Como não ser um lixeiro mental?

Isabela Camargo talks with psychoanalyst Ricardo Prado about emotional clutter and how to manage it. They cover emotional triggers, unresolved feelings, and why addressing them matters before they pile up.
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Olá, olá. Boa noite. Como vocês estão? Faz tempo, né, que a gente não se encontra por aqui. Eu fiquei uma semana sem as lives para poder preparar o lançamento literário do meu filho, que depois eu falo sobre isso. E hoje, então, eu retomo as minhas lives, as minhas entrevistas com assuntos que se podem ser interessantes para mim, também podem ser interessantes para vocês. E hoje eu vou conversar com o Ricardo Prado. Ele é psicanalista e na página dele tem uma provocação que eu já vou até ler aqui, exatamente como está. Te ajudo a pensar no que nunca pensou e a realizar o que, por medo, jamais imaginou realizar. Olha que provocativo, não é? Tenho certeza que vai ser uma conversa ótima. Agradeço aqui, olha, Vilaúba, grande amigo que está aqui. Minha mãe, linda, me prestigiando, está aqui, Luzia. Enfim, olha, Marina, Milton, todos vocês, tá? Recebo um abraço afetuoso, com muito respeito. Sabe uma outra pessoa também que tá aqui? Brechó chique da Carol. Tá sempre por aqui. Um beijo e obrigada a todos pelo tempo de vocês, pela confiança. Afinal, vocês que escolhem estar aqui também estão. escolhendo não estar em outros lugares, portanto, eu espero que esse tempo aqui seja muito agradável para vocês. A gente vai falar sobre o que é um lixeiro mental, emocional, e tudo que vier a partir dessas respostas. Assim que o Ricardo entrar aqui, e eu já... deixa eu ver se ele está aqui... só um segundo, tá, gente... Aqui, pronto. E assim a gente já vai começar o nosso papo.
Olá.
Tudo bem, Ricardo?
Boa noite. Boa noite a todos. Tudo bem com vocês? Prazer estar aqui, né?
Tô adorando essa conversa. Eu adoro conversar com o psicanalista. Não sei porquê.
Sério? Por que será?
Eu adoro essas conexões que vocês fazem. Provoca um estado de eureka na gente, assim, sabe? Tipo, nossa, eu não tinha pensado nisso.
O psicanalista ajuda vocês a pensarem no que vocês não pensam. Essa é a pegadinha que você falou no começo, eu achei muito legal. Você falou que é provocativo mesmo.
Muito, mas veja, olha, quem ainda não segue o Ricardo, eu recomendo, Ricardo Prado, psiquiatra, e aí logo ali na abertura ele já diz, te ajuda a pensar no que nunca pensou em realizar, o que por medo jamais imaginou realizar. É assim mesmo, Ricardo?
É verdade.
A gente não pensa no que tem que pensar? Estamos distraídos com um monte de bobagem?
A gente é distraído e a gente tá sempre no pronto automático, né? A vida faz, a gente tá no pronto automático, a gente não percebe o que a gente tá pensando, o que a gente tá escolhendo, o que a gente tá decidindo, como a gente está se comportando, que isso é muito importante. O comportamento tem tudo a ver com o resultado que a gente busca na vida. É uma ligação direta com isso. E tudo isso tá permeado com a questão das emoções. Nós somos seres emocionais, não é, Isabel?
Sim, total.
Nós agimos totalmente.
Sim. Ricardo, antes da gente continuar, deixa eu só fazer dois comentários. Primeiro, você prefere que eu deixe aqui os comentários ou você prefere que eu tire? Você que manda aqui.
Indiferente, verdade.
Então eu vou tirar os comentários.
Eu até gosto, eu até gosto. Se você quiser tirar pra gente ficar mais à vontade, tudo bem, não tem problema.
Eu vou tirar aqui os comentários e vou pedir pra quem chegar pra enviar as perguntas naquele botão na descrição. Eu chamo que é a caixinha de... Isso aí, isso aí.
É a caixinha de Pandora.
E aí outra coisa, Ricardo, é que assim, ó. Eu descobri recentemente que o Instagram entende que quanto mais coraçõezinhos forem enviados, mais o algoritmo percebe que o assunto é importante. E a nossa live...
É verdade.
Aquela listinha, assim, de janelinhas, mais pro início. Então, nunca pedi nada pra vocês, vou pedir então agora coraçõezinhos pra essa nossa conversa.
Isso, manda coração.
Mas, Ricardo, então, muito obrigada por ter aceitado o meu convite. Vai ser muito legal repercutir esse tema que você me ofereceu. Se você, se nós somos, se nós podemos ser um lixeiro mental, lixeiro emocional. Vamos começar por aí?
Vamos começar por aí. A questão toda gira em torno desse entendimento que eu já até iniciei essa pegadinha. é a gente adquirir um entendimento de que nós somos seres emocionais, que nós agimos por emoção. Nós escolhemos por emoção, nós compramos por emoção, nós nos alimentamos por emoção e nós nos relacionamos baseado nas nossas emoções. Então nós somos seres totalmente emocionais. E por sermos seres emocionais, nós temos cinco sentidos que a gente não presta atenção em como que esses caras estão trabalhando na vida da gente. Então, o que acontece? Nós estamos praticamente 24 horas por dia, até no sono existe uma captação dos sentidos, uma captação inconsciente. Nós estamos o tempo todo captando informações através dos 5 sentidos de tudo que está acontecendo com a gente. E essas informações podem vir de um modo consciente ou de um modo inconsciente. Mas tudo está sendo registrado. e nós estamos criando memórias que se tornam fatores emocionais quando elas são ativadas. Eu brinco muito com essa questão do déjà vu, às vezes. Muita gente coloca essa questão do déjà vu em questão. O déjà vu nada mais é que uma situação onde existe um componente que está engatilhando uma memória sua de alguma experiência que talvez você tenha passado, e aí eu não vou nem entrar na questão de vidas passadas, enfim, não vou nem entrar nessa questão, não é o caso.
O repertório passado.
Isso, é o passado. Não importa onde está esse passado. Então, são memórias que estão ali guardadas e são acessadas pela gente através de gatilhos.
Sim.
Então, todos nós estamos permeados por gatilhos o tempo todo. Então, nós temos captação através da visão, captação através da audição, através do olfato, através do paladar, através do tato. Vinte, quatorze por dia. E aí que mora o grande perigo da questão Porque se eu estou registrando tudo, seja de modo consciente ou de modo inconsciente, tudo está sendo registrado. Esses registros podem conter coisas positivas e coisas negativas. Essas coisas negativas geralmente são aquelas coisas que a gente enxerga como incômodas. Ou seja, aquilo me traz um incômodo de alguma forma, mas eu não olho para isso. para tentar entender melhor esse encontro. Eu não me conecto à questão dos sentimentos. Outra coisa que é importante entender. Sentimento é o que eu sinto estar dentro de mim. Emoção é o que eu estou expressando para o lado de fora.
Repete.
Sentimento é interno. Emoção é externa. O próprio nome emoção já diz, não é, Isabela? Moção. Estou me movendo através de uma emoção. Então, nós sentimos emoções o tempo todo, essas emoções geram sentimentos, e esses sentimentos podem gerar outras emoções do mesmo tipo. E aí, você entra num ciclo. Um exemplo básico disso que eu gosto... Pode falar. Eu falo bastante. Se você não me cortar, eu falo até pelos cotovelo.
Não, não, não. Por favor, me dê o seu exemplo.
Então, esse exemplo, eu gosto bastante desse exemplo. Que é uma forma da gente se identificar e adquirir melhor o conhecimento. Só naquele momento em que você fica incomodado com alguma coisa, eu tô sentindo, né? Tô sentindo um incômodo. Aí eu expresso uma emoção negativa perante aquela pessoa que tá do meu lado, por exemplo. Pode ser numa relação. Eu brigo, eu xingo, eu distraço aquela pessoa. Eu tô na emoção. Tô expressando uma emoção. Quando eu paro e falo assim, caramba, o que que eu fiz? Eu tô no sentimento. Esse sentimento pode gerar de novo uma autoemoção. Eu posso até a pessoa me desculpar, me retortar, aquela coisa toda.
É mais ou menos quando você está no início de uma discussão e que só vai depender de você reagir a maneira como você está sentindo ou não. E isso é um exercício diário. Por mais que algo me incomode e eu não estou me sentindo bem, só depende de mim manter esse estado. E não emitir, então, uma emoção, eu posso chamar assim, emitir uma emoção?
Pode, pode.
Se eu estiver alimentando coisas boas, legal, agora eu também posso alimentar as ofensas, as discussões, as dúvidas, não é?
Exatamente. Então, tudo aquilo que incomoda, a questão do lixeiro, já entrando no lixeiro mental, O lixeiro mental é aquele tipo... o que que é o lixo mental? É tudo aquilo que eu estou recebendo do lado de fora... como registro emocional... e não estou observando, eu não estou trabalhando isso. Outro exemplo. É um exemplo bem engraçado até. Imagina que a mulher está casada com o homem que trabalhou o dia inteiro fazendo reforma na casa. Ele está super cansado, ele está detonado. E ele resolve deitar sem tomar banho. A mulher vai sentir aquele odor e talvez fale assim, né? Olha só, olfativo. Ela vai sentir aquele odor, aquele odor vai incomodar, mas ela pode pensar assim, ah, puxa vida, meu marido trabalhou o dia inteiro, vou relevar. Esse relevar, ele é perigosíssimo.
É mesmo?
Sim, porque o relevar Eu tô perdendo a oportunidade de comunicar ao outro aquilo que está fazendo incômodo pra mim. E aí o que acontece? Um desastre, na verdade, porque eu tô transformando isso em lixo emocional dentro de mim. E um dia esse saco de lixo pode estourar. E aí o que podia ter tido? Comunicação eficaz.
Perfeito. Ricardo, agora você me abre aqui, agora sim me abriu uma outra mala de perguntas, porque aí entra.
Que bacana, que bacana.
A diferença entre relevar e comunicar, então, o que está me incomodando, então eu também tenho que ver se isso que eu estou sentindo me incomoda mesmo ou eu estou achando que está me incomodando. Por quê? Quando você diz, né? Ah, o marido chegou e não tomou banho. E aí, na comunicação não violenta, seria mais ou menos assim. Então, meu bem, eu sei que você trabalhou o dia inteiro, você tá cansado, mas você tá sem força pra tomar banho? Seria uma coisa assim, tá, gente? Mais ou menos assim.
É, mais ou menos isso aí.
Tem comunicação violenta. Você tá pensando o quê? Fica trabalhando o dia inteiro, né? E fica aqui.
Isso mesmo.
Isso mesmo.
Exatamente.
Isso é uma coisa que quando você aprende a colocar em prática a comunicação não violenta, e eu falo por mim, é fantástico. Sua vida dá um salto, assim, de compreensões.
É quântico, é quântico o salto.
E aí, bom, então vamos lá. Isso pra tudo, tá gente? Dentro de casa, fora de casa, especialmente nas relações profissionais. Mas deixa eu voltar lá, Ricardo, pra gente não perder o jogo da meada. Então, comunicação não é violenta. Não é isso que acho que você tá querendo nos ensinar. Se algo me incomoda e se eu não comunicar e comunicar da maneira correta, ao longo do tempo isso pode virar um problemão. É isso.
Sim, é isso. Mas eu vou voltar um tiquinho pra trás e vou até colocar a minha impressão, a minha percepção sobre a comunicação violenta, que eu acho que vai fazer uma baita diferença no pessoal que vai assistir.
Tem a ver aqui com as outras?
Tem, tem, tem tudo a ver. A comunicação violenta, na minha percepção e nos meus estudos, naquilo que eu pratico, ela funciona da seguinte forma. Existe uma diferença enorme naquilo que você comunica afirmando e naquilo que você comunica perguntando. Existe uma distensão enorme entre uma coisa e outra. Quando eu estou afirmando, eu estou colocando... É como se a gente colocasse o dedo na cara do outro. Olha, você está fazendo isso. Eu não quero mais que você faça isso. Você está me incomodando. A diferença é eu perguntar. Quando eu pergunto, o que eu estou abrindo, Isabella? Eu estou abrindo um campo... enorme de possibilidades para escutar as necessidades do outro. Aí é que passa. Porque na comunicação, eu falo isso o tempo todo, na maioria das lives que eu faço, a comunicação é feita de quatro partes. Eu falo, eu escuto, eu reflito sobre o que eu escutei e volto a falar outra vez. Se não tiver esses quatro passos, o que a gente faz? A gente fala, a gente fala, a gente fala, a gente fala e a gente fala. Essa é a nossa comunicação. E não tem empatia nenhuma nisso. Eu não estou me conectando com a necessidade do outro. Porque a partir da necessidade do outro, aquele incômodo, voltando agora, tudo se conecta. Voltando ao incômodo, eu posso criar uma empatia, criar uma comunicação, onde exista talvez uma negociação até, uma sessão de partes perante aquele problema, e eu passo a enxergar aquele sentimento de uma outra forma. Eu passo a ressignificar aquele sentimento, aquela emoção. Eu não fico mantendo.
O ressignificar é interessante, né? Quando você tá falando do relevar, ainda volto nessa questão que a gente... Sim.
Eu vou voltar nisso também.
Tipo, ah, eu vou relevar. Eu tenho feito esse exercício, né? Se algo que eu reagiria assim imediatamente, eu tenho usado muito, tipo, deixa eu pensar um pouquinho, né? A Isabela do passado já reagia, a Isabela do presente já tá assim, pera lá, deixa eu pensar, deixa eu ver se isso está me incomodando, ou se isso está atrapalhando a memória do passado, que, tipo, nem me incomodaria mais. Então, hoje eu posso retomar coisas que antes eu não relevaria, né? E aí eu volto à história da comparação do lixo, né? Porque o lixeiro mental, o lixeiro emocional, esse tema provocou aqui um monte de dúvida na rede, inclusive vou entrar em algumas perguntas que fizeram, mas dá a impressão que realmente você não faz a faxina nos seus sentimentos, nos seus pensamentos, né? É isso?
Exatamente isso. Inclusive quem permaneçam é até o final da live que no final eu vou passar uma prática pra vocês fazerem essa pastilha efetivamente, né? Porque não adianta a gente passar conhecimento do Paledel aqui pro EPI de me ensinar como é que as pessoas vão trabalhar isso na prática, né? Então a relevância, ela tem, ela, qual que é o perigo que eu vejo na relevância? É, eu relevar uma vez, eu relevar duas vezes, eu relevar dez vezes, eu relevar quinhentos vezes, você percebe que quanto mais eu relevar, mais eu estou ignorando aquilo que eu tô sentindo. Faz sentido? Eu não tô trabalhando aquele sentimento com o outro. Principalmente com o outro, não é só comigo. Nas nossas relações, a gente não pode avaliar os nossos sentimentos sozinhos. Sempre tem que ser em parceria com o outro. Porque o outro me gera emoções e eu gero emoções nele o tempo todo. É uma troca. É uma troca contínua de emoções e sentimentos. Então a questão da relevância, pra mim, tem esse grande perigo. Exatamente do saco de lixo explodir em algum momento.
Ah, perfeito. Perfeito.
Entende?
Perfeito.
E a gente vai acumulando.
Tá. Agora, por que que você acha que a gente joga tanta coisa debaixo do tapete. É medo de assumir uma identidade no meio da massa. É medo de não fazer parte do grupinho. Estou fazendo um parênteses, Ricardo. Algumas doenças do tempo, que é o que eu tenho abordado muito agora, até com o livro. Depois eu preciso defender isso, tá? Para te enviar um exemplar.
Legal.
Esse é um livro que eu comecei a escrever há quatro anos e no meio dele eu vivi a experiência da síndrome de Burnout. E a síndrome de burnout nada mais é do que você relevar muitas situações em que você está se sentindo que está fazendo mal, mas você acha que aquilo não vai causar nada grave. Então você vai jogando debaixo do tapete, o famoso empurrar com a barriga. Então, eu nem vou entrar no mérito da questão dos problemas de saúde. Por que que então você entende que a gente joga tanta coisa para debaixo do tapete que é ignorar? Paulo, quer ignorar?
Na comunicação. É ignorar, exatamente. Eu acho que o relevar tem algum sentido perto do ignorar. Eu estou ignorando o sentimento. A questão do empurrar para a barriga ou de jogar a sujeira para debaixo do tapete, No meu ponto de vista, está relacionado ao medo de correr riscos que é gerado pela vulnerabilidade. Vale uma nota aqui. A questão da vulnerabilidade, nós não temos medo de nos tornarmos vulneráveis, nós temos medo dos riscos que nós corremos ao nos tornarmos vulneráveis. Porque se colocar em vulnerabilidade é ter a coragem de assumir riscos, é ter a coragem de ser vulnerável, apesar de risco x, risco y, risco z, não importa qual seja. Então quando a gente evita a comunicação, a gente está com medo de correr risco, principalmente de ouvir aquilo que a gente não quer ouvir.
Sim.
Essa é a questão chave. Porque quando eu manifesto meu sentimento, eu tô abrindo uma oportunidade pro outro expressar o sentimento. E se eu viro pro meu marido naquele momento e falo, eu tento estabelecer a comunicação e falo que aquilo não tá me agradando e ele fala, então tá bom, então eu vou procurar uma mulher que goste. De um modo bem esdrúxulo, eu tô dizendo. Só pra gente industrializar. Mas a resposta, eu tô comendo o risco de ter uma resposta positiva e uma resposta negativa. Só que se eu não entrar na vulnerabilidade, eu nunca vou estabelecer comunicação com o outro. Porque a vulnerabilidade é empatia.
Sim.
É.
Isso que você falou é perfeito. É o medo de correr risco. De novo, ambiente prostituto. Eu tenho muito medo em falar sobre aquilo que está te incomodando, que está te machucando, porque o que que vão pensar de mim? Aí, com o número de desempregados que a gente tem, tipo, assédio moral, tipo, você não quer fazer, tem quem faça, tem uma série de questões. Aí, Ricardo, não sei se ainda vai dar tempo, mas eu vou deixar só aqui no ar, a questão do autoconhecimento para gerar a autoconfiança, para que você saiba limpar o lixo, enfim, né? Mas vamos lá. Vamos por partes.
Exatamente. A autoconfiança tem tudo a ver. Porque a autoconfiança, por exemplo, nessa questão que você colocou do Bernardo, O burnout é gerado por um medo de correr riscos, muitas vezes, por exemplo, de perder o emprego. É um grande risco. Como é que eu vou expressar meu sentimento para o meu superior, para o meu líder? E se ele não gostar disso? Como é que eu faço? Eu preciso dos trabalhos? E aí a gente se coloca muito fragilizado em aceitar coisas que não estão nos fazendo bem. É essa a questão. E currar com a barriga.
Porque o perder o emprego é uma coisa, porque aí vem as responsabilidades financeiras, familiares, né? Eu nem tenho filho. Eu fico imaginando das pessoas que me procuram... É uma situação muito... Então vamos tentar prevenir tudo isso. Porque muito lixo mental deve causar alguma interrupção, vai entupir alguma coisa. É igual o bueiro, né? No verão, olha...
O bueirão, exatamente.
Pedro, eu falo, ah, que legal!
Então, o lixo, o lixo acumulado, ele na verdade se torna um influenciador. Quando a gente fala lixo, eu estou conceituando aqui coisas ruins, né? Coisas boas, alegria, enfim, eu vou colocá-lo no lixo mental. Mas esse lixo todo acumulado, ele começa a influenciar negativamente suas escolhas, suas decisões e os seus comportamentos. E é isso que a gente não presta atenção. Porque esses lixos... e eles vêm à tona toda hora. É engraçado isso. Porque por mais que você queira fugir, eles estão sempre se manifestando de alguma forma. Porque tem gatilhos que ativam eles o tempo todo. E a gente se sente... às vezes a gente vai num lugar e se sente mal e fala... nossa... eu não estou me sentindo bem aqui. A gente fala... deve ser a energia do lugar. Talvez não seja a energia. Talvez seja algum gatilho naquela situação que está te trazendo uma memória que você... Você não trabalhou, você não soube lidar com aquilo. Isso faz uma baita diferença. Essa limpeza emocional faz uma baita diferença. E aí eu entro numa questão que é importante também. A questão da razão e da emoção. As pessoas ainda têm aquele conceito de que razão é uma coisa e emoção é outra. Isso já caiu por terra já há muito tempo pela neurociência. Faz parte de um conjunto, sim. Faz parte de um conjunto. Não são coisas separadas. Eu sou um ser emocional... onde eu tenho a minha parte racional... que faz com que eu possa, se eu quiser... construir inteligência emocional. A razão deve ser a diretriz. Ela deve ser o norte... para eu expressar as emoções de uma forma inteligente. Porque eu posso expressar uma emoção de uma forma inteligente... e posso expressar a minha emoção... de uma forma sem ser prejudicada, de uma forma burra. Porque eu estou inconsciente naquilo. E eu estou gerando um monte de resultados ruins e nocivos para a minha vida ao meu redor e estou colocando a culpa no outro. Só que não é o outro, Isabela. Não é o mundo, não é a vida, não é o outro. Sou eu que não tenho inteligência emocional suficiente para poder lidar melhor com aquelas relações que eu estou construindo.
Sim.
E aí que o lixo entra como fator influenciador negativo. Uma hora isso tudo vem à toa.
Então, Ricardo. Agora, nós não somos estimulados a falar sobre emoções, sobre sentimentos. Sentimentos e emoções. Então, os sentimentos, o que eu sinto, e a emoção, o que eu expresso. Pronto. Então, nós não somos capazes de entender, compreender, expressar. Só que aí num determinado momento os cabelos brancos vão aparecendo e você fala, nossa, eu preciso então aprender a lidar com as minhas emoções? Porque, eu não sei, você já deve ter tratado do assunto, mas falando aqui de ambientes profissionais, você é contratado pelas suas habilidades técnicas, mas é dispensado ou os maiores atritos só acontecem no âmbito do comportamento, das emoções, então vamos lá. Como que eu vou organizar essas ideias? Sem sentir culpa. Ok, não aprendi até agora, mas agora eu vou aprender. Então por onde eu começo? É um psicanalista?
Ajuda. Qual que é a missão do psicanalista? Nada mais é do que, resumidamente falando, iluminar o seu inconsciente, trazer tudo que está no inconsciente para o consciente e você poder olhar para isso e ver o que você pode fazer junto com o psicanalista em relação a isso, para melhorar a sua vida, porque nós somos movidos em média de 90%. É um absurdo isso. A nossa vida é movida pelo nosso inconsciente. A gente só tem acesso a 10% desse iceberg. O consciente é a ponta desse iceberg só. O resto, nas profundezas, é tudo inconsciente. Aí ele tem padrões, tem emoções e sentimentos não resolvidos, tem memórias, que fica o tempo todo criando ciclos na tua vida.
Crença.
Inclusive nos relacionamentos, principalmente. Tudo isso está sendo norteado e dirigido por patrões inconscientes que você não está conseguindo acessar. A outra forma, que é a forma fora da psicanálise, fora do consultório, é, gente, o hábito de escrever. Adquira um hábito de escrever. Por que o hábito de escrever tem que entrar na vida de você? Porque tudo que está na nossa mente, se estiver só na mente, é muito difícil de organizar. Sabe o que é engraçado, Isabela? A gente monta planilha, a gente monta roteiro, a gente monta um monte de coisa pra se organizar na vida da gente, mas não monta uma planilha das nossas emoções, sentimentos.
Perfeito.
E quando a gente olha pra isso, a gente tá visualizando, eu tô colocando no campo físico e consigo ter muito mais inteligência para trabalhar isso. E eu vou me conectando coisa por coisa, até colocar umas perguntinhas aqui que eu desenvolvi para o pessoal trabalhar em casa. Então é se perguntar, por exemplo, vou colocar uma perguntinha aqui. O que essa pessoa, situação, sentimento ou objeto, olha que interessante, objeto, que me desperta sentimentos ruins e estranhos, não identificáveis talvez, estão fazendo em minha vida. Qual a importância disso na minha vida? Eu já começo a desenvolver toda a minha inteligência.
Relevância, né? Como você falou lá atrás.
Exatamente. Exatamente. Isso tudo possui alguma funcionalidade na minha vida? A gente tem um monte de coisa dentro e fora, nos dois aspectos, que não são funcionais. Só está ocupando espaço interno e externo.
Perfeito.
E aí você já começa a desenvolver todo um trabalho em cima disso. Por último, uma pergunta interessante também. Quais são os reais motivos disso tudo ainda permanecer em minha vida?
Perfeito.
Por que que eu tô segurando isso?
É como uma viagem, né? Que, por exemplo, você vai passar um final de semana num sítio. Aí você leva uma mala como se fosse um mês, né? Pra praia, por exemplo.
Que analogia interessante, é isso aí.
Carregar mala demais é pra oportunidade de menos. E isso sempre me chamou atenção, sabe? Quando eu viajo, de verdade, não só viajo aqui nas ilhas, viajo, viajava, viajo com muita gente.
Físico, tá.
Eu sempre observava o tamanho da minha mala, que peso que eu tô carregando, por quê E acho que isso tem a ver com o livro que você tá falando, porque às vezes a gente tá carregando um monte de bobagem que não precisa mais Ricardo, deixa eu contar uma coisa pra quem agora entrou aqui na live Deixa eu te apresentar mais uma vez, estou conversando, tenho o privilégio de conversar com o Ricardo Prado, psicanalista e autor do livro Resete Quero falar do livro Jajá É, mas... É, acho que tem tudo a ver também aqui com o que nós estamos falando, sobre pausa.
Tudo.
Essa live ficará gravada, então depois eu disponibilizo no YouTube, Ricardo também pode usar como quiser. Obrigado. E você que está aqui, se estiver fazendo sentido aqui a conversa, convide alguém, porque as palavras são sementes e quanto mais a gente semear, né, um mundo mais florido, mais bonito vamos viver com certeza. A Mirna, 2008, lá no Instagram, ela perguntou assim, Bom, são duas perguntas, uma relacionada com a outra. Como fazer para não ficar reprisando mentalmente situações desagradáveis? E quanto tempo é necessário para que a mente coloque experiências negativas em um plano secundário, ou seja, deixe de pensá-las?
Vamos lá. Vamos pegar essa primeira aí. Só repete pra mim, ela disse, porque se a gente ficar repetindo...
É, como fazer pra não ficar reprisando mentalmente situações desagradáveis.
Cai justamente nisso do que a gente tá conversando aqui. O quanto que esse sentimento e essa memória está no interior dela e o quanto que ela tá olhando pra isso no sentido de realmente trabalhar. Tem uma questão que é muito interessante. a Mirna, né, Mirna?
Isso.
Enquanto você não olhar pra isso, isso vai continuar se manifestando na sua vida.
Isso.
Isso daí é quase uma lei, sabia, Jobelo? É a mesma coisa no relacionamento, né? O que que é o relacionamento? O outro está na minha vida para mostrar pra mim tudo aquilo em que eu tenho que me aperfeiçoar e me melhorar como pessoa e ser humano. É essa a função do outro na minha vida real, não é? Então, tudo que ele está trazendo para mim... que está mexendo comigo... que está me incomodando... está evidenciando... é a coisa do iceberg. O outro está do meu lado para evidenciar e tornar consciente a minha sombra.
É isso.
Então, o que está acontecendo? Enquanto a gente não resolve essa sombra... olha que interessante... o mesmo tipo de pessoa fica aparecendo na vida da gente. Não é interessante esse processo? É típico.
A aula repete o professor. Claro.
Não tem direito. Então, Mirna, olhar para esse sentimento, olhar para essa memória e tentar entender por que ela está presente o tempo todo na sua vida. Por que você não está resolvendo com ela? Por que ela te afeta tanto ainda? Porque às vezes pode ser uma memória de 10 anos atrás. Às vezes pode ser uma memória de uma relação de 10 anos atrás.
Agora, aí, Ricardo, entra o seguinte. Então, o que eu faço? Não adianta esconder. É mesmo pra você querer esconder um elefante dentro da sala, né?
Não tem jeito. É impossível. É impossível. Eu tenho que olhar pra isso e tentar identificar primeiro que tipo de sentimento que isso tá gerando em mim. Primeira coisa. Que tipo de sentimento? Tristeza, desvalorização... Raiva, alegria, tristeza. A gente tem as emoções básicas, depois tem as emoções secundárias. Isso vai longe, um monte de coisas. e sentimentos também. E de que forma, e por que que eu estou ainda preso? Existe um processo, quando a gente está vivenciando sempre a mesma coisa, é porque nós estamos presos, olha que interessante isso, nós estamos presos a algo que ainda satisfaz a minha necessidade de alguma forma. Nós não vivenciamos, vou até mudar aqui para ilustrar melhor isso. Nós não vivenciamos relações onde, pelo menos, alguma necessidade não esteja sendo atendida. Às vezes a gente vê relações até tóxicas, ruins, opressoras, e a gente fala, por que aquela pessoa não sai da relação? Claro que aí você tem outras variáveis, tem medo, tem outras variáveis. Mas por detrás disso existe uma necessidade que pode estar sendo preenchida. Por isso que ela não sai daquela relação. Isso pode ser necessidade. de carência, dependência, e por aí vai.
É verdade.
Então, ela precisa olhar pra isso e analisar, primeiro, é fazer pergunta. Por que que eu estou preso a isso? Porque quando a gente faz pergunta, a resposta vem, ela vem. De verdade. O problema é que ela vem, às vezes a gente olha e fala, não, não quero, não quero me conectar com isso, não quero mexer nisso. Mas a gente tem que, a gente consegue responder aquilo. A nossa mente responde aquilo.
É, o problema é que a gente quer acabar com a dor, assim como quer acabar com o ser humano, como a Mirna falou, sem conversar com eles. Você quer que eles acabem indo embora por conta própria. E não vão. Se você não encarar e não conversar, não vão.
Uma coisa importante que você falou, a dor. A dor, ela tem duas vias. Ou você transforma. Dor, aquela frase célebre, a dor é inevitável. A dor é inevitável, só que você tem o poder de escolha entre transformar isso em aprendizado ou sofrimento. Essa que é a questão. Então você tem que olhar pra essa coisa que te incomoda, essa dor que te incomoda, e explicar qual que é o aprendizado que está trazendo pra mim. O que eu preciso melhorar para ressignificar esse sentimento e essa questão dentro de mim. Aí eu vou começar a sair dessa coisa sícrita do pensamento, porque eu vou me conectar de outra forma. E, principalmente, tem uma coisa importante para a Mirna também, essa pergunta dela. Todas as coisas ao nosso redor são gatilhos emocionais. Lembra o que eu falei no começo?
Sim.
Então, Mirna, isso serve para todo mundo. Olha ao seu redor, na sua vida em geral, e tenta perceber o significado que cada coisa tem ao seu redor. Porque, às vezes, eu vou até citar um exemplo. Vou pegar uma coisa básica, um copo d'água. Esse copo d'água Ele pode estar sendo o gatilho de emoções extremamente desagradáveis... de memórias que eu já vivenciei em outras épocas... e eu não estou percebendo isso. Então eu tenho que começar a olhar para o significado das coisas na minha vida. O que elas representam para mim? Ela é só um copo d'água... ou olhar esse copo d'água me traz uma lembrança dolorosa da minha avó? Isso também é um processo de trazer essa questão pela pessoa. Faz uma baita diferença. E escrever de novo. Escreve pra sentir.
Eu adorei isso que você falou, escrever. Eu já tinha mencionado isso de algumas outras maneiras, mas agora eu visualizei. Gente, é igual no mercado e não querer fazer lista de compra. Sabe quando você tá tomando banho e você fala, tem que comprar isso, isso e isso. Beleza, quando eu for pro mercado eu vou lembrar. Chega lá, fala, o que eu vim comprar? É a mesma coisa.
E o pior, que a gente vai no mercado com fome, né? É a pior coisa que existe no mundo. Aí você larga ali e começa a comprar toda aquela baboseira, né? Pra encher a barriga. Então tem tudo a ver com isso. A gente não tá com, a gente não tá, existe a coisa do palpável na vida da gente. A nossa mente se conecta muito ao palpável. Então a minha emoção e o meu sentimento também precisa ser palpável. Palpável é estar representado fisicamente, na realidade.
E outra, sabe, Ricardo? Tô aqui de olho no tempo, tá? Temos que falar do livro...
É sério, é sério.
Quando a gente tá com dor de dente, a gente não hesita em pensar em ir pro dentista. E quando a gente fala de paixão mental, por que eu vou ter preconceito? Nem vou entrar nesse assunto, tá? Mas no psicólogo, no psiquiatra, no psicanalista... Gente, e cada profissional tem uma especialidade, né? Uma linha de trabalho e um caminho, é como uma viagem. Tem períodos da viagem, da sua jornada, que você vai fazer sozinho e outros acompanhado. Eu sempre recomendo. Furou o pneu? Você não vai levar o pneu para a dermatologista, você vai levar para o mecânico E por que quando você precisa organizar as ideias você evita a ajuda? Então eu recomendo, sim, sempre ajuda de um profissional que vai nesse caminho de organização das ideias E aí, Ricardo, o Cristiano também falou lá no Instagram assim, lixeiro mental só pensa em besteira Não.
É que só pense em besteira, mas talvez ele só agregue besteira, porque ele só tá agregando besteira, porque é uma coisa assim, eu não gosto de falar óbvio, porque o óbvio não existe, mas só pra ilustrar. É tão óbvio que se eu estou agregando conteúdo besteirol, é óbvio que eu vou expressar besteirol, né? É uma coisa automática. O meu comportamento vai ser besteirado também. Então, os cinco sentidos, eles são filtros, gente. Atendem a isso, porque a gente pode colocar os cinco sentidos sob o nosso controle e escolher aquilo que a gente tá se conectando. Essa que é a ideia. Aonde eu tô me conectando? O que eu tô vendo?
Ricardo, fala mais sobre isso. Como é que os cinco sentidos podem nos ajudar a filtrar, então, o que acontece fora e equilibrar dentro?
Muito. Os cinco sentidos é assim. Eu vou dar um exemplo. Hoje está acontecendo muitas lives, por exemplo. A gente está num momento em que tem live acontecendo uma atrás da outra. Uma chuva de live. Está até difícil escolher qual que eu assisto. E às vezes a gente acessa um conteúdo. Qual que é a ideia do conteúdo? É eu trazer para a minha consciência e entender se aquele conteúdo está coerente com os meus objetivos de vida. Não adianta eu querer ter o objetivo de ser um engenheiro agrônomo e assistir um conteúdo de um contabilista. Não vai mesmo. Eu sei. Eu tô jogando lixo pra dentro de mim. Coisa que não vai ser funcional pra mim.
Ó, agora deu pra visualizar.
Entende? Então, a visão é um sentido. Eu tô olhando pra você e eu tô captando a Isabela. Eu tô ouvindo você, eu tô captando, tô registrando as palavras da Isabela. Tudo isso passa a fazer parte do meu registro mental. Memorial. Entende? Então, quando eu trago um pouco, claro que a gente não vai virar um biruta, pelo amor de Deus, um neurótipo. Vai ficar o tempo todo, não, peraí, deixa eu ver o que eu tô tocando aqui, deixa eu ver o que eu tô ouvindo direito. Não, não é isso, gente. Mas trazer um pouco essa prática diária, que vai fazer com que você seja muito mais consciente daquilo que você está registrando. Isso a gente não tem controle, o cérebro registra tudo. Tudo que acontece com a gente.
Então, preciso estar atento ao que os meus cinco sentidos, falando só desses mais conhecidos.
Fora o sexto, né? Fora o sexto, que é a intuição. Que a gente nem vai falar aqui hoje, mas é muito importante também.
A intuição é tema de uma live exclusiva, tá, Ricardo? Só disso.
Eu super topo fazer essa aula com você só de intuição. É duas horas falando.
Inclusive, como essa intuição vai mudando com o tempo, né? Você vai ampliando o repertório. Mas vamos lá. Olha só o que nós estamos falando. E aí, então, acho que vale a pena a gente reforçar essa mensagem. Eu preciso estar atento aos meus cinco sentidos para entender o que eu estou captando e o que é relevante ou não, o que é coerente comigo ou não. Para entender. Estou captando lixo? Estou escolhendo lixo? Mas aí responde a pergunta do rapaz, não é só besteira, lixo é aquilo que você sente, não manifesta, não reformula, não ressignifica.
Exatamente, exatamente.
Ricardo, tem duas coisas ainda nesses últimos 15 minutos. Você falou que no final tem um modo de a gente fazer uma faxina.
É, no fim eu já passei, né? Eu já passei. As perguntinhas eu repito, se o pessoal quiser eu repito as perguntas.
Já vão pegar balde, vassoura na mão.
É isso aí, é isso aí.
Faxina, é um negócio que assim... Ai, a gente evita, procrastina, sabe o que precisa fazer, enrola, mas quando...
A gente tem uma casa limpa.
É uma mão na roda. Ô, Ricardo, conta pra mim o livro Resete. O que você traz nele?
O livro Resete, ele foi uma ideia que eu tive em 2015. 14. Eu levei dois anos para escrever esse livro. Foi um livro que eu fui... Foi metade? Levei dois anos. Quatro anos. É livro assim, né? Às vezes leva um ano para escrever. E eu tive uma ideia a partir... Olha só que interessante. Foi a partir de um momento que eu tive, onde eu tive um problema num computador que eu tinha na época. E eu procurei na internet e a internet falava, você tem que resetar o seu computador. E resetar o quê? Nada mais é do que você retornar as configurações, iniciar, reconfigurar. A hora que eu me conectei com essa coisa de reconfigurar, já me liguei direto no ressignificar. Então, o reset tem a proposta de resetar tudo aquilo que você aprendeu até hoje, todos os seus pontos de vista que você mantém até hoje, e ressignificar tudo isso, transformando em novos pontos de vista, em novos modos de ver, sentir e viver a vida. Essa é a proposta do projeto V7. E eu escrevi esse livro por dois anos, eu lancei ele em 2016, e eu lembro que eu não lancei ele nem com a ideia de ser um best-seller, nada, eu só queria deixar registrado isso no mundo. Tava aquele sentimento, o dia que eu for dessa pra outra, eu deixei meu legado aqui. Sim. E acabei fazendo só 100 cópias dele, vendeu todas as cópias. E de lá pra cá, eu não mexi mais no livro. E agora surgiu uma outra oportunidade. O que eu tô fazendo? Eu tô repaginando o livro, o projeto. E já estamos vendo alguns projetos futuros aí em cima desse livro, tá? Que ainda tá em estudo, eu não posso regressar agora.
Entendi.
Mas tem projetos muito bacanas que vão surgir da ideia desse livro, sim. E eu tenho a minha live R7, que eu faço todo tempo também. Eu vou sair daqui, vai ser um piru hoje, vai ter que sair daqui voando pra fazer a minha depois, às oito.
Meia? A sua sete e meia ou oito?
Oito horas pra minha. Oito?
Ah não, tem tempo.
Dá tempo, dá tempo. Tô enchendo a linguiça. Então, esse livro faz parte desse projeto de terça-feira da live também. Ou seja... Então, reset é tudo de bom na vida. Gente, de verdade. Reset é tudo de bom.
Até porque, né, Ricardo, se a gente não parar pra resetar a máquina, Acho que todos nós que estamos aqui acompanhando essa entrevista já precisamos resetar a máquina, já precisamos mandá-la para manutenção, ou em muitos casos a gente se desfez de uma máquina e pegou uma capacidade maior e tal. Bom, isso não dá pra gente falar, vou nascer de novo, mas a gente pode parar. de começar, então, por uma faxina. Então, vamos caminhando, então, no sentido de ressignificarmos, resetarmos essa nossa máquina, porque ela é simples, mas ela é complexa. Como o Ricardo falou, são 5 sentidos, mais as emoções, a interpretação de tudo isso, os nossos vieses, né Ricardo?
Tudo, tudo tá relacionado, sim.
Então nesse caminho, vamos partindo então já pra uma conclusão, como é que a gente pode começar uma faxina mental, emocional, e aí sim, a partir daqui, seguirmos com menos malas, né? Menos peso.
Boa, boa. E você falou, É bacana essa analogia de computador porque no computador acontece isso, analogamente falando. A gente vai instalando um monte de coisa e vão ficando aqueles lixos, né? Começa a bugar o computador. E esses lixos na vida da gente, eles bugam a vida da gente, literalmente falando. Então o primeiro processo são alguns passos. Acho que o primeiro a gente meio que deu esses passos aí no meio da larga, no meio do caminho, mas é legal agora a gente fechar o pacote aí. O primeiro passo talvez seja adquirir a consciência e o entendimento de que nós somos seres emocionais. Primeiro entendimento. Nós somos afetados emocionalmente o tempo todo pelos nossos cinco sentidos. Isso já dá um bingo na cabeça da gente. Já traz uma nova consciência. Desculpa. A partir daí eu consigo me conectar de uma forma muito mais consciente com o que eu estou registrando, estou começando a olhar isso dentro de mim de uma outra forma, e estou tentando me comunicar com tudo isso. Esse também é um passo importante. E quando eu me disponho a me conectar com tudo isso e me comunicar com o meu inconsciente, com o meu interior, é um momento onde eu tenho que parar, e aí é um momento, tá, Isabela? Um momento assim, é seu. Você tem que virar para o marido, para a esposa, para o papagaio, para o cachorro e falar... agora eu não vou ser incomodado. É o momento meu. Anota no papel. Abre um Word no computador. Se for um papel, é até mais gostoso. É mais gostoso o processo. É bem mais legal. Você anota... conforme você vai anotando aquilo que você se conectou... que está te incomodando e você jogou aquilo para o papel... se conecta com aquele sentimento. Ah, eu senti tristeza. Chora? Eu senti alegria, sorria. Eu senti raiva. Expresse essa raiva de alguma forma. De uma forma inteligente, claro. Você tem inteligência emocional.
Tem agressividade.
Tem agressividade, mas você se conectar com o sentimento. As pessoas têm medo de se conectar com os sentimentos delas. Não foi ensinado isso. Nós não somos educados a lidar com isso.
Ricardo, só um pedacinho aqui, rápido, tô de olho no tempo.
Pega.
Não sei se ela vai estar aqui, mas tem uma amiga que recentemente precisou de um amparo, precisou de um colo, e aí quando ela me encontrou, ela tava segurando o choro assim, né, porque talvez a expectativa fosse não chora e tal, eu falei, chora. E eu adoro falar isso pra você.
Que lindo isso.
Eu falo porque eu vivi, eu vivi. Muitas pessoas, quando falavam, por exemplo, sua maquiagem, nossa, como você tá isso E aí eu falava, mas embaixo dela não é isso E aí eu ameaçava chorar, não chora, borra a maquiagem, segura o choro E desde então eu me coloco muito no lugar das pessoas Eu sei o que é sentir uma dor que ninguém pode ver Nem que ninguém saiba, que ninguém pode ver Então eu gosto muito de falar, gente, chora, chora Porque senão é pior depois, né?
Lógico, porque você não lida com aquela questão tua lá dentro. Você tá ignorando aquilo. Você tá represando. Represar. Existem dois extremos na questão da emoção. Existe o extremo de represar a emoção e existe o extremo de exacerbar a emoção. Você tá exagerando a emoção. Você tá fazendo pitir no meio do barco, né? Isso é um exagero da emoção. Essa questão que você colocou também tem tudo a ver com a questão da vulnerabilidade que a gente falou. Para resumir, o homem não chora. Gente, essa é a frase mais ridícula que eu já ouvi na minha vida. É verdade, estou sendo sincero. É ridículo, o homem não chora. Quer dizer que homens não são seres emocionais então, gente, hein? São de outros planetas, né? São de Marte. Então quando você fala isso é fantástico, chora. Chora. Não tenha medo de lidar com a tristeza. A tristeza faz parte das emoções de todo ser humano. Ela precisa ser acolhida. A gente não acolhe a felicidade, a gente acolhe a alegria. Acolhe a tristeza. É uma emoção também.
É. O acolher, eu entendo, tá? E me corrija, por favor. Que é o aceite.
Isso.
Aceite, converse.
Se permita. Se permita chorar.
Ricardo, de uma maneira bem prática, se eu quiser fazer uma faxina no meu banheiro, vou ter que pegar balde, água sanitária, rodinho... Se eu quiser fazer uma faxina mental e emocional, vamos repassar aquela lista?
Vamos lá. Vou colocar aquelas perguntas para a gente fechar legal essa live. Pergunta chave, porque pergunta, né, gente, de novo, afirmação é afirmar, eu não estou abrindo espaço para reflexão, é pergunta sempre, inclusive na relação com o outro. O que esta pessoa, situação, sentimento ou objeto, porque objeto também é gatilho, como eu expliquei no copo d'água, que me despertam sentimentos ruins, estão fazendo em minha vida, por que que eles estão ao meu redor, por que que eu ainda estou permitindo que tudo isso me afete? Qual a importância disso tudo na minha vida? Que tipo de necessidade isso tá suprindo pra mim, que vale o preço que eu tô pagando pra uma emoção ruim? Olha o copo. Né, exemplo básico. Ele tá me despertando uma memória da minha avó que é uma memória ruim. Só que ele é útil pra eu beber água. Então eu tenho um benefício e um custo. E o benefício está justificando o custo. Isso é relação custo-benefício. Eu sempre falo pra todo mundo. Ok? Segunda, isso possui alguma funcionalidade? Gente, tem que ser funcional. E emoção também tem que ser funcional. E aqui tá. Porque tem emoção no seu trabalho que não vai funcionar nada na sua casa com seu marido. Percebe? A gente abre um campo e isso vai longe. Isso aqui é pra três, quatro anos de live, fácil. E quais são os reais motivos disso tudo ainda estar na minha vida? São perguntas-chave que fazem com que a gente reflita de uma forma mais consciente sobre aquilo. Pode não resolver o problema, ok? Mas vai te ajudar muito, isso eu tenho certeza absoluta. Eu dou garantia de que vai te ajudar.
Ah, eu tenho certeza.
E...
O Ricardo, já vou passar a palavra final pra você. Quero dar um exemplo prático, então. Eu gosto igual você, eu gosto de exemplos, a gente consegue se identificar. A nossa interpretação do fato muda o fato. Eu me lembro da Dorina Noil, aquela cega que fundou a Fundação, que tem o nome dela, e ela, numa das entrevistas que eu tive a oportunidade de estar com ela, ela disse assim, nunca olhe os fatos do passado com os olhos de hoje. Porque senão você vai falar, eu devia ter feito isso ou isso ou aquilo. Bom, naquele momento foi melhor que você fez. Agora, você faria de novo, mas você não vai viver aquela situação de novo, vai viver outra. Então, com a palavra, então, psicanalista, que está nos propondo aqui uma faxina mental e emocional.
Pois é, pois é. Eu tenho três coisinhas que... Pode falar.
Esse passado pro presente, sem remorso. com maturidade de encarar e seguir pro futuro, porque senão a gente fica muito agarrado no passado. Não, eu quero o futuro.
A palavra-chave pra isso. Ressignificação. Que outro... Eu ia deixar pra finalzinho uma frase, mas eu vou trazê-la já agora. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Ou seja, Eu posso ter um ponto de vista ou posso ter múltiplos pontos de vista que me trazem ressignificação em cada situação que eu vivencio. Em que eu estou conectado com a experiência, que a vida é feita de experiências. O tempo todo. E a gente precisa estar conectado ou aprendizado com essa experiência. Então quando eu estou trazendo essa visão do passado, eu tenho que entender que hoje eu estou olhando ela com uma outra consciência. Eu não tenho a mesma consciência de antes. Porque se eu me conectar com a consciência que eu tinha antes, qual que é o sinal aí, a evidência? Eu não aprendi o que eu precisava ter aprendido com aquilo. Porque o aprendizado faz com que a gente mude o ponto de vista, né?
O tempo muda. O tempo também muda.
Exatamente. O tempo amadurece, né? Só que assim, vamos ajudar um pouco o tempo também, né, gente? Vamos ajudar um pouquinho? É muita carga o tempo fazer sozinho, né? Vamos dar uma força pra ele, né?
Você falou, óbvio, no início, que me marcou muito. Assim, os calendários podem passar. Mas se você não quiser mexer naquele sentimento, sozinho ele não vai mudar, ele não vai desaparecer.
Não. O teu calendário não vai passar. O teu calendário vai ficar parado lá em 1948.
Pois é. Exato. São dois minutos. Eu só posso te agradecer profundamente por tudo que você compartilhou conosco.
É um prazer e honração meu, que lindo estar aqui com você.
Eu estou muito melhor nessa nossa hora do que eu comecei e espero que quem entende esteja acompanhando. Queria que você deixasse então os seus canais. Para quem ainda não segue o Ricardo Prado Psy, siga no Instagram e onde mais?
Tenho o Instagram, Ricardo Prado Psy, que é esse aí, todo mundo já tem acesso agora. Tenho o Facebook, que é o Ricardo Prado, só entrar lá, Ricardo Prado, vai achar fácil. Se alguém tiver dificuldade, é barra ricardopradoselfie. Ok? E eu tô em desenvolvimento, eu tô em repaginação, na verdade, em várias mídias sociais atualmente. Então, tô repaginando YouTube, tô criando aí uma coisa muito legal com podcasts, que vai sair do fôrmulo já, já também, aí a gente vai poder divulgar. Então, por enquanto, eu tô bem centrado aqui no Instagram. E tem um nichinho lá também que eu trabalho, que é muito importante pra mim também. Foi a minha construção de 10 anos de trabalho lá no Facebook também. E nesses dois canais vocês conseguem ter acesso ao meu WhatsApp, enfim. E olha, eu queria deixar, você me deixa finalizar com uma frasezinha bem interessante?
Claro!
O que não tem bons motivos para estar, já se torna o principal motivo para sair.
Repete, não, repete por favor.
O que não tem bons motivos para estar, já é o principal motivo para sair.
Já é o principal motivo para sair. Pronto.
Fica a dica.
Fica a dica. Ricardo, Ricardo. Estarei contigo, então, agora na live também. E conte comigo. Espaço sempre.
Legal. Valeu.
Obrigado.
O meu espaço é o seu espaço também. Gratidão.
Obrigada, Ricardo.
Um beijo para todo mundo também. Obrigadão, gente. Boa noite. Tchau.
Que conversa boa, e você sabe que a conversa boa passa rápido, né? Obrigada pela sua companhia, eu retomei então hoje com o Ricardo as minhas lives diárias com conteúdos que se podem fazer bem pra mim, também podem fazer bem pra vocês. Essa live ficará lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, e se fez sentido pra você toda essa conversa, compartilhe com quem você gosta também. Boa noite e até amanhã.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








