. Então é essa busca da perfeição, essa busca da do conhecimento transformado em sabedoria, em consciência, que nos faz poder evoluir de Homo sapiens para Homo conscious. E uma definição de filosofia que eu gosto muito, que é a busca e o amor pelo conhecimento, mas que só é possível a quem é consciente da sua própria ignorância, disponibilidade. Então você tem que baixar um pouquinho a bolinha e ver Será que o que eu tô falando tá certo? E se questionar todo instante e dar a chance da dúvida, mas não se perder nela. Isso, porque a dúvida vai te levar para dualidade.
Luiz do céu, tem vaga para 2025?
Tem para já. E assim, já tô na sua fala, vamos fazer coisa juntos, né? Porque absolutamente tem muita, tem muita coerência, né? O que você tá trazendo para o mundo e aquilo que eu tô também humildemente trazendo para o mundo.
Estamos tentando.
E como missão da Escola da Integridade, porque a gente já atende 3 grandes públicos, né? Só para dar uma mensagem que é para reflexão também, porque também os filósofos antigos já nos diziam: nós temos 3 papéis como ser humano. Nosso papel como indivíduo, eu quero melhorar como ser humano, como viver minha vida particular. Eu tenho meu papel das relações laboriais, profissionais, né, o que originou nossos sobrenomes, né, o Oliveira que plantava as azeitonas, o Schumacher é aquele que fazia sapato. Então as nossas relações profissionais, elas definem muito, então nosso papel profissional, laborial, as relações na liderança das empresas. E o terceiro papel é o nosso papel como cidadão. A gente nasceu no lugar sujeito a algumas leis, algumas regras, então todo dia saímos da cama, a gente é um indivíduo, um ser que é profissional, um líder, um liderado, e um cidadão, queiramos ou não queiramos, lembremos ou não.
Faz parte da sociedade.
A Escola da Integridade trabalha o nível do indivíduo para se transformar em um homo consciencius, ela trabalha o nível do líder das empresas para transformar a liderança numa liderança mais saudável, mais humana, mais íntegra. A gente tem até um acrônimo da filosofia, do Phi, que cria a palavra filosofia, Fibonacci da matemática e geometria. A gente trabalha o líder Phi.
O logo do Interioriza veio inspirado no Fibonacci.
Fibonacci, é, e essa busca da perfeição, né, da proporção divina, na proporção áurea, que é a sequência Fibonacci, ela, a busca do ser humano, do líder também alinhado com a proporção divina, esse líder FII, que é um acrônimo também de uma liderança com propósito, humanizada e íntegra. Então a gente trabalha o indivíduo Trabalho líder, mas o grande objetivo maior da Escola da Integridade é que esses líderes e esses indivíduos transformados na sua transição para uma nova era da integridade, uma era de consciência, possam auxiliar a transformar o terceiro pilar, que é a sociedade, numa sociedade mais consciente, numa cidadania mais saudável, para que a gente traga valores para o nosso planeta. E como a gente está no Brasil, eu tenho esse sonho de transformar o brasileiro num ser mais consciente, com integridade, porque a gente não vai mais reclamar dos outros, dos políticos, das condições, e a gente vai resolver a nossa condição por trabalhar a cultura de valores também no nosso povo, na nossa sociedade.
Conta comigo! Minha Nossa Senhora! Ô Luiz!
Arrepia de falar!
Nossa Senhora! Então, ó, quem quer o seu livro? Simples!
Tá nas livrarias, tá na internet, no site e... No meu perfil também tem um link lá que eu posso mandar autografado.
Muito bom, olha, pode mandar autografado. Quem quer fazer parte da Escola da Integridade?
No meu perfil também nas redes sociais, da Escola da Integridade, só mandar, além dos que a gente tem alguns acessos, conteúdos e produtos e cursos, manda uma mensagem para gente para entrar na nossa comunidade.
Excelente. Luiz, muito obrigada pelo seu tempo, você demorou 2 horas para chegar aqui.
Mas foi uma honra e o convite e um prazer esse bate-papo com todos que estão nos ouvindo. E eu sou um admirador da sua história, do seu trabalho, e também quero me colocar à disposição, porque só se chega a integridade, consciência da sociedade se a gente tiver com a mente no lugar, se a gente tiver inteiro também na nossa saúde física, mental. E a sua contribuição para isso é fundamental. Eu deixar aqui minha gratidão.
Muito obrigada, muito obrigada. Tô dizendo para todo mundo que você demorou 2 horas para chegar aqui Esse programa teve duração de cerca de 40 minutos, se não estiver enganada. Então você imagina a preciosidade de cada minuto do que você ouviu aqui, o que pode transformar a vida das pessoas que você quer bem. Então, se fez sentido para você, compartilha com quem você quer bem. Os seus comentários serão lidos, os seus corações vão deixar os nossos corações mais aquecidos. Livro Escola da Integridade agora tá com você. Obrigada, Luiz. Saúde!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








