Como zune um novo sedã!

Isabela Camargo interviews singer Fernanda Takai about taking breaks from work and music, setting boundaries, and how she writes songs like "Sobre o Tempo." They discuss balancing personal life with her career in Pato Fu and as a solo artist, and how music became therapy during the pandemic.
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Olá, olá, boa noite! Seja bem-vindo, bem-vinda a mais uma entrevista que pode nos ajudar a viver um tempo de qualidade, a escolher melhor, sabendo que se entendermos como estamos nos sentindo, vamos escolher melhor, não é? Hoje eu tenho o privilégio de receber a cantora Fernanda Takai. Eu sei que muitos aqui têm alguma música que marcou a vida. E quem teve a música Sobre o Tempo do Pato Fou registrando assim algum momento, conta aqui pra gente. Fernanda vai entrar já já, e aí será muito bacana poder compartilhar também os comentários de vocês. Então, quem viveu alguma fase da vida em que essa música Sobre o Tempo fez muito sentido, marcou, sabe? Escreveu no diário. Eu fiquei o dia inteiro assoviando aquela música, sabe? Sobre o tempo. Infelizmente não posso colocar ela aqui pra tocar, mas eu fiquei o dia inteiro com aquela música maravilhosa na cabeça que me faz lembrar demais a minha fase da adolescência, uma fase muito bacana. E vocês, tem alguma música que marcou a vida de vocês. Vamos mandar muitos corações aqui enquanto isso, que Fernanda tá cá, já está dividindo aqui tela comigo. E quanto mais corações enviarem, mais felizes ficaremos, não é, Fernanda?
Chegamos!
Boa noite, boa noite!
Deixa eu arrumar aqui, porque a gente nunca sabe como é que vai aparecer, né, a imagem.
Tá super bem, pronto. Tô ótima, obrigada por ter aceitado meu convite e por ter colocado na sua agenda essa nossa entrevista.
Claro, essa nossa entrevista que começou já há alguns anos, né, quando você tava começando ali a conversar com um monte de gente. E acho que o seu próprio livro é uma experiência muito boa, né, de saber esperar o tempo certo. Porque faz quanto tempo que você, quantas pessoas você falou, e foi juntando tudo, montando esse quebra-cabeça que é escrever um livro, né, com tantos depoimentos. E finalmente aqui estamos, nesse ano estranho, mas realizando, a gente consegue ainda realizar coisas, né?
Exatamente. O corpo, ele pode estar limitado, mas a mente não, o que é muito bom, né?
Verdade, verdade. Eu fiz um disco aqui, você lançou o livro.
Você vê, é isso, é isso. Acho que quem se adapta, né, que é mais flexível a todas essas situações, acaba deixando, né, a mente realmente voar. Fernanda, é para quem tá entrando, então eu quero agradecer o tempo de todos que estão escolhendo, né, estarem aqui conosco. Enviem corações aqui do lado, porque assim o algoritmo, né, o zeitgeist, esse espírito do tempo, entende que o assunto é relevante porque a gente vai falar sobre a pausa na vida, a pausa na música. Porque, Fernanda, porque tem muita gente que acha que não pode parar, né, que não tem tempo para parar.
Mas depois, duas inclusive fomos dessas pessoas, né?
Não é? Você sabe que, só para passar a palavra para você, é para explicar aqui para turma, Fernanda Takai está aqui no livro Dá um Tempo. Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. E eu te entrevistei, Fernanda, logo no início assim de 2017, que eu estava realmente começando a entrevistar as pessoas. E você me trouxe ali caminhos que depois eu segui. E no fundo, todos vocês me ajudaram a escrever esse livro, porque, por exemplo, quando você me falou, né, sobre o tempo está passando mais rápido ou não, você disse que só com muitos nãos e disciplina você conseguiu botar ordem na casa. Naquele momento nem tinha um ainda para isso. Como é que foi essa história?
Eu acho que a gente em momentos da vida assim é até desafiado com propostas, né? Porque quando a gente tá no início de carreira, tudo que a gente quer é visibilidade e quer que as pessoas— e quer ser convidada para fazer coisas, né? Porque só assim você amplia seu público, só assim você se mostra. Mas eu acho que assim, tem uma medida que também é só a gente que vai poder dar. Até que ponto você dá conta de fazer tudo que você pretende, né? Ou aceitar todos os convites e saber escolher. Acho que saber escolher é esse acúmulo dessa nossa sabedoria com o tempo. Por isso que acho que o tempo, ele, apesar da gente ficando mais velho, a nossa carcaça não ser mais a mesma, mas a parte de dentro ela vai se especializando nisso, em fazer escolhas e saber onde você quer estar, com quem você quer estar. Então assim, é difícil quando você é muito novo saber o que que realmente vai ser o melhor para sua carreira ou melhor para sua vida, né? E a gente vai tendo esse discernimento depois que passa um tempinho, e depois que você aceita fazer tanta coisa como eu fiz, como você, a gente estava aceitando esses desafios e aceitando todas as tarefas, mas tem um momento que você não consegue, não consegue por fisicamente, por cansaço, e não consegue processar tanta coisa na sua mente, tantas tarefas e tantas responsabilidades. Mas só que a gente, para chegar a esse ponto de sabedoria assim, a gente sofre um pouco.
Totalmente. Eu tô assim, olha, com meu coração emocionado por te ouvir, né? E você realmente mostrar que sim, todos somos iguais e teremos que encontrar os nossos limites, né? Tem um trecho aqui no livro que você diz, né, aos 40 anos eu tive um piripaque, eu cheguei exaustão porque eu fui entupindo o meu cérebro de coisas, senti uma aflição por querer encher demais o tempo, até que aprendi a dizer não. Aí você teve que cancelar shows, abrir mão de uma coluna no jornal. Ou seja, nem sempre as oportunidades, nem sempre aquilo que é oportunidade pode ser bom naquele momento. Só nós sabemos o custo de cada coisa nas nossas agendas. E com o passar do tempo isso também vai mudando, como você falou.
Pois é, durante algum tempo, acho que coincidiu com— há 13 anos eu tenho a carreira solo e a carreira com a banda, né? E coincidiu também com esse meu lado, desenvolver o meu lado de escritora, né? Com colunas e com livros. E essas 3 atividades ao mesmo tempo com a vida de mãe, de dona de casa e tudo, assim, é basicamente acordar e sair fazendo coisa. Ou me preparando para a próxima coisa, assim, não tinha momento nenhum de eu não vou fazer nada, ou eu vou mais ao cinema, eu vou ler mais. Eu administrava meu tempo muito bem, assim, eu sou uma boa administradora do tempo, eu acho. Mas vai chegando aquele ponto tenso, né? Você fala assim: "Puxa vida, e se, sei lá, se eu adoecer? Se eu ficar gripada? Se ficar sem voz? Olha o tanto de show que eu tenho marcado com a minha banda e o meu solo. Olha a coluna que eu tenho que entregar, a entrevista que eu tenho que dar também." E aí você fala assim: "Nossa, não, eu tenho que ter um limite, eu tenho que ter um plano de fuga, que são algumas horas durante o meu dia, de repente alguns dias durante a semana." Pra poder ficar— Acho que esse é um momento que chegou. Ter chegado a esse momento foi muito impressionante pra mim. Tipo assim, eu nunca tive insônia. Imagina, durante muito tempo, aos 40 anos, eu tava tendo insônia porque meu cérebro não desligava, porque eu tinha que fazer outras coisas. Sabe? Não devia estar dormindo, devia estar... Por que você não tá escrevendo? Por que você não tá compondo? Sei lá.
Culpa, né?
Total, total. E aí quando você vai pedir socorro, né, ou conversar com as outras pessoas, é que você percebe que muita gente já passou por isso assim. E às vezes você, em vez de você falar, você fica: não, eu vou conseguir, eu vou me livrar desse negócio sozinha. E às vezes não tem jeito, né? Você tem que se cuidar, tem que buscar tratamento, buscar ajuda mesmo.
É, e acho que o tratamento começa a gente entendendo realmente desses limites. Outro dia eu ouvi que quando a gente fica falando muito da nossa agenda é um pedido de socorro.
Achei tão curioso, mas provavelmente era assim, porque eu era tipo, mas eu falava minha agenda junto, olha, eu quero muito fazer isso, mas olha como eu tô assim, ó, tem esses dias que tá ocupado de Depois do almoço até às 8 horas. É que assim, pra gente que tem um trabalho que parece que só o que a gente faz é visível na hora do show, na hora do palco, na hora do videoclipe e tudo, mas não, tem muito trabalho assim todo dia pra acontecer um evento. Cada evento ele demanda muitas entrevistas, demanda ensaio, né? Você de repente dá uma geral nos seus instrumentos musicais, né? Não só no seu corpo, na sua voz, mas nas coisas que você tem no seu equipamento. Então isso tudo é uma uma coisa que ninguém vê, né? Assim, parece, ah, não, você faz, sei lá, 2, 3 shows por semana, mas durante a semana inteira eu tenho que dar todas as entrevistas daquele show, tem que ensaiar, e tem a minha vida, minha gente, tem a vida real assim. E eu supermercado, cozinhar, cuidar da filha, dos bichos, e é uma rotina. Essa rotina da vida real é que nutre a gente. A gente faz arte, mas assim, a gente Canta as coisas que a gente sente, né? A gente põe em questão nos textos os conflitos que a gente tem com a gente, com as outras pessoas, com o mundo, né? Então assim, é muito importante que a gente tenha esse tempo, que a gente tenha esse nosso tempo da vida real, que pouca gente valoriza, inclusive o seu próprio, né? Muita gente fala: "Ah, mas ninguém dá nada por mim." Mas olha só a rotina de trabalho em casa, o tanto de coisa que você faz para para tanta gente, né? Inclusive, assim, acho que o livro que eu escrevi, que é Nunca Subestime uma Mulherzinha, é justamente isso. Olha as mulherzinhas que estão aí na sua vida resolvendo a sua vida, que você não tá nem se ligando mais porque tá muito perto de você. Então assim, eu tenho esse meu lado mulherzinha de cuidar das minhas coisas e que me constrói de uma forma muito forte, né, e que é muito comum a todo mundo, né. Só que a gente tem—
Repete, Fê, que deu uma travadinha agora no final.
Ah, então eu acho que a gente precisa se lembrar disso, que esse lado do cotidiano ele é muito importante, das pequenas coisas, né, das pequenas tarefas, né, de você ter isso como não um momento assim, ai, de obrigação, é uma forma Você tá se recarregando, sabe? Você cozinhar pra alguém, cuidar de um jardim, dá uma reabastecida. É uma reconexão mesmo com a natureza, com as outras pessoas, um gesto de carinho.
É isso mesmo, e carinho conosco, né? Fer, você falou sobre fazer arte, e a arte vem da criatividade, da sua intuição, das inspirações. E se a gente está correndo o tempo inteiro, Não há criatividade que se aproxime. Como é que é o tempo da criação da música? Antes da gente entrar aqui nas músicas, que eu sei que tá todo mundo querendo também saber disso, como é que é o tempo da criação de uma música? Dá para fazer algo correndo ou não?
Depende muito, Isabela. Assim, geralmente o tempo de fazer uma música, no meu caso, ele, ele é bem subjetivo, sabe? Porque algumas canções a gente começa a fazer gosta delas assim, mas por algum motivo não considera finalizadas. E aí deixa na gaveta, ou então mostra para alguém, ou eventualmente vai que escreva. Aqui em casa eu escrevo muito com o John, mas tem outros parceiros assim e parceiras. E assim, você pode mostrar de repente para alguém e achar, não vou mexer mais. É isso. Quando você vê, passou 1 ano, 2 anos. Tem música que a gente demora 8, 10 anos para pôr em disco. E várias pessoas têm dessas histórias, sabe, de ter material que fez de repente quando era bem mais novo, e aí a música só fechou o sentido todo depois de um tempo. Você só achou as palavras, as palavras ideais, digamos assim, ou aquele fechamento melódico maravilhoso depois de uma maturação. Então a música, ela tem um tempo de maturação para mim que foi muito diferente da minha história escrevendo coluna. Toda semana, porque eu tinha deadline. Então assim, quando você tem um deadline, assim, os discos eles têm um deadline. Eu decidi fazer um disco pra lançar esse ano, vinha trabalhando nele no final do ano passado. Mas assim, eu não tinha assim, eu preciso lançar em julho, agosto, setembro. Eu vou lançar quando ele tiver, quando eu estiver feliz com ele, quando ele estiver pronto assim, as músicas alinhadas todas e uma obra consistente pra poder lançar. Mas o tempo da minha escrita enquanto colunista, que durou 6 anos, toda semana. Então essa minha escrita como colunista me fez escrever menos música, porque eu ficava meio que acumulando ideia e botando minha energia ou nos shows que eu tava fazendo, né, nessas, nas duas turnês que eu sempre tenho. E aí, e aí, e para escrever uma crônica, um conto toda semana. Faltava com tempo para compor. Um dos pedidos que eu fiz para o meu editor, eu falei assim: olha, eu adoro essa experiência e tudo, mas eu realmente, eu não estou conseguindo, eu preciso ter mais tempo de volta na música. E isso realmente aconteceu.
Fantástico! Ou seja, teve que, mesmo para uma coisa que você gostava, teve que dizer não.
Exatamente.
Às vezes a gente acha que a gente vai dizer não só para aquilo que a gente não quer, Isso é fácil dizer, mas não dá aquele momento, é que precisa de mais atenção.
É real, é real. São as escolhas que a gente precisa fazer, né, como eu falei. Então você vai fazendo escolhas mais sábias, eu acho, mais saudáveis, saudáveis e sábias.
Perfeito. Fernanda, você sabe que outro dia tava conversando com o Sérgio Martins, ele deve estar aqui na live, Sérgio Martins, vocês já se cruzaram, né, em shows. Ele cobriu muito música na Veja. E ele tava dizendo assim: poxa, eu não sabia da história da Fernanda, do violão, né, da mudança da Bahia para Minas. Enfim, ele não sabia, por exemplo, né, o tempo que você ficou dividindo com a música profissional já e ainda trabalhando como relações públicas. Conta um pouquinho disso, como é que foi dividir esses dois papéis que te exigiam muito de criatividade e tempo. E aí, com o tempo, ou seja, com o passar dos anos, o que o nosso corpo também vai exigindo, né? Bom, vou ter que escolher um caminho.
Essa é a grande realidade, Isabela, de muitos artistas, né? Assim, você trabalha com arte, seja qualquer forma da arte, Mas até você ser sustentado pela sua própria arte demora um tempo, e às vezes demora muito tempo, demora tanto que tem algumas pessoas que desistem mesmo, elas não conseguem se alimentar, né, alimentar sua própria arte. E assim, eu deixei, fazia atendimento, fazia um pouco de redação também. No terceiro álbum do Pato Fou, imagina, o Pato Fou tinha lançado Rota Music de Liquid Capum, Gold Can, Tem Mas Acabou, são os 3 primeiros discos. Durante esses 3 primeiros eu acordava todo dia, ia trabalhar, entrava às 9, sem horário para sair, né, porque não tem realmente na publicidade, na comunicação assim, é aquele vamos lá. E aí tinha que ensaiar. Os nossos ensaios tinham uns horários bizarros de, sei lá, 10h à meia-noite. E aí no fim de semana aparecia um show para fazer, né? Ou eu já ganhando prêmios, né? Videoclipes em primeiro lugar e tudo mais. Mas assim, o que pagava ainda minhas contas era a comunicação, era agência. E aí tem muita gente que consegue fazer, mas eu não sou Eu não consegui fazer. O Ricardo, que toca baixo com a gente, ele até falou: "Vou largar tudo e vou ficar." Mas eu não posso fazer isso assim. Eu tenho essa outra carreira, né? Eu trabalhei durante muito tempo, assim, gosto dessa minha área de RP, mas eu não vou sair assim e vou direto para música, assim. Alguma coisa, vai ter que ter algum sinal para eu poder fazer isso. É, com tranquilidade. E assim, o sinal foi que a minha agenda com a música foi se enchendo cada vez mais de shows, de grandes eventos. Melhorou o cachê, a gente parou de ganhar, sei lá, na época era só Hollywood Rock, né? Ah, teve Hollywood Rock, verdade. Hollywood Rock foi em 96, né? Exatamente quando a gente lançou esse nosso terceiro disco. A partir daí a gente começou a fazer turnês maiores. E aí eu realmente falei, olha, acho que a música realmente agora me chamou com Com força, mas assim, pode perguntar para várias pessoas de várias bandas ou de artes plásticas e todo mundo assim, ah, faz a sua arte, mas tem alguma outra fonte de renda que, né, te sustenta até o momento que você fala assim, não, eu consigo ficar 100% vivendo da minha arte.
Perfeito, perfeito. Fernanda, e aí então nesse tempo, pelo que você tá explicando, Foi quando vocês lançaram o álbum Gold Can. Esse tempo foi sobre o tempo.
Então, durante essa época assim, né, eu ainda tinha essa jornada dupla. E era curioso observar que às vezes eu ia apresentar uma campanha ou atender um cliente e as pessoas falavam: você não é que é a menina da banda que eu vi o videoclipe? Eu falei: sou. Mas você não é artista? Também sou, mas é que eu tava naquele momento da interseção, né? Então, e aí chegava em alguns, sei lá, algumas reuniões, as pessoas: nossa, você é daquela banda, né, do Pato Fofa?
Eu sou.
Ah, canta alguma coisa para mim. Falei: não, é que eu estou, eu sou atendimento da agência. E assim, vai ter um show do Pato Fofa, você vai assistir. Então assim, tinha esse momento, mas é, compra o disco e tudo mais, tem que explicar assim. Mas foi um aprendizado assim também lidar com essa, com esse momento que deu a virada assim, que as pessoas começaram a me conhecer, a me reconhecer, né, a reconhecer meu trabalho assim, enquanto eu tava ainda fazendo outra atividade. Então também foi um sinal interessante que me fez também falar: não, acho que, acho que tá, bota fé na música.
Perfeito. E como você disse, você soube respeitar o tempo, porque de repente qualquer atitude antes disso poderia te dar de repente uma incerteza, enfim. O tempo de cada coisa, né?
É verdade. Tem, tem, por exemplo, o John, né, que meu marido, ele tinha uma banda antes do Pato Fogo, que eles chegaram a se mudar todos de Belo Horizonte para São Paulo, morar numa casa todo mundo junto. E aí, né, e todo mundo dedicado ali, focado em fazer a banda. Mas ali você liga um cronômetro, sabe? Você liga assim, tem que acontecer porque senão vai acabar nossas reservas ali, né? E aí, sei lá, família não vai poder. E ficava aquele negócio. Então nunca foi uma coisa que eu quis fazer, colocar um prazo de validade assim, ah, né? Eu tava— para mim a música é a musa. A música é uma musa que ela me acompanha desde pequenininha ali tocando violão, que foi uma forma de eu me socializar numa nova comunidade, né, com novos amigos. Até a vontade de eu escrever algumas coisas e de cantar músicas de pessoas que eu adoro e fazer as minhas próprias versões dessas canções. Então assim, isso me fez ser fã de Rita Lee, de assistir show da Blitz, sabe? Aquelas coisas das bandas inglesas que estavam começando a vir para o Brasil. Então assim, eu era uma pessoa que vivia muito a música, mas eu acho que eu não acreditava que eu poderia viver de música, assim. Então as coisas foram acontecendo e eu falei assim: olha, pode ser possível isso, né? E aí foi meio assim, eu nunca abandonei a música e sempre cuidei dela como a minha grande inspiradora para os meus dias, para as coisas que aconteciam na minha vida.
Perfeito, perfeito. Tô aqui, olha, coraçãozinho muito feliz. E aí, Fernanda, a música é atemporal, né? Essa sua música Sobre o Tempo, de 1995, várias pessoas me trazem esse feedback, né, e cantam um trechinho. Inclusive eu te perguntei, né, novo sedã, um carro novo, macio, né. Você disse que de alguma maneira vocês, cantores, cantam o que estão sentindo. O que que vocês estavam sentindo, ou qual foi a inspiração para tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, para você correr O que aconteceu?
Ah, era toda aquela expectativa nossa, né, de juventude ali. Nesse, nessa época eu tinha 24 anos, 22, 24, 23, 24. Então assim, super jovem e com uma banda nova e com expectativa de muito positiva, né, vivendo a minha família. Não, eu já morava sozinha, minha família tava morando em Goiás na época. É com a melhor expectativa de que a minha vida desse certo de alguma forma, né? E que o tempo fosse bonzinho com a gente, que o tempo passasse como o Zune, o novo sedan. Outro dia até me perguntaram no Twitter, que alguém falou assim: "Ai, meu Deus, me explica isso, o que é como o Zune, o novo sedan, né? O que é isso?" Eu falei: "Ah, é um carro novo, ele roda macio, ele não deixa você na mão, né? Teoricamente. Então ele vai atender as suas expectativas." Expectativas. E então era nossa expectativa que o tempo passasse e que fosse bacana assim, que a gente tivesse uma vida boa, que a gente tivesse saúde, estivesse viva até hoje para falar de uma música que já, né, a boa vontade do tempo, talvez.
Como é que você se sente no show? Você me disse que todo show tem que ter essa música, né, sobre o tempo. Que a galera pira e fica assim, né, muito nostálgica e tal. Como é que você se sente, né, você, o John, as pessoas da sua banda, quando alguém chega naquele pós-show e: poxa vida, essa música era de tal época! Isso rola mesmo com frequência?
Sim, sim, sim. Ah, sobre o tempo, realmente acho que ela apresentou a banda, né, apresentou o Pato Fou para quase todo mundo. E ela é muito lembrada. As pessoas quando mandam, às vezes marcam nos stories e postam assim. Quase sempre tem Sobre o Tempo ali. Até no Música de Brinquedo mesmo, que é um projeto que a gente se aproximou de um público bem mais novo. Mas que a gente achava que Sobre o Tempo... A gente escolheu músicas de outras pessoas, mas Ao vivo, no DVD, sempre tem alguma música do Pato Fou. E a gente mesmo elegeu Sobre o Tempo assim para ser mostrada para esse público também, né? Primeiro porque era uma canção que é fácil das crianças se lembrarem dela, que tem a letra curtinha, tudo bonitinho. E ela é muito significativa assim do que era o Pato Fou ali quando ele nasceu, né? Ele tinha essa, na época ali a gente ainda era um trio. E tinha toda essa questão assim, Pato Fou é uma banda que ela tem momentos pop, tem momentos, muitos momentos experimentais, mas a gente fala que a gente é um monstrinho bem amigável. Então a gente sempre gosta de que as pessoas conheçam o Pato Fou, conheçam esse lado pop também, mas aí que vem depois, venha conhecer toda a nossa história, toda a nossa história de vídeos, né, de DVDs e das músicas que a gente lançou, os sons que a gente faz. É que ele sempre tem uma ousadia, mas é claro que o convite sempre vem por uma boa música pop, que é a coisa que mais chama atenção das pessoas, né?
Perfeito, perfeito. Fernanda, para mim, as suas músicas, as músicas do Pato Fou, são muito atemporais, são muito instrutivas, sabe? Eu aprendo com você o tempo inteiro, né? Então você tem Sempre, o tempo inteiro, poxa vida. E é muito bacana, sabe, te ouvir e poder compartilhar todas essas etapas da criação, da inspiração, da realidade, porque senão realmente as pessoas ficam só com recortes.
Pois é, eu acho que é engraçado que a gente tem se conhecido melhor nesse tempo de quarentena, como tem muita possibilidade da gente se falar. E aliás, quando você fez essa saudação aí, para quem escolheu estar aqui com a gente, realmente é um privilégio, porque tem muita gente conversando hoje sobre, né, as nossas vidas, as coisas que estão acontecendo no mundo. E é legal assim ver que após uma conversa dessa, por exemplo, muita gente vai me visitar depois ali nas redes, vai deixar alguma coisa, algum momento de: 'Ó, nunca tinha visto uma entrevista sua', ou 'Não sabia a sua história', 'Não sabia disso', né? Então é uma forma da gente se aproximar. A gente é muito mais próximo e parecido, né, um com o outro. Na verdade, nossas emoções, essas coisas que os humanos sentem, assim, quase todo mundo vai sentir em épocas diferentes da vida, né. Então é muito bom quando você vê as pessoas falando sobre esses assuntos todos, né, de incerteza, de angústia, ou mesmo assim de sucesso, né. Poxa, pensei que não ia dar e deu, né, deu certo, para as pessoas todas poderem Calma, gente, assim, tem que esperar às vezes, né? Vai investindo no caminho, né? Vai observando, vai olhando para os lados, não olha só para frente, olha para os lados, olha para cima.
Exato, amplia, né? Amplia o repertório. Fernanda, você sabe que junto contigo veio Nelson Motta falando também sobre as fases da música com política, Oswaldo Montenegro, por exemplo, né, que fala sobre ansiedade, né, o aproveitar da vida. Hoje, aliás, todos esses cantores que eu mencionei, todos eles disseram que não tem dinheiro que pague quando a sua música se torna trilha sonora de alguém.
É, nossa, isso é verdade, porque você, pô, eu sei porque eu, como eu sou fã de outras pessoas, né, tem canções que você vai Você vai guardando num departamento todo especial assim, né, na sua memória. E ali no seu livro, aliás, super bem acompanhado ali no setor da música, né, porque você falou com os gurus, né, da música.
Eu tive muita sorte, viu, tive muita sorte de ser apresentada.
Eu perdi o finalzinho, a gente deu uma travada ali no fim, mas eu vi que você falou da sorte.
É, eu tive muita sorte porque, como eu te falei, as entrevistas iam me levando a outras pessoas e realmente o universo conspirou para que todos vocês estivessem juntos.
É, então, mas quando, e quando acontece isso, né, falando do que o Nelson e o Oswaldo Eles comentam assim, quando você tem a sua música ali diretamente ligada à história de uma outra pessoa, que você não, né, às vezes não vai nunca saber dessa história, mas de repente um dia num camarim, num pós-show, você vai ouvir essa história. Ou então mesmo uma, num comentário ali de uma foto, alguém conta uma história em relação à sua música. É algo muito forte porque isso vai, isso passa, né, isso passa para filho, passa para a melhor amiga, o melhor amigo, assim, você quer mostrar aquela canção, quer contar aquela história. Então tem várias pessoas que chegam e falam assim: nossa, estou escutando você porque os meus pais ouviam Patafu e eu fui achar ali os CDs, eu nunca tive CD, fui buscar o CD dos meus pais para ouvir e hoje eu gosto, aí eu quero mostrar para os meus amigos. Então, porque tem essa história, tem a trilha de, na minha época, né, de viajar e com fita cassete, né, A família fazia, você tinha que escolher e não podia escolher muitas fitas, né? Tinha que selecionar 10 fitas, 15 fitas, cassete, botava no carrinho, sei lá, num negocinho de fita e ficava longas distâncias aí nesse Brasil, sai daqui, vai pro Nordeste ou vai pro Sul ouvindo aquela ali e fica, aquilo fica no nosso grupo, no grupo da família, certamente é a nossa trilha, assim, não tem jeito. Você vai ouvir isso em qualquer lugar do mundo, você vai falar assim: nossa, tô lembrando daquela viagem. Tava eu lá, que a gente parou e minha mãe fazia sanduíche pra gente comer na estrada, sabe? Um negócio assim. Isso é muito rico, né? É muito, e traz um, faz o coração bater mais forte, né? Porque te desperta o seu, você vive de novo realmente esses momentos.
Perfeito, perfeito. A música Sobre o Tempo marcou a minha vida. Qual música marcou a sua vida?
Ixi, tem muitas músicas, muitas músicas. Eu, quando eu comecei a compor, tem um artista que assim, tem dois fatos ligados com duas mulheres assim muito importantes, né? Um foi o primeiro show que eu vi na vida, show de gente grande assim, que foi da Rita Lee, no auge da Rita Lee Pop. Isso para mim foi muito impressionante, aqui em Belo Horizonte, no Mineirinho. E quando eu comecei a querer escrever minhas canções e gostar, eu sempre gostei muito de música, acho que por causa dos Beatles, né, de ouvir música em inglês e tudo mais. Acho não, claro, obviamente por causa dos Beatles que eu ouvi bem pequenininha. Apareceu uma cantora e compositora que era a Susan Vega, que ali eu era super adolescente novinha assim, eu falava assim: nossa, olha as coisas que ela escreve, ela escreve histórias nas músicas assim. Então as canções da Susan Vega, a que ficou mais conhecida foi Luca, né, claro, né. Aqui no Brasil e no mundo todo. Então, mas ela me despertou um negócio de... Eu me identificava muito com o jeito dela cantar, assim como as outras vozes que eu gosto, né? Até a Rita mesmo, que é cantora, né, roqueira e tudo mais, mas ela canta, ela tem um tom de voz muito doce, muito gostoso de se ouvir. Assim como a Nara, que eu fiz o disco, né, dedicado a ela. A Susane Vega tinha esse... Ela me deu esse... 'Dá para escrever umas músicas assim também, vou tentar.' E aí foi que eu comecei. Então ela foi uma figura, não diria só a música Luca, mas a figura da Susanne Werner, quando ela apareceu para mim, foi muito inspiradora, marcante.
E tem uma música para cada situação, né? Tem a música para o namoro, a música do casamento, a música provavelmente quando nasce um filho. Ainda não tenho filho, mas enfim, são músicas que vão te acompanhando. Sim.
É, a gente vai marcando, anotando mentalmente todas. Mentalmente e no coração também.
São os carimbos que a gente vai dando. Fernanda, nesse momento agora de pausa involuntária que todos viveram, né, que foi um baita do imprevisto que todos viveram, demorou para turma dar uma acalmada. E eu me lembro de falar muito sobre música. Gente, ouve alguma música que te faz bem. Por isso que eu falei das músicas que marcam. Você pode falar um pouquinho sobre este poder que as notas musicais têm sobre a gente? Eu tô aqui de olho no tempo, tá? Mas isso seria fundamental para aqueles que ainda estão muito ansiosos ou que esqueceram que a música transforma. O que que você poderia falar?
Eu acho que a música é o tipo da coisa que você pode fazer durante o seu dia a dia, assim, você pode estar ligado à música. E ouvindo de forma até displicente, como na real o que acontece assim, acho que muita gente escuta muita música, mas vai escutando e vai fazendo as coisas, vai dobrando roupa, cozinhando, lavando louça. Mas música serve para muita coisa, inclusive para dar energia para fazer faxina. Eu tenho uma playlist para faxina, faxina de alto impacto que eu chamo. Pode procurar.
Limpar janela, limpar janela.
É para te energizar e você fica animado assim. Então assim, você pode continuar ouvindo, ouvir música fazendo as coisas, é muito gostoso. Mas tem um momento também que acho que é importante fazer e que eu voltei a fazer nesse momento agora, né? Porque nos primeiros meses da pandemia eu tava gravando, gravando e cuidando do meu disco. E aí agora, agora que eu tô vivendo aquele momento assim, ah, tenho, estou em casa e tem um tempinho, que é de você sentar e ouvir um disco inteiro de novo, sabe? Como se fazia, abrir encarte ver letra e ouvir, respirar, diminuir o ritmo da respiração, escutar música. Tem gente que não precisa disso, tem gente que vai precisar botar a melhor música que tem para dançar e botar o som alto num horário que não atrapalhe os vizinhos e coloca o som e vai dançar e vai rodopiar na sala, né? Mas assim, recorra à música. A música, ela tem já assim, já dizia Oliver Sacks, né, que ela Que ela liga muitos mecanismos no nosso cérebro assim, e ela te ajuda, ela é terapêutica também, né? Te ajuda tanto a colocar sentimentos que não precisam estar com vocês para fora, quanto a você se entender e olhar de novo para você de um outro jeito, de uma forma mais afetuosa com a gente mesmo. A gente às vezes é muito duro, né? Eu sei, eu sou Eu sou assim. Eu não sou assim com as outras pessoas, engraçado, mas comigo assim, tem um momento, mas eu tô melhorando também, tô aprendendo agora a ser mais afetuosa comigo, mas foi depois da maturidade, digamos assim.
Não é? Partindo aqui para uma conclusão, sendo muito responsável com o seu tempo, maturidade, o que que você então aprendeu com o tempo? Porque o tempo da natureza tá igual, né? O tempo da natureza ele não acelerou nem desacelerou a ponto da gente achar que o tempo é nosso inimigo. Então hoje, como é que está sua agenda? Você já conseguiu identificar o momento de acelerar, de desacelerar?
Sim, sim, eu acho que eu vejo isso hoje não 100%, né? Mas aprendi Que tem momentos mais que você precisa, por exemplo, agora que eu lancei o disco em julho, eu tive uma agenda bem grande de entrevistas, né, de tudo, de falar sobre o disco, estaria na estrada talvez fazendo show dessa turnê, e assim, esse é o momento de acelerar, né? Certamente, não está sendo como era por conta da nossa responsabilidade de ficar em casa enquanto não tiver vacina. Mas eu acho que houve uma tranquilidade, assim. Eu me tranquilizei com não querer mais ter aquele cronograma muito fechado. Eu acho que quando a gente é mais novo, a gente fica muito pensando assim: "Ah, eu preciso fazer isso antes dos 20, até os 25 preciso fazer isso, depois dos 30..." Sabe? De 5 em 5 você tem assim: "Tem que fazer isso antes dessa idade." E assim, e não adianta você ficar nesse sofrimento mesmo, não adianta. Porque você fica se espetando, né, se acelerando, mas as outras pessoas estão no tempo dela, a natureza tá no tempo dela também. Então assim, faz o que você consegue fazer da melhor forma possível. E acho que o resultado disso vem Nunca vem assim exatamente 100% como você imagina, mas você também não imagina tanta coisa. Você não imagina... A gente não imaginava que esse ano ia ser assim, de forma alguma, né? Eu não imaginava que ia lançar um disco muito antes, né? Lancei em julho. Eu acho que pensava em lançar ele no segundo semestre, um pouquinho antes ali do final do ano. Acabei lançando logo porque ele ficou pronto logo. Eu tinha um estúdio em casa e fiquei e lancei. E resolvi lançar como forma de também colocar no mundo mais uma colaboração dentro do que eu fiz já de discografia e tudo mais assim. Mais uma coleção de canções que são muito conectadas com o nosso tempo aqui, do nosso Brasil até, né. Várias canções do disco tem essa Essa tem uma certa angústia, mas recorre aos amores simples do dia a dia pra gente poder seguir em frente. Então assim, várias canções têm isso, sabe? Tem assim: "Ah não, a gente tá vivendo, é difícil, é perigoso, tem o terraplanismo." Mas por outro lado, olha, né? Tem a gente, tem uma grama pra eu pisar aqui, eu tenho um hortinha. Então assim, sabe, vou lá conversar com as minhocas lá, sabe. Tem umas coisas que a gente tem que recorrer a elas e muitas delas estão muito próximas de nós o tempo todo. Então esse disco tem disso, tem angústia, mas ao mesmo tempo tem a esperança de que a gente vai conseguir, né, nesse ar cremoso que tá, né, hoje, tanto pelo calor quanto pelas coisas estranhas que andam por aí, a gente vai sobreviver.
Com certeza. E ouvindo o Patufu, nós vamos sobreviver ainda muito melhor com essa voz doce da Fernanda e toda a melodia. Fernanda, super, super obrigada pelo seu tempo.
Obrigada a você.
Agora sou eu que digo: não tem preço que pague um momento como esse. Não tem dinheiro que pague, né, um momento como esse. E você contribuiu demais e vai contribuir com cada pessoa que puder acessar o conteúdo do livro, porque a gente precisa viver um tempo de qualidade, mas essa escolha é nossa.
Verdade. E você fez um trabalho muito bonito, viu? Um trabalho que me custou muito, muito tempo, né? Muitas Pois é, pois é, que bom, né? Olha quanta gente você colocou na sua rede de comunicação aí e fez um, e tá dando ali no seu livro. É bom que deu tempo de eu ler o livro também, né, que ele, durante, até a gente conseguir conversar. E quantas pessoas preciosas você colocou, e sempre fazendo um paralelo com as histórias umas das outras assim. Então vale a pena. Recomendo!
Oba, oba! Não, a sua história é incrível. O próprio comentário do Sérgio me deixou muito feliz. Eu falei: opa, tem coisa inédita! Sempre a gente vai tirar um pouquinho diferente.
E você vê que o Sérgio sabe muito da nossa vida, né? Ele acompanhou desde o início ali. Que ótimo! Então você foi uma excelente apresentadora, né? Entrevistadora, mais uma vez assim.
Você foi muito generosa também. E eu te agradeço mais uma vez, desejo que o tempo corra macio, como o Zúnio no novo sedã. Pronto, espetáculo! Fernanda, obrigada, até breve, se Deus quiser, contem comigo.
Obrigada a todos vocês aí também, obrigada.
Que coisa mais linda, muito obrigada pelo seu tempo que ficou conosco. Foram cerca de 42 minutos muito prazerosos, muito proveitosos. Eu espero que essas palavras da Fernanda, essa experiência dela, inspire você também a fazer melhores escolhas, te dê coragem para dizer não para aquilo que te faz mal, para que você possa dizer sim para você, para que você possa dizer sim para aquilo que pode te fazer feliz. Eu tô muito feliz por ter tido essa oportunidade com ela e de alguma maneira o que nós conversamos está aqui também no livro Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. Outro dia eu vi uma coisa muito bonita que eu vou compartilhar com vocês. O autor de um livro é como um jardineiro. O jardineiro cuida das plantas, cuida das flores para que o ambiente fique melhor, para que as pessoas que passem por essa natureza também admirem este trabalho dele, mas é uma admiração pela natureza, pelo resultado. E é isso que de alguma forma os autores, não só de livros, mas também de músicas, queremos. No final das contas, nós queremos que o nosso ambiente fique mais coerente, no ritmo certo, com bastante saúde, É isso que eu desejo para vocês quando eu ofereço aqui, sabe, informações que podem ser úteis para que vocês conquistem um tempo livre, que assim vocês vão se colocar na agenda para não fazer nada. Nós precisamos aprender a não fazer nada. E assim, para que vocês possam colocar mais vida no tempo de vocês, tá certo? Eu vou abrir aqui os comentários, se alguém tiver alguma pergunta que eu puder ajudar Eu não coloquei aqui as perguntas, mas a Fernanda respondeu muito do que outras pessoas já tinham comentado. Então, Silvia, obrigada pela sua presença, Lisley, Ana. Então, muito obrigada a todos vocês. Eu vi que um comentário: onde o livro está sendo vendido? Em qualquer plataforma de vendas. Amazon, Submarino Magazine, Luiza, fiquem à vontade. No Resiliência Humana eu consigo enviar um livro para vocês com dedicatória, que é o mínimo, né, que eu posso fazer. Vocês que vão dedicar tempo para ler o livro, eu tenho que ter tempo para colocar uma dedicatória para vocês. Mas aí só lá pelo Resiliência Humana, tá? Marcelo Monteiro Barbosa chegou tarde, mas depois essa live ficará lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, tá certo? Eu acho que então já vou ficando por aqui agradecendo a presença de vocês. Sirlene, Sussu Aroma, Sueli, minha querida, minha querida amiga linda. Deixa eu ver se vai dar um tempo aqui. Dá 5 minutinhos. Dano existencial, na verdade, Georgia, acho que você está perguntando sobre as nossas crises existenciais, elas acontecem, né, por todas as 150 entrevistas que eu fiz com pessoas que respeitamos e marcam o nosso tempo. Essa atualização de identidade que não fazemos é que nos gera essas crises existenciais. Mas aí, aquilo, ou a gente faz voluntariamente ou a gente vai acabar fazendo involuntariamente. Então é assim, é como a pausa. Ou a gente faz uma pausa voluntária, ou a vida vai te chamar para uma pausa involuntária. É como uma viagem de carro, né? Aproveitando a música da Fernanda Takai, como Zuni, um novo sedã. Então imagina que vocês estão com um carro novo andando numa estrada, e aí nessa estrada tem lá placas de limite de velocidade. Por que será que tem limite de velocidade? Porque se você ultrapassar a velocidade dessa estrada, você se coloca em risco e coloca as outras pessoas em risco. Aí vai aparecer ali no painel que você precisa abastecer o carro. Aí você vai dizer que não, não preciso abastecer, eu vou conseguir chegar na reserva. O que que vai acontecer? O carro vai parar. Isso é na vida. Hoje a gente vai fazer uma pausa voluntária, ouvindo os sinais do nosso corpo, porque o corpo envia vários sinais, não é brecho que da Carol. E ouvindo esses sinais, vocês poderão fazer uma pausa voluntária para evitar uma doença, para evitar qualquer coisa que tire vocês do ritmo que vocês estão ou que querem estar, tá? Não se esqueça que existe velocidade mínima também. Sim, esse é o grande segredo, é você encontrar o seu equilíbrio, o seu ritmo. Você pode estar na cidade mais agitada do mundo E você vai ter o seu ritmo. Assim como você pode estar na cidade mais pacata do mundo, com 3, 4 mil habitantes, mas se você estiver rodeado de tecnologia, iludido, né, com esse brinquedinho, a gente pode estar super acelerado em uma cidade que tem um ritmo mais lento. Então nós é que vamos determinar a nossa velocidade. Quando eu menciono sobre os limites, quando falo sobre os nossos limites de velocidade. Eu estou dizendo sobre os nossos limites, sobre as pausas voluntárias ou involuntárias. E aí, para fechar então com a pergunta da Georgia em relação a crises existenciais, eu trago um capítulo no livro inclusive que é a atualização de identidade, né? A Fernanda comentou isso quando ela tinha 20 e poucos anos, ela tinha uma jornada dupla. Depois, com o tempo, ela começou Ela teve que escolher uma das jornadas e teve que dizer não para várias coisas legais. Então ela foi se atualizando para não sobrecarregar a máquina. Então o nosso equilíbrio nós vamos encontrar quando a gente tiver humildade para reconhecer que com o tempo a nossa saúde vai mudando, a regeneração das nossas células, ou seja, a recuperação do que a gente vai fazendo, vai mudando. Então, de novo, a gente vai ter que escolher se nós faremos uma atualização de identidade que pode evitar uma crise existencial, ou quando vier a crise existencial, beleza, então agora é a hora, agora que eu vou me atualizar, deixa eu ver quem eu sou e para onde eu vou, né? Nós é que teremos que escolher. Ontem eu fiz uma entrevista com o Dr. Fabiano Moulin, um neurologista especialista em comportamento e cognição. Ele falou uma coisa maravilhosa que eu vou encerrar aqui essa nossa prosa com a fala dele: nós somos estimulados a aprender tudo fora, matemática, geografia, português, inglês, né, e tudo mais. Só que nós não somos estimulados a aprender o que acontece dentro de nós. E é tão maluco que aí quando você fala sobre autoconhecimento que é você se conhecer, parece que você tá falando de algo que não seja válido, que você não tem dignidade para falar disso. Mas você pode falar de outras coisas que estão fora. Então eu achei muito interessante essa, essa fala do Dr. Fabiano Moulin, porque ele é um neurologista da UNIFESP, super, super respeitado. Então Eu acho que ele vai me ajudar a explicar para vocês que sim, nós precisamos nos conhecer para fazer boas escolhas e assim viver um tempo de qualidade, tá? Sussu, a Maria Cristiana perdeu e não conseguiu assistir. Se não estiver no YouTube, eu vou falar agora aqui com o Flávio, que é um rapaz que me ajuda demais aqui com a tecnologia. Para já subir lá para o YouTube, tá? Mas recomendo para vocês essa live com o Dr. Fabiano Mulan. Nós vamos rotulando as coisas, sabe, etiquetando tudo, e com isso a gente perde tempo, a gente perde energia, a gente joga fora situações que poderiam ser muito boas porque em algum momento a gente achou que aquilo ia ser ruim. Enfim, acho que vocês vão gostar demais, meus amores. Muito obrigada mais uma vez. Lembrando que tudo que eu conversei com a Fernanda Takai, uau, que emoção, está aqui no livro Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. Por que que eu preciso encontrar o meu limite? Por que que a Isabela fala tanto de parar um pouquinho para poder continuar? Sim, porque neste mundo que nos pedem para acelerar o tempo inteiro, se a gente não souber a hora de desacelerar um pouquinho a gente não continua, porque aí o nosso corpo vai, vai arriar, vai pedir ajuda, vai pedir: agora para, né? Mas estamos aqui para falar aquilo que talvez ainda ninguém disse, que vocês podem escolher que tempo vocês querem viver, tá certo? Beijo grande, boa noite, até amanhã. Aliás, amanhã Será que tem diferença entre tristeza e cansaço? Muitas pessoas que estão reclamando que estão tristes, será que não estão cansadas? Amanhã, no final do dia, estarei aqui com o Dr. Frederico Porto. Tchau, tchau!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








