Como o burnout afeta a sexualidade? Participação na live incrível da Paula Napolitano @sexplicando

Therapist Paula Napolitano and journalist Isabela Camargo explain how burnout kills sexual desire. Chronic stress raises cortisol, disrupts hormones, and drains emotional energy. They distinguish spontaneous desire from responsive desire, and suggest sleep, exercise, therapy, and scheduled intimacy as fixes.
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Boa noite, boa noite a todos. Isabela entrando aqui também. Prazer estar aqui com vocês nessa sexta-feira à noite pra gente poder falar desse tema tão importante e que ainda fica esquecido, que ainda é um tabu, que é falar de sexualidade, mas num cenário mais específico dessa vez, que é falar da sexualidade no burnout. Como é que o burnout acaba influenciando a sexualidade? E para isso eu convidei uma pessoa maravilhosa, que eu tô muito feliz de estar aqui, de ter aceito o convite, que é Isabela Camargo, que a gente vai poder conversar bastante sobre esse tema aí do burnout. Ela que já passou por isso, né, e tá fazendo todo um trabalho muito legal para ajudar outras pessoas, né, em relação a isso. Então vamos aqui. Convidar aqui nossa participante poder entrar. Vamos ver.
Oi, tudo bem, querida?
Tudo bem, você?
Tudo ótimo, que bom estar aqui com você e também com toda a sua audiência.
Ai, obrigada, é um prazer enorme você ter aceito esse convite para a gente poder conversar desse tema tão importante. Deu uma travadinha aí. Voltou, voltei. Agora sim, você tá até combinando com as flores atrás de você hoje.
Menina, vou até explicar que eu tô num cenário novo porque eu e meu marido, a gente tá fazendo um deslocamento. Então eu tô numa pousada, né, na serra do Rio de Janeiro. Então a gente chegou e foi procurar um lugar, então eu deixei aqui as As florzinhas eu achei que combina. Tem uma lareira aqui atrás de mim, quer uma coisa mais sexy do que uma lareira?
Ai, que delícia!
Tá vendo? Para o assunto.
Para uma sexta-feira tá delícia.
Mas enfim, vou deixar as florzinhas aqui, tá?
Tá, tá ótimo, tá lindo. Então vamos lá, então queria, para quem por acaso não conhece Isabela, então queria primeiro agradecer, tô muito feliz, realmente muito honrada de estar aqui com você hoje. Então Isabela é jornalista, palestrante, E autora, né, do mais recente livro aí. Muito, muito contente. Ainda não consegui ler ainda, mas em breve. Livro Dá um Tempo. Então aí, para quem não é pré-venda, o lançamento vai ser dia 20, menina. Você vê, tá chegando. Que gostoso!
Semana que vem. Por enquanto são só alguns exemplares, né, para poder fazer essas divulgações assim nas lives. O seu vai chegar já já, né? Mas o lançamento é no dia 20 mesmo.
Ai, que legal, muito bom! Então queria começar então, né, para a gente poder falar desse assunto que é— a gente estava conversando sobre isso, né, o quanto fala: nossa, vamos falar de sexualidade, burnout, meu Deus, mas você vai falar sobre esse tema, né? Para ver o tamanho que é o tabu, né, da gente falar desse tema da sexualidade, né? Como se a gente não pudesse falar das nossas experiências, né, ou de alguma forma, né. Muito quando se fala, só se fala quando tá mil maravilhas, e se é que é verdade muitas vezes, né.
Excelente colocação, Paula. Antes de começar, você tá me ouvindo e vendo bem? Então tá bom. Para mim os comentários travaram, tá. Então não sei se aparecer alguma coisa que eu não vou ver, mas aí você vai, eu te comunicando. É, antes de responder, Paula, sabe o que eu vou pedir para quem está nos acompanhando? Enviar coraçõezinhos aqui do lado.
Ah, sim!
Porque assim o Instagram entende que o assunto é relevante. E aí a nossa janelinha pode aparecer nas homes de mais pessoas, tá? Boa!
Inclusive tem alguém aqui que escreveu aqui agora, acho que tem tudo a ver esse tema, principalmente para as mulheres, né? Que é justamente dessa sexualidade ficar aí para segundo plano e não ser conversada e não ser falada, né?
Sim, até porque, né, Paula, quando a gente conversou, eu pensei: "Nossa, mas eu vou falar sobre o assunto?" Nós temos muitos assuntos que são tabu: idade, dinheiro, sexo, saúde mental, como se nada disso estivesse nas nossas vidas. E nós lidamos com a nossa idade da hora que a gente acorda, da hora que a gente dorme, a gente precisa lidar com o dinheiro, tanto que o Thiago Godoy que nos fez essa conexão. Ele ensina educação financeira, porque não adianta só você aprender a ganhar, tem que aprender a gastar também para poder guardar. A questão do sexo, gente, o homem já foi para a Lua, né? Tá na hora da gente parar de olhar para esse assunto como se fosse: ai, não, eu não posso falar. Não, a gente pode, deve falar. Ainda bem que esses canais agora nas redes sociais, Paula, nos permitem essas conversas com mais profundidade, com mais tempo. Por quê? Porque antes dessa proliferação de canais e de entrevistas, os conteúdos ficavam muito curtos nas mídias tradicionais e dificilmente a gente conseguia se aprofundar, não é verdade?
Exato. E restrito a muito pouca gente também, de alguma forma, né? E é legal que, eu tava até comentando isso outro dia, que por exemplo pacientes que têm dor na hora do sexo, né, um vaginismo, uma dispareunia, que às vezes nem conseguem ter penetração, Que normalmente o perfil que vinha era sempre o perfil de mulher que já tava para ter filho, queria ter filho, e só vinha por isso. Olha, porque queria poder ter uma penetração para poder ter filho. E hoje em dia, então, hoje eu tô, por exemplo, com 3 pacientes com idades de 16, 19 e 21 anos. Então, de pessoas, né, adultas jovens ou adolescentes que estão entendendo que tem uma dificuldade E que já estão se abrindo para trabalhar elas já desde cedo. Então isso é muito bom, né? Mas eu ainda tenho muita paciente que acha que é um ET, e é exatamente a fala delas: eu achei que eu era um ET, eu achei que eu era a única pessoa. Ou homens, né, que não abrem questão de ereção porque todo mundo fala que a ereção tá ótima, maravilhosa, que não é bem verdade, né?
Ô Paula, como você falou, né, as pessoas quando falam que tá tudo bem As pessoas quando falam que está tudo mil maravilhas, tomara que esteja, eu fico muito feliz, né? Mas às vezes discursos muito inflamados e cheios de adjetivos para algumas pessoas inibem as outras de procurar ajuda, porque elas falam: nossa, é só comigo então, né?
Exatamente. Eu já tive, por exemplo, um paciente que ele tava já em processo de alta, ele tinha disfunção erétil, veio para mim por isso, tomava medicamento eretivo desde o início da vida sexual dele para não ter a possibilidade da falha. E aí ele já tava em processo de alta, um amigo dele abriu isso para ele: nossa, eu tô tendo essa questão tal. Ele: puxa, que pena, né, que difícil. Não falou que ele fazia terapia sexual. Que tava dando certo, que já tinha melhorado, tamanho é o tabu, tamanho é a trava, né?
Sim, olha, eu vou dizer para você uma coisa, Paula, quando você me propôs esse assunto, também não foi natural falar sim, e ainda eu tô aqui assim pensando, né, nossa, mas o que será que eu vou falar? Assim, outro dia alguém me disse assim, ah, Isabela, você é muito corajosa, né, por falar, entrar no assunto saúde mental. Falei assim, olha, mas Não tem outro caminho a não ser falar a verdade. Eu sou jornalista, pode ser que às vezes eu fale uma coisa que vai doer mais para um, mais para outro, mas é a verdade. E geralmente aquilo que a gente não quer ouvir é o que mais a gente precisa ouvir, né? E tudo isso para te contar que, mesmo eu sendo jornalista que encara os fatos e tudo mais, não é fácil falar sobre isso. E não é fácil falar sobre algo Que eu sei que atinge, que dificulta a vida de muitas pessoas. Mas então volta, nós estamos falando de mais um assunto. Então que bom que esse canal existe pra gente poder falar, né? Com muita responsabilidade, como você disse, porque tem muitas pessoas precisando de ajuda. Então quem nos acompanhar tá fazendo uma escolha, como tá escrito ali em cima do seu quadro, né?
Escolhas. E acho que é justamente isso, né? Dessa questão da coragem, que é cor-ager, agir com o coração. E aí o Tony tá dizendo aqui justamente: o preconceito e a falta de encarar alguns assuntos só atrapalha. E é isso mesmo. Então vamos lá, fizemos nossa introdução e aí eu queria, óbvio, começar a falar um pouco sobre o burnout para quem ainda não sabe exatamente o que é, o que que acontece. Então para a gente descrever um pouquinho, e se você puder contar um pouquinho também do que você passou com burnout, como você descobriu e esse processo Pra gente entender primeiro de onde a gente está partindo.
Sim. O Paulo—
Tá dando uma travadinha, né? JM falando aqui que faz terapia, que ajuda muito. Gente, terapia ajuda muito. Nunca é sinal de fraqueza, pelo contrário. É sinal de coragem, de fortaleza, de que eu quero melhorar. E o meu, oi, Ivana, dizendo justamente que o tema é muito top. Obrigada, tema é muito importante mesmo. Tá travando muito, né? É, Isabela caiu, vai voltar daqui a pouco. Tá travado só o da Isabela ou tá travado o meu também para vocês? Dê um aviso aqui se tá só o dela ou se o meu também tá travado. Só o dela? Tá, ótimo. Não, ótimo não, né? Mas pelo menos aqui estamos continuando. Olha lá, Eli falando que terapia amor próprio. Exato, terapia amor próprio. Obrigada, gente, pelo retorno aí. Não peguei o tema. O tema, a gente tá falando como o burnout interfere na sexualidade. Esse é o nosso tema de hoje. Então, de alguma forma, essa junção entre o burnout e a sexualidade. Existe sexualidade quando a pessoa tá nessa síndrome? Não existe? O que que essa síndrome, né, do burnout interfere. E é isso que a gente vai conversar um pouco hoje. Olá, Simone! Terapia mudou minha vida. Que bom, que bom, gente! Vale muito a pena. Terapia, terapia sexual, qualquer uma delas. Simone falando que salvou o casamento dela, terapia.
Voltou, voltamos, Paula. Pegando aqui já o gancho de vocês, toda ajuda que chega para te organizar as ideias é bem-vinda, né? Ô Paula, eu tava comentando contigo que se eu usasse todo o tempo da nossa live para explicar o que é, etc. e tal, não seria suficiente o tempo. Então eu vou ser bem breve, quem depois quiser se aprofundar, né, bora no Google, tem informação aí bastante, mas hoje Nós temos um estudo pela USP, que é o último número que nós temos no Brasil, e que chegou à conclusão que no Brasil tem 20 milhões de pessoas com diagnóstico de burnout. Mas aí se a gente ampliar um pouquinho a história e pegar os números da OMS, a gente tem 18 milhões de brasileiros com diagnóstico de ansiedade e 12 milhões com depressão. Então se a gente fosse ampliar a relação, aliás, as consequências de todos esses problemas de saúde ao sexo, aí pode ser que mais pessoas se incluiriam na conversa. Então, o que eu falar sobre burnout também serve para depressão, ansiedade e outras patologias relacionadas à mente, né?
Exatamente.
E aí, Paula, no livro, inclusive, né, tá aqui, eu coloco os sinais que podem anteceder o burnout. Tá, vou começar por eles, que depois eu passo para você. Então, os sinais que podem anteceder o burnout são infinitos, porque todos nós temos biologias diferentes, genéticas e ambientes. Então eu posso viver no mesmo ambiente que você, mas sentir coisas diferentes, certo? Então no livro que eu coloco são 28 28 dores, problemas, sintomas que eu tive. Então eu descrevo, inclusive, com a validação de médicos e outras dezenas de mil pessoas. Então você começa a ter os problemas de sono, os distúrbios do sono, dor de cabeça frequente, acne, manchas na pele, dor muscular, bruxismo, o cortisol, que é o hormônio do estresse muito alto, que é onde eu quero abordar contigo. A imunidade fica baixa, as alergias aumentam, infecções, tremedeira nos olhos, audição fica pior, né, a visão além da tremedeira. São tantas coisas que é impossível alguém não se identificar. Mas tudo isso, gente, vai acontecendo ao longo do tempo e por longos períodos. Não é que de um dia para o outro você vai ter tudo isso, não. Você vai acumulando. A gente sabe, né? O corpo vai avisando e a gente vai ignorando. E no meio desses 28, Paula, eu coloco aqui perda de libido. Como você mesmo falou, perda de libido pela vida, porque não tem como você estar com o seu corpo tão desequilibrado e essa área estar te unindo.
Você concorda? Exatamente, porque é isso, né? A sexualidade, ela é influenciada por tudo, que é o que a gente falou, é libido de vida. Se a minha libido de vida tá prejudicada, a minha libido sexual, ela também vai estar prejudicada. Porque se o meu corpo, a minha mente, a minha emoção tá doente, tá fragilizada, tá exausta, eu não tenho como ter energia para me dedicar à sexualidade e às vezes ao relacionamento.
E tudo bem, gente, porque tudo passa, né? Assim como momentaneamente você, momentaneamente, vou repetir, você se afasta um pouco, né, do ambiente de tudo, isso passa. Então, por mais que esta perda de libido aconteça, ela é passageira, como em outras situações, né? Mas aí eu preciso dar um passo atrás para quem ainda não pegou o que nós estamos falando. A síndrome de burnout acontece pelo excesso de trabalho. Então é um fenômeno relacionado ao ambiente de trabalho, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e foi incluído no Código Internacional de Doenças em 2019. Não é uma coisa que eu estou dizendo, não. Fenômeno provocado no ambiente de trabalho. Por quê? Pelo excesso de trabalho. Então esses 20 milhões de brasileiros provavelmente terão histórias para nos contar sobre este caminho do excesso, que também não é de um dia para o outro. Então quem está nos ouvindo, depois vai nos acompanhar na gravação dessa live, sabe, Paula, precisa identificar o seguinte: Não é um excesso de final de semana, não é um cansaço de final de semana, são excessos e cansaços por longos períodos. Então, quando você tem este freio, né, que dão o nome de burnout, você entende que o estilo de vida que você tava levando não é saudável. Aí você vai fazer duas escolhas, né: eu continuo naquele modelo e adoeço mais, ou eu paro. Então, traçando todo esse paralelo, é importante dizer que a perda da libido é só uma das consequências, né, que evidente está relacionada a outras perdas. Eu quero te pedir licença, Paula, e ler o que a Doutora Thelma Ramos Trigo me disse.
Claro!
Ela é uma referência no mundo sobre os estudos de burnout e neurologia. Diante de um estresse, nós lançamos mão de ferramentas biológicas para voltarmos ao equilíbrio celular. Quando esse estresse não é resolvido e se torna crônico, a nossa capacidade adaptativa não se mantém. Ou seja, se eu tenho momentos de estresse crônicos não resolvidos, essa capacidade de adaptação não se mantém. Aí a gente inicia um processo inflamatório. Que vai causar liberação de substâncias que vão lesar todos os nossos órgãos. Ou seja, não é somente o cérebro que é atingido, e sim o nosso corpo como um todo. Somos um sistema integrado. Pronto.
Exato. E aí eu acho que é muito legal isso que você tá falando, e até com as perguntas que estão colocando aqui, né? Se ocorre, pode ocorrer no home office?
Sim.
Se pode ser considerado excesso de trabalho mesmo que você não permaneça longas horas no trabalho? E assim, claro, né, gente, porque existe uma questão de uma pressão, né? Então são muitas vezes trabalhos em que existe uma pressão que pode ser externa como pode ser interna, né? Uma questão muitas vezes de competitividade ou de muita responsabilidade. Então, tudo isso, tudo isso tem muita responsabilidade. Ou às vezes quando você tem sempre a sensação de que você não é bom o suficiente, que você não tem habilidades e competências para aquele cargo. Para aquele trabalho e isso vai sendo uma pressão muito grande para você e você pode ir desenvolvendo o burnout de alguma forma, né?
São muitos fatores, viu, Paula? É um assunto que ainda precisa ser muito estudado, embora a gente já tenha muitos órgãos sérios, a USP mesmo agora se interessando, a OMS, a ONU falando sempre disso. Agora, por exemplo, muitos especialistas incluíram o burnout como fazendo parte da quarta onda do COVID. Todos os dias quem está aqui, se estiver atento, vai ver uma notícia em algum lugar sobre o aumento do burnout entre os médicos, entre os professores. Ou seja, nós não estamos falando de algo que está lá longe, a gente está falando de algo que está aqui do nosso lado. Mais uma vez, algumas pessoas vão achar que não precisa falar sobre isso, assim como acham que não precisa falar sobre dinheiro. E tudo bem, né? E tudo bem.
E a própria coisa de muitas pessoas não se identificarem ainda com isso, né? E acharem que tem que passar, ou que a vida é assim mesmo, ou que a vida é dura. Então algumas crenças também em relação ao trabalho que podem prejudicar. E talvez até às vezes um baixo autoconhecimento de não ir percebendo os sinais do teu corpo, as mudanças do seu humor, as mudanças na sua relação, que vão dando esses sinais, né?
Sim, é isso mesmo. E outra coisa, né, Paula, a gente sempre acha que tudo é normal. Ou que tudo não é nada, ou que nunca vai acontecer nada comigo. Então a gente tem que olhar para tudo isso de uma forma com muita responsabilidade, honestidade, humildade, reconhecimento, respeito. Especialmente porque vivemos no mundo digital, mas o nosso cérebro é analógico. E como é dito aqui, né, somos um sistema integrado. Eu tava tentando achar um exemplo Paula, é como se fosse um carro, né? O carro, ele pode estar com pneus ótimos, se ele não tiver com combustível, ele não roda, né? Então, um exemplo assim muito simples: por fora nós podemos estar muito bem, mulheres maquiadas, homens bem vestidos, cheirosos e tal, né? É como pneu do carro. Agora, se eu não estiver com a minha mente organizada e descansada, Tá, se você quiser a gente pode falar sobre isso, que aí tem muito a ver com a questão da libido. O carro não roda. Então eu posso até segurar onda assim, né, dando aquela, né, todo mundo já usou energias que estavam vindo assim do cosmos, né, de tão cansados às vezes que ficamos, mas isso é por um período só. Então se a nossa live acabasse agora e você me fala assim: Isa, consideração final. A gente tem que tomar muito cuidado com o que a gente considera como normal. A gente está lidando o anormal como normal e isso vai levar a vários problemas.
Exatamente. E aí essa questão justamente que se o carro, por exemplo, nesse exemplo, se o carro não tiver uma manutenção com certa frequência, ele vai pifar. Vai ter coisas que você vai conseguir consertar, mas tem coisas que você não conseguiu, que já fundiu, que já acabou. A mesma coisa na gente, né? A gente precisa dessa manutenção constante, desse descanso, de férias, de uma qualidade de vida um pouco mais equilibrada entre as esferas da vida, né? Parar e rever a nossa vida com certa regularidade. Como é que eu tô? Como é que estão as coisas, né?
E, Paula, é tão louco porque quando eu falo sobre o sono, por exemplo, que é a primeira coisa que você que está nos ouvindo, nos vendo, nos acompanhando, fala assim: tá bom, então o que que eu faço? Durma, durma, descanse, para depois pensar então dormir, né, com seu companheiro, com sua companheira, com seu cônjuge, porque você precisa estar descansado, Paulo. Não dá mais para a gente aceitar, né, que um corpo cansado, exausto, vai ter energia para fazer sexo, para ter uma vida com equilíbrio. Não tem. E aí você tocou num ponto que eu acho que vale a pena a gente falar, que é sobre o estresse. A gente tá falando sobre estresse, Todos os trabalhos têm seus níveis de estresse, mas algumas profissões têm um estresse maior, por mais períodos, e que vão provocar outras reações. E aí aqui no livro também eu trago, Paula, que assim, o estresse ele pode ser negativo ou positivo. Não vou entrar nessa questão, mas ambos provocam reações fisiológicas, emocionais e comportamentais. De maneira bem breve é o seguinte: Eu acordo, eu preciso do hormônio do estresse, que é o cortisol, para me manter motivada, acordada, atravessar a rua raciocinando. Só que em excesso, ou seja, esse estado de alerta o dia todo vai consumir energia que eu deveria usar para outras coisas, entende? Então nós estamos falando sobre excesso de estresse. E aí, Paula, eu te digo assim: Quando você tá trabalhando muito e tá muito estressado, você abre mão de várias coisas. A primeira são as horas de sono. A segunda são a atividade física. A terceira são os momentos de lazer.
Que libera hormônios super importantes pra justamente você ter esse relaxamento, essa sensação de prazer, tudo, né?
Aí a terceira são os momentos de lazer. Ou seja, as três coisas que você pensaria ou viveria mais condições para o sexo com quem você ama, porque não é falta de amor quando você perde a libido, não, é uma falta de condição biológica. É evidente, porque se você não tá descansado, seu corpo não está equilibrado, não produz o que precisa produzir. Você não faz exercício físico, então suas células estão tudo lá congestionadas, né? E não tem momento de lazer, você só trabalha, a sua energia é só para trabalhar, Paula.
Exato. E aí, isso que é importante a gente entender, que na libido Tudo influencia. Questões suas pessoais, questões do outro, questões da relação, questões da sociedade. Então tudo influencia na libido. Então quando alguém chega: tô com uma baixa de desejo, ou não consigo chegar ao orgasmo, ou tô com problema de ereção, muitos parceiros ou parceiras associam: não me ama mais, ou tá achando que meu corpo não é mais bonito, não tá mais com tesão comigo. E gente, não vamos reduzir a sexualidade. Ela é muito maior do que isso, né? Então entender que sim, o estresse vai prejudicar extremamente a sexualidade, o cansaço, a ansiedade. Eu sempre brinco, né, que se a cabeça de cima tá pensando, a de baixo não funciona.
Isso é para homem e para mulher. Se a cabeça de cima tá funcionando, a de baixo não funciona.
Para homens e para mulheres, porque se eu tô aqui, se eu tô pensando, se eu tô estava ocupada, eu saí das sensações. E são as sensações que vão me levar a uma excitação e assim por diante. E quem tá nesse estado de esgotamento, a cabeça não para. Sim, ela não para. E aí eu não tenho como me envolver nessas outras questões, fora que eu começo a justamente ter todos esses sintomas que você falou. E começa a tomar vários remédios, isso começa a tomar medicamentos, né, começa a desenvolver uma depressão, por exemplo, uma ansiedade, começa a tomar antidepressivo, coisas do gênero. E todos os medicamentos também podem interferir, sim, sim, né.
Então a gente tem esse conjunto, e até você aceitar, né, até todos que estão à sua volta aceitarem que Aquilo é uma fase, é isso, aquilo é uma fase. E aí eu ouvi outro dia uma frase que me emocionou muito durante uma live, que quando você está vivendo uma situação dessa, seja no trabalho, com o burnout ou outro problema de saúde, a falta de libido não significa que você seja uma pessoa ruim, não significa que você seja um profissional ruim, significa apenas que é uma fase ruim, de aprendizado, mas que pode te deixar mais forte. E isso leva tempo, porque, Paula, a gente não adoece de um dia para o outro, né? Mas com informações certas, como a gente está tentando mostrar aqui para vocês, gente, dá para prevenir se a gente não tratar como normal o que é anormal.
Exatamente.
Se a gente quiser encarar realmente as situações como elas são.
E aí eu acho que uma dica, né, para a gente falar um pouquinho de dicas até nesse sentido. Então quem tá passando por isso, claro, quem tá passando por uma questão realmente, né, de um transtorno, aí é importante ter paciência consigo mesmo, né. Então entender isso que a Isabela tá falando, que existe um processo e tem um tempo para isso. Mas uma das coisas que vai ajudar É justamente a pessoa conseguir, junto com a parceria, dedicar um tempo para a relação. E a gente não tá falando de sexo, a gente tá falando de namoro.
Isso, né?
Porque aí tem duas coisas que atrapalham de modo geral. Vejo no consultório e fora, a maioria dos casais, a maioria das pessoas, que é esse mito do espontâneo. No amor e na sexualidade. Essa ideia que o desejo tem que ser espontâneo, ele tem que aparecer mágica, eu não preciso fazer nada. E no amor também não, eu preciso ter, tem que vir uma vontade intrínseca de ir lá e fazer um carinho no meu parceiro, na minha parceira, tem que ser uma vontade intrínseca de ir lá e preparar um jantar especial, uma coisa, e não acontece assim, né, gente? O que é que a gente faz de pura espontânea vontade, a hora que quer, do jeito que quer, a quantidade que quer. O que que você faz na hora que você quer, do jeito que você quer, quando você quer?
Bebo água. Acho que é a única coisa.
E às vezes tem hora também que você não tá com água ali do lado e não dá. Por exemplo, na live, não deu.
Exatamente. Não dá para ter tudo o tempo inteiro do jeito que a gente quer, na hora que a gente quer.
Não dá. E no amor e na sexualidade também. É um cultivo. E aí isso nos relacionamentos a mais longo prazo é que acaba atrapalhando, porque a gente acha que ele vem, que ele tem que vir. E eu costumo dizer que é como um bichinho de estimação, né? Você pode chegar o bagaço, estressado, cansado, acabado, você vai deixar de dar comida para ele, né? Os seus gatinhos, por exemplo, né? Põe comida, coloca água, assim faz um carinhozinho neles, vai tirar ali a areia deles ali mesmo estando acabada. E por quê?
Afeto.
Porque precisam de você, né? E aí no nosso relacionamento a gente fala: amanhã, aí no fim de semana, aí nas férias. Aí a gente faz isso, Paula, porque a gente tem um pouco essa ideia de já tá ali, né? Essa ideia dessa já conquistei, já tá ali, já tá mais seguro. E às vezes até essa ideia de que justamente a gente não precisa se dedicar para o relacionamento, para o amor e para o sexo, de que ele é espontâneo, de que ele tá ali. Principalmente no caso das mulheres que são ensinadas muitas vezes ao longo da sua criação, que a sexualidade tá lá em último plano. Então ela tem que cuidar de tudo antes e depois fica sexualidade.
É curioso, né, Paula, porque para mulher a sexualidade, como você tá dizendo, é colocada em último plano. Para o homem, sexualidade é colocada em primeiro plano. Gente, essa matemática tem alguma— tem uma parte assim, perdi uma parte desse filme.
Exatamente.
Linda essa colocação que você fez, né? Para mulher Mas sexualidade é o último plano e para o homem é a primeira.
Como é que faz? É, e aí é que muitas vezes a gente encontra aí um desnível grande. Muitas vezes, por exemplo, tem gente que enxerga também e consegue aliviar-se, aliviar a ansiedade com o sexo. Então consegue de alguma forma usar o sexo para aliviar, mas a maioria das pessoas não.
Ai, que bom que você falou, a maioria das pessoas não. Porque isso não é tão comum, né? Ô, Paula, perdão, pode continuar.
Não, que eu ia dar um exemplo que assim, como os homens muito começam a se masturbar desde a adolescência e tem que ser aquela coisa rápida porque alguém pode chegar, alguém pode descobrir e tal, e acabam aprendendo a se masturbar muitas vezes antes de dormir, para dar aquela aliviada, para dar aquela descansada. Então às vezes também há uma construção que vai sendo feita de que se masturbar, de que o sexo muitas vezes é para esse alívio. E a mulher não, ela pensa o sexo mais associado, pela criação dela, ao carinho, ao afeto, a um tempo de qualidade que tem que acontecer perfeitinho, legal. E perfeitinho, às vezes a gente não acha esse espaço, né? Perfeitinho. Às vezes a gente não acha esse tempo, esse espaço para estar tudo, a constelação alinhada, né?
Paula, você falou uma coisa que eu gostaria de dar uma complementada, né? Sobre o tempo de qualidade, que é o que eu falo no livro praticamente inteiro, como colocar mais vida nesse tempo, porque a gente está passando muito rápido pelo tempo. E você sabe que o Carl Honoré, não sei se vocês já ouviram falar dele, E ele escreveu vários livros e um deles chama Slow, que é o devagar. Ele fez parte daquele movimento, né, mundial do slow, do fazer tudo mais devagar. Então tem o slow food, o slow não sei o quê, e tem o slow sex. E neste livro, é um livro de capa amarela, recomendo quem puder, é muito bacana. Ele fala de pesquisas que foram feitas nos Estados Unidos com casais que eles eram obrigados a ficar, por exemplo, uma hora juntos. Uma hora juntos. Então, no início eles tinham um relacionamento super insatisfatório e aí, a partir dessa experiência, a coisa mudou. Então, onde eu quero chegar com essa história? Por isso que vale muito a pena a leitura. É um capítulo que ele fala todo sobre isso. Porque a gente também não pode se cobrar para que essa mudança aconteça de um dia para o outro, né, Paula? Porque, veja, senão dá a impressão que as pessoas vão para a cama e não desligam porque não querem. Ah, então agora apertei o botão, paro de pensar. Não é tão simples assim, né, Paula? E aí o Carl Norell fala no livro: se você não dedicar tempo, né, com o tempo você vai ficando pior, mas com o tempo você pode melhorar tudo.
Vai melhorar, exatamente. Então às vezes na Jovem Pan me perguntavam: ah, então você tá querendo dizer que precisa ter o dia para transar? Não, mas precisa ter o dia para namorar.
Caminho do meio também, né?
Precisa ter o dia do casal, precisa ter um dia da gente estar junto, pra gente conversar, pra gente deixar os celulares de lado, né?
Agora eu vou te fazer uma pergunta, Paula, aquelas, né, gente? Eu tô entrevistando a entrevistadora. Quando eu falo sobre a prevenção, né, para produtividade sustentável, pra gente viver uma vida Que vale a pena ser vivida. Eu falo sobre se colocar na agenda, marcar reunião com você. Isso também não é fácil, eu sou a prova aqui. Não é todo dia que eu tenho uma agenda maravilhosa, mas quando eu excedo num dia, no outro alivio. Isso eu já aprendi com a minha experiência, né? Não preciso repetir de série, eu já sei. E o que que você acha daqueles casais que aí os casais se colocam na agenda Porque, veja, nós fazemos uma agenda com os compromissos de todo mundo, do trabalho, do projeto, do fulano, ciclano e tal. E sobra pouco tempo para você. Consequentemente, vai sobrar muito pouco tempo para o casal. O que você acha dos casais então que se colocam na agenda: quarta-feira, 8 horas, nós vamos jantar. Aí o que vai acontecer disso depois vai depender desse jantar.
Eu acho maravilhoso.
Tem que fazer isso?
Tem que fazer isso. Claro que você conseguir isso também espontaneamente e não depender apenas desses momentos marcados é ótimo, mas muitas vezes se a gente não marca, a gente não os tem, justamente por essa ideia de eu preciso trabalhar, eu preciso pôr dinheiro em casa, eu preciso cuidar da casa, preciso cuidar— e o relacionamento fica— é como a gente vê às vezes, por exemplo, quando a gente faz metas de início de ano. Faz metas de início de ano. Dificilmente as pessoas põem metas na sua sexualidade, metas no seu relacionamento, mas põe metas do trabalho, metas de estudo, metas de cursos, metas de saúde, metas com os amigos, metas de lá, mas não põe muitas vezes do relacionamento e da sexualidade. Então assim, tudo que a gente mais conquista, mais consegue mais se sentir feliz é porque a gente de alguma forma dedica tempo, dedica afeto, dedica atenção. Você põe uma atenção às vezes intencional, às vezes não, mas você dedica. E a gente precisa se dedicar ao nosso relacionamento justamente para que esse desejo, esse amor possa surgir de alguma forma. E aí tem a distinção que é muito legal, que é a distinção entre o desejo espontâneo e o desejo responsivo.
Nossa, pera lá, tô anotando aqui: desejo espontâneo e desejo responsivo.
O desejo espontâneo é o que a gente é criado a achar que ele vai acontecer a vida inteira, que é esse desejo que vem, ele só vem. Só que ele só vem em algumas circunstâncias específicas, que são: Na adolescência, no nosso boom hormonal, que tá ali aquele boom de hormônio acontecendo, aí ele vem meio espontâneo, porque tá ali todo hormônio acontecendo e é tudo novo. Você tá conhecendo tudo, é o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira, né? Quando a gente tá início de relacionamento, também porque você tá na época da paixão, onde também tem toda uma química aí agindo, né? Onde você tá se dedicando à pessoa e não intencional muitas vezes, mas o que que eu vou fazer, o que que a gente vai fazer, onde a gente vai, que roupa eu vou pôr, o que que eu vou pôr, que música eu vou pôr, quero dar um presente, que restaurante a gente vai, que perfume eu uso. A gente dedica tempo, a gente dedica intenção, a gente dedica energia. E a outra situação é quando o copo do desejo tá cheio de alguma forma, né, que eu uso uma metáfora que todo mundo, cada um tem seu copo do desejo, você mesmo pode encher pode encher, ou seu parceiro ou parceira podem encher, ou outros estímulos podem encher. Quando ele tá cheio porque você tá sendo estimulado, aí parece que o desejo vem espontâneo, mas na verdade ele tá vindo porque ele tá cheio. Fora isso, não é o desejo espontâneo que rege, principalmente relacionamentos de mais longo prazo, principalmente pessoas que moram juntas, e que tem trabalho, contas, finanças e afins. Aí entra em pauta o desejo responsivo, que é o desejo em que ele só aparece quando ele tem um estímulo. Então ele aparece respondendo a um estímulo. Então não estou com desejo a priori. E aí, como a gente acha que esse desejo tem que estar a priori, muitas vezes a pessoa não está com vontade e aí o parceiro vem dando beijinho, Vem dando uma insinuada de que tá a fim de alguma coisa, a pessoa já sai fora. "Ai, tô muito cansada. Ai, preciso dormir. Ai, não sei o quê." E às vezes não se permite a possibilidade do desejo responsivo aparecer. Então, quando você tem mais esse tempo de namoro, o desejo responsivo começa a aparecer mais. Eu tenho muitas vezes, a gente passa como tarefa de casa de terapia sexual São exercícios que a gente chama de foco sensorial, que é justamente exercícios para as pessoas começarem a sentir o corpo como um todo. E aí às vezes tem um casal que vai fazer um exercício que eu passo, que é eles tomarem um banho juntos. Tomarem banho juntos, ensaboarem um ao outro, mas que não é para ter nada sexual. É só um ato de sentir o corpo, sentir as partes mais sensíveis. E aí eles chegam normalmente contando: "Ai, a gente teve que fazer a sua tarefa, né?" Aquela coisa bem tchec, assim: "Vamos fazer a tarefa da Paula, porque senão a gente vai ter um problema." Checklist. Aí eles começam a contar o que fizeram e tal. "Ai, rolou." Eu falo: "Mas como é que rolou? Vocês estavam sem desejo e não era pra rolar." "Ai, você sabe aquele negócio que você fala, desejo responsivo? É verdade, ele aparece mesmo." Então, ele aparece. E aí justamente esse mito de que é o desejo espontâneo, a gente não se permite. Às vezes aparecer. O que tem um adendo, né? O fato de eu tentar fazer, então assim, meu parceiro começa a vir dar um beijo, fazer um carinho, a gente está conversando, a gente toma um vinho e tal, às vezes o meu desejo vai aparecer e às vezes não. E se ele não aparecer, eu preciso falar: "Olha, não entrei, não rolou, vamos deixar para um outro dia e tal, não vamos desrespeitar e ultrapassar os nossos limites." Sim, mas muitas vezes eles aparecem.
Olha que lindo, excelente! Ô Paula, você comentou agora, né, você tem que dedicar tempo, isso para tudo, né, tempo, atenção e intenção. Então, tempo, atenção e intenção, perfeito. Agora, veja, se você está num ciclo de muito trabalho, pouco descanso, significa que o seu corpo tá todo desregulado, como eu li aqui, o que a neurologista fala. né? Então, se você não tiver nenhum desequilíbrio sexual ou qualquer outro, olha que você é uma exceção.
Sem dúvida.
Eu falei com mais de 4 mil pessoas, sabe, Paula? E todas estavam sem entusiasmo da vida, sem libido da vida. Então, assim, a questão do sexo é um dos pontos, né? Porque ela já deixou de se amar. O burnout é ausência de si mesmo, então como é que ela ainda vai amar outra pessoa? E o parceiro dessa pessoa, parceiro, companheiro, companheira, vai viver um período de muita compreensão. Como eu disse, é uma fase, é uma fase, não adianta a gente fugir desse assunto, sim, ele existe, mas é uma fase, ele passa. E se você estiver com alguém e existir um diálogo, uma conversa transparente, aí você passa por todas essas dificuldades sem criar mais dificuldade. Isso, né?
Sem criar problema no relacionamento ainda.
Você não vai resolver um problema criando outro problema. Então vamos lá, vamos dividir, né? Dá para esperar um pouquinho porque é um processo químico. Às vezes você vai precisar de remédio, às vezes não, né? O, para quem se afasta para tratar qualquer problema de saúde. Então quando você me perguntou, ah, o burnout, o sexo, sim, tem tudo a ver. Como tem a ver com um monte de coisa, porque o sujeito que não se colocou na agenda, que não se cuidou, ele tá todo desregulado, né? Você sabe que teve uma vez, eu fui dar uma entrevista inclusive na Jovem Pan, e um dos entrevistadores ele perguntou: ah, mas você teve alguma dificuldade? Eu nem lembro qual foi a pergunta, mas tava relacionado ao sexo. Ali que caiu a ficha. Eu falei: nossa, gente, eu nem tinha considerado isso como uma consequência.
E de fato, porque você tá sem energia, Porque não cabe, nem cabe ali, porque você tá com tantas outras coisas que já te sugaram e que você tá tentando enxugar ali, tentar dar um jeito, que não cabe ali. E aí você falou uma coisa muito importante: a comunicação entre os parceiros é extremamente importante, e o apoio da parceria é fundamental nesse momento.
Quem estiver com você, para continuar, se quiser continuar, né, vai precisar ter muita compreensão, paciência, porque passa. Assim como essa, essa inabilidade, vamos dizer assim, essa falta de libido acontece em outras situações da vida. Total. Não é só com burnout, acontece um monte de situação. Então a gente não pode carimbar Ai, quem tem isso vai ter aquilo. Não. Ai, quem tem isso vai viver aquilo. Não. Mas também nós não podemos desconsiderar que isso pode acontecer, né, Paula?
Exato. E justamente isso, não é não amor, não é não valorização, não é priorizar, mas não dá naquele momento, não dá, né? Precisam de outras coisas. Mais prioritárias naquele momento, sim, para a vida, para libido de vida ir retomando aos pouquinhos. E aí acho que uma das coisas principais é isso, né? Precisa de um acompanhamento, né? Fazer uma terapia, muitas vezes ter a parte medicamentosa é importante, sim. E aos poucos voltar a incluir esses pequenos autocuidados, essas pequenas coisas que justamente são aquelas que vão nos fazer bem de verdade. E que foram todas essas que normalmente a gente deixou de lado.
Perfeito, perfeito. Paula, e aí agora você falando, me veio uma mensagem assim na cabeça. Talvez nesse momento mais delicado do estresse, nós estamos falando aqui de excesso de estresse, excesso de estresse por longos períodos. O amor virá antes do sexo. É isso. Eu tenho a sorte de conviver e dividir a minha vida com o Thiago. E nós nos amamos. E por mais que eu tenha vivido um período de muito déficit energético para tudo, para tudo, né? Porque você, quando você tá no pico do burnout, você tem dificuldades intelectuais, inclusive de compreender um texto. Imagina as outras dificuldades. Então, mesmo com todas essas dificuldades, é importante que eu diga isso. Não estou expondo nada, mas é só para que quem estiver vivendo isso pense: então, de repente, agora é o amor que vai ser prioridade.
Exato.
Se o tempo ficar mais espaçado entre uma relação e outra, tudo bem, é passageiro. A gente precisa falar isso, Paula, porque senão as pessoas vão estar vivendo suas situações, vão achar que são só elas. Independente da situação, é sempre bom procurar um especialista. Isso!
Exato!
Levanta bandeira!
E aí até a coisa que a gente até já conversou uma vez das linguagens do amor. Então aí as linguagens do amor, elas têm um papel fundamental, mais ainda, que é deixar o tanque de amor um do outro cheio.
Linguagens do amor.
Aprendendo a falar as linguagens do amor do parceiro ou da parceira. Fica mais fácil, ou melhor, fica menos difícil passar por todo esse processo, mas é isso, é um processo que tem de alguma forma um início, meio e um fim. Claro que ele pode ter oscilações, mas é um processo.
Paula, tô vendo aqui o tempo e eu preciso falar uma coisa muito importante. Você falou sobre a comunicação e eu esqueci de complementar o seguinte: Nem sempre a pergunta terá uma resposta. Nem sempre a pessoa que está vivendo aquele processo doloroso de afastamento, de tratamento, etc., ela vai conseguir expressar o que ela está sentindo corretamente. Ela vai conseguir dar as respostas que o mundo está perguntando, porque ela já tá vivendo uma série de questionamentos, dificuldades, adaptações. E adaptações com remédio, com tudo. Então, por que que eu estou dizendo isso, gente? Sejam também muito compreensivos, tenham compaixão daquele ser que não está conseguindo se expressar. E se não está conseguindo se expressar, é porque não consegue. Se conseguisse, estaria, né? Então tenham paciência, porque é uma fase. De novo, tudo é temporário. Então, se existir uma fase meio nebulosa, meio insegura, meio confusa, Respeita, porque vai passar. Porque se ficar insistindo é muito pior.
Claro, porque é mais uma pressão e ela não consegue.
Exatamente, mais uma pressão. Ela não consegue. Repito, ela não consegue, porque se conseguisse já teria feito.
Exato, e aí corre risco de espanar. Então eu jogo tudo para o alto, porque eu não aguento mais essa minha pressão, essa minha sensação de fracasso, de incompetência, de fadiga, que tá ao mesmo tempo tudo junto, com o externo me cobrando o tempo inteiro.
E não tem como, né? É isso, a comunicação da mental.
Foi um prazer enorme estar aqui com você. Eu queria que você contasse, porque, bom, a gente vai encerrando aqui porque eu quero salvar ela bem salvadinha, assim, que depois se eu perco essa daqui, todo mundo falou: você precisa assistir, tal.
A gente faz outra.
Boa, gostei. Então assim, eu acho que o que que a gente poderia deixar assim para as pessoas pensando nesse tema, tanto do burnout quanto da sexualidade, e acho dessa questão do autocuidado, né, de alguma forma. E eu acho que o teu livro também, né, traz um pouco desse lado também do como ir saindo e como ir se reerguendo, né, de alguma forma, né.
Sim, primeiro a gente tem que falar de amor. Amor próprio, amor com o companheiro, parceiro, parceira. Lembrar que se eu não me cuidar, eu estou abdicando do meu tempo para cuidar de alguém ou fazer algo para alguém. Então eu vou ter que inverter essa conta. Então primeiro preciso me cuidar, primeiro preciso me amar, para depois amar outra pessoa. Não ficar em relacionamentos tóxicos por medo de não encontrar alguém que não seja tóxico. Não, é igual o trabalho. Uma coisa tem total relação com a outra. As pessoas me perguntam: "Ah, mas eu tô vivendo num trabalho assim, assim, assado..." Bom, você tem duas alternativas: ficar doente no trabalho que não está te fazendo bem ou mudar de trabalho com saúde. A mesma coisa no relacionamento. Então, primeiro, amor. Próprio. Segundo, ter alguém para amar. E se não tiver, não investir esse tempo com alguém que não mereça o seu amor, porque pelo menos você guarda, guarda para você.
É, e lembrar dos relacionamentos, né? Os relacionamentos acabam ficando esquecidos um pouco, né? Justamente que a pessoa se isola mais, né? Mas a importância muitas vezes da família, dos amigos, das pessoas queridas ali, que não precisa ser parceiro aceita afetivo sexual, né?
Sim, sim. Por isso que é, quando você me pediu, vamos falar de sexo e burnout, sim, porque eu sabia que a gente ia chegar no amor. É, o sexo vai ser uma consequência. E assim, lembra que eu falei, é, isso tá no meu livro, em tudo quanto é prosa que eu tenho, é, quando você não se coloca na agenda, você primeiro subtrai suas horas de sono, depois atividades físicas e lazer. Então é evidente que você não tá se permitindo nada: alegria, felicidade, sexo, prazer e tudo mais. Então nós não podemos desconsiderar, a gente não pode achar que isso é normal, né?
Então, amor, tempo e aceitação.
Se você ainda não está conseguindo se colocar na agenda, tá difícil ainda ser prioridade na sua vida, entenda que você precisa aceitar que o modelo que você tava vindo não vai ter futuro saudável.
E que aí essa importância desse autoconhecimento. O que é importante para mim de fato? A gente precisa parar e pensar, né, o que é de fato importante para mim e o que é que eu estou priorizando. Porque muitas vezes eu falo que saúde é importante para mim, quando eu vou ver, tenho zero tempo na minha vida, na minha agenda, para saúde. O meu relacionamento é importante para mim, "Mas eu não tô me dedicando a ele." Então a gente precisa fazer essas análises: o que é importante e o que eu estou fazendo para cultivar isso.
Perfeito, Paula, perfeito. E em relação ao burnout, em relação a muitos temas que eu coloco no livro, a sensação que eu tenho é que a gente sempre vai terceirizar a responsabilidade, né? Tanto que o tema do meu livro, né, Como encontrar limite no mundo sem limites, mas ele partiu de uma questão: o tempo tá passando mais rápido, estamos passando mais rápido pelo tempo. Então, por mais que— olha que tem gente que responde que é o tempo que tá passando mais rápido, então a Terra tá girando mais rápido em torno do próprio eixo, né? Não, é evidente que nós estamos enchendo a nossa agenda muito mais do que no passado, embora você já tenha registro de muitas pessoas que reclamavam da falta de tempo. Então agora realmente, atualização de identidade, se você quiser um dia a gente fala falar sobre isso, Paula. E tem tudo a ver com sexo, tudo a ver com relacionamento, e tudo a ver com o tempo que você gasta nas suas relações.
E acho que aí uma outra coisa que entra nisso que a gente tá falando, que é um aprendizado que não é fácil, dois. Um é aprender a dizer não, não, para poder dizer sim às coisas que realmente importam. E a outra é essa, esse desenvolver a questão de Não ter que agradar a todas as pessoas.
Adorei aprender a dizer não para ter energia para dizer sim ao que merece ser dito sim. Adorei!
Exatamente, exatamente. Obrigada, espero que a gente tenha mais tempo juntos. Para o pessoal te acompanhar, onde que eles te acompanham? Como é que eles conseguem comprar teu livro?
Tá bom, primeiro obrigada pelo espaço que você tá me dando. Estarei sempre contigo quando você quiser, tá? Isabela Camargo Real é a forma do Instagram, YouTube, tem bastante conteúdo lá. O livro se chama Dá um Tempo, ele está na pré-venda Amazon, Submarino, Resiliência, todos, todos os sites já estão na pré-venda. Mas a partir do dia 20 então vai ser o lançamento. Eu tô muito feliz de poder compartilhar com vocês informações que vão ajudar inclusive no sexo, com certeza.
E pra quem então veio acompanhando pela Isabela, pra quem não me conhece, então eu sou psicóloga, terapeuta sexual, faço, sou colunista da Jovem Pan, faço parte do CEPCCOS como presidente e vice-presidente hoje, que é um centro de estudos e pesquisas em comportamento e sexualidade. Tenho um livro na sexualidade, né, que é o Sexo Explicando, Sexualidade Sem Mitos e Tabus, que quem quiser tem aí na Amazon disponível. Tem um outro livro em coautoria com um amigo super querido que é Diversidade e Sexualidade também. Então eu brinco que eu tenho uma das melhores profissões de todas porque eu falo de sexualidade o dia todo, né?
Que delícia!
E é realmente um prazer porque acho que é uma missão de vida de alguma forma realmente ajudar as pessoas a descomplicar e desmistificar a sexualidade e os relacionamentos. E você ajudou aqui muito nisso hoje. Obrigada!
Que bom! Posso fazer uma pergunta brevíssima?
Claro!
Se eu penso mais no assunto, eu posso ter mais vontade?
Posso, posso, porque eu tô fazendo já um estímulo mental que já vai enchendo o meu copo do desejo.
Aí eu te pergunto: se você só está pensando em trabalho, que horas você vai pensar em sexo?
O copo tá zerado. Muito bom! Obrigada, gente! Obrigada, Paula! Boa noite! Beijo para todos aí que nos acompanharam.
Ciao ciao.
Ciao.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








