Como prevenir o suicídio? Entrevista com Major Diógenes, Corpo de Bombeiros de SP | Izabella Camargo

Major Diógenes from São Paulo's fire department describes a humanized approach to suicide prevention that teaches emergency responders to build rapport and convince people to seek help. Since 2005, the method has reduced deaths by 23.8% and now operates in 19 states. Brazil sees 7-10 suicide attempts daily in Greater São Paulo and over 13,000 annually.
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Olá, olá, muito boa noite! Seja bem-vindo, bem-vinda a esta live tão esperada do Setembro Amarelo. Hoje é dia 2 de setembro e a gente vai conversar com o major do Corpo de Bombeiros, Diógenes Munhoz, para a gente falar sobre a prevenção do suicídio. É um assunto que é muito importante vocês saberem de pessoas que realmente Estudam, pesquisam o assunto, porque uma orientação também mal feita pode complicar toda a situação. Mas o Jorginis vai explicar isso direitinho pra gente, que ele já está aqui. Jorginis é do Corpo de Bombeiros e já serve a Escola Superior do Corpo de Bombeiros há quase duas décadas. Tudo bem, querido? Boa noite.
Tudo bom, Isabela? Como vai? Tudo bom?
Muito obrigada pelo seu tempo, por ter incluído.
Imagina, eu que agradeço. Tão, tão generoso, tão generoso convite, né? Muito obrigado, tô muito orgulhoso, viu, de você ter lembrado.
Diógenes, oi! Olha, vocês sabem que hoje o Instagram tá super instável. Oi, voltamos, voltamos, voltamos. Deixa eu já passar um recado O Instagram tá super instável. Se cair, a gente vai lá para o YouTube, tá? Para o meu canal Isabela Camargo. Já estamos prontos, inclusive com o link, né, Jorginis?
É isso aí, isso aí, estamos prontinho para falar sobre vida.
Exatamente, vamos, vamos falar, vamos falar sobre prevenção do suicídio, é promover a vida, né, Jorginis?
Isso, isso. Essa prevenção não se dá só em setembro, né, Isabela? Essa prevenção ela se dá direto, né, todos os dias do ano, todos os meses do ano, né? Então é muito bacana a gente falar sobre prevenção de suicídio, porque na verdade quando a gente fala de prevenção de suicídio, a gente não está falando sobre suicídio, a gente está falando sobre vida, né?
Exatamente. Diógenes, nós vamos fazer o seguinte: eu gostaria de estimular aqui quem está conosco para enviar sua dúvida, o seu comentário, quem na primeira oportunidade já inclua aqui na nossa prosa, mas faça isso, gente, por favor, na caixinha de perguntas. Porque assim fica mais garantido que eu vou conseguir, né, ver a sua pergunta, o seu comentário. Para isso, Jorge, fica um pouquinho mais aqui no canto, ó, que a gente pode ter, que aí eu deixo aqui, tá? Tá dizendo tá no rosto do Major. Vou deixar um pouquinho aqui os comentários, já já eu tiro, mas quem tiver perguntas, tá, coloca ali na caixinha. Jorge, antes da gente começar, deixa eu Turma, você é o idealizador da técnica e do curso de abordagem técnica tentativas de suicídio, e você também é diretor da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio. Ou seja, se tem uma pessoa que pode falar sobre o assunto é você, né?
O teu áudio cortou no finalzinho.
De onde surgiu o interesse?
Então vamos lá. Na verdade não foi interesse, Isabela, na verdade foi uma necessidade, né? Como você disse, eu sou bombeiro, né, e nós atendemos não só bombeiros, mas o pessoal do SAMU, o pessoal, né, das socorristas, o pessoal que trabalha em concessionária, policiais militares, ou seja, uma centenas de milhares de profissionais que atendem tentativas de suicídio. Então a gente começou a perceber Que quando a gente chegava numa tentativa de suicídio para simplesmente distrair, pegar uma pessoa do intento suicida, a gente gerava um fator de risco muito importante nessas pessoas. Porque infelizmente, né, segundo dados da própria Organização Mundial da Saúde, quem tenta o suicídio e se não tratado, a gente tem que falar sempre se não tratado, ele tem uma possibilidade de 50% de chance de tentar de novo. E quando vai o bombeiro, quando vai o policial militar, quando vai o socorrista do SAMU, né, e vai e retira de uma forma abrupta essa pessoa, depois de ter constituído um vínculo, depois de ter constituído ali um diálogo, que a gente chama de rapport, né, quem traiu aquela pessoa? Porque você quebra de forma abrupta, então você trai aquela pessoa. Quem traiu não foi o Diógenes, quem traiu não foi Isabela, quem traiu foi a casca, quem traiu foi a farda, foi o macacão, E aí a gente começou a perceber que a gente tinha que gerar dissuasão. O que é gerar dissuasão? Gerar convencimento do contrário. E veio a partir de 2005, na verdade foram 10 anos de estudo até ter uma técnica de dissuasão. Essa técnica é baseada em preceitos da psicologia, baseado em preceitos da neurolinguística, da linguagem corporal, conceitos da psiquiatria. E a gente começou os primeiros os estudos, os primeiros passos, em 2005, depois que eu participei de uma ocorrência, né, que não deu muito certo. No final não foi um resultado que a gente esperava que fosse um resultado positivo, né. E aí dessa forma foram 10 anos, né, muito contato com CVV, que é o Centro de Valorização da Vida, muito comentado agora no mês de setembro, né. E aí a gente começou a escrever algumas linhas Infelizmente, Isabela, nós estamos aqui em São Paulo, você também mora em São Paulo, você sabe disso, estamos num laboratório muito farto, negativamente farto, porque nós temos pelas estatísticas de atendimento do próprio Corpo de Bombeiros de São Paulo uma média de 7 a 10 tentativas de suicídio só na grande São Paulo diariamente. E aí a gente começou a escrever e testar se isso daria certo, se a gente conseguiria convencer convencer uma pessoa a não se matar. Porque quando eu convenço uma pessoa a não se matar, eu passo a ser um fator de proteção. Aquela casca, aquela farda, aquele macacão passa a representar para aquela pessoa uma coisa boa, né, e não mais uma coisa de um sinônimo de traição. Isso começou a gerar, né, gerar muita expectativa. Existia uma demanda reprimida nesse meio, né, de urgências e emergências, né, muito grande. E em 2015, pela primeira vez no Brasil, nasceu o curso de abordagem técnica tentativas de suicídio, que a gente chama carinhosamente de abordagem humanizada, né? E explodiu, né? Nós estamos hoje em 19 estados do Brasil, ou seja, 19 corpos de bombeiros, 19 SAMUs, 19 polícias militares, né, de estados diferentes adotaram essa técnica e promovem hoje uma abordagem humanizada, no no qual você convence o tentante. Veja bem que a gente não fala suicida, né, até por uma questão de respeito, porque quando você fala suicida você joga uma tarja, você joga um carimbo nas costas dessa pessoa e ela passa a ser um suicida ou uma suicida o resto da vida dela, né. Então a gente fala tentante, ela tenta contra a sua própria vida naquele momento e depois ela vai ter uma vida normal de acordo com a área da prevenção do suicídio, com seus tratamentos psiquiátricos, com seus tratamentos terapêuticos, mas ela sagrado direito de ter essa segunda chance, ou uma terceira chance, ou quantas chances ela achar necessário que ela tem que ter. E isso gerou, né, um grande, uma grande expectativa, né, nos meios hoje. Para que você tenha uma ideia, e você conhece um pouquinho mais a fundo nosso trabalho, já foi lá conhecer de perto o curso, né, hoje policiais militares fizeram curso, bombeiros, pessoal do SAMU, jornalistas já fizeram esse curso, porque a gente sabe que o meio do analfabetismo realmente também tem índices preocupantes, né, e tem dado muito certo. Agora, no último, no último artigo científico que nós estamos escrevendo, né, monitoramos a nossa, o nosso ganho de 2015 do primeiro curso até agora 2021, e tivemos uma feliz surpresa de cerca de 23%, 23,8% Antigamente, o ganho deu uma cortadinha de 23,8% de ganho com relação à técnica que nós não tínhamos. Então hoje nós temos um ganho nesse tocante de ocorrências que não acabam mais em morte. Esse ganho é de 23,8%. Minha querida, não existe proporcionalidade na vida, né? Uma mãe não perde 23,8% da filha para o suicídio. Um pai não perde 60% do filho para o suicídio. A mãe perde um filho, o pai perde uma filha, né? Então, se esse ganho tivesse sido de 0,011 e uma dízima periódica, né, nós estávamos falando, nós estamos falando de uma vida, né? Então valeu muito a pena, mas o ganho é muito real de um pouquinho maior do que isso.
Uau, Diógenes! Nós temos até às 9, tudo bem?
Tudo bem.
E temos muito, muitas perguntas já aqui. Já vou abrir já a primeira. Antes eu só quero recapitular para quem tá chegando agora. A gente tá falando sobre a prevenção do suicídio com Diógenes Munhoz, que é major do Corpo de Bombeiros e que desde 2015 Ensina outros policiais, outros bombeiros a ter uma técnica, uma abordagem técnica, né, às tentativas de suicídio. Inclusive, o seu livro é fantástico, né, Diógenes?
O nosso, né? Porque, ó, olha aqui, ó, o seu é de cabeceira aqui em casa, viu?
Eu não, o meu não. Aliás, o seu, as técnicas, eu já tinha visto aqui antes de tirar os comentários, muitas pessoas elogiando inclusive o seu livro. Podem entrar em contato contigo via direct aqui no Instagram, caso alguém se interesse?
Pode, pode sim, pode sim. A gente não abre o livro para venda, né? Eu não vendo o livro abertamente, até porque o livro prevê uma técnica no seu décimo capítulo, né? Então a gente não, não tenta não abrir essa técnica, até porque eu tenho muito medo, eu tenho uma responsabilidade social muito grande. Sobre esse livro, né, para que essas pessoas que tentam suicídio não tenham acesso a essa técnica, até por uma questão de preservação da vida delas mesmas.
Sim, sim, eu digo isso porque algumas psicólogas tinham escrito aqui antes de eu tirar os comentários, né, elogiando o seu livro. E aí algumas já se interessaram, então já está dado o recado. Depois é só mandar uma mensagem pelo direct para o Diógenes, e aí vocês se entendem depois. Tem várias perguntas, inclusive, sobre o que fazer ou o que não fazer quando você está com alguém que tá falando sobre o assunto ou tendo comportamentos. E aí depois eu quero saber contigo quais são os comportamentos mais delicados que não podemos deixar passar. Antes, o Rodrigo Silva, ele pergunta, ele é bombeiro civil e ele quer saber se pode fazer o curso para se especializar na área.
Pode sim, Rodrigo. Obrigado pela pergunta, né? Como eu disse anteriormente, o curso não é só para bombeiros militares, é um curso aberto, né? E lógico que ele é dentro de uma instituição militar, que é a Escola Superior de Bombeiros, mas mediante autorização da vaga, que é do nosso comandante lá, bombeiros voluntários, inclusive até de Santa Catarina, já fizeram esse curso, né? Então, levando uma gama, a gente não vai suicídio, né, como diz Neuri Bottega, suicídio não é algo algo de psicólogo, algo referente a psiquiatra. Suicídio é um problema de sociedade, e quanto mais gente, quanto mais gente a gente puder capacitar nesse sentido, é melhor. Respondendo a sua pergunta, o que não fazer? Vamos começar com o que não fazer.
Segura um pouquinho, segura um pouquinho, que o Sargento Marco Monteiro acompanhando a gente dos Estados Unidos, ele disse que lá são 22 suicídios por dia.
É isso aí.
Você comentou agora pouco que só na capital paulista são de 7 a 10 tentativas de suicídio.
Então o Corpo de Bombeiros recebe de 7 a 10 chamados todos os dias, todos os dias, na grande São Paulo, na capital e na grande São Paulo, de 7 a 10. Se você fizer uma projeção aproximada, isso vai possivelmente dobrar quando você falar em estado de São Paulo. Então é alguma coisa que a gente tinha que já ter um olhar mais clínico crítico sobre isso, um olhar mais atencioso sobre isso, né.
Então, gente, olha, de 7 a 10 pessoas tentam suicídio na grande São Paulo. E tem um número da Associação Brasileira de Psiquiatria, Diógenes, acontecem mais de 13 mil suicídios todos os anos no Brasil, e aproximadamente 100% das pessoas que morrem por suicídio tem algum tipo de transtorno mental. Quando a gente fala em transtorno mental, vou falar por experiência própria, eu vivi uma experiência com a síndrome de burnout, e transtorno mental sempre dá uma impressão que a pessoa não tem condições de conviver em sociedade, né? Mas transtorno mental significa depressão, significa síndrome do pânico, significam vários problemas de saúde que todos nós estamos ou vivendo com alguém dentro de casa ou nós estamos vivendo. Então tem que tomar muito cuidado quando agora, especialmente nesse setembro amarelo, e por isso que eu quis já falar contigo já logo nos primeiros dias, Major, porque dependendo de como você lê, né, que essas pessoas tiram a própria vida porque possui algum transtorno mental, dá a impressão que elas já estão condenadas. Exatamente. Então queria saber contigo o seguinte: desses 13 mil suicídios todos os anos no Brasil, O que que nós precisamos observar de quem está ao nosso lado? O Matheus, ele diz, ele pergunta: o que fazer quando uma pessoa fala em tirar a própria vida? Mas eu recebi vários depoimentos pelo meu direct de pessoas que relataram situações que viveram com seus familiares que não falaram nada. E aí?
Perfeito. Olha, você foi muito cirúrgica no que você falou. A gente vai ouvir muita coisa, Isabela, muita coisa boa e também muita coisa que não é verdade no setembro, né? Eu sou muito— a cada ano que passa eu sou mais relutante com relação ao setembro, porque aparecem muitos, né, diferentemente de você e de tantas outras profissionais que eu conheço, que o ano inteiro abordam transtornos de humor, transtornos de personalidade, né? Existem muitos engenheiros de obra pronta, né, que aparecem em setembro, né, de repente falando sobre transtornos mentais, sobre tentativas de suicídio. O que a gente tem que ter foco nesse momento é a quebra do preconceito para com saúde mental, né. Quando a gente realmente inserir isso nos nossos comentários, nos nossos dias a dia, a gente vai inevitavelmente também agir na prevenção do suicídio. Suicídio. O brasileiro, ele é um ser preconceituoso em vários aspectos, né? Mas um deles, e quem sabe tenha sido a minha geração a maior mola, ou a mola mais forte, propulsora disso tudo, a minha geração criou frases terríveis, né? Como se eu pedir para as pessoas que estão nos vendo agora completar a seguinte frase, possivelmente todas elas vão completar com algo parecido: psiquiatra é médico de Não, pessoal, é, não é médico de louco. Psiquiatra é médico de gente, né? Terapia não é frescura. Quem nunca ouviu falar assim: ah, dá um tanque de roupa que isso melhora, vai carpir um terreno que isso melhora? Isso é falta de Deus. Não, não é. Eu nunca vi, Isabela, ninguém estabelecer uma relação de controle de índice de serotonina, endorfina, noradrenalina, melatonina lavando roupa, lavando louça ou carpindo terreno. Se fosse assim, esses profissionais também não desenvolveriam nenhum transtorno, né? A gente não pode ter preconceito com saúde mental. Prestem atenção numa coisa: nós temos o sagrado direito de adoecer, isto é dado por Deus para gente, e nós temos o dever também sagrado de nos tratar. Então, quando se estabelece essa relação entre o poder adoecer mais o dever de se tratar, pronto, a gente começa a quebrar preconceito. O brasileiro, minha querida, ele deixa de tomar um remédio pela simples cor da tarja da caixa do remédio, né? Então, se ele é um remédio de tarja preta, ele não toma. Se ele é um remédio de tarja vermelha, então ele pode tomar. A gente falou aqui um pouquinho de ansiedade, de quem sabe a mais pop de todas, como diz André Trigueiro, né, a depressão, né? Mas existem centenas de outros transtornos. Eu vou citar 3 remédios, quem sabe os mais tomados na área da psiquiatria para tratar ansiedade e depressão, por exemplo, que eu acabei de citar: cloridrato de fluoxetina, sertralina e citalopran. Todos de tarja vermelha, né? Então a gente gera um preconceito para com a psiquiatria, a gente gera um preconceito para com o tratamento desses transtornos, que faz com que a pessoa tenha medo de procurar. Quer dizer, eu Eu tenho uma dor no joelho que de alguma forma me tira de combate, falando o linguajar do meu métier, e eu logo, por consequência básica, eu vou procurar um ortopedista especializado em joelho. Mas eu tenho uma— agora eu vou usar a sua frase, abre aspas: "Eu tenho ausência de mim mesmo", que é a sua frase que eu acho genial. E eu não procuro o especialista naquele problema? Mas que absurdo é esse? Que preconceito é esse? Isabela, amanhã você deixa de falar— eu, você, todos nós, nós deixamos de falar que temos uma consulta em apenas uma especialidade da medicina. Você fala que você vai, não vai trabalhar porque você vai no ortopedista, no oftalmo, no ginecologista, mas uma você não fala. Uma você fala apenas que vai ao médico, o psiquiatra você não fala. Então a gente não pode ter preconceito para com saúde mental. Então eu acho que aí começa a verdadeira, o verdadeiro autocuidado. Aí começa sim o verdadeiro quebra de preconceito, e aí sim é estabelecido todo esse controle para com a prevenção do suicídio.
Perfeito. Brasileiro é um ser preconceituoso. A gente tá falando de setembro amarelo há pouco tempo, mas lidar com suicídio é uma situação que existe desde que existe vida, né? Então não é que agora está todo mundo falando sobre esse assunto, estamos com mais diálogo.
Isso aí, perfeito.
Mas precisamos falar da maneira correta e encaminhar essas pessoas antes da tentativa. Então, eu estou observando se eu tenho alguém perto de mim que muda o comportamento. Que tipo de comportamento eu preciso ficar atento?
Então, existem sinais, né? Acho que a pergunta que não quer calar, né? Então, todo mundo que se mata dá sinais, ou todo mundo que vai tentar se matar dá sinais? Existem sinais universais de uma troca de personalidade, de uma troca de comportamento muito importante, né? Aquela pessoa que sempre que sempre gostou de fazer determinada coisa e passa a não gostar mais. Aquela pessoa que era extrovertida ao extremo e passa a ficar muito introvertida. Ela começa a verbalizar coisas sobre a morte: 'Ah, esse mundo estaria melhor sem mim.' 'Puxa, isso aí só acontece comigo.' 'É melhor que eu morra mesmo.' Né, isso são sinais importantes. Mas, minha querida, a gente tem que ler no outro sentido, de uma forma antônoma a isso aí. Por quê? Quando você fala que todo mundo dá sinais que vai se matar, você inevitavelmente joga uma carga de responsabilidade para as pessoas que convivem com aquele que tirou a própria vida, porque todos vão pensar da mesma. Hoje mesmo eu liguei para um amigo que um grande amigo dele se matou, e tentando, né, com as minhas palavras, tirar, né, uma possível, né, quem sabe ele estivesse, nem sei se ele estava nesse pensamento, feito, mas tentando tirar uma possível, um possível pensamento desse, né? Poxa, mas ele estava aqui, estava aqui do meu lado, como que eu não percebi? Meu Deus, é. E aí, inevitavelmente, as pessoas acabam se culpando. Olha, uma coisa muito interessante você falar: no suicídio não existe coautoria. A cadeira da coautoria do suicídio sempre deve estar vazia. O suicídio gera dor e luto, quem sabe eternos, para aquelas pessoas que não tem nenhum para aquele, aquela pessoa que se tirou, que tirou a própria vida. Mas responsabilidade só para aquele que tomou a decisão, só isso. Ninguém tem responsabilidade sobre a morte de ninguém. Sinais existem, existem, né? Mas não joga sobre os meus ombros a responsabilidade de lê-los. Você sabe que eu atuo diretamente em tentativas de suicídio. Suicídio. Para ser mais exato com você, eu atuei até hoje em 57 tentativas de suicídio diretamente. Por 57 vezes, minha amiga, eu vi do outro lado a face da morte, e ela não é bonita. Ela é opaca, né? Ela é cinza, ela é muito triste. Imagine se eu tivesse jogado sobre os meus ombros a responsabilidade da vida ou da morte dessas pessoas. Eu seria um suicida, eu não aguentaria essa carga. Então suicídio só gera responsabilidade para aquele que se matou, o entorno, dor e luto, mas responsabilidade nunca.
Muito obrigada pela resposta, Major. O Matheus, ele pergunta: o que fazer quando a pessoa fala? Aí, você está falando, quem está ao redor pode encaminhar para o CVV, mas aí tem que tomar cuidado também como falar. Porque senão, né, você pode até deixar a pessoa mais irritada, né?
O encaminhamento, quando a pessoa começa a verbalizar, ele é meio que, entre aspas, obrigatório, né? Como que é esse obrigatório? Vou pegar força e levar? Não, nenhum tratamento daria certo. Mas eu tenho que gerar um convencimento, né? Eu tenho que gerar um convencimento para que aquela pessoa tenha um autocuidado. Então, quando a pessoa começa a verbalizar o suicídio, ela tem que ser inevitavelmente encaminhada para uma psiquiatria e para um tratamento terapêutico. Só dessa forma, só dessa forma, esse quadro é revertido, né? Já passou o estágio de um aconselhamento, já passou o estágio, quem sabe, do CVV, né? Aí sim eu preciso, porque nem toda ajuda existe, né? Essa máxima dentro da suicidologia: nem toda ajuda ajuda. Aí, nesse caso, quando a pessoa já começou a mudar o comportamento, ela já começou a verbalizar, eu tenho que convencer esta pessoa que é uma doença e ela tem que se tratar. Ela não tem que gerar preconceito para consigo mesmo. Isso seria, desculpa, né, o termo, mas seria burrice.
Então, Major, vamos aproveitar que nós temos aqui um tempinho. Já já vou abrir outras perguntas, mas então, eu tô vivendo uma situação dentro da minha casa e uma pessoa muito próxima está falando em suicidar. Como seria a forma mais adequada e acolhedora? Porque não basta só falar: tá errado você pensar assim, procura um psiquiatra. Não, não, não.
Falar, Major, eu acho que o primeiro caminho é desmistificar, porque todo mundo, quando eu fiz essa provocação aqui do psiquiatra, por exemplo, Todo mundo acha que o psiquiatra, você vai tomar lá um remédio, você vai ficar fora de conexão com a realidade, né? É aquela imagem que a gente tem antiga do manicômio, né? Isso é uma imagem muito terrível. Primeiro é desmistificar os tratamentos, pessoal. É um tratamento, por exemplo, de depressão. Se eu tiver conversando aqui, existem 150 pessoas nos ouvindo e interagindo com a gente de Dessa forma, dessas 150 pessoas, com certeza eu tenho pessoas que têm um problema de colesterol alto, por exemplo, e tomam lá sua rosuvastatina, civastatina. Tem hipertensos aí no meio também que toma lá seus remédios para hipertensão. Quem sabe também tem diabéticos. Essas 3 doenças, por exemplo, a gente sabe que não tem cura. A pessoa vai fazer o seu tratamento a vida inteira e vai ter uma vida normal. E aí, como que eu posso abordar uma pessoa, né, de uma forma aberta, falando de 3 doenças aqui que não tem cura, tem tratamento eterno, mas não tem cura? E eu não posso falar a mesma coisa para transtornos mentais, para transtornos de humor, de personalidade. Um tratamento de depressão hoje normal, ele dura em torno, lógico, vai depender muito da pessoa, muito da pessoa, Mas vai durar em torno de 2, 3 anos. A pessoa vai entrar numa fase de cruzeiro de medicamento, depois ela vai para a fase do desmame e ela vai ter uma vida normal. Ou seja, e depois ela vai deixar de tomar o remédio. Então a primeira coisa a se fazer com essa pessoa é desmistificar o tratamento. Você não vai lá, vai tomar um remédio, vai ficar fora da conexão. Não, normal. São remédios de carga, são remédios que em 15 dias não dão efeito, 30 dias começam a dar algum efeito, e depois que entra numa dose de cruzeiro, por exemplo, vai ter uma vida normal. E depois, caso alta venha por parte da psiquiatria, acabou, ela desmama o remédio e volta à sua normalidade. Mas já estava em normalidade, diga-se de passagem.
Nesse caso então, Diógenes, vale a pena sempre com muita delicadeza, comunicação não violenta inclusive, se aproximar da pessoa que você tá percebendo que está muito aflita em se livrar de uma dor, porque você me ensinou anos atrás, Jorginis, uma frase muito especial: uma pessoa que tenta o suicídio, ela não está querendo se livrar da vida, ela está querendo se livrar de uma dor. Então, eu estou convivendo com alguém, ou se eu conheço alguém que está querendo se livrar de uma dor, é com acolhimento e com muita delicadeza na fala em chamar essa pessoa e dizer: eu fiz assim, é que não cortou, não cortou o áudio.
Não, na verdade, eu tenho que exercitar escuta.
Exato. Como eu posso te ajudar? O que que tá acontecendo? Tenho percebido que você está diferente nos últimos tempos. Essa é uma forma correta?
Perfeito, perfeito. É a única forma, possivelmente a única forma, né, Isabela? A gente teve 4 momentos, né, antes da pandemia. Na verdade, a pandemia foi o quarto momento. Houve um momento, né, você é um pouquinho, você é mais jovem que eu, que as pessoas, para quem sabe você pegou esse finalzinho, as pessoas se reuniam numa sala em volta de um televisor e ficava ali coexistindo e coabitando, né, simplesmente falando futilidades. Houve um segundo momento em que os televisores ficavam mais, ficaram mais acessíveis, e eles foram para os quartos, e as pessoas migraram para os quartos, não mais coexistindo e coabitando. Houve um terceiro momento em que nós voltamos para sala, só que agora todos aprisionados nesta coisinha chamada smartphone. Hoje você está com uma pessoa no mesmo sofá e não coexiste com ela, não coabita com ela. E aí veio um quarto momento no qual um microrganismo patogênico Buda nos ensinou forçosamente que a melhor coisa é exercitar a escuta compassiva. Para que você tenha uma ideia, isso é tão emblemático e tão sério que muito se cogitou que os índices de tentativas de suicídio e suicídios consumados com a pandemia iam estourar drasticamente para cima. Eles diminuíram porque as pessoas começaram a coexistir, a cohabitar. Elas passaram a falar mais, elas passaram a ouvir mais. Então o que você falou é perfeito. Eu acho que é a única forma. Eu percebo que você está em sofrimento, eu te acolho e te encaminho. É simplesmente assim, não tem fórmula mágica.
Isso, isso. Você comentou que aí, nesse caso, psiquiatra, um tratamento terapêutico, terapia é fundamental para organizar as ideias, né, Major? E você comentou do CVV. O CVV ou as próprias terapias, né, o que que eu gosto de dizer? Nós até hoje precisamos ouvir do dentista sobre escovar os dentes e passar fio dental.
Verdade.
Tá todo mundo careca de saber, tem que passar fio dental, tem que escovar os dentes todo dia e tal. Imagina o que a gente tem que então educar sobre saúde mental. Mental. Então nós fazemos a higiene física, fazemos a higiene bucal, mas e a nossa higiene mental? Nessa higiene mental, gente, os psicólogos, os terapeutas e psiquiatras são fundamentais antes de deixar a coisa bem complicada. Então quero só trazer essa fala antes de passar aqui para pergunta da Evana, que a maneira que vocês podem encontrar de fazer uma higiene mental para organizar Ideias é procurar o CVV antes de qualquer ideia, procurar uma psicóloga ou serviço de saúde. Nós temos no SUS, dependendo da cidade que você mora, serviços muito adequados que vão poder te encaminhar. Então é muito importante só a gente, antes da próxima meia hora, dizer o seguinte: você não está sozinho, não está sozinho, mas precisa de humildade para aceitar ajuda.
Ajuda.
E reconhecer que tanto CVV, o pessoal que está lá voluntariamente para te ouvir, quanto terapeutas, serviço de saúde, tem muitos recursos que não custam nada. É isso aí, é porque eu também ouço outra coisa, Major, muita gente dizendo assim: ah, não vou fazer terapia porque isso custa caro, mas investe em outras coisas. Então, gente, é falar sobre autocuidado, aquilo que só você pode você fazer por você. E a sua saúde mental, ela é fundamental para você viver bem. Então, quando a gente fala de prevenção ao suicídio, temos que falar de promoção à vida. E aí é a higiene mental de todos os dias, porque senão a gente pode ter ideias muito ruins, né? Eu vivi experiência depois da minha síndrome de burnout, em um momento, e foi bem difícil, sabe, Major? Eu tive uma ideia que depois eu falei: nossa, é isso então, percebe? Então temos que falar sobre o assunto, não se fechar com o problema, que isso não vai resolver.
Pelo contrário, o CVV, ele tem uma máxima, né? Para quem não sabe o que é CVV, a gente tá falando de CVV, gente, CVV CVV é o Centro de Valorização da Vida. São voluntários, eu fui voluntário durante 2 anos do CVV, lá em 2006, 2007, né. São voluntários, né, que fazem alguns cursos de capacitação para simplesmente ouvir pessoas que precisam falar, né. Nem sempre as pessoas, na verdade, uma pequena parcela liga para o CVV para falar sobre suicídio. As pessoas às vezes só querem ser ouvidas, né. Então, se de alguma forma você ainda não foi para uma terapia, se de alguma forma ainda você não está no estágio da psiquiatria e quer falar, quer ser ouvido, e de alguma forma também não quer falar com pessoas próximas, liga para o CVV, né? O CVV tem uma máxima que fala o seguinte: quando você não fala, o sofrimento não vai embora. E essa máxima, ela é única, né? Eu sempre digo o seguinte, Isabela, O ser humano, ele só é integral em 3 esferas, né? Primeira, física, é a nossa primeira casa, não tem como. A gente tem que estar bem, tem que estar cuidando dos índices aí. Nós temos que inevitavelmente cuidar dos joelhos, das colunas, né? Porque um dia o boleto chega e a gente vai ter que pagar. O segundo é o espiritual, né? A segunda esfera é espiritual. Inevitavelmente também Em algum momento de nossas vidas, algo pode— tudo, na verdade, algo não, tudo pode nos falhar. E aí a gente vai ter que se conectar com algo maior. Eu tô falando de espiritualidade, não de religião. Você pode ser ateu e ter total convicção na sua crença ateia, né? Mas quem sabe você tenha que flertar teus joelhos num genuflexório e se conectar alguma coisa. E para isso você vai ter que usar um canal chamado É, essa é a segunda esfera. E a terceira, meus queridos e minhas queridas, é onde comanda tudo isso daí, é a cabeça. Que a Isabela falou de você fazer uma higiene mental, do autocuidado, de estar protegido com fatores de proteção. Qual foi a última vez que você fez uma coisa que você ama fazer? Cite ou pense aí nome de 3 amigos, 3 3, não mais do que 3 amigos, não colegas, amigos, né? A sua profissão, ela é uma coisa prazerosa ou é uma coisa dilacerante para você? Porque senão o burnout está aí, né, Isabela? Então, de alguma forma, a gente tem que nos rodear de— nós temos que nos rodear de fatores de proteção, né? E é difícil achar fator de proteção, viu, Isabela? É muito difícil, né? Porque você agora acabou de ganhar de Deus um fator de proteção único, né, que é a criança que veio abençoar a você e seu marido. Pronto, é um fator de proteção. Mas quem sabe essa criança cresça, case e vai embora? E aí, né, vai embora no sentido de constituir uma nova família, né? E aí o que vai te amparar nesse momento? Eu sempre digo o seguinte: hoje eu estou como major, né? Eu sou major do Corpo de Bombeiros, Você é uma jornalista renomada, mas todos nós, independentemente de sermos majores ou jornalistas, temos que nos preparar para o anonimato, porque de lá viemos e para lá voltaremos. Como que será que é o meu pensamento, a minha convivência comigo mesmo? Será que ela é bacana? Será que quando eu deixar de ser o bombeiro, o major, né, o palestrante, o escritor, eu vou conviver com o Diógenes de uma forma salutar, de uma forma amena? Será que eu vou gostar de conviver com os meus pensamentos? Aí é onde entra os fatores de proteção. Eu tenho que ter um hobby, uma atividade que eu goste, né, pessoas que me amparam, me acolham, né. Então a gente tem que também nos rodear de fatores de proteção, é o grande sentido. Você sabe que Você sabe que, desculpa, só terminando, você sabe que todo tentante tem em comum é isso: no momento que ele pensa em tirar a própria vida, ele não consegue ter a visão dos fatores de proteção que ele tem. E a gente tem que servir como esse link entre o desespero e os fatores de proteção que estão lá, mas ele não consegue ver.
Isso significa mencionar família, Isso significa começamos do macro para ir para o micro, né? Eu sei que nós não podemos falar técnicas aqui, mas se por acaso eu viver uma situação, eu tô andando aqui em São Paulo ou tô em Curitiba, tô em qualquer outra capital, e estou vendo uma pessoa tentando, até inclusive depois vamos responder a pergunta da Ivana, estou vendo uma pessoa O que que eu faço? Ligo para o bombeiro? Me aproximo dessa pessoa? Dizer não faça isso é pior, tá, gente?
Eu acho que cortou seu áudio, Isabela. Está uma conexão.
O que eu perguntei foi o seguinte: se eu estou numa cidade, estou vendo uma pessoa uma pessoa tentando suicídio. O que que eu faço? Ligo, fazer, tá, primo dela, tento algum ponto de conexão, pergunto da família, que tipo de, que que eu posso fazer para não dizer não faça isso?
Ah, beleza. Então vamos lá, primeira coisa a se fazer, vamos fazer um, vamos fazer uma cartilha, tá bom? Primeira coisa isolar essa pessoa o máximo possível, independentemente dela estar dentro do apartamento dela ou em cima de uma ponte. Por quê? Por dois motivos. Primeiro motivo: porque você preserva a imagem mais fragilizada dessa pessoa. Por uma questão de respeito, você expõe essa pessoa o mínimo possível, tudo bem? Segundo motivo: Desculpa, cortou.
Entendi. Como isolar a pessoa?
Isolar no sentido de você afastar aquelas pessoas que ficam, por exemplo, embaixo da ponte, pula, pula, pula, né? Isso possivelmente seja uma das formas mais desumanas que eu já vi para com outro ser humano, né? Se existe E muito, e muito, infelizmente muito, né? Existe, existem pessoas que fazem piadas, né, nesse momento. E é uma das formas mais covardes que um ser humano pode agir para com outro ser humano. Então você isola ao máximo, você retira. Eu tô fazendo um trabalho agora no interior de escolas, né, porque infelizmente a gente sabe que tem aumentado muito as tentativas de suicídio no interior de escolas. E a primeira coisa a se fazer é isolar aquela tentante dentro da escola, dentro do apartamento, ao máximo que der em cima da ponte, né? Primeiro porque você não expõe, porque é uma exposição dilacerante, muito ruim para ela. Segundo porque você também preserva essa pessoa desses comentários, dessas piadas, desses incentivos Então, a primeira coisa é, no máximo que der, isolar essa pessoa. Segundo ponto: acionar um serviço de urgência, ou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, 193, ou SAMU pelo telefone 192, 192, ou a própria Polícia Militar pelo telefone 190. 190, tudo bem? Então, esse é o segundo coisa a se falar. A terceira coisa, caso seja viável, é você levantar o maior número de dados sobre essa pessoa. É lógico, se ela tiver no meio da rua, vai ser mais difícil porque ninguém conhece essa pessoa. Mas se ela tiver no condomínio, se ela tiver no interior de uma escola, se ela tiver no interior de um consultório, por exemplo, de um hospital, eu tenho como saber certas coisas. Coisas. Ela é solteira? Ela é casada? Ela tem filhos? Ela faz tratamento? É a primeira vez que ela tenta? Ela tem algumas coisas como fator de proteção, fatores de risco? Então você vai levantando dados para só aí no quarto estágio, no quarto estágio, você começar a dialogar. E nunca, por favor, pessoal, nunca faço assim: ô, mas você é tão bonita, você tem tudo, por que você tá fazendo isso? Ou se não. Ou: mas por que você tá tentando se matar por aquele cara? Ele não te quer. Tanto homem no mundo, gente, isso não dá certo. Isso também é uma forma de desrespeito. Então comece o seu diálogo com perguntas simples. O que são perguntas simples? São aquelas perguntas que têm como resposta sim ou não. Ela não precisa pensar. Exemplo: você é casada? Sim ou ou não. Você tem filhos, sim ou não? Você tem um emprego, sim ou não? Você faz algum tratamento, sim ou não? E de acordo com essas perguntas, você vai inevitavelmente achar alguns fatores de proteção. Exemplo: você tem filhos? Eu tenho saudades dos meus filhos. Pronto, você acabou de achar um fator de proteção. E aí, achando um fator de proteção, você pode massificar o seu diálogo em cima desse fator de proteção, ou seja, em cima desse assunto. Recapitulando: primeira coisa, você isola esta pessoa por uma questão de respeito a ela mesma. Segundo, acione um serviço de urgência e de emergência. Terceiro, tente levantar o máximo de dados possíveis sobre E quarto, inicie o diálogo de uma forma simples, calma, serena. Acolha, não seja mais um na multidão gritando. Acolha.
E aí, depois que você conseguiu identificar esses fatores de proteção, você pode aí sim tentar estabelecer uma comunicação mais profunda.
Isso, isso. Isso, perfeito. E detalhe, Isabela, nessas perguntas simples que tem sim ou não, você também vai achar fatores de risco. Exemplo: você é casada? Não me fala desse cara. Pronto, ele é um fator de risco. Então eu não falo mais desse cara no diálogo. O grande arquétipo, né, o grande fundamento da abordagem técnica é você achar os fatores de proteção e massificar o diálogo em cima deles de uma forma mais profunda, como você acabou de falar, e achar os fatores de risco e eliminá-los do diálogo. Porque diferentemente de um consultório terapêutico, no qual o terapeuta vai pegar esse bolo aqui de fatores de risco e puxar um por um e resolver um por um, né, a gente não tem tempo. A gente tá falando de um local de risco, a gente tá falando de cima da de dentro, de cima do viaduto, de dentro de uma sacada. Então você isola os fatores de risco, você não fala deles, você só fala dos fatores de proteção.
Uau, Major, tem tanta pergunta aqui, tanto comentário, e dependendo a gente vai fazer uma outra daqui uns dias, né? Você tá com agenda super cheia agora no mês de setembro, com certeza E depois vem o curso, né?
Quero depois falar como tem muitas pessoas que já foi convidada por mim uma vez, agora pela segunda vez aqui tem testemunha para fazer o curso.
Minha vontade, ela é pública, né? Mas é tudo que a gente precisa, a gente tem que se comprometer, e aí tem que separar realmente o espaço na agenda para se dedicar. Então eu espero fazer em breve, tá? A Marcilene Oliveira, ela tá dizendo que o surto psicótico é muito rápido. E ela também tava, ela fez um comentário sobre o luto de quem está ao redor, culpa. Você tava falando que a culpa de quem está ao redor, ela é inevitável, infelizmente. Então Brevemente, Major, para quem já viveu uma situação, tá, de uma pessoa que tirou a própria vida, está sentindo culpa, procure uma coisa chamada GAS, Grupo de Apoio aos Sobreviventes e Enlutados.
As pessoas que, com que coexistiam com uma pessoa que tirou a própria vida, elas fazem parte de uma área da suicidologia chamada pós-venção do suicídio. Existem especialistas nesta área da pós-venção do suicídio, existem grupos que se apoiam, né, que se alicerçam nesta coisa chamada pós-venção. Quem perdeu alguém para o suicídio, procure uma coisa chamada grupos de apoio a sobreviventes e lutados. É uma forma muito eficaz, não de tirar a dor, mas de amenizar. O teu gato aí, toda live nossa tem um gatinho seu aí.
É o Martin, ele gosta muito de você, ele sempre aparece, lembra? Forçado para dizer, gente, vamos conversar, sabe? Na outra ele também tá, é uma graça. A Marcilene também, só para fechar aqui a história dela, a pessoa é muito próxima, você já sabe a resposta, como proceder, você já disse. Eu gostaria então que você repetisse, Major, por favor, o que fazer quando a pessoa ela já está realmente dizendo, né, o que pretende fazer.
Primeiro é acolher, né? Primeiro é acolher, como você mesmo disse. E segundo é acolher no sentido: poxa, tô vendo que você não tá bem, né? Puxa vida, vamos conversar sobre isso, né? Você não precisa sofrer sozinha, né? Você não precisa estar nessa situação sozinha. Está nessa situação é viável, é normal, até é normal, Mas estar sozinha não. E aí o segundo momento é convencer a um tratamento, é convencer para se encaminhar para um tratamento psiquiátrico e terapêutico. Quem já verbalizou é psiquiátrico e terapêutico. E essa palavra psiquiátrico não pode chocar, por favor.
O que fazer quando o álcool já tomou conta de um tentante?
É, infelizmente, o uso de drogas, o uso abusivo de álcool é um dos fatores precipitantes para o suicídio, somados a outros, lógico, né? Você tem que tratar a causa para depois tratar uma possível consequência. O álcool é o primeiro a ser tratado e também é tratado por psiquiatras, né, diga-se de passagem. Mas, gente, aceite. Quando eu tô falando de terapia, quando eu tô falando de psiquiatria, não tem outro jeito, tem que ter o aceite. O primeiro passo para cura é aceitar que tá doente. Não tem como.
É por isso que tudo começa, eu costumo dizer, Diógenes, com a humildade. Reconhecer para aceitar e aí sim procurar ajuda. Agora, quem procura o álcool, quem procura drogas, quem procura um anestésico para viver uma situação da vida, esse não é o problema, né? O problema é aquele que está sendo escondido por trás de tudo isso. Então é isso aí, é isso que é muito importante na terapia. Você pode precisar de um remédio dependendo do seu, da depressão, dependendo de qual for o problema relacionado à saúde mental, vai exigir um tipo de medicação. Mas fora isso, Isso, a terapia, mudança de comportamento, ela é fundamental, né? É isso aí. Então, no caso do álcool ou de outras drogas, também o psiquiatra, certo?
É isso aí. E terapia, e terapia, terapia.
Exatamente. Deixa eu só trazer aqui uma mensagem que o Luiz Almeida 2021 tá dizendo que está te acompanhando, tá? É que ele quer dizer que está te assistindo.
Deve ser meu fã, esse é meu Luiz Almeida tá aqui.
O Rodrigo tá dizendo que depois vai entrar em contato para saber do curso. Muitas pessoas aqui inclusive perguntando, várias psicólogas inclusive. Preconceito nós já falamos. Como agora nós só temos 8 minutos, deixa eu entender aqui como que eu contribuir para mais.
Enquanto você, deixa eu dar um dado para vocês, Isabela, enquanto O que você acha aí? É uma coisa interessante. Você sabe onde teve um aumento substancial de tentativas de suicídio? No interior de consultórios de hospitais. Então o psicólogo, ele também tem que se preparar para uma crise. Psicólogos se preparar para uma crise dentro do seu consultório?
Ah, sim, sim. Como agir, não é?
É, é.
Veja, a mãe muito depressiva que perdeu a filha com suicídio pode cometer o mesmo? Diógenes, vamos lá. Uma pessoa que tenta o suicídio, e como é que a gente fala quando ela não vai até o fim? Um tentante, ela desiste. Isso, ela pode voltar a tentar de Sim, se não tratado, sim.
Como eu disse lá no começo, a Organização Mundial da Saúde fala que 50% dos casos que tentam suicídio e não se tratam— vou repetir— e não se tratam, eles vão tentar de novo, né? Uma mãe muito depressiva que perdeu a filha por suicídio, ela pode cometer o suicídio. Veja bem, suicídio é um fenômeno, não é algo genético, Lógico, não é uma doença que tem uma carga genética, é um fenômeno, né? É lógico que quando esse fenômeno se aproxima de dentro de uma família, inevitavelmente uma porta, uma área de emergência foi aberta. Então o tratamento, o cuidado, ele deve ser redobrado, né? A mãe tem que se tratar, a mãe vai para esse GAS que eu acabei de falar, Grupo de Apoio a Sobreviventes. Procure em sua cidade, joga no Google lá, inclusive tem esse serviço público, gente, não precisa pagar, público. Pois é.
Antes da gente encerrar, a Ramponica: como as tecnologias podem nos ajudar na prevenção ao suicídio?
Com isso que a gente tá fazendo aqui agora, a tecnologia está nos ajudando. A gente tá falando sobre vida desde o começo.
É muito diálogo, sabe, gente? E se essa conversa ela foi útil para vocês, encaminhem. A live vai ficar gravada. Encaminhem para mais pessoas, porque eu, Diógenes, nós só estamos aqui 9 horas da noite dessa quarta-feira para poder compartilhar com vocês nossas experiências. E o Major tem um trabalho fantástico. Gostaria então de lhe pedir, Major, que você repetisse como os psicólogos, os terapeutas e quem está nos acompanhando quer fazer o curso. Deixa eu ler aqui certinho o nome dele, que eu já devia estar aqui na ponta da língua e não está, mas estou assumindo o curso técnica e curso de abordagem técnica tentativas de suicídio.
Como fazer isso aí? Então, geralmente a gente faz lá na escola de bombeiros o curso, né? Me procurem pelo Direct, aqueles que têm interesse, que são ligados à área direta ou indiretamente, né, da área da prevenção ou da saúde mental como um todo, né? Me procurem pelo Direct e eu dou todo o caminho tem um caminho, porque é um curso público do Corpo de Bombeiros, então tem todo um caminho para a gente ter autorização dessa vaga, né? E lógico, eu ministro palestras sobre o tema. E aí, caso queiram, também pelo direct, pelo direct, a gente, a gente conversa a esse respeito.
Diógenes.Munhoz, é isso aí. Deixa eu colocar aqui mais uma vez, Diógenes.Munhoz. Pronto, que aí quem quiser saber mais informações sobre o livro, sobre o curso, sobre as palestras, pode falar diretamente com o Major. Eu fiquei muito feliz, sabe, Major, quando nós nos conhecemos anos atrás na assembleia, né, assembleia, gente, por tudo que você já me ensinou, tantas vidas que nós vamos. E no suicídio, uma vida é muita vida.
É isso aí, perfeito. Uma vida é muita vida, é muita vida.
E nós vamos falar muito sobre saúde mental, a gente quer descomplicar esse negócio saúde mental. A saúde mental é saúde física, é saúde. Ninguém tá com as ideias organizadas. Se você estiver vivendo alguma situação que você por enquanto não está vendo saída, procure ajuda. Então o CVV 188, um serviço gratuito, não é? E nós temos hoje milhares de serviços na internet. Quando foi perguntado, né, como a tecnologia A tecnologia pode ajudar. Gente, utilizem o Google para procurar coisas que serão úteis para a vida de vocês, né?
É isso aí.
Nos conectou ao Major Diógenes. Provavelmente pelas minhas contas aqui, mais de 2 mil pessoas passaram, sabe, entre entrada e saída, viu? Então eu quero lhe agradecer profundamente pelo seu tempo e deixar os últimos minutos aqui para suas considerações faz para prevenirmos o suicídio?
Isabela, primeiramente agradecer, querida. Que bom, que bom que nós nos encontramos nessa, nesse sopro rápido de Deus, né? E que a gente tá fazendo de nossa causa aí o alento e ajuda para outras pessoas que estão em sofrimento. Você na nossa, na sua área, né, mais especificamente do burnout, eu na tentativa de suicídio, mas todas elas conjuram para o mesmo, para o mesmo ângulo, que é a prevenção do suicídio, que é a saúde mental. Muito obrigado, viu? Você é muito generosa no que você faz, no que você dá oportunidade para gente de fala, do momento de fala, do espaço de fala, e a gente tem muito a agradecer mesmo. Eu quero deixar a última frase. Eu tenho um site que é o Diógenes, www.diogenesmunhoz.com.br, né? E lá tem muita coisa. Não tem nada para vender lá, gente, fique tranquilo. Meus perfis, né, é só informações, artigos sobre o assunto, diogenesmunhoz.com.br. Eu quero deixar uma frase que ela me é muito cara, né, porque por ela eu acordo e durmo. E não é minha, é do Augusto Cury, mas é muito bacana citá-la: o corpo humano, ele tem mais de 10 trilhões de células, e nenhuma, absolutamente nenhuma, tá pronta sorrir. Gratidão, Isabela, muito obrigado.
Obrigada, Major. Muita saúde para você, excelente trabalho, e vamos junto.
Vamos juntos. Gratidão, querida.
Para você que nos acompanhou até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e pela sua confiança. A live ficará gravada, encaminhe para quem você quer bem. Se fez sentido para você, fará sentido para mais pessoas também da sua família, para os seus amigos. Major, até Ciao ciao ciao, carina.
Obrigado.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








