Como não passar dos limites? Com @fabianascaranzioficial

Fabiana Scaranzi e Isabela Camargo conversam sobre como estabelecer limites pessoais e evitar burnout. Elas discutem por que o sono importa, como reconhecer quando você está passando dos limites, e a necessidade de fazer escolhas conscientes sobre seu tempo.
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Olá, boa noite para vocês que estão entrando aqui. Tudo bem com vocês? Espero que vocês estejam bem, que vocês estejam bem de saúde, de corpo e principalmente de mente. Aliás, a gente vai falar muito sobre mente hoje. Oi Ana, Neuza, oi Lu, tudo bem? A gente vai falar bastante sobre mente, a gente vai falar sobre limites, a gente vai falar tanta coisa bacana, tenho certeza que esse papo vai ser ótimo, então já manda esse aviãozinho aqui pra umas 5 pessoas que você conhece, que é acelerada, que precisa dar uma desacelerada, que precisa colocar limites na própria vida. Manda esse aviãozinho aí pra gente receber mais pessoas, porque eu tenho certeza que muitas pessoas vão ser beneficiadas com essa live hoje. Então vou ver se a Isabela Camargo, que é minha convidada hoje, já chegou.
Peraí.
Isa já tá aqui. Oi, linda!
Tudo bem, Fabi? Boa noite! Boa noite a todos!
Tudo bem, Isa?
Melhor agora, sabendo que a gente vai compartilhar desse tempo juntas, não é?
Delícia! Vamos bater um papo muito bacana, tenho certeza que vai beneficiar tantas pessoas Esse é um problema que muitas de nós ou tivemos ou estamos tendo ou teremos, se a gente não se cuidar Então eu acho que vai ser muito bacana, queria te agradecer Isa já Muito obrigada por estar aqui com a gente Fabi.
O privilégio é meu, fiquei muito feliz com o seu convite e quanto mais pessoas puderem acessar as suas próprias informações, porque nós aqui somos apenas um instrumento. E aí vai depender do tempo de cada um para realmente usar essas informações que nós estamos transmitindo para chegar no lugar mais longe que nós podemos, que é dentro de nós mesmas. Então eu espero que esse tempo seja muito proveitoso para todos que estiverem conosco.
Eu digo isso também, que a única saída que a gente tem é pra dentro, eu sempre falo isso, porque tem que começar por ali. Bom, Isabela Camargo, vários de vocês conhecem, ela é jornalista, minha colega, trabalhou no SBT, trabalhou na TV Globo, hoje ela é jornalista especializada, se a gente pode dizer, Isa, especializada em bem-estar, E cuidados e autocuidado também. O autocuidado engloba tanta coisa, mas principalmente cuidar do corpo, mas também cuidar principalmente da mente, né Isa?
É isso mesmo, Fabi. Eu não sei em que momento da história, não sei qual foi o responsável por essa separação da saúde mental da saúde física. É impressionante como essa separação foi construindo, foi segregando as partes como se elas não fizessem parte de um todo. Então é muito curioso quando a gente fala, eu sei que é até difícil quando eu vou Quando me perguntam, mas o que você tem feito? Uai, eu falo sobre saúde. Saúde mental, eu sei que é um termo que pode até afastar as pessoas, mas a gente precisa tentar de alguma maneira trazer respeito, dignidade ao assunto, porque quando nós estamos falando de vida, nós estamos falando de saúde e principalmente da saúde mental, porque sem ela a nossa saúde física não existe. Então não adianta eu ter um corpo super definido, zero gordura, firme, se eu não estiver com a cabeça boa, vamos dizer assim. A cabeça boa, eu tô falando de uma cabeça primeiro descansada. Com ideias organizadas, porque aí só assim eu vou poder tomar melhores decisões. E o que isso vai significar lá na frente? Menos depressão, menos ansiedade e menos doenças do tempo. Eu falo isso no meu livro, Fabi. Quais são as doenças do tempo e por que elas têm aumentado tanto.
Aliás, recebi o livro hoje, já estava assim, enlouquecida, não dá pra ler hoje porque é bem grosso O livro da Isa, da Isabela Camargo, chama Dá um Tempo, que é sobre isso que a gente vai falar E isso aqui eu acho que é o mais difícil Essa pergunta é de 1 milhão de dólares Como encontrar limite em um mundo sem limites? É muito complexo isso, até porque prioridades do que fazer com o seu tempo é muito pessoal pra cada ser humano Mas às vezes a gente, como diz o Zeca Pagodinho, que eu amo, mas não aqui nesse caso, deixa a vida me levar Deixa, vai colocando tudo na agenda, vai colocando todo mundo, de sim pra tudo Porque a gente quer ser querida, a gente quer ser amada, a gente quer ser aceita Então a gente vai... Você pode fazer isso? Ah, posso Você pode entregar o trabalho? Posso Você pode estar lá até a hora? Posso E nós mulheres, a gente sabe que a gente tem uma dificuldade enorme em dizer não. A gente diz sim pra tudo, mas com isso a gente vai também se sobrecarregando muito, né Isa?
Isso. E com o tempo, Fabi, isso traz malefícios, isso traz desequilíbrios que só você, só eu, só quem está nos acompanhando e que preenche a agenda demais, que não consegue ainda dizer não, só nós pagaremos essa conta. Eu costumo dizer que, você disse muito bem, cada um tem a sua maneira de lidar com o tempo. Nós temos uma questão genética e temos uma questão de comportamentos no ambiente que nós estamos vivendo. Mas se tem uma coisa que nos iguala, Fabi, nos iguala, não importa idade, cor, não, nada, é a nossa respiração. E lá vem aquele papo de respiração. Não, pera lá. Vem comigo. Respira e vem comigo. O intervalo, Fabi, entre a inspiração e a expiração é o que a gente chama de tempo. O dia em que nós inspirarmos e não expirarmos mais, isso significa morte. Então eu preciso olhar, eu preciso sentir a minha respiração como o fator principal de como eu vou lidar com o meu tempo. Vejam, se nós estamos preenchendo demais a agenda e vivendo como se fosse aquelas gincanas, lembra daquelas gincanas, família, década de 90, em que a pessoa começava num ponto, tinha que cumprir várias tarefas e chegar no final da prova com a bandeira.
E tinha um tempo, e tinha que ser rápida, tinha um tempo pra isso, né?
Estamos vivendo gincanas constantes, mas no final do dia tem gente que não se dá como prêmio nem uma noite adequada de sono, se der tempo a gente fala sobre isso, tá?
Que aliás é super mega importante. Você estava falando de saúde mental, eu sempre falo para elas aqui, eu uso esse termo mesmo, olha, estou aqui caminhando à besta, estou aqui colocando exercício físico em dia, por causa da minha saúde mental, claro, por causa da minha saúde física, mas principalmente por causa da minha cabeça, porque me faz bem fazer uma atividade física, além de gastar energia, liberar todos aqueles hormônios que a gente sabe que são bons a gente liberar, mas assim, faz bem pra minha cabeça, então olhar pro céu azul, eu preciso... E isso que eu acho que é importante, né, Isa, a gente também colocar na nossa rotina prioridades que funcionam pra gente Porque às vezes eu falo pra elas, eu falo, mas é legal caminhar, é bom caminhar, não é bom caminhar Para mim, caminhar ao ar livre é essencial. Por exemplo, olhar para o céu. Hoje eu postei uma foto do céu, do alinhamento das nuvens. Eu falei, vocês olham para o céu? Não, eu não olho. Mas eu falo, eu paro, eu olho. Hoje eu consigo fazer isso. Contemplar a natureza, olhar uma árvore, olhar para o céu azul, andar no céu azul. Eu preciso sair para fazer isso. Mas também faço isso hoje porque passei por maus bocados lá atrás. E eu queria perguntar para você, Isa, inclusive, você estava escrevendo o seu livro em 2017, você começou a escrever o seu livro, você estava entrevistando as pessoas justamente para falar sobre o tempo e limites e tal, e de repente você teve a síndrome de burnout. Eu queria saber como você acha que isso aconteceu, te atropelou, como é que aconteceu isso com você?
Pronto. Fã, deixa eu só desligar aqui um barulho, senão pode nos atrapalhar. Antes de eu só encerrar a primeira pergunta, aliás, a pergunta anterior, porque como você disse, cada um tem a sua maneira de viver o tempo ou de atropelar o tempo, mas o que desiguala é a respiração. Então eu vou perguntar aqui para toda a sua audiência. Se os nossos pensamentos seguem a velocidade da nossa respiração, como será que está o nosso dia se estamos correndo o tempo inteiro? Porque, Fabi, quando você fala que você tá na bicicleta, quem aqui faz atividade física, exercício físico especialmente Quando a gente tá correndo, a nossa respiração fica acelerada e fica curta Fazer isso numa atividade física é uma coisa Fazer disso uma rotina de vida é outra história Preencher a agenda como se ela tivesse 36 horas em uma semana Tudo bem se for por uma semana, mas se você já não procurar um alívio na semana seguinte, é este acúmulo, esta sobrecarga por longos períodos que pode trazer desequilíbrios e consequências mais sérias. Fez sentido, Fabi?
Total! E eu digo mais, Iza, eu acho que a gente tem que procurar fazer isso, preencher com coisas que desacelerem e que tragam a gente para o nosso prumo, como eu digo, diariamente Então assim, todo dia tem que ter alguma coisa que te traga de novo pro seu prumo, pro seu norte, que desacelere. Eu preciso, eu preciso, eu preciso meditar todos os dias de manhã quando eu acordo. E assim, é necessidade mesmo, Isa. Não é assim, ah, eu medito porque eu quero. Não, eu preciso. A gente vai ficando mais velha, eu falo que a gente fica mais velha não só pra bunda cair, entendeu? A bunda cai também, Isa, mas a gente vai aprendendo como a gente funciona, né? A gente aprende a lidar com a gente mesmo. Então, assim, eu preciso colocar coisas na minha vida como atividade física e como, por exemplo, a meditação, que é o que você tá dizendo, que é um tempo que a gente respira, a gente presta atenção na nossa respiração também, né?
Perfeito, exatamente. Como você falou, né? Essa agenda que nós somos responsáveis, porque é você que diz sim, ou você que pode dizer não, se der tempo também a gente fala sobre isso, porque no livro eu ensino, inclusive, como treinar o não. Que é a única maneira da gente encontrar limite no mundo sem limite, como você me perguntou, a resposta, a pergunta que todo mundo quer. É saber, primeiro, reconhecer os próprios limites para informar os limites para as outras pessoas E isso terá que vir na forma de um não. Agora eu não posso Hoje eu não posso. Esta semana eu não consigo. Obrigada pelo convite, pela oportunidade, mas por enquanto eu não vejo como." Então essas palavras, culturalmente já seria uma live só sobre o não. Quando você quiser a gente faz.
É verdade.
Culturalmente eu já sei que nós não fomos estimulados a dizer não. Como você disse, a gente diz muito, mas sim. mas dá para mudar. Então se nós precisamos reconhecer os nossos limites para preservarmos nossa saúde, No livro eu garanto que também tem lá como treinar ou não. Mas vou voltar agora pra sua pergunta.
A gente vai dar dicas. Mais pra frente da live a gente dá dicas aí. Você dá algumas dicas que tem lá no livro. Mas aí é isso. Aí 2017 você começou a escrever o livro e você tava entrevistando as pessoas. De repente, pum, Isabela Camargo tem síndrome de burnout. Como é que isso atropelou a sua vida, Isa?
Olha que curioso. Você falou de repente. Fá. de repente não existe para um fenômeno que vai te avisando dia a dia. É como uma goteira num telhado, que é quando o telhado despenca, você fala assim Parece que não tava pingando tanto, mas ele foi com as roteiras a cada chuva, percebe? Então, o que acontece? O burnout, eu digo isso com muito carinho, tá? Muito carinho mesmo. O burnout, ele não acontece de um dia para o outro. O que você pode ter de um dia para o outro é o diagnóstico. Tomara que você encontre um médico, um especialista que saiba juntar as peças do quebra-cabeça. Que quebra-cabeça é isso que eu tô dizendo? Nós, todos nós que trabalhamos sob pressão, com metas, com horários e tudo mais, se nós tratarmos como normal o que é anormal, isso a médio e longo prazo vai dar ruim. O que é anormal e estou chamando de normal? Tudo aquilo que nós vamos negligenciando, uma investigação mais profunda, um exame e tudo mais. Onde eu quero chegar? Quantos de nós trabalhamos com enxaqueca frequente, dor de estômago frequente, dor na coluna frequente? E isso não é normal. Normal é você acordar com satisfação pelo dia, satisfação para desenvolver seu talento na empresa em que você decidiu estar. Isso sim é normal. E não se entupir de remédios para estar naquele lugar. Ou mulheres, né? que agem para estar naquele lugar.
Para estar normal, inclusive. Outro dia eu estava falando com uma amiga e ela falou, estou tomando remédio do modelo antidepressivo. Eu falei, mas você está deprimida? Ela falou, não, mas eu fico bem. Aí eu falei, eu fico bem, eu fico normal? Eu falei, não, alguma coisa está fora da ordem, né? Você tem que tomar não pra ficar normal Então eu falei, putz, talvez você tenha que encontrar realmente a sua turma, a sua tribo Porque o que você está tendo que usar pra ser normal com essas pessoas Se realmente não é o normal pra você, procura outra turma, né? Procura outro trabalho, outra profissão Porque senão a gente fica tentando se encaixar, às vezes, em coisas que realmente não são pra gente E aí isso também estressa muito, né, Isa? Porque você fala, não, mas é uma oportunidade, vou pegar essa oportunidade Mas será que aqui não realmente é pra você? Será que você tá usando isso? Você tá usando o seu tempo pra fazer coisas que realmente vão servir a você e à humanidade, né? Senão a gente vai pegando tudo, né?
Fabi, perfeito. A gente precisa usar os nossos dons a favor da nossa vida, do nosso entorno, consequentemente da nossa sociedade e porque não para o mundo. Eu tô falando isso, de novo, com muito respeito e cuidado. Não é um papo subjetivo, não.
Não, não.
Com satisfação e saúde para você desenvolver o seu talento, o seu dom, porque todos, todos temos algo que nós fazemos muito bem e que nem parece um trabalho, né? Mas realmente, naturalmente, com muita satisfação. Mas vamos lá. Estamos falando do de repente burnout. De repente grávida. Por exemplo, mas de repente no burnout você vai tratando como normal o que é normal. Então você tem um problema de estômago, você vai culpar o glúten. Você está trabalhando bastante, aí você vai desenvolver uma gastrite e vai culpar o café. Estou dizendo isso porque a gente sempre vai procurar um culpado por aquilo que nós estamos negligenciando, ou cuidado daquilo que nós estamos negligenciando. Então no burnout eu fui Sentindo várias coisas no meu corpo. Eu fui pedindo ajuda a vários médicos, eu fui tratando várias coisas separadamente Mas não porque eu quis, porque eu não fui a um médico integrativo Hoje que me perguntam, o que você teria feito de diferente sobre aquelas condições? Teria procurado um médico integrativo. Olha que legal, falamos isso no início, que integra Eu não posso tratar de um problema cardíaco, por exemplo, se eu não tenho histórico familiar E se o médico já identificou que o ambiente em que eu estou é muito estressante e que o horário do meu trabalho ele está vendo por dados de exames que não me faz bem Então vai adiantar ele me dar um remédio para um problema do coração? Não Eu precisaria ou você precisa resolver a causa daquilo. Então o burnout vai tentando te avisar de diversas maneiras que aquele ritmo que você está não terá futuro, não será sustentável. O burnout vem te avisar que Ok, você ama o que você faz, você está se dedicando, você está acumulando mais trabalho, mas por longos períodos, vou repetir, longos períodos, isso pode ser muito ruim. Fabi, é só o burnout que acontece quando você trabalha demais? Não, você pode desenvolver milhares de problemas de saúde. Se a gente levantar aqui os dados de problemas na coluna, fibromialgia, problemas gástricos, a lista fica gigantesca.
Ansiedade, né? Ansiedade. Hoje eu falei com uma menina que estava com ansiedade. Falei, está praticando esporte? Está gastando energia? Está dando um tempo? Falei, não, só estou trabalhando, trabalhando, trabalhando. A gente passou por isso e começa a dar uma aflição se você falar para, para, para antes que aconteça Olha, o Luiz Carlos tá dizendo Demorei quatro anos até ter consciência de que havia algo ocorrendo comigo Foi libertador aceitar meus limites É bem bacana isso, mas é difícil ter essa... parar antes que aconteça alguma coisa, né?
Então Pode parecer difícil, mas é uma escolha. Pode parecer difícil, mas é uma escolha. E aí vem uma das principais dicas do livro. Pausa voluntária para evitar uma pausa involuntária. O que é isso? Quando você me diz, é difícil você colocar limite, é difícil você se colocar como prioridade Pode ser difícil, mas a escolha vai continuar sendo sua para que isso seja difícil ou não Para que você treine, para que você comece a reconhecer e colocar os seus limites Bom, o que é uma pausa voluntária? Vamos imaginar que a gente está aqui numa autoestrada e tem o limite de velocidade, 120 km por hora. Olha que curioso, Fabi. 120 km por hora é veloz, não é? Não é uma velocidade rápida? Muito bem. Como encontrar limites no mundo sem limites? Eu quero dizer que até numa estrada veloz você precisa de limite. Então até para uma sociedade express como nós estamos vivendo, em que a velocidade é sinônimo de progresso, Nós precisamos ter limite, como numa estrada. Porque se você ultrapassar o limite, você está se colocando em risco e outras pessoas em risco também. O que que eu posso fazer então para evitar tudo isso? Eu preciso fazer uma pausa voluntária. Que é? Quando eu estou me aproximando de um radar, eu piso no freio. Quando eu tô vendo que tem um obstáculo mais pra frente, eu piso no freio. Olha como é simples. Só que o mais simples incomoda muito. Então, quando eu estou dizendo colocar limite no mundo sem limites, é fazer com a sua vida o que você faz dirigindo. Porque você já sabe o que vai acontecer se você receber os limites. Não adianta bater pezinho, buscar na farmácia ou buscar no melhor médico do planeta algo que resolva isso. É você que vai ter que colocar limite. É você que vai ter que olhar para a sua agenda e não grudar um compromisso no outro. E aí quando a gente falou mais cedo sobre prioridade, Fabi, a gente tem que falar de essencial antes da prioridade Eu só vou conseguir me colocar na agenda se eu primeiro identificar o que é essencial na minha vida O que é essencial? Aí a gente entraria na história do autocuidado Que é você fazer por você só aquilo que você pode fazer por você Se você não se cuida Primeira coisa que evitaria o burnout é dormir. Porque se você dormir a quantidade de horas suficientes ou necessárias que você precisa, você vai no dia seguinte pensar melhor. Decidir melhor, reagir menos às situações com menos impulso. Com isso você vai gastar menos energia, você vai se frustrar menos. É impressionante. A gente pode fazer aquelas três lives sobre o sono.
Inclusive... E o sono... É uma coisa muito restauradora e importante para o nosso cérebro A gente precisa desse tempo que a gente dá ali dormindo, que a gente fecha os olhos e dorme É importantíssimo, gente, importantíssimo Eu percebi outra coisa que eu coloquei como essencial na minha vida vida é isso, sete horas de sono, oito horas de sono. Então quando eu durmo até mais tarde, porque eu gosto de trabalhar à noite, às vezes eu gosto de trabalhar à noite, de escrever à noite principalmente, porque é quando o mundo está em silêncio, tá tudo quieto, a casa tá quieta, a rua tá em silêncio e tal, eu consigo realmente focar, entrar em flow, me concentrar muito para escrever. Mas aí eu desconto e durmo até um pouquinho mais tarde no outro dia. Por quê? Porque eu percebi que isso pra mim é essencial, eu preciso também Então acho que tem coisas que a gente precisa e que o outro pode chegar pra você e dizer assim Ai, mas isso é frescura. Gente, não importa. Outra coisa é que a maturidade vai trazendo pra gente A opinião dos outros vai importando cada vez menos, por quê? Porque você sabe a dor e a delícia de ser quem você é E você sabe o que você já passou, aonde você já chegou e o que você não quer mais da sua vida Então é fundamental que você diga assim, eu preciso de tantas horas de sono, vou fazer Não porque o outro falar, não, é frescura, você não faz Então é importante a gente tomar essa decisão, a decisão é nossa, né Isa?
Isso. A decisão é nossa, a escolha é nossa e no livro eu trago essas informações sobre o sono. O que acontece no nosso corpo quando você trabalha demais e se coloca de menos na agenda. Então, vamos lá. Quando a gente está falando de tempo, Fabi, no primeiro momento parece que é algo muito subjetivo. Mas quando eu falo sobre agenda, relógio, calendário, exames médicos, ladrões de tempo, inimigos do tempo, E aí eu pergunto pra você, você está vivendo uma vida que vale a pena ser vivida? Se você me disser que tá tudo certo, beleza, eu me retiro e volto depois pra falar sobre outro assunto. Mas se nós não olharmos para a nossa agenda com respeito, Conosco, depois não adianta reclamar que o chefe ou alguém da família não pensou em você E isso gera muita frustração, quando você não olha para as suas escolhas hoje Isso gera muita frustração. Então, como é que eu vou evitar a frustração? Assumindo as minhas escolhas. Assumindo o que é essencial pra mim, independentemente do que outras pessoas vão dizer. Tô fazendo lives todos os dias e sempre vem a história do sono. Ah, porque quando durmo tantas horas tiram sarro de mim. Deixem tirar sarro. Porque cada um é cada um. Então nós temos a genética, nós temos os hábitos, o ambiente em que a gente trabalha e tudo isso vai interferir na forma como você vai se relacionar com o mundo. Para finalizar, Fabi, você falou agora pouco sobre a história da carreira. Que você tá tentando se encaixar no ambiente Que provavelmente você escolheu anos atrás ou décadas atrás E você não combina mais com aquele ambiente E que bom! Então quando você... das ideias do passado, e é isso que eu falo muito no livro, sobre o desapego das ideias do passado e até das suas condições de saúde do passado não queiram viver uma agenda hoje com as condições que vocês tinham há 20 anos Também é frustração na certa, é perda de tempo Então quando você olha e você aceita Por que eu estou insatisfeita nesse lugar? Ah, porque tem isso, isso e isso Ué, mas eu escolhi estar aqui tempos atrás Sim, naquele momento E aí tem uma coisa, Fabi, que olha, eu entrevistei muita gente para chegar a essa conclusão que eu vou te dizer, parece simples, tá? Mas não é. Muita gente fica agarrada no passado e muita gente está vivendo o futuro. A doutora Ana Beatriz Barbosa Silva me deu uma frase que é assim, ansiedade é excesso de futuro, depressão é excesso de passado, estresse é excesso de futuro. É por isso que o burnout é o excesso de estresse no trabalho. Não é um dia, um final de semana. Nós não podemos banalizar o burnout, tá gente? Podemos fazer depois uma outra live sobre isso. Mas vamos lá. Então, como é que eu posso ter um passado que eu me orgulhe lá na frente? Já que a gente tá falando sobre esse apego ao passado. Fabi, eu só posso ter um passado ou ter um passado que eu me orgulhe se eu escolher muito bem o que eu fizer hoje. Então, para escolher muito bem o que eu vou fazer hoje, eu preciso, no mínimo, dormir bem. Não tem nenhum remédio em farmácia nenhuma, em consultório nenhum, que vai substituir as horas de sono. E eu trago isso, como você falou, no livro, sob o olhar de vários especialistas. Por que o sono é importante? Da regeneração celular, da formação de memória E se você não dormir bem, o seu tempo também vai parecer que tá passando mais rápido Fez sentido, Sabine?
Total, total. Pra mim faz todo sentido Eu preciso, porque senão no dia seguinte não é nem mau humor, eu realmente não rendo Eu percebo que eu não rendo tanto, que eu fico mais lenta, então eu preciso mesmo dormir É muito bom quando a gente começa a ver como a gente funciona, funciona como ser humano Porque eu acho que tudo tem que estar em harmonia Como ser humano precisa estar em harmonia Pra mim foi muito difícil entender isso, Isa E eu acho que isso aconteceu antes de eu fazer a minha transição de carreira Porque eu vim de uma geração Que trabalhar era o máximo e só trabalhar, ir o tempo todo e provar que você só trabalharia Eu me lembro uma vez, minha mãe perguntou pra mim, no final de semana, ela falou, mas você vai viajar no final de semana, vô? Mas é pra trabalhar? Aí se eu dissesse não, ela falava, não? Porque, enfim, era uma geração que era bonito só trabalhar o tempo todo Eu amo, eu preciso produzir, eu preciso trabalhar, tanto que... Enfim, depois que eu saí da TV, o meu projeto com as mulheres, eu tenho cinco projetos diferentes em andamento E um co-working feminino, ou seja, eu preciso produzir Eu já cheguei a essa conclusão de que eu gosto de produzir Não trabalho só porque eu preciso, eu realmente gosto de trabalhar Mas o que eu fiz, e me orgulho disso, é ter dado um jeito mesmo de colocar coisas na minha vida, Iza Que neutralizam esse monte de coisas que eu tenho pra fazer Então hoje, por exemplo, eu tinha um monte de reuniões e tinha uma reunião super importante Mas eu tinha uma mamografia, que até tá lá nos meus stores, tinha uma mamografia pra fazer Eu já tinha desmarcado de sexta-feira essa mamografia E aí quando eu falei assim, aí eu falei, não, eu não vou desmarcar a mamografia novamente pra fazer a reunião Eu vou fazer a mamografia, né? Porque... Porque é importante, porque eu preciso, porque é um autocuidado Então a gente precisa tomar cuidado também para não colocar uma coisa no lugar da outra Mas de repente você coloca uma coisa Aqui tudo bem, pode até trazer um benefício, mas o autocuidado, a saúde física e mental tá em primeiro lugar Porque senão a gente não consegue nem trabalhar se a gente não tiver saúde física e mental Você não consegue ganhar dinheiro, você não consegue produzir se você não tiver isso que é — Que é essencial, né.
Isa? — Essencial. Eu trago essa crença no livro. Eu trago justamente sobre esse aforismo que foi criado, tempo é dinheiro. Então, quando tempo é dinheiro? Quando tempo não é dinheiro? Porque nós já conhecemos muitas histórias de pessoas que só colocaram o dinheiro na frente, hoje tem muito dinheiro, desenvolve algum problema de saúde e aí não há dinheiro que pague mais tempo ou que devolva mais tempo. Então você, primeiro, para a gente começar a colocar todo mundo na mesma página, você precisa entender quando o tempo é dinheiro e quando o tempo não é dinheiro. Então recentemente eu fiz uma uma série de entrevistas aqui no meu canal sobre a desmistificação do burnout. Eu entrevistei aquele psiquiatra que é referência de todas as referências, chamado Guido Palomba. Falei, o que nós podemos fazer para evitar o burnout ou qualquer outro problema de saúde? Sabe o que ele falou? Nada. Falei, como assim, doutor? Não faz nada? Ele falou, não faça nada. Não faça nada, um pouco de nada durante a semana e um pouco mais de nada no fim de semana Nós só conseguimos recuperar toda essa correria que nós estamos vivendo não fazendo nada E nós desaprendemos a não fazer nada, por quê? Porque a gente acha que todo tempo eu preciso estar consumindo, produzindo, aprendendo, vendendo, fazendo alguma coisa Ok, isso é importante, mas se eu fizer isso o tempo todo, eu posso chegar no final do meu dia, no final da minha semana, no final do meu mês com aquela sensação Fiz um monte de coisa, mas não fiz nada Corri, corri, corri e estou no mesmo lugar Então quando você se coloca na agenda como você fez, Fabi, parabéns Uma salva de palmas aqui digitais pra Fabi Marcando reunião com você Porque não vai adiantar você fechar negócio em 10 reuniões e estar com sua.
Mamografia.
Atrasada. Exatamente. O prazo não vai ser legal. Então, eu estou aqui e pesquisei durante 4 anos, além de ter vivido a experiência do burnout, para apresentar no livro Dá um Tempo, esse aqui, esse filhote, Como Encontrar Limites no Mundo Sem Limites, para propor essa reflexão. Se você estiver vivendo uma vida que vale a pena ser vivida, se o seu tempo está legal, Você está com satisfação ao final do seu dia? Orgulhosa do que você fez? Ok. Se não, está na hora da gente parar e pensar um pouquinho no assunto. Por quê? Porque a gente fala de tempo o tempo inteiro. Hoje, quanto tempo você usou para fazer uma atividade para você? Não vou nem falar de atividade física. Em quanto tempo você almoçou? Quanto tempo foi a sua última reunião? Quanto tempo você usou para escovar o dente? Adoro falar sobre esses assuntos bem simples, né? Quanto tempo você pretende dormir? Então a gente fala de tempo o tempo inteiro. Mas como você tá usando esse tempo, ele pode.
Passar voando. A teacher Cris Guimarães diz, agora mesmo eu estava fazendo um curso online, mas deu o horário da live e eu parei. É, tem que fazer escolhas. A gente na vida tem que fazer escolhas todo tempo, durante 24 horas do nosso dia a gente tem que fazer escolhas. Mas é isso, tem que escolher uma coisa que é prioridade.
Para.
Você E você somar... Tem um comentário aqui tão legal também, vamos ver. Daqui a pouco o Ano aparece.
De novo. Enquanto... Eu só vou fazer.
Um complemento. Vai lá, vai lá.
Aí, Sandra. Estas escolhas, aliás, muito obrigada por vocês que estão escolhendo estar aqui conosco no meio de tantos conteúdos relevantes, tantas coisas interessantes acontecendo, vocês estão escolhendo estar aqui. E ao escolher estar aqui, vocês também estão escolhendo não estar em outros lugares Por isso que existe uma responsabilidade tremenda aqui para compartilhar com vocês informações úteis Para que essa hora seja proveitosa, não tem nada pior do que você viver uma situação assim Nossa, que perda de tempo, não é ruim quando a gente sente isso? Que perda! Essa reunião foi uma perda de tempo, essa festa foi uma perda de tempo, enfim, isso é muito ruim Por isso que a gente tem que escolher por nós, não para agradar ninguém ou para fazer média com ninguém Quando você tem menos idade Menos idade e menos oportunidades, tudo bem, fazer média, fazer uma social, participar de uma reunião, mas depois não. Conforme os calendários vão aumentando, o seu tempo vai diminuindo, porque você vai assumindo cada vez mais responsabilidades. Então essas escolhas são fundamentais. Para finalizar, sabe como vocês vão escolher melhor? Sabe como, Fabi? Dormindo. De novo. Você só vai reconhecer o que é realmente importante pra você, o que é essencial, o que pode trazer benefícios pra você mesmo, se você estiver pensando bem. E você só vai pensar bem se você.
Dormir bem. Com certeza. Vamos para algumas dicas, Isa, do seu livro? Antes das dicas, você entrevistou várias pessoas Me conta umas duas ou três histórias realmente que te surpreenderam Que você disse, nossa, eu não tinha pensado sobre essa ótica Gostei muito e tal, independentemente de de quem seja, mas o que você achou super interessante e curioso? Conta.
Pra gente. Primeiro, eu trago a história da evolução da comunicação e do transporte, que aí explica muito como nós chegamos, como estamos, por esse vício pela velocidade. E aí, quando eu fui entrevistar o professor Eugênio Gutti, da USP, e ele me fala sobre essa percepção que alguns têm que o tempo está passando mais rápido, ele cravou. Foi Gutenberg que começou essa bagunça toda, ao modernizar, ao popularizar a prensa móvel. Então, quando nós buscamos na história elementos para compreender porque estamos vivendo como estamos, isso muda tudo. Depois veio o doutor Daniel Martins de Barros, que é um psiquiatra fabuloso, e ele fala sobre o vício na internet. Por que estamos viciados na internet? O que é um ladrão de tempo se você abrir a porta para esse ladrão. Quem vai abrir a porta ou não é você com o dedinho em fios infinitos, em buscas infinitas. Em torno disso, o presidente do Google, Fábio Coelho, me explicou como nós vamos fazer. A velocidade continuará sendo um sinônimo de progresso, a internet vai ficar cada vez mais veloz, Wi-Fi cada vez mais disponível. Como é que nós vamos fazer? Os detalhes estão no livro, mas ele me disse que nós viveremos um momento muito parecido com o que aconteceu com a alimentação. No momento de escassez de alimentos, depois de grande oferta, hoje você tem movimentos que procuram uma alimentação equilibrada, balanceada, vegana e tudo mais. Dá uma olhada lá no livro, porque que isso... E aí, o padre Fábio de Mello, foi ele que me trouxe a ideia do não, ou de se colocar na agenda, porque ao me explicar porque que ele começou a desenvolver as crises de pânico, e ele me disse, Isabela, só eu sei quanto custa um compromisso na minha agenda. Então, mesmo que aquela oportunidade pareça muito incrível, eu tenho que dizer não, porque se não, senão eu terei um tempo de má qualidade para mim. Então não adianta eu me doar, ele me disse, para lá no livro, em shows, em em atendimentos individuais, coletivos, se eu não tiver tempo pra me cuidar. Porque aí vai chegar uma hora que eu não tenho mais nada pra oferecer. Isso me tocou bastante. E por fim, que eu acho que dá uma equilibrada aqui nessas pessoas que eu disse que o tempo tá passando muito rápido, foi a história, Fabi, de um rapaz muito jovem que ficou quatro anos na fila de um transplante de coração. E aí que quando as pessoas me perguntam, mas e aí, o tempo tá passando mais rápido?
Para quem? Depende.
Para quem. Quando você está numa fila, o tempo para. Que fila, Isabela? De banco, do banheiro e de um transplante, por exemplo. Percebam, um minuto dentro do banheiro tem a mesma duração do que um minuto você na porta apertado? Não. Um minuto lá fora é muito pior. E esse rapaz, o Cristiano, que tem a história no livro, é uma história emocionante. Ele comenta como foi viver esse tempo em que ele não tinha controle nenhum da chegada de um coração, sabe? E está me ocorrendo aqui para compartilhar com vocês rapidamente mais uma, que é do Rafael Hansel, o jornalista que sobreviveu à tragédia da Chapecoense. É num capítulo em que eu falo sobre Cronos e Kairós, a diferença do tempo dos homens, tempo de Deus, tempo da oportunidade e tal. E ele fala sobre as coincidências que o fizeram sobreviveram ao acidente. Foi uma das entrevistas mais emocionantes. E depois ele partiu com uma outra circunstância da vida. E é curioso porque depois que ele viveu o acidente da Chapecoense, ele publicou um livro que se chama Viva como se estivesse de partida. Então o Rafael mostra ali realmente que você pode viver momentos prazerosos, inspiradores, familiares, você vai fazer tudo bonitinho. Mas quando chega a hora, pode ser a qualquer hora, como disse a Fernanda Montenegro também no livro. Ou seja, se nós olharmos para o nosso tempo com mais responsabilidade, com mais consciência, com mais amor, lembrando que a gente tem um tempo finito, dentro de um tempo infinito, nós vamos nos colocar mais na agenda.
Simples assim. E a gente tem uma super responsabilidade também Os pais têm uma super responsabilidade com o que estão fazendo com o tempo dos seus filhos Porque a gente viver essa vida, a gente tá ainda tentando se conscientizar E uma vez que você tomou consciência disso, você não volta mais ao que você era A gente também tem que passar isso para as crianças, porque às vezes para os filhos a gente quer que eles estejam cheios de atividades, né? Não, de manhã estuda, depois vai para não sei o quê, vai para o judô, para o karate, para o inglês, para não sei o quê Também vai enchendo, enchendo, enchendo a criança de tantas atividades Então também vamos prestar atenção nisso, se a gente também não está contribuindo de alguma maneira para criar adultos ansiosos, né? E que eles realmente tenham essa crença limitante de achar que só é bom quem faz tudo junto ao mesmo tempo, misturado Então eu acho que a gente tem uma super responsabilidade também aí, já que a gente hoje já tem consciência.
Disso Sim. Essa é uma outra crença que eu trago no livro sobre a ilusão de ser multitarefa, tá? Tá lá, não vai dar tempo de falar aqui. Sobre esse preenchimento das agendas das crianças, eu não preciso nem perguntar pra ninguém, tá? Eu vou te dizer, inclusive por experiência própria. Uma criança, um adolescente que preenche a agenda, será um adulto que não vai saber lidar com buracos na agenda. em que minha família morava no sítio e eu estudava na cidade. Então, quando eu ia pra cidade, eu tinha que fazer um monte de coisa pra poder voltar para o sítio. Com isso, eu tinha que preencher a agenda loucamente. E hoje, muito do meu preenchimento de agenda tem raiz no meu passado, porque eu fiz isso por muitos anos. Então, eu tô aqui também pra dizer pra vocês, nesses últimos 15 minutos da nossa live, que tudo que eu falei aqui é super essencial. Mas não é de um dia para o outro que você vai mudar o seu modo desoperante. É de um dia para o outro que você pode começar a pensar no assunto e fazer pequenos ajustes. Digo isso com muito carinho, Fabi, porque senão rola uma cobrança e uma culpa quando a pessoa não consegue. Depois de uma semana eu recebo alguns directs assim, nossa, mas eu tentei fazer tal coisa e não consegui. Pera. Aí sim, dá um tempo, tenha paciência para mudar a sua agenda, uma agenda que você construiu freneticamente.
Por décadas. Uma vez o doutor Arthur Guerra, psiquiatra ali do HC e tal, do Cílio, ele é muito meu amigo e uma vez eu entrevistando ele, um tempo atrás, ele me falou isso.
Ele.
Falou Tem que prestar atenção no que você tá fazendo a cada minuto E ele falou, e a mudança de hábito demora menos de um minuto pra você mudar o hábito Você falou, em vez de eu fazer isso que eu faço todo dia, eu vou fazer aquilo Demora segundos pra você tomar essa decisão De virar a chavinha, mas comemore também, celebre quando você também consegue virar uma chavinha, mudar um hábito, fazer uma coisa que você antes não conseguia Às vezes você fala assim, mas Fabi, eu tinha que dar 10 compromissos no dia Eu conseguir parar entre os compromissos, fazer uma respiração ou dar uma meditada Ou fazer 10 polichinelos, enfim, esticar a minha coluna, ficar olhando para o céu como eu gosto de fazer às vezes Olha, eu fico olhando o céu às vezes assim, maravilhada com a natureza, me faz muito bem em todos os sentidos Mas comemore isso, fala, poxa, que bom que eu consegui, porque senão a gente fica de novo sempre com uma cobrança em cima do que a gente não conseguiu E a gente nunca celebra aquilo que a gente já conseguiu E o que a gente já conseguiu, gente, pode ser pequeno, mas merece celebração Porque é dessas pequenas metas é que a gente vai chegar Realmente no grande, no objetivo que é ter equilíbrio entre o nosso trabalho e a nossa vida pessoal Agora, Isa, uma curiosidade. Quando uma pessoa tem a síndrome, quando ela é diagnosticada com a síndrome de burnout Além de fazer isso, de tentar ter uma vida equilibrada, tem um outro... Qual é o tratamento pra isso, por exemplo? É você cuidar dessas... Olhar pra dentro e ver o que você tá fazendo fora de ordem, assim? Como é que é feito esse, depois, o diagnóstico médico mesmo.
De burnout? Conta pra gente O que eu vou responder agora também serve para o que você estava dizendo agora, que é vigilância constante. Ler a sua biografia, comemorar os pequenos ajustes no seu tempo, mas vigilância constante por quê? Informação não muda comportamento. Então, por mais que você saiba o que você tem que fazer, você tem que prestar atenção naquilo todos os dias e isso te aplica ao burnout. Porque quando você Recebe um diagnóstico que você está adoecido por ter trabalhado demais, por amar demais na maior parte das vezes o que você faz, é um choque muito grande, tá Fabi? É um choque muito violento. E aí o que vai acontecer? Para o tratamento, cada pessoa vai ter um tipo de tratamento, porque cada pessoa vai desenvolver o seu burnout por um período X e por elementos Y. O meu burnout teve dois motivos. Alguém aqui vai ter por outros motivos. Então o tratamento também varia muito. Tem gente que precisa de remédio, tem gente que não precisa, tem gente que precisa se afastar. Daquela carreira, não só do ambiente profissional, por um tempo de tratamento, mas vai se afastar da carreira Muitas pessoas vão colocar em prática o plano B, que na verdade era para já ter sido A, mas por algumas convenções foi deixado de lado, enfim Essa conversa, Fabiola, é riquíssima. Ela pode prevenir muitas dores. É por isso que a gente está aqui, né? Para prevenir todos os tipos de dores. Mas em relação ao burnout, primeiro, depois que você aceita que o seu corpo está te chamando atenção, você precisa Talvez eu vou usar aqui a melhor palavra, se perdoar. Porque se você não se perdoar, você não vai aceitar que você chegou naquele ponto, sabe? E para de lidar como normal o que é normal. Aceita, sabe? Se olha no espelho, se encara. Eu tô orgulhosa do que eu tô fazendo? Adianta eu só dormir pra trabalhar, dormir pra trabalhar? Muitas pessoas me perguntam, aliás hoje numa entrevista, mas o que você fazia? Você foi buscar alguma terapia? Todas. De ritual xamânico a apometria. Eu já fazia RPG, Pilates, fazia acupuntura dentro da própria empresa. Já ia em cinco especialistas, tinha uma alimentação boa, ou seja, eu fazia tudo que estava no meu alcance. Mas isso não justifica ultrapassar os limites, percebe? De novo aquele exemplo.
Do carro. E a gente sempre fala assim, ah, dá mais um pouquinho, né Isa? Ah não, mas vou fazer só mais um pouquinho. Ah, mais uma hora, mais um dia. Ah, mais um mês, mais um ano. A gente não acha que realmente vai chegar um dia que alguma coisa vai acontecer realmente pra te dar um... Tá pra cara! Agora para, mulher!
Agora para! Exemplo é o combustível no carro. Não adianta colocar o melhor combustível do mundo no meu carro se eu ultrapassar a velocidade. É isso que eu tô querendo dizer. Então você pode fazer a melhor terapia, trabalhar no melhor lugar do mundo, fazer o que você ama, mas se você ultrapassar os seus limites por longos períodos, Isso não vai resultar numa produtividade sustentável. O que é isso? Não adianta hoje você ganhar o título de funcionário do mês e no mês seguinte você ficar afastado para tratar algum problema de saúde que você desenvolveu. Não adianta atingir a meta hoje e tratar um problema de saúde amanhã. É disso que eu estou dizendo. Então, do burnout, depois que você tem o diagnóstico, geralmente você vai precisar se afastar do ambiente profissional por um período para você se recuperar. Essa recuperação vai acontecer de um dia para o outro? Não. Não vai. Lembra? Porque você não chegou ao ponto que você está de um dia para o outro. Então não tenham pressa. Não caiam nesta cilada que eu caí. Por isso que eu tô aqui pra dizer com muito amor e todas as sílabas. Não caiam na cilada da pressa por voltar. Eu sei que o diagnóstico, como eu disse, é um choque. Aí você quer recuperar sua dignidade, você quer provar para você especialmente que você está bem, que você continua competente. Sim, tudo isso vai acontecer no seu tempo. Porque se neste momento, Fabi, que você precisa de ajuda, você precisa de ajuda, você se negligenciar de novo, vai ser.
Muito ruim. Olha, a Heloísa tá perguntando, burnout é curável ou teremos que conviver com isso por.
Muito tempo? Bom, alguns médicos dizem que tem cura e outros médicos dizem que não tem cura, que tem o tratamento. É como diabetes. Diabetes tem cura? Pressão alta tem cura? Não. O que você tem é controle. Então, para aqueles que desenvolveram burnout nível hard, que provavelmente não vai ter cura, você vai sempre se manter vigilante como um diabético, que não pode se acabar numa mesa de docinhos todo financiado. Então, vai fazer a sua cura, o seu tratamento.
Com vigilância. É olhar cada decisão, gente, a cada minuto, a decisão que você vai tomar vai ser super importante, principalmente pra você que passou, teve um diagnóstico mesmo de síndrome de burnout. São as escolhas da gente que vão fazer toda a diferença. Um adolescente pode ter burnout? Eu acho que todo mundo pode ter burnout.
Né, Isa? Mas só um detalhe importante. Eu entrevistei uma moça que desenvolveu burnout com o diagnóstico de um médico sério com 20 anos. Só que nós não podemos banalizar. Burnout é um fenômeno ocupacional. Então se esse adolescente estuda e trabalha, sim é burnout. Se não, pode ser uma outra coisa. Burnout não é um excesso de estresse por um final de semana. é o excesso de estresse e pressão e uma série de faltas de recursos para desenvolver o seu trabalho por.
Longos períodos. É preciso desabafar, não ficar guardando maus sentimentos. Tudo isso faz parte, com certeza, mas mais do que nesse caso do burnout, mais do que guardar os maus sentimentos, é guardar, engolir sapo no sentido de quando alguém te pede para fazer uma coisa e você já está por aqui, cheia de coisas, de atividades, você vai lá e diz sim. Entende? Então assim, é melhor dizer um não, mas um não consciente E gente, a gente não precisa ser grossa pra dizer não, a gente não precisa ser rude pra dizer não A gente só olha, muito obrigada, gostei muito, seria uma ótima oportunidade Mas agora eu não consigo pegar esse projeto, mas agora eu não consigo fazer isso Porque tem gente também que fica pedindo para a gente fazer coisas Vocês aí que trabalham também, tem colegas de trabalho que falam Faz para mim, faz para mim Porque sabem que você sempre diz sim, entendeu? Então experimenta também dizer Puxa vida, eu tenho que entregar o meu aqui Não vou poder pegar para fazer para você agora Se você está sentindo que você está super sobrecarregada Se você estiver ok, tudo certo Fazer as coisas para os outros, mas se estiver sobrecarregada, presta.
Atenção Não. Bullying é uma coisa, burnout é outra. O burnout acontece por N razões. O burnout é um fenômeno ocupacional pelo excesso de trabalho reconhecido pela Organização Mundial da Saúde em 2019. Gente, o mundo mudou. A gente também precisa mudar as nossas ideias e crenças em relação ao ambiente de trabalho. Se vocês me disserem aqui que ninguém está se sentindo mais sobrecarregado, trabalhando mais pelo excesso de acessos que todas as tecnologias nos fornecem, então tá tudo certo. Mas não, nós precisamos atualizar o nosso modus operandi, precisamos organizar o nosso tempo para que este trabalho não nos adoeça. Bullying, respondendo aqui a pergunta do rapaz, é aquela zoeira, que na minha época se chamava zoeira, na escola. Isso é outra coisa. Agora, a insatisfação gerada pelo trabalho, por alguma decepção, porque quando você recebe um trabalho a mais e você entrega, mas não tem o reconhecimento prometido, isso pode gerar burnout a longo prazo. Sim, aí é.
Outra coisa. Tem alguém aqui que comentou, o pior é quando o seu chefe não se toca, manda fazer mil coisas Gente, é o seguinte, autoresponsabilidade, autocuidado, a decisão e as escolhas são de vocês Se vocês não podem, nesse momento estão se sentindo sobrecarregadas Tem um chefe que é mais chefe do que líder O líder lidera, realmente ele mostra um exemplo, ele mostra como fazer O chefe manda, pronto, é isso e acabou Então tá na hora de de repente você ou fazer uma transição do plano B pra se tornar um plano A daqui a pouco Ou realmente ver como você pode sair disso pra ter um estilo de vida que se encaixe mais com você Um estilo de vida que você consiga ter mais qualidade de vida Então assim, a decisão, de novo, é sua, pode não ser nesse momento Ah não, não posso, Fabi, largar meu emprego agora Eu também não larguei o meu emprego na televisão de um dia para o outro Eu fiz um plano B, eu escrevi um livro, eu tinha ainda um ano e meio de contrato, eu juntei dinheiro, enfim A gente pode se planejar, mas a gente quando percebe que já está realmente passando ali do limite, a gente precisa realmente começar a arregaçar a manga, a se planejar mesmo para tomar uma atitude. Agora essa atitude vai ser sua. Seu chefe, se ele é assim, ele não vai ser uma outra pessoa de um dia para o outro. Então a gente tá chegando super no final, não sei se vão derrubar a gente ou não, mas de qualquer maneira, Isa, eu adorei, foi super legal o nosso papo, eu nem roteirizei porque eu sabia que o papo ia ser ótimo e foi assim, e a gente teria ainda, nossa, conversa pra três dias aqui de tantos assuntos interessantes que saem dessa coisa do limite, né? Super obrigada por você estar aqui, ó, mais uma vez, esse é o livro da Isa, Dá um tempo, então como colocar limites numa vida sem limites Tá muito bacana, vou ler com todo carinho Muito obrigada, adorei minha dedicatória.
E obrigadíssima pelo papo aqui com a gente Obrigada, Fabi, pela oportunidade. Muitas pessoas perguntaram quem pode diagnosticar o burnout, é o psiquiatra ou médico integrativo. Muitas pessoas perguntando como é que podem dizer não. Também, então, eu trago essas informações nesse livro. Dá um tempo como encontrar limite em um mundo sem limites que eu lancei na semana passada. É um privilégio estar aqui com você e com a sua audiência, Fabi, compartilhando essas informações. Obrigada mais uma vez. Para quem quer mais informações ou quer trocar alguma ideia, Isabela Camargo Real, estou super à disposição de vocês e desejo que o tempo sempre esteja a favor de.
Cada um. Amém.
Obrigada, Elisa. Beijo grande.
Beijo, linda. Beijo. Tchau, meninas. Tchau, meninos. Todos que estão aqui também. Sim, vai ficar gravada essa live, tá? Eu vou deixar ela gravada aqui. Se nada de muito misterioso acontecer, porque de vez em quando acontecem uns mistérios aqui no Instagram que a gente não consegue gravar a live, mas eu tô gravando a minha tela. Então eu acho que hoje vai dar sim pra aguardar, tá bom? Que bom que vocês gostaram. Dri, saudades de você. Muitas saudades. Muitas saudades. Só vejo as coisas maravilhosas da Trousseau ali no feed e já fico louca. Preciso aparecer lá. Teacher, beijo. Sheila, beijo. Cristiane, beijo pra vocês. Então é isso, lindonas, espero que vocês tenham gostado. Deixem lá no meu feed ou no meu direct sugestões de assuntos pra lives que possam ajudar vocês, inspirar vocês, motivar vocês de alguma maneira, tá bom? Então, beijo enorme pra vocês, fiquem bem. E quarta-feira tem uma live super especial com o Caio Carneiro. Já pode espalhar, porque a live vai.
Ser sensacional.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








