Como ter relacionamentos saudáveis - Ïnterior Iza - RECAP 2023

Isa Camargo and Pâmela Magalhães discuss how technology changes therapy, why self-awareness matters in relationships, and introduce PsiApp, a new psychological app. They cover emotional resilience and staying connected after the pandemic.
Chapters
Uma vez uma pessoa me procurou, ela tava confusa, aflita, e aí depois de um tempo de conversa, eu perguntei, você tá fazendo terapia? Ela, sim, toda semana. Eu falei, e como é que tem sido? Ah, as lives são ótimas, e eu, live? Ela falou, sim, eu faço a live terapia da Pamela Magalhães toda semana. Então trago aqui no sofá do interioriza a Pâmela Maravilhosa Magalhães que, veja só... a moça considera a live terapia como uma terapia oficial. Pode isso, Pamela?
Ai, meu Deus!
Bem-vinda! Primeiro, obrigada, minha amiga! Eu achei maravilhoso isso! Achei maravilhoso ela ter essa confiança, sabe? Você conquistou, claro, essa confiança dela, mas como a tecnologia, então, nos aproxima de quem está precisando?
Primeiro, quero agradecer por estar aqui, que eu te adoro mais do que... profissionalmente, pessoalmente. Acho que quem tá ali não conhece a Isa pessoalmente. Tá perdendo muito, porque ela é uma pessoa muito querida. É exatamente como ela é aqui. Ela é uma pessoa muito consistente, sensível, inteligente. Um pouquinho alcohólico, né? Combinado. Mas é uma mulher, assim, fora da curva. Eu quero aproveitar e dizer que essa experiência aqui que vocês têm nesse podcast interioriza também é uma experiência terapêutica. Mas eu sou obrigada a dizer que a live terapia não é uma psicoterapia. É uma experiência terapêutica. Psicoterapia a gente tem que respeitar que é um trabalho num setting terapêutico individualizado em que a pessoa terá intervenções de um profissional capacitado para que ela reflita bastante. Mas a live-terapia, os podcasts que falam sobre temas reflexivos sempre serão, eu penso, uma alternativa maravilhosa de uma terapêutica que todo mundo tem que fazer.
Um caminho, não é?
Claro.
Sabe que o Interioriza, quando eu optei por colocar esse programa no ar, fazia muitos anos que eu queria um programa de entrevista. E aí, eu e o Alexandre, que é o meu braço direito e o proprietário aqui desse estúdio, inclusive, que nós estamos gravando, ele me disse, vamos estudar um nome. E aí ficamos, sabe? Pensando qual nome nós poderíamos dar a um programa que fosse direto ao ponto. Que ponto? Depende, cada um tem o seu, né? E quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Quando ele falou interioriza, e eu tava já querendo mudar o nome pra Isa Camargo... Não, e a pegada do Isa?
Do Isa, gente.
Então, Zé, graças a Alexandre, uma salva de palmas pra você.
Genial, genial. Não, sacada de mestre.
Não, a gente foi indo. Aí, por exemplo, eu tinha uma ideia de um nome aí, procuramos no Google. Ah, não, esse nome já tem. Ah, esse outro. Não, esse nome já tem. Interiorize-o. Trinta minutos pra você interiorizar, assimilar o que já passou do tempo da gente absorver pra gente viver melhor. Pamela, o que você acha, dentro de tudo que você vive, com todas as pessoas com quem você já contribuiu, o que está faltando a gente interiorizar para nos relacionarmos melhor conosco, primeiro?
Penso que a nossa essência, interiorizar o que a gente sente, não esquecer da sensibilidade, a delicadeza de perceber o outro, de perceber a si. Acho que é muito desafiador a gente conseguir enxergar o outro e nos perceber sem misturar tudo. As relações, frequentemente, são muito projetivas. E esse projetar-se no outro faz com que a gente se perca de nós e também não perca o outro.
Dá um exemplo?
Eu tô aqui com você, eu quero olhar pra você, como você se sente, presta atenção como eu tô me sentindo, senão muitas vezes eu coloco em você o que é meu. Às vezes eu não tô bem falar, acho que a Iza estranha, acho que a Iza tá esquisita hoje. Acho que ela não queria que eu tivesse ali, quando na verdade isso faz parte do meu mundo, do meu momento. Então isso acontece nas relações. Afetivas, amorosas, isso acontece na relação de amizade, no trabalho. Importante a gente perceber quem somos nós, como a gente está se sentindo e como está o outro. Por isso, interiorize sobre como você está. As experiências que você vive, como elas te pegam, aonde elas te tocam. Esse é um exercício sábio.
Está ouvindo, né, papai financeiro? Porque às vezes o Tiago chega e ele diz assim, nossa, você está irritada. Eu falo, ti, eu sou seu espelho, não se esqueça.
Interessante.
Ou, ah, você está acelerada. Eu, ti, eu sou seu espelho. Ah, você está agressiva. Eu sou o seu espelho. Então, você concorda que nós precisamos, então... Eu queria que você desse dicas práticas para quem está nos acompanhando. Como é que eu faço isso na prática? Ou seja, antes de reagir, considerar qual é a sua parte naquele todo.
Por exemplo, uma coisa muito frequente e que incomoda bastante é a gente estar num ambiente, por exemplo, de trabalho, num curso, numa relação de amizade que seja amoroso. A gente se incomoda com alguém, não gosta dessa pessoa, aí fulano, saco, blá, blá, blá. Eu gosto sempre da gente pensar o que é aquilo que me incomoda no outro causa em mim e aonde isso pode contar muito sobre mim. Normalmente, o que mais nos perturba no outro diz muito sobre uma sombra nossa. Então, traz um pouquinho pra você, porque se nós trouxermos pra nós, se nós olharmos como isso nos impacta, eu acho que é uma oportunidade da gente se conhecer melhor e da gente conseguir lidar de uma maneira mais inteligente com este outro. Porque a pessoa, a perturbação dessa pessoa com a gente, ela pode ser muito mais contornável conforme eu conseguir me posicionar de uma forma que eu me preservo e também respeito que esse é o outro. E por que ele tem que mudar para me agradar, né? Eu vou aprendendo a transitar nesse caminho.
Outro dia numa conversa, era assim, réplica, tréplica, e aí eu falei, tudo bem, eu só penso diferente de você.
Olha, ótimo. Mas que difícil lidar com isso, né? Como a gente tem dificuldade de lidar, de tolerar o pensamento diferente do nosso. Ah, você pensa diferente que eu, então eu não vou andar mais com você. Então eu não quero mais você na minha vida.
Você sabe o que a gente perde com isso, né?
Me conta.
Quando você... Isso, inclusive, acontece muito nas empresas, né? Se você estiver andando com quem pensa igual a você, que só concorda com você, cuidado. Não está rolando liberdade de expressão e vocês vão perder em diversidade de ideias que leva a criatividade e que, no final das contas, vai gerar inovação. Hoje, todos nós precisamos inovar, nos adaptar, assim como as empresas precisam inovar e se adaptar a todas as mudanças. Então, se você estiver com pessoas que só pensam igual a você, cuidado!
E isso se adequa a casais também, que é a minha expertise, né, gente? Que é o que eu mais falo. Você sabe que às vezes tem casal que vira pra mim e fala assim. Ah não, Pamela, a gente se dá super bem, a gente nunca discute. Já sendo uma antena que é assim, sabe? Um sinalzinho. Porque eu fico pensando sobre as nossas melhores amigas, os nossos melhores amigos. Quem são eles? São aqueles que concordam com tudo que a gente diz, são aqueles que nós sabemos que têm opinião bastante para chegar para a gente e pontuar algo. que entenderam que não foi legal, que não gostaram, que precisa ser olhado. Isso nos remete confiança. A sinceridade, a franqueza, a pessoa que tem opinião, ela sempre nos remete mais confiança. E no relacionamento é algo muito parecido. Eu não preciso brigar com o meu parceiro o tempo inteiro, mas eu tenho espaço para discutir pontos de vista que se desencontrem. Isso é maravilhoso, porque estar com alguém que amplia a nossa perspectiva é também uma chance, eu falo que é um jeitinho da gente conseguir ainda mais aumentar o nosso alcance, conhecer mais, desbravar mais sobre nós.
Neste momento, é hora de você dar pause neste vídeo, ouça de novo o que a Pamela acabou de dizer e a gente continua. Opa! Nas suas live terapias, tem as suas lives de segunda-feira, né? Tem um alcance extraordinário. Como é que você está levando a sua mensagem além das redes sociais? O quanto você está agora levando à terapia, esse espaço de conversa de segurança para trocas? para mais pessoas, além da live-terapia?
Olha, eu faço... eu tenho meu trabalho clínico minha vida inteira, eu faço as minhas palestras com você. A gente tem um trabalho muito parecido, embora a gente tenha focos um pouco diferentes, né? Mas as palestras, o conteúdo nas redes sociais em geral. Acabei de criar um aplicativo de atendimento psicológico.
Como assim?
O PsiApp. O PsiApp conecta pessoas que querem ser atendidas, que querem fazer um processo de psicoterapia com psicólogos do mundo inteiro, a qualquer hora, de qualquer lugar. Você baixa o PsiApp no seu celular e você está a um clique. pra fazer uma sessão imediatamente, a hora que for, 2 da manhã, 3 da tarde, 5 da manhã, meio-dia.
Qual que é o nome?
Eu vou baixar agora esse aplicativo. PsyApp. P-S-I-A-P-P. Todo mundo aí do estúdio, por favor. PsyApp. Você baixa, e lá eu tenho todos, você perguntou, né, mas a gente tava conversando outro dia, você falou, quem faz essa curadoria?
Isso.
Quem faz a curadoria somos nós nesse momento, eu nem deleguei. Porque só tenho psicólogos ali que são formados, que são capacitados para atender em ordem com o Conselho Regional de Psicologia. Então, eu não entendo que existe psicólogo bom ou psicólogo ruim, porque eu acho que, sendo psicólogo, estando capacitado para atender, às vezes o que é bom para mim não é bom para você, e cada um tem um profissional que se encontra melhor. Você pode fazer a sessão imediata com quem tiver disponível, que nem o Uber da psicologia, ou agendar o seu atendimento com um profissional que você acha melhor, que tem um valor que mais se enquadra, no horário que você quiser. A minha ideia com esse aplicativo é tornar a psicoterapia, no alcance, acessível a todos, sem distinção.
Democratização.
Isso. Eu quero que todo mundo possa fazer. De qualquer lugar. Saiu da balada, saiu do almoço, foi demitido, tá chateado.
E como é que os profissionais, eles ficam conectados? São disponibilidade...
Ele tá aqui, eu tô lá, tá? Eu atendo lá. Então, eu tô aqui, baixo o aplicativo, né? Porque tem o PsiApp Pro, que é para... Que nem você tem, por exemplo, o Uber motorista, o Uber passageiro, ali também. O PsiApp Pro é para o profissional e o PsiApp é para quem quer ser atendido. Aí eu tô lá, tive meu cadastro aprovado, fiz meu perfil, tô lá. Agora, meu paciente faltou, eu quero atender alguém. Tô aqui tranquilo para atender. Eu ponho lá, online. e a Isa me pega e eu atendo a Isa. Ou então, eu tô lá com o meu perfilzão, tenho meus horários na agenda, a Isa vai lá, quero marcar com a Pâmela quarta-feira, meio-dia que ela tem, e você marca comigo.
Gente, breaking news para tudo, né? Você que já acompanha o trabalho da Pâmela.
A gente tá com quase 10 mil cadastros, lançamos há três meses o aplicativo, 10 mil pessoas cadastradas, então assim, 10 mil pessoas que estão se permitindo fazer psicoterapia. E os psicólogos que eu estou dando uma segurada, porque tem bastante já, a gente tem quase 500 psicólogos por aí.
Eu vejo no seu aplicativo um grande ganho para todos nós, até porque você se alinhar com um terapeuta, É como se alinhar com qualquer outro profissional da área da saúde, né? Ah, eu não gosto desse dentista. Ok, aí você muda. Ah, eu não gostei desse médico. Aí você muda. Sabe o que eu vejo? A turma, por exemplo, se eu não gosto de um dentista, eu não vou deixar de conhecer outros dentistas. Mas com a terapia, não. A turma não se dá bem com o primeiro ou com o segundo e aí desiste.
É porque frustra muito. É porque frustra muito. É muito difícil fazer terapia. É muito difícil a gente dividir as nossas dores. Envolve um vínculo. Por isso que, às vezes, quando você gosta muito de alguém e termina o relacionamento, você fica um tempo sem querer ver ninguém na tua frente pra se relacionar. Nem pintado de ouro? Nem pintado. Depois, quando é pintadinho de um bronzezinho mais tarde, você até tenta. Mas num primeiro momento... Você não quer nem ver porque dói, porque você está mexido, porque está com o coração em frangalhos. E na psicoterapia também é muito duro se frustrar com o profissional. É muito triste ter as nossas expectativas quebradas.
Então, frustrado ou não, vai ter um tempo para você vivenciar este luto, ou seja, dessa expectativa frustrada e depois toca a vida.
Deu uma chance, não é nem pro psicoterapeuta, né? Psicóloga é pra você.
É, total. E, Pamela, então, esse aplicativo, eu adorei. Quem teve essa ideia?
Eu. Eu. Um dia eu acordei e falei pro meu marido, e ele fez comigo tudo, né? Ele tá comigo super, o Carlos tá parceraz comigo. E eu um dia acordei e falei assim, eu quero fazer a psicoterapia ser como fosse um Uber, assim. Que a pessoa de qualquer lugar, ela clica ali e ela tem acesso. Porque um dos maiores problemas é esse. É sempre, ai, tem que marcar, demora, é complicado. E às vezes é naquela hora que você precisa dividir.
Perfeito! Perfeito. Nossa, eu já estou vendo assim esse aplicativo ultrapassando as fronteiras, claro, né? E aí a tecnologia está muito a nosso favor. Ela pode nos adoecer, mas ela também pode nos... Como ferramenta.
Eu acho que como tudo na vida, Isa, a gente precisa saber usar na vida. O reconhecimento de si nos faz conseguir transitar pelas ferramentas que são disponíveis de uma forma sábia, senão tudo nos adoece. Quando você fala muito um tema do burnout, por exemplo, do trabalho e tal, como é importante a gente saber administrar tudo isso, senão, às vezes, aquilo que a gente mais ama acaba nos fazendo muito mal.
Exato, perfeito. E nos relacionamentos, o que você tem percebido pós-pandemia desse reencontro das pessoas com agora um jeito de viver que já tínhamos? Mais ansiedade, mais aflição, mais intolerância, Eu.
Acho que o ser humano, eu até confesso que no começo ali da pandemia eu tinha um olhar, depois, logo que a pandemia foi, né, foi passando um outro. Mas, na verdade, sem falso romantismo, eu acho que a gente está muito ansioso. Eu acho que o ser humano, ele parece que o tempo que ele tem nunca é o suficiente, ele quer acelerar o tempo inteiro, ele quer abraçar o mundo, ele quer fazer tudo de uma vez. E o que há de mais importante na vida, aquilo que mais nos faz bem, são experiências contemplativas. O beijo bom é o beijo demorado, a conversa boa é aquela conversa que você entra, que você esquece a hora. As experiências boas são aquelas que você tá por inteiro. Então, acho que a gente precisa saber priorizar melhor as empreitadas e as experiências que a gente entende que são essenciais para nós, para que a gente possa se nutrir delas. Caso contrário, a gente vai fazer um monte de coisa, vai querer abraçar o mundo e vai estar sempre se sentindo vazio, carente, depressivo, ansioso e não por acaso. A gente tem aí uma predominância de tantas pessoas adoecidas emocionalmente.
Aqui no Brasil são mais de 50 milhões só se falarmos da ansiedade, da depressão e do burnout. Mais de 50 milhões. Quantos países não têm 50 milhões de habitantes e nós temos vários países dentro do Brasil com pessoas adoecidas. Gosto muito de tudo isso que você disse, é muita autorresponsabilidade. E aí não há terapia que resolva se o sujeito não entender que está mais dentro do que fora. Para quem ainda está resistente.
É muito comum a gente mergulhar na rotina da vida e a gente se cobrar o tempo inteiro, querer abraçar o mundo, colocar mil e uma atividades no dia a dia, na semana, na vida e esquecer do que realmente a gente deve priorizar e que realmente seja importante para nós. No fim das contas, o que fica mesmo são as experiências bem vividas, os afetos, as conexões, o que mais importa é aquilo que faz teu coração vibrar. É isso que realmente, naquele momento mais difícil, Quando você lembrar os momentos mais especiais da sua vida, são aqueles que você se sentiu na sua essência com as pessoas que realmente importam e são grandes para você. Portanto, faça o seu trabalho, busque aí seus planos de ambição, mas não se perca do essencial. que é você estar em equilíbrio consigo mesmo, portanto invista em cuidar de si e dos seus afetos, que a gente muitas vezes passa por cima, vai deixando para depois, às vezes fica buscando aquilo que não tem, aquilo que não quer, aquilo que não pode e esquece de valorizar e cuidar dos afetos sinceros da família, dos amigos realmente especiais que te querem bem, não por oportunismo, mais por aquilo que você é, naquele teu núcleozinho, no que há de essencial.
E, para isso, faxina é fundamental. Para você ter o tempo adequado para as pessoas que vão contribuir para esse estilo de vida sustentável e coerente, você vai ter que eliminar aquelas que não contribuem para isso. e está tudo certo. Senão dá a impressão que a gente só tem que agregar, puxar, ter mais e mais, e não. Eu entendo que para os relacionamentos, a gente precisa afastinar.
Claro. O acumular do ser humano, que é muito comum, isso acontece pela dificuldade de entender o que cabe realmente nele. E caber em você vai de acordo com um tema que você fala brilhantemente bem, que é a atualização de identidade. O que cabe naquilo que você é hoje, naquilo que é importante para você, no teu momento atual?
Aí, no seu momento, enquanto nós estamos gravando esse podcast, há pouco menos de dois anos, você mudou a sua bio do Instagram com o mamãe apaixonada. Antes era psicóloga, palestrante e escritora, aí agora entrou mamãe apaixonada. Como é que você tem se relacionado com a Luma e com a sua versão mãe?
Tô tentando fazer meu melhor com muitas dificuldades. Eu sou uma pessoa que sempre trabalhou muito, que sempre se moveu muito com atividades e que sempre quis abraçar o mundo. Quando eu falo pra você, falo pra mim também. Quando você se torna mãe, eu ia falar você tem que, mas acho que você não tem que nada. Eu me senti convidada a esse lugar, ter que desacelerar muitas vezes, porque a criança tem o tempo dela e não é o seu tempo. Às vezes você faz um cálculo ali no final, você acha que ela vai dormir em 20 minutos, você tá lá 40 minutos e nada, você quer dar o almocinho que você acha que vai dar em 15 minutos, mas no final você tá lá meia hora e você quer que a criança coma. Então, ser mãe me ensina a ter paciência. E eu, por ser uma pessoa acelerada por natureza, ansiosa, isso é um nocaute diário em mim, mas que me faz crescer muito, porque faz com que eu pare muitas vezes e perceba que essa relatividade do tempo é necessária e que, muitas vezes, a gente vai dar uma estacionada por quem a gente ama. Mas, no frigir dos ovos, eu entendo que vale a pena.
Vale, eu adoro quando você diz, sou uma pessoa ansiosa, tenho também as minhas dores. Uma vez, uma vez não, eu entrevistei a Monja Coen três vezes, eu fiz a mesma pergunta para ela três vezes, Monja, você se estressa? Mas é claro que sim, por que não? Senão a gente também, se a gente não repete essas nossas verdades, quem está nos acompanhando pode acreditar que nós da área da saúde, não temos desafios conosco. Então, não é você se blindar para um sentimento, mas quando esse sentimento aparece, como é que você vai lidar com ele? Eu preciso lidar... Eu, quando as pessoas me falam assim, nossa, você tá correndo muito, Pode ser a sua perspectiva, porque eu compartilho aquilo que eu quero, mas eu corro, em alguns momentos, muito para poder parar em outros.
Ah, isso é bom.
Então, é o famoso desacelerar para continuar em movimento, que eu gosto muito, porque senão, Pamela, a gente vive uma vida de ilusão, senão a gente não se recupera entre um trabalho e outro, um relacionamento e outro. Eu queria, antes de encerrar, Que você falasse sobre esse tempo de recuperação, que tanto serve pra você se recuperar fisicamente, né, depois de uma jornada. Não tem problema você gostar do que faz, não tem problema você trabalhar muito, desde que você também descanse muito. Desde que você também é o famoso, vista a camisa da empresa, mas vista o seu pijama também. Então, esse tempo de recuperação é fundamental para você continuar fazendo o que você ama. Como que você orientaria quem está nos acompanhando e está naquele lugar dolorido, que todos nós já estivemos, aquele lugar que parece que não há solução? Como é que a gente acolhe, neste tempo, de dor para que logo, logo ele tenha condições de ir para aquele tempo do amor de novo.
Puxa uma cadeira, converse com ela, veja o que a tristeza tem pra te dizer, quais novidades que ela vai contar, que perguntas que ela vai te fazer, mas não deixe também de fazer perguntas a ela, não deixe de entender o que ela faz por lá. Depois que você tiver uma conversa franca, Não vai dar roupa de cama, apresentar aquela cama gostosa para ela e dizer que ela pode ficar ali fazendo a estadia que ela bem quiser. Caso contrário, a tristeza fica. A tristeza quando fica, ela é impeguina, menina. É difícil tirar. Mas depois que você fizer o que eu estou te falando, ela vai sair de lá e você vai estar mais em paz e a tristeza também. Porque vocês vão entender que vocês acertaram as contas necessárias. Isso diz respeito a nós respeitarmos os nossos sentimentos. Não negue as emoções. Converse com as emoções. Enquanto houver tristeza para transbordar, você transbordará. Quanto mais você reprimir, quanto mais você rejeitar e resistir, mais essa emoção vai ficar batendo na tua porta e mais perturbador será. Então, respeitar os sentimentos é uma forma de a gente conseguir se reestruturar e ressignificar o que é necessário para que a gente possa fazer o quê? Virar a página, não arrancar páginas do nosso livro, mas virar a página e começar novos capítulos. Porque a nossa vida é isso, é uma somatória dos capítulos que a gente vive.
Excelente. Assino embaixo. Ontem eu estava conversando com um rapaz e lembrando do meu primeiro pé na bunda pós separação do meu primeiro marido. E todo mundo aqui provavelmente já viveu essa experiência. Pé na bunda?
Vixe, quem não viveu até me preocupo.
Então, total. Mas vamos lá. Mas para a gente encerrar, tá? Eu lembrando dessa história e eu demorei um pouquinho para absorver que aquele pé na bunda como eu agradeço o rapaz que fez isso, porque eu fiquei mais esperta, mais forte, porque sabe o que eu aprendi naquele pé na bunda? Que tem muitos homens que vão falar aquilo que você quer ouvir naquele momento que ele já te viu vulnerável e não são com as intenções que você quer. Então, muito cuidado. Então, este pé na bunda me deixou, depois, muito esperta. Porque aí, a hora que a pessoa estava me agradando demais, falando tudo o que eu queria ouvir, eu falava... Era lá. Era aí. É o famoso discordar. Né? Faz sentido?
É que eu estava pensando que até um pé na bunda joga a gente pra frente, né?
Sempre! A não ser que você esteja se colocando como vítima.
E você sabe, quando a pessoa está muito machucada, triste, decepcionada, eu sempre digo o seguinte... que se você superou e se você sobreviveu todas as pancadas emocionais que você viveu até hoje, você vai passar por essa. E nenhuma pancada emocional acaba com a gente, mas nos torna mais ainda aprimorados para seguir adiante. E tudo nos ensina, nada é perdido. Tudo nos ensina, nada é perdido. É que a gente precisa pegar a experiência e usá-la para o nosso melhor, sem querer mudar aquilo para aquilo que a gente acha que deveria ter acontecido. Tudo acontece de forma pontual. Tudo fica se tiver espaço para ficar. Tudo vai se tiver que ir. E aquilo que não ficou para sempre não quer dizer que não tenha significado. A gente tem que parar de achar que as coisas têm que ser para sempre para ter significado. Tem coisa que foi uma noite, alguns dias, meses, alguns anos, não foram todos para a vida inteira como você quis. Mas vai ficar ali para sempre como lição, como sensação, como experiência, como emoção a ser recordada. Busca o sentido disso que você vai entender mais adiante.
Gente, isso é uma sessão de terapia, não é? Amei, amei, amei! Antes da gente se encerrar, minha querida, eu teria aqui milhares de janelas para abrir, mas nós teremos outras oportunidades. Eu faço aqui no programa uma cerimônia das areias.
Ai, que legal!
Cada convidado senta nesse sofá e deixa o melhor, né? Das palavras, das emoções, e eu já não sou a mesma pessoa, terminando esse podcast do que comecei. Te ouvindo, eu já elaborei aqui melhor algumas ideias. E aí, como o estado da arte é fundamental para a nossa vida, eu trago aqui três potes. Gostaria que você escolhesse uma cor e colocasse aqui nesse garrafão. Você imagina que a cada convidado que vem, essa arte vai sendo formada. Porque assim como nós não podemos separar o que aconteceu aqui, Aconteceu. Nós não podemos separar os grãos de areia, então gostaria que você escolhesse uma cor. E aí, quando você jogar, deseja uma intenção para quem está nos acompanhando.
Olhei para essas cores e, num primeiro momento, o rosa me chama, porque eu gosto muito da simbologia do amor. Mas... O amor nada seria sem a potência e o laranja me traz energia, potência. Muitas vezes você está precisando se revitalizar de você mesmo para você conseguir recuperar o teu amor próprio para amar com qualidade, com escolha e com reciprocidade. Então, aqui vai ser a simbologia da energia que você precisa. Que você sinta aí de onde você estiver. Posso pôr quanto eu quiser?
Tudo? Quanto você quiser?
Ou tudo? Então vou pôr tudo.
Tudo. Gosto.
Que você se besunte dessa energia e que você renasça pra si mesmo. Se tiver que te resgatar, que se resgatar, perdão, em algum lugar do tempo, do espaço, faça. Sempre há tempo.
Ai, que coisa maravilhosa. Psypamela no Instagram, não tem erro. O aplicativo eu amei, queria que você repetisse como faz para todos se conectarem contigo.
Olha, depois dessa nossa conversa, suas emoções devem ter ficado assim, a flor da pele. Eu tenho certeza, porque nós estamos, você também, tá? Então faz o seguinte, baixe agora na sua loja de aplicativos, Psyapp. P-S-I-A-P-P. Você vai baixar o PsiApp, você vai fazer o seu cadastro e você pode fazer uma sessão imediatamente com o psicólogo que vai estar disponível, que é que nem o Uber, tá? Vai estar lá disponível pra te atender na hora que você quiser. Ou então você agende com o psicólogo, que você bem achar que se enquadra com o que você deseja, a sua sessão. A ideia é, toda hora é hora pra você cuidar de si. E a sessão está na distância da palma da sua mão, tá? A um clique.
Já tô fazendo o meu aqui, ó. Maravilha. Esse app para pacientes, né?
Isso, para pacientes.
Pamela, eu amei, te agradeço profundamente pelo seu tempo. Eu que te agradeço, querida. As renúncias que você fez, inclusive, para estar aqui não foram poucas. Então, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua amizade, pelo seu carinho. Seguimos juntas.
Obrigada, sempre. Obrigada.
E você que está até aqui conosco, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Se fez sentido para você, compartilhe com quem você quer bem, combinado? E a gente se encontra no próximo interiorismo. Até mais!
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