Como uma líder jovem e experiente vê o futuro do trabalho? Live com Izabella Mattar head da XP

Izabella Mattar, head of XP Educação, talks about leading through the pandemic shift to home-office and her mission to teach 50 million Brazilians about money. She hires for grit and initiative over credentials, prioritizes mental health at work, and sees the future of work as leaders who co-create with their teams.
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Olá, olá. Como vocês estão? Boa noite. Bem-vindos. Vou encerrar este dia de lives com uma profissional muito bacana e eu tenho certeza que o que ela vai nos contar aqui vai mudar muitos pontos de vista. E eu sempre espero que você saia da live melhor do que você entrou. Já vou dar um beijo aqui para Inspirando Mulheres e Empreendedora. sempre coloco no plural, né, inspirando a mulher empreendedora, Márcio Santos, a Erika, a Andrea, olha tanta gente bacana que tá sempre me acompanhando, muito obrigada por todos vocês estarem aqui, com tantas lives, com tantos conteúdos incríveis, vocês que escolhem estar aqui me deixam realmente emocionada, esse espaço é pra vocês. Especialmente essa semana que nós teremos o primeiro de maio, dia do trabalho, pra mim ele é encarado de uma maneira totalmente diferente, muitos profissionais infelizmente a perder emprego, outros poderão, tá todo mundo precisando se reinventar, então quanto mais pontos de vista nós tivermos, quanto mais humildade pra toda essa transformação, melhor a gente pode chegar no nosso novo normal. Eu vou conversar com a Isabela Matar, Red XP Educação. É uma líder jovem, mas com muita experiência. Eu conversei mais cedo com o Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, lá no YouTube, a entrevista está lá. Eu recomendo demais que você assista. São 30 minutos. de um executivo incrível que cuida do Google Brasil e fez transformações desde o primeiro dia do isolamento social e lá, inclusive, ele conta o que será levado para o mundo normal. Vou falar sobre isso com a Isabela. Nós já vamos dividir tela e vai ser ótimo se vocês continuarem conosco e compartilharem também suas dúvidas. Tudo bem, Isa?
Oi, tudo bem, Chara?
Boa noite.
— Boa noite. Obrigada pelo convite aí. É um prazer estar online com você — Eu.
Que agradeço. De Isabela pra Isabela. Tenho certeza que o papo vai ser.
Ótimo — Também. E olha que é raro encontrar uma Isabela que escreve com exatamente as mesmas letras que o meu. Z e dois L.
Dá uma raridade. — Total. Você sabe que eu trabalhava na Globo e lá tem uma repórter que chama Isabela Camargo? E até hoje algumas pessoas quando ouvem, né? De Brasília, Isabela Camargo. Aí as pessoas me mandam mensagem. Isabela, você ainda tá lá? Eu falo, não, é o Mauchará também. Essa é.
Completa.
Nome e sobrenome. — Maravilha. Obrigada por ter aceitado o meu convite Quando eu comecei a fazer a curadoria dos profissionais para essa semana, do futuro do trabalho Me veio você muito forte por você ser uma líder jovem, mas muito experiente E eu entendo que quanto mais pontos de vista nós nos aproximarmos, mais a gente consegue desenvolver pensamento crítico. Queria que então você comentasse aqui conosco como você chegou na XP Educação, hoje você lidera uma grande equipe, então conta pra gente.
A sua trajetória até aqui. — Bom, vou ser um pouco breve porque a minha carreira não é algo muito linear, tá, Bela? Mas eu sou psicóloga de formação, eu me formei na UFMG E quando eu me formei eu já sabia que não era exatamente a clínica ali que eu queria, né? Sempre tive muita energia e eu sou bailarina também. Aposentada, aposentada. Mas eu sempre fui acostumada a ter jornada dupla, né? Entre colégio e dança e balé clássico é uma coisa que exige muita disciplina. e muito treino. Então, eu sempre fiz jornada. As pessoas costumam dizer que eu sou meio... eu gosto muito de trabalhar, eu sou meio workaholic hoje, mas eu olho pra trás e percebo que isso é uma característica de nova, né? Então, eu sempre dancei e estudei. E quando eu me formei na psicologia, eu sentia que eu precisava gastar energia com muita gente, assim. Então, a clínica não era uma opção. Eu até cheguei a clinicar um tempo, mas aquela energia no 101 era insuficiente para mim. Eu queria estar no movimento. E aí eu passei por várias experiências, algumas até de empreendedorismo, de buscar criar coisas novas. Desde liderar uma ONG de arte e educação em Belo Horizonte, que é do Grupo Corpo, Corpo Cidadão, até empreender em treinamento, recrutar seleção como psicóloga, que eu também fazia alguns serviços como autônoma e prestadora de serviços. E eu vim para São Paulo daí para trabalhar na Fundação Estudar do Jorge Paulo Lema na frente de seleção. O carro-chefe da Fundação Estudar é o processo seletivo de lideranças no Brasil inteiro, então a gente saía correndo atrás desses fora da curva mesmo no Brasil e lá eu tive a oportunidade de liderar os processos seletivos Programa de Bolsas e também abrir uma frente de processos seletivos para empresas. A gente usava metodologia de busca de talentos para programas de treino e estágio em empresas como Endeavor, Votorantim, Localiza, enfim. E eu toquei o primeiro treino da Heinz no Brasil. Foi um processo muito legal e de muito sucesso que abriu aí as portas para a gente ter esse serviço para empresas. Então eu liderei essa área de seleção lá por um tempo e fui convidada e indicada para fazer entrevista para a Tarpon Investimentos. Nunca tinha pensado em trabalhar mercado financeiro, psicóloga, tendo passado por ONGs, enfim, não tinha pensado mesmo em estar no mercado, mas eu gostei muito do propósito da TAR, com a TAR uma gestora que, na época, fazia private investments in public equities, a gente comprava uma parte relevante de empresas listadas na bolsa, tomava o controle, entrava e mudava a cultura para aumentar a performance e, a partir daí, vender a nossa participação, as ações e tudo mais. E eu entrei numa cadeira muito bacana lá, que era uma cadeira de gente, mas não só pessoas do fundo. Era uma consultoria de gente também para as empresas investidas. Então eu entrava nas empresas que a gente comprava e ajudava a implementar ali a cultura Tarpon. Mexia na avaliação de desempenho das pessoas, mexia nos processos seletivos, ajudava ali o RH com essa visão da cultura do fundo. Então, acho que essa experiência me seniorizou muito rápido, né? Eu acho que eu tive oportunidades na minha carreira de ter contatos com pessoas sêniores muito cedo. Desde a estudar, que eu tocava processos seletivos gigantes de empresas grandes, até na Tarpon, que eu circulei também em empresas como BRF, Somos Educação, Cremer, que vende utensílios de saúde, né? Então, acho que Essa questão de ter contatos e oportunidades com gente sênior me ajudou bastante. E aí, da Tarpon, eu tinha muito contato com a Somos Educação, participei bastante ali da transformação da empresa e o Eduardo Mofarregi me convidou para cofundar o Renova BR, que hoje é a maior escola de políticos do Brasil. E nós empreendemos essa iniciativa de 2017, até o ano passado e foi uma experiência maravilhosa de empreendedorismo porque a gente teve que criar uma ideia nova, um conceito novo, uma organização nova e eu tava tocando toda a operação, né? Tava tudo no meu colo, assim. Foi uma experiência de colocar algo do zero, desde metodologia até time, até processos, até questões jurídicas. Então foi um grande movimento de empreendedorismo mesmo. E foi muito bacana, me ajudou a amadurecer muitas coisas também. Fora todas as questões delicadas de se estar num ambiente político, num país polarizado. Então, acho que foi uma experiência que me ensinou muito a exercer liderança em várias esferas. Tanto a liderança de time, quanto a liderança da mensagem que a gente carregava, a liderança de lidar com um grupo de 133, 136 bolsistas, líderes do Brasil inteiro, com visões políticas diversas e que tinha muita divergência, o pessoal quebrava bastante o pau e muitas vezes eu tinha que entrar ali e fazer a mediação dos conflitos. Então, foi uma experiência de liderança em vários níveis, foi muito interessante mesmo. E a gente teve bastante sucesso nessa iniciativa, a gente conseguiu eleger muita gente e acho que a gente acabou tendo um reconhecimento por um ano de trabalho, de ter montado uma estrutura, uma escola, eleito pessoas e criado um conceito novo que nos alavancou a essa posição de maior escola de líderes políticos do Brasil. Com isso, foi uma experiência muito rica e aí eu, enfim, recebi vários convites depois desse empreendimento, recebi vários convites para trabalhar em diferentes posições, algumas em RH, né, que era uma experiência prévia, mas eu aceitei o desafio da XP, tive conversas muito bacanas com o Ben Shimol, ele gostou muito do trabalho que foi feito no Renova e ele precisava de uma pessoa para liderar a iniciativa de educação do Grupo XP. Então, ele me convidou, fiz entrevista com os diretores e foi um processo muito bacana. E eu aceitei pegar pelo chifre aí o que é a XP Educação e levá-la para um novo patamar Eu estou na XP desde agosto do ano passado, é super recente Mas a gente já está conseguindo estruturar muitas frentes de educação novas ali dentro e vai ter novidade no mês que vem, aguardem A gente está lançando aí uma escola nova que eu vou contar um pouquinho mais pra frente, é segredo ainda, mas a gente vai colocar de pé uma nova business unit de educação que vai tratar de temas para além de finanças e investimentos. Então, é um outro desafio gigante porque a nossa missão é educar financeiramente 50 milhões de brasileiros nos próximos quatro anos. Então tem uma escala gigante, um desafio gigante que é lidar com a educação financeira e o bolso das pessoas. O brasileiro tem muito pouca educação financeira. Então a gente está com essa missão aí de democratizar o acesso à informação e ajudar as pessoas não só a pouparem, saírem de suas dívidas, mas também investirem melhor e cuidarem do seu longo prazo, né Bela? A gente sabe que a pirâmide demográfica está invertendo, né? Assim, a gente vai ter mais idosos do que jovens no médio prazo e a gente precisa que as pessoas tenham consciência de suas finanças para planejarem o seu futuro, porque senão a gente vai ter um problema social gigante no Brasil que são esses idosos que não se planejaram financeiramente e que chegam na velhice com muitas dificuldades financeiras. Então, essa aí faz parte da nossa missão e ter um impacto no Brasil.
Aí para o longo prazo também. Então eu vou ficar aqui de bico calado sobre esse projeto, eu vou fazer de conta que eu não sei de nada para tocar então para as outras perguntas, mas só pelas manifestações aqui eu tenho certeza que será um projeto muito bem-vindo até porque todo esse conhecimento, as nossas mudanças não caem do céu, precisam partir da gente. Então vocês oferecendo isso para 50 milhões de brasileiros com certeza haverá público para consumir esse produto, com certeza. O Iris, adorei saber a sua trajetória até aqui, eu tinha só algumas informações e fiquei muito feliz por saber que você se formou como psicóloga e imagina se você tivesse ficado lá em Belo Horizonte, então atendendo em consultório Você se ouviu, você prestou atenção no seu potencial e que aquele modelo que você tinha se preparado não era o.
Suficiente para todo o seu talento É, assim, acho que existem talentos e talentos para diferentes coisas, mas eu consegui ouvir um pouco dessa minha necessidade de ter dinamismo. Sabe, eu acho que a minha experiência com consultório me mostrou que aquele dia a dia era menos dinâmico do que eu precisava Eu gostava de atender, eu gostava de ajudar as pessoas. A razão pela qual eu busquei a psicologia era para ajudar as pessoas e todos os trabalhos, todos os projetos que eu entro Eu busco esse propósito. Como é que esse projeto vai deixar o mundo melhor, né? Mais do que, assim, dinheiro, qualquer outra questão, óbvio que essas coisas são super importantes pra gente na vida, mas qual que é a marca que esse projeto vai deixar, né? E aí eu acho que, putz, com esse histórico de política e agora de finanças, eu tô tentando ajudar nas frentes que eu consigo, né? Acho que é um pouco isso. Mas essa parte do autoconhecimento é muito importante, Bela, porque eu acho que se eu tivesse hoje lá no consultório, eu.
Ia estar um pouco frustrada, assim. Olha que dica, eu nem imaginava que eu ia extrair esse sobe som, como a gente diz lá na TV contigo Porque nessa semana, Isa, eu tenho conversado com muitos profissionais sobre as mudanças que já foram implementadas por vocês, pelos líderes E quais seguirão quando o novo normal chegar E quando eu ouço também as histórias de cada profissional, é uma riqueza tremenda Porque isso mostra que uma carreira de sucesso não tem um caminho linear Existem.
Erros, acertos e tentativas, não é? Muitas. Assim, quando eu conto para as pessoas que eu sou psicóloga de formação, trabalhei em ONG, liderei ONGs, trabalhei com política, trabalhei no mercado financeiro e fiz mudança cultural em empresas, assim, as pessoas mereditam quase, né? É uma trajetória muito pouco linear. Eu não sei se travou a live ou se vocês estão me.
Escutando. Oi, tivemos um.
Problema técnico. Você tá me ouvindo? Valma, a gente teve... Agora tô. A gente teve um pequeno.
Problema técnico aí, travou um pouquinho. Estamos... que me tornei... individual de informação, eu tô acostumada a lidar com esses imprevistos. Às vezes eu preciso... Quer encerrar e tentar de novo? Eu.
Vou encerrar.
E aí você volta. Tá bom. Tudo bem. Fechado. desde o dia 17 de março sobre o autocuidado como caminho para o bem-estar da mente. E nessa semana que temos, que é 1º de maio, eu decidi focar em entrevistas com líderes, liderados, futuristas para diferenciar a semana do futuro do trabalho. E cada dia a internet fica um pouco mais carregada porque, assim como outras pessoas também, estão fazendo outras lives. Então, agora a Isa vai sair e ela já volta para a gente continuar o papo Mas foi muito bacana conhecer a trajetória da Isabela Matar Que hoje está liderando um grupo e um projeto muito interessante na XP Educação E que ela se formou primeiramente como psicóloga e entendeu que o ambiente para ela não seria no consultório E sim com mais pessoas A Isa já voltou E aí nós já vamos continuar então agora com os aprendizados deste isolamento social E o que vai seguir quando o novo normal chegar Tudo bem agora, Isa? Tudo bem Pronto Então, maravilha. O que você já desenvolveu nestas últimas semanas? A XP foi uma das primeiras empresas que já transformou o trabalho em home office. O que você já desde o início fez que você se orgulha, coisas que você aprendeu e o que vai.
Ser levado para o novo normal? Vamos lá. Eu acho que a gente tem vários desafios aí, né, Bela? Eu acho que não é só a questão do home office e do isolamento que a gente foi compelido a viver. A gente tá vivendo uma situação inédita, sem perspectiva nenhuma de volta, então são incertezas pra todo lado. isolado socialmente e com muitos medos. Medo de saúde, medo de perder entes queridos E eu acho que uma coisa é home office e outra coisa é o cenário que a gente está vivendo Porque a carga emocional que esse cenário traz é muito maior do que qualquer outra situação que a gente poderia imaginar Então, acho que a primeira coisa que é o desafio do líder e que eu senti muito na pele isso da implementação do home office era como que você garantia que as pessoas que trabalham com você estão bem Num cenário de medo, de incerteza, de isolamento social, as pessoas estão longe das suas famílias Elas estão com medo, correndo risco de vida, da saúde e tudo mais Então acho que a primeira coisa que eu busquei fazer e que eu aprendi muito é entrar bastante no suporte emocional das pessoas que trabalham comigo. Então eu tenho buscado, muitas vezes, primeiro entender o contexto de cada um se a pessoa mora sozinha, se a pessoa está com a família. Eu tenho muita gente no time que é jovem e muita gente que veio de outros estados para São Paulo para trabalhar na XP. Então, eu tenho buscado dar suporte para essas pessoas, suporte emocional também. Eu liguei nos primeiros fins de semana, eu liguei praticamente pra todo mundo, pra saber como eles estavam, com quem que eles estavam, se eles estavam sozinhos, se eles estavam com a família, as pessoas de fora, se elas tinham voltado pros seus estados ou não. E eu busquei entender um pouco mais do contexto pessoal de cada um. Então eu acho que essa crise ela veio também essas questões mais de proximidade com as pessoas. Então, a minha primeira preocupação hoje é essa, se está todo mundo bem, se o ritmo que a gente está impondo é um ritmo que não está estressando as pessoas, se elas estão com algum conforto emocional, se elas estão conseguindo se sentir segura, se sentir bem, né? E seguras também no trabalho, porque a gente tem buscado, a AXP entrou no movimento Não Demita e a gente tem buscado dar segurança para elas de que tá tudo bem, né? Não precisa ninguém entrar num molde aí de desespero, de medo de ser demitido nem nada disso, porque a gente está cuidando das pessoas nesse momento e cuidando para que elas se sintam bem e seguras. Então acho que essa foi uma primeira mudança que a gente viveu que eu busquei me atentar. Não existe separar o pessoal do profissional. Nós somos um só. E aí com isso eu me apropriei mesmo desse papel de entender a situação pessoal de cada um e buscar dar apoio também na pessoa física. A segunda coisa aí eu acho que entra um pouco mais na questão do ritmo do trabalho, de home office. respeitar os horários das pessoas, entender que, às vezes, uma pessoa vai estar disponível para trabalhar em determinado horário e outra pessoa não. E diminuir um pouco ali, talvez, um pouco da pressão que a gente coloca no dia a dia. Acho que eu busquei ouvir muito as pessoas no ritmo que elas poderiam entregar as coisas e desacelerar um pouco, dar espaço para que elas pudessem ter um pouco de calma para se adaptar nesse período. Surpreendentemente, o time está super produtivo. É isso que foi o mais legal. As pessoas, elas buscaram, elas estão super motivadas, elas buscaram acelerar a produção. Então, o nosso time de educação está voando nesse período. Eu estou super orgulhosa e super feliz com o time. Mas eu tenho deixado sempre a porta muito aberta para as pessoas se manifestarem caso elas estejam cansadas, caso elas estejam tristes, emocionalmente impactadas, para que a gente possa conversar e, se for o caso, suspender um.
Projeto por algum momento ou outro. Ou seja, se antes o lema dos líderes mais transparentes que promoviam mais diálogo era portas abertas, agora são telas abertas, telas disponíveis, não é? Oisa, o que você vai levar para o novo normal? Hoje tem muita gente trabalhando em home office, depois, você acredita que parte dessas pessoas vai continuar em home office ou vai todo.
Mundo voltar para o esquema anterior? Eu vou levar para o normal, principalmente primeiro, esse cuidado com as pessoas, entender, entrar no pessoal mesmo e entender o contexto pessoal, óbvio, à medida que cada um se sente confortável, mas deixar as portas abertas para dar esse suporte emocional para o time. Eu acho que a gente vai levar muito de home office também. Essa flexibilidade, eu sempre busco trabalhar com o time na flexibilidade, mas eu confesso Confissão mesmo que eu tinha um pouco de medo de perder demais o controle se todo mundo ficasse espalhado. E isso caiu por terra. A gente conseguiu criar uma dinâmica de check-ins diários. Todos os dias às 9 da manhã a gente faz um call e todo mundo passa um pouco o que tá fazendo pra ter uma visibilidade 360. Para os colegas poderem saber o que uns estão fazendo, o que os outros estão fazendo E a gente trocar ali experiências, ideias, sugestões e críticas Com certeza eu vou levar isso para o pós-Covid-19, viu? Porque isso tem sido muito rico, as pessoas têm se conectado mais a partir disso Então a gente está usando essa prática que está funcionando, eu vou levar isso também para depois, esses check-ins diários E essa coisa também de você... tirar um pouco da pressão e imprimir o ritmo conforme cada um. Eu confesso que a gente estava num processo super acelerado e eu ficava colocando muito ritmo ali no time e eu percebi que não é necessário. As pessoas estão tão engajadas por conta própria que o ritmo elas mesmas estão impondo. Então, acho que a gente teve vários ganhos aí. Eu, particularmente como líder, Me desenvolvi muito também com esse desafio, com essa experiência E a gente tá indo super bem, a produtividade tá acima da média mesmo na empresa.
A gente tá super feliz Ótimo. Eu ouvi o João Apolinário na segunda, mais cedo eu falei com o Fábio Coelho, o presidente do Google aqui no Brasil, e todos falaram sobre a palavra confiança. Você então me mostrou agora que ao ouvir os seus liderados, você também conseguiu estabelecer uma relação de confiança e aí cobrar metas, exigir a produtividade.
Fica menos pesado. É isso mesmo? Com certeza. A gente tá, eu acho que assim, a gente sempre buscou, acho que na XP a gente tem muito essa cultura, tá, Bela, mas a gente sempre buscou dar muita autonomia para as pessoas. Eu, particularmente, trabalho muito assim. Eu acredito que o bom líder, ele seleciona bem e ele dá autonomia e confiança para aquelas pessoas que ele seleciona, né. Eu busco trabalhar desse jeito, até porque As minhas raízes são de seleção e de pessoas. E o que a gente tem visto é que as empresas que têm uma cultura maior de comando-controle têm sofrido mais no home office. Empresas que têm uma cultura de maior autonomia, como é o nosso caso e como é o meu jeito particular de trabalhar, dando muita autonomia, têm sofrido menos. Então, as relações de confiança, elas vão ter que necessariamente ser mais fomentadas e implementadas no home office e na crise do Covid. Os líderes que não tinham essa relação com seus times antes agora estão sendo obrigados a ter essa relação de maior confiança. Eu já trabalhava bastante desse jeito, dando bastante autonomia, mas agora o negócio exponencializou e está sendo muito bacana porque a gente está vendo florescer muita maturidade em pessoas, inclusive, que estão na sua primeira experiência de emprego. A gente tem muita gente jovem no time e a gente tem percebido um amadurecimento acima da curva dessas pessoas nesse período de maior autonomia e maior confiança. Então está sendo um ciclo virtuoso, de verdade, muito interessante. Óbvio que a gente não pode deixar a peteca cair. Não é porque as coisas estão indo bem, a produtividade está indo bem que a gente pode relaxar Então eu estou sempre alerta. Como líder, eu estou 100% conectada ao time o tempo inteiro E estou ali percebendo se tem alguém que não está comparecendo às reuniões, se tem alguém que está entregando menos Se tem alguém que está mais tristinho, se tem alguém que está com um nível de energia mais baixo Aí eu passo a mão no telefone e ligo para aquela pessoa. Vamos conversar nós dois? Faço 101 e busco entender se tá tudo bem ou se... Porque é esperado Numa situação de isolamento social prolongada, é esperado que a gente tenha um impacto emocional Então eu já parto desse pressuposto Eu não tô numa locomotiva que a gente tá produzindo, produzindo, produzindo e nada que acontece à nossa volta impacta Muito pelo contrário Quanto mais tempo a gente passa no isolamento social, mais chance dessa situação atacar ansiedade depressão, saúde mental do time. Então, à medida que o tempo passa, o meu senso.
De alerta aumenta, ele não diminui. Arrasou. Eu tô aqui de olho no tempo e tem tantas perguntas que eu gostaria de fazer Eu vou então já direto na história da seleção, já que você trabalhou tanto tempo com seleção de pessoas Isa, o que você considerou até agora bem relevante na hora de contratar alguém? E o que você... pode considerar, a partir de agora, como uma habilidade fundamental para integrar um time, como o da XP Educação, ou outros times que precisam trabalhar em grupo. Times.
Que precisam, juntos, atingirem o resultado. Olha, eu vou te falar, Isabela, a principal característica que eu olho na hora de contratar é garra. É garra. Pode ser a pessoa mais técnica do mundo, pode ser a pessoa mais experiente do mundo. Se não tem garra, não adianta. Porque a pessoa que tem garra, a pessoa que tem drive, que tem energia, vontade de fazer acontecer, ela corre atrás da solução. E a pessoa, muitas vezes a gente vê pessoas que são técnicas e que tem um grande arcabouço de conhecimento, mas elas tem pouca iniciativa, pouco protagonismo. Elas propõem muito pouco, elas são mais responsivas. E aí, assim, pela minha experiência aí de colocar projetos novos de pé, eu preciso do meu lado de pessoas que tenham o mesmo nível de energia e de drive que eu. Então, a primeira coisa que eu olho na hora de contratar é o quanto que essa pessoa tem iniciativa, o quanto que essa pessoa é protagonista nas histórias dela. Então, eu faço a entrevista, eu pergunto pra ela como foi a trajetória dela e eu quero ver o ponto de vista dela. Se ela é uma pessoa vitimista, que entende que saiu de um trabalho porque foi demitida ou se ela se coloca num lugar de protagonismo e entende que ela teve responsabilidade sobre aquela atuação. Então é garra, iniciativa, protagonismo e vontade de fazer acontecer e de buscar soluções. Eu acho que a pessoa que está numa postura mais vitimista ou mais passiva é muito difícil de conseguir estar em projetos alocados como os projetos que eu me envolvo, que são projetos a serem construídos do zero. Eu acho que para projetos mais estáveis, negócios mais maduros, faz todo sentido você ter um time com diferentes perfis, gente mais técnica e tal. Mas para empreender, para colocar um projeto do zero, de pé, você precisa ter gente que tem garra e que vai colocar a mão na massa para fazer isso acontecer e que tem uma visão de solução e não uma visão de buscar problema. Porque geralmente quando você está empreendendo você tem pouco recurso, você tem pouca disponibilidade ali de dinheiro e de pessoas E você precisa de gente que vai vestir a camisa junto e que vai fazer aquela coisa acontecer com você.
Independente de todas as adversidades Wow! Isa, eu te perguntaria aqui mais umas oito, umas oito caminhos aqui, mas por conta do tempo, respeitando que eu combinei com você, eu vou então para a nossa pergunta final, mas eu queria só te pedir assim a compreensão, como você como psicóloga, como você vê a saúde mental dentro das empresas. Ainda estamos muito longe do cenário ideal em lembrarmos que saúde mental precisa ter o seu espaço digno ou ainda falta muito para os empresários, os líderes e liderados também.
Entenderem que o assunto é fundamental? Eu acho que falta muito ainda, tá? Eu acho que saúde mental ainda é um tabu nas empresas, as pessoas não falam sobre isso e a gente vive num mundo hoje de altíssima complexidade. Então a gente.
Precisa.
Ser capaz de poder discutir... Não significa que ela não é um bom profissional. Significa que ela está num momento ruim. Então a gente precisa desmistificar a ansiedade, a depressão, a saúde mental e a gente precisa poder conversar sobre isso abertamente nas empresas. Porque o trabalho, ele é um fator que pode ser um fator de cura ou pode ser um fator de desenvolvimento de patologia também. E a gente não pode descolar uma coisa da outra. A gente precisa integrar e a gente precisa desmistificar e tirar esse tabu da saúde mental. Eu já trabalhei com pessoas fantásticas que estavam em um momento ruim. E é difícil como liderança, sofrendo a pressão que você sofre para entregar, você arrumar um esquema ou recursos que substituam aquela pessoa por um período para você dar o espaço dela. Mas eu acho que isso é papel do líder entender, obviamente, ali no trade-off, o que é possível fazer e como tratar uma pessoa que precisa se ausentar por um período e depois voltar entendendo que aquele talento é um talento que você quer reter, enfim, isso precisa ser considerado. E eu acho que o primeiro passo para a gente tratar melhor desse assunto é falando sobre ele. Eu acho que a gente ainda está muito longe de poder tratar disso de uma forma muito transparente. Porque os próprios indivíduos se rotulam, né? Se alguém tem uma crise de ansiedade ou uma crise de pânico ou uma crise de depressão no trabalho Ele fica ainda muito estigmatizado — Sente culpado — Se sente culpado e muita gente ainda olha pra isso com estigma A gente precisa entender que muitas vezes as pessoas estão passando por um momento difícil E que esse momento vai passar se a gente conseguir dar ali o apoio e o suporte necessário Então a gente precisa sim discutir esse tema mais nas corporações e as lideranças precisam estar mais conscientes.
Do que é esse processo de saúde mental. Perfeito. Isa, essa sua frase me emocionou, depois a gente volta nesse assunto, numa outra oportunidade. Então eu queria suas considerações finais, como é que nós poderemos construir, porque nada cai do céu, somos obras em em evolução constante, como nós poderemos construir um.
Futuro mais positivo, mais inclusivo e mais abundante? Olha, Bela, eu acho que como líderes, eu acho que os líderes precisam se abrir para a co-constituição. Então, quando a gente fala de futuro do trabalho, eu enxergo o futuro da liderança como uma liderança que co-constrói com o time, que escuta, que é aberta, que é empática e que consegue capturar a visão 360 de todos os envolvidos no processo. Então, se a gente fala de futuro, para mim, a liderança do futuro é a liderança que co-constrói. Não é a liderança do comando e controle, que acha que está certa e que impõe uma coisa e é isso. É a liderança vulnerável, que escuta os outros e que busca vários pontos de vista para poder tomar uma decisão. Do lado do liderado, eu acho que o profissional do futuro é o profissional proativo. Porque se de um lado o líder demanda mais co-construção, o liderado não pode ser passivo e esperar que a ordem venha do líder, ele tem que propor. Então ele tem que trazer com proatividade as ideias dele, o que ele viu, ele tem que ser curioso, ele tem que buscar agregar mais, ele tem que buscar entregar um pouco mais do que foi demandado. Então acho que se a gente conseguir esse equilíbrio, entre líderes que co-constroem e liderados que são propositivos e proativos, eu acho que a gente cria uma dinâmica de construção fluida, de construção constante e rica. Não é algo que uma cúpula, uma elite executiva demanda para o resto. É algo que é um sistema, é um ecossistema onde a informação flui, onde as ações fluem, onde a proatividade das pessoas e a abertura para a construção existe e a gente tem muitos mais inputs para tomar decisão dessa forma. A gente tem muito mais riqueza de informação para tomar decisão dessa forma e a gente tem muito mais capacidade de compreender o nosso cliente, o nosso ecossistema à medida que a gente captura mais informação possível para tomar decisão. Então, quando a gente fala de futuro do trabalho é assim que eu enxergo e é É por aí que eu busco caminhar, sabe? Porque eu acho que se a gente conseguir esse equilíbrio nesse ecossistema, a riqueza e a humildade também das pessoas pode.
Levar a gente para um lugar muito melhor. Isa, arrasou. Muito obrigada pelos seus ensinamentos, com certeza vão contribuir para muitos insights. E mesmo quem está ouvindo agora, vai ouvir depois pelo YouTube, Isabela Camargo Real, não se culpem por não conseguirem já projetar nada agora, porque as palavras são sementes, né? E existe um tempo também de maturação para as ideias se.
Modificarem, se consolidarem. Isa, muito obrigada. Contem comigo. Obrigada a você. Imagina, obrigada a você Isa, um prazer. Pode me convidar sempre porque foi uma delícia estar aqui com você. Então estamos super à disposição. Adoro conversar com lideranças femininas super representantes como você e eu acho que a gente precisa trazer cada vez mais visibilidade, ideias. Eu acho que essa Essa janela que a internet nos possibilita, uma janela de troca de experiências é muito rica Então eu estou sempre à disposição e buscando aprender, te acompanho no canal Gosto muito do seu trabalho e queria também te parabenizar por todo esse trabalho de informação que você traz para os seus.
Seguidores Parabéns e obrigada pelo convite Obrigada, até breve Olha, eu vou liberar a Isabela Matar, Red da XP Educação Mas olha, que história incrível! Se formou em psicologia e entendeu que a energia dela e a potencialidade dela poderia ser muito melhor utilizada, melhor empregada em trabalhos maiores, em grandes corporações. Isso que a Isabela falou agora sobre a questão do feminino, foi trazido ontem também pela Daniela Kleiman, futurista, e ela disse que deste futuro do trabalho os valores femininos estarão mais presentes para que os empregos que serão reduzidos para os outros criados sejam vividos com equilíbrio, porque muitos empregos vão acabar, outros vão surgir e nesses que surgirão ou que se manterão os valores femininos vão precisar constantemente ser revisitados. Isso não significa que um homem precisa ser uma mulher, mas um homem precisa pelo menos tentar ver com os olhos, com os valores de uma mulher para aquelas situações muito racionais. Eu sugiro que você assista essa entrevista, tá lá no meu canal no YouTube Isabela Camargo Real. E a Isabela Matar então aqui, para encerrar, ela falou então sobre o líder do futuro e os liderados do futuro. Falou sobre cocriação, que foi incrível, quando o líder co-constrói, ou seja, ele ouve também as suas equipes, ele não só impõe um sistema ou uma conduta, e os liderados que precisam ser muito proativos. Eu espero que você saia, então, dessa conversa melhor do que você entrou Amanhã eu continuo firme e forte aqui com a Semana Futura do Trabalho E amanhã, gente, olha só que coisa, né? Eu terei dois futuristas Sim, um às 11h e outra meio dia e meia Tiago Matos às 11h da manhã e a Lala Dahnzeil ao meio dia e meia À tarde, o Fernando Barra, autor do livro Meu Emprego Sumiu. Depois o Rui, lá do Great Place to Work, para nos contar quais são os segredos de uma empresa que todos nós queremos estar, mas quais são realmente. E depois, Alexandre Caldini, autor do livro Networking vs. Not Working, como é que esse networking vai funcionar no futuro se ele terá alterações ou não. Enfim, conversas riquíssimas para ampliar os seus horizontes, para ampliar o seu repertório, para desenvolver sua criatividade e assim a gente olhe para este primeiro de maio, dia do trabalho, para os outros anos com mais oportunidades, com mais.
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