Conversando sobre a Síndrome de Burnout - Live com Thassya Prado | Izabella Camargo

Izabella Camargo talks with Thassya Prado about her burnout diagnosis, describing her symptoms and recovery. They cover workplace causes, prevention, legal protections under Brazilian labor law, and why people show up sick instead of taking time off.
Chapters
Olá pessoal, tudo bem? Vamos começar a live com a Isabela, Isabela Camargo, sobre a síndrome de burnout. A gente teve aqui um probleminha técnico, por isso que eu saí e entrei de novo. Mas eu quero nessa live falar com vocês— Oi prima, tudo bom? Júlia, direto da Itália. Eu quero falar com vocês justamente sobre a síndrome de burnout com alguém que foi diagnosticada com a síndrome de burnout. Eu acho que isso que é muito importante, a gente ter a visão de uma pessoa que foi diagnosticada de uma pessoa que sofreu a síndrome, de uma pessoa que passou por todos esses sintomas, por tudo isso. E eu acho que vai agregar muito para vocês, tanto para quem é advogado, tanto para quem quer combater a síndrome. Deixa eu convidar aqui a Isabela. Aqui não tá indo. Isabela vai entrar. Isabela, tem— Oi, tudo bom?
Tudo ótimo, e você?
Tudo ótimo. Queria te agradecer primeiramente pelo tempo, pela oportunidade. Eu acho que você só tem a agregar sobre esse assunto tão importante que cada vez mais pessoas precisam ter o conhecimento e para que juntos nós possamos combater de verdade esses números tão altos de trabalhadores diagnosticados.
Sim, doutora, posso te chamar de doutora? Pode me chamar de Tássia. Tássia. Ô, Tássia, você tá me ouvindo bem? Todo mundo tá nos ouvindo bem? Pronto. Obrigada pela oportunidade, obrigada pelo espaço. Eu tô tentando aqui deixar o telefone da melhor maneira, tá? Então vocês me perdoem se caso ainda ficar ajustando aqui, mas vamos lá. Obrigada pela oportunidade. Cada minuto que a gente falar sobre não só o burnout, mas qualquer outra sua situação que envolva a saúde ocupacional, todos ganham, né? Então eu tô muito feliz. Eu sei que você já entrevistou outras pessoas, então me perdoe se eu repetir alguma coisa, tá, que já foi dita, mas tô aqui à disposição.
Eu acho que a sua fala é muito importante porque você passou por isso mesmo, né? Eu como advogada, eu falo, trouxe psicólogo, advogados de outras áreas, Mas eu acho que a sua fala é muito importante porque é algo mais concreto. Você pode falar mesmo dos sintomas, do que você passou, e eu acho de suma importância a gente falar desse assunto. Eu sempre falo, eu sou advogada trabalhista de empresa, mas eu não tô contra o empregado. Ao contrário, eu acho que o meu papel é justamente de deixar um meio ambiente do trabalho adequado para o trabalhador, porque não existe empresa sem o trabalhador. Eu acho que a equipe de uma empresa é a parte mais importante de uma empresa. Uma empresa, ela pode ter o melhor nome, o melhor fornecedor, o melhor material, mas se ele não tiver a melhor equipe, ela não vai para frente. Então acho que nós precisamos de trabalhadores que foquem nos, na equipe, nos colaboradores, e não apenas em lucro, em dinheiro, né?
Na verdade, tá, Eu concordo com tudo que você está dizendo. E aí a gente vai lembrar o seguinte: nós estamos falando de patrimônio humano, nós estamos falando de talentos, nós estamos falando de seres humanos. E a gente tem que entender que todos temos um cérebro. Então hoje eu tenho falado muito sobre isso, né? E quando a gente fala todos que têm um cérebro, nós estamos falando de todos os níveis de uma pirâmide hierárquica e de todos os níveis da sociedade. Ou seja, Ninguém está imune do burnout, ou ninguém está imune de qualquer outra patologia, mesmo que você tenha uma predisposição que já vem da família ou do ambiente em que você esteja trabalhando. Qualquer pessoa pode desenvolver uma dor invisível, como eu costumo chamar, né, que é a depressão, ansiedade e o estresse, que em excesso leva ao burnout. Curioso que essa semana eu participei de uma apresentação de um médico do trabalho do Itaú Unibanco, o Dr. André Fusco, e a gente começou a falar sobre resiliência. Então, se você me permite, eu queria só trazer esse detalhe, porque, claro, o excesso de resiliência leva ao burnout. Como assim? Mais de 1.800 pessoas já falaram comigo sobre o burnout através de um e-mail tratando burnout, através das minhas redes sociais. E aí eu consegui cruzar dados que trazem o seguinte: são pessoas extremamente competentes e responsáveis que, justamente por ser tão responsável, se elas têm algum problema, o nível de resiliência é tão alto, tá, que elas vão suportando, suportando, suportando, até que chega um limite também. Então a gente tem que tomar cuidado com essas palavras que o mercado sempre coloca como se o problema não existisse. Então quando fala: ah, você tem que ser resiliente, sim, mas também tem limite. Ah, você tem que ser, você não pode dizer não, cuidado, porque também tem limite. Porque nós seres humanos, nós vamos perdendo algumas capacidades ao longo dos anos. E gente, é tão curioso, né, a gente falar sobre isso, tá, porque um equipamento eletrônico também não perde desempenho ao longo do tempo. Nós Que temos células e cérebro também. Então eu tô tirando um pouco o foco da minha história, mas tô à disposição para falar o que for preciso. Mas eu tô sempre querendo trazer essa reflexão que, gente, qualquer pessoa pode desenvolver o burnout. Existem algumas profissões mais específicas, aquelas que não podem errar de jeito nenhum, que colocam em risco vidas, né, um número muito grande. Mas eu sempre gosto de chamar para esse estado de atenção, essas palavras que nos colocam: colaborador, sabe? Você está contribuindo. Não, você está trabalhando, você está vendendo suas horas de vida, sua saúde para o empregador. Então, se esse trabalho não fizer sentido, se você não tiver sendo bem tratado, se você não tiver os seus mínimos direitos reservados— e aí eu acho ótimo o seu portal, né, que é Entenda Seus Direitos. É isso mesmo. Eu tô vendo aqui uma, uma, as mensagens, né? Figueiredo, Mônica, né? Ai, me sinto culpada. A culpa, Tássia, ela é terrível, porque além de você ter que lidar com o seu, o seu tratamento, a incompreensão das pessoas, você sente uma culpa por ter chegado a esse ponto, sabe? Olha, ficaria aqui horas falando só disso.
Isabela, quando que você se enxergou com burnout? Foi só depois de um diagnóstico mesmo ou você já foi vendo alguns sintomas que levaram a isso?
Tássia, durante 4 anos eu fui acumulando vários sintomas, só que eu nunca poderia imaginar que o resultado de todos esses sintomas teria o nome de burnout. Não. Então, durante 4 anos eu fui acumulando um monte de sintomas no corpo e fui tratando cada sintoma desse com um tipo de médico. Então eu ia desde um cardiologista a um endocrinologista, buscando alternativas legais, tá, sem usar nenhuma droga ilícita, para dar conta do trampo. Quem é que nunca pensou: nossa, eu preciso de uma ajuda porque eu não tô dando conta, né? Então eu tenho ouvido muitas pessoas que antes de procurar ajuda elas caem nas drogas e na bebida alcoólica. Isso é um fato, tá? Não sou eu que estou falando. No meu caso, então, foram 4 anos. Os problemas começaram a ficar mais graves no estômago. Qualquer coisa que eu comia fazia mal e meu intestino também não funcionava, até chegar um ponto de eu procurar o principal gastroenterologista do Brasil, um dos. Fizemos todos os tipos de tratamento com antibióticos que você pode imaginar, e ele já associava isso ao meu horário de trabalho, né, porque eu tava sempre muito estressada, muito irritada, muito chorosa e com muita dor sempre, né. Só que isso para uma pessoa que Eu me considero espiritualizada, medito, busco sempre o caminho do bem, ou seja, atitudes positivas. Tudo isso que eu acabei de citar não é comum. E aí eu tava achando que aquilo só tava relacionado ao horário de trabalho, só. Depois eu fui tendo outros sintomas mais graves: taquicardia, falta de ar, transpiração. Então tudo isso O Rafa tá aqui. Rafa, um beijo. Rafa é um grande amigo também que tá também nesse movimento de conscientização e respeito. Mas então eu fui acumulando todos esses sintomas, tratando tudo como normal. E aí tá, se a gente tem que— eu vou pedir aqui para quem tá nos seguindo, assim, levanta a mão quem nunca tomou um remédio para aguentar trabalhar, um anti-inflamatório, antibiótico, né, que ficou lá sobrando. A gente trabalha doente, a gente trabalha com muita dor e a gente acha que tudo isso é normal. Então eu ter gastrite é normal, eu tenho enxaqueca é normal, eu ter dor na coluna normal. Não, gente, normal é você trabalhar com— é você trabalhar bem sem ficar tomando remédio para se dopar, porque no fundo a palavra É se dopar. Então eu estava me dopando, ou seja, eu estava me tratando com vários médicos de várias, várias especialidades. Aí depois de 4 anos eu tive diagnóstico, mas esse diagnóstico só veio de eu ter chegado no limite. Qual foi o limite? Eu ter desorientações mentais, ou seja, esquecer coisas muito óbvias. Não é um esquecimento assim, ah, esqueci a chave do carro, não sei onde eu coloquei. Não, é um esquecimento que te deixa fora de si, que você não sabe onde você tá, quem é você. E depois eu tive desorientações físicas. Então assim, a sensação de bater o carro era muito nítida até eu chegar no psiquiatra. Aí eu cheguei no psiquiatra, conforme eu cheguei, comecei a relatar as coisas. Ele falou: Isabela, você está com a síndrome de burnout, eu preciso te afastar por 15 dias. Oi. E aí eu comecei a chorar mais do que eu já tava chorando, né, porque foi uma crise tremenda. E aí começou toda a minha saga, porque eu achei que em 15 dias eu estaria bem. Não foi necessário, porque veja, foram 4 anos acumulando muitos, muitos— a gente fica 4 anos se maltratando. 4 anos ausente de si, 4 anos não se ouvindo, no meu caso, tá? Tem gente que pode ser menos, pode ser mais. E aí, quando você, aí quando você faz um tratamento, o primeiro, é até importante eu dizer isso para quem tá aqui nos acompanhando, e gente, compartilhem isso com outras pessoas: quando você trabalha em regime de CLT, a priori as empresas vão te dar 15 dias, porque depois disso você vai ter que entrar no INSS. Então Por mais que você já precise de um afastamento maior, as empresas tendem, os médicos tendem a dar o afastamento de 15 dias, porque se você não se recupera em 15 dias, você vai ter que se afastar pelo INSS. Então, depois desses 15 dias, aí eu tive mais 2 meses e eu tava me sentindo muito bem para voltar, mas aí eu tive a demissão no mesmo dia que eu voltei. Então, ou seja, é uma outra carga de frustração, decepção, estresse, desvalorização, aí volta para a estaca zero. Respondeu sua pergunta?
Por isso que é tão importante a OMS agora, né, que ela tenha a CID própria, por quê? Porque agora fica claro que é uma doença do trabalho. Então, quando o trabalhador ele for afastado, quando ele retornar, ele vai ter uma estabilidade de 1 ano. Não vai mais poder a empresa— porque não vai ter mais essa dúvida: é decorrente do trabalho ou não? Não, a OMS já deixou claro, é um fenômeno ocupacional. Então agora o trabalhador tá claro que ele vai ter essa estabilidade de 1 ano. Eu acho que isso faz parte do tratamento. Você acaba de retornar de um esgotamento profissional, você fica com medo a todo momento de ser mandado embora. Você ser mandado embora Você deixa o trabalhador totalmente desamparado, né? Por isso que é tão importante essa estabilidade.
Sim, eu tô vendo aqui uma mensagem do Lucas Gasparotto: 2 meses com auxílio-doença. Sim, depois de um afastamento de 15 dias eu tive mais um de 2 meses. Então o meu total afastado do meu ambiente de trabalho foi 2 meses e 15 dias. É muito importante isso que você tá colocando, tá, Círcia, porque antes da OMS, a Organização Mundial da Saúde, se reunir com 190 delegações e ter incluído a síndrome de burnout no ambiente de trabalho, tá? Então nós não estamos falando de uma coisa muito simples, a gente tá falando uma coisa muito séria. O diagnóstico era muito abstrato. As pessoas diziam que podia, você podia ter o burnout em outras áreas. Não. O burnout, ele é caracterizado como uma doença ocupacional, como a Lerdort foi na década de 90. Lembra quando as pessoas tiveram muitas lesões, né? Você sabe que eu tô dizendo assim para vários jornalistas que o burnout, Tássia, é a nova Lerdort, só que na década de 90 outros músculos eram utilizados, né? O burnout é nova lei. Eu tenho uma frase ainda mais impactante que eu ouvi do procurador do Ministério Público do Trabalho de Campinas, que eu estou fazendo um trabalho fantástico com eles, chamado A Dor Pode Te Marcar. Eles estão fazendo um trabalho, tá, de conscientização ali nas especificamente, mas que pode ir para outros estados. Aliás, já te convido a depois entrar lá no site, A Dor Pode Te Marcar. Em que eles colocam que um trabalhador com dor, ele só vai ter uma doença, vamos lá, você com dor só vai ter uma doença se você negligenciar isso por muito tempo. E quando você tem uma doença e você é afastado pelo INSS, você fica marcado. Então você pode voltar a trabalhar ou não. Com a OMS, agora nós já sabemos que existe a estabilidade de 1 ano e ponto, acabou, tá certo? E esse promotor, como eu tava dizendo, ele disse para mim uma das frases mais impactantes: nós estamos vivendo uma epidemia de trabalhadores doentes, ponto. E aí, se alguém quiser questionar, eu, se alguém quiser questionar, é só falar com o Ministério Público do Trabalho. Eles têm números assim, ó, Sabe, a granel. Aí eu tô vendo aqui, ou sineia, se não tem o SID, como RH vai registrar o afastamento? Ou eu vou dizer, pelo que eu já falei com muitos psicólogos, tá, e psiquiatras, o SID é o Z73, se eu não me engano. E aí você tem hoje 2 tipos de provações que o seu organismo está em colapso. Cortisol, que é um exame de sangue, e testes neuropsicológicos em que os especialistas, então os neuropsicológicos, medem batimento cardíaco e pressão arterial. Então eu discordo quando alguém me diz: "Ai, mas não dá para detectar depressão ou burnout." Dá, dá, e eu me coloco à disposição, eu abro meus exames para quem quiser ver Eu fazia exames no Hospital Sírio-Libanês graças a um plano de saúde que eu tinha, tá? Isso não é mérito por eu ter trabalhado onde trabalhar, né? Porque eu ainda recebo muitas mensagens hostis de pessoas me questionando, né, fraqueza, oportunismo e tudo mais. Eu antes ficava muito, muito triste com isso, e hoje eu aprendi a aceitar, porque eu aceito essas pessoas que não sabem o que estão falando, né? Ou eu fico ainda mais doente. Mas esse exame de cortisol, tá, só para encerrar essa história de medidores, como é que, né, a pergunta ali da moça sobre o SID. Não, você tem já SIDs, sim, que os psiquiatras já colocam lá no seu prontuário. E o cortisol não é pedido normalmente pelos médicos, porque se alguém fala assim: ah, eu fiz o hemograma completo e não apareceu nada, não vai aparecer porque não tá lá cortisol. Você tem que pedir especialmente, tá.
É isso, isso é uma importância. E a gente tem muito processo na Justiça do Trabalho, né, que é justamente isso. Quando, porque muitas vezes o médico, né, o psicólogo, psiquiatra, não coloca especificadamente que é do trabalho. Então é muito importante que hoje em dia, agora, como você está sendo muito falado, eles já estão colocando, porque aí vem um laudo correto Se a empresa não afastar do modo certo, se o INSS não reconhecer do modo certo, a Justiça do Trabalho já tem condenado. Então condena a empresa, danos morais, danos materiais. Tem muito trabalhador que acaba tendo que se aposentar por invalidez. E aí, principalmente os casos dos professores, porque o professor ele só sabe fazer uma coisa da vida, dar aula, né? É a profissão dele. E aí quando ele tem um esgotamento muito forte, tem muito professor que precisa se aposentar por invalidez por isso. Mas já hoje, gente, mesmo a CID da OMS não estando em vigor, os médicos já têm colocado síndrome de burnout, já tem sido reconhecido. E quando não é, a justiça faz o seu devido trabalho que deve ser feito, porque o trabalhador ele precisa sempre ser amparado. Eu acho que tanto pela empresa, tanto pela justiça, como pela sociedade, que infelizmente eu acho que é o que falta. Como você vê a Isabela, todos nós sabemos da história, né, porque enfim, pelo seu trabalho, por tudo que você tem feito, mas ainda assim a gente tem gente que não tem empatia, né, você não consegue ter uma empatia, julgamento, é isso que vem muito. E eu falo, falta muito humanidade as pessoas.
E aí, como a gente começou essa live e agora o nosso número aumentou bastante, eu vou repetir: todos que têm cérebro podem ter burnout. Todo mundo que pensa pode ter burnout. Todo mundo que usa o cérebro para trabalhar pode ter burnout. Ah, Isabela, eu trabalho lavando roupa. OK, você, você não é uma pessoa que está num grupo propício a ter burnout. Burnout acontece nessa caixa maravilhosa chamada cérebro e que foi desconsiderada nas últimas décadas por N razões. Porque até 30 anos, 40 anos atrás, outros músculos eram mais solicitados, tá certo? Outros músculos. Então você usava de força física para fazer muita coisa antes. E hoje não, hoje você está usando o cérebro com muito mais intensidade do que no passado. E os neurocientistas, os neurologistas, os neuropsicólogos, os psiquiatras, eu tenho conversado com muita gente, todos afirmam: nós vivemos assim as últimas décadas com a indústria do coração, com a indústria da ortopedia, e agora a gente está entrando na era da indústria do cérebro. Sabe? E não me venha falar que, ai, a indústria farmacêutica— não, gente, sabe por quê? Porque eu me recusei a tomar remédio em 2016, quando eu tive um diagnóstico de depressão. E eu não tenho medo em dizer que se eu tivesse tomado antidepressivo em 2016, pode ser que eu não teria continuado nesse ciclo vicioso de só trabalhar, só trabalhar, só trabalhar, e achar que o problema era só meu. Então eu tenho desenvolvido inclusive conversa com laboratórios para a gente poder também desmistificar isso. E eu acho curioso, ainda falando sobre remédios, que assim, se— deixa eu só ver uma coisa aqui. Já ouvi falar que depressão não é doença, dificilmente consegue se encostar pelo INSS. Deixa eu só fazer uma pausa aqui, tá? Ninguém se encosta pelo INSS. Ninguém que tem caráter se encosta pelo INSS. Você só fica no INSS porque juridicamente a empresa só tem responsabilidade pela sua doença por 15 dias. Então ninguém se encosta no INSS. E por favor, mais respeito com todas as pessoas que estão aqui acompanhando essa live, porque nós temos hoje no Brasil um número que passa de milhões em sofrimento mental. E justamente por ser sofrimento mental, ninguém tá vendo. E é muito mais fácil mostrar uma dor que sangra, uma dor de um osso quebrado, do que uma dor invisível, tá? Então vamos lá, eu só tô exigindo respeito por todas as pessoas, né? Eu faço isso todos os dias da minha vida. Mas a questão do remédio é assim: ele é necessário em alguns momentos, sim, porque o que acontece aqui dentro é químico. Então vai ter hora que você vai precisar de um remédio. E aí, tá, eu costumo dizer assim, Se alguém nos der um remédio para tomar todos os dias para não acumular gordura, você vai tomar todos os dias. Então, por que não aceitar uma ajuda que é química para que você retome o estado normal? E teve um neurologista, o Dr. Leandro Telles, que eu amo ele de paixão, e ele, ele disse que o burnout afeta funções cerebrais e não estruturas cerebrais. É por isso que eu tô falando aqui com vocês sem cair nenhum parafuso, né? Porque alguém, às vezes as pessoas me falam: ai, Isabela, tá com transtorno mental. Não, gente, nenhum transtorno. Aliás, acho que eu não tive nenhum comportamento nos últimos meses que mostrasse isso. O burnout, ele é um freio, ele não é o fim. O burnout é um freio. E quais outros freios a gente pode falar, Tássia? Infarto, AVC, ou qualquer outro problema que impeça a pessoa de trabalhar. Então a gente tem que olhar, voltando ao seu último comentário, com mais empatia, com mais respeito, com mais humanidade. Se eu tivesse uma palavra para dizer seria essa, né? Humanidade. Porque aquele profissional que está do meu lado tendo uma crise nervosa e eu não quero olhar para aquilo como se fosse possível para mim, cuidado, porque você também pode passar por isso. Como eu disse, todo mundo que usa o cérebro para trabalhar pode ter Sim, um burnout. Falando especificamente de burnout, né?
Isabelle, eu queria te perguntar: você acha que algo poderia ter sido feito para evitar que você chegasse nesse colapso?
Sim. Você pergunta algo químico ou trabalhista ou profissional?
Trabalho mesmo. Você acha que algumas ações poderiam ter sido feitas, evitado algo O que você acha que a empresa poderia, sem falar nome, mas o que você acha?
Sim, sobre a empresa que eu trabalhava, eu até quero registrar, a gente está atingindo aqui um número muito interessante de pessoas que estão interessadas no assunto. Eu amei muito ter trabalhado onde eu trabalhei. Eu conquistei a confiança de muitos amigos lá dentro e a confiança de muitas pessoas fora, inclusive acredito que muitas das que estão aqui. Nos acompanhava. Então eu só posso agradecer os 6 anos e meio que eu trabalhei na empresa anterior. Ao mesmo tempo, eu reconheço que eu aprendi muito, eu me desenvolvi muito e entreguei bastante também. Que aí os números, né, que, que falam sobre a IBOPE e tudo mais, aí então eu não preciso mais falar sobre isso. Então eu entreguei o que me pediram, com muita ética, com muita responsabilidade, muito comprometimento, ponto. E aí, sobre a sua pergunta, a questão é: o que que a empresa poderia ter feito? Eu costumo dizer nas empresas hoje que os departamentos de RH têm as informações, sabe? Estão perguntando aqui o que que eu, que que essa moça tá participando, por qual motivo da live. Bom, eu não sou japonesa, minha maquiagem tá aqui, meu nome é Isabela Camargo. Sou jornalista, eu tô falando sobre a síndrome de burnout, que é uma doença ocupacional que atinge milhares de brasileiros. 3 de cada 10 têm burnout no Brasil. Bom, e aí, Tássia, quando me perguntam o que fazer, então eu costumo assim não colocar nem vilão e nem vítima, porque o RH tem as informações, e com essas informações O RH pode se omitir ou pode fazer algo pelos seus profissionais. Aí os profissionais vão me dizer assim: "Tá, mas o sistema é esse." Então, aí é uma conversa de gente intelectualmente igual para dizer assim: "Olha, eu estou adoecendo e eu preciso de ajuda." Essa ajuda pode vir, essa ajuda pode não vir. Tirar da clandestinidade o assunto já é o primeiro passo para cura, tá? É tirar o assunto da clandestinidade, já é um grande passo para todos os trabalhadores. E o RH não virando as costas para as informações que eles têm também já é um bom caminho. Então, no meu caso, foram 2 anos, 2 anos de laudos médicos e pedidos médicos para mudança de horário, porque interferia o meu ciclo circadiano. E qualquer pessoa que trabalha à noite tem consequências fisiológicas graves, homens ou mulheres. Ah, mas eu trabalho há um ano, não tenho nada. Ok, que bom, mas cada corpo é um, tá? Você tem filhos? Não. Não, eu também ainda não. Vamos supor que nós duas vamos engravidar. 'Ah, e aí você tem enjoo e eu não?' 'Você é fresca e eu não sou?' Você entendeu? Burnout. Isso que é burnout. O burnout é isso, é você falar de um problema, trabalhar de madrugada, é você falar que você desenvolve um problema e as pessoas acharem que, nossa, porque a outra fulana não teve, você teve, então você é fresca. Não, gente, porque cada corpo tem uma biologia. E aí os médicos explicam, nem preciso gastar o tempo da nossa live com isso, tá?
Tem uma empresa que eu trabalho muito com compliance trabalhista, justamente essa área de prevenção para empresa.
Show!
E junto com psicólogo da empresa, o que que a gente fez? Eles têm um sistema que tem funcionários que trabalham de madrugada, mas esses funcionários não trabalham mais de 6 meses dessa forma. Então eles ficam se revezando, 6 meses uma equipe trabalha de madrugada, 6 meses outra equipe, e justamente para isso A produtividade mudou, os funcionários estão mais felizes, a gente não tem mais falta.
Já faz—
não tem mais falta, não tem mais muito atestado. Os funcionários, sabe, eles estão mais felizes. A gente faz uma pesquisa e eles estão com— e eu falo, gente, como é importante essa ação da empresa. E a gente não teve ninguém na empresa afastado, mas a empresa se preocupou Então a gente fez um trabalho, uniu jurídico, RH e o psicólogo da empresa. Isabela, o resultado foi tão satisfatório que eu falo: gente, toda empresa tinha que fazer isso, porque realmente você ficar 1, 2, 3 anos trabalhando sempre de madrugada vai ter um impacto. A gente precisa do sono corretamente, do horário corretamente, né?
Ô Tássia, você pode falar qual é o setor dessa empresa? Que eu sei que você não vai poder falar o nome da empresa, mas o setor que ela atua?
Ela atua com publicidade e marketing e eles fazem trabalhos de madrugada também.
Meu Deus, me fala o nome dela que eu vou mandar meu currículo agora.
Eu te falo depois.
Olha só, é, pera lá que agora eu esqueci o que eu ia te falar. Ah, lembrei, você falou sobre o número de atestados. Existem duas coisas que a gente precisa colocar aqui, que a gente tá com um número muito interessante aqui de pessoas nos acompanhando. Absenteísmo é uma coisa, presenteísmo é outra coisa. Absenteísmo é quando você tem afastamentos, assim, constantes, né, doenças frequentes. E presenteísmo é pior ainda, que o presenteísmo é a pessoa já ter o diagnóstico, já ter um atestado, e ela não se afasta com medo de retaliação, preconceito, ser mandada embora. E ela vai trabalhando e vai ficando cada vez mais doente E aí, tá, se eu vou trazer como informação, ó, 146 seguidores, é o seguinte: vocês já devem ter ouvido a palavra karoshi. Karoshi é a morte súbita por excesso de trabalho, que no Japão o Ministério do Trabalho já paga indenização para vítimas de karoshi desde a década de 80. Então assim, o que que é pior que burnout? Como a gente disse, AVC, infarto, tal, que seriam pausas, né, para te chamar atenção. Para que desse jeito não dá para continuar. E caroche é morte súbita. Tem um documentário inclusive no Netflix chamado Happy, um documentário de 2012, que fala sobre isso. Então algumas podem assistir, vão entender mais. Vocês só dão Google, né, caroche, e vão entender o que eu tô dizendo. Mas muito feliz em saber que essa empresa já tá fazendo isso, muito feliz, parabéns.
Tem feito muito, e é justamente, eu vou te falar agora, te uso muito como exemplo. E eu tenho até um curso com minhas duas sócias sobre compliance trabalhista. E aí no curso tem uma parte que eu fico uma hora falando só de assédio moral e síndrome de burnout. E aí sempre que eu tô falando, tanto que no meu slide tá sua reportagem da Veja, tem algumas falas até suas. E eu acho que o trabalho que você tá fazendo é surreal, assim, mostra a sua força porque Você tinha tudo e aí ninguém poderia te julgar para estar afastada ainda, para não conseguir falar, não conseguir falar do assunto, para estar mal mesmo, né? E eu acho que você conseguiu utilizar isso para poder trazer para a sociedade uma informação que ela tava precisando, porque antes a gente tinha poucas pessoas não tava falando do assunto, ou quase nenhuma. E quando a gente falava de uma prevenção, de você olhar mais para o trabalhador, olhar mais para o ser humano, as pessoas te julgavam. Então, quantas vezes já falaram para mim, para as minhas sócias: não, mas a gente aqui busca, empresa busca lucro, nenhuma empresa vai querer fazer esse trabalho preventivo. E a gente não, a gente vai trabalhar diferente, a gente vai buscar isso porque Nós precisamos olhar mais para as pessoas. E eu queria, acho que em nome de todo mundo, eu queria muito te agradecer, Isabela, por ter usado da sua história para o bem. Porque o que você faz eu acho fantástico, eu acho incrível. E eu, como advogada, como operadora do direito, eu fiz um juramento e eu me comprometo com você que todos os dias do meu trabalho eu sirvo a empresa, eu trabalho para empresa, mas é justamente para melhorar o meio do ambiente do trabalho, que eu acho um absurdo. A gente tem no Brasil 30% dos trabalhadores com síndrome de burnout e ninguém fala.
São 30% e isso dos números que são notificados. Eu me lembro, eu me movimento a partir da Lei Maria da Começou, né, e os Os documentos, né, comprovando os assédios morais e verbais e físicos às mulheres, eles começaram a crescer, ainda se recusam a falar sobre isso. Então imagina o caminho que nós temos pela frente, sabe? Então eu quero te falar duas coisas. Primeiro, que prevenção é mais barato do que tratamento, tá? Então é muito mais fácil o RH tirar da clandestinidade, olhar para os seres humanos, os seus talentos, Porque, pegando já o gancho da campanha de Campinas, a dor pode te marcar. Dor vira doença, doença vira afastamento, afastamento gera custo. Simples, né? Então é simples assim: tratamento é mais barato do que— prevenção é mais barato que tratamento. Tô com fome, tá? Acho que agora já começou. E aí, a segunda coisa que eu quero te dizer É de uma matéria que saiu na revista HSM. Acho que todo mundo aqui que trabalha já ouviu falar. É uma publicação, ou seja, um grupo extremamente respeitado. E eles fizeram uma matéria de capa chamada assim: Você acredita em empresas que curam? E aí eles trazem uma matéria falando sobre a iminência de um capitalismo mais humanizado. E eles trazem, gente, 20 empresas, as 20 empresas mais humanizadas do Brasil, que têm 2 vezes mais lucro que as concorrentes. Então, o que que isso significa? Que as empresas mais humanizadas do Brasil, olhando para os seus talentos, têm mais lucro. Então não me venha com aquele discurso, né? Ah, a empresa só visa lucro. Sim, mas hoje, tá, eu já sei que o nosso tempo tá acabando, é importante a gente deixar a seguinte mensagem: como nós chegamos até aqui nós já sabemos, tá? O modelo empresarial, o modelo de lucro, modelo de acionistas, nós já sabemos como funciona. Hoje o meu papel é tratar com muito carinho o assunto de como nós vamos seguir a partir daqui. Como eu disse, o burnout ou outras doenças ocupacionais atingem todos os níveis da pirâmide. Então, se você trabalha numa empresa, o seu RH ainda não percebeu o perigo, procure ajuda especializada. De quem? Um psicólogo. Aliás, as pessoas me perguntam mesmo, né? Ai, qual médico eu procuro primeiro? Primeiro, psicólogo, porque se você precisar tomar um remédio, é o psiquiatra. Ponto. Ah, mas o psicólogo ou psiquiatra, enfim, então uma advogada, né? Você é a segunda advogada que tá falando comigo. Primeiro foi o professor Marcelo Valle, que é autor do livro Burnout e as Responsabilidades do Empregador, e agora você. Então Tô vendo aqui o comentário: a França decidiu em 2017 instituir o novo direito, a desconexão tal na França. Então esse comentário aqui que eu não consegui ler inteiro, em outros países, né, por exemplo a França, que é um país extremamente sindicalizado, os trabalhadores têm direitos e tal, a coisa já mudou de figura, né? Então eu sei que a gente vai encerrar, mas eu queria só mostrar assim, tá na hora. Tá na hora da gente respeitar e olhar com mais empatia para quem está do nosso lado, porque quem está nos assistindo e todas as pessoas ou vão ter burnout ou vão conviver com alguém que tem burnout. Ponto. Isabela, você disse isso baseado em quê? Digo isso baseado em pesquisas nacionais e internacionais. O Brasil é o país número 1 em número de ansiosos, o número 2 em número de estressados, só perde para o Japão, e o número 2 em número de depressivos, só perde para os Estados Unidos. Isso, mundo, tá? Então isso significa o quê? Estamos buscando a nossa felicidade de maneira equivocada, estamos entregando para trabalhos que não estão atingindo as nossas expectativas vitais. Então acho que tá na hora da gente pensar em como é que nós vamos partir daqui. Falar que a empresa, o trabalho, o passado, né, o fordismo, o taylorismo. Gente, chega de gastar energia com o passado. Agora eu quero falar do presente e futuro, porque nós— eu tô aqui para provar para vocês que sim, o burnout é um freio, não é o fim. Como você disse, tá, se eu podia, sim, tá até hoje caída chorando, porque só eu sei cada dia o número de ofensas que eu recebo, o número de provocações que eu recebo. De pessoas que infelizmente ainda não sacaram o que tá acontecendo. E eu sugiro então para que as pessoas procurem mais informações sobre o burnout. Eu ainda vejo aqui, né, ai, o burnout é novo. Não, burnout é um nome novo para um problema velho. Tá, você sabe bullying? Sabe bullying? Bullying é um problema novo? Bullying é novo? Não. Na nossa época, acho que nós temos mais ou menos a mesma idade, Era zoeira, né, falta de respeito e tal. Bullying é um nome novo para um problema velho. É igual burnout. Burnout é um nome novo para um problema velho. Porque as nossas mães tiveram estafa e as nossas bisavós tiveram neurastenia. Não vou ter tempo de explicar tudo isso aqui, então dá um Google, tá? Então, burnout, eu costumo sempre comparar com bullying. É um nome novo apenas para um problema velho e acabou. Ai, mas Isabela, como eu diferencio um esgotamento de um final de semana para o burnout? Gente, nós estamos falando de um problema que pode ser adquirido de diversas maneiras. Não é só o horário de trabalho, não é só o que você faz no seu horário de trabalho. Tem uma série de situações que te levam para infelicidade. Existe uma coisa que eu falo nas palestras, nas empresas, que é armadilha da competência. Armadilha da competência, aquilo que você não consegue dizer não, porque justamente por você fazer bem o que você faz, o seu chefe te dá mais trabalho. E aí você vai tirando do seu sono, do seu horário de lazer, de alimentação, a sua saúde. Então, ou seja, ai, Alex, eu não posso falar isso que você tá escrevendo aqui, viu? Tenho vontade, mas eu não posso falar, sabe? Então assim, tá na hora da gente dar mais Google nesse assunto, gente, sabe? Para de ficar entrando na internet só para ver bobagem. Sabe, para de ficar falando: ah, isso é novo, isso é isso aqui. Não, gente, não é frescura, não é mimimi. A OMS tá com a gente, o Ministério Público do Trabalho está fazendo um trabalho fantástico. Então nós temos que pensar com mais carinho. Ai, tá, se eu adorei saber que você tá numa empresa que já tá pensando nisso, sabia? Nossa, volta a ter esperança no ser humano.
E toda empresa que eu tenho esperança no ser humano trabalha é esse, sabe? Eu sempre falo Primeira reunião que eu faço com a empresa é para ver o comprometimento da empresa com o programa mesmo. Eu acho que é o que você falou, a gente tá num ponto que a gente tem que mudar, não dá mais para fazer da mesma forma, o ambiente do trabalho não dá mais para ser como antes, a gente tem que mudar, a gente tem que evoluir em todas as áreas, né? A gente quer evoluir tanto em tecnologia, em— não, a gente tem que evoluir em tudo. E eu quero de novo te agradecer, te agradecer por aceitar a live, Obrigada por estar aqui. Pode falar.
Tem um comentário aqui do Alan dizendo assim: mas vale usar a lei ao ponto de submeter a pressão, de ter que voltar e as pessoas dizerem: olha lá, encrenqueira, voltou só para forçar a barra. Eu vou falar rapidamente, eu gostaria de que você, dona da informação legal, me respondesse, essa pessoa e outras que estão aqui nos acompanhando. É uma questão trabalhista, é uma questão legal. Então, a partir do momento em que você assina um documento se responsabilizando pelo que você faz, a empresa também assina um documento se responsabilizando pelo que ela faz. Você me perguntou, tá, se a empresa que eu trabalhava poderia ter evitado o que aconteceu comigo. Sim, com laudos e documentos que foram apresentados antes, 2 anos. Só que o problema não é só comigo, o problema é com milhares de pessoas e milhares de empresas. Então não me venham com papinho de que, ai, porque trabalhava lá, porque Não, isso acontece com milhares de pessoas, senão a gente não teria 30% dos trabalhadores doentes no Brasil com burnout, fora os outros, tá? Então a minha questão não é para chamar atenção, eu não preciso disso e eu nem gostaria de estar vivendo o que eu tô vivendo. Eu não pedi para ter burnout, eu comecei a tratar o assunto há 4 anos. Então não é uma questão de chamar atenção, de encrenqueira, não. É uma questão para trabalhista, tá? Você, por favor.
Exatamente. Eu só quero deixar claro que, primeiro, quando a gente tem— existe um processo, existe uma determinação legal, ninguém tá fazendo favor para Isabela, tá? A Isabela não, ai, tá fazendo um favor porque ela tá na mídia, não. É uma questão trabalhista. Ela não poderia ter sido mandada embora. Ela, por mais que não estivesse, o INSS não deu afastamento corretamente, já se sabia que era por síndrome tinha uma estabilidade. É muito importante a gente lembrar também que os colegas de trabalho, os outros funcionários da empresa, eles não podem assediar um funcionário que está retornando. Então também é responsabilidade da empresa garantir que a pessoa que está sendo reintegrada seja bem tratada. Aí, função da empresa, eu sempre uso um exemplo, o exemplo da escola. Quando a gente tem escola, e vocês que, quem tem filho, deixa o seu filho na escola, se um amiguinho briga com seu filho, você vai reclamar com quem? Com um amiguinho ou com o diretor da escola e a professora? É com o diretor e a professora. E assim é numa empresa. O funcionário que tá na empresa, ele tem que ser cuidado pela empresa, ele tem que ser protegido pela empresa. Então, o que tá acontecendo com a Isabela não é favor para Isabela, não tá chamando da Isabela será apenas a justiça se cumprindo, a lei se cumprindo. Não podia mandar embora, tem que reintegrar. Aí, para chamar atenção, é para— não existe isso, não existe chamar atenção, não é outras pessoas ficarem xingando, ficarem falando, não pode. E se isso acontecer dentro da empresa, vai ficar caracterizado o assédio moral. E aí, mais uma vez, a empresa vai estar errando se não proteger a Isabela.
Eu gostaria assim de partir para uma conclusão, tá, que é a seguinte: não tem ninguém mais a fim do que eu para virar essa página. Eu falo isso todos os dias com meu marido, com a minha mãe e com os poucos amigos que sobraram, tá? Sobra dedo da mão. Dos amigos que ainda ficaram comigo. Então eu não vejo a hora de virar a página, eu não vejo a hora de ser chamada por uma emissora que queira a minha competência, o meu respeito. Se alguém quiser perguntar: você não recebeu nenhum convite? Não, o único convite que eu recebi para trabalhar desde então foi para ser assessora do ministro Marcos Pontes para falar sobre ciência e tecnologia. Então, eu gosto de colocar essa situação de verdade como ela é, porque tem um monte de gente sorrindo, bonitona e tal, e não, a realidade por trás disso é bem diferente do que as pessoas julgam, né? Eu não vejo a hora de virar essa página, não vejo a hora de ter uma nova chance de provar que eu estou bem, uma nova chance de mostrar que o burnout realmente é um freio, não é o fim, e não vejo a hora de seguir minha carreira. Porque outro dia um amigo falou assim: ah, eu não sabia que você queria voltar para TV. Eu falei: alguma vez eu disse que eu queria sair, né? Então eu agradeço o seu espaço, foi maravilhoso. Eu me emociono, né, quando eu falo isso, porque a minha dor é a dor de muitas pessoas que estão aqui nos seguindo, sabe? Outro dia eu vi uma senhora lá de Campinas nesse trabalho do Ministério Público, e ela falou assim para mim: Isabela, estamos me dopando numa empresa, inclusive, que Nossa Senhora— não vou nem falar o nome, nem sou, evidentemente, mas é uma daquelas que a gente admira muito. E ela falou assim: eu sou Maria, eu sou mulher, eu sou nordestina, nunca ninguém me ouviu. Então, eu tenho vivido com histórias muito semelhantes. Não importa a empresa, não importa se é mulher, se é homem, não importa se tá na— não importa se é quem tá no topo da pirâmide. Existe uma falta de compreensão tremenda para as doenças ocupacionais. Já sabemos disso, passado a gente já conhece. Agora o que a gente precisa é respeitar, dar um Google nesses nomes aí que a gente falou, Estafa, neurastenia, burnout não é novo, não é o fim, só tem burnout quem ama o que faz, e justamente por amar muito o que faz fica ausente de si mesmo. Em algum momento essa pessoa ela se sente muito desvalorizada. Esse é o caminho para o burnout, é você se colocar numa situação extremamente depreciativa para si, a fatura é só você quem paga, E para todas as pessoas que me escreveram aqui, é, alguém tá com depressão que eu conheço, que que eu faço? Gente, primeiro, primeiro psicólogo. Guarde a dor para si. É como eu falei, eu sei que eu junto muitas informações, que é muita informação, e eu gostaria assim de compartilhar, mas é o psicólogo primeiro. Se precisar de remédio, é ele que vai encaminhar para que abra. E aí, Tássia, para encerrar, quando a gente tem dor de dente, a gente procura quem?
Dentista.
Quando você precisa arrumar o seu sapato, você leva aonde? Sapateiro. Sapateiro. Quando você precisa arrumar seus sapatos, você leva no sapateiro. E por que que quando eu preciso organizar as minhas ideias e preciso de repente de uma ajuda medicamentosa, eu não posso procurar um psicólogo ou psiquiatra?
É tanto tabu, é tanto preconceito. Vamos marcar uma outra live para falar disso?
Vamos!
Isa, muito obrigada, obrigada por essa oportunidade. Agregar tanto para a sociedade, tanto para as nossas vidas. Eu quero te dizer que eu vou continuar na minha batalha de transformar as empresas. Eu acho que quanto mais pessoas estiverem comprometidas com o bem geral, com o bem comum, eu acho que esse mundo vai mudar. E eu quero te agradecer mesmo e dizer que eu te admiro muito e te desejar uma ótima sorte. Eu tenho certeza que só tem coisas boas para para você.
Muito obrigada, conte comigo, tá, nesse movimento.
Obrigado, tchau, obrigada, pessoal, muito obrigada.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








