Como o humor engaja e inspira alunos com o Professora Rafael Belli no Ïnterioriza

Isabela Camargo talks with professor Rafael Belli about how humor helps teachers engage students while managing burnout. They discuss the difference between tiredness and exhaustion, workplace harassment in schools, setting boundaries, and how self-care and therapy help teachers survive the job.
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Que bom que você chegou aqui no Interioriza. Você sabe que a partir de agora a gente vai trazer aqui conteúdos e ideias que já passaram do tempo da gente interiorizar, não é? Antes de falar com o meu convidado, quero trazer aquela frase que sempre nos inspira a pensar, e essa frase especialmente é da minha bisavó. Que foi uma educadora de adultos na década de 50, no Vale do Aço. Ela dizia assim: "O mestre é como a vela, consome-se iluminando." O mestre é como a vela, consome-se iluminando. Então, a partir do momento que você sabe qual é o seu dom, qual é o seu talento, você vai iluminar, você vai se colocar ao mundo. Mas eu preciso só te lembrar que você também precisa se cuidar, porque senão vai se consumir até não conseguir mais fazer aquilo que você faz. Dito tudo isso, quero apresentar aqui o nosso convidado de hoje, que é o professor Rafael Belli. Rafa Belli, como é que te chamam, professor?
Me chamam de Rafa. Isso, pode chamar de Rafa, tá? Fica à vontade.
Pronto, o Rafa. Estou lá eu, e aí recebi uma mensagem da Carol, né, que trabalha aqui conosco. Ela falou assim: Isa, você viu que o professor falou de você? Eu falei: não, o quê? Aí eu vou lá, vou atrás. E você tinha feito um comentário sobre a síndrome de É isso. O que esse assunto tem a ver com os professores? Tudo a ver.
É, eu acho que tudo a ver, ainda mais na última década aí, o quanto a gente tem enfrentado desafios na educação. Acho que você vai ver bastante professores dando o máximo de si e tendo um pouco só de recompensa nesse processo, né? E isso gera um processo tanto de satisfação, porque você consegue ver algum resultado, mas também gera muita insatisfação porque você não vê um reconhecimento, tanto social quanto até mesmo da própria equipe. E aí você chega num momento aí de estafamento mental. Acho que é um dos primeiros passos, ver professores muito cansados de elaborar a aula, preparar as coisas.
Vamos lá, sabe que na década de 80 a Christina Maslach, que é uma psicóloga americana, tem um livro em que ela traz o principal grupo sensível ao burnout. O título do livro é The Cost of Caring. O custo de cuidar. Nesse grupo tem profissionais da área da saúde, policiais, jornalistas e professores.
Professores, tá lá todo mundo junto.
Mas calma, vamos lá, não precisa ser assim, não precisa ser assim. Agora, como? Como então dar conta de todas as demandas, de todos os pedidos? Porque o professor, como nós estávamos falando aqui nos bastidores, não é só você entrar e dar aula, Não, tem uma série de questões administrativas. Você mesmo dá aula presencial para quantas pessoas?
7 turmas, mais ou menos uns 800 e poucos alunos.
Você consegue lembrar o nome de todo mundo?
Não, não consigo lembrar o meu.
É mesmo? Então isso é um sinal, professor.
Tá, não, eu acho que essa é uma grande dificuldade nossa como professor, é saber dizer não. Porque tudo é uma grande urgência na escola, tudo na educação é uma grande urgência. Então, uma prova é uma grande urgência, uma reunião com os pais é uma grande urgência, uma substituição de um colega porque se afastou é uma grande urgência. E é difícil você escolher qual dessas urgências que eu não vou atender, né? Então, ser professor é uma tarefa difícil porque o não Por mais que isso vai te aliviar em algum aspecto, do tipo: "Não, hoje eu não vou fazer madrugada de correção de provas", porque você só tem esse horário para corrigir provas, e aí se você corrige prova de madrugada, você não dorme, se você não dorme, você não consegue desempenhar bem o papel no outro dia, e aí o cansaço, e as coisas só vão acumulando, acumulando, acumulando, e tem uma hora que você tem que falar: "Não, hoje eu preciso descansar", e aí você descansa, mas pensando na pilha de prova que tá lá em cima da mesa.
Meu pai, professor, quando que a gente perdeu o direito de descansar?
Olha, é, acho que a gente perdeu o direito de descansar quando a gente acreditou que de alguma forma todo esse esforço, esse trabalho vai te render alguma coisa no futuro. E ele até pode render alguma coisa no futuro.
Que tipo de coisa?
É, antes a gente acreditava que era alguma coisa mais material, um status de vida um pouco melhor, mais confortável. Hoje a gente descobre que a gente tem ali na frente um um burnout, uma estafa mental, né? Você tem uma saúde mental prejudicada porque você acaba se doando demais, esquecendo de você no meio do processo. Não tem como.
Mas você sabe que a sua caneca, ó, qual a sua frase?
Já se incluiu na agenda hoje.
Essa é uma caneca que eu gosto muito de presentear, inclusive. E se você quiser estar dado de presente para alguém, é só entrar no site sabelacamargo.com.br, tem lá o caminho para você ter a sua, porque é Tão simples, mas é tão difícil a gente poder dizer não para as pessoas, para a gente se incluir na própria agenda. E quanto mais você serve, mais a gente se coloca no lugar de não. Eu vou continuar ajudando, né? E você, como professor, o que que você mais gosta de ensinar?
Hoje eu dou aula de neurociência e educação, mas eu sou apaixonado por Libras, porque eu aprendi Libras muito cedo. E aí eu comecei na educação dando aula de Libras. Sou apaixonado, ficcionado pela língua de sinais.
Ou seja, você tá dando aula de neurociência, também faz Libras, mas também está terminando uma faculdade de psicologia.
Psicologia, último semestre.
Ufa! Como é que você tá se incluindo na agenda, professor Raffaelli?
Tem que se incluir, né?
Mas pera lá, mas que isso?
Não, além disso ainda tem que gravar o vídeo para internet.
Tem que?
Ou você quer gravar? Eu gosto, eu gosto. Isso eu gosto. Acho que a internet é um escape para mim, assim, esses vídeos foram um escape, né? E isso é muito gostoso porque eu meio que brinco com o mundo do universitário por meio dessa zoação, mostrando um fato que é real, né? O quanto a gente se cobra, o quanto a gente cansa, o quanto— Então eu acho que eu me coloco na agenda nesses momentos, nesses momentos que eu vou me divertir, que eu vou dar risada, que eu não tô preocupado se eu vou atingir uma quantidade certa de números. Para mim Se um vídeo bater 10 mil, 5 mil, 1 milhão, para mim tá tudo bem, né?
Agora, olha que curioso, você disse que dá aula para 7 turmas, cada turma tem em média 120 alunos. Vamos supor que num dia em que todo mundo foi, assim, a maior parte, temos 100 alunos. Imagina uma sala com 100 pessoas te ouvindo, prestando atenção. E aí, quando a gente às vezes olha números na internet, 100 parece muito pouco, mas 100 é muito, é muito. 100 é muito. Uma pessoa prestando atenção, absorvendo o que você tá fazendo, falando e multiplicando, já é muita coisa.
Sim.
Então esses números de internet te deixam mais aflitos ou não? Você vive bem com eles?
Acho que no começo me deixava mais. No começo me deixava mais, até porque no começo eu tinha um estilo de vídeo que era muito difícil de conseguir, porque era pandemia. Então às vezes vinha um vídeo de uma aluna com crise de ansiedade, eu fazia o momento. E as pessoas queriam mais desse vídeo e eu queria menos desse vídeo, porque eu não quero acolher aluna com ansiedade toda aula. Eu quero que elas não tenham esse momento de ansiedade em cada aula. E aí, quando eu via que os números iam caindo, isso ia me deixando preocupado, porque, pô, você quer que as pessoas te conheçam, você quer que essa mensagem chegue em mais pessoas. Mas de um tempo para cá, eu acho que eu aprendi a olhar esses números de outra forma, do tipo "Beleza, eu atingi esse grupo de pessoas e tá ótimo que eu tenha atingido, pelo menos eu fiz o serviço aqui para 10 mil pessoas", que parece ser irrisório na internet, mas no presencial se eu tivesse 10 mil pessoas me olhando, eu tava sendo noticiado amanhã em qualquer lugar aí, do tipo "o professor deu aula para 10 mil pessoas".
Total. Mas você entende como a gente precisa de coerência para poder analisar essas informações? Senão a gente se perde.
Sim. Sim, eu acho que a gente precisa dessa coerência, mas eu acho que ela não é tão fácil, porque a rede te mostra outra coisa, né? A rede te mostra o sucesso dos outros, mesmo sem você saber o que tá acontecendo por trás desse sucesso. E aí você meio que se compara a isso, então você quer isso. E aí, para você chegar nessa coerência do tipo de que o meu sucesso não vai ser o mesmo do seu sucesso, que talvez nós tenhamos conceitos de sucesso totalmente distintos, né? E acho que aí que cabe a coerência. Será que aquilo que eu tô fazendo que eu tô achando que é sucesso realmente tá de acordo com meu conceito, ou será que eu tô pegando o seu conceito e botando para mim como se fosse algo principal? Eu acho que é essa grande dificuldade que a gente tem, essa coerência toda.
Na sua página, @bely2l_rafa, são vários vídeos muito legais, com muito humor. E aqui, quando você abre a página, né, eu já, já te vejo aqui, 37 anos. Esse vídeo então é de 2023. Movido a coxinha e Coca-Cola.
Ainda não mais, porque agora tem diabetes, né? Então Coca-Cola saiu, gata.
Coxinha continua?
A coxinha às vezes, né? Às vezes a gente precisa de uma para aliviar.
Adorei aqui: eu tenho os melhores seguidores tentando terminar o curso de psicologia. E aí, professor de Libras, metodologia científica de neurociência e educação, o que que De tudo isso, o que que você mais gosta de fazer? Você falou dos vídeos, mas o que que te dá mais tesão para continuar na educação? Porque já sabemos quais são os desafios. Nossa Senhora, é a questão do aluno, a questão administrativa, a quantidade de dados que você tem que lidar. Por que que você continua?
Porque é bom ver o sucesso do outro. É bom, é bom você sentir parte do sucesso do outro. Sabe que é gostoso quando você encontra um aluno na rua, ou ele passa de novo na faculdade, vai lá na tua sala e fala: "Consegui passar no concurso." Ou porque era o desejo dele passar no concurso público. "Professor, tô trabalhando em tal lugar." E você fala: "Cara, não acredito." E aí vem, te agradece. Eu acho que isso que faz o professor ficar lá, porque ver o outro avançar e saber que você participou disso de alguma forma é reconfortante.
Cooperação.
Muita.
Você começou a dar aula por quê?
Ih, vamos lá. Isso foi um grande— eu falo para as alunas no começo do semestre, a maioria das minhas alunas são da pedagogia, então são muitas mulheres. Eu falo para as meninas sempre no começo que eu caí na sala de aula. A educação sempre esteve à minha volta, sempre. Minha mãe é auxiliar de desenvolvimento infantil, então ela ia para creche trabalhar e levava. Então eu cresci dentro da creche. Com a minha mãe cuidando. Quando eu fui trabalhar como intérprete de Libras, o primeiro lugar que eu fui trabalhar era numa escola que tinha classes com inclusão de alunos surdos. Então eu já trabalhava em sala de aula, gostava da educação. Quando eu resolvi fazer pedagogia, na verdade resolvi fazer faculdade, eu queria ter feito psicologia no começo, só que eu não tinha dinheiro e a faculdade que eu trabalhava não tinha psicologia, só tinha pedagogia e eu tinha uma bolsa. Falei: "Cara, já tô na educação, "Vou cair aqui." E aí que o negócio pegou, porque quando eu entrei em sala de aula a primeira vez, eu falei: "Ih, é isso daqui, eu acho que eu tô gostando." Fui dar aula na educação infantil, fundamental, percebi que não era muito a minha praia, porque pedia um perfil que não era muito meu perfil como professor. E aí um dia eu passando, trabalhando na faculdade que eu atuo hoje como intérprete de Libras, tava no elevador e uma professora falou: "A gente tá precisando de mais professor de Libras." Aí fui lá na sala da coordenação, bati, entreguei o meu currículo e aí acabei entrando, virei professor universitário. Quando entrei na sala de aula, que eu fui dar aula para adulto, aí eu falei: "Ah, é aqui, é aqui que eu quero ficar." Então, foi meio que o destino foi me levando para esse lugar.
E o ambiente que você cresceu também com a sua mãe favoreceu tremendamente.
Totalmente, totalmente. Acho que eu não me vejo em outro lugar fora da educação.
Eu perguntei o que você gosta, agora eu quero saber do professor Rafa Belli, O que você não gosta do ofício da educação?
Da burocracia que é. Eu acho que a burocracia da educação me mata no sentido de avaliar o aluno por um conceito, sabe? Então eu preciso criar ferramentas para que esse aluno tire uma nota. Isso para mim é muito chato, porque eu posso avaliar esse aluno de diversas formas e não necessariamente uma prova vai avaliá-lo. Então essa burocracia de preciso fazer um trabalho, preciso "Eu preciso fazer uma prova, eu preciso corrigir uma atividade assim porque ele precisa alcançar um determinado valor para ele ter a chance de passar de semestre." Isso me cansa. Então isso é uma coisa que para mim não funciona muito. O que funciona para mim mesmo seria o processo de aprendizagem com avaliação contínua ali. Eu vou vendo o aluno junto comigo. Não que a prova não seja importante, acho que a prova ela é importante, ela só não pode ser fundamental, ela não pode ser o único objeto de avaliação que se exista dentro do processo. Então burocracia cansa, né? O descaso cansa, o descaso da sociedade com educação. Ainda mais que eu trabalho num curso para formar professores. Então é duro quando você já vai formar um professor que você sabe que ele vai para área de trabalho que não é bem reconhecido socialmente, né? Tirando dia 15 de outubro, que aí todo mundo lembra da gente. Mas fora isso, você vai ser muito penalizado, né, por ser professor.
Você sente isso?
Eu sinto. Eu acho que a gente é penalizado sim por ser professor em diversas questões. Primeiro pela falta de estrutura educacional na educação básica. Então se o professor resolve ser concursado, entrar numa escola pública, ele vai ter uma grande dificuldade de estrutura mesmo, tanto financeira quanto arquitetônica quanto pedagógica, porque não tem os recursos. Não tem. E aí esse cara vai tentar de toda forma dar o melhor dele. Então além dele trabalhar muito, ganhar pouco, pouco que ele ganha ele investe em material, pra retornar pra sala de aula. Então, tem muitos casos de professores que gastam pra comprar material, pra montar atividade pra criançada. Então, eu acho que isso é uma forma de você ver que é penosa. Você estudou 4 anos, 3 anos pra chegar ali e você não ter esse reconhecimento.
Reconhecimento é um dos grandes pontos da síndrome de burnout. Quando você se doa muito, não tem reconhecimento, e aí ele pode ser tanto financeiro com emocional. Se você não tem os dois, aí pode acontecer uma coisa chamada assédio. Essa é uma tese que eu trago já nos últimos anos, que a gota que vai transbordar o copo desta pessoa que dá aula em 7 turmas, que gosta muito do que faz e que não importa, não se importa de fazer muito, de se deixar para depois, uma situação com características de assédio. Você acredita que ainda situações de assédio, de abuso no ambiente escolar, muita hierarquização, há espaço para troca ou o assédio pode ser de fato um catalisador para o burnout?
Eu acho que a escola, na educação básica, a gente tem uma vertente de gestão que é a gestão democrática, que é a ideia que você tenha representantes daqueles personagens que fazem parte daquela comunidade escolar e que se decida tudo nessa gestão. Essa ideia de gestão democrática é uma ideia muito boa, porque você tem professores, você tem alunos, você tem pais e comunidade que podem discutir. E aí eu acho que isso seria uma ótima forma de pensar em educação. Entretanto, todavia, o papel aceita muita coisa, a prática às vezes não é essa. Mas aí a gente vai entender uma série de processos que vai acontecendo. Então o gestor que às vezes vai assediar o professor no tipo: "Você precisa fazer isso dessa forma, desse jeito, você tem que me entregar tal coisa nesse determinado prazo", sem levar em consideração a quantidade de alunos, o processo que ele tem de aprendizagem. Esse coordenador que faz esse processo, ele também está sendo assediado por um cara acima dele, que está sendo assediado por um cara acima dele, e que aí, no final, a corda vai estourar para o lugar mais fraco, que é o professor. Então, quem apanha mesmo é o professor ali no final, porque está recebendo a pressão de todo mundo. Então, eu acho que É natural, natural não é a palavra que não deveria existir nesse momento, mas eu acho que é corriqueiro você perceber que algumas ações de assédio muitas vezes são inclusive inconscientes, partindo do próprio chefe, da própria questão da hierarquia. Às vezes eu acabo sendo um professor que assedia o meu aluno na questão de cobrar, exigir e dizer que não está bom e que quer mais porque pedem mais de mim.
Mas aí são coisas diferentes, né? Cobrança é diferente de assédio.
Ah, sim, sim, mas às vezes o assédio vem maquiado de cobrança.
E como você, quando tá dormindo pouco— não entendi essa risada, tá, gente? Vamos ver, vamos ver agora o que o professor vai trazer. Porque quando a gente tá dormindo pouco, a gente fica muito mais reativo, mais intolerante às situações, né? Fica muito mais pavio curto. Como que eu consigo? Porque veja, se eu não estiver bem, eu posso ver tudo como assédio, eu posso ver tudo como um problema.
Concordo, concordo.
Eu acho que, como eu já vi, tá, professor, estou dizendo isso, esse lugar em que eu, ao não dormir, ao viver tomando remédio para acordar e remédio para dormir, eu vivia num ponto em que tudo era problema, tudo eu via como assédio.
Sim, e que às vezes não era um assédio, era realmente, em alguns casos não, eram cobranças, mas outros sim. Eu acho que aí cabe muito do indivíduo ou do docente, no caso eu como professor, entender até onde vai meu limite. Pronto, que aí é a grande dificuldade, você descobrir onde está o seu limite ali, né? Eu já cheguei a pegar 10 turmas, 11 turmas.
Aí você falou: não dá para dar 10 aulas.
Não, 10 aulas eu adoraria dar, não dá para você gerenciar 1.500 alunos por semestre. Porque aí são 1.500 provas, 1.500 trabalhos, e aí você acaba avaliações, e aí você acaba chegando num processo de irritabilidade de querer aquilo funcionar, né? E eu acho que às vezes você precisa abrir mão disso. Qual é o grande problema de abrir mão disso? Se eu tenho menos turmas, eu tenho menos salário, porque eu sou um professor horista, eu ganho por hora aula. Quanto mais turma eu tenho, mais salário eu tenho. Quanto menos turma eu tiver, menos salário eu vou ter. E aí a grande ideia é: será que eu preciso me colocar nesse espaço de pressão para conseguir mais salário e gastar ele com remédio, com médico, com uma série de outras questões? Que eu acho que eu cheguei nesse ponto do tipo: tô gastando o que eu ganho a mais, eu tô gastando com remédio. Então não, então pera lá. Então preciso dar um passo atrás, eu preciso voltar para cá. Eu não posso chegar nesse momento e dizer: não, beleza, toma um remedinho aqui, vou resolver aquilo ali. E quando você vê, aquilo que era um cansaço se torna um problema de saúde mental mais grave.
Sim, é bom você falar sobre isso porque há uma grande diferença entre cansaço, exaustão e burnout. Assim como uma evitação a certos termos, depois tem uma banalização. E muita gente banalizando também cansaço, exaustão e burnout. Professor, como é que você consegue manter o bom humor?
Eu sempre—
com agenda dessa, com 7 turmas, tantas aulas, estudando, dando aula. Você disse que você é uma verdadeira Hannah Montana dos universitários. O que que significa?
Já assistiu Hannah Montana? Já assistiu Hannah Montana?
Momento Disney aqui.
Hannah Montana, aquele personagem da Miley Cyrus que de manhã ela era uma garota normal e à noite ela se vestia de Hannah Montana para ser uma grande popstar. E eu falo para os alunos que eu sou uma grande Hannah Montana. De dia eu sou universitário, aluno de psicologia, e à noite sou professor. Então conheço o melhor dos dois mundos, né? E o pior também dos dois mundos. Eu acho que eu levo tudo no bom humor. Primeiro que é uma característica minha. Segundo que o meu objetivo em sala de aula é que o meu aluno aprenda dando risada. Então o bom humor faz parte da minha aula. Se meu aluno não entrar e não rir na minha aula, ele não foi para minha aula.
Isso é maravilhoso.
É porque ele precisa de uma válvula de escape também. Então antes dele chegar e eu lotar ele de conceitos e conteúdos, a gente vai dar risada. Então eu vou entender o dia a dia dele, fazer piada com esse dia a dia para que ele se sinta primeiro acolhido, entendido, compreendido e falar: pô, gostei daqui. E eu acho que esse bom humor vem disso, de querer mostrar para o meu aluno que esse E talvez seja uma forma de você escapar dessa pressão toda que tá aí, né? Porque você acaba rindo, desopilando um pouco. Não quer dizer que o problema sumiu, mas quer dizer que você consegue agora olhar para esse problema com um pouco mais de energia para tentar resolver ele, né? Então acho que o bom humor vem daí.
É uma estratégia que você desenvolve em sala de aula, uma estratégia em sala de aula, uma estratégia nas redes sociais funciona muito, tá? Funciona muito. Se você não segue o professor, por favor, @bely_rafa. Você fez aqui uma brincadeira sobre o universitário.
Hoje foi dia da minha defesa no TCC. Cara, me explica isso. Foi tudo ótimo, né? Tudo tranquilo, tranquilo. A gente deu lá umas bordoadas, né? Seu orientador não fez nada? O orientador, em vez de me ajudar, ficou me segurando enquanto os outros me batiam com umas perguntas que eu nem imaginava que ia ter. Ah, o que você escreveu na página 42? "Eu não lembro, eu não lembro, eu fiz isso daqui em noites de sono, entendeu?" E aí ficava: "Qual é a norma da ABNT?" "Epa, faltou justificar." "Tá, e o referencial teórico, por que que você usou ele?" "Porque era o único que eu lembrava." Bom, parabéns mesmo, né? Tô aprovado. Pelo menos agora já dá pra fazer a pós-graduação. Oi, pera que agora deu uma tonteada aqui. Tem TCC nesse negócio de pós? Na LIBA não tem TCC não. Ah, na da Líbano não tem? Ela que eu vou fazer. O link tá lá na bio do meu perfil. Eu vou entrar no seu perfil, só preciso descansar um pouquinho.
Esse vídeo é fantástico, que mostra o universitário defendendo um TCC e ele normaliza as bordoadas. E ele, esse universitário, né, que é o professor, tá todo cor-de-rouxo, sangrando. Quantos professores estão assim, professor? Vamos agora inverter, tá? Agora inverte do aluno para o professor. Quantos professores estão sangrando?
Eu acho que boa parte deles, acho que boa parte deles. E a gente sangra normalizando também as bordoadas.
Então é que quando a dor não sangra, dói em dobro.
Sim, sim.
Então esse vídeo me chama atenção quando eu lhe vejo todo ensanguentado. Mas o que eu quero trazer aqui é o seguinte: você, professor, você, educador que está nos acompanhando, o que tá doendo aí que não tá sangrando? Porque a dor que não sangra dói em E aí você vai esticando, esticando. Eu entendi que você reconheceu: 10 turmas não dá, 7 é o seu limite hoje.
Hoje, 7.
Hoje, 7. Mas quando você era mais jovem e fazia menos coisas, você poderia ter 10 turmas?
Sim, sim. Mas isso não significava que não estava sangrando já.
Pronto. Então queria partir aqui para uma conclusão para todos os educadores que estão nos acompanhando. Neste vídeo você traz com humor aquilo que a gente não quer reconhecer.
Sim, nem o professor.
Então eu quero falar agora do professor. Para quem que você vai pedir ajuda?
Para quem eu peço ajuda nessas situações? Eu acho que eu não posso deixar de colocar em pauta a ideia de que eu preciso de um profissional para isso, né? Então um psicólogo, um bom psicoterapeuta, faz uma grande diferença na sua vida. Até porque te faz reconhecer os limites, até onde você pode chegar, entender que essas dores que não sangram doem e que não são frescura. É porque a gente tem essa máxima, né, que as doenças que atingem aí a saúde mental, elas são frescuras. Então burnout é frescura, depressão é frescura, ansiedade é frescura. É falta de ter o que fazer, como se eu não tivesse um monte de coisa para fazer, né? É, então às vezes eu acho que a grande, a grande sacada é você primeiro conversar com seus pares, entender se isso é uma demanda só sua ou se é uma demanda coletiva, porque às vezes outros pares também estão tão doentes quanto você porque o ambiente é assim, o ambiente te estressou. E aí você às vezes está achando que o problema é contigo e não é contigo, problema é o ambiente. E aí às vezes a gente precisa ou sair do ambiente gente, porque se a gente continuar lá, a gente pega fogo junto. Então eu dou um passo para trás e falo, cara, não dá aqui. E aí, ainda mais a psicoterapia, porque é uma decisão muito corajosa, né? Ou você descobre que talvez seja realmente mais você do que o ambiente, e aí a psicoterapia também vai te ajudar muito a entender essas questões, né? Mas eu acho que o professor, ele vai sangrar no momento em que ele descobre que ele não é tão polivalente quanto ele imaginava que era. É aí que a gente sangra, quando a gente começa a perceber que a correção da prova já não tá tão fácil quanto antes porque o cansaço tá ali batendo forte, ou que você não tá se dedicando tanto na sala de aula porque você já não consegue mais tirar energia. E aí você começa a normalizar: não, mas é porque é aula de quinta, quinta já tô mais cansado. E não, na aula de segunda também você tá assim. Então você tá tá sangrando aí por dentro, você não tá conseguindo olhar e pedir ajuda, né? E às vezes você precisa de um psicoterapeuta para falar: cara, olha aí dentro, tem alguma coisa aí que não tá certa. O que que você vai arrumar? O que que você vai estancar? De onde você vai tirar isso? Então eu acho que essa é a grande ajuda.
Você começou a fazer terapia ou passar acompanhamento psicológico há quanto tempo?
Eu parei um tempo logo quando eu comecei a faculdade, a dar aula na faculdade, já fazia terapia já Tempo. Aí eu parei em 2017, fiquei um tempinho assim porque não dava tempo de fazer terapia. Então o que eu tinha de tempo eu pegava aula. Quando eu voltei para o curso de psicologia, não é uma obrigatoriedade, mas é um aconselhamento que você faça terapia. Eu falei, ah, então eu vou voltar. E quando eu voltei, aí eu descobri uma série de coisas que estavam bagunçadas ali, que eu achava super normal pegar 10 turmas. Imagina, tranquilo, eu pego 10 turmas, faço a graduação, faço 'Ah, eu vou fazer uma pós junto, que eu já sou formado, então eu consigo.' Aí, quando eu fiz meu mestrado, eu fazia meu mestrado, eu fazia uma pós-graduação e mais uma graduação em educação física ao mesmo tempo, e pegava 40 horas de aula, como se eu achasse que eu ia sobreviver no final do semestre fácil. Eu lembro da minha dissertação de mestrado eu fazer chorando, comendo aqueles bolinhos recheados com iogurte fermentado, porque era a única coisa que eu tinha tempo para É porque a madrugada eu passava fazendo uma dissertação e eu achava que era o máximo, porque olha como eu sou produtivo. E se descobre que isso não é produção nenhuma, nenhuma, nenhuma. Tem um custo muito alto, muito alto.
Professor, você tem o livro? Não dá um tempo? Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites?
Não, não.
Então depois eu vou lhe passar ele ali, porque é para quem Assim como nós que gostamos muito do que fazemos, a gente faz tanto, a gente tá querendo tanto contribuir que a gente nem percebe o quanto a gente também precisa desse cuidado, tá? Então depois eu vou lhe entregar meu livro. Eu queria trazer aqui uma caixinha que são 100 questões para ajudar você a identificar situações desgastantes, que aí se elas vão se transformar no estresse que te leva para uma evolução ou não, vai depender da sua interpretação. Eu vou te dar também essa caixinha, tá, para você usar. São 100 questões muito simples, sabe, aquelas coisas assim, não, isso aí não faz nada comigo não. Veja aqui, veja qual você pega, se vai fazer sentido. Aí você pode levar também para suas alunas. Por favor, veja se faz sentido.
Quantas horas você dedicou ao trabalho na última semana? De 0 a 10, qual é o seu nível de satisfação com esse balanço. Na última semana, na última, contando as horas trabalhadas em casa, acho que se eu colocar aqui umas 30 horas, acho que se eu colocar umas 30 horas, 30 horas que na semana, na semana, na semana, acho que dá mais. É, se eu for parar para pensar que eu tenho que corrigir para mim, então, viu, isso também é trabalho. Sim, sim. Sim, sim, sim. E o meu nível de satisfação aí é não chegar a 2, não chega a 2, não mesmo. Até porque eu sou muito autocrítico com as coisas que eu faço, então não chega a 2. E é estressante, e é muito estressante. Ai, professor, olha, era para ser um papo legal, começando, imagina, tá sendo.
Se você soubesse a quantidade de professores que eu encontro e que tem exatamente esse perfil, mas não reconhecem que podem fazer diferente?
Sabe o que eu acho? Que é uma questão realmente que bate no financeiro.
Então, mas o financeiro, o que eu conheço também de professores e profissionais da área da saúde e jornalistas e vários profissionais que têm 2, 3 empregos para comprar um carro, por exemplo, que não vai usar, para comprar uma casa que não vai conseguir ficar nela, enfim, Tem N situações. Então, o saber o que é suficiente é muito importante.
É, e aí a gente vai entrar numa área de que essas pessoas, possivelmente algumas delas, constroem o que é suficiente para elas partindo do olhar do outro.
Exato.
Então, eu olho para o outro e aquilo que o outro fala que é suficiente para ele, para mim também vai ser. Então, se ele tem um apartamento de 3 dormitórios e eu não preciso de 3 dormitórios porque eu sou solteiro, mas eu quero um apartamento de 3 dormitórios, E aí a gente começa a construir uma série de questões aí. E aí essa questão do estresse ou da fadiga ou do burnout, a gente vai colocando de cantinho e fala: não, eu preciso mais de dinheiro porque depois eu cuido da saúde. Não, você não cuida da saúde.
Comigo não, né? Comigo não vai acontecer.
Ah, imagina! E eu chegava, você leu que eu gosto de coxinha e Coca? Os meus alunos de 2013, 14 e 15, eu chegava às 7 horas da manhã para dar aula com uma coxinha e uma Coca na mão. Fato, como se fosse o lanche, o café da manhã mais nutritivo da vida. E aí eu comecei a perceber que o corpo já não tava mais segurando a onda toda. E aí, o final do ano passado, eu descubro o diabetes.
Você ficou de 2013 até 2023?
Coxinha e Coca. E aí descobriu diabetes? Porque eu comecei a ter umas coceiras assim, passei no dermatologista e falei: cara, eu não tenho alergia. E o dermatologista: ah, como é que tá sua glicada? Falei: que glicada? Ele: não, fazer o exame. Falei: que exame? Eu não tenho diabetes. Então acho que agora você tem. E foi assim, eu fiz o exame ali e tem um limiar e eu tava 9,8, e o cara Ela falou: 'Cara, essa aqui tá com diabetes há muito tempo, há muito tempo.' E aí a gente vai criando do tipo: 'E quando eu fui no médico?' Quando eu tive o intervalo ou as férias ou recesso, porque durante semestre não dá, eu não vou parar para ir no médico pegar um atestado, não, tem que dar conta da aula, meus alunos estão esperando por mim, eu tenho que ser o melhor professor. E é isso que vai pegando.
Rafael, com certeza você é o melhor professor para esses 750 alunos que você se dedica ao máximo. Você é o melhor professor, você é a melhor pessoa onde você escolhe estar. Você trouxe aqui informações que para mim são tão valiosas, porque eu imagino a quantidade de professores que estão nos ouvindo e que não sabe o que fazer. Eu encontro presencialmente, Isabela, mas agora o que que eu faço? Pera Vamos então parar um pouquinho, vamos ver o que que a gente então vai faxinar, tirar. E você começou falando na conversa sobre dizer não. Eu vou encerrar então com essa parte. Você acha possível dizer por enquanto não, agora não? Toda vez que um sim coloca a gente em risco, a resposta é não. Mas risco do que, Isabela? De ficar sem dormir, sem comer, sem ter tempo de me deslocar entre um compromisso e outro. Você acha possível treinar o agora não, dessa vez não?
Eu acho que sim, eu acho que sim. Acho que nem é uma questão de possibilidade, uma questão de necessidade. Pronto, uma questão de necessidade.
O que que você vai tentar dizer não?
Vou Tentar dizer não para diminuir pelo menos mais umas duas turmas. E aí, para pegar um dia de folga para mim. Essa é a ideia. Essa ideia do próximo 2025 até um dia meu, meu mesmo, né? Porque faz muito tempo que eu não tenho um dia meu.
Eu tô tão feliz que você me disse sim. E você tá uma hora aqui comigo, eu tô assim: vai, Isabela, libera ele, libera ele, libera ele, ele precisa descansar. Eu Eu sinto isso, né? Então eu fico muito feliz por você ter me dito sim, por você ter compartilhado, né, toda, toda essa, esse estado. Porque provavelmente muitas pessoas que te veem nas aulas ou te veem na internet não imagina. Você precisa de tempo para você.
Acho que as pessoas acham que a gente tem todo tempo do mundo, né? E mal elas sabem que quando eu tô em casa, eu não tô em casa sentado assistindo TV, eu tô em casa ou corrigindo prova ou montando roteiro, ou pensando na próxima aula. Tem um meme na internet que vai falar que o professor ele vai para o trabalho, ele é o único que vai para o trabalho, trabalha, volta de casa com trabalho, ou seja, ele nunca saiu do trabalho, porque você traz trabalho para casa, você leva o trabalho para escola, você não fica distante disso. Terminei hoje pensando: é, cara, e a aula de amanhã? O que que eu vou fazer? Que que eu vou dar de diferente? Qual é? A gente não para nunca, a gente não para nunca.
Jornalismo é muito parecido, tá? Olha aí, ó, estamos muito parecido, né? Terminou uma pauta, já vem outra. E aí, se você não tá ouvindo rádio, não tá lendo jornal, não tá vendo, mas como assim você não tá? Bom, ok, vamos, vamos em frente. Que bom foi te ouvir dizendo que é bom ver o sucesso do outro. Mas para ver, eu preciso estar vivo, preciso estar com saúde. Então eu espero que esse nosso encontro tenha servido para trazer a sua história. Você começou a dar aula porque você sentiu que é sua missão, e quando a gente descobre missão dentro da profissão, é bom demais.
Muito bom.
Tem algum recado que você quer deixar para os professores que estão nos ouvindo, para os alunos que querem também dar aula como você?
Olha, eu, se fosse alguns meses atrás, eu diria para você: presta atenção, porque ser professor não é tão fácil assim. Hoje eu vou dizer de uma forma muito clara que se você é professor e já se sente cansado e não sabe para onde ir, ou às vezes você tá com a cabeça tão lotada que você não consegue pensar em você, tá na hora de dar uma pausa, tá na hora de pegar o recesso que tá chegando aí e ir atrás de uma psicoterapia o mais rápido possível para ajudar a se encontrar, a se entender e a compreender. E que se você que é aluno e quer ser professor, aí agora é a ideia de: aprenda a dizer não agora para uma série de coisas que vão te ofertar no meio do caminho. Porque o começo da profissão vão te ofertar muita coisa, muita aula, muita turma, muito deslocamento. E às vezes a gente quer abraçar tudo por uma questão financeira, e às vezes nem é necessário tudo isso. Então para, presta atenção e aprende a dizer não agora.
Você sabe o que acontece quando a gente quer abraçar o mundo? Não. A gente fica sem o próprio abraço.
Isso é verdade.
Então que você tenha tempo para se abraçar, tá? Que você tenha tempo para se colocar aqui dentro dos seus braços. Professor, obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Eu espero que você encontre esse tempo, mesmo diante de tantas coisas boas que você sente Ao fazer o que você faz. Obrigada.
Eu que agradeço o convite, viu? Muito, muito obrigado.
Eu já falei a página do professor, mas eu vou repetir: @Rafa, @bely_rafa. Se você sentiu que esse assunto pode contribuir para a vida de alguém, compartilhe. Assim você nos ajuda a levar essa mensagem para mais pessoas. Sabe que se colocar um coraçãozinho aqui, a gente vai ficar muito feliz, né, professor?
Demais.
E que mais que a gente precisa fazer? Tem que se inscrever no canal, tem que curtir, compartilhar e deixa um comentário legal aí, não é? Além de seguir o professor.
Sim.
Então pronto, tchim tchim, saúde para nós. Obrigada, professor.
Obrigado.
Até o próximo Interioriza.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








