Como viver os próximos 11 meses de 2020 com as ideias organizada - Live com a Dra. Camila Magalhães

Isabela Camargo and Dr. Camila Magalhães discuss mental health awareness through the Janeiro Branco campaign, covering depression, anxiety, and burnout. They emphasize the importance of seeking help and building self-awareness to navigate the year ahead with clarity.
Chapters
Oi, boa noite, bem-vindos. Deixa eu ver quem já tá aqui nesta segunda live sobre o janeiro branco que eu estou fazendo. A primeira foi com o neurocientista Pablo Vinícius e hoje nós vamos conversar com a psiquiatra Camila Magalhães e ela vai nos ajudar a entender o que é o janeiro branco. e como nós podemos seguir os próximos 11 meses de 2020 com organização mental, com bem-estar integral e que faça sentido pra gente continuar produzindo com alegria, afinal a gente também pode ser muito produtivo e ainda manter o bom humor.
Deixa eu ver se a doutora Camila.
Já entrou aqui e ela já estará conosco.
Eu abri mais cedo uma caixinha de perguntas. Já anotei algumas que nós vamos tentar responder nesses próximos 45 minutos. Olha ela aí. Olá! Olá! Tudo bem, lindesa?
Tudo bem. Obrigada pelo convite para estar falando de um tema importantíssimo, né?
Aquele tema que a gente se comove tanto, né, doutora, que não tem como passar um dia sem falar, não é verdade?
Sim, eu acho que não é um tema apenas para esse janeiro, mas acho que essa data foi muito bem estabelecida porque é uma pena, mas a gente ainda tem muito estigma relacionado à questão da saúde mental.
Vamos falar sobre eles. Vamos lá. Antes, Camila, eu gostaria que você se apresentasse aqui para Quase 200 pessoas que estão nos acompanhando. Muito obrigada a cada um de vocês. Tenho certeza que esses próximos 45 minutos serão muito úteis para tudo que nós vamos viver. Doutora Camila, eu conheci em uma entrevista na Jovem Pan. Foi amor à primeira vista. Desde então, nós não nos desgrudamos. Então, por favor, doutora, quem é você?
Tá bem, eu sou Camila Magalhães, sou médica psiquiatra, sou psicoterapeuta. Há muitos anos eu trabalho não só na clínica, mas também eu trabalho em muitas pesquisas pelo grupo, pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica da Faculdade de Medicina da USP, do Instituto de Psiquiatria da USP, onde eu sou pesquisadora, fiz meu doutorado e dando aulas na faculdade, então eu fiz muitos projetos e os projetos de saúde mental, eles me ajudaram a entender um pouco, não a população doente, mas como epidemiologia é o estudo das morbidades psiquiátricas na população geral, ou seja, em quem não está doente, a gente conseguiu ter uma percepção do quão antes da pessoa procurar uma ajuda ou até mesmo dela ficar grave e infelizmente o brasileiro ele procura ajuda quando ele está grave. Foi algo que a gente pôde... que veio dos estudos mesmo. Então eu tenho aí um namoro da parte científica com a prática e da prática devolvendo aí para a ciência um pouco desses questionamentos numa tentativa da gente então poder desestigmatizar. Algo que é frequente, mas que a gente tem que encontrar caminhos para melhorar.
Perfeito, doutora. Antes da gente falar sobre, especificamente, Janeiro Branco, você disse, o brasileiro só procura ajuda quando o problema ficou grave.
Exatamente.
Pelos seus estudos, você leva essa conclusão.
Por quê?
Por que nós temos tanta dificuldade em prevenir, em procurar ajuda antes da coisa ficar grave?
Tá certo. A gente fez um estudo, chama São Paulo Mega City, coordenação da professora Laura Andrade lá no Instituto de Psiquiatria, onde saiu aí meu doutorado. Mas a questão desse estudo, ele é... parte de um grande estudo mundial que 27 países participaram, usando o mesmo instrumento, a mesma metodologia, para tentar ter uma compreensão de como os transtornos mentais estavam distribuídos na nossa população e quem procurava ajuda, quem não procurava, do que as pessoas sofriam no ambiente de trabalho, dentro das suas casas ou até mesmo nos consultórios médicos. Então, desse estudo veio uma conclusão Importantíssima que um terço dos entrevistados, é uma amostra representativa da população de São Paulo, um terço sofre de algum transtorno mental, entretanto destes graves mesmo são um terço e dos que procuram ajuda são um terço dos graves. Então, vamos dizer assim, por isso que o sistema de saúde, o indivíduo sofre muito ainda por conta da questão da saúde mental, porque vamos dizer que achava-se que não tinha tanto preconceito, mas a pessoa diz, ah, vai ver que isso é algo que eu consigo enfrentar sozinho ou que, enfim, eu vou procurar ajuda caso eu realmente sinta que eu já não tô dormindo, que eu tô muito angustiado, ou muitas vezes a família leva a pessoa para o tratamento. É aí que tá, eu acho que a tua pergunta é muito interessante por isso, foi daí que veio essa conclusão.
Você sabe que a Ana Paula Lira, ela acabou de escrever aqui, aliás Ana Paula, obrigada pela pela sua participação, ela diz assim, às vezes, as pessoas que estão do nosso lado nos fazem desistir de procurar ajuda, né? Você disse, a família, uma pequena parte, leva ajuda, né? Essa pessoa levar, procurar ajuda, mas nós também sabemos, né, doutora, que muitos amigos, muitos familiares, também por falta de informação, acham que a gente não precisa procurar ajuda, que um chazinho melhora, né?
Você não sabe o que tem de gente que esconde, inclusive, da família que veio procurar ajuda, porque a família pode achar que você está sendo fraco. Imagina que confusão que ainda se tem quando alguém tem um sintoma. Ou até mesmo procura um terapeuta para fazer uma terapia, acha que só vai para terapia quem tem problema. Quando, na verdade, o que os estudos têm mostrado é que quem vai para terapia é quem é corajoso. Quem quer ver os seus problemas, quem quer ficar melhor, quem quer, enfim, se trabalhar, se conhecer melhor. Não é necessário, inclusive, ter um sintoma pra você procurar ajuda. E essa é a grande questão que a gente vem discutindo.
Camila, aquela história do dentista, né? Se eu tenho um problema no dente, eu vou procurar um dentista. Se eu tenho um problema financeiro, vou procurar uma instituição financeira. E quando eu tenho um problema relacionado à mente, eu ainda tenho muita dificuldade em aceitar que eu posso procurar o psicólogo ou o psiquiatra. Nós vamos entrar nesse assunto já já, mas eu creio que agora está na hora da gente explicar o que é o Janeiro Branco. Porque quando eu soube dessa campanha, eu fiquei muito feliz, assim como tem o Outubro Rosa, o Setembro Laranja. O Janeiro Branco é uma campanha nova. Para quem... várias pessoas me perguntaram, desde a semana passada, quando eu anunciei que nós falaríamos, né, o que é afinal o Janeiro Branco.
Então, vamos lá. Os problemas de saúde pública, eles ganham um certo destaque, maneiras das pessoas poderem falar ou ter um pouco mais de liberdade para dialogar sobre temas que são relevantes em saúde. Então, por exemplo, das 10 principais causas de doenças, não estou dizendo doenças mentais, no Brasil, duas são psiquiátricas. que é depressão e ansiedade. Estão entre as 10 principais causas de doenças. E aí, não só no Brasil, como no mundo, começou-se a ver que não só estava entre as principais doenças em tratamento, e não mais aquelas do passado, só as crônico-degenerativas, Precisava-se falar sobre isso, dar espaço para as pessoas falarem, o que é uma questão maravilhosa. Esse espaço que você está dando, essa ênfase na possibilidade de falar sobre um tema que de maneira alguma tem a ver com caráter, Claro que vão ter lá uma quantidade ínfima do que a gente designa transição de personalidade, alguma coisa, porque aí é uma questão 0, alguma coisa que não chega a 1% que a gente tem visto hoje, mas todo o restante são questões que englobam uma complexidade, ou seja, uma predisposição genética, uma questão ambiental, como vive a família, o estresse no trabalho, uma série de coisas que podem deflagraram o sintoma. Então foi dado a esse mês de janeiro o privilégio e a possibilidade de se falar sobre saúde mental de um jeito livre, em que as pessoas possam sim ter dúvidas e parar de sofrer numa sociedade contemporânea que prega, muitas vezes até o contrário, prega felicidades apenas, ou prega que as pessoas obrigatoriamente tem sucesso por conta de tudo que ela mostra, de tudo que ela demonstra em termos de otimismo e tal. Isso é um traço humano, mas a tristeza ou até mesmo o adoecer, do ponto de vista da saúde mental, não só se prova que está dentro das principais causas de doença, mas é algo que requer um cuidado especializado e que, mais do que as pessoas não imaginam, quando alguém se cuida, ela volta a ter uma vida, inclusive, muito melhorada e em transformação. Então, acho que essa é a grande questão.
Eu aproveito essa sua frase, né? Quando alguém se cuida, não é só a pessoa que está em sofrimento, seja mental ou físico, ela será beneficiada. Todas as pessoas ao redor dela também, porque a família também sofre quando a pessoa está doente, as pessoas do trabalho também sentem falta, daquele profissional que fazia parte do time. Ou seja, todo mundo ganha quando você procura ajuda da mesma maneira que todo mundo perde quando você primeiro não aceita, não procura ajuda ou desiste diante de uma ajuda que não atingiu as expectativas. Por que eu estou dizendo isso, gente? Muitas pessoas me procuram dizendo assim. Ah, mas eu fui a psiquiatra, eu não gostei. E aí nunca mais foi em lugar nenhum. É a mesma coisa que Voltei. É a mesma coisa alguém que tem uma decepção amorosa e nunca mais vai se relacionar com alguém. Então, existem dentistas bons, dentistas ruins, existem psicólogos bons. Na verdade, você vai encontrar aquele que melhor vai trazer respostas para o que você está sofrendo, para o seu problema.
Tem que contar que é um incômodo, né, Isabela? Isso que você está falando é super importante, que muitas vezes procurar ajuda e a gente falar da gente mesmo e entrar em contato com... Todos nós temos defeitos, né? A gente é repleto de questões a serem melhoradas, a gente procurar identificações com o outro, mas coisas que a gente não identifica e que só a gente consegue trabalhar, no começo é incômodo. Eu me lembro quando eu comecei a fazer análise, eu era residente, eu falava, bom, eu não sei, eu acho que eu não tenho problema. Mas você não precisa ter um problema, de repente você percebe que é um trabalho, você se desloca, mas depois que você sai dali, Sempre tem algo especial que foi visto na tua própria fala, na tua maneira de, a partir da fala, não só obter o que a gente quer, uma melhora, uma transformação, ou até mesmo se adequar a viver no mundo que a gente vive. Ali é a possibilidade da gente se escutar. Escutar o eu, quem eu sou, o que eu sinto.
Organizar as ideias, que é o que o Janeiro Branco propõe. Então, o Janeiro Branco, doutora Camila, é uma campanha que busca atender demandas individuais, coletivas, da saúde mental. Podemos resumir assim? Assim como outro grosso é pra prevenção do câncer, o Janeiro Branco é pra prevenção de patologias relacionadas à mente, certo?
Perfeito, perfeito. Pra ajudar as pessoas a prevenir e falar sobre isso pra começar a identificar também.
Gente, então olha, eu sei que nós estamos há poucos dias de fevereiro, mas todos vocês que estão nos acompanhando nessa live, muito obrigada pelo seu tempo, por você ter escolhido esse nosso conteúdo diante de tantas coisas aí que o universo está te oferecendo. Muito obrigada pela sua presença. Se você lembrar de alguém que pode também se beneficiar com essa fala, Manda um zap, sabe? Pode sair, mas depois volta. Porque eu tenho certeza que esse conteúdo que eu, doutora Camila, queremos te passar pode contribuir ou pra você ou pra alguém que conviva com você. Teve o Paulo Rogério, ele escreveu aqui, doutora, eu passei sete anos procurando ajuda porque eu não sabia que eu estava gravemente doente. Então, sete anos. Olha, eu precisei passar sete anos pra procurar ajuda, pois eu não sabia que eu estava doente. Então, isso mostra que... imagina a quantidade de dias que o Paulo Rogério não viveu pensando coisas não tão legais. Pela falta de coragem, de procurar ajuda. Ao mesmo tempo, Camila, a gente também não pode criticar quem ainda não teve forças para fazer esse caminho, né?
Inclusive, eu tenho... Você conhece, Isabela, meu trabalho. Eu tenho tentado falar muito, explicar para as pessoas de uma maneira simples no programa de saúde mental da Jovem Pan. A ideia é essa. Vamos falar sobre isso. O que é ansiedade? O que é TOC? O que é bipolar? O que é depressão?
Vamos lá. Mas, Jovem Pan, você está lá... Qual é o horário que você está no ar, doutora? Só para as pessoas já saberem onde te encontrar se alguém tiver que fazer alguma outra atividade.
Fica no intervalo do Jornal da Manhã, duas vezes por semana, mas para aqueles que não assistem, o ideal é... Eu deixo para você depois o link de um programa de saúde, que aí nesse link dá para pegar todos os vídeos e as explicações. São breves, fáceis, e a gente vai falando sobre Às vezes as pessoas falam, não, você acha que eu sou TOC? Então eu vou pegando as perguntas, é muito interessante. Às vezes o que ela pensa que é TOC não é TOC, mas às vezes é alguma coisa importante, né? Pacientes que estavam em hipomania porque estavam em uso de alguma substância e aí de repente ficou acelerado, noite sem dormir e de repente identifica ali que é isso mesmo, você vai ter que procurar ajuda para conseguir dormir e tudo mais. Esse ouvinte que nos escreveu dizendo, poxa, eu passei vários anos gravemente doente, você sabe que por isso que também tem o Janeiro Branco, porque a tentativa é que as pessoas reduzam o tempo em que elas procuram identificar, mesmo que chegar até o profissional, não, você não tem nada. Isso é importante, porque às vezes elas adoecem de outra coisa. Então, a comorbidade de depressão com dor, por exemplo, é de 50%. 50% dos deprimidos têm alguma dor no corpo, dor importante. Então, elas vão procurar o profissional da dor. Sério? Sério. Isso é um estudo nosso, feito, publicado, e muito interessante. Muitas pessoas... Olha, para você ter ideia, no ambiente de trabalho, a primeira causa que tem de afastamento é dor, a segunda é ansiedade, a terceira é depressão.
Vamos repetir esse número, que ele é muito importante.
Então, essas são as estatísticas. A presença de uma doença física, cefaleia, dor por cefaleia, dor no corpo, dor lombar, muitas vezes elas são sinônimos de alguém que está com depressão, porque 50% dos deprimidos têm uma dor importante. E outra coisa que é interessante é que, assim, Por exemplo, o abuso de álcool, que é um problema no nosso país. Eu não tô falando dos dependentes, eu tô falando do padrão que o brasileiro faz em relação ao uso do álcool, que é muito desfuncional. Infelizmente, nossa população procura sanar alguns sintomas fazendo um uso do álcool. Isso tem gerado mais de 200 tipos de doenças associadas a esse uso, que passa do moderado, que é tido como um beber pesado, que a gente chama de beber pesado.
Desculpa, as pessoas bebem para amenizar uma dor.
Muitas vezes, a motivação de um beber em demasia, bastante intenso, ele está como um enfrentamento. Ao invés de tomar um remédio, a pessoa fala, ah, acho que eu vou beber, hoje eu vou beber. Vou esperar o final de semana. É, a gente não pode minimizar, porque o brasileiro está entre os indivíduos do mundo que mais bebem nesse padrão prejudicial, que a gente chama de beber pesado. Então, a ansiedade com hipertensão e diabetes também é uma comorbidade extremamente frequente. Então, a pessoa vai... Outra coisa é zumbido, né? Vai... Ah, eu tô com muito zumbido e tal. Quando, na verdade, tá passando por muitos anos de angústia e deflagra um zumbido, uma cefaleia, uma hipertensão, uma diabetes. Então, a gente pode um dia até eu explicar os mecanismos em relação a isso, mas é muito frequente. Então, as pessoas têm razão em relação a isso.
Você comentou, Camila, que das dez principais causas de doença do Brasil, eu não sei se é do Brasil ou do mundo, duas são psiquiátricas do Brasil. Então das dez, gente, ó, breaking news, tá? 19 e 49. Das dez principais causas de doença no Brasil, duas estão relacionadas à mente. Depressão e ansiedade.
Sim.
Doutora Camila. Nós temos muitas pessoas em sofrimento mental, então?
Nós temos. A grande questão é a seguinte... A gente tem um lado de realidade, que é o mundo passando por mudanças. As pessoas, obviamente, estão vivendo nesse mundo desigual. Muitas pessoas com problema com a velocidade com que tudo acontece, o impacto de tecnologias, dificuldade para chegar ao trabalho. Então, tem gente que fica em conduções, sei lá, horas, três horas. Não ter opções de lazer. Tudo isso vai virando uma panela de pressão, né? Por isso que essa estatística, ela é problemática e ela aumenta. Essa é a grande questão. Então, falar de saúde mental é tentar conter esse universo enorme de repercussões negativas que o emocional tem no corpo. Você estava dizendo, mas duas são relacionadas a transtornos mentais entre as dez principais causas de doenças, sendo que das primeiras, que é dor, muitas também estão relacionadas ao próprio sofrimento mental. Então, assim, quando você disse, Camila, vamos falar sobre o gênero branco, sobre ideias, como organizar as ideias, eu acho que o ano já começou, a gente já começa desorganizando as ideias, faz parte, e vivendo um processo contínuo de buscar nossa saúde mental. Acho que quando você escreveu isso, é intuitivo, né? Como organizar as ideias, mas, na verdade, Saúde mental nada mais é do que isso. É a gente organizar, equilibrar, tentar equilibrar o que a gente pensa, o que a gente sente, como a gente age, como é que a gente faz escolha e como é que a gente lida com o estresse.
Isso. Doutora, tem uma pergunta aqui da Rota do Divino, que me mandou mais cedo. Como ser planejado, barra, organizado e manter a saúde mental? Você como uma psiquiatra, aliás, para quem chegou agora, a gente está falando sobre Janeiro Branco, Doutora Camila Magalhães é uma psiquiatra maravilhosa com M, participa de vários estudos na USP, atende dentro da clínica, tem coluna no Jovem Pan, ou seja, você pode seguir a doutora Camila no próprio Instagram dela, doutora.dra.camilamagalhães. Se depois você quiser também compartilhar, Camila, algum outro canal onde você compartilha os seus estudos. Quanto mais a gente puder falar, quanto mais a gente puder compartilhar, melhor. Então, pra quem tá chegando agora, Janeiro Branco, que é o mês em que nós estamos organizando, fazendo essa campanha. Nós não, né? Nós estamos falando sobre isso, que é o mês que faz uma campanha pra chamar a atenção da sociedade para as patologias relacionadas à saúde da mente. Como ser planejado, organizado e manter a saúde mental? Tem um manual, doutora, pra isso?
Olha, infelizmente... Infelizmente não tem. Eu acho que essa é uma busca contínua, um caminho que o tempo todo a gente precisa estar atento e tentando aperfeiçoar. Porque essa busca de se organizar assim faz sentido você minimamente dar espaço para coisas que aparentemente são simples, mas que, se você se escutar, você compreende que está muito mais ligado ao seu ideal de eu, quer dizer, se contentar mais a si mesmo do que o outro. Eu acho que isso está tendo um... Eu recentemente postei algo que me chamou muito a atenção, que no Google, o ano passado, a pergunta que mais... Uma dentre as perguntas mais feitas pelo brasileiro foi o que fazer para os outros gostarem de mim? E isso eu achei chocante, porque isso revela a saúde mental do brasileiro. Quer dizer, como manter um ano organizado? Acho que a primeira questão é a gente olhar pra gente. Olhar pra gente. Inclusive, quando a gente tem algum sintoma ou alguma coisa importante, a gente precisa ter escuta do que esse sintoma representa. Por que eu estou adoecendo? Acho que essa é uma questão. E mesmo quando a gente não está adoecendo, o tempo todo, e esse caminho, como eu disse, é uma vida, a gente vai buscar o que nos agrada, as pessoas que a gente gosta de estar perto, Hábitos que são simples e que está se perdendo. Por exemplo, uma família que tem uma refeição conjunta e que não cada um está no seu mundo, na sua tecnologia. Então, que as pessoas possam olhar um pouco para como que ela gosta de organizar o dia dela, colocar uma atividade física, uma caminhada, uma meditação, uma hora em que ela não faz nada. Quer dizer, é uma negação a essa multiplicidade de informações, de coisas e de elementos que as pessoas querem ser gostadas pelo outro, que elas até querem ter uma aprovação do outro. Especialmente porque a imagem foi objetificada, então as pessoas querem Gostei, likes, likes, likes. Mas será que é isso? Porque se a nossa imagem vira um objeto, como todo objeto, as pessoas podem rechaçar facilmente ou querer para elas facilmente. Então, eu acho que a gente tem que olhar para tudo isso.
Você falou que nessa busca contínua, quando eu falei o manual para a gente ter um ano de 2020 organizado, primeiro você falou para olhar para dentro e olhar para dentro me leva a uma outra pergunta, ou seja, esse estado de comparação que a gente vive é prejudicial para a nossa mente.
É, a gente é do humano a ver uma comparação com o outro. Até para a gente, o tempo todo, essa via é de mão dupla. Para a gente saber quem a gente é, o que eu gosto? Porque um gosta de música e o outro não gosta. O outro gosta de esporte. Não é porque o outro é maravilhoso em tal coisa que eu, para ser talvez querido como ele, vou olhar o reflexo do outro. Essa resposta não está pronta ali no Google, como tudo que as pessoas querem encontrar. Isso é algo que a gente vai se visitando, a gente vai tentando equilibrar. Então, realmente, a gente vai percebendo que a gente precisa fazer escolhas, o que eu gosto de fazer, aquilo que eu gosto de trabalhar. eu estou mais próxima ou mais distante dos meus desejos, sermos mais para nós mesmos, não mais para o outro. Quer dizer, isso tudo é muito complicado. Muitas vezes a riqueza da terapia, por exemplo, ela está nisso, nessa possibilidade desse questionamento. Hoje em dia foi se tornando cada vez mais viável para as pessoas, antigamente é só quem podia pagar e tudo mais, isso está mais disseminado. Essa possibilidade da gente poder lidar com esse dia-a-dia que é corrido, que tem sobrecarga, que as mulheres às vezes têm três, quatro jornadas, ainda muito mais. Saiu um estudo dizendo que as mulheres trabalham ainda numa jornada caseira sete vezes mais que os homens, fiquei chocada. Muitas vezes, isso é estressante, mas tudo isso precisa sendo avaliado e conduzido ao longo da vida. Então, eu acho que é um trabalho que a gente deve ter.
Constante. O que você diria, doutora Camila, para as pessoas que só terceirizam as responsabilidades. Por exemplo, ah, minha vida tá assim porque meu chefe é assim, minha vida tá assim porque o mundo é assim, minha vida tá assim porque o governo tá assim. De que adianta se vitimizar ou terceirizar as responsabilidades? Isso tem a ver com o que você tá falando?
Tem a ver. É verdade. Às vezes as pessoas não querem enxergar o que eu posso fazer diante desse mundo que está aí. Porque a Clarice Lispector que falava, né? A vida é um soco no estômago. A vida é difícil. A gente não está ali bem todos os dias. Tem dia que a gente só está trabalhando o nosso conhecimento, a nossa possibilidade de... de levar aquele dia, produzir o nosso trabalho. Enfim, tem muitas funções com filhos que são difíceis, funções com marido, função com parceiro ou parceira, com o chefe. A questão é assim, é uma realidade. Às vezes tem pessoas que vivenciam realidades obviamente muito mais difíceis, muito mais duras. Mas, nesse olhar crítico, a gente precisa, inclusive, encontrar uma resposta como ficar inteiro. E, às vezes, ficar inteiro está no se dar, você fala, se der um tempo. Porque prazer exige tempo, raciocínio exige tempo, a compreensão do que você pode fazer ali. Então, por exemplo, tem aquele que vai no trânsito estressado xingando. E falando, tá vendo? Esse país é assim, eu preciso sair daqui. Tem aquele outro que ele põe uma música.
Exatamente.
Então, por quê? Porque às vezes a realidade que a gente vive em si, isso é mundial, ela não é possível de ser simplesmente modificada. Isso é a vida. A gente não consegue modificar facilmente o outro. A gente tem que se olhar e ver com o que vai ao encontro com a gente ou não, né?
Perfeito. Camila, tem muitas perguntas aqui relacionadas à ansiedade e depressão, o que é o transtorno de ansiedade, mas eu quero começar com a pergunta da Isa Lampa, porque ela diz assim, fui diagnosticada com depressão, mas acredito ser burnout. Vocês podem me dar alguma dica ou indicar algum material sobre como sair do burnout. Antes da pergunta dela, eu acho que vale a pena a gente falar um pouquinho, doutora, sobre inclusive o assunto que nos conectou, que é a Síndrome de Burnout. É possível essa interpretação de um especialista falar que... Tô chutando... Síndrome de Burnout é depressão, ou depressão é Síndrome de Burnout, é crise de ansiedade. É possível essa interpretação equivocada acontecer?
É porque muitas pessoas com burnout também podem desencadear um quadro depressivo. Então isso também pode acontecer e fica uma confusão toda.
Repete, repete.
Uma pessoa com burnout... Com burnout tem uma chance aumentada para desencadear um quadro depressivo.
E o contrário também? Uma pessoa com depressão pode desencadear o burnout?
Pode, mas são condições distintas. Porque o que acontece? Claro que uma pessoa depressiva pode desencadear uma série de dificuldades, mas o burnout, pela própria definição, é uma condição que nasce no ambiente de trabalho. Então a gente não costuma fazer assim, ah, porque ele estava deprimido, então está em burnout.
Não.
Ela nasce de condições do trabalho. Obviamente vão ter pessoas mais predispostas a desencadear um quadro de humor também por conta de uma condição laboral. Mas eu acho que a pergunta dela é importante porque é o seguinte, a definição de depressão, ela não é qualquer tristeza. Tristeza todos temos. Tristeza é vida, inclusive, porque a tristeza faz com que a gente tenha uma chateação com aquilo que a gente quer afastar, modificar. A depressão, ele é um quadro que, por exemplo, em São Paulo, são aproximadamente 11% dos residentes na região metropolitana de São Paulo desencadeiam em que o indivíduo tem dois sintomas importantíssimos. Depressão. Depressão, primeiro tem que ter um humor depressivo por um tempo importante, geralmente em duas semanas, que não sai nem daquilo, daquele humor para baixo, polarizado para a depressão, com tristeza, um quadro de tristeza e com uma diminuição importante do prazer. Esses dois sintomas, eles ficam instalados E não é um dia, dois, tal. É um quadro, é uma nuvem na cabeça dessa pessoa. É uma tristeza que toma conta, né? Toma conta. E junto desse quadro, geralmente, a pessoa cursa também com alterações no peso, ou ela ganha muito peso, ou ela perde muito peso. Ela fica com um sono muito ruim, muito instável, sem qualidade. Alguns até dormem demais.
Depressão.
Na depressão, junto vem uma sensação de fadiga, de falta de energia. Não consegue ter energia pra nada. Um sentimento que é muito comum o paciente falar é de culpa. Ele sente culpa, né? Eu tô me sentindo culpado, né? Eu tô com um sentimento de culpa, de inutilidade, de que não consigo pensar direito. E alguns, que é um quadro mais severo ainda, mais grave, começam a pensar que a morte seria uma saída. que é quando aí vem esse pensamento de morte, ou ideação suicida, enfim. Já é um desdobramento grave. Então, isso nada tem a ver, por isso que não dá pra confundir com o burnout. O burnout a pessoa pode cursar, como eu disse, junto com a depressão, mas são critérios bem diferentes.
Olha, tem tanta pergunta, e aí eu vou ter que ser muito objetiva, pelos próximos 15 minutos. Tem muitas perguntas e essas perguntas reforçam a razão da gente estar aqui, segunda-feira, 8 horas da noite, falando sobre o janeiro branco. Quem chegou agora, gente, a gente está falando sobre o janeiro branco porque é um mês para a gente conscientizar individualmente ou coletivamente campanhas para falar sobre saúde mental para a gente viver os próximos meses de 2020 com as ideias organizadas. A doutora já falou sobre que das 10 principais doenças do Brasil, duas são psiquiátricas, depressão e ansiedade. A gente começou agora a falar sobre depressão. Você falou agora sobre as ideias suicidas. Passou aqui, porque tem muitas participações, gratidão a todos, uma moça que disse assim, eu só me dei conta que eu estava doente quando eu tive ideias suicidas. Isso é comum?
Infelizmente, também é muito comum. Pelo seguinte, a tristeza, ela é confundida, mesmo essa que é avassaladora, ela é confundida pela população em geral, pelos entes próximos, como algo episódico, né? Como algo, ah, vai assim, vai passar. É justificada muitas vezes. As pessoas justificam aquela tristeza que toma conta. Entretanto, às vezes a pessoa começa a perceber que aquilo vai piorando, vai ganhando um corpo, ela vai ficando cada vez mais desmotivada, não tem energia pra nada e aí começa um sentimento de inutilidade, de que, puxa vida, acho que minha vida não vai melhorar. Quando na verdade, e eu fico muito triste porque figuras públicas com enorme conhecimento, como o caso do Chorão, outras pessoas que faleceram brutalmente com episódios depressivos. Depressão tem tratamento. A depressão não precisa chegar nesse ponto. E outra, a gente não precisa saber que diagnóstico a gente tem. Na dúvida, O psiquiatra avalia o quadro do paciente e muitas vezes diz, não, olha, isso daqui é uma tristeza que você está vivendo, que até faz você pensar que a vida não vale a pena, mas você precisa de um cuidado, de uma terapia, de uma ajuda, de uma troca, de alguém, de um técnico, de um profissional que é preparado para isso, que tem o distanciamento daquela pessoa para poder enxergar os caminhos pelos quais ela poderia amenizar essa dor. Então, na dúvida, a pessoa deveria, sim, procurar uma ajuda. Mas quando, como eu disse, esse episódio tá instalado, tá durando, tá arrastado, aí a chance é grande, com toda essa mirilha de sintomas que eu referi, ela tá passando por um episódio depressivo. Desculpa. Não, é que as causas, Isabela, também, assim, quem tem fator de risco? Por que uma depressão se desencadeia? Em primeiro lugar, acho muito importante falar que tem uma questão genética que não é suficiente, né? Mas que a depressão ela se manifesta do ponto de vista genético, tem na família um histórico. Quem vem de uma personalidade às vezes mais tímida, quem vivenciou problemas no âmbito familiar, muitas vezes problemas que a gente não... pra você pode até não ser importante, mas pra aquela pessoa foi uma privação, algo importante pelo qual ela passou. Pessoas que estão passando por uma dificuldade de ajustamento nas relações e isso fica bastante frequente, ela vivenciando situações de tristeza, Então, não é simplesmente um evento vital que vai levar à depressão. É uma conjunção de todos esses fatores.
Depressão, se a gente fizesse uma live todos os dias, até o final de 2020, nós ainda teríamos muitas dúvidas. A depressão... Uma doença invisível, a gente já sabe que a gente tem pouca empatia por aquilo que é invisível, né? Muito mais fácil você se comover por alguém que está com a perna quebrada, né? Ou com uma psoríase, enfim. Infelizmente, acomete cada vez mais pessoas, então nós sempre teremos espaço para falar sobre depressão. No caso dessa moça, Camila, que teve diagnóstico de depressão, mas ela acha que é burnout, a gente não tem os detalhes, mas provavelmente então ela vive um contexto profissional em que faz ela também levar para esse caminho. O que você sugere? Que ela procure um outro diagnóstico. Como é que as pessoas que recebem diagnósticos e aí vão se informando cada vez mais e vão se questionando, poxa, será que eu tenho isso ou não? O que elas fazem?
Isso é super legal o que você tá falando, porque dentre os fatores desencadeantes, aí entra a sobrecarga no trabalho. Como um fator que não só é sobrecarga no trabalho, mas a gente sabe assim que as pessoas estão adoecendo mais por conta de uma velocidade de vida, uma super exposição a um trabalho que muitas vezes exige mais da pessoa, muitas vezes, do que ela pode dar. A carga de exigências para obtenção de metas mediante um reconhecimento no final e a pessoa, se ela vai... Reclamar daquilo com o chefe, por exemplo, inclusive o chefe fala, puxa vida, mas faz parte do seu bônus você produzir, ficar aqui mais, as pessoas falarem bem de você. Quer dizer, tem coisas que eu assisto aqui no consultório ou com as pessoas que me mandam perguntas que realmente são muito dolorosas. Então, o que acontece? Alguém que passe hoje, as empresas estão se modificando, no sentido de reconhecer que adoecer no ambiente de trabalho é algo que demanda uma porta, assim como na escola tem muitas crianças, adolescentes, adoecendo na escola, que também exigem, que têm padrões de exigência. absurdos para a obtenção de notas em provas, ENEMs e tudo mais, e essas crianças se veem diante de uma necessidade de produzir resultados muito grande. E no ambiente de trabalho, as mulheres são mais vulneráveis pelos estudos, porque elas, obviamente, têm maratonas outras de atividades e cobranças e tudo mais. Então, hoje em dia, a gente aconselha que essa pessoa possa encontrar uma porta aberta, sigilosa, para poder, inclusive, dialogar sobre aquilo que o ambiente de trabalho pode sim estar desencadeando no funcionamento de humor daquela pessoa. Então, pode sim ter essa escuta, produzir mudanças, ajustes. Ninguém perde com isso. Todo mundo ganha. Então, eu oriento fortemente as pessoas a encontrarem esse diálogo, tanto do ponto de vista do empregador quanto do empregado. É muito possível encontrar isso sem que isso pareça uma muleta.
Camila, pra gente encerrar, nós temos mais quatro minutos. Tem a pergunta do Sérgio Rodrigo que, na minha opinião, pode fechasse maravilhosamente bem essa live sobre o janeiro branco. Qual a importância do autoconhecimento para a saúde mental? Obrigada, Sérgio.
Nossa, essa é total, né? Porque o processo de autoconhecimento é aquele que detecta não somente quando algo vai bem, como aquilo que a gente passa a tentar lutar para mudar quando vai mal, né? Porque essa é a grande questão. As pessoas estão exigindo muito de si mesmas, elas têm que tomar um pouco de cuidado nesse elevadíssimo padrão de cobrança individual, né? Ou seja, A maior cobrança que eu vejo é que a gente queira ter o trabalho de se alinhar ao nosso, que eu falo, ideal de eu. Quer dizer, quem é o meu eu ideal? Eu preciso me conhecer, eu preciso saber aquilo que me agrada, a música, as pessoas que eu quero estar junto, aquelas que eu não quero, aquele trabalho que eu faço porque eu preciso ou aquele trabalho que eu não desejo, que eu gostaria de ter a oportunidade de modificar. A minha condição é ser extremamente difícil. Outro dia uma pessoa me perguntou como ser feliz. Eu tô desempregado, né? E é isso mesmo. Você se autoconhecendo, você mesmo nas suas horas mais difíceis, você não se abandona. Porque todos estamos sujeitos. Então, a grande questão é essa, é se dar esse trabalho, ter o seu tempo. O tempo do autoconhecimento, ele difere do tempo que a gente via hoje. O tempo contemporâneo é totalmente diferente do tempo que a gente necessita para se conhecer, para ter prazer, para conseguir trocar com as pessoas, para não precisar ficar tão preocupada em render para o outro. Gostei muito disso. Mudou. No passado, ter sucesso, eu acho que era ter dinheiro. Hoje, ter sucesso é ter seguidor. Eu não sei. O mundo está passando por uma loucura muito grande. Mas eu acho que reforça essa tua pergunta.
São muitas mudanças. Pode falar, doutora. Perdão.
Não, é isso mesmo. É um mundo em mudanças, né, Isabela?
É. E só mais um momento que estamos vendo de grandes mudanças. Já tivemos diversos Teremos outros e essa nossa conversa foi fundamental para que a gente possa pensar na nossa saúde mental, não só no mês de janeiro ou não só quando o dente latejar, que é como aquela história do dentista. Eu só vou procurar o dentista quando o meu dente estiver doendo? Eu posso antes. Eu só vou falar sobre o assunto quando eu estiver em sofrimento mental, quando eu estiver absolutamente angustiado e não saber o que eu estou fazendo? Não. Então o autoconhecimento, como você diz, doutora, é fundamental. E, curioso eu falar isso com a psiquiatra, mas o remédio não está só na farmácia, não é? Você até agora falou quase uma hora e não falou de remédio.
Exatamente. É legal você falar isso, porque eu tenho dito muito para mim mesma, para os meus pacientes, que o remédio é só uma ferramenta, um instrumento que pode ser necessário ou não na mão do psiquiatra. Quando, na verdade, existe uma gama toda de modificações do nosso comportamento, da maneira que a gente se vê, que elas são fundamentais para que a gente saia daquela condição. Obviamente que o remédio se faz necessário, mas ao contrário do que se achava no passado, se ele for necessário, ele tem um tempo para ser usado. Ele vai ser usado, ele vai ser dialogado. Cada indivíduo precisa de um projeto terapêutico singular. Ninguém é igual a ninguém. Existe uma gama enorme de remédios e é isso. Ele vai ser usado se necessário. E eles avançaram, não dão dependência, como todo mundo falava no passado. Claro, tem os que dão, calmantes e tal. Mas enfim, existe mil maneiras de tratar sem ser apenas fazendo uso do medicamento.
Camila, mil vezes obrigada pela sua disponibilidade. Nós falamos por 45 minutos exatos agora e falamos 1% do que gostaríamos Sim.
Tem tanta coisa.
Não é? Quero dizer pra todo mundo que já tá dizendo aqui, poxa, eu vou ter que sair, onde vai ficar, né? Eu vou disponibilizar essa live no meu canal no YouTube, que é Isabela Camargo Real, com a psiquiatra Camila Magalhães. Doutora, gostaria que você passasse também os seus canais aqui, por favor.
Eu passo e eu queria te falar, Isabela, que você e aqueles que tiveram essa visão de que falar de saúde mental era algo importante, positivo, tem o meu apreço, o meu carinho, meu reconhecimento. Eu acho que o trabalho que você tem feito de poder dialogar com as pessoas, você sempre está ouvindo para conseguir se aproximar um pouco de quais são as temáticas que abrangem o humano, a existência nossa nesse mundo tão efêmera e que é tão importante essa troca. Eu tenho dito que a gente não precisa ter razão, a gente precisa trocar. A gente precisa ter essa possibilidade de ouvir, ouvir o diferente, pessoas que pensam diferente. para poder aprender, para avançar. Então, muito obrigada. Admiro muito todo o trabalho que você tem feito. E, olha só, Janeiro Branco é isso. Janeiro Branco são os jornalistas, as pessoas interessadas em falar sobre isso, sem preconceito, sem nenhum peso sobre isso. Isso pode ser falado e está tudo bem.
A gente avança com isso. Eu me comprometo a fazer mais lives com a doutora Camila. Estão chegando aqui cada pedido assim. Então assim, eu me comprometo a fazer mais lives com a doutora Camila, a partir da disponibilidade dela. E quero dizer para todos vocês que estão aqui e que já me ouviram falar, né, o burnout não é o fim, é só um freio. E a prova é que eu estou aqui. Mas eu não fiz isso sozinha. Eu só estou aqui com a ajuda de profissionais como a doutora Camila, que nos acolhem e que sabem nos olhar com um olhar singular e não da estatística, porque estatística é um número e cada um é cada um. Então, se você viveu ou conhece alguém que está vivendo um processo de burnout ou qualquer outra doença invisível que ela é limitante momentaneamente... Ajude essa pessoa a enxergar que há caminhos, especialmente com o profissional, seja psicólogo ou psiquiatra, porque aí sim o burnout não é o fim, é só um freio. Se eu estou aqui é porque a doutora Camila me acolheu. Em outro momento a gente fala sobre isso. Desejo que todos vocês tenham um finalzinho de janeiro e um 2020 incrível, com muita saúde mental e com as ideias organizadas. Doutora, muito obrigada. Até breve.
Lá no youtube.com.br Olha, repete. youtube.com.br Aí dá pra ver uma série de vídeos meus lá sobre essas coisas que a gente tá falando. Mas também estão curtinhas. Quando a gente quiser, eu tô aqui à tua disposição pra gente conversar. Obrigada pelas perguntas. Obrigada a todos vocês.
Até mais, doutora. Beijo.
Beijo.
Tchau, gente. Obrigada por tudo. Agora o conteúdo vai todinho lá. Então, para o YouTube, compartilhe com quem você achar que vai se beneficiar desse conteúdo. Saúde para todos. Até mais.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








